Lindos Casos de Chico Xavier audio 5
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 5 - casos
21 A Medicação pela Fé
22 Humorismo Materno
23 O Caso da Besta
24 Uma Boa Lição
25 O Inesperado Benfeitor
26 História de Um Soneto
27 Disciplina
28 A Inesquecível Pergunta
29 Solidão Aparente
30 A Segurança do Trabalho
- Deus do Impossível· ReligiaoCajado Filho·Emmanuel·Parnaso de Alentúmulo
- Pejotização e trabalho· NegociosCajado Filho·Emmanuel·Exemplos Bíblicos de Vida no Espírito
- O fenômeno mediúnico e a incorporaçãoCajado Filho·Emmanuel·Mediunidade
- Uma Boa LiçãoEduardo VI e Maria I·Lorde (cão)·Caverna Misteriosa
- Cura e Religiosidade· ReligiaoCajado Filho·Tuberculose·Fé
- Reconhecendo e Superando a SolidãoCajado Filho·Emmanuel·Centro Espírita Luís Gonzaga
- Encontro inesperadoCajado Filho·Eduardo VI e Maria I·Honorato
- A história de Chico XavierCajado Filho·Parnaso de Alentúmulo·Alta de Souza
- A mulher graciosaCajado Filho·Eduardo VI e Maria I·Inferno
- O Caso da BestaCajado Filho·Parnaso de Alentúmulo·Eduardo VI e Maria I
21. A medicação pela fé. A moça, abatida num acesso de tosse, chegara ao Luiz Gonzaga com a receita médica. Estava tuberculosa. Duas hemoptises que já haviam surgido como horrível prenúncio. O doutor indicara remédios. Entretanto, Chico disse à doente: o médico me atendeu e aconselhou-me a usar essa receita por 30 dias, mas não tenho dinheiro. Você poderia arranjar-me uns cobres? O médium respondeu com boa vontade: Minha filha, hoje não tenho e meu pagamento do serviço ainda está longe.
Que devo fazer? Estou desarvorada. Chico pensou, pensou e disse-lhe: Peça a Jesus socorro e o socorro não lhe faltará. A que horas você deve fazer a medicação? De manhã e à noite. Então você corte a receita em 60 pedacinhos, deixe um copo de água pura na mesa em sua casa, e no momento de usar o remédio, rogue a proteção de Jesus. Tome um pedacinho da receita com água abençoada em memória dela, e repetindo isso duas vezes por dia, No horário determinado, sem dúvida, pela fé, você terá usado a receita.
A enferma agradeceu e saiu. Passado um mês, a moça surgiu no centro curada e refeita. Ó, é você? Disse o médium. Sim, Chico, sou eu. Pedi o socorro de Jesus, engoli os pedacinhos do papel da receita e estou perfeitamente boa. Então, minha filha, vamos render graças a Deus. E passaram os dois à oração. 22. Humorismo materno. Em 1931, mandar alguém para o inferno constituía grave ofensa, e um dos missionários católicos que visitaram Pedro Leopoldo naquela época, no zelo com que defendia a Igreja Romana, Falou do púlpito que o Chico, o médium espírita que se desenvolvia na cidade, devia ir para o inferno.
Chico, que frequentava a igreja desde a infância, ficou muito chocado. À noite, na reunião costumeira, apareceu a genitora desencarnada e, reparando-lhe a inquietude, perguntou-lhe bondosa o motivo da aflição que trazia. Ah, estou muito triste, disse o rapaz. Por quê? Ora, o padre me xingou muito. Que tem isso? Cada pessoa fala daquilo que tem ou daquilo que sabe. Mas a senhora imagine, clamou o Chico, que ele me mandou para o inferno!
O espírito de Dona Maria sorriu e falou: Ele mandou você para o inferno, mas você não vai. Fique na terra mesmo. O médium, ante o bom humor daquelas palavras, compreendeu que não convinha dar ouvidos às condenações descabidas e o serviço da noite desdobrou-se em paz. 23. O caso da besta. Em 1931, quando Chico passou a receber as primeiras poesias do Parnaso de Alentúmulo, Um cavaleiro de Pedro Leopoldo, muito impressionado com os versos, resolveu apresentar o médium e os poemas a certo escritor mineiro de passagem pela cidade.
O filho de João Cândido vestiu a melhor roupa que possuía e, com a pasta de mensagens debaixo do braço, foi ao encontro marcado. O conterrâneo do médium, embora católico romano, apresentou Chico entusiasmado e Este é o médium de quem lhe falei. O escritor cumprimentou o rapaz, entregou-se à leitura dos versos: sonetos de Augusto dos Anjos, poemetos de Casimiro Cunha, quadras de João de Deus. Depois de rápida leitura, o literato sentenciou: isso tudo é bobagem.
E mirando o Chico, rematou: este rapaz é uma besta. Mas, doutor, disse agastado o conterrâneo do Chico, o rapaz tem convicções e abraça o Espiritismo como doutrina. Pois então deve ser uma besta espírita, declarou o escritor. Bastante desapontado, o médium despediu-se. Em casa, durante a oração, a genitora lhe apareceu. A senhora viu como fui insultado? Perguntou Chico. E porque Dona Maria se revelasse alheia ao assunto, o filho contou-lhe o caso.
A entidade sorriu e disse: não vejo insulto algum, creio até que você foi muito honrado. Uma besta é um animal de trabalho. Mas o homem me apelidou de besta espírita. Isso não tem importância, exclamou a mãezinha desencarnada. Imagine-se como sendo uma besta em serviço do Espiritismo. Se a besta não dá coices, converte-se num elemento valioso e útil. Porque o filho silenciasse, Dona Maria acrescentou: Você não acha que é bem assim?
Chico refletiu e respondeu: É, pensando bem, é isso mesmo. E o assunto ficou sem alteração. 24. Uma boa lição. Adoece um dos irmãos do grupo, reumatismo complicado e renitente. Um amigo ensinou a aplicação de uma erva que somente se desenvolvia em cavernas do subsolo. Chico e José Xavier, tendo por acompanhante um belo cão que lhes pertencia, de nome Lorde, foram a uma grande lapa das muitas que existem nas cercanias de Pedro Leopoldo.
No caminho começaram a conversar. Falavam a respeito de certos amigos e comentavam: Beltrano não serve, fulano é muito esquisito, cicrano é imprestável. Quando as críticas iam inflamadas, o espírito de Dona Maria João de Deus apareceu ao Chico e aconselhou: Vocês não devem falar mal de ninguém. Todos necessitamos uns dos outros. Julgar pelas aparências é um péssimo hábito. Sempre chega um momento na vida em que precisamos de amparo de criaturas que supomos desprezíveis.
O médium transmitiu ao irmão quanto ouvira e calaram-se ambos. Chegaram à caverna e José, segurando Lorde por uma corda, desceu à frente. Depois de longa busca, encontraram a erva medicinal. Contudo, quando se voltavam para o retorno, perderam a noção do caminho sob as grandes abóbadas de pedra. De vela acesa, procuraram debalde a saída. Gritaram, mas não receberam um eco da própria voz. Quando a luz se mostrava quase extinta, recordaram-se da prece.
Oraram. Dona Maria João de Deus apareceu ao médium e considerou: Temos agora a prática do ensinamento a que nos reportamos na estrada. Vocês podem saber muita coisa, mas agora precisam do cão. Soltem o Lorde e sigam-lhe os passos. Ele sabe o caminho de volta. Assim fizeram, e acompanhando o animal, venceram o labirinto em alguns minutos. Lá fora, à luz do dia, entreolharam-se surpresos, meditaram na lição recebida e renderam graças a Deus. 25.
O inesperado benfeitor. A venda de José Felizardo, onde o Chico era empregado, vivia repleta. Entre os que a frequentavam estava um homem rude de nome Honorato, que era perito em provocar a antipatia dos outros. Dizia palavrões, embriagava-se. Por qualquer dá cá uma palha, exibia um punhal. Chico também não simpatizava com ele, e quando estava à beira de uma discussão desagradável com o pobre beberrão, lembrou-se da prece e calou-se.
Em plena oração, viu Dona Maria João de Deus, que o advertiu: Meu filho, evite contendas. Hoje esse homem pode ser antipático aos seus olhos, amanhã talvez poderá ser um benfeitor em nossas necessidades. Meses passaram. Num domingo, José e Chico Xavier foram de manhãzinha ao campo em busca de ervas medicinais para socorro a irmãos doentes. Andaram muito à procura do velame, da carqueja e dos grelos de samambaia. Quando se dispunham ao regresso, larga nuvem de neblina desceu sobre a região.
Por muito que se esforçassem, não reencontraram o trilho de volta. Por mais de 2 horas erraram no mato agreste. Muito aflitos, oraram juntos pedindo socorro. Os amigos espirituais pareciam ausentes e o nevoeiro aumentava cada vez mais. Continuaram andando fatigados quando viram uma casinha a pequena distância. Bateram à porta e esta abriu-se. Uma voz alegre e acolhedora gritou lá de dentro: Ô Chico, você aqui? Era o honorato que os abraçou com satisfação.
Oferecendo-lhes alimento e guiando-os ao caminho de retorno. Quando o benfeitor se despediu, deixando-os tranquilos, a genitora desencarnada apareceu ao médium e disse-lhe: compreendeu, Chico? E o Chico, impressionado, respondeu: compreendi, sim, a senhora tem razão. 26. A história de um soneto. Em 1931, desencarna um amigo do Chico em Pedro Leopoldo, cavaleiro digno, católico muito distinto e pai de família exemplar. O médium acompanha o enterro na cidade.
Da igreja ao cemitério era longo o percurso. Um padre presente abeirou-se do rapaz e perguntou: Então, Chico, dizem que você anda recebendo mensagens do outro mundo. É verdade, reverendo. Sinto que alguém me ocupa o braço e se serve de mim para escrever. Tome cuidado. Lembre-se de que o espírito das trevas tem grande poder para o mal. Entretanto, padre, os espíritos que se comunicam somente nos ensinam o bem. O sacerdote retirou um papel em branco da intimidade de um livro que sobraçava e convidou: Bem, Chico, estamos no cemitério acompanhando um amigo morto.
Tente alguma coisa. Vejamos se há aqui algum espírito desejando escrever. Chico recebeu o papel e concentrou-se. Em poucos instantes, sentiu o braço tomado pela força espiritual e psicografou a poesia aqui transcrita: Adeus. O sino plange em terna suavidade no ambiente balsâmico da igreja. Entre as naves, no altar, em tudo adeja o perfume dos goivos da saudade. Geme a viuvez, lamenta-se a orfandade, e a alma que regressou do exílio beija a luz que resplandece, que viceja na catedral azul da imensidade.
Adeus, terra das minhas desventuras! Adeus, amados meus, diz nas alturas a alma liberta o azul do céu cingrando. Adeus, choram as rosas desfolhadas. Adeus, clamam as vozes desoladas de quem ficou no exílio soluçando. Alta de Souza. Este soneto foi incorporado ao Parnaso de Alentúmulo. 27. Disciplina. Nos fins de 1931, Chico, à tardinha, orava sob uma árvore junto ao açude, pitoresco local na saída de Pedro Leopoldo para o norte, quando viu à pequena distância uma grande cruz luminosa.
Pouco a pouco, dentre os raios que formava, surgiu alguém. Era um espírito simpático, envergando túnica semelhante à dos sacerdotes, que lhe dirigiu a palavra com carinho. Não se sabe o que teriam conversado naquele crepúsculo, mas conta o médium que foi este o seu primeiro encontro com Emmanuel na vida presente, e acentua que em certo ponto do entendimento, o orientador espiritual perguntou-lhe: Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com o evangelho de Jesus?
Sim, se os bons espíritos não me abandonarem, respondeu o médium. Não será você desamparado, disse-lhe Emmanuel, mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem. E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? Tornou Chico. Perfeitamente, desde que você procure respeitar os 3 pontos básicos para o serviço. Porque o protetor se calasse, o rapaz perguntou: qual é o primeiro? A resposta veio firme: disciplina.
E o segundo? Disciplina. E o terceiro? Disciplina. O espírito amigo despediu-se e o médium teve consciência de que para ele ia começar uma nova tarefa. 28. A inesquecível pergunta. O Parnaso de Alentúmulo, com carinhoso entusiasmo de Manuel Quintão, foi lançado em julho de 1932, e no mesmo mês o Padre Júlio Maria, de Manhã Mirim, em Minas, no seu jornal O Lutador, escreveu áspera crítica condenando o livro e o médium. Dentre outras coisas, dizia que o Chico devia possuir uma pele de rinoceronte para caber tantos espíritos.
Os comentários irônicos e as acusações gratuitas eram tantas que o médium inexperiente, muito jovem ainda, se sentiu demasiadamente chocado e foi constrangido a buscar o leito. Então, a luta era aquela? Pensava com dor de cabeça. Valia a pena ser médium e ficar exposto assim ao juízo temerário dos outros? Seria justo aguentar aqueles xingatórios quando ele estava possuído das melhores intenções? Por mais de 2 horas se via em semelhante contenda íntima quando viu Emmanuel ao seu lado.
Contou ao mentor o que se passava e supôs que o espírito amigo o acariciaria sem restrições. Emmanuel, porém, de pé, com fisionomia severa, falou-lhe firme: Mas eu não vejo razão para solenizar este assunto. Entretanto, o senhor está vendo. O padre diz que eu tenho uma pele de rinoceronte, clamou o médium. Se não tem, precisa ter, disse o protetor. Porque se você quiser cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre com qualquer alfinetada e não nos seria possível a viagem da mediunidade nos caminhos do mundo.
Contudo, temos o nosso brilho, a nossa dignidade, acrescentou Chico, e é difícil viver com desrespeito público. Foi então que Emmanuel ofertou com mais firmeza e exclamou: Escute, Se Jesus, que era Jesus, saiu da terra pelos braços da cruz, você está esperando uma carruagem para viver entre os homens? Quando ouviu a pergunta, o Chico levantou-se de um pulo e começou a reajustar-se. 29. Solidão aparente. Em meados de 1932, o Centro Espírita Luís Gonzaga estava reduzido a um quadro de 5 pessoas.
José Hermínio Perácio, Dona Carmen Pena Perácio, José Xavier, Dona Geni Pena Xavier e o Chico. Os doentes e obsidiados surgiam sempre, mas logo depois das primeiras melhoras desapareciam como por encanto. Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar. O grupo ficou limitado a 3 companheiros. Dona Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os 2 irmãos.
José, no entanto, era celeiro e naquela ocasião foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos numa oficina de arreios em forma de pagamento. Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a frequência ao grupo pelo menos por alguns meses. Vendo-se sozinho, o médium também quis ausentar-se, mas na primeira noite em que se achou a sós no centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse: você não pode afastar-se, prossigamos em serviço.
Continuar como? Não temos frequentadores. E nós, disse o espírito amigo, nós também precisamos ouvir o evangelho para reduzir nossos erros. E além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor e não encerra a sessão antes de 2 horas de trabalho. Foi assim que por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do centro e fazia a prece de abertura às 8 da noite em ponto.
Em seguida, abria o Evangelho Segundo o Espiritismo ao acaso e lia essa ou aquela instrução comentando-a em voz alta. Por essa ocasião, sua vidência alcançou maior lucidez. Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo à procura de paz e refazimento. Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob inspiração direta de Emmanuel. Para os outros, no entanto, orava conversava e gesticulava sozinho.
E essas reuniões de um médium a sós com os desencarnados no centro de portas iluminadas e abertas se repetiam todas as noites, às segundas e sextas-feiras. 30. A segurança do trabalho. Atendendo às instruções de Emmanuel, Chico iniciava os trabalhos no Centro Espírita Luiz Gonzaga às 8 da noite e os encerrava às 10 horas enquanto frequentou sozinho a instituição. Fazia a prece de abertura, orava e depois lia páginas de O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, comentando-as em voz alta para os desencarnados.
Pessoas da família indagavam sobre aquela resolução de falar sozinho. Entretanto, o médium explicava: há muitos espíritos frequentando a casa Chegam desconsolados e tristes, e Emmanuel afirma que a obra de evangelização é necessária a todos nós. Não podemos parar. Certa noite, uma senhora desencarnada em Pedro Leopoldo conversava com Chico no salão do centro, no qual ele se achava aparentemente sozinho, e o diálogo seguia curioso: Tenhamos fé em Jesus, minha irmã.
Não desespere, com a paciência alcançaremos a paz. Sem calar tudo piora. Com o tempo a senhora verá que tudo está certo como está. A conversação prosseguia assim quando uma das irmãs do médium, escutando-lhe a palavra, debruçada em janela próxima, perguntou-lhe em voz alta: Chico, quem está conversando com você? Dona Chiquinha de Paula. Que história é esta? Dona Chiquinha morreu. Ah, você é que pensa, ela está bem viva. A irmã do rapaz, alvoroçada, comunicou aos familiares o que ocorria.
Chico devia estar maluco, era preciso medicá-lo, socorrê-lo. Outras irmãs do médium, porém, apressaram-se ao observar que ele trabalhava corretamente todos os dias. Seria justo dar por louco um irmão que era amigo e útil? Ficou então estabelecido em família que enquanto Chico estivesse firme no serviço, ninguém cogitaria de considerá-lo um alienado mental. Desse modo, o Chico Xavier costumava dizer que o trabalho de cada dia, com a bênção de Deus, foi para ele a melhor segurança.