Lindos Casos de Chico Xavier audio 4
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama
Editora LAKE
Audio 4 - casos
11 O Entusiasmo Apagado
12 A Surra de Bíblia
13 Mesa de Cr$ 15,00
14 Um Ensinamento que Ficou
15 A Lição da Súplica
16 A Caridade e a Oração
17 A Pergunta de Timbira
18 O Remédio
19 A Água da Paz
20 A Visita de Casimiro
- A importância de fazer a própria parte na curaServir sem reclamar · Superar dificuldades · Paz entre as pessoas
- O fenômeno mediúnico e a incorporaçãoCentro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas · Desenvolvimento mediúnico · José Múcio Monteiro
- Caritas de Coimbra· SociedadeCego acidentado Cecílio · Socorro a necessitados · Meretrizes · Transformação pela prece
- O Evangelho como meio de vida· ReligiaoOs Testamentos · Atos dos Apóstolos · Cooperação com Jesus
- Tratamento TOCHistórias de mães e filhas · Eduardo VI e Maria I · Amparar doentes
- Oração· ReligiaoRenovação de forças espirituais · Humildade, paciência e fé · Cumprimento de deveres
- Doutrinar médium e obsessorJoaquim Timbira · Estudo e deveres mediúnicos · Curar feridas ou espantar moscas
- Significado da pazCurar inquietações · Humildade e silêncio · Lição da água da paz
- Retórica na BíbliaSeu Manuel · Surra de Bíblia · Evangelho
- Orgulho e Humildade· SociedadeMesa de 15 cruzeiros · Lição do pão · Felicidade do pouco com Deus · Emmanuel
11. O entusiasmo apagado. Em fins de 1927, o Centro Espírita Luiz Gonzaga, então sediado na residência de José Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição, estava bem frequentado. Muita gente, muitos candidatos ao serviço da mediunidade, muitas promessas. José era irmão do Chico e na residência dele realizavam-se as sessões públicas nas noites de segundas e sextas-feiras. Em cada reunião ouviam-se exclamações como: quero ser médium psicógrafo, quero desenvolver-me na incorporação, precisamos trabalhar muito, não será interessante fundar um abrigo ou um hospital?
O entusiasmo era grande quando, em outubro do mesmo ano, chegou a Pedro Leopoldo Dona Rita Silva, sofredora mãe com 4 filhas obsidiadas. Vinham ela e o irmão Saul, tio das doentes, da região de Pirapora, zona do Rio São Francisco, no Norte Mineiro. As moças, em plena alienação mental, inspiravam compaixão. Tinham crises de loucura completa, mordiam-se umas às outras, gritavam blasfêmias. Uma delas chegara acorrentada, tal a violência da perturbação de que era vítima.
O espírito de Dona Maria João de Deus explicou pela mão do Chico: meus amigos, temos desejado o trabalho e o trabalho nos foi enviado por Jesus. Nossas irmãs doentes devem ser amparadas aqui no centro. A fraternidade é a luz do Espiritismo. Procuremos servir com Jesus. Isso aconteceu numa noite de segunda-feira. Quando chegou a reunião da sexta, José e Chico Xavier estavam em companhia das obsidiadas, sem mais ninguém. 12. A surra de Bíblia.
Lutando no tratamento das irmãs obsidiadas, José e Chico Xavier gastaram alguns meses até que surgisse a cura completa. No princípio, porém, da tarefa assistencial, houve uma noite em que José foi obrigado a viajar em serviço da sua profissão de celeiro. Mudara-se para Pedro Leopoldo, um homem bom e rústico, de nome Manuel, que o povo dizia muito experimentado em doutrinar espíritos das trevas. O irmão do Chico não hesitou e resolveu visitá-lo pedindo cooperação.
Necessitava ausentar-se, mas o socorro aos doentes não deveria ser interrompido. Seu Manuel aceitou o convite e na hora aprazada compareceu ao centro espírita Luiz Gonzaga, com uma Bíblia antiga sob o braço direito. A sessão começou eficiente e pacífica. Como de outras vezes, depois das preces e instruções de abertura, o Chico seria o médium para a doutrinação dos obsessores. Um dos espíritos amigos incorporou-se por intermédio dele, fornecendo a precisa orientação, e disse ao seu Manuel entre outras coisas.
Meu amigo, quando o perseguidor infeliz apossar-se do médium, aplique o evangelho com veemência. Pois não, respondeu o doutrinador muito calmo, a vossa ordem será obedecida. E quando a primeira das entidades perturbadas assenhorou-se o aparelho mediúnico exigindo assistência evangelizante, seu Manuel tomou a Bíblia de grande formato e bateu com ela muitas vezes sobre o crânio do Chico, exclamando irritadiço: tome evangelho, tome evangelho!
O obsessor, sob a influência de benfeitores espirituais da casa, afastou-se de imediato e a sessão foi encerrada. Mas o Chico sofreu intensa torção no pescoço e esteve 6 dias de cama para curar o torcicolo doloroso. E ainda hoje ele afirma satisfeito que será talvez das poucas pessoas no mundo que terão tomado uma surra de Bíblia. 13. Mesa de 15 cruzeiros. O Chico estava empregado na venda do José Felizardo, ganhava 60 cruzeiros por mês.
Mal dava para ajudar a família, apenas lhe sobrava, quando sobrava, meia dúzia de centavos. Uma de suas irmãs, que o auxiliava no expediente do lar, falou-lhe certa vez da necessidade que estavam de uma mesa para sala de jantar, pois a que possuíam era pequena e estava velha, a pedir substituição. E ao Vitrolle: a vizinha do lado tem uma que nos serve, vende-a por 15 cruzeiros. Mas como a pagaremos se não possuo e nem me sobra esta quantia no fim de cada mês?
A vizinha, dona da mesa, soube das dificuldades do Chico e, desejando ajudá-lo, propôs-lhe vender o sonhado móvel à razão de 1 cruzeiro por mês. Em 15 prestações mensais. O Chico aceitou e a mesa foi comprada, pagou-a com sacrifício. Ficou sendo uma mesa abençoada e foi sobre ela que mais tarde entendeu com Emmanuel a lição do pão e dos demais alimentos, verificando em tudo a felicidade do pouco com Deus. 14. Um ensinamento que ficou.
A luta ia acesa. Trabalhos, dificuldades, incompreensões. Chico, ao lado de José Xavier, perseverava. Uma noite, porém, experimentava enorme fadiga e, à hora da reunião, perguntava a si mesmo: valia a pena combater? Por que dedicar-se à mediunidade se Jesus já estivera no mundo e tudo ensinando não fora compreendido, não seria melhor entregar ao Nosso Senhor a Terra com tudo o que pertence à vida dos homens? Foi então que a mãezinha desencarnada recomendou-lhe que abrisse o Novo Testamento, o que Chico fez pela primeira vez, esclarecendo-lhe que o Evangelho tem sempre uma resposta para nossas dúvidas.
O filho abriu o código divino ao acaso e leu no versículo 1 do capítulo 1 dos Atos dos Apóstolos: No primeiro livro, ó Teófilo, relatei todas as coisas que Jesus começou a fazer e ensinar. A entidade carinhosa, acordando-o para o dever a cumprir, observou: Reparou, meu filho, Pela narração dos apóstolos, ficamos sabendo que o evangelho relata as maravilhas que Jesus começou a fazer e a ensinar. Aprendamos a cooperar com ele, porque ainda estamos muito longe da conclusão do reino de Deus na terra que Nosso Senhor está construindo.
E o ensinamento ficou exigindo meditação. 15. A lição da súplica. Certa noite, o Chico, ao quebrado pelos obstáculos, orava antes do sono, rogando a Jesus múltiplas medidas e soluções para os problemas que o apoquentavam. Mais de 40 minutos já havia empregado no petitório quando lhe surgiu Dona Maria João de Deus, que lhe falou bondosa: Meu filho, Faça suas orações, porque sem a prece não conseguimos a renovação de nossas forças espirituais.
Entretanto, não será por muito falar que você será atendido. Então, como devo fazer em minhas súplicas? Perguntou o médium desapontado. Você sabe que Jesus recomendava-nos humildade, paciência, fé, bom ânimo, caridade e amor ao próximo no cumprimento de nossos deveres, pois façamos o que Jesus nos pede e Jesus fará por nós o que lhe pedimos. Está certo? E Chico, recebendo a lição, aprendeu que orar não é falar e mover os lábios indefinidamente. 16.
A caridade e a oração. O Centro Espírita Luiz Gonzaga ia seguindo em frente. Certa feita, alguns populares chegaram à reunião pedindo socorro para um cego acidentado. O pobre mendigo, mal guiado por um companheiro ébrio, caíra do viaduto da Central do Brasil, na saída de Pedro Leopoldo para Matosinhos, precipitando-se ao solo de uma altura de 4 metros. O guia desaparecera e o cego vertia sangue pela boca sozinho, sem ninguém. Chico alugou o pequeno pardieiro onde o enfermo foi asilado para tratamento médico.
Caridoso facultativo receitou graciosamente, mas o velhinho precisava de enfermagem. O médium velava junto dele à noite, mas durante o dia precisava atender às próprias obrigações na condição de caixeiro de José Felizardo. Havia por essa época, 1928, uma pequena folha semanal em Pedro Leopoldo. Chico providenciou para que fosse publicada uma solicitação rogando o concurso de alguém que pudesse prestar serviços ao cego Cecílio durante o dia, porque à noite ele próprio se responsabilizaria pelo doente.
Alguém que pudesse ajudar. Não importava que o auxílio viesse de espíritas, católicos ou ateus. 6 dias se passaram sem que ninguém se oferecesse. Ao fim da semana, porém, duas meretrizes muito conhecidas na cidade se apresentaram e disseram-lhe: Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir, Ah, como não, replicou o médium, entre irmãs. Jesus há de abençoar-lhes a caridade. Todas as noites, antes de sair, as mulheres oravam com o Chico ao pé do enfermo.
Decorrido um mês, quando o cego se restabeleceu, reuniram-se pela derradeira vez em prece com o velhinho feliz. Quando o Chico terminou a oração de agradecimento a Jesus, Os quatro choravam. Então uma delas disse ao médium Chico: a prece modificou a nossa vida, estamos a despedir-nos, mudamo-nos para Belo Horizonte a fim de trabalhar. E uma passou a servir numa tinturaria, desencarnando anos depois, e a outra conquistou o título de enfermeira, vivendo respeitada e feliz. 17.
A pergunta de Timbira. Joaquim Timbira era uma das entidades que se comunicavam frequentemente nas sessões dos Irmãos Xavier. Companheiro espiritual simples e bom, estava sempre disposto a auxiliar com a sua experiência nos trabalhos a favor dos obsidiados. Houve uma ocasião em que apareceu uma jovem perseguida por diversas entidades da sombra e à noite obsessores em falanges tomavam-lhe a boca derramando fel e veneno em forma de palavras.
José doutrinava os visitantes conturbados. Iam muitos e muitos vinham, e o dirigente conversava, conversava. Numa das reuniões, Joaquim Timbira incorporou-se no Chico e aconselhou: José, meu filho, Convém ensinar o bom caminho aos irmãos sofredores. Entretanto, é preciso doutrinar igualmente a médium. É necessário que a mocinha estude, compenetrando-se dos seus deveres. Mas não será caridade necessária doutrinar os espíritos infelizes?
Sim, sim. Então, insistiu José Xavier, Penso que estou certo procurando encaminhar à verdade nossos irmãos vitimados pela ignorância e pelo sofrimento. Devem eles ser atendidos em primeiro lugar. Joaquim Timbiria fez uma longa pausa, como quem refletia com segurança para responder, e considerou: José, toda caridade feita com boa intenção é louvável diante do céu. Mas que será melhor, curar feridas ou espantar moscas? E a pergunta do amigo espiritual ficou gravada por valiosa lição. 18.
O Remédio. Chico nessa noite estava muito fatigado quando, à hora da prece costumeira, apareceu-lhe Dona Maria João de Deus. Minha mãe rogou ao espírito carinhoso: como fazer para alcançar a vitória no cumprimento de meus deveres? Meu filho, só conheço um remédio: servir. Mas e as dificuldades de entendimento com os outros? Como espalhar as bênçãos do Espiritismo com quem não as deseja, se às vezes, oferecendo o melhor que possuímos, apenas recolhemos pedradas?
Servir é a solução. Entretanto, há pessoas que nos odeiam gratuitamente, malsinam-nos as melhores intenções, detestam-nos sem motivo e dificultam-nos o mínimo trabalho. Que diz a senhora? Julga que existe um recurso para fazer a paz entre elas e nós? Sim, há um recurso. O de servir sempre. Então a senhora considera que para todos os males da vida esse é o remédio? Sim, meu filho, remédio essencial. Sem que aprendamos a servir, ainda mesmo quando tenhamos boas intenções, tudo em nós serão simples palavras que o mundo consome.
E depois de semelhante receita O espírito de Dona Maria retirou-se como quem não tinha outro remédio a ensinar. 19. A água da paz. Em torno da mediunidade improvisavam-se ao redor do Chico acesas discussões: é, não é, viu, não viu. E o médium sofria por vezes longas irritações a fim de explicar sem ser compreendido. Por isso, a hora da prece, achava-se quase sempre desanimado e aflito. Certa feita, o espírito de Dona Maria João de Deus compareceu e aconselhou-lhe: Meu filho, para curar essas inquietações, você deve usar a água da paz.
O médium, satisfeito, procurou o medicamento em todas as farmácias de Pedro Leopoldo, Não o encontrou. Recorreu a Belo Horizonte, nada. Ao fim de duas semanas, comunicou à genitora desencarnada o fracasso da busca. Dona Maria sorriu e informou: não precisa viajar em semelhante procura, você poderá obter o remédio em casa mesmo. A água da paz pode ser a água do pote, Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca.
Não a lance fora nem a engula. Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz banhando a língua. O médium baixou os olhos desapontado. Compreendera que a mãezinha lhe chamava, o espírito, à lição da humildade e do silêncio. 20. A visita de Casimiro. Depois do conselho de Dona Maria João de Deus com respeito à água da paz, Chico sentiu o braço visitado pela influência de um novo amigo invisível. Tomou o lápis e o visitante escreveu para ele em caracteres bem traçados e firmes: Meu amigo, se desejas Paz crescente e guerra pouca, ajuda sem reclamar e aprende a calar a boca.
Quem seria o comunicante? Depois de alguns momentos, o amigo espiritual identificou-se assinando: Casimiro Cunha. Foi este o primeiro contato entre médium e o mavioso poeta vassourense.