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Lindos Casos de Chico Xavier audio 3

03 de agosto de 202626min
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Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama

Editora LAKE

Audio 3 - casos

1 Tenha Paciência, Meu Filho

2 O Valor da Oração

3 Conselho Materno

4 O Anjo Bom

5 A Horta Educativa

6 A História da Chave

7 A Lição de Obediência

8 Separação Temporária

9 A Primeira Sessão

10 O Presidente Frustrado

Participantes neste episódio1
R

Ramiro Gama

Narrador
Assuntos10
  • A primeira sessão espíritaCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Dona Carmen Pena Perácio · Sessão espírita · O Método de Allan Kardec
  • Importância da oração· ReligiaoCajado Filho · Oração · Fé
  • A história de Chico XavierCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Dona Rita de Cássia · Tenha paciência, meu filho
  • Revelação sem obediênciaCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Eduardo Pazuello · Obediência · Silêncio
  • O Papel da Educação e do TrabalhoCajado Filho · Dona Cidália Batista · Educação · Trabalho
  • Anjo do arCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Dona Cidália Batista · Anjo bom
  • Obediencia a Deus· ReligiaoCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Relação com o Pai · Separação
  • Fundação do centro espírita e o presidente frustradoCajado Filho · Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas · José Hermínio Perácio · Fundação
  • Sabedoria MaternaCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Dona Rita de Cássia · Obediência
  • A história da chave e a vizinhaCajado Filho · Eduardo VI e Maria I · Dona Cidália Batista · Chave
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RGRamiro Gama

Lindos casos de Chico Xavier. Ramiro Gama. 1. Tenha paciência, meu filho. Quando Dona Maria João de Deus desencarnou em 29 de setembro de 1915, Chico Xavier, um de seus 9 filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita de Cássia, velha amiga e madrinha da criança. Dona Rita, porém, Era obsediada e por qualquer bagatela se destemperava irritadiça. Assim é que o Chico passou a suportar por dia várias surras de vara de marmeleiro, recebendo ainda a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo de tortura.

O garoto chorava muito, permanecendo horas e horas com os garfos dependurados na carne sanguinolenta, e corria para o quintal a fim de desabafar, e porque a madrinha repetia nervosa: este menino tem o diabo no corpo. Um dia lembrou-se a criança de que a mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar. Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais.

Quando terminou, ó maravilha, sua genitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado. Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a mãezinha tivesse partido para as sombras da morte. Abraçou-a feliz e gritou: Mamãe, não me deixa aqui! Carregue-me com a senhora! Não posso, disse a entidade triste. Estou apanhando muito, mamãe. Dona Maria acariciou-o explicou: tenha paciência, meu filho, você precisa crescer mais forte para o trabalho, e quem não sofre não aprende a lutar.

Mas, tornou a criança, minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo. Que tem isso? Não se incomode, tudo passa, e se você não reclamar mais e tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos. Em seguida, desapareceu. O pequeno, aflito, chamou-a em vão. Desde esse dia, no entanto, passou a receber o contato de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas. Chico é tão cínico, dizia Dona Rita exasperada, que não chora nem mesmo a pescoção.

Porque a criança explicava ter alegria de ver sua mãe Sempre que recebia surras sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um menino aluado. E diariamente à tarde, com os vergões na pele, com sangue a correr em pequeninos filetes do ventre, o pequeno seguia de olhos enxutos e brilhantes para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida sob as velhas árvores vendo-a e ouvindo-a depois da oração. Assim começou a labuta espiritual do médium extraordinário que conhecemos. 2.

O valor da oração. A madrinha do Chico por vezes passava tempos entregue à obsessão. Assim é que nessas fases a exasperação dela era mais forte. Em algumas ocasiões condenava o menino a vários dias de fome. Certa feita, já faziam 3 dias que a criança permanecia em completo jejum. À tarde, na hora da prece, encontrou a mãezinha desencarnada, que lhe perguntou o motivo da tristeza com a qual se apresentava. A senhora não sabe, explicou Chico, mas tenho passado muita fome.

Ora, você está reclamando muito, meu filho, disse Dona Maria João de Deus. Menino guloso tem sempre indigestão. Mas hoje bem que eu queria comer alguma coisa. A mãezinha abraçou e recomendou: continue na oração e espere um pouco. O menino ficou repetindo o Pai Nosso e daí a instantes um grande cão da rua penetrou o quintal. Aproximou-se dele e deixou cair da boca um objeto escuro. Era um saboroso jatobá. Chico recolheu alegre o pesado fruto, ao mesmo tempo que reviu a mãezinha ao seu lado, acrescentando: Misture o jatobá com água e você terá um bom alimento.

E despedindo-se da criança, acentuou: Como você observou, meu filho, Quando oramos com fé viva, até um cão pode nos ajudar, em nome de Jesus. 3. Conselho materno. Dona Rita de Cássia criava em sua casa como filho adotivo um sobrinho de nome Moacir, menino de 11 a 12 anos de idade. Moacir trazia larga ferida na perna quando a dona da casa mandou chamar Dona Ana Batista, antiga benzedeira da localidade denominada Matuto, hoje Santo Antônio da Barra, nos arredores de Pedro Leopoldo.

Dona Ana examinou a úlcera e informou: aqui só uma simpatia dará resultado. Qual? Perguntou a madrinha do Chico. Uma criança deve lamber a ferida por 3 sextas-feiras continuadas pela manhã em jejum. E Dona Rita perguntou: Chico, serve? A benzedeira observou e declarou: Muito bem lembrado. Isso ocorreu numa quinta-feira. À tarde, quando o menino foi à prece sob as árvores, encontrou Dona Maria João de Deus em espírito e contou-lhe chorando que no dia seguinte ele deveria tomar parte na simpatia Você deve obedecer, meu filho.

A senhora acha que eu devo lamber a ferida do Moacir? Mais vale lamber feridas que fazer aborrecimentos nos outros, falou o espírito maternal. Você é uma criança e não deve contrariar sua madrinha. E a senhora crê que isso poderá curar o doente? Não, isso não é remédio, mas dará bom resultado para você mesmo. Porque sua obediência dará tranquilidade à sua madrinha. E vendo que o menino hesitava, continuou: Seja humilde, meu filho.

Se você ajudar a trazer a paz de que precisamos, você lamberá a ferida e nós faremos o remédio para curá-la. No outro dia, Chico obedeceu à ordem. Na sexta-feira seguinte, repetiu a estranha operação e a úlcera desapareceu. Quando lambeu a ferida pela terceira vez, viu o espírito de sua mãe sorridente ao seu lado. Estático, viu-a abraçar Dona Rita, e Dona Rita, transformada, acariciou-o pela primeira vez e disse-lhe bondosa: Muito bem, Chico, você obedeceu direitinho.

Louvado seja Deus! E depois de 2 anos de flagelação, Chico teve a felicidade de passar uma semana inteira sem garfadas e sem vergonhas. 4. O anjo bom. 2 anos de surras incessantes. 2 anos viveram Chico junto da madrinha. Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou Mamãe, se a senhora vem nos ver, por que não me retira daqui? O espírito carinhoso afagou e perguntou: Por que está você tão aflito?

Tudo no mundo obedece à vontade de Deus, mas a senhora sabe que nos faz muita falta. A mãezinha consolou e explicou: Não perca a paciência, pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de todos vocês. E sempre que revia a genitora, o menino indagava: Mamãe, quando é que o anjo chegará? Espere, meu filho, era a resposta de sempre. Decorridos 2 meses, João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias, e Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus que se achavam espalhados em casas diversas.

Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. Quando a criança voltou ao antigo lar, contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos. Dona Cidália abraçou e beijou com ternura, perguntando: Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito? Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como pássaro que sentia saudades do ninho perdido. A madrasta bondosa fitou bem nos olhos e indagou: Você sabe quem sou, meu filho?

Sei sim, a senhora é o anjo bom de quem minha mãe falou. E desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu sua segunda mãe até sua morte. 5. A hora educativa. Quando Dona Cidália reuniu os filhos menores de Dona Maria João de Deus, observou que eles precisavam do grupo escolar. O senhor João Cândido Xavier, pai de numerosa família, foi consultado. Entretanto, a situação era difícil. E 1918, a época a que nos referimos, marcara a passagem da gripe espanhola.

Tudo era crise e o salário no fim do mês dava escassamente para o necessário. Não havia dinheiro para cadernos, lápis e livros. A madrasta, alma generosa e amiga, chamou o enteado e lembrou: Chico, vocês precisam ir à escola. E como não há recurso para isso, vamos plantar uma horta. Adubaremos a terra, plantarei os legumes e você fará a venda na rua. Com o resultado, espero que tudo se arranje. A senhora pode contar comigo, prometeu o menino.

A horta foi plantada. Em algumas semanas, Chico já podia sair à rua com um cesto de verduras. Olha a couve, alface, almeirão e repolho! E o povo comprava. Cada maço de couve ou cada repolho valia um tostão. Dona Cidália guardava o produto financeiro num cofre. Quando abriram o cofre, Dona Cidália, feliz, falou para o enteado: Você está vendo o valor do serviço? Agora vocês já podem frequentar as aulas do grupo. E foi assim que em janeiro de 1919 Chico Xavier começou o ABC. 6.

A história da chave. Com a saída do chefe da casa e do filho mais velho para o trabalho, e com a ausência das crianças na escola, Dona Cidália era obrigada por vezes a deixar a casa a sós porque devia buscar lenha. Em local distante. Aí começou uma dificuldade. Certa vizinha, vendo a casa fechada, ia ao quintal e colhia as verduras. A madrasta bondosa preocupou-se. Sem verduras, em breve não haveria dinheiro para o serviço escolar.

Dona Cidália observou e ficou sabendo quem lhes subtraía os recursos da horta. Entretanto, repugnava-lhe a ideia de ofender uma pessoa amiga por causa de repolhos e alfaces. Chamou então Chico e lembrou: Meu filho, você diz que às vezes encontra o espírito de Dona Maria. Peça-lhe um conselho. Nossa horta está desaparecendo e sem ela, como sustentar o serviço da escola? Chico procurou o quintal à tardezinha Rezou, como das outras vezes, a mãezinha apareceu.

O menino contou-lhe o que se passava e pediu socorro. Dona Maria então lhe disse: Você diga a Cidália que realmente não devemos brigar com os vizinhos, que são sempre pessoas de quem necessitamos. Será então aconselhável que ela dê a chave da casa à amiga que vem talando a horta sempre que precisa ausentar-se, porque desse modo a vizinha, ao invés de prejudicar os legumes, nos ajudará a tomar conta deles. Dona Cidália achou o conselho excelente e cumpriu a determinação.

Foi assim que a vizinha não mais tocou nas hortaliças, porque passou a responsabilizar-se pela casa inteira. 7. A lição da obediência. De novo reunindo a família, Chico Xavier, fosse porque tivesse retornado à tranquilidade ou porque houvesse ingressado na escola, não mais viu o espírito da mãezinha desencarnada. Entretanto, passou a ter sonhos à noite, no repouso agitado, levantava-se do leito conversava com interlocutores invisíveis e muitas vezes despertava pela manhã trazendo notícias de parentes mortos, contando peripécias ou narrando sucessos que ninguém podia compreender.

João Cândido Xavier, aconselho da segunda esposa, que se interessava maternalmente pela criança, conduziu Chico ao padre Sebastião Scarzelli, antigo vigário da cidade de Matosinhos, nas vizinhanças de Pedro Leopoldo, que depois de ouvir o menino por algumas vezes em confissão, aconselhou João Cândido a impedir que o rapaz lesse jornais, livros ou revistas. Chico devia estar impressionado com más leituras, dizia o sacerdote. Aqueles sonhos não eram outra coisa senão perturbações, porque as almas não voltam do outro mundo.

Intrigado por ver que ninguém dava crédito ao que via e escutava em sonhos, certa noite rogou em lágrimas alguma explicação da genitora de quem não se esquecia. Dona Maria João de Deus apareceu-lhe em sonho, calma e bondosa, e o Chico deu-lhe a conhecer as dificuldades em que vivia. Ninguém acreditava nele, clamou. Mas o conselho maternal veio logo: você não deve exasperar-se. Sem humildade é impossível cumprir uma boa tarefa.

Mas mamãe, ninguém acredita em mim. Que tem isso, meu filho? Mas eu digo a verdade. A verdade é de Deus e Deus sabe o que faz, disse a generosa entidade. Chico, porém, choramingou. Não sei se a senhora sabe, papai e o padre estão contra mim, dizem que estou perturbado. Dona Maria abraçou-o e disse: modifique seus pensamentos, você ainda é uma criança, e uma criança indisciplinada cresce com a desconfiança e com antipatia dos outros.

Não falte ao respeito para com seu pai e para com o padre. Eles são mais velhos e nos desejam todo o bem. Aprenda a calar-se quando você lembrar alguma lição ou experiência recebidas em sonho. Fique em silêncio. Se for permitido por Jesus, então mais tarde virá o tempo em que você poderá falar. Por enquanto, você precisa aprender a obediência para que Deus um dia concedem seu caminho à confiança dos outros. Desde essa noite, Chico calou-se e Dona Maria João de Deus passou algum tempo sem fazer-se visível. 8.

Separação temporária. Continuando os desequilíbrios do Chico, em janeiro de 1920, João Cândido Xavier, seu pai, pediu ao padre que fosse mais exigente com a criança no confessionário. O sacerdote concordou com a sugestão. Quando o vigário lhe ouvia as referências sobre as rápidas entrevistas com Dona Maria João de Deus, desencarnada desde 1915, falou-lhe francamente: Não, meu filho, isso não pode ser. Ninguém volta a conversar depois da morte.

O demônio procura perturbar-lhe o caminho. Mas padre, foi minha mãe quem veio. Foi o demônio! Severamente repreendido pelo vigário, o menino calou-se chorando muito. O senhor João Cândido, católico de Santa Luzia do Rio das Velhas, deu razão ao padre. Aquilo só podia ser o demônio. Chico refugiou-se no carinho da madrasta, alma compreensiva e boa. E Dona Cidália lhe disse: Você não deve chorar, meu filho. Ninguém pode dizer que você esteja sendo perseguido pelo demônio.

Se for realmente sua mãezinha quem veio conversar com você, naturalmente isso acontece porque Deus permite, e Deus, estando no assunto, ajudará para que tudo isso fique esclarecido. À noite desse dia, Chico sonhou que reencontrava a genitora. Dona Maria abraçou e recomendou: repito que você deve obedecer a seu pai e ao vigário. Não brigue por minha causa. Por algum tempo você não mais me verá. Contudo, se Jesus permitir, mais tarde estaremos juntos.

Não perca a paciência e esperemos o tempo. Chico acordou em prantos. Enxugou os olhos resignado e por 7 anos consecutivos não mais teve qualquer contato pessoal com a mãezinha, para somente receber-lhe as mensagens psicografadas em 1927 e revê-la de novo pela vidência mais clara e mais segura em 1931, quando estava mais familiarizado com o serviço mediúnico ao qual se entregara de coração. 9. A primeira sessão. De 1920 a 1927, Chico não mais conseguiu avistar-se pessoalmente com o espírito de Dona Maria João de Deus.

Integrado na comunidade católica, obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela igreja. Confessava-se comungava, comparecia pontualmente à missa e acompanhava as procissões. Terminar o curso primário no Grupo Escolar São José de Pedro Leopoldo em 1923, levantando-se às 6 horas da manhã para começar às 7 as tarefas escolares e entrando para o serviço da fábrica às 3 da tarde. Para sair às 11 da noite. O trabalho, porém, era exaustivo e em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda de José Felizardo Sobrinho, onde o trabalho ia das 6:30 da manhã às 8 da noite, com um salário de 13 cruzeiros por mês.

Entretanto, as perturbações noturnas continuavam. Depois de dormir, caía em transe surpreendente, perambulava pela casa, falava em voz alta, dava notícias de pessoas que sofriam no além, mantinha longas conversações cujo fio era impenetrável aos familiares aflitos. Em 1927, porém, eis que sua irmã Maria da Conceição Xavier, hoje mãe de família, caiu doente. Era um doloroso processo de obsessão. Tratada carinhosamente pelo confrade José Hermínio Perácio, que atualmente reside em Belo Horizonte, a jovem curou-se.

Foi assim que se realizou a primeira sessão espírita no lar da família Xavier, em Pedro Leopoldo. Perácio, na direção, pronunciava vibrante prece. Na mesa, dois livros. Eram eles: O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. O espírito de Dona Maria João de Deus compareceu e grafou longa mensagem aos filhos presentes através da médium Dona Carmen Pena Perácio, devotada esposa do companheiro a quem nos referimos.

Reportava-se a cada filho de maneira particular e, dirigindo-se ao Chico, comoveu-o escrevendo: Chico, meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à tua frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra os seus deveres e em breve a bondade divina nos permitirá mostrar a você os seus novos caminhos. E assim realmente aconteceu. 10. O presidente frustrado. A primeira sessão espírita no Lar dos Xavier realizou-se em maio de 1927.

Em junho do mesmo ano, os companheiros dessa reunião cogitavam de fundar um núcleo doutrinário. É preciso fundar um centro diziam. E certa noite, num velho cômodo junto à venda de José Felizardo, onde o Chico era empregado, o assunto voltou a debate. Na assembleia estavam apenas dois companheiros espíritas. Contudo, junto deles, umas dez pessoas sentadas bebiam e comiam animadamente. Ah, um centro espírita Boa ideia, comentava-se.

Apreciamos a fundação, faremos tudo para ajudar, será para nós um sinal de progresso. E dentre as exclamações entusiásticas que explodiam, surgiu a palavra de um cavalheiro respeitável pedindo para que o centro fosse instituído ali mesmo. Quem seria o presidente? José Hermínio Perácio, o companheiro que ascendera Aquela nova luz do Espiritismo em Pedro Leopoldo morava longe, a 100 km de distância. Mas o cavaleiro de faces avermelhadas prometeu solene: assumo a responsabilidade, a fundação ficará por minha conta.

Chamem o Chico, ele poderá lavrar a ata de fundação. Serei o presidente e ele terá as funções de secretário. Depois de breve conversação, o grupo recebeu o nome de Centro Espírita Luiz Gonzaga. Chico lavrou a ata que todos os presentes assinaram, mas na manhã imediata o cavaleiro que chamara a si a presidência voltou à venda de José Felizardo e pediu para que seu nome fosse retirado da ata, alegando Chico, você sabe que eu sou de família católica e tenho meus deveres sociais.

Ontem, aquele meu entusiasmo pelo Espiritismo era efeito do vinho. Se vocês precisarem de mim, estou pronto para auxiliar. Contudo, não posso aceitar o encargo de presidente. Mas e como ficaremos? Perguntou Chico. Eu sou apenas o secretário. Você faça como achar melhor, mas não conte comigo. E o companheiro saiu, deixando Chico a pensar.

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