Anne Galante - Redelease Podcast #182
Crochê, tricô e arte urbana: uma conversa sobre criatividade, empreendedorismo e o poder do feito à mão.Convidada: Anne Galantehttps://www.instagram.com/annegalante/No Redelease Podcast, recebemos Anne Galante (@annegalante), artista, crocheteira, tricoteira, empresária e criadora de conteúdo. Nesta conversa, vamos explorar sua trajetória no universo do crochê e tricô, a criação da marca Señorita Galante e o desenvolvimento do Graficrochet, técnica que levou o artesanato para as ruas e para a arte urbana. Também falamos sobre consumo consciente, valorização do trabalho manual e como o feito à mão pode gerar renda, propósito e transformação.
- A trajetória de Anne Galante no crochê e tricô, desde a infância até o empreendedorismoInício no artesanato·Trabalhos anteriores·Criação da Señorita Galante·Faculdade de moda
- A importância da valorização do trabalho manual e do consumo conscienteSustentabilidade·Impacto ambiental·Consumo de moda
- O crochê como ferramenta de transformação social e empoderamento femininoGeração de renda·Independência feminina·Laços Unidos Contra o Frio
- A Escola de Artes Manuais e o método de ensino para criar e empreenderCursos online·Metodologia de ensino·Comunidade de alunos
- A diferença entre crochê e tricô e a evolução das fibras têxteisTécnicas de artesanato·Fibras naturais·Fibras sintéticas
Oi, eu sou o Bedu e tá começando mais um Redelizze Podcast. Redelizze Podcast número 182, o meu número preferido, meu número da sorte. Sorte, é o número mais incrível que tem nesse mundo. Fala aí, tem um, sabe por quê? Porque é o número da minha banda preferida. Sabe, sabia disso, né? Isso não é segredo para ninguém, né? Então tem que seguir o, inclusive, para quem não sabe, eu tenho uma banda cover de Blink chamada Pisk 182, P-I-S-K 182.
Quem quiser seguir lá, não sei se você gosta disso, mas quem quiser seguir lá, chega mais. Hoje o episódio é mais do que especial, a gente vai receber Estamos recebendo aqui uma pessoa, um dos nomes, um dos maiores nomes aí do mundo do artesanato, do mundo do crochê. Todo mundo que veio do crochê aqui falou alguma coisa dela, falou o quanto ela é incrível, inovadora. E com certeza vocês vão conhecer a história dessa pessoa incrível aqui no podcast de hoje.
Mas antes eu tenho dois recadinhos mega rápidos aqui para passar para vocês. O primeiro deles é que esse ano estaremos na Criativa Campinas, pessoal. Ano passado a gente foi para passear, demos aquela sondada, vimos como que era a feira, adoramos. Inclusive ano passado fechamos parcerias que estão duradouras esse ano. Um beijo, Casa da Arte, um beijo, Grazi Coutinho, parcerias que aconteceram na Criativa São Paulo, então na Criativa Campinas, desculpa.
Então se você é do artesanato, se você desde o artesão, desde o produtor até o artesão, até o consumidor final Vá na feira. Eu sempre falo isso, vá na feira fazer conexões, conhecer novidades, aprender técnicas novas, e por aí vai. A feira é aquele momento que você pode entrar, fica à vontade, a casa é sua. A feira é aquele momento que você constrói relações e é sempre incrível estar lá. Então, Criativa Campinas, adquira o seu ingresso nesse QR code que tá passando aqui na tela agora.
Teremos aulas todos os dias. Tamo dando um jeito de apertar o máximo possível para caber o máximo de gente no nosso estande, que é de 21 metros quadrados. Não é tão grande quanto da Mega, mas a gente tá fazendo o máximo para fazer para 8 alunos, no mínimo 6, mas a gente tá tentando juntar igual coração de mãe para caber 8 alunos. Aulas especiais e exclusivas igual foi na Mega, mesmo esquema. A gente vai voltar ainda para divulgar tudo isso bonitinho, mas já garante o seu ingresso, tá, no QR code que tá aqui na tela.
Aproveita, porque senão lá na hora é mais caro também. E a novidade de hoje, eu vou falar com isso com mais calma depois, é o bilhete dourado. É isso mesmo, em setembro a Rede Lise completa 37 anos de história e vai, e tá chegando esse ano a Fantástica Fábrica de Resina. Você sabe mais ou menos como funciona essa história, né? Seguinte, em 37 pedidos a gente vai colocar um bilhete dourado, um bilhete É onde você pode, onde você tem a chance de ganhar R$500 em produtos da Rede Lizzy.
Basta você fazer uma compra no site da Rede Lizzy no mês de setembro, qualquer dia do primeiro ao último dia de setembro. Tem 30 dias setembro, né, do dia 1 até o dia 30 de setembro. Qualquer pessoa que comprar qualquer valor no site da Rede Lizzy vai ter a chance de ganhar esse bilhete dourado. Vai chegar o bilhete físico lá para você. E você pode resgatar R$500 em produtos da Rede Lise. Aproveita porque não é todo dia que a gente faz 37 anos e você tem a chance de ganhar aí.
Que então, para dar uma acumulada aí nos seus, nos seus, dá uma reabastecida nos estoques aí de resinas no seu ateliê, na sua marcenaria, resina epóxi, resina cristal, borracha de silicone, pigmentos e tudo que a gente tem aqui no site da Rede Lise. Então aproveite, 37 anos de história, tá, pessoal? Durante o mês de setembro, apenas na loja virtual da Rede Lise. Siga a gente no Instagram que a gente ainda vai falar bastante dessa promoção.
Qualquer dúvida que vocês tiverem, vocês podem mandar lá no direct também da Rede Lise. Então, sem mais delongas, vamos apresentar a nossa convidada que já chegou aqui, já iluminou o ambiente, sorrisão no rosto. Feliz da vida de estar aqui, assim que a gente gosta quando as pessoas estão aqui com essa energia. Anne Galante, uma salva de palmas! Muito obrigado por estar aqui.
Demorou, mas eu vim.
Deu certo. Desde a Artesanal Fashion Day que a gente tá se ajustando, mas graças a Deus você é uma mulher atarefada, cheia de compromisso, cheia de responsabilidades, cheia de demandas aí.
E combinando dá certinho.
Exatamente.
Demora, mas vai.
Exatamente. De quinta-feira o nosso podcast aqui, a gente tem que reservar um tempinho na agenda para poder fazer dar tudo certo. E aí, minha querida, como estão as coisas?
Tudo sob controle. Final de ano, já estamos falando de Natal. Começa a falar de Natal, eu já fico meio ansiosa. Esse ano passou bem rápido, aconteceram muitas coisas, mas tô bem feliz com os resultados.
No crochê tem muito isso assim, né? Na sua rotina, na sua dinâmica, tem essas sazonalidades assim? Quais são os períodos do ano que mais você fica doida assim, diga no bom sentido?
No Natal acontece isso porque normalmente é uma época onde as pessoas, elas investem de verdade na decoração, né? Então eu, das minhas instalações, para quem não sabe, eu faço umas instalações gigantes de crochê e tricô artesanal e faço as árvores, né? Faço, eu posso fazer outras datas, mas é que o Natal é uma data que a galera investe de verdade, que aí dá para fazer uma coisa feita à mão. Né? Porque tem um preço que não é igual uma coisa só cenográfica, né?
Então é uma época que eu corro bastante. Mas na verdade, o ano inteiro vão acontecendo mil coisas, né? A gente tava falando do desfile da Artesanal Fashion Day. Aí tem lançamento de cor nova de fio. Aí tem o lançamento que eu fiz de uma lã com a Fios Pinguim, que é a Lanita. E aí tem várias parcerias acontecendo, gravação de curso. São muitas coisas envolvidas, né? Então não tem estacionalidade, eu sou orca hólica, é o ano inteiro trabalhando muito.
Que legal, que legal! É muito legal a gente conhecer pessoas de sucesso nas áreas, né? Independente da área, quem se esforça, quem vai atrás, quem não fica no quadradinho, realmente se destaca, né? A gente percebe, olhei entrando no seu Instagram, a gente já vê coisas muito incríveis, né? A frase que já dá de cara no seu Instagram: criar é o caminho da abundância. Eu amo essa palavra abundância, né? Então você vê que, você vê quando a pessoa é uma artista completa, uma artesã, uma profissional, uma empreendedora completa.
Eu vi que você tem vários eventos incríveis, mas tudo tem um começo, né? E eu gosto sempre, principalmente quando a pessoa vem pela primeira vez no podcast, de entender, né, o caminho que ela percorreu para chegar até aqui, né? Você hoje tem 1 milhão e 200 mil seguidores, né, se eu não me engano. Você começou com zero, né? Então como que foi essa trajetória até os dias atuais? O que que te chamou atenção no crochê? Você já passou por outras artes? Já passou por outros segmentos, né? Como que é a sua história?
Na minha família ninguém fica— normalmente vem da avó, né, ou da mãe. Assim, na minha família não tinha ninguém que ficasse fazendo coisas artesanais assim. Minha avó costureira, mas ela falava que se visse ela fazendo crochê, que era para internar, que crochê era coisa de velho. Minha avó. E eu encasquetei, sei lá por quê, com 12 anos, que eu queria aprender. Minha mãe sabia os pontinhos básicos, me ensinou ali os pontinhos básicos, tanto de tricô quanto de crochê.
E eu comecei a fazer totalmente experimental, sem entender nada, né, perdendo um monte de ponto, mas ali amarradona, né. Eu acho que quando a gente tá nessa fase meio criança, meio adolescente, Você não tem essa importância tão grande com erro também, né? Então comecei a querer fazer coisas maiores, comecei a ir em armarinho para ver se me ensinavam, que eu queria fazer um moletom. Mas aí os armarinhos eram super travados, tipo, tem que ter a receita para eu te ensinar a fazer.
Eu falava, mas quem vem primeiro, gente, a receita ou a peça? Porque eu quero então aprender a fazer a receita, porque eu quero fazer a peça do jeito que eu quero. Então eu sempre fui uma pessoa muito criativa, fiz teatro 9 anos da minha vida. E esse grupo de teatro que eu tive 6 anos, eu fiquei em um grupo de teatro específico e tinham tipo 35 mulheres nesse grupo. E aí eu comecei a vender faixinha de cabelo, eu usava porque eu tinha o cabelo curtinho.
E aí eu comecei a vender essas faixinhas e aí foi meu primeiro dinheirinho assim, que eu falei, caraca! E aí elas amavam e pediam várias cores. E aí eu entendi que se eu deixasse a faixinha maior dava para usar de cachecol. E aí eu entendi que se fechasse a faixinha dava para usar de manguinha. E aí eu fui desenvolvendo outros produtos, fui estudando, né, vida normal. Eu fazia muitas coisas no clube assim, né, teatro, dança, um monte de atividades de adolescente.
E Eu ficava levando o meu crochê pra tudo quanto é lado, porque eu gostava de manter esse tempo ocupado. Aí chegou na hora de eu ir pra faculdade. E nessa brincadeira, eu trabalhava com festas, fazia algumas propagandas de TV, trabalhava em portaria de festa, trabalhei em salão de cabeleireiro, no Jaque Janine. Então, eu já fiz muitas coisas. Trabalhava numa loja indiana, de vendedora, depois virei gerente, depois virei estilista nessa loja.
Eu passei assim por muitas, muitos lugares, e esse também foi o motivo de eu querer criar minha empresa, que eu falei, eu sei tudo que eu quero por uma empresa. Eu não tenho muitas coisas que você fala, gente, isso não pode acontecer, sabe assim? Então eu fui moldando. Hoje em dia eu tenho, eu falo que eu tenho a empresa dos sonhos mesmo, que eu acho que as pessoas que trabalham lá são muito felizes trabalhando lá.
Que legal!
A gente tem uma uma união mesmo assim, né? Eu não gosto de falar família, mas, né, porque todo mundo tem direito de ter suas coisinhas, mas a gente é bem unido ali. Eu amo minha equipe, a gente é um timaço, a gente faz tudo funcionar e fluir. E aí eu fui, fui indo nessa brincadeira até chegou a hora de fazer a faculdade. Meus pais, uma época, acabaram falindo e eu fui para um colégio público. E no colégio público eu aprendi a ser vida louca, né?
É porque no terceiro colegial eu tava aprendendo o que eu tinha aprendido na sexta série do colégio particular. Então só tirava 10, era do lado do parque, eu pulava o muro da escola e ia ficar, passar minha manhã no parque. E eu só chegava na prova pra tirar meu 10. Essa época eu já trabalhava, enfim, vida normal. E aí chegou na época de ir pra faculdade. Não tinha dinheiro para ir para faculdade, não tinha como pagar. E a faculdade de moda naquela época não é que tinha assim uma faculdade pública de moda, sabe?
Seus pais trabalhavam com o quê?
Eles eram administrador de empresas do Sebrae, várias coisas.
Mas teve uma empresa que fazia essa administração terceirizada com a sua, assim, tá?
E enfim. A gente sempre foi educada a ter o nosso, sabe? Não é, a gente nunca teve, nada era dado. Eu lembro que minhas amigas tinham uma mesada bizarra assim mensal e a gente tinha tudo, mas a gente tinha que conquistar tudo. É tipo, ah, você quer isso? Então o que que você vai fazer? Você vai lavar louça, tanto tempo? Você vai fazer o quê? Você não vai mais bagunçar? Você vai, sabe assim, tudo era combinadinho. E a gente foi aprendendo a ser independente e muito guerreiras, tanto E eu e minha irmã, a gente é sócia em todas as empresas.
E aí a mãe de uma amiga minha virou pra mim e falou, ai, Anny, o que você vai fazer de faculdade? Falei, ai, tia Leda, eu não vou fazer nada, porque não tenho dinheiro. Ela, mas o que você quer fazer? Eu falei, ah, quero fazer moda. Ela, então entra na faculdade que você quiser, que eu pago pra você.
Ai, que da hora!
Falei, caraca, você tá falando sério? Não brinca? Não, tô falando sério. Falei, bom, fiz um cursinho ali rápido só pra garantir. E entrei fácil, foi fácil. Eu não queria ir para uma FAAP porque eu sabia que eu ia ficar muito deslocada, porque eu era muito descolada assim, eu era uma coisa meio clubber. Eu não queria ir para uma FAAP, uma Belas Artes assim, acho que porque eu fazia divulgação na porta dessas faculdades, eu achava a galera meio coxa assim, sabe? Não tenho nada contra, mas o que eu—
não era sua praia ali, não era sua praia.
Eu escolhi mesmo o SENAC. Porque ia cumprir ali com tudo que eu precisava. Na faculdade, os professores falavam, Anny, desencana do manual, vai para máquina, você nunca vai ganhar dinheiro com artesanal. E eu falava, gente, eu vou ganhar dinheiro com artesanal. E se eu não for ganhar dinheiro, eu vou ser feliz, eu vou vender minha arte na praia. Mas é isso aqui que eu acredito, o futuro é feito à mão, eu acredito nisso. E eu trabalhava para uma outra marca.
Caramba, nessa época você já pensava dessa forma.
Já, é. Uma coisa que eu tava até comentando com a minha irmã esses dias, o quanto a gente foi atrás da nossa verdade. Então eu acho que o caminho da verdade, o caminho do amor, ele vai te levar para o caminho do sucesso, né? Não importa a sua profissão. Se você for médico e você não gostar do que você faz, você não vai ser um bom médico e você não vai crescer na sua profissão, e você não vai ganhar dinheiro com isso. Você vai ganhar uma frustração. Mesma coisa advogado, mesma coisa qualquer profissão.
E assim, só para não perder o fio da meada, eu quero perguntar isso agora porque você vai avançando na história, depois eu vou ter que voltar muito. Mas nessa parte que você comentou do que os seus pais faliram, né, que eles tiveram que fechar ali essa empresa, foi bem no momento, tá? Mas assim, foi bem no momento em que você, pessoalmente falando, tava no momento de transição, terminando a escola, adolescente. O que que eu vou fazer?
O que que eu quero fazer, o que que eu não quero e tal. É um momento muito complicado pra gente, né? É um momento de hormônios, de a gente não sabe, é um momento de escolhas na nossa vida. E quando você olha pra quem te dá o sustento, pra quem te dá segurança, vem passando por um momento complicado, deve ser difícil pra gente também, né?
Olha, eu nunca, pra mim nada foi difícil assim.
Sério?
Você conseguiu levar numa boa essa parte?
Aí eu saí da particular, fui pra pública, achei legal. Aí, ai, vou precisar trabalhar mais pra pagar minhas contas, achei legal, vamos nessa. Eu sou muito, vamos nessa, sempre good vibes. É porque sofrer adianta? Você resolve? Não resolve. Então assim, e é isso. Minha mãe também nunca parou, sempre apoiando a gente, fazendo as coisas dela, correndo atrás. Então assim, eu acho que são mudanças que acontecem que dá um upgrade na nossa vida, né?
Eu acho que quando a gente vai conquistando as coisas aos poucos, a gente dá muito mais valor. Do que alguém que já entrega tudo de mão beijada, já nasceu ali com tudo e não teve uma educação de conquista.
E isso é uma coisa que você fala, que aparentemente os seus pais conseguiram te educar. Minha mãe, sua mãe conseguiu te educar perfeitamente ali, de tipo, meu, nada vai vir de graça nessa vida não, bora! Tudo tem que trabalhar, suar, trabalhinho de formiga, vai e volta, né?
Ela ensinou a gente mulheres independentes, maravilhosas, trabalhadoras, para conquistar o mundo.
Legal, legal, legal.
É isso. E a gente foi, e a gente acreditou nisso e foi nisso. E hoje em dia a gente é assim. Aí você tem filhos? Não, não fui criada para casar, entendeu? Fui criada para ser independente. Eu nunca quis filho na minha vida. É mesmo? Tenho 5 afilhados e tá bom de criança para mim.
Legal, legal. Mas o que puder passar disso daí, que você puder passar para elas ou eles ali, não sei, maravilhoso.
Que você tinha, Dinda, porque eles escutam.
Você pega a parte boa, né? Só a parte boa.
E respeitam e conversam e entendem. Então é muito, eu acho muito legal.
Desculpa, eu te cortei. Continua, segue o baile.
E aí fui fazer a faculdade, ficou nessa história de não vai, vai, não vai, não faz manual, não faz manual. Mas ao mesmo tempo do não faz manual, eu vendia para escola inteira. Você via um intervalo no inverno, por exemplo, tava todo mundo com cachecol, gorrinho, luvinha, tudo que eu tinha feito, casaco, tudo. Então na faculdade eu ganhava esse dinheiro paralelo. Teve uma época da minha vida que eu morava no Butantã, trabalhava no Arthur Alvim e estudava em Jurubatuba. Eu ficava 6 horas por dia em transporte público.
Meu Deus!
Então você me pediu um negócio hoje, amanhã eu já tava pronto, que eu ia no ônibus e, né, no metrô, no trem, eu pegava todos os transportes.
Apesar de estar em viagem, você tava trabalhando, tava o tempo inteiro produzindo.
Eu aproveitava para fazer minhas coisas. E aí eu fui trabalhar num site que é o Que Vestir. É quando eles abriram, foi a primeira plataforma online de roupa do Brasil. E eu era meio que uma faz-tudo assim, eu fui a primeira funcionária. Eu comecei comprando o ar-condicionado, a mesa, montando o escritório, entendendo o sistema, falando com as marcas. E aí eu comecei depois a fornecer, saí da O Que Vestir e fui trabalhar numa marca que chama Mai Mai.
E aí na Mai Mai o meu trabalho era ir nas marcas, mostrar o nosso portfólio de roupas e resolver a produção nas costureiras. Então eu ficava fazendo todo esse trâmite. E aí eu falei, gente, eu vou começar a mostrar as minhas coisas também. Do mesmo jeito que eu ligo pra marca e marco pra apresentar, eu vou mostrar minhas coisas também. Isso durante a faculdade, tá? Eu tinha acho que 20, 21 anos. Aí eu fui com a minha chefe na Ópera Rock, que foi um cliente que eu tinha, que eu tinha uma amiga lá dentro.
E aí eu fui apresentar as coisas da marca que eu trabalhava. E aí a Bilu, que era estilista de lá, ela virou para mim e falou assim: Você, cadê seus crochês? Cadê seus tricôs? Porque eu já conhecia ela.
Você fazia tricô também?
Faço ainda.
Ah, você faz? Legal, achei que era mais crochê.
Não, eu faço os dois. Eu ensino mais crochê, mas eu faço os dois normal. Legal. Aí ela falou assim, Anne, cadê seus crochês? Cadê seus tricôs? E eu tava com uma mala de pilotos no carro que eu já tava preparando, que a Juliana Gevaerd, que também tem uma malharia em São Paulo, Ela é mãe de um amigo meu e eu falei pra ela, ai, tia, você não tem uns fios aí pra eu fazer uns testes? E aí eu fui lá na fábrica dela, ela me deu vários restos, que era resto de 2 kg, de 1 kg, que pra ela era resto, pra mim era muita, né, muita coisa.
Então eu montei esse portfólio, né, essa mala com várias peças. Aí eu falei, ah, Bilu, a gente marca depois, porque eu acho chato de Né, eu vim apresentar a marca, não a minha, enfim, depois a gente vê. Aí a Bilu saiu da sala e a chefe pegou no meu braço e falou assim, você vai pegar essa mala agora, você vai lá e vai apresentar essas peças agora.
Eu, tá bom.
Fui no carro, peguei a mala, comecei a mostrar. A Bilu, ai, amei isso, amei isso, amei isso, quero essas 3 peças, quanto é? Eu totalmente sem noção, R$50 cada uma. Eu não tinha a menor ideia do quanto custava o fio, porque eu tinha ganhado os fios. Eu não tinha ninguém, eu não tinha, eu não tinha equipe para fazer, eu ia ter que ir atrás de crocheteira, tricoteira, eu não tinha receita daquilo porque eu era bem freestyle, então ainda ia ter que fazer esse rolê. E aí eu cheguei no ateliê super feliz, ela fez um pedido de 50 peças de cada.
Caramba!
Falei, nossa, que demais! Aí cheguei no ateliê, perguntei para Juliana qual que era a marca daquele fio tal. Entrei em contato, eu vi que só o fio ia custar o que eu tinha cobrado, sem a mão de obra. Eu liguei para Bilu, falei, meu, desculpa, viajei, eu não tenho como fazer. Ela, ah, eu achei muito barato mesmo, vê qual que é o valor e me fala que eu vou tentar aprovar aqui. Diminuímos para 20 peças de cada, mas já foi um super pedido de atacado.
E desde então Comecei a ficar no paralelo da marca de roupa e da minha, né, abrindo clientes novos, mandando email, mandando meu portfólio sozinha. Consegui as crocheteiras, mas aí tinha crocheteira em Mauá, crocheteira no Taboão, crocheteira em Osasco, para poder te ajudar a produzir, para fazer a minha equipe. E aí eu comecei a vender para as grandes marcas. Eu fiz os desfiles da Animale, Alexander Kovic, Fernanda Yamamoto, Mixed.
Não, muitas marcas, muitas. As melhores marcas do Brasil, assim, eu já trabalhei, já entreguei o crochê. Eu cheguei a ter 150 crocheteiras trabalhando das suas casas, trabalhando pra mim. Aí eu tinha chefe de equipe, né, daquela área. E aí chegou uma hora que eu comecei a enlouquecer. Porque tinha que acompanhar o ritmo da coleção e lança coleção e lança coleção e lança coleção. É verão, inverno, é alto verão, é, é. E o crochê não é assim.
O crochê, ele é atemporal, né? O tricô, ele é atemporal. Você faz uma peça que a pessoa vai ter para o resto da vida. Você não fica fazendo muito modinha, você quer fazer uma peça legal.
Até pode ajustar tipo uma cor aqui e ali, mas não precisa ser um, não precisa ser tão tão cravada igual é o tradicional. Não sei se chama tradicional, mas o normal, sei lá.
Sim, só que uma peça de crochê perdida numa coleção gigante, sem a vendedora saber explicar também qual que é aquilo ali, como é que veste aquilo ali, também se perde um pouco. E eram peças com valor muito mais agregado do que as outras da loja, então ficava uma peça mais cara. Mas isso pra mim não tinha problema nenhum, eles colocavam 8 vezes o valor da minha peça. E vendi. Eles são marcas, né? Marcas incríveis.
Você que fazia essa parte comercial?
Eu fazia tudo. Eu tinha a Andréia, que era minha assistente, que era eu mesma. Aí eu esquecia alguma coisa, eu falava, você acredita que a Andréia não me avisou? É isso, que não tem cão caçar com gato, entendeu? E eu ia com meu carrinho pra cima e pra baixo. Naquela época não tinha Uber, Lalamove. A gente que tinha que ir atrás pra conhecer a pessoa.
E essa parte comercial não é moleza não, cara.
Não é moleza.
Você ouve muito não.
Muito.
E é muito problema de entrega, problema aqui, problema lá.
Mas as pessoas têm um problemão com não.
Não. E o não faz parte.
Sim, sim, total.
São 10 não para um sim irado.
Exato. Então você, o vendedor que é bom, ele sabe disso.
Levou um não, ai, não sou boa. Meu, você é ótima, entendeu? Você, todas as lojas que você entra, você compra? Não. Então você é o não daquela loja. Então tudo bem.
Isso que você tá falando é assim, a chave mágica ali para você conseguir conseguir criar um vendedor na rede Liza. A gente tem muitas lojas físicas, né, que são lojas, e é muito mais reativo, né?
Claro.
E aí às vezes para você conseguir fazer com que eles façam um trabalho ativo também é difícil, justamente por isso que você tá falando. Às vezes você liga para 100 clientes, se você fechar com 2, tá lindo.
Exato, né?
Então é muito isso assim, a gente tem que saber ouvir não, né?
Exatamente, exatamente. E aí Mas aí começou a ficar puxado pra mim, porque o que eu mais gosto de fazer, que é fazer a criação e o desenvolvimento, eu já não tava mais fazendo.
Tá, não tinha sobrado tempo mais.
Não, porque as marcas faziam o desenvolvimento, muitas vezes querendo copiar coisa de fora, e eu não queria copiar. Eu sempre falava, gente, vamos desenvolver. Eu falava, eu sou escritório de desenvolvimento e criação.
Legal.
Se você quer copiar isso aí, você vai achar um grupo de crocheteiro e vai copiar. Se você vai me contratar pra te entregar esse projeto... Criação e desenvolvimento. A partir dessas referências, a gente vai criar um produto.
Quero te entregar exclusividade.
Com certeza. E aí, como é, tipo, quase enlouqueci, porque é uma gravidez até você receber o primeiro dinheiro, né? Porque você faz a peça piloto, você compra o fio, aí faz para, faz o showroom, aí vende o atacado. Aí começou o atacado. Faz o pedido, aí você fabrica as peças, aí você entrega, a galera quer pagar R$60, R$90, R$120. Então ele já vendeu as peças que ele vai te pagar. Só que eu nunca tive dinheiro, dinheiro.
Então... Dá aquela barrigada no fluxo de caixa assim.
Não, fluxo de caixa é uma coisa que não existia. E aí quando eu recebia a bolada da marca, assim, o pagamento, eu ficava rica, totalmente descontrolada. Aí eu ia viajar, sei lá, vou fazer uma trip pra África, uma coisa assim. E aí eu gastava para a próxima história. Minha irmã, cansada do trabalho dela, virou e falou assim: irmã, vamos organizar isso aqui, parou, vamos parar de fabricar para os outros e vamos cuidar da nossa marca.
E aí minha irmã trabalhava em agência, também exausta, porque trabalhava muito mais do que o horário de trabalho normal. Quando começou a ver as minhas contas, que eu tinha zero organização, Ela olhou, porque eu não sou da planilha, me dá uma planilha, eu tenho uma epilepsia, tem que ser bonito, uma planilha não é bonita. Aí ela viu as contas, ela falou, meu, eu não vou conseguir largar meu trabalho, a gente vai precisar se virar aqui para fazer isso aqui acontecer, eu vou ter que botar dinheiro nesse negócio para a gente sair desse sufoco que você se enfiou.
Porque você tava, você tava, você entrou numa bola, você entrou numa bola de neve, num vórtex ali que você tava vendendo almoço para comprar janta.
Exatamente, exatamente. Quando chegava o dinheiro da janta, eu ia viajar em vez de comprar janta, entendeu?
Comi um clube social e vamos embora, né? Que se lasque.
Educação financeira zero. A gente não tem, né, no Brasil educação financeira. Isso é uma coisa.
E aí quando mistura dinheiro pessoal com dinheiro da empresa, aí já era, né?
Aí começamos a cuidar da nossa marca. A marca hoje em dia, hoje, esse ano, tem 18 anos. Uma marca no Brasil de produtos artesanais que existe há 18 anos é uma dádiva, né?
Parabéns, que legal!
Mas é porque a gente tá ali com amor, com dedicação, aceitando todos os nãos, entendendo todos os caminhos, né? Correndo atrás das coisas, sempre se atualizando. Então eu já dava curso presencial, depois a gente foi para o online, aí nasceu a Escola de Artes Manuais. Que hoje em dia tem 8 anos já também, passou muito rápido. Já passaram mais de 40 mil alunos na minha escola online. É muita gente, né, que aprendeu do zero. É muito legal.
E aí estamos aí, né, com tudo, entenderam tudo, trabalhamos muito, mas somos bem felizes assim com os resultados para gente, para nossa equipe, para os clientes. E hoje em dia a gente trabalha mais com a parte de decoração, porque a parte de moda eu comecei a criar para escola, para as pessoas, para as minhas alunas venderem, né? E aí não dá para eu criar para uma marca de roupa, fazer a produção para minha marca e ainda criar para dar aula. É muita coisa. Então a gente teve que separar.
Escolher as batalhas.
É, escolher as batalhas. A gente escolheu ficar com a parte de decoração, que a gente já tinha equipe lá interna acontecendo. E a parte de roupa, hoje em dia eu ensino as alunas. E aí tudo que chega para mim de business assim, eu mando para as alunas, falo: o que que você precisa? Ah, quero, queria uma bolsa tal, tal. Eu jogo no grupo de alunas: ó, tem essa oportunidade de trabalho aqui, quem quer? Entendeu? Ó, vou jogar lá no grupo, você entrevista, você, ela vai te dar o preço, ela vai te fazer a piloto. Se ela tiver alguma dúvida, ela vai me perguntar. E assim a gente vai indo.
Legal, que legal. Então eu— Seu aluno vira, também consegue oportunidades ali dentro.
Com certeza. Uma frase que a Luiza Trajano falou agora no Summit Mulheres no Trabalho, que eu achei muito incrível, é que quando uma mulher tá em ascensão, quando uma mulher sobe, né, ela leva muita mulher junto. E isso é muito maravilhoso.
Acho que muitas vezes pela própria inspiração das outras, muitas vezes, né, por referência e tal.
Exatamente. Mas se você tem uma referência, que essa referência pega na sua mão e fala, vamos nessa, Você chega lá, vira uma heroína. Não, gente, hoje em dia a forma que eu explico o crochê, né, eu tenho o curso Design em Crochê, foram anos desenvolvendo esse método. Então tem gente que fala, ai, o povo fica falando de metodologia. Não, foram anos de desenvolvimento para pessoa entender de uma vez por todas a lógica do crochê, para ela aprender a criar de verdade, né?
Porque hoje em dia a pirataria tá aí, tá muito fácil a pirataria. Agora, você quer ficar comprando pirataria, mas você quer vender o de luxo, né? Ou vamos se colocar aí, né? O povo fala, ai, crochê não vende. Gente, você tá totalmente perdida, você tá vendendo no lugar errado, né? Vamos achar esses clientes certos que pagam bem, porque hoje em dia o crochê tá bombando, nunca esteve tão em alta. Todas as famosas usando, todos os influenciadores usando.
Desde quando você começou, você acha que esse é o melhor momento?
Melhor momento, sem dúvida. Sem dúvida, sem dúvida. Quando eu comecei, tudo era mato. A gente veio, meu, capinando. Eu chegava nas marcas para mostrar as minhas peças, a pessoa assustava, tipo, achava que era uma senhora. Chegava uma garota toda tatuada de 20 anos lá, entendeu? Então, até hoje tem essa coisa, né, de que o tricô é coisa de vovó. E é das vovós mesmo. Mas é de todo mundo. É uma técnica muito múltipla que todo mundo pode fazer.
Criança, adolescente, homem, mulher, todo mundo, todas as cores, de todas as idades. Não tem. E faz bem para o cérebro, faz bem para coordenação.
Total, com certeza.
É cientificamente comprovado os benefícios de você fazer algo à mão. Igual que tu tava falando que tem que ter educação financeira no colégio, eu acho que também tem que ter uma educação artesanal. No colégio, assim, nos lugares. Porque a pessoa aprender a fazer coisas com a mão, ter aquele momento dela mesmo de hobby, desenvolve o cérebro diferente, né? É porque eu invoco a venda porque eu quero que ela ganhe dinheiro. Eu tenho alunas ganhando bastante dinheiro mesmo, já estão contratando outras artesãs, já montando seus ateliês.
Legal.
Isso é muito legal. Mas se você quiser fazer só por hobby, Já é incrível, porque você vai fazer a sua peça do jeito que você quer, do tamanho que você quer, com fio que você escolheu, da cor que você escolheu. E aí você poder tirar da sua cabeça, fazer a peça que você inventou na tua cabeça, isso não vai virar lixo nunca. É uma coisa assim extremamente sustentável, mágico o negócio.
E achei muito legal uma coisa que você falou de há pouco, você tava, você comentou que em determinados momentos o seu cliente ele queria pegar uma referência de fora e copiar. E aí foi nessa hora que você falou assim, ó, não, isso eu não faço. Você me contratou para fazer uma exclusividade, uma, como eu falei agora há pouco, uma exclusividade, né? Coisas exclusivas, desenvolver uma coisa exclusiva, né? E eu acho que isso daí foi uma sacada genial sua, porque você, querendo ou não, conseguiu gerar um valor agregado absurdo nisso, né?
Claro, e aprendi muito.
E aí assim, eu penso que quando a pessoa vem com esse comentário para você falando, ah, mas crochê não vende, crochê é isso, crochê é aquilo, você vai no Instagram dela, é só peça feia. Então não digo nem que só feia, mas não é feia, é feia. Eu não tenho capacidade para dizer isso, mas assim, eu acredito que essa pessoa ela também não consegue enxergar como ela, como encontrar esse caminho?
Não, peças comuns não vendem. Se você quer fazer o mesmo tapete que vende no Brás por 50 conto, você não vai vender, ou você vai vender por 30, você vai levar um prejuízo, vai trabalhar para caramba, vai machucar o seu braço e você não vai vender.
Mas como que, como que você diria para uma pessoa, então, para essa pessoa, se ela tivesse aqui na sua frente? Eu sou a pessoa que você entrou no Instagram agora e você viu umas peças feias pra diacho. O que que você falaria pra ela? Porque eu penso assim, hoje, primeiro, dois problemas aí que eu vejo que devem atrapalhar nisso que a gente tá falando. O primeiro deles, o imediatismo, né? Você tem uma marca de 18 anos de história.
É, tem bobagem que é postar uma vez, ai, não vendi. É o tal do não.
Exato. Você tem uma marca de 18 anos, você falou, né? 18 anos de história. Tipo, não são 18 dias. 18 anos são 18 anos, cara. É muita ralação. Que nem meu pai fala, ralar o cu nas ostras, né?
Não, e aprendi gestão de marca, aprendi a ser instagramer, youtuber.
E hoje assim, com TikTok, com Instagram, essas ferramentas novas, é muito imediatismo. Então isso com certeza é uma coisa que deve atrapalhar para quem tá começando. E segundo, essa questão do Instagram de comparação o tempo todo, de você tá vendo outras pessoas. E aí, tipo, como que é essa questão para você? O que que você falaria para uma pessoa que tá, que tá com as peças feias lá?
Como que ela sai desse buraco?
Antes de tudo, ela precisa fazer um curso de empreendedorismo. Desde o portal a gente tem um curso focado em empreendedorismo. Então ela vai aprender a fazer uma foto boa, ela vai aprender a atender o cliente dela, ela vai tirar crenças limitantes. Porque muitas vezes ela não, ela não consegue pôr o valor que vale porque ela não pagaria. Só que ela não é cliente dela, entendeu? Eu nunca tive, eu nunca comprei na minha vida um vestido de R$1.500.
Eu já vendi milhões, entendeu? Então a pessoa tem que tirar essa, essa crença limitante da vida dela. Ela tem que entender que produtos básicos, não é o básico básico, produto comum que você vê por aí um monte, não tem valor agregado. Então se a gente tem uma coisa mais criativa, um pouquinho mais de exclusividade, e você vai mostrando isso da forma correta, contando ali todo um storytelling, Você vai vender. Só que não é um post que você vai fazer e acabou, e pronto, vendi. Não é isso.
É uma construção de marketing.
E não necessariamente você precisa virar blogueira, e muito menos você precisa vender só online. Qual que é a melhor loja aí da sua cidade, meu? Vai lá mostrar as peças que você faz. Falou, queria deixar umas peças aqui em consignação. Se vender, a gente vai, a gente faz um pedidinho. O que que você acha? Vamos fazer fazer esse teste, vai na melhor, entendeu? Agora você tem que, você tem que entender onde você tá. Não adianta você levar para feira, para uma feirinha de pracinha, vestidos de R$1.500, que você não vai vender, entendeu?
Então que produto você tem que levar? Exato. É, ai, aqui na minha cidade ninguém valoriza. Cara, não é para você vender na sua cidade, né? Ou você vai fazer um produto que sua cidade quer. Teve uma aluna minha que ela fez um topzinho para o carnaval e virou moda na cidade dela. Todo mundo, ela é uma cidade do interior, eu não lembro o nome dela agora, o nome da cidade. Aí ela começou a vender para cidade, a galera das cidades do lado começou a pedir um tipo de topzinho.
Ela ensinou umas 3, 4 pessoas, elas distribuíram esse topzinho para todas as cidades ao lado. Então assim, Eu tenho uma aluna que ela só vende para floricultura da pracinha da cidade dela, que é na frente da casa dela. Ela foi lá na floricultura, viu que tinha um potinho lá. No curso Minha Primeira Peça, que eu ensino potinho, ela falou, ai, posso fazer um potinho para você ver? Não sei o quê. Levou o potinho. Hoje em dia o trabalho dela é alimentar esta floricultura de potinho, de hanger para pendurar planta, E ela se especializou nisso, conseguiu criar um—
é exatamente isso que você falou, achei perfeito isso, para conhecer o público, né? Conheceu o seu cliente.
Planta vende com potinho lindo.
Se você tem um cliente que já te compra, já te dá operação para o mês todo, e você não precisa fazer um post, você entendeu? As pessoas ficam apegadas, tem vários caminhos, né?
Vários.
Até porque quando você começou era só Facebook, talvez.
Só Facebook, 18 anos Facebook, né? Eu sou da época do Orkut, mas a sua empresa separação, é que a gente teve que separar também, né? Porque era tudo uma coisa só, então a gente teve que separar a Senhorita Galante da escola da Anne, das artes, né? A gente fez separação de empresa, de nome, de público, porque o meu público do meu mobiliário não é o público do meu curso. Curso. Meu público do curso não é o público que vai pegar uma instalação minha, né?
E você, e você desliga esse ar aqui, por favor, tá congelando minha orelha aqui.
É mesmo?
Essa câmera tá esquentando? Então já manda no novo. Não, nem brinca, tem que reclamar lá, pô. 30 pau a câmera, velho. É que eu tava falando Minha orelha começou a congelar aqui. O que que eu tava falando mesmo?
A gente tava falando desse esquema das pessoas. Gente, que lesada, tá?
Você tava acabando de falar agora de separar a Nigalante.
Isso, de separar os públicos.
Aí eu perguntei, aí cada— eu ia perguntar, aliás, cada— e aí cada— nessa separação você faz um estudo para cada empresa, digamos assim?
5, são empresas totalmente diferentes.
Não tem como, né? Por mais que seja o mesmo segmento, você tem que...
É, e não é o mesmo segmento também. Não é porque tem a mesma técnica que é o mesmo segmento. Tá. É artesanal, mas não é o mesmo segmento. Então assim, a gente bateu demais a cabeça e continua batendo, tá?
É muito tentativa e erro também.
É muito, claro. A gente não tem um exemplo a seguir. Só que tem um monte de gente copiando. E aí a gente tem que ficar mudando também, né? A gente tem que estar o tempo todo na frente, criando coisas novas, desenvolvendo fio novo. A gente desenvolveu um fio para área externa, maravilhoso. E aí vende para pousada, vende para os lugares legais. Aí a galera vai na pousada, vê que é em casa, né? E aí vai formando um giro. E aí a galera tenta copiar, mas não tem a tecnologia que a gente tem, nem de fio, nem de enchimento, nem de tudo, porque é tudo um grande estudo.
A gente não pode parar. E é igual qualquer profissão. Eu tenho aluna que fala, eu faço crochê há 50 anos, tô fazendo o seu curso e vi que não sabia nada. Ou, nossa, tô aprendendo muita coisa. Porque todo dia eu aprendo. Não existe um dia que eu passo sem aprender uma coisa nova. Então eu não sei o que as pessoas acham, entendeu? Sempre vai ter novidade, sempre vai ter novidade de tecnologia.
Isso que é o mais legal, né? Eu amo isso que é o mais legal. Você não fica travado, não fica parada. É sempre em movimento.
É isso que ativa a sua capacidade cognitiva ali.
É, total.
E a gente tava falando agora, né, da— você comentou do valor do feito à mão mesmo, né? Que assim, quando você leva a sua peça, se você coloca uma peça de crochê no meio de várias outras que são feitas por máquinas ali, são— ela acaba se perdendo ali no meio também, né? Isso deve ser uma outra dificuldade assim, né? Como de mostrar que aquilo que o artesanal, ele de fato tem que ser mais valorizado, né?
Agora não tá mais tão difícil, né? Porque agora todo mundo já tem um caminho um pouco mais aberto, tá? Sim, muito mais hoje em dia que a pessoa olha. Eu acho um jeito na verdade muito simples de valorizar. Eu tinha clientes que iam no ateliê e falavam, nossa, mas quem quero Aí eu falava, olha, eu dou curso aqui toda terça e quinta, vem no curso, eu vou te ensinar a fazer igual, tá? Exatamente igual. Quando você terminar, eu te pago 3 vezes o valor. Ninguém nunca me vendeu, mas foram lá aprender.
E aí falaram, nossa, a hora que a pessoa aprende a fazer, ela fala, meu, você tá vendendo barato!
É tipo isso. Aí começa a comprar um monte. Aí vou comprar esse porque esse aqui eu não vou fazer, mas eu quero fazer uma coisa mais É que nem mesa.
Mesa é uma mesa dessa, por exemplo, você encontra para vender uns R$25.000, R$23.000, R$25.000. Aí a pessoa, nossa, R$23.000, faz uma para você ver. É, compra uma madeira só, faz uma para você ver, faz uma mesa para você ver se você não fala, meu, vende essa no mini por uns R$40.000. O cara que pega para fazer, porra, nossa. A gente tá fazendo uma agora para um parceiro, para um, está fazendo uma série A gente falou, cara, essa mesa que a gente tá fazendo, a menor que essa, a gente não venderia por menos de 15 pau.
Não, e gente, trabalhada é trabalho, entendeu? Não tem mágica. Pra fazer tudo é uma organização absurda, porque lança curso no YouTube gratuito, aí lança curso pago, aí tem que postar no Instagram conteúdo, e isso tudo sou eu que faço, eu que gravo.
E o mais louco é que quando você empreende você não tem muito plano B também, né?
Não, a gente tem 4 planos, né? Todos caminham juntos, né?
É, todo caminho é junto. O B tentar dar, o A dá certo. O C tentar dar, o B dá certo.
Aí a Ana esses dias, aí vamos abrir um armarinho físico. Eu falei, eu não, não quero, não abro mais nenhuma empresa, chega. Precisamos dar conta boa dessas aqui, né, que estão indo bem. Mas é realmente essa coisa da pessoa achar que, ai, eu vou trabalhar com crochê Vou ficar sentadinha aqui fazendo meu crochêzinho. Doce ilusão, sabe? O que eu— aí as pessoas me veem na rua fazendo crochê é porque é o tempo que eu tenho. Porque de verdade, no meu dia a dia, né, eu faço pouco, porque eu tenho milhões de coisas para resolver, né, milhões de coisas para pensar, que não é o crochê recreativo, né?
Então tem esse lugar também de entender que se você quer empreender você vai seguir um caminho de trabalho, e trabalhar dá trabalho. Mas hoje em dia a maior galera vende sem querer também. Vai no lugar: ai, de onde essa bolsa? Ai, de onde essa blusa? Ai, eu que fiz. E vende, vende sem querer. Tem muita aluna que entra de hobby, e aí: ai, aí eu comecei a vender, aí eu comecei a ganhar mais do que eu ganhava no meu trabalho, aí eu larguei meu trabalho.
Ô, Anne, e você falou sobre tricô. Por que você não dá aula de tricô? Por que você focou no crochê?
Olha, eu dou aula de tricô também, tem curso de tricô iniciante no portal, mas tem a galera da Tricopídia que arrasa. Minhas alunas, elas entendem mais a técnica do crochê, então eu tô focada mais nas crocheteiras mesmo. E eu gosto muito do crochê pela facilidade. E também tem uma coisa que o tricô já tem máquina, né? Há muitos anos existe a máquina de tricô. Então muitas vezes uma peça que você vai fazer artesanal, que já fica diferente, tá?
Eu não compro tricô de máquina de jeito nenhum. E o jeito de provar, o jeito de construir, o jeito de entender da lógica é bem diferente.
Ai, que engraçado! É, por exemplo, eu nunca vi, não existe provavelmente máquina de crochê, por exemplo.
Máquina de crochê não existe. Tipo, porque o crochê ele tem muitas variantes e uma máquina ainda não conseguiu pegar. Mas agora com esses robôs, talvez uma hora tenha. Mas não substitui. A máquina de tricô não substituiu o tricô. Eu tenho máquina de tricô, também amo. Eu faço tricô, amo fazer tricô. Mas a construção do crochê é, eu acho, mais prazerosa. Digo, eu falo que a gente é uma impressora 3D, sabe? A gente vai fazendo ali, a peça já vai, aí a peça já vai saindo muito louca.
E você acha que isso valoriza o crochê, o fato do tricô ter uma máquina e o crochê não?
Não, não, não, acho que os dois andam super juntos ali. Eu acho que foi um caminho que foi tomando, mas por exemplo, a minha marca de mobiliário tem muito mais coisa de tricô do que de crochê, por exemplo. Então talvez a minha criação do tricô tá mais envolvida com a marca e minha criação de roupas para curso, tá mais envolvida com crochê. Não tem, ai, qual que você prefere? Não tem muita preferência, eu gosto das duas. Entendi, sou poligâmica nesse amor.
E para encerrar, minha última dúvida.
Você faz boas perguntas, tá curioso? Vamos lá.
Eu fiquei curioso, eu fiquei curioso porque eu não entendo muito. O que a gente conseguiu entender bastante foi por conta do crochê, que veio muita gente do crochê aqui, né? Mas do tricô não entendo muito. E eu queria saber qual é a diferença principal dos dois assim, do crochê e do tricô.
São duas técnicas diferentes, é tipo tocar violão e piano.
Mas tipo tecido é mais grosso?
Não, o tricô, os pontos são totalmente diferentes e a técnica é totalmente diferente. O tricô são duas agulhas de ponta e o crochê é uma agulha de gancho.
Mais fina, mas tem mais grossos também, né?
A finura e a grossura indifere. Você pode ter uma de 0,5 até 30 milímetros, até fazer com a mão. Entendeu? Até a técnica é diferente, os nós são diferentes, os pontos, né, são diferentes, as combinações são diferentes, o caimento é diferente.
E o macramê nasceu do crochê ou vice-versa?
O macramê ele não usa agulha, é mais à mão, né? É uma técnica artesanal das milhões que a gente tem, né? A gente vai ter macramê, temenda.
Quem viu o galinho-ovo, né? Não dá para saber quem veio antes, né?
Olha, A gente tem registros muito antigos de tecelagem, assim, pré-históricos mesmo. Mas a gente não tem a história definida, nem do tricô, nem do crochê, nem da renda.
Deve ter surgido em vários lugares ao mesmo tempo.
Claro! E isso é o mais interessante, porque se você olha o crochê, a gente tem o crochê tunisiano, a gente tem o crochê irlandês, a gente tem o crochê russo, aí tem o crochê de Bruges, aí tem o crochê peruano. Entendeu? A gente tem muitos estilos feitos da mesma técnica, mas com motivos, com DNAs diferentes ali. Exato, com a cara diferente.
Que legal isso!
Sempre a partir dos mesmos pontos. Eu gosto de falar bastante que o tricô e o crochê é como se fosse uma música, né? E os pontos principais são as nossas notas musicais. Então, do mesmo jeito que todas as músicas são feitas com 7 notas musicais, e aí você tem acordes, tons e afins, é a mesma coisa no crochê. A partir desses 5 pontos principais do crochê e os 3 do tricô, você vai fazendo essas brincadeiras.
Que da hora!
Então tudo é variação do mesmo tema.
E você já visitou outros lugares do mundo assim? Você já deu uma passeada para ver como que são as peças em outros lugares assim? Olha, toda viagem que eu vou, eu sempre tenho essa, com certeza, que da hora!
Nosso tour da artesã. Assim, eu amo, imagina visitar o Marinho, ver os fios novos. E aqui no Brasil a gente é bem rico de fio, assim, no final das contas a gente importa muito fio e o nosso fio fabricado aqui é de excelente qualidade, com preço muito bom comparado com o preço feito no resto do mundo, assim. Então, muita, hoje em dia eu mais vejo do que compro. Antigamente eu ficava louca, comprava os estojos, agulha, não sei o quê.
Agulha eu sou colecionadora, mas os fios em si, eles acabam chegando aqui pra gente. Então é difícil ter alguma coisa assim tão uau, isso não tem lá, sabe?
Entendi, entendi.
Ainda mais hoje em dia que a gente consegue pedir no site da China, né?
E chega, nossa, chega muito rápido hoje, né? Putzamerda, eu esqueci de falar, a galera pode mandar pergunta. Pode mandar pergunta aí no chat que o Tom Hanks daqui a pouco já levanta algumas para— já quer falar alguma coisa?
Já eu tenho uma mais uma pergunta.
Manda.
Ô, Anny, você falou que você já via muito tempo atrás que o futuro seria artesanato, né? Seria futuro feito à mão, como tá popularmente, né? Eu queria que você falasse um pouquinho mais de o porquê você sempre sentiu isso e como você vê o artesanato daqui 5 anos, se realmente você imagina que vai estar muito mais estourado, como vai estar estourado, o que que o pessoal vai estar fazendo, como você imagina isso.
Ótima pergunta, porque hoje é fácil você conseguir enxergar isso, né? Porque saiu um monte de matéria também falando que 2026 é o ano do artesanato, tudo. Mas você com 12 anos, você, 12, não sei se 12, mas você comecei, é, com muito pequena ainda já falava futuro artesanato. Caramba, é uma informação mediúnica, né?
Talvez, bem talvez, não posso dizer que não. É uma coisa que eu sempre tive muita certeza, e essa sempre foi muito a minha verdade. Então nunca deixei nada me abalar e me dizendo que não era para eu ir por esse caminho, né? Porque o universo, que é todo mundo, queria me dizer que não era para eu ir por esse caminho. Minha mãe sempre me apoiando, meu pai sempre me apoiando, minha irmã me apoiando, falando: vamos para o caminho que você quiser.
E eu sempre acreditei muito nisso, de verdade. Tem uma coisa mediúnica bem forte na minha vida. Que legal!
Mas se quiser falar, eu gosto de ouvir essas coisas.
Eu acho que não é, não é o caso. Mas eu, como eu consigo enxergar isso no futuro, é que ou a gente muda ou a gente vai ser extinto, sabe? O planeta não tá aguentando mais. A gente é o vírus desse planeta. A gente tá superaquecendo o planeta. Então a gente tá dando uma febre absurda no planeta e a gente vai começar a ser destruído. Vocês viram o que aconteceu ontem, né? Foi surreal aquilo. Parecia cena de filme de ficção científica, né?
Chegou a ver?
Não, o que que é?
No Nepal teve uma um terremoto, caiu um pedaço de uma geleira da montanha que veio descendo, bateu no rio, o rio veio descendo com tudo, uma lagoa, né? Veio uma onda de lama, gelo, água, foi devastando.
Um tsunami de cima para baixo. Surreal, surreal.
Dá para chorar, né?
Não, surreal.
Acho que dá para você ver um pouquinho aqui.
Abre essa do meio, esse da Extra Online aí. Olha o tamanho da onda atrás da casa, tá vendo?
Caraca, velho! Esse vídeo aqui, ó, vem uma montanha giga, uma lama gigantesca assim, derruba tudo isso aqui, ó.
Caramba!
Não, assustador, é colapso total. E a gente tá vendo, esse ano vai ter a história do El Niño, observando o nosso dia a dia Tem um dia que tá super calor, outro dia tá super frio, de repente tem uma ventania, de repente tem um granizo, de repente tem uma inundação. Não dá mais, entendeu? Não dá mais para você querer comprar a blusinha que vem lá da China, entendeu? Ela faz todo esse caminho, é um gás carbônico absurdo, é uma poluição absurda para sua blusinha baratinha chegar aqui para você usar 3 vezes, ela virar lixo, e aí para o deserto lá do Atacama que tá entupido de lixo.
Lixo de roupa, né? Então assim, não tem mais para onde correr. Então o que que eu acho que a gente vai acabar, né? Eu espero que dê tempo ainda da gente mudar as nossas atitudes. Então você, o consumo da roupa, né, ou você fazer sua própria roupa, isso já é maravilhoso. A gente não tem descarte do fio porque você vai juntando uma pontinha na outra e vai, né, fazendo outras peças. Eu amo fazer peça de restinhos. A gente vai começar a querer fazer trocas com os vizinhos, a gente tá de legumes, de coisas que a gente plantou, sabe?
De ter realmente um básico sustentável, autossustentável dentro de casa, assim. Não vai dar mais, a gente vai ter que começar a fazer uma coisa meio que de escambo também, de troca de favores, trocas de serviços. Não tem mais onde jogar lixo, sabe? Esse planeta não aguenta mais. Então ou a gente vai para o artesanal, não tem outro caminho, e vai ter uma escolha mais consciente, ou já era. E a gente vê que as pessoas estão indo mais atrás de um alimento orgânico.
Se você, joias, até vai comprar joias artesanais, sapatos artesanais, né, muitas coisas artesanais. É claro que para grande maioria da população não chega isso, e muito menos a informação e a educação básica para essa mudança. Mas eu acredito que o crochê é para todo mundo, porque o crochê é para 3 pessoas, né? Para todo mundo é para 3 pessoas: quem sabe fazer, que pode ser qualquer social, quem pode comprar, que tem dinheiro para adquirir uma peça feita por outra pessoa, e quem tem alguém que te ama muito que vai fazer de presente para você.
Então assim, é uma técnica muito democrática. Se você quiser fazer suas próprias roupas, você consegue fazer, né? E a gente tem fios aí de todos os preços, todos os valores. Então, cara, a gente com guerra em 2026, sabe assim, que isso? Tamo muito perdido. Então eu acho que a gente tem que voltar um pouco para nossas origens aí e acreditar nesse futuro como sobrevivência, né? A gente precisa de ar para respirar, a gente precisa de água para beber.
Não dá mais essa quantidade de desperdício, né? Hoje em dia a gente já tem um fio de algodão orgânico que já nasce colorido. Que legal, né? Então você fala, cara, olha a quantidade de água que deixou de gastar. Né? A indústria gasta muita água para produzir uma calça jeans. Aí a galera quer ficar trocando o modelo de calça jeans por estação, que agora a moda é larga, agora a moda é justa. Agora cada um tem que ser, vai encontrar.
Eu acho que o futuro também tem essa da pessoa encontrar o estilo dela. É legal você ser quem você é e não o que tá na moda. Não precisa estar todo mundo igual. Porque é isso, você vai lá, vai no Fashion Week de Copenhague, tá todo mundo diferente, mas tá todo mundo diferente igual lá naquele grupo. Aí vai lá a galera do mundo, vira moda, e aí fica todo mundo diferente igual, vira um déjà vu muito louco, entendeu? Então você fazer suas próprias roupas é muito estilo, porque você faz do jeito que você quiser, do jeito que você pensou.
É muito isso que você falou mesmo, a gente é o vírus do mundo. Porque lembra na pandemia, no começo, que todo mundo ficou em casa e foi a primeira vez em sei lá quanto tempo que diminuiu a poluição em São Paulo, né? Tipo, a gente só ferra o planeta, né? A gente escolhe quem a gente usa, os bichinhos que a gente quer comer, como quer comer.
Não, pega a praia, constrói um monte de prédio em volta, né? Aí começa uma pesca predatória. Aí é tudo predatório. O ser humano é predatório. A gente não tem uma coisa social. Até o turismo do ser humano é predatório. O ser humano comece tanto por um lugar que estraga o lugar.
E você acha que o artesanato ele consegue caminhar um pouco, a arte, o artesanato no crochê principalmente, consegue caminhar um pouco contrário de tudo isso assim?
Eu não acho que é contrário, mas é no caminho que tem que ser. Não é uma questão de contra e sim de ajuste, né? É contra a cultura de massa, né? É contra a industrialização excessiva. E tem isso também da comida. As pessoas hoje em dia comem chocolate sabor chocolate, come frango que tem tanto hormônio que nem dá mais para chamar de frango, entendeu? E isso deixa as pessoas doentes também, sabe? Então as pessoas todo esse industrializado, esse consumo, essa onda, não tem como não diminuir, gente.
Não dá mais, não dá mais para fazer produtos descartáveis, né? Antigamente a gente tinha eletrodomésticos que duravam uma vida, né? Hoje em dia, de tempos em tempos, você tem que trocar alguma coisa, né? Porque sim, que acabou, morreu, né?
Por isso eu só compro meus méus e meus ovos lá em casa na Mug Farm, é a fazenda, fazenda que vende os meus só de abelhas resgatadas. Olha que legal, abelhas resgatadas e ovos de galinhas livres. Nada daquele negócio de galinha presa. Fala aí, da hora! E o ovo é bem mais gostoso, bem mais gostoso.
Mas eu entendo que a gente tem uma grande massa que vai consumir o ovo, que é o mais barato.
Sim.
E que se a gente fosse deixar todas as galinhas para essa quantidade de ovo que é consumido, também ia ter que desmatar muito. Então é um negócio que a gente super populou, entendeu? Nunca não tá cabendo mais. Não é uma questão de caber, é uma questão de diminuir. Mas já vai diminuir, né? Porque nossos avós tiveram lá 6 filhos, agora estamos tendo menos, né? Aí eu já tive um cachorro, agora eu tenho uma planta. Então Assim é o esperado também, né, de dar uma diminuída, porque essa superpopulação realmente não tem.
Eu acho que agora também com avanço de carro elétrico pode ser que também ajude um pouco a questão de poluição, principalmente, né?
Eu acho, mas vai fazer o quê com os outros carros que não são elétricos? Na verdade seria, a solução seria conseguir transformar o motor de um carro normal num carro elétrico e não você ter jogar o seu carro fora, ficar totalmente sem valor aquele carro. Onde é que vai enfiar tudo isso de carro?
Que tá nas escolas hoje, eu lembro que na 4ª série, nossa, a gente ficou acho que uns 2, 3 anos assim falando muito de reciclagem, muito, muito, muito reciclagem, reciclagem, reciclagem. Será que hoje tá forte essa parte também ainda?
Eu acho que tem que estar, tem que estar mais, né? Na verdade, sim, eu acho que é o mínimo da educação de base, é reciclagem, mas a reciclagem não é a solução dos problemas, porque dá um alívio, né? Mas é você parar de usar o copinho de um uso só, né? Usar um copinho que você leva na sua fisioterapia. Quando eu quebrei o cotovelo, eu fiz 70 sessões. Então imagina eu tomar 70 copinhos, porque todo dia que eu vou lá eu tomo um café. Então eu já deixei um copinho lá, deixei. Ó, esse aqui é meu copinho.
É uma coisa muito mais de consciência, né? Tipo, se você, cada um tiver um pouco de consciência, não que você vai ficar da noite para o dia, você vai virar vegano da noite para o dia. Se você fizer uma mudança tão drástica assim de uma vez, aí você é difícil, né? Mas se você tiver um nível de consciência que nem você falou, ao invés de ficar usando copinho plástico, pega e leva uma garrafinha para onde você tiver. Ao invés de, sabe, pequenas mudanças já faz uma diferença. Se 7 bilhões de pessoas tiverem essa consciência mínima que seja.
Mas é isso, se cada um fizesse o seu— ninguém tá falando para você fazer por você, abrir uma empresa de reciclagem, mas se cada um fizesse o seu, já ia melhorar muito. É um pouquinho, sabe assim? Ninguém tá falando exatamente para você virar um neurótico, mas é um pouquinho, uma coisinha que você muda ali, sabe? Precisa realmente comprar essa bolacha sabor chocolate ou melhor comprar uma banana? Para sua saúde, sabe? Assim, são mini escolhas que você faz ali na sua vida que dá para encaixar na vida de todo mundo e pode fazer uma grande diferença no mundo.
Mas eu vejo que é difícil isso, principalmente por conta das redes sociais. É muito estímulo o tempo todo, né?
Na verdade, é o tempo todo gente querendo te vender coisas. E eu fiquei chocada com um dado que eu vi esses dias, que os 20 maiores esses produtores de conteúdo que são mais influentes, sabe o que que eles ensinam?
Nada.
Eles só mostram a vida de riqueza deles, entendeu? Aí você pega um indígena que tá com, que tem o celular, aí ficam colocando um monte de corpo que não é um corpo padrão, um corpo que passou por milhões de cirurgias, tá com um monte de preenchimento, uma coisa nada natural. As pessoas começam a se achar feias achar que o corpo não tá bom. Então você acaba criando uma frustração na pessoa, onde ela acha que ela consumindo alguma coisa que aquela pessoa consome, ela já é melhor, porque ela já tá inserida num grupo.
Então isso é assustador, né? Rede social assim tem que ter muito, muito bom senso para usar, e a gente não tem.
A gente—
e agora com inteligência artificial piorou, piorou. Tipo, voltem a deixar os seus sobrinhos fazerem os banners, sabe, das coisas, porque tá ridículo.
Nossa, muito!
Tá assustador. Enfim, essa coisa do imediatismo, que tem que ser rápido, que tem que ser rápido. Aí você fala, nossa, eu vou fazer essa ferramenta que ela vai me ajudar a fazer 30 posts. Mas precisa de 30 posts mesmo, feito por uma máquina, em vez de você fazer 3 incríveis que foi você que fez? Né, precisa dessa, você acha que a máquina tá trabalhando para você, mas na verdade você tá trabalhando muito mais porque você tá querendo entregar muito mais, coisa que uma pessoa só não entrega. Não vai ser fácil, sabe?
E o crochê é totalmente ao contrário isso, né?
Totalmente ao contrário.
Você fica muito mais tempo ali produzindo, ali muito mais tempo, normalmente você fica um tempo ali produzindo, né?
Dá uma desacelerada.
E falando sobre o crochê, uma dúvida: você acha que o crochê ele vai chegar um momento, a moda em si do crochê, que ela vai chegar no momento tipo de não ter tantas ideias. Tipo, chegou um tempo que a moda falou, putz, para onde a gente vai agora com crochê?
A pergunta que eu ia fazer agora, ela é meio nessa, mais ou menos nessa linha. Eu vou juntar a pergunta dele e aí se você quiser discorrer, fica à vontade. Eu ia perguntar como que é a questão de lançamentos nessa, nessa, nesse ramo, porque a gente tem tipos de tecidos, por exemplo, finitos ali, né? Tipo, a gente não é, não é todo dia que aparece um tecido novo, por exemplo. Eu acho, né? Tô chutando. Aí a minha pergunta é assim: como que é, como que é o nível de lançamento?
Todo ano tem algum tipo de tecido novo, uma cor nova, uma espessura nova, uma técnica nova? Como que é o lançamento dessa, os lançamentos dessa arte assim?
Vamos lá, a primeira pergunta dele de como que vai ser essa parte de criação. Aí eu vou falar para você qual que é a parte de criação da calça jeans, por exemplo, entendeu? Roupa é roupa, decoração é decoração. Todo sofá tem um tecido e o tecido pode ser crochê. Toda roupa tem um tecido e o tecido pode ser crochê. E ninguém vai parar de se vestir e ninguém vai parar de ter coisas na casa. Certo?
Então não sei, né? Do jeito que a gente tá doido, daqui a pouco tá todo mundo pelado aí.
Acho difícil, acho difícil, né? Porque temos aí uma, todo um rolê de igreja, enfim. Não acho que vai chegar nesse lugar. Acho que tecidos a gente sempre vai usar, e aí a criatividade ela é infinita, igual qualquer tecido, né? E sim, temos tecnologias absurdas para tecido, Tecnologia, texto assim de fio de fibra de leite, caramba, viscose de aloe vera, sabe assim, tecido que ajuda a combater a celulite. Então hoje em dia os tecidos mais respiráveis, mas também temos o retorno das fibras naturais, das pessoas que não querem vestir fibras sintéticas, que também é um nicho ali, né?
Que eu agora lancei uma lã, por exemplo, e eu tô fazendo todo um trabalho para as pessoas entenderem que o acrílico não é lã, poliéster não é lã. Porque você chega no armarinho e fala, ai, quero comprar uma lã, eles vão te mostrar os fios que tem cara de quentinho, mas não necessariamente é lã. Lã é só de ovelha, lã é só de carneiro. Então tem toda uma educação para a gente fazer para as pessoas para ensinar sobre as fibras têxteis, né?
Porque não necessariamente é porque a pessoa sabe fazer o crochê ela sabe que fibra que ela tá usando. É a mesma coisa, que é o mais normal. É muito provavelmente a pessoa que tá comprando em qualquer loja, ela não olha a etiqueta de composição para entender o que que é. Ela fala: gostei, não gostei, gostei da estampa, não gostei, gostei do caimento, não gostei, achei macio, não achei macio. Não olha a fibra que foi feita, né?
O jeito que foi feito. Então é infinito, é totalmente infinito. Até porque as misturas são infinitas.
É isso que eu ia falar, tem misturas também, você mistura os tecidos.
E por exemplo, você pega uma fibra, um polímero, né, uma fibra sintética, por exemplo, você pode deixar ela com infinitas texturas, porque você que dá ali, ó. Por isso que tem essas tecnologias de, ah, essa daqui joga o sol para fora, essa daqui mantém o calor do corpo, essa daqui não fede, essa daqui, sabe, isso é tudo formas de posicionamento dessas fibras para acontecer essas tecnologias. Eu amo a parte de fibras, é um dos tesões assim do meu trabalho, é fazer o desenvolvimento de fio.
Eu penso, participa disso, você pega, por exemplo, as empresas que desenvolvem ali, testa, faz isso.
Exatamente. Aí eu queria um fio assim, queria um fio assado. Ah, mas a gente não tem essa máquina, mas eu queria assim.
Que da hora!
A gente vai ajustando.
E esses desenvolvimentos, eles acontecem aqui no Brasil também?
Tudo no Brasil, tudo no Brasil.
Mas deve vir bastante coisa da China ainda também, até, né?
Vem muita. A maioria das fábricas grandes aqui do Brasil, tipo Linhas Corrente, Fios Pinguim, Círculo, as gigantes, elas importam muita coisa. Importa da Turquia, importa da China.
Mas importa também algumas coisas que não vale a pena fabricar aqui ainda?
Mas infelizmente a gente tem aquela coisa que você manda matéria-prima e compra o o pronto, né? E mais barato. Eu tenho umas coisas muito doidas. Por exemplo, a fibra de cânhamo, né? A fibra de cânhamo você não pode, você não pode plantar aqui, é proibido você plantar cânhamo. Para quem não sabe, gente, é a fibra da maconha. Mas igual a gente tem muitos tipos de uma planta, é uma, é a fibra que você não fuma, no caso, tá?
O cara fumando a roupa dele.
É, não teve um super problema quando teve aquele Adidas que a galera começou a fumar e era super tóxico, né? Super químico. Mas porque as pessoas são sem noção também, né? Vamos combinar. Mas a gente só pode fazer a manufatura, então a gente tem que comprar fibra de fora. E tudo que é importado para a gente fica caríssimo, né? Só que você pega da Turquia, da China, você consegue uns fios com uma tecnologia muito legal, com umas criações muito legais, com preço muito bom. Muito competitivo.
E os tecidos, eles às vezes é que nem tipo madeira ou nada a ver? Que às vezes o mesmo tecido ele é de um jeito no Brasil e de outro jeito de outro lugar por conta de clima, essas coisas, ou nada a ver?
Não, as fibras naturais com certeza, né? Você, você não, tanto que o cachemir, que é uma das fibras mais caras que temos aí naturais hoje em dia, tem tecido egípcio e não sei o quê, né?
Tem negócios.
O algodão egípcio, porque a fibra dele é bem longa, então ele é um algodão mais macio, ele tem sim uma qualidade, ele é diferente. Mas, por exemplo, você pega uma cabra da Caximira e coloca aqui no Brasil, ela não vai produzir a quantidade de pelo que ela produz lá na neve por conta do clima. Então não quer dizer que a Caximira é a melhor fibra do mundo porque ela é a mais cara, uma das mais caras. Mas sim porque a gente tem pouca quantidade de vez, e aí automaticamente, né, tem igual ser humano, a gente tem pelos diferentes no corpo, o bicho também.
Então são categorias também de cachorrinho. Agora as fibras sintéticas é um alalaô. Se você, viscose, você pode pegar, sei lá, 200 fios de viscose, um totalmente diferente do outro. Torcidas diferentes, caimentos diferentes, brilhos diferentes, texturas diferentes, tudo diferente. Porque você pode brincar, porque a viscose ela vem da, de madeiras e tal, mas ela passa por um super processo químico. Então é uma fibra que a gente chama de artificial, que ela não é sintética, ela não vem do petróleo ali, mas ela é uma fibra artificial porque ela passa por um processo químico.
E aí que a gente consegue um fio de proteína do leite, um fio de aloe vera, um fio de cana-de-açúcar, né?
Entendi. Vamos para as perguntas. Stonehenge brasileiro. Estamos aqui com o Fábio. Vem dar um oi na câmera aqui, moreto. Você fica ali, né? Vem aqui. Você fica bonito de verde. Dá um alô lá. Oi, gente! Me mostra o que você trouxe aí de invenção do Fábio. Me mostra lá. Ó o que o Fabião fez, galera, para deixar nas lojas. A gente tava falando em off aqui, me manda, me manda. A gente tava falando em off, pessoal, que a gente tem os produtos, né, para enquanto o Tom Henrique separa ali as— é um bong, né, isso aqui?
Não, tô brincando, eu nem sei, eu nunca usei essas coisas. O, perdi até o fio da meada, mano. Você me deixa com TDAH, velho. Vocês sabem, a gente tava falando aqui agora pouco que a gente tem os produtos para fazer piso drenante, né, pessoal? E aí a ideia é deixar esses negocinho aqui nas lojas. Ó, esse aqui é o primeiro protótipo que o Fábio produziu. E aí a gente vai deixar as pedrinhas aqui, né, fazer uma plaquinha e mostrar que fica drenando, né, o tempo todo.
É uma fonte, é uma fontezinha.
Exatamente, resina epóxi 4002, né, resina epóxi ultra transparente com a máxima proteção UV. Então de todas, de todas que você encontrar para piso drenante aí no Brasil, é sem dúvida nenhuma que mais vai demorar para amarelar. E em camadas finas ali, como é o caso da pedrinha drenante aqui, você nem vai perceber. Ajuda muito com a água, ó lá, evitando aí enchentes, etc.
Ó o Fábio, apicultor, e pegou a caixinha de sorvete, arrasou na fonte.
Fábio arrebentou, velho. Não, ficou muito da hora, cara. Ó, você que tem um Red Center, ó, se quiser adquirir o seu, Fábio tá vendendo esse daqui. Por quanto você tá vendendo? R$5.000 cada um.
Pode separar dois para mim que eu já boto umas pedrinhas drenantes em volta assim, por favor.
Vamos fazer uma roupinha de crochê para essa caixinha aí.
Dá para fazer roupinha para todo mundo.
Eu melhorei da gripe agora, mas depois desse podcast é direitinho para o SAMU, velho. Esse ar-condicionado tá gelando minha cabeça. Fala aí, fala aí, Tom Henriquez.
Posso mandar aqui?
Você falou da roupinha da caixinha. Eu queria muito fazer uma roupinha para o Cristo Redentor. Imagina que incrível! É roupinha, mas imagina que irado! Sei lá, vai ter Copa do Brasil feminina, aí vai lá e faz uma camisa do Brasil para o Cristo. Ia ser irado, me ajudem a chegar nesse sonho, gente!
Como que a gente poderia chegar? Teria que falar com a prefeitura, sei lá. Eu acho que tem que ser a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Ah não, crocheteiro eu posso deixar, crocheteiro eu garanto.
Não, gente para fazer, você falou 150 pessoas.
Gente para fazer tem.
Em quanto tempo você acha que faria uma roupa para o Cristo Redentor?
Ah, tudo depende de como que vai ser essa roupa, tem muitas possibilidades, né?
Mano, seria, imagina um vídeo disso.
Não, sensacional, quero muito.
Estoura no mundo inteiro a história.
Não, quero muito, quero muito, é uma coisa que eu quero fazer, eu quero arrumar alguém para Bancar essa brincadeira. Eu vou pensar, cara, se a gente consegue ter um evento lá, Rio de Janeiro, sabe? É de moda, acho que não teria essa pegada de chamar tanta atenção. Deveria ter que ser uma coisa assim de futebol, de enfim, Olimpíada, Olimpíada, o Natal no Rio, aqui não sei. É campeão do caralho no Rio, coitado.
Mas é sensacional ter que pegar qual o público ali certinho, o evento. Na Copa seria perfeito, faz a camisa do Brasil.
Ia ser legal. Nossa, ia ser muito legal.
Eu falei para o Tom Henrique ler as perguntas, aí saiu correndo. Lê aí para nós então, vai.
Será que tem muita?
Pior que eu não conheci ninguém assim que poderia, que poderia tentar cortar mais caminho, tô tentando pensar aqui.
Eu tô jogando para o universo assim.
De repente esse podcast chega em alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém, quem sabe. Aí tá vindo. Você quer que eu leia as perguntas ou mando mensagem no WhatsApp dele?
Eu fui no banheiro rapidinho.
Aí melhor ele que ele já sabe onde tá. Melhor ele que ele não precisa de óculos, né?
Separou.
Manda Thomas Renks.
Isabela aqui, adorando o papo. Vocês acham que o artesanato pode ser uma forma de expressão artística ou ainda existe um preconceito enxergá-lo dessa maneira?
Sem dúvida nenhuma, arte-texto voltou com tudo. Bienal de Veneza só com crochê, tricô, macramê. A gente tá vendo assim arte-texto voltar ficou realmente um tempo em esquiva, não sendo tão valorizada como uma pintura, mas, né, o retorno chegou. Não tem para onde fugir, agora é a hora, né? Eu adoro, eu faço uns quadros de encomenda para vender e é muito legal.
Eu acho que com— desculpa cortar— a ascensão do— ascensão principalmente agora da cerâmica fria também, eu vejo que Acho que essa pergunta dele vai muito de encontro do tipo artista e artesão. Ainda tem esse preconceito, às vezes a gente percebe.
Não é preconceito, é categoria, gente.
Então, mas a gente tem um amigo, né, que ele é escultor e tudo mais. E se você chamar ele de que o que ele faz é artesanato, ele fica bravo.
É, eu não fico, por exemplo. A minha vida inteira que eu perguntava qual que é a sua profissão, eu falava tricoteira, crocheteira. Tudo mais, você não é designer? Você não é não? Eu sou crocheteira. Tipo, tá tudo bem, mas eu sou artista também. Hoje em dia eu entendo que tem muitas, muitos rótulos que as pessoas gostam de colocar, né? Só que é isso, existe muita arte que parece que não deveria ser chamado de arte também, né? E tem muito artesanato que é fantástico assim, que também deveria muito ter mais olhares, né?
Mas também aquela coisa de estar no lugar certo, na hora certa, de se apresentar, de continuar, né, de fazer um processo ali sequencial artístico, sendo conhecida aos poucos, apresentando o trabalho.
Eu não sei se é porque eu tô no meio, né, mas de certa forma, mas eu vejo que é o termo artesão, ele tá mais valorizado. Assim, na minha sensação, gente, então, exato, tipo, pois é, eu acho que assim, eu vejo um cara que é artesão, falo, nossa, animal, velho, que ele faz muito, muito incrível, né? Desde um luthier, um pintor, enfim, resineiro, crocheteira, tricoteira, quando a pessoa faz bem, cacete, exato. E eu acho que artesão e artista é tudo a mesma coisa, velho.
É a mesma coisa, mas não tá inserido no mesmo lugar do mercado, entendeu? Porque é uma coisa que existe toda uma segregação, né?
A gente tem que se lascar.
Não é, mas é porque tem, tem os grupinhos, né? Tem essa coisa para você entrar no museu, para você entrar numa galeria, não é só você ter uma arte incrível, você tem que ter contato, você tem que ter dinheiro, né? Ah, você quer Meio que a mesma coisa assim. Claro que no São Paulo Fashion Week, nesses desfiles de moda, você tem muitos grandes talentos maravilhosos, criativíssimos desfilando. Mas se você quiser pagar pra desfilar, você consegue.
Então nem sempre são os melhores, né, os que apresentaram os melhores projetos e sim quem investiu. Quem tem dinheiro, quem tem contato, quem tem, né, bala na agulha.
Como que você vê o evento Artesanal Fashion Day nesse ramo? É uma parada animal assim pra vocês, né?
Achei muito legal.
Deve dar uma valorizada absurda, né?
É legal porque não tem aqui no Brasil, né, um desfile todo artesanal. Antigamente tinha o Eco Era, que era muito legal, que era da Kiara Gadaleta. Foi um dos primeiros desfiles que eu participei na minha vida, que já vinha com essa coisa do sustentável, do feito à mão, que era lindo. E aí a gente ficou nessa coisa que meio que não tinha. Aí veio as meninas, né, do Artesanal Fashion Day, junto com Peter, e A ideia é muito boa e eles executam muito bem ali, eles são super organizados.
Foi muito legal participar, eu fiquei muito orgulhosa das minhas alunas, elas arrasaram assim. Imagina que a gente fez um desfile à distância, né? Confiei nelas, elas confiaram em mim, a gente segurou na nossa mão e falou, bora, vai dar certo!
Como que é para você? Porque a gente falou antes aqui também do Ivan, né? Cara, o Ivan é um cara que a gente admira de paixão, assim, a gente adora, adora, adora ele. E aí você comentava, Ivan foi meu aluno, é meu aluno, não sei como que funciona essa dinâmica. Como que é para você assim ver pessoas que são tão fodas hoje em dia que começaram por você assim? Olha, orgulho, cara, que loucura!
Na verdade, eu, é aquela coisa que eu, que a gente tava falando antes, eu acho que quando um começa a despontar, a gente vai pegando na mão do outro, que vai pegando na mão do outro, que vai pegando na mão do outro, sobe todo mundo, entendeu? A constelação inteira brilha, todas as estrelas brilhando. É, não tem de falar, ai, tá saturado o mercado meu. Não tá, não tá. Você pode vir que tem espaço para todo mundo, para todo mundo.
E eu acho lindo ver a galera arrasando. Eu, a minha missão de vida assim de verdade é ensinar e ter essa troca com as minhas alunas e alunos. E ver eles se transformando, ver a vida deles se transformando. Então transforma, transforma demais. E tu é tipo, eu escuto histórias diárias assim inacreditáveis. Tem gente que olha para minha cara, começa a chorar, sabe assim? Ai, você me salvou! Eu falo, eu não, foi você, boa vontade que salvou, sabe?
Mas eu tava ali como ferramenta.
Exato, mas essa ferramenta ela é criada para isso. Isso, para transformar a vida das pessoas mesmo. O crochê é só uma ferramenta que a gente conseguiu chegar lá. Mas é o meu maior orgulho, com certeza, minhas alunas, ver elas ali desfilando, a carinha. E elas fizeram um segundo desfile, né, porque tinha a galera usando as modelos com as roupas, e depois elas entraram, todas estavam de crochê. Então foi muito lindo, assim, com sorrisão, né?
Elas ficaram muito contentes, que imagina, é o que a gente tava falando agora, tem oportunidades, né? Não é todo mundo que tem oportunidade de subir numa passarela com uma modelo profissional, maquiagem, né, fazendo parte de um desfile, poder subir na passarela mostrando que foi você que fez. Então isso foi uma oportunidade muito legal. Elas amaram, eu amei.
Não, abriu uma porta incrível, né?
E é legal ver ali as outras artes, né?
Dá voz para juntar as artes também, né? Teve o crochê com a resina agora, né? Inclusive, você já teve alguma experiência com a resina? Não teve nada ainda?
Olha, resina eu só usei uma vez, mas assim, eu já tenho muitas ideias com resina, só não parei para pensar nisso, mas para fazer, né, para Tá? Mas eu fiz um curso de escultura.
Legal.
E aí nesse curso de escultura eu fiz uma escultura de que era uma irmã em massa mesmo, era escultura em massa, a plastilina, isso, ou óleo clays. Aí a gente fez a parte de cima sendo um rosto, uma coisa meio sereia. E a saia dessa sereia eu fiz toda com renda, e eu fui passando a resina nessa renda e ela virou uma estrutura sem uma estrutura dentro. E a gente foi fazendo todo esse trabalho de esperando secar, não sei o quê, e ficou parecendo tecido, mas super duro.
Ficou lindo. É uma coisa que eu, eu tô agora abrindo um novo ateliê para eu trabalhar mais essa parte das artes. E nessa parte das artes eu vejo muita resina participando para essa, para fazer esses contornos, esses movimentos, essas durezas, né, os lugares que a gente precisa que seja, que seja mais estruturado. Acho muito legal.
Ela já saiu daqui com kit completo. Quer mais cafezinho?
Obrigada. Não, já vamos brincar, óbvio.
Resina.
Ela falou, quero brincar de resina. Eu falei, então você vai receber um playground em casa.
Eu adoro fazer experiência. Artes, né? Eu faço vela, faço mosaico, faço, eu faço muitas outras artes que eu tô para criar uma oficininha.
Quem pediu foi a Chuchu, ela falou cria para gente, a de Cíntia Nicolau.
Ah, que amor!
Só para as crocheteiras, para poder testar, para poder elas aprenderem a mexer com resina e destravar as ideias nelas. É legal porque hoje estão duas principais resinas ali que estão, é espírito Dos principais resinas que estão, que estão, que estão em alta no crochê, a 180W, que é para impermeabilizar o tecido sem mudar muito a dureza dele, a epóxi se você quiser enrijecer total, né? Vou criar, chamar também, aí a gente faz uns 2 dias aí. Seria legal, hein?
Tô pronta, tô pronta. Já sei até o que eu vou trazer. Eu sou do jeito, do jeito que ela é, do jeito que ela é. Se você demorar 2 meses, quem vai dar aula é Olha, eu vou falar que eu sou, eu não duvido, de aprender coisa nova.
Então corre, então corre para você não perder seu posto.
Fala aí então, é uma dúvida minha. Você falou em relação às suas alunas, você também tenta ensinar para elas, para elas terem uma, elas tentar direcionar algo com a personalidade delas, elas criarem algo diferente?
Total, eu ensino minhas alunas a criarem, eu ensino elas a realmente é assim, ó, Você vai aprender o crochê, você fazer o que você quiser. Quer copiar? Você vai saber copiar, porque você vai olhar a peça, saber que ponto que foi feito, porque você tá com o olhar treinado, entendeu? Aí você pensou numa peça, você quer fazer, você sabe como é que faz, sabe a lógica para fazer, porque você trabalha em cima de lógica. Crochê é matemática, é forma geométrica. Então, a partir do ponto que você destrava isso, você consegue tirar.
Quando você olha uma peça, eu devia ter vindo com a roupa que eu faço qualquer coisa. Com jalequinho que o Ivan me deu.
Eu tenho cliente que fala até, eu tenho medo de pedir para Anne as coisas porque ela faz.
Se você olhar um jalequinho que o Ivan me fez, você consegue fazer uma logística reversa de como ele fez o negócio?
Perfeitamente.
Que doido, cara!
E se você quiser que eu copie exatamente igual, você copiar. E se você quiser saber, falar qual ponto foi, qual fio foi, eu sei dizer.
Eu acho que você é uma impressora 3D.
Gente, são 20, ó, eu tenho 41, eu aprendi com 12.
Caraca, eu acho que você é uma impressora 3D humana.
Mas é, querendo ou não, a lógica da impressora 3D é a mesma. Você vai construindo ali pontinho por pontinho. A gente pode falar que é um pixel, né, que cada ponto é uma, é uma imagem. Você constrói o que você quiser. Se eu fosse para uma ilha deserta e pudesse levar um objeto, uma coisa, ia ser uma linha e uma agulha. Meu estojo de fio, meu estojo de agulha. É que com a minha agulha eu construo tudo, construo casa, posso construir, eu posso construir o que quiser, posso fazer minha tenda, posso pescar, posso fazer tudo.
Olha só, olha só. Manda, Thomas.
A Vitória tinha uma pergunta aqui, mandou: hoje com tanta coisa sendo produzida rapidamente, o que o tempo e o processo manual representam para quem compra uma peça artesanal? Boa pergunta, hein?
Quando você tá comprando uma peça artesanal, você tá colaborando com todo um sistema, né, que no final das contas trabalha em casa. Então você não pega ônibus, você não polui, você não fica perdendo mó tempão da sua vida em trânsito. Você tá vestindo um pedacinho daquela artesã, praticamente, né? Porque a pessoa, ela dedicou o tempo dela dedicou estudo, dedicou tudo ali naquela peça. E aí quando você compra, você tá comprando aquele amor.
E eu até quando eu comecei a marca, eu falava para as crocheteiras, meu, você tá de mau humor, tá irritada, não faz, não faz, porque essa peça vai ficar encalhada e não vai vender nunca.
Porque eu realmente, uma energia imantada ali.
Tanto que eu falo que as mantinhas do Laços Unidos Contra o Frio, que é o nosso projeto social, que a gente doa as mantinhas Meu, quem recebe essas mantinhas recebe um abraço, Júlio.
Que da hora!
Você vê as pessoas colocando a mantinha, você vê o sorriso, você vê, você fala, cara, olha isso, ela tá sentindo essa união de tantos corações, de tanto amor, de tanta dedicação.
Mas você sabe que é louco isso que ela tá falando, Fabião? Tanto as duas roupinhas que o— as duas roupinhas não, as duas camisas não, que o Ivan fez pra gente é um colete. Os dois coletinhos que o Ivan fez e a roupa que o Alex fez, eu tenho um carinho diferente por ela, sabia? É um negócio, é um negócio diferente, é um negócio diferente, é um negócio de outro apego.
É, não é uma coisa que você fala, vou jogar fora.
Não sei explicar, não sei explicar.
É, e é o único, é uma coisa que foi feito para ele, tem todo um É intenção, tem, é uma peça diferente, é uma peça que foi feita com amor, que teve alguém que se dedicou ali. É muito triste que hoje em dia você vai numa, eu trabalhei numa fábrica de lingerie para magazines, cara, tinha assim 15 piloteiras que elas que faziam a calcinha do começo ao fim para a gente testar o modelo. Modelo aprovado, um ficava só costurando fundilho.
O outro só passando elástico, o outro só cortando fio. Essa pessoa não sabe fazer nada, você entendeu? Se você pedir para ela fazer uma calcinha, não sabe fazer. Então não faz nada do começo ao fim, você só fica fazendo, batendo martelo ali, né?
Entendeu?
Então feito à mão é isso, você tá junto com a pessoa, é muito legal. Eu de verdade assim, se eu vejo uma coisa que ela é feita à mão, para mim já é outro brilho, já é outra história, já é outro sentimento, já é outro tudo. É bem importante a gente valorizar as coisas feitas à mão. Tipo, em vez de comprar as 5 blusinhas baratinhas que vai morrer em 3 lavagens, compra uma bonitona que você vai usar do seu dia a dia também, que você vai cuidar, que não vai virar lixo logo, que ela é atemporal, né?
Eu acho que tem muito espaço ainda. Sem ser essa coisa que tem que ter um consumo exacerbado. Você não tem que vender muito para você ganhar dinheiro, você tem que vender o que você consegue produzir para ganhar o que você quer no mês. Você vai trabalhar na sua casa, isso é sensacional. Então você tem que colocar o preço dessa peça para você conseguir. Não é tipo, eu vou fazer um monte, eu vou fazer baratinho e eu vou vender. Não, porque isso só você perde.
Se você entra no artesanal com uma consciência de massa, você tá perdendo. É aí que acontece a galera que falar que ninguém valoriza ou que vende muito barato. É isso.
Quando você vê, você tá trabalhando que nem doido e não tá vendo dinheiro ainda e tá atrapalhando todo o mercado aqui, né?
Não, eu passei por isso, porque lá no começo eu vendia para minhas amigas. Aí eu vendia, vendia, vendia, vendia, nunca tinha dinheiro. Eu falava, gente, então alguma coisa errada. Aí que eu fui entender que minhas amigas não eram meu público. E aí que aconteceu, eu comecei a procurar o meu público, achei o meu público. E aí quando era aniversário de uma amiga, eu dava um presente. Ou, ai, quer muito essa peça, eu fazia um preço especial.
Ou falava, vai, faz umas fotos para mim. Eu ia também, elas não eram minhas clientes. Ai, eu queria muito esse vestido, mas eu não posso comprar. Então não compra. É simples assim. Tem tantas coisas que eu quero na minha vida que eu não posso comprar, eu não vou comprar, ué. Não vamos baixar o preço da Defender só porque eu quero ter uma, né?
Ô, Beluzão, antes da gente ir pro bate-bola, eu acho que ela falou num assunto que eu queria saber mais em relação a esse projeto social. Como funciona, né? Você pode falar um pouquinho mais pra gente?
Posso. Eu, como não tenho nada pra fazer, resolvi fazer uma coisa a mais, né? E aí a gente tá há 14 anos, esse ano foi a 15ª edição. E eu comecei indo no parque com um grupo de crocheteiras que já fazia gorrinho e fazia o kit maternidade de crochê, que é as meninas do Amor em Pontos, umas queridas. E aí a gente, no primeiro ano que eu comecei o movimento, A gente já conseguiu fazer 60 mantas, custo zero. A gente conseguiu os fios junto com as minhas parcerias e já fizemos 60 mantas para doar.
A gente falou, nossa, que irado! E aí todo ano a gente fazia 3 encontros no Parque da Água Branca, as crocheteiras iam lá, teve, tinha gente que ficava o ano inteiro fazendo, isso foi aumentando. Faz 5 anos que a gente doa mais de 1000 mantas por ano. Esse ano foi 1.300 e alguma coisa, sempre em junho, julho ali. É, na verdade, a entrega das mantas é até a primeira semana de junho, tá? Mas, por exemplo, a contagem vai até dia 10 de julho, dia 10 de junho, que conta a contagem do ano.
Mas a galera vai entregando depois, a gente também já vai distribuindo, que a gente distribui para orfanatos, asilos, hospitais de retaguarda, comunidades. A gente sempre, né, vê direitinho para essas mantas chegarem nas mãos das pessoas mesmo, né, e não ir parar no bazar da igreja, né. Então é um projeto maravilhoso. E hoje em dia eu consigo arrecadar dinheiro bastante assim, tipo, de aniversário eu peço Pix, peço para todo mundo.
É de tempos em tempos eu faço campanhas para reverter para o projeto. Tem às vezes um curso que eu vendo para reverter para o projeto, às vezes eu vendo umas roupas minhas para reverter para o projeto. E aí todo dinheiro arrecadado a gente compra fio, a galera pega fio no ateliê, faz as mantinhas. Tem gente que faz quadradinho, que é o quadradinho 30 por 30, qualquer quadrado ajuda. A gente junta e faz as mantas. E tem gente que faz, teve uma pessoa que entregou 40 mantas Teve uma pessoa que entregou um ano 80 mantas.
A galera que fica o ano inteiro, né, em prol disso, né, que faz bem para quem recebe, faz bem para quem faz, né?
É muito doido. Eu acho que às vezes mais para quem faz, né? É muito de ajudar assim, a gente se sente—
é uma galera de todas as idades. Esse ano a gente fez um encontro só por causa da correria da vida e o Parque Água Branca foi dominado. Tinha crocheteira para tudo quanto é lado. Antes a gente ficava só no espaço piquenique. Dessa vez você olhava assim no parque, todos os lugares tinha gente fazendo crochê. Tava incrível, foi lindo o encontro. Inclusive, quem quiser participar, o Instagram do Laços Unidos é @laçosunidos, Lacos Unidos, né?
Lá tem tudo, endereço para buscar fio, para entregar fio, para entregar a manta, os dias dos encontros, das quantidades de manta. Mantas que a gente já entregou. Mas é incrível, né? Mil mantas feitas à mão, né? É muito amor envolvido, né?
Pensar que vocês criaram um evento desse.
Sim, o que eu acho mais legal é que tem muita gente copiando esse evento.
Que copie!
Exatamente, fiquem à vontade.
É o galerão, é isso aí, é o galerão. Então, Laços Unidos, é Laços Unidos. No Instagram. Sigam lá.
E a escola, gente, a escola de artes manuais, o meu é @annezgalante no final.
E essa é a escola, como que, como que funciona a escola? É tudo curso hoje online? São vários cursos lá dentro? É mensalidade?
Como que é anual? A inscrição é anual, tá? É o portal IAM, porque antes eu vendia o curso de design, o curso de biquíni, o curso curso de não sei o quê. E aí ficava essa bagunça, porque o curso de design é obrigatório e ele, os outros vão complementando. E se você comprasse vários cursos separados, você gastava uma grana também, que, que enfim, talvez não tivesse tão ligado. Falei, cara, eu quero democratizar isso, eu não quero que a pessoa fique comprando curso de R$400, R$500, R$300, sabe?
Eu quero democratizar isso. Como que eu faço para democratizar isso? Junto tudo no lugar só. Então tem a escola de empreendedorismo, tem o curso de design em crochê, tem curso de top-down, que são as peças feitas de cima para baixo, tem curso de calça, curso de vestido de festa, curso de biquíni, curso de acessório de verão, acessório de inverno, de bolsa, de tricô. Tem assim mais de 25 cursos, tem mais de 150 peças prontas que você pode só seguir ali o passo a passo.
Passo a passo.
Só que o meu curso não é só seguir. A partir de uma base, eu te ensino a fazer variações para você chegar no processo que você quer. E aí você paga uma mensalidade, você contrata anual e vai pagando uma mensalidade baixinha mensal. É tipo, a gente foi chamado de Netflix do crochê no jornal, e é realmente isso. As pessoas falam, ai, mas eu não queria fazer o curso de tal coisa. Eu falo, tudo bem, eu detesto filme de terror. Mas você consegue assinar o Netflix? Não consegue. Ai, um ano é muito pouco. Eu tenho aluna comigo há 8 anos.
Caramba!
Porque eu sempre vou colocando coisa nova, sempre vou atualizando o material também, e sempre tem novidade. A gente sempre tá avançando, sempre tá estudando mais. Vai entrando curso de empreendedorismo, porque foi isso, elas começaram a arrasar nas peças, mas não sabia como vender.
Você que apresenta todos?
Todos.
Que legal!
E aí eu tenho hoje em dia 24 artesãos convidados que dão aula.
Dá uns módulos ali, legal.
É, cada um dá uma aula de uma peça.
Que legal!
Mas o portal todo assim, tirando os especialistas convidados, sou eu. Enfim, é uma aventura, mas eu consegui democratizar. Aí tem gente que fala, ai, não consegui assistir tudo em um ano. Ninguém nunca vai conseguir.
Se algum dia alguém entender, será que em um ano você assiste todos os filmes da Netflix?
E outra, ninguém é, não é para assistir, porque um sai, aí entra outro, aí vem outro, você nunca vai conseguir. Não é, não é essa intenção. A intenção não é terminar, ninguém nunca vai conseguir terminar, até porque é infinito. Porque se de uma peça você consegue fazer infinitas variações, como é que você vai falar que vai acabar? Não tem como, é impossível. E aí vai ficando, né? Porque É uma comunidade linda. As alunas cada vez estão arrasando mais, assim.
A gente tem um prêmio que é a Agulhita do Mês, que é a peça do mês que rola a votação. E eu escolho 8 por mês para elas votarem nessas 8. Não, gente, impossível. Tá ficando impossível, impossível. Eu falo, a gente não consigo, não consigo, porque elas estão assim, colocar um monte de jurado aí Tira isso da sua mão. É do tipo isso, vai começar a virar um evento assim, porque realmente tá, elas são muito boas.
Que da hora!
Então, muito, você vê a evolução assim, você fala, cara, imagina, uma aluna minha nunca tinha feito crochê na vida, em 3 meses de curso ela ia casar. Em 3 meses de curso ela não encontrou o vestido que ela queria para casar, falou, vou fazer. Caraca, fez o vestido em 6 meses, em 6 meses de curso ela estava casando com vestido que ela criou e ela desenvolveu e ela que ela fez. Então assim, o método existe, o método funciona, já é mais do que testado e aprovado, tem suporte comigo.
Você tem dúvida, você me manda email, eu te respondo. Então assim, é muito completo, é a escola dos meus sonhos. Porque se eu tivesse tido isso lá atrás, meu Deus, o que eu aprendi nesses 29 anos tá resumido ali num pocket, sem você ter que cair nos buracos que eu caí, sem ter os erros que eu errei. Né? Você desmancha muito menos, você faz muito mais rápido, porque você faz com lógica, você não tá testando, não é tentativa e erro, é acerto garantido ali.
É maravilhoso, sensacional, sensacional!
Eu amo.
Como que é o arroba?
@escolaardeartesmanuais. É a maior escola de artes manuais do mundo. Uau, sabe, meu bem? E não é à toa, né?
Porque realmente, barulhinho das palmas aí! Tem, ó, peguei ele, peguei ele desprevenido, mas tem barulhinho das palmas.
Só não pode ser o país.
Aí, barulhinho das palmas! Quer mandar uns salves aí, Tom Henriquez? Como tá a galera?
Vou preparar uns salves aqui então.
Manda aí para a gente mandar aquele beijo. Vai falando de onde você tá falando, vai lá na nossa foto do Instagram que a gente postou agora. Fala lá que você assistiu, que tá assistindo ou que vai assistir. Deixa um like naquela foto e manda aí um salve pra gente.
E quem não faz crochê, bora fazer, gente!
Quem não faz crochê, bora fazer!
Agulhas ativadas!
Certeza, 2 anos menos, menos.
Mas se quiser pagar o portal 2 anos também, eu não vou achar ruim. Se quiser pagar o portal e não fazer, eu também não acho ruim. E o bom de curso online tem isso, né, que assim a pessoa faz a hora que ela quer. Ela me tem 24 horas, entendeu? Nos cursos presenciais, se você tinha uma dúvida, você ia tirar na próxima semana só. No online não, você tá ali comigo 24 horas.
Vai e volta se precisar no curso, você não entendeu, ouve de novo.
Exatamente. Pode deixar lento, pode deixar mais rápido, você faz o seu rolê. Aí tem pouco tempo, vai com calma. Ah, tenho muito tempo, vai com tudo.
E além desse evento beneficente, você tem outros eventos presenciais durante o ano?
Olha, o nosso sonho é fazer um super evento presencial, congresso do crochê, um encontrão das agulhas. É muito emocionante o encontro físico.
Você falou que 70 mil alunos já passaram, 40 mil alunos. Pega o Allianz, o Nubank Park agora, né?
Pega o Nubank Park para fazer então, porque senão, se você for pensar esses eventos online, essas semanas do crochê que eu faço, imagina uma média de 250 mil pessoas então fazendo crochê. Então é demais, pô, você fazer, mesmo que online, você fala, cara, tem gente do mundo inteiro aqui fazendo. Porque eu tenho aluno em 20 países.
Sim, sim, sim, sim.
Mas nessas semanas do crochê que são gratuitas, meu, 250 mil pessoas é muita gente que passa por ali. No Maracanã é 70 mil Maracanã, acho que é hoje uns 80, 70. Imagina, gente, 24 Maracanãs?
Porra, gente, coloca 200 mil pessoas na sua frente, é gente, hein? É gente, hein? Aprendem com você, replicam com alguém próximo. Sim, com certeza.
Não, eu tenho alunas que viraram professoras, com certeza.
Ah, o Ivan não tá dando aula em loja aí?
Um monte de—
mais de 1 milhão você deve estar atingindo fácil.
Total, total. Você tá falando do Ivan? Quem é meu aluno é o Igor. O Igor Eusébio que fez o da, o da, ele também veio aqui. Sim, mas foi ele que fez o da resina.
Sim, mas o Ivan também fez. O Ivan fez o, mas eu sei quem é o Ivan, adoro. O Ivan ele fez aquela que é um colete com as bolinhas de resina.
Lembrei, lembrei, lembrei, lembrei, lembrei. É, ficou bem legal, lembrei.
Irado, né? E o Eusébio também é maravilhoso, cara. Igor Eusébio, puta merda.
O Igor eu tenho certeza que ele é meu aluno, o Ivan não sei.
Mas ele fez sim aquela que é um, tem um tipo uma asa atrás assim, né, que é sensacional.
Legal demais.
Vamos lá, é bom dar uns salves aqui então. Coração de Resina tá aqui com a gente, sempre com a gente. Ela mandou: eu amei essa blusa de crochê que a Ana está usando, é um macacão. Imagine dessa blusa toda também toda preta, linda.
Nossa, dependendo do rolê, mais escura assim, se vai no rolê à noite e tal.
Essa tem no curso.
Cozinha Fake mandou: como você chegou no Summit 2026? Estive por lá e vi suas peças.
Eu tenho um nome já no mercado, né? Então quando fala de grandes instalações em crochê, com certeza acaba chegando em mim rapidamente.
18 anos não são 18 dias, já falei, já falei.
E aí é isso. Elas me chamaram com um tempo bem curto, a gente fez em 30 dias, e eu também sou a louca que topo, entendeu? Não é todo mundo que topa nesse tempo de realizar essa história. Então fui chamada e montei o layout, falei bora, bora que bora, vamos nessa, vamos nessa.
O seu trabalho lá, mesmo sem saber que era dela, você vê a assinatura dela.
Parece que cada artista pode fazer o mesmo trabalho, quem foi que fez, porque é original, né?
Acho que deve estar dando sim para ouvir.
Não, quando é original dá para saber.
Aí eu encontrei a Cíntia Nicolau, ela falou, olha, da onde a galante é? Manda autoria, né?
Autoral total. Vamos ver. Aqui a Albertoli Estúdio mandou maravilhosa.
É minha aluna Chiquérrimo, ela que tá fazendo a noiva. Ah, que legal! Desfilou, foi com look bafônico no desfile.
A Manuela mandou boa tarde.
Ela é uma das que complica minha votação da Agulhitas do Mês.
A moça que fez, porque meu Deus, ela não fazia nada de crochê, gente. Que da hora!
De repente ela começou a fazer Pega, Lucas!
Bela Lende apareceu aqui.
Olá, beijão, Bela!
Marina Alves, boa tarde! Juliana, apenas Juliana, boa tarde, pessoal! Ju! Beto Iacovella aí. Vitor Augusto, uhul, finalmente chegou quinta, dia de podcast! Deixa eu ver aqui, deixa eu subir mais um pouquinho. Cozinhas Fake, Cozinha Fake aqui mandou um salve também. Conheço assim.
Salve, Cozinha Fake!
Acho que foi isso, Beduzão. Posso mandar um bate-bola?
Manda bate-bola! Tá começando o bate-bola da resina com Tom Hanks brasileiro.
Bora, galera! Então vou mandar um bate-bola, né? Te mando uma pergunta, aí resposta rápida.
Ah, isso é difícil. Ou escolher um ou outro, né? Ou responder em poucas palavras. Isso, vamos lá, vamos ver o que o Tom Hanks preparou para a gente.
Crochê ou tricô?
Indiferente. Não, escolher um ou outro, não consegue, não consegue. Ascendente em Gêmeos, ó, só pode muretar uma, hein? Essa eu deixei você muretar.
A gente só vai acabar o episódio quando você falar sua resposta. Tá, vamos lá. Peça perfeita ou peça com personalidade?
Com personalidade. Com personalidade é perfeito.
Fazer por paixão ou para vender?
Ai, também os dois, né? Porque paixão não paga conta, mas se eu amo, eu sou com a paixão que a gente consegue vender.
Só que se você fizer só para vender, não vende também, né?
É, se for só para vender, se você fizer sem tesão, também fica lá.
Exato, os dois, né? É, essa não tem como fugir.
Ai, gente, vai ser muitas duplas.
Qual peça? Ela já tá, já, já. Como é a palavra que você falou que você Só pode muretar uma.
Muretou uma. Essa que você respondeu agora realmente—
Qual peça você mais gosta de criar?
Roupa.
Aí, ó. Com crochê ou com tricô?
Olha, é das duas técnicas. Depende do que eu quero. Se eu quero um casacão, se eu quero um vestido mais justo, se eu quero um ponto mais rendado.
Mas se tivesse que ir para ilha deserta, você levaria uma linha de—
Agulha de crochê.
Não, não, mas a linha de agulha de crochê. Então você gosta mais de crochê então?
Não, não é uma questão de gostar, é uma questão de agilidade de conseguir fazer as coisas. Eu faço crochê mais rápido que o tricô.
Quase peguei ela.
Por último, qual conselho você daria para quem quer viver de artesanato?
Acredita, foco, fé, força, garra e determinação. Porque quando você quer uma coisa e você faz uma coisa, você bota uma meta e vai naquele caminho, não tem como dar errado. O problema é que as pessoas ficam, né, com dúvida, aí fica pulando de galho em galho, não, e fica no lugar do conforto mesmo, sabe? Do tipo, tem a história do pintinho que eu adoro falar. Os pintinhos estão andando no pasto, a vaca foi lá e cagou em cima do pintinho.
Aí os outros pintinhos: pintinho, sai dessa merda! E ele: ah, mas aqui tá quentinho. Então a gente tem que tomar cuidado com esse lugar quentinho, né? Porque A gente tem que, é, você não tá enxergando e você pode mudar sua vida. Só que só você pode mudar sua vida. Você pode ter pessoas te orientando, né? É muito mais fácil se você tem alguém para pegar na mão e junto, mas é só você que pode fazer por você. Então quem quer consegue.
Que finalização!
É isso aí, que finalização! Então repita mais uma vez as redes para a galera seguir, por favor, que são várias, são pelo menos 3, né?
É, eu vou falar 3.
Então manda.
É @laçosunidos, o projeto social, é sem cedilha. @annegalante, com 2 N's e galante com E no final. E @escoladeartesmanuais, que é a escola online.
Seguindo essas 3, tá feito.
Tá feito.
Tá feito. Meu, que papo sensacional! Não tem como, né? A pessoa que sabe falar, a pessoa que sabe se expressar, explicar, vai e vem. Nossa, podcast, ele passa, passa voando, cara. Ó, já deu 2 horas de—
só mais uma coisinha, canal do YouTube, esse é importante para quem quer aprender o crochê sem ainda fazer um curso, só para fazer o teste, para ver se gosta. Tem o Anne Galante também, Anne Galante tracinho Escola de Artes Manuais, mas se colocar Anne Galante lá aparece.
Pode colocar esse podcast como collab no YouTube também?
Pode, pode demais, claro. E quem quiser ver as minhas coisas de artes, né, o prédio que eu cobri, as instalações gigantes, tudo, aí é anegalante.com, sem o BR, só ponto com.
É um site, é meu site. Ah, legal, legal.
Dá para dar uma explorada lá.
Agora que a gente chamou a Anne, ela já tem o primeiro episódio, a gente conhecer na história dela. Episódio especial com a Marie. Ivan, bora!
Pode chamar a Cíntia, pode chamar a Cris, pode chamar todo mundo. Amanhã eu vou fazer um podcast com a Marie e com a Cris.
Chamar essa galera, chamar essa galera, eu só falo boa tarde, pessoal, e solto eles aqui.
A gente é boa.
Vocês me ensinam a fazer os primeiros pontinhos, por que não? É, ó, gostei, gostei. Seria bom, hein?
Seria bom.
Então muito obrigado por ter participado do nosso bate-papo. Fiquei muito feliz com a sua vinda aqui. Sempre legal receber pessoas tão relevantes quanto você, que perderam a tarde aqui para conversar com a gente. E conta com a gente aí porque você precisar, sempre que quiser voltar para divulgar alguma coisa, para falar. A casa é sempre sua.
Vocês estão sentindo cheiro de resina no ar, gente? Vocês estão sentindo que vai entrar uma resina com crochê aí? Então, certeza, eu que agradeço a paciência porque eu demorei muito para conseguir uma data, gente, desse podcast. Mas eu tô muito feliz que deu certo, foi uma delícia. Obrigada por todo mundo que assistiu, espero que tenha mudado umas chavinhas aí, né, para a gente caminhar. Não importa o caminho que você escolher, mas saiba que você vai vai ter que estudar para sempre, vai ter que trabalhar bastante para tudo isso dar certo, qualquer profissão, em qualquer história.
Exatamente. Nossa, concordo tudo, gente. Muito obrigado então todo mundo que acompanhou a gente. Quinta-feira que vem tem mais, se Deus quiser. Não esqueça, setembro é o mês da Fantástica Fábrica de Resina. Não sabe o que que eu falo sobre o que que é isso? Vai no Instagram da Rede Liz para entender melhor. E estaremos na Criativa, são Criativa Campinas, perdão, E você pode adquirir os ingressos no link que tá aqui na descrição ou no QR code que apareceu aí no início do episódio, nos, no, para adquirir os seus ingressos.
Fechou? Criativa Campinas, do dia 4 a 7 de novembro, estaremos lá com muitos cursos, preços especiais e muita felicidade para receber vocês lá no nosso estande. Gente, um abraço do Beduzão e falou, até mais!
Criativa Campinas
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