S42E5- A comunidade Espiritual #217
Seguimos aprendendo sobre a vida em comunidade, agora refletindo mais atentamente sobre relacionamento uns com os outros, mediados pelo Espírito. Nesta primeira mensagem da série "A Comunidade Espiritual", somos convidados a abandonar nossos "diferenciais" e o orgulho, e a decidir permanecer unidos aos nossos irmãos por meio das nossas aflições. Mensagem ministrada pelo Pr. Filipe Dinato.
Alex
Filipe Dinato
Pedro
- Alimentação EspiritualVida em comunidade · Relação mediada pelo Espírito · Abandonar diferenciais e orgulho · União nas aflições · Comunidade divina · Filhos de Deus · Edificação sobre a cruz de Cristo · Habitação pelo Espírito Santo · Formação espiritual comunitária · Larry Crabb · O Lugar Mais Seguro da Terra · Comunidade de mãos vazias · Comunidade aflita · Efésios capítulo 2 · Reconciliação cósmica · Reconciliação comunitária · Mãos vazias · Vida da ressurreição · Comunidade das mãos perfuradas · Ceia do Senhor
- A Natureza Humana e a Necessidade de GraçaMortos em transgressões e pecados · Seguindo a ordem deste mundo · Príncipe do poder do ar · Escravos dos desejos pecaminosos · Merecedores da ira de Deus · Nenhum mérito humano · Necessidade da graça divina
- A Obra de Cristo e a Nova CriaçãoSalvação pela graça mediante a fé · Ressurreição com Cristo · Assentados nas regiões celestiais · Nova criação em Cristo Jesus · Vitória sobre o pecado, diabo e mundo · Vida eterna começando agora · O sangue de Cristo · A cruz do Calvário
- Solidariedade em Cristo: ressurreição e assento celestialDestruição do muro de inimizade · Acesso ao Pai pelo Espírito · Unidade em Cristo · Paz em Cristo
Boa noite, igreja. Obrigado. Sejam bem-vindos, que bom que vocês estão aqui. Uma alegria.
É um privilégio, uma responsabilidade compartilhar a Palavra de Deus hoje com vocês. Como o pastor Alex mencionou, nós estamos iniciando uma nova série. Ao longo desses últimos meses, ou na verdade desses três meses, abril, maio e junho, nós estamos olhando para a vida em comunidade. Nós já entendemos que o Senhor nos chamou para vivermos em comunidade. Afinal de contas...
o Senhor é em si mesmo uma comunidade de amor. E ao nos salvar, ao nos alcançar, ao fazer de nós nova criação, Ele nos inseriu nesse fluxo de amor da trindade, nessa relação divina. E também nos inseriu em um corpo, em uma comunidade, a comunidade de Cristo, o povo de Deus. E nesse contexto, nós vivemos.
Exatamente por isso que ao longo do primeiro mês, do mês passado, nós olhamos para a comunidade divina, afinal de contas, se somos inseridos em uma comunidade, o modelo para essa comunidade é o próprio Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo.
Vimos ao longo do último mês que nós somos chamados como filhos de Deus. Temos um mesmo Pai. Somos edificados sobre a cruz de Cristo. Redimidos, perdoados, reconciliados. E habitados pelo Espírito Santo de Deus. O Espírito que nos une a Deus e também uns aos outros. O fundamento da nossa unidade...
do nosso pertencimento ao corpo.
Esse Espírito que nos une também é o Espírito que nos transforma. Como vimos há dois domingos com o pastor Pedro, na carta de Paulo aos Efésios, capítulo 2, verso 22, o apóstolo Paulo diz assim, ao falar sobre a comunidade de fé, sobre o corpo de Cristo, ele diz, nele, em Deus, em Cristo Jesus.
Vocês também estão sendo edificados juntos para se tornarem morada de Deus por seu Espírito. Esse verso é maravilhoso, é poderoso. Ele nos diz que nós estamos sendo edificados juntos. O termo que é traduzido nessa expressão longa é, na verdade, uma só palavra no grego.
E traz, carrega consigo a referência a um processo de transformação, a uma edificação, a uma formação que é quantitativa, ou seja, mais pessoas sendo adicionadas à comunidade de fé, mas é também qualitativa, uma formação do nosso caráter, do nosso coração. Mas essa palavra traz algo mais.
Ela nos diz que essa formação é comunitária. Nós estamos sendo edificados juntos. A formação espiritual é, em sua essência, comunitária. Nós somos formados pelo Espírito em meio ao corpo, à comunidade preenchida e permeada por esse Espírito. Ao longo...
de todo esse mês de maio, nós olharemos para esse processo de formação que é comunitário e que é mediado, operado pelo Espírito Santo de Deus. Afinal de contas, como vimos também, o Espírito forma, transforma e conforma a comunidade espiritual.
Essa comunidade, a comunidade espiritual, é uma comunidade vivificada e movida pelo Espírito Santo de Deus. Ou como Larry Crabbe diz no livro O Lugar Mais Seguro da Terra, o livro que tem fundamentado os nossos estudos em comunidade, e que eu quero recomendar fortemente que você leia.
Ele diz assim, falo da comunidade espiritual como um grupo de pessoas que vivenciam um tipo de união que só o Espírito Santo torna possível. Um grupo que se move em boas direções e quer fazê-lo, pois o Espírito está em ação. Afinal de contas, como o próprio Leo Crabbe diz, a união em Cristo estimula o movimento rumo a Cristo.
A formação espiritual comunitária é uma obra do Espírito. O Espírito está nos movendo. A direção é Cristo Jesus. O caminho é aquilo que Ele mesmo está fazendo. Esse é um processo, queridos, desconfortável. Afinal de contas, a transformação nunca é fácil.
Ela expõe as nossas mazelas, as nossas dores, as nossas feridas, o nosso orgulho, os nossos pecados.
Mas esse também é um processo glorioso. Um processo de transformação mediado pelo Espírito que nos forma a imagem de Cristo e, por isso, gera cura, restauração, profunda transformação. Essa é a jornada da comunidade espiritual. Uma jornada que tem ponto de partida, movimento e direção.
Uma jornada em que o Espírito Santo de Deus está em ação, promovendo com graça e poder uma obra gloriosa. Ao longo dessa série, a série em que nós olharemos para a comunidade espiritual, nós queremos compreender, contemplar e participar do que o Espírito está fazendo em nós, em nossa comunidade.
E para isso, nós olharemos para algumas características, algumas marcas da comunidade preenchida, permeada pelo Espírito Santo de Deus. O ponto de partida dessa jornada, o ponto de partida para a comunidade espiritual, é a aflição. Afinal de contas,
A comunidade espiritual é uma comunidade aflita. Uma comunidade de aflitos. Ainda nas palavras do Larry Crabb, só as pessoas aflitas partilham a comunidade espiritual. E talvez você tenha vindo hoje para ouvir sobre poder, vitória, glória. E nós falaremos disso tudo.
Mas para que cheguemos lá, precisamos antes reconhecer, olhar para dentro, para a nossa situação, para a nossa condição e reconhecer a nossa profunda aflição.
Para nós compreendermos a comunidade aflita, nós olharemos para todos os versos que estão antes, no capítulo 2, daquele verso que nós lemos. Nós leremos o capítulo 2 da carta de Paulo aos Efésios, uma carta que foi provavelmente uma carta circular, enviada às igrejas da Ásia Menor, que conclamava as igrejas a viverem à luz da realidade do Evangelho.
a se apropriarem, a viverem comunitariamente a luz da cruz, do túmulo vazio e da exaltação de Cristo Jesus. Nós leremos juntos a carta aos Efésios no capítulo 2. Eu quero te convidar nesse momento a ficar de pé para lermos a palavra de Deus, nos colocarmos com reverência diante da palavra do Senhor, a palavra que nos dá vida.
Você pode abrir a sua Bíblia de papel. Se você não trouxe, o texto aparecerá nas nossas telas. Mas eu quero te encorajar a trazer sua Bíblia, a manuseá-la. Você pode, não é pecado, rabiscar, marcar, grifar. Você pode trazer e, de preferência, ler em casa durante a semana. Vamos ler a palavra de Deus que está na carta aos Efésios, capítulo 2.
E a palavra de Deus diz assim, Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência.
Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos, como os outros, éramos, por natureza, merecedores da ira. Todavia.
Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões. Pela graça vocês são salvos.
Deus nos ressuscitou com Cristo e com Ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus.
pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus, não por obras para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus, realizada em Cristo Jesus, para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes de nós as praticarmos. Portanto...
Lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados em circuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas. E que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto as alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo.
Mas agora, em Cristo Jesus, vocês que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças.
O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem fazendo a paz. E reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto. Pois por meio dele, tanto nós como vocês temos acesso ao Pai por um só Espírito.
Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce, para tornar-se um santuário santo no Senhor.
Nele, vocês também estão sendo edificados juntos para se tornarem morada de Deus por seu Espírito. Essa é a palavra do Senhor. Você pode se sentar. Queridos, o capítulo que lemos é glorioso. E eu quero já te antecipar algo.
Não há nada que eu possa falar. Não há nenhuma explicação, acréscimo, que seja mais glorioso, mais majestoso, do que o que nós acabamos de ler aqui. Ao longo desse capítulo, o apóstolo Paulo nos apresenta dois movimentos. Do verso 1 ao verso 10, nós podemos dizer...
podemos chamar esse movimento de um movimento de reconciliação cósmica. O segundo movimento, que está presente dos versos 11 ao 22, uma reconciliação comunitária. Mas estes não são dois movimentos distintos, paralelos, separados, pelo contrário. São dois movimentos que caminham juntos.
A reconciliação cósmica e a reconciliação comunitária estão intimamente relacionadas, de modo que uma não acontece sem a outra. A reconciliação cósmica implica necessariamente, obrigatoriamente, na reconciliação comunitária. E a reconciliação comunitária deriva diretamente, está intrinsecamente ligada à reconciliação cósmica.
O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito, como um gênio literário, utiliza uma estrutura textual marcante ao longo de todo esse capítulo, nesses dois movimentos. O apóstolo Paulo faz um contraste absoluto. Ele expõe um altíssimo contraste. Ele vai dizer...
numa estrutura de isso ou aquilo, antes e depois, passado e presente. Como Eugene Peterson caracteriza esse capítulo, uma descrição preto no branco, uma linguagem que contrasta morte e vida. À luz desses dois movimentos,
intimamente ligados, intrinsecamente relacionados, nós compreenderemos a comunidade espiritual como uma comunidade aflita e, em primeiro lugar, como uma comunidade de mãos vazias. A comunidade aflita, a comunidade espiritual, é uma comunidade de mãos vazias.
Nos três primeiros versículos desse capítulo, nós vemos Paulo apontar para uma condição universal. Uma condição de toda a humanidade. A condição em que todos nós nos encontramos e nos encontrávamos a parte de Cristo em nossa natureza caída.
Ele vai dizer no verso 1, vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. E no verso 3 ele vai dizer anteriormente,
Todos nós vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos, e como os outros, éramos todos nós, por natureza, merecedores da ira. A realidade exposta pelo apóstolo Paulo é chocante. Antes da ação de Deus, nósigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigonigon
Todos nós estávamos espiritualmente mortos, alienados de Deus, afastados do Senhor que é o doador da vida. E por isso, não desfrutávamos de vida. Uma morte que não era consequência do pecado de alguém contra nós, como se fôssemos vítimas inocentes.
mas que foi causada pelas nossas próprias transgressões. É por isso que ele vai dizer, mortos em nossas transgressões e pecados. Paulo aprofunda esse entendimento. Não estávamos apenas vivendo como mortos vivos, mortos que andam por aí.
Mas éramos sujeitos, submissos a um reino de trevas. No verso 2, Paulo caracteriza essa vida que é a morte. Sujeita ao poder das trevas. Isso é muito interessante, queridos. Quando declaramos a independência de Deus, não estamos declarando a autonomia humana.
Estamos declarando a submissão a um outro tipo de reino. A um reino de morte, de dor, de angústia. No verso 3, Paulo vai dizer que esse tipo de vida é uma vida escrava.
É uma vida escravizada aos próprios desejos, aos próprios pensamentos, às próprias vontades da nossa carne, do nosso pecado, os nossos desejos pecaminosos. Distante de Deus, mortos em nossos delitos e pecados, sujeitos às obras das trevas, somos escravos dos nossos desejos pecaminosos.
Refém dos nossos pensamentos. Paulo deixa claro mais uma coisa. Não há distinção. Paulo inclui todos, sem exceção, em um mesmo grupo. Longe de Cristo. Estamos todos...
mortos em nossas transgressões e pecados, escravos da nossa própria vontade, sujeitos, submissos e participantes do reino das trevas. Em seu contexto específico, Paulo inclui no mesmo bolo judeus e gentios, uma inclusão escandalosa, uma inclusão igualmente chocante.
Ao dizer, anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, Paulo está se incluindo, incluindo a sua condição, como judeu, como hebreu, nesse mesmo grupo. Mas por que essa era uma inclusão escandalosa?
Queridos, os judeus foram o povo escolhido por Deus para receber a sua revelação, a lei, para realizar seu plano de abençoar todas as famílias da terra. Eram o povo da promessa, das alianças, descendentes de Abraão, conhecedores das palavras de Moisés, que haviam sido governados por Davi, leitores comprometidos da Torá, das Escrituras. Entretanto...
Todas essas coisas, a lei, os profetas, as alianças, as promessas, o verdadeiro descendente de Abraão apontavam para o Messias, Cristo Jesus. De modo que separado deles, todas elas eram separados dele, de Cristo Jesus. Todas elas eram infrutíferas para gerar vida.
longe de Cristo Jesus, absolutamente todos eram e ainda são, por natureza, merecedores da ira. Como ele vai concluir no verso 3. Nos três primeiros versículos desse capítulo, Paulo deixa clara uma verdade universal. Não há ninguém que mereça a salvação. Não há um sequer.
que possa reivindicar de Deus algo. Não há ninguém que possa se orgulhar das suas próprias conquistas. Não há ninguém que possa se achegar a Deus com boas ações, dizendo, está vendo, Senhor? Eu mereço a sua bondade. Está vendo, Senhor? Olha tudo o que eu fiz por ti.
Não há ninguém que possa oferecer algo a Deus a fim de convencê-lo. Meus irmãos, não há mérito, não há merecimento diante de Deus. Não há esforço que seja capaz de nos justificar diante de Deus. Todos nós e cada um de nós é desesperadamente necessitado da graça.
miserável pecador. Não há nada que podemos oferecer a Ele a fim de nos tornar aceitáveis, de nos tornarmos aceitáveis.
A Deus. Não há conquistas. Não há títulos. Não há sucesso. Não há realização. Não há história familiar. Não há contexto em que você veio. Não há realização religiosa. Não importa quantas igrejas você plantou. Não há conquistas. Não há nada que te torne merecedor. Da graça do Senhor. Da salvação.
Diante de Deus, nós podemos nos apresentar apenas de mãos vazias, necessitados, aflitos, dependentes, rendidos. Como o pastor John Ortberg vai dizer, deixe de lado a imagem reluzente. Nas narrativas bíblicas, ninguém jamais encontra Deus com base na própria adequação.
Agora, queridos, se essa é uma realidade na reconciliação cósmica, na nossa relação com Deus, no que Deus está fazendo, nos unindo novamente a Ele, também o é na vida comunitária.
Nos versos 11 e 12, tratando agora especialmente dos gentios, Paulo diz, lembrem-se que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados em circuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto as alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo.
Antes da ação de Deus, estávamos separados, sem Cristo. Estrangeiro quanto as promessas de Deus. Sem esperança e sem Deus no mundo. A situação era igualmente desesperadora. Vazios, perdidos, em busca de pertencimento, em busca de fazer parte de algo.
E a separação que parecia ser agora exclusiva dos gentios, era também uma característica do povo de Israel longe de Cristo Jesus. Nos versos 17 e 18, Paulo aplica também a si e a sua origem judaica e ao povo de Israel. Duas características.
além de dizer que eram merecedores da ira também, além de dizer que viviam da mesma forma longe de Cristo. Paulo vai dizer que não desfrutavam de paz, ainda que aparentemente próximos, não desfrutavam de paz. Permaneciam em guerra, separados, marcados pela inimizade.
E, sem Cristo, não tinham acesso ao Pai. Agora, ao olhar para esses dois movimentos, algo fica evidente. Assim como nós não podemos nos orgulhar da salvação,
Assim como nós não podemos nos orgulhar de sermos escolhidos por Deus, de fazermos parte agora, de sermos agora seus filhos. Assim como não podemos reivindicar mérito ou merecimento diante de Deus. Como não podemos nos orgulhar de termos sido salvos.
nós não podemos também nos orgulhar ou reivindicar mérito na nossa inclusão na comunidade de Deus. Nós não somos feitos povo de Deus, comunidade de Jesus, filhos e filhas, comunidade espiritual, por conta das nossas qualidades, por conta dos nossos dons, por conta do nosso merecimento.
Nós não somos inseridos no povo da promessa por aquilo que nós podemos oferecer para esse povo. Pelas nossas habilidades, pelo quanto nós podemos contribuir. Não há merecimento. Somos inseridos na comunidade de Deus, na comunidade espiritual, pela graça.
Somos feitos família de Deus pela obra exclusiva da sua misericórdia. Nós não merecemos fazer parte da comunidade espiritual. E se não merecemos, nós não podemos nos orgulhar. Não podemos nos orgulhar em nós mesmos. Não podemos reivindicar reconhecimento. Reivindicar posições.
Afinal de contas, queridos, não são as nossas habilidades, as nossas qualidades, as nossas potencialidades que nos unem na vida em comunidade. Pelo contrário, são as nossas aflições. São as nossas aflições.
e não as nossas qualidades, que nos unem na comunidade espiritual. É a nossa necessidade, não a nossa fartura. É o nosso desespero, não a nossa segurança. E compreender isso muda tudo. Muda profundamente a forma como nós nos relacionamos.
Muitas vezes, nós nos apresentamos para a vida em comunidade, carregando algumas coisas. Comunidades.
Nós nos apresentamos para a vida em comunidade carregando os nossos dons, os nossos talentos, as nossas conquistas, aquilo que construímos ao longo da vida, carregando os nossos recursos, afinal de contas, alguns têm muitos, carregando os nossos títulos.
o nosso sucesso acadêmico, aquilo que nós nos orgulhamos de ter desenvolvido ao longo de anos de estudo. Carregando as nossas histórias, as histórias, a história da nossa família, as nossas realizações, carregando o nosso conhecimento. Afinal de contas, muitos de nós sabem muita coisa. Carregando...
o nosso sucesso. E vivemos em comunidade orgulhosos de todas essas coisas. Entramos para a vida em comunidade abraçando todas essas coisas.
expondo todas elas, afinal de contas, na nossa compreensão, são elas que nos definem, que nos dão valor, que nos dão segurança. Somos definidos. A nossa identidade está em cada uma delas. Esse é o chamado do mundo. O mundo nos diz, seja excepcional.
seja a diferença que você pode fazer no mundo. E passamos a viver, então, a busca ou em busca de diferenciais. Nos comparando, buscando aquilo que pode nos exaltar, nos gloriar. Mas quando, queridos, vivemos em comunidade e entramos na vida em comunidade carregando os nossos diferenciais,
as nossas conquistas e realizações, as nossas posições, as nossas certezas, as nossas convicções pessoais, político-partidárias, as nossas posições de status na sociedade. Nós encontramos dois grandes riscos, dois grandes problemas.
quando entramos na comunidade carregando todas essas coisas, o primeiro risco é de não sermos valorizados por elas. É de não sermos reconhecidos por aquilo que nos diferencia. Afinal de contas, você viu o quanto essa conquista é bonita? É redonda, verde, brilhante. Mas quando o meu irmão não reconhece, não valoriza como eu valorizo,
o que acontece é frustração. Nos sentimos frustrados, decepcionados, feridos, magoados, desprestigiados. Falamos coisas como o que o poeta falou, você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui. Eu pensei em cantar isso para vocês, mas esse não é um dom que eu possa carregar. Ao contrário do pastor Alex, uma bênção.
Me perdi. E, por fim, quando entramos na vida em comunidade, carregando os nossos dons, talentos, realizações, e não somos valorizados, reconhecidos, acabamos por nos afastar, por nos separar, por dizer, se você não vê, você não me merece.
Mas há um segundo risco. Porque na vida em comunidade, muitas vezes, nós entramos assim e outras pessoas entram assim. E, de repente, os nossos diferenciais entram em choque com os diferenciais do outro. E passamos, então, a proteger os nossos diferenciais. A nos isolar, afinal de contas, vai que você tem mais do que eu.
Vai que os seus diferenciais sejam mais bonitos. E, por fim, ganhando ou perdendo, passamos a não aceitar o outro. A não aceitar a sua posição, o seu pensamento. A diferença entre nós se torna incompatível. Afinal de contas, o meu diferencial é importante demais para conviver com o seu diferencial.
E preocupados com a preservação das nossas diferenças, vivemos com medo de que alguém possa destruir essas diferenças, minar a nossa sensação de bem-estar, diminuir o nosso valor. E nós começamos a nos agarrar de modo ansioso a tudo que temos, nossas posses, nossos títulos, nossas habilidades. Mas é a realidade, queridos.
é que quando entramos na vida em comunidade, quando passamos a viver pertinhos um do outro, na comunidade espiritual, esses diferenciais são progressivamente, às vezes mais rápido do que nós gostaríamos, destruídos, destronados.
porque nós passamos a esbarrar uns nos outros. E talvez uma pergunta sincera, uma opinião descuidada, uma mensagem não respondida, talvez um conflito. Façam com que esses diferenciais caiam por terra.
E nós perceberemos, então, a nossa fragilidade, a nossa miséria, a nossa necessidade. E haverá, então, uma opção. Sair ou permanecer. Na comunidade espiritual, o que nos une não é aquilo que nós carregamos. São as nossas mãos vazias. Completamente necessitadas.
desesperadamente necessitadas da graça do Senhor. E ao reconhecer essa condição, a nossa necessidade, a nossa dependência, a nossa miséria, nós podemos, então, nos tornar, enfim, participantes da comunidade de mãos vazias.
Como Henry Nowen diz, enquanto uma vida baseada em nossas diferenças faz com que pareçamos estranhos uns aos outros, uma vida baseada em nossa fragmentada condição e nossa necessidade de cura nos aproxima e, com isso, estimula a formação da comunidade.
Quer queiramos, quer não. A vida em comunidade expõe as mazelas mais profundas do nosso coração. Traz à tona o fedor da nossa lepra. A vida em comunidade expõe o que verdadeiramente está dentro de nós. O nosso egoísmo, as dores, as feridas que causamos e que sofremos ao longo da vida.
Seja por um constrangimento, por um conflito, os nossos medos e aflições virão à tona. E nós, então, nos perguntaremos novamente, será que devemos permanecer? A comunidade destrói aquilo sobre o que construímos o nosso orgulho.
Mais uma vez, o Henry Noem diz, o que acontece é que, justamente no momento em que você se torna membro da comunidade, quando começa a formar amizades, quando cria uma profunda intimidade, sempre entra em contato com a fragmentação mais profunda que está dentro de você e descobre suas feridas mais profundas. A comunidade tem o poder de expor as suas dores.
Mas, queridos, é nessa condição. Aflita, vulnerável, reconhecendo as nossas dores, as nossas mazelas, o nosso egoísmo. Mas abrindo as mãos. É nessa condição que nós podemos ser cheios de um novo tipo de vida.
É apenas quando nos desapegamos dos nossos diferenciais e reconhecemos que a nossa unidade está na nossa aflição, que nós podemos experimentar um novo tipo de vida. É de mãos vazias que experimentamos um coração cheio, uma vida cheia, plena da presença de Deus.
Graças a Deus, Paulo não nos deixa presos em nossos delitos e pecados, mas, não é Paulo, é Cristo Jesus. Ele não nos deixa presos em nossos delitos e pecados, há um todavia que muda tudo. Afinal de contas, a comunidade de mãos vazias é também a comunidade da ressurreição.
Após expor a condição universal de toda a humanidade, Paulo passa a expor, em mais um contraste grandioso, a vida da ressurreição. No verso 4, ele vai dizer...
Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões. Pela graça, vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com Ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus.
se antes estávamos mortos em nossas transgressões, se antes éramos escravos da própria vontade, se antes participávamos das obras do reino das trevas, agora, em Cristo Jesus, recebemos vida, fomos salvos, e não apenas qualquer vida, a vida de Cristo Jesus, a vida da ressurreição.
Por conta da misericórdia de Deus, do seu grande amor, nós somos vivificados com Cristo Jesus. Recebemos uma salvação grandiosa.
Uma salvação que significa, antes de tudo, relacionamento vivo e interativo com Deus. Recebemos um Pai que nos ouve. Um Espírito que nos habita por meio de quem clamamos Abba Pai. Não estamos mais sozinhos. A presença real de Deus está conosco, queridos. Meu Deus do céu.
Oh, Jesus, isso é grandioso demais. Nós estávamos mortos e agora é o Senhor que está em nós. É a vida do Senhor em nós. Nós éramos merecedores da ira, mas o próprio Senhor escolheu nos habitar, nos fazer seus filhos.
Nos dar um relacionamento. Nós declaramos a nossa independência. E o Senhor nos reconciliou com Ele. Ô Senhor. Experimentamos agora a intimidade. Relacionamento. Experimentamos uma vida. A vida da ressurreição.
Não apenas uma promessa para o futuro. E glória a Deus, um dia estaremos com nossos corpos gloriosos, ressurretos e como aguardamos por esse dia. Mas experimentamos uma vida eterna que começa agora. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos e que o fez assentar-se à direita de Deus, é o Espírito que está atuando na igreja com poder hoje.
A comunidade espiritual é unida, é preenchida, não por qualquer força, não por qualquer outra coisa, mas pelo Espírito Santo de Deus, que ressuscitou Cristo Jesus dos mortos. Já, hoje, agora, há uma obra em nós, operada por esse Espírito. Significa também essa grande salvação.
que nós podemos nos gloriar, estar seguros, confiar que a vitória de Cristo Jesus é também a nossa vitória. E porque Ele venceu, porque Ele venceu a morte, porque Ele triunfou na cruz do Calvário, nós também triunfaremos com Ele.
assentados agora nas regiões celestiais, nós compartilhamos da sua vitória sobre o pecado, sobre o diabo e sobre o mundo. Aquilo que nos prendia, aquilo que nos escravizava, foi vencido na cruz. Somos livres. E, é claro, ainda lutamos. Afinal de contas, ainda vivemos na presente era caída, mas desfrutamos de uma realidade vitoriosa.
a presença de Cristo em nós, e por meio dessa presença, aprendemos dia após dia com o Senhor, em comunidade, a viver a luz da ressurreição e da vitória de Cristo. Essa salvação tão grandiosa é apresentada pelo apóstolo Paulo como uma nova criação no verso 10.
Somos agora criação de Deus realizada em Cristo Jesus. Na vida da ressurreição, somos moldados à imagem do primogênito dentre os mortos, Cristo Jesus, o que ressuscitou e vive. Somos formados por meio do Espírito, aquele que nos enche da vida do Filho.
Como Dallas Willard diz, na regeneração, Deus, utilizando diversos meios, comunica a sua própria vida, a vida caída do ser humano que está separado dele. A atividade de Deus agora penetra o mundo obscurecido da alma humana e começa a agir nele e ao seu redor.
A salvação, o ser salvo, não é então uma existência humana pobre, meramente terrena, mas uma vida com uma conta celestial repleta dos méritos transferidos de Cristo. É sim uma existência humana, por mais humilde que seja, mas na qual as correntes da vida divina começaram a pulsar.
Queridos, essa é a vida da ressurreição. Mas essa vida da ressurreição é vivida e experimentada em comunidade. Porque aquilo que nos uniu a Cristo Jesus, agora, salvos, redimidos, reconciliados, cheios da sua presença e vitoriosos, somos inseridos em uma família da fé. Antes...
Estávamos longe, agora fomos aproximados. Antes não havia paz, agora há paz. Antes havia um muro que nos separava, agora somos feitos um só corpo. A vida da ressurreição é vivida em comunidade. E na medida que nós nos apresentamos a nossa comunidade de mãos vazias, sem nada,
do que possamos nos orgulhar, nós passamos a experimentar, pela obra de Deus, pela presença do seu Espírito, uma vida cada vez mais cheia, sendo completada, em meio às dificuldades, em meio às aflições, em meio às tribulações, nós podemos experimentar, pela obra do Espírito Santo de Deus em nós, Obrigado.
a plenitude de Deus. A presença gloriosa de Deus agora habita a comunidade espiritual. A presença que havia enchido o tabernáculo, a presença que havia enchido o templo.
A presença contemplada em Cristo Jesus, aquele que tabernaculou entre nós e em quem vimos a glória do unigênito, cheio de graça e de verdade, é a presença gloriosa de Deus, que habita na comunidade espiritual, que dá vida à comunidade espiritual, que derrama da vida da ressurreição em nós.
Essa presença marca a realidade comunitária inaugurada por Cristo. Uma realidade que passa pelo reconhecimento da minha miséria, da minha aflição, da minha necessidade. Não apenas a minha aflição anterior a Cristo, mas a aflição presente hoje. A minha dor, a minha luta, a minha frustração, o meu pecado, a minha angústia.
E na medida em que eu reconheço, e na medida em que compartilhamos essas aflições uns com os outros, na medida em que abrimos as nossas mãos, passamos a receber da vida da ressurreição. E com ela, cura, restauração, transformação. Justamente no lugar em que nos encontramos mais vulneráveis, expostos.
esmagados, no lugar em que as nossas dores são mais profundas, mais agudas, onde a nossa pobreza é maior, onde a nossa carência se torna mais evidente, esse é o lugar que Deus escolheu habitar, este é o lugar que Deus escolheu revelar a sua vida, e nos encher da sua vida, por meio do seu Espírito.
E agora na vida da ressurreição, nós podemos viver em unidade. Unidos em nossas aflições, podemos experimentar também a unidade no Espírito. E aquilo que nos separava, agora já não nos separa mais, tanto faz, tanto faz. Porque somos cheios da vida do Espírito, aflitos, desesperados, recebemos do Senhor.
Nova vida, nova condição. Fomos reconciliados com Deus e uns com os outros. O muro da inimizade caiu. Aleluia, aleluia.
Craig Blomberg, mencionando, comentando esse texto, ele diz, a salvação não apenas nos justifica perante Deus, ela permite a reconciliação até entre os piores dentre os inimigos humanos. Se a morte de Jesus conquistou o domínio de Satanás, com certeza ela pode tratar de qualquer separação terrena.
A morte de Cristo substitui a hostilidade pela paz entre aqueles que se voltam para Ele. Queridos, a comunidade de mãos vazias é a comunidade da ressurreição. E sabe o que define essa comunidade da ressurreição? A paz. A paz do Senhor, que excede todo o entendimento.
Somos salvos pela graça, cheios da vida da ressurreição, libertos para viver em paz, mesmo em meio às maiores aflições, mesmo de mãos vazias. Mas há uma pergunta, e aqui é o caminho para concluir essa mensagem de hoje. Qual é o caminho? Como nós passamos da comunidade de mãos vazias para a comunidade da ressurreição?
Queridos, a resposta está em outro par de mãos. A comunidade das mãos vazias e a comunidade da ressurreição é a comunidade das mãos perfuradas. Ao longo de todo esse capítulo, ao fazer o contraste entre morte e vida antes e depois, Paulo nos apresenta o que nos fez.
o que nos transportou de um lado para o outro, o que nos salvou, queridos, o que nos leva da morte para a vida, da separação para a união, da inimizade para a paz, da ira para a salvação, do reino das trevas para o reino da luz, o que nos dá a vida da ressurreição, é a obra de Cristo Jesus.
O sangue derramado na cruz. A coroa de espinhos. O seu corpo esmagado e moído. O seu lado traspassado por uma lança. São as suas mãos perfuradas por pregos.
se nós não podemos nos orgulhar, se nós não temos nada para oferecer, o Senhor decidiu nos encontrar em meio a nossa aflição, e levar sobre si as nossas dores, levar sobre si a nossa condenação, para nos dar uma nova vida, para nos dar uma nova condição, a vida do próprio Senhor.
Foi Ele, é por meio dEle, é por Cristo Jesus, é pelo sangue vertido na cruz. Nós somos aproximados mediante o sangue, somos reconciliados pela sua morte, somos libertos, pois Ele levou em seu corpo a escrita da dívida que nos era contrária. Nós não tínhamos como nos ajudar, mas o Senhor.
Mas o Senhor, que é rico em misericórdia, entregou-se a si mesmo por amor, tomou sobre si as nossas dores. Queridos, Cristo, aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas, participou da nossa aflição. A sua graça nos salvou.
foi por meio de Cristo. É apenas por meio da sua morte, da sua ressurreição, que nós podemos experimentar uma nova vida. Não há o que possamos fazer. Mas, queridos, a graça que nos salva nos chama a exercer graça uns com os outros.
se vivemos em uma comunidade que foi comprada por mãos perfuradas, nós somos chamados a olhar para essas mãos perfuradas, a olhar para essa graça e aprender com ela sobre como devemos viver uns com os outros. Afinal de contas, o Cristo que participou da nossa aflição,
nos envia para participar da aflição uns dos outros. A comunidade das mãos perfuradas, a comunidade espiritual aprende com aquele que teve as suas mãos perfuradas por amor, que decidiu participar da nossa aflição, a viver em meio às aflições uns dos outros com amor, graça e misericórdia.
O problema é que muitas vezes nós nos alegramos em fazer parte. Nós levantamos as nossas mãos e louvamos ao Deus que nos salvou, que nos encheu da sua própria vida. Mas nós não nos submetemos à vida da comunidade aflita. Nós decidimos não participar da aflição do outro.
Nós decidimos não furar as nossas mãos. A realidade é que muitas vezes não são nem cravos. São pequenos espinhos, ferpas. Às vezes, com tanto medo de participar da aflição do outro, a gente nem se aproxima. Porque quando essa aflição se torna visível, nós...
Mas queridos, a comunidade espiritual, a comunidade aflita, é a comunidade que decide participar da aflição um do outro. Compartilhar as suas aflições, permanecendo. Porque é permanecendo que vai experimentar a vida da ressurreição. E decide participar das aflições, porque foi o próprio Senhor que veio em nossa direção. E participou das nossas aflições.
Quero concluir citando mais uma vez o Larry Crabb. Ele diz, uma comunidade espiritual, uma igreja, é repleta de pessoas aflitas que viram suas cadeiras umas para as outras, pois sabem que não podem viver sós. Essas pessoas aflitas caminham juntas com suas feridas, preocupações e fracassos à mostra.
mas são capazes de enxergar, além da aflição, algo vivo e bom, algo integral. Hoje nós vamos participar da ceia do Senhor. Comeremos do pão, beberemos do vinho. Mas, queridos, a participação na ceia do Senhor é para aqueles que reconhecem a sua própria necessidade.
É para os discípulos de Jesus, que já depositaram nele a sua fé. Pois reconhecem que não tem nada para oferecer. Que reconhecem que são salvos pela graça e pela graça somente. Que confessam a sua dependência.
Afinal de contas, comer do pão é participar do corpo que foi entregue em nosso favor. Beber do suco é participar do sangue que foi derramado em nosso favor. Sentar-se à mesa de Jesus é anunciar a morte de Jesus com humildade. Pois Ele morreu pelos nossos pecados. Em meio às nossas aflições, participar da ceia...
É participar da sua aflição, da aflição de Cristo. Reconhecendo que foi por nós. É receber da sua presença. É encher nossa mente e o nosso coração com aquilo que Jesus fez. Mas, queridos, participar da ceia também é decidir fazer isso juntos. A ceia é uma experiência comunitária, você sabe disso. Participar da ceia é reconhecer...
que o que nos une é a nossa aflição. E por isso é para aqueles discípulos que estão em comunhão com o corpo. É para aqueles que se renderam, que se reconheceram as suas aflições e se prostraram, mas é também para aqueles que estão em comunhão com o corpo. Que se despiram do orgulho e reconheceram a sua aflição comum.
Por isso eu quero te dar um tempo. Quero te convidar a fechar seus olhos nesse momento. E a te dar um tempo pra isso. Pra se render. Talvez você ainda não tenha feito isso diante do Senhor.
Você ainda não tenha se achegado de mãos vazias. Talvez você ainda esteja se apresentando ao Senhor com tudo o que você fez. E nessa noite...
Essa noite é noite de abrir mão. De se render. De reconhecer a sua dependência. De reconhecer a sua miséria. De confessar os seus pecados. De se arrepender dos seus maus caminhos. E receber de Cristo Jesus. Uma nova vida. A vida da ressurreição. Mas talvez nessa noite seja noite de reconciliação. De se arrepender.
Porque na comunidade espiritual, carregando o seu orgulho, você se afastou. Você rompeu. Você levantou um muro de inimizade. Você decidiu não participar da aflição do seu irmão. Seja por algo que você fez ou que você sofreu.
Você permitiu que uma raiz de amargura te afastasse. Te afastasse da experiência da graça. E eu quero te dar um tempo para que você se arrependa. Confesse isso ao Senhor.
Se apresente a Ele de mãos vazias. Essa é a única forma de nos achegarmos a sua mesa. De mãos vazias. Senhor, nós não temos nada para te oferecer. Apenas a nossa miséria.
A nossa dor, a nossa angústia, a nossa aflição. Os nossos pecados. As nossas lutas. A realidade, Senhor, é que somos desesperadamente necessitados. Carentes. Nós precisamos de Ti. Nós pedimos perdão.
por nos orgulharmos de tantas coisas, e nós pedimos perdão pela divisão que nós causamos, nós pedimos perdão Senhor, porque carregando os nossos diferenciais, tantas vezes nós nos esquecemos, que o que nos une é a nossa aflição, arrependidos,
Prostrados. De mãos vazias. Nós corremos pra ti. Nesse momento. Pra sua mesa. Pro Senhor. Servido. Sobre a mesa. Nós precisamos de ti.