COMO SE FAZ UM METRÔ? ENTRAMOS NO TATUZÃO PRA DESCOBRIR! | #VIDAREAL #23
🚇 COMO SE FAZ UM METRÔ NA VIDA REAL?Você já parou para pensar no que acontece debaixo dos seus pés enquanto você atravessa São Paulo? Hoje o Tavião foi visitar o famoso “tatuzão” e encarar a lama, o capacete e o barulho para mostrar a engenharia absurda por trás da expansão da Linha 2-Verde do Metrô!E aí, colocaria o seu nome em uma estação de metrô? Vem ver os valores! Bora sair do estúdio e ir pra prática no ACHISMOS NA #VIDAREAL :)TAVIÃO @taviaohttps://www.instagram.com/taviao/ Conheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
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Tavião:Esse aqui é o túnel que liga a futura Estação Penha à futura Estação Aricanduva do metrô. Eu sou o Otávio e hoje eu vou te mostrar como os metrôs são feitos na vida real. Isso aqui é um tatuzão.
Aldo:Isso é um tatuzão.
Tavião:Parece uma nave alienígena, cara. É muito louco, mano.
Voz A:Caramba, mano!
Tavião:Que sensacional! Aqui é o que eu vi ali que é a...
Tavião:É a mão de corte.
Voz A:Caraca!
Tavião:E quem será meu guia hoje é Aldo, responsável pela expansão da Linha 2 Verde do metrô. É isso? Essa dor de cabeça é tua?
Aldo:Bom dia, Otávio. É isso mesmo. Eu estou responsável pela implantação aqui da estação da Linha 2 Verde, aqui desde Vila Prudente até Dutra.
Tavião:E Aldo, como que você dorme sabendo que o transporte de milhões de pessoas depende de você?
Aldo:A gente tenta manter, a gente tem uma equipe altamente qualificada, né, que dá essa segurança aqui pra gente, né, de poder dormir com tranquilidade, né. É muita complexidade, né, muitos serviços, né, muitas interfaces, né. A gente vai poder visitar em campo e dar uma olhada como que isso daí acontece, mas a equipe ela dá segurança, né. O metrô, ela tem alta expertise, alta capacitação, são mais de 50 anos fazendo implantação aqui de linhas na cidade de São Paulo. A extensão da Linha 2 aqui, a gente extrapola os limites aqui da cidade de São Paulo, a gente chega até o município de Guarulhos, é a segunda maior cidade aqui do nosso estado de São Paulo, e onde a gente vai prover aqui a mobilidade para mais de 600 mil pessoas aqui por dia.
Tavião:600 mil pessoas! Ele me deu a resposta política aqui, né? Falou que tem uma equipe muito boa e tudo mais, mas de verdade, Aldo, você tem um ar flowmático, calmo, mas isso aqui deve ser complexo pra caramba de operar uma obra do metrô. Como que você lida com esse tipo de coisa assim? Porque hoje as pessoas ficam estressadas de postar foto no Instagram.
Aldo:Não, é verdade. A gente vai poder ver lá, cada vez mais a gente está implantando linhas de metrô em ambientes mais adensados aqui, com muitas casas, muitas residências aqui próximas da obra. Então a gente tem que lidar aqui com, né, e tem a parceria de diversas outras entidades aqui do município, do estado, dando esse apoio. Então o trabalho muito grande junto com o apoio de tráfego da CT, né, apoios aqui junto à parte ambiental do nosso estado aqui com o CETESB e a nossa equipe aqui fazendo implantação. Requer um planejamento muito grande, a gente tem um volume, um trânsito muito forte aqui de caminhões aqui no entorno e um trabalho também que a gente faz aqui junto à nossa comunidade aqui para mitigar todos esses impactos que a gente sabe que acaba de certa forma causando, né? Mas a gente trabalha para mitigar e para resolver esses problemas, mas o benefício, como a gente viu aqui, vai atingir milhões de pessoas aqui.
Tavião:Claro, eu sou muito fã do metrô, cara. Na verdade, construir o metrô é minha banda favorita, cara. Se tivesse um show, eu iria, porque muda totalmente a vida das pessoas construir o metrô. E quando a gente vê uma expansão aqui, a gente vê que a gente vai conseguir chegar em vários outros lugares de uma forma mais rápida e fácil. Porém, não é rápido e fácil construir um metrô. E aí já me vem uma outra pergunta, cara. Pô, quem que dá o nome para as estações do metrô? Porque, por exemplo, eu vi aqui que vai ter a Penha, que é onde a gente tá aqui hoje, mas tem a Penha de França. Pô, isso aqui vai complicar a vida das pessoas, não vai não, cara? Eu marco ali com a mocinha, ó, te encontro na catraca da Penha, e a gente se perde aqui?
Aldo:Não, isso o passageiro do metrô ele já tá acostumado com isso.
Tavião:Ah, já tá?
Aldo:Já tá bem acostumado. Isso daí acaba entrando no dia a dia das pessoas, né? E como você disse, marcar o rolê aí, né, que o pessoal marca, eles marcam: "Te encontro ali na catraca de tal estação ali." Isso daí rapidamente as pessoas vão encontrar.
Tavião:Mas quem escolheu esse nome? Porque lá o da Consolação, da Paulista e tudo mais, aquilo é uma confusão. Quem que deu esses nomes, cara?
Aldo:Isso tem um estudo, né? Tem uma área específica dentro do metrô que faz esse estudo no início da concepção das linhas, lá no anteprojeto de engenharia, a gente tem a nossa Gerência de Planejamento e Meio Ambiente, aonde tem todo um estudo avaliando questões ali do entorno, características do entorno, então são nomes às vezes vinculados ou com alguma via importante daquele local, ou alguma indústria que trouxe o nome, ou um bairro. Então são esses aspectos que levam ali à escolha do nome, né? Estação Santana, ali dentro do bairro de Santana, né? Tem essa questão ali de Paulista e Consolação, né? A Paulista fica na Consolação e a Consolação fica na Paulista, né? Mas é justamente por isso, né? A Estação Consolação, ela sai no acesso da Avenida Paulista, né? Então a pessoa, o nosso passageiro, quem está no dia a dia ali, ele já está acostumado. "Pô, vou na Estação Consolação." Porque ela sai ali na Avenida Paulista, né? A Paulista porque ela está ali, né?
Tavião:Eu não estou acostumado não, tem 25 anos que eu estou aqui, eu não estou acostumado ainda não. Cara, eu estava reparando, aqui não, mas muitas estações hoje em dia elas têm um nome que é de um supermercado, de uma marca. O que agora tem nome de marca em estação de metrô?
Aldo:É, isso é um trabalho que a companhia do metrô vem fazendo, né? Que é um trabalho de naming rights. Para trazer recursos, né, que a gente chama de tarifas, de receitas não tarifárias, né, para ajudar a baratear o custo do nosso serviço. Então são parcerias, né, então entram em consultas públicas e se procuram empresas ali que tenham interesse em associar o seu nome.
Voz F:This episode is brought to you by Google Chrome. You think you know a browser, but Gemini in Chrome, that's new. It can help you with practically anything on the web, like restoring a vintage motorcycle from a 50-page restoration blog, or finally break down that long article you've had open for weeks. Gemini in Chrome is here for it. Ready to make anything online make sense? There's no place like Chrome. Check responses, setup required. Compatibility and availability varies. 18+.
Aldo:Sim, existe aí um processo dentro do metrô, um projeto, não só para essa, mas para outras estações ali, onde tem uma área específica dentro da companhia onde ela faz esses estudos, verifica ali aspectos e busca parceiros para trazer benefícios que são revertidos para toda a população.
Tavião:E se eu quiser botar uma estação aqui, eu quero botar que a Santa Isabel seja a estação Axis nos TV, quanto mais ou menos está custando?
Aldo:Olha, essa informação eu não tenho, né? Tem que pedir para o Águia ali, ó. Eu posso passar o contato para você da pessoa aí, ela já acerta isso aí. Já fechou com o vendedor. A gente já faz esse ajuste aqui.
Tavião:A gente tem uma pessoa responsável aqui que não pode aparecer nos vídeos, mas que ela tem as respostas. Bela, quanto mais ou menos custaria para eu ter o meu nome aqui numa estação? Olha, muitos milhares de reais. Milhares? Ah, então pronto. Achei que era bilhões. Olha, a gente está falando pelo menos na casa dos R$800 mil, a depender da marca e do contrato. R$800 mil por quê? Por um mês?
Aldo:Não, por mês não, por ano.
Tavião:Então, sonho é possível.
Aldo:É isso aí, a área comercial ela vai poder passar detalhes ali para vocês, né? E com certeza, né, com a audiência aí da X1CV aí, vocês vão conseguir não só essa, mas outras estações.
Tavião:Fica aí para vocês qual estação vocês gostariam que a X1CV patrocinasse, porque 800 mil no ano, isso aqui a gente tem, ó, facílimo. Porém, não é fácil construir um metrô. Eu acho que esse mapa aqui, Aldo, mostra muito bem, porque assim, cavocar uma cidade É um trabalho infernal, especialmente porque não é como se tu fosse terra. Eu até vi umas coisas aqui, nem sabia que existia isso aqui, saprolito de ganais, isso aqui tem nome de cobertura de bolo? O que é essas coisas aqui que tem essas cores diferentes no mapa?
Aldo:É, aqui é uma, o que a gente fala aqui que é uma seção geológica, né? Então aqui nós temos aqui o trecho aqui que vai da Estação Penha até Dutra e onde a gente faz todo o mapeamento do nosso subsolo. Então aqui são realizados ensaios, sondagens e outros ensaios geológicos para a gente entender o que tem lá no subsolo. Se a gente vai estar, falar aqui para o público mais leigo sem usar os termos mais técnicos aqui, se a gente vai estar com um solo mais mole, um solo médio, um solo duro, questões de argila, então isso vai indicar o melhor tipo de equipamento e a melhor forma de a gente fazer esse Qual que é o pior solo de trabalhar aqui? Na verdade, todos os solos eles requerem tratamentos e formas adequadas. É importante a gente conhecer bem o nosso subsolo para que a gente possa realmente minimizar os impactos. Toda intervenção que a gente faz no subsolo, ele causa um impacto na superfície, qualquer que seja, por menor que seja, ele vai causar. O importante é a gente ter um conhecimento muito bom desse subsolo para que a gente possa fazer os tratamentos e as proteções adequadas para a gente não causar nenhum impacto impacto aqui na superfície.
Tavião:E tudo isso aqui, todos esses túneis, é feito por uma máquina, é isso?
Aldo:Isso é o popular tatuzão, né? A gente não vai aqui usar os nomes técnicos, então é o que todo mundo conhece aqui com tatuzão. Hoje aqui na linha 2, aqui na extensão da linha 2, nós já temos um tatuzão aqui em operação, que é a tuneladora Cora Coralina. Ela tá escavando o trecho aqui de Penha até Vila Prudente, né? A gente vai ter oportunidade ali de ver a Cora Coralina ali no local, aqui na Aricanduva e a gente está em montagem com a segunda tuneladora que vai passar a operar, vai passar a escavar a partir do início do segundo semestre, que é a tuneladora Hebe Camargo.
Tavião:Hebe Camargo, podemos ir lá dando uma olhada nela?
Aldo:Podemos, vamos lá.
Tavião:Agora devidamente paramentados, vamos lá conhecer a obra, né?
Aldo:Vamos lá, vamos lá, Otávio.
Tavião:Tá um dia horroroso, chovendo, mas a obra não pode parar.
Aldo:Não pode parar. Faz parte, faz parte do nosso dia a dia, né? Chuva, sol, frio, né? A gente tem que continuar mesmo porque é tudo embaixo da terra. Não só embaixo da terra, né? A gente tem atividades, né, na superfície, né, das estações, né? Mas mesmo embaixo da terra ali, a gente precisa levar o material para lá, né? E às vezes condições climáticas muito adversas, a gente vai ver que a gente tem um guindaste aqui enorme. Condições climáticas adversas aqui, a gente não pode fazer operação, né? Quando começa com raios, essas coisas, né? Então traz um certo impacto ali também.
Tavião:Gilson é o encarregado de segurança aqui.
Tavião:Eu trabalho na segurança do trabalho, não sou encarregado.
Tavião:Ah, é? Bom, mas o senhor cuida da segurança?
Tavião:Sim, sou um dos componentes da segurança.
Tavião:É o responsável para que ninguém saia morto ou machucado daqui hoje. Vou torcer pelo seu sucesso porque depende de mim também não fazer nada errado. O capacete do Aldo é mais bonitão, hein? Por que o seu é mais bonito?
Aldo:Não, não, é só o estilo, só, mais nada, não tem diferença nenhuma aqui.
Tavião:Mas aquele é todo texturizado, turnado. E agora, para onde nós vamos?
Aldo:Agora a Vanessa vai guiar a gente, vamos lá para o Mirante. A gente vai para o Mirante, onde a gente vai fazer a obra ali por cima. Aqui é o acesso operacional da Linha 3 do metrô, né? Além, como eu disse para você, além dessa obra que a gente está fazendo aqui da construção da Linha 3, a gente vai ter também uma atividade também de modernização aqui da Estação Penha, aqui também troca de piso, a gente vai ter trabalhos em cobertura, deixando ela adequada aqui para o aumento de público que a gente vai trazer.
Tavião:E até o pessoal da obra às vezes gosta de correr um pouco mais e vai pela esquerda, né? Por isso tem que deixar livre, né? Tá todo mundo com pressa.
Aldo:Quem anda aqui no metrô sabe que a esquerda sempre livre. Ó, aqui a gente já começa a ver então a nossa Hebe Camargo, né, sendo montada.
Tavião:Hebe Camargo? Como que o negócio desse chama? Hebe Camargo?
Aldo:Tradicionalmente, as tuneladoras, elas recebem o nome feminino. Especificamente neste caso aqui, o metrô, ele junto com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado promoveu uma escolha popular, né, onde vários nomes foram sugeridos e a população escolheu o nome da Hebe Camargo.
Tavião:E a outra máquina chama Cora Coralina, que é uma autora de livro?
Aldo:Isso, uma escritora.
Tavião:Então ganhou uma apresentadora de TV e uma escritora aqui. Tá, mas esse negócio branco aqui é a Hebe?
Aldo:É, esse daqui é parte dela, né?
Tavião:Jesus, é imenso!
Aldo:São os escudos aqui da tuneladora que a gente está montando. Embaixo ali daquela tenda ali, é que por causa da chuva ali, a gente tem a roda de corte, né, onde a gente tá num processo de soldagem dela, né. Esse equipamento ele veio da China, ele foi fabricado lá na China, transportado aqui para o Brasil, e a gente monta agora e depois a gente desce ele para o túnel para iniciar a escavação.
Tavião:Mas isso aqui é imenso, Aldo, como que você vai descer isso aqui depois?
Aldo:É uma estrutura enorme que nós temos nós temos aqui, né, um guindaste aqui, né, um dos maiores guindastes em operação que nós temos aqui no Brasil, que vai fazer a descida de todos esses equipamentos.
Tavião:E aí vocês descem ele por aquele—
Aldo:descem por aquela vala lá, por aquele, por aquela abertura lá.
Tavião:Quanto tem de altura?
Aldo:A gente tem aqui em média 25 metros aqui de profundidade, aqui onde a gente desce aqui para fazer essa montagem, que é o equivalente a um prédio de 25 metros. Aqui a gente vai ter 8 andares aqui de—
Tavião:é alto, pai, é alto.
Aldo:Essa tuneladora aqui, né, o diâmetro dela aqui é de 11,67 metros, equivalente a quase que um prédio de 4 andares, né, que nós temos. Ela, quando montada, ela vai pesar 2.800 toneladas.
Tavião:Quanto?
Aldo:2.800 toneladas.
Tavião:E vai para— dá para descer com o guindaste?
Aldo:Ela desce em partes, então a gente monta uma parte aqui, desce, e aí ela vai sendo acoplada e montada ali, né. No final, elas são 133 metros de comprimento.
Tavião:E a gente consegue conseguir descer para dar uma olhada ali na roda de corte?
Aldo:Deixa o pessoal conseguirmos descer. Isso, a gente pode descer ali, dar uma olhada.
Tavião:Vamos ver os dentes da Hebe Camargo então. Vamos lá. Cuidado aqui, cara. Olha, isso aqui é um perigo. Aldo, então isso aqui é o corpo da Hebe e ali os dentes, é isso?
Aldo:E os dentes ali, isso, a roda de corte ali que vai fazer ali a escavação ali.
Tavião:Pessoal tava me falando que cada tuneladora, cada tatuzão, ele é meio que construído especificamente para essa obra aqui, é isso?
Aldo:É, como nós vimos ali no escritório, nós temos a característica do solo. Então, de acordo com a característica ali do solo, é um tipo de tuneladora, né? Tem tuneladoras mais adequadas ali para escavação em rocha, né? Mas escavação, vai tuneladoras ali para solos mais moles, tuneladoras mistas, né, como se fosse um carro flex ali que é capaz ali de operar ali entre os dois solos. E tem as características dos túneis, os diâmetros, né. Então a nossa característica aqui do nosso túnel, né, a gente vai ter essas escavações, ela com 11,67 metros de diâmetro. Então ela é customizada para essa nossa necessidade.
Tavião:Por isso que o pessoal não Você não aluga essa máquina, só vende, é isso?
Aldo:Isso, isso. Essa máquina ela foi fabricada lá na China, foi adquirida pela nossa contratada, né, dentro do contrato dela, transportada da China para cá no início do ano. Em novembro do ano passado nós estivemos lá na China fazendo a liberação ali da máquina, liberação técnica dela. Ela foi transportada agora e aí a gente faz essa montagem para o início.
Tavião:Porque isso aqui é jogador caro, rapaz. Isso aqui para comprar Quanto custa um tatuzão?
Aldo:Esse eu não tenho detalhes, isso daí é, ele tá dentro do nosso contrato, é a construtora que compra.
Tavião:Ajuda a gente, quanto custa um tatuzão? Não dá muito para definir porque ele vem dentro do custo do empreendimento, ele é embutido, porque ele é feito sob medida. E vamos entrar ali então?
Aldo:Vamos entrar, vamos lá.
Tavião:Tamanho da roda desse negócio, Aldo, meu Deus do céu!
Aldo:É, os equipamentos, né, como todas as atividades que a gente tem dentro de uma construção de estação de metrô, eles são de proporções enormes, né? Então são equipamentos aqui, né, de grande capacidade, né?
Tavião:O que que é essa máquina aqui?
Tavião:Esse aqui é um guindaste, que é o que a gente usa para movimentar as peças de montagem da máquina. Acho que isso você, né? Esse guindaste, você tem um contrapeso para quando a gente içar as peças principais, você tem um contrapeso para ele, para ele não tombar. Isso aqui é o contrapeso do guindaste.
Tavião:Isso aqui é só Só um peso de papel gigante.
Tavião:Exato, normalmente ele é uma, parece um peso de papel. Esse que dá, esse ali é em pneus, cara. Olha o tamanho! E qual que é a vantagem desse pneus? É mais fácil para a gente conseguir movimentar ele quando a gente precisa movimentar para depois deixar.
Tavião:Em vez de usar um blocão de concreto, por exemplo.
Tavião:Normalmente é isso, qualquer que dá esse problema normalmente é um blocão de concreto. Esse especificamente é um pneu. Eu particularmente também não conhecia conhecendo aqui, impressiona, né, pelo tamanho. Pois é, é bem legal.
Tavião:Mas então, até para vocês que trabalha com isso, às vezes vocês vão encontrando um equipamento novo, uma coisa nova a cada obra, é isso?
Tavião:Com certeza. Apesar de a tuneladora ser equipamento moderno, né, e os equipamentos de apoio também, como os guindastes, mas a indústria sempre se modernizando para poder ganhar produtividade dos equipamentos e até poder baratear também o fornecimento. Então não é incomum a gente ir novos trechos e se deparar com algum equipamento que a gente desconhecia, seja o porte, seja a tecnologia dele.
Tavião:E é você que vai conseguir que a gente se enfie ali dentro, é isso, Thiagão?
Tavião:Vamos lá, aproveitar que tá na hora do almoço.
Tavião:É, aí sim! Isso aqui é o quê? A gargantilha dela?
Aldo:Aqui o Thiago, ele conhece cada peça, cada parafuso da tuneladora.
Tavião:Não sei se aquela imagem você vai lembrar que o Waldo mostrou, a máquina é formada por alguns escudos, né? Então, que tinham de shield, né? Chama o escudo da máquina. Isso aqui é a parte dos escudos. O primeiro escudo que a gente desce, vai montando a máquina como fosse um Lego mesmo, que demais, em partes. E a roda de corte, ela vai ser acoplada por essa parte desse escudo aqui. Depois vem o rolamento, a gente fixa ele, fixa essa roda de corte.
Tavião:Isso aqui é a broca?
Tavião:Isso, é que isso que a gente chama que a famosa roda de corte, tá? É a peça que vai na frente da máquina e ela faz a função de broca. Ela vai desagregando o maciço, a gente vai utilizando com as ferramentas de corte, essas peças daqui, ó, que vocês estão vendo. Ela vai batendo no maciço, desagregando. A gente joga na frente do maciço água e espuma, mas com a biodegradável, entendi, a função de um detergente mesmo. Que detergente faz na nossa casa? Você joga lá, ele quebra as partículas. A gente é a mesma, ela quebra as partículas do solo, ajuda a desagregar. A gente consegue avançar na escavação com isso. Então ela vai girando uma parte da máquina tem essa função.
Tavião:Isso aqui em operação vocês já sabem exatamente o que vocês vão encontrar? Ou às vezes vocês estão ali cavocando e daí, eita, deu numa pedra?
Tavião:Boa pergunta. A gente já sabe exatamente o que a gente vai encontrar, tá? Óbvio que tem um grau de incerteza, porque as sondagens, né, que são as investigações do solo, são feitas em alguns pontos específicos. Mas do projeto da máquina e o formato dessa roda de corte, onde tá a posição das ferramentas O tamanho delas são calculados em cima desse material de sondagem, de investigação geológica que a gente tem. Sabe aquele mapinha que você mostrou lá em cima? Aham. Que tem um tipo de solo?
Aldo:Tudo colorido lá.
Tavião:Tudo colorido. A gente tem aquilo mais específico, né, onde a gente usa isso para especificar a máquina e especificar essa parte que é a broca, né, a ferramenta de corte.
Tavião:Entendi.
Tavião:Ela é a peça mais pesada da máquina quando montada, ela vai pesar mais de 290 toneladas.
Tavião:290 50 toneladas só essa parte.
Tavião:Parece uma nave alienígena, cara.
Tavião:É muito louco, cara. Olha que sensacional, todos os dentinhos dela aqui, ó, que é o que vai cavocar a terra.
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Tavião:Outro tatuzão, agora coralina, que o nome correto, o nome científico é Tunnel Boring Machine.
Aldo:Estação Aricanduva também a gente tá nessa fase 1 também da expansão, aquilo que nós vimos ali, né? Então agora aqui a tuneladora, como eu disse, ela tá vindo ali de Penha, né, sentido Vila Prudente, né, para escavar esse trecho aqui de mais 3 estações até chegar ao Complexo Rapadura. Aí a gente finaliza todo o trecho de túneis dessa fase 1.
Tavião:Cara, aqui a gente vai conseguir ver mais de perto o buracão por onde desce a tuneladora, é isso?
Aldo:É, aqui na verdade ela não desceu, né, porque ela veio pelo túnel e ela chegou aqui. Aí a gente arrasta ela até a outra extremidade da da estação.
Tavião:Cara, que sensacional!
Aldo:Aquário Coralina ali, a gente vai descer ali.
Tavião:Isso aqui é um tatuzão?
Aldo:Isso é o tatuzão. Essa estação aqui, ela tem uma característica nessa construção, elas são 6 poços, né? Poço é essa estrutura aqui circular, aqui é onde a gente desce ali embaixo, onde vão circular os trens, né? Então são 6 poços aqui feito de forma secante aqui, aonde eles vão dar aqui todo o comprimento aqui do corpo da estação. Que também é toda estrutura da tuneladora.
Tavião:Ah, isso aqui ainda é ela?
Aldo:E ainda é ela, são 100 metros de comprimento ela. Mas pera aí, ela tá cavocando ali e vai puxando aqui, porque aqui são as estruturas, aqui as estruturas elétricas, aqui os backups, todos os equipamentos que fazem funcionar ali a tuneladora.
Tavião:Mas vamos descer de cremalheira?
Aldo:Vamos descer de cremalheira.
Tavião:Eu já tô me sentindo totalmente integrado nesses ambientes, eu já sei cremalheira e tudo mais. Tudo bom, irmão? Boa tarde. Opa, aí, ó, pessoal ser alto, eu que sou baixinho, fica mais fácil. Cara, olhando lá de cima você não consegue ter a magnitude do que— olha o tamanho desse negócio, mano, cara! Porque ela tem aqui a boca dela, cavocadora, mas ela tem um corpo gigantesco, parece mais É mesmo metrô.
Aldo:Ali na frente é a roda de corte, é aquela estrutura onde no outro canteiro nós entramos embaixo da tenda ali que estava em soldagem. Então a escavação ela é feita ali na frente, aqui são os escudos da máquina, né, onde a gente transporta terra. E aqui são os backups aqui da máquina com toda a parte de equipamentos eletrônicos, elétricos, os tanques, né, com aquele detergente que o Thiago falou aqui.— então, toda essa parte eles estão estabelecendo—
Tavião:Ó, e tem uns mano soldando uns negócio aqui, o que eles estão fazendo?
Aldo:É, aqui nesse ponto de partida, a gente tem que montar uma estrutura de reação, que é essa estrutura metálica aqui, né? O que acontece? A máquina, ela tem uns pistões que vão empurrando ela para frente, né? Quando ela está dentro do túnel, os próprios anéis de concreto que a máquina montam, elas servem de apoio para os pistões empurrarem a máquina para frente. Como aqui nessa parte ainda não tem túnel, então a gente tem que montar uma estrutura metálica aqui, né, para fazer uma resistência para máquina poder se impulsionar para frente.
Tavião:A gente conseguiu então vir ver os dentes da cora coralina. Isso aqui é o que a gente estava vendo embaixo da lona, só que já instalado aqui para furar a a terra, né?
Tavião:E a função dele é aquela, né? É um raspador, né? São dois tipos de ferramenta. Você tem raspador, que é esse daqui, e você tem os discos.
Tavião:Ah, esse raspa e esse, e esse tem a função de quebrar o material.
Tavião:Ele vai rodando e ele vai conseguindo quebrar a face do material, tá? Aqui nesse começo, como a gente vai escavar essa parede, então é concreto isso aqui, é concreto, mas não tem armação de aço, tá? É um concreto com armação específica de fibra de vidro.
Tavião:Mas me perdoe a pergunta ignorante, se vocês vão cavar aqui, por que que vocês construíram uma parede?
Tavião:A boa pergunta. Para a gente poder escavar a estação, a gente tem que montar todo um sistema de contenção, né? Como o Mauro explicou anteriormente, aqui são poços, né? Tem uma parede que a gente concretou ela, veio escavando a estação, então Lá você vem com uma parede de contenção para o solo que tá atrás. Não, não, entrate para a gente passar. Entendi. E depois você vem com a máquina e fura uma parte dele, né, só que é o diâmetro do túnel, para seguir a escavação.
Tavião:Aqui essa água é do detergente amolecedor de terra?
Tavião:Essa água não é de água de chuva.
Tavião:Ah, tá. Então isso aqui é acumulado aí, só.
Voz B:Entendi.
Tavião:Lá em cima tem um canteiro de apoio, né? Tudo que a máquina, tudo que a gente precisa para a máquina poder operar, tá lá Então ela fabrica os suprimentos lá, a gente carrega para dentro da máquina através dessas tubulações que você tá vendo aqui, que ficam dentro do túnel. E aqui que a gente armazena esses suprimentos e a máquina vai usando conforme ela vai escavando.
Tavião:Entendi.
Tavião:Então conforme a gente vai escavando, toda essa tubulação ela vai vindo por dentro do túnel. Ah, ela tá vindo por aqui, tá vindo lá de Penha, da onde a gente tava naquele canteiro lá, que por esse túnel, por esse túnel e por essas tubulações.
Tavião:E aqui, ó, que que tem essa placa aí? Parece coisa de prefeito de cidade interior falando: ó, chegou aqui a tuneladora. Isso aqui é boas-vindas dela?
Aldo:São as boas-vindas para ela, que quando nós viemos aqui de Penha para cá, né? Então normalmente quando a gente chega numa estação, a gente dá as boas-vindas para essa tuneladora aqui.
Tavião:E esse túnel aí foi ela mesmo que cavocou?
Aldo:Isso é o interessante, é que ela não só cava o túnel como monta toda a estrutura de concreto do túnel, né? Então ela é uma máquina completa, ela já faz a escavação e faz a montagem dos anéis aqui de concreto, né? Deixando esse túnel pronto aqui.
Tavião:Que é a sustentação do túnel para ele não desabar.
Aldo:Isso, isso, perfeito.
Tavião:Pô, isso é muito sensacional, mano! Thiagão, nós estamos então aqui dentro das entranhas da Cora Coralina.
Tavião:Literalmente.
Tavião:O que que é esse barulho aqui que tá fazendo?
Tavião:Isso daqui são tonéis de graxa. Se você olhar, tem uma graxa branca que a gente usa para poder vedar a cauda da máquina. Então a toneladora, né, Cora Coralina, o Tacuzão, ela é feita de uns escudos que a gente faz uma vedação por trás que é exatamente para escavação, o solo não entrar pela parte de trás. Então essa graxa, tem umas escovas, não sei se consegue te mostrar lá em cima, a gente fez uma graxa branca para vedar, para que essa vedação, para não entrar água, não entrar sol, não entrar nada por trás da lama.
Tavião:Caramba, graxa branca, nunca vi isso na minha vida. Não é isso aqui?
Aldo:É, é esse daqui, isso.
Tavião:Ah, isso é graxa?
Tavião:Ela vai através de mangueira, a gente tá injetando ela, ela vai através de mangueiras para a cauda da máquina para poder fazer a sua vedação.
Tavião:Entendi, então isso aqui que eu achei que era uns panos, não, é uma coisa bem gosmenta mesmo.
Tavião:É, cuidado aí se pegar na camiseta.
Tavião:Tá aí a lubrificação da máquina e agora a gente vai para qual lado aqui?
Tavião:Vamos subir lá para a cabine de operação?
Tavião:"Opa, é agora!" E é muito maneiro que ele estava falando que essa fábrica veio da China, tanto que ela tem aqui tudo uns escritos, ó, que não sei se é a marca da tuneladora.
Aldo:Normalmente vem aqui ele dizendo qual tipo de equipamento que é, né? Se aqui é um tanque, se aqui é uma célula de sobrevivência, se aqui é um tanque de mistura, né? Então aqui são os dizeres de fabricação.
Tavião:Ah, adianta nada os cara escrever assim, ó. Vamos ver o celular aqui? Vamos lá, vamos ver a modernidade aqui, ó.
Aldo:Deve dar alguma coisa como tanque de espuma ou algo similar aí, né?
Tavião:Ah não, eu tô sem internet aqui mesmo. O wi-fi da toneladora não tá ligado? Wi-fi da toneladora? Tem wi-fi aqui?
Tavião:Tem que ter pra comunicação.
Tavião:Pô, libera pra nós então o wi-fi aqui. Tanque de mistura de espuma. Sensacional!
Aldo:Aqui, Otávio, então estão aqueles pistões ali que eu falei para você, que depois ele vai apoiar nessa estrutura de reação, né, e vai empurrar a máquina, né. Aí os pistões, eles se expandem, né, e empurra a máquina para frente. Então essa estrutura aqui, ela é só para esse momento aqui, para esse momento da partida da toneladora.
Tavião:Aqui a gente tá na futura Estação Aricanduva. E ele tá cavocando, ela está cavocando agora na direção de qual estação?
Aldo:Próxima estação aqui, Guilherme Jorge.
Tavião:Guilherme Jorge. E é controlado por essa sala aqui?
Tavião:Por essa sala aqui.
Tavião:Tô me sentindo em Chernobyl. Olha quanto botão aqui, cara. E aí, tudo bom? Prazer, Otávio. Tudo bom, Ricardo? Desculpa atrapalhar aqui seu serviço.
Aldo:Não, fica à vontade aí, a casa é de vocês.
Tavião:Thiagão, que que é tudo esses botão aqui? Tá tudo certo?
Tavião:Não sei, é muito botão, cara.
Tavião:É, mas tem vários vermelho apertado.
Tavião:É uma série de botões, nem sempre os vermelhos quer dizer que tá errado, mas é mais visual mesmo, tá? Mas é uma série de botões onde o operador da máquina controla absolutamente tudo, tá? Então tudo que tá acontecendo na escavação, ou quase tudo, ele consegue controlar por aqui. Então você você vê que tem algumas telas, tá? Aqui são telas de—
Tavião:Aqui é o que eu vi ali que é a roda de corte.
Tavião:Caraca!
Aldo:Já pode operar a máquina já, né?
Tavião:Então aqui é a tela principal de operação. Tudo que você tá vendo aqui são parâmetros de escavação, tá? Porque na tuneladora, diferente do tipo de escavação, você não tá vendo a frente da escavação. A frente tá na roda de corte, É uma frente pressurizada, então tem trabalhadores ali. Então, para a gente controlar os parâmetros de operação, se a gente tá operando conforme a gente previu nos projetos, tem esses pequenas quantidades de dados aqui que ele acompanha. E aí ele vai controlando esses dados, né? Por exemplo, aqui a rotação da roda de corte, quanto ela tá girando, se tá rápido, se tá devagar.
Tavião:Ele consegue controlando por esses botões, porque você tem imagem de um monte de coisa, porém a ponta mesmo do, da tuneladora, você tá cego. Aí você só sabe por via de equipamentos.
Tavião:Exato, cara. O que que ele vê? E até por isso que essa cabine tá nessa, nessa posição. Por essa esteira aqui, ó, que você tá vendo, é por onde sai material de escavação.
Tavião:Ah, que vai saindo a terra.
Tavião:Isso aí, ela segue por um sistema de esteiras até aquele tanque que a gente viu lá em Penha, tá? Então, para ela funcionar bem, escavação, essa terra, esse solo lá precisa estar numa certa condição, como se fosse um bolo mesmo, uma mistura de bolo, tá? Então, para poder ver realmente se esse material tá desse jeito, ele tem as câmeras que acompanha, mas ele pode olhar por aqui e ter a certeza que tá do modo que eles esperaram. Essa mistura de terra com espuma, com água que a gente comentou, essa cara uniforme, tá?
Tavião:Estamos entrando aqui nos servidores da tuneladora.
Tavião:Isso mesmo, essa parte de cima é basicamente parte eletrônica, elétrica da máquina.
Tavião:Ah, isso aqui é os microchips da tuneladora?
Tavião:É, o gerador, transformador, cabine, cara, tudo que tem de elétrica, eletrônica, a gente reserva para essa parte superior mesmo. E aqui tá uma das nossas partes prediletas, da máquina, que é a sala de sobrevivência.
Tavião:Sala de sobrevivência?
Tavião:É uma sobrevivência, se você quiser entrar aí, fica à vontade.
Tavião:Eu, o que que é?
Tavião:Uma cabeça, só na hora de entrar tem que abaixar.
Tavião:Mas o que é, um bunker isso aqui?
Tavião:É um bunker, exatamente isso.
Tavião:Caramba, mano!
Aldo:Aqui, né, apesar de toda a segurança que tem no processo, né, Como a gente tá embaixo da terra, apesar do risco ser muito baixo, mas ela tem que prever condições caso haja algum sinistro, né? Então, caso tenha alguma coisa, aqui é uma célula de sobrevivência, né, para 20 pessoas.
Tavião:Digamos que desabe, aí fica nós aqui esperando ser resgatados.
Tavião:Exato. Tiver algum sinistro no túnel ou na própria máquina, né, que impeça a rota de fuga pelo túnel, né, a gente não consiga sair. Então comporta até 20 pessoas por 24 horas, tá? Se você diminuir o número de pessoas, o número de permanência aumenta.
Tavião:Então você tem oxigênio, você tem alimentação, tem comida aqui, é comida para evitar que rola aquela coisa ali de tirar no palitinho quem vai ser comido.
Tavião:Tem pinico, tem pinico.
Tavião:O que que tem de comida aqui? Me mostra, por favor.
Tavião:E como a gente não tá embaixo do solo, ela não tem utilização.
Tavião:Mas podemos olhar?
Tavião:Não, podemos olhar, mas acho que não sei se tem alguma coisa lá. Mas geralmente—
Tavião:Eles já estão querendo roubar a comida dos outros.
Tavião:É alimentação, seria algum tipo de ração, carne seca, tipo shark, sabe? Sim. É o que a gente tem para poder— o pessoal poder se alimentar, e caso precise ficar mais tempo.
Tavião:E aí isso aqui, por exemplo, né, é uma precaução precaução. Mas alguma vez aqui no Brasil isso aqui já foi utilizado?
Tavião:Não, não foi utilizado, que a gente tenha conhecimento, pelo menos não. A gente não é operador do metrô. Existe um caso, acho que se eu não me engano na Inglaterra, tá, que foi utilizado. Teve um sinistro no túnel, tá, muito famosinho do túnel, pegou fogo. A pessoa não conseguia evacuar pelo túnel, o pessoal se reservou na sala de sobrevivência, apagou o incêndio E aqui tem tipo um telefone de satélite para eu ligar para alguém, que nós ficamos— vamos lá.
Tavião:Ah, para você que não sei que época que você nasceu, talvez você nem tenha visto um orelhão na tua vida, mas aqui tem um. Mas ele abre aqui? Não, ele tá travado. Entendi. Então nada aqui deveria estar sendo utilizado neste momento, mas aqui é onde teria comida, é isso?
Voz G:Não, aí embaixo.
Tavião:Ah, aqui não, eu tô sentado em cima da— bom, então a gente tem água ali, comida lacrada e pesada, o telefone para se acontecer alguma coisa, falar: "Vem buscar nós." Sim, ar-condicionado, dá para aguentar confortável.
Tavião:Escavação, né, o horário de escavação, ficar lá próximo da onde a gente tava ali, né, é relativamente quente, tá? Porque você tem embaixo do solo, você tem uma ventilação por tudo, mas a ventilação talvez não supre, né, supre o mínimo, mas não deixa a gente confortável, né? Então aqui é o que eu brinco, né, o lugar mais confortável da escavação é esse daqui. Você tem que ficar pronto para qualquer momento, com ar-condicionado ligado, tem todo o paramento, né? Então é que é onde a gente às vezes vem aqui para dar uma pequena descansada rápida.
Tavião:Cara, essa outra dúvida que eu tinha: obra, metrô, é 24 horas ou é no horário só ali que pode fazer barulho na cidade?
Aldo:Depende, né? A nossa tuneladora, né, o Thiago vai falar, ela opera 24 horas. É 24 horas, 7 dias por semana a gente opera, exceto nesses momentos aqui agora onde a gente chega uma estação até a partida de outra, que a gente—
Tavião:E ela tá se preparando.
Aldo:Está se preparando ali, né? Mas quando a gente tá em período de escavação são 24 horas. Durante os outros períodos aí variam de frente para frente de obras, né? Tem frentes de obra e tem as atividades que a gente executa 24 horas. E aí a gente tem a preocupação, né, de atender a lei do silêncio. Então são atividades ali que não causam ruído, não causam impacto na comunidade, né? E sempre quando a gente tem Mas isso tem ações mitigadoras, que nem equipamentos ali, a gente desliga os sinalizadores no período noturno, em caso de movimentação de máquinas, então... Mas a gente evita, obviamente, para não trazer um incômodo, porque a gente está numa área onde a comunidade está muito próxima aqui da nossa obra.
Tavião:O que eu sei, cara, é que uma obra dessas exige uma continuidade, às vezes, de trabalho, mas Então vocês não operam fazendo barulho de madrugada? Porque, por exemplo, na minha rua, a Enel, ela gosta de ir lá quebrar a minha rua de madrugada. Ela gosta de chegar ali umas 11 horas, meia-noite, quebrar até às 4. Aí quando dá 8 horas, eles falam: "Ah não, agora deu." Vocês não faz isso não, é isso?
Tavião:A gente evita, né, esse tipo de transtorno até para comunidade. A gente só faz atividades extremamente específicas, tá? E quando a gente precisa fazer uma atividade específica, A gente faz todo um trabalho junto à comunidade impactada, que a gente identifica quem são as pessoas impactadas, comunica, ou até muitas vezes traz aqui na obra essa comunidade para poder entender o trabalho, faz muita parte de conscientização e tenta aproximar um pouco eles, né, para ter também essa dúvida que você teve.
Aldo:Algumas atividades específicas, né, por exemplo, a Enel, ela deve não conseguir fazer atividades durante o dia Então, é necessário fazer atividades durante a noite, né? Quando a gente precisa, tem todas essas ações que o Thiago comentou. A gente faz um comunicado com a comunidade lindeira, todas as nossas frentes de obras, nós temos uma central de relacionamento, né? Então, nós temos equipe de comunicação social, né, para dar esse atendimento. E em casos extremos, né, a gente trata caso a caso, né? Então, né, um caso mais extremo, uma pessoa com alguma comorbidade que alguma necessidade, nesse nível de detalhes você vê que nível de detalhe. Olha, então nesse caso aqui a gente precisa remover aqui por um hotel e dar um atendimento.
Tavião:A gente tem todo esse atendimento, esse cuidado, né? Porque às vezes tem onde, sei lá, uma pessoa mais de idade tá precisando de um carinho diferente. Vocês olham para isso antes de ir lá e quebrar a rua na casa dela?
Aldo:Sim, sim, é feito tudo isso, né? É óbvio que não é a nossa intenção, né? Mas uma obra dessa dignidade, um certo impacto a gente causa, né? Então, em casos de necessidade, onde vai ter uma interdição muito grande, que a gente precisa realocar as pessoas, se é por um período maior, a gente, né, tem um período de aluguel onde a pessoa escolhe para onde ela vai. Se é por um período mais curto e vai para um hotel, a gente realoca por um hotel. Se ela tem perto, tem hotéis para perto. Então tem todo esse trabalho, tem todo um mapeamento.
Tavião:Cara, é muito louco, eu me sinto entrando aqui num abrigo do Fallout, cara. Esse túnel é gigantesco!
Aldo:Essa esteira aqui é para onde sai material escavado lá da frente, né, que nós vamos escavar lá na frente, e ela tá indo até Penha. Ela vai até Penha, esse material que ele escava ele é levado aqui por dentro do túnel até Penha, onde nós temos aquele tanque lá de onde a gente deposite, de lá a gente destina, dá uma destinação mentalmente adequada, né, para quê?
Tavião:Thiagão, você conhece o Doriexon?
Tavião:Doriexon era um dos colaboradores do consórcio construtor, né, responsável pela escavação, responsável pela tuneladora. Ele tava desde o início do projeto com a gente, né, desde 2023. Infelizmente ele faleceu no ano passado. Então foi um choque, né, acho que para toda a equipe, né. Muita gente já trabalhava com ele de outros projetos, da linha 2. E aí, essa peça em geral é uma homenagem aí que o pessoal prestou pra ele, né?
Tavião:Ó, que bonito, hein?
Tavião:Carregar a mesma imagem dele, túnel à frente.
Tavião:Até o fim da obra.
Tavião:Até o final da obra.
Tavião:Pô, nós vamos entrar no túnel mesmo. Quantos quilômetros dá daqui até a Penha?
Tavião:Daqui até a Penha dá 840 metros.
Tavião:Ah, até dá pra ir caminhando, até. Caramba, mano, que sensacional! Olha isso, cara! Isso aqui em algum momento vai ser tapado ou vai ficar?
Aldo:Ele tem toda uma estrutura aqui, né? Depois a gente entra com equipamentos sistemas de ventilação mesmo, né, para instalar escadas. Então tem toda uma estrutura aqui, né, para permitir ir lá na superfície. Ele fica mais estruturas como se fossem umas chaminés ali. Não sei se você já reparou em estruturas de metrô eventualmente que tem ali, que tem algumas grades, né, que é o ponto onde faz ali a insuflação e a troca de ar.
Tavião:Cara, cada passo que eu dou aqui dentro Eu vejo o quanto é uma coisa de uma magnitude gigantesca, de uma complexidade gigantesca, e que por isso que demora bastante tempo, né?
Aldo:Toda essa linha aqui vai ficar pronta quando a gente tá trabalhando com o objetivo aqui dessa primeira fase aqui de Vila Prudente até Penha, que aqui entre o ano de 27 e 28, né, finalizar e proceder com a operação. E depois do trecho até Dutra ali em 2032.
Tavião:2032. Sei nem se eu vou estar vivo até lá, mas o que eu acho muito legal... Tomara! Tomara, mas o que eu acho legal do que você estava me mostrando lá no começo é que construir um metrô não é só a pessoa conseguir chegar mais rápido num lugar, né? Você tem todo um impacto na vida das pessoas ali, de tempo que você poupa, né? Dela ir pro trabalho, mas também é um negócio que evita acidentes de trânsito, salva vidas no final das contas, é isso?
Aldo:É, com certeza, né, Otávio. A gente reduzindo o trânsito, né, da superfície, né, e trazendo pessoas, né, para dentro do nosso sistema metroviário, né, que tem uma capacidade muito maior aqui de transporte, a gente diminui o trânsito aqui, o impacto no tráfego, né, em si. E isso traz benefícios diversos, né, redução de aumento de gases de efeito estufa na atmosfera, redução de acidentes de trânsito, né? Essas reduções de acidente de trânsito, elas, né, aliviam o nosso Sistema Único de Saúde também, além também de outros benefícios ali para o próprio passageiro, né? Ele acaba se deslocando mais rapidamente, né? Então acho que você que é um passageiro, né, habitual do metrô, é muito mais rápido. E tudo isso é economia, né? Tudo isso é qualidade de vida. É tempo que você pode dedicar ali para os seus hobbies, para sua família, para o seu lazer, né, para outras atividades.
Tavião:Que eu acho sensacional. Hoje eu moro do lado do metrô Vila Mariana. Eu acho fenomenal que eu consigo chegar em qualquer lugar da cidade. Por exemplo, chegamos aqui para Penha em meia hora, cara. Eu acho muito doido. Eu queria escutar de vocês que constroem isso. Quando vocês andam no metrô, dá aquela sensação de fui eu que fiz.
Tavião:Com certeza, sim, principalmente durante a fase de inauguração. É um evento que dá muito orgulho pra gente, a gente participa até, né, porque a gente fica naquele projeto às vezes por 4, 5, 6 ou até mais tempo, né. Então quando você vê de fato a população utilizando aquele bem que você construiu, né, que veio do nosso suor, né, dá muito orgulho. E também depois como usuário, né, claro, acho que o metrô é um sistema de transporte que ele E é muito confiável, né? Como você falou, o trajeto é tão longo que você mora muito tempo ali de carro, você tem apenas 30 minutos.
Tavião:Mas pô, muito obrigado por ter me recebido. Muito maneiro ver vocês felizes, cara, com o trabalho de vocês, assim como eu fico feliz quando vocês vêm toda semana aqui no canal da Xismos TV para curtir os novos episódios do Axismos na Vida Real.
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