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COPA DO MUNDO: AQUECIMENTO PRA ARGENTINA X ARGÉLIA | #3CONTINENTES #121

16 de junho de 20261h5min
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ARGENTINA x ARGÉLIA! No episódio de hoje do #3CONTINENTES vamos falar da copa do mundo do nosso jeitinho especial cheio de cultura e piadas. De um lado, representando a Argentina, temos o Diego José e do outro, representando a Argélia, o Mohamed Makhloufi. Temos de tudo hoje: crise econômica na Argentina, as tradições conservadoras da Argélia, futebol, racismo nos estádios, briga de churrasco e histórias inusitadas sobre casamentos arranjados. Quem vence a batalha de hoje?ARGENTINA x ARGÉLIA: deixe nos comentários quem você acha que vence o jogo de hoje e qual vai ser o placar! Siga no Instagram:

Maurício Meirelles: https://www.instagram.com/maumeirelles/

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Paulo: https://www.instagram.com/plbimportadora/

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Participantes neste episódio4
M

Maurício Meirelles

Host
D

Diego José

ConvidadoJornalista
M

Mohamed Makhloufi

Convidado
P

Paulo

ConvidadoConsultor comportamental canino
Assuntos8
  • Copa do Mundo: França e Argentina estreiamCopa do Mundo · Argentina · Argélia
  • Futebol e jogadores famososMaradona · Messi · Guerra das Malvinas · Gol de mão de Maradona · Zidane · Benzema
  • Argélia· InternacionalNomes comuns na Argélia · Islamismo e o uso do hijab · Guerra de Independência da Argélia · Rivalidade Argélia x Marrocos · Identidade Árabe vs. Africana · Comida típica argelina (Shakshouka) · Casamentos arranjados
  • Situação Econômica ArgentinaCrise econômica na Argentina · Diferenças regionais na Argentina · Rivalidade Buenos Aires x Resto da Argentina · Portenho · Bonaerense · Milei · Malvinas
  • Culinária e GastronomiaChurrasco argentino (Assado) · Cortes de carne (Vacio, Entraña, Ojo de bife) · Consumo de vísceras · Parrilla argentina
  • Diversidade Cultural e SocialDiferenças entre Argentina e Brasil · Padrão de beleza e diversidade · Comunidade LGBTQIA+ na Argentina · Preconceito contra chineses · Relações familiares e casamento
  • Protocolo antirracismo no futebolRacismo no futebol argentino · Gestos racistas contra brasileiros · Comparação com o racismo no Brasil · Falta de consciência social na Argentina · Papel do futebol como reflexo da sociedade · INADI (Instituto Nacional contra a Discriminação, Xenofobia e Racismo)
  • Publicidade Argentina e ArgélinaPublicidade disruptiva argentina · Portunhol argentino · Comerciais antigos da Argélia
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Voz D:Essa é a pergunta: vale a pena ser negro na Argentina?

Diego José:Cara, não, essa é a pergunta.

Maurício Meirelles:Noite de Copa do Mundo, senhoras e senhores!

Voz G:É assim agora?

Voz D:Acho que é assim, não.

Maurício Meirelles:E agora?

Voz D:Felicidade da Copa!

Maurício Meirelles:É felicidade, mas Angola não tá jogando. Não tem TV. Caramba, já começou assim. Eles ficam comentando no filme, hoje vai ter jogo, aí o cara fala, acho que foi gol, o cara chutou, aí às vezes sai 6 a 0, eles vão decidindo. Hoje tem um dos principais jogos que são os nossos rivais argentinos contra a Argélia. Obviamente o Brasil parou, né, para assistir e torcer para Argélia. E estamos aqui com um duelo verdadeiro, um duelo cultural, um duelo muito mais importante interessante do que meia dúzia de pessoas chutando uma bola. Temos de um lado Argentina representada por Diego José.

Diego José:Exatamente.

Maurício Meirelles:É isso aí.

Diego José:Como é que tá?

Maurício Meirelles:Muito bem, muito bem, Diego. Tranqui, com aquela forma argentina malemolente de chegar. Já chegou, já achando que vai dominar.

Voz D:Já chegou campeão.

Maurício Meirelles:E ao meu lado, Argélia representada por Mohamed Makhlouf. Nome árabe, né? Argelino.

Voz G:Não, mas é rara, viu?

Maurício Meirelles:Antes de começar, seguinte: vamos dar o kit da Insider para quem venceu o duelo, pode ser? Ou temos dois?

Voz D:Não, tem dois.

Voz H:Esse aqui é o jogo da paz.

Maurício Meirelles:É? Já começa a fazer isso aí? A Insider tá chegando no mundo inteiro porque cada um aqui é influenciador referente ao seu país, eles vão para as cidades que eles moraram, né, nasceram, e lá todo mundo pergunta: "De onde vem essa camiseta com tanta tecnologia? Essa camiseta que desamassa no corpo? Essa cueca que abraça as bolas?" E consequentemente a coisa vai expandindo e a gente tem um grande cupom de desconto pra você na tela. Você que quer conhecer o produto da Insider. Pode deixar no chão? Antes vamos bater um papo.

Voz D:Apresenta também o chinês, hein? Ou não, não merece apresentação.

Voz I:O quê?

Maurício Meirelles:Não precisa. Já virou.

Voz D:Vocês vão estar na Copa também, então vai.

Diego José:Vamos.

Voz G:Você também, não fala mal de mim, hein?

Voz D:Calma aí, eu sou Brasil.

Voz B:Brasil.

Voz G:Brasil, mas você não apresenta Angola? Amanhã você não tá na Copa, hein? Ó, China não sabe jogar o futebol, mas pelo menos ele sabe bem de economia, né?

Voz H:Mas queria saber, péssima de geografia também, né? Porque o nosso convidado se apresentou: "Sou da Argélia." Aí ele: "Da onde?" "Nigéria." É, péssimo de geografia.

Maurício Meirelles:Mas também é isso, quando o país é muito egocêntrico, ele não quer saber do resto, né? Meio um americano novo. Primeiro eu quero saber aqui de cada um, antes da gente chegar, a gente vai fazer uma competição de quem tem as melhores propagandas: Argélia ou Argentina. E obviamente quem ganhar vai pra próxima fase. E aí a próxima fase é um outro critério. Primeiro eu quero entender quem é cada um aqui. Argentina, você... Diego, você mora aqui há quanto tempo? Qual é a sua história?

Diego José:Olha, eu tenho mãe argentina e...

Maurício Meirelles:Confundi.

Diego José:Mãe brasileira e pai argentino. E eu sou de Posadas, nordeste da Argentina. Porque o que acontece?

Maurício Meirelles:Posadas?

Diego José:Posadas, nordeste da Argentina. Eu não sou de Buenos Aires.

Maurício Meirelles:Inclusive... Você tá com uma voz de picareta, mano.

Voz I:Não, que isso.

Maurício Meirelles:Tá vendendo homem-sangue em Búzios. Não, vem comigo. Não é voz de picareta?

Diego José:Nada de Búzios nem Floripa, né? Porque também Floripa é outro lugar que tem canasvieiras também.

Maurício Meirelles:Exato.

Diego José:Bombinhas. Mas não, não, não.

Voz H:Eu tenho uma dúvida. Calma que ele tá falando em inglês.

Maurício Meirelles:Onde você nasceu? Calma aí, Faustão. Pera aí, já já. Basta eu interrompendo, dois é foda.

Voz D:Vai.

Diego José:Aí que acontece, eu sou do nordeste da Argentina. Eu não, algo muito importante é que eu não sou de Buenos Aires. Tem muita gente que acha que todo argentino é de Buenos Aires e fica falando assim em espanhol, né? Ah, yo me llamo, yo, assim.

Maurício Meirelles:Ah, o yo é de Buenos Aires?

Diego José:Buenos Aires.

Maurício Meirelles:Minha cabeça explodiu agora.

Diego José:É ofensivo pra caramba falar: ah, pô, você é de onde? Você é da Argentina? Quando vem algum argentino: você é argentino? "Você é espanhol diferente e tal." "Só pra deixar claro." "Como assim?" "Você é favelado lá na Argentina?" "Não, eu sou nordestino na Argentina." "Pera aí, então, entendi.

Maurício Meirelles:É quase como chegar um cara de São Paulo e o cara falar: 'Meu irmão, tu é de São Paulo?'" "O cara fala: 'Não, não fala assim.'" "Exatamente." "Qual que é o sotaque de vocês?

Diego José:Como é que é?" "A gente fala assim, por exemplo: 'Yo me llamo...'" "Yo, yo..." "Sim, com esse som." "Igual espanhol?" "Igual, é." "Depende do lugar." "É que depois a gente vai..." Não, não, de Buenos Aires, pelo amor de Deus.

Maurício Meirelles:É Buenosairano? Como é que fala?

Diego José:Portenho. Portenho é o da Capital Federal e bonaerense é da província.

Maurício Meirelles:Bonaerense fala: "Yo me llamo." E Rosário, o cara fala igual você?

Diego José:Ele pode falar: "Yo me llamo." "Yo me llamo." "Yo me llamo." Aí depende do lugar da Argentina. Mas geralmente ali, Buenos Aires e perto ali na fronteira, Qual que é a maior rixa de Buenos Aires? É... Qual maior rixa?

Maurício Meirelles:Rixa, qual que é a maior rivalidade assim? Tipo São Paulo e Rio é aqui.

Diego José:Buenos Aires contra o resto da Argentina.

Voz G:Jura?

Diego José:Caralho!

Maurício Meirelles:Vocês odeiam Buenos Aires?

Diego José:Insuportável. E eles também menosprezam a gente. Porque eles se acham o centro do universo.

Maurício Meirelles:Então vamos até lá, eu gostei desse argentino. Apesar de nosso problema é com Buenos Aires, não é com o argentino.

Diego José:Exatamente, exatamente.

Maurício Meirelles:Acabei de descobrir, cara, a gente odeia... A gente odeia o argentino de Buenos Aires.

Diego José:É, tanto que eu...

Maurício Meirelles:Ele se acha pra caramba.

Diego José:Isso, e por exemplo, alguns brasileiros já falaram pra mim: "Pô, fui lá pra Argentina, me trataram mal." Aí: "Pô, você foi pra onde?" "Pra Buenos Aires." Cara, só pra vocês terem ideia, Buenos Aires é o pior lugar, tem o pior atendimento da Argentina. Que isso! Eles têm uma taxa de insatisfação altíssima pra todo mundo, então eles não são...

Voz A:Study and play come together on a Windows 11 PC. And for a limited time, college students get the best of both worlds. Get the Unreal College Deal, everything you need to study and play with select Windows 11 PCs. Eligible students get a year of Microsoft 365 Premium and a year of Xbox Game Pass Ultimate with a custom color Xbox wireless controller. Learn more at windows.com/studentoffer. While supplies last, ends June 30th. Terms at aka.ms/collegepc.

Diego José:Eles não discriminam por países, eles são open-minded com todo mundo.

Maurício Meirelles:Sim, eles são democraticamente filhas da puta.

Voz D:Exatamente. Qual cidade você recomenda aí, depois de falar mal de Buenos Aires?

Diego José:Cara, tem por uma marca lá em Jujuy, norte, no norte da Argentina.

Maurício Meirelles:Jujuy.

Diego José:Jujuy, exatamente.

Maurício Meirelles:Agora que eu entendi. E você no Brasil, você veio morar onde primeiro?

Diego José:Ah, eu vim morar no Rio de Janeiro.

Maurício Meirelles:Puta, que é o pior lugar do Brasil.

Diego José:Não, não, eu tô até tendo que puxar meu sotaque, né, porque se eu não falar sobre Argentina com meu sotaque argentino...

Maurício Meirelles:Carioca com argentino, maluco! Carioca com argentino é caralho! Deu uma volta na arrogância, meu irmão.

Diego José:Que isso, não, pô! Sabe por quê? Se eu não falar primeiro, me apresentar com sotaque argentino, o pessoal vai falar: pô, que argentino é esse? Parece um carioca trambiqueiro.

Voz D:Não, é ator contratado isso. Não, não, é ator contratado.

Maurício Meirelles:Até agora, não, pô. Quanto tempo você mora no Brasil?

Diego José:Eu já tô há 10 anos seguidos, só que minha Minha mãe é brasileira, meu pai argentino. Então os dois, a gente falava português e espanhol em casa. Então não tem sotaque. Eu, cara, hoje em dia, como eu tô há mais tempo no Brasil, acho que eu me abrasileirei mais, tá?

Maurício Meirelles:Só que ele é o jornalista do Sport TV às avessas. Ele é argentino que torce pro Brasil.

Diego José:Não, eu torço pros dois, porque final Brasil-Argentina, cara, eu sou quem ganhar final.

Maurício Meirelles:Ele é o Mauro César, né? Argentina, que fala: torço pro Brasil, velho.

Diego José:Eu torço pros dois, eu sou meio amigo. Eu tenho 8 Copas do Mundo.

Voz D:8.

Maurício Meirelles:Eu vou explicar um negócio: Japão e China. Japão e China, quem tem o maior pau?

Voz G:Com certeza chinês.

Maurício Meirelles:Você entendeu a diferença? Ele não vai nunca falar que o Japão— e é o Japão, mas eu não sou japonês, ué.

Voz G:Ele é o Argentina e brasileiro ao mesmo tempo.

Voz D:Não existe isso.

Maurício Meirelles:Você seria Japão tá na final da Copa do Mundo, você torce pro Japão?

Voz G:Não, eu não torço.

Maurício Meirelles:Mas é Japão contra Brasil. Não, Japão contra, sei lá, contra Estados Unidos.

Voz G:Eu quero que se fode.

Maurício Meirelles:Ele quer um empate. Bom, vou entender agora o da Argélia, que é Mohammed. Mohammed é um nome comum na Argélia?

Mohamed Makhloufi:Sim, geralmente cada família tem um Mohammed. Como eu sou o filho mais velho da minha família, então me chamam Mohammed.

Maurício Meirelles:Mas toda família tem que ter um Mohammed?

Mohamed Makhloufi:A maioria, porque o profeta, né? É mesmo? É mesmo.

Maurício Meirelles:Caramba, você sabia disso, Batista?

Mohamed Makhloufi:Aqui eles chamam ele de Muhammad, mas o nome dele em árabe é Muhammad, mas aqui chama Muhammad.

Maurício Meirelles:E tem famílias que tem 4 Muhammad? Não. Não, é só um?

Mohamed Makhloufi:Geralmente é só um, o mais velho. No meu caso, eu sou o mais velho.

Voz D:Qual que é o significado de Muhammad?

Mohamed Makhloufi:Deus? Não, Deus não, profeta, né?

Diego José:Profeta Muhammad.

Mohamed Makhloufi:Porque Deus lá é o Allah, né?

Maurício Meirelles:Allah, verdade, verdade.

Mohamed Makhloufi:Aí depois Muhammad deu o nome.

Maurício Meirelles:É o Jesus católico seria...

Mohamed Makhloufi:É, mas lá não se considera como Tipo Deus, profeta só.

Maurício Meirelles:Profeta.

Voz D:E tem, eu vejo que tem não só Muhammad, tem outros nomes bem comuns também nos países árabes, né? Como além de Muhammad, qual que é o nome mais comum?

Mohamed Makhloufi:Tem Ahmed também, que é Ahmed, né, em árabe, aqui chama Ahmed. Tem muitos, mano.

Maurício Meirelles:E quanto tempo você tá aqui no Brasil?

Mohamed Makhloufi:5 anos.

Maurício Meirelles:Você veio por quê? O que que deu errado?

Mohamed Makhloufi:Porque eu decidi trocar do país por causa das minhas ideologias, as coisas que eu acredito.

Maurício Meirelles:Por que o Brasil e não Argentina?

Mohamed Makhloufi:Porque na época eu sabia um pouco sobre o Brasil, entendeu? Argentina eu nunca fui lá.

Diego José:Tá bom, pode falar que a economia tava uma merda, que é, eu vou, tá bom.

Mohamed Makhloufi:Eu começar a ter que conversar com argentinos, chilenos, mexicanos para melhorar, porque na época trabalhava numa empresa espanhola lá, então meu espanhol era melhor do que agora, né? E comecei a comunicar com outras pessoas. Na época comparava muito com vocês.

Maurício Meirelles:Sim. Só francês? Ou francês e árabe?

Mohamed Makhloufi:Não, a gente aprende francês e árabe ao mesmo tempo, mas na rua você fala o dialeto, que é o derja. Se você chega lá, por exemplo, falando francês e árabe na rua, ninguém vai te responder.

Maurício Meirelles:Olha, mas como é que é o dialeto? Por exemplo, como é que é "Oi, tudo bem?" em francês, "Oi, tudo bem?" no dialeto?

Mohamed Makhloufi:Então, vamos começar em árabe. Em árabe: "Marhaban, keifa halo, kalanta bikhaya?" Agora em derja argelina: "Sahaw, shtrak, lebes?" Totalmente diferente.

Maurício Meirelles:Quer dizer, a gente quando for viajar lá com Três Continentes, inclusive a gente não trouxe o Paul porque ele coloniza. É, você viaja, ele—

Mohamed Makhloufi:vocês vão sair na porrada. Não tem problema, ele tem que você.

Maurício Meirelles:A gente deixou o Paul lá na loja.

Voz D:Inclusive, a tua pergunta foi muito boa. Qual que é o país mais comum do árabe, principalmente argelino, viajar?

Mohamed Makhloufi:O Brasil, França, por causa da língua. Eu tenho dois irmãos que moram lá, um mora em Paris, outro em Lyon.

Voz D:O argentino tem fama de ter muito filho, como é que é isso?

Mohamed Makhloufi:Antigamente sim, mas hoje em dia, 1, 2, meus irmãos, um tem duas filhas e um tem um filho só.

Maurício Meirelles:Você falou de economia, né? Você falou de economia. Existe uma, agora é uma boa pergunta, existe uma grande questão sobre economia argentina. Eu não sei se economia tá boa, tá ruim, porque dependendo da revista que eu leio, o Millet salvou a Argentina ou Millet destruiu a Argentina. Se eu ler essa parte daqui da direita, Aí tá falando, ele salvou a economia, e daqui ele destruiu a economia. Afinal, qual que é a sua visão sobre o que que tá acontecendo na Argentina atualmente?

Diego José:Cara, a Argentina vive numa eterna crise desde o final da ditadura militar, praticamente. Então, mas lá aconteceu umas coisas muito parecidas com que aconteceram com o Brasil no final dos anos 90 e tal, só que assim piorado. E aqui pelo menos teve o Plano Real, cara. Lá na Argentina não teve Plano Real, então A inflação, eles tentaram pegar, fazer um milagre econômico, que nem aconteceu com o Brasil, né, num período. E, cara, isso aí, depois disso foi só ladeira abaixo, assim. Teve um pequeno período que tava 1 para 1. Aí, cara, você via a Argentina viajando a rodo para Miami, para Brasil, para Europa e tal, comprando um monte de coisa. E, cara, depois disso é só derrocada. E aí, cara, os políticos argentinos não conseguiram administrar. Teve, já entrou esquerda lá, já entrou direita. E, mas agora com Milei, cara, aí eu acho que tudo assim foi pro buraco mesmo, cara. Porque, por exemplo, não era normal lá. Eu não sou de Buenos Aires, mas eu costumo viajar para lá, e não era comum você ver pessoas na rua lá em Buenos Aires. Mendigo, você disse? Sim, na capital federal de Buenos Aires. Cara, agora é bem comum você ver. Na minha cidade, Posadas, que é uma capital, é a capital da província de Misiones, faz fronteira ali com Foz do Iguaçu, né? Dá para ir por lá. Também não era comum você ver pessoas na rua, cara, A última vez que eu fui lá, cara, no início, no final do ano passado, tinha gente assim com vestido, sabe, bem vestido, sabe aquela pessoa que acabou de tomar banho, casada assim, que você via que tinha uma classe média pelo menos. Não, não, classe média não, pessoas que têm casa, tem casa, conseguem tomar o banho. E cara, estavam procurando comida no lixo, ou seja, pessoas que têm casa. Isso já não era comum ver esse tipo de coisa, pobreza no nível de, cara, estamos tendo que parcelar o almoço, sabe, tá complicado lá. Argentina tá passando por isso?

Maurício Meirelles:Isso não. Mas o que é curioso que assim, óbvio que agora a galera tá se matando.

Mohamed Makhloufi:Mas eu ouvi também que vocês têm uma treta com Inglaterra por causa de uma ilha.

Diego José:Maldivas.

Maurício Meirelles:Malvinas. Maldivas é influencer. Ilha Malvinas que inclusive ela é conhecida como Ilhas Falkland pelo lado inglês e Malvinas pelo lado argentino.

Diego José:É que justamente o Maradona vingou a Argentina lá em 86 depois Foi justamente depois da guerra das Malvinas que a ditadura militar argentina tentou meio que fazer uma união ali pra tentar, sabe, perdurar um pouco mais ali no regime. Chamou uma guerra que, cara, tava claramente pra—

Maurício Meirelles:assim, não tinha como. E por isso que vocês odeiam os chilenos. Porque os chilenos— a rivalidade Brasil-Argentina, ela vem do Brasil. Porque eles odeiam os chilenos porque os chilenos, eles apoiaram a Inglaterra no ataque com Malvinas.

Voz D:Exatamente. Essa rivalidade aí do Brasil e Argentina é só no futebol, né?

Maurício Meirelles:Exato, mais ou menos. O Brasil que tem essa realidade, não é o brasileiro. O brasileiro odeia quando o argentino tá melhor economicamente do que a gente. Só que que aconteceu? Vou dar minha visão. Recentemente, com Milei ou sem Milei, o rico argentino ficou mais rico, e esse cara ele consegue ir para Floripa e tal. Então, para a gente é muito triste a gente chegar num bar e o argentino tá com dinheiro e o brasileiro não tá e tudo. Há um tempo atrás, o argentino tava muito na merda, todos, todos estavam fodidos. De repente, o rico argentino começou a ganhar muito dinheiro. Aí você vai lá na Riboc, os cara compra tudo, porque aqui a mão de obra ou o valor das coisas tá mais barato pro argentino rico. Mas o argentino pobre tá se ferrando. Eu fui pra Libertadores, na final da competição era Botafogo e Atlético Mineiro, foi lá em Buenos Aires. Eu fiquei muito assustado que eu pedi um café e uma Num bolo assim deu R$120 assim, porque eles tiraram todas as ajudas do governo, botaram o preço real das coisas, ficou muito caro. Só que aí quem é rico ganhou mais dinheiro com isso, foi o que eu entendi, certo?

Diego José:Olha, vou te falar que na verdade quem tá indo para o Brasil são os ricos que perderam poder de compra e estão virando meio classe média alta, e tem poder de compra aqui, e também a classe média baixa que perdeu o poder de compra e tá mais acessível você fazer uma viagem para o Brasil para comprar roupa do que você comprar roupa na Argentina. Então, por exemplo, é mais vantajoso você juntar a galera num carro, um carro popular, para ir de Buenos Aires até Foz do Iguaçu, ir no shopping em Foz e, cara, juntar um dinheiro, 6 meses, vai com todo mundo lá, ó, faz a festa lá, compra tudo. Porque, cara, eu tinha visto um amigo, na verdade um amigo meu, ele tem conhecido lá, né, que é sueco. O cara veio para Argentina, falou: pô, comprar roupa, pô, tem Zara aqui?

Voz D:Tem.

Diego José:Aí o cara levou ele na Zara e falou: caraca, isso, a Zara daqui consegue ser mais cara, tipo, muito mais cara do que a Zara na Europa. E eu tava vendo que tem um imposto, talvez não, também tem a questão do imposto, mas até eu não sei se tem um imposto específico, tá? E eu tô também dizendo sem saber ao certo. Mas fazer fábrica stays na Argentina é muito caro. E aí quando vem de fora, supostamente tem um preço até competitivo com as marcas nacionais. Isso aí já quebra a indústria. E aí o que que o Millet fez? Deu ainda mais, concedeu menos impostos, entendeu? Então o que acontece, a indústria argentina de roupa tá muito mal e as roupas que tem lá são muito caras. Então vale muito mais a pena você pegar um carro e ir até Brasil fazer a festa.

Maurício Meirelles:Os seus parentes, eles estão passando por qual momento de economia lá na Argentina?

Diego José:Cara, tão passando por um momento assim de tudo caro, tenta segurar o máximo possível assim, viver na austeridade total, porque não se sabe como que vai ser nos próximos anos.

Mohamed Makhloufi:Ô Diego, desculpa, lá por exemplo, se eu amanhã quero visitar a Argentina, quais são as melhores cidades lá para visitar?

Diego José:Cara, Buenos Aires é uma cidade maravilhosa, apesar do importante. Se você vai lá, você fica assim maravilhado.

Voz D:Mas daí é barato, pelo menos comparando a outra cidade.

Diego José:Esse é o ponto, tava barato quando, antes do Millet. Quando Millet entrou, ele, antes tinha o câmbio blue. Você deve ter chegado a algum de vocês, não sei se vocês chegaram a viajar.

Maurício Meirelles:É o câmbio negro, né?

Diego José:Que eles chamam de dólar blue. Na verdade, existe uma porrada, existe uma porrada de câmbios paralelos. Já tinha o dólar blue, dólar turismo, dólar convencional, dólar não sei o quê, cara, era uma loucura. Mas para os brasileiros é uma festa, porque você pegava esse câmbio blue, que para o— se você tinha real e fazia essa, esse câmbio, cara, essa conversão ficava tipo, você, um real valia como se fosse três. E aí para o brasileiro, cara, tava maravilhoso, que se você chegava lá, você era rei, você comprava Buenos Aires. E cara, você ia tipo restaurante estrela Michelin, pô, sem conta. Você tá de brincadeira?

Maurício Meirelles:Era uma loucura, né? Eu falei da Argentina, aproveitei lá, velho.

Mohamed Makhloufi:Mas aí, o que acontece, apesar disso, ainda é um destino muito bonito, muito comum. Para trabalhar é igual aqui, todo mundo vai para São Paulo.

Diego José:São Paulo, Buenos Aires é tudo. Exato. Lá, para você ter uma ideia, muito comum ter venezuelanos e colombianos trabalhando de atendente. Geralmente não são argentinos.

Maurício Meirelles:O argentino vai para onde? Brasil.

Diego José:Inclusive, em Foz do Iguaçu, eu tinha visto um jornal falando que o pessoal lá em Porto Iguaçu, que fica na minha província, é fronteira com Foz, né, o lado Argentina, primeira cidade depois de você cruzar a Foz do Iguaçu. Lá tava tendo uma, não é uma migração exatamente, mas é uma espécie de, não chamaria de êxodo, mas o pessoal tá indo para Foz, trabalha em Foz e aí volta para Argentina. É como se a Argentina fosse uma cidade dormitório para que os próprios argentinos vão lá viver a vida e só voltam para Argentina para ver os parentes, tomar um mate, dormir, entendeu?

Voz D:E é isso aí.

Voz G:Eu quero fazer uma pergunta para você, ó. É assim, tipo, você acha que hoje em dia, tipo, faz sentido de pessoa ir lá na Argentina para investir, ou você acha que não?

Maurício Meirelles:Cara, o chinês de dinheiro, ele quer botar galpão.

Mohamed Makhloufi:Eu acabei de falar para ele lá fora que tem muito chinês lá na Argentina.

Maurício Meirelles:Qualquer lugar é o mesmo. Não, porque lá, cara, só que ele tá em todo lugar. Por que que eu falo isso?

Voz G:Porque Lá acredito que com essa infração vale muito emprego. Ah lá, tá se aproveitando, é verdade. E assim, eu tenho os meus primos que trabalham lá de supermercado. Cada país, o chinês ele trabalha uma profissão. Aqui todo mundo vende bijuteria, lá todo mundo abre o mercado. Todo chinês abre o mercado, tem mercado grande, pequeno, médio, todo tipo é mercado, certo?

Diego José:E é o melhor mercado, inclusive, é o mais barato. Do chinês é o mais barato.

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Diego José:É tipo lá no Rio também, que pô, o pessoal fica falando lá do pastel carne de cachorro.

Maurício Meirelles:É, até na gente, ele já explicou, é barato.

Voz G:Importante é ter um acesso público, né? Qualidade é segunda coisa. Mas pensa bem, pensa bem, se você tá morrendo de fome, primeira coisa você tem que matar.

Maurício Meirelles:Esse chinês é um filho da puta, velho. Esse chinês é um urubu, mano. Ele tá só esperando, ah, começou a dar merda, comer cachorro.

Voz D:Cuidado.

Maurício Meirelles:Como é que é a economia da Argélia? Tá bem? Tá bacana? Tá legal? Porque vocês são ali a— vocês são a África do Norte, né?

Mohamed Makhloufi:Lá a economia é petróleo, baseado no petróleo e o gás, entendeu?

Maurício Meirelles:É meio Angola.

Mohamed Makhloufi:Não, inclusive acho que é a mesma economia, só que lá, tipo, igual eu perguntei para ele quais são as cidades melhores para trabalhar lá, É melhor trabalhar no sul da Argélia, onde tem o deserto, o Sahara, porque lá onde sai o petróleo da Argélia você arruma emprego fácil lá e ganha mais. Agora tem pessoas que preferem migrar para França para ganhar em euro, né?

Maurício Meirelles:E qual que é, rapidinho, qual que é a rivalidade deles?

Diego José:É Chile.

Maurício Meirelles:No futebol a gente já fala que é Brasil, mas eu também ainda considero que no futebol é Chile também, porque para o Chile, para vocês, é uma coisa de guerra, certo? E qual para vocês, qual que é a rivalidade?

Voz B:Marrocos.

Maurício Meirelles:Marrocos. Porque é o melhor da África do Norte?

Mohamed Makhloufi:Não, porque eles não se dão bem desde a independência da Argélia. Teve uma guerra de 2 meses.

Maurício Meirelles:Mais que com o Egito? Achei que Argélia e Egito era problemático.

Mohamed Makhloufi:Não, com o Egito também, mas por causa da Copa do Mundo de 2009. Mas tinha uma treta tipo eterna com Marrocos e Argélia por causa de uma guerra que aconteceu depois da independência da Argélia. A França deixou um território e o Marrocos queria duas cidades de lá. Invadiu, Argélia reagiu, começou uma guerra.

Maurício Meirelles:Meio Ucrânia e Rússia.

Mohamed Makhloufi:Meio Ucrânia e Rússia, mas tipo, essa treta ficou até hoje, sabe? Hoje a fronteira para os marroquinos na Argélia é fechada.

Diego José:A França é fechada?

Mohamed Makhloufi:Não, para os marroquinos não podem entrar para a Argélia.

Maurício Meirelles:Não podem entrar?

Mohamed Makhloufi:Não, fechada.

Maurício Meirelles:Marroquino não pode? Tem tipo um Muro de Berlim ali? É, tipo... Como é que é fechada?

Voz I:Tem exército, né?

Mohamed Makhloufi:Lá, se tem uma família no Marrocos, que eles têm que se encontrar em outro país, né? Caralho! Ou, por exemplo, eles fazem um voo, por exemplo, vão para Tunísia, de Tunísia entra para Argélia, entendeu?

Voz D:Isso tem quantos anos que tá assim?

Mohamed Makhloufi:Não, a Argélia teve a independência dela em 1962, então faz tempo.

Maurício Meirelles:Desde esse período, que é meio igual período ali da Israel, ali também.

Voz D:Eu queria perguntar porque nós já entrevistamos um egípcio e eu percebi que se tem essa imagem um pouco sobre— vocês se consideram africanos?

Mohamed Makhloufi:Eu me considero africano, sim, mas a maioria lá do pessoal na Argélia, eles falam que a gente é árabe, entendeu? Eles não falam que é África, não falam que é, porque quando eu faço, fala para mim, pessoal, eu sou árabe, eles falam, ah, mas você na África, como que é? Mas tem 22 países árabes, árabes, entendeu? Não só um país, começa pelo Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito e vai para lá.

Maurício Meirelles:Entendi.

Voz D:Mas vocês têm a ideia de conhecer outros países africanos?

Mohamed Makhloufi:Eu me considero mais africano do que árabe, mano, porque quando eu falo com minha mãe, eu falo com dialeto africano, que nasceu lá. Eu não falo para ela: "Oh, ma kaipa, hai, xau, nhe." Ela vai estranhar, falar: "O que é isso?" E qual é a comida típica de vocês? Puta, mano, caralho! Não, tá em Angola ainda, hein? Lá a comida, tipo, a mais famosa é shakshouka, mano. É uma massa com caldo de frango, tomate. Não é a funja, mas eu acho a comida argelina muito mais gostosa do que a comida brasileira, mano.

Maurício Meirelles:Caralho, polêmica agora! Agora entrou uma polêmica!

Mohamed Makhloufi:Que isso, falta da comida de lá, mano.

Maurício Meirelles:Pera aí, mas vamos lá, comida argelina ela é muito francesa assim? Não, não tem nada a ver. Vocês pegaram árabe praticamente?

Mohamed Makhloufi:Não, é comida de lá mesmo.

Maurício Meirelles:E ela é diferente da comida egípcia, que é diferente da comida marroquina?

Mohamed Makhloufi:Toda cidade tipo tem um prato específico daquela cidade. Eu sou de uma cidade que chama Biskra, fica atrás das montanhas Atlas, lá em Argélia.

Maurício Meirelles:Argélia, verdade.

Mohamed Makhloufi:E cuscuz existe no país inteiro, né?

Maurício Meirelles:Mas você tem a comida específica de você. Vale a pena um dia fazer um argélia. Tem comida argelina aqui em São Paulo?

Mohamed Makhloufi:Não achei aqui, só sírio-libanês, mano.

Maurício Meirelles:E totalmente diferente?

Mohamed Makhloufi:Totalmente diferente. Até a língua é diferente. Quando eu encontro um sírio, eu tenho que falar com aquele árabe que aprendi na escola, porque se eu falo aquele que fala na aula não vai entender nada.

Maurício Meirelles:Porque a gente é a maior comunidade libanesa do mundo, né? Tem mais libanês em São Paulo, quer dizer, no Brasil, do que no Líbano.

Voz H:Você faz parte, né?

Maurício Meirelles:Eu faço parte, eu faço parte de tudo, eu descobri que eu sou tudo. Eu fui fazendo agora de DNA.

Mohamed Makhloufi:Tem muito pouco argelino, né?

Maurício Meirelles:Tem, tem muito pouco. Então é difícil a gente encontrar.

Mohamed Makhloufi:Porque a maioria eles vão pra França.

Voz H:Esse é o shakshouka?

Mohamed Makhloufi:Shakshouka tem, a minha mãe faz e eu gosto muito.

Voz D:É apimentado?

Mohamed Makhloufi:Mas coloca a gado lá da cala.

Maurício Meirelles:Shakshouka.

Mohamed Makhloufi:Vamos falar sobre comida.

Voz D:Eu queria também perguntar, começamos, vamos continuar.

Mohamed Makhloufi:O argentino, churrasco.

Diego José:O argentino, cara, o churrasco ele é, ele é pouco diferente. Eu acho que alguns cortes, exatamente. Para você, cara, o melhor, bom, é o bife de chouriço. É porque o assado, então assado é o churrasco, é a mesma coisa.

Voz G:Vocês comem muito aquele assado de tira, não é?

Diego José:A costelinha, sabe? Sim, sim, a costela. Mas sabe o que mais sai, cara? Geralmente é o que a gente chama de vacio. Pô, esqueci em português qual o nome. Mas não é, por exemplo, picanha, que come muito picanha. Lá a gente come muito entrânia, que é o diafragma do boi. Eu não sei se tem o nome aqui.

Voz G:Mas lá não tem cupim?

Diego José:Acho que aqui não come diafragma.

Maurício Meirelles:Acho que não come nada.

Voz G:Aqui não tem cupim, né? O pessoal não come cupim.

Diego José:Então lá acho que não. Lá não. Ou, pera aí, o vacilo é cupim?

Maurício Meirelles:É fraudinha, isso é a mesma carne.

Diego José:Aí é exatamente isso, não se consome nem coração de frango.

Maurício Meirelles:E por que que vocês, mas vocês comem, vocês comem chinchulim? Então, então a coisa que eu odeio, que é morsilha.

Diego José:Mas aí é morsilha, é como é aquele chouriço brasileiro, né? A gente chama de morsilha, de boi coagulado.

Maurício Meirelles:Vocês comem muito miúdos lá, né?

Diego José:Sim, mas vou te falar, não criança, que miúdos para Angola é— ah, obrigado.

Maurício Meirelles:A parte ali de moela, vocês comem muito isso, né?

Diego José:Isso, mas a parte de vísceras, né?

Mohamed Makhloufi:Vísceras.

Diego José:Só que eu, por exemplo, no meu gosto, eu não curto tanto, cara. Eu prefiro o diafragma, que a gente chama lá de entraña, o ojo de bife, o bife de chouriço. Ojo de bife é o filé mignon, bife de chouriço é contra filé, assim, diferente, parecido. E o ancho também, é o ancho que geralmente a gente faz. Mas, por exemplo, sobre a parte das vísceras, uma coisa que eu odeio, cara, que quase sempre tem lá quando você pede uma parrilla argentina, porque muita gente vai pela primeira vez, que é bom, bom, fazer, eu quero a original.

Maurício Meirelles:Ele queria pedir um assado, mas ele pede uma parrilla.

Diego José:Isso, ele pede uma parrilla, não assado, tipo, quero aquelas carnes mais nobres e tal. Então vem tudo, inclusive as vísceras. E aí, cara, eles comem lá muito o Rinhon. Rinhon é rins, cara.

Maurício Meirelles:Cara, aquilo, sei lá, cheiro, cheiro. Primeira vez que eu fui para Argentina, eu falei, ah, vou comer uma parrilla. Achei que ia vir, porra, ojo de bife. Viu porra nenhuma, o saco do boi, o olho da cabra. Fiquem atentos aqui, ó. Vamos para o desafio já? Como é que a gente vai fazer?

Voz D:Eu queria saber por que que ele O que que te faz escolher muita comida argelina? O que que é de melhor?

Mohamed Makhloufi:Porque é mais saborosa, sabe? Talvez porque tem tempero. Comida da minha mãe também.

Voz D:Acho que é mais profissional mesmo.

Mohamed Makhloufi:Acho que pessoal, não é uma coisa... Ah, é pessoal.

Voz G:É pessoal, não é uma coisa que a gente...

Diego José:O que eu queria saber também é se já teve... Você comentou que tem esse problema entre Argélia e Marrocos, certo? Já como que faz então, por exemplo, nas eliminatórias?

Mohamed Makhloufi:Geralmente, até agora, eu acho que Marrocos ganhou mais do que Argélia. Ela chegou até o terceiro lugar.

Diego José:É por isso. Mas não deu algum tipo de problema a seleção?

Mohamed Makhloufi:Acho que entre o povo não tem esse problema, sabe? Por exemplo, você veja o marroquino, pelo contrário, dar um abraço, oi, tudo bem, porque ele fala o mesmo dialeto que eu falo. Então, vai comunicar com ele, vai ser muito fácil para mim. Para mim, ao contrário dos outros árabes, ele vai falar outra, tipo aquela língua oficial mesmo.

Diego José:Então é algo mais institucional, né? Sim, sim. Mas entre os povos não tem essa hostilidade?

Mohamed Makhloufi:Não, não, não. Eu tenho muitos primos casados com marroquinos lá na França.

Maurício Meirelles:Não é igual o palestino e Israel?

Mohamed Makhloufi:Isso, não é igual, não.

Maurício Meirelles:É uma coisa mais visceral.

Voz D:Qual país argentino tem mais afinidade aqui na América Latina?

Maurício Meirelles:Acho que é o brasileiro, né?

Voz H:Não.

Diego José:Vou te falar, geralmente é uruguai e brasileiro, por incrível que pareça. Por quê? Porque o argentino na América Latina é visto como aquele cara que é a pessoa que se acha. O argentino é o paulistano médio da América Latina.

Maurício Meirelles:Eu trouxe um argentino aqui para Xizos, curiosamente ele foi meu diretor no CQC, que o CQC ele é argentino. Todos os meus diretores, eu trabalhei com diretor. E a pior coisa que tem, o seu chefe ser argentino, que o cara que é estagiário já se acha, imagina o chefe, né? Então assim, e ele me ensinou uma coisa de futebol aqui, que a gente vai entrar no assunto de futebol, que mexeu muito com a minha cabeça. Tem muita coisa do racismo do argentino que falam, né? E aí ele me explicou um negócio que ele falou assim: essa coisa de chamar o cara de macaco não tá no— calma, é perigoso onde eu vou chegar, mas vocês vão entender.

Voz D:Eu já cancelaria, já dá para escrever no Twitter.

Maurício Meirelles:Porque não é sobre, pelo que ele me explicou, não é sobre a cor, mas é sobre brasileiros, né? Brasileiro em geral é visto como macaco, e porque a gente é muito expansivo, a gente fala muito. Tem a ver esse sentido ou ele tentou dar uma passada de pano?

Diego José:Cara, vamos lá, vamos lá. Esse, eu acho inclusive muito interessante você ter feito essa pergunta uma pergunta, porque muita gente fica com essa dúvida de, cara, pô, por que que sempre que o argentino aparece no futebol, ele aparece, pô, por causa dos gestos racistas e tudo mais? E a gente até vê não só no futebol, mas, pô, ultimamente tem tido alguns casos famosos na mídia que aconteceram, por exemplo, no Rio de Janeiro e tal. Mas o que que acontece? Vamos lá, em primeiro lugar, o argentino é como se ele teve menos consciência social do que o brasileiro, nesse sentido de preconceito, especialmente negro lá, né?

Mohamed Makhloufi:Então, até tem um jogador negro nessa relação.

Voz D:Essa pergunta: vale a pena ser negro na Argentina?

Maurício Meirelles:Cara, não, essa é a pergunta, pergunta aqui, porque tem gente tentando ser negro aqui, tá falando: será que eu continuo?

Diego José:Vou te falar, lá, se você é negro, eles vão vão querer saber se você é o negro que vai lá, por exemplo, senegalês. Tem muito senegalês lá, sim, sim, sim. Não sei se angolanos, mas tem também, tem angolanos também, né, que geralmente vendem relógio, vendem prata, as coisas assim na rua. E tem o negro brasileiro também que vai muito. E, cara, claro, quando tem um negro brasileiro, tem a questão de classe social também, que o cara tem dinheiro para gastar. Então, inclusive, muita gente que vai lá, inclusive meu avô, meu avô é negro, minha mãe Eu também, cara. Sim, sério, porque meu pai é argentino, pô. Aí, o que acontece? Eles nunca falaram para mim: Diego, nunca senti que sofri racismo na Argentina. A gente vê realmente eles usando palavras tipo isso, macaco e tal.

Voz D:É que eu falo isso porque já ouvi Argentina, quando ganhou acho que a Copa, polemizou um cântico que fala: nossa, vamos para Angola! Começam a citar. E aquilo era na seleção E aí eu me pergunto, tipo, se aquilo é dos jogadores que representam o país, como é que é a sociedade então?

Diego José:Sabe o que acontece? O futebol, a gente tem que lembrar que é um lugar onde aparecem, afloram aqueles lados, aquele pior lado da sociedade, cara. Infelizmente, porque ali tá todo mundo assim xingando, você vê criança xingando e caramba.

Maurício Meirelles:E vocês são muito mais passionais do que brasileiros, eu acredito.

Diego José:Sim, mas isso também não justifica. O que que acontece? É como se os argentinos fossem os brasileiros dos anos 70, tá bom? Onde era liberado você falar: ah, você é racista e tal, homofóbico, é tranquilo. Só que que acontece? Isso vem mudando nos últimos anos, porque antes é assim, digamos, no século passado assim, anos 90, 80, ainda era bem normalizado esse tipo de preconceito. Cada vez mais a gente vê principalmente jovens argentinos não aceitando isso, entendeu? Criticando muito. E antes isso não acontecia. Inclusive a imprensa imprensa ficava, falava isso, não, não é por causa do racismo, é que o brasileiro é muito expansivo e tal. Então tem essa questão, vamos lá, são duas questões. A questão do racismo, primeiro essa falta de conscientização social, como você comentou, né, é como tem poucos negros também, isso não é uma pauta que geralmente é falada, por exemplo, na escola. O que sim é falado bastante, hoje em dia mais ainda, é questão dos indígenas. Tem até alguns movimentos na Argentina que falam sobre isso, identidade marrons, que é, eles chamam de marrons, que seria a mistura, grosso modo, a mistura entre a pessoa da Europa com indígena, que é o Tevez, Maradona, que são geralmente pessoas mais pobres da Argentina. Então você vê que dentro desse negrão de lá é o indígena. Exatamente. Inclusive até os indígenas, de maneira racista, são chamados de negros muitas vezes. Não por todos, mas eu tô te falando essa parcela preconceituosa e que geralmente, como tá no estádio tal, vai lá e aflora isso. Porque lembrando que o futebol é um reflexo também da sociedade. Mas é isso, ponto número 1. Ponto número 2, cara, aí é que o argentino identificou uma coisa que o brasileiro fica puto.

Maurício Meirelles:E aí é como se ele falou isso, o Diego falou isso, ele falou, irmão, é tipo assim, você brasileiro tá sacaneando a gente no futebol, que, ah, vocês estão sem dinheiro, 5 A resposta é uma bazuca na tua cara. Você fica puto com coisa de racismo, foda-se.

Diego José:É isso que ele falou.

Maurício Meirelles:Então, por exemplo, pegar no cara, exato.

Diego José:Aí não tem a ver, exatamente, porque eles fazem isso. Não importa se você é branco, negro, amarelo, azul, verde, eles vão fazer. Quem quer, obviamente, quem não tem essa preocupação social e quem tá cagando para isso, vai, vai fazer quase como infantilidade, né? Tipo assim, vamos dizer, você se ofende Porque, sei lá, quando você era criança te chamavam de lâmpada. Aí eu vou e falo: "Ah, lâmpada." Tipo assim, você vai falar: "A gente tem 5." Eu falo: "Ah, essa é o lâmpada." Aí você: "Ih, ih, ih." "Ah, quem tá brilhando aí, ô lâmpada?" "Lâmpada, lâmpada, outra brilhando." E aí você fica puto, entendeu? E aí é como se você pega... Sabe aquela pessoa que pega a pilha? Pegou pilha, acabou.

Maurício Meirelles:É, porque você não entende. Porque o brasileiro, ele tá sacaneando ali numa coisa mais sarcástica, e você tá perdendo de 2 a 0, você vai pro lugar assim: "Cara, já vou começar. Isso a mãe que é uma puta." Isso.

Diego José:Aí ele fala: "Ah, foda-se." Vamos dizer assim, o brasileiro, vamos dizer, a gente não tá ganhando. Irritando. Ah, você não sei o quê. O contrário, né, na verdade. O brasileiro tá ganhando, tá zoando o argentino. Ah, tá 4 a 0 para o Brasil, Copa do Mundo semifinal, 4 a 0 para o Brasil. Ah lá, os argentinos fodidos, não sei o quê. Ah lá, estamos ganhando, tal. Os caras tão puta aí, pô. Vamos ver, o cara que é assim, é preconceituoso, vai pensar o quê, cara? Como que eu posso irritar esse maluco? Ah, ele fica puto por causa do macaco, e aí vai fazer o gesto racista, e aí o brasileiro vai ficar puto, e aí ele vai: ah, é? Então você é muito mesmo, entendeu? Só para irritar o brasileiro.

Voz D:Caralho, isso não é só no futebol. Eu tenho um jogado, jogos online. E sempre que eles veem que o servidor é brasileiro, mesmo se não tiver nenhuma cara, é servidor brasileiro, e eles já começam a insultar assim, a insultar.

Maurício Meirelles:Isso é por conta de competitividade, para machucar o cara.

Diego José:Exatamente. Então não importa se você é branco, negro, qualquer, você pode ser de qualquer etnia, cara, eles vão te chamar disso só para te irritar. Só que não interessa, né? Continua sendo um crime. E inclusive na Argentina também era, era Até tinha um órgão, acho que chamava INADI, que o Millet quando entrou ele dissolveu isso aí, ele dissolveu esse órgão que ia ser questão de—

Maurício Meirelles:Por isso que o Batista tá sendo xingado.

Mohamed Makhloufi:Exatamente.

Voz G:Falando nisso, eu quero perguntar para vocês, qual é o preconceito que vocês têm com chinês lá na Argentina? Porque aqui no Brasil eles falam chinês é arrogante, eles não gostam de dar garantia, essas coisas assim.

Maurício Meirelles:E na Argélia também, qual que é o preconceito que tem lá com chinês, tem algum?

Mohamed Makhloufi:Ah, eles acham que todo mundo come cachorro.

Voz A:É mesmo? Tem o mesmo preconceito?

Maurício Meirelles:É a mesma coisa que no Brasil, né?

Diego José:Exatamente. Que doido!

Maurício Meirelles:E como é que é com francês? Por exemplo, a gente tem uma questão com português que a gente sacaneia.

Voz D:Vocês têm ranço do francês?

Mohamed Makhloufi:Não tenho não. Acho que tenho dois irmãos que moram lá, então é de boa.

Voz D:Mas o argelino em si tem?

Mohamed Makhloufi:Não, mas o, por exemplo, quando você olha na mídia oficial da Argélia, sempre tem uma treta lá com França, xingamento, xingamento não, mas coisa, ah, eles fizeram isso, fizeram aquilo, mandaram um milhão e meio da Meninos, mas essa coisa do passado deveriam esquecer.

Maurício Meirelles:Vamos começar a competição. Queria saber, antes de mostrar os propagandas, eu tenho aqui uma lista que foi feita. Eu quero entender e vocês vão ser sinceros. Qual país tem um povo mais bonito, Argentina ou Argélia?

Mohamed Makhloufi:Mulheres, não sei, porque todas usam aquela roupa.

Maurício Meirelles:1 a 0 Argentina. Já temos aqui 0 a 0. Vocês consideram as mulheres argentinas bonitas? Você fala assim, pô, Maurição, Brasil é mais foda.

Diego José:Argelinas?

Maurício Meirelles:Não, Argentina contra Argentina. Eu não quero saber se você considera.

Mohamed Makhloufi:Ele não sabe, nem sabia que existia um país que chama Argélia. E a maioria aqui, quando eu falo, ou sou argelino, argentino, mas as mulheres argentinas, vocês consideram as mulheres argentinas bonitas?

Maurício Meirelles:Vocês acham as mulheres de feias? Não, bonitas. E as brasileiras, os argentinos gostam das mulheres brasileiras ou não acham tão legais, cara? Porque elas não têm um padrão tão europeu como as argentinas, cara.

Diego José:Na verdade, o brasileiro— isso até é um dado estatístico— geralmente a maioria dos argentinos homens casam com brasileiras, com brasileiras, e tem menos argentinas. Não, pera aí, é isso, é o contrário. A mulher argentina geralmente não casa com brasileiro, mas o homem Argentinos geralmente casam com mulheres brasileiras.

Mohamed Makhloufi:Eu tenho uma amiga também que tem uma filha que foi estudar lá medicina e lá casou com um argentino. Eles tiveram um filho faz 2, 3 meses aqui no Brasil.

Maurício Meirelles:Mas por que a mulher argentina não gosta de um homem brasileiro?

Diego José:Cara, eu vou te falar, para assim, o brasileiro, a brasileira tem uma certa mística quando tá lá na Argentina, sabe? É tipo, ah, brasileiro tem uma malemolência, tem alguma coisa, tem um molho brasileiro. Só que eu sinto que o homem brasileiro brasileiro, quando ele vê a mulher argentina, ele acha ela bonita, mas é bonita só, bonita geralmente de rosto. Isso, falta um molho. E o contrário do homem argentino quando vê a brasileira, que ele fala: cara, que mulher linda! Por quê? Porque na Argentina você vê que as mulheres são assim, tem um certo padrão, até na roupa, geralmente vestem muito preto, é diferente, é todo mundo loura, branca. Lá na Argentina, quando você vai no Brasil, você vê uma diversidade de cores.

Mohamed Makhloufi:Vocês têm a parada gay, por exemplo, Templo, essas coisas.

Diego José:Não, então lá também tem parada gay e tudo mais. E hoje em dia, inclusive, Buenos Aires é um lugar assim gay friendly gigantesco. Antes já foi um lugar muito preconceituoso. A Argentina é um país muito conservador, com o tempo virou mais.

Mohamed Makhloufi:Esquece, esquece. Eu quero perguntar uma coisa, tipo, na China também é proibido tipo parada gay, essas coisas?

Maurício Meirelles:É proibido.

Voz H:Tem gay na China?

Voz G:Eu que saiba não.

Maurício Meirelles:Olha o que estão me mandando no Instagram. Manda pro Paulo, mostra pro Paulo.

Voz G:Eu também não entendi uma coisa, tipo assim, o pessoal da Argentina é muito parecido com brasileiros, tipo, para mim eu acho que não tem muita diferença, tipo, até porque Argentina também é um país que tem bastante culturas, tem negras, tem brancas, tem, será, asiática, tem uma indígenas, né, que faz uma mistura.

Voz D:Eu acho que o Brasil é mais miscigenado, é tipo semelhante.

Voz G:Diferente, tipo assim, eu acho que a única diferença.

Mohamed Makhloufi:Mas lá é crime ser gay, por exemplo? Na Argélia é crime, você vai preso.

Voz G:Não, mas eu tô falando da Argentina.

Diego José:Ah, tá. Argentina.

Voz G:Você não acha? Você não acha que é muito semelhante?

Diego José:Porque eu quero entender de uma mulher.

Voz G:Homem e mulher, tanto homem. Um brasileiro gosta de Argentina, será que ele gostou por conta da cultura dela? Tipo, eu acho que não tem diferença essa questão, que aparência é semelhante, mas é que aqui não precisa dizer nada, não é, não é diferente.

Maurício Meirelles:Eu vou te falar diferente, tem um padrão europeu nas mulheres argentinas e no Brasil tem um padrão mundial.

Diego José:Exatamente.

Voz G:Aqui mais latina ou lá mais aqui?

Diego José:Aqui você vê mais esse padrão latino-americano, em sentido de mistura mesmo. Exatamente.

Maurício Meirelles:A Argentina não é visto como latina, embora fale a língua Embora fale espanhol, que faz parte da cultura latina, eu acho que a gente é mais latino de hábitos e diversidade do que argentino, não, cara. Na verdade, não, se bem que não, você tem a música também que é meio latina.

Diego José:Na verdade, a Argentina, cara, o mal da Argentina são os portentos, cara. Porque o que acontece, a visão que as pessoas têm da Argentina, lá em Buenos Aires é muito comum, não é que nem o samba. Por exemplo, o tango não é que nem o samba, é algo mais de nicho assim de Buenos Aires. Mas é esse que é o problema, as pessoas veem a Argentina como se fosse o Buenos Aires. Exato. E aí que acontece, aí você pensa, pô, o pessoal lá costumam dizer, até os jornais, né, a Paris da América Latina. E aí que que acho, pô, então se os caras estão falando que são a Paris, então eles são europeus. E tem muita gente que se acha, sabe aquele cara que tem assim, ah, tem um nono, tem a nona, não sei o quê, às vezes é o bisavô, tataravô, mas o cara acha que é italiano. Italiano, tá? Lá também acontece isso em Buenos Aires. Só que quando você sai ali de Buenos Aires, você começa a ver uma cultura assim diversa e riquíssima. Inclusive, esse lugar que eu comentei por uma marca, que é lá em Jujuy, cara, esse lugar é maravilhoso. Tem aqui um lugar que chamado também ali nessa mesma perto, próximo, chamado Cerro de los Siete Colores, que ali nos Andes, cara, várias cores. Lá tem vários povos indígenas, várias comunidades assim que são riquíssimas em questão de cultura e que não são brancos. São, são culturas assim que já temos com a Argentina.

Maurício Meirelles:Só fazer aqui rápido, senão a gente vai perder tempo. Vou tentar fazer assim mais rápido possível para a gente bater aqui. Vamos lá, então, povo mais bonito, eu vou botar Argentina porque ele não conhece tanto o povo.

Mohamed Makhloufi:As mulheres são, né?

Maurício Meirelles:Qual é mais escandaloso, você acha?

Mohamed Makhloufi:Acho que os argentinos, né? É calmo, é que se você mexe com ele, vai na porrada.

Maurício Meirelles:E aí, qual país flerta mais?

Mohamed Makhloufi:Flerta tipo mulheres lá? E você não pode flertar mulher, porque você tá mexendo com a honra da família dela, né?

Maurício Meirelles:É mesmo?

Mohamed Makhloufi:Mas ela fica solteira? Não, mas lá o casamento geralmente é arranjado, né? Meus pais, por exemplo, são meus primos.

Maurício Meirelles:Não deixa.

Mohamed Makhloufi:Pera aí, velho, agora meus primos são os mesmos dos dois lados.

Maurício Meirelles:Mas você é casado ou você é solteiro?

Mohamed Makhloufi:Não, agora tô morando com uma menina que é brasileira.

Maurício Meirelles:Brasileira?

Mohamed Makhloufi:Sim.

Maurício Meirelles:Tá, você mudou todo o padrão. Sua mãe ficou brava? Sua mãe queria que você casasse com o pai?

Mohamed Makhloufi:Minha mãe de boa, agora minhas primas acho que ficaram bravas.

Voz D:Você ia casar com uma Só para mim saber, é visto como algo normal esse tipo de lógica?

Mohamed Makhloufi:Sim, lá é muito normal casar com prima.

Voz D:Quem revida? Quem olha e fala não, isso não é?

Mohamed Makhloufi:Você falar porque normal, geralmente na época dos meus pais, porque lá você não pode, por exemplo, ir na mulher, ó, gostei de você, eu queria casar comigo. Você vai falar com a família dela, geralmente com a sua mãe. Mãe, gostei daquela menina, tipo, vai na família dela falar. Na época dos meus pais acontecia assim: o pai, por exemplo, meu pai falou para mãe dele, que minha avó, quero casar. As primeiras meninas que ela conhece, que são as primas, as sobrinhas dela, entendeu?

Voz D:Se você gosta de uma menina na festa, no bar, não tem como gostar de tudo.

Mohamed Makhloufi:Não tem bar lá, não tem bar, 4 a 0 para a gente.

Diego José:Tipo, por exemplo, quando vai casar, né? "Mãe, gostei daquela menina." Mas como você sabe se gosta dela ou não? É só a voz? Porque você não tá vendo ela.

Maurício Meirelles:É um "the voice." Tem que fazer um "the voice" da velha.

Diego José:"Gostei da voz, o tom de voz da velha." Vou contar uma história bem engraçada, mano.

Mohamed Makhloufi:Quando eu tinha 19 anos, eu tinha um carro. Meu pai comprou um carro pra mim porque eu tava estudando na universidade, porque sou formado na advocacia, né? Aí na época eu ia de carro. Então uma vez o vizinho falou pra mim que a irmã dele ia casar. Ah, ele falou: ah, não quero gastar tipo com Uber, essas coisas. Na época não tinha Uber, táxi, né? Me leva para a festa do casamento dela. Quando a gente chegou lá, eles serviram a gente tipo com cara para parede assim, as mulheres atrás para não olhar. Chegou uma das irmãs dele e me serveu tipo com o braço tipo sem manga, sem nada, como chama, mano. Aquele braço ficou na minha cabeça para sempre. Foi a primeira vez na minha vida que vejo um braço para uma mulher, mano.

Diego José:Que isso, mano!

Mohamed Makhloufi:Sério, sério.

Diego José:Bizarro, hein?

Maurício Meirelles:Ô, Jesse, põe um casaco aí, Jesse. Com Jesse, a gente fala tudo. Como é que foi para você no Brasil quando você viu uma praia? Não, a primeira vez... Você que viu.

Voz G:Tá molhadinho, tá molhadinho.

Mohamed Makhloufi:Sério, aquele braço ficou na minha cabeça para sempre, mano.

Maurício Meirelles:Mas como é que é para você?

Diego José:É, tipo, vídeos ao vivo, tá ligado?

Mohamed Makhloufi:Eu sou assim, eu sou tipo visto lá como uma ovelha negra, sabe? Meus irmãos se casaram com as mulheres argelinas por causa da virginidade. Eles só casam com mulheres virgens. Por isso você não vê muitos árabes casando com brasileiros.

Maurício Meirelles:Então é muito conservador?

Mohamed Makhloufi:Muito. A primeira pergunta quando você casa com brasileiro: você casou com uma mulher virgem? Falando: não, é uma coisa tipo entre eu e ela, não vou falar, entendeu?

Maurício Meirelles:Porque lá você vai agarrote, aquele dote que você vai pegar uma mulher que nunca deitou com outro cara. Então, para você, você como argelino aqui no Brasil, é totalmente tudo novo para você.

Mohamed Makhloufi:Não, eu comecei a beber aqui, eu não bebo porque eu pratico esporte, eu corro e tal, mas não é por causa, tipo, lá não tem bebida. Mas quando um argelino vai para fora, a primeira coisa que vai procurar é vida, porque lá no país não tem. Ou mulher, ou mulher também.

Maurício Meirelles:Ó, vamos fazer, eu tenho uma questão aqui, senão a gente vai passar do tempo. Ó, futebol, o maior ídolo temos aqui é Maradona ou Messi?

Diego José:Eu preciso fazer essa pergunta, cara. Eu acho que hoje em dia são os dois assim.

Mohamed Makhloufi:Não, não existe.

Voz H:Calma, calma, calma.

Diego José:Vamos lá, não, é verdade, é um bom argumento. O que acontece, o Messi Não sei, ele tinha um maior narigão antes, diminuiu, não sei. Mas o que acontece, o Messi é como se ele fosse uma versão assim que limpinha, ele não tem, é uma versão ilibada de um atleta que tem talento e que você não vê entrando em polêmica, pelo menos não assim polêmicas gigantescas. Agora o Maradona é como se fosse um herói. Em que sentido, cara? Maradona tava lá em 86, né? Ele fez, lembra que eu comentei aqui no início, né, sobre as Malvinas, tá? Isso foi, se eu não me engano, em 83, por aí, 83, 84, acho, algum desses anos. Que acontece, a próxima Copa, depois da Argentina ter perdido a guerra para lá, para as Malvinas, para Inglaterra, cara, foi 86 no México. E o Maradona ficou, acho que, não sei se foi quartas de final que foi Argentina e Inglaterra, Inglaterra. Então os argentinos pensaram, caraca, tipo, é uma maneira simbólica da gente poder se vingar. Será que vai rolar? Pô, a gente tá com Maradona, vamos ver. E cara, tava tudo muito recente, então tinha uma certa esperança de que, cara, pelo menos no futebol a gente vai acabar com esse maluco. Cara, nesse jogo foi espetacular porque teve o gol de mão, e o gol mais bonito da história, cara. E aí foi 2x1. Então graças a um desses gols, né, a Argentina passou faz. E simbolicamente vingou isso que aconteceu lá nas Malvinas.

Maurício Meirelles:Então, cara, é um anti-herói nesse sentido, porque ele vingou os argentinos, mas é só tecnicamente melhor, mas não tem uma história por trás romântica relacionada a uma, né, o cara saiu do zero, uma emoção.

Diego José:Isso, falta essa questão. E além disso, bom, tem essa questão com as drogas, né, do Maradona, que tinha vários problemas. E por outro lado, ele também tinha um discurso Isso que muitas vezes era a favor dos mais pobres.

Voz D:Meu irmão, ele tem uma igreja. Isso para mim é muito, muito louco.

Maurício Meirelles:Já o maior ídolo de Argélia seria o Zidane?

Mohamed Makhloufi:Zidane, mas Zidane, ele é argelino, que jogou com a França, né? Mas lá eles gostam muito dele.

Maurício Meirelles:Como é que fica para vocês o maior ídolo de vocês não ser de vocês? Porque ele não é francês.

Mohamed Makhloufi:Benzema também.

Maurício Meirelles:Benzema também é argelino. Então você tem dois jogadores incríveis da Argélia que estão jogando pela seleção da França. Como vocês encaram isso?

Mohamed Makhloufi:Para a gente é normal, porque olha, se ele jogou com a Argélia, ia ganhar o quê? Copa da África. Então ele fez o certo, jogou com a França e ganhou Copa do Mundo.

Voz G:Tirou para ver, né?

Mohamed Makhloufi:Geralmente os jogadores da Argélia, a maioria são nascidos na França, formados lá.

Maurício Meirelles:Ao contrário, os jogadores da Argélia são franceses, os jogadores da França são argentinos.

Mohamed Makhloufi:Sim, porque por exemplo Mahrez, por exemplo, nasceu na França, ele é formado na França, mas como eles não são selecionados na França, eles escolhem outra seleção para participar.

Maurício Meirelles:Então seria Argélia uma seleção, uma segunda seleção tipo francesa.

Voz H:Ainda bem que o Paulo não tá aqui, né? Porque senão já ia estar com argumento pronto.

Maurício Meirelles:Vamos ver as propagandas então.

Voz H:Vamos propor aqui, a gente tem algumas da Argélia, algumas da Argentina. Queria propor que talvez, acho que duas da Argélia, duas da Argentina, Argentina e a gente faz a votação, tá bom? Se caso acabar em empate—

Voz D:não, é impossível acabar em empate, já tá 4, já foi golpeada.

Maurício Meirelles:Vamos lá, essa aqui é Argentina. Daqui você se lembra dessa propaganda?

Mohamed Makhloufi:Propaganda antiga, quando a mulher não usa aquele hijab, né? Hoje em dia a maioria— essa época era boa.

Maurício Meirelles:Quando que foi isso? O que que gerou essa coisa mais radical, né, que você falou que ela não podia usar?

Mohamed Makhloufi:Porque os islamistas chegaram no poder, entendeu? Foi quando isso? A partir de 1988, começou a guerra civil lá e de lá ficou, mano. Minha mãe não usava aquela hijab.

Maurício Meirelles:E como é que é para sua mãe usar hijab hoje em dia?

Mohamed Makhloufi:Minha mãe é muito religiosa, mas na época ela ficou de boa, mas minha mãe sempre foi uma pessoa religiosa.

Maurício Meirelles:Do nada, a Jéssica, agora você vai ter que usar usar hijab.

Mohamed Makhloufi:Você fala, pô, eu acho tipo desnecessário. Vou te falar o porquê. Porque a mulher usa hijab para não seduzir o homem. Mas se fosse o homem, tipo, mulher, o homem também não se diz, não se diz a mulher.

Maurício Meirelles:Então tem que botar hijab nos cara também.

Mohamed Makhloufi:Deveria, mas ela é tão machista que coloca só na mulher. Eu sou contra.

Voz H:Inclusive, eu não sei se tem a ver com regime de lá, é muito difícil encontrar comerciais novos.

Maurício Meirelles:Aonde? Na Argélia.

Voz H:Na Argélia, grande maioria aqui são comerciais antigos, entendeu?

Maurício Meirelles:É muito difícil achar coisa nova.

Mohamed Makhloufi:Esse é novo?

Diego José:Pô, vai morrer, meu.

Voz D:Acho que publicidade lá são—

Mohamed Makhloufi:não é publicidade não, é teatro, né?

Diego José:É propaganda.

Mohamed Makhloufi:Propaganda. Ele falou, eu tenho que parar, mas sobre o quê? Não era parar de tossir, parar de o quê?

Voz G:Acho que é fumar.

Diego José:Acho que é fumar.

Maurício Meirelles:Acho que é meio literal as propaganda dele, o cara Então tem um produto pra falar de vocês. Eu gostei, porque não tem que ficar inventando a roda.

Voz H:Vamos agora à Argentina.

Maurício Meirelles:Deixa eu só falar um negócio antes de falar da Argentina. Eu sou publicitário de formação e eu tô numa situação muito delicada.

Voz H:Ele sempre tem que jogar esse diploma na cara.

Maurício Meirelles:E eu preciso falar por quê? Porque as melhores propagandas do mundo são argentinas. Exato. Então é difícil essa competição, porque...

Voz D:Não, é verdade.

Maurício Meirelles:Não só o cinema argentino, ele é muito mais premiado do que o brasileiro e mais... Qual que é o filme argentino famoso assim?

Mohamed Makhloufi:Também não pode.

Diego José:Relatos Selvagens e El Secreto de Susurros.

Maurício Meirelles:Aí tem, aí é, a minha, o melhor foi Cidade de Deus. Você tem que ver Cidade de Deus. Mas a Argentina, eu cresci, eu como publicitário, os brasileiros falando, cara, o que a Argentina produz de publicidade tá fora do padrão do mundo, assim, é muito isso.

Diego José:É verdade, é verdade.

Voz H:Comprando as bolas argentinas é brincadeira, viu?

Maurício Meirelles:Mas o que adianta propaganda ser boa se os caras não têm dinheiro para consumir o produto? Aí ele vai me chamar de macaco agora. É assim.

Diego José:Tango fusión con rock.

Voz G:¿Con rock?

Diego José:Está bastante bueno. Intentamos hacer algo que abarque un poco más a todo el mundo. Bueno, creo que por fin superé el risotto de mi abuela. Lo hice yo, Te felicito.

Voz H:Bueno, bueno.

Mohamed Makhloufi:Y aparte de todo esto que contaste, ¿tenés alguna inquietud útil?

Diego José:Estudio medicina, como vos, pa. ¿Y qué especialidad?

Maurício Meirelles:Yo no sé de qué se trata la medicina.

Diego José:É bom, cara.

Maurício Meirelles:Isso no Brasil demora para caramba para provar um negócio desse.

Mohamed Makhloufi:É boa essa propaganda deles, você entendeu? Café, né?

Voz D:Não, não entendi. A publicidade é sobre H2O?

Diego José:Isso sim. E o cabelo?

Voz D:Quem que cabelo?

Diego José:Não, então, é porque, viu, isso também, os argentinos são muito disruptivos na hora de fazer o comercial, e por isso que geralmente tem essa fama de Cara, os caras saem muito fora da caixa.

Maurício Meirelles:É muito fora da caixa. E para vender um negócio não tem nada a ver, mas ao mesmo tempo, mas fica famoso a ideia.

Diego José:Ah, tá, tá. Por exemplo, tem um comercial que é muito famoso, não sei se talvez tenham feito. Será que é esse? Não, não é esse, não é esse não. Tem um que é do, da tele, é um de telemarketing, é sobre o Brasil. Esse aí, Telecom Personal, esse aí. Inclusive, só um detalhe antes de OK, é porque aí vocês vão também ouvir o portunhol argentino, que tem o portunhol maroto do Brasil, né, que é aquele, ó, do brasileiro, entendeu? O brasileiro tentando falar espanhol, que é tipo, é, me vê uma pipoca com cueca-cuela, que também tem pessoa que acha que é espanhol, mas não é porra nenhuma. Mas e aí que acontece, esse aí que vocês vão ver nesse comercial é o argentino fazendo portunhol, tipo o argentino tentando falar português. Então Personal te sigue dando siempre más beneficios, así que necesitamos más temas para poder seguir aprovechándolos. Hoy hablemos de: ¿Por qué creemos que sabemos hablar portugués?

Maurício Meirelles:Aló, parlo con la pousada do mar.

Diego José:¿Cómo vai?

Maurício Meirelles:¿Cómo estai?

Diego José:Yo llamo por una habitacioncina que vosé tiene en su hotelinho. ¿Vosé me entende? Ah, eu he visto na internet.

Maurício Meirelles:É a habitação, é a praia, é a sua frente.

Voz I:Ah, me gosta?

Maurício Meirelles:Ah, me gosta muito!

Diego José:Uma última perguntação: o Hotel Hinho tem desayunação incluído? Ah, muitas gracinhas! É disso, não é chip, é crédito, crédito de celular. Que viu que o cara tá falando? E Personal é uma marca lá de telefonia, né, móvel e tal. Então ali na época não tinha dados móveis, né? Então você colocava o crédito e ele tava falando: ah, por que que a gente acha que sabe português? Aí fica nesse hotelinho. Aí até falando uma parte ali: ah, uma perguntinha, perguntinha. Só que é pergunta em espanhol.

Mohamed Makhloufi:Quando eu cheguei aqui eu falava pergunta, e aí depois que eu comecei a saber aqui em português, pergunta. E aí, jeitinho, pergunta.

Diego José:Isso. E aí tem outro ponto ali também do portunhol que ele Fala assim: é uma perguntinha, tem desayunação incluída? E tipo, cara, você sabe o que que é desayunação?

Maurício Meirelles:Café da manhã. Mas como você sabe que é café da manhã?

Diego José:Exato, mas viu, você sabe espanhol.

Maurício Meirelles:Mas quem não sabe, ele não falaria café da manhã, entendeu?

Diego José:Isso, porque ele não falaria isso.

Maurício Meirelles:A gente ligaria para você falar: vocês têm café de la mañana? A gente faria exatamente isso.

Diego José:O brasileiro falaria café da manhã, ou a gente falaria desayunação. Você coloca ação em tudo.

Maurício Meirelles:E a gente põe um E no meio, a gente tá falando argentino, espanhol.

Diego José:Não é, pô, já aconteceu já com um amigo meu de ir para o Brasil e falar assim: ah, você tem uma camisinha do Brasil? Que isso, aqui a gente não vende não, tem que ir na farmácia.

Maurício Meirelles:Ó, para mim matou, é, matou, mas assim é por conta do regime.

Mohamed Makhloufi:Não, mas eu falei que a comida é melhor, né, deveria deveria contar, né?

Maurício Meirelles:Pô, então 2 pontos para Argélia.

Voz D:Não, de pena que não.

Maurício Meirelles:Então põe 1.

Voz H:Não, mas achar que chuca é boa mesmo.

Maurício Meirelles:É, já começou. Esse vídeo tá entrando 11 horas da manhã. O jogo, que horas que é?

Voz H:O jogo, se eu não me engano, é às 19 horas.

Maurício Meirelles:Então hoje pode botar no seu bolão: Argentina leva da Argélia. Talvez o resultado seja 4 a 1.

Mohamed Makhloufi:Não, não, talvez seja.

Voz H:Ah, vocês querem chutar, ó, palpitar?

Mohamed Makhloufi:Argentina perdeu contra a Arábia Saudita, mano.

Voz B:Você acha que ela vai ganhar Calma, você também tá meio, também.

Maurício Meirelles:Vamos fazer um bom jogo. 3x1. Não, vamos botar Argentina não tomar gol, porque o Dibu no gol. 2x0, 3x0 Argentina.

Voz H:Paulo Chinês, que entende tudo de futebol, quanto que você acha que vai ser o placar desse jogo?

Voz G:Cara, eu, eu acho que 4x0.

Voz H:Para quem?

Voz G:Do lado da Argentina, 0x0.

Voz H:Ah é?

Voz C:Gol de quem?

Voz G:O Messi, né?

Maurício Meirelles:É tipo a minha esposa.

Voz H:Ele joga, né?

Maurício Meirelles:Batista, vai.

Voz D:2 a 0 Argélia.

Voz H:2 a 0?

Mohamed Makhloufi:África Unida! Eu acho que vai ser empatado, mano, porque a gente vai fechar.

Maurício Meirelles:É um time bom mesmo, foi muito bem nas eliminatórias.

Voz G:E você acha que, cara, eu vou te dar uma sugestão: primeiro sequestra o Messi.

Diego José:Primeiro, olha, acho que vai ser 2 a 0 Argentina. Gol de Messi e Álvarez.

Maurício Meirelles:Álvarez é bom, Almada faz gol. Senhoras e senhores, essa é a Copa do Mundo dos Três Continentes. Aproveitando todo esse mês de Eu sempre vou ter aqui duelos baseados nos jogos que a gente estará assistindo no dia. Quem sabe, afinal, não voltam, não voltam. Um cara, tô falando mal, hein, porra, tô cansado, cheguei de Angola, tá pesado aqui. Um dos dois aqui não volta para a gente fazer outros embates. Deixa o like no vídeo.

Voz H:Eu quero só deixar um parênteses aqui porque eu sei que vai acontecer, eu sei que vai acontecer. Maurício Meirelles em algum momento da Copa do Mundo vai se tornar um correspondente do Três Continentes. Ninguém mandou querer ir para lá, filho. Senão você vai gravar matéria para os 3 continentes de lá, tá?

Mohamed Makhloufi:Senão você vai vender o livro e você vai ser preso lá.

Voz H:Maurício Meirelles está indo para a Copa do Mundo, tá? Perfeito.

Maurício Meirelles:Pô, mas vou trabalhar para caralho, cara.

Voz H:Eu não tô nem aí, ninguém mandou ir. Vai trazer matérias de lá e talvez links ao vivo, tá?

Maurício Meirelles:Eu vou ganhar igual o Paul que tá aqui no ar-condicionado.

Voz H:Exatamente.

Maurício Meirelles:Nem vem.

Voz H:Mas você vai estar nos Estados Unidos vivendo o sonho americano.

Maurício Meirelles:Gastando em dólar. Posso comer um donut que eu tenho que gravar para o Batista.

Voz D:Fazer, cobre no Instagram dele.

Voz H:Isso, pode cobrar. Cadê as matérias no 3 Continentes?

Maurício Meirelles:Valeu, gente, obrigado. Aí, ó, lembrando, os Instagrams aqui, os contatos dos dois, eles querem divulgar alguma coisa aqui na descrição do vídeo. Vocês querem falar alguma coisa, aproveitar?

Diego José:Sim, sim, aproveito para fazer um jabá, né, do meu curso espanhol tranq.

Maurício Meirelles:Então, ó, do básico, legal, cara, legal para caralho.

Diego José:Eu sou formado em letras portuguesa e espanhol, então sou argentino brasileiro e tenho formação.

Mohamed Makhloufi:Dá para ver que o moleque é gente boa para caralho, embora a gente para caramba também.

Maurício Meirelles:Muito inteligente, muito legal.

Voz H:Deixa ele fazer o jabá, meu.

Diego José:Faz aí, tá faltando, velho. Então entrem lá no meu Instagram, clica no link da bio para conhecer mais sobre o curso espanhol Trank, do zero avançado.

Maurício Meirelles:Então é isso, entrem no curso, aprendam espanhol, que, porra, para você sair do Brasil. O que você quer falar?

Mohamed Makhloufi:Não, vou agradecer todo mundo, obrigado. Quer vender algum produto? Vende tapete, sei lá, eu não tenho nem redes sociais, o correr desse sucesso, tem um Instagram fechado. Cara, que difícil de achar, cara.

Maurício Meirelles:É, tá tendo um problema aí.

Voz G:O cara é empresário, meu, entendeu?

Mohamed Makhloufi:Acho que é isso. Quero agradecer todo mundo, as pessoas que trabalham comigo.

Diego José:Adeus, minha namorada.

Maurício Meirelles:Tá se matando, parece. Agradecer minha família, tô indo nessa aí.

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