COMO A COMÉDIA MUDOU A CABEÇA DE THIAGO VENTURA | #ACHISMOS PODCAST #420
Entre muitos achismos sobre como é ter uma carreira de sucesso na comédia, Thiago Ventura conta como as suas histórias de quebrada, adolescência e vida te levaram ao sucesso do novo especial "Sujeito Homem".
MAURÍCIO MEIRELLES @maumeirelleshttps://www.instagram.com/maumeirelles/THIAGO VENTURA @othiagoventurahttps://www.instagram.com/othiagoventura/Thiago Ventura | Especial Sujeito Homem:https://www.youtube.com/watch?v=OvNHCn2Hk9Y&t=3483sFrio sem precisar sair colocando mil camadas.Inverno Insider + 30% OFF para novos clientes Use o cupom ACHISMOS + benefícios do site e no PIX tem +5% OFF https://creators.insiderstore.com.br/ACHISMOS #insiderstore #pix @insiderstoreConheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
- Evolução da Carreira de Thiago VenturaHistórias de infância e adolescência · Transição de moleque para adulto · A importância da comédia como refúgio · O papel da comédia na vida de pessoas da quebrada · A influência de outros comediantes na carreira · A relação com o pai e o perdão · A importância do estudo e técnica na comédia stand-up · A adaptação da comédia para diferentes públicos
- O papel do 'campeão' no desenvolvimento de um comedianteA dificuldade de viver de comédia · A pressão por criar conteúdo novo e relevante · A relação com o público e a criação de personagens · A importância de se adaptar às mudanças das plataformas digitais · A influência da cultura e do contexto social na comédia · A relação entre comédia e sexualidade · A importância do estudo e da técnica na comédia · A gratidão aos pioneiros do stand-up no Brasil
- Homem-Aranha· EntretenimentoDificuldade em se relacionar e o primeiro beijo · Insegurança e medo na adolescência · A descoberta dos valores de ter atitude · A transição de moleque para adulto · O nervosismo de perder a virgindade · A relação com a primeira namorada, Tamires · A importância do perdão na relação com o pai
- Filosofia da comédiaA comédia como refúgio para a juventude · O uso da comédia para lidar com traumas e dores · A importância da autenticidade na comédia · O estudo e a técnica por trás do stand-up · A diferença entre improviso e stand-up · A adaptação da comédia para diferentes públicos e plataformas · O papel dos comediantes como influenciadores e mentores
- O Papel da Crítica e do PúblicoA criação de uma imagem idealizada do comediante pelo público · A decepção do público com temas inesperados · A importância de ser autêntico e fiel à própria essência · A adaptação às mudanças das plataformas digitais e a busca por novas formas de alcançar o público · A importância de jogar o jogo das redes sociais para o sucesso na comédia
- Vida de Sérgio LopesA entrada no banco por indicação do pai · A ascensão na carreira bancária · Conflitos com colegas de trabalho e transferências · A influência da igreja na sua educação · O encontro com Sérgio Vaz e a oportunidade na Virada Cultural
- O que é ser pós-jovemA dificuldade em se relacionar e a falta de experiência sexual · A busca por habilidades e talentos para compensar a falta de experiência · A percepção da sociedade sobre a sexualidade masculina · A influência da cultura e da mídia na formação da identidade masculina · A superação da timidez e da insegurança através da comédia
- Humor e ComédiaA influência de amigos e colegas na carreira · A importância de ter um bom círculo de apoio · A gratidão aos pioneiros da comédia stand-up no Brasil · A generosidade e o apoio mútuo entre comediantes
- Bullying e inclusão socialO apelido "Big Big" e o bullying na infância · A dificuldade em lidar com provocações e piadas · A superação do bullying através de habilidades e talentos · A importância de encontrar seu lugar e se destacar
- Programas de TV ClassicosO consumo de programas da TV Cultura como Castelo Rá-Tim-Bum · O fascínio por temas fantasiosos e educativos · O aprendizado de jogos como xadrez e Yu-Gi-Oh! · A influência de desenhos animados e animes
- Relação com a FamíliaA influência da mãe religiosa e seus ensinamentos · O valor do trabalho e da honestidade ensinado pelos pais · A importância do apoio familiar na carreira · A relação com o pai e o processo de perdão
- Cultura Hip Hop e Formação CidadãA importância do rap Racionais MC's na formação cultural · A influência da música na vida e na carreira · A conexão entre a cultura do rap e a comédia
- A Importância do Jogo e da Adaptação na CarreiraA necessidade de se adaptar às mudanças das plataformas digitais · A estratégia de diversificar o conteúdo para alcançar o público · A importância de entender o algoritmo e as tendências · A busca por novas formas de expressão e conexão com o público
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Maurício Meirelles:Ready to make anything online make sense?
Thiago Ventura:There's no place like Chrome.
Maurício Meirelles:Check responses, setup required, compatibility and availability varies, 18+.
Thiago Ventura:This summer, serve up the cookout classics: Heinz Ketchup and Kraft Singles. Every good burger needs a layer of perfectly melty cheese and thick, rich ketchup. We all know it's not a cookout without Heinz and Kraft. Quando eu fui pro centro de São Paulo, que me sobrou R$300, Maurício, eu comprei R$300 de fandangos.
Maurício Meirelles:Eu lembro, você contou isso lá na Jovem Pan.
Thiago Ventura:Então se eu comprei R$300 de fandangos, imagina o que eu fiz com buceta, pai. Se eu comprei R$300 de fandangos, imagina o que eu fiz com buceta. Tudo! Ai, Thiago, sou sua fã, me pegaria? Claro, segue meu endereço. Eu comi todas as pessoas que quiseram me dar, cuzão.
Maurício Meirelles:Senhoras e senhores, um dos achismos mais esperados já fez, hein? Olha só, teve a volta, Thiago Ventura, agora não precisa ter tanta apresentação porque você já viu na thumb que vai ser ele. É meio ruim, né, os tempos de hoje, né? Porque na TV a pessoa falava: "Você não sabe quem entrou aqui", porque o Jô Soares não tava anunciando. E agora tá escrito: "Thiago Ventura". Então você clicou, ninguém clica assim: "Que que será que tem hoje?" Você já sabe que é o Thiago Ventura que tá aqui e você já sabe que o Thiago Ventura vai ganhar um kit da Insider porque eu já quero entregar a grande merchan.
Thiago Ventura:Sou seu fã, muito obrigado. Somos fãs. Agora viemos com data certinho, sem aquele bagulho de alopração.
Maurício Meirelles:Sem alopração. Tá tudo certo. Agora, pelo contrário, inclusive divulgação Insider roupa pra você, tecnologia Insider Vents, a maior collab do mundo. Vem aí.
Thiago Ventura:Excelente, obrigado. Aqui é bom demais pra correr.
Maurício Meirelles:É bom, é bom, é bom pra correr e é bom pra a cueca que abraça a bola. Eu sempre falo da cueca que abraça a bola, você sabe como é que é.
Thiago Ventura:Você tem boas bolas que eu sei. Boas bolas.
Maurício Meirelles:Thiago, vou falar, cara, eu tô me sentindo meio talk show.
Thiago Ventura:Apresentadorzaço.
Maurício Meirelles:Thiago que tá lançando agora o especial de comédia Sujeito Homem na plataforma YouTube.
Thiago Ventura:Parabéns, viu, que honra.
Maurício Meirelles:Obrigado por assistir. Achei do caralho. Eu preciso começar falando minhas impressões. Dá-lhe, vai lá. Você fez um negócio, ó, Thiago Ventura, vai no canal dele, tá lá, poderia estar em mil streams, tá muito mais fácil, só você clicar nem vê o meu, nem vê isso, já vai ver o dele, depois você volta.
Thiago Ventura:Cara, muito gente boa, né? Esse programa pode cancelar, vai lá assistir, vai lá assistir, vai.
Maurício Meirelles:Porque o que que eu senti? Você tem uma parada muito conceitual que eu achei muito legal, que é você faz um episódio, um especial sobre sua infância, visão, que é o último. Sim. E aí agora você tá fazendo um especial sobre uma parte muito importante da tua vida, que é tipo um moleque inseguro, cagado de medo, bullying pra caralho, que começa a conhecer uma menina, e aí mostra todo o dilema de 90% da população que é feia, vamos jogar real, tem 10% que é de boa, e tem 90% assim. E eu fiquei impressionado que você fez quase tipo assim 50 minutos, o especial tem 1 hora e meia, mas você fez quase 50 minutos sobre tentar beijar uma mulher.
Thiago Ventura:Sobre o nervosismo que é, sobre a insegurança, sobre essa parte que passa, né? Simplesmente você tem que viver essa parte, tem que passar essa parte.
Maurício Meirelles:Que louco, meio que pra todo mundo, porque eu vi que já tá quase com 1 milhão de views, eu fui ver os comentários, todo mundo meio que se identifica com isso. Você acha que a gente é um povo feio e fodido e inseguro? Ou seu público só?
Thiago Ventura:O cara falando muito mal do próprio público. Viado, eu olho pra plateia, eu fico preocupado, porque todas as vezes que eu olho, eu falo: "Cara, esse povo é muito feio." Imagina, você olhou pra sua plateia e falou: "Acho que eu preciso falar sobre beijar uma mulher." Gente, tentem se beijar um pouco. Vocês estão tão distantes. Ó, eu comecei a perceber que eu tinha muita facilidade de falar sobre esse período de insegurança, porque era realmente muito visceral pra mim. Tudo que eu senti naquela época, tá ligado? Eu falava assim: "Caralho, mano, vou começar a fazer umas piadas agora falando sobre essa minha fase de começar a lidar com a dor do amor." Por quê? Porque eu me apaixonei muito e eu não sabia o que fazer, Mau.
Maurício Meirelles:Agora?
Thiago Ventura:Não, esse...
Maurício Meirelles:Na época?
Thiago Ventura:Isso, na época, quando eu tava começando a escrever as piadas.
Maurício Meirelles:Não, então, então, recente, não é?
Thiago Ventura:Sim, sim, sim, vou te dar só um contexto. Eu comecei a fazer um show Eu tinha a intenção de fazer só um show de putaria. Eu queria só fazer 60 minutos de putaria. Eu queria fazer um show e só putaria mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo. Assim, ó, tudo o que eu fiz até hoje, que eu me apresentava só em texto, em texto que eu usava pra comedy, eu quero condensar em uma hora pra ver se eu consigo fazer um show pra quem gosta desse estilo ser uma parada assim, ó, absurda. Tanto que o Modo Efetivo é o show que eu tenho mais risadas por segundo, tá ligado, mano?
Maurício Meirelles:Que é o de putaria.
Thiago Ventura:É, o de putaria. Caralho, nesse eu coloquei piada pra caralho. Gravei em BH, foi ótimo. Entretanto, quando eu comecei a falar disso, um dos assuntos era esse. Um dos assuntos era a dificuldade que eu tive do primeiro beijo, a coisa ruim de ter conversado com homens mais velhos sobre sexo de uma maneira tão aberta. Aí depois eu comecei a pensar: "Nossa, isso aqui tem muito mais conteúdo." Quando eu vou falar desta parte, só da parte da adolescência, da parte da infância. Então, quando eu vi o Modo Efetivo, ele tava com 2 horas e 20. Aí, quando eu percebi, eu falei: "Mano, se eu condensar..." Aí saiu 4 shows: Modo Efetivo, Pequeno Big Big, Sujeito Homem e o Descabaço.
Maurício Meirelles:Que é agora que você tá fazendo.
Thiago Ventura:O Modo Efetivo é o sexo depois da vida adulta, que são todos os constrangimentos. Eu sempre falo... Nunca é muito vangloriano, é sempre mais o... Já passei essa merda, você também vai passar merda.
Maurício Meirelles:Study and play come together on a Windows 11 PC. And for a limited time, college students get the best of both worlds. Get the Unreal College Deal, everything you need to study and play with select Windows 11 PCs. Eligible students get a year of Microsoft 365 Premium and a year of Xbox Game Pass Ultimate with a custom color Xbox wireless controller. Learn more at windows.com/studentoffer. Law Supplies Last. Ends June 30th. Terms at aka.ms/collegepc.
Thiago Ventura:Merda! Já fiz... Olha só como que... Até que as pessoas desinibidas também acontece uma bosta dessa. Tá ligado, mano? E aí, desse só de sexo, saiu o pequeno Big Big, que era: "Mano, como que foi pra dar o primeiro beijo?" Tanto que eu recebo muita mensagem de adolescente, meu irmão. Quer saber de uma parada que eu recebi? Esses dias foi um moleque, ele acabou de completar 18 anos. Aí ele me chamou, ficou até o final, me chamou e falou: "Mano, tô pedindo pra minha irmã que tá ali me esperando no carro, porque eu queria te falar uma coisa. Quando eu fiz 17 anos, eu segui tudo que você falou lá no Thiago Ventura, o Pequeno Big Big, e me adiantou um lado porque você conversou comigo." Cara, você virou o coach do descabaço. Não acho que um coach, mas eu acho que um parceiro. Sim. Que tá falando assim: "Ó, eu sou mais velho que você e eu me senti assim, ó, quando eu fui dar o meu primeiro beijo." Aí, do primeiro beijo, vem o sujeito homem que é sobre descobrir os valores de ter que ter atitude por mais que você não queira ter.
Maurício Meirelles:Que é esse especial.
Thiago Ventura:Porque os moleque da minha quebra me ensinou que, tipo assim, sujeito homem é fazer o que tem que ser feito. Então, Thiaguinho, ó, se começar uma briga com todo mundo aqui, mesmo se seu parceiro tiver errado, você vai ter que cair na porrada com os moleque. Eita porra, todo mundo adulto, eu com 12, 13 anos, tem que cair na porrada, que loucura. Tá ligado, mano? Você começando a enfrentar. Então meio que o sujeito homem é essa força de vontade de enfrentar algo.
Maurício Meirelles:É a transição de moleque pra agora você vai ter que ser adulto.
Thiago Ventura:É, então no começo eu tava falando sobre a dificuldade de conseguir me relacionar com alguém. Depois eu falo da dificuldade que eu tive de não saber o que eu tava sentindo e a menina terminou comigo e eu fiquei tão decepcionado. E o descabaço é sobre aquele nervosismo de perder a virgindade.
Maurício Meirelles:Aí eu te pergunto, gostei pra caralho e pra mim não é nem só um stand-up, tá? Eu achei uma peça.
Thiago Ventura:Pô, obrigado.
Maurício Meirelles:Porque ele tem uma coisa de construção de começo, meio e fim. Por exemplo, como que eu faço assim, o meu modo de trabalho? Eu tenho um tema, esse meu tema de hoje eu tô falando muito de ódio, meu show novo. Visão. E aí falo de ódio e aí eu vou destrinchando com 3 meses de textos, vou escrevendo, aí eu escrevo um dia um negócio, não funciona e tal. Você sentou dedicado a começo, meio e fim vai ser desse jeito? Foi uma ação? Foi numa sentada esse show, isso que eu quero dizer.
Thiago Ventura:Uma sentada daquela nervosa, faz um tempo que tu foi, hoje tu tá de volta.
Maurício Meirelles:Você é a Luiza Sonza do stand-up.
Thiago Ventura:Meu irmão, quando eu percebi, eu tava contando essa parte e tava com tipo assim 35 minutos de piada. Aí eu falei: "Caralho, tá muito próximo do show solo." Mas essa parte do que você fez antes? Sim, sim, sim.
Maurício Meirelles:Já tava pronto no bingo?
Thiago Ventura:Já tava pronto, tipo, a parte com a Tamires, que é a minha primeira namorada, tava dando isso. Aí eu falei: "Caralho, mano, isso aqui é muito profundo." E aí o que eu fiz? Eu queria... Eu tava passando por uma fase bem complicada na terapia de tentar voltar a trocar as ideias com meu pai. E na terapia, a minha terapeuta pediu pra que eu contasse a ela coisas que eu passei, que eu me senti muito esquisito mesmo comigo mesmo, sem ser com meu pai. Pra que ela fizesse um ponto de comparar que as dores da... Do porquê isso tá acontecendo, vai acontecer a vida toda. É isso que ela queria me mostrar. Então, quando eu comecei a contar pra ela, isso foi me ajudando a contar no show. Por quê? Porque as histórias todas eu contei pra minha terapeuta. Aí eu faço até uma piada, só que sem as piadas porque ela não pagou, tá ligado? Então eu só contei os problemas. E aí, dentro disso, eu falei: "Poxa..." Podia ter feito uma permuta, né? Dá pra divulgar: "Ó, esse show tem um patrocínio." Aí, o que aconteceu? Quando eu comecei a falar do meu pai, eu falava: "Pô, mano, mas isso daqui tá tão perto daquilo que eu tô falando, tá ligado? Pô, eu não consigo chegar pro meu pai e ser quem eu gostaria que fosse." E eu também não consegui ser quem eu gostaria que eu fosse pra minha primeira namorada.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque eu não sabia lidar com aquilo que eu sentia.
Maurício Meirelles:Entende?
Thiago Ventura:É muito difícil eu chegar pro meu pai e falar assim: "Pô, rapaz, esses bagulho que aconteceu aqui na nossa relação aqui não foi legal, mano. Me machucou pra caralho." E eu não conseguia também chegar pra Thamise e falar assim: "Ó, Thamise, eu tô me sentindo assim." Não conseguia, mano!
Maurício Meirelles:É, mas é normal, não é? Falta de maturidade.
Thiago Ventura:Só que aí, quando... Total, total falta de seguir os meus próprios pensamentos, que eu sempre ia pela cabeça dos outros. Muito novo. E aí, depois, quando eu virei adulto e eu percebi que eu também tinha alguns gatilhos de não conseguir fazer algo parecido com a época da puberdade, que eu travava, seja pra beijar alguém, seja pra transar com alguém, seja pra me declarar pra alguém, eu percebi que rolava isso com meu pai, você acredita? Eu não conseguia transar com meu pai. Eu ia falar!
Maurício Meirelles:Cara, eu travava, mano.
Thiago Ventura:Não conseguia chegar pro meu pai e falar: "Ó pai, souber de tudo aquilo que aconteceu, queria falar pra você que não sei se passa alguma coisa na sua cabeça, mas eu fiquei chateado sim, mas eu te perdoo porque eu queria seguir daqui pra frente." E depois que eu fui entender. Então quando eu comecei a escrever, as coisas começaram a fazer muito sentido de que: "Nossa, mano, eu acho que aqui tem um ponto muito mais profundo na relação com meu pai que pode bater de frente com esse ato da terapia de ela pedir pra eu ter falado coisas que me deixaram muito envergonhado." Mas você começou sentando pra falar sobre o seu pai e foi pra esse lado? Não, eu comecei assim: Comecei primeiro falando só sobre a minha infância, adolescência e o negócio da insegurança.
Maurício Meirelles:Porque eu vou te falar a minha visão. Você é muito bom de história, né? De storytelling. Você tem uma coisa de diálogos muito... E obviamente os diálogos do passado não estão na tua cabeça porque já passaram 20 anos. Visão. Ou seja, você sentou e você... Escreveu a história. Lembrou aquilo ali.
Thiago Ventura:Posso aproveitar pra fazer um elogio?
Maurício Meirelles:Faz, lógico.
Thiago Ventura:Eu só acho que eu sou um bom dialoguista porque eu tive uma ótima referência dentro da minha casa que foi o Afonso Padilha.
Maurício Meirelles:Porra, pra caralho!
Thiago Ventura:Entendeu, mano?
Maurício Meirelles:É um puta dialoguista.
Thiago Ventura:Ele é um puta dialoguista, tá ligado? Ele que me incentivou bastante a escrever mais diálogo. Porque quando eu cheguei, os gatilhos cômicos que eu particularmente achava que eu me dava bem era personificação, acting, piada de exagero, piada de comparação. E, acima de tudo, ser um ótimo contador de histórias. Eu sou storytelling nato desde sempre, eu não sabia. Quando eu fui estudar roteiro, quando eu percebi que as coisas que eu fazia com relação ao arco dramático já era natural da minha intuição cômica fazer, Eu falei: "Caralho, estudar isso aqui é maneiro." Porque eu fiz um curso de roteiro, eu, o Nando e o Renato Albani, junto com o Thiago Fogaça, tá ligado, mano? E ele me ensinou bastante coisa também sobre escrita. E o Afonso sempre me ensinou muito sobre diálogo. O Nando me ensinou muito sobre o nonsense. O Renato Albani me ensinou muito sobre o carisma no palco. Então eu tive boas faculdades ali perto de mim, tá ligado, mano? Que deu pra trocar. Então, quando eu sentei pra escrever tudo, eu pensava assim, ó: "Mano, o que realmente aconteceu a ponto de eu conseguir trazer essa veracidade?" Então, porra, bati o dente com ela. Eu não sabia o que fazer com as minhas mãos quando eu tava junto, tá ligado? A gente ficou pela primeira vez na rua do Comiketo. Quando a gente tava fazendo, a amiga dela, Thalita, não gostava de mim. Sim.
Maurício Meirelles:Entende? Aquilo ali é verdade. Aí depois você vai e põe um tempero, uma piada, uma...
Thiago Ventura:Eu quero contar uma história engraçada.
Maurício Meirelles:Claro, claro.
Thiago Ventura:Precisa ter piada, logo tem que ter gatilho cômico. Mas eu parto do... Por que eu acho que as piadas que eu faço só eu posso fazer? Porque elas são minhas.
Maurício Meirelles:Sim, concordo.
Thiago Ventura:Entende? É difícil você bater num ponto assim. "Caralho, essa piada aqui parece com de alguém." Mano, pouquíssimo provável, porque são histórias minhas. E quando é um pensamento, eu também gosto de fazer meu dever de casa, de procurar o que eu tô falando, tá ligado, mano? Então, quando eu sentei pra escrever as piadas, eu falei assim, ó: "Além de estar visceral pra mim, eu tô me divertindo." Porque eu tô lembrando. Aí eu sentava com o Felipinho e perguntava coisas da infância dele também. "Caralho, Fê, você passava por isso?" Eu falava: "Caralho, isso aqui tem um ponto a mais de identificação." Que nem eu quero perguntar pra você agora. Foi fácil pra você dar o primeiro beijo, transar pela primeira vez?
Maurício Meirelles:Caralho, muito bom! Agora chegamos no papo que eu acho que é o papo do que é o especial. E é por isso que eu ia chegar pra você antes de responder essa pergunta. O que eu acho que é do caralho que tá acontecendo comigo também. Tem uma geração de molecada que eu não sei se tá sem pai, se tá sem irmão mais velho, mas que tá muito usando a comédia como um refúgio.
Thiago Ventura:Sim, total.
Maurício Meirelles:Eu vou falar por mim, porque eu faço esse negócio da geração Z há uns, sei lá, uns 5 anos que eu comecei a fazer Geração Z. O que que eu fazia, Thiago? Era um cara que eu tava puto com a Geração Z, porque é a coisa do woke, do Twitter. Aí eu comecei a bater nessa galera, e o meu público, que era um cara de 40 anos, se tornou um cara de 20, 18. Os caras iam lá para ver eu batendo neles. Comecei a chamar eles para plateia, para o palco, tal, papo. Quando eu vejo, cara, o meu público, ele virou uma molecada, e eu virei um irmão mais velho de uma molecada. Que eu olho e falo assim, às vezes eu faço uma brincadeira no meu show que eu falo: "Quem são as pessoas que estão sozinhas aqui?" E é muita gente.
Thiago Ventura:So good, so good, so good. New markdowns up to 70% off are at Nordstrom Rack stores now. Stock up and save big on shoes, tops, dresses, accessories, and more must-haves for summer. Join the Nordy Club to unlock exclusive discounts, shop new arrivals first, and more. Plus, buy online and pick up at your favorite Rack store for free. Great Brands, Great Prices. That's Why You Rack. Caralho, isso é muito maneiro, tá? As pessoas irem ao seu show sem precisar de companhia, porque ver você como essa companhia é pica, sacou?
Maurício Meirelles:Aí eu olhei e falei: "Caralho, eu tô tentando falar às vezes comigo, né, no palco. Tô querendo fazer o Maurício que tá ali sentado." E na verdade esse Maurício tem 18 anos, não é o Maurício de 40 que tá ali. É o Maurício de 18. É um cara que se identifica comigo pelas minhas merda que eu falo, mas ele tem 16, ele ainda não pegou uma mina.
Thiago Ventura:É...
Maurício Meirelles:Sacou? Sou eu com 17.
Thiago Ventura:É o que eu passei, que você falou que eu sou o coach dos mais novos.
Maurício Meirelles:Entendeu?
Thiago Ventura:Caralho, quando ele me falou isso, ele falou: "Mano, é que eu vi o Modo Efetivo e o do Igual do Pequeno Big Big era igual." É um Tiago Ventura que procuraria um Tiago Ventura. Pô, que maneiro.
Maurício Meirelles:Aí eu olhei praquilo e falei: "Caralho, tem um..." Agora, tanto que o meu show agora, eu tô juntando agora uma porrada de jovem pra bater papo, e tá cada vez mais vindo jovem e tal. Eu ia te fazer uma pergunta, mas eu quero responder a sua pergunta antes. Que a pergunta que eu ia fazer é: O que você sente de dificuldade dessa geração, já que você fala pra muita gente de quebrada? Você acha que... Porque na minha imaginação, o pessoal da quebrada é muito mais próximo do que talvez uma galera de classe média alta, né? Classe média que talvez vá no meu show, assim. Você sente que...
Thiago Ventura:Eu voltei a ter um... Eu tenho um Instagram que ele é secreto pra quem vai só no show. As pessoas vão no show e eu divulgo depois, no final do show, eu falo assim, ó: "Tem um lugar que eu consigo responder todos vocês." E aí nisso bate muito. Por quê? Porque 80% das pessoas que vão me assistir, eles estão indo pela primeira vez. Tem gente, uma parcela grande, tipo assim, 20%, 10%, estão indo pela primeira vez no teatro. Eu bati 10 anos agora fazendo show em teatro. E as pessoas continuam... 10 anos de carreira? 10 anos no teatro.
Maurício Meirelles:Ah, no teatro.
Thiago Ventura:15 de carreira, 10 anos que eu fiz a primeira apresentação no Frei Caneca.
Maurício Meirelles:Ah, sim.
Thiago Ventura:Bati 10 anos de Frei Caneca agora, muito doido, mano. Tava ali com você, que foi o...
Maurício Meirelles:Isso é tudo que eu tenho.
Thiago Ventura:Sim, sim, sim. Porra, tu sabe mesmo? Que maneiro, Mau. Porra, caralho. Que maneiro. Ô, meu irmão, sabe por quê, viado? Vou te falar um bagulho. É... Só de a gente encostar aqui, acho que eu vou até me perder do assunto. Só de a gente encostar aqui e antes você falar assim pra mim: "Ó, assisti todo o show especial." Falei que eu assisti ontem e hoje a gente vai falar sobre. Sem eu saber, isso é... Tão respeitoso, cuzão. Tá ligado, mano? Com o nosso trabalho. É tão maneiro ver... Foi legal?
Maurício Meirelles:"Tão respeitoso, cuzão." Foi ótimo.
Thiago Ventura:"Tão respeitoso, arrombado de merda." É tão respeitoso, mostra que você tem realmente compromisso com essa porra que você faz, tá ligado? É muito maneiro isso. Tá louco, velho. Mas a gente sempre acha que a galera que veio antes da gente não tá vendo nosso trampo, tá ligado? Mas tem uma... Aí você pensa isso.
Maurício Meirelles:É que são pessoas, tem pessoas e tem pessoas. Pô, antes de você estar aqui, tava o Padilha aqui. Aí eu conversando com ele, o Padilha: "Não, porque quando eu fui no teu show, eu falei: 'É verdade, cara, a gente se consome'." E até eu te mandei isso no WhatsApp, que eu falei: "A coisa que me deixa tranquilo com a comédia é que é uma coisa muito pequena, nichada." "Mas na hora H, bagulho da Globo. Vem, Thiago, vamos, vem, pá, bum, próximo, tal." Daqui a 10 anos, 20 anos, talvez eu vá estar fazendo show com você, você vai estar fazendo show com Murilo, e as coisas elas vão se... É puxar o cara que tá meio pra baixo e levantar. E tem muita gente que precisa levantar, a gente precisa levantar essas pessoas.
Thiago Ventura:Pois bem, aí bateu 10 anos no teatro, e agora com esse Instagram, o pessoal da quebra vem muito conversar do quanto que... Atinge dessa forma. Eu tô fazendo um show agora chamado Lado a Lado, que eu falo sobre a importância de boas companhias, porque eu ando... Você me perguntou antes de começar: "Como é que você tá de cabeça?" E eu achei que era o cabelo.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque eu tô ótimo! Tô feliz demais pra estar triste, tá ligado, mano? Então eu tô fazendo um bagulho sobre valorizar essas pessoas. E eles vêm conversar porque eles fazem questão de parecer amigos.
Maurício Meirelles:Sim.
Thiago Ventura:Então, quando eu tô fazendo um show falando sobre a minha puberdade, Lá na quebra, tipo, que eu estudei ali no Campo Limpo, tá ligado, mano? Escola pública e passando as mesmas coisas bate de frente com a realidade deles. Que, mano, o mundo pede pra que você seja um cara mais desinibido se você quer conseguir pegar alguém, tá ligado?
Maurício Meirelles:Mas cada vez menos...
Thiago Ventura:Mas se fala muito pouco sobre o que você tem que passar pra tentar ser essa pessoa.
Maurício Meirelles:A galera não fala do fracasso, que é isso. Ninguém fala sobre o fracasso.
Thiago Ventura:E tem tantos.
Maurício Meirelles:Eu vou falar disso, eu acho que é a minha... Cara, eu... Quantos anos você perdeu sua virgindade?
Thiago Ventura:Eu perdi com 14.
Maurício Meirelles:Com 14. E você?
Thiago Ventura:Eu fui com 17. Caralho! Tadinho.
Maurício Meirelles:16. Mas foi com a primeira namorada.
Thiago Ventura:Ah, e ficou quanto tempo com ela?
Maurício Meirelles:Um ano e meio.
Thiago Ventura:Porra, que maneiro.
Maurício Meirelles:Você foi o quê?
Thiago Ventura:Não, eu perdi minha virgindade, foi com... Eu ia falar até no show que o nome dela era Cássia Caceteira. Que os moleque falava que ela já era descontrolada naquela época já. E aí não foi maneiro, tá ligado? Mas, tipo, foi um pouquinho assim, eu já entendi como era ficar pelado com alguém. Mas quando eu namorei com a Thamires, que eu tive a primeira dor do amor, que é: "Porra, a pessoa terminou comigo e eu continuei gostando, não sabia o que fazer." Eu era super virgem ainda, tá ligado? Não tinha feito nada, nada, nada, nada. Depois que eu terminei com ela que eu comecei a ficar mais ligeiro.
Maurício Meirelles:Mas a Thamires foi o seu primeiro beijo na boca?
Thiago Ventura:A Thamires foi a minha primeira namorada.
Maurício Meirelles:Mas primeiro beijo você deu com quantos anos?
Thiago Ventura:Foi... Não, o primeiro beijo acho que foi com uns 12, 13. E foi com a japonesa lá da escola.
Maurício Meirelles:Mas pegando...
Thiago Ventura:Eu até fazia uma piada que eu achava bom, que a língua dela era muito rápida, que quando a minha língua entrou, a língua dela fez... Quando imaginei o cocinho mole, olha aí, ó. Como se tivesse sido um anime, tá ligado, mano?
Maurício Meirelles:Caralho!
Thiago Ventura:Porque ela já era mais velha e ela beijava benzão, mas com a língua rápida. E os moleque da minha rua sempre falavam assim, ó: "Quando você for colocar a língua, a língua leve e relaxada." É o cara lá, o teu amigo. É o Beto, Beto, Felipe, Cocô, os moleque tudo. Ó, faz um carinho na língua dela. E porra, eu fui com carinho, ela me picotou, moleque, tá ligado? Então era meio assim.
Maurício Meirelles:Você era cabação? Eu sempre achei você ligeiro.
Thiago Ventura:Ó, eu sou ligeiro hoje, mas eu era muito cabaço.
Maurício Meirelles:Você era muito.
Thiago Ventura:Muito, mas assim, mais muito.
Maurício Meirelles:Mas eu sei que você era, porque todo mundo que se torna comediante, a tendência é você ser um cabaço na sua vida.
Thiago Ventura:Um fracassado, né?
Maurício Meirelles:O comediante, ele é um adolescente fracassado.
Thiago Ventura:Visão.
Maurício Meirelles:Porque você usa a comédia É quase como assim, vamos lá, pra onde que eu fui? Já que você perguntou. Eu era um cara muito estudioso, muito certinho e ao mesmo tempo muito desinteressante. Porque você é muito estudioso, tá todo mundo com 12 anos, hormônio pra caralho e eu tô lá: "Geografia." É, tipo assim, querendo puxar uns assuntos que não tem nada a ver com transar, com se envolver, né? Nada a ver, nada, completamente mongol. E aí eu comecei a tocar O violão pra mim foi um baixo.
Thiago Ventura:E te desenrolou isso, né?
Maurício Meirelles:Desenrolou.
Thiago Ventura:Caralho, é impressionante como que a habilidade faz você ser visto, né, meu irmão?
Maurício Meirelles:Todo guitarrista, se você parar pra pensar, ele era um cabaço em potencial. Se o cara come gente, Thiago, por que que ele vai aprender a tocar guitarra?
Thiago Ventura:É verdade, meu irmão.
Maurício Meirelles:Ele não precisa, mano.
Thiago Ventura:Senão você vira o Trevor Crazy Near. Já viu ele tocando agora?
Maurício Meirelles:É tipo isso, o comediante, o cara que faz alguma coisa muito artística, tal, é um cara que ele era um cabra, ele falou: "Preciso comer alguém." Visão. O cara que já come alguém, geralmente ele não tem talento quando ele tem 40 anos. Como?
Thiago Ventura:O cara que come... Não, as pessoas que são muito bonitas, conversem com elas. "Ah, era muito fácil de ficar com alguém." Mas ela é travada pra quase todo o resto.
Maurício Meirelles:Eu morro de medo do meu filho ser aqueles cara com 14 anos que come geral, porque eu sei que com 40 ele vai ser nada.
Thiago Ventura:Vai saber porra nenhuma, porque tudo foi muito fácil.
Maurício Meirelles:E ele pode ficar gordo com 40.— Não comi ninguém e não aprendeu nada com 12.—
Thiago Ventura:Ah, tipo, eu vou te contar uma coisa que já aconteceu comigo pra você ver o quanto que era difícil. O meu crânio de agora, ele já tinha esse formato sem o corpo. Eu te mostro foto.
Maurício Meirelles:Tô ligado.
Thiago Ventura:Então você... Crânio muito grande, sabe aquelas pessoas que já tem o meio, né?
Maurício Meirelles:Agora ficou equilibrado.
Thiago Ventura:Agora equilibrou. Então quando eu tô tirando, tem gente que fala: "Meu Deus, é muito grande mesmo." E tem gente que fala: "Não, não é tão grande não." É uma doença, né? Mas quando você vê a foto, Maurício, eu era realmente muito feio. Você assistiu o show. Você viu que no final tem a foto, eu e a Thamiz. A Tamires mó bonita e eu parecendo uma porra de um saruê, meu irmão.
Maurício Meirelles:E a sua vizinha achava que era uma doença.
Thiago Ventura:É. Óbvio que a maioria não viu. Posso contar um negócio pra vocês, meus irmãos? Isso aqui eu tenho a Tamires falando, provável que o vídeo vá hoje. Tamires, você lembra o que sua tia falou assim que eu entrei na sua casa? Eu pisei, a tia dela olhou pra mim e falou: "Nossa, feinho, né?" Juro, meus irmãos, não é papo de piadinha. Tanto que ela confirma. Isso daí me marcou muito, porque eu até falei pra minha mãe, ó. Ela falou que eu era feinho. "Ai, filho, não liga não." Porque não tinha como falar que eu não era, tá ligado, meu irmão?
Maurício Meirelles:Sua mãe não falou: "Filho, ela é uma invejosa." "Filho, é, mas..." "Não liga não." Que bom que a família é sincera.
Thiago Ventura:Tadinho, tá ligado, mano? É, e aí era tipo assim, muito, muito, muito esquisito pra mim lembrar dessas coisas, mas era tão engraçado.
Maurício Meirelles:Mas tu ficava mal?
Thiago Ventura:Na época eu fiquei. Nada, que eu fiquei, sabe por quê? Porque eu já achava isso. Aí quando um adulto verbaliza, é foda, né? Porque quando uma criança tá verbalizando, eu tenho que trocar. Ah, eu sou feio, mas você também.
Maurício Meirelles:É, pelo menos não é uma puta. Tu vai falar isso para a mulher, tia Lourdes?
Thiago Ventura:Fala, eu falo, caralho, é tipo um conceito.
Maurício Meirelles:Vamos voltar a falar de fracasso da nossa, quer saber um?
Thiago Ventura:Teve um dia que eu fui ficar, eu fui pedir para ficar com a menina. Ai, tadinho, cara, nossa, você não devia passar essas coisas que eu passei. A menina Era minha amiga. E ela via que eu tava olhando demais pra ela, que eu tinha um olhazinho de louquinho assim, eu ficava olhando assim, quando eu achava que... Porque eu queria que a pessoa soubesse. Aí eu falei assim, não lembro o nome dela, "Fulana, quando eu fui começar..." Ela falou assim: "Ai, não faz isso com a gente, não. A gente é tão amigo." Ai, cara... Nossa, Mau, eu ficava realmente, mano, eu ficava assim, ó... Credo, que situação. Você era cabação com o mundo, né? Eu era cabação, tipo assim, ó, eu não sabia que tinha que ter um "é".
Maurício Meirelles:Eu era bom, mas eu era o problema.
Thiago Ventura:Porra, que desgraça.
Maurício Meirelles:Eu vou te falar qual que era o meu problema. O meu problema é o seguinte: eu era bom, vamos lá, eu tocava. Aí eu comecei a virar o Mongo da guitarra. E nenhuma mulher se interessava por isso. Porque nos anos 70, o Jimi Hendrix comia a gente. Em 2000, cala a boca, tem um DJ Oruan tocando.
Thiago Ventura:As pessoas falavam: "Violão? Tá tocando violão?" Eu olhava e dizia: "Ah..." Não sabia nada, não sabia nada.
Maurício Meirelles:Não sabia nada mesmo assim: "Foda-se que você toca essa merda, faz barulho, burro. O importante é o cara que faz crossfit." Já mudou. Mas eu era muito... Eu sempre fui muito bom de papo.
Thiago Ventura:Visão.
Maurício Meirelles:Papo, papo, de conversar. Então, a pior coisa que tem pra um cara feio bom de papo... O cara feio bom de papo, ele vai se tornar conselheiro.
Thiago Ventura:Ah, aquele friendzone, você acabava caindo?
Maurício Meirelles:Eu era o rei da friendzone.
Thiago Ventura:Caralho, isso é horroroso, mano!
Maurício Meirelles:Thiago, a minha vida era assim... A mulher ficava de biquíni na minha frente, me tratando como se eu fosse o cabeleireiro dela, sabe assim? E falando: "Meu, você que conhece o Thiago..." Ai, muito ruim isso! "Que vai ser querendo comer a mina." Grande, grande, grande, grande, grande, grande, grande, muito ruim, mano. Pra mim, o "não". "Não, seu feio de bosta!" É melhor do que: "Vai lá em casa, 3 da manhã, mulher de toalha, com uma puta teta e você com hormônio batendo na testa." Aí você chegava lá e a menina falava assim: "Meu, preciso te falar, o Diego não tá querendo ficar comigo." "Ué, acho que você tem que entender que a questão..." Caralho! Eu era o conselheiro, mano.
Thiago Ventura:Puta que pariu!
Maurício Meirelles:Tá ligado? Era pra eu ter sido o cabeleireiro, Thiago.
Thiago Ventura:Meu bagulho era baby hair, eu não sei o que eu tô fazendo.
Maurício Meirelles:Tá ligado, mano? Eu fiquei aqui de ser cabeleireiro. Então eu sempre fui um cara muito legal. Só que olha que louco isso: quando você é jovem, me dá a impressão que a mulher, ela não tá muito interessada... Tudo bem, você, Marcela, é diferente, mas geralmente a mulher não tá muito interessada num papo. Ela tá interessada talvez num status, talvez tá interessada numa coisa de beleza, É uma coisa mais rasa, você é jovem. Quando você tem 40 anos, tudo que eu tinha de habilidade aos 16 me foi importante quando eu fiquei adulto. Hoje eu comeria muita mulher. Aí eu casei.
Thiago Ventura:Eu acho que pelas mina também na época dele. Aí casei, tô aí com a Ellen, meu filho e o Uber, meu cachorro.
Maurício Meirelles:E as mulheres de 40 anos que eram umas gostosas, falavam: "Miau, vamos conversar." Falava: "Agora não dá." Agora não dá, né? O Mauricinho ninguém queria, né?
Thiago Ventura:E o Mauricinho, que precisou sair de Pequeno Big Big pra sujeito homem, ninguém queria.
Maurício Meirelles:"Posso conversar com você, Ângela, 3 divórcios?" É, mano, é.
Thiago Ventura:Puta, velho. Nos faltava coragem também, né, mano? É medo. Tipo assim, ó, posso te falar? O meu amigo Lipe era um moleque muito desenrolado. Puta que o pariu. Só pra você ter noção, teve um dia que ele me falou um bagulho, nunca saiu da minha cabeça, que ele falou assim: "Ah, Big, mano, mas eu também acho que você, mano, tinha que investir em umas fotos boas pra pôr no Orkut, tá ligado, mano?" Aí eu falei: "Mas como assim foto boa?" "Como assim foto boa, cara? Eu achava que minhas fotos estavam boas." Aí ele falou assim, ó: "Como por exemplo, viado, ó, o seu..." Maurício, juro que eu tive essa conversa com o Lipe. O Lipe falou: "Quando você tá olhando, você tá olhando assim. É diferente de você tá olhando assim, ó." Meu irmão, meu irmão, juro! E o Lipe só tirava foto assim, meu irmão, ó. Pode perguntar. E ele tinha um sorrisinho, que era um sorrisinho que eu chamava ele de boquinha de silicone. Olha a boquinha de silicone dele.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque ele fazia assim, ó. Tá ligado, mano? Sabe essas boquinhas que as mina tira foto hoje? Então. Que é o rosto da model face, tá ligado? Tipo assim, rosto de tirar foto. O Lipe tinha isso na época do Orkut. E aí eu falei: "Mano, isso aí..." "Mano, as ideias que o Lipe fala..." Falava pros outros. "As ideias que o Lipe fala, mano, de fazer assim." Aí teve um dia que eu conversei com uma amiga minha, que uma amiga minha ia falar: "Bonito mesmo é aquele seu amigo Lipe, né?" Aí eu falei: "Você acha ele bonito?" Aí eu falei: "Abre aí, por favor, aí no seu computador aí pra gente ver." Aí ele falou... Aí a menina falou assim: "Olha essa foto aqui, ó." E era a foto do olhinho caboclinha, mano. Então, tipo assim, ó, tem pessoas que já nasciam com esse negócio de: "Pô, eu consigo seduzir as pessoas." "Eu consigo, sabe?" Então, posso falar um negócio?
Maurício Meirelles:É doideira, mano. Que eu vou dar dica pro moleque de 15 anos que tá vendo agora esse vídeo.
Thiago Ventura:Vai, vai, vai, vai, vai.
Maurício Meirelles:Tudo. Que um homem renega é o que uma mulher gosta. Caralho! Tu já chegou a essa conclusão?
Thiago Ventura:Posso te falar uma? O Rafael Gannin com os baguio de poesia dele. Caralho, as mina amava mesmo.
Maurício Meirelles:E os cara fala o quê na primeira vez? Bicha!
Thiago Ventura:Você tá chupando pau!
Maurício Meirelles:É isso aí.
Thiago Ventura:Eles falavam isso, pô.
Maurício Meirelles:Eu vou te falar um negócio. Tem um amigo meu, não sei se você conhece, Daniel Zuckerman.
Thiago Ventura:Sim.
Maurício Meirelles:O Daniel Zuckerman, não sei se você conhece ele, é um cara aí que trabalhou com a gente muito tempo e ele usa a mesma jaqueta.
Thiago Ventura:É sempre a mesma, né?
Maurício Meirelles:Sempre a mesma. E ele é um cara que qualquer pessoa que... Se ele encontrar você, ele vai falar: "Puta, boa, né?" Não sei o quê. Mas ele... É isso. Quando ele fala assim: "Puta, botou uma camiseta bizarra", eu sei que tem alguma mulher no canto do mundo falando: "Legal a camiseta que o Maurício botou". Porque a nossa tendência como homem é rebaixar um outro homem quando ele tenta fazer uma mudança visual. Se eu botar brinco, eu tô fundido. Todos os caras vão falar: "Ah, chegou o viado!" E tem umas mulheres olhando e falando: "Daora, o Meirelles de brinco". Nossa!
Thiago Ventura:Pode falar uma coisa? Meu irmão, o Lipe naquela época tinha dois na minha... Nessa época era o Lipe, que pegava várias mina, e o Juninho, que ele sabia dançar um forró a pé de serra... Que você nunca... Caralho, eu aprendi a dançar! Cara, mano... Ah, que bom poder falar disso! Inclusive, eu acho que já vai sair até mais um show sobre essa minha parte da infância. Meu irmão, era inacreditável! A gente ia pro forró a pé de serra, o Lipe pegava 3 mina, o Juninho pegava 2 mina, eu pegava uma breja. Tá ligado, mano? Eu era o cara que ia pegar o vinho pra nós beber.
Maurício Meirelles:Era eu.
Thiago Ventura:Não tinha como, mano. Era muito difícil.
Maurício Meirelles:E sabe o que que mulher não paga pau praquilo que um homem paga pau? Nenhuma mulher fala: "Nossa, ele sabe dar o fatality." Sabe essas paradas assim?
Thiago Ventura:E pior que nisso eu sabia. Exato, eu sabia. Eu sabia dar o secreto do Akuma, o V da Leona, né?
Maurício Meirelles:The King Kong. A gente sabia fazer coisa pra caralho que homem admirava e que mulher olhava e falava: "Nossa, que bobo." E exatamente. Guitarra, se você parar pra pensar, é um instrumento que um outro homem paga pau.
Thiago Ventura:Não é a mulher que paga pau. Exatamente, mano. Sabe como que eu comecei a perceber que as coisas Eles começaram a facilitar pra mim quando eu fui extremamente hostilizado na minha infância com o meu apelido Big Big. Pouquíssimas pessoas tinham apelido naquela época. Tinha o Carroça, que ele andava com a camiseta do Carrossel. Bem pobrinho, tadinho. Pobrinho, pobrinho, pobrinho. E aí, só andava com a camiseta do Carrossel. E aí virou Carroça, né? Porque ele não aceitava ser chamado de Carrossel.
Maurício Meirelles:Desculpa. Certeza que a camisa era do irmão mais velho. Foi passando.
Thiago Ventura:Do bairro, passou pra ele. Aí o Carroça tinha apelido. Aí tinha um outro lá também, que era o Animal. Eu acho que o apelido dele era Animal porque ele separava as brigas e pra separar ele batia nos dois, tá ligado? Então assim, aí era Animal. E aí tinha um apelido que eu amava, coloquei até em piada, que era o Pagé. Que é um cara que ele repetiu 3 anos e como ele era mais velho, ele dava uns conselhos. Aí o apelido do cara era Pagé. Eu era o Pagé. Você era o Pagé, pô.
Maurício Meirelles:Eu era o Pagé, velho.
Thiago Ventura:E aí, quando eu virei o Big Big, eu percebi o quê? Que aí eu usava um bagulho da minha rua, que é muito diferente quando eu falo dos moleque da minha rua e quando eu falo de onde eu estudei. Que aí tem os amigos da minha rua, tem os amigos da minha escola, tem os amigos do futebol, tem os amigos do stand-up, entendeu? Eu sou cada um no lugar. Por exemplo, na minha casa eu sou o Thiago. Só que na minha rua eu sou o Thiaguinho. Só que na minha escola eu sou o Big Big e no stand-up eu sou o Ventura. Tá ligado, mano?
Maurício Meirelles:Mas você é diferente ou é só o nome? Depende, depende. Ou você, tipo, na quebrada você é mais: "E aí, cuzão!" Não, é do mesmo jeito que eu tô aqui agora.
Thiago Ventura:O que eu não sabia é que dava pra ser suave assim no stand-up, tá ligado? Você sabe o porquê que eu comecei a falar mais na gíria no stand-up? Renato Albani que falou. A gente foi pro, sabe o mesmo forró do Juninho e do Brito? Eu continuei indo. E o Renato chega de Vitória, Espírito Santo, forrozeiro, tanto que eu passei um final do ano em Itaúnas a convite do Renato lá em Vitória. Aí ele vem, ele fala: "Thiago, por que que você sai toda segunda-feira, veado? Vamos lá no Ao Vivo fazer um show lá no bar?" Eu falo: "Pô, Renato, é porque eu danço forró, mano." "Pedro Serra e os moleque da minha quebra é o único lugar que eu consigo entrobar os moleque." Aí ele: "Teu cu, vou lá." E aí, quando cheguei lá, eles... O Renato descobriu que... Aqui, agora. Eu tô falando cheio de gíria? Não preciso, mano. Só que você chegar pra mim e falar assim: "Aí, viado, não, meu, Dadi, você não sabe a fita que aconteceu." Eu já falo: "Mano, já me conta logo então." Pronto. Eu já tô conversando com você. Da mesma forma que quando eu atendia no banco, eu tinha que falar formalmente. Da mesma forma que quando eu vou falar com as amigas da minha mãe, eu sei que, mesmo eu não sendo o cara mais religioso, Se alguém amigo da minha mãe falar: "Thiago, fica com Deus", eu vou responder: "Amém".
Maurício Meirelles:Aí é cuzão.
Thiago Ventura:Caralho, você não sabe conversar com as pessoas? É. "Ah, vai tomar no cu, arrombado do caralho, você é louco". Não tem pra que falar.
Maurício Meirelles:Mas é igual...
Thiago Ventura:Quando o Renato chega no forró, ele me vê conversando com o Dudu. E aí o Dudu chega pra mim e fala assim: "E aí, Big, na humildade, cadê o Renatinho, cuzão?" Eu falo: "Não, ele tá vindo aí, que ele tava com uma mina". Aí, quando ele desceu do carro com a mina, o Renato solteiro, Aí o Dudu chegou pra ele e falou assim: "E aí, Renato, na humildade, tá com a mamadeira vazia, cuzão?" Aí eu: "Ô Dudu, ele não faz ideia do que você tá falando, viado." No papo. Tanto que chamar os outros de cuzão já era muito pro Renato, porque o Renato é do Espírito Santo. Aí o Renato falou assim: "Ô Thiago, esse bagulho do jeito que você fala com seus parceiros é muito engraçado, mano. Por que você não fala desse seu jeito normal lá?" Eu falei: "Viado, você acha que tem alguém?" do Tabom da Serra na plateia. E o que que eu não sabia? Do mesmo jeito que tinha um moleque no palco fazendo, tinha assim, jeito na plateia. Só que não tinha ninguém falando. Então quando eu falei assim: "Caralho, viado, então eu posso ser suave desse jeito." Eu, no começo do stand-up, eu usava camiseta branca aqui, aí camiseta preta até aqui e a bombeta pra trás, que é sempre o jeito que eu me vesti. No programa da Anahic, mas era a mesma coisa, só que sem o boné, porque eles não deixavam, porque a luz vinha de cima e não tinha ribalta. Então a luz batia no meu boné e escondia meu rosto. Pra trás eles também não achavam da hora. Então eu tive que arrumar meu cabelo pra fazer o programa da Ana Hickman. Eu andava de listrada, porque todo mundo na Kerby andava de listrada. Você pode ver, é Brooksfield listrada, é Lacoste listrada, tudo falsificado. As minhas eram listradas, só que da Hering. Entendeu, pai? Então era só sem o boné. Quando eu comecei a vestir Lacoste? Quando eu percebi que eu tava fazendo show no Itaim, meu irmão. Quando eu comecei a perceber que eu tava fazendo show no centro de São Paulo. "Morizão, eu sou do Taboão, não sabia nem que de domingo a Paulista ficava fechada. Eu não sabia que o Ibirapuera era tão daora." A gente não precisa sair de lá, cuzão. Pra que viver na quebra, mano? Eu quero comprar minha moto, lavar minha moto, depois fazer um peão e ir num pagode, ver se eu como alguém. Entende? Quando eu comecei a colar com vocês, eu me senti meio até deslocado, tá ligado, mano? Porque os moleque que era de quebra era o Di. O Di não falava na gíria. Thiago Carvalho, na época, não falava na gíria.
Maurício Meirelles:Mas o Danilo era meio de quebrada.
Thiago Ventura:O Danilo? Sempre foi de quebra. Sim. Mas ele sempre falou de pobre. Que é o que o Afonso também falava, que era que todo mundo que falava de pobre. Só que quando você tá falando de pobre, vai ter identificação. Quando você tá falando com o moleque que vai entender o que você tá falando, porque ele é da Zona Sul de São Paulo, ele cresceu ouvindo Racionais. Como por exemplo, tem uma música do Racionais que eu coloco na minha piada, que se você não tiver a referência de ter crescido ouvindo rap, você não vai saber, viado. Que nem, por exemplo, no próximo show, no Descabaço, só uma piada rápida que eu tenho lá.
Maurício Meirelles:Que é o Descabaço é perder a virgindade.
Thiago Ventura:Então, é o constrangimento de estar conversando sobre sexo com os moleques que já são adultos. Então, eu tinha 14 anos, eu ia transar pela primeira vez, e o Beto falou que era interessante chupar o cu dela. Meu irmão, pelo amor de Deus, mano. Tá ligado? Tipo assim, você tem que falar pros adultos que você vai fazer uma parada que você nunca esperou fazer. Chupar o cu de alguém, mano? O quê? Achava que os cachorro fazia isso, os cachorro.
Maurício Meirelles:É muito primitivo, né?
Thiago Ventura:Muito, mano. Aí, eu lembro que, tipo assim, eu falava: "Não, Beto, não vou chupar o cu de ninguém." Ele falou: "Você não é fã do Racionais?" Eu falei: "Sou." Ele falou: "Peixescu, como é que faz?" Essa piada o Danilo não faria. Isso você entendeu? Essa piada o Danilo não faria, mesmo sendo de quebra, mesmo tendo...
Maurício Meirelles:Entendi, porque o dele é sobre pobreza.
Thiago Ventura:Porque o dele é sobre, tipo assim, ó: "Eu estou... Não tem nada pra comer em casa." Sim. Ele também é de quebrada, mas tá falando disso.
Maurício Meirelles:Sim, sim, sim.
Thiago Ventura:Ele tá falando sobre pegar o ônibus.
Maurício Meirelles:Ele tá falando sobre a atitude do cara que tá vivendo essa porra.
Thiago Ventura:Nem sabia que dava, pô. Nem sabia que ia ser tão engraçado.
Maurício Meirelles:Até porque também o Danilo não comia ninguém, né?
Thiago Ventura:O primeiro vídeo que eu falei Não foi falando assim, ó, sou de quebrada, eu sou de quebrada, eu falo assim. O nome do vídeo é Meus Amigos de Quebrada. Por quê? Porque foi o que o Renato falou, mano, fala dos seus amigos, fala sobre você conversar com eles, entendeu? Só que o que que as pessoas esperavam? As pessoas esperavam que eu fosse um moleque de quebrada, que fosse um bandido, ou que fosse um cara— não, velho, sou trabalhador de lá, eu sou o cara que eu não quero me envolver com esses moleque do PCC, muito menos envolver com quem paga pau para polícia. Eu sou um cara que eu quero Jogar minha bola, pô!
Maurício Meirelles:Então, mas é a tese que eu tenho. Saindo de lá. Por isso que a internet, ela é muito foda. Porque se você tivesse sem a internet, talvez você estaria até hoje falando de uma forma pra você se adaptar ao público do Itaim.
Thiago Ventura:É, entendeu?
Maurício Meirelles:E a internet, quando você fala, sei lá, da bolinha de gude, ou do seu texto... O texto primeiro que chegou em mim, que eu fui até você e te mandei uma mensagem, foi o texto da luz. Quando acaba a luz na sua casa e tal, e você fala do teu vizinho, que é uma coisa bem de quebrada e tal. Foi aquele texto que me chamou atenção. Eu falei: "Cara, esse cara é bom, esse texto é legal e tal." Pô, você faz um raio de 1 bilhão de pessoas e essas pessoas, um olha e fala: "Não é pra mim, não é pra mim, não é pra mim." Mas aparece 1 milhão de pessoas que estão fora do Itaim que fala: "Isso é pra mim, onde que ele tá?" Exato.
Thiago Ventura:Sabe um outro público que eu acabei pegando? O cara que nasceu na quebrada, prosperou, tá morando em outro lugar, mas ele teve a mesma infância que a minha. As pessoas falam assim, ó: "Não, que agora você tá falando muito mais na gíria." Caralho, com os moleque eu sempre falei. Quando eu tive a oportunidade... Eu também, vamos ser sinceros, tá certo as pessoas que duvidam, mano.
Maurício Meirelles:Do quê?
Thiago Ventura:As pessoas falam assim: "Não, esse daí é um personagem seu." Tá certo as pessoas que duvidam. Não foi duvidando de todo mundo que você deixou de ser enganado? Então por que você não acharia que eu poderia te enganar? Só que quando você me conhece... Não, ó, tá tudo bem. Eu que demorei pra entender isso. Eu ficava assim, ó: "Caralho, mano, peraí, viado. Por que será que as pessoas acham isso de mim, né, mano?" Porque eu não fico pagando de malandro, viado. Fico pagando de malandro, fico pagando de arma.
Maurício Meirelles:Mas depende pras pessoas.
Thiago Ventura:Eu sei, mas então...
Maurício Meirelles:O cara que é muito elitizado, ele vai achar que você ficou pagando de malandro.
Thiago Ventura:Mas quando eu fumo maconha e às vezes apareço fumando um baseado, você acha que o maconheiro, ele tá mais próximo de um empresário ou tá mais próximo de um cara da quebra que vai fazer...
Maurício Meirelles:Depende da cabeça do cara.
Thiago Ventura:Então quando a pessoa me vê fumando maconha, a pessoa fala assim: "Olha lá, mano, agora ele quer ser... Tá se pagando de malandro." Não, viado. Tanto que eu nem fumei quando eu tava morando no Taboão.
Maurício Meirelles:Mas eu preciso te falar um negócio.
Thiago Ventura:Quando eu era o moleque que andava com os moleque de lá, eu não fumava maconha.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque eu fui educado por uma mulher da igreja. Então eu cresci tendo medo de droga porque o Diogo, o irmão do meu irmão Thiago Cocô, ele foi preso, viado, tá ligado, cuzão, por dupla tentativa de homicídio, mano.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque ele traficava, ele vendia cocaína, aconteceu um bagulho lá, ele teve que se proteger, e aí, mano, foi preso, caiu por tráfico, caiu por dupla tentativa de homicídio. Saiu 12 anos depois. Ele que é o cara que eu falo que tinha um moleque na cadeia que me assistia. Aí tinha moleque falando: aí, na moral, esse moleque no Faustão aí eu sei quem é. Caralho, ele foi cobrar as ideias do Faustão! Ó, como é que era ele escrevendo carta pro Thiago Cocô. E o Thiago Cocô falando: viado, o Diogo te assistiu lá, mano, olha que da hora aqui, ó, ele lembra de você.
Maurício Meirelles:Sabe quando é que eu sei disso? Quando eu fui fazer um webbullying com você há 10 anos atrás, quando você tava começando no Shopping Freicaneca, você foi me assistir no Shopping Freicaneca. Eu tava com a noite lá Sei lá, como é que era? Era Residente, no Shopping Freicaneca. E você foi um... Eu convidei você pro... Você não tava... Você tava começando a fazer o teu show, o Isso Tudo Que Eu Tenho. E aí você foi fazer um webbullying comigo. Você falou: "Vou participar." Você tava começando a Invidência, tava bem pra caralho, já bombando no Facebook. E eu lembro que eu fui fazer um webbullying com você e foi uma coisa meio tumultuada. Vou te explicar. Teve umas piadas aí...
Thiago Ventura:Acho que eu tô lembrando, você vai falar.
Maurício Meirelles:Teve uma piada que eu fiz que... Acho que entrou no celular de alguém errado. Isso, eu me lembro disso.
Thiago Ventura:Você foi mandar mensagem pra uma pessoa e eu fiquei apavorado. É isso que você vai falar?
Maurício Meirelles:É. E aí eu vou falar, porque a minha piada do webbullying é uma coisa meio... Agora já são 15 anos fazendo essa merda. 10 anos fazendo. Eu entrava, o que que eu fazia? Ah, vai tomar no cu! Ah, zoeira! Bababá! Então o que que eu pegava? Vou explicar até uma parte do método webbullying de fazer. Eu dou uma espelhada na pessoa, eu viro a pessoa. A piada do webbullying é: eu olho pra você, eu entrevisto você, eu falo: mexe o pé, ele é ansioso, ele tem um negócio, ele fala meio quebrado, então vai ser engraçado esse cara virar cuxa. Ou vai ser engraçado esse cara acelerar no quebrada. Ou sempre tem uma coisa atrás.
Thiago Ventura:Deixa eu ver o Thiago, ele gatilhou como que você usava mesmo, de mulher e tal, pô, vai ser legal ele se frustrando com mulher.
Maurício Meirelles:Eu vou criando na hora através da entrevista. Quando eu olhei você, você tava legal, você não tava: e aí, maluco, chega aí, cuzão. Você tava meio: pô, mano, obrigado por ter vindo aqui e tal. Eu falei: pô, não conhecia tanto você. Eu falei: o Thiago é um cara mais igual eu. Então eu peguei a persona do comediante e falei: "Vou zoar outras pessoas." E chegou um momento que eu falei alguma coisa do tipo assim: "Mano, roubaram meu carro." Alguma merda do tipo. E você falou: "Mauro, não brinca com isso não." É, porque os moleque vai levar a sério. Os cara vão matar.
Thiago Ventura:Eles vão aparecer aqui, pô. Ó, que nem por exemplo, teve um dia, pergunta pro Nando. Pouquíssimas pessoas sabem disso. Eu dormi por 3 anos no sofá do Nando, tá ligado, mano? O Nando nunca me cobrou nada, tá ligado? Que são tipo assim, foi na casa do Nando, Camejo, Osmar e Rominho. Só que o Nando, que o Osmar foi meu primeiro contato, mas o Nando que tipo assim, que falou: "Ó, o bagulho é meu, pode vir, é isso aqui, fica aqui." Nesse tempo, eu tava lá e me ligaram falando: "Meu irmão, entraram na casa do Brancão, roubaram a casa dele inteira." Meu irmão, peguei meu carro, saí pra lá. Por quê? Porque eu sou o malandro que resolvo? Não. Porque eu cresci lá e eu conheço os moleque, eles vão ajudar a recuperar. Tanto que foi eu e Felipinho que conseguimos recuperar as coisas da casa do Brancão. Aí agora, eu preciso ser envolvido no crime pra ter conhecimento lá? Não, caralho. Eu preciso ficar pagando pau pra polícia, sendo de lá? Não. Eu nem quero andar nem com bandido e nem com polícia, tá ligado? Mano, não gosto, viado. Não quero andar com alguém que eu sei que tá armado, tá ligado? Sou um moleque que cresci com uma família de igreja. Minha mãe é manicure, porra.
Maurício Meirelles:Você era o nerd da quebrada?
Thiago Ventura:Então, eu não era o nerd da quebrada. Eu achava que eu tinha um pouquinho de facilidade de de aprender as coisas mais rápido que as pessoas que estudavam comigo. Eu sentia isso.
Maurício Meirelles:Mas de quê? De curiosidade?
Thiago Ventura:É, tipo assim, ó... A professora tá explicando... Porque você é nerd, Thiago. Eu escuto ela falando e entendo mais do que se ela escrever na lousa.
Maurício Meirelles:Tipo uma superdotação?
Thiago Ventura:Não sei se é. Não sei se é. Não me achavam um cara diferente.
Maurício Meirelles:Você pra mim é o cara do Harry Potter. Você pra mim é o cara que tem referências de universo literatura. Você é um cara que...
Thiago Ventura:Ó, eu vou te dizer coisas que, assim, ó... É, eu não, a minha televisão lá no Taboão da Serra não pegava MTV, mas eu consumia muita TV Cultura, tipo assim, Castelo Rá-Tim-Bum, era meio predicado e eu gostava, e eu gostava da quantidade de personagem. Tudo que era muito fantasioso, que é o oposto do que você me falou, que o Afonso não consegue imaginar, eu já consigo muito, entende? Então eu gostava muito de Mundo de Bikeman, que passava na Cultura também. Aí eu gostava também do próprio programa dentro do Castelo Rá-Tim-Bum, que era o "Porque sim não é resposta." E ele explicava e eu falava... Que nem aquele bagulho: "Eu vou mostrar para a moçada como fazer." Aí eu falava: "Caralho, como é que faz as coisas?" Isso que me interessava muito, entendeu, mano? Sim, sim, sim. Quando eu pegava um desenho que era um pouquinho mais difícil de entender, eu ficava fascinado.
Maurício Meirelles:Pra tentar entender?
Thiago Ventura:Tipo assim, ó, quando apareceu o Yu-Gi-Oh! Eu falava: "Olha, mano, então se você combinar as cartas..." Eu aprendi xadrez com 12 anos, tá ligado? Sendo do Tá Bom Dá Certo, pô. Você não conhece muitas pessoas que crescem falando sobre?
Maurício Meirelles:É, mas posso falar?
Thiago Ventura:Não, mas é por causa que eu me associo... É meu filho. Irmão, posso te falar uma coisa? Eu me associo a nerd àquela pessoa que senta pra ficar lendo pra caralho.
Maurício Meirelles:Não, não. É que eu acho que nerd...
Thiago Ventura:Ótimo, entendi agora. Desculpa, tá?
Maurício Meirelles:Entendi. Não, não, não, eu concordo com você. É que o nerd, na verdade, ele é uma referência... Até o filme que falaram sobre nerd, que é o cara que é o CDF. Visão. O nerd...
Thiago Ventura:A estética, né? Aquele cara de óculos, camiseta por dentro da calça...
Maurício Meirelles:É, mas o nerd, ele não é mais o CDF. O nerd é um cara... É geek, né? Ele é curioso. Sim. Ele é o cara meio... Que vai pra lugares onde ninguém vai. Tá todo mundo indo no padrão, você vai pra fora do padrão. Todo mundo gosta de futebol, eu sei que você gosta de futebol, mas você também gosta de xadrez.
Thiago Ventura:Então... Pra caralho!
Maurício Meirelles:E aí você foi, e você é um cara que eu sempre olhei pra dedicação. Não sei se é porque você trabalhava no banco, e você...
Thiago Ventura:O banco, o que que aconteceu? Thiago, como que você foi parar no banco? Eu não sabia o que estudar. Não sabia, mano. E aí a minha irmã e a minha outra irmã se formaram em administração. E aí eu peguei e fui. Sabe como é que eu entrei no banco, meu irmão? O meu pai, no Taboão da Serra, cresceu com um amigo dele, e o amigo dele virou uma pessoa no Bradesco, mano. Eu entrei lá não é porque... Por causa que meu pai ligou alguém que mora lá no Taboão que falou: "Surge um trabalho pro meu filho." Eu precisava de uma entrevista pra ele, mano, porque ele trabalha vendendo roupa aqui na garagem e tal, junto com o Felipinho. Eu sempre fui camelô de vender roupa, tá ligado, mano? A gente ia no centro, comprava e vendia na quebra, roupa falsificada. E aí, tanto que eu tenho minha marca hoje pra continuar falsificando. Sacanagem, mano. Pra continuar vendendo.
Maurício Meirelles:Você ganhou da Insider agora pra...
Thiago Ventura:Ó, aqui, ó. Falsinho, falsinho isso aqui, ó.
Maurício Meirelles:Não, você vai fazer o... É, o outsider.
Thiago Ventura:E aí, meu irmão, o meu pai que me deu esse salve. Tanto que quando eu entrei no...
Maurício Meirelles:Não era o que você queria.
Thiago Ventura:Quando eu entrei no Bradesco, era pra ser o "Posso te ajudar". Só que eu já era atendente de telemarketing, tá ligado, mano? Então eu já sabia como tratar cliente. Eu era bom de venda porque eu era camelô. Então eu comecei a vender sem descobrir que o banco precisava de funcionários que vendiam. Então eu fui promovido assim, ó. De atendimento com "Posso te ajudar". Eu saí pra serviço de verso. Do serviço de verso eu saí pro caixa. Do caixa eu já era gerente assistente jurídico.
Maurício Meirelles:Quando você começa no stand-up, você é gerente?
Thiago Ventura:Não, quando eu começo no stand-up eu sou serviço de verso. Eu sou o primeiro.
Maurício Meirelles:E você foi crescendo junto?
Thiago Ventura:Fui crescendo junto, fui juntando dinheiro.
Maurício Meirelles:Como é que foi esse momento? Porque você vira gerente na quebrada e acredito que é tipo "Chegamos lá".
Thiago Ventura:Não, não, não. Eu fui assistente gerente jurídico. Assistente gerente. Então, tipo assim, ó. Pra todo mundo, inclusive pros meus pais, inclusive pro meu pai que me indicou lá, "Meu filho tem uma carreira." Sim. Eu, olha o que aconteceu, Mau. Eu entrei no Banco Bradesco, da agência do Campo Limpo. E aí, por conta de piada, eu arrumei uma treta com segurança lá e fui transferido.
Maurício Meirelles:Calma, piada na agência ou piada na rede?
Thiago Ventura:Piada, não, não, não, piada com o segurança.
Maurício Meirelles:Você deu uma sacaneada nele?
Thiago Ventura:Ah, mano, tipo assim, eu cheguei e eu era um moleque novo, pô. Só que esse cara da agência aloprava geral.
Maurício Meirelles:Sim.
Thiago Ventura:Aloprava geral. Tinha até um nego night lá, que o nome dele era nego night, que ele gostava de sair. E aí o... Nego Night. Maneiro esse nome mesmo, Nego Night. E aí teve uma mão, viado, que eu tô subindo a escada.
Maurício Meirelles:Nego Night é muito bom.
Thiago Ventura:Todo mundo tá bom, inclusive Nego Night. E a gente trampando no Campo Limpo. E eu tinha estudado na Amador de Catarina, que era do lado, pertinho da gente, do Campo Limpo, tá ligado? Ali no Esmeralda. Quem era da Zona Sul de São Paulo tá ligado que eu tô falando. Amador de Catarina, Saporiçá e Augusto. Aí firmeza. No que eu entro, ele começa a fazer piada com a minha cabeça pra caralho. Só que eu já sou aloprado pelos moleque da minha rua, mano. "Eu sei responder, lembra que eu fui aloprado por ser Big Big e por conta disso eu comecei a falar com as pessoas e isso fez outras mulheres me enxergar?" Era isso que eu queria falar, a gente acabou falando de outras coisas. Por ser aloprado pelos moleques, eu comecei a me defender por conta da comédia. E aí, quando eu chego e vejo ele aloprar o Nego Night, ele careca, gordinho, eu começo só a chamar ele de uma bobagem, que era Shrek, tá ligado? Falei: "Sabe Shrek? Ó o Shrek, caralho!" "Salve, Jirete!" "Só porque eu tenho uma arma e você não." "Só!" Aí ele foi e sacou a arma pro Nego Night, que o Nego Night começou a aloprar ele. Aí eu: "Ih, caralho!" Aí o cara na subidinha, que ali no Bradesco é assim, ó. Se você entrar no Bradesco, que é o prédio, você vê, e ali tem uma subida perto da porta giratória interna. Tem uma subida. Ó, contando tudo. Ó, pra saltar o banco Bradesco...
Maurício Meirelles:A senha é 4622.
Thiago Ventura:Na escada não tem câmera. E aí foi ele e falou assim: "Ó, você fica fazendo piada comigo, ó. Não esquece que eu ando trepado." Eu: "Vixe!" Trepada armada. Não esquece que eu... E eu vi seus ideia do Chireque. Pronto. Subi pra comer. Nesse mesmo dia, ele já não tinha gostado do que o Nego Nays tava falando pra mim, pô, pra ele. E aí, quando eu subo, eu sentei na cadeira assim e eu percebi que a cadeira tava fazendo barulho, sabe? De sair ar. Quando o Chireque sentou, fez um barulho semelhante a peido. E eu falei assim, tava na frente da minha gerente jurídica e na frente da gerente PJ. Da PJ e da física, que são mulheres. Então o homem, quando é zoado na frente da mina, ele quer mostrar poder. E aí eu falei: "Ó, o Chireque nem chegou e já tá tacando bosta na minha mistura." Era isso, tava comendo marmita. Meu irmão, ele deu um tapão na mesa. "Bau, moleque do caralho! Desde que você chegou aqui, você acha que você pode estar falando comigo do jeito que você acha que pode estar falando, rapaz?" E ele achou que eu ia afinar, tá ligado? Só que eu sabia que ele ia me matar ali. Pelo menos eu achava, né? 19 anos, 20.
Maurício Meirelles:Você tem que ver um pouco mais o Brasil, gente.
Thiago Ventura:Aí eu falei assim, ó, eu falei assim pra ele: "Olha, ih, Shrek tá nervoso!" Mano, saiu, não almoçou. Nesse dia ele me abordou, tá ligado, mano? Que eu passei dando risada pra ele. Ele me abordou e colocou a arma, viado, em mim, no meio da agência, não na minha cara, tipo, mais ou menos aqui. E eu levantei a mão como qualquer pessoa e falei: "E aí, qual que é a fita? Não tô entendendo, mano." Comecei até a falar com ele assim, nem me tremi nem nada, suave. O meu gerente, senhor Vital, falou: "Thiago, o que foi que você fez? Aquele homem quer te matar." Meu irmão, aí eu me estremeci inteiro, tá ligado? Não vou ficar pagando não, me estremeci. Falei: "Eita porra, sério mesmo? Por conta de uma piada?" Fui transferido pra agência do Taboão. Aí no Taboão, parecia que o problema era meu mesmo, que tinha uma gerente lá, tava muito estressada, Maurício, mano. Aí eu fui pedir um cartão pra ela, a mulher tacou um grampeador em mim, mano. Você acredita que a mulher tacou um grampeador em mim, mano.
Maurício Meirelles:O mundo da comédia ele é muito mais giboso que o mundo do banco, mano.
Thiago Ventura:Nossa Senhora! Aí bateu na grade que subia pra tesouraria e aí eu já falei: "Poxa, agora vai dar bosta, né, mano?" Porque a mulher tá com um bagulho em mim. "Espera!" Bão! Eu: "Eita porra!" Transferido de novo.
Maurício Meirelles:Mas é muito bom, você que tá puto com a galera do Bradesco, ó como é que é o bastidor, é importante a galera saber.
Thiago Ventura:Eu desejo pra que todo mundo que trabalha no banco saia logo, porque assim, ó, mano, é extremamente estressante, o que eles fazem com relação a meta é desumano, mano, de verdade. Aí calma, desculpa, desculpa, eu tenho que ir ao pênis. Aí eu fui pra agência do Piraju Jussara. E adivinha, mano, todo mundo que era cliente lá era realmente de quebrada. E foi lá que eu conheci o Sérgio Vaz. E o Sérgio Vaz chegou para mim e falou assim: Oi, e aí, meu parceiro, dá uma olhada aí na minha conta, minha conta e tal, papo todo. E eu falei: Ô, satisfaço, senta aí. Desse jeito foi a primeira vez que eu atendi alguém sendo eu no Bradesco, que eu falava formal. E o Sérgio Vaz falou: Que engraçado, você parece aquele moleque que fez uma apresentação na Anahí, que pelo cabelinho dá para ver que é você, que eu tinha um cabelinho arrumado. E ele que me colocou na virada cultural pra ser um comediante stand-up por conta que eu trampava no Bradesco.
Maurício Meirelles:Puta que pariu!
Thiago Ventura:Olha a volta que o mundo deu pra chegar nesse ponto e no final a comédia me salvar. Graças ao criador! Graças ao criador, ué!
Maurício Meirelles:Mano, que do caralho! E aí você... Tudo bem.
Thiago Ventura:A comédia me ajudou muito, Maurício. Me ajudou muito a se tornar uma pessoa mais desinibida, tá ligado, mano? Sabe o que já me aconteceu na época da puberdade, nessa época da Tamires? Meu irmão, eu fui uma pessoa que o pombo cagou na minha cabeça na frente de geral, pai. Na frente de geral, escorreu assim na minha cara assim.
Maurício Meirelles:E geral zoando.
Thiago Ventura:Meu Jesus Cristo, mano.
Maurício Meirelles:Mas a gente pergunta aí, a pergunta que eu te fazia aquela hora é: como é que é zoar na quebrada e zoar em lugares que não é quebrada? Porque assim, eu vim de um lugar de classe média. Visão. Que bom, tamo rico, legal. Não rico como o Sarro diz. Não, não estamos.
Thiago Ventura:Eu vi isso, viu?
Maurício Meirelles:Mentira.
Thiago Ventura:Meu irmão, eu vi o que o Sarro falou. Você deve tá com não sei quantos milhões.
Maurício Meirelles:Mentira. É mentira.
Thiago Ventura:Caralho.
Maurício Meirelles:O Sarro está completamente fora da realidade. Completamente. Voltando. É... Não, precisa falar.
Thiago Ventura:O Sarro casou com uma família bilionária e ele acha que todo mundo tem que ser igual a ele agora.
Maurício Meirelles:E ele esquece que a sua família mora no Taboão ainda, que você vai todas as semanas.
Thiago Ventura:Inclusive hoje, segunda-feira que a gente tá gravando, eu tenho um forró. Eu tenho um futebol todas as segundas-feiras das 8 às 10 e depois das 10 da meia-noite com os moleque da minha quebra. Então isso me trouxe uma paz de consciência muito grande de ver eles, que eu vejo 5 moleques que cresceram comigo, 25 moleques que cresceram comigo, jogaram bola comigo na Varza, jogar comigo toda segunda-feira na televisão.
Maurício Meirelles:É quando você aluga o Ford Ka pra chegar lá. Mas enfim, você é um cara que, porra, eu vim da classe média, você veio de um lugar mais, digamos, simples.
Thiago Ventura:Com pais trabalhadores que não me deixaram faltar os bagulho. Tipo assim, eu não tive os luxos dos últimos videogame, das últimas bagulho, eu tive uma casa para morar, eu dividia um quarto com duas irmãs, e quando elas casaram eu tive um quarto depois, quando eu tinha uns 18 anos, que era um quarto já que morava só eu, meu pai e minha mãe. Então eu tenho que dar o valor para os meus pais, mano. Minha mãe manicure, trampava, eu ia fazer, ia com ela na casa das mulheres para ver ela fazendo unha, tá ligado? Trabalhador, porque mesmo sendo de lá não faltou os bagulho.
Maurício Meirelles:Tudo bem, meu ponto não é esse, meu ponto é como que é a linguagem da zoeira, porque O dia que eu sacanear o seu amigo lá no webbullying, eu tô sacaneando um cara que não tem a ver com a minha realidade. A minha realidade é classe média de zoa, ri aí, leva na piada.
Thiago Ventura:E você, ó, uma coisa que eu vou falar pra você. Quando eu cheguei aqui e eu via que todos os comediantes zoavam todo mundo, eu falava assim, ó: "Eita porra, mano, agora vai ser difícil." Porque quando você fala da mulher de alguém, tipo assim, eu já vi alguém falando, tipo: "Ah, não sei o quê, comi sua esposa." na comédia. Eu fiquei assustado pra caralho. Ah, tipo assim, não tem problema você numa fritada falar que não, já comi tua mãe.
Maurício Meirelles:Ah, entendi, entendi.
Thiago Ventura:Lá você arrumar pra cabeça se você falar da mulher de alguém.
Maurício Meirelles:Então lá, porque você quase morreu com o Shrek.
Thiago Ventura:Ô, meu irmão, eu cresci, não foi um bagulho de trampo, mas eu cresci com 16, 17, 18 moleque todos os dias comigo. O que eles fizeram eu passar, não sei se tem em todo lugar. Eu chorava, mano, eu chorava.
Maurício Meirelles:De bullying era mais pesado?
Thiago Ventura:Eu chorava, não chorava de: "Ei, para com isso!" Eu chorava tipo assim, ó, sabe quando você tá tão sem graça que tá tudo... Mano, os moleque riam muito, mano. Os moleque riam muito, Maurício. De bullying de você?
Maurício Meirelles:Qualquer filme que saía... Você era o bullying da turma?
Thiago Ventura:Qualquer filme que saía era eu, pô. Armagedom, caralho, colocaram o Tiaguinho na capa do bagulho, ó lá. Aí os moleque inventava música, falava da minha cabeça, falava que é impressionante como eu era tão burro com a cabeça desse tamanho, cabeça de nós todos. Essas coisas era só comigo, pô, só eu que tinha a cabeça maior.
Maurício Meirelles:Porque você era o menor.
Thiago Ventura:É, aí eu comecei a ser bom jogando winner eleven. Aí foi quando eu comecei a me destacar com os moleque, comecei a ser bom de winner eleven. Aí os moleque começava a aloprar minha cabeça e eu não conseguia me concentrar, perdi os campeonatos. Eu chorava de raiva.
Maurício Meirelles:Por quê, mano?
Thiago Ventura:Os moleque Quando você tem muito amigo e eles são muito mais velhos, os moleque te alopa até você chorar, pô.
Maurício Meirelles:É porque você é o mascote.
Thiago Ventura:É o mascote. Sabe o que me deu sorte? Quando eu transei pela primeira vez, quando eu voltei pra quebrada e descobri que tinha gente que só tinha transado com uma pessoa só. Ou seja, tem moleque de 19 que transou uma vez só e eu com 14 já tinha transado uma vez só. Então, pela primeira vez, eu tinha um argumento assim: "Mano, você é tantos anos mais velho que eu." "Se você colocar na ponta do lápis, viado, a gente transou a mesma coisa." E aí foi quando eu respondi um adulto que eu falei assim: "Caralho!" Aí depois, eu colocando na ponta do lápis na terapia, você associa valor a comer muita gente.
Maurício Meirelles:Pra caralho!
Thiago Ventura:Entendeu, mano?
Maurício Meirelles:Entendeu?
Thiago Ventura:Por quê? Porque você era um moleque que cresceu que não tinha.
Maurício Meirelles:Mas isso entrevistando...
Thiago Ventura:Quando eu fiz o show lá...
Maurício Meirelles:Eu faço 3 continentes com um francês, com um francês, o Paul Cabanes. Aí eu pego o chinês, é muito legal que isso é muito brasileiro. O brasileiro ele leva o sexo como status.
Thiago Ventura:Como status, né?
Maurício Meirelles:Você está cagando se comeu muita mina. Pelo contrário, se aprofundou ou não. E você veio de um lugar que, porra, você precisa comer gente pra você se mostrar.
Thiago Ventura:E posso te falar? É... Pra várias minas também era suave. Quando as mina pegava vários na quebra, tipo assim, a maioria era tratada de maneira hostil. Mas os cara que sabia que essa mina era pica mesmo, sexualmente falando, você é louco, a mina falava assim: "Você não vai transar com essa mina não, viado." Foi com quantos anos? 16? Com 14.
Maurício Meirelles:Mas foi com a menina da peça?
Thiago Ventura:Não, não, não. A Thamires foi minha primeira namorada. Eu namorei primeiro com a Thamires. Eu lembro que, porra, mano, o Lucas falava assim pra mim: "Quando você pôr a mão na bunda dela, pega na cintura e roça o pau". Eu vi isso daí. Porra, mano, eu só fazia isso, pô. De pau mole? Pau duríssimo! Teve uma vez que foi o pau mole porque foi a quebrada da expectativa da piada. Mas eu roçava e eu não conseguia... Mano, o que eu faço, mano? Eu coloco a mão... "O que que eu faço, mano?" E aí, mano, escutar os caras adultos falando era muito constrangedor, viado. Mas tinha que fazer.
Maurício Meirelles:Os caras te davam dica, né?
Thiago Ventura:E ajudou. E ajudou. Quando eu comecei a fazer bastante piada de sexo e comecei a ter até uma negativa, porque voltou uma negativa, né? "Porra, mano, é muito constrangedor abrir um vídeo seu..." "A minha família, cara." "...no alto-falante." Eu comecei a perceber que, olha, não é tão normal pra todo mundo falar de sexo explicitamente. Por quê? Porque pra mim não era na adolescência e depois ficou, porque eu ouvi tanto. Que se você me falar qualquer atrocidade sexualmente falando, eu acho normal. Quando eu coloquei no texto e fiz um solo só sobre isso, que teve bastante crítica, "Ah, Thiago deixou de ser quem era", eu falava: "Caralho, ó, é mais normal pra mim que cresci ouvindo isso do que pra todo mundo". Então eu fui aprendendo, eu não tenho a fórmula da comédia, tá ligado? Eu vou falando, vou fazendo aquilo que a minha intuição bate na época. Então por isso que eu resolvi fazer e acho de verdade o show mais engraçado que eu fiz, por mais que tenha sido o mais criticado, tá ligado?
Maurício Meirelles:Não, mas achei muito bom esse daqui de agora também, porque eu acho que isso daqui, por exemplo, sexo, concordo talvez com a crítica, que é nem todo mundo tem a vivência sexual que você teve para ter identificação. E é um tabu. Sexo é um tabu, religião é um tabu, futebol é um tabu e política é tabu. O teu bagulho que você faz é uma coisa sobre inocência, que não é tabu, é todo mundo teve. Então você fala sobre inocência. A sua inocência sexual, ela foi— você era, você era cabação Você é homem de comer gente assim? Então... E a comédia fez você comer mais gente?
Thiago Ventura:Meu Jesus Cristo!
Maurício Meirelles:O quê?
Thiago Ventura:É, né? Caralho! Viado, posso te falar? É, eu vou te falar, eu fui bastante solteiro na época do stand-up e quando eu comecei a ter seguidor.
Maurício Meirelles:Você tá namorando agora?
Thiago Ventura:Tô namorando, tô relaxado pra caralho. Inclusive, até fico pensando assim: pô, mano, a vida de solteiro, o bagulho demanda uma energia... Nossa! Que caralho! Agora namorando que eu tô bem mais calmo, vivendo uma paz. É, eu tô estudando um termo da filosofia chamado ataraxia, filosofia grega, que é ausência de perturbação. Lendo sobre estoicismo, essas porra, acabei caindo nisso aí, tá ligado? E ataraxia é ausência de perturbação. E eu percebo que agora minha vida com ausência de perturbação tá uma paz gostosa de viver.
Maurício Meirelles:Mas me explica isso, porque eu não tenho essa visão.
Thiago Ventura:Quando você é solteiro e você tá achando que essa vida é a vida que você— caralho, mano, eu quero é comer gente mesmo, é esse bagulho. Meu irmão, você se destrói, cuzão, no papo. Me conta, por que você não cuida da sua saúde?
Maurício Meirelles:Eu acho que eu ia morrer.
Thiago Ventura:Você não dorme bem.
Maurício Meirelles:Eu acho que parte do meu sucesso é porque eu tenho a Emily. Eu juro por Deus, parte do meu sucesso. Tudo bem, é um saco às vezes, a gente briga, enche o saco.
Thiago Ventura:Relacionamento é um saco.
Maurício Meirelles:Não, não, amo minha mulher, é a coisa que eu mais amo na minha vida, você sabe disso. Trabalha aqui, tá aqui em cima. O que você falou?
Thiago Ventura:Guerreira.
Maurício Meirelles:Guerreira.
Thiago Ventura:Eu quero que você fique no lugar dele no nosso programa, meu irmão. Eu preciso dos seus comentários nos meus programas também.
Maurício Meirelles:Não, aí ele é guerreiro pra caralho, irmão, guerreiro. É o Maurício, é o Maurício do blblblbl, tá? Porra, 20 e poucos anos comigo e tal. Eu tive uma carreira muito tranquila em relação a isso, porque caralho, eu voltava pra cá. Todo dia eu volto pra casa, não é que eu saio, vou cheirar com a galera, entendeu? Tipo, você... Não tô falando de drogas, mas você foi pra um lugar que eu queria entender como é que é o lugar do Maurício. Como é que é ser comediante solteiro? Conta pra mim.
Thiago Ventura:Caralho, eu me dediquei. O Lugão tá aí, você tá ligado, né, Lugão? Eu me dediquei a pegar gente mesmo assim, mano.
Maurício Meirelles:Você chegou a fazer contas comigo? Ah, você faz, né? Porque imagina, moleque pobre, pobre de mulher assim.
Thiago Ventura:É, tipo assim, meu irmão, eu lá no Taboão da Serra eu era muito restrito com dinheiro. Quando eu ganhava dinheiro eu guardava, tipo assim, ó, eu era zero luxo mesmo.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque eu queria comprar meu carro pra poder viver melhor de stand-up, tá ligado? Então até juntar R$20 mil eu fiquei muito tempo Quando eu fui pro centro de São Paulo, que me sobrou R$300, Maurício, eu comprei R$300 de fandangos.
Maurício Meirelles:Eu lembro, você contou isso lá na Jovem Pan.
Thiago Ventura:Então se eu comprei R$300 de fandangos, imagina o que eu fiz com buceta, pai. Se eu comprei R$300 de fandangos, imagina o que eu fiz com buceta.
Maurício Meirelles:Tudo.
Thiago Ventura:"Ai, Thiago, sou sua fã, me pegaria?" Claro, segue meu endereço. Eu comi todas as pessoas que quiseram me dar, cuzão. Todas. Foda-se, mano.
Maurício Meirelles:Mas não teve uma coisa assim?
Thiago Ventura:Foda-se. Você já chegou a ter tipo 3 por dia? Ô, Maurício! Afinou o palco, pai! Meu irmão...
Maurício Meirelles:Eu quero ouvir, deixa eu ficar com... Deixa eu ligar pra Emily.
Thiago Ventura:Eu vi o Clóvis de Barros falando que o pior...
Maurício Meirelles:Fala aí, vai falar, vai falar.
Thiago Ventura:Você vai ligar pra ela?
Maurício Meirelles:Vou ligar pra ela agora pra ter um papo aqui.
Thiago Ventura:Eu vi, ô meu irmão, olha aqui pra mim. Eu vi o Clóvis de Barros falando que quando você se autoelogia é a forma mais grosseira de ver a vida, tá ligado? Num resumo. Por quê? Porque o resumo, o elogio mais próximo é o que você não tem que ouvir. Então quando você fala de si, é péssimo. Então eu coloquei isso pra mim também. Então é muito ruim ficar falando que... O que eu posso falar, que dentro da minha cabeça é: todo mundo na minha época de solteiro que teve a intenção de me dar, conseguiu.
Maurício Meirelles:Tá. Ei, amor, quanto tempo que a gente tá junto aí, amor?
Thiago Ventura:Cara, desde 2003, 2004, 2005, perdi um pouco a conta.
Maurício Meirelles:A gente tá muito tempo junto. Só que você não faz stand-up, né?
Thiago Ventura:Não faço, mas então você precisa ser solteiro, segundo o Thiago, pra fazer.
Maurício Meirelles:Calma! Não, eu não tô falando nada!
Thiago Ventura:Eu não tô falando nada, pelo amor de Deus, Emely, você tá ligada?
Maurício Meirelles:Eu sou parça. Eu sei, o Thiago falou pra mim assim: "Mau, experimenta uma semaninha", ele falou.
Thiago Ventura:Como se fosse uma casa de férias, pô.
Maurício Meirelles:Não, uma semaninha solteiro pra você ver o que é a vida que eu vivo.
Thiago Ventura:Segundo ele, não precisa vivenciar a vida dele, tá tudo bem, ele te conta como que é.
Maurício Meirelles:E você, então, tô perguntando aqui para ele e posso falar, é pior quando ele conta.
Thiago Ventura:Vamos seguir a vida casada, tá tudo bem, tá bom então, então beleza, tá.
Maurício Meirelles:Vem aí o meu novo solo, hein! Nossa, casamento legal! Você entendeu porque que o Thiago tem 8 solos a mais que eu? Você viu que ele já viveu?
Thiago Ventura:Mano... Você já viu que ele viveu de experiência pra contar? Sim, meu amor, é opção de cada um na vida.
Maurício Meirelles:É, eu vou contar: "E aí, Emily, que comprou framboesa?" É uma merda a minha história. Tá bom, meu amor? Beijo, te amo. Tá bom, beijo, te amo.
Thiago Ventura:Tchau. Eu acho, sexualmente falando, eu acho engraçado fazer piada sobre o constrangimento que o sexo proporciona. Tipo assim, vamos supor... Já aconteceu várias comigo. Eu já tomei um tapa na cara transando Que eu achei que eu tava devendo um dinheiro pra ela.
Maurício Meirelles:Que coisa maravilhosa!
Thiago Ventura:Você entende que essa piada é de sexo, mas não é uma piada de sexo? Entende, mano? A menina me deu um tapa na cara, eu tava deitado, eu tava de olhinho fechado. Ela puxou um tapa daqui, viado, ó, pra me dar, ó, daqui. Quando a mão veio, eu lembro que eu tava de olho fechado e minha intuição falou assim, ó: "Dá só uma... Abre só um pouquinho o olho pra ver." Quando eu abri, eu lembro que eu falo até no texto, minha bochecha falou: "Tripulação, aguardar o impacto." Mano, e foi um tapa muito forte. Porque a mina gostava de bater.
Maurício Meirelles:Mas eu conheço quem gosta de bater durante o sexo.
Thiago Ventura:Então, mas foi durante, ela tava sentando na peça e me deu um tapão.
Maurício Meirelles:Ah, você tava dormindo.
Thiago Ventura:É, só que não, não, não.
Maurício Meirelles:Vocês entenderam isso? Vocês entenderam?
Thiago Ventura:Aí deu tudo errado.
Maurício Meirelles:Eu falei, caralho, a polícia.
Thiago Ventura:Eu tava de olhinho fechado porque tava bom pra caralho. Eu tava olhando, entendeu, mano? Aí tava da hora e a mina me bateu. Quer ver uma outra situação que já aconteceu? Eu já broxei no menage.
Maurício Meirelles:Ah, é ruim, é ruim.
Thiago Ventura:Duas gostosas veio para me dar, só foi eu, meu pau ficou em casa, não quis. Então eu falo, não, meu pau tá vindo de Uber, vamos começando.
Maurício Meirelles:Eu falo isso porque dobra as chances de espalhar.
Thiago Ventura:Posso te falar uma piada que mexia com as pessoas?
Maurício Meirelles:A da piscada?
Thiago Ventura:Não, não, uma piada que mexia, eu falei, eu vou tirar Lugão, fala. Eu vou tirar e eu vou colocar mais pra frente, eu vou deixar essa piada mais pra frente. Eu tinha uma piada que eu falava de sexo pesado, né? Sexo pesado. E aí teve uma hora que eu falava que eu perdia todos os homens da plateia.
Maurício Meirelles:Essa mesmo?
Thiago Ventura:A piscada? Não.
Maurício Meirelles:Eu sei quando a sua mulher tá piscando.
Thiago Ventura:Quando? Ah, tá, tá, tá, tem essa.
Maurício Meirelles:Essa é muito boa.
Thiago Ventura:Tem essa. Não, mas essa é ótima, fica. Por causa que é a piada do pompoarismo. Sim. Mas tinha uma, mano, que eu falava assim, ó: Faz, vambora, vamo lá.
Maurício Meirelles:Quer que eu ligue pro Monark agora?
Thiago Ventura:Não, não, não, é por causa que eu falava de sexo pesado, porque tipo assim, tem muito cara que ele finge que a mulher dele não transou com outras pessoas. E se você quer ser um cara livre sexualmente falando, você tem que lidar com o constrangimento de saber isso. E aí teve uma hora que eu tava falando assim: "Aí mano, tem muita gente que me critica que eu falo muito de sexo, porque a maioria das pessoas que tem o ouvido sensível pra falar de sexo é porque não consegue lidar com o peso que o sexo tem na sua vida. Como por exemplo, vocês sabem, né, rapaziada, que a mulher que você ama, outro cara já gozou na cara, né? Você sabe, né, meu irmão, que a mulher que tá de mão dada com você aí na plateia agora, ela tava batendo uma punheta gostosa pra outra pessoa. Você sabe, né, meu irmão? Porque você não é doido de vir no meu show sem saber disso, né? Você sabe. Olha o que eu falo, olha o que eu falava no meu show.
Maurício Meirelles:Que gostoso, Thiago, seu show.
Thiago Ventura:Só que sabe qual que era a fita?
Maurício Meirelles:Por isso que ele tá no YouTube, não mais vários teatros.
Thiago Ventura:Sabe qual que era a fita desse show? Porque assim, ó, quando você vê uma pessoa falando um absurdo sobre uma outra pessoa que difere da sua cor, você da plateia acha engraçado. Só que quando a piada é com você, você já não acha mais. Então nós que somos comediantes, a gente sente prazer na dor também de quem tá na plateia. Porque a sua dor é o alívio da sua mina, porque a sua mina talvez esteja querendo conversar com você querer falar pra você que você é um machista filho da puta, queira falar pra você que deveria ter um pouco mais de liberdade sexual com você, mas tem cara que fala que não come a mina de quarto porque quem fica de quarto é puta. Você sabia disso? Nesse show que eu falo muito sobre putaria, você não tem noção, Maurício, da quantidade de mulheres que me mandavam mensagem dizendo: "Quero dar pra você." Você não sabe como que foi bom meu marido ver isso porque a gente voltou falando É, a gente nunca tocou nesse assunto, né? E aí voltaram falando e hoje eles têm mais liberdade sexual por conta disso. Eu fazia uma piada que aí essa daqui era a pior, que eu falava assim: "Cê sabe, né, que a mulher que tá aí com você sentada pegou o pau de alguém e fez assim, ó." Ela flauteou a buceta com o pau de outro cara e você tá aí falando: "Nossa, amor, faz lá um café pra nós." Esse é Thiago Ventura pra eventos corporativos, olha! Mas você entende, meu irmão, que tipo assim, ó, quando você dá um contexto, isso daí...
Maurício Meirelles:Eu tô ligado.
Thiago Ventura:Entende?
Maurício Meirelles:Só que eu entendo...
Thiago Ventura:É que assim, ó, as pessoas acham que o comediante não entende quem assiste. A gente entende pra caralho.
Maurício Meirelles:Eu tenho outra tese.
Thiago Ventura:As pessoas que não fazem ideia que a gente tá te fazendo de propósito.
Maurício Meirelles:Sim!
Thiago Ventura:Ó, esses dias eu vi um corte de uma pessoa que já tinha falado muito mal do meu show. E depois ele viu um show que veio na sequência, e nesse show eu falava: "Eu fiz um show sobre putaria porque eu tava comendo todo mundo, mano." Porque a única parte que eu me divertia era quando eu voltava pra casa e pensava assim, ó: "Meu Deus do céu!" Tem material. "Não acredito, mano!" "Aconteceu isso no sexo e eu vou falar." As pessoas colocam assim: "Ah, quando você falou muito de sexo, você deixou de ser quem eu era." Não, eu mostrei um pouquinho mais...
Maurício Meirelles:Uma parte da sua vida.
Thiago Ventura:Mas não é isso que a gente faz?
Maurício Meirelles:Mas eu acho que muita... Aí sou eu dando uma minha cagada de regra que eu já percebi.
Thiago Ventura:Fica à vontade, tá tranquilo.
Maurício Meirelles:Eu acredito real que muita gente que vai nos nossos shows não vão pra ver o Tiago Ventura ou o Maurício Meirelles, mas uma imagem que elas criaram do Tiago Ventura e do Maurício Meirelles.
Thiago Ventura:Nossa, isso é triste.
Maurício Meirelles:Então, porque lá nos Estados Unidos... Não nos Estados Unidos, na Europa, qualquer outro lugar pra não ficar... Paga pau de americano. Eu acho que tem uma coisa assim, eu conheço o artista que eu estou indo ver, "Eu sei que ele vai falar esse tipo de coisa e eu vou levar uns amigos meus pra ver esse tipo de coisa". Aqui tem uma coisa assim, pô, uma coisa São Paulo, outra coisa sei lá, Águas de Lindóia, chegou o Thiago Ventura, porra mãe, eu já vi vídeo dele na internet. Aí a mãe chama a tia, a avó, o pai, o avô achando que é o show do palhaço amendoim. E chega lá, tá o cara que é a buceta quando bate aqui, cara, aí...
Thiago Ventura:Entretanto você sabe o cuidado que eu tenho que tomar com o meu show. Meu produtor tá aqui, braço direito. Eu sempre que começo meu show solo, eu desço. E eu, antes de começar o Modo Efetivo, eu falava: Oi mãe, tudo bem? Quantos anos tem seu filho? Tem 11. Mãe, você tem a chance de levantar e ir embora, eu te devolvo dinheiro. Sabe por quê? Porque você não faz ideia do que eu vou falar nesse show, e esse é um show +18. A gente colocava o nosso show +18, agora +16. "More than 16." Mais de 16. Que com 16 tá tranquilo, tá legal também escutar. E as pessoas, teve gente que levantou e foi embora, teve uma mãe que falou: "Obrigado." E foi embora. E teve mãe que falou: "Não, eu vou ver, não deve ser tão pesado." E com 30 ela falou: "Obrigado." Obrigado!
Maurício Meirelles:Do caralho!
Thiago Ventura:Mas isso daí é assim, ó. Eu entendo que as pessoas sabem do potencial que eu posso entregar e talvez ter falado de sexo decepcionou. Mas sabe uma pessoa que não se sentiu decepcionada?
Maurício Meirelles:Você! Eu, pô!
Thiago Ventura:Eu concordo com você! Porque eu queria mesmo! Eu queria ser raso, eu queria falar de sexo, eu queria... Tudo que vocês me julgaram era o que eu tava querendo propor!
Maurício Meirelles:Eu vou te falar qual que é... Eu tenho uma palestra, eu falo disso. Palestra de criatividade que eu falo. Que eu falo desses dois tipos de artista. É igual cozinheiro, fica mais fácil. Existem dois tipos de pessoa. Uma que você paga pra ela oferecer aquilo que você quer. E outra que você paga pra ela oferecer aquilo que ela quer.
Thiago Ventura:Visão.
Maurício Meirelles:Eu gosto de ser esse artista 2, que é assim: quando eu tô na Globo com você e a gente faz um programa, não dá pra ser 100% aquilo que eu sou, porque tem milhões de pessoas vendo, tem patrocinador, tem assinatura, tem a coisa toda. E quando eu estou no meu teatro, é o momento que eu falo assim: "Cara, agora é o momento que eu vou cozinhar e você vem com fome e você nem sabe o que vai vir." "Mas eu vou te oferecer os pratos que eu escolhi pra você experimentar." Não é que você vai vir aqui falando assim: "Eu quero feijão, muda o sal." Não, aqui é outro lugar. Então eu acho que as pessoas elas... Você entende?
Thiago Ventura:Perfeito, meu irmão. Perfeito, meu irmão.
Maurício Meirelles:Tem lugar que você vai na cozinha que você fala: "Mano, vai lá, faz pra mim um churrasco." "Caralho, adorei." "Isso daqui eu não gostei." Mas sabe? E eu acho que quando a gente tá em muitos lugares, às vezes confunde. Porque, por exemplo, a gente tá na Globo. Aí o cara... Não o caso da Globo, mas assim, você tá... O Thiago Ventura do Palmeiras. "Caralho, eu adoro ele, isso a gente confunde tanto as plateias, a gente chega a essa conclusão." "Caralho, eu adoro o Thiago Ventura do Palmeiras, modo efetivo ele vai falar do Palmeiras." "E a buceta da minha avó!" Aí o cara fica maluco. E eu acho que o nosso problema também é...
Thiago Ventura:Caralho, é verdade, mano. Mas eu acho que o nosso problema também é a falta de cultura. Esses dias eu converso muito com os meus fãs, tá ligado, mano? E tem uma parceira minha chamada Lidy, que a gente conversa muito sobre comédia, e ela também concorda isso visto do ponto de vista do lado da plateia. O que que falta cultura? Eu, quando comecei a gostar de stand-up, o que que eu fazia? Eu fazia assim, ó: já vi tudo do Mau, agora eu vou lá ao vivo. Ah, foda-se o que o Mau vai falar, não tô nem aí. O Mau pode estar lá falando do quanto que ele odeia cachorro, por ele ele faria, tá ligado? Eu quero lá ver o comediante, eu quero ver. Olha só, não é que eu gosto do tema, eu gosto de você. "Se você quiser falar mal da direita ou da esquerda, sendo que eu tenho um lado, eu vou te ouvir falando." Sabe por quê? Por causa que eu sou um cara que consumo a cultura da comédia. Então, a cultura da comédia, ela me proporciona um comediante com pensamento, com temas de vários... Perdão. De pensamento onde tem vários temas, e ele pode usar o jeito dele pra todos os temas. E todos os temas me interessam, porque quem me interessa é ele.
Maurício Meirelles:Isso.
Thiago Ventura:Entendeu? Então, quando eu vi uma mina falando assim: "Escuta, posso fazer um comentário? Que às vezes eu atendo todo mundo..." Eu falei: "Claro!" Ela falou assim: "Isso é tudo que eu tenho, amo. Só agradece, meu preferido. Poucas foi que fez todo mundo da minha família te assistir." Aí, do modo efetivo, você chapou. Você entendeu? Mas eu desculpo... Não, mas olha a minúcia. Ela ia continuar falando dos outros, por quê? Porque mesmo ela não gostando, ela foi lá ver.
Maurício Meirelles:Mas é o Beatles, eu escutei vários e o Yellow Submarino já não achei tão legal, fui pra outro...
Thiago Ventura:Entendeu, mano? Ó, é a mesma coisa quando você se decepciona com o Mano Brown falando de amor.
Maurício Meirelles:Tá. Ô, meu irmão, mas ele é o Mano Brown.
Thiago Ventura:A vida do cara não continua? Esse cara não se apaixona? Esse cara não tem outras histórias?
Maurício Meirelles:Por isso que a carreira, ela é sólida. Por isso que você não pode nunca, na minha visão, assim... Não é nunca, porque é muito forte, mas se você vai muito pro lado comercial só, você perde quem você é como essência que fez você chegar nesse lado comercial. Entendeu? Uma vez até a gente teve uma discussão, e eu acho que agora você tá entendendo o meu ponto, eu vou explicar. Que eu falei que, por exemplo, quando você vai no show do Teatro Renaissance, a galera não vai pra ver o comediante, a galera vai pra ver comédia. Lembra que eu falei isso? Aí você ficou meio: "Porra, tá querendo dizer que você... Seus textos são elaborados e os nossos não?" Não, não, o que eu quis dizer era o seguinte: existe públicos. Existe público do Quatro Amigos, existe público do Web Bullying, existe público do Maurício Meirelles e existe público do Fila de Piadas. São públicos diferentes. E o público do Thiago Ventura não é o mesmo público do Fila de Piadas, embora esbarre.
Thiago Ventura:Visão, visão.
Maurício Meirelles:E tem muita gente que conheceu você pelo Fila de Piadas e vai ver o Tiago Ventura e se decepciona.
Thiago Ventura:Total.
Maurício Meirelles:E é normal isso.
Thiago Ventura:Total. É, as pessoas se decepcionaram muito quando eu comecei a escrever sobre Deus.
Maurício Meirelles:Fizeram?
Thiago Ventura:Ficaram muito. Por quê?
Maurício Meirelles:Por maconha?
Thiago Ventura:Porque eu tô falando o tempo todo na culpa do Cabral, só assim com Jeová.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque minha mãe fala isso. Sim. E eu cresci escutando isso.
Maurício Meirelles:E aí você cria uma afinidade no tempo.
Thiago Ventura:E outra, eu cresci com uma mulher, caralho, que tem uma... Você entra na cozinha da minha casa, tem uma Bíblia aberta. Minha mãe só fala de Deus, pô. Então, tipo assim, eu falo pra minha mãe: "Pô, mãe, não acredito muito, eu sou uma pessoa que não tenho tanta religião." Ela falou: "Filho, mas o importante é que eu rezo por mim e por você e você já tá salvo." Minha mãe fala isso aqui, ó: "Você já tá salvo." Como se fosse um crediário que você abre com Jesus.
Maurício Meirelles:Você pode ser ateu. Eu sou duplamente católico.
Thiago Ventura:Entendeu, mano? Só que eu permeio minha fala em tudo aquilo que eu aprendi a falar, pô. Aprendi a conversar com o pessoal da igreja da minha mãe.
Maurício Meirelles:A internet, ela... A gente cria a internet como se fosse um grande... Mas na verdade são as pessoas que estão assistindo a internet. Mas basicamente é, eu confundo muito meu público, mas é a nossa mania pulverizadora de querer fazer muita coisa. Você é um cara que é do Poucas, do Poucas não, do Jokes. Você, quem que é o Jokes, cara? É o Thiago fazendo piada rápida, uma line, o caralho. Quem que é o Thiago do Fila de Piadas? Temas mundanos, 3 minutos, 3 minutos ele fala. Quem que é o Thiago do Palmeiras? Apaixonado, que grita, manda tomar no cu e briga com todo mundo.
Thiago Ventura:Quem é o Thiago do Terapia do Big, que só fala sobre filosofia?
Maurício Meirelles:Que é o professor de filosofia, quem que é o Thiago do show do...
Thiago Ventura:Do solo, storytelling, história grande, é.
Maurício Meirelles:Storytelling de coisas temáticas, bababá. Caralho, se um cara te conhece em um, ele lembra de te conhecer em quatro. Eu sofro disso pra caralho. Sabe qual foi a minha treta com o Shamuel que a gente falou aquele dia? Eu entendi o Shamuel, de verdade. O Shamuel, alguém deve ter chegado pra ele falando assim: "Shamuel, Maurício Meirelles vai te entrevistar." Você acha que o cara fala assim: "Não, é um projeto machismo, vai lá e me entrevista, e é um papo mais sério, mais legal e tal." "Ah, deixa eu ver qual que é o do Maurício Meirelles. Webbullying." Ah, o cara vai me aloprar, eu vou aloprar ele antes. Então ele chegou aqui: "E aí, cuzão?" "Não, não, não, não." Virou um merda. Só que ali tava o Maurício do Axismos. E o Maurício do Axismos não é o Maurício da Webbullying. Mas é o mesmo Maurício.
Thiago Ventura:Vai confundindo, velho.
Maurício Meirelles:Vai confundindo. Tá ligado?
Thiago Ventura:Que boa análise, meu irmão. É exatamente isso. Mas é, porque ele veio fechado por um bagulho que não precisava.
Maurício Meirelles:Por exemplo, quando a gente foi pra Globo, olha que interessante. A ideia para falar desse, inclusive, como a gente se aproximou lá na Globo. Eu ia falar isso agora, cara. Que bom! A melhor coisa que eu tive foi do caralho, o projeto da Globo, foi uma das coisas mais legais que a gente fez. Mas as coisas mais legais que teve foi eu me aproximar de você e da Bruna. Murilo, eu já sou muito próximo.
Thiago Ventura:Eu já era próximo da Bruna e do Murilo.
Maurício Meirelles:É, e de repente, cara, eu aí eu falo assim, você se torna um cara que eu falo, o Thiago é muito foda. Eu não tinha essa visão sua porque o Thiago pra mim era só um cara que chegou depois de mim, ajudamos ali uma coisa ou outra, mas era uma coisa, mas a gente não tá junto, a gente não tá no dia a dia, eu tô com outra correria, você tá com outra, Thiago parabéns pelo trabalho, e de repente a gente tá junto no mesmo problema, e ali que você vê e fala, cara, no mesmo problema, cara, como que a gente lida? Pô, que do caralho, que cara feliz.
Thiago Ventura:Você viu que eu jogo junto, posso te falar uma coisa que acho que me deixou meio assim entre os comediantes? Porque eu fiquei muito conhecido por ser um comediante novo que tava no meio de todas as discussões e brigas do meio da comédia, tá ligado, mano? Eu lembro que eu tinha até outro empresário, o Ítalo, que o Ítalo falava assim: "Para de ser o justiceiro da comédia. Você quer tá resolvendo as brigas de todo mundo?" O que eu queria era que todo mundo parasse de discutir tanto e se unisse em prol de estudar comédia, mano.
Maurício Meirelles:Mas o que aconteceu na Globo, por isso que eu falo, pra mim foi do caralho tudo que aconteceu. E pra mim não, acho que pra todo mundo, a gente adorou aquilo. E foi do caralho porque no meio de onde a comédia tá todo mundo brigando, a gente juntou 4 forças que quase nunca tava junto.
Thiago Ventura:Uma paz, né?
Maurício Meirelles:Uma paz, velho. Era uma delícia gravar, era uma delícia, era divertido, a gente se dava bem, era legal. E o ponto que eu acho que eu ia chegar e falar com você era como vem muita reclamação. É o mesmo, o mesmo é bullying que eu faço no meu programa, você participou do programa da Globo? O mesmo webbullying que eu faço no YouTube, eu fiz na Globo.
Thiago Ventura:Você participou? Sim.
Maurício Meirelles:Só que por ser outra caixa, é uma outra crítica. Exatamente assim, fila de piadas, Thiago Ventura, webbullying. O Thiago da Globo ele não tem graça, mas por quê? Porque tem um histórico de Globo, de quem tá pra lá e não sei o quê lá. Não importa o que você faça, não vai ser bom porque é ruim.
Thiago Ventura:Porque faz parte de um porte político.
Maurício Meirelles:Webbullying agora tá combinado, eu sei que tá combinado, "Não tá, mas tá combinado, já tá todo mundo manjando." Então assim, tem muita caixa nova hoje nessa coisa toda pra gente entender.
Thiago Ventura:E como é difícil se manter.
Maurício Meirelles:Puta que pariu!
Thiago Ventura:Por isso, Maurício, que eu fiquei tão feliz de você ter visto o show solo. Por quê? Porque assim como você disse, cara, dava pra ter jogado, oferecido pra Amazon, pra Netflix, pra porra toda, e tem toda aquela burocracia, e eu já tava na ânsia de que "Temos que postar, mano. Temos que postar, porque tá um encavalado no outro." Eu tô com um especial editado, que eu postei agora, sujeito homem, e dois gelados, que tá... Falta postar pra ver o que vai fazer. Já tô gravando outro. Então eu tô deixando minha carreira pra trás, à mercê de querer vender pra outro lugar. Quando eu coloco esse especial, ele tá dando 100 mil views por dia. Tem 6 dias, 600 mil visualizações.
Maurício Meirelles:Agora, né?
Thiago Ventura:Dia 14. Era, agora. Que era a mesma métrica de views que eu tinha quando eu tava bombando no YouTube. Meu canal tá flopado e agora pela primeira vez eu tô com respiro de que: "Nossa, chegou nas pessoas de novo meu conteúdo, que da hora!" Porque é muito difícil, velho. Você sabe, eu sou preocupado o tempo todo. Sabe uma coisa que eu adoro? O jogo, mano.
Maurício Meirelles:Ah, você falou pra mim.
Thiago Ventura:Eu gosto do jogo, viado. Tipo assim, ó, eu gosto do jogo. Parar e falar: "Pô, mano, não tá entregando meu conteúdo. Por que será?
Maurício Meirelles:O que aconteceu?" Porque você me mandou uma mensagem.
Thiago Ventura:Deixa eu... Te mandei uma mensagem te parabenizando, falando assim: "Aí, Mau, que da hora que você tá tentando uma outra vertente de fazer sua voz chegar nas pessoas." Por quê? Porque a nossa história como comediante vai perdurar pelo tanto de esforço que a gente tem em se manter, pô.
Maurício Meirelles:Pra caralho, porque é mais... Eu entendo o que você quer dizer. A forma não importa, o que importa é a essência do que a gente quer. É, pô. E aí, eu tava com o Padilha aqui, ele falou que é muito foda que a gente tá dependendo do Instagram entregar. E se o Instagram fala: "Mano, não quero mais palco, agora eu quero vídeo." A gente vai pegar o vídeo e vai fazer. De alguma maneira, a gente vai fazer a ideia chegar.
Thiago Ventura:É ruim pra mim quando eu vejo os comediantes mandando assim, ó: "Caralho, mano! 15 anos publicando stand-up e agora você tá fazendo react?" Aí eu falei: "Meu irmão, só espera eu publicar meu especial, que aí eu te falo." Cheguei pros moleque e falei, tá ligado, mano? Falei assim: "Viado, ó, eu fiz 40 vídeo react." Sabe quanto que aumentou de visualização no meu canal? 85 milhões de views no Instagram. E talvez por conta disso tenha entregado meu conteúdo, mano, porque você tá no MySpace. Eu jogo o jogo, viado, eu vou jogar o jogo porque o final é levar gente para o teatro e gente vendo stand-up, porque eu sou comediante stand-up.
Maurício Meirelles:Quando você me mandou a mensagem, achei que você tava— você postou primeiro no meu comentário ali no Instagram, eu falei: acho que ele tá sendo irônico.
Thiago Ventura:Não, jamais.
Maurício Meirelles:Somos. Mas eu falei: "Pô, acho que o Thiago deu uma ironizada do tipo assim: 'Caralho, mas agora tá fazendo videozinho de...'" Nada, nada. Eu fiquei feliz falando: "É isso aí, cara!" E depois você me mandou, eu falei: "Não, ele entendeu." Porque, só pra explicar, durante anos a gente põe conteúdo no YouTube ou no Instagram. Eu fui um dos primeiros, inclusive, a toda semana mudar conteúdo, criando quadros pra postar sempre. E aí, de repente, eu olho, o Instagram não tá entregando, mano. Não tá entregando. O vídeo de stand-up que dava 1 milhão tá dando 80 mil, 100 mil.
Thiago Ventura:Aí, a gente, eu e o Lugão, a gente sempre fica conversando, tá ligado, mano? O Lugão, se você não tá ligado, o Lugão é meu braço direito, meu produtor, a gente sempre anda junto, conversa muito sobre comédia. O Lugão, sempre conversando com ele, ele falou assim: "Mano, será que não virou um padrão?" Aí se você parar pra pensar, virou. Virou. Você coloca o corpo todo, letras em amarelo, o arroba. Então, na minha cabecinha aqui de quem joga o jogo foi: o Instagram identificou que é um padrão, todo mundo faz igual e agora não vai entregar mais.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque ele precisa de coisa nova. Eu só tenho um padrão do Pod Park que foi muito bom, que é: a gente fica tentando entender a tendência sendo que nós somos ela.
Maurício Meirelles:Exatamente.
Thiago Ventura:A gente dita como é que vai ser e se acertar, acertou, pô.
Maurício Meirelles:Acertou. E ainda digo mais, eu não acho nem que foi assim entender o padrão e tal, eu acho que o padrão, a tendência é: tem mais comediantes ruins do que bons, assim como tem mais jogadores de futebol ruins do que bons, assim como tem mais advogados ruins do que bons, né? É uma tendência. Os excelentes, eles são menores do que a maioria. Tem gente que tá começando e tal. Eu acho que tem mais conteúdo de stand-up ruim, não tô falando do seu, do Albano, tô falando de geral. O cara tá começando em Brasília, ele vai postar um Reels. E isso começou a criar no Instagram um algoritmo, na minha visão, tá, de: caralho, é pouca gente clicando no like nesse tipo de conteúdo, é porque tá ruim, tá ruim, tá ruim, tá ruim, tá ruim. Então não vou entregar tanto, porque quanto menos tem watch time no meu Instagram, Quanto menos tempo tem, mais o cara sai do Instagram e vai para o TikTok. Se o cara só tá recebendo palco, palco, palco, palco, eu não vou mais entregar porque ninguém tá dando like nesse palco, palco, palco, palco. Então na verdade não foi com Instagram tirou, foi uma coisa de dos 100% de vídeos de palco, palco, palco, 90% é ruim, ninguém tá dando like. Então vou parar de entregar um pouquinho. "Porque eu preciso manter essas pessoas aqui." E aí ele vê você como o cara que tá começando. Então, tira.
Thiago Ventura:Então vou colocar na mesma peneira?
Maurício Meirelles:Na mesma peneira.
Thiago Ventura:E tem que jogar o jogo, mano. Eu falo assim, o Felipe Cotti é um comediante que... Muito bom. Eu sou muito fã. Ele também é do Taboão da Serra, então imagina, mano. Eu saio de lá, eu sou do Taboão, e agora o moleque que abre meu show, que eu sou fã, mandou uma mensagem de aniversário falando assim: "Viado, eu só comecei a fazer show porque eu vi você falando do nosso jeito, achei possível." "e agora a gente trampa junto e é irmão. Parabéns pelo seu aniversário, queria só registrar isso, que você tem importância pra mim." E ele também tem importância pra mim. No final do show eu falo: "Olha, aqui tem várias pessoas que compram ingresso, eu vou pedir por favor, sigam o Fábio Coice." Ah, que coisa, tá fazendo isso. Por quê? Porque nem sempre quem tem mais seguidor tá fazendo o melhor show.
Maurício Meirelles:Concordo.
Thiago Ventura:Mas mesmo assim, esse cara que não tem seguidor nenhum, ele precisa de seguidor pra que os produtores vejam ele e falem: "Esse cara precisa fazer show." Então, se tem que fazer o jogo que é depender de uma rede social e eu preciso que vocês me sigam, vamos jogar, pô.
Maurício Meirelles:Pois é, e aí eu te mandei uma mensagem que eu falei: "Eu tô meio preocupado com a..." Cara, eu fui fazer show no Rio, o Jefinho me abriu o show, o cego.
Thiago Ventura:É muito bom, né? É punchline, né, cuzão? Ele escreve piada, ele escreve...
Maurício Meirelles:Ele veio aqui no Axismo, aliás, eu quero chamar ele de novo aqui, o Jefinho cego. Ele é um absurdo, ele é um absurdo. Absurdo. Eu tenho uma história boa com ele. Ele é um absurdo. E esse moleque não bomba. E ele... Eu sei que cada um tem uma parada. Às vezes o cara não tem identificação com o cego e não segue. Cego segue. Mas ele é foda. Ele é foda. É um cara que eu olho e falo assim: "Esse cara devia estar bombando, mano." Teve um dia que a gente tava fazendo um show no Bar Brahma.
Thiago Ventura:Aí a gente... Eu fiz minha apresentação, foi uma bosta. Tortorelli fez a apresentação, foi uma bosta. Ninguém queria ver o show. Só que o próximo era o Jefim. E a partir do momento que você não tem como ver que as pessoas estão odiando, você só vai pelo ouvido. Então teve uma hora, mano, que ele tava fazendo as piadas, tava tão ruim o show, mano, que ele falou assim: "Cês tão aí?" Porque, pô, pra mim, cês foram embora, ninguém ri de nada, cês não querem o show.
Maurício Meirelles:Caraca, eu queria muito que esse moleque fosse o próximo que bombasse, porque ele é muito bom, ele é muito maneiro, ele tem na parada de ser sério.
Thiago Ventura:Você é muito generoso, viu, Mau? Você é muito generoso, você é uma pessoa muito boa.
Maurício Meirelles:Você também, caralho.
Thiago Ventura:Você é da hora, cuzão, não para.
Maurício Meirelles:Pô, tamo junto, cara. Eu fico muito feliz de, porra, mais uma vez a gente tá aqui. Puta, papo emocionante, mas é do caralho, vou falar, cara. Hã? Pô, choraria, velho. Sabe por quê, cara? Isso daqui é minha vida, irmão. É nóis. Eu faço essa merda, eu faço isso do caralho, ter um canal do caralho, eu poder oferecer. Agora tô com editoria e tal, o Ronald e o Petrim fazendo o bagulho, uma editoria no meu canal. Falo, mano, moda do caralho, tá? Tá o Batista, o Batista começou a fazer stand-up, Batista Miranda, angolano.
Thiago Ventura:Porra, maneiríssimo.
Maurício Meirelles:Arrebentando no palco. Sabe essas coisas que eu falo assim, de alguma maneira eu tô sendo o que o Danilo foi pra mim, o Rafinha foi pra mim. Que é outro cara legal, você tá falando de tabuão, mas é muito louco parar pra pensar que o Rafinha, ele tá sendo o Tiago Ventura da gente lá, velho. Lá? Ele tá abrindo o inglês merda pra gente.
Thiago Ventura:Inacreditável, né, mano?
Maurício Meirelles:Você não precisa fazer fiske, é só você chegar.
Thiago Ventura:A fatia que... Eu sempre coloco 4 nomes, tá ligado, mano, que foram para mim assim absurdo, que o primeiro de todos é o Diogo Portugal, né? Ah, sim, que também depois veio, veio Rafinha, Danilo e Porchat, que para mim assim foi, que foi a geração que iniciou, que iniciou o negócio.
Maurício Meirelles:Concordo, Rafinha, Danilo, Porchat e o Diogo, cara.
Thiago Ventura:Diogo, toda vez que eu vejo ele, a esposa dele, eu falo: meu padrinho, minha madrinha, que se não tivesse visto o vídeo de E pela coragem do Diogo, estamos aqui agora.
Maurício Meirelles:Fala, fala, fala.
Thiago Ventura:Depois virou minhas 3 referências, tá ligado, mano? Tipo, foi por ordem assim. Primeiro eu vi o Rafinha, depois eu vi o Danilo, depois eu vi o Porchat. Aí depois eu me identifiquei mais com o estilo do Porchat, então o Porchat era meu top 1, tá ligado, mano? Depois Rafinha e Danilo pararam de fazer, aí entrou o Rabinho e entrou o Afonso no top 3. Que eram as pessoas que estavam na atividade, tá ligado? Sim, sim, sim.
Maurício Meirelles:E o Rabinho?
Thiago Ventura:Uma parada que é da hora falar, mano. Diogo, Rafinha, Danilo e Porchat. É, não sei se vocês escutam muito essa porra, mas nós todos somos muito gratos, mano, a todo o seu corre, tá ligado? Inclusive o próprio Maurício, que é da geração mais próxima de vocês. Você veio quanto tempo depois ou na mesma época? Vim depois, um pouco depois, né?
Maurício Meirelles:3, 4 anos depois.
Thiago Ventura:Mano, a parcela que vocês deixaram, a gente aprendeu a fazer comédia stand-up vendo vídeo de vocês, tá ligado? Então, total respeito da minha parte aí por vocês.
Maurício Meirelles:Você começou quando?
Thiago Ventura:2020? Não, eu comecei 2010.
Maurício Meirelles:Eu comecei em 2007. Eu tenho 3 anos antes de você. Acho que os meninos começaram em 2005, se eu não me engano, 2006. O meu foi 2008, vai. Novembro de 2007 é quando eu começo a fazer meu primeiro show, então eu considero 2008 inteiro. Porra, vou fazer daqui a 2 anos 20 anos de carreira, mano.
Thiago Ventura:Porra! Muito doido. Eu bati 10 anos de freio e caneca agora, tipo, 10 anos que eu faço show em teatro, tá ligado, mano? Chorei muito. Chorei muito.
Maurício Meirelles:Mas chorou, chorou tipo sabe?
Thiago Ventura:Chorei muito. Não, chorei muito. Chorei muito. Chorei muito, chorei muito. Eu só consigo chorar se eu tiver sozinho.
Maurício Meirelles:Então vou deixar você sozinho aqui agora. Eu não quero chorando sozinho só nas câmeras.
Thiago Ventura:Eu só consigo chorar, é um bagulho meu, tá ligado, mano? Tô sozinho, consigo me emocionar. E aí liguei pro meu mano MC, tá ligado? A gente é bem amigo, liguei pra ele pra falar que eu tava feliz pra caralho e que quando, antes de entrar no teatro, uma música dele conversou pra caralho comigo e eu queria que ele soubesse. De pessoa que escreve pra pessoa que escreve, tá ligado, mano? Acho que foi um momento muito importante assim, esses 10 anos. Eu sou muito grato a ter conhecido a comédia, tá ligado? Principalmente a comédia stand-up, não só o ato de fazer rir por intuição. A comédia stand-up, o fato de estar lá em cima, bem bonitinho no foco. O trabalho. É, as pessoas não têm noção que a gente quer... É muito difícil fazer, as pessoas não têm noção. As pessoas acham que é improviso.
Maurício Meirelles:Eu vou te falar uma coisa.
Thiago Ventura:Improviso e stand-up, inclusive, é da hora todo mundo saber, tá ligado? Improviso e stand-up é completamente diferente. Tipo assim, ó: stand-up, quem faz é a gente. Improviso, quem faz é os Bybiches. Pronto. Qual que é a diferença? Improviso é o ato de parecer ter sido escrito aquilo que foi muito bem improvisado agora. Stand-up é o ato de parecer ter sido improvisado aquilo que foi muito bem escrito antes.
Maurício Meirelles:É isso. Exatamente isso.
Thiago Ventura:Essa é a diferença.
Maurício Meirelles:E o papo que eu tive com Afonso Antes de você estar aqui, a gente bateu um puta papo, que para mim o Afonso também é uma das referências que eu tenho.
Thiago Ventura:Muito estudioso, mano. Pô, é isso.
Maurício Meirelles:As pessoas não sabem que é estudo. As pessoas acham que é só, ah, ele sobe lá e fala umas besteiras. E tem muita técnica, tem muito. E tem muito, óbvio que não é igual o pedreiro que acorda 4 horas da manhã, tem que deixar isso claro.
Thiago Ventura:Ah, mas quanto de técnica? Vamos lá, é da hora você dar uma atenção na língua portuguesa, nas figuras de linguagem, entender como os gatilhos cômicos funcionam dentro seu contexto, entender sobre roteiro, entender sobre arco dramático também é maneiro, entender na prática como executar os seus gatilhos, entender também a cultura da comédia que você exerce, mas não esquecer que você é o povo sul-americano, tá ligado? Então a comédia que eles fazem na Europa não é sempre a comédia que vai funcionar aqui. Que é uma parada que eu falava pros moleque, eu falava assim: "Porra, gosto pra caralho do underground da comédia, mas..." Mas infelizmente vai ser pra caralho, vai ser difícil pra caralho pra eles, por quê? Porque eles tão fazendo piadas pra um público que não tem a cultura da Europa. Eles tão fazendo pra pessoas que tem a cultura da gente. E o que o nosso povo gosta é de uma comédia explicada, o nosso povo gosta de uma comédia com bordão.
Maurício Meirelles:Você tem que implementar coisas... Você pode até implementar coisas novas, mas não adianta, você tem que...
Thiago Ventura:E é muito estudo, tá ligado? Quando você vai fazer um Na Fogueira, Que aí você percebe se o comediante stand-up estuda. Por quê? Porque quando você entende que o Na Fogueira, na verdade, ele é o tema.
Maurício Meirelles:Ah, sim, pra falar de garrafa d'água.
Thiago Ventura:Mau, você pode fazer uma piada de ironia com garrafa d'água, com o povo gay e com tapete. Por quê? Porque no final você tá fazendo uma piada de ironia.
Maurício Meirelles:Sim.
Thiago Ventura:O que mudou? Foi o tema. Então quando as pessoas perguntam: "Dá pra fazer piada com tudo?" Dá. Mas você que segura o seu rojão.
Maurício Meirelles:Sim, sim, sim.
Thiago Ventura:Por quê? Porque dá pra fazer piada com tudo, porque no final não é o tema. Você que é não comediante, você só vê o tema. Eu estou vendo outra coisa. Por isso que você pode falar qualquer coisa pra mim. Por quê? Porque no final você tá falando que você comeu minha mãe. Só que você usou uma piada de quebra de expectativa pra falar do tema "comer sua mãe". Então pra mim é só quebra de expectativa. E a cultura da gringa já entende isso. "O que esse cara tá fazendo com esse tema?" "Várias piadas disso aqui, olha que legal que ele fez." Então eles não entendem o que é o tema, eles entendem o que é a estrutura.
Maurício Meirelles:Por isso que não é uma opinião. Por isso que é uma técnica.
Thiago Ventura:E mesmo se for, nesse meu show eu coloco minha opinião.
Maurício Meirelles:Sim. Mas pode não colocar também.
Thiago Ventura:Mas tu pode não colocar.
Maurício Meirelles:Porque se você fala "bati no meu filho", nossa, você bateu no seu filho.
Thiago Ventura:Exato. Teve um dia que eu fui falar, é que nem por exemplo essa piada, que é uma das piadas que eu mais gosto de ter escrito. Lá na minha rua, o Fábio, amigo mais da minha irmã, eu coloco ele: "Ah, tem um amigo meu que tomou um soco na cara, 7 tiros, 6 tiros no peito." A pergunta é: "Precisava do soco?" Essa piada é porque realmente aconteceu, entendeu? Todo mundo viu ele morrer na frente de todo mundo. E não deixa de ser verdade porque eu tô falando de um jeito engraçado. Olha como é que é profunda essa fala, tá ligado? Tipo assim: "Pô, mano, ele tá falando: 'Precisava do soco?'" É verdade, ele tá tocando num assunto delicado e sendo engraçado.
Maurício Meirelles:Por quê?
Thiago Ventura:Porque não deixa de existir só porque você não acha engraçado. Continue existindo. A gente, comediante, nós trazemos a comédia, por isso que o Afonso faz piada com a mãe dele que morreu. Porque não deixou de acontecer só porque você não tá gostando do que eu tô falando. E a forma que eu tenho de tirar isso do meu coração é usando aquilo que eu estudo de gatilho cômico, tá ligado, mano?
Maurício Meirelles:Sim, é tudo sinal técnico.
Thiago Ventura:Todo comediante, todo comediante que vocês verem aí, principalmente comediante stand-up, saibam, mano, eles podem não parecer, Mas o filha da puta estuda que nem um desgraçado, mano. Sim, sim. E é chato, a gente se frustra, todo mundo tá com cabelo branco, quando não caiu já o cabelo, tá ligado, mano? E quando não tá, tem diabetes. Porque a gente não come bem. Ou pré-diabetes. É.
Maurício Meirelles:Que é o meu caso.
Thiago Ventura:A maioria são notívogos, tá ligado? A gente estuda de noite, onde o mundo tá mais calado, onde a gente consegue pensar.
Maurício Meirelles:E melancólicos.
Thiago Ventura:Eu sou um grande fã e romântico da comédia stand-up, tá ligado, mano?
Maurício Meirelles:É pra atender?
Thiago Ventura:Peraí, então vamos já.
Maurício Meirelles:Alô?
Thiago Ventura:Amor, já que você não entrou pra putaria mesmo, vamos se exemplar na condição de pai e pegar a criança no horário?
Maurício Meirelles:Ah, tem que pegar meu filho, né? Tem. Tá bom.
Thiago Ventura:Já já não tá na putaria, vamos fazer aí uma coisa, né, pra você ficar feliz como pai.
Maurício Meirelles:Então posso pedir pra você encerrar o vídeo?
Thiago Ventura:É, esse foi o Axismos mais esperado de todos os tempos com Tiago Ventura.
Maurício Meirelles:E pede pra galera assistir Sujeito Homem, que é o especial de comédia do Tiago Ventura que tá no canal do YouTube.
Thiago Ventura:Sujeito Homem que eu preciso assistir inclusive.
Maurício Meirelles:Não, acho que é melhor não. Ah não, esse você pode. Esse você pode, esse você pode. Não é putaria? A Emília é contra putaria. Não sou contra putaria! Beijo, amor, tchau tchau, beleza. Que horas são?
Thiago Ventura:Acabou mesmo?
Maurício Meirelles:Acabou. Você achou que ia ficar 3 horas aqui?
Thiago Ventura:Não, achei que a gente ia continuar conversando. Foi muito rápido. Posso só chamar o pessoal do canal? Lógico. Aí, pô, que loucura, que a mulher do cara liga, acaba a porra do programa. Tá bom, excelente, te amo, meu irmão. Respeita a Emily, vambora. É isso mesmo. É, queria pedir primeiro, te agradecer, falar para todo mundo, mano, é muito difícil viver de comédia. Esse moleque aqui se desdobra para ser o comediante ímpar que ele é. E, por favor, dá uma atenção. Mesmo você que olha para mim e já pensa: "Não, esse maluco aí eu não dou risada com ele, é papo à toa." Nesse show solo, eu queria insistir. Digita Tiago Ventura, Sujeito Homem. É um show que me dá muito orgulho, tem bastante técnica. Eu acho que vocês vão entender que tem todo um trabalho que durou um tempo do caralho para criar. E eu estou tendo um retorno que eu queria. Então assistam meu novo especial, Sujeito Homem. Uma coisa que eu queria falar do Sujeito Homem, que é: Pra que as pessoas que também têm problema com relação a perdoar alguém dessem uma atenção. O final desse show fala sobre a briga com meu pai e eu ter perdoado ele, o quanto que isso agregou na minha vida, sendo que eu já sabia que na minha cabeça, quando eu era mais criança, que eu falava: "Não, o que ele fez, não, não quero, não quero, não quero." E tem um bagulho que tem feito bastante pessoa me mandar mensagem, que é: "Porra, cara, terminou com a reflexão do seu pai lá sobre perdão." que eu acho que as pessoas podem acabar usando pra vida, tá ligado? Eu fiz 7 sessões de terapia que fizeram eu trocar umas ideias com meu pai, que esse show dá uma direcionada. Você tá falando com ele agora? Muito! Eu e meu pai tá, tipo assim, eu não lembro qual foi a última vez que a gente discutiu.
Maurício Meirelles:Então da mesma forma que você, o Alba, ele te dá um conselho, eu acho que no seu próximo show você podia falar sobre seu pai.
Thiago Ventura:Então, eu tô falando, tipo assim, pra caralho agora de bom convívio.
Maurício Meirelles:Viu? Por causa da minha ideia.
Thiago Ventura:Eu que dei a ideia agora. Então eu queria falar isso, mano. Assistam esse show com tempo pra que as pessoas possam realmente entender que tem todo um quê além das piadas. Eu tô muito orgulhoso desse show, mano. Muito orgulhoso mesmo. E se puder, vai lá. Dá uma atenção.
Maurício Meirelles:Pronto, é isso. Não precisa falar nada. Eu endosso. Eu assisti, é muito bom. Assista. E deixa like aqui pra não me fuder também, caralho. Senão você vai ver o dele, vai dar like, e é que eu tô fodido. Tá bom? Vamos juntar os dois. É apertar dois botão, filho da puta.
Thiago Ventura:Você achou que foi bom, meu irmão? Foi tão rapidinho.
Maurício Meirelles:Que é uma merda. Vamos tirar esse.
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