🔪 Cutelaria Artesanal: FIZ UMA FACA DO ZERO | #VIDAREAL #22
Você já parou para pensar em como um pedaço bruto de aço se transforma em uma faca de cozinha profissional? 🔪💵Hoje o Tavião mergulhou no mundo da cutelaria artesanal com o Raphael, acompanhando todo o processo — do corte do aço 52100 à "boca de dragão" (forja) a 900 graus, passando pelo martelo, a têmpera no óleo e o acabamento minucioso. É um trabalho que mistura 2% de brutalidade e 98% de inteligência e sensibilidade.Vamos acompanhar uma verdadeira aula de cutelaria e, acima de tudo, uma lição sobre buscar o que nos faz feliz. Bora sair do estúdio e ir pra prática no ACHISMOS NA #VIDAREAL :)TAVIÃO @taviaohttps://www.instagram.com/taviao/ Encontre o Rei da Cutelaria:R. Paula Sousa, 269 - Centro Histórico de São PauloRua Carlos de Sousa Nazaré, 230 - Centro Histórico de São Paulohttps://www.reidacutelaria.com.br/https://www.youtube.com/@reidacutelariahttps://www.instagram.com/reidacutelariahttps://www.instagram.com/raphael.dallaneseConheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
- A Arte da TanoariaProcesso de forjamento · Aço 52100 · Têmpera no óleo · Acabamento minucioso · Normalização do aço · Revenimento da lâmina · Usinagem e lixamento · Tratamento térmico
- Propósito e vidaTransição de carreira · Busca por felicidade · Bem-estar e sossego · Mudança de cidade · Estilo de vida simples
- Valor da ArteObra de arte · Preço justo pelo trabalho · Afiação vitalícia
- Cutelaria Industrial vs. ArtesanalProdução em larga escala · Qualidade e exclusividade · Processo de forjamento · Geometria da lâmina
- O Processo de Têmpera e RevenimentoQuench (mergulho no óleo) · Óleo de canola · Ganho e perda de calor · Dureza vs. Tenacidade
- Exercício FísicoForça para segurar a filha · Bem-estar físico e mental · Superação de ansiedade
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Isso aqui é Aço em Brasa, eu sou o Otávio e hoje eu vou te mostrar como fazer uma faca artesanal na vida real.
Ah! Ô, louco! Olha!
Tá vendo que já tá perdendo cor? Não pode bater mais.
Boca!
É a boca de dragão.
Pode jogar essa chapa lá dentro.
É isso aí, Otávio! Se ela não tá retinha, ela vai ficar daqui a pouco.
E aí, Rafa, por que que você começou a fazer exercício, mano?
Finalmente eu cheguei num ponto da minha vida que o dinheiro não é o objetivo, não é o fim. Essa vida que eu tô vivendo aí, talvez você já seja rico. É, cara!
Para entender como uma faca dessas é produzida, hoje estou aqui com o Romeu, rei da cutelaria, e Rafael, cutelheiro artesanal, um dos maiores do Brasil, que vai mostrar como fazer uma dessas do zero. Vamos! Dá para fazer isso em um dia só? Não! Mas a gente vai fingir que dá, é isso?
Isso!
Rafa, isso aqui é a sua fundição? É a sua oficina? Como você chama?
É a minha oficina de forja. O equipamento que eu tenho não é sofisticado, é pouca coisa, mas é tudo que eu preciso para fazer uma faca de alta qualidade. Na minha cutelaria consiste em tenaz, marreta, forja e martelete. E bigorna, claro, tava me esquecendo da bigorna, pô.
Porque esse é o tipo de coisa que a gente olha e pensa: ah, cara, só uma indústria, só uma fábrica consegue fazer. E pô, suas facas são lindas, cara. Você faz isso aqui inteirinho mesmo, tanto a parte da lâmina quanto a do cabo. A gente vai ver aqui do zero a faca.
Do zero, eu faço tudo. A cada 2 meses eu produzo cerca de 14, 15 facas.
Caramba, é pouquíssimo.
É pouquíssimo. Eu tenho um padrão de qualidade e para seguir esse padrão eu tenho um limite de quantidade de faca.
O que é muito legal, cara, porque o Romeu tem uma das maiores lojas de cutelaria do Brasil. Sim. E você tem que ir equilibrando, ter um produto ali de alto volume e produtos aqui que são especiais como o do Rafael, é isso?
A nossa ideia é trabalhar com um pouco do artesanal e muito do industrial, mas eu tenho uma queda enorme pelo trabalho do Rafael aqui. Para fazer a tua primeira faca, o que a gente selecionou? Um aço que é o 5200. Um aço produzido no Brasil?
Do Brasil, de altíssima qualidade também. É um aço carbono, para forjar tem maior elasticidade e a transformação dele, a distribuição de material é menos difícil. Por isso a escolha desse aço para hoje.
Isso aqui é o embrião de uma faca? É isso aí. A partir daqui, esse negócio aqui que é pesado para caramba, denso, bem denso, duro, vai virar uma faca de cozinha fininha como aquela? É isso aí.
Como?
Primeiro passo agora é colocar ela na morsa e fazer um corte nela. A gente vai usar uma fração dessa barra aqui, Você que vai cortar, Otávio?
Isso tem uma cara de que machuca.
Põe aqui, cara. Isso é pra não voar fagulha na tua...
Pra eu não pegar fogo?
É, cara, a camiseta ela fica destruída, cara.
Ô, louco, mas eu vou fazer faca ou eu tô entrando no COVID?
O EPI de cuteleiro tem que ser esse aí, cara, senão é risco mesmo de acidente.
Tô me sentindo no Last of Us aqui.
E luva, luva de verdade, ó.
E óculos, cara.
A gente vai usar esse pedaço aqui para fazer uma faca chefe de aproximadamente 20 centímetros de lâmina, que é a faca chefe 8 polegadas. E aí você tenta seguir essa linha aqui, tá?
Vou tentar.
Segura firme, vai!
Te ajudo! Aí, devagar!
É isso aí, Otávio! Isso, cuidado com o tranco, cuidado com esses trancos aí.
É uma experiência intensa, Rafael. O medo de você cortar o seu dedo, ele é presente durante todo o procedimento. Mas tá aí a nossa faca, então é isso, cara.
É isso aí.
Isso aqui vai virar uma faca de 30 centímetros?
Vai, e é agora. Próximo passo, vamos ajeitar aqui a nossa estaçãozinha de forja.
Esse aqui é tipo um forno a lenha?
É a boca de dragão.
Então a gente vai— Para não prejudicar aqueles que não prestaram atenção ao lance, vamos mostrá-lo novamente com a magia do replay imediato.
Esse aqui é tipo um forno a lenha.
É a boca de dragão.
Olha isso, cara!
Pode jogar essa chapa lá dentro. Ó, aí, agora vamos esperar chegar numa determinada temperatura.
A temperatura de forjamento eu meço pela cor do aço.
Não só eu, qualquer forjador. Então a gente vai tirar da forja esse aço num laranja vivo e vai bater nele, vai Aí tenta transformar ele até ele chegar num vermelho opaco.
Quantos graus isso aí tá?
Agora ali dentro deve estar uns 900 graus. E o aço vai chegar nessa faixa. 900, 950 graus.
E isso é pra ele ficar maleável?
Maleável, o elástico, o elástico.
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A cor que já tá, ah, que sensacional! Que trampo foda você tem, mano!
As primeiras batidas você quer fazer ou eu, mano?
Lógico, se eu puder. Eu não quero estragar nada, Rafa, mas o que eu puder fazer eu quero. Cara, olha a cor disso!
Pegar isso aqui, colocar na quina aqui, ó. No caso, você vai usar a esquerda para apertar.
Você tem que apertar muito, cara, isso aqui, ó, para não escapar.
É, e aí você põe na quina aqui, ó, na quina, e bate aqui, ó. Tá bom. Aqui, porque a gente vai precisar fazer um dente aqui para forjar espiga.
Tá bom, vamos ver se eu consigo.
Aqui, isso.
E bate com ódio.
Com muito, cara.
Ou muito, muito, muito.
Voou, né, cara? Esse é um negócio, é louco. Vai, meu ferreiro!
É aqui que eu deveria estar fazendo?
É.
Tá vendo que já tá perdendo cor?
Sim.
Não pode bater mais.
Ai, perdeu. Agora volta para forja, mas Mas ó, esse dente...
É o dente que a gente precisa, cara!
Mas ele ainda está pequeno!
Está pequeno!
Bom, Rafa, então esse você agora vai fazer direito!
Então, vamos agora começar a puxar espiga mesmo!
Ô louco! É!
Ó, chegou nesse vermelho opaco, para! Não podemos bater mais!
Bater mais.
Mas você vê, eu bati um monte para ficar aquele engruvinhadinho. Olha aqui o que ele já fez, bicho! E parece uma massinha, parece que você tá batendo num caramelo, mano.
É, as aulas de forjamento iniciais é em massinha, cara.
Mas o calor, tipo, isso aqui tá meio metro da minha cara e eu sinto o calor do metal na minha cara.
Agora deve estar em torno de uns 600 graus.
E agora você vai ter que botar de novo ali?
Sim, muitas vezes isso aí vai acontecer, muitas vezes.
É o laranja vivo, que é o limite aqui da Tem temperatura, rapaz! Olha, isso aqui é um martelete, ele ajuda muito a distribuir material.
Cara, eu tô vendo que é um processo extremamente musical, parece que eu tô escutando Nine Inch Nails aqui. Quantos anos você faz isso, mano?
Forjamento é de uns 6 3 anos para cá, em torno disso eu passei a fazer forjamento.
Mas pergunto, porque antes disso você foi professor?
Fui professor universitário.
E o que que deu na tua cabeça que um dia você falou: cansei de dar aula, agora eu quero só bater em metal?
Eu cansei um pouco do ambiente de sala de aula, do ambiente universitário. Para mim era, eu gostava, mas eu, aquela história lá de se sentir um peixe fora d'água, de não tá nunca completo. Eu morava em São Paulo, era muito trânsito, cara, todo dia.
Que agora a gente tá aqui em São Francisco Xavier, numa casa maravilhosa, com laguinho, gramado. Foi uma mudança de vida mesmo.
Sim, totalmente completa, porque eu tinha criado na minha cabeça uma carreira como professor universitário, como pesquisador acadêmico, mas essa criação que eu formei, pensei: ah, cara, eu não quero mais. Ela deixou de me satisfazer e eu sempre gostei de manualidade, manualidades, de artesanato, sempre gostei, cara.
O trabalho hoje, muitas vezes você não consegue ver o fruto dele, é uma coisa às vezes tão intangível, é um negócio digital, é um negócio tão grande. Aqui não, mano, você tá vendo literalmente um pedaço de ferro virar uma outra coisa na tua mão, na tua força, né?
Isso é muito doido, mas é uma coisa que eu fico satisfeito, cara.
Aí você vai botar o seu logotipo, é isso?
Vou colocar o meu logotipo na lâmina.
Tá bom, bate aí, mano.
São as 5 estrelas do Cruzeiro do Sul. A minha cutelaria no início se chamava Cruzeiro Facas. Desliga a forja ali, ó, naquele registro ali em cima.
Isso, horário. Isso, sentido horário. Desligamos a forja, acabou o forjamento.
Qual que é a diferença de forja para forno? Eu tava falando errado.
A diferença é que na forja a gente não tem controle preciso de temperatura, no forno a gente tem. Eu coloquei 900 graus ali, eu tenho certeza de que eu tenho 900 graus. Se eu colocar 853 graus É isso que vai dar noite. Vai estar em 853 graus.
Então agora a gente vai pro forno.
Você vai pegar essa lâmina ali e a gente vai fazer a normalização do aço.
Normalização? O que que é isso?
O que que a gente vai fazer? A gente vai organizar todo esse grão estrutural e vai refinar esse grão, vai diminuir o tamanho do grão estrutural desse aço. Ó, forno em 900 graus.
Nossa, ele tá caindo uns negócio queimando em mim.
Coloca no meio dos dentinhos ali, ó.
Do fundo ali também?
Do fundo e do início aqui.
Ah, assim?
Isso! Maravilha!
Cara, que sensacional!
Ótimo! Agora, fechamos o forno, vamos esperar chegar em 900 graus.
Aham!
20 minutos aqui dentro, para transformação adequada, aí a gente tira e deixa resfriar no ar.
Mas agora, esses minutos vão se passar em um estalar de dedos!
O que você vai fazer? Você vai pegar pela espiga, aquela partezinha de baixo ali. Aí você vai pegar pela ponta dela, aí você vai trazer aqui, ó, colocar a espiga aqui e travar aqui.
Demorou, pai.
Aí, que bonito, cara!
É legal que realmente eu vejo que você tem, cara, um orgulho, um tesão nisso aqui, que é bonito demais de ver, mano. Isso aqui realmente é a tua paixão de vida.
É mesmo.
Na minha cabeça, faca era um negócio que eles faziam uma chapona de metal e daí vinha um, que igual um cortador de biscoito assim, e ficava cortando as facas. Mas não, faca é isso aqui, mano.
É também, exato, também essa forma para indústria, claro que ela é otimizada, né?
Existe isso, então não tô viajando.
Você faz como se fosse um cortador, cai uma prensa de 8 toneladas, né, Rafaão? Na indústria eu já cheguei até a ver que recorta e que faz até o forjamento. Então imagina tudo que você fez aqui, ela consegue fazer uma parte que eles chamam lá indústria de integralização, não é forjamento. Eu pego isso aqui recorto no formatinho de faca e vou direto para lixadeira. Só que isso aqui tem que estar tratado termicamente. Se não tiver tratado termicamente, aí é um problema, aí você vai ter uma faca ruim.
Mas o gostoso de verdade da cutelaria é isso aqui que você tá vivendo hoje, né, que é a arte, que é a arte mesmo.
Os dois modos de construção de uma lâmina de corte podem chegar numa lâmina excelente, podem chegar. Eu prefiro o forjamento por dois aspectos: porque eu gosto de forjar, me traz prazer esse processo de forjamento e porque através do forjamento eu consigo recursos de geometria de lâmina, que eu considero que são importantes para o corte na cozinha.
Tu cozinha? Eu cozinho! Você sabe o que é precisar de uma faca boa?
Pô, isso vem de família, cara! Minha avó cozinhava demais assim, era muito boa! Toda a turma da Itália lá cozinhava bem demais, minha mãe... Cozinha muito bem também! É uma forma também de controle de qualidade!
Pois é! E aí, é o quê? Nós estamos deixando ela só aqui, dar uma respiradinha?
É! Aqui a ideia agora é chegar em temperatura ambiente e depois disso, a gente vai voltar ela para o forno para fazer o recosimento. A gente vai transformar esse aço aqui, que ainda está sob tensão, a gente vai tirar a tensão estrutural desse aço e vai deixar ele muito macio, desse jeitão aqui, ó.
Aqui já temos aqui o nosso próximo passo, nossa próxima etapa da faca. Ela tá o quê? Que ela tomou sol e não passou protetor solar e tá descascando? O que que rolou aqui?
Isso, nessa transformação aí de recosimento, de normalização também, o que acontece? Existe precipitação de carbonetos.
Pele de sapo, em português.
Isso, essa precipitação de carbonetos, o que que é? Vai saindo do núcleo da lâmina e vai indo para pra extremidade, pra cá, ó. Isso aí se transforma no que a gente chama de carepa.
Carepa.
E essa carepa é um material muito frágil e quebradiço. Então se a gente bater aqui, ó, vai soltando. Pega ela pra mostrar. Vai soltando carepa. Em termos de dureza, Rockwell, que é a unidade de medida de dureza pra aço, deve estar com 18, 20 Rockwell.
Isso é baixo?
É muito baixo. Eu acho. O meu trabalho aqui na lâmina final no aço 5200 tem 63 HRC. Aqui tá com aproximadamente 20. Então tá tão macio que a gente consegue dobrar na mão e não vai quebrar.
Não, isso é qualidade!
Pode deixar cair que ela não vai quebrar. Não, de jeito nenhum.
Confia totalmente, pode jogar no chão com força.
Inclusive tem uma coisa, eu lembro na minha casa quando caía a faca no chão, eu tinha que fazer uma cruz no chão para não ter briga em casa.
Isso é coisa dos caipira. Mas tinha isso.
Não tinha não, cara.
E agora, qual que é o próximo passo dessa faca nesse estágio?
É a gente fazer rapidamente um forjamento a frio de alinhamento dessa lâmina, deixar ela muito alinhadinha, bem alinhada, e depois fazer usinagem, que é definir todo o perfil dela, transformar ela num, com, já com visual de faca de cozinha.
É pique martelinho de ouro.
Ó, dá uma olhada que você vai ver que ela tá, se ela não tá retinha, ela vai ficar daqui a Um pouco.
pouco, tá? Tô vendo que ela tá um pouquinho ainda curvada aqui. Como que você entende aonde precisa bater, cara?
Você define ali contra uma parede branca, mais ou menos ali. Você olha e passa o dedo aqui, ó, no início. Você vê assim, ó, e aí você vai definir onde que tá esse empenamento. E aí você dá umas batidinhas com esse martelo, batidas bem leves, que era só na pontinha aqui que ela tava.
Ah, julgo que tá retinha.
Aí, ó!
Ah, deu arremate! Dei, pai? Aí, agora sim!
Beleza! Esse é o molde da faca de cozinha que eu trabalho, é inspirado nas facas chefinas japonesas.
Entendi!
Lá eles chamam de "giyuto". Então, cara, agora a ideia é colocar esse molde aqui em cima, desenhar exatamente isso!
Eu nunca fui bom na aula de artes. Aqui temos um pedaço de aço e um sonho, e a nossa faca, se tudo der certo, vai ficar nesse formatinho aqui. Cara, quando fala usinagem, eu imagino um monte de ferro derretido caindo e tal, mas não, é uma cinta, é uma lixadeira de cinta.
Aqui tem um inversor de frequência, eu consigo controlar a velocidade.
Essa lixa é grão 36.
É para desbaste pesado mesmo. E aí eu vou lixar isso aqui até o desenho que você fez.
Não vou nem me arriscar nessa parte que eu tenho medo disso aqui. Então, por favor, eu vou me divertir hoje.
Então vai, Romulo.
Cara, é muito lisinho esse processo, do jeito que vocês fazem e tal.
Então isso aqui é a faca recortada, desbastada no perfil que é praticamente o perfil final.
Mas dá para ver, ó, que ela tá cheia dos fiapos, tá quente, hein?
Tá cheia de rebarba.
É, e aí o que que a gente vai lixar ela agora?
Não, agora a gente pode tirar a rebarba usando uma outra lixa aqui.
Por favor.
E agora, agora o que falta para a gente concluir o tratamento térmico é fazer o detalhe da espiga aqui, da trava da espiga que vai entrar no cabo.
Tá, então aqui agora você vai dar o acabamento final na espiga e vai nessa lixa que dá uns arrepios, hein?
É, aqui é uma lima cilíndrica do tipo bastarda, e aqui o que eu tô fazendo é o desenho do choil da lâmina. Aqui, choil, é, isso é um termo em inglês, é a curva do encaixe do dedo aqui, sabe?
É onde vai a mão, velho, onde você vai encaixar ali, ó.
É, isso aqui é um trabalho de ergonomia de lâmina assim, sabe?
Posso tentar usar a bastarda para fazer o choil? Claro, o desbaste é para frente aqui, ó, não E a ideia é fazer o quê? Um cotovelinho aqui?
É, a ideia é ficar desse jeito aqui, ó. É esse detalhe e esses ombrinhos aqui da espiga.
E isso aqui você fez com a lima bastarda?
Com a lima. Depois fui para uma lima mursa e depois lixa para deixar bem lisinho.
Nossa, que tá lisinho mesmo, cara! Rapaz, depilado totalmente aqui, gostosinho de encaixar o dedo.
Encaixa o indicador ou o dedo do meio, dependendo da pegada do cozinheiro. E aí quando chega nisso, a gente vai para o tratamento térmico de têmpera.
Vamos temperar uma faca?
Temperar, deixar ela na dureza máxima que o aço alcança.
Eu nunca entendi o que é temperar um aço, porque para mim temperar é botar sal, páprica picante, o que a gente vai fazer aqui?
Esse termo "tempera" que a metalurgia na língua portuguesa usa, Não é muito adequado.
Porque não é do inglês, seasoning.
Não é e nem tempering. O tempering em inglês é a última etapa que a gente chama de revenimento. Em inglês, por exemplo, na metalurgia em língua inglesa, eles chamam essa próxima etapa de quench. Quench. Quench, que é o mergulho.
Então volta para o forno.
Isso.
Aí, agora a gente... Arde a mão, bicho, nossa!
A gente espera chegar o forno chegar em 820 graus, deixa 15 minutos aqui dentro e aí tira e mergulha no óleo. Isso você vai fazer.
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Rated PG. Enquanto isso, a gente aquece o óleo, vai deixar o óleo chegar em 100°C.
E por que óleo em vez de água?
Tratamento térmico é um processo de ganho e perda de caloria em taxas de velocidade diferentes. Então se a gente resfria na água, a velocidade de resfriamento é muito rápida, cara, para esse aço não é adequado. Entendi. Por isso que a gente usa o óleo, e a gente usa o óleo quente para diminuir os efeitos aí de empenamento, para deixar o óleo menos viscoso também, que é interessante. Então a gente vai fazer no óleo.
E aí eu tava reparando, Rafa, vindo para cá um pouco, é tua oficina, mas também é sua academia, né? Que que é isso aqui? Você é o Circo do Soleil?
O palhação minhas filhas.
É mesmo? O que que você faz aí, mano? Faz aí pra nós.
Aqui eu faço exercício de musculação usando o peso do corpo.
Calistenia?
É, calistenia.
Faz aí pra gente, pô.
É mesmo?
Mas lógico.
Não acredito.
Tem esse... Porra, deixa eu tentar.
E aí, Rafa, você tava me explicando por que que você começou a fazer exercício, mano?
Faço isso há 2 anos e meio. Minha filha, ela era bem menor do que é hoje, cara, e eu sofria pra segurar ela no colo. Não me sentia forte o suficiente pra ficar com a Luiza, minha filha mais velha, no colo por um tempo prolongado. Sei lá, se eu precisasse ficar com ela no colo 1 hora, 2 horas, hoje eu consigo.
No imaginário das pessoas tem muito a ver isso aí, o cara que é cuteleiro, toma uma cerveja, fuma, assiste Peaky Blinders, tem essa coisa, né?
Sim, mas eu não sou chegado em seriado, eu não fumo mais e cerveja eu ainda gosto.
Pode crer, então é interessante de ver como há relativamente pouco tempo você deu uma guinada de vida mesmo.
Porra, muito, cara, bastante coisa na minha vida mudou.
Mudou de cidade, mudou de profissão, mudou de estilo de vida e você sente que hoje você se encontrou mais?
Me encontro, cara, todos os dias eu me encontro.
Para quem tá assistindo, né, que mora às vezes numa cidade grande e tudo mais, às vezes elas entendem que você veio para uma vida mais simples. Mas você acha que ela é mais simples ou não?
Ela é mais simples no sentido de diminuir desejo de ter as coisas, mas em termos de dia a dia, de rotina do dia a dia, é mais complexo. Tem uma puta área gigante aqui para cuidar. Estaria mentindo se dissesse que o dinheiro não é importante. É importante demais para qualquer pessoa. Mas cara, finalmente eu cheguei num ponto da minha vida que o dinheiro não é o objetivo, não é o fim, são outras coisas. Tipo o quê? É o bem-estar, é o sossego, cara.
É eu dormir tranquilão, acordar tranquilo, sem palpitação, sem ansiedade, sem parecer que o coração tá na garganta, sem precisar matar 50 leões por dia.
Isso antes é isso?
É, eu vivia isso, cara. Aquela ansiedade que você não sabe explicar de onde vem, de você acordar, sabe, ofegante, ou não conseguir dormir direito, ficar acordando a noite inteira. Eu não tenho mais isso, cara. É uma vidinha assim simplona.
Essa provavelmente é a coisa mais cara que alguém pode conseguir conquistar na vida, cara.
Eu até brinco com as pessoas, de forma, eu acho que eu tô errado de falar que eu nunca vou ficar rico, porque eu não tenho casa própria.
Mas, cara, essa vida que eu tô vivendo aí, talvez você Talvez já seja rico.
É, cara, veja bem, eu não tô julgando aqui os estilos de vida, eu só tô dizendo que esse modo de viver que eu tava descrevendo não funciona para mim. Mas tem pessoas, cara, que adoram essa adrenalina, acordar com cortisol, usar adrenalina. Tem as pessoas que dormem 3, 4 horas por noite, se sentem bem.
Bom, hoje nós acordamos às 4 da manhã para vir para cá gravar, né? E eu acordei feliz, eu acordei muito feliz, eu tô muito feliz agora.
E todos os seus vai ficar essa faca.
Pois é, será que já dá para nós ir ali?
Eu acho que já. Agora é um mergulho no óleo. Isso é óleo de canola, vocês vão sentir cheiro de pastel, tá?
Com qual frequência você troca esse óleo, Rafael?
Eu nunca troquei, cara, eu só filtro.
É, filtro ele para tirar as impurezas.
Assim, eu uso esse mesmo óleo faz uns 6 anos, eu filtrei uma vez. Quer jogar num outro recipiente com uma peneira ali para tirar a carepa, né? Porque no choque térmico térmico, a carepa que tá colada na superfície do aço, ela se descola, ela meio que estoura.
Pode crer.
E aí cai tudo ali dentro, mas isso não atrapalha em nada o tratamento térmico, até porque eu uso um óleo de canola, ele se mantém mais limpo por muito mais tempo. Você vai pegar essa lâmina que tá ali dentro, você vai mergulhar, vai puxar para trás, e aí você vai ficar fazendo esse movimento aqui, ó, com a lâmina dentro do óleo.
Nossa, que mágico!
Agora puxa para trás, não tira de dentro do óleo.
Ah, não tiro?
Não!
Aí!
Cuidado para não sair de dentro do óleo.
Entendi!
E seria péssimo se eu soltasse aqui e caísse?
É, isso não solta! Isso aí é um resfriamento de aproximadamente 8 segundos, depois de 8 segundos não transforma mais nada. A gente deixa o óleo escorrer. Olha, você vê que a carepa se soltou bastante, está vendo?
Sim!
Então essa carepa é depositada lá no fundo do recipiente. Agora, cara, com uma mão você vai segurar a tenaze e com a outra você vai limpar essa lâmina aí. Caramba! A tempera foi muito bem feita, cara!
Nossa, e tem um cheirinho de comida mesmo, né? Cheiro pastel! Está com vontade até de morder isso aqui!
A gente precisa agora fazer o revenimento dessa lâmina.
Revenimento?
É, a gente vai esquentar essa lâmina de novo em 2 ciclos de 1 hora cada ciclo, numa temperatura de 200 graus.
Eu tô vendo que é um processo enorme de deixa muito quente, esfria, deixa muito quente, esfria.
É isso aí!
O que você está buscando com tanta alternância de temperatura?
Bom, depois da têmpera, do quench, né, a gente alcançou a dureza máxima O plasma, então, isso aqui está muito duro, só que não tem tenacidade.
Tenacidade?
Tenacidade é elasticidade, maleabilidade. O que a gente vai conseguir agora com o revenimento é tenacidade e por isso a gente vai baixar a dureza.
E daí você faz isso no forninho elétrico?
Nesse forninho elétrico.
Que parece um forno de bolo.
É igual um forno de bolo. Vamos dizer que já está ligado e está em 200 graus? Claro! Sim, sim! Não está, né?
Tudo bem!
Esse forninho aqui... Está a 200 graus.
Está a 200 graus Celsius. Com aquele termômetro ali, que é um termômetro culinário, tá vendo?
Ah, sim!
A gente deixa a lâmina aqui agora por 1 hora em 200 graus. Depois de 1 hora, a gente vai tirar essa lâmina daqui, deixa chegar em temperatura ambiente e depois põe dentro desse forninho por mais 1 hora. E aí o revenimento está concluído, a gente vai ter dureza suficiente e aí a gente vai ter também tenacidade, uma excelente tenacidade. Ó, depois do revenimento ali, Geralmente a lâmina tá empenada pelas tensões ali do tratamento térmico. A gente precisa desempenar essa lâmina, deixar ela alinhada.
E aí é mais martelinho de ouro ainda mesmo.
Mais martelinho.
Conforme avança o processo, diminui o tamanho do martelo, é isso?
Isso, é cada vez mais delicado. Isso aqui tá, apesar de ter tenacidade, tá frágil para eu pegar uma marreta e descer o braço. Então agora eu vou aqui, ó. E aí eu vou nesse processo lentamente até alinhar a lâmina.
Que leva quanto tempo?
Ah, geralmente um dia inteiro.
Só essa parte do martelinho, um dia inteiro?
Um dia inteiro.
Quanto tempo leva de ponta a ponta uma faca, mano?
Se eu for fazer uma faca, leva aí 3 dias. Depende muito, cara, da gravidade do empenamento, sabia? Por exemplo, essa lâmina empenou, a região do fio empenou em S. Então isso aqui dá um trabalhão, cara! Às vezes é mais de um dia. Depois que a lâmina está desempenada e alinhada, aí depois eu faço uma limpeza nela, de modo que eu tiro todo esse resquício de tratamento térmico, de óleo queimado, de sujeira de têmpera. Deixo ela nesse aspecto aqui, que fica um prateado aí, a cor do aço mesmo.
Mesmo, mantém as marcas do forjamento aqui, que é o que dá o ar rústico artesanal.
Sim, para a gente trabalhar o desbaste do fio. Se a gente fizer uma medição rápida aqui, tá com 1,6mm na região do fio. A gente vai chegar em zero, a gente vai chegar numa medida que o paquímetro não mede mais.
Caramba, isso tudo ali na cinta, na lixadeira?
Tem um processo que eu faço também, que é em pedra de afiação, que é o afinamento final. Não vai dar para a gente fazer hoje, mas eu chego praticamente em zero na lixadeira ali.
Depois da lixadeira ela fica assim, bonitona, mas ainda tá faltando acabamento, né, Rafa?
Esse é o tipo de acabamento que a gente chama de acetinado do aço carbono. É um acabamento que ele traz beleza, mas ao mesmo tempo traz um benefício de reduzir a taxa de oxidação.
Taxa de oxidação é para não enferrujar?
Isso, ou para enferrujar menos. Se aqui tem riscos muito profundos, a umidade vai se depositar ali naquelas, naqueles riscos ali, vai ficar mais difícil mesmo você passando um pano de prato, ainda vai ficar umidade entrar no risco profundo e aí vai causar uma oxidação. Eu começo esse trabalho de acetinado numa lixa de grão 180 e vou até um grão 600. Aqui eu uso limpa vidro.
Limpa vidro na faca?
É, pra quê? Porque qualquer resquício de gordura aqui ele já elimina e deixa a relação lixa aço mais abrasiva. E aí o negócio aqui do trabalho é o seguinte, cara, é Cara, que coisa maneira! Olha, já tá bem mais bonito, tá vendo? Ó, eu diminuo abrasividade agora trocando limpa vidro pelo óleo desengripante, que agora eu vou fazer esse trabalho de pentear os riscos aqui e organizar esses riscos.
Cara, é muito minucioso esse trabalho, cara.
O bonito da faca, do trabalho, quando a gente fala de faca, é que vai do bruto ao minucioso para você entregar uma peça. Sim, muita gente tem aquela visão errada do cuteleiro, de que o cuteleiro ele é um cara bruto. Ele precisa ser bruto, mas ele tem que ser muito mais inteligente. É tipo 2% brutalidade É habilidade e o resto é minúsculo, é inteligência, cara.
Olha, vem, olha, fica esse padrão que eu acho lindo. Você vê como fica bonito, cara?
A faca tá pronta, mas tá faltando agora o cabo. Como que a gente faz?
Ali eu tenho um estoquezinho, é o meu armazenzinho de madeiras aqui.
Tudo isso aqui pode virar um cabo?
Pode. Eu tenho jacarandá, olha Olha que lindo, mano! Eu adoro trabalhar com jacarandá, velho!
Qual que você vai escolher para essa nossa aqui?
Para a gente fazer um encabamento tradicional, como os japoneses faziam e alguns ainda fazem, a gente vai trabalhar com maple canadense.
Ah, o mesmo lá que faz o xaropinho de botar na panqueca?
É, cara! Maple canadense é uma super madeira, eu gosto, ela tem uma densidade média e isso favorece a gente fazer o encabamento a quente, que é o que a gente vai fazer nesse caso.
Caralho, vai igual manteiga! Mas pera aí, Rafa, esse buraquinho desse tamanho Vai caber isso aqui?
Vai!
E é o que a gente vai fazer agora, a gente vai esquentar essa espiga até aproximadamente 800 graus, por aí e vai colocar essa pontinha agulha aqui, aqui dentro e vai forçar isso aqui.
Eu só acredito vendo! E a gente vai esquentar Esquentar aqui agora o espigão.
A gente vai esquentar assim, ó, fica com esse bloco na mão. Mas já tá mudando bem de cor, tá vendo? A gente vai fazer a primeira aqui, introdução aí da espiga, fazer até a metade, depois a outra metade.
Já tá bem quente, vermelhinha, encostou. Ah, na mão mesmo? É, ô louco!
Vamos conferir aí alinhamento.
O cheiro de fogueira vai perfumando o ar.
Isso aqui é muito delicado, porque se ele colocar torto, já era também.
Tchau!
Não dá para corrigir, Romeu. Por isso que eu trabalho com o bloco inteiro.
Mas ainda não acabou.
É isso aí, ó. é lindo de ver o trabalho, né? Lindo, tipo, é uma coisa para gosto, né?
Que realmente é uma arte, mano, não é uma coisa para qualquer um. Que aí o fato de você ter toque, acho que joga a teu favor de sempre entregar uma minúcia tão maneira assim, né?
Olha, é, isso ajuda um pouco. Aqui embaixo já tá no acabamento de lixa 600.
Olha que gostoso que é! Cara, muito bonito ver o negócio tomando forma, né? Você vê aquele pedaço bruto de aço que a gente começou e agora já é, cara, uma faca quase pronta, linda.
Agora é o seguinte, essa cera de abelha com óleo mineral.
Parece uma cera de cabelo. Esse é o acabamento final?
É, só que é cera de abelha que eu esquento na panela com óleo mineral E aí ele fica nessa, nessa pastona, fica pastoso, né? Não fica duro igual a cera de abelha, não fica oleoso igual óleo mineral.
Isso aí eu faço isso aqui, esse aí agora é bricolagem, né?
Para impregnar mesmo no poro da—
é bom que esteja pós-lixo.
Eu vou esfregando mesmo para entrar mesmo.
Melhor ainda, melhor ainda.
Sim, ajuda no polimento. Eu faço essa frição para esquentar. Ela quente, ela penetra melhor no poro mais fino.
Nossa, já vai mudando aí a textura, o brilho.
Dá para você finalizar com óleo de tung, que é um óleo específico chinês, não é de origem chinesa. Dá para você finalizar só com óleo mineral, você quiser. Não, ele encontrou essa fórmula aqui Muito legal.
Eu gosto de fazer isso na mão. Dá para fazer com roda de pano, né?
Claro, você fazia antigamente?
Fazia, cara.
Terminado o skincare da faca, finalmente. Olha que coisa linda! Para alguém que cozinha, para alguém que trabalha com isso, para alguém que gosta, você vê o quanto é especial o trabalho, o cuidado. É uma coisa linda. Acima de tudo, cara, eu acho maneiro o quanto eu vi você feliz fazendo tudo isso. Eu vi você ali fazendo o cabo, daí você parava e falava: pô, que da hora, mano! Isso é muito louco, né, cara? Você vende uma faca dessas por quanto nesse comprimento de fio?
Por R$1.930.
Tá. E aí é uma coisa que às vezes a gente pega e fala: nossa, quase R$2.000 numa faca! Mas você vê que é todo um processo que é totalmente especial, não é uma coisa feita em escala numa indústria. Isso aqui realmente é uma obra de arte.
Sim, cara. Além da satisfação no processo todo, que eu tenho mesmo, é a satisfação de receber o que eu considero um preço justo pelo trabalho.
Você, ao comprar uma obra de arte como essa, se comprar no Rei da Cutelaria ou qualquer outra faca, ganha afiação vitalícia.
Vitalícia, com certeza. Quem compra a faca do Rafael nesse esquema que a gente tá fazendo vai ganhar afiação vitalícia, que eu mesmo vou afiar Lá no Rei da Pizzaria.
Pois é, cara, e o que eu acho bonito de ver, como eu falei, o trabalho de todos vocês é esse amor que vocês têm pelo que vocês estão fazendo, toda essa alegria de fazer, assim como eu teria muita alegria que você continuasse assistindo os nossos vídeos aqui toda semana na Xismos TV.
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