O EXCESSO DE INFORMAÇÃO ESTÁ DEIXANDO AS PESSOAS BURRAS? ft. CAITO MAIA | #ACHISMOS PODCAST #419
Como um cara que veio do rock and roll e das bandas independentes construiu um império de óculos?
Entre muitos achismos sobre como é ser um empreendedor famoso, hoje o Caito Maia, o fundador da Chili Beans chega pra um papo que vai muito além de negócios e planilhas, abrindo sua cabeça, seu coração e seus sonhos.
Bora descobrir em uma conversa sobre atitude, liberdade, erros, acertos e a busca por uma vida mais equilibrada!
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É, o cara fez 3 pedidos e acabou tudo as revistas Veja, porque tinha os caras querendo comprar. Sim, sim. Aí, próximo passo é o seguinte, é, eu, o meu chefe na época, ele não tem a Veja São Paulo, então ele lançou a Veja Miami, legal, para a galera de lá. E eu que vendi o espaço publicitário. A página custava $13.500, eu tinha 15% de comissão. Eu tinha 20 anos de idade, eu ganhava tipo $20, $25 mil por mês, mano.
Você pegou as mesmas bandas de épocas diferentes.
Exato. Ó! Mas você viu o que ele falou? Você pegou as mesmas bandas de épocas diferentes.
É, porque o Bring Me the Horizon é o rock de hoje. Olha que mais moderno assim. É o Black Sabbath de hoje, que fez a diferença, né, do que era o status quo. E a outra que você falou, qual que é a segunda? Eu falei o Arctic Monkeys. É dos anos 90 ali, né, 2000.
Anos 2000, 2010.
2010, primeiro álbum é 2010. E aí você pegou uma de 70, uma de 2010 e uma de 2020.
Você tem quantos anos? Eu tenho 35. Você não é Z, né? Você não é Z? Não, acho que não. Ok, millennial.
Também não sei.
Vamos começar aí? Na verdade a gente já começou, né, brother? Já começou o papo aqui.
Começa assim, assim, vamos lá. Esse aqui não tem nem abertura.
Sem abertura?
É, lógico. Sabe por quê? Porque eu vou falar um negócio para vocês agora assim, é que quando liga a câmera a gente muda.
Caralho, é, vamos lá.
É meio, tá meio, a gente começou meio depressa assim.
Não, temos que, não, mas vamos, vamos para tudo, bicho. É a bandeira da China ali? É. Pode pegar, não vai não, mas vamos fazer um recorte depois.
Vamos fazer. Em épocas de corte não pega não, não pega não. Depois você fala um negócio, a galera joga.
Nem fodendo, o cara ali que tá dando risada ali já, a carinha dele.
Só para explicar o pessoal que chegou agora, que clicou nesse vídeo, pô, quero ver o Caíto Maia. Caíto Maia é um cara que eu gosto muito. É um dos caras que eu mais gosto, inclusive, desse mundo de empreendedorismo. E eu queria fazer um episódio dedicado a como que é a cabeça de um empreendedor, de um cara que quer crescer, o cara que acreditou quando ele tinha 15 anos de idade, ele falou: cara, eu vou ser rico vendendo alguma coisa.
E agora eu quero saber se a expectativa dele cumpriu ou se ele tá agora assim: porra, era tão mais legal ser CLT. Não sei, a gente não sabe, a gente não sabe como é que é a vida de empreendedor. Ele chora, Ele sofre? Ele é feliz? Ele é só jatinho? Ele é baladas? Como que é a vida de um cara que empreende no Brasil? Então eu tô aqui com um fundador da Chili Beans e um cara que eu admiro muito porque é o único cara que fala de rock and roll ainda, que é Caíto Maia. Tudo bem, Caíto? Você gostou da apresentação?
Eu achei bom, achei bom. Porque assim, na verdade, no final do dia, de tanto podcast assim, tipo, é que do jeito que você começou, já dá abertura para a gente falar o que a gente quiser.
Exato, é para ficar mais aberto.
Não, e para sair, abrir a cabeça, botar para quebrar. E assim, uma coisa que eu faço assim, eu fico reparando em detalhes aqui, isso mesmo chama atenção assim para mim, sabe? Você vê umas coisinhas diferentes assim. Tem umas mensagens aqui, né?
Tem, tem muita mensagem.
Tem uns negocinho, tem umas cutucadinhas.
Tem, tem tudo baseado no mundo.
Bom, primeiro, prazerzão, você sabe o quanto eu te adoro, o quanto eu te admiro. Eu tô entre os 4 maiores palestrantes do Brasil e minha palestra, vejo você Mano, você tá lá, bicho, né?
É porque eu tô no vídeo, né, cara?
Iggy Pop, cara, é muito louco, cara. Você sabe que eu e você, a gente conseguiu uma coisa na história muito boa, velho? Que assim, eu falei que a hora que o Iggy Pop foi fazer ação, lembra que ele foi quebrar móveis?
Só pra explicar, o Iggy Pop veio pro Brasil, né, fazer uma ação com a Chili Beans e o CQC, que é onde eu trabalhava, eu fui lá entrevistar ele e foi um dos momentos mais marcantes, tá no YouTube, depois você vai ver, foi muito legal essa entrevista que eu fiz com o Iggy Pop.
Foi do caralho. Não, e assim, é legal porque é o seguinte, porra, bicho, Iggy Pop, mano. Iggy Pop é Iggy Pop, Bowie, Iggy Pop, velho.
Cara mais atitude que tem na história.
Já começa ali que eu fui jantar com ele num restaurante, aí eu já vi que tinha two people.
Ah, mas vai continuar.
É, já tinha um personagem muito mais forte do que eu imaginava. Sim. Tinha o Iggy Pop e tinha o cara que eu tava jantando lá.
Jura por Deus que ele ia ficar sem camisa jantando, tacando broa de milho nas pessoas?
Já começou ali um... Eu falei: Porque eu tenho uma teoria que é o seguinte: cuidado ao conhecer o seu ídolo. Sim. Porque a chance de dar merda é gigantesca.
Dá uma frustrada, né? Mas é a minha tese pela qual a Beyoncé não pode ir no Graal comer um espetinho de frango.
Nem fodendo, uma coxinha de galinha, né? Morre, morre. Eu queria fazer um parênteses. Nem começou a coisa, eu não paro de fazer parênteses. Vai. Tem uma cena maravilhosa no The Crow que é o seguinte, essa cena eu acho histórica. O tiozão lá, que era o rei, não é rei, era rei, que era marido da rainha, que era um rei, que não é rei, aquela coisa, o marido da rainha, o cara era piloto, aí pintou a chance deles ficarem 6 minutos conversando com os astronautas.
Sim, sim. O cara é piloto, velho, o cara vai falar que foi para a Lua? É o pica do pica do pica do pica.
É o cara que serve a picanha e o cara que serve o cupim.
É, entendeu? O cara que conseguiu E aí, meu, primeira coisa foi do caralho, que assim rolou uma discussão diplomática de seco.
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6 minutos pra 17. Porque eles tinham 6 e ele pediu 20 minutos. Eles conseguiram 17. E aí a conversa... Por que eu tô falando de expectativa? Olha que do caralho, até você assista essa cena porque é genial que eu tô falando de expectativa. A conversa era o seguinte: "Mano, eu vou conhecer os caras que pisaram na Lua, velho." "Quanto histórico o cara deve ter e tal." E o outro, os cara, ele falou assim: "Eu vou conhecer o rei." O cara mora num lugar com 43 quartos, mano.
Puta que do caralho. Aí começa a conversa. O cara fala: "E aí, meu, conta aí, você foi pra Lua?" "Ah..." "Ah..." "Mas, mano, você foi pra Lua, você pôs a mão..." "Os cara ficava falando no meu ouvido, eu não vi a Lua direito." Aí o cara começa a murchar, o rei. O papo acaba, dura assim, daí os cara devolve pra ele e fala assim: "E aí, como é ser rei?" "Caralho, meu, conta aí, você mora numa casa que tem 43..." Ficava uma bosta, é sozinho pra caralho, é um puta corredor, parece o Iluminado, que o cara vê o cara no fundo...
Mas será que a gente não é muito chato? Será que a gente não tem uma criação de expectativa tão grande, ô Caíto? Então, tem isso... Você falou do Iggy Pop, né? Aí eu fico pensando o quanto deve ser chato pro Iggy Pop.
Só pra terminar. Não, não, continua. Mas era melhor os dois não terem trocado ideia. Ah, sim. Era melhor o cara ficar com a viagem do cara. Putz, o cara foi pra Lucca, foi do caralho. E que o cara mora no castelo que é do caralho. E aí continua o seu raciocínio.
Ah, não, eu vou chegar no Iggy Pop. Porque o Iggy Pop eu acho que é uma pessoa que você que é do rock and roll, eu que sou do rock, a galera que gosta de música e tal, fala assim: porra, deve ser muito louco esse cara, esse cara deve fazer o que ele quiser e tal. E aí quando você vê um tiozinho que tá com sede e quer beber algo E aí você começa a entender assim: "Caramba, os personagens, eles existem. E o quanto isso é ruim ou o quanto isso é bom?" O que você percebeu ali?
Então, eu não sei se é bom ou ruim. Pra mim, naquele momento, deu uma decepcionadinha, porque o cara era meu herói. E nunca imaginei. E aí teve uma cena que foi do caralho, porque assim, quando eu tava levando ele, tava indo com ele pra quebrar óculos, ele tava nervoso pra caralho. Eu falei: "Caralho, o Iggy Pop nervoso, mano?" Meu inseguro. Porque ele nunca tinha feito aquilo. E aí eu marquei uma coisa na minha vida Que eu falei: "That's fine, man." Eu falei "everything is fine" pro Iggy Pop, meu.
Eu dei uma acalmada no Iggy Pop. "Só, Iggy, dá uma segurada." "Não, tá tudo bem, cara." "Isso pro currículo é treta, né, velho?" "O que você fez na vida?" Eu falei: "Calma, Iggy Pop." Aí ele deu uma acalmada. Caralho, cara. E você, quando você deu aquela porra pra desconstruir, ele tava todo... Ele tava assim, mano, ele não sabia o que fazer. Aí você arrancou o Schwarzenegger... Não, você arrancou o... Aquele menino lá, aquele menino lá que só faz bosta, aquele...
Eu?
Justin Bieber.
Ah, sim, o Justin Bieber.
Só pra lembrar, eles...
Eu quis fazer uma ação pra ver se ele era Rock in Rome mesmo, assim.
Não, era assim, tipo, take it or break it.
Take it or break it.
Então o primeiro era o Justin Bieber. Aí ele fez assim e jogou. Não, não, ele tava com medo de jogar, aí você arrancou da mão dele e quebrou. Aí ele falou, ah, legal. Aí o segundo era o Schwarzenegger, meu, ele não pensou um segundo, ele fez assim: "Plá!" Break it. Aí o terceiro era a Paola Oliveira. Aham. E aí ele olhou assim: "Pegou!" E o último era o Belo.
Sim, que era pagode, né?
Não, animal, né? Você falou assim: "Puta, mas você foi..." Meu, a galera chora de rir na história. Mas assim, de novo, tanto eu quanto você, naquele momento, a gente meio que deu a desconstruída no hip-hop, mano.
Caralho, cara, agora você tá falando pra mim, eu tô pensando: "Mano, eu achei que eu tinha feito só uma entrevista de 2 minutos." Nada!
Nada, ele ficou sem jeito, ele nunca... Aí ele falou: "Caralho, vai quebrar aqui?" Porque o cara é o Iggy Pop, é a mesma pergunta, o Baal, você comeu o Baal, você não comeu... É a mesma pergunta.
Sim, sim.
Daí, tipo assim, aí chega você com os negócios pra quebrar e quebrar de verdade...
Ele falou: "Caralho..." Sabe que a gente já se ferrou muito no CQC por conta disso? Porque sempre quando eu ia fazer uma entrevista no CQC, eu sempre chegava e falava assim: "Cara, a gente não é convencional." Porque as pessoas querem que a gente fale do filme. Vai lá. Cara, a gente chega com outra proposta. Isso que era o CQC, era muito bom. E aí a galera ou amava muito a gente, de comprar a gente pra tudo, "Vem sempre." Ou falava assim: "Não, cara, eu quero que você seja a coxa." Então você começa a entender que o negócio da atitude é também de quem reage à atitude.
Sim, pra caralho.
E tem gente que não quer reagir à atitude. Ele fica, ele se sente assim: "Cara, não é pra fazer." Não é pra fazer, fico desconfortável. E você é um...
Eu, na Tiribins, eu não tenho... Eu não vim à terra pra vender pro cara que não quer ser tirado da zona de conforto.
Porque pra mim você é o cara que, se a gente traduzir uma parada, a gente vai falar "Rock in Roma", vai falar em atitude.
Tem a ver, né? Rock in Roma é atitude.
E ao mesmo tempo, olha só, tem o mundo da atitude. O que é o mundo da atitude, cara? É você ser contracultura, você ser um cara disruptivo.
Na verdade, atitude é assim: seja você quem você é, meu. Pra mim, atitude é assim: seja você quem você é.
Mas pra uma marca isso não é complicado? Te pergunto. Porque chega um momento que você... Dá merda! Porque chega um momento que você não quer mais ser você.
Eu no começo da Tilibings, eu lancei umas campanhas que se você lançasse hoje, você ia ser preso. Tipo? Tipo, a gente lançou, a gente fez uma homenagem à pornochanchada. Ah, querido telespectador, pornochanchada era o cinema que durante a ditadura os caras liberavam um pedacinho do peito para entreter as pessoas, para elas não pensarem em política.
Porra, maravilhoso!
Era a estratégia. E aí tinham vários filmes de pornochanchada. Era para isso? Era.
Vai voltar então.
Boa! Se tivesse agora a galera É, e aí a gente pegou algumas cenas da pornô chanchada. Tinha uma cena famosa pra caralho que o cara dava um banho na melancia. Ah, sim, depois comia melancia. E a gente pôs um outdoor.
Eu vi essa campanha.
Então a gente pôs um outdoor na Avenida Paulista e o menino assim com uma melancia falando: "Ai, vamos tomar um banho antes." Que legal, cara. Minha mãe até hoje não entende porque que eles dão banho na melancia. Ninguém vai entender.
E aí eu te pergunto, você era um cara com ideias, né? Você falou, cara, vou fazer uma fábrica, uma empresa, né, uma indústria de óculos e tal. Qual foi o momento decisivo da tua vida para você fazer isso? Que eu tô falando, porque onde eu quero chegar, tem muita gente que assiste, vê o empreendedor como um cara assim, ele já nasceu rico, ele já nasceu com vontade, ah, o produto vai ser fácil e tal. Eu não quero discutir só a parte técnica de como você foi e chegou onde você chegou, mas mais a parte mental de como que é, como que foi esse momento que você olhou e falou assim: "Caralho, mano, é isso que eu quero fazer na minha vida." E se você chegou a desistir desse momento em algum lugar assim.
Só pra você entender, a venda de óculos inicialmente ela era uma necessidade pra pagar uma parada que dava prejuízo, que era a banda.
Tá, você tinha a tua banda.
Tinha a minha banda. E a gente até, puta, não sei se você chegou a ver o documentário do Raimundos.
Tava na minha lista.
Eu tô lá.
Que dizem que é um dos melhores documentários. É, não vi, não vi.
Eu morei com o Digão, né, 3 anos. Eu participei de tudo aquele movimento, de tudo que tá ali que você vai ver, eu tava ali do lado. Sim. E o Digão, puta, foi parceiro, não sei o quê e tal. E eu tinha uma banda chamada Las Chicas Tienen Fuego.
Sim.
E aí Era uma banda de funk, de groove. E aí, só contar uma cena maravilhosa aí. O Digão, para me dar uma força, eles, a gente abriu uns shows do Raimundos, só que, meu, os cara tocava punk rock e eu trocava groove, tá? Os cara não queriam me ver.
Sim, não batia, né?
Não. A gente abriu um show no Aeroanta, cara, em Curitiba, meu. Os cara me xingavam para caralho. Tinha um moleque, ele queria me matar, seu filho da puta, você é "Paulo, Ricardo, eu vou te matar!" E ele ficava o show inteiro assim, ó. Meu, foi a abertura do show do Raimundos, cara.
Caralho, você entendeu o que foi 20 anos de abertura de show do Raimundos? Outras bandas devem ter passado por isso.
Não, é que na verdade o cara queria me dar uma força e meu som não tinha nada a ver com o som dele.
Sim, sim. Mas várias vezes deve ter acontecido isso na vida do Raimundos também.
Mas a gente tá falando do que mesmo?
A gente tá falando que você, em algum momento, você resolveu... Tá, tá. Você tinha uma banda.
Eu tinha uma banda, a banda...
Fala. Não, vou até fazer de uma forma menos coxa. Você tinha uma banda, você é um cara rock and roll, você é um cara assim, cara, disruptivo, aí de repente você vira um empresário. Isso que eu quero saber, o que que fez você virar isso?
Não, é assim, ó, primeiro de tudo, eu sempre tive essa parada do 2 2 virar 5, sempre. Sempre, desde moleque, tipo, eu ia pro Paraguai, puta, comprava umas paradas pra trazer, pra vender e fazer uma grana, sempre.
Ah, tá.
Rolo. É um empreendedorismo na veia, entendeu? Tipo, ah, puta, essa xícara aqui, puta, legal. Se eu comprar ela por tanto e vou vender por tanto, quanto que eu faço de grana? Entendeu? E sempre, a vida inteira. Aí, tipo assim, tanto é que tipo eu não tinha dinheiro de família, nada, eu queria ter uma batera, uma bateria foda. Mano, cheguei a comprar uma bateria mais pica do Brasil, cara. Fazendo rolo? Sim. Eu comprava uma bateria, vendia a bateria, colocava um dinheiro, dava um tapa.
Quer dizer, empreendedor não é o moleque que senta na frente da sala, é o moleque que organiza as festas. Seria isso?
É o que organiza. É, mas cuidado, porque o que organiza as festas, ele pega todas as menininhas, mas não ganha um puto, fica devendo. Tá bom, tá bom. Mas é um cara que tá ali, é o cara que faz a parada, tipo assim, de novo, sem tirar vantagem, sem ser desonesto com ninguém.
É o desenrolado.
É, vê oportunidade e faz a conta acontecer. E aí o que aconteceu? Tinha a banda, a banda, puta, a gente concorreu no VMA da MTV, fiz turnê no Brasil inteiro.
Você perdeu pra quem?
A gente perdeu pra uma banda chamada Uns... Eu não lembro o nome.
Não, mas eu lembro que você participou de um VMB, você participou como revelação, a sua banda, contra Só Caras Pica, não foi?
Não, não, não, não. Não, é o seguinte, eu concorri com duas... Foram escolhidas entre duas mil bandas revelação, a gente tava em cinco. Era só bandas novas, revelação. Sim. E no ano que eu concorri era tipo Raimundos, meu... É isso. Nação Zumbi... Skank. Marisa Monte, entendeu?
O nível era muito alto. Ainda bem que você foi pra Chili Beans.
É, e aí o que aconteceu? Tipo, eu comecei a vender óculos pra pagar os prejuízos da banda. E eu comecei a ver que tem oportunidade no óculos.
Mas do nada? Por que o óculos?
Então, não tem explicação, porque eu tava em Vênice, havia uns óculos lá, comprei 200 óculos, comecei a vender no Brasil, comecei a ganhar dinheiro. Porque o óculos eu gosto, porque o óculos tem uma margem boa, mas não tinha uma necessidade, uma explicação Isso não foi pensado, cara, o óculos vai ser uma parada que vai bombar.
Foi tipo, tô andando, ah, vou levar lá para os caras.
Ah, tá 2 dólares lá no Brasil, consigo vender 100, vou comprar 100 desses.
Era essa margem? Era tipo 10 reais para 100. Aí você esgotou rapidinho?
Rapidinho, comecei a voar a banda, começar a vender óculos para caralho. E aí o que aconteceu foi o seguinte, e aí que é um ponto de atenção assim, né, que é a história da marca. Que eu comecei a vender para caralho óculos para todo mundo, para todas as marcas, tipo até a Forum fez um pedido gigante, não sei o que tal. Aí dois não me pagaram, eu quebrei. E aí esse é um ponto importante que eu queria colocar aqui no papo, que por que que eu quebrei?
Porque não tinha marca e minha margem era muito baixa, meu risco era muito alto, entendeu? E aí eu falei, puta, preciso ter uma marca, porque se eu tenho marca eu controlo minha margem, eu construo minha margem.
Sim, você é como se você fosse o conceito por trás daquilo, né? Não é só um produto.
Tipo, não é uma caneca, é muito mais que uma caneca, entendeu? Então a gente conseguiu construir essa história da marca desde o começo. A gente nunca vendeu óculos escuros, a gente sempre teve essa diferencial, né, de mercado, que é o que acontece. Então foi assim que a gente foi construindo a parada, tá?
E aí você se torna um puta empresário, te dá vontade de ser aquele cara da banda de novo, porque você se torna o cara Para mim você é um grande ícone do empreendedorismo nacional. Só que dentro da cabeça do Caíto deve ter uma parada meio assim, mano, caralho, se eu fizesse a banda, se eu tivesse lá, ou não tem?
Nem fodendo, sou zero problema com o passado. Não tem, não tem, não tem. O que tem são outros passos da vida que eu quero dar, entendeu?
Eu ia te perguntar isso, porque você já chegou no ápice do teu negócio. Para onde você quer ir agora? O que você quer fazer?
Primeira coisa, eu quero morar... sair de São Paulo.
Tá. Tipo, mas não fora do Brasil?
Não. Quero morar em Santa Catarina, Florianópolis... Por algum motivo específico? Eu acho que a vibração de São Paulo... me atrapalha.
Eu tenho essa mesma coisa. Não é que São Paulo tem trânsito. Sabe qual é a minha visão de São Paulo? As pessoas são mais ansiosas. Tá todo mundo muito... Então você fica reverberando...
Sabe qual é a referência que eu faço? Quando você vai fazer um riff de guitarra, Você escolhe o nível que você põe de distorção. Sim, você pode pôr distorção 2. Aqui em São Paulo a distorção é 9. É 9, tudo tá numa vibração que a gente não percebe, a gente fica andando assim. E eu quero mudar, quero mudar essa vibração.
Você quer ir para uma coisa mais leve, uma coisa mais para caralho.
E eu quero também ter o tesão e a calma, o sossego de investir mais e ter mais tempo para investir em novos empreendedores no Brasil.
Legal isso daí, tá. E como que você fica em relação à tendência assim? Porque você é um cara que sempre foi atrás de tendência. Qual que é o teu, qual que é o teu talento nisso? O que que você observa?
Vou te falar o que que eu, como é que funciona assim, como é que a gente, como é que a gente mexe o molho assim. Tipo, eu tenho um time muito eclético de dados diferentes que contribuem muito para fazer a coisa acontecer. E a gente fica antenado para caralho. O que que a gente— uma coisa que eu falo muito, que assim, a gente bebe de fontes diferentes, por isso que talvez a gente tenha personalidade. O que eu percebo, que as pessoas vão todas para o mesmo lugar sempre, todas. Vai uma manadinha e fala: ah, deixa eu ver o que que é isso.
É a paleteria mexicana, é a paleta mexicana. O cara abriu uma, aí deu certo, você vai atrás.
O que eu tô querendo dizer é o seguinte: onde o cara bebe de informação, todo mundo no mesmo lugar de referência. Tipo, tem uma feira, por exemplo, lá nos Estados Unidos, lá em Nova York, todo mundo vai. Eu achei chato pra caralho a feira, me chama NRF. Vai todo mundo. Marvel Television's Wonder Man, an 8-episode series now streaming on Disney+. A superhero remake, not exactly what we'd expect from an Oscar-winning director. Action! Simon Williams auditioned for Wonder Man.
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I'll never work again if anyone found out. My lips are sealed. Marvel Television's Wonder Man, all 8 episodes now streaming only on Disney+. Pega a mesma informação, todo mundo volta para cá com uma cara de ratinho, todo mundo faz a mesma coisa, entendeu? Eu não funciono assim.
Você quer na Indonésia ver uma feira, rua, gente, países ecléticos, países diferentes.
Isso para mim é foda.
O que que você viu de doideira? Isso que eu quero saber. Qual foi a coisa que você viu que você falou: "Cara, isso daqui tá rolando na Indonésia"?
Eu vi coisa pra caralho, bicho. Mas eu vou pra China há 20 anos. Eu conheço o mundo inteiro, entendeu? Tipo, puta, por exemplo, a Ásia, por exemplo, é um lugar que me ensinou pra caralho.
Te ensinou o quê?
Ah, tudo. Tendência, comportamento, estilo. É foda, meu.
Qual a diferença você acha de empreender num lugar como China e como Estados Unidos, assim? De visão de... Caralho, puta pergunta foda.
É. A China, pra mim, ela tem uma coisa que eu acho muito foda, que é o seguinte, ela é o... É como eu vou explicar? Ela tem um tesão e uma humildade de aprender, de querer fazer coisa nova.
De estudar.
De estudar. Eu acho os Estados Unidos mais acomodados.
Acha que sabe tudo.
Exatamente. E sabe muito menos do que você imagina se você colocar na balança com uma China.
A China, ela quer beber. Tanto essa coisa, né, o chinês quando ele é estudante ele viaja o mundo, né, ele precisa pegar bagagem. O americano nunca saiu do próprio estado.
Entendi. Eu percebo que assim, se você me compara, tanto é que se você for entender hoje o nível de avanço tecnológico de uma China com Estados Unidos, não dá para comparar mais, né?
A China passou.
Nossa, velho. Bom, nos Estados Unidos outro dia eu tava na Apple Meu, a mulher pegou um bolo de dinheiro, de dinheiro, meu. Falei, meu, falei, really, mano? Não combina, velho. Você tá na Apple, um bolo de dinheiro, velho.
Nota na mão, os cara tão pagando com a mão, caralho, cara.
Com a mão, o cara vai no banco, põe o chip aqui e paga com a mão e com o olho.
E como é empreender no Brasil?
A gente tá vendo um momento muito delicado, sabe? Tipo, eu não sou um cara muito bom para te responder isso agora, se o meu humor não tá dos melhores.
Você mudou teu jeito de falar, você tava empolgado com a China, aí eu falei Brasil, você ficou meio: caralho, mano, sério que ele fez essa pergunta? Puta que pariu, que louco! Porque, mas há 30 anos atrás era bom ou era a mesma coisa? Você era jovem, mais audacioso?
Não, não. Não tem jeito, quando você tem 20 lojas versus 1000, é foda.
Ah, o tombo é maior agora, né?
Não há dúvida, mas não é isso. O que está acontecendo no Brasil? Duas coisas: uma ressaca muito maior de pandemia do que a gente imaginava. A pandemia desestruturou todo o sistema, todo o modus operandi, todo o jeito de pensar. Destruturou. A gente tava indo naquele caminho, naquela batida, de repente ela faz— e um país com 15% de juros barra 20, ele não para em pé. Não é o Pão de Açúcar que pediu, não é a Shell que pediu, é o Brasil.
O Brasil tá travado porque não consegue fazer empréstimo, porque você vai fazer empréstimo, não gira, nada acontece. É bom para rentista só.
É mais ou menos, por exemplo, o banco, ele tá com um puta problema porque o negócio dele é emprestar, ele não pode emprestar porque o dinheiro não volta, inadimplência, entendeu? Então assim, o momento é delicadíssimo. E até importante para as pessoas que estão escutando a gente, porque parece, sabe uma coisa que eu faço questão de fazer? Que assim, ah, vem aqui tal do Caíto e fica falando que tá tudo do caralho, que tá do caralho, daí quando eu falo que não tá, o cara ele fala, puta, Caralho, não é só comigo.
É, porque imagina, imagina, muita gente olha.
Eu faço questão de falar isso, momento é delicadíssimo. A gente tá com juros de 15% mais de 2 anos.
Sim, e tende a ficar mais.
Existe uma conta matemática que nenhum país do mundo permanece em pé com juros de 15%.
Sim, porque ele vai quebrar, porque ninguém—
simples como isso. As dívidas de cada empresa estão aumentando. As empresas só trabalham para pagar juros, não tem mais lucro. As pessoas estão segurando dinheiro. Então assim, eu sou suspeito para falar, porque tipo assim, eu sou um vencedor nesse país. Sim, já tomei porrada para caralho. Nunca tomei tanta porrada como eu tô tomando agora.
Jura mesmo?
Agora, radical. Sim, senhor. E mais do que a pandemia.
Nem fudendo. Achei que você—
sem fudendo.
E como fica a cabeça do empresário nesse lugar assim?
Fica atrapalhada, fica foda.
Mas você fica tentando pensar assim, cara, vou mudar tudo, vou largar tudo, porque você já conseguiu uma grana. E aí é isso que eu queria entender, como que funciona a cabeça de um empresário, porque as pessoas pensam assim, Caetano, você já tá com grana, você já deve ter um carro legal, Por que você não para tudo, compra uma casa em Orlando e fica lá?
Orlando, mano? Sei lá. Que Orlando, velho?
Lugar merda, hein, meu? Não, não é merda não, é porque tu não vai aprender mais nada.
Mas vamos falar sobre Orlando. Você não fala de Orlando? Vamos falar de Orlando, gente, para. Vamos falar de Orlando. Por que Orlando?
Porque é onde a galera vai, a galera aposenta, vai pra Orlando.
Mas por quê?
Por causa do Mickey.
Mas, meu, mas, gente, mas tudo bem, outlet você não vai uma vez? Parque? Você vai o quê, todo final de semana você vai ao parque?
Mas eu gosto do condomínio. Eu não consigo entender. Mas eu gosto do condomínio, eu gosto de correr. Correr no condomínio, a família, a segurança. Não tem? Tranquilo.
Sério, uma coisa, eu vou fazer uma camiseta: Por que Orlando?
Qual lugar tranquilo? Eu acho que é o sonho.
A cidade tem: outlet, parque e comida ruim. Eu não entendo, velho. Por exemplo, Miami, por exemplo, tem o caso de Miami, mas uma cidadezinha menorzinha, gostosinha, mas tem cultura, tem umas exposição de arte, tem umas tendências de moda.
É mais cosmopolita.
É.
Mas eu acho que o cara que vai para Orlando, ele não tá muito interessado nesse lugar de tendências. Eu acho que ele tá no lugar de tipo assim: agora eu vou parar, eu vou— obviamente tem muita gente que vai para lá para acontecer, mas tem muita gente que vai ver aquele lugar como assim: cara, aqui é o sonho da aposentadoria, tanto que o americano, quando ele quer descansar, ele vai pra Flórida. É o mesmo posicionamento. É Mil Santos do brasileiro com dinheiro.
Muito bom, Santos.
Mil Santos é maravilhoso.
Sacou? Eu acho que sim. Não, porque eu fico tentando entender, cara, o conceito Orlando assim, mas a gente...
Eu cheguei nesse lugar porque eu falei assim, você é um cara que as pessoas devem estar falando assim, legal, Pô, o Caíto tá sofrendo, o Caíto é da Chili Beans, eu que sou aqui da Óculos Geraldo, porra, eu ainda tenho muito o que construir. Geraldo Óculos.
Uma pergunta importante assim, muito relevante, o Geraldo veio de algum lugar ou veio aqui?
Não, trouxe. Tá bom.
Veio aqui. Porque às vezes tem uma inspiração de Geraldo, fala: "Puta, Geraldo, não sei lá." Veio aqui, Geraldo, bateu Geraldo, fez Geraldo. Tá, bateu Geraldo, fez Geraldo.
Inclusive, abra uma ótica Geraldo, já dei a ideia pra vocês aí. Esse cara daqui, ele tá olhando pra você falando assim: "Por que que você simplesmente não para?" Por que que o empreendedor, esse cara tá fazendo a pergunta, esse cara ele Caíto no PT, ele é de esquerda, ele é amigo do Mateus, ele tá assim: "Por que que simplesmente vocês bilionários", esses caras falam assim, "não param?" E relaxa, você já tem dinheiro, Caíto, vai lá, senta a bunda ali, fica vendo, porra, Novo Horizontino e Mirassol, vai ter terça.
É um bom jogo, velho, os dois times estão bem, né? Foda-se, meu time é São Paulo, são dois times bons por acaso, né? Eu falei brincando, mas os dois estão uma puta A Miró só deu uma caidinha agora. Eu tenho, do mesmo jeito que eu tenho uma empresa, eu tenho 6 mil pessoas que trabalham, que dependem de mim, dependem do meu sonho. Tenho 340 franqueados que dependem, não é dependem, que contam comigo para fazer a coisa acontecer, entendeu?
Ao mesmo tempo eu também tenho esse caldo de dar uma equilibrada. Vou falar para você o que que eu tô vendo assim, que tem uma coisa assim, a gente tem uma oportunidade gigante que a gente abriu uma ótica E dá para abrir, e é um mercado gigantesco, e eu tenho essa oportunidade para trazer essa ótica, para fazer essa ótica crescer, entendeu? Então, respondendo a sua pergunta, da mesma maneira que assim, quando você cresce demais, rola um, não escravidão, mas rola uma, é foda, porque você tem uma parada gigante, velho.
Mas tem uma parada em você que fala assim, cara, eu não posso deixar isso para trás?
Tem.
Bate aonde assim? Bate no lugar de, porra, levei tanto tempo para deixar isso daqui desse jeito e agora eu vou parar? Ou tem uma coisa do tipo, caralho, agora são os funcionários? Isso que eu queria entender, o que movimenta?
Uma mistura de tudo, e é um peso, não vou mentir para você, porque eu tenho 6 mil vendedores, tenho mil lojas, é um peso, puta decisão difícil para tomar, entendeu? É um peso.
Sim, mas isso não—
essa pergunta do cara que você falou, ele vota no PT, é isso?
Eu falei brincando, é o que eu quero, que é um Hoje tá tendo uma treta. Aliás, PT ou Bolsonaro, tudo a mesma bosta. O que eu acho assim é no sentido de tem muita gente que olha para o cara que é bem-sucedido e incorpora isso como um cara que, pô, para, mano, você tá reclamando do quê? Para agora e vai relaxar a tua vida. Adoraria estar na sua pele. E eu queria entender esse lado do: será que você adoraria estar na minha pele mesmo?
É isso.
O que que é a tua pele?
Uma puta responsabilidade, momento delicado do Brasil, uma companhia que ela tem que tomar cuidado, senão ela pode fazer merda, entendeu? É o momento delicado, eu tô te falando, o momento delicado. A gente hoje, eu trabalho para pagar juros para o banco, entendeu?
Entendi. Você, e você tem um horizonte bom? Você olha e fala assim, não, mas daqui a pouco vai passar, ou você tá só tô fazendo?
Só tô fazendo.
Caralho, o que ninguém conta sobre empreendedorismo que eu acho que falta contar, que você poderia dar uma puta aula de 10 minutos aqui para gente?
Aí, difícil, cara. Assim, tipo, o empreendedor, ele, ele tem que ser um bicho mutante, né, cara? Porque ele tem que se rejuvenescer toda hora, tem que renovar toda hora. Para o caralho, porque você tem—
acertei, cara, acertei! Agora é o relógio da Chili Beans. Puta, vou beber de 2 anos disso. Acabou o relógio, agora é o quê? Aí você faz o quê? Como é que é seu processo?
Você faz o quê? O processo é assim, tipo, você não para de pensar? Não paro de pensar, mas eu tenho um time que me ajuda a fazer isso, entendeu? Tem gente junto, porque senão você não consegue, cara, você não consegue o resto da vida criar coisas do caralho. Time, uma marca que funciona, ponto de venda, exercício, entendeu? Então assim, é um desafio, brother.
Mas tem alguém que te tira do comodismo? Porque você deve enxergar em alguns momentos que você tá meio cômodo, aí chega um cara e fala assim: "Ó, a gente tem que criar uma nova coleção." Meus franqueados, o meu time, minha molecada, entendeu?
Que trabalha comigo, os designers, tem sim.
Então nisso é bom você ter franquia, né? Pra fazer com que o cara fique te puxando toda hora porque ele quer vender mais.
O tempo inteiro, fala: "Pô, vamos aí, pô, isso aqui é novo, isso aqui não sei o quê." Sim, entendeu? Então tipo esse processo assim, na verdade o corpo humano chili beans que te provoca, que te seduz pra você não parar. Cansativo, é.
E o que que te move?
O que me move são pessoas, trabalhar com gente, ver o brilho no olho das pessoas, ver as coisas acontecer, ver um franqueado acontecendo. Isso me move.
Tipo mudar a vida do cara, você vê que o cara mudou de vida por causa do que você buscou.
Cara, tem umas coisas na história da Tiribins, milhares de exemplos, né? Pô, o cara põe a família num carro e sai, não sei, de Fortaleza, vai morar em São Luís do Maranhão com a família inteira, chega lá do zero para trabalhar para a Tchiribins, é para apostar na franquia Tchiribins.
Caralho!
É foda, tem muitos exemplos como esse, são histórias muito lindas assim.
Sim, e qual foi o teu ponto de virada? Que você sentiu que foi o momento que você falou: cara, é isso? Porque você tava numa dualidade entre fazer tua banda, ser o cara, né, digamos convencional, mas indo para arte, e de repente...
Eu tive alguns, eu tive alguns, quando eu fiz Mercado Mundo Mix, que foi foda.
Puta, verdade, cara, era dele, velho, olha que do caralho!
Mercado Mundo Mix foi animal. Tipo assim, eu tenho uma coisa, você imagina que a galera, todo mundo aqui é nova e tal, mas Mercado Mundo Mix é muito mais para vocês do que vocês imaginam, cara. É uma feira, 12 mil pessoas, meu, 250 marcas, uma mais legal que a outra, puta, tudo com preço legal para caramba. Detalhe, nada copiado.
Você criou as tribos.
Não tinha essa coisa de copiar, não, era umas marcas, cara, uma mais foda que a outra, velho. Sabe, tipo uma puta criação com uma personalidade e barato, uns puta produto animal.
Sim, mas eu lembro que reunia gótico com—
então foi a primeira vez que um homem pegou na mão de um homem e saiu andando com a galera e foda-se. Foi na década de 2000, 2003, foi forte para caralho. Parou o Brasil, a gente fazia Mercado Mix no Brasil inteiro, a gente nas semanas a gente parava a cidade, parava o Rio, parava Belo Horizonte, parava São Paulo. 20 mil pessoas. E o mais louco que o mercado mundo mix, ele não tinha, não tinha, não tinha classificação social. Todo mundo era igual, mano.
Tinha o mauricinho, tinha o moderno, tinha o gótico, tinha todo mundo junto. E era do caralho.
E você percebeu uma mudança desse jovem para cá?
Para caralho, tá? Para caralho. Aquele jovem tinha atitude, aquele jovem tinha liberdade, aquele jovem se posicionava, aquele jovem já olhava na câmera e fala assim: "Vai se fuder, eu não gosto. Eu gosto disso." Entendeu? Eu acho que o jovem hoje ele tá meio anestesiado, brother.
Você acha que é por conta de...?
De medo de ser cancelado. Ah, é?
É. Achei que era remédio... Sei lá. Um pouquinho também, né?
Também, né? Também.
Sabe uma coisa que eu percebi? Eu fui agora pra Áustria agora e eu fiquei muito assustado com uma coisa. Eu tava numa rua assim, uma rua de balada e tal, Legal pra caralho, todo mundo ali meio curtindo. Eu olhei pra cima, tinha 3 drones, cara, monitorando.
Que medo, cara.
Porra, velho, eu vou falar pra você. Não, imagina o medo de um jovem de fazer uma merda.
Porque, jura?
Juro por Deus, 3 drones assim monitorando. Obviamente um cara de 60 anos vai falar: porra, isso é incrível, é muito bom porque evita, mas o que que é o jovem?
Mas que evita o quê? Não tem que evitar nada. Cara, se você for analisar na história, sempre tiveram cutucadas dos jovens, isso são os jovens que tem que fazer, que mudaram o mundo, meu. Do cara doidão, falou assim: "Eu vou mudar o mundo", e muda. Porra, bicho, Sex Pistols, meu. Sex Pistols foi um murro na cara da rainha, entendeu? E assim por diante. Agora falta atitude.
Mas acho que é o que tá controlando mais o jovem, né? O algoritmo controla.
Eu não sei o que é, velho. Talvez, talvez, mas assim, isso me preocupa demais. Que quando você tem 21, 22, 23, você tem que falar mesmo, cara. Fala: foda-se, não concordo com essa merda, meu. E os cara não fala, os cara fica com medo de falar, fica em cima do muro. Ah, vou ser cancelado. Ah, se eu falar nisso, o cara que eu vou almoçar amanhã vai achar coisa de mim. Que se foda, você tem o direito de ter a sua opinião. E pau no cu do que vão achar.
Você tem esse direito, sim, entendeu? Fale o que você quer, fale o que você gosta, que se foda que o outro vai falar ruim. Eu não vejo isso, sabe, mais.
Que é louco, porque você veio desse lugar, né? A Chili Beans sempre...
Eu vi tudo isso acontecer.
É, eu lembro que a Chili Beans ela sempre foi inclusive geracional, né? A gente vai observando, a gente até brinca, né, que o vendedor do Chili Beans era o cara que tinha o rosto todo furado, né? A tendência jovem sempre tava ali numa loja de Chili Beans. E aí você tá me falando que você tá vendo uma mudança. Isso atrapalha o teu rolê também?
Talvez, talvez, porque eu venho de umas peças com atitude, essa coisa toda. Mas a minha preocupação é com as transformações e os choques que a humanidade precisa ter de tempos em tempos, tá?
Mas você acha que a gente tá tão reprimido que daqui a pouco vai vir uma porrada muito forte?
A gente já conversou sobre isso. Eu acho que nunca teve tanta oportunidade para um murro na cara, para um cara corajoso falar assim: eu quero que se foda. Não, o cara já põe na conta metade não vai gostar de mim, beleza, fica E tudo bem, sim, sim, tudo bem que você não gosta de mim, cara. Vamos ficar chateado com você? Sim, não dá para agradar todo mundo. Jesus não agradou todo mundo, caralho. Sim, sim, porra, agora vai querer agradar?
A gente tava batendo esse papo, né?
Tudo bem, entendeu? Então assim, tipo, eu acho, eu não tenho mais idade para isso, energia, mas você que tá aí, se posiciona, mano, fala. A gente nunca teve tanto no momento de abertura para dar essa cutucada, nunca. Tem uma bola pingando gigante.
Sim, é, foi o que aconteceu com Mamonas, eu acredito, né? O que fez o Mamonas acontecer foi exatamente esse momento onde todo mundo tava muito plástico.
Vou te dar um exemplo assim, Nirvana, cara, o movimento punk, e por incrível que pareça, todo mundo acha que o movimento punk começou na Inglaterra, não começou, começou em São Francisco.
Eu não sabia, cheguei lá naquela época.
Era uma revolta dos alunos contra o status quo, que os caras começaram a transformar isso pra música com atitude punk.
Molecada, 15, 16 anos?
Não, eram os cabeçudos, mano. Ah, já é os cara, não, os cara de faculdade, Stanford, os cabeçudo. Os cabeçudo, ó.
Não é adolescente?
Não, os cara cabeçudo, fala: "Meu, vamos desafiar o sistema, mano." Sim. E os cara conseguiram.
Quebraram tudo, fizeram tudo.
Quebraram tudo, entendeu? Tipo, detalhe, quebrou mesmo.
Eu tô pensando aqui realmente quem... Nirvana...
Só que aí o próprio YouTube também teve uma importância. Agora, e aquilo que a gente estava conversando das bandas, né? Hoje as bandas são banda. Isso.
Hoje a banda é musical.
É uma bandinha, ela chega lá e fala: "Oi, tudo bem, gente? Eu sou não sei o quê, vou fazer meu show." E ninguém comprava a banda, ninguém comprava a música. Bicho, The Cure não era uma banda.
Nirvana também não.
Era o jeito que o cara pensava, era o jeito que o cara se vestia, era a música, era tudo, era um pacote 360. Pink Floyd. E assim por diante. Hoje é uma banda. "Oi, tudo bem? Eu sou uma banda, vou cantar." Como você pensa? O que você pensa? Como é que você age com a sociedade? Como é que você age com a banda? De onde vêm as suas letras? "Ah, são umas letras..." Entendeu? Falta... O que eu sinto é que falta um pacote que vem junto.
Mas é por isso que eu acho que a inteligência artificial, que todo mundo tem medo, ela não pode substituir a música, porque a inteligência artificial, ela é só É, bicho, a gente vai ficar aqui nesse assunto, mandar para você ainda um— não, fica à vontade.
Mas é porque as pessoas ficam nessa coisa assim, não vai queimar meu filme, hein?
Não, pelo amor de Deus.
Mas as pessoas ficam nisso, velho. É assim, ó, o excesso de informação emburreceu as pessoas, concordo, e deixou todo mundo muito maluco, cara. Eu quando era moleque, eu olhava, eu me sinto meio tiozinho, sabe? Quem é esse tiozinho falando bosta aqui? Não sei o quê.
Eu não acho não, cara, de verdade.
Sabe de onde eu pirava? Operava de alguns negocinho que eu não posso falar.
Tudo bem, pode.
Não, tá tudo bem, o assessor tá ali atrás. E uma falou que não pode, a Jujuba, a balinha, né? E uma capa de um disco, velho, era o que eu tinha de informação, mano. That's it. Ficava pirando, viajando na porra da capa do AC/DC, mano.
Tem um cara que fala isso, tem um comediante, cara, que eu acho muito foda, que ele fala Que essa coisa que a gente tem, mindfulness, né, que agora tá moda, é o mindfulness. O que que é o mindfulness? É quando você fica observando, tipo assim, ah, prestar atenção numa coisa.
Eu tô aqui, eu tô trocando ideia com você e acabou, acabou. Eu não tô olhando no celular, eu não tô olhando não sei o quê. Mindfulness tem a presença no que você tá fazendo.
Pega uma maçã, observa a maçã, vê o caule da maçã, tal. Ele fala: mano, quem nasceu nos anos 80 vivia de mindfulness, que a gente ficava no ônibus, porra, tava tão entediante antes que eu ficava olhando a gotinha da água da chuva. Isso era mindfulness, e hoje a gente tem que pagar para fazer o mindfulness.
Bicho, eu ficava olhando para capa do AC/DC Highway to Hell, tinha uma mão, eu achava que eram uns demônios que ficava umas vezes. Eu tive umas 30 interpretações da porra da capa do disco, entendeu? Então assim, tipo, e assim, e hoje é um problema gravíssimo, porque assim, o excesso de informação ele te desconstrói, ele te deixa desatento. E outra, nesse monte de informação passa umas coisas foda.
Sim, a gente não tá pegando.
Só que daí você deixa passar batido.
É porque a gente não tá prestando atenção.
Porque aqui logo mais tem uma outra aqui no celular, tem outro cara que falou, aí a tela tá aqui, e aí você não consegue se aprofundar em nada.
Mas será que não é uma epidemia? Tá todo mundo assim? Será que você também não caiu nisso?
Pra caralho.
Eu tenho certeza que eu caí. Às vezes eu olho pra mim e falo assim: cara, eu tô mais desatento, eu tô mais...
É tanta informação.
E outra coisa também, né? Antigamente você acordava, você não acordava com Trump bombardeando o Irã. Isso era à noite, você ligava o Jornal Nacional. Na verdade, sim, mas você não sabia.
Exatamente. O Vietnã, por exemplo, ninguém sabia o que tava acontecendo no Vietnã, década de 60, 70. Tinha, tinha os filha da puta, tavam bombardeando, sempre bombardearam. Sim, os Impérios Romanos, sempre, sempre, sempre, sempre. Mas a gente não ficava sabendo. Isso dá uma aliviada. Claro, vou te dar um exemplo de uma coisa que é uma campanha que tá na minha cabeça. Não tem nada demais, mas é uma campanha interessante. Eu tava com meu time, e meu time tinha todo mundo assim, tinha galera de 24, 30, 40, até 60 tinha lá no time do Zé.
E aí pra galera mais jovem eu falei assim: "Galera, conta aí meu final de semana." Dois pegaram o telefone e jogaram na mesa e falaram assim: "Ah, eu tento evitar o celular." 'Como assim?' Eu tô cansado um pouco de informação e eu tento olhar para o lado. Caralho! Aí um falou assim: 'Ah, mas eu faço, puta, eu tô agora com uma mania de pintar.' É pintar. Aí falar de crochê.
Sim, a gente tá voltando.
Então tem, eu tô numa campanha assim pensando como é que eu vou colocar essa campanha. É, sim, que tem um ouro hoje que ele é um ouro que não é tecnológico, sabe?
Eu concordo.
Tem um dinheiro aí na mesa, tem um valor aí que não é tecnológico, e as pessoas estão precisando disso. As pessoas são, meu, a galera era Z, sim, galera fez assim, ai, ai, final de semana. Aí teve um que falou assim: eu tô conseguindo deixar o celular em casa. Caralho, cara. 24, 25, tá? Então eu falei, opa, sabe, será que a gente não tá no momento de desconstruir de novo e trazer para trás?
Então, mas a gente tem que forçar isso, ou isso é uma coisa que o próprio mundo vai trazer?
Não, o próprio mundo vai trazer. Para, preciso fazer um xixi, já volto.
Vamos ver o xixi dele.
Vou falar as 4 últimas coisas que eu assisti nos últimos 2 dias.
Posso?
Pode. Documentário do Raimundos. Vai ficar triste, tá?
Por quê?
Uma história que termina, uma história triste, cara.
O fato deles terem terminado, eu conheci o Digão, que eu gosto muito do Digão. Digão sempre foi um cara muito legal comigo. Deu para perceber que a coisa não tava muito legal com eles assim, mas pelo que eu cheguei, é uma história, uma história de amigos. E teve uma história que o caniço no final morre, é uma coisa meio—
O caniço, eu vi ele sendo colocado na ambulância, ele é meu vizinho, era meu vizinho da frente aqui, ó.
Caralho, cara, você viu os últimos momentos do bicho?
Eu tava saindo pra correr, escutei uma puta gritaria.
Não, pera aí, me conta isso, você tava indo malhar de manhã?
É, porque onde eu corro, é condomínio, a gente mora no mesmo condomínio, e onde eu corro, eu tava saindo pra correr, começou uma puta gritaria. E era a esposa dele gritando, e aí veio. Só que, mas ele morreu na minha frente, caralho. E o Digão, o Digão, eu faço muito, eu participei dessa história inteira. Raimundos. Aí assisti o documentário do Red Hot Chili Peppers, que puta, meu, vale a pena pra caralho.
Que eu vi, mas sabe uma coisa que eu recomendo? O novo álbum do Flea, que ele toca jazz, caralho, muito legal, que ele toca trompete. Recomendo, é, mas agora ele fez um álbum de jazz maravilhoso, muito foda.
Vou baixar agora, muito foda. Aí a história da Ângela Diniz, tá ligado?
Por quê?
Sei, mano, eu gosto, não sei, tava ali mexendo. É uma história foda, minha história de puta, minha mulher foi assassinada e o cara foi absolvido. Machismo total, velho, nos anos 60, 60, o cara falou: não, você tá ali, você foi absolvido.
O que que foi o que motivou?
A sua honra. Cara, olha o mundo, velho.
Ela tinha traído ele, alguma coisa do tipo.
É, e o cara foi lá e matou a mulher. Uma história foda, uma história foda. E a última, meu, assisti uma novela da Globo de 77, cara, muito bom, Anjo Mal, cara.
Você botou isso no YouTube pra ver?
Botei na Globoplay, meu.
Por que que você foi?
Porque eu gosto de ver bizarrice, cara, eu gosto de ver, meu, É muito interessante, cara, a velocidade que era antes. Tipo, a imagem assim ficava assim, cara, tipo 5 minutos assim num carrinho de bebê, velho. E tem o seu charme.
E é por isso que o Agente Secreto tá sendo muito criticado, sabe? O Agente Secreto que concorreu ao Oscar do Wagner Moura.
Por que que ele tá sendo criticado?
Porque ele é nessa linguagem, ele é lento, e ele é lento proposital, porque ele é sobre a época, né, dos anos 60, 70. E muita gente que já tá nossa, nessa velocidade do 4.0, olha para aquilo e fala assim: "Nossa, que filme cansativo!" Mas ele é propositalmente cansativo para você resgatar aquela época. Se você for ver filme dos anos 60, Fogueira...
Não é 60, é 80, 90. Se você for ver, eu gosto de ver, tipo, e eram os puta ator, né? Essas novelas, era Luiz Gustavo, José Wilker, era só Puta, cara, só nível altíssimo. Meu, atriz sonora maravilhosa, cara.
Mas é legal o que você tá fazendo, cara. Você tá emulando uma época por uma hora.
Eu gosto de ver referências diferentes em épocas diferentes. Eu sempre aprendo com alguma coisinha. Isso é um fato. Entendeu? Então, por exemplo, uma coisa pra mim que é a minha vida, se você perguntar a série mais foda que eu já vi na minha vida, chama Twin Peaks, do David Lynch. Pra mim é, tipo assim, Deus tá ali, perfeição. Depois vem Breaking Bad, vem tudo isso aqui, mas essa pra mim de fotografia, de roteiro, de trilha sonora, é assim, a mais pica disparado.
Você tá abrindo minha cabeça pra caralho. Sabe por quê? Eu acho que eu comecei aí muito pra coisa moderna do que tá acontecendo, e aí você esquece da onde você veio. Eu vim dos anos 80. E de repente eu tô virando um cara acelerado porque tudo que é Você veio dos anos mais ricos da história, né? Rico de quê?
De cultura, de música, de liberdade. Pô, década de 80 no Brasil, cara, podia tudo, podia fazer o que você quisesse.
Pois é, você viveu bem essa época?
Vivi pra caralho.
Então vamos lá, você falou do Raimundos, eu quero saber do seu lado musical, onde você entrou, o que que você fez, quem poderia ter sido o Caíto hoje se você não tivesse ido para Chili Beans? Quem que você acha que você seria se você não tivesse entrado nesse universo?
Do óculos, da música, do óculos.
Se você não tivesse a Chili Beans hoje, cara, eu não sei, cara.
Eu te falo alguma coisa, eu não estaria no ramo da música, eu estaria alguma coisa comercial.
Porque você gosta?
Não, não é questão de gosto, é instinto. Vou te contar uma história que eu contei poucas vezes. Eu fui morar, eu morei 8 anos nos Estados Unidos e eu fui morar em Miami. Cheguei na quinta-feira e no sábado eu assisti o melhor Lollapalooza da história. Era o segundo Lollapalooza, isso em 97, 98. Meu, Jesus Mary Chain, Soundgarden, Pearl Jam, Nirvana, todo mundo. Era o Pornofopyrus, que era a banda dele, meu. Ice Cube, todo mundo, o mais radical que Era o melhor mix de banda da história.
E aí, no domingo, eu tava dormindo lá, que eu aluguei apartamento, e aí bate na minha porta a polícia. Puta, já fiz merda, nem cheguei, velho. Falou assim: é o seguinte, amanhã vai passar um furacão radical aqui, você tem que sair da casa agora. E aí, tipo, ele falou que eu tava na red zone, que era tipo de frente pro mar. Então ele me fez pegar umas roupas, pus uma mochila, ele pegou, lacrou a minha casa. Fala: a partir de agora você não pode voltar mais para sua casa.
Resumindo, fugir do furacão. Quando eu voltei, não tinha mais Miami, tinha acabado tudo, destruído a cidade inteira. Aí, mas eu vou te contar o lado empreendedorismo, que eu podia estar lá. Por exemplo, você me fez essa pergunta. Aí, o que aconteceu? Caiu muita árvore na piscina de milionário. Eu comprei uma serra elétrica e eu batia na porta, fala assim: posso Serrar, meu, ganhava $1.000 por dia, velho. Aí chegou uma hora que acabou as árvores, sim, aí tinha um brasileiro, eu cheguei, o cara falou assim, pô, me dá um emprego, pô.
Você pode, o cara falou, beleza, vai segunda-feira. Resumindo, o cara era o responsável pela revista Veja nos Estados Unidos e ele falou assim, o emprego é o seguinte, você vai bater na porta das pessoas e vai vender assinatura, que tinha muito brasileiro lá. Aí beleza, falei, puta, vou ficar vendendo uma assinatura. Eu fiquei durante 3 meses batendo na porta de uma distribuidora de revista da Flórida. Aí depois de 3 meses a mulher chegou para mim e falou assim, olha, a gente vai te atender com uma condição, que você prometa que nunca mais você vai ligar.
Que eu ligava quase todo dia para os cara. O cara me atendeu, eu fechei um contrato com o cara de 18 mil exemplares por mês durante 2 anos. Eu mostrei para o cara, falei, ó bicho, olha o que tem de brasileiro nas suas bancas, você tá perdendo. É, o cara fez 3 pedidos e acabou tudo as revistas Veja, porque tinha os caras querendo comprar. Aí, próximo passo é o seguinte, é, eu, o meu chefe na época, ele não tem a Veja São Paulo, então ele lançou a Veja Miami.
Legal, para galera de lá.
E eu que vendi o espaço publicitário. A página custava $13.500, eu tinha 15% de comissão. Eu tinha 20 anos de idade, eu ganhava tipo $20, $25 mil por mês, mano.
Caralho!
Eu cheguei a vender 18 páginas. E aí acompanha o raciocínio. Aí o que aconteceu é o seguinte: tinha uns cara que tinham umas empresas lá, tipo um restaurante, não sei o quê, que os cara fala: mano, faz um anuncinho menor que eu anuncio com você, mas eu não tenho. Cobra menos, cobra menos, você é muito caro. E meu chefe na época ele era meio, não sei. Aí eu falo: bicho, olha o que a gente tá perdendo. Eu cheguei a ter uns 30 clientes cadastrados. Fala assim: não, por $1.000 por mês eu pago.
Em vez de fazer um de $15, fazia 3 de $6.
Aí eu cheguei um dia, comprei a página dele, eu com meu dinheiro comprei uma página por $4.500. E revendeu? Revendi por $18, $20.
Tá, entendi, entendi o teu rolê.
Eu cheguei a ter 3 páginas pra ficar revendendo. É, porque eu comprava dos cara e falava: "Bicho, dá aí, meu." Tipo, puta, e aí eu comecei a fechar. Eu fazia um negócio legal que é o seguinte, falava assim: "Eu só te faço por $1.000 se você assinar um contrato de 6 meses comigo." E eu garantia, eu cheguei a ter 3 páginas que eu comprava por 4.500 e vendia por quase 70 mil dólares, 60. Põe uma puta grana no bolso.
Caralho, entendi. Quer dizer, é o instinto seu de querer sempre encontrar. Você entendeu? Quer dizer, você poderia fazer dinheiro em qualquer lugar do mundo.
Eu acho que sim, entendeu? Aí eu tive síndrome do pânico, tive que voltar lá, lá. Tava, meu, bem pra caralho, 23 anos de idade, solteiro. Feliz pra caralho.
Mas vamos chegar nesse lugar, eu queria falar disso aqui. Pô, você é o cara, todo mundo te admira, você teve uma síndrome do pânico. Por quê? Excesso de pensamento, excesso de ansiedade, você é um cara ansioso.
Eu sou um cara ansioso pra caralho, já sou muito mais calmo do que eu era, mas não tem explicação, né? Cara, tive síndrome do pânico no melhor momento da minha vida mesmo.
Mas teve algum gatilho? Foi uma jujuba que você comeu?
Eu comi algumas jujubas antes, mas na hora foi do nada, meu, do zero.
Você do nada ficou comendo?
Tipo, tava me alimentando bem para caralho, ganhando dinheiro, feliz para caralho, curtindo a vida para caralho, fisicamente malhando, tava zerado, velho.
E aí, meu, você ainda tem umas paradas assim de saúde mental? Você toma remédio? Aqueles ansiolíticos que, aliás, eu preciso falar, cara, eu vou ter que tomar remédio. Precisa falar isso.
Vai tomar?
Vou voltar.
É mesmo?
E sabe qual o problema do remédio? Qual o problema? O ansiolítico, ele é 15 dias para ele pegar. Fala isso para o ansioso. Fala: cara, vou ficar 15 dias esperando esse inferno que tá aqui.
Mas vai melhorar, vai ficar bom.
É, tem que tomar. Cada um tem que ir ver no psiquiatra, para não ficar: vai lá agora, né?
Só uma dica, eu sou bom nisso. Eu cheguei a tomar 4 remédios, eu tô tomando 1. A coisa que me ajudou pra caralho é um neurologista do Círio Libanês que é especializado em canabidiol. Não é THC. O que eu tomo, o meu não pode ter THC, é só canabidiol.
Sim, senão você vai abrir mais a tua vida, velho. Única coisa que você toma é esse canabidiol?
Não, toma um remédio ansiolítico e o canabidiol.
Tá, tá. Você ainda tem uma ansiedade, é uma tensão que a gente tem, né, de futuro. Qual o futuro que tá na tua cabeça que está te deixando ansioso?
Ai, meu Deus, o futuro que eu quero, na verdade, assim, eu tenho dois momentos. Eu quero deixar passar por esse momento financeiro da Tiribins, tá, do Brasil. E segundo é que eu tenho para o futuro uma vida mais calma. Mais tranquilo.
Sabe se você consegue? Porque eu sempre penso isso, será que é para mim essa vida calma?
Então, mas assim, começa de um desejo. Tá. E aí você tem que tentar, entendeu? Tem que tentar.
Mas você se vê tipo morando em Olambra, sabe assim?
Pensei que você ia falar Orlando de novo.
Não, Olambra, Olambra agora. Você se vê em São Francisco Xavier? Porque às vezes eu olho e falo assim, as pessoas falam para mim assim, Maurício, você é tão acelerado, sou muito acelerado. "Porra, você tinha que vir para Vinhedo morar aqui." Eu falo: "Cara, lindo Vinhedo, deve ser um lugar maravilhoso, mas se eu fico lá, eu acho que eu não aguento. Acho que 4 da tarde eu fico com depressão." Não, posso falar? Quer fazer alguma coisa?
Eu quero morar em Florianópolis. Sim. Tenho esse tesão. Acho que é uma cidade, acho que é um lugar que...
Praia, que se dá uma relaxada, dá para dar uma corrida e tal.
Eu quero fazer isso muito. Tá. Tô tentando convencer minha mulher, né? Minha mulher, ela Vai e volta, vai e volta, quer, não quer, quer, não quer e tal.
Eu tô entrando nessa pergunta, até pra finalizar esse papo. Você acha que empreender é uma coisa pra todo mundo? Todo mundo é capaz de empreender? Ou você precisa ter essa noção das merdas que vão acontecer dentro de você?
Essa pergunta é maravilhosa. Sim, você precisa tomar, assim, primeiro que empreendedorismo requer muita coragem, muita atitude, muita realização de sonho, né? De você ir atrás da tua história, de você construir a sua história. Vale a pena, vale a pena.
E será que o brasileiro não empreende porque ele não tem tanta coragem quanto—
não, o brasileiro empreende por necessidade também, porque ele não tem conta para pagar e ele acaba virando um puta empreendedor, porque ele faz a coisa acontecer.
É uma necessidade fisiológica, biológica.
Não, a única coisa que eu falo que é o seguinte: o empreendedorismo é um tesão, ela é uma quase uma droguinha que você vive em função disso, que ela te alimenta constantemente. Não é um caminho fácil, não é um caminho tranquilo, e tudo bem, tudo bem. Talvez você seja um intraempreendedor, que você trabalha numa empresa, você é empreendedor dentro de uma empresa, tá tudo bem. Só não sinta a pressão que todo mundo tem que ser empreendedor.
Porque tá tendo um movimento disso aqui no Brasil, né?
Há anos. Eu sou culpado disso, né? Porque eu incentivo empreendedorismo, aquela coisa toda.
O Shark Tank, que você tá lá, o Shark Tank é o grande lugar que todo mundo vai lá e vende um pitch lá e fica bilionário. Na cabeça das pessoas.
Exatamente. Mas assim, resumindo assim, tipo, não tenha— o empreendedorismo não é para todo mundo, isso é um fato, né? E para quem é, lide com isso numa boa, tranquilo. E para quem não é também, não sinta o peso de não ser, entendeu? Tá tudo bem, tá tudo certo.
Cada um tem um jeito de lidar com a própria vida.
O Brasil, ele é um país de muitos altos e baixos. Muitos altos e baixos, que esse é um assunto delicado, tá, né? Um assunto que a gente tem que lidar com essa situação. Tipo assim, já foram várias montanhas russas. Sim, essa montanha agora é uma montanha bem forte, tá?
Tá mais do que russa, tá ucraniana.
Ucraniana, tá uma montanha ucraniana, o estreito de ali do Irã. Caralho, você sabe que é uma coisa muito louca, cara? Tipo assim, eu vou para China 20 anos, né? E a cidade que eu vou, que eles consideram uma cidade média pequena, que tem 25 milhões de habitantes, a cidade média pequena, duas famílias. Cara, você não escuta barulho de carro, velho. É até perigoso.
Cara, sabia que eu percebi isso na Suécia? Puta, papo agora de— eu tava em Estocolmo.
É até perigoso, meu.
Eu vou te contar um negócio. A minha tese é isso: quanto mais a sua cabeça tá lotada de coisa, mais você buzina, mais você espanca a porra do volante. Você vai na Suécia, cara, não tem buzina, não tem barulho. São Paulo, o barulho de São Paulo é o barulho da cabeça das pessoas explodindo.
Não, é assim, eu deliro com a Suécia, mas eu tô falando de 1,3 bi em uma cidade de 30 milhões de habitantes sem barulho.
Eu não imagino isso.
A Suécia tem o quê? Não sei.
Tem 4 habitantes.
Mas assim, entendi, entendi. Entendeu? O foda é você pegar uma manada de gente E sem barulho, velho. Então, por exemplo, tipo, nessa crise de petróleo, a China não é tão mais dependente que ela, que de petróleo, quanto os outros países, cara.
Sim, ela tá indo para o elétrico, né?
Tá tudo agora, então o carro não faz barulho, as pessoas estão mais elétrico, tudo mais ecológico. Mas os caras fugiram dessa história. Mas assim, resumindo, cara, tipo, eu, eu, o empreendedorismo É uma coisa muito especial. Não posso mentir para você que eu tô um pouco abalado com esse momento, sim, mesmo. Tanto é que assim, foi muito gostoso nosso papo, que a gente falou de outras coisas, claro, de inspiração, de mundo, de futuro, de onde você quer chegar.
Então tem esse caldo interessante. Mas acredite, acredite na sua história, você é um puta empreendedor.
É, mas eu tô já meio de saco cheio também, velho. Não fala isso, não. Temos família. Não, a minha chili beans aí.
Fala aí.
Não, mas não é, cara, eu vou te falar. Obviamente eu tenho muita esperança. Inclusive vou falar um negócio, vou deixar até um recado importante, muito tem a ver com o que a gente falou sobre excesso de informação. Hoje a gente fica, esse assunto do vai ter guerra, vai acabar o mundo, sempre lembro uma coisa: calma, teve duas torres gêmeas que foram atacadas, avião, e a galera não tava tão desesperada quanto tá agora. Não é pessoa que tá tendo uma histeria também porque é muita informação.
Você toda hora você clica, mas tá rolando uma histeria que o mundo vai acabar?
O tempo todo. Eu acho que é uma histeria geração Z, porque como geração Z ele nunca vivenciou isso anteriormente, eu não quero entrar nessa pilha não, velho.
Eu não quero ficar, eu não vou nem fingir que nem escutei, velho, senão fica louco, mano.
É sério? O quê? Tá, porque agora, agora é a bomba atômica e o Trump vai soltar bomba no outro, que aí você vai ver o que que acontece. Vai, aí sou eu agora trazendo a minha tese final. Eu acho que a gente aprendeu a vender uma coisa, o Caetano, você que é um bom vendedor, que a gente vendeu o maior ativo que o brasileiro compra, que é medo. Tá muito bom para vender medo. Se você não faz isso, você é um péssimo pai.
Se você não faz aquilo, você não é o brasileiro, o mundo, o mundo tá comprando medo há anos.
Mas agora tá muito forte porque o algoritmo ele entende qual o seu medo.
Eu ainda tenho uma tese que a A sequela da COVID foi muito maior do que a gente imagina.
Tá todo mundo bugado da cabeça, né? Eu acho que tá todo mundo biruleibe das ideias.
Eu acho que a gente não sabe, mas assim, você ter ficado 5 meses olhando para você, esse efeito ele foi mais radical do que eu imaginava nas pessoas, em todos nós, porque nunca isso aconteceu no sistema no sistema capitalista, no sistema... Nunca aconteceu. Então assim, eu acho que a gente não... Acho que a gente... Ah, passou? Não, eu acho que teve um efeito muito mais radical do que a gente imagina.
É, não passou, porque a gente está vivendo esse entorno, né? Não é que passou e acabou, é verdade, é verdade. Eu acho que a gente conseguiu olhar para a gente mesmo, a gente conseguiu ver. Talvez ali foi onde a gente vendeu os nossos maiores medos. As pessoas que estão acima da gente vendo os nossos medos vendem medo o tempo todo para a gente. O que tem de curso que você tem que comprar, porque você tem que fazer. Eu acho que a gente tá, porra, precisando voltar para as origens.
E eu acho que as origens que a gente tá querendo voltar é exatamente aquilo que a gente tava falando do que você fazia com o mundo mix, que é você encontrar as pessoas. Eu fui agora na SXSW, né? Você já deve ter ido, que é, tá ligado que você falou que é tipo de feira que você não iria. Eu fui para entender, eu não fui para fazer, curtiu. Algumas coisas eu amei, outras coisas eu odiei.
Mas mudou a sua vida? Não, nem fudendo.
Muito difícil mudar minha vida. Não, mas teve coisas que eu olhei e falei, não é possível. Vou te dar um exemplo. É muito louco que você sai daqui, até para quem não foi nesse XSW tal, quer entender sobre tendências, é muito louco que todo lugar que você vai lá, as palestras são: a gente precisa se conectar mais, a gente precisa ser mais humano, a gente precisa ser mais grupo e tal. Eu falei, caralho, os brasileiros estão pagando caro para ir para lá para aprender a ser brasileiro, porque isso daqui é a essência do Brasil.
E aí os caras publicitários, que antigamente eram isso e se tornaram sofisticados, o que é normal, o cara ficou com dinheiro e tal, aplaudindo uma parada que eu falei, maluco, é o Largo da Batata, cara, é o Brasil, volta para essa porra, tá ligado?
O que que tem de novo nisso?
Para o americano é uau, amazing, é isso. Porque o americano olha para aquilo e fala, nossa, é verdade, Uma pesquisa que saiu, que eu tava vendo, anotei as paradas, né? Tem um negócio agora que é a social health, a próxima, termo do momento. Social health é o seguinte, é isso, explicou tudo, gente. A geração Z, ela tá crescendo sem amigo, entendeu? E tem uma porrada de gente que é milênio, qualquer número mesmo, qualquer outro número lá que eles tinham falado, que era, não tem aqui, vou falar um dado errado.
Pessoa tem um amigo, tem gente que tem dois encontros com os amigos por ano, né? E é uma tendência que tá crescendo, 70% da população. Não vou falar exatamente o dado que eu não sei, mas é algo que eu olho e falo assim: talvez o Brasil possa virar a bola da vez, porque a gente sabe fazer uma coisa que o chinês não sabe. O chinês tá aprendendo. Outro dia eu fui lá numa palestra lá que tava um chinês ensinando a dançar com uma bola que aperta e você tem que apertar que ele não sabe dançar e a gente aqui é uns puta louco, a gente faz uma parada. Então talvez o convite do futuro é você voltar para o passado.
Talvez não, certeza. O ser humano pede isso, é uma essência do ser humano, não adianta você lutar contra. O ser humano quer isso, ele quer contato. Quanto mais ele trava, ele mais para. O Japão, o problema do Japão é gravíssimo, né?
De gente sozinha, né?
Nossa, cara, o governo paga fortunas para os caras casarem e terem filhos. As pessoas não sabem se tocar, não sabem beijar e pelo celular elas são ultra usadas. Não sabe se tocar, não sabe se beijar, não sabe nada por causa da tecnologia. Assim, tipo, esse é um assunto pra gente ficar falando aqui a noite inteira, mas é um assunto grave pra caralho.
Lógico que é grave.
Não, e você tem um problema maior que é o seguinte: quando você não tinha mídia social, o que que são canais de televisão? São canais que um tem censura, outro não, passa pela corredoria, mas tem um cuidado, né? Não dá pra você— sim, não, não, não, hoje O canal de maior audiência do mundo tem zero de censura. Isso é gravíssimo, entendeu? Uma televisão tem uma linha de pensamento, quer que você concorde ou não, Record, Casé TV, tem uma, ó, essa é a mensagem que a gente vai passar, isso aqui dá, isso aqui não dá.
Velho, hoje a gente tem uma descarga aberta, um esgoto aberto à disposição de qualquer um a qualquer momento, que é o canal de maior audiência. Que são as redes sociais. É grave para caralho. Sim, porque você pode fazer o que você quiser, você pode falar o que você quiser sem consequência nenhuma, cara.
E você tá ouvindo a lição de um cara que talvez seja um psicopata.
Sim, senhor. Que não esteja nem um pouco preparado para fazer aquela informação, ou que ele tá agindo por impulso.
Eu já pensei nisso, sabia?
Isso é grave para caralho.
Eu já pensei nisso assim, que antigamente você falava assim: porra, legal a Globo, mas qual o problema da Globo? A Globo ela seleciona os caras para falar, né, todo mundo que tem voz, mas eles Eles tinham que querer, o Globo, SBT, Band, querendo ou não, um critério. Esse cara aqui não é um cara que é um psicopata que pode ligar uma câmera e sair falando. Mas aí vem um papo que eu tive com o Monark aqui, que a galera ficou maluca também, né?
Que é: até onde vai esse excesso de liberdade? Porque você é um cara também a favor da liberdade, mas qual liberdade? Até onde vai a liberdade?
Porque tem uma coisa que é liberdade, tem outra coisa que é assim, é irresponsabilidade. O ser humano, ele age por impulso também. Quer dizer, você imagina se todos os canais do mundo agissem por impulso. Não, tem um peso.
Calma, calma, mas tá rolando isso para caralho, porque o impulso é o monetário. O que que dá dinheiro? Você dá medo nas pessoas, você mostrar o extraordinário.
Mas a mídia social, como é que ela funciona? É um esgoto aberto que todo mundo pode agora, nesse momento, falar qualquer coisa que quiser. Então a gente vive hoje, né, você tem o canal Globo, canal SBT, canal Caseta TV, e tem o canal média social, que é o que a gente mais assiste, livre para o mundo, para falar o que quiser, a hora que quiser, do jeito que quiser.
E você não sabe o laudo dessa pessoa.
Deve ter laudo sem volta.
Vamos começar a melhorar as leis. Twitter tem que ter laudo. Eu tenho que saber que se o Mateus, ele tem uma neurodivergência, se tem uma bipolaridade, porque eu tô seguindo um cara que do nada fala "Compre Bitcoin, vende Bitcoin." Mas você tá brincando?
Isso tá sério pra caralho. Isso é sério pra caralho.
Eu não quero saber que o Caíto é o cara da Chili Beans, eu quero saber que o Caíto também tem um borderline ali pra eu saber, tipo, cara, tô ouvindo um cara com borderline. Eu preciso saber se esse cara... Porque na TV eu olho e falo: "Eu sei que esse cara tem alguma questão." Agora escrito eu não sei. Então o cara falou: "Deveríamos fazer não sei o quê." Essa mesma coisa.
E outra, tipo assim, uma mensagem, uma notícia é checada. Tinha nada antes. É, na internet não, tu faz o que você quiser, você derruba um golpe de estado, você dá um golpe de estado, você causa uma terceira ou quarta guerra mundial com uma informação que ela pode ser multiplicada. A cena maravilhosa é aquela cena do porco do— aquilo ali é uma obra de arte, Black Mirror, que é o primeiro episódio. O cara chega para o primeiro-ministro, fala assim, não, o primeiro-ministro fala para o cara, fala assim, segura.
Falei, não, amigo, Tava no YouTube ontem, que segura! Que o cara tava tipo assim, como se fosse um canal de televisão, tira do ar.
Não, não, não, não é simples assim. Já fudeu, já fudeu, já deu a merda.
O canal de televisão BBC, você tira do ar, tirou. Não, não, acabou. Quer dizer, você vai multiplicar a informação do porco, que do porco, do porco, quando vê, o mundo já sabe, né? Que era aquela menina que tinha sido sequestrada, né? Lembra? Que ela tá falando, puta, não sei o quê, que a mensagem já foi. É louco, né, que a gente é grave pra caralho.
Aquela frase que a gente tá falando, isso é muito Black Mirror. A gente tá falando mais agora, né, porque as coisas que o Black Mirror falou há 15 anos atrás como uma visão distópica, ela tá começando a acontecer agora.
Mas acontecendo agora é muito mais grave, sim, muito mais potencializada. O Black Mirror virou, virou, virou Bobinho.
É porque, caralho, é isso, galera. E aí, vocês vieram para cá para dar risada e a gente saiu com—
e vieram para cá também. Eu não vim aqui para falar de técnicas de empreendedorismo, mesmo porque não sei. Eu adoro esse cara. As duas vezes que a gente sentou para conversar, fudeu, a gente ficou, não parava de conversar. E assim, abre a cabeça, que é demais. Eu sinto falta nisso para caramba.
Você que falou que a gente ia fazer mais isso, mas isso é um grande problema também, né? Isso é o social health. Que é o quê? A nossa agenda, ela tá tão preenchida que a gente não coloca na agenda 9 da noite encontrar um brother, não consegue, porque você fala, cara, se vagar e se eu quiser eu encontro, só que você tem que ser obrigatório. Eu quero explicar isso lá no—
mas eu acho que a gente podia terminar com algumas mensagens positivas, né?
É, mensagens, solta aí.
Primeiro, por favor, você tem o direito de ter sua opinião, fale a sua opinião. Mesmo que vá dar merda. Foi contraditório. Foi, né?
Foi. Mas tudo bem.
Por que foi contraditório?
Porque você falou há 2 minutos atrás assim: a maior preocupação que eu tenho é a galera entrando em tudo que é canal falando: pô, não sei o quê, não sei o que lá. Aí esse cara vai falar: beleza, então vou abrir um canal e vou falar: eu quero que se foda os homens tatuados. Fodeu. O mundo virou isso aí.
Parece que tá coberto de razão. Ou seja, a gente terminou com a final tudo confuso, brigado, foi um prazer, um beijo no coração.
Esse é o mundo atual!
Acabou e vamos embora.
Esse é o mundo atual!
Se vocês esperassem que a gente fosse falar de negócio, empreendedorismo, não é o caso, aí vocês vão lá nos outros programas lá.
De alguma maneira a gente falou, mas a gente abriu mais a cabeça do que... Cara, eu esqueci de te dar um presente que foi um lugar que surgiu lá do Shark Tank, que é uma camiseta da Insider. A Insider é do caralho, cara. A Insider é a tá na frente do tempo, ó, Caíto sabe do que que eu tô falando. Vou dar um presente para você lá, Insider.
Eu me arrependi de não ter investido neles no Shark Tank.
Eles vieram aqui e falaram, eles ficou com uma mágoa aí.
Eu entrevistei eles, entrevistei uma cuequinha, a gente já sabe o tamanho. Será que serve?
É uma cueca da Insider com tamanho exatamente do que a gente já viu.
A cuequinha abraça a bola, né?
Abraça a bola, né?
Maravilhosa. Ela faz um faz carinho, faz ela dar uma fofada.
E uma camiseta com tecnologia. Afinal, vai ter um mundo aí distópico, maluco, mas no final a gente vai estar bem, vai estar bem. Porque parece que eu tô conversando, né? Às vezes parece que a gente tá em 1845 falando: porra, chegaram as máquinas, deu merda, deu, mas tem coisas positivas também. E a minha vantagem para deixar o negócio otimista lá na XXSW, toda hora que falava assim: o mundo vai "O mundo é desse jeito, o mundo vai ser desse jeito", me tranquiliza que ninguém aplaudia, as pessoas estavam assustadas.
Se elas estão assustadas, quer dizer que elas não vão deixar que o mundo vá para esse lugar, assim eu espero. E aí eu acho que é só uma evolução que vai ter alguns problemas e no final a gente vai deixar a sociedade maior do que os problemas que vão surgir.
Deus te ouça.
Deus me ouça e Deus ouça o Caíto, que precisa de juros mais para baixo. Por favor, passem esse vídeo para o Haddad e para o Galípolo, para a gente diminuir essa quantidade de juros e a Chilli Beans, e não só Chilli Beans, mas outras empresas começarem a reagir nesse momento que tá um pouco tenso, certo? Concorda? Esse final foi bom? Maravilhoso. Então é isso, gente. Caíto Maia tá aqui na descrição do vídeo. Sigam o Caíto para mais informações e mais viagens e brisas, que a gente sempre fica brisando. A gente vai para vários lugares diferentes C'est ça, ciao ciao.
Chili Beans
óculosInsider
Camiseta e cueca com tecnologiaWindows 11
Unreal College Deal