COMO É VIVER EM ANGOLA SENDO BRASILEIRA | #3CONTINENTES #131
No episódio de hoje do #3CONTINENTES vamos ter uma uma brasileira que mora em Angola há 4 anos e compartilha como a sua realidade lá é muito diferente da do Baptista. E aí, quem é mais angolano aqui? Boara comentar! Siga no Instagram:
Maurício Meirelles: https://www.instagram.com/maumeirelles/
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Tem uma que ele é muito, muito forte.
Fala aí.
Só que é iniciar com B, que ele não gosta.
Fala, fala, fala.
Oxi, bi.
Que porra é isso? É buzina? Bi, bi. O que é isso?
Bi, ela é exatamente... Só que achar o cheiro é... Se é o cheiro, é como se fosse buraquinho.
Oi família, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui dos Três Continentes. Hoje voltamos a, né, atrás, normal, né? Graças a Deus a Copa acabou, Portugal não passou, Brasil faleceu graças à porra do Bruno Guimarães.
Aliás, parabéns, né? Eu achei muito legal.
E a Argentina roubou.
Eu achei muito legal a produção do Três Continentes postar O vídeo Brasil-Japão, duas semanas depois do Japão ter sido eliminado. Foi muito legal, cara.
Irmão, pra você ver coisa real, você vai lá no SporTV, entendeu? Aqui é zoeira.
Aqui é o timing errado.
Eu também fui na SporTV.
Ô, família, posso apresentar o convidado?
Aqui é brincadeira, aqui é zoeira.
Vixe Maria, pesou. Aí que você trouxe.
Portugal e Japão, babaca. Não é tudo a mesma coisa não, tá?
Desculpa. Tem um convidado aqui. Hoje a produção trouxe, é uma das melhores assim convidadas que já trouxeram aqui, ou uma das piores. Não, calma aí também, calma, vai chegar lá. Giovânia, nossa convidada.
Ela detesta que chama de Giovânia.
Não, porque lá todo ninguém consegue falar meu nome, Giovânia. Todo mundo fala, ah, você é Giovânia?
Giovânia não existe, Giovânia.
Mas eu acho que é por causa do sotaque.
Vocês não falam português? Vocês não falam português?
Fala lá muito português.
E por que que fala o nome dela errado?
Não é errado, é Giovânia.
Ela que fala errado o nome E você fala que você é G, na verdade, né?
G. Eu sou G, é, porque—
Você se apresenta como G.
Isso, G Vieira, que é meu sobrenome. Giovana Vieira.
Aqui tem o Paulo de Paulo e Bá de Batista. Eu sou Pá de Paul.
De Paul. É, eu conheço todos vocês.
Muito bom. E aí é Má de Mateus.
A Giovânia, para quem não conhece, ela é eu em Angola.
Ela é o contrário de você em tudo, né? Ela é mulher, você é homem.
Ela é branca, você é preto.
Ela é bonita, você é feia.
Ela é brasileira que vai Angola fingir que, nossa, ai, o angolano come o quê? Ai, come funge. Nossa, que bom, vamos filmar.
Ela é isso, ela é Polkabanes de Angola.
É mentira, que é o que você faz também, e piada ruim também. Vixe Maria, mas é, eu filmo bastante comida. Na verdade, eu cresci nas redes sociais mostrando a comida típica, que é bem diferente da comida aqui do Brasil.
Você sabe que a gente foi pra Angola?
Eu vi.
Em maio, né? E pra mim é legal.
Esse aqui tava parecendo um turista, né? Foi lá no mercado de artesanato. Ai, onde que é a casa de banho?
Nunca pisou em Angola.
Nunca pisou em Angola.
Vocês trouxeram?
Ai, mas é quanto? Ai, não sei o quê lá. Eu pensei, gente, ele não sabe nem negociar.
Ah, não acredito que eu tô assim mesmo. Ele se hamburguesou, é isso?
É, total. São Paulo faz isso, por isso que eu fui embora. Ele só tem...
Sabe o hotel? Sério? A gente trouxe o Theo aqui pra quê?
Hã?
Pra desmascarar o Polcabani.
É, mas vocês trouxeram brasileira pra desmascarar o Batista. Pra te humilhar mais ainda, né? Não, me humilhar, meu. Jovem, quanto tempo?
Deixa eu falar uma coisa. Você come funghi hoje assim? Hoje você come funghi?
Todos os dias.
Ah, mentira, mano. Mentira, mentira.
Você mente, cara.
Mentira. Ó, meu amor, eu falo isso e não acredito que você acredita.
Ó, ele não come nenhuma cama de funghi, nem tá lá. Manda muita mentira.
Ó, o feijão.
Você come essas coisas de branco, torresmo, essas coisas, certeza. Ah, vamos de quiabo. Não, ele gosta de comer muito, não vai se foder.
Você come muito, certeza.
Você deve comer quinoa em casa.
Fala pra ela o que ele comia lá. Só fast food lá na escola.
É KFC, essas paradas aí.
Perdeu todo o seu jeito mangolês, Giovana.
Não, eu não perdi meu jeito mangolês. Giovana, você inclusive tem que entender, você chegou aqui faz quanto tempo no Brasil?
Cheguei como? Não, eu vim aqui só pra passar 15 dias, mas já tô voltando.
Ah, vai voltar pro teu país?
Mas eu tenho um monte.
Só vim buscar minha nacionalidade. Ah!
Você não quer?
É, você não quer então... Por que você busca assim a nacionalidade angolana aqui no Brasil?
Não, tô brincando.
Ah, tá. Tá com ele, professor, devagar. Então, mas você não quer se apresentar um pouquinho, rapidinho, explicar por que você foi pra lá, quanto tempo?
Então, meu nome é Giovanna, Giovanna Vieira.
Giovanninha!
Meu nome é Giovanna Vieira, não caiam nessa, tá? Giovanninha é muito feio. Eu fui pra Angola já vai fazer 4 anos, em setembro fazem 4 anos. Eu fui porque tava com uma pessoa, a pessoa falou, meu, tô indo pra Angola.
Aí eu pensei, vou, não vou?
Eu gosto pra caramba, o brasileiro nunca fala, eu tava com um cara.
É.
Ou uma mulher.
É uma pessoa.
Eu tava com uma pessoa. Eu acho muito bonito esse tipo.
Isso significa que é a pior pessoa do mundo, assim, já.
Por que vocês falam, eu tava com uma pessoa? Não, mas, vocês já... Por que que o brasileiro fala isso? Tem um pudor, sei lá. O brasileiro nunca fala, eu tava com um homem.
Não, mas eu tinha... Como é que o povo fala, eu tava com um homem?
É, né?
Tava com uma pessoa.
É?
Aí eu falo, tava com um macho.
Tipo, a sujeira vai cair mais fácil na cabeça. Como é que vocês falam na França?
É, tá bom.
Como é que vocês falam na França?
Ah, ninguém fala... J'étais avec une personne. Você fala, j'étais avec un mec. Eu tava com um cara. J'étais avec une fille. Eu tava com uma garota.
Vou te falar, em Angola também poderia ser.
Tava com uma garota também poderia.
Não, mas tem que ser como que nem Angola, mano.
Had a person. Ué, caralho, eu sei. Eu não tava namorando um gato, tá ligado?
A gente tá num momento desconstruído do mundo.
É.
A gente não tem mais gênero.
Mas desconstrução de quê, irmão?
Tipo... Ela estava com uma pessoa. Aquela pessoa pode ser o que ela quiser. Um homem, uma mulher, pode ser qualquer coisa.
Não, tem a ver com isso?
É sério?
É isso? Tem a ver com isso?
Mano, aí vocês estão indo longe demais. Eu sou um cara progressista, mas aí também, aí também vão se foder.
A Globo se distanciando.
Tá bom, tá bom.
Desculpa, Giovana.
Desculpa. E daí eu fiquei um ano pensando, gente, vou ou não vou? Vou ou não vou?
Por que precisa um ano para pensar?
Muito tempo, né, pô? Muito tempo, né, pô?
Não, porque foi assim, ó, eu trabalhava na Transamérica, inclusive eu trabalhava com Nico Funari, do Flow. Renata trabalhava com ele, trabalhava aí com a Fabi também.
Eles estão falando de uma pessoa que só os dois conhecem, sabe? Desculpa aí, galera.
Não, calma aí, audiência conhece.
Pode falar.
Ah, é a Fabi? Eu conheço ela.
3 amigos. E aí eu tava na Transamérica, tava trabalhando como produtora lá, e aí foi meio que nessa transição, e a pessoa tava se adaptando, né, a Angola e tudo mais. Então a gente a gente foi construindo a ideia, pensando, e eu também gostava muito de trabalhar na Transamérica, meu, trabalhar com audiovisual, trabalhar com rádio, eu tá com artista sempre é muito legal. E aí esperei assim um ano até que eu falei, cara, eu acho que eu não tenho nada a perder.
E daí você falou, perdeu.
E aí você chegou lá, você chegou lá, para mim é muito interessante porque como eu fui para Angola, eu sei mais ou menos como que é, né? Então você chegou lá, o que que você estranhou assim?
Não, qualquer ideia que você tinha de Angola que depois que você foi lá não é exatamente a ideia que você teve.
Então, porque assim, ó, para começo de conversa, eu ia morar onde você nasceu, em Benguela, né?
Eu ia morar lá e não foi.
É uma semana antes a gente foi transferido para Luanda.
Por isso tua vida só tá decaída.
Não, mas de verdade, se eu for— não é Benguela, não é, mas a nível de trabalho, tipo, é pequeno. Então assim, eu ia fazer o quê, né? Ia ser muito limitado para mim ali os meios. Então foi ótimo eu ter para capital. Mas eu fui, a primeira vez que eu fui para Angola, eu fui para Benguela e eu adorei, porque assim, praia, tudo é limpinho, organizado, as pessoas são super gentis. Mas foi um choque para mim ser muito olhada em Benguela.
Ela é 2.2.
Porque essa é a única branca aqui que frequenta nesse lugar, entendeu? Tipo, lugar normal Social, é só tem tipo, é muito difícil você aparecer tipo um chinês, um tipo um branco.
Mas você acha que você era olhada?
Eu fiz faculdade em Angola até, eu fiz 2 semestres de cinema e eu era a única branca. Aí lá foi mais estranho ainda.
Ah, você acha que você era olhada?
Eu entrava assim nos corredores, todo mundo me olhava, eu ficava, meu, e aí? E aí, cara?
Você sente que você era olhada por ser branca? É por ser mulher ou por ser—
Não, gente, porque é diferente, tipo assim, é diferente.
Mas o que que é diferente? Mulher ou branca?
Porque, por exemplo, eu também Eu também senti que eu fui muito olhado lá, mas por conta das minhas tatuagens.
É, mas eu posso falar, eu olharia também para o Pablo Escobar.
Não, para mim o Matheus é marginal, meu, com essas tatuagens aí. Não, que isso, já assaltou banco, já roubou coisa.
Mas em Angola quem tem muita tatuagem, eu sinto que eles olham mais também. Eu tenho uma amiga que ela é toda tatuada também, e algumas pessoas, dependendo do que você faz, eles têm até preconceito.
Eu posso explicar do porquê que olham muito para ela, diferente do do Brasil, aqui o pessoal cresce com essa mistura já, sabe? Lá ainda existe essa separação.
Não, eu vi, eu contei, né? Eu vou contar de novo então, porque você não sabe, mas eu fui cortar com o primo do Batista meu cabelo.
Nossa!
E ele falou que meu primo tá fodido, meu. Eu achei incrível. Ele falou que eu fui o primeiro branco da vida dele que ele cortou cabelo assim. E dava para ver inclusive que ele cortava com umas técnicas meio diferentes. Falei, pô, ele deve manjar para caramba. E na real não, ele tava, era a primeira vez que ele cortava um cabelo É diferente. Então ele tava muito— eu percebi, ele pegava a tesoura assim muito tipo— ele fez uma coisa que ninguém faz.
Por exemplo, o barbeiro normalmente ele te pega teu cabelo e ele passa a tesoura. Depois ele pega atrás. Eu sei porque eu também quis ser cabeleireiro em algum momento.
Meu Deus, é a base de machucada, meu.
Eu não nasci na riqueza igual você. Aí é isso, ele não fazia, ele só pegou a franja do— essa parte E corta reto assim. Só que ficou bom pra caramba. Ficou bom pra caramba. Foi o melhor corte que eu já fiz.
Então, eu sou feliz. Uau, então ele mandou super bem?
É, não.
Ele mandou muito bem.
Tem que respeitar meu primo, né?
Falando de cabelo, outra coisa que eu achei assim muito, muito, muito diferente é que em Angola você pode fazer trança, né?
É. Ninguém fala.
Cara, você fazer trança... Gente, a gente sempre teve vontade, nós mulheres temos vontade de fazer trança porque é algo lindo.
É, uma coisa é tirar aqui, é outra assim.
Ei, você vai fazer trança? Apropriação cultural.
Aqui é considerado apropriação cultural? Tipo, aqui as pessoas não podem fazer trança?
É, pessoas brancas que aparecem com trança pega bem mal.
Pega muito mal.
Ah, eu não sabia disso.
É que é o seguinte, apropriação cultural, né?
Inclusive você, quando saiu daqui, postular com essa ideia, talvez, né, de que é errado, não pode fazer trança.
Totalmente. Eu ficava, gente, não pode fazer trança?
Aí cheguei lá, não tinha a menor ideia disso. Tem coisa que os homens não podem fazer aqui porque é apropriação cultural?
Usar um black, usar uma roupa meio africana, coisas assim.
Então, por exemplo, se eu usar a roupa que eu comprei agora aqui de roupa tradicional, aqui eu tô preciso— algumas pessoas vão olhar.
Eu acho que não é olhar mal, é tipo achar estranho, né?
Mas aqui batem, aqui batem. Mas minha filha, aqui batem.
Eu acho que eu uso aí, mas não tem problema.
Eu acho que pode ser que porque o chinês não tem esse negócio, né?
Ou eles se confundiram com africano, né?
E hoje, por exemplo, faz 4 anos que você tá lá. Beleza, vou falar aí uma coisa delicada de se falar, mas o que eu senti em Angola é que é um país bacana para caramba de cunhice aí e tal, mas em questão de qualidade de vida eu acho o Brasil superior.
Eu acho que você acha delicado.
Então para mim me soa um pouco curioso. Da mesma maneira que para um brasileiro sempre fala, vai ser francês, que se não mora na França, lá tem mais qualidade de vida. Então eu te farei a mesma pergunta: por qual motivo você quer ficar em Angola? O que que fizeram?
Eu acho que o que te faz ficar em qualquer lugar, primeiro, né, é você se sentir bem lá e você ter oportunidade. Porque é tendo oportunidade que você tem, meu, sei lá, você pode viajar, você pode comprar sua roupa, você tem trabalho. Então assim, eu cheguei sem nada porque eu fui, né, dentro de um relacionamento com uma pessoa.
Com uma pessoa ainda é elogio.
É, agora falam com um cão, por isso que ela fala pessoa, para entender que não era um cão, que não era um cão. E aí assim, eu basicamente fui trabalhando, fui trabalhando, fui conseguindo criar um espaço de trabalho, comecei a ter mais oportunidade. E cara, eu cheguei lá sem amigos, sem família, no relacionamento novo. Quando você começa a conquistar as suas coisas, você vê retorno, você automaticamente vai se sentindo dali. E eu acho que parte disso é porque eu comecei muito a trabalhar com essa parte de criação de conteúdo, né?
Então, basicamente, eu provava as comidas, eu ia pros mercados informais, eu comecei a explorar muito Luanda, né? Tipo, tudo. Inclusive, eu fui fazer faculdade lá, mas eu não fui pra estudar. Eu fui pra conhecer as pessoas e tirar uma onda, entendeu?
Ah, é?
Caralho!
A única pessoa que estudou pra ver as pessoas.
Eu acho que em Luanda... Aquele centro lá, tudo é de bom, porque realmente é muito bombeiro. Só que tem um único problema que acho que assim eu não consigo aguentar, é o calor. Lá é muito calor, tipo 10 vezes mais calor do que aqui em São Paulo.
Não é só Luanda, né? A maioria das províncias lá são muito calor. Ah, fica em si, é calor.
Eu digo assim, como você consegue tipo assim lidar com isso? Tipo, ah, você não sai durante o dia? Você só fica no ar-condicionado?
Nada, sai horrores. Mas aí, por exemplo, né, Eu não fico andando na rua à toa quando tá muito quente, não.
E quando tá calor, uma cuca gelada, né?
Ou eu prefiro Eca.
Você se vê, se vendeu.
Nossa, meu, nossa.
Você se vê ficar, é um Gola para sempre?
Ah, não, para sempre em nenhum lugar.
Como assim?
Mas eu me vejo vivendo no Brasil para sempre.
Para sempre?
É, meu, eu não consigo falar para sempre. Eu acho que é muito difícil falar para qualquer coisa para sempre assim. O que que você mais sente saudade do Brasil? Ah, então acho que essa liberdade de você poder andar na rua e você ter muitas opções de coisas para fazer, né? Que é básico, né?
Exatamente o que um brasileiro falaria se ele tivesse morado na Suíça, por exemplo. Ah, lá eu andava na rua sem insegurança.
Você tem padarias, tem mercado, você tem tudo, tudo que você quer você tem assim bem pertinho. Isso é muito bom.
Mas você tá falando de segurança ou você tá falando de outra coisa?
Gente, a nível de segurança tem que desmistificar isso, porque todo mundo acha que nossa, Angola, meu, você vai chegar lá, você Morresse. Gente, que exagero! Eu ando a pé agora, eu moro na cidade, né? Então eu ando a pé na Marginal, eu ando por ali.
Morava onde antes?
Tava no Talatona, onde estão todos os brasileiros.
Ah, meu, ela foi com a pataca já, já foi com o dinheiro. Talatona é zona de boi, ela sabe. E quando ela fala tá na cidade, melhorou ainda mais de patamar, meu. Ou seja, os nossos Kwanzas aí Mas assim, e os meus reais? Tá brincando? Não posso falar isso, né? Tá brincando. Mas continua com quando é que você quis realmente entrar no digital? Porque aqui no Brasil acho que você não trabalhava com isso.
Não, assim, aqui eu sempre trabalhei com publicidade, modelei durante muitos anos, e depois eu fui para rádio. Então eu já tava ali, né? Rádio, TV, eu já tinha experiência. Aí eu falei, em Angola vou fazer Eu falei, eu não sei se eu vou ter oportunidade nesses espaços. E eu achava que eles também não me aceitariam, que eles iam falar, só branca sai daqui, é você. Eu achava que eu não teria esse espaço. Então eu falei, meu, aí onde foi minha virada, né?
Como eu ia morar em Benguela, que é onde ele nasceu, eu comecei a pesquisar coisas sobre Benguela. Aí eu vou lá, abro o YouTube e coloco Benguela Lobito. Aí você vê uns vídeos assim, ó, olha a gente aqui, umas coisas assim, umas qualidades horríveis, horrível, horrível. 4 anos atrás não tinha nada, a tiazinha de bicicleta, andando assim, gravando umas coisas, gravava o chão, gravava a praia, gravava o chão, gravava a praia. Eu pensava, meu, para onde eu tô indo, velho?
Que é isso, tá virando bem.
É sempre engraçado para ele, é por isso que o Batista se destacou, foi o primeiro que gravou minimamente no negócio. Por isso que ele, puta, sucesso, porque ele só gravou assim a parada.
O angolano sempre é, agora eu não sei como é que tá, agora inclusive Nós fomos e nós percebemos que as pessoas aceitam um pouquinho já a câmera, essas coisas. Mas antigamente não aceitavam. Filmar, vão te bater.
Tá me filmando? Tem medo de filmar alguma coisa errada?
Não sei, vai me filmar para quê? Vai fazer o quê com essa filmagem?
Você não lembra um dia que eu fui fazer uma foto das mamas lá com o, como é que chama lá, com a zungueira lá? As zungueiras estavam assim e o cara saiu de trás delas e tentou roubar minha, não roubar, mas puxar minha câmera porque eu tava tirando foto.
Então, mas eu acho que tem dois pontos desse, o porquê não filmar né? Primeiro, é um país que saiu de guerra recentemente, então eles prezam muito pela privacidade porque é um país que acabou de sair de um conflito, né, muito complicado. E segundo, porque todo mundo acha que África e Angola é pobreza, é escassez, é necessidade. Então você chegar e ficar filmando, na cabeça deles é de repente para reproduzir ele mesmo, ele, ele, ele.
Essa visão Vou falar mesmo, mas assim, cara, ele me perguntou se eu comia leão. Você acredita?
Mentira, ele jura nada.
Eu achava isso mesmo. Ele não nega.
Eu achava mesmo.
Até que eu chego lá, aí tipo, realmente não é isso.
É o leão que coma ele.
Você achou que você ia dormir na savana, né, cara?
Mas assim, eu fui no lugar, uma ilha, aquele tiozinho lá. Uma ilha lá do Parque da Atsama.
Lá tem uma, lá tem uns pescadores vivem numa zona, isso, numa aldeia lá.
Isso, aí eles têm uma casinha lá, tipo, cara, eu imaginava que todos os angolanos vivem lá, tipo aquele jeito, mas na realidade tem gente que vive lá.
Não, tipo, é aquilo que eles falam.
E ainda que achei muito incrível falar que o Brasil é como quem vive no sertão, né?
Aí vai lá, né, chique, chique, mas tem que ir debaixo barco para ti. Todo brasileiro vive assim, tem que ir de barco para ir na casa dele.
Só que assim, o Brasil, ele, eu acho que assim, por mundo, o Brasil ele mais é um tipo um país de futebol. Ah, nossa, todo mundo tem aquele preconceito, fala assim, todos os brasileiros joga futebol, todos os brasileiros dança, não sei o quê, gosta de carnaval, não sei o quê, entendeu? Ué, mas aí é tipo o preconceito que teve com a África não é só especificamente em Angola, É assim, pessoas vivem numa situação triste, entendeu?
Sim.
Mas quando a gente foi lá, tem um lugar que é muito moderno. Acho que é tipo, ele não, tipo assim, eu acho que quase mesmo nível do capital de São Paulo e de algumas regiões. É muito bonito, moderno, os prédios bonitos para caramba. A rua é bem ampla por conta do tamanho da terra que tem lá, o asfalto.
Eu vou perguntar porque você falou sobre Esse clichê aí, de onde veio esse clichê assim, é todo brasileiro é puta, igual você falou?
Meu, mas eu não sei, esse clichê que roda o mundo, né?
Quando fala Brasil, ai, mulher bonita, cara, não sei, sabe minimamente, o saber minimamente é o jeito com que a maioria das pessoas mostram-se como brasileiros na internet, tá vendo?
É que nem as cabo-verdianas, muito limitada, como das pessoas nesse caso, né?
Eu sou mais limitada das pessoas.
O Brasil.
Mas eu acho que é muito também por causa do carnaval.
É, né?
E se o carnaval angolano você gosta?
Que carnaval?
Onde que tem carnaval?
Você tá de sacanagem?
Carnaval?
Essa não vai voltar mais. Essa vai ficar aqui, não vai voltar mais, né?
O carnaval em Angola é muito fraco. Desculpa lá, desculpa lá, desculpa lá.
Falta o quê para ser forte?
Falta ter carnaval de verdade, né?
Não, não tem.
Cadê a cervejada na rua?
Mas lá não tem, lá não tem isso.
Escuta bem, não é contra você, porque nem nenhum carnaval é tão forte quanto o carnaval do Brasil. Eu fui para Salvador, irmão, tinha acho que 3 milhões de pessoas na rua, era uma coisa doida. Aí, 3 milhões, inclusive eu acho que deve ter umas que morre, terminou com 2 milhões. Aí eu vi uma parada que eu nunca tinha visto acontecer. Tem os 3 milhões, aí dentro disso tem um perímetro que você tem que pagar para entrar, não sei se, não sei qual que era o valor, a do carro alegórico.
É, acho que dá para falar disso, mas é uma parte muito grande, é tipo várias ruas. Aí dentro disso tem os camarotes, e aí dentro dos camarotes tem a área VIP dos camarotes, ou seja, aquelas bonecas russas, sabe, de dinheiro assim que vai.
É uma parada muito, eu concordo que quando eu curti o meu primeiro carnaval aqui do Brasil, eu fiquei realmente muito assustado com relação ao como vocês festejam. Você só vê na televisão e você não tem Você beijou na boca? Que não, que beijar é mais assim.
Aí ele não curtiu o carnaval direito.
Beijou na boca aqui? Que sou cristão, Matheus.
Ele comentou, Giovana, que os angolanos são muito mais conservadores, então não tem muito essa coisa de ficar e beijar na boca desconhecidos. Então vocês conhecem um angolano diferente, uma Angola diferente.
A galera da Angola beija na boca?
aqui não tem esse costume de—
mas tudo faz assim.
Eu acho que o angolano ele é mais conservador, sim. Agora, dizer que não gosta de uma putaria, não.
Ah não, aí já é.
Mas você sabe que, gente, se você for numa festa de kuduro, de rua, o que mais tem é, meu, putaria. Não é que as pessoas estão se pegando exatamente, mas a própria dança como funk ela é meio, né, tipo assim, meu, mas as pessoas Mas as pessoas não estão se pegando.
Em Benguela e do Lubito é mais conservado.
Ah, não é?
É muito diferente.
Lá na Luanda é diferente, o pessoal é mais aberto, que nem São Paulo.
Mas peraí, peraí, dançar é uma coisa. Agora, você falou que eles não estão se pegando.
Não, mas se pegam também, gente. Eu não acho que— eu não acho. Eu acho que o angolano ele é mais conservador, ele não vai ficar falando assim tanta besteira. Por exemplo, uma vez eu tava na faculdade e aí a gente começou a falar dos nomes íntimos em Angola, né? Que é muito diferente, gente, é xobota.
A Xuxa, né?
A Xuxa é o peito. A Xuxa é a xobota. A xobota.
Mas não é muito diferente.
Nossa, meu, isso me sinto mal. Não fala mais. A rata ofendei, ela tá ofendendo.
A rata é horrível.
Nossa, rata é péssima.
Sinto mal.
Você nunca entrou naquele site lá que põe lá?
É, vocês estão horríveis. É sério, não consigo ouvir.
E tu queres esmagar minha rata?
Não consigo. Esmagar minha rata, esmagar minha rata, me dá vontade de esmagar. Temos vários jeitos de falar também mesmo. É, vocês brasileiros são, vocês têm 20 mil jeitos de falar.
É isso aí, gente, também brasileiro é muito chegado a essas coisas, né? Mas se eles escutam o nosso também, eles vão falar, pô, buceta, é meio estranho, né?
Buceta é uma palavra muito muito feia. A pessoa que inventou, né?
Para quem entende, né?
Já começa com bu, a primeira sílaba já é bu, sabe?
Baceta linda.
Não, isso é uma palavra da hora.
Em francês é como?
Flochette seria melhor, por exemplo.
Nossa, é francês demais.
Nossa Senhora! Eu tenho uma teoria, porque o Maurício não tá aqui. Eu acho que metade dos gays brasileiros é só para não ter que pronunciar essa palavra. Buceta é muito feio. E você acha que caralho é bonito?
Caralho é bonito.
Caralho é mais bonito.
Onde mais bonito?
Porque olha o povo, buceta é feio, mas caralho é mais bonito.
Cacete também é bonito pra caralho. Eu quero uma cacetada.
Vamos entender, vamos entender.
Você concorda comigo? Porque buceta não é bonito, não é?
Eu não tenho nada contra buceta.
Eu acho que eu tô te falando da palavra fonética.
Eu acho que todas as informações associando esse negócio assim, para quem que é mais conservado, é feia.
Nossa, estressei, né?
Chinês fala xereca. Bom, enfim, tipo, mas com outro chinês não dá também, né?
Ele tem duas formas de falar.
Fala como?
Tem uma que ele é muito, tipo, muito forte. Só que inicia com B, que ele não gosta.
Fala, fala, fala em chinês.
Irmão, eu não falo mandarim. Eu não falo mandarim.
Que coisa! Buzina, pipi.
O que é isso?
Eu vou pegar sua pipi.
É assim?
É só pipi?
Vocês falam Só que assim, ruim, hein?
Ruim, Paulão, ruim.
Depois vocês vão— ele fala os pesados, depois eles falam dos palavrões franceses, mano.
Pô, eles esperam, tá?
Como?
Aí você é mais legal.
Isso é o quê?
Mas qual que é?
Ah, salsicha.
Por isso que não é um povo safado.
Você tem o chau chê.
Eu gostei como você é excitante dessa maneira.
Me mostra seu pi. É educada, entendeu?
Que isso, gente!
Ó, pi, ela é exatamente poceta.
Só que o xia é vagina.
É, se é o xia, é como fosse buraquinho.
Entendeu?
É horroroso! Nossa, meu Deus!
Nossa, Paulo!
Vamos tentar, ó, vamos fazer um.
Eu não sei o que é pior.
Vamos fazer, já que vocês zoaram Falaram os palavrões. Agora vamos falar cada um uma frase para câmera que é erótica, uma frase afrodisíaca. Fala uma coisa do tipo, não precisa ser muito vulgar, pode ser do tipo: eu vou tananã, seu chatinho.
Mas sem sensualizar?
Tipo, tem que ser sensual para ver qual língua é mais sensual. E o francês vai esmagar o mandarim, você vai ver.
Eu não entendi.
Fica à vontade, mano, para entender. Meu Deus, vamos lá, tá bom, tá bom.
Você quer uma frase sedutora?
Hoje eu vou sedutor e excitante. Então pode ser: hoje eu vou foder sua buceta. Não, mas aí também não é.
Hoje eu vou, eu quero ver o seu pi.
Foi assim que você seduziu tua esposa?
Essa frase é forte.
Hoje eu quero ver o seu pi.
Você ofendeu a China toda agora, meu. Eu vou, que isso?
Desculpa, mas não pode ser muito vulgar.
Uma coisa, tem que ser uma coisa mais delicada.
Mulheres, tem que ser sexy. Mulheres, que que eu posso falar? Que que a gente pode fazer? Uma frase sexy sem ser isso aí que ele falou. Eu vou, eu vou degustar sua pepeca. Pode ser?
Puta, isso não é sexy.
Nossa, péssimo. É melhor eu vou foder sua buceta, eu acho.
O que que tem de sexy?
Foi meu sapatênis o negócio.
Tá, o que que é sexy?
Vai.
Mas vocês são Mas vocês que devem saber.
Eu não sei. Vai falar o que você acha que é sexo, vai, pô.
Meu, minha avó começou a assistir Três Continentes, eu não vou baixar o programa.
Você não vai? Ele vai falar em mandarim. Vou não falar para o mandarim. Je vais manger ta petite chatte. Puta gay.
Eu achei muito gay. Eu não sei se uma mulher ficaria— caralho, legal.
Ah, eu acho que sim, velho.
Mas na França?
Caralho, posso te falar uma coisa?
A mulherada fica arrepiada quando escuta isso aí que você falou?
Repete aí, repete aí.
Agora eu vou dar o meu truquezinho. Desculpa falar, vocês vão achar que eu tô me achando. Já aconteceu, já aconteceu de eu estar num momento íntimo e começar a falar em francês. Não isso especificamente, não lembro também, não tenho a lembrança memorial de todas as putaria que eu já falei na minha vida. E a pessoa com quem eu tava, a pessoa fica muito excitada de repente. Eu nem lembro se eu tinha falado, sei lá, vou captar um lote, mas eu tinha falado alguma coisa que o francês começou assim.
Mas aí é outra coisa, não é da frase, é porque você é francês.
Sim, mas de repente a gente já tava no meio, mas o meio virou um meio fogoso.
Virou esse programa.
É isso que eu tô dizendo.
Você viajou.
Que você trouxe, meu. Caramba, amigo.
Ah, por exemplo, por exemplo, pode ser assim.
Tá brisado.
Pode ser assim.
Vai, fala.
Isso é tão bom. Ó, já adoro.
Ai, foi gozar, foi gozar. É assim, é assim. O João falou, ele, ai, olha!
Que tensão!
Que tensão, galera!
Se eu falar, você me excita, você chega no ouvido... Bom, vocês que são homens e atraídos por mulher não precisam imaginar, mas os outros... Você pode falar assim...
Fala no meu ouvidinho.
Você fala assim... Vou falar até no microfone, ó, pra vocês ficarem mais excitados. Hmm, you make me excited. Mas por que vocês riem, velho? É isso que eu não entendo. Por que que vocês riem? Por que que vocês estão rindo? Rindo não, dando risada.
Todo mundo tá rindo!
Mas não é gay, velho!
Se eu quisesse gay, a gente fazia isso aqui, ó. GMS?
Ah!
É esse? Você quer que a gente faça?
Correto, pô.
Você acha gay?
Que isso, meu. É tipo você falar e ela falar, falaste o quê? Vai repetir mais, vai repetir mais.
É o quê você acha?
Agora fala em mandarim, vamos ver.
Vai, vai. Fala grande?
Alguma coisa que você...
Sedutora.
Sedutora.
Tá.
Mishui Binsheng, cara.
Mano, isso me deu vontade de comprar na Peripê.
O que que aconteceu?
Eu não quero transar com você, mas eu vou comprar teus produtos. É mais ou menos isso. Agora vocês, bom, vocês não vão querer falar e tal, você não vai querer falar, mas tipo...
Não, ela é mais angolana do que eu, né? Ela falou que vai nos rolês lá e Angolano tá sagrado.
No comportamento íntimo.
Como fazem tanto filho?
Uxi! É perfeito.
Ah, isso aí.
Calma.
A pergunta, falar que o povo angolano não tá transando, você tá mentindo.
Não, calma, calma. Aquilo tudo, quando você vê muita gente, às vezes é o primo, né? Porque tudo é irmão, às vezes é primo.
Mas ele nasceu, pô.
Nasceu.
Então, pai, tem quantas mulheres?
O quê?
Não, calma aí, calma, calma. Meu pai tem uma mulher, mas quantas outras?
Ele tem amigas.
Ele tem, né? Ele fez, ele fez a dor do pecado, ele fez quantos alambamentos.
A galera não precisa botar um dinheiro a mais porque engravidou antes.
Mas lembrando que o alongamento que a gente viu foi, sem exagero, R$5. Então eu acho que a camiseta é mais barata que o alongamento.
Não foi dessa prima, prima para merda mesmo.
Eu gosto que pagaram pouco porque a prima do Batista era linda e o vagabundo lá pagou muito pouco.
E ainda, e eu até acho que ele, ele tá atrasado e ainda não quer pagar a multa.
Eu acho que ele até fez a conta: camisinha é R$7, alongamento é R$5. Vamos sem camisinha agora.
Você, povo, então Melhor, vamos usar você como exemplo, que é um homem vivido. Quer fazer um comparativo? Como é sair com uma mulher francesa e como é sair com uma mulher brasileira?
Eu ia comparar os homens, diferentemente.
Já saiu com homens?
Do que me falaram. Na realidade, para falar a verdade, ficou uma situação ruim, né? Eu não sei se eu deveria falar isso. Teve uma vez. Não, nem fala. É, nem fala.
Vai ser cancelado.
Sou um homem vivido. Certa vez Nem fala, nem fala. Não sei se é porque fala tipo, pô, vamos falar de churrasco.
A Giovânia, eu queria voltar um pouco, eu gostei muito da parte das palavras diferentes lá, do que a gente, que foi o que levou para esse assunto.
Inclusive eu queria realmente falar sobre isso, porque tem muitas palavras em Angola que falando aqui é visto como, né, errado às vezes.
Esse tudo isso, tipo qual, Matheus?
Tem alguma frase que você ouviu lá e ficaste confusa? Palavra em Angola, bicha, pica, que é nossa vacina.
Ah não, é, tem essas palavras que são mais diferentes, mas é que assim também já fazem 4 anos, né? Então assim, já meio que acostumou.
É isso, é verdade também.
Inclusive, para o branding pessoal, para o marketing, sabe? Eu tô acostumado, mas a piada do croissant tem que ter. É uma dica de carreira que eu tô te dando.
É, mas é que eu também já acabei fazendo tanto piada assim de coisas assim. Mas o que eu acho assim, se for pegar o mais diferente, o clássico é a pia, né? É realmente muito diferente. Até hoje eu falo, olha, tem louça na pia. Aí já sabem lá em casa, né, que pia é pia. Na minha casa, pia é pia.
Pia não é banheiro.
Pia é sanita, né? É a sanita do banheiro.
Sei, na tua casa, vou mijar na tua pia?
O vaso sanitário, que agora eu já falo sanita, porque aqui pia é o negócio para para lavar a mão, e lá pia é para cagar.
Para lavar a mão, a famosa privada.
É a privada.
Eu sempre confundo assim, tipo, privada e privado. Agora, uma coisa que eu, uma coisa que eu vou comentar, privada, pensa bem, privada é coisa de vaso, privado é coisa tipo particular, entendeu? Às vezes no começo eu pensei, ah, Não, eu vou comprar um privado.
É que o que diferencia é o contexto que você vai falar.
Não, mas não dá, tipo, acho que não tem privado. Ah, vou comprar um privado. Não tem, é privada só.
Tem coisas que você tem empresas privadas, então depende do contexto que você tá falando.
Isso é verdade. Tem coisa que você acha que você nunca vai se acostumar?
Que ela ia falar algo, só que ela ia falar, não, eu ia dizer que tem, que é uma coisa que eu falo muito, é tá Tá gato, tá gato, tá gato, tá gato.
É quando você tem dinheiro e fala que você não tem, ou quando você tem alguma coisa, quando você fala assim, ai, isso aí tá gato, isso aí tá ruim, saía gatinho, tipo, sair não é legal, sabe?
Mas isso você ganhou lá, porque tá gato aqui é outra coisa, né?
O que que é? Exato, tá bonito.
Pô, você tá gato hoje, pô, você tá gato hoje.
Obrigado.
Ou então você tá Angola tá bonita.
É Angola tá bonito, é forras, tomaste banho, cheio. É assim, tomaste banho.
É sério, mano? É só tomar banho para ser bonito em Angola?
Não, não, não.
É um jeito de falar, tá com muito sueco, tá as balas, por exemplo.
Tá muito bala, tá muito bala, cheio.
Mas quando você volta aqui, o que que você estranha? Porque eu volto para a França, eu estranho para caramba assim.
Ai, eu também estranho. É aqui é tudo rápido, né? Aqui que é tudo rápido. Tipo, tipo, tipo, por exemplo, atendimento. É, eu acho que é o que eu mais sinto assim, o atendimento. É porque também aqui é muito grande, né? Então automaticamente a coisa tem que fluir, porque senão você vai, sei lá, na fila do McDonald's, meu, é agilidade, senão também ninguém come, né?
Acho que o único, eu acho que eu sinto mais rápido aqui no Brasil é internet. Lá é difícil, meu. Você não tem Wi-Fi, meu, e não tem SIM.
Que é aonde?
Lá em Angola.
Não, tem sim Wi-Fi.
Calma aí, trava tudo aqui.
Vocês levaram ele aonde?
Eu levei ele em Angola. Inclusive nós tivemos—
Como assim não tem Wi-Fi?
Não tem Wi-Fi. Por exemplo, no hotel a internet funcionava muito bem, só que a gente sentiu uma certa dificuldade com a internet móvel do celular, e aí a gente percebeu que era muito caro. Caro, uma coisa que aqui no Brasil já é mais barato, entendeu?
Agora, uma outra coisa que é um pouco delicado falar, e mas assim, se eu não falar também eu tô sendo hipócrita. Quando eu fui para Angola, adorei a experiência, voltei para o Brasil. Não, não reparei, desculpa aí. Voltei para o Brasil, eu senti um certo alívio também de estar voltando num lugar onde, querendo ou não, e aí de novo, com todo respeito, é um nível de desenvolvimento maior. Você sente essa discrepância assim? Você sente quando você voltou aqui, você falou, caramba, me sinto melhor?
Então, eu acho que todos, assim, pelo menos das pessoas que eu conheço em Angola, é assim, ó, todos os brasileiros ficam em Angola, estão lá feliz. Por exemplo, eu vim para São Paulo agora, né? Aí eu fiz tudo que eu queria, fiz minha aula de yoga, tudo como que eu quiser, comprei roupa. Aí você volta para Angola, e aí quando você volta lá, realmente as coisas são diferentes. Diferentes, mas você automatiza sua vida, certo? Entendeu?
Então assim, você trabalha, você vive, você tem sua rotina, então as coisas elas encaixam, entendeu? E também, né, falando óbvio, num lugar de privilégio também, porque não vou ser hipócrita, né? Mas diferente aqui do Brasil, em Angola a gente tem quem vai arrumar sua casa, tem quem vai fazer sua comida.
Mano, mas é o que você vai ter, é o que o europeu fala do O quê? Ele vem, ele fala, pô, no Brasil você pode ter uma diarista, é mais barato, você pode.
Mas eu acho que a posição é meio que parecida mesmo, porque ela sai de um lugar mais rico, vai para um lugar que é um pouco mais pobre, e ela consegue ter esses privilégios. Igual o europeu quando vem para o Brasil, tem mais grana.
É exatamente a mesma coisa.
Eu concordo muito com o jeito que ela fala, porque eu não— jeito não, tipo, o que ela fala, porque eu sinto a mesma coisa. Coisa assim, vamos dizer assim, em questão de comparação, vamos supor, a Angola e o Brasil tem uma certa diferença, e o Brasil e a China tem uma certa diferença. Só que eu me acostumei aqui no Brasil, tipo, eu sinto muito confortável aqui no Brasil, né? E, ah não, alguma coisa aqui lá na China, entrega é muito rápido, mesmo dia ele recebe, tipo, qualquer coisa que você entrega, mesmo dia você recebe.
Ah, você vai comprar um iFood, no caso, ele chega tipo 10 minutos, tipo, já, já para você. Aqui demora 1 hora para chegar, às vezes 45.
Isso para você já é muito, 1 hora?
Exatamente. Lá é muito mais rápido. Só que, como que eu falei, tipo, lá você não tem um trabalho, você não vive, tipo assim, é um tipo assim, você não sabe o que você vai fazer. Talvez você vai viajar, você vai lá, nossa, curti, beleza. Só que você não tem amizade, não tem ninguém que você Algumas famílias que fica lá, só que você não sentia em casa. Aqui, para mim, eu me sinto em casa. Lá, Angola, para ela se sentir em casa, porque tem amizade, ela faz os negócios dela lá, não sei o quê, é a mesma coisa, gente.
Mas eu me sinto tão bem, tão à vontade, que teve um dia que eu peguei aquele óculos da Meta, aí eu falei assim, nossa, hoje eu tô muito comunicativa. Saí gravando, assim que saiu gravando eu já vi um sujeito mijando com coisa para fora. Eu falei, porra, meu, fazendo xixi aqui. Aí fui andando até a Marginal falando com todo mundo. Aí tinha casamento, aí tinha as crianças. Aí eu saí comprando jenguba, comprei pão, comprei cana, comprei tudo.
Então depois eu gravei 20 minutos, eu tipo 20 minutos eu na rua sozinha falando com sei lá quantas pessoas. Eu fiquei, gente, eu tô muito à vontade aqui. Então assim, Angola eu acho que é um país onde ou você vai, você gosta daquilo e você vai ficar, ou você odeia muito, ou você vai tipo, você largou teu país, você vai ficar um ano, você vai ficar na empresa que você tá, você vai fazer uma grana, vai economizar e você vai embora. Como tem muitos brasileiros que fazem isso, entendeu?
E tem muitos franceses faz isso no Brasil.
Exatamente. E eu gostei muito porque vem desse lugar, né? Eu comecei com a criação de conteúdo, eu explorei muito Angola, eu tive o privilégio de conhecer a cultura assim de perto. E tipo, você em Angola, eu me sinto literalmente em casa porque você consegue falar com qualquer pessoa, as pessoas são sorridentes. E eu acho que muito mais do que, do que aqui. Aqui eu sinto que as pessoas vivem muito mais no automático, inclusive Inclusive, isso é uma das coisas que eu, toda vez que eu saio do aeroporto e eu vou pegar o Uber, eu falo: entramos em modo automático.
Porque você vai, pode pegar Uber que vai conversar com você e tudo mais, mas é tudo genericão assim, sabe? As pessoas estão no automático, as pessoas estão mais cansadas, as pessoas recebem um salário, né? Muito complicado de se viver numa cidade tão cara, né?
Acho que isso é diferente em Angola, na questão salarial assim.
Não, é bem, bem diferente.
Gritante.
Mas tu não acha que aqui o poder aquisitivo é maior das pessoas?
Se você comparar, daqui é, mas quem recebe hoje um salário mínimo vive na base da base da base da base, né?
Isso sim. Mas quem recebe um salário mínimo em Angola também não vive na base da base da base da base também.
Então é parecido, é parecido com realidades diferentes, entendeu? Eu acho que a única coisa que é diferente é porque, por exemplo, quem ganha um salário mínimo em Angola e quem ganha um salário mínimo aqui em São Paulo, a gente ainda vai conseguir fazer compras nos mesmos lugares, né? A pessoa vai poder entrar numa Zara, a pessoa vai poder entrar nos supermercados que você frequenta, que eu frequento. Em Angola não, né? Vai comprar tudo no mercado informal, é tudo nessas vendinhas de rua.
Então, por exemplo, o angolano que ganha o salário mínimo e vive com o mínimo do mínimo do mínimo, às vezes não entrou no shopping, às vezes nunca foi no cinema.
A gente percebeu isso, né? Porque a comida de rua é aqui o preço E a comida no shopping aqui.
Eu vou te dizer como que é na França. Na França, o cara que tem um salário mínimo pode, se ele quiser, entrar num hotel de luxo e tomar um café, tomar um, comer uma sobremesa. Então essa diferença de lugares, ela é menor no Brasil e ainda menor na França. Eles vão no mesmo, obviamente vai ter diferença, eles não vão, mas eles podem até aí chegar aí na mesma escola às vezes.
Então eu acho que é questão de concorrência. Porque lá, lá em Angola, tipo, tem muito assim demanda, mas não tem oferta. Então acontece isso, tipo, lá esses lugares chiques é só, tem tipo, vamos supor, o KFC talvez só tem 2 unidades lá em Luanda.
Não, é questão de diferença de renda, bicho.
Não, lá tem, tem bastante. É, a renda ela é muito diferente. A gente tá dizendo que se a gente for converter hoje o Salário mínimo em Angola é R$300, R$200 por ali.
Não, tipo, que nem eu vou falar uma coisa para você, uns 20 anos atrás o Brasil acho que era mais ou menos o Angola de hoje. 20 anos?
Não, é que você não tá percebendo.
Eu digo assim, é questão de preço de produto hoje. Não, hoje, ó, hoje acho que não.
É que, irmão, a gente respeita a opinião, mas você tá errado.
Não, é que eu falo que tá, mas explicar porque que tá Não, porque existe o poder de compra que é muito diferente entre Angola e Brasil, muito diferente.
Mas sabe o que que é isso?
É muito diferente. Por exemplo, aqui quem ganha o salário mínimo, desculpa, mas aqui quem ganha um salário mínimo pode entrar, por exemplo, numa Renner e comprar uma blusinha, certo? Quem ganha um salário mínimo pode entrar numa Renner e comprar uma blusinha, consegue, né? Se tiver 3, 4 filhos, às vezes não, mas, né, uma pessoa solteira consegue. Consegue. Em Angola, se a pessoa ganha um salário mínimo e só tem aquele salário mínimo, ela nunca vai entrar no shopping, ela nunca vai comprar uma blusinha.
Mas ele pode comprar aquela blusinha chinesa também.
É onde ele vai comprar.
Mas esses negócios aí vão no mercado alternativo.
É que é o informal, eles vão comprar tudo lá. E tem boas coisas inclusive.
Isso é mais estrutura do país, tô falando. É a mesma coisa aqui, tipo assim, o Renner é que agora tipo a pessoa tá conseguindo comprar. Por quê? Por conta dessa concorrência do preço do mercado. Mercado, os chineses entraram com o preço lá embaixo e eles tiveram que baixar o preço. Pensa bem, se não tem nenhum chinês aqui, o Renner vai colocar preço aqui em cima, aí é a mesma coisa, vai acontecer, entendeu?
E eu acho que assim, não, não, não, não, eu percebo, mas ainda assim é muito, é muito diferente.
Você sabe que a conclusão que eu cheguei morando no Brasil, eu não tinha nem um pouco essa percepção morando na França. Sabe o que causa isso? A diferença de câmbio. Câmbio. Porque vamos supor, o iPhone ou a roupa da Renner, tudo é fabricado na China. Se tua moeda valer muito em relação ao yuan, você é um rei. O cara que ganha em euros ou em libras ou em dólar, ele comprou o que quiser. Então o salário mínimo de lá vale muito.
O real já vale muito mais, o kwanzaa se fode. Então é isso. Então a globalização, o problema, o cara que é de esquerda, ele sempre fala, o grande problema é o capitalismo. Eu acho que o grande problema é a globalização. O capitalismo desregulado, ele traz outros problemas, porque ele tem que ter regras para também ninguém explorar ninguém para caramba, que é o que acontece. Mas a globalização ferrou muito mais ainda os países do Hemisfério Sul.
Você acha que devia existir uma moeda?
Argentina, mesma coisa, tá sofrendo uma situação muito grave também.
Argentina tem que sofrer tudo de pior que tem, falei, vagabundos eles.
Então, é, acho que uma coisa que ficou muito gritante é que tava conversando lá, a gente, eu não sei se tá certo esse valor aí, vocês me corrijam, mas parece que o salário mínimo em Angola é alguma coisa que se refere a $100.
É, não, menos que isso.
Não, é $100.
Então não são $300.
O dia que a gente tava indo embora, o dia que tava indo embora, eu lembro certinho, eu paguei no café lá no aeroporto $18. Então aí você põe na balança como é desigual a questão da grana no país. Pensa que tem pessoas ganhando $100 e tem pessoas pagando $15 num café com leite.
É doideira, entendeu?
Então é uma maluquice pensar nisso.
Mas nós temos também um patrocinador que é muito contra essa desigualdade toda e que os produtos são em reais, então são acessíveis, que é a Insider. Foi difícil, foi difícil puxar Mano, você tá fazendo curso, mano? Eu tô fazendo um curso no Volkswagen. É um curso de apresentação de podcast sobre continentes. É um curso bem específico. A gente tá em dois, eu e o Batista.
Gostei da aula de tablado que você fez.
Ah, eu também trouxe um presente para vocês.
Obrigado.
Eu trouxe— você pode pegar só aquela sacola que eu deixei lá?
Trouxe o quê? Trouxe nada. Trouxe o quê, Diogo?
Magogue, eu queimei.
Magoga com poeira lá da cidade da China.
Fala nem comida, né? Magoga com poeira. Já comi boi.
É boi mesmo. Ovo, ovo da rua. Eu sinto muita saudade desses ovos que vendem na rua, né?
É, o ovo ainda não comi. O ovo ainda não comi nesses 4 anos que você tá. É, gente, eu trouxe esse vinho. Conhece Vale do Bero?
É um vinho angolano.
Vale do Bero é um vinho feito em Angola. No Namíbia. E é um vinho, gente, que é muito bom. É um vinho muito, muito bom, feito em Angola. Eu sabia que o Batista não saberia que Angola também faz vinhos, vinhos nacionais. E esse vinho é incrível. Então vou deixar para vocês provarem, que é muito gostoso.
Vinho tinto.
Eu entendo que teus conterrâneos te detestam.
Você acha que eu aqui no Brasil vou ter que pesquisar em 2024 fizeram vinho em Angola? Vinho de 2024, eu vou ter que descobrir.
Tu acha que esse rótulo é o que tá escrito aqui? É o primeiro vinho que foi produzido em Angola?
Não, não, lá tem muitos vinhos famosos, tipo Gaivota, que é um vinho famoso lá em Angola, é muito famoso.
Então você sabia? Ah, sabia.
Gaivota é aqueles bem na latinha.
Inclusive, quando eu tava lá, eu perguntei sobre conseguir voltar agora.
Mas eu tô muito curioso para beber.
Bebe.
Tipo, o pessoal da Nubank também bebe.
Bebe, bebe.
Como assim?
É fácil de acesso o vinho?
O quê? O vinho?
Ah, meu, vende em qualquer canto. O Vale do Bé, inclusive, ele vende assim todos os supermercados.
É barato?
É, olha, sabe quanto custa? 10 mil kwanzas.
10 mil kwanzas dá $10, né?
$10.
É barato?
É caro? Não, mano, é caro.
Mas é um vinho muito bom assim, é um vinho muito bom.
Mas aqui o vinho também mínimo mais barato R$100.
Mas por ser um vinho nacional, né, feito em Angola, não, mano, R$100. R$100 o quê?
Você consegue uns vinhos por R$50, R$40, consegue um Douro e Concha, essas coisas aí, uns R$40.
Mas vinho bom você consegue mil vezes mais barato em Angola do que aqui no Brasil.
Vinho baratão?
Não, vinho bom.
Ah, vinho bom, vinho bom.
Porque por conta que Portugal tá mais próximo, teoricamente, né? Não, a ligação eu acho que dos países também. Então você tem muito, muito mais opções de vinhos que aqui aqui às vezes pode custar R$500 e lá a gente paga metade do preço.
Por exemplo, na França um vinho bom é ridículo de barato. Assim, um vinho de 3 euros já é bem decente. Um vinho, você mete 10 euros, é o melhor vinho. Não, também não, pô. Você acha que o Neymar comprava vinho? Pô, vamos meter o louco, hoje é 11 euros.
Neymar bebeu até o vale, pô.
Não, não, tem, vai até Pô, se pegar um vinho de menos de 10, aí você tá escrachando, né? 10 e 20 euros é um super vinho. Você vai para 50, é um super vinho assim, super vinho. É muito barato.
E ainda assim eles vendem tipo garrafa de 20 mil euros.
Mas tem pouco, vai. Na França eu nunca vi isso aí, é que eu não frequentava essa bolha de riqueza.
Mas tem, mas tem, mas claro que tem, pô.
Não, não tem, tem, mas é que depende do— porque o vinho é A garrafa mais velha, por exemplo, no mercado vai ser uma garrafa que tem 150 anos. Então assim, vamos supor, tem uma garrafa, cara, o valor é o céu é o limite. Mas tô te falando dos comerciais, tô te falando dos comerciais assim.
E ainda quando vai tomar, é tomar uma gotinha só.
Eu vi que tem um vinho, o vinho mais velho do mundo, ele tem acho que 2.000, 3.000 anos assim, é uma coisa como que é para dormir.
Porra, meu, não parava.
Mas se você tinha uma grana muito grande, aí a gente tá falando de 20 mil euros.
Mas eu já bebi um vinho de 72.
É, então isso é muito raro. 72, mas custava 10 mil euros alguma porra assim, né?
Petrus, né?
Nossa, ainda mais um Petrus. Então deve ser 20 mil euros, 50 mil.
Sei lá quanto foi, mas foi muito bom assim. Eu provei vários vinhos. Quando eu provei esse, eu falei, gente, isso aqui, e tava Tava muito bom, foi tipo a melhor coisa depois de cristal que eu experimentei assim.
O jeito é beber cuca.
É, cuquinha é boa. E a gente pode encerrar o episódio de hoje.
É, eu só queria fazer uma pergunta com relação à culinária.
Ah, culinária, o quê?
Qual prato lá no Você Mais Gostou?
Não, o meu preferido de todo sábado, se deixar, fuz com peito alto.
Nossa, muito Peito alto é o quê?
Peito alto é frango, né? É frango.
Que frango?
O quê?
Peito alto, gente, desculpa, pode cancelar nacionalidade desse rapaz. Não, peito alto é carne, pô. Carne de vaca.
Carne de vaca, peito alto?
Não, não, não, não, eu não gosto de funge com peixe não. Tem o calulu e tal, mas eu funge peixe eu não gosto.
Agora Finge com peixe seco e sumate, que é o nosso vinagrete, a melhor coisa que você vai tomar.
E mofete também é incrível. Mofete é muito bom.
Nós comemos mofete, inclusive. Mofete.
Ah, mofete é muito bom.
Nós comemos lá em Angola.
E o, como que é o nome?
Mofete é muito bom.
Cancho? Não, como que é o negócio?
Pincho?
Não, Lula, como que é?
Ah, o choco.
Choco. Ah, choco é muito bom.
É, o choco é muito bom.
Muito bom.
O choco é o cartão visita, né?
Acho que aqui, aqui No Brasil não tem isso, né? Não tem choco, né? Nunca vi o choco.
É como se fosse uma Lula, mas o choco é mais gostoso.
É muito mais gostoso.
Lula, não sei, não gosto de Lula.
É Lula, eu acho que não.
Dito isso, tem alguma pergunta para fazer para nossa angolana aqui?
Já faz 56 minutos que o programa começou.
Não, é uma hora, né?
Tem que saber.
Passou rápido.
Tem alguma dúvida, pergunta? Você só conhece Luanda lá também, né? Não conhece mais nada, é só Luanda mesmo que você conhece.
Luanda é muito agressivo.
Não, eu quero— ele tá puto.
Angolano conversa assim, meu. Ela também tá, ela também tá agressiva comigo. É assim que nós conversamos.
Eu quero perguntar para ela, tipo assim, lá em Angola você gosta mais de viver na cidade ou no interior?
É na cidade, na cidade, na cidade. Não, mas aí depende. É, não é, eu acho assim, gente, eu sou de São Paulo, né? Então eu gosto de coisa movimentada. Tanto que o Talatona que ele tava falando, né, Talatona é uma zona residencial onde tem muitos condomínios. Condomínios. E é bom porque é mais calmo, os condomínios são muito bons, mas a cidade é um caos, né? Eu prefiro, dá para andar a pé, dá para fazer outras coisas.
Porque aqui, aqui no Brasil, tipo, tem muito, tem dois tipos de pessoas: uma que gosta de viver na cidade, uma gosta de viver no interior. Porque a gente tem a não sei o quê, o natureza, árvore, montanha, praia, não sei o quê. E lá em Angola, os angolanos, ele gosta mais de cidade cidade ou no interior?
Não é sobre gostar, é sobre você ter condições para ir na cidade. Porque se dependesse de todo mundo, era na cidade onde você ia. Então, porque aqui Brasil é mais perigoso, nos bairros tem mais doença, tem mais, menos saneamento básico, menos estrutura.
Porque o brasileiro não é assim não, né? Não, aqui muita gente prefere o sítio.
Vai falar, ah, você gosta da favela?
Do, não, não, não, não, não, não, não, não, interior não né? Tipo, vamos supor, Jabuticabau, interior, tipo Ribeirão Preto.
Que porra é essa?
Jabuticabau, interior de São Paulo.
Interior de São Paulo, entendeu?
É uma qualidade de vida maneira.
E tipo Campinas, né?
O interior de Campinas já é interior de Campinas, também é bonito, né?
Tranquilo, né?
Depende dos interiores. Tem uns interiores que são—
Itu, também defendi.
Mas você moraria em Itu ou moraria em São Paulo?
Eu gosto de São Paulo, mas tem brasileiro gosta de Itu. Ele quer a nossa tranquilidade, natureza, árvore, não sei o quê, entendeu? Mas lá em Angola o pessoal gosta mais de cidade, né? Não quer saber de natureza.
Luanda para nós é a cidade da oportunidade.
Sem pensar em questão de oportunidade, tipo assim, pessoa tem assim, tem o poder de escolher. Vamos lá, eu quero viver no lugar que eu gosto.
Tipo, vai, eu, eu preferia Laila, por exemplo, que eu acho que é mais caro.
Preferia aquele lugar que você vive.
Mas você chegou a morar em Luanda ou não?
Eu não, não cheguei. É que eu não, não sei lá, não me adaptei com Luanda. Para mim é muita informação.
Mas aí você foi lá para morar ou não chegou? Ou só foi para conhecer?
Sabe aquele negócio do angolano? Ai, vai na casa do teu tio, fica lá um tempo. Era tipo isso. Fui lá, fiquei acho que 2 meses em Luanda. Era para ficar mais tempo, mas fiquei 2 meses.
Não gostou?
Não, não gostei mesmo. Fui visitar a irmã da minha mãe, me atirou com petróleo. Eu já falei isso aqui, né? Já falei. Foi aí no Mundial, num bairro lá chamado Mundial, que só tinha 3 casas. Nunca vou esquecer. Fui lá na casa do meu avô, lá no Rocha. É sério, teve um dia, os bandidos começaram a subir em cima da chapa, perseguição com polícia. Eu falei, caralho, Mas Benguela não tem isso, que não tem assalto. Não, Benguela tem, mas quando tem, pega um bandido, lhe batem, lhe batem, lhe batem até a polícia vir. A polícia também lhe bate, lhe bate, lhe bate, depois leva.
Mas agora tem essa fama, né, que bandido passa bem mal lá.
Você acha que é errado bater em bandido? Ai, eu não acho não, tem que bater, meu.
Giovana, obrigado, foi muito legal saber. Eu gostei muito, inclusive muitas das coisas que você falou para mim, eu acho super engraçado, tipo, perceber como é parecido com coisas que eu já ouvi expatriados falarem assim aqui também. Então eu entendi que tem uma lógica nisso tudo assim.
É, principalmente eu acho que essa, esse sentimento de pertencimento, né? Porque às vezes é isso assim, não vai importar o lugar, né? Você gosta dali. Porque, por exemplo, mesmo às vezes as pessoas podem pensar, Giovana, mas então é porque hoje, né, você tá fazendo dinheiro e tal, só que lá, mas também nem faz tanto, assim, né? Mas também é uma escolha tá lá, eu também gosto, né? Então acho que o pertencimento faz com que a gente fique, com que a gente goste e cultive pessoas dali, né?
Então acho que se você tá feliz, você vai encontrar pessoas, você vai ter bons ciclos de amizade, você vai ter a sua rotina automatizada ali com as coisas que você gosta de fazer. E de 3 em 3 meses vai ser minha meta viajar para Europa, fazer coisa, daí depois volta.
Eu acho que assim, deixa eu falar, deixa eu te falar, Olha lá, uma coisa bem importante.
Fala pra câmera.
Ó, é assim, ó. Por que ela gosta de Angola? É porque ela foi lá fazer um trabalho tranquilo, tipo suave o trabalho. Tipo gravar vídeo, não sei o quê.
Tô me pirando pra merda.
Pensa bem.
Tô me pirando pra merda.
Pensa bem. Se ela fosse lá, tem que fazer a feirinha de 3 horas da manhã até 9 horas da noite, todo dia na paulada, entendeu? Tentando negociar, vender. Não, mas um dia não vende, volta a fazer amanhã.
Mas é que você não lembra no Brasil.
Mas por que isso acontece?
Até aqui no Brasil, quem quer?
Ninguém quer.
Eu digo assim, tipo assim, qual sua profissão? Eu sou comerciante, empresário.
Ela é empresária.
E o pai na época, quando passava aqui no Brasil, não sabia falar idioma, não entendia nada, ninguém, não tinha ninguém de amigo, e veio aqui para fazer a feirinha da rua.
Posso fazer uma pergunta? Por que que ele não foi YouTuber também?
Não tinha nem YouTube em 1998.
Achei, era só ele começar. Não sabe avançar, não inventam tudo.
Eu tô falando assim, tipo, quando foi fazer um trabalho de escritório, independente dos países, é mais fácil de adaptar. Mas quando foi lá para passar perrengue, todo mundo fala: não, eu quero voltar para meu país, espera ver se eu consigo.
Você passou algum perrengue em Angola?
Por isso que nenhum convidado volta.
É, né? Não, é assim, esse teu trabalho de merda aí que você Você gosta porque é fácil.
Mas eu ainda me dou mal.
Você queria ver se você tivesse lá no mercado de Kwanz vendendo feitiçaria, se daí ia estar bom você.
Quero ver você sendo zungueira lá no som, no som lá. Quero ver.
Giovana, qual o teu arroba? Divulgar.
Perrengue, pô. Ela nunca, ela vai viajar, não vai estar mais aqui.
Que perrengue eu ia falar?
Deixa eu ver, pensando no Perrengue, alguma dificuldade? Ai, passei fome em Angola, nossa, não vamos aqui.
Acho que o pior, não, mas olha, a pior dificuldade que ela já passou é comendo na KFC.
Não, perrengue, meu, olha, eu acho que só tipo a primeira vez que eu cheguei em Angola, é, eu baixei o aplicativo do táxi, né? E aí eu fui até o supermercado E eu tava cheia de nota assim, ó, muita nota, tá assim, ó, porque lá é vários mil coisas, mil coisas.
Quando você vai ver, meu, você tá com um bolo de dinheiro.
Eu não tinha cartão ainda, tinha acabado de chegar. E aí eu toda, meu, dinheiro aqui e tal. Aí peguei o táxi, aí o moço, aí fui, né, até o shopping lá comprar o que precisava comprar. Aí na hora da volta pediu outro táxi. Aí a hora que eu voltei, o moço falou assim, eu não sabia andar nada, não conhecia nada lá, ele assim, moça, como faz para ir para o seu endereço?
É claro, dificilmente usar um GPS, né?
Eu fiquei tipo, eu não sei. Ele falou, mas você também não conhece. Eu falei, mas eu pedi para ele por aplicativo. Aí a gente tentou localizar onde é que era porque eu não sabia nada. Enfim, e aí eu acho que é essa parte de se locomover por Angola é meio difícil porque o GPS não funciona tão bem. E não é só questão do GPS, né? Tipo, Nem todas as ruas elas são asfaltadas. Então assim, às vezes, mas aí já, isso aí já virou hábito assim.
Às vezes você tá no meio do nada, assim, aquela terra batida, você fala, tô em casa, vira à minha direita.
Mas isso aí que você fala, aqui é o contrário. Aqui o taxista, eles sabem onde ele vai, mas o motorista fala, irmão, não pega essa rua não, vamos por aí.
É verdade, é verdade, é o contrário, um caminho melhor. É, mas lá não, lá é ao contrário. Mas eu já acostumei, gente, assim, ó, são 4 anos. Então assim, ou você acostuma ou você vai viver reclamando, que também tem muito brasileiro que vive reclamando, né? Lá é nada. Não, nossa, muito, velho, muito.
Mas reclamam de quê?
De tudo.
A comunidade lá é grande de brasileiros, por exemplo?
Já foi maior por conta do Odebrecht, né?
Hoje é bem menor, mas a Mundial Odebrecht, todos os safados foram lá tirar dinheiro. É mesmo?
Por que que você falou olhando para mim?
Não, tá falando, tá falando olhando para câmera. Não vou falar então, tá bom.
Mas tem sim, tem bastante brasileiros e muita gente que vive reclamando muito, porque realmente, né, é muito diferente, né? Tem a sua diferença, a qualidade de vida muda bastante. Mas assim, ou você aceita e vai ser feliz, meu filho, ou Angola não é para você.
Valeu, Giovana!
Valeu, valeu, Giovana!
Desculpa, vou refazer, vou refazer. Que linda história, Giovana! Você que você contou para gente. Que legal que você tenha compartilhado essa história sua com nossos ouvintes também. Você pode passar seu Instagram para a gente poder saber um pouquinho mais sobre você, sobre a jornada, né?
Vocês vão colocar aqui embaixo, né? É GViera com dois i, só GViera. E tanto no Instagram como no TikTok lá tem um pouquinho do que eu faço, essa loucura, né, que eu vivi em Angola.
Ótimo! Para quem gosta de belas histórias, você já sabe o que fazer, quem seguir. E para quem também ama o programa Três Continentes, sempre trazendo novidade, culturas, até um pouco de filosofia. Até a semana que vem!
Nossa, que isso!
Tô louco!
Apresentador, hein?
Eu já sairia, já sairia.