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#FAQ #71 | QUAL É A REALIDADE DE ANGOLA?

28 de julho de 202625min
0:00 / 25:20

DIA DE FAQ! Hoje no #3CONTINENTES vamos abrir o jogo sobre a viagem para Angola! Falamos sobre as expectativas vs. realidade, a recepção incrível do público angolano e até as histórias mais engraçadas que rolaram nos bastidores. Aproveita e já deixa nos comentários todas as suas perguntas, histórias que querem contar ou conselhos amorosos que querem ouvir do Paul, Baptista e Maurício! Vamos selecionar os melhores - ou piores - próximos vídeos hein!Siga no Instagram:

Maurício Meirelles: https://www.instagram.com/maumeirelles/

Paul Cabannes: https://www.instagram.com/paulcabannes_/

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Participantes neste episódio2
B

Baptista

Host
P

Paul

HostPsicólogo clínico
Assuntos4
  • Viagem para AngolaSentimento de deslocamento ao retornar · Percepção de superioridade pelos amigos · Responsabilidade em mostrar Angola · Não ser embaixador de turismo
  • Música em AngolaExpectativas vs. Realidade · Recepção do público angolano · Engajamento do programa Três Continentes
  • Lucros Bancários vs. Empregos em AngolaPetróleo e diamantes como fontes de renda · Problemas com combustível e refino · Infraestrutura do país
  • Gastronomia Angolana e ChinesaChoco (molusco) · Atum e pesca em Angola · Peixes da feira
Transcrição181 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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PPaul

Ô, é sério, é sério, o Paulo tá se convertendo. Eu tô assustado, família, avisem para ele, sério mesmo, meu Paulo vai se encontrar.

?Voz C

20 mais 20 mais 20 mais 7, aí fica muito fácil.

BBaptista

Vamos lá, velho.

PPaul

Olá, família, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui dos Três Continentes. E hoje você tá naquele quadro que todo mundo na internet ama, minha mãe, minha avó, todo mundo só fala desse quadro, que é o nosso FAQ You. O quê?

?Voz C

O quê, meu? É mentira, é mentira. É o nosso pai.

PPaul

Ainda apresenta aí o quadro para nós.

?Voz C

Só porque você é negão, você só gosta de fazer isso?

PPaul

Não, não fiz nada, meu. Então faz aí, faz aí, apresenta aí.

?Voz C

Abre o quadro, gente. Bem-vindo ao nosso quadro FAQ. É um quadro sobre as perguntas de vocês que a gente vai responder com o maior respeito para responder com o maior carinho, para vocês entenderem que nosso conteúdo não é só zoeira. Às vezes tem essa, sabe, conexão com vocês. Estamos do lado de vocês. Manda as perguntas aí, eu tô desesperado para responder para vocês, hein? Tamo junto!

BBaptista

Me desculpem, o Paulo, é, mano, o cara cada dia mais só o Pablo Marçal, velho.

PPaul

Tá, né? É sério, é sério, o Paulo tá se convertendo. Eu tô assustado, família. Avisem para ele, sério mesmo, meu Paulo, que vai se encontrar. Enfim, vamos.

?Voz C

20 mais 20 mais 20 mais 7, aí fica muito fácil.

BBaptista

Putz, vamos lá, velho. Cara, a galera perguntou, mano, empresário, mano, vende artigo religioso, velho.

PPaul

É, vende artigo religioso aqui, é dançar. É o 6x7, até o Papa fez, né? Então pode fazer, vai vender muito na tua. Sério, tira o print do Papa assim e coloca lá na tua loja.

?Voz C

Boa ideia, eu vou fazer isso. Corredor 6x7 vai ser o nome do corredor.

PPaul

Você que tá aí em casa, você que tá aí indeciso sobre que roupa você vai usar, eu te aconselho a entrar agora no site da Insider. Para você que não conhece, a Insider tem roupas que desamassam no corpo, tecnologia muito braba. Você que cheira a caatinga também, a Insider te ajuda a fechar esse cheiro aí.

BBaptista

Pô, a gente devia ter dado uma camisa da Insider para aquele menino que tava todo dia lá no hotel.

PPaul

Não, sério mesmo, sério mesmo, sério. Não, eu fiquei puto, velho. Ele tem que passar por diplomático e cheira a caatinga.

BBaptista

Mano, o menino 7 horas da manhã já tá chegando cedo.

PPaul

Ele já tipo no sonho já começou a correr, já sonhou correndo.

?Voz C

Quando é sério, meu, acho que ele já acabou de fazer um lance de treino já.

PPaul

Mas você não vai passar por essas necessidades porque com a Insider, até dormindo, a Insider te abastece. É verdade. Pode no site que tem roupa do pé ao XXL, todo tipo de corpo lá você consegue encontrar. Link aqui na descrição.

BBaptista

Cara, a gente tem recebido muita pergunta sobre Angola. A galera quer saber tudo de Angola.

?Voz C

Muito bom.

BBaptista

Aline Castro de São Paulo perguntou: qual foi o momento mais emocionante da viagem para Angola?

?Voz C

Emocionante, meu cara? Eu, eu, eu, eu, fala aí, eu vou falar.

BBaptista

Olha para a câmera ali e fala, cara. Não, não, sem palhaçada, coisa séria aqui, meu. Agora é África, meu, bagulho é coisa séria, cara.

?Voz C

Sabe o momento mais emocionante? Quando eu piso, tipo quando pousou o aeroporto lá chegando no país, primeira coisa que eu senti que eu tava na China. Por quê? Porque o aeroporto foi construído com chinês mesmo formado. E aí quando a gente entra na estrada, estrada também construída por chinês.

PPaul

A pergunta tá clara, qual é Angola? Ele coloca China na emoção dele em Angola.

?Voz C

Mas assim, isso me emociona muito. E aí, segundo ponto, quando a gente passando, eu vi que, cara, é uma coisa muito bizarra. Tem gente tipo assim, é tipo ultrapassando a estrada, tem braçadeira, e ainda tipo ver aquele tipo famoso, o africano, eles carrega as coisas na cabeça. Eu acho que isso me emociona muito porque eu só consigo ver isso tipo na televisão. Ele, ele, ele se emocionou, foi carregando um bagulho na cabeça. Porque isso é uma coisa tipo assim, a gente veja isso no Num filme, na televisão, tipo na sua infância, né?

Só que hoje ele tá na sua frente. Uma coisa que assim, eu nunca saí do país assim pra ver essas coisas, entendeu?

PPaul

Ó Paulo, não te emociona também? Você tá lá no Brasil, o pessoal lá tá carregando as mercadorias com carro de mão, isso não te emociona?

?Voz C

Não, por quê? Eu tô emocionado, o cara tá trabalhando, ué.

PPaul

A moça lá tá trabalhando. Eu queria também, pô.

?Voz C

Não, mas assim, é porque, ó, pensa bem, é uma cultura diferente, é um continente diferente. Entendeu? Tipo, um país que eu nunca vou ter oportunidade de conhecer, talvez, na minha vida. Então, para mim, isso tipo parece um desenho, parece um filme, entendeu? Então, para mim, me emociona muito porque é uma coisa que é difícil de acontecer. Então, eu tô na Angola, em Angola, em Angola.

PPaul

Eu vou ser sincero, eu acho que eu sou alguém que olha muito para o redor, né? Então, eu acho que eu gostei muito só de vocês irem comigo para Angola. Eu já fiquei muito feliz mesmo, para caralho, mesmo Vocês falavam lá, não tá feliz, não sei o quê, não sei o quê. Eu fiquei muito feliz, inclusive no último dia, que foi o último dia do show, eu quase ia chorar no palco porque pra mim significou muito. Então acho que é isso. E você, Mateus?

BBaptista

Cara, eu acho que não é uma coisa que me afetou muito, no sentido que não era sobre mim, era sobre você. Porque antes de ir pra Angola você tava um pouco preocupado de como ia ser a recepção da galera com você. Chevy is called the heartbeat of America for a reason. With SUVs made to move with your rhythm, the versatile Equinox tackles your entire day. The spacious Traverse fits your crew and your whole weekend. And Trax brings style with value you can count on, all infused with tech that has your back, so your drive always hits the right chord. Chevrolet, together let's drive. E cara, a recepção foi maravilhosa.

PPaul

Não, foi muito bom mesmo.

BBaptista

A galera meio que tipo meio não, a galera ama o Batista lá e ama o Três Continentes. Então Cara, foi uma surpresa muito legal do tipo de ver até no teatro. Até eu que tô sempre ali atrás da câmera, tipo, a menina no teatro perguntou, cadê o cara da voz? Então acho que essa parte foi muito da hora, o engajamento do programa lá com a galera.

?Voz C

Muito legal, muito legal.

BBaptista

O Matheus Silva de Salvador perguntou, vocês chegaram com alguma ideia errada sobre Angola que mudou completamente?

PPaul

É isso aí, para vocês, né?

?Voz C

Mudaram completamente? Então, pô, eu pensei que lá tinha o o elefante, leão, muito leão na rua, mas não tinha nada, entendeu? Tem muito prédio gigantesco e tem muito angolano, entendeu?

PPaul

Ele tá em Angola, que que tem o quê, meu?

?Voz C

Mas assim, é tipo que nem Ásia, tipo lá você só vê chinês, lá você só vê angolano. Tipo, não é que nem o Brasil, tem todo tipo de pessoas.

PPaul

Imagina lá na Espanha que você só vê espanhol.

?Voz C

Espanhol. Então isso para mim é muito tipo estranho, porque eu— porque ficou estranho para mim porque eu tô vivendo aqui no Brasil, porque a gente vê, ah, tem branco, tem asiático, tem mistura. Então para mim isso é normal.

BBaptista

Isso aí é real, isso acho que foi uma coisa que é um negócio que é pela primeira vez eu fui minoria no lugar, no sentido de, pô, isso, porque para mim é muito normal ver muito chinês aí, não sei o quê, muito normal que vem muito branco assim, o negro aqui no Brasil.

?Voz C

Só que lá só tem negro, não tem outra pessoa pra você ver, entendeu?

BBaptista

É, a grande maioria é, mas é uma merda também porque, querendo ou não, a gente só vê os brancos, só no lugar de rico, né?

PPaul

Isso, isso. É que você vê que existe, a balança sempre tá maior do que a outra pessoa.

?Voz C

A gente não consegue ver o branco, tipo, quase, tipo, só—

PPaul

Não, se você quer ver, vai lá pro Beach não sei o quê, Beach não sei o quê. Tem muita gente assim lá.

BBaptista

É, querendo ou não, isso é um bagulho que de fato é um choque assim quando você chega. A grande maioria da população obviamente é negra então, e é diferente aqui do Brasil porque aqui de fato tem de tudo, tem de tudo. É só que também é muito chocante quando você vai para uns lugares que você vê que claramente é lugar de rico e como você quase não vê branco, só vê branco nesse lugar.

PPaul

É que tipo vocês esquecem que existe África branca, igual o Argelino que veio aqui, ele até disse, quando ele fala que é africano, o pessoal já, se bem que É meio que óbvio que a maioria dos países africanos, a maioria das pessoas são pretas, mas existe uma parte lá em cima que eles ainda são brancos também.

?Voz C

Sim, mas a pessoa não reconhece isso.

BBaptista

Acho que as pessoas não lembram.

PPaul

O goleiro do Japão, acho que é Japão-Coreia, ele é negão.

?Voz C

Eu sei, mas é misto, né?

BBaptista

É japonês com ghanês, eu acho, né? Mas eu acho que isso é muito por conta da educação que a gente teve aqui e da questão da escravidão que teve aqui. Então a gente acaba remetendo a África sempre a pessoas pretas e tal, por toda questão histórica, e a gente acaba esquecendo do norte da África, que é o argelino, o marroquino, que são pessoas brancas, né?

?Voz C

Boa!

BBaptista

Cadê aqui? Carlos Miguel perguntou: qual comida de Angola vocês repetiriam sem pensar duas vezes?

?Voz C

Cara, eu, choco. Choco. Gostou? Nossa, muito boa!

BBaptista

O que que é o choco?

?Voz C

Choco como fosse um Lula, só que ele não é Lula, ele é choco.

BBaptista

Ele é o bagulho da tartaruga, é tartaruga que não é tartaruga.

?Voz C

Ele como fosse a mesma família do polvo, tipo assim, mas ele não é, tá? Tipo, ele é choco.

PPaul

E você pode ver lá em Angola, inclusive, lá você encontrava o choco. Aqui vocês também.

?Voz C

Mas uma coisa me deixou muito chocante, lá você consegue encontrar Sabe, o atum fácil. Eu vi o pessoal carregando um atum gigantesco ainda andando na rua, meu. Acho que isso é bizarro, cara.

PPaul

Lá tem muita gente que vive da pesca, né?

BBaptista

Então é real, cara.

?Voz C

Peixe lá é muito peixe.

BBaptista

Isso é surreal, cara. A quantidade de gente ficou hospedado na frente da praia, mano. O tanto de peixe que saía dali era impressionante.

?Voz C

Todo tipo de peixe, né? Nunca vi tanta variedade de peixe lá, cara.

BBaptista

Lembrei de um bagulho que me chocou. Que aí eu não sei, aí entra no lugar meio político ali, mas eu achei curioso. Qual que são as principais fontes de renda de Angola? Petróleo e diamante.

PPaul

É petróleo e diamante só, cara.

BBaptista

Me chamou muito a atenção, os postos tinha muita fila. E aí eu perguntei para o motorista por que que tinha tanta fila.

PPaul

É um problema de combustível.

BBaptista

E ele falou assim, estamos sem combustível no país. Eu falei, como? Aí ele falou, cara, é porque tudo que a gente produz aqui nós refinamos e jogamos para fora para os gringos. E aí eu fiquei, cara, como pode um bagulho desse?

PPaul

Esse problema de combustível, esse problema não é só de hoje, entendeu?

?Voz C

Que nem o Brasil, mesma coisa, o carne tudo importado para fora.

BBaptista

Então, querendo ou não, me chamou muito atenção isso. Só voltando na pergunta anterior, cara, e comida, cara, eu gostei, acho que dos peixes mesmo, mano. Aquele dia lá, o primeiro dia que a gente comeu naquela feira, muito bom, cara, muito bom. Mas acho que aquela tia deu um calote nice.

?Voz C

Com certeza, sem dúvida.

BBaptista

A tia fritou 8 peixes. 8, mano!

PPaul

Era uns peixes desse tamanho, era só para— acho que era para nós dividir. E a moça fez para cada um.

?Voz C

Falou, nossa, mano, eu nunca vi!

BBaptista

Ah, na África não tem comida?

?Voz C

Tem, tem muita comida, mano!

BBaptista

Tem muita comida! A tia fritou 8 peixes, mano. A conta deu, sei lá, tipo R$1.300, mano.

PPaul

Não, é mentira, não tem muita comida não. Fomos no parque e tiveram que matar uma girafa para nós comer.

BBaptista

Caralho, mano, o Paulo, velho, ele acordava perguntando. A Jessy é a nossa produtora. Perguntava: Jessy, onde está a comida? Jessy, o que a gente vai tomar de café?

PPaul

Eu só falava de comida, só falava de comida.

?Voz C

Eu falo o quê então?

PPaul

Não, sobre a infraestrutura do país.

?Voz C

Infraestrutura? Não quero saber da infraestrutura. Meu amigo, eu tô vindo de viajar, eu tô vindo lá fazer negócio, infraestrutura, tecnologia.

PPaul

Tem que saber, meu.

BBaptista

Cara, a gente chegou lá no... como é que chama lá o aeroporto lá da sua cidade?

PPaul

Aeroporto da Catumbela.

BBaptista

A gente pousou, o avião pousou, ele virou: Jesse, o que a gente vai jantar? Eu falei: mano, não sei, mano. O Batista tá abraçando os irmãos, a família dele. E ele: o que a gente vai comer? Não tem comida no aeroporto.

?Voz C

Eu preciso comer, ué. Eu sou ser humano. Você acha que eu sou o quê, robô?

PPaul

Todo mundo é ser humano, mas também nem assim.

?Voz C

Nenhum quilo que tá aqui na minha barriga é à toa, tá?

PPaul

É, isso é verdade, entendeu?

?Voz C

Você acha que porque eu tô 100 kg aqui é porque eu gosto de comer? Foda-se, quem come é feliz, meu. E quem não come é infeliz. A vida é melhor coisa é comer, meu. Eu divirto muito da comida.

BBaptista

E a Xuxa?

?Voz C

Ah, não, que Xuxa, mano? Você quer saber de Xuxa? Melhor me dar um carapau aí, não. Xuxa, te quero.

PPaul

É piada interna, é piada interna.

BBaptista

Igor Santos perguntou: Paulão, como é que foi ver a casa do Batista?

?Voz C

Cara, de verdade, eu vou revelar aqui a verdade, que assim, o que que passa na minha cabeça, tipo, eu choquei muito. Tipo assim, eu pensei que tipo, ah, eu não imaginava que ele tava passando naquela realidade.

BBaptista

Você achou que o Batistão era playboy?

?Voz C

Não, eu pensei que assim, ele tipo num lugar, tipo talvez lugar não tão forte daquela forma, mas tá muito forte. Mas sabe por que que eu acho muito forte? É porque aquele lugar não tem proteção nenhuma, a pessoa cai do prédio. Eu acho que isso é absurdo, entendeu?

BBaptista

Mas pera aí, entendeu? Tipo, você tá falando lá de onde ele gravava os vídeos dele. De fato, ali é um lugar que não é para as pessoas irem.

?Voz C

Não, a casa dele lá não tem suporte para a pessoa, ele cai mesmo de muro, não tem muro lá. Não cai, a pessoa cai de cima. Isso eu acho que é muito perigoso. Tipo, isso que me, tipo, me choca muito, entendeu? Tipo, ele tava vivendo um perigo e não tinha opção para ele.

BBaptista

Mas pelo que vocês contaram no vídeo, até melhorou, né? Porque antes, ali onde vocês jogavam bola, não tinha nem aquela mureta ali, né?

?Voz C

Isso que me choca muito, entendeu? O que me impressiona não é sobre a situação financeira, é sobre a situação do ambiente que está vivendo, entendeu?

PPaul

Você também, do jeito que você fala Tipo, minha casa é maior que várias casas lá da China. É verdade.

BBaptista

As pessoas vivem lá num cubículo, lá vivem no apartamento do Batista, lá tem um que é uns 100 metros, não tem?

PPaul

É por aí. Não, 100 também, 100 metros quadrados. Inclusive, a casa onde eu vivo é que o prédio que vocês foram era conhecido como um prédio que os militares ocupavam, que é para viver. E daí minha família viveu aí desde que eu me conheço como pessoa e tá lá até hoje. E lá onde era minha casa não tinha nada, não tinha nada, era só This episode is brought to you by Facebook.

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PPaul

Não é possível, meu! O cabrito caiu na chapa lá embaixo, filho!

?Voz C

Já tá cozido! Caiu e já tá fritado! Aproveita aí, vamos dividir! Eu quero a perna!

PPaul

Cara, eu nunca vou esquecer desse dia, meu! Que isso! Esse dia foi muito engraçado, meu!

BBaptista

Foi engraçado!

PPaul

Mas mudou muita coisa, meu! Mudou muita coisa lá!

BBaptista

Mas você achou que mudou para melhor ou para pior?

PPaul

Não, mudou para melhor, para ter um pouquinho mais de proteção com relação a antes, tá a ver?

BBaptista

Naquele lugar você morou a vida inteira ali, naquele, você nasceu naquele apartamento.

?Voz C

Eu acho que é muito, isso é muito triste.

PPaul

Minha mãe falou que eu nasci na escada lá, aquela escada que a gente desceu do outro lado. Na minha casa tem uma escada aí que dá para descer. Daí eu nasci lá.

BBaptista

Mas, cara, eu falei, a gente falou isso até lá na entrevista da revista lá que a gente foi, né? Mas assim, cara, é impressionante tudo que você conquistou, tá ligado? Sim, porque o lance de ter que roubar a internet do vizinho para conseguir postar os vídeos, o bagulho ali, querendo ou não, mano, é assim, muito forte, é limitado.

PPaul

E aquilo que eu sempre falo para as pessoas, meu, é muito bom ver o outro lado do pensamento de outras pessoas, porque para nós lá, igual com aquele meu amigo, para nós lá nós estávamos só a dormir.

?Voz C

É uma realidade, vocês divertir, meu.

PPaul

Meu, quando era aquilo que eu sempre falo, minha infância, as pessoas falam, não, mas teu pai é militar, então você teve tudo. Não, meu, pô, a minha infância era procurar boneco, brinquedo no lixinho assim do bagulho. Não é, aí Batista chorar triste, não sei o quê. Aquilo que eu sempre te falo, meu, você não pode estar triste porque você não sabe se a pessoa lá tava feliz.

BBaptista

Mas aí até te perguntar, porque do lado da tua casa tem aquela praça lá onde a galera compra as coisas, e foi um bagulho que me chamou muita atenção, foi, cara, como é, ou lá não para, meu, tipo assim, o negócio é frenético, tá toda hora alguém gritando tem alguém encostando, tem alguém falando, tem alguém chegando perto. Como foi para você voltar para esse lugar? Porque querendo ou não, obviamente aqui em São Paulo, vou usar São Paulo como exemplo, temos lugares assim.

O Brás é um pouco assim, a 25 de Março, mas normalmente outros lugares não são daquela forma. Como foi para você voltar e ter toda essa loucura?

PPaul

Eu até falei para minha mãe, tipo, não pode mais demorar um ano para vocês saírem daqui, porque é sobre agora querer buscar qualidade de vida também, né? Porque, pô, as pessoas até falam, mas você tá ignorando o lugar que você cresceu, não sei o quê, não sei o quê lá. Mas não é questão de você ignorar, é você saber. Até vi isso, falei, esse livro, né? O mal do pobre é sair do lugar no qual ele cresceu e querer voltar achando que vai ter as mesmas experiências, as mesmas realidades.

Você nunca vai ter isso. Você tem que partir para outra e também ajudar a tua família a partir para outra.

?Voz C

O que que eu penso? Você mora nesse lugar, Você quer mostrar para essas pessoas que, ah não, eu tô bem. Beleza, o que você vai fazer? Quando você tiver condições, vai lá comprar um terreno, constrói uma sua casa e deixa lá. Ó, pessoal, eu tô vivendo bem, mas eu não quero só ficar aqui, eu quero minha família viver num lugar melhor, com condições melhores. Brasil tem toda assim infraestrutura, tem comida, tem tudo que pode me sustentar.

Eu não preciso viver nessa situação, entendeu? Isso é legal. Então não quer dizer que assim, a pessoa sai daqui, então você não lembra do seu país, não Não sei o quê. Não, nosso país é ótimo. E que nem eu falei, tipo, eu amo a China, eu amo a China. Mas se hoje você me pedir para ficar na China, não vem aqui mais para o Brasil, eu não consigo mais sobreviver.

PPaul

Porque você não vê, parece que você não tem mais amizade lá.

?Voz C

E tipo, eu saí de 13 anos lá, eu não tenho amigo nenhum, não tem, não sei quem é. E tipo, nem sei como que sai de minha casa para outro lugar assim. Tipo, talvez para mim viajar eu curto muito. Ah, nossa, viajar, conhecer esse lugar e tal. Mas depois eu tenho que voltar aqui, eu me sinto mais acolhido.

BBaptista

É que você saiu muito cedo, Batista, querendo ou não, saiu já grande, tanto que a gente encontrou vários amigos dele lá. Mas eu também percebi um pouco que você tem muito respeito e carinho por tudo aquilo ali, mas eu acho que de alguma forma você já não se vê mais lá, sabe?

PPaul

É que não é só você não se ver, as pessoas em si não te veem também lá, tá vendo? E quando você começa a sentir esse sentimento do tipo, caralho, eu cresci com as pessoas aqui, as pessoas já começam a me olhar de um olho com outro olhar totalmente diferente, Então é porque talvez esse não seja mais o meu lugar.

?Voz C

Se bem que existe uma história tua aí de fato, ele te tirou como fosse o parceiro deles, porque ele tirou uma outra coisa. Tipo assim, você é uma pessoa que teve uma oportunidade, mas assim, eu penso, tipo, a gente era assim, mesmo jeito. Mas não, de qualquer jeito, assim, você não é mais a mesma coisa.

PPaul

Esse que é o problema mesmo, não tem como ser mesmo jeito. Por isso eu te falo que eu perco noite, porque Você sair do nada, tua vida mudar totalmente, você vir para um país sozinho, você começa a entrar numas, numas ideias do tipo, caralho, meu, como é que a vida mudou tanto assim? E quando você volta, vê que as pessoas que são teus amigos continuam na mesma mesmice, às vezes você sente totalmente diferente, deslocado. E quando você vai conversar com os teus amigos, eles te acham superior simplesmente por você sair do teu país, não é mesmo?

?Voz C

Não é só superior, porque você tem muito mais informação.

PPaul

Ele tá bem concentrado entrado na sinapólia deles.

?Voz C

Ele só sabe o que vai acontecer para amanhã, talvez hoje.

PPaul

Não, algo que me deixou chateado mesmo, ao ponto de, às vezes eu falar, cara, será que tá subindo a minha cabeça? Eu, quando eu volto e eu vejo que meus amigos preferem mais beber do que aquilo, guardar dinheiro, fazer as coisas, tudo a ver. É aquilo que eu sempre te falo, enquanto você é jovem, tudo bem, vou trabalhar, guardar dinheiro, vou descurtir um pouquinho, mas tem que ter, tem que curtir, tem que pensar em futuro. Responsabilidade, tá vendo? Mas é isso, mas é isso.

?Voz C

Mas cada um tem a sua opção de viver, porque que nem eu falei para vocês, você não pode falar sobre a pessoa daquele lugar que ele vive. Que nem eu falei, eles vivem na bolha, eles estão felizes, então eles estão curtindo isso, isso será a vida deles. Então a gente não precisa duvidar eles, deixa eles ficar feliz. Mas assim, se tem gente falar, não, eu não quero viver nessa bolha, eu preciso me esforçar para sair, é essa pessoa que você tem que puxar para cá.

PPaul

Eu tava muito feliz, meu, em ganhar meus Kwanzas, eu não pagava nenhum imposto. Entendeu? Tá maluco, meu! Você é sério indignado quando você sai da bolha, você começa a ver, caralho, mundo real é isso? O mundo real é você se foder mesmo sempre?

BBaptista

Caramba, meu, dói pagar 6% da nota, né?

PPaul

Tá maluco, meu! Que isso? Que isso? Mas aí vai a história. Inclusive teve uma vez eu falei isso, teve comentário falar, volta para Angola então, não sei o quê, não sei o quê, você não sei o quê, meu. Mas não é assim. Tem muita gente aqui no Brasil que tá vivendo aqui no Brasil e não sabe, meu. Mas você, você vai se foder também lá no futuro de pagar imposto e você às vezes não saber de onde, onde é que tá esse dinheiro.

BBaptista

Última pergunta da Marta Fernandes. Ela, e aí acho que é bem para o Batista essa pergunta: se você sentiu um peso em mostrar Angola para galera, uma responsabilidade assim, ou não?

PPaul

Porque não, meu, é sério mesmo. É algo que eu sempre falei e eu também acho que eu tenho muito esse sentimento, porque quando eu vivia em Angola e eu fazia os vídeos, as pessoas ignoravam. Então para mim não é como se eu tivesse uma obrigação de mostrar o país, tá a ver? Só de eu ser angolano e minha família tá bem, e as pessoas saberem que eu sou angolano e tenho uma família angolana, para mim é melhor. Eu prefiro muito mais mostrar minha realidade do que, ai, vamos para Luanda mostrar o muçulo, que não é minha realidade, tá a ver? Ah, é bonito, não sei o quê. É bonito, mas não é uma realidade que eu vivo.

BBaptista

Oi, tua família é mó da hora, mano.

?Voz C

É muito, muito acolhedor.

PPaul

O meu medo agora é conhecer. Você acha que tua família vai gostar de nós?

BBaptista

Na verdade, a gente for para China, carinha que vai bater na gente, mano.

?Voz C

Vai gostar.

BBaptista

Você vai bater na gente?

?Voz C

Vou apresentar sim.

PPaul

Você não tá com nenhum medo? Medo de quê? Ué, vai levar um pô lá, mentiola daquele jeito, teu pai. Que que é isso aqui?

?Voz C

Não, acho que eles vão ficar muito tipo, acho que o pessoal do bairro lá vai ficar sentindo estranho, hein, meu.

PPaul

É, né?

?Voz C

É porque é muito estranho.

BBaptista

Vão achar que eu sou marginal igual lá em Angola?

PPaul

Com certeza.

?Voz C

Tira daí tatuagem, vamos falar.

PPaul

Não, não, não, não, não, não, não entra. Vai ser assim, vai ser. Mas você não sente nenhum medo?

?Voz C

Não, por que medo?

PPaul

Porque nós somos maluco mesmo.

?Voz C

Não, mas assim, eu pensei na minha vida, certo? Então eu trago meus amigos para conhecer o lugar que eu nasci, mas esse lugar também é bonito. Então eu sinto mais assim, mais a prazer.

PPaul

Ah, sim, prazer de mostrar.

?Voz C

Porque vem aqui conhecer minha casa, vem aqui conhecer o lugar que eu nasci, Mas ele não tem mais nada de pobreza.

BBaptista

Tipo, a gente vai atrás disso aí, entendeu? Eu e o Batizante vai atrás do açougue de cachorro, atrás de mendigo, de bandido.

?Voz C

Não tem, não tem.

PPaul

Eu também não sinto essa necessidade de mostrar, de mostrar o país como se fosse, como se fosse— eu não sou embaixador do turismo, tá sabendo? Eu quero ir para Angola gravar, para conhecer realidade. É realidade, é realidade. Não sou embaixador de turismo igual o povo. Ai, a França vai me convidar e eu vou lá, porque não consigo, não consigo.

?Voz C

Gente, gostou do nosso FAQ aí? Você viu que a gente se diverte muito hoje, além que a gente puxa muito assunto legal, entendeu? A gente viu a nossa emoção e estamos aqui, é tipo, o jeito que a gente tá falando assim é a gente mesmo, a gente não tá em personagem. Por isso é Tru Tru, Tru Tru.

PPaul

Você tem que fazer uma camisa Três Continentes Tru Tru.

?Voz C

Exatamente. Gente, vou fazer. Enfim, gente, gostou do nosso vídeo aí? Deixa o seu likezinho para ajudar a gente aí e se inscreve no canal. Até o próximo vídeo!

PPaul

Não, calma aí, não sai! Se você quiser participar do outro FAQ, Instagram dos Três Continentes, deixa lá tua pergunta. E é isso daí, tá?

BBaptista

Se Deus quiser, o Maurício já vai estar de volta no próximo. Eu não vou precisar ficar aqui. Opa, agora não gosto de aparecer. Tchau, gente!

PPaul

Tchau!

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