COMO É A CABEÇA DE UM MILIONÁRIO? FT. FLÁVIO AUGUSTO | #ACHISMOS PODCAST #425
Entre muitos achismos sobre como é a cabeça de um milionário, hoje o Flávio Augusto conta como a vontade de vencer, seu desempenho no empreendedorismo e fracassos te levaram ao sucesso financeiro. Mais do que falar de números e bilhões, mergulhamos na mentalidade, nas vulnerabilidades e na trajetória de quem saiu do negativo para entrar nos milhões. MAURÍCIO MEIRELLES @maumeirelleshttps://www.instagram.com/maumeirelles/FLÁVIO AUGUSTO @geracaodevalorhttps://www.instagram.com/geracaodevalor/No fim, as melhores peças são aquelas que continuam acompanhando você todos os dias.Use o cupom ACHISMOS e aproveite os descontos do site https://creators.insiderstore.com.br/ACHISMOS #insiderstore @insiderstoreConheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
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Então foi bom falhar.
Claro que foi bom. Mas também foi bom pela forma como eu reagi, sabe Maurício? Porque o fracasso ele Ele pode ser uma coisa boa se você reage da forma correta, ou ele pode ser uma coisa terrível se você reage da forma errada. Então ali eu percebi que eu era, eu estava muito atrás, mas eu pensei, cara, o que eu preciso fazer para melhorar?
Senhoras e senhores, bordão antigo, hein? Esse é um dos achismos mais esperados, aguardados, porque eu tô querendo fazer esse achismo há muito tempo. Eu estou diante de uma lenda. Vou começar assim, tá? Começar bem, bem legal. É ruim quando começa assim, né? Lenda, porque a galera fica esperando que eu vou fazer perguntas diferentes. Eu vou para a mesma, como você começou, mas eu não vou para essa. Estou diante de Flávio Augusto, né?
Flávio Augusto dispensa apresentações, ou você conhece ele como um grande empreendedor fundador da Wise Up, cara que de alguma maneira esteve envolvido na administração, né, na sociedade do Orlando City, ou você conhece ele como o cara que brigou com 30 maconheiros durante o... Perfeito. Flávio Augusto contra... Um bilionário contra 30. E aqui hoje a gente não vai discutir só a questão de bilionário e tal, pelo contrário, cara, quem é Flávio Augusto?
Será que Flávio Augusto chora? Flávio Augusto tem fracasso? Flávio Augusto... Como é a cabeça de um grande empreendedor brasileiro. E eu começo primeiramente quebrando totalmente o clima, dando um presente da Insider. Isso aqui é maravilhoso, dá um presente da Insider para Flávio Augusto para levar lá.
Muito obrigado para sua turma.
Em breve Insider chegando em todo mundo graças a Flávio Augusto, que ele vai olhar para isso daqui, ele vai escalar o negócio da Insider.
Eu ganhei uma camisa dessa lá no teu concorrente também, né?
Qual, no Flow?
Rasga!
O meu cupom é melhor.
Esse é o cupom, né?
O meu cupom é original, o do Flow é falsificado, deixando claro, né? E eu queria primeiro só falar um bastidor aqui. O Flávio chegou, Flávio chegou de carro e aqui não tem estacionamento, e Flávio entregou o carro para Mateus estacionar. Mateus manobrista agora. Perfeito.
Ele não sabe o risco que ele correu entregar aquele carro.
Foi muito bom que ele te deu o carro e em uma quadra você comeu duas minas. Parabéns, Mateus.
Belíssimo carro, hein?
É, você ficou com medo de apertar os botões?
Fiquei com medo.
Dá um medinho, né?
Com medo de apertar e apertar errado, apertar, abre a capota, cai um negócio. Tudo sucesso, foi brincadeira, foi um quarteirão, mas foi um quarteirão, né? Pois é, turma me olhou, foi incrível.
Pois é, Flávio, eu quero começar com essa daqui, cara. Você é um cara que é um cara de sucesso, é muito legal a tua história, eu acompanho, vejo muita coisa sua, mas eu queria começar de uma quer entender a tua cabeça assim, né? Porque você é um cara hoje que tem um legado, você tá a fim de fazer muito mais coisa. Você já duvidou de você mesmo? Tem uma coisa, eu quero ir para esse lado um pouco mais da vulnerabilidade, até porque muita gente pode se conectar nesse lugar, porque as pessoas elas olham e fala assim: tá legal, igual eu te vi lá no Você Contra 30, né, CLTs.
Ah, legal que ele fala, mas e aí, qual que é a parte ruim de ser você? Qual que é a dúvida que você já teve sobre você mesmo?
A todas, todas as pessoas têm dúvidas, né? Todas as pessoas, elas, principalmente no início da sua vida, de onde eu vim, não é? Porque quando a pessoa, por exemplo, meu filho talvez não tenha essas dúvidas que eu tive, mas de onde eu vim, você, que você querendo acontecer na tua vida, acertar na tua vida, você tem muitas dúvidas sobre seu futuro. Você tem medo do seu futuro. Isso é natural, você ter dúvidas, você ter medo. O medo é um sentimento humano e bom, porque o medo te impede de pular do 10º andar, de ser inconsequente.
Você mede, você faz contas. A gente só não pode ser paralisado pelo medo. Então, por exemplo, uma fase da minha vida que eu tava buscando acertar, inicialmente achei que seria sendo militar. Então eu fui militar, fui militar por 2 anos. E para você passar numa prova, num concurso público, é bastante difícil. Na época eram 30 mil candidatos para 200 vagas para você entrar numa carreira de oficial das Forças Armadas. Era, era, esse era o meu horizonte.
Então, na primeira vez que eu fiz, eu percebi que eu tava muito atrás. Então eu fiquei, a minha classificação no concurso eram 30 mil candidatos, eu fiquei entre os 25 mil primeiros. Tá, tá, tá, é um dos piores, né? E aí foi a primeira vez que eu me dei conta, cara, eu era um excelente aluno de escola pública, aí foi a primeira vez que eu me dei conta que a escola pública é horrorosa.
Você fez escola pública até aquele momento?
Até aquele momento.
Quer dizer, só para explicar para as pessoas que chegaram aqui agora, você não vem de uma origem milionária, você vem de uma origem escassa, inclusive.
Eu morei na periferia do Rio de Janeiro, E estudei em escolas públicas o tempo todo.
Aí você percebeu, cara, não é tão bom ensino.
Mas eu não sabia até aquele momento, você era o pica da escola, excelente aluno, cara, e sempre elogiado. Quando eu faço aquele concurso, eu vi o quão ruim eu era, tá, o quão atrás eu tava, e eu me dou conta o quão ruim era aquela escola que eu estudava.
Então foi bom falhar?
Claro que foi bom, mas também foi bom pela forma como eu reagi, sabe, Maurício? Porque o fracasso, ele ele pode ser uma coisa boa se você reage da forma correta, ou ele pode ser uma coisa terrível se você reage da forma errada. Então ali eu percebi que eu era, eu era, eu estava muito atrás, mas eu pensei, cara, o que que eu preciso fazer para melhorar? Então, por exemplo, a minha mãe deu o salário dela inteiro para me pagar um cursinho preparatório.
E o resultado, eu fiquei entre os 25 mil primeiros. No final do ano eu pedi para ela se eu podia fazer de novo esse curso. Olha, se eu fizer mais um ano, acho que agora eu entendi, acho que agora eu percebi onde eu preciso melhorar. E aí eu fui mais um ano, cara. Só que eu sempre falo essa história, mas eu não me canso de repetir, porque ela deu o salário inteiro e eu levava 2 horas e meia para ir para um cursinho e 2 horas e meia para voltar.
Então era 5 horas de transporte público, também medonhos, né? Não sei se você já andou de transporte público no Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro é medonho, ônibus termina a pé.
Não, é terrível, é horroroso. Então beleza, aí fui mais um ano, aí estudei igual um camilo, estudei para caramba, estudei como eu nunca tinha estudado. Também não passei, fiquei ali talvez entre os 5 mil primeiros. Já melhorou, tem uma boa melhorada, mas eram só 200 vagas.
Mas é como você reage, igual você falou, é como reage.
E aí eu pedi para minha mãe se eu podia fazer de novo. Então fiquei, você imagina, um moleque entre 13 e 15 anos de idade por 3 anos. Você sabe que um ano inteiro é uma eternidade para um adolescente, né? Então foram 3 anos e eu consegui passar. Aí fiquei entre os primeiros colocados na prova da Aeronáutica, também na prova do Exército, na prova da Marinha. Eu passei nos 3. Fiquei bem colocado, mas o ponto era o seguinte: eu precisei de 3 anos pagando um preço enorme para tirar a diferença daquela educação que eu tinha recebido.
E aí passei. No primeiro dia, no primeiro dia dentro da Marinha, eu falei: cara, isso aqui não é para mim. No primeiro dia. Porque assim, a Marinha foi muito boa para mim, foi para mim, a formação foi muito interessante. Mas realmente eu não me adaptava ao modelo militar. Eu era um cara muito questionador, muito criativo, e as Forças Armadas, como precisam ser, elas são mais formatadas. Eu fiquei 2 anos na Marinha até os meus 17 anos.
Você imagina, meu pai era sargento do Exército, era sonho da vida dele que eu fosse um oficial.
Você teve uma criação militar?
Eu tive uma criação militar. Então assim, era o sonho do meu pai, não é? E aí, no final do segundo ano, eu fui convidado a me retirar lá da escola, da escola militar. Então foi, foi muito difícil para mim nesse momento, porque eu tive que voltar para casa, que eu tinha saído de casa, né? Fui morar lá na, que você mora na escola. E aí eu voltei para casa e um caos, né? Um caos. Expulso, expulso, decepção total da família.
Naquele momento você achou que você faria o quê da vida?
Cara, eu fiquei feliz quando eu fui convidado a me retirar.
Você não queria aquilo para você?
Mas eu não tinha, eu não tinha discernimento suficiente para sair, ou talvez não tivesse coragem suficiente para sair, porque de alguma forma eu tinha algum prestígio porque eu estava lá, mas eu não queria estar lá. E era muito novo, né? Mas quando eu recebi a notícia, eu fiquei bem feliz. Não sabia o que ia ser meu futuro. Tá, não tinha a menor ideia.
Isso é legal saber, porque acho que muita gente acha que você é um cara que desde os 14 anos de idade já sabia que ia empreender. Você queria ser o quê com 14 anos? Você queria ser astronauta?
Sabe o que que eu não sabia? Não, primeiro, quando como criança eu queria ser bombeiro, né? Era meu sonho ser bombeiro. De certa forma eu apago incêndio para caramba até hoje, né? Mas no fundo a gente só sonha aquilo que está ao nosso alcance. Você não deseja o que você não sabe que você quer, existe, entendeu?
A tal do mito da caverna, é o mito da caverna.
Então assim, dentro do meu horizonte, ter sucesso na minha visão era ser oficial das Forças Armadas, e de fato é uma carreira bonita e bem-sucedida. Mas eu, na medida em que fui ampliando os meus horizontes, eu fui enxergando outras coisas e fui desejando outras coisas. Porque você não conquista aquilo que você não luta muito para conquistar, mas você não luta muito por algo que você não deseja. E você não deseja algo que você não sabe que existe.
Mas qual o perigo disso? Porque você hoje agora tem um range muito maior, você tem muita coisa que você conhece. Aquela coisa do Dunning-Kruger, né, que fala, né, que quanto mais você conhece, né, a coisa, mais você se sente incapaz de operar as coisas, né? Quando você—
eu penso o contrário, cara. Isso que eu queria entender. É, não, assim, fazendo essa viagem agora para cá, para os dias atuais, eu, eu, cara, difícil era andar 5 horas de ônibus, difícil era, era, eu me casei com 20 anos de idade, fui morar na boca de uma favela lá no Rio de Janeiro, na boca, boca da favela no Rio é a entrada, é a zona nobre da favela, é a entrada da favela, é onde o gringo vai, é onde o gringo vai. Então, ou seja, me casei e fui morar na boca de uma favela.
Então assim, difícil é sair de onde eu saí e chegar onde eu cheguei. Hoje, cara, eu faço aquilo que eu acho interessante fazer, que eu quero fazer. Eu acho que essa é a melhor coisa de você crescer, é você conquistar liberdade e poder escolher o que você quer fazer.
Mas você ainda tem medo de alguma coisa?
Cara, eu tenho muito pouco medo hoje, cara. E o quanto isso—
porque assim, eu acompanho você no Geração de Valor, inclusive acabei não falando, a plataforma do Flávio. Eu vejo que você fala muito de mentalidade, e o termo mentalidade mexe muito com brasileiro, porque o brasileiro fala: você tá falando então que eu não sei pensar, que a minha cabeça é escassa? E de alguma maneira dá vontade de falar: me dá impressão que o brasileiro, ele tem um— você falou um negócio, né, da coisa de quanto mais você absorve coisas, mais você tem um potencial de você— é o mito da caverna, você tá muito fechado.
Você observou isso assim durante— hoje você mora em vários lugares do mundo e tal, Você acha que o brasileiro ele tem uma questão com a mentalidade escassa? E por quê? E por que temos isso?
Não é só o brasileiro, é geral, cara.
É geral? Isso quer dizer que o americano também tem uma mentalidade escassa?
Americano também, por razões diferentes.
Me conta quais são as mentalidades escassas de cada lugar.
Isso, por razões diferentes. Então, por exemplo, uma das coisas que me agradava entrar na Marinha era a estabilidade. Tá. Que é o mito da estabilidade. Tem uma frase autoral minha que é: estabilidade não existe. Não existe estabilidade. Estabilidade é uma ficção. Tudo tende a se deteriorar. Tudo. Um casamento tende a se deteriorar, uma relação, uma amizade, uma empresa tende a deteriorar. Todo negócio tende a acabar, tende a quebrar, tende a falir, a menos que faça, que exista algum esforço no meio para alterar essa rota.
Então assim, a segunda lei da termodinâmica fala sobre a entropia. Ou seja, as coisas tendem a se desestruturarem, então não existe estabilidade. Então um jardim, ele é bonitão, ele é bonito porque alguém tá cuidando dele, porque se alguém parar de cuidar dele, ele vai virar matagal. Então um casamento, duas pessoas apaixonadas— aliás, eu faço 34 anos de casado esse ano, casei com a minha primeira namorada.
Pô, você ganhou de mim, cara, eu estou há 25.
25, né?
Olha aí, trabalhei no pânico. É importante isso, que eu lidava com paniquetes e continuei casado.
Continua. Olha aí, então 25 anos, eu tenho 34. Agora, um casamento, ele um caso de duas pessoas apaixonadas, ele só se mantém se você cuidar do jardim, porque senão ele vai se deteriorar. Então tudo se deteriora. Então, só que a ilusão da estabilidade faz a pessoa ter uma metáfora de vida que busca segurança. Então na tua vida, ou tu vai buscar segurança ou tu vai buscar liberdade. Então isso é uma questão de mentalidade.
Aí vem para o controle, né? Você quer controlar tudo.
Pois é, a premissa da sua vida qual é? Não, cara, eu quero buscar segurança. Então tá bom, você vai fazer um concurso público, você vai jogar na retranca, você vai ter muito medo de tomar decisão. Agora, se você busca liberdade, você vai assumir mais risco, você vai entender. Agora, quando você entende que não existe estabilidade, o risco se torna normal, normal, porque no fundo não fazer nada é o maior risco. Claro. Ou se você for para o lado da metáfora da segurança, que é a busca por garantias, né?
Aí a gente vai entrar no brasileiro. O brasileiro adora uma garantia, adora um direito, adora uma garantia. Isso é uma ilusão. Nenhuma lei, nenhum burocrata vai assinar uma lei e vai te dar alguma garantia. Ah, você tem direito a isso, você tem direito àquilo. Esses direitos, essas garantias, esse mito nos quais as pessoas acreditam fazem com que elas vivam uma mentalidade baseada numa ficção, que é a estabilidade, a ficção da estabilidade.
E aí você vai acreditar que você vai fazer uma faculdade, vai se formar, vai trabalhar 40, 50 anos no emprego, vai pagar INSS todos os anos, e depois você vai viver da aposentadoria, porque isso é um direito que você tem.
Quando a gente percebe, controle para você fazer um sistema para coisa dar certinho, e você achar que isso vai dar certo até que sai do seu controle, você estabiliza.
Você imagina, cara, eu lembro que nessa época que eu tava fazendo cursinho, eu ia para aula e passava num lugar no Rio de Janeiro chamado Avenida Suburbana. O ônibus passava ali por mais de uma hora, no meio do trânsito ali, eu em pé dentro do ônibus, e a gente passava em frente de vários bancos. Todas as vezes, uma vez por mês, tinha sempre uma fila gigante em volta dos bancos. E aquilo me chamava atenção. Um dia eu tive a curiosidade de perguntar para alguém do lado o que que era aquela fila, e a pessoa falava: aquilo ali é fila das pessoas para pegar aposentadoria.
Aí é um monte de velhinho, cara. Eu ficava olhando para aquela fila, eu tinha 18 anos de idade, eu falava: cara, nunca na minha vida eu quero entrar nessa fila, porque o coitado do velhinho, 40 graus no Rio de Janeiro, esperando para pegar uma merreca de uma aposentadoria que o Estado te proporciona.
Só matar ele para ele não pegar mais, para morrer mais rápido.
Deve ser para acabar aposentado, deve ser. E aí o que que acontece, Maurício? O cara olhava para isso, cara, esse sistema é muito podre, entendeu? É um, é um, eu não quero estar nessa, nessa, nesse rolê aqui, entendeu, de trabalhar 40, 50 anos para poder ficar dependendo do Estado para receber a merreca de uma aposentadoria. Eu comecei a vender relógio Começou assim a minha experiência com, a minha experiência com dinheiro começou quando eu me apaixonei, na realidade, quando eu me apaixonei pela Luciana, com quem eu tô casado até hoje.
E ela tinha 15 anos, eu tinha 18. Aí eu falei, cara, já tô sem moral porque fui expulso da escola naquela época, não vou, não vou querer ficar pegando dinheiro do meu pai, da minha mãe, para poder ir para o cinema com a Luciana, né? Então preciso ganhar uma grana. Aí comecei a vender relógio. Aí eu tinha um relógio calculadora, não sei se vocês lembram aquele relógio calculadora. Vendi esse relógio, comprei mais 2, vendi, comprei mais 2, vendi, comprei, comprei, vendi, comprei.
Eu acho que eu vendi mais de cento e poucos relógios naquela época, quando eu tinha 18 anos. Aliás, tava até começando a minha carreira internacional nessa época, né, porque eu fui para o Paraguai comprar relógio já, não é? Aí foi aí que interrompeu ali essa minha carreira de vendedor de relógio, mas foi assim que eu comecei a ganhar uma grana. Foi assim que eu comecei a ganhar uma grana. E com 18 anos, eu lembro que teve um mês que eu ganhei, num determinado mês, mais do que meu pai e minha mãe juntos vendendo relógio.
E assim eu fazia ensino médio, vendia, sei lá, trabalhava 3, 4 horas por dia para vender relógio.
Mas você era um cara bem agilizado então, cara?
Eu era tímido, entendeu? Sempre fui um cara tímido, mas sempre fui um cara tímido, não era muito desenrolado, entendeu? Mas eu sempre falo o seguinte: você precisa ter motivo para fazer as coisas. E eu tinha um motivo, eu tava apaixonado, queria dinheiro e não queria pedir dinheiro para o meu pai. Esse era o meu motivo, entendeu? E aí, com essa graninha que eu comecei a ganhar, eu comecei a me dar conta, voltei para o meu questionamento, falei: cara, por que que o cara trabalha um mês inteiro, 44 horas semanais, para ganhar um salário mínimo?
Pega 2 horas de trânsito para ir, 2 horas para voltar para ganhar um salário. Não faz sentido. Eu tô aqui vendendo relógio.
Fala baixo que a galera aqui tudo ganha salário mínimo.
É, tô bem atento aqui. Tem que começar a vender relógio, gente. Mas continua. E aí, cara, eu falei, pô, meu, por que que esse, por que que não faz sentido isso, entendeu? Então, bom, cortando aqui. Eu comecei a trabalhar num curso de inglês logo na sequência, não é? Eu tava pegando, não sei se você lembra da época dos classificados dos jornais. Então aí eu tava olhando lá para comprar e vender relógio, eu vi que tinha emprego.
Eu falei, cara, vou lá ver como é que esse negócio de emprego. Pô, nunca fiz uma entrevista de emprego. Minha faculdade ia começar em agosto, agosto, meti uma camisa social e fui lá ver qual era dessa história do emprego. Bom, cheguei lá, era para vender curso de inglês. Não me registraram, nunca fui registrado, nunca tive uma carteira assinada. Só que lá eu comecei a vender curso de inglês. E vendendo curso de inglês, igual vender relógio, igual eu vendia relógio.
Falei, cara, pô, isso aqui é mais fácil vender curso de inglês do que vender relógio. Eu não falava inglês, mas aquilo ali foi uma experiência, uma primeira experiência profissional vendendo, né? Não tava Aí tinham roteiros, você tinha treinamento, você tinha todo um formato. Para mim foi uma baita escola de vendas ali ter trabalhado nesse negócio. Eu trabalhei por 4 anos.
Quer dizer, o relógio foi empírico, você não sabia como vender, completamente. E o inglês foi uma coisa do tipo, aquilo que você tá fazendo tá certo, mas vamos melhorar aqui.
Exatamente. Que legal. Ali eu comecei a ser treinado. Eu trabalhei 4 anos nessa empresa. Aí eu comecei, fiquei bom em vender, depois eu comecei a montar time de vendas. Aí cheguei a liderar mais de Talvez umas 200 pessoas ali nesse, antes de você abrir qualquer coisa. Então, o dia que eu abri a minha primeira empresa, cara, eu sabia muito de venda já, tá? Então assim, eu não tinha muito dinheiro para abrir. Inclusive, um amigo meu ia ser meu sócio, e 50% do negócio, e uma semana antes o cara amarelou, o cara pulou Ele pulou fora.
Ele tinha que vender um Voyage, um Voyage 86 que ele tinha. Ia ser meu sócio por um bom tempo.
Hoje ele dirige um carro melhor aí, mas vai. Entendi. Mas aí minha dúvida vem no seguinte, eu vou trazer para galera mais, porra, que tá assistindo isso daqui. O cara que tá, tem muita gente que tá devendo aqui. O cara, ele, porra, ele fez uma, fez um financiamento de um apartamento e tá devendo e pagar R$3.000 por mês, ele acorda tenso, que ele fala: se eu perder o emprego, acabou, cara. Se der merda, tô ferrado aqui. Você é um cara que dá pulos muito altos, né?
Porque você tem uma empresa, você tem um aporte, tem os juros. Eu trouxe aqui o Caíto, porra, da Chili Beans. Cara, o Caíto tava desesperado, que falando: pô, cara, a gente fez uma porrada de compra, os juros aumenta, não consigo. Como é que você acorda sabendo que às vezes você tá devendo, não devendo, né? Mas você tá ali alavancado numa possível dívida, que você pode da noite para o dia perder 10 milhões de reais, dólares. Como é que é essa cabecinha?
A minha situação é muito mais privilegiada hoje, Maurício. Eu não tô alavancado, ao contrário, eu tenho capital, eu tenho liquidez. Então eu hoje empresto dinheiro, eu já não pego dinheiro emprestado. Legal. Hoje, hoje, grande parte dos meus investimentos financeiros são emprestando dinheiro para para países, para empresas.
Você cria seus juros?
É, na realidade, você quando tem a oferta do bonde ali, dos debêntures ali, você já tem esses juros estabelecidos, né? Então eu hoje não tô numa, numa, naquela posição de estar alavancado. Sim, pô, mas quando eu abri a minha empresa, não é que eu tava alavancado, eu abri minha primeira empresa pegando cheque especial com 12% de juros ao mês. Então minha realidade hoje é muito diferente.
Eu já vejo como é que era a tua realidade lá naquele período, tipo assim, porque eu ouvi a tua história, até contei com você, que eu achei maravilhosa a história que você comprou teu apartamento meio que, você viu um apartamento que você falou, cara, esse apartamento adoraria morar, mas eu não tenho condição, vou arriscar.
E cara, sim, mas ali eu já tinha uma empresa, tá? O problema é o seguinte, cara, o problema quando o cara tem uma empresa e sabe vender Dominou o processo comercial. Porque vamos entender o seguinte: qual é a profissão mais desprestigiada do Brasil? É vendedor. A mãe vai pedir um emprego para o filho dele, para o filho dela, chega para um amigo e fala assim: olha, pô, Juninho tá jogando videogame, tá dormindo tarde, tá acordando tarde, eu tô preocupada, arruma emprego.
Você pode arrumar um emprego para ele na sua empresa? Pode ser qualquer coisa. Até vendedor, até vendedor, pode ser qualquer coisa. Então assim, as pessoas têm na cabeça assim: o cara, o cara não deu certo na vida, ele vai ser corretor de imóvel, vai ser vendedor.
Pode crer, cara, é meio que é isso que as pessoas têm na cabeça. Só que tem uma formação da engenharia, coitado, fulano virou vendedor.
Eu lembro quando eu comecei a vender curso de inglês, as pessoas, muitos vizinhos falaram: pô, Flávio era tão inteligente, Pô, foi para Marinha, pô, agora tá vendendo, virou vendedor. Mas a real é o seguinte, Maurício: a única coisa que gera dinheiro é vendas.
A única, que é uma troca, né?
É a única. Não existe outra. Ah, mas eu sou funcionário público e não vendo. E não, é o contrário. Esse cara vendeu 44 horas semanais por um salário. Ele é um vendedor de um único cliente, portanto ele é refém desse cliente. Então uma pessoa que trabalha, eu trabalho em banco, você vendeu o teu tempo para o banco. Então todo mundo é vendedor. A única forma de gerar receita é vendendo. Se o seu podcast não vender um patrocínio, não vai, não vai ter receita.
Você tem que vender. Então vendas é a única, é o único recurso de pessoas físicas e de empresas para gerar receita.
Resumindo, vendas é o único emprego real que existe, é o único emprego real. Todo o resto é uma consequência de venda.
Só que aí, sendo todo mundo vendedor, tem vendedor de tempo e tem vendedor de produtos. Ser vendedor de tempo não é um bom negócio porque você só tem 24 horas no dia. E se tu vende teu tempo para uma empresa Você não consegue vender no máximo, talvez no máximo para mais uma empresa, aí você não tem vida. Então o que acontece? A real é o seguinte: o cara que tem, que dominou vendas, aplicou essa habilidade de vendas para criar um negócio onde ele vai vender o seu próprio produto, esse cara tem a chance de ficar mais rico, de ganhar mais dinheiro, ter mais confiança, de ter mais confiança.
Porque ele tem as ferramentas, ele tem as armas. Eu lembro quando eu aprendi a vender de forma profissional, pensei assim, cara, minha vida tá resolvida. Todos aqueles meus medos, minhas inseguranças, para mim acabou. Falei, cara, eu vendo, eu vendo. Se eu quiser, na hora que eu quiser, eu vendo. Eu boto a grana que eu quiser no meu bolso. Então essa autoconfiança, agora, essa autoconfiança é de quem se desprendeu do sistema, porque o sistema bota o cara dentro de um emprego Pagando INSS para depender do Estado ganhando aposentadoria.
Eu me desprendi desse modelo, entendeu? Quando eu me desprendo desse modelo e ganho as ferramentas para ganhar dinheiro e para fazer um, para fazer negócios, agora minha confiança é outra. Agora eu posso comprar um apartamento e peitar.
E cada vez que você vai dando um passo, você fala: o meu passo anterior já me validou, me validou para eu dar o próximo, para eu dar o próximo. Mas aí tem um já deu que assim, Flávio Augusto, pô, você tá morando agora fora, né? Você tá, você não tá mais morando aqui no Brasil, você tem uma série de negócio. Aí você contou aqui que você tá vindo aqui porque vai ter o nascimento do seu neto e tal. Que momento bate a esposa do Flávio Augusto falando, Flavão, vamos dar uma parada, vamos ficar tranquilo, por que que a gente ainda tá fazendo isso?
Porque isso é uma mentalidade brasileira também, do tipo, quando eu tiver 10 milhões eu paro.
Então isso é um imaginário, tá? Porque pensa comigo, Maurício, eu tenho 54 anos, né? Você falou que eu tava parecendo menos, né?
Você tá bem, cara, você tá muito bem.
53 e meio que você tá.
Não, você tá bem, cara, você tá parecendo uns amigos meus de 40, então cagados também, né?
Mas vamos lá, vamos pensar o seguinte: eu tenho 54 anos de idade, beleza? Eu vou falar assim, ó, chega, não vou fazer mais nada. Tá, eu vou. Como é que vai ser meu dia?
Triste. Isso eu concordo com você.
Não, mas vai viajar. Mas eu já viajo. Você já viaja trabalhando também? Eu tô morando no oitavo país, morei em 8 países. Eu viajo, eu vou 280 horas por ano. Tá, eu já viajo bastante, passeio bastante. Não, vai aproveitar. Mas eu já aproveito bastante. Então tá, mas beleza. Mas vamos supor que não, beleza, vou viajar direto, tá legal. Aí viajei uma semana e depois não, vou viajar 3 meses e depois eu não tenho muito o que fazer, não tem, cara.
Então esse é o imaginário, as pessoas têm um imaginário assim, é imaginário, cara, não tem nada mais legal do que produzir.
As pessoas têm esse imaginário exatamente porque elas não fazem isso, porque elas falam assim, eu tô o dia inteiro em casa trabalhando, trabalhando 24 horas, tal. Eu quero pessoa dia que eu largar isso daqui, eu vou fazer um ano.
Mas é que tá mal, Maurício, o problema não é trabalhar bastante. Eu trabalho mais de 10 horas por dia, sim, hoje efetivamente, tá? Isso. Até daquele programa, né, um bilionário veste 30 trabalhadores, até sacanagem. Talvez eu trabalhe mais do que os 30 ali, né?
É porque te colocaram, esse é verdade, só o título já me derruba, né? Até vendedor, até bilionário.
Mas tudo bem, mas vamos lá, cara, eu trabalho bastante. Trabalho, essa é a minha pegada, é de trabalhar bastante. Eu gosto de trabalhar bastante. Me lembra onde é que eu tava aqui?
Como assim?
A gente tava falando sobre o quê antes de eu abrir a janela aqui dos 30 contra 1?
Você tava falando, aí estava, eu tava te perguntando tipo que momento você quer dar, ou já deu, né? Ou parou.
Isso.
Aí você falou que você não quer viajar, fazer o quê? 3 meses viajando, 5 meses viajando.
Então, cara, eu trabalho 10 horas por dia. Só, cara, é gostoso produzir, é gostoso você curtir.
O tesão não é mais a consequência então?
A grana que você tá falando?
Ou você já não tá nem aí mais para isso?
É interessante. Não, é um mix aqui, tá? Você gosta de videogame? Não gosto, gosto. E você, quando, qual o jogo você joga?
Botar um GTA assim, que é uma coisa que demora muito para acabar.
GTA. Quando você joga o jogo que você joga Você se importa com ponto que você tá fazendo?
É verdade, não, não me importa.
Eu me importo com a experiência, a experiência do jogo. Sim. Então o dinheiro é o ponto do videogame, tá bom? Você entendeu? Tá bom. Jogar o videogame é mais legal. Aí eu tava te falando aqui que eu trabalho 10 horas por dia. O problema não é trabalhar muito, o problema é a pessoa trabalhar e não ter perspectiva.
Só que quando eu morro no GTA, eu volto para a vida depois. Quando você toma um tombo tentando viver essa experiência, não te dá um negócio do tipo, falar, vou dar uma segurada? Você já deve ter tomado uns tombos na tua carreira.
Muito pouco.
Aí, isso que eu queria entender, muito pouco, porque eu nunca quebrei.
O meu achismo leva aqui, que eu nunca quebrei, porque vendo, cara, quando você domina vendas, você domina receita. Por que que alguém quebra? Alguém quebra porque não teve receita suficiente para pagar as despesas.
E você sempre conseguiu equilibrar isso?
Sempre.
Ah, entendi.
Porque eu domino vendas, cara. Vendas é o que faz diferença. Se a Apple não vender, a Apple quebra.
É por isso que às vezes fica esse papo assim: eu sou muito criativo. Fala legal, parabéns, mas você tem que vender. O que que você faz com isso depois?
Tem que vender, pô. É, entendi.
Mas você, por exemplo, assim, eu acho que é uma curiosidade meio que popular assim: pô, o cara, o que que ele faz com esse dinheiro? A galera deve perguntar isso. Por que ter tanto dinheiro? Que a grande pergunta hoje no Twitter.
Eu tenho muito dinheiro porque eu faço muito ponto no videogame. O dinheiro, o dinheiro é o ponto. Você ficou bom. Quando você fica bom no videogame, você ganha.
Você usa esses pontos ou você simplesmente está deixando guardado?
Eu uso bastante, invisto bastante, deixo guardado bastante, porque isso te dá uma, uma, um colchão para que você seja mais ousado em determinadas ações.
Já que estamos falando de videogame, qual o jogo que te movimenta agora? Porque você já jogou vários. Qual que Porque imagina que a tua vida, sou eu com meu achismo, né, deve ter muita gente que se aproxima.
Pouca gente. Pouca gente, porque as pessoas se aproximam no espaço que você dá.
Ah, então você dá pouco espaço?
Eu dou bastante espaço. Obrigado pelo espaço que você tá dando. Eu dou bastante espaço, eu dou bastante espaço para as pessoas que estão jogando comigo.
Tá certo, tá certo.
Nós estamos numa grande equipe jogando. Tá ali, porque eu tô usando a metáfora do jogo de videogame para falar sobre isso, porque o dinheiro ele é o ponto do videogame. Agora, o dinheiro, o dinheiro também te dá satisfação?
Claro que dá, claro, porque é o ponto do videogame.
O problema, cara, é o cara trabalhar lá no banco que você citou aí por 10 horas e não ver perspectiva na vida dele. Esse é o problema.
Sim, porque não tá ganhando ponto nenhum também, né?
E também tá ganhando muito pouco ponto. E a inflação tá comendo, cara, o poder de compra das pessoas. Hoje eu tava na, eu fiz uma pirâmide social diferente, né, nos meus achismos também. Eu tenho os meus achismos e eu classifiquei ali, tem um pobre premium, né? Sim, é o que ganha entre R$20.000 e R$30.000 por mês.
Esse é o pobre premium, que antigamente era classe alta, era classe altíssima.
Pega ali o cara com R$20.000, R$30.000 por mês, cara, se ele tem 2 filhos, ele paga um aluguel, escola para o filho em São Paulo, não cabe, não cabe, não cabe. A inflação comeu, tá comendo a o poder de compra das pessoas.
Sim, sim. Aí ele precisa ganhar R$50.000, aí ele fica numa ansiedade, num desespero, porque talvez ele não entenda.
Só que o ponto é o seguinte: como é que você vai ganhar R$30.000, R$50.000 no jogo do INSS até sua aposentadoria? Não vai, não vai ficar, né? Ainda que ganhasse, o teto do INSS é R$8.000, R$8.400 e pouco.
Sim, você vai ficar bem abaixo, vai ficar com R$8.000 no final. Tudo bem. E aí, mas por mais que você tenha essa coisa, você tá com 54 anos, você já se acertou em vários negócios. Qual que é o negócio que movimenta? Não tô falando de exatamente atividade, mas o que que mexe no teu coração do tipo assim, porra, eu quero entrar nisso? O que, o que que tem uma, tem uns valores que você coloca assim, cara, isso daqui tem que ser bacana, sustentável, ou é simplesmente, cara, me tocou, cara, eu quero, quero testar isso daqui?
Eu gosto de gente, tá? Eu gosto de impactar pessoas. Então por isso que eu gosto de trabalhar com educação no Brasil. Eu basicamente, os meus negócios foram educação e esporte lá nos Estados Unidos.
Claro.
Então eu fiz um grande investimento no esporte, tive um clube de futebol profissional, construí um estádio lá nos Estados Unidos e vendi. Então foi um ciclo de 8 anos entre a compra, construção, geração de valor e venda, porque esse é o meu foco, né? Eu sempre construo negócios e vendo. Essa minha, esse é o meu modelo de empreender. Investir.
Não é só venda, né? Porque você é um cara que se destacou como um bom vendedor, mas você descobriu também que você construir algo para você vender te dá muito mais recursos, né?
É, a primeira coisa assim, eu aprendi a vender, ganhava comissão. Depois eu falei, vou abrir meu produto, meu próprio produto, vou vender esse produto, vou ganhar o lucro, tá? Num outro momento eu penso, se eu construir um negócio que é gerador de caixa Eu posso vender este negócio, eu posso vender empresas.
Já entendi o que você tá escolhendo.
Então eu vendi produto para ganhar comissão, depois vendi o meu próprio produto para ganhar um lucro, e depois eu comecei a vender empresas, comprar e vender empresas.
Entendi, você faz todo o ecossistema então, do zero até o 100 disso tudo.
Isso, exatamente. Então assim, mas eu gosto muito de trabalhar com o que transforma. Eu não gosto, jamais faria bet, jamais. Eu, eu como eu tenho muito seguidor na internet, já recebi muitas propostas para fazer propaganda, eu não faço.
Bebida?
Não faço, não gosto de fazer nada relacionado à bebida, nada relacionado, nada que eu acredite que não vai fazer bem para as pessoas. Então eu gosto de educação por isso. Educação é uma coisa que eu posso contribuir com a pessoa.
E qual sua visão do brasileiro? Porque você começou ali naquela, naquele começo ali que a gente tava batendo papo, você falou assim, cara, essa coisa de escassez não é só de brasileiro não, cara. Porque você é um cara que tá, você tava em Orlando, você conversou com americano, você deve ter investidor árabe, investidor Você consegue ter uma coisa do tipo assim, cara, o brasileiro ele é pica para caramba, ele não entende disso?
Cara, eu gosto de trabalhar com brasileiro, eu gosto de trabalhar com brasileiro.
Qual que é o pró e o contra?
Cara, olha só, eu gosto de trabalhar com brasileiro, acho brasileiro guerreiro, acho brasileiro criativo. É claro que eu estou generalizando, tem pilantra, tem de tudo, entendeu? Mas eu gosto inclusive de empreender no Brasil. É um lugar que eu gosto de empreender. Nos Estados Unidos, eu fui bem feliz no meu investimento lá nos Estados Unidos, né? Foi um clube que eu criei do zero e a gente fez uma venda.
Eu não sabia que você criou do zero, achei que você entrou depois.
Ele tava no 0,1, tá bom também, já tinha o nome. Isso, a gente, exatamente, não, o clube era o Instagram, era da 4ª divisão ali, não é? Então a gente pegou e levou ele para Major League Soccer e começou aquele projeto praticamente do zero, né? Então foi assim, investimento muito bacana, foi uma, tanto do ponto de vista financeiro como de experiência pessoal para mim. Mas, por exemplo, o americano, você pega um casal americano, trabalha no fast food o cara e a mulher trabalha no outro fast food, certo?
Dois atendentes de fast food. Ganhando salário mínimo. Esses dois se casam, eles conseguem ter uma casa, um carro e viajar todo ano, tá? Essa é a realidade do americano. Pega dois atendentes de fast food aqui no Brasil, o cara vai morar lá na caixa-prego, vai pegar 3 horas de trânsito para ir, 3 horas para voltar, vai viver mal para caramba e mal vai conseguir pagar as contas. Então você pega aqui realidade do brasileiro e a realidade do americano, é completamente diferente.
Poder de compra é completamente diferente, completamente diferente. Agora, onde é que tá, onde é que eu vejo o problema nos dois aqui? Esse cara consegue fazer tudo isso porque lá ele tem uma coisa chamada crédito. Putz, total. Crédito barato, abundante. Então ele consegue ter uma casa, consegue ter um carro, não é? Paga muito menos imposto sobre as coisas. Aqui o imposto sobre um carro nos Estados Unidos que esse cara, que esse atendente de fast food paga na Flórida, é 6% sobre o valor do carro.
Aqui no Brasil é por volta de 90% sobre o valor do carro. Você paga 2 carros. E se for importado, paga 3, 3 carros. Lá ele paga 6%. Então ele tem muito menos o Estado chupando o sangue dele lá, principalmente desse pobre, da classe média. E aqui o pobre, a classe média, o Estado simplesmente estupra o pobre e a classe média. Não é o rico não. O rico, ele tem dinheiro, ele se defende, ele investe. Ele muda de país. Pobre, a classe média não, é estuprado pelo Estado no Brasil.
Então você tem essas duas realidades aqui. Esse cara aqui que tem acesso a tudo isso lá nos Estados Unidos, ele vai ter muito mais medo de empreender do que esse cara aqui. Então esse cara aqui, ele tem mais medo de empreender porque ele consegue ter o básico com aquela vida que ele tem.
Quer dizer, ele não tem a necessidade, ele tem menos necessidade, logo menos criatividade, e ele vai ter mais medo de arriscar.
Aí a gente vai aqui para o brasileiro. Teoricamente, aqui tu vai encontrar um ou outro que vai enxergar que a situação dele já é muito ruim, que era o meu caso, minha situação já era muito ruim. Eu ia ter medo de arriscar o quê? Eu tinha que ter medo de ficar naquela situação que eu tava. Aquilo ali era medonho de um jeito que eu deveria ter pavor de ficar daquele jeito. E aí, qual é o problema do brasileiro? Ele se adapta e acredita na conversinha mole das garantias e dos direitos.
Aí que é cagada.
Aí começa aqui, que isso aqui é latino-americano. Sim, discurso é o discurso latino-americano dos seus direitos.
Você é o errado.
Exatamente.
Você é o vilão. Não, vilão não é o Estado.
Vilão é quem botou ele naquela situação.
Quer dizer, quem botou na situação foi o Estado. Exatamente.
E aí o que que acontece? Esse cara, quando ele acredita nesse bloco de pensamentos, ele vai mergulhar na mediocridade, na escassez e na mediocridade. Eu tô falando isso com muito respeito.
Então ele se acomoda, entendi.
Ele se adapta. Ele se acostuma. A adaptação funciona assim: o ser humano tem uma capacidade grande de se adaptar, e que bom, Por isso que a gente sobreviveu aí ao longo dos anos e se conforma, né? É conformar, é ganhar a mesma forma. Conforma, conformismo é ganhar a mesma forma. Mas o ponto aqui é o seguinte, o ponto é que as pessoas se adaptam. Então vou dar um exemplo, você vai, já viu aquele rio fedorento para caramba, poluído, super fedorento?
Sim, você passa perto, você não consegue mal respirar, cara. Tem gente que mora do lado do rio, já tá acostumado com o cheiro, porque o cérebro se adapta e a pessoa se acostuma com aquilo. As pessoas costumam se adaptarem ao inaceitável. Eu vou dar um exemplo forte aqui, mas a mulher apanha do marido, cara, tem que ir na polícia, cara, tem que ir lá na polícia e denunciar o cara. Mas ela pensa assim: não, ele é um bom homem, ele só me bateu 10 vezes só.
Ela se adapta àquela situação, ela conversa com ela mesma, o cérebro define, ela se sujeita Essa adaptação é quase— essa adaptação, por um lado, é bom para a gente conseguir sobreviver às situações difíceis, mas por outro lado ela é péssima porque a gente se conforma com situações que são inaceitáveis. O brasileiro vive uma síndrome da adaptação ao inaceitável. Você andar na rua com medo de ser roubado— são mais de 40 mil homicídios por ano—
você compra dois celulares, um para o ladrão, um para você, um para o outro.
Você se adapta assim. Entendeu? O Brasil tem a quantidade, a média de homicídios por 100 mil habitantes maior do que Israel. Israel tá em guerra, é maior do que a Rússia que tá em guerra. Sim, se bobear, eu vou falar aqui sem ter esses dois, eu tenho certeza, mas talvez seja maior que a Ucrânia, talvez seja maior que o Líbano.
E a gente fica pensando, cara, na Ucrânia os cara deve estar sofrendo, estão adaptados também, estão adaptados.
Mas aqui, aqui, cara, taxa de homicídio por 100 mil habitantes altíssima. Então o brasileiro, ele vem se tornando especialista em se adaptar ao que é inaceitável, não é? Eu saí do Brasil em 2002, não, desculpa, saí do Rio de Janeiro em 2002 porque para mim já tava inaceitável essa situação de violência. Fui morar em Curitiba, morei 7 anos lá, depois eu fui morar nos Estados Unidos. Então eu estou fora do Brasil desde 2009, sim, sim, sempre empreendendo no Brasil. Porque eu gosto de empreender no Brasil, eu gosto do brasileiro.
Qual que é a vantagem de empreender no Brasil? Porque muita gente vai sentar aqui—
eu tenho um curso de—
eu faço palestra, né, de criatividade e tal. Eu vejo que muita gente fala uma coisa que eu observo, né: o brasileiro, quando vai para fora, ele é um cara que se destaca muito, né? Porque ele pegou ferramentas absurdas aqui de criatividade e tal. De— tem adaptação, mas também tem o cara que saiu, e ele—
alguns saem, saem.
Que saiu. Então, se o cara saiu, se o cara saiu da Bahia, que é um lugar lindo, com uma praia maravilhosa, para ir para frio de Toronto, porra, esse maluco, ele tá com muito sangue nos olhos, ele vai fazer isso acontecer. Então essa é a grande vantagem do brasileiro, a criatividade.
Cara, eu gosto de trabalhar com brasileiro, acho brasileiro criativo, acho brasileiro guerreiro. E aqui a gente tem muita burocracia, tá bom, que é a parte ruim. Juros altíssimos, que é a parte ruim. Você tem aqui uma corrupção estatal absurda, que essa corrupção estatal impacta quem abre empresas, porque às vezes o empresário lá na ponta é extorquido por conta disso. E quando não é extorquido por conta de agentes públicos corruptos, ele é extorquido pela milícia, pelo tráfico de drogas, que vai pedir dinheiro para ele, para ele poder para ele, para poder dar alguma proteção para ele no local.
Essa é a realidade, esse é o mundo real do Brasil, esse é o inaceitável que a gente começou a se adaptar, não é? Agora, qual é a parte boa, cara? É um mercado pujante. Nós temos 218 milhões de habitantes, pelo menos aí cento e pouco, cento e poucos milhões de pessoas com vontade de consumir, com vontade de crescer, jovens com vontade de resolver a vida deles. Não é todo mundo que tá adaptado a essa mediocridade, não é todo mundo.
Você tem gente que quer romper, tem gente que quer sair, tem gente que quer crescer, e esse cara tá disposto a trabalhar. Então assim, o brasileiro trabalha quando ele quer crescer, ele tá disposto a trabalhar igual um camelo, tá? Isso tudo é muito positivo no Brasil.
Tem um lado do Flávio, eu vejo você muito a fim de fazer legado, cara, eu tô vendo aqui, né? Você é um cara, porra, legal para cacete, inclusive, porque a gente vai ver outros caras que vão ser chamados de bilionário, o cara ele tá meio escondido, o cara tá ali ganhando dinheiro dele, fazendo coisa. E você tem uma vontade, viveu da educação, né, provavelmente essa coisa de, porra, eu quero mudar a realidade do meu país. Eu acho que você conseguiu tanta coisa que você falou assim, cara, quer saber, eu quero mudar o Brasil através da iniciativa privada que seja.
Você bateu, obviamente essa pergunta você já respondeu, mas eu queria ouvir aqui, já vê essa vontade sua de ir para política? Flávio Augusto presidente, Flávio Augusto senador, porque dali você poderia fazer mudança, ou você acha que iniciativa privada é o lugar onde dá para fazer a mudança mais efetiva.
Cara, com toda franqueza, né, eu, eu abomino, eu acho, eu não quero entrar nesse submundo, entendeu, cara? Com todo respeito a quem tá me ouvindo, todo respeito ao submundo, com todo mundo que tá, eu sei que tem gente que acredita muito na política, Eu tenho 54 anos. De 4 em 4 anos, o político batia lá na periferia com a mesma balela, com a mesma conversa mole de sempre. Você volta lá hoje na periferia, é a mesma coisa, tá bem pior do que era antes.
A gente olha para o— você olha para o Brasil, a maneira como ele está estruturado, é o setor público estupra a população. E eu falo isso com muita dor no coração. Cara, eu não sou afetado por isso, eu tenho dinheiro, eu sou rico, mas o pobre da classe média é estuprado todos os dias e defende.
Mas eles criam um discurso para defender.
Eu não tenho a intenção de desfazer essa crença, mas você vai olhar lá o gasto público, cara, se eu não me engano, esse ano o Brasil vai ter mais de R$300 bilhões de déficit público. Ou seja, aí vai lá, o governo pega dinheiro emprestado, aí o juro vai lá para estratosfera, aí a galera fica cada vez mais pobre, não consegue pegar dinheiro, não consegue pegar porque o juro está lá em cima. Mas por quê? Porque os cara tão lá andando de jatinho e comendo lagosta, você entendeu?
Às custas da população. É essa a realidade. Isso não vai mudar, meu caro amigo, sinceramente.
Criando discurso para você, cidadão, defender eles.
Exatamente. Isso não vai mudar. Sabe por que que não vai mudar? Porque existe uma coisa chamada Constituição Federal de 1988 que sustenta isso do jeito que é. E se você quiser mudar isso, cara, vai preso 30 anos porque você tá querendo fazer golpe de Estado, você entendeu? Então vai poder mudar. E pior, e se ainda tiver um Congresso para mudar, tá arriscado ficar pior, porque toda essa regra do jogo visa beneficiar quem tá lá, quem tá lá em cima.
É assim, sempre foi assim. Pode entrar Direita, esquerda, centro, que for. E eu vou te falar, o presidente da República não manda nada.
Eu tenho a mesma tese. Para mim é uma empresa, é tipo assim, a Coca-Cola que tem a Fanta e tem a Sprite. Qual que você quer, Fanta ou Sprite? Eu sou a Coca-Cola.
Eu defendo, o cara é vitalício, meu irmão, ele tá lá em cima, ele é vitalício, tá lá 30 anos. Daqui ele não depende de voto, não depende de ser eleito, não depende de nada. O cara tá lá em cima, ou seja, ele olha um presidente, não é um inquilino provisório, esse cara tá aí Qualquer coisa, um peteleco, ele sai.
É um poder acima do poder acima do cara que dá figura de pro. Tem um cara que tá na figura ali.
Eu vou me meter no negócio desse? Não tem como. Isso aí é um caso perdido. Eu penso o seguinte: o Brasil não vai ser uma Suíça, ponto.
Ok, vamos botar isso na cabeça.
Mas também não vai ser uma Venezuela. Esse é um outro ponto.
Também não vai ser uma Venezuela.
Porque eu acho que a gente morou numa época Antes, quando Hugo Chávez estava preso, né?
Ah, tá. Você morou na Venezuela próspera?
Isso, antes dele ter destruído o país.
Então, vamos lá. A gente tá vivendo um momento que eu acho que tem duas classes, né? Vamos botar assim: uma de esperança, o Brasil vai ser a Suíça, e outra falando que o Brasil vai ser Venezuela. Já sei que o Brasil não vai ser a Suíça.
Sabe por que não vai ser a Suíça? Porque quem, o dono do país, não quer isso. Então nenhum presidente vai conseguir. Quem são os donos do país?
Por que o dono do país não quer isso?
Porque do jeito que tá, tá bom. Do jeito que tá, tá bom, cara. Irmão, olha, eu sou, eu ando de jato particular, eu moro em vários países, eu tenho dinheiro para isso. Sim, esses cara tem o mesmo padrão de vida que eu, só que eu consigo esse dinheiro, eu faço isso com meu dinheiro.
Claro, claro, claro.
Eles fazem isso com dinheiro da população. Sim, sim.
E você não quer perder esse padrão?
Esses cara tem vida de bilionário. Sim, esse cara tem vida de bilionário, anda de jatinho, fica nos melhores hotéis.
Às vezes eu tenho uma tese que também é interesse no mundo inteiro que o Brasil seja desse jeito? Porque dá a impressão que umas empresas que são muito corretas de outros lugares do mundo chegam no Brasil, lava dinheiro aqui, se aproveita da coisa toda. Ou tô meio enganado, cara? Aqui é meio fácil para fazer os cambalaches.
A real, real, cara, empresa grande não tem espaço para fazer cambalache, cara. Elas são auditadas, entendeu, cara? Aí, cara, óbvio, vai ter os banco master da vida, vai ter, vai ter pilantragem, pontos fora da curva. Você entendeu? Porque a não ser aqueles também que são sócios do esquema, os campeões nacionais, os caras que são sócios do esquema.
Você falou um negócio muito legal: o Brasil não vai ser uma Suíça e também não vai ser uma Venezuela.
Por que que não vai ser Venezuela? Porque o dono não quer.
Ok, o dono não quer que seja Suíça e não quer que seja Venezuela, cara.
O dono não quer, cara. Vai, vai, pode entrar o Lula, pode entrar um cara de extrema esquerda dizendo que eu vou plantar um comunismo aqui. Não tem como, ele não consegue.
Logo, o Brasil, ele é excelente para quem tá confortável no Brasil.
Então, o Brasil é isso aqui, não vai mudar. É, não mudou, não mudou, continua sendo e vai continuar sendo. Então, você é pessimista? Isso não é pessimismo, não, não, esse é realismo. Tá acontecendo. A hora que eu entendo que isso é um submundo, olha o que eu entendi: a primeira decisão que eu tomo é ficar distante disso. Aí eu nunca eu fiz negócio com o governo. Nunca fiz uma licitação. Não é errado fazer, não é ilegal. Eu quero distância, tá?
Pô, eu era dono de um clube de futebol nos Estados Unidos. Todo mês lá em Orlando chegava, tinha governador, prefeito querendo lá se reunir comigo do Brasil, vai lá visitar ambos, deixa eu conhecer o brasileiro dono do clube aqui. Nunca recebi ninguém, não recebo, tá? Não recebo, não é? Eu posto na minha rede social: não me mande propostas. Não me mande, não quero saber, não tem interesse em dinheiro público. Um centavo de dinheiro público nunca entrou nas minhas empresas.
Pô, maravilhoso, cara.
Agora, por quê? Porque eu quero, eu entendo que não é por esse caminho que eu vou resolver a minha vida. Outra coisa que você falou, que ele é só ajustar, eu não acho que eu vou mudar o Brasil. O Brasil não vai mudar porque não querem que mude. Eu quero ajudar a mudar a vida de quem quer mudar, tá bom? Aí, cara, é uma pessoa ou outra. E vai ser a minoria.
Você percebe isso?
Vai, porque a maioria foi catequizada para viver dentro desse modelo. Tem um outro revoltado, expulso, outro desajustado que vai ouvir a minha conversa e vai pensar: cara, esse cara tá falando comigo, eu não quero estar nesse esquema, eu não me encaixei nesse esquema, eu nunca me encaixei nele, e eu quero, pô, eu quero estar numa via paralela. O empreendedorismo, cara, para mim Foi a ação mais subversiva que eu conheci.
Exatamente, mas faz todo sentido. Eu tô fora porque você tá totalmente fora do sistema. É o Bitcoin, é o meu Bitcoin.
E prender para mim é o meu Bitcoin, prender o Bitcoin das coisas, cara.
Falando em time de futebol, que eu acho maravilhosa a tua saga com Orlando e tal, você não quer comprar o Botafogo?
É um pedido. O cara não gosta de problema, não quer problema, quer solução.
Você não quer esse maréia?
2008. Eu recebi todas as ofertas de SAF no Brasil, eu recebi. Mas de novo, cara, por que que eu entrei no futebol nos Estados Unidos e não entrei no Brasil? Porque nos Estados Unidos futebol é empresa, futebol é negócio. Eu era acionista da liga, eu era dono do Orlando e acionista da liga. Ou seja, eu era dono da CBF, entre aspas.
Sim, sim.
Eu era dono aqui, era acionista da CBF, eu era acionista da Liga, da Liga, entendeu? E era dono do Orlando.
Então, no Brasil, outros também eram a mesma coisa. Então todo mundo quer que a coisa cresça.
Então nós éramos todos sócios. No dia do jogo, por exemplo, jogava lá Orlando e Miami. Então eu era dono do Orlando, Becker era dono de Miami, cara. A gente jogava ali para ver quem ganhava. A gente inclusive ganhou muito mais deles do que eles de nós. Então o Beckham sempre foi freguês. Mas, por exemplo, de 4 em 4 meses a gente sentava para se reunir, sentava do lado dos donos do Miami.
Como melhorar a liga?
Nós éramos sócios.
A gente precisa que a liga melhore.
Ele precisa que o futebol— eu me sentia dono do futebol nos Estados Unidos. Então não era só dono do Orlando, era dono do futebol dos Estados Unidos, o maior esporte do mundo, no maior mercado do mundo, tá? Então ali era o meu trabalho.
No Brasil não pode ser assim.
Porque no Brasil futebol é política.
Fale mais.
É política. Um presidente de um clube tem que ser eleito, e aí ele vai fazer o que tem que fazer para ser eleito, ainda que seja endividar o clube. Como é, funciona como um país um clube de futebol no Brasil. Ah não, mas agora vamos criar SAF. Na SAF é uma coisa à parte. Você acredita na segurança jurídica no Brasil? Eu não acredito. Brasil até o passado é incerto.
Você acha então que o Textor ele fez uma possibilidade de SAF com pensamento de presidente de clube qualquer?
Não, eu não posso falar especificamente sobre o Textor porque eu não sei todos os detalhes, né?
Sim, mas basicamente foi uma SAF que endividou mais ainda o clube.
Então, mas é porque talvez ele acreditou que tava fazendo um bom negócio, entendeu? Eu não entrei, não entrei nenhuma SAF e nem pretendo entrar. Porque aqui não temos uma liga, aqui nós não temos uma liga, nós temos os clubes que funcionam nesse formato muito político, você entendeu?
Então esse, esse, eu, um é SAF, outro não é.
Então, exatamente. Então assim, vamos dar um exemplo aqui. Aí tu compra uma SAF de um clube X, aí esse clube X tem bilhões em dívidas. Não, mas a SAF é separado. Porque esse é o negócio, é o social, não é o social. Aí tem bilhões em dívidas trabalhistas, vai cair, né, cara? Uma hora um juiz vai dar uma canetada e vai passar tudo passagem.
É o mesmo, é o CNPJ, mas tem a lei, cara, mas a lei.
Aí o cara dá uma canetada lá, cria um precedente, cria jurisprudência, acabou. Isso é Brasil.
E por que que você parou lá?
Porque assim, lá é porque eu vendi, mas Porque tive 2,2 bilhões de motivos para parar.
Tá bom, mas quer dizer, você não botou à venda, chegaram e quiseram comprar?
Claro, mas eu tô sempre à venda.
Ah, vamos falar disso, isso é legal. Sempre à venda, porque agora que é o momento assim que eu olho assim, eu falo assim, pô, Messi chegou agora nos Estados Unidos, né? O negócio tá gigante.
Se o Flávio tem o contato do Beckham no celular dele, lógico que tem. Eu sou um grande fã do Beckham.
Você não vai mandar uma mensagem para o Beckham? Já dirigi o carro do cara, dá uma segurada. Manda beca. E aí, perdeu, mas beleza, ele não tava mais, ele não tava mais fora. Deve ter contato do Messi isso daqui. Mas enfim, porque agora a Liga Americana é a bola da vez, pô. O Messi foi para lá e tal.
Então, mas por isso que eu— você toda vez que você vende uma empresa, você vende futuro. Uma empresa vendida não é vendida no presente, ela é vendida no futuro. Então eu vendi em 2021 prevendo que a Copa de 2026 seria ponto de inflexão lá. Então você vende sempre essa perspectiva.
Qual foi o seu ganho nisso daí? Você comprou e vendeu? Como é que foi essa? Quantos, qual foi a sua liquidez no final dessa brincadeira?
Eu vendi por 2,12 bilhões.
E comprou por quanto?
Aí foi uma série de investimentos ao longo do tempo, né? Mas a minha entrada foi, também tem diferença de câmbio também, né?
Sim.
A minha entrada foi aí ao redor de R$240 milhões de reais para entrar. Meu Deus, Flávio! Mas depois mais alguns investimentos no meio para poder bancar. Caramba, Maurício, aprendi um pouco.
E dali tu tem uma vontade de voltar para futebol ou você fazer check?
Acho que já foi. Acho que já foi. Vamos nós, Maurício, comprar um time?
Vamos, Botafogo, tá ótimo. Promoção, pô, você tem 2 jogadores da Copa lá.
Acho que já foi, mas eu gosto, hoje eu tô muito trabalhando com com empresários, né? Hoje a minha, eu tenho duas ações hoje, né? Uma que eu trabalho com quem já é um pequeno empresário que fatura aí entre 10 a 100 milhões por ano. Até 100 milhões é considerado pequeno empresário de receita, reais, de reais, tá? Então assim, eu trabalho com um projeto de educação empresarial que ajuda esse empresário a crescer, a se desenvolver, acelerar ele, acelerar.
Esse é um braço. O outro braço eu pego o cara do zero, o que anda de ônibus, entendeu?
Que é o mais legal, que é o seu trabalho de educação.
Educação, faço cursos gratuitos, eu mesmo dou aula, eu mesmo sou professor.
Que eu mesmo quero falar para você que tá assistindo, você que tá numa situação assim, porra, tal, não sei o quê, esquece o 30 trabalhadores contra o bilionário, porque essa mentalidade dos trabalhadores é meio irritante um pouquinho também, porque põe todo mundo como vilão. Conheça o trabalho do Flávio, Flávio é um cara, porra, bem-intencionado, e você vai gostar. De assistir. Porque muita gente pensa assim, porra, eu ganho R$1.500 por mês, Flávio não é para mim.
Muita gente pensa isso, Flávio não vai me ajudar. Ao contrário, mas as pessoas pensam isso, né?
Porque eu acho que quem, as pessoas precisam ampliar sua visão.
Você não acha que o coach te atrapalhou?
Porque eu tenho uns coaches que aparece, todo mundo tem as mesas 24 horas, essas, não atrapalha não, cara, porque eu, eu vi vários movimentos, movimento de coach na internet, movimento de marketing digital. Eu vi todos esses movimentos, acho bom, acho positivo, não acho ruim, entendeu? Agora, eu acho que as pessoas precisam— o consumidor, ele vai amadurecendo e vai evoluindo e vai sabendo diferenciar quem é um guruzão de um cara que é de verdade, não é?
Porque tem gente, por exemplo, a história do coach, né, o cara que quer ficar rico ensinando as pessoas a ficarem ricas. Tipo, o cara escreve um livro assim, né, Como Ficar Milionário. Aí pretendo ficar milionário vendendo o livro Como Ficar Milionário. Então essa é a ideia do coach. E o público tá ficando esperto, ele vai percebendo quem é quem nessa história.
O dinheiro tá ficando escasso, você não vai botar o dinheiro em qualquer lugar.
Minhas empresas não dependem. Eu tenho 13 milhões de seguidores nas minhas redes todas, mas minhas empresas não dependem disso, né. Eu, eu, as minhas empresas no total vão faturar 2,4 bi esse no Brasil, as empresas no Brasil. E, cara, se eu contribuo aí com 0,5%, 0,1% no máximo na receita das minhas empresas com o trabalho que eu faço na internet, é no máximo isso.
E qual coisa que você gostaria de fazer, Flávio, que ainda não fez assim, que você tá assim, porra, eu queria tanto? Entendi a coisa da educação, mas eu tô com a seguinte meta, quero fazer um shopping, sei lá, uma coisa.
Eu quero, eu quero hoje meu foco foco é, são pessoas, cara. Meu foco hoje são pessoas. Então hoje, hoje a gente tá com uma plataforma de ensino gratuito que eu quero terminar esse ano com 1 milhão de alunos nessa plataforma.
Você tá com quantos?
Estamos com 92 mil alunos.
A gente começou agora na descrição desse vídeo, já começa. Se eu conseguir 1 milhão de coisas, eu viro sócio dele. Pô, mas imagina, por causa do vídeo ele tem 1 milhão de alunos.
A gente, a gente a gente vai terminar esse ano aí com 1 milhão de alunos ali. E a gente sabe que a gente vai jogar semente para 1 milhão de pessoas, vai ajudar, vai ensinar. Porque, cara, tudo passa, tudo passa, Maurício, do cara ampliar as referências dele, entendeu?
Claro que você falou, porque eu fui ampliando as minhas, entendeu?
Cara, eu lembro que eu morava no terceiro andar de um conjunto habitacional na periferia do Rio, no bairro chamado Bairro Jabur, e na frente da minha casa tinha um cara que tinha um Fusca, era um Fusca branco, Fuscão assim, sabe, rebaixado com rodão. Aí todo sábado ele ficava lavando aquele carro, ficava lambendo aquele carro o dia todo, né? Eu lembro que eu ficava na janela do meu carro olhando, falei, cara, um dia eu vou ter um Fusca, cara, vou ter esse carro aí.
Eu olhava para aquele carro, cara, a gente sonha dentro do quadrado que a gente tá, cara. E a gente precisa ampliar o nosso quadrado.
Mas é por isso que ditaduras existem, para você ficar no quadrado, para você ficar no seu quadrado, para você não ficar tentando abrir esse quadrado, porque aí você fica mais feliz até.
Tem vários tipos de ditaduras, né? Não tem só a ditadura governamental, tem a ditadura das ideias, mental.
Então você mesmo cria sua ditadura, que você fala: não, não vou, também não quero. O que acontece muito no Brasil é: também não quero ir até ali não, porque você viu que deu muito errado, então não vou até Quer ver uma ideia que aprisiona as pessoas?
Ela achar que para ser rico tem que ser pilantra.
Ah, isso é muito também, cara.
Eu fui pobre e sou rico. Conheci um monte de pobre pilantra, um monte de pobre pilantra, e conheço rico pilantra também. A pilantragem não tá no tamanho da carteira, tá na escolha que cada um faz, tá na humanidade isso.
Mas tem muita essa— maravilhoso que você falou, acho que é bom até trazer. Tem muito argumento que tem de discurso de que O cara só chegou a ser bilionário porque não dá para você chegar a ser bilionário sem você fazer coisas erradas. Aí, esse discurso, queria que você falasse um pouco sobre esse assunto, cara.
Baseado em quê a pessoa fala isso? Baseado em machismo, né?
É um machismo, machismo TV, machismo TV. Porque a pessoa fala assim, porra, se o, vamos lá, o máximo que dá para ganhar em um ano é R$200 mil, se eu fizer não sei o quê certinho, R$500 mil, como é que o cara chegou em R$1 bilhão? Com R$1 bilhão, pô, dava para E também tem aquela coisa do por que que você não ajuda a África, Flávio Augusto? Por que que você tem esse bilhão aí? Você comprou o jato, por que que você não ajuda a seca? Aí eu te pergunto, já tô te fazendo a pergunta.
Já quer que eu responda?
Eu quero, quero que você responda.
Ajuda aí, pelo amor de Deus. Um bilhão é muito dinheiro, né? É muito dinheiro. Mas você pegar e fizer a conta aí, né? Quantas, quanto é pago só de Bolsa Família no Brasil por ano? São dezenas de bilhões de reais são pagos em Bolsa Família. Você pega um bilhão, daqui a pouco o bilhão acabou, sumiu. Eu acho que a melhor maneira de dividir riqueza é dividindo conhecimento, não é dividindo dinheiro. E nem dividindo— você pode dar dinheiro.
Eu, por exemplo, eu dou bastante dinheiro. Sim, eu participo de vários projetos sociais, adoro projeto social. Você falou do meu sonho, eu ainda não cheguei a te responder, mas meu sonho é chegar um momento em que eu vou trabalhar só com projeto social. Ou seja, vou encerrar as minhas empresas todas e vou trabalhar só com projeto social. E quero aplicar o meu conhecimento para ajudar algumas pessoas. Não vou ajudar nem vou mudar o Brasil, sim, mas algumas pessoas.
E vai que uma pessoa consiga ajudar outra, e a coisa começa a se propagar. Mas a melhor maneira de você é dividir riqueza é dividindo conhecimento. Por quê? Porque você dá o dinheiro, o dinheiro acaba. Você dá comida, o cara come, depois tá com fome de novo. Sim. Então quando você divide conhecimento, aí não, a pessoa usa esse conhecimento para gerar riqueza. Eu vou te dar um exemplo: um médico, que geralmente o médico ganha acima da média, ele só ganha aquele dinheiro acima da média porque ele tem um conhecimento.
Conhecimento.
Ele fez medicina, ele se formou, ele fez residência, ele fez pós-graduação, e esse conhecimento ele consegue transformar em renda.
Sim.
Então quando eu divido conhecimento, eu tô dividindo riqueza.
É uma sementinha que tá abrindo.
Por isso que eu gosto de educação, que é o primeiro, né?
É o primeiro, é a primeira entrada para você ter a riqueza.
O conhecimento, você transforma conhecimento em riqueza. Eu fiquei rico porque eu adquiri vários conhecimentos e coloquei esses conhecimentos em prática, e coloco Tua saúde mental, como é que é? Tranquila? Não sou muito maluco não.
Mas você tem uma parada meio, tem umas ansiedades?
Tem, cara, nunca tive, cara. Eu tive um evento, um evento um pouco mais chatinho, né, que foi em 2005, que eu tive síndrome de pânico.
É ansiedade, né?
É um pico de ansiedade. Mas na realidade, cara, eu na época eu pensava, cara, mas tá tudo bem, meu casamento tá bom, minhas empresas estão bom, tô bombando. Mas é que eu já tava numa pegada Mas é a crise dos 40, Flávio. É ali, eu já tinha, não tinha 33 anos, 33, eu tinha 33. Mas aí sabe o que que era, cara? Eu dormia 4 horas por noite, né? Eu era muito, eu sou um cara que tem muita vontade de fazer as coisas, sabe? Eu tenho vontade de viver, eu tenho vontade de fazer.
Então assim, eu dormia muito pouco, cara. Aí essa conta chegou, então foi fisiológico. O que que eu consegui fazer? Eu organizei o meu sono, meu sono resolveu. Eu hoje durmo média 7, 8 horas por dia. Porra, bom, bom! Sem tomar remédio, sem melatonina, 7, 8 horas por dia. Não tomo nada, cara.
Dá aquela meditada?
Não, cara. Ainda fico usando, não deveria fazer, usando celular antes de dormir ainda. Não deveria, não deveria, cara. Eu durmo que é uma beleza. Pô, que bom! Mas assim, quando eu disciplinei meu sono, cara, eu regulei essa parada. Legal. Então assim, esse foi o único evento que eu tive. E eu lembro inclusive que eu fui, eu tive um evento de síndrome do pânico, foi assim, tava numa reunião com dois diretores, e aí no meio do almoço meu coração, caraca, meu, tô tendo um treco!
Caraca, e abrir assim, tô tendo um treco, cara! Aí, que que é isso, cara? Vamos para o hospital, vamos para o hospital! Aí vamos para o hospital, os dois diretores me levantam para o hospital. E aí eu entrei no hospital assim, cara, parece uma grávida parindo, porque o cara: o médico, o médico! Cara, o cara me pegaram, botaram numa maca, botaram aqui, papapá. E aí fiquei ali, daí botaram, me injetaram uma paradinha lá que acho que era um calmantezinho.
Quando foi 2 horas depois, chegou um médico: e aí, como é que você tá? Não, cara, tô melhor. Mas doutor, o que que aconteceu? Tô tendo alguma coisa? Não, cara, você não tá tendo nada. Sim, nada. Cara, você não tem nada. Teus exames todos aqui é nada. Aí ele falou, mas como é que eu tô ficando maluco? Não, você não tá maluco, cara. Você tá, como é que você tá? Tá trabalhando muito? Tá se aborrecendo com alguma coisa? Aí ele falou assim, cara, o que você tá tendo deve ser um síndrome de pânico.
Isso, cara, não tem motivo. Aí, cara, eu fui no neurologista. Aí eu perguntei assim para ele, cara, alguém alguma vez já morreu de síndrome de pânico? Não, cara. Então não tá acontecendo nada? Ele, não, nada. Eu, tá bom. Aí eu resolvi fazer um tratamento, que foi um tratamento que eu inventei ali, né? Eu invento essas coisas, cara. Vou dormir, vou, não vou mais fazer reunião no almoço. Deu uma assim, uma, um período assim, sabe?
Vou reorganizar, cortar café, porque café me acelera para caramba. Vou cortar café. Aí deu uma acalmadinha, aí foi quando eu fui morar na Austrália, que aí aproveitei.
Acho que melhora.
Não, aí eu fiquei melhor, aí eu fiquei melhor, aí nunca mais tive nada.
Pô, Flávio, eu queria, eu queria muito agradecer, cara. Assim, foi demais esse papo. Eu quero mais uma vez fazer um convite para as pessoas conhecerem melhor a tua obra. Eu acho que você é um cara fantástico, sou seu fã de verdade, mesmo assim, de acompanhar, ver vejo muito as coisas e eu espero que você tenha mais pessoas que você consiga transformar e fazer de alguma maneira que a mentalidade brasileira evolua. Flávio, obrigado mais uma vez.
Prazer, prazerzaço. Agradeço a Insider por esse episódio maravilhoso. E o Matheus vai pegar seu carro agora, vai pegar o carro, já deixa exatamente com ar-condicionado no 17. Tá certo então.
Valeu, Matheus. Obrigado, Magno. Obrigado, Luiz.
Obrigado, gente.
Um abraço, hein?
Valeu, tchau, tchau.
Insider
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