ESSE É O TRABALHO MAIS PERIGOSO DO BRASIL? CUIDEI DE COBRAS HOJE! | #VIDAREAL #28
Hoje o Tavião foi conhecer os bastidores de um dos centros de pesquisa mais importantes: o Instituto Butantan. 🐍🧪Como é feita a alimentação assistida em serpentes debilitadas? Poucos sabem como é o dia a dia de quem trabalha diretamente com o manejo de animais peçonhentos e exóticos, então começamos desde o cuidado com jabutis e iguanas até procedimentos mais tensos, como tirar sangue de uma cascavel e entrar no recinto de sucuris gigantes.Bora sair do estúdio e ir pra prática no ACHISMOS NA #VIDAREAL :)TAVIÃO @taviaohttps://www.instagram.com/taviao/
INSTITUTO BUTANTANhttps://butantan.gov.br/https://www.instagram.com/ButantanOficial/Conheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
- Recinto das SucurisSucuris · Troca de pele · Píton · Joana · João Barradas
- Laboratório de Anatomia e HerpetologiaCriadouro científico · Esqueleto de cascavel · Tirar sangue de cascavel
- Animais e NaturezaJabutis · Tigre-d'água · Tartarugas mordedoras
- Alimentação Forçada de SerpentesRação para serpentes · Sonda de alimentação · Regurgitação
- RPG de VárzeaLagarto-teiu · O mistério de Rodrigo Branco · Focinho preto
- Serpentes sem Escamas e HíbridasCobras-do-milho · Pantherophis sem escamas · Híbrido de serpente
- Iguanas BrasileirasIguana · Druida
Isso aqui é uma pele de cobra. Eu sou o Otávio e hoje eu vou te mostrar como é o trabalho aqui no Instituto Butantan na vida real. Cheirinho de tilápia.
É um macho.
É um macho?
Tá vendo que é uma unha mais... Ó!
Nossa! Olha o tamanho desse negócio, mano. Ó o Godzilla aí.
Realmente uma mordida desse animal arranca uma mão.
Eu tô realmente desconfortável.
Cara, você viu o quanto ela é forte.
4 metros e meio é o tamanho máximo que chega uma sucuri?
Não, não, é o tamanho de uma das nossas animais.
E a gente vai entrar aqui? Vai. Entendi. Qual o tamanho máximo de um bicho desses?
Ela pode chegar até 12, 10, as fêmeas.
12?
É, 12.
Instituto Butantan você provavelmente já conhece, talvez você tenha vindo aqui numa excursão de escola quando você era moleque, ou pelo menos já viu em alguma reportagem de televisão, também pudera. É um dos centros de pesquisa mais importantes do Brasil, mas tem uma parte aqui que é nova e que poucas pessoas conhecem ainda, onde rolam coisas sensacionais, que é o que eu vou te mostrar hoje. E minha guia hoje será a Cris, pesquisadora aqui do Butantã, do LEVE na verdade. LEVE significa o quê, Cris?
Laboratório de Ecologia e Evolução.
Muito chique. E quando a gente pensa em Butantã, Em geral a gente pensa em cobra, mas tem outros animais aqui?
Tem, tem muitos outros animais aqui.
Muitos, e um dos meus favoritos aqui que são tartarugas, é isso, Cris?
Isso, a gente tem aqui os jabutis, né, que são tartarugas terrestres.
Caramba, esse aqui é gigantesco!
Esse é grande.
Tem nome?
Não, alguns têm nome porque vieram com nomes, né, mas a marcação deles, a gente identifica os animais por microchip.
Então esse aqui eu vou chamar de Emídio. E aí, Cris, esse aqui é um jabuti.
É um jabuti.
Qual que é a diferença para o cágado?
Ah, então esse é exclusivamente terrestre, mas a gente tem vários registros, inclusive eles adoram tomar banho, eles entram na água, nadam muito bem. Muitas vezes a gente se surpreende da capacidade com esse peso, né, do animal sair nadando aqui no nosso, nos nossos lagos.
E esse aqui tá parecendo um cachorro, que ele tá vindo em cima, parece que ele quer carinho.
Esses jabutis, eles são bastante acostumados Porque muitos vieram já de algumas famílias, por isso eles foram entregues voluntariamente aqui para o Butantã. Então eles estão acostumados com esse convívio humano, alguns vêm atrás da gente, gostam de carinho. Então a gente acaba interagindo bastante com eles.
Répteis são capazes de ter afeto, de ser um bichinho de estimação?
Com certeza, todos os animais, eles são animais sencientes, capazes de ter sentimentos, de sentir emoções. Tanto positivas como negativas. Esses sinais, eles são muito difíceis da gente conseguir identificar. Então a gente precisa realmente conhecer a biologia da espécie, conhecer as características do animal, e muitas vezes também conhecer a personalidade. Esses animais têm personalidade assim como nós.
Posso pegar na mão?
Pode. Esses animais, quando você vai pegar, você tem que sempre tomar cuidado, né? Eles não têm, na verdade, o movimento tão acentuado do pescoço, da cabeça, para te morder. Mas a gente, por questões de segurança, sempre pega na parte um pouco mais traseira. E tem algumas particularidades: a gente pode sexar esses animais depois de uma certa idade olhando que essa parte nós chamamos de carapaça e essa parte nós chamamos de plastrão.
Então a gente olha a curvatura, né? Essa curvatura, quando o animal é muito curvo, ele é um macho. Por que que ele é um macho? Porque ele precisa encaixar essa curvatura na fêmea quando ele for fazer a monta para reprodução.
Esse é um macho então?
Tem uma outra razão também. Esses são animais que colocam ovos. Então vamos imaginar que aqui é o plastrão e aqui a carapaça.
Sim.
Se a fêmea fosse curva, não haveria espaço nessa cavidade celomática para se guardar os ovos. Então ela precisa de espaço. Logo, a fêmea é retinha e o macho é curvo.
Olha a diferença aqui, ó. Ah, é muito mais côncavo.
É muito mais.
Ó, esse aqui é o côncavo e o convexo explicado entre tartarugas. Entendi. Posso ver se o Emídio é macho ou fêmea?
Vamos lá.
Deixa eu tentar levantar ele. Caramba, ele deve ser pesado.
É um macho, é um macho.
Aê, Mídia! E Cris, tinha uma coisa quando era moleque, eu fui criança asmática e tinha essa simpatia, essa não sei, né, uma crendice de que você tendo um bicho desse aqui curava a asma da criança. Não cura não. De onde será que veio isso?
Não sei de onde veio essa história. E tinha também a época que tinha que tomar sangue de jabuti. Eu já ouvi isso, tinha sangue de jabuti que melhorava também essas questões respiratórias.
Mas não, isso acho que o trabalho de vocês é muito importante para desmistificar essas coisas, porque minha mãe comprou um casal de tartaruga para eu ter em casa para tentar curar a minha asma. E tem um outro aqui que eu sei que as pessoas compram muito de bichinho de estimação, que é esse tigre-d'água. É tigre-d'água?
Sim, sim, tigre-d'água, que ele fica gigante quando a gente vê, né?
Às vezes ela é pequenininha e tal, Mas elas crescem muito, né?
Esses animais já são diferentes, eles são exóticos, né? Aí esse também, a sexagem desse animal já é diferente. Esse já é um animal aquático, eles saem da água para tomar sol, para se termorregular, exatamente quando para ficar no sol, para aquecer a temperatura corporal. Então em dias de muito frio no inverno, por exemplo, diminui muito a taxa de alimentação deles. A gente vê que sobra comida. Tomorrow morning is knocking. Stock your fridge now.
How about a creamy mocha frappuccino drink? Or a sweet vanilla? Smooth caramel, maybe? Or a white chocolate mocha? Whichever you choose, delicious coffee awaits. Find Starbucks frappuccino drinks wherever you buy your groceries. É porque o metabolismo caiu.
Sim.
Mas por exemplo, a sexagem desses animais é diferente dos jabutis.
Não tem a ver.
Aqui o plastrão deles vai ser sempre reto.
Tá.
Como é que a gente diferencia o macho da fêmea? Aí a gente pode ver tamanho das unhas. Unhas. Os machos têm unhas maiores porque na hora da cópula ele precisa já agarrar um pouco a fêmea.
O tamanho das unhas da frente, tô vendo que ela tá me arranhando bem, ó.
Tá vendo que é uma unha mais, ó, nossa, mais comprida, né? E a caudinha dele aqui atrás ela é maior. Por quê? Porque o macho na hora que ele monta ele precisa fazer a curvatura para introduzir a caudinha dentro da fêmea.
Ele transa com o rabo?
É porque na verdade esses animais eles não têm, eles têm a cloaca, e na saída da cloaca a gente tem toda a parte geniturinária e reprodutiva. Então sai tudo ali, né, a parte produtiva, a parte de intestino, sai tudo pelo mesmo orifício.
Mas falando em animal exótico, tem uma outra tartaruga aqui que eu acho sensacional, que a gente vai mostrar agora. É isso, mas não é você que pega ela.
É isso?
Não, não, não.
Aí, olha o tamanho desse negócio, mano! Ó o Godzilla aí!
Essa aqui é a Sofia. Sofia também foi um animal que chegou de doação aqui para nós. É uma tartaruga mordedora.
Isso não é do Brasil?
Não, não é do Brasil. E essas são são, é uma espécie extremamente agressiva, tá? Mas é sempre tomar todas as precauções durante a contenção, sempre tá todo mundo muito atento, muito cuidado, porque realmente uma mordida desse animal arranca uma mão.
Eu já vi vídeos na internet, realmente ele tipo come um pedaço de pau, uma abóbora, e parece realmente um dinossauro. Olha o rabo dela, cara, que coisa ali que tem! Olha os olhos desse bicho, cara. Ela tá indo te comer aí, Emílio. Ela tá fazendo esse barulho. Tartaruga faz barulho?
Ela tá brava.
Ah, ela tá irritada. Ela não quer falar com a gente em vídeo. Ah, ela tá indo na toquinha.
Essas tocas, elas têm pedras aquecidas.
Ah, por isso que ela tá—
por isso que eu te falei, né? Com dias muito frios, os animais precisam se aquecer. Então eles buscam aquecimento, eles vão nas pedras aquecidas, e esse aquecimento faz um aquecimento movimento corporal deles.
Ó, que sensacional! Chega aí, Luiz. Essa aqui chama como? Não, mas o nome dela, essa não tem nome? Então é Emídia. Pode vir mais perto aqui. Olha a boca dela, bicho! Cris, isso aqui, se eu botar o dedo ali, eu perco o dedo.
Já era seu dedo.
Porém, apesar desse bicho aqui ser intimidador, tem um outro bicho que eu tenho muito mais medo, que é o que a gente vai ver agora.
Então esse aqui é um lagarto-teiu, né? É o que você tem medo lá.
Mas como que alguém não vai ter medo disso, cara? E daí, Luiz, você tava falando que você já tomou mordida desse bicho?
Já, já, na hora de limpar o recinto. Muito deles, a gente tem que fazer contenção. Nós tínhamos um que era Focinho Preto, nome dele. Tipo, só eu e Gustavo que mexia com ele, né, que ele era muito rápido no bote. Quando você vai fazer, eles têm que fazer contenção, tem que pegar na cabeça, na parte inferior do corpo dele, e tem que ser rápido.
E ele tá abrindo a boca assim porque ele tá agressivo ou não? Não, não é.
Respondeu sua pergunta?
Tiramos ele do aquecimento dele, né? Ele tava no aquecimento dormindo, tá bem nervoso. Ele é o mais comum que tem, né, o sapato-meriano.
E essa língua toda aí, ele tá tipo identificando informações do ambiente, mais do que com a visão, tanto quanto com a visão. Mas esse é praticamente o olfato dele. A língua é o olfato do animal, então ela capta informações químicas do ambiente e ele interpreta O que que tá acontecendo?
E esse, eu tô realmente desconfortável de estar perto desse. Apesar dele ser um bicho muito esquisito, ele não é exótico porque ele é brasileiro. Inclusive tem vários lugares do Brasil, né?
A gente tem vários inclusive andando aqui pelo Butantã.
E aí, para uma pessoa como eu que tem pavor de um bicho desse e que encontra, é importante a gente saber qual é a importância desse animal. Para que que os Para que que Deus criou um teiú, Cris?
Todos os animais têm uma importância nos nichos ecológicos que eles estão, né? Todos os animais são responsáveis dentro, se eles tiverem, se a gente tiver uma população controlada dentro da cadeia alimentar a qual ele pertence, ele tem uma importância fundamental para controle de outros animais, porque ele vai se alimentar, para manter o equilíbrio do ambiente. Come roedor, sim. Então acaba sendo realmente um equilíbrio ter esses animais. Qualquer animal tem.
Ele não tem dente?
Não tem dente. Aliás, eles têm pequenos dentes, né? Mas esses dentes não têm a função de mastigação como tem dos mamíferos, por exemplo. Então são pequenos vestígios que servem aí para apreensão do alimento e já engole o alimento inteiro, diferente da tartaruga que não tem dente nenhum.
E tem nome esse?
Esse é o focinho-branco.
Focinho-branco.
E tinha o irmão dele que era o focinho preto, que foi o que mordeu, que era o terrível.
E esse, o focinho preto, ele tá em algum lugar ou eles já passaram ele?
Foi para outro lugar, foi para o zoológico.
Entendi, foi para outro lugar, né? Levaram ele para as ideias e foi para outro lugar. Mas, Cris, vamos guardar aqui o focinho branco e vamos ver um outro bichinho. Eu me sinto entrando aqui na jaula dos velociraptor do Jéssico do parque, ó. Vamos, posso entrar aqui, Cris? Licença aqui.
Elas ficam bufombando.
Esse aqui é iguana, Cris?
Esse é iguana, esse é um animal brasileiro nativo.
Ah, iguana é brasileiro? É, eu achei que isso aqui era tudo Caribe, um negócio.
Não, essa iguana é nossa.
Por isso que ela é mais escura? Aquela mais verdinha assim?
Isso depende do animal, depende da alimentação, depende do manejo. Ela também se camufla.
É igual camaleão?
Não, não é igual camaleão, mas ela tem essa capacidade. Tem dias que a gente olha a iguana, ela tá uma tonalidade super bonita, bem mais verde do que marrom.
Cara, como que vocês lidam, vocês, né, que trabalham com isso, com essas modas? Às vezes é tartaruga, às vezes é iguana, às vezes é a cobra-do-milho.
Por isso que cada vez mais esse manejo de fauna, ele precisa sempre ser discutido, mesmo as questões políticas, as legislações, com as pessoas, com os técnicos que são da área, até para entender sobre o que que tá sendo decidido com animais que são tão particulares, demandam de um manejo tão específico. As pessoas vêm nesse modismo de, ah, eu quero ter, quero ter, e de repente não é o que elas esperavam. O animal vai exigir um manejo tão diferente do que um que tá acostumado com cão, com gato e cai aquele desencanto da família e descarta como se fosse um objeto, né? Isso é totalmente errado.
Essa aqui você pega na mão ou não?
A gente pode pegar, Luiz pode pegar. Quer pegar?
Já jogou para o Luiz. Bora lá, Luiz!
Esse é o Druida, é delícia. Druida, ele é doce, ele é bem doce.
É mesmo?
Ele arranha um pouquinho que ele tem as unhas, né?
Nossa, a unha dele é grande!
Foi um animal que veio de doação para a gente também. Ele tá, eu acho que uns 4 anos com a gente. Nossa, ele é super de boa, eu gosto dele, né, cara?
E é bonito mesmo esse bicho. Eu consigo entender a pessoa que acha legal um animal desse, mas, cara, para ter na tua casa, em cima do teu sofá, vendo a Copa do Mundo ali contigo, não é o ideal, né?
É um animal silvestre.
E esse não morde?
Não, não. Você pode segurar também se quiser.
Tô suave, tô tranquilo. Vou deixar o druida com você aí. Esse passou o rabo em mim. A iguana dá para dar uma folhinha, alguma coisa para ela?
Alimentação dela é especificamente folha, né? Folha e fruta.
É vegetariana?
Essa já não come nenhuma proteína animal.
Ela não é carnívora.
Na minha cabeça também comia aí uns peixes.
Diferente do teu, né? O teu ele é bem carnívoro.
Isso aqui é muito maneiro, mas é importante a gente falar também que apesar de todos esses animais aqui serem sim doações, O Butantã não recebe mais nenhuma doação. Então, se você tem um animalzinho como esse, não adianta tentar trazer pra cá, porque eles já estão com a casa cheia, assim como eu estou com as mãos cheias. Porém, Butantã não é só essa parte aqui meio zoológico, também é uma parte meio laboratório que a gente vai conhecer agora.
Agora a gente tá nesse lugar meio laboratório de Dexter. O que que é isso aqui, Cris?
Então agora a gente mudou de prédio, a gente tá no nosso criadouro científico. Essa sala é uma sala de anatomia, aonde a gente tem animais que morreram por alguma razão ao longo da história do laboratório e elas são utilizadas para fins didáticos.
Que isso aqui vocês às vezes abrem esses potes e a galera estuda?
Sim, a gente tira esses animais, coloca nas bancadas para demonstração de anatomia.
E falando em anatomia, a gente tem aqui um esqueleto verdadeiro de cobra?
Um esqueleto verdadeiro de uma cascavel, que é um animal que morreu, e o pessoal aqui do educativo fez toda essa preparação para que realmente os visitantes possam, através dessas janelas, conhecer toda a estrutura óssea. Aí você vai falar assim, esse aqui é o guiso da cascavel. Algumas pessoas perguntam, ai, por que que tá pintado? A gente tá vendo que tem um vermelhinho aqui, passou um esmalte. Exatamente, porque para esses animais eles rodizam o nosso serpentário que fica lá no Butantã.
E para diferenciar os animais, às vezes é difícil a gente chegar com o leitor de microchip. Então a gente percebe a diferença pela coloração do guiso.
Ah, ela tá totalmente durinha.
Depois eu arrumo um chocalho para você chacoalhar.
Mas olha os dentinhos!
A gente vai pegar uma cascavel para tirar sangue e você vai ver o chocalho.
Tirar sangue de uma cascavel? O dia só tá melhorando. Aqui a gente tá com esse cheirinho de lugar de fazer exame de sangue porque vamos fazer um exame de sangue. Esse é o Mateus e o Mateus trouxe aqui o Mercado Livre diferente para gente, uma entrega.
O Mateus trouxe uma Cascavel. Agora ele é o responsável por fazer a contenção, manejo de contenção, que tem que ser uma pessoa especializada para fazer isso, que é com muita responsabilidade, com muito critério. É um animal peçonhento. Ele vai fazer, a gente vai acompanhar de longe, e a partir do momento que a cobra estiver segura, aí sim a gente entra em ação para fazer os exames que são necessários.
E o que que é um check-up geral que a gente tá fazendo? O que que você vê num exame de sangue de uma cobra?
Nós vemos os parâmetros igual os nossos exames de sangue, né? Quando a gente vai no laboratório, a gente vê os mesmos parâmetros. Exatamente, vários né, vários valores. Para muitos animais ainda não existem referências. Então essa é uma grande, assim, vantagem hoje da gente ter um plantel bastante grande, rico em diversidade de espécies, porque nós estamos também fazendo isso. Como a gente faz exames de rotina, a gente vai possibilitar criar padrões para alguns animais que ainda não existem.
Então, sei lá, você não sabe qual que é o normal do colesterol de uma cascavel, por exemplo?
Tem alguns valores, Mas para muitas espécies não.
Cara, que bicho bonito, né?
Pode tocar?
Pode?
Pode. Percebe que as características da escama ventral são diferentes, né, das escamas? Tá vendo como o animal sente? Sim. Perguntou se eles têm sentimento. Tem sentimento. Olha, uma vez que a gente toca, o animal tá sentindo um toque. Isso é um estímulo que a gente tá fazendo.
E, cara, você viu o quanto ela é forte?
Sim, o quanto ela é forte nisso.
Eu elogiando aqui ela e ela me dá esse— eu vou ficar só olhando agora.
Eu vou só pegar uma luva, a gente vai pegar uma luva.
Ótimo. As luvas são o meu maior inimigo em todos os episódios. Normal as pessoas terem medo, porque ela só vê isso aqui ou no filme ou numa situação onde ela não tem controle nenhum. Mas acho que vocês explicando isso dá para ver que a cobra ela não tem maldade, ela prefere até desenvolver evolutivamente um recurso avisar você para ir embora antes dela te morder.
Tirar sangue de serpente é sempre um desafio. Vamos ver se eu vou estar com uma mira boa.
Essa é uma dúvida minha. Vamos ver a cor que é o sangue de uma cobra. Ixi, tá doendo, amigo.
Perdão.
É vermelho? Eu achei que era azul.
Por quê?
Na minha cabeça era verde, azul, sei lá. Tem sangue igual o nosso.
Aí a gente tira, a gente observa aqui se não sangrou, tá tudo Tudo bem, perfeito. Tá vendo?
Ela não deixou roxo igual da última vez que eu fui na Fleury.
A gente vai fazer o quê? A gente vai pegar essa amostra.
Ah, você já vai botar?
Já, já. A gente vai fazer uma avaliação, uma glicemia do animal. A gente coloca aqui, eu vou colocar uma gotinha aqui. Caramba, 41!
Isso é bom, é ruim?
Para cascavel tudo vai depender agora do que a gente vê, se ela comeu recentemente, se se ela não comeu. A gente começa a fazer uma comparação com todo o histórico dela, né?
Uma cobra pode ter diabetes?
Pode. Os animais podem ter tudo, tudo muito parecido com a gente. Claro que tem algumas características, algumas particularidades, e muitas doenças a gente também às vezes não conhece porque existem poucas informações sobre muitas espécies silvestres. Isso é importante a gente fazer controle, raio-X, ultrassom, fazer rotina nos animais.
Porque às vezes a gente não para pra pensar que os animais acabam tendo meio que as mesmas doenças que a gente, de formas diferentes, com particularidades diferentes, porque anatomicamente, fisiologicamente tem diferenças, mas a doença em si— Aqui tiramos, agora vamos dar. Vamos mostrar como que é alimentar uma cobra, só que uma cobra que vai ser alimentada forçosamente.
É, vamos dizer assim, sim.
Mas vai ser pro bem dela. E aí, Cris, a gente vai alimentar ela. Esse aqui você tava me mostrando, esse aqui você já preparou o papá dela?
Isso aqui é uma ração para serpentes, a gente faz um preparado, vou puxar na seringa, vou passar uma sonda e vou colocar esse alimento dentro do estômago dela.
Isso a gente faz quando o animalzinho tá o quê, fragilizado?
Quando os animais estão longos períodos sem se alimentar, que já existe aí um sinal de perda de peso, redução do score corporal.
Engraçado, tem cheiro de ração de peixe mesmo. É bom, deve ser meio parecido, né? Por favor, Cris. É uma seringona, é uma seringona.
É importante tudo bem redondinho, sem machucar. E aí já preparei, a hora que a gente colocar, a comida vai sair por esses furinhos laterais aqui, tá? Então a Bruna vai fazer a abertura da boca.
Olha, dá para ver os dentinhos dela.
Então a gente tem que tomar cuidado, a traqueia tá aqui guardadinha, e a gente vai colocar na boca dela, introduz essa sonda e faz alimentação.
Aí você vai sentir nela aqui, ó, passando aqui, ó.
Ah, você sente ela?
Ela tá descendo aqui, ó.
A gente coloca um pouquinho e deixa ela degustar.
Aí eles vão segurar um pouco para comida descer e não tem risco dela regurgitar.
Cara, todo um carinho, todo um cuidado, realmente uma coisa meticulosa.
Sim, faz uma uma massagem para comida descer mesmo e para animal não regurgitar, porque se houver um regurgito ela pode aspirar e entrar na traqueia e a gente não quer. Isso pode complicar o quadro. Pronto.
E vocês fazem isso com dezenas, centenas de animais aqui?
Aqui no leve a gente tem em torno de quase 300 serpentes. Então o plantel, esse número varia um pouquinho.
Você tava me contando, Matheus, que esse aqui é um um animal misto, não sei qual é a palavra, porque ele é um cruzamento. Exatamente, esse animal, ele no caso, ele não é uma, ele é um híbrido, não é um puro-sangue. É, não sei se a gente poderia classificar assim, né? Acho que não exatamente dessa forma, né?
Mas na verdade ele foi cruzamento de duas espécies diferentes, né?
Então ele sofre uma hibridização. Alguns animais, por exemplo, as epícras, elas às vezes podem acabar sofrendo isso, né?
Essa identificação. Sim, não tem nenhum impacto negativo para o animal, mas ele não é um animal, vamos dizer assim, de uma espécie específica, né?
Vamos dizer assim, tem algumas modificações que eu fiquei sabendo que são feitas quase que para serem estéticas, que é o que a gente vai te mostrar agora. Bom, estou aqui entre a Cruz e a Caldeirilha com Duas cobras que são da mesma espécie, é isso?
Sim.
Só que elas são bem diferentes.
Por quê? Ambas são Pantherophis, cobras-do-milho.
Tá.
Só que essa daqui é uma Pantherophis sem escamas, né? Ou parcialmente sem escamas, porque na parte ventral dela a gente vê as escamas, né? Ela não tem escamas na parte dorsal.
E aí essa aqui a gente vê totalmente diferente. Sim, essa cobra-do-milho também é uma que algumas pessoas têm como bichinho de estimação, né?
Sim, sim.
Essa variação sem escama, ela foi criada para isso, para ser, ou foi uma coisa que aconteceu?
Genética. O fato de não ter escamas acaba tendo essa textura mais aveludada, sim, que ao toque é bem gostoso, é gostoso, mas tem as implicações negativas pro animal. É como se o animal ficasse menos protegido. A escama tem um papel importante de proteção e esse animal acaba realmente ficando um pouco mais vulnerável. Me confirma aí, Bruna. Sim, é que eu tô concentrada nela aqui.
Você tá super preocupada com essa cobra desde que você chegou aqui. Você já levou muita picada?
Já, mas é de boa.
Eu trabalho com bicho maior.
E aí esses aqui que vocês estão segurando São animais que eu poderia pôr a mão porque faz parte de um programa de vocês aqui que é de aproximação das pessoas com—
Sim, aqui no Laboratório de Ecologia e Evolução nós temos a atividade Mão na Cobra e Outros Bichos. É uma atividade que acontece semanalmente, tá, com agendamento, tá. As pessoas elas entram no site, fazem o agendamento, passam por uma visita monitorada pelos educadores, pelos apresentada pelos educadores. E depois dessa atividade, elas vão partir para o momento tão esperado, que é segurar uma serpente. E o objetivo é exatamente esse: sensibilizar as pessoas de que são seres importantes, magníficos, e que a gente tem que respeitar qualquer outra forma de vida.
Claro, eu acho até curioso, porque assim, na minha cabeça, ter medo desses animais pode ser bom. Para pessoa não se aproximar. Sim, porém tem o lado negativo que daí quando ela encontra ela tenta matar, né?
E aí que é o grande problema.
É, com essas aqui que são pequenininhas eu até consigo entender, mas agora a gente vai mostrar umas que, como ela falou, são bem maiores. Bom, agora a gente vai conhecer o recinto das sucuris, onde tem cobras, serpentes, não sei como se fala, desse tamanho aqui, ó. É, 4 metros e meio é o tamanho máximo que chega uma sucuri?
Não, não, é o tamanho de uma das nossas animais que tá aqui dentro.
E a gente vai entrar aqui?
Vai.
Entendi. A gente vai entrar e falaram que elas estão ouriçadas porque elas estão com fome. Ótimo saber, né?
Então esse aqui é o recinto das sucuris, é o espaço das sucuris. Nós temos 3 animais aqui dentro. A Bruna já entrou, já localizou os animais, que isso é muito importante.
Ali tem uma, duas.
Eu tô me sentindo num documentário da Discovery aqui, ó.
Vem comigo!
Nossa, eu achei que essa aqui era pequena vendo de longe, ela é enorme! Bruna, qual que é o tamanho dessa cobra aqui que é a menor que vocês têm?
Que eu lembre, ela tem quase 2 metros, tem um e pouquinho assim, quase 2 metros, né? Mais, com certeza.
Então vamos tentar tirar ela da água. Juninho, ela é enorme! Cristo Pai, ela não tá muito a fim de sair da água não. E pode, ela é toda molona. Nossa, cara, é muito grande esse bicho! Ah, e ali, Bruna, que você tava me contando, é a pele velha saindo para ele poder crescer, é isso?
Eles estão fazendo muda a cada 15 dias, mais ou menos. Eles saíram de um recinto que era fechado, e aí agora eles estão nesse recinto que é todo adaptado. Então a gente tem Temperatura da água controlada, umidade. A gente tem chuva artificial, sim, a gente tem todo um controle para deixar essa umidade alta com a temperatura também, já que é um bicho de região pantaneira, né, e precisa de altas temperaturas também para metabolizar o alimento.
Para ela crescer, ela precisa perder a pele antiga para poder formar a nova, é isso?
Eles liberam, eles fazem um processo enzimático onde ela libera a primeira parte da camada de pele, libera enzimas para separar essas duas camadas. Depois ela amadurece a pele de baixo. Quando essa pele de baixo tá toda amadurecida, que ela libera a pele nova.
Essas aqui são peles que já saíram delas, é isso?
Isso, são peles recentes.
Você pode pegar, mostrar para gente, que eu não vou arriscar pegar.
Essas escamas aqui maiores, elas são as escamas ventrais. E aí a gente coloca para secar por por conta do trabalho com educação ambiental, para que as pessoas possam tocar nelas depois e sentir essa textura. À medida que ela vai ficando mais ventral, subindo, né, mais dorsal, aí a gente tem essas escamas menores.
Parece um plástico bolha, mas tem esse cheirinho de aquário, né? Você tá falando que a cada 15 dias ela troca?
Isso, em geral elas estão fazendo essa troca agora porque elas tiveram mudanças de manejo. Então elas estão crescendo bastante, elas podem chegar a 6 metros, 7 metros.
E aí chega a 6 metros e daí para porque é o tamanho dela ou porque ela morre? Qual o tamanho máximo de um bicho desses?
A sucuri ela pode chegar até assim 6 metros e meio, 7 metros. A píton ela pode chegar até 12, 10, as fêmeas.
12?
É, 12. O Guinness Book fala de 12 metros.
Senhor Jesus, a gente não tem aqui nenhuma delas, ainda bem.
Uma delas. Essa é a maior animal assim semiaquático que a gente tem, é a sucuri.
Aqui embaixo tem a Julieta, que é a maior de todas. Ela tá meio melindrada porque ela tá bem no processo de troca de pele, e aí ela fica um pouquinho mais tímida, mais ali enroladinha. Porém tem esse outro aqui, o Juninho, que nós vamos tentar Ver se ele dá o ar da graça pra gente tirar uma selfie aqui com ele.
Ó!
Bom, tá aí, esse é o trabalho do Instituto Butantan. Se puder, visite. Senão, só assista mais vídeos aqui do Axismos na Vida Real.