COMO É A VIDA SEM REDES SOCIAIS? FT. Afonso Padilha | #ACHISMOS PODCAST #424
DÁ PRA MISTURAR COMÉDIA COM LUTO? Entre muitos achismos sobre como é o jeito “certo” de viver o luto, hoje o Afonso Padilha conta como perder sua mãe se tornou uma “piada” de luto usada em seu show e como isso é julgado pelas pessoas. MAURÍCIO MEIRELLES @maumeirelleshttps://www.instagram.com/maumeirelles/AFONSO PADILHA @oafonsopadilhahttps://www.instagram.com/oafonsopadilha/Tem camiseta que impressiona no primeiro uso. A Tech T-Shirt continua impressionando depois de muitos. Use o cupom ACHISMOS e aproveite os descontos do site https://creators.insiderstore.com.br/ACHISMOS #insiderstore @insiderstoreConheça e se inscreva no meu canal de comédia: https://www.youtube.com/@MauMeirellesVem pro meu canal no Telegram: https://bit.ly/3MDFZLhBora ver meu show no teatro:https://www.mauriciomeirelles.com.br
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Como é que é a tua vida sem rede social? Isso que eu queria saber. Como é que você faz isso? Cara, como é que—
eu não me lembro, eu acho que foi ano passado. Não, foi quando você vai ver o— já viu quantas horas você mexeu no celular?
Já.
Foi, eu acho que num desses estalos assim, que eu vi alguém falando de tempo de uso, tempo de uso, meu irmão, nem bate as contas. É tipo, ficou 13 horas no Instagram, 7 no YouTube, 14 no no WhatsApp, meu dia tem 63 horas, como é que eu mexia? Eu não consigo nem imaginar como eu fiz isso, mas era muito assim. E aí toda vez eu já tava ficando incomodado, não sei, eu acho que todo mundo tá com esse sentimento de quando você tá no Instagram e você faz assim, caralho, eu tô meia hora aqui pra nada.
É, mas eu coloco horários, vou ficar 10 minutos, deu 10 minutos, aí eu fico mais 5.
É isso, então eu comecei assim, coloca lá, daqui 2 horas, não, daqui a 2 horas aparece Seu tempo de tela excedeu. Aí eu falei, ignora, foda-se, fui eu que criei isso.
Eu sou o dono do meu tempo, não é minha mãe.
Aí eu fazia isso daí. Aí eu falei, não vai, não tá funcionando, porque não tem como. Você entra no, você desbloqueia o celular, seu dedo já é automático, né? Uma coisa. Agora eu excluí do celular, já tem um ano, então quase um ano, uns 9, 10 meses que eu excluí do celular. Então fica só no iPad.
Senhoras e senhores, esse aqui não é um dos Axios mais esperados, mas é um dos que eu mais quis gravar, porque, cara, é muito difícil encontrar o Afonso. Eu preciso falar um negócio. Também pauta preguiçosa, né? A pauta preguiçosa?
É porque é amigo, então é fácil, né?
Não, pelo contrário, é a pauta que eu tô mais preocupado.
Você jura?
Vou te falar por quê. Quando eu trago aqui, ah, vou trazer o Kim Kataguiri, entendeu? Vai tomar no cu. Quando eu trago o Afonso, eu quero que o Afonso volte. Aí se eu faço uma pauta preguiçosa, ele vai falar assim: porra, fui lá, o maluco me deu um café, ganhou 1 milhão de views e foi embora, tomar no cu. Então eu preciso trazer de alguma maneira um certo conhecimento, um papo tipo assim, eu quero que você saia daqui falando assim: caralho, gostei.
Ou então assim: foi diferente o que eu falei do que os outros lugares que você tem ido.
Você tem que sair eu falando: mano, chama de volta.
E eu vou falar: cara, tô sem agenda. Aí é o contrário.
Entendi.
E aí você fica tentando me mandar.
Ô, Mau, e aí, como é que tá lá?
Puta, Afonso, tá meio foda, cara, que eu tô— a semana tá meio preta. Vamos ver outra semana, entendeu? É tóxico mesmo.
Vamos falando, né? Vamos falando.
Como é que você tá maio de 2028? Aí você, caralho, Mau, é difícil pra caralho lá. E foi bom pra porra pra mim. Então assim, quase como eu te receber com uma certa— o Rafinha, o Rafinha veio pra cá. Quantas vezes o Rafinha já veio aqui?
Aqui nesse programa? Acho que umas 6, né?
E eu fui quantas vezes lá no Rafinha? Umas 8. 8. E era uma coisa mesmo.
Ele tá te devendo 2 ainda.
Tá me devendo. Ou desconsiderando o Rafinha, já pagou.
Na terceira ele já tinha pago, na quarta ele já tava—
Já paguei, não quero mais. Bom, senhores, Afonso Padilha é além de meu ídolo, preciso falar isso, um dos grandes ídolos que eu tenho na comédia.
Realmente ele tá querendo que eu vote nele, o maluco é bom de puxar as pessoas.
Mas eu acho Mas você já viu entrevista minha em algum lugar assim? Tipo, alguém perguntando quem é os cara que você mais gosta? Eu falo de você, sempre falo de você, falo de você, falo do Murilo, falo do Thiago, falo do Fábio, falo do Rafinha, obviamente. Tem uma galera que eu gosto porque é uma turma que tem o mesmo DNA cômico, que é o DNA do texto, que é o DNA do trabalho de escrever para caramba, que é da onde eu sofri, né?
Os cara que sofre Que sofre com a comédia, que a comédia, que as pessoas acham que a comédia pra gente é, cara, eles são muito engraçados, eles sobem no palco e eles contam cada baboseira e não sabe que você tem quase como tô indo pro dentista.
É, é, é, tipo, e quando se fode, o quanto a gente fica mal, né? Que a pessoa fala, ah, só não funcionou ali. Quanto acaba, o cara não janta. Vamos jantar? Não vamos jantar, vou ficar sozinho, só quero sofrer.
Perdi o pênalti.
É tipo isso mesmo, mano.
As pessoas, é porque assim, mas sabe o que é foda?
Eu recebi uma mensagem de uma amiga minha lá de Portugal, que ela tava assistindo o programa do Kevin Hart. Você viu esse programa do Kevin Hart? Legal para caralho.
Eu só vi o primeiro episódio.
Sou totalmente contra competição de stand-up, totalmente, totalmente. Mas é maneiro o quanto ele deixou legal ainda sendo uma competição. E aí a mina mandou, que não era stand-up nada, ela mandou mensagem falando isso de: porra, não sabia que era tão difícil fazer assim, achei que era só—
Vou dar uma pausa. Se você quer entender o que ele tá falando, assiste esse especial. É um especial não, é um reality.
É um reality de 8 episódios que chama Rachando Achando bico no Netflix.
E aí você vai entender como é a dificuldade. Eu sei que você é pedreiro, acorda 3, sempre tem um cara, o espantalho do pedreiro que acorda 3 da manhã.
Mas estamos falando, não deixa a gente reclamar, né?
Não pode. Esse pedreiro tá fodendo a comédia, tá?
Não, qualquer pessoa que trabalha mais de 4 horas acabou com o nosso problema. Mas a gente não pode reclamar, pô. Se você reclamar, qualquer pessoa, você já vê a pessoa fazendo Mas o meu filho acorda às 3 da manhã, você fala, caralho, eu não posso reclamar, velho. Mas tudo bem, por isso que a gente só reclama entre nós. É, ou então a gente nunca reclama perto de CLT.
Na verdade, eu comento em YouTube de gente muito milionária, ai, meu jatinho. E eu que fiquei 4 horas escrevendo um texto.
Então você tem que achar alguém que tem a vida melhor que você para você reclamar.
Isso você tem que ficar buscando.
Eu não conheço, só conheço comediante. Ah, mas você conhece Pablo Marçal, esses porra que tem a vida melhor.
Mas vai no canal dele para você ficar escrevendo. Você tá reclamando, primo rico? É difícil realmente os juros? E eu que levei 3 horas para escrever sobre Michael Jackson?
É tipo quando você— eu lembro quando eu comecei a fazer terapia, e aí eu saí. Primeiro, primeiro bagulho meu, o presencial. Fazia online durante pandemia, que todo mundo foi fazer. Aí eu fui fazer presencial, eu tava na sala de espera, mano, saiu um cara muito louco assim. O cara era muito louco, saiu. E aí eu fiquei meio assim, caralho, não dá para eu entrar depois. Que daí eu vou reclamar de, ah, eu tô, eu tô tristinho, o cara tava mordendo a quina da mesa agora há pouco, entendeu?
Eu tenho um problema com a minha terapeuta, que às vezes eu tô lá, aí ela sabe disso, eu tava conversando com ela e eu não sei se o meu papo é tão entediante que ela pega o celular e fica olhando. Beleza. Aí um dia eu tava falando com ela, ela falou assim, eu falei, por que que você tá olhando o celular? Ela falou, não, porque tem um paciente que meio que tá querendo se matar. Aí eu falei, porra, foda, mas na minha hora. É, pô, ele é de quinta, 3 às 4, que ele se mate nesse horário dele, senão é antiético.
Mas é prioridade também, né?
Tem uma prioridade.
Mas você não ficou sentindo mal? Eu fico me sentindo mal, porque toda vez que eu tô falando alguma coisa e eu sei que veio um paciente que é todo estrupiado antes de mim, eu fico assim, ó, o meu programa é muito menor, tá ligado?
É, mas aí eu também, será que ele não vai ficar puto, esse cara que tá tentando se matar, ser ligado das 3 às 4? De quinta, que é o horário dele, para falar: então, ah, não sei se eu como quindim.
Claro que ele vai ficar puto, pelo mesmo motivo que o CLT fica puto quando a gente reclama, você entendeu?
No fundo, no fundo, tá todo mundo com os mesmos problemas, porque o problema é só sobre você.
Só que tem uns que são piores, né?
Mas como é que você sabe? Porque você não sabe como é que é a cabeça da pessoa.
Mas nós estamos falando num comparativo, tipo, você tem o seu problema porque, ah, cara, às vezes eu me sinto sozinho. Aí tem outro cara que escutam a voz na cabeça dele falando, vou me matar. Ó, se mata! Qual que você acha que é pior, você se sentindo sozinho ou o cara que vai correr na direção de um prego e dá com a cabeça?
Mas o problema é que a gente fica imaginando como é que seria esse problema na gente. A gente não sabe se o problema nele é melhor ou pior um ou outro, você entende?
Eu acho que é pior você querer dar com a cabeça na ponta de um prego do que ficar sozinho. Acho que é.
Nesse caso sim, nesse caso sim.
Mas acho que é muito específico, mas ao mesmo tempo é, mano.
Mas é porque tem gente que— onde a gente tá chegando? A gente tá chegando em pedreiros que são felizes e comediantes que são tristes. E aí você tá achando que porque o cara acordou 3 da manhã ele é triste, e porque você faz comédia você é feliz? Você não sabe.
Não, mas eu nem acho isso. Mas também não acho que a pessoa que acorda 3 da manhã é feliz. Tipo, não é possível. 3 da manhã eu tô indo dormir, pô. É verdade. É, não é possível. 3 da manhã, 3 da manhã é muito cedo. É muito cedo. E pior que tem gente que nem cedo, é muito tarde. É, ele já tá no nível, na verdade ele é muito, ele é um limbo, né, dos horários. Porque tipo, o que que ele não é nem noite, mas também não é nem dia.
Por isso que me irrita quando eu chego no hotel 2 da manhã, a pessoa fala bom dia. Já acontece isso com você? Você chega às vezes nos hotéis assim meia-noite e meia e já é bom dia. E você fala, mano, como é bom dia?
Bom dia é o caralho.
Bom dia é o quê?
Mas é bom dia para aquela pessoa, entendeu? Que ela acordou para trabalhar.
Puta merda, é foda isso, hein? Mas se o cara acordou para trabalhar 6 da tarde, ele vai falar bom dia?
Fala. Se eu trabalhei no terceiro, sou trabalhador do terceiro turno e vou trabalhar só às 6 da tarde, eu vou falar bom dia. Foda-se, caralho, difícil essa. É boa noite. Boa noite para você que dormiu à noite, né? Eu tô indo trabalhar.
É porque o boa noite ele traduz que é um boa noite para dormir sempre.
O boa noite é sempre um de tchau, um de tô indo dormir.
Por isso que o Good Evening é do caralho dos Estados Unidos, né? Que não, ele fala Good Evening.
Caralho, achei que era um gaúcho, mano. É o garoto propaganda. Americano, é o guri.
O americano, ele tem o good evening, não é o good night. Que ele não é nem à noite nem, nem é tipo assim, 6:30, good evening. Aí você fala, porra, no Brasil não tem, é boa noite.
Mas é para quem tem, é para quem tem pouco problema. Você conseguir achar um cumprimento que é só para aquela coisa específica é quem não tem problema na vida. Concordo, entendeu?
Concordo, concordo. Perfeito. Chegamos nisso.
A gente precisa de um cumprimento porque não é nem muito noite, cara. Vai fazer alguma coisa. O CLT tão puto. Entendeu? Então, se você tem essa, ó, o que os cara tão perdendo tempo enquanto eu acordei 3 da manhã.
Que é exatamente o papo que a gente tava tendo antes de chegar aqui, que é as redes sociais. Porque problemas de redes sociais não existem na vida real. E eu fico muito feliz em ver, e muito também assim, caralho, eu quero aprender com você. O Afonso é um cara que, pelo que eu tô entendendo aqui, é um cara da literatura, é um cara, é um cara, não sou um cara da literatura, eu gosto de ler, mas é diferente ser da literatura.
É um cara que, mano, é o carnal, esses caras.
Mas aí vira comparação, você tá fodido, você vai perder sempre. Vai ter um cara na China que ele mil livros.
Não, eu gosto de ler, eu gosto de ler. Eu acho que eu não sou da literatura porque eu não—
Você não acha que o Cortella se acha um imbecil perto do cara de 1635?
Com toda certeza.
Todo mundo se acha uma merda perto de alguém maior.
Não, mas eu acho que da literatura eu acho que você cria um—
Ah, sim, uma coisa meio—
Não, eu gosto de ler, eu gosto de ler.
Sim.
Peguei gosto em algum momento e internalizou. Eu falei, mano, ah, tá legal.
E você faz o quê? Você tem uma rotina de leitura? Tipo, leio 8 horas por dia, 3 horas por dia?
Não, não, não. Por isso que eu falo que eu não sou da literatura. Porque eu acho que esses caras, eles têm uma— eu acordo e leio das 10. Não, eu leio quando qualquer momento que dá uma oportunidade, eu tô lendo. Tipo, eu vim no Uber, aí eu— você tem dois problemas, que é um, eu não tô, não tenho mais rede social no celular. E o segundo é que se você pega o celular, alguém pode quebrar o vidro e pegar o teu celular em São Paulo.
Então você acha que a criação das redes sociais foi para assaltarem, talvez? O cara motiva as pessoas a pegar o celular para as pessoas olharem e falar, pô, iPhone, é isso, o cara vai passando.
Já tentaram, já pegaram o seu assim? Não, o meu, tive uma passagem, Carnaval do ano passado, a gente foi lá, tava saindo um show, chegando para— nunca tinha ido no Carnaval, chegando nos camarotes, parado a rua porque tinha uma blitz, mano, tinha uma blitz, policial para caralho. E aí eu mexendo no celular, isso 2 anos atrás, alucinado, do nada, é muito rápido, o cara só quebrou o vidro E puxou. E aí eu, no susto, fiz assim, soltei o celular. Trabalhos muito rápido, muito rápido, que você quebrar o vidro.
Eu não conseguiria quebrar o vidro, meu irmão.
Claro que não.
Eu não sei o ponto certo.
Você dá com cotovelo e sai na frente do cara.
Abre o vidro para mim.
Eu ia pedir para o cara, nem abre mais assim. Mas é que é muito melhor isso aqui do que isso aqui, né? Aí ele quebrou o vidro e, mano, mas foi Assim, ó, nunca vi um movimento tão rápido na minha vida. E é um barulho, fez o barulho. Aí o vidro não tinha, não tinha blindagem, mas tinha aquela película que o vidro não estilhaça. Então ficou só um pedaço de plástico e uma mão muito rápido, ele pegou. E eu no susto fiz, soltei só e puxei.
Aí só viu a pessoa saindo correndo. Todo mundo, o cara tá bem? Tá bem? Tá bem? Minha mão sangrando porque veio, veio o bagulho. Já descemos. E eu tava com o celular aberto, não tava aberto, tipo, tava mexendo no Instagram, seja. Aí o cara simplesmente correu. E agora faz o quê? Porque quando rouba no seu celular é, puta, tem que bloquear, tá com o negócio aberto, vai mandar mensagem para alguém. São novos problemas que, mano, você tem que começar a criar um monte de coisa na sua cabeça. Liga, liga para o celular, liga para o celular. E aí não tocava.
É muito bom ligar para o celular como se fosse que o bandido, oi, oi, alô, ai, fui eu mesmo, alô.
O cara atendendo assim, ó, no meio da corrida. Alô, não, não, não, Acabei de roubar.
O cara tá tão entusiasmado com o celular novo. Oi, pera aí que eu tô vendo as funções.
Atendi errado, achei que era o meu. E aí, mano, liga para o celular, não sei o quê. Aí tem o bloqueia, entra no buscador. Só que o problema é que eu sou muito ruim de tecnologia, então não sei, mano, o que fazer, nada assim. Aí a sorte que eu tinha gente mais esperta perto de mim que falou, faz isso, faz aquilo, começa a ligar no celular. Não, era, eu tava junto com a minha produtora e o comediante que tinha abrido o show, que a gente tava voltando de Campinas.
Que combinou com o assaltante para bater o carro.
Bem na hora, na frente da blitz, mano.
Então chegou no clima.
Aí a gente fez, enquanto ligava, um ligava, o outro foi falar com o policial que tava na blitz.
Pera aí, foi na blitz?
Foi na, tinha 5 carros e o pronto-socorro.
Palmas para o bandido, mano.
Não, impressionante.
Audacioso, o cara falou, mano.
Mas foi praticamente isso que o policial falou. O policial fez aquela cena de, é, realmente estão roubando mesmo.
Do caralho, mano.
Aí a gente fez, pô, mas vocês estavam aqui. Ele falou, não, cara.
Mas a nossa função aqui é outra.
Foi cara de pau, hein. E nós com medo do caralho do cara pedir o documento para ver se tá irregular o carro, que rouba e ainda cai na blitz.
Aí ia se foder, cara. Jogo de 6 pontos.
Resumindo, liga, liga, liga, nada. Aí começamos a tirar os estilhaços, já meio aceitando, puta, não vamos mais para o carnaval. Na hora que o cara bateu, eu joguei o celular. Ele não chegou a roubar, tava embaixo dos estilhaços do tapete, do negócio.
Entendi, entendi. Você só quebrou o vidro do carro.
Aí já tava uma meia hora ligando, falando com a polícia, não sei o quê. Do nada, aí eu tô com vergonha de falar que os cara não tinha roubado, então fiquei meio, puta que pariu.
Não, mas quebrou o vidro. É, mas daí já é para fazer B.O.
Mas mesmo assim é meio, cara, você é burro, hein? Tava todo tempo aqui o celular.
Você não lembrou que você jogou no chão?
Não, mas eu não lembrei porque eu não sabia que eu tinha jogado no chão. Então eu acho que ao invés de eu fiz isso aqui, mas ao mesmo tempo ele deve ter empurrado porque não quebrou inteiro.
Eu tive uma situação muito merda que eu fui, foi assim que eu blindei meu carro. Porque eu blindei meu carro por causa dessa porra que eu tava, eu e minha família. Porque quando você tem família, você blinda carro.
Entendi. Quando você tem dinheiro, é outra coisa.
Não é nem dinheiro, não é nem dinheiro, não é nem dinheiro.
Eu tenho família, ele tem família, tem carro blindado.
Não é nem dinheiro.
Quem mais tem família?
Não, não, não posso falar. Mas você foi assaltado?
Quem mais aqui tem família?
Você foi assaltado no teu carro?
Lógico.
Foi? Foi. Porra, então você é louco. Eu não tenho dinheiro. Então pega táxi, vai de Uber. Eu não tenho carro, velho, para ter o sofrimento que eu tive uma arma na minha cabeça, muito ruim.
Sim, mas aí se você tem uma arma na sua cabeça, mas você não tem dinheiro, você tem que continuar com o carro.
Você vai de táxi, vai de Uber, sei lá.
Você não tem dinheiro, você não vai de táxi, porra.
Vai de ônibus, sei lá que porra. Mas eu, a pior coisa que tem é você não ter o controle de você tá no teu carro e o cara roubar teu carro.
Certo, tá o Patrick que tem bike, é isso, blindada.
Certo, é o Patrick que não tem filho. Não, mas você vai ver, óbvio que tem a ver com dinheiro, óbvio.
Primeiro é o dinheiro, depois é isso.
Primeiro é dinheiro e depois é coisa.
Aí se você tem dinheiro você consegue colocar segurança. Ou, mas eu vi um vídeo foda do Átila, sabe, o Átila e a Marina? Quem que é? É muito bom, eu gosto muito dos vídeos dele. E aí ele tava falando sobre blindagem, sobre a blindagem cria a necessidade do ladrão, uma coisa alimenta a outra, mano. Que maluquice!
No meu show eu falo sobre isso porque eu blindei meu carro por causa de um assalto e meu carro blindado foi assaltado.
É, eu vi, eu vi você fazendo esse material.
Aí você foi no meu show ver isso?
Eu fui, eu vi você fazendo. Na verdade, eu fui na semana que tinha dado a merda.
Exatamente.
Você tava testando as piadas?
Nunca foi, meu carro nunca foi roubado.
O que foi roubado fui eu, certo?
E aí, o que aconteceu? Tava essa história muito foda, porque eu tava, eu tava andando com meu filho, minha família, e aí chegou o cara e bateu com a arma no vidro. Eu achei que ele era o cara que queria limpar. Eu falei, não quero, tipo assim, não quero assalto hoje. Aí ele chegou Juro, foi muito cabaço. Aí ele chegou com a arma na minha cabeça e o caralho, meu filho pequenininho olhando e tal, meio assustador. E ele pediu o celular e eu dei o celular.
E ele viu que eu tava, não tinha nada além do celular, ele pediu minha aliança. Eu falei, dei minha aliança na época, né? Dei aliança e dei o celular. E fiquei tranquilo que eu falei, não, tá tudo certo, o celular tá bloqueado e a senha é o dia do meu casamento que tá na aliança.
Mas você acha que ele é o truque de mestre? O cara vai começar a pensar e olhar ali.
Pelo amor de Deus, se você tem uma senha E você tem um único número aqui na tua frente, você vai tentar talvez desvendar. Não é muito difícil.
Não, mas eu acho que ele não roubou pensando nisso, tá?
Mas eu acho que se ele pensasse assim, cara, preciso de um número aqui, qual números que eu tenho desse cara? Só tenho esse número aqui.
Eu acho que pode ser mais, se fosse um filme, ia ser o cara tentando para caralho. Quando ele cansasse, ele ia jogar a aliança, ia fazer assim, quando ele jogasse assim, aí abre a cabeça.
Mas foi o tempo dele, ele conseguiu ver, conseguiu ver, abriu, mexeu nas paradas toda tal.
Esse é muito ruim.
É, e ali eu fiquei desesperado, eu falei, caralho, porra, vou atrás de uma blindagem. Minha mulher ficou tensa tal, e é muito caro blindar um carro, realmente é muito caro. Acho que é mais barato você contratar um pistoleiro que fica te seguindo, é muito mais legal inclusive, ele fica dando tiro.
Mano, meu sonho é ter um guardinha com aquele apito me seguindo. É muito foda, esses de guarda noturno de vila, muito foda. É isso, muito insuportável.
É, essa é a melhor blindagem que tem, é um cara atrás do banco.
Você passeia no cachorro e o cara bem devagarzinho de moto, tipo o batedor do presidente.
Aí eu fui blindar o carro, caralho, na blindagem, aquela coisa toda, o cara perguntando coisas do tipo. Aí falou da blindagem, sei lá, alemão, caralho, é 4. Porra, peguei a blindagem que eu podia, irmão, juro por Deus, 6, 7 dias depois que eu blindei, você viu Estouraram no meu carro.
Mas é porque você pediu sem estouro?
Não, eu cheguei à conclusão que o pé de cabra não chegou na Alemanha.
Não, sabe assim, os cara cria— esse é o problema, que todas essas coisas que são criadas são criadas fora do Brasil.
Exato.
Os cara devia trazer para testar aqui.
Exato.
Tipo falava uma época que a publicidade era testada em Curitiba porque o público é mais exigente, entendeu?
Exatamente.
E fala, mano, criar uma melhor blindagem, vamos levar para o Brasil, deixa um mês no Brasil lá para ver se funciona.
Exato. Se a blindagem funcionar no Brasil, ela pode ser aplicada no mundo inteiro. Porque aqui na Alemanha, o que que tá acontecendo na Alemanha para um cara quebrar um carro? Nada. Então a blindagem deles, foda-se.
O cara nem precisa quebrar, tá destrancado o carro.
A blindagem do Irã, essa eu confio, entendeu?
Porque eu acho que quanto mais fodido o país, mais seguro tem que ser.
Porra, pistola da Inglaterra, foda-se. Agora pistola do Afeganistão, caralho, maluco, esse cara sabe atirar, sabe assim? Resumindo, Você é um cara que, porra, a gente tava falando da rede social, a gente chegou aqui para falar que você de alguma maneira lê bastante. E você é um cara que lê, né? Eu acho que você é um cara diferenciado no mundo de hoje, e por isso que eu sou muito seu fã, que você é um cara de caneta, você escreve para caralho.
Como é que é a tua vida sem rede social? Isso que eu queria saber, como é que você faz isso?
Como é que, eu não me lembro, eu acho que foi ano passado Não, foi quando você vai ver o— já viu quantas horas você mexeu no celular? Já foi, eu acho que num desses estalos assim que eu vi alguém falando de tempo de uso, tempo de uso, meu irmão, nem bate as contas. É tipo, ficou 13 horas no Instagram, 7 no YouTube, 14 no WhatsApp.
Meu dia tem 63 horas.
Como é que eu mexi? Eu não consigo nem imaginar como eu fiz isso, mas era muito assim. E aí toda vez eu já tava ficando incomodado. Não sei, eu acho que todo mundo tá com esse sentimento de quando você tá no Instagram e você faz assim, faz: caralho, tô meia hora aqui para nada.
É, mas eu coloco horários, vou ficar 10 minutos, deu 10 minutos, eu fico mais 5.
É isso. Então eu comecei assim, coloca lá, daqui 2 horas, não, é que daqui a 2 horas aparece seu tempo de tela excedeu. Aí falei: ignora, foda-se, fui eu que que cria isso.
Eu sou o dono do meu tempo, não é minha mãe.
Aí eu fazia isso daí, aí eu falei, não vai, não tá funcionando, porque não tem como. Você entra no, você desbloqueia o celular, seu dedo já é automático, né? Uma coisa, agora excluí do celular, já tem um ano, então quase um ano, uns 9, 10 meses que eu excluí do celular. Então fica só no iPad, e aí é ruim mexer no iPad porque ele não tem mesmo a mesma coisa.
Eu fiz isso com o Twitter. Twitter, Twitter, eu não tenho muito, eu tinha muito, eu fiquei um ano, eu tô, eu acho que um ano, um ano e meio já, um ano vai completar sem Twitter. Quando eu entrei na Globo, eu saí do Twitter porque tudo que eu escrevia no Twitter virava uma parada assim, ator da Globo, não era mais o Mongo que falava bosta.
Sim, que é um ator da Globo, é basicamente isso, que é um CPF, só que com uma profissão.
Aí eu tirei, porra, me fez muito bem. Mas Instagram é muito louco isso, né, porque o Instagram é quase como você acha, é mentira isso, mas você acha que você precisa estar lá todo dia.
Isso é foda, isso de não, mas eu tô trabalhando, é só ferramenta de trabalho. Tá bom, entra 15 minutos, posto que você tem que postar. Você só tem que postar qual que é o seu trabalho no Instagram. O meu trabalho é postar um Reels lá porque eu preciso engajar para vender ingresso.
Você que posta ou você tem o Marcelo?
Não, não, não tem ninguém não. Então você vai para o iPad, o editor me manda o Reels Então eu faço assim, ó, por exemplo, eu tô aqui, eu vou fazer, daqui a pouco eu faço, quando a gente tiver saindo, eu vou fazer uma foto com você, faço um vídeo, aí fiz alguma coisa, tira outra foto, faço outra coisa e vai acumulando. Aí no final de tarde eu sempre entro tipo 5:30, 6, aí o meu editor mandou o Reels lá, aí eu mando tudo pelo AirDrop, eu mando para o iPad, aí começa a postar as coisas. Hoje eu fui no Axis, como R$1.630.
Mentira que você conhece esse cara, mas posso falar Você devia dar curso disso no Instagram para as pessoas. Eu acho que esse é o maior assunto do momento, é como você conseguiu fazer isso.
Mas não, então, mas o bagulho é o seguinte, é, o bagulho é droga, que é impressionante. Você não pode ter contato que você volta muito fácil, sabe? Esses cara de, cara, não posso tomar um café que senão tem que fumar um cigarro. Se eu fumar um cigarro, termina dando cu, cheirando o pé, tá ligado?
E a culpa é do café. Falei que não pode beber café do caralho.
Então, exatamente isso, eu entro no iPad E aí eu posto, postei Reels, postei os 5 Stories que eu, os 5 imagens que eu fiz durante o dia. Aí eu, beleza, começo no próprio iPad mexer. Quando vejo, cara, 40 minutos eu tô aqui. Aí eu falo, ainda bem que eu não tô com essa merda no celular.
Ah, mas você mesmo assim se perde?
Mesmo assim se perde.
É porque é muito gostoso.
Não, é impressionante. É muito gostoso.
É muito gostoso porque criaram um bagulho. É porque você não sabe o que você vai ver. Quando você entra no Instagram às 6 da tarde, você pensa assim, eu só vou postar, vai estar lá o Afonso falando do show, tá de boa. Você acha que você tem controle sobre o que você vai ver, aí você entra, maluco, do nada, sei lá, vendo stories de um amigo seu, fala, caralho, Marcelo tomou bem, mano.
Aí do nada, sabe que um amigo meu falou, só que eu, como eu tô cada vez mais afastado, o sentimento vem mais rápido de nada a ver, tô perdendo tempo, sai. Jura? Muito rápido.
Não é mais acumulativo? Deixa eu ver o dia inteiro que eu perdi.
Não, não, não, não, não, não, eu vejo um pouquinho quando ali eu vejo que eu já tô me perdendo, mas é isso que eu acho perigoso, porque o Instagram ele virou a cocaína de todo mundo.
Porque, por exemplo, o cara que era cheirado nos anos 80, ele tinha um problema com cocaína. Eu não tinha esse problema com cocaína, então eu não dava nos mesmos lugares que esse cara para eu entender. Agora é quase como todo mundo tá viciado.
Porque a cocaína, querendo ou não, você vai ter que ir atrás de alguém que fornece Vai ter que parar. O celular tá aqui, filho. Quero tirar. Vamos parar um pouquinho a gravação, 5 minutos. Já tá. Eu tô assim, é isso, entendeu?
Eu tô assim, cara.
Acorda e mexe. Qual, qual, quanto tempo você demora para mexer no celular?
Não, agora eu não tô mais acordando e mexendo. Mas tem um problema, que você mexeu dormindo, o cara nem acorda. Para não acordar e mexer, eu mexo dormindo. Não, para mim a pior coisa que tem de acordar e mexer é que você acorda dentro de uma guerra. Você já parou para pensar que você acorda, acordei, Aí você entra, tá o Trump dando um tiro, aí do nada tá o Eike Batista falando da economia, curso de homem.
Aí você vai mais uma vez, você fala, caralho, mano, fazendo a marmita do marido. Esse cara eu gosto para caralho, o cara da marmita do marido.
Então, mas essas coisas eu acho legal.
Eu acho, não, isso é foda, porque as coisas muito maneiras se misturam.
Então é nisso aqui, é como se tivesse numa trincheira, você faz isso aqui, tá o Trump atacando o Irã e do lado tem um cara estourando cravo.
É, mano, isso é o É muito louco, porque tá, não é tudo no mesmo, no mesmo canal. Antigamente você tinha que ir na TV, Globo News, tristeza, tristeza, tristeza. Vou só para o esporte, você tinha que, você ficava, sabia o que ia acontecer ali. Agora não, agora você tá assim, aí vai Trump, não sei o quê, você vai mais uma vez, uma coisa muito legal, caralho, uma curiosidade que você nunca saberia se não tivesse.
A diferença é o seguinte, a gente fazia esse efeito quando a gente era jovem de zapear. Sim, só que o zapear não era baseado no nosso algoritmo, não. Então você zapeava, você chegava, e agora chegou canais alemães, eu não quero, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá. Agora é tudo é do caralho, é como se fosse uma grande programação, se mistura com coisas que você não queria ver, mas porque tem tanta gente vendo, você gosta, você não queria ver, mas é para você.
Tem muita coisa que você não queria, cara.
O meu Instagram, meu Instagram assim, eu acho que o Instagram agora, a tecnologia do Instagram de algoritmo é a melhor de todas assim, de Porra, se eu fico passando vídeo, eles realmente chegaram num lugar que eles te conhecem, me conhece. E o que me deixa preocupado foi com um amigo meu falou, ele falou: repara que o Instagram ele virou um shopping, é como se tivesse um shopping no teu celular, no teu bolso é um shopping, tudo o tempo todo alguém tá te vendendo alguma coisa naquela merda, ou um curso.
Então você tá vendo um negócio, pô, você tá vendendo ingresso, o outro tá vendo, tá todo mundo querendo vender, o outro tá vendendo efisema, melhoria, médico, tá todo mundo vendendo alguma coisa. Então é um grande shopping baseado em você. Aí eu falei, caralho, essa porra é perigosa, é muito, mano, é muito.
E eu acho, e aí tem esse sentimento de ficar de fora, né, que era aquele fomo, né, que eles falam.
Mas ao mesmo tempo você é um cara que escreve para caralho. Como que você consegue bater a sua rotina nisso? Do tipo, porque você, se você não tiver uma disciplina, por exemplo, só para explicar, a gente, eu tenho uma empresa que é aqui onde eu trabalho, então eu tenho algumas funções, eu tenho que gravar, eu tenho que fazer reunião, faço reunião o dia inteiro, aquelas merda. É, mas eu gosto, eu realmente gosto. Você é um cara que depende só da tua disciplina para você fazer as coisas.
Não tem um Alfonso, amanhã 3 da tarde tem que escrever o seu texto. Você que define. Como é que você faz a sua rotina para isso, mano?
Eu escrevo sempre final de tarde, todo dia eu sento lá na hora de postar e de mexer. 5:30, 6, tomo um cafezinho da tarde, vou e fico das 6 às 9 sentado lá no escritório. Mas não fico 6 às 9 escrevendo, leio alguma coisa, aí olho, aí vejo umas notícias, aí não faço nada, olho para o teto, aí escrevo um pouquinho. Todo dia meio um hábito mesmo assim.
Mas o seu dia antes é o quê?
Você acorda, acordo, não mexo no celular. Isso eu consegui fazer de uma maneira legal, que é não mexo até só depois que eu tomo café da manhã. Então todo dia acordo quando eu tô em casa, né, óbvio. Aí passo café, escuto rádio para ver as notícias que tá acontecendo.
Você tá em 1970, não, mas escuto rádio no YouTube, então tô em 87. Nossa, tá em 2002. E aí escuto para ver, mano, que tá acontecendo, porque a rede social te dava essa informação, agora você não tem mais.
Dava, mas ela dava de uma maneira muito Se você não comprar o meu curso, o mundo vai acabar. E que transformando coisas que não são notícia parecendo que todo mundo está falando sobre isso.
É muito doido essa merda.
Todo mundo tá falando sobre isso, mano. Ninguém se importa com isso daí.
Eu cheguei a essa conclusão.
E aí quando a gente vê pela rádio ou se informa em mídias mais tradicionais, querendo ou não, tá até enviesado aí, vai cair nessa conversa. Mas você tá falando sobre uma notícia que foi um mínimo apurada, sim, e não é o choquei falando.
Sim, não é o Maurício, não é você, não é o, né?
Aí eu vejo, tomo café, então acordo, sei lá, 9, 9:30, eu vou mexendo no celular 10:30, 11 horas, mas não importa quem me mandou mensagem, eu não vou ver antes, porque quem tinha—
você pega o celular, mas não para ver rede social, mas para ver o WhatsApp?
Não, não, não, eu mexo só depois. Ah não, depois sim, aí eu vou responder Ah, você mandou um vídeo, você foi saudade, que nem a Jessy te mandou para você me mandar. Ela mandou: o carro já tá chegando. Aí eu falei: segura um pouco, que eu não tinha mexido até então. Eu acordei 9 e pouco, ela mandou 10:18, ó, 6 minutos, o carro tá aí. E aí eu tinha acabado de tomar café.
Eu falei: não, você não fica desesperado. Você não sei, eu me sinto um presidiário às vezes quando eu faço isso.
Mas é porque você tem muita responsabilidade, você tem o pessoal falando aqui, você tem um filho.
Você quer me deixar maluco? Voo de 6 horas E aí eu abro o celular depois desse voo de 6 horas, parece o Big Brother, parece o celular do Monark quando terminou o programa fatídico, programa. E aí tem, porra, caralho, mensagem para caralho, muita. E aí, cadê, cadê, cadê?
É, então, mas é porque você tem muita cobrança, eu não tenho ninguém. A mais importante era minha mãe, né, que faleceu agora, era a única pessoa que eu me preocupava Principalmente no último ano que ela tava doente e tal. Então eu tinha uma atenção um pouco maior. Agora não tem nada que tire minha paz assim de coisa.
Aí você, daí a tarde toda você fica aí?
Aí eu vou na academia, almoço, aí leio, aí fico lendo, vendo série, não faço nada assim, meu. Durante o dia eu fico só de ócio assim.
Caralho, que bom pra caralho! Aí à noite você resolve escrever um negócio?
Aí escrevo.
Mas você tem uma ideia 2 da tarde? Você senta e escreve?
Eu anoto só.
Ah, para desenvolver à noite.
E daí vem muita ideia durante o dia, eu anoto no papel, anoto no celular.
Você me mostrou o seu processo, acho muito legal. Meu processo é muito parecido, né? Eu fico, só para explicar, eu pego o meu Notes, aí eu penso assim, põe Notes no celular, bloco de notas, bloco de notas. Perfeito.
É que eu achei que você tinha um apelido carinhoso para o seu notebook.
Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, Nossa, ele me mataria.
Eu pego o meu MacBook. Não, não, não.
Nossa, que tcholaço o cara falar isso.
Chama o laptop dele de Notes.
Eu pego o meu lap, vou no Stars.
Vocês não merecem a minha presença e do meu Notes aqui. Sai com o notebook dele embaixo do braço.
Que tcholaço seria. Não, Notes é o nome do bloco de notas. Aí eu vou ter uma ideia, é muito louco, eu escrevo assim: pombo comendo. Fica uma coisa, depois eu esqueço que é o pombo comendo.
Eu escrevi uma ontem porque eu também não tô sempre com o papel. E aí hoje eu acordei, hoje eu depois, né, que eu tava antes de vir para cá, eu tava mexendo ali um pouquinho, aí tinha, mano, olha esse aqui, ó: o homem que ouvia as frutas. Tá escrito aqui.
E você, cara, palavra na ponta da língua: o homem que ouvia as frutas. Caralho, que louco! Isso daqui é tudo, olha que louco. Como o Afonso queria.
Muito legal. Aí eu só anoto, mas aí é para tipo crônica. Como eu tô escrevendo bastante crônica, não é stand-up, não. O meu é o seguinte, é tipo como todo dia, todo dia eu escrevo, mas pouco se vê, entendeu?
Isso daqui é o seguinte, isso daqui é tudo as merda que eu— o seu é igualzinho, eu sei que o seu é igual.
Mas aí você também trabalha de pastas diferentes, né? Não, não, o meu é muito organizado. Cada um que você abre, você vai, você só escreve desesperadamente.
Eu tenho uma pasta escrito rascunhos. Aí no rascunhos é o meu show que eu tô fazendo, que é o Surto Coletivo. E aí sempre quando eu tenho uma ideia sobre esse show, eu vou escrevendo aqui, ó. Mas é que eu tô escrevendo um negócio aqui, ó: odeia nordestino, vai de Itam para Santa Catarina. Por que que eu escrevi isso? Porque eu tô pensando assim, eu tenho um texto que eu falo que hoje o ódio é a coisa que mais movimenta a sociedade.
Daqui a pouco as propagandas vai ser só sobre ódio, do tipo: porra, você odeia ciclista? Compre um novo Renault. Vai ser isso. Aí eu falei: ah, podia fazer um da Latam também, que é o cara que odeia um sei lá, odeia um lugar, vai para outro lugar, sei lá, qualquer merda do tipo. E aí você é de esquerda ou direita depende do horário. É outro texto que eu tô escrevendo, que eu falo você esquerda ou direita depende do horário.
À noite eu sou de direita, pô, vou dormir cedo, mas isso já é trabalhar, mas está dentro de uma pasta, dentro de uma pasta. Ah tá, aí eu vou, eu vou, aí eu tento também organizar em pastas assim, senão você perde.
Aí o que dá certo, lembra do Murilo, Murilo Gão?
Murilo Gão era o mais maluco de todos, chegou a conversar sobre ele Aqui sobre isso, ele fazia no Excel, ele fazia no Excel, escrevia, e aí é piada de banheiro. Então ele escrevendo banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, depois ele só clicava num botão lá que eu não sei mexer no Excel, que juntava todas as piadas de banheiro só num lugar.
Era bizarro.
Mas ele era, porque agora, tanto que tá batendo tambor aí, o Murilo. Eu queria muito.
Aliás, eu fui na peça, faço questão de, a peça do Murilo Luguém é muito legal.
Legal.
Você já foi assistir?
Não fui assistir.
Muito legal, com direção do Ballas. Legal para caralho, que é o Feno Flow.
É, ele era deusaço, né?
Mas eu acho que não é sobre ateu ou sobre religião.
Agora ele acredita em alguma coisa, né?
Eu acho que é sobre consciência humana.
Muito legal, é maneiro, é bom texto.
Você gosta de texto, você vai gostar.
E aí ele sempre foi bom de texto, muito bom.
Mas é muito bem escrito, muito bem desenhado. Recomendo, vai assistir. Mas é uma coisa mais assim para uma galera que sei lá, já tá numa fase meio de 40 anos com depressão, triste.
Tô zoando, mas sabe, cara, vai lotar porque tem muita gente, tem muita gente nesse lugar. É o cara que tá para tirar o celular, o que já tirou não precisa mais.
Eu acho que você não pode mais.
Entendi.
Ele fala isso uma hora, que ele fala assim: meditação. Eu acho muito boa essa frase que ele fala: meditação é para quem fala, meditação não é para mim, é para você. Para o cara que já medita, para um pouco, já deu também, vai um pouco para o shopping.
Esse é um tema que eu até escrevi algumas piadas sobre isso, de eu não medito, eu não, eu tenho algumas coisas que o fato de eu ter sido durante muito tempo pobre me bloqueia, entendeu? Yoga, mano, não vou fazer yoga, não vou conseguir.
Mas eu tô fazendo meditação, mano, eu tô sendo muito zoado por mim mesmo quando eu vou meditar, porque eu, é quase como você tá pagando um curso para aprender a ficar quieto, é uma coisa. Tem um comediante, você já deve ter visto esse cara, é maravilhoso, é um, acho que americano, que ele fala sobre mindfulness, né, que agora a moda é o mindfulness. O que que é o mindfulness?
O cara que é elegantão, né, ele é bom para caralho. Lembra um pouco o Bill Burr, aliás.
Bom para caralho. Só precisa entender isso, que ele fala que o mindfulness é quando você olha para uma coisa, você pega a maçã e você fica olhando para maçã e sente a maçã. Você pega o galho e vê. Ele fala, maluco, sabe quem fazia mindfulness pobre, que entrava no ônibus, ele tava chovendo, ele ficava olhando a gota e ficava, será que a gota vai bater aqui?
Mas agora ninguém mais faz porque você já vai no celular, né? É, exatamente. Você já foi na praça de alimentação de shopping?
Ninguém tá falando.
Você tá maluco! Antigamente você entrava em praça de alimentação de shopping, você só não conseguia distinguir nenhuma conversa de tanto que as pessoas estavam conversando. E era muito maneira aquela imagem. Eu lembro, trabalhei em shopping, eu lembro na hora do almoço era uma algazarra legal de ver. Hoje em dia todo, mano, esses dias eu entrei, todo mundo no celular.
Ônibus Ônibus, metrô, tudo que é metrô, menos porque não tem conexão, né? Não tem, quando vem a conexão, mas é uma coisa que por isso que eu acho que eu tô viciado. Eu sou aquele cara que quando para o carro pega o celular. Isso para mim é vício, é vício. Aí eu preciso resolver isso de alguma maneira, mas eu acho que todo mundo tá meio assim.
Mas eu acho que tem um bagulho disso do escape, por exemplo. Você tá meia hora que você tá meditando, você tá, você tá fora. É, mas eu já tô gravando aqui, você tá fora.
Eu tô indo para o caminho de eu quero conversar com você mais para fazer o teu método, Tipo método Afonso de sair do celular, porque quase como o Rafael Ilha que saiu da cocaína e falando, galera, eu sei como não cheirar, sabe assim? É tipo isso que você tá fazendo.
Mas eu acho que ele não sabe como não cheirar, sabe?
Ele parou, pô.
Não, ele parou, mas chega com a cocaína bem pertinho do nariz dele para você ver se ele não vai.
Ele parou, velho.
Não é, chega bem pertinho, faz assim, ó.
Não, mas aí que tá. Mas se eu chegar com o celular perto de você, você vai pegar?
Não, não, mas é o que eu acabei de falar, que se eu fico, se eu vou postar, eu mexo um pouquinho, você já cai de novo.
Mas você para.
Mas é por isso que pessoas que não, que alcoólatras, o cara fala, eu ainda sou alcoólatra, porque ele sabe, entendi, entendi, sempre vai ser, entendi, entendeu?
Ele falou isso, eu entrevistei o Rafael, ele falou exatamente porque você já sabe, você pode ter uma recaída.
Você vê, pô, o cara tá 9 anos sem fazer nada, do nada uma recaída, acabou, mano.
Eu vou para o assunto que você sabe muito bem que você é viciado em punheta, você sabe como é que é, não tem essa coisa de 2 meses sem punheta, você sabe que tá maluco.
Mas eu tô tentando controlar isso daí, jura? Mas tá difícil, esse é difícil. Só que uma coisa é ligada a outra também, né? Não, mas eu tô mais tranquilo agora também. Ah, vai ficando cansado, né? Mas por exemplo, eu já tô uma semana sem, jura? E não, tô louco para tocar uma punheta. Vamos terminar esse programa aqui durante. Cara, vamos terminar logo isso daí que eu tenho que ir para casa. Mas como é que você faz se você não acessa mais.
Ah não, você acessa celular, você não acessa rede social. Entendi, rede social ficou um pouquinho maior.
Não, pô, mas daí é uma coisa, é uma coisa, outra coisa. Também não dá para tirar tudo do leão, né?
Entendi, entendi, cara. Eu vou, eu vou para um assunto que é o teu novo show, tá?
Que é, você fez um show, cara, que link merda, porque eu vou te falar depois, né?
Mas acho que faz parte da grande coisa da comédia, eu acho, né? Eu converso muito com meus amigos comediantes, inclusive eu preciso falar isso, cara, Não tem lugar mais livre do que um camarim de comédia, antes da política. Mas o camarim da comédia é um lugar muito legal, porque a gente fala coisas absurdas e é livre e é tudo legal, né? Eu acho que não tem restrições e tabu. Mas você fez um show novo, quer dizer, e é uma frase meio típica sobre você, que é um show novo. Você faz agora um por ano?
Fazia, fazia um por ano.
Você fazia?
Parou? Não fazia, que eu digo, gravava todo ano um especial. Mas daí deu uma brecada, tanto o YouTube mexeu no algoritmo, etc. Mas eu comecei a fazer umas coisas meio quase igual especial que eu fiz da minha mãe agora. Eu fiz um, tomei o golpe dos móveis lá, eu lembro, do cara me roubou R$50 mil na casa da minha mãe que eu tava construindo. Aí eu fiquei puto, fui escrevendo piada, do nada deu um show sobre isso daí. Aí eu montei um cenariozinho simples, mas foi muito bonito de você aprender inglês.
Isso, aí eu tenho esse do inglês, que é porque eu vou escrevendo material, do nada tá com 40, 50 minutos. Eu falo, mano, em vez de fazer um vídeo simplesinho, vamos fazer um cenário mínimo, uma, pelo menos uma coisa para dar uma diferenciada.
E aí, com uma equipezinha mais organizada, é menos streaming e mais só para tirar da frente.
São especiais pontuais, factuais.
Aí eu ia te perguntar, porque, por exemplo, eu tenho o meu solo, você tem o seu solo, você tá agora viajando com um solo novo, né?
Como Nossos Pais é o nome do show. Que é sobre, não é sobre sua mãe, não, não, é sobre, é sobre os adultos do que a gente se tornou, porque que a gente é essa geração.
E aí você tá fazendo não sei o quê, aí no meio do caminho acontece a situação do roubo dos móveis. Onde você testa esses materiais?
No próprio show, porque na verdade o meu, eu vi o que os caras fazem isso lá fora, eles não rodam com o show fechado, eles vão, ficam 2 anos num cenário aberto. Então eles vão encaixando novas piadas, no fim eles estão com 2 horas e pouco, enxuga até dar 1 hora e 10 e grava aquilo dali. Tanto que você viu do Chris Rock, ele gravou o Tambourine, mas a turnê era total blackout. Então depois ele lançou o show da turnê, que aí tinha 1 hora e 40 e o outro 1 hora e 10.
Aí já tem 2 shows?
Não, é um show só, cara.
Eu faço o contrário, é uma merda o que eu faço, porque o que eu faço é o seguinte: Eu escrevo para caralho também, escrevo muito. Aí eu vou, aí quando eu vejo, fala assim, cara, tá com 2 horas, jogo fora 50 minutos, mantenho 1 hora.
Aí eu vou, então, mas é isso que eles fazem, eu jogo fora, eu não uso isso para fazer o material depois. Mas não alimenta o YouTube, por exemplo? Eu coloco no YouTube, tem uns materiais que eu vou, que nem aconteceu o bagulho do Juliano Casarré, o bagulho do homem, todo mundo tava falando. Aí eu comecei a escrever umas piadas, comecei a testar no show, comecei a testar, deu 15, 17 minutos. Aí eu já tava testando, fiz, pô, isso aqui não vai para o show.
Talvez eu vou pensar 4 piadas daqueles 17 para colocar no show, que pode ter a ver com o tema, mas aí vai para o meu canal do YouTube.
Mas a parte que você tem, por exemplo, só você foi roubado, você tem um show que tá com 1 hora e 20 já, certo? Como é que você vai acrescentar mais 40 minutos para fazer um show de 2 horas? Você faz um show de 2 horas?
Não, não, não, o meu show, você vai no teatro, é 1 hora e 5, entre 55 e 1 hora e 5, porque já teve abertura. Por exemplo, lá no Marti Hall, que eu faço toda quinta-feira ali na Vila Mariana, tem 4 comediantes abrindo, entendeu?
O evento tem 2 horas?
O evento tem 1 hora e meia.
O evento é 1 hora e meia, entendeu?
Que eles fazem cada um 7 minutinhos, eu entro, faço 55.
E onde você testa esses 40 novos minutos?
É que você falou que você tá testando dentro, mas é porque eu faço show de quinta a domingo. Então eu testo 12, aí no outro já junto mais 8. Pode ser que lá no domingo eu não faça nada que eu fiz na quinta-feira. Do show completo da quinta-feira, é só o que eu tô testando. E quando vê, tá funcionando muito.
Entendi o que você faz. Você faz mais meio parecido com o que eu faço. É como se fosse assim, o nome do show é Como Nossos Pais. É Como Nossos Pais, só que chega domingo você não fala do Como Nossos Pais, entendeu?
Porque é o nome da turnê. Mas aí, querendo ou não, tem alguma coisa a ver com o tema, sempre vai ter alguma coisa a ver. O meu show é mais fechado, que nem eu comecei, eu fiz o transplante capilar, né? Fiz o bagulhinho aqui, agora tá começando a crescer. Ficou legal, né? Faz 4 meses, pô, que eu fiz. E aí eu fiz dia 7 de janeiro. Aí não tem como você não comentar sobre, não tem como, é impossível para mim alguma coisa e aí não fazer, é não falar sobre.
Então comecei a escrever piada. Aí meu primeiro show foi em janeiro, final de janeiro, porque eu tava em recuperação e etc. Comecei a fazer, deu 8 minutos, aí deu 12. Antes do acontecido com a minha mãe, eu tava fazendo esse material. Então fazia 20 do show e tava dando 40 só de transplante capilar. O Sarro foi assistir, falou, mano, só sobre cabelo? Mas é porque eu não controlo no sentido de, se tá boa a piada, eu gosto, eu vou fazer.
E o cara comprou para ver o Como Nossos Pais e viu talvez o início do novo show, que é Meu Cabelo Caiu, sabe?
Tipo isso. Mas talvez nem seja um novo show, é só um material que eu tô trabalhando nele e tá legal para caramba. Só que ao invés não vai virar no show solo, ah, Netflix comprou o meu especial, não vou falar 40 minutos sobre cabelo no meu especial. Aí eu vou tirar, vou jogar no YouTube algumas coisas, vou pinçar outras que cabe dentro do tema maior que eu tô falando.
O que eu fiz agora, eu criei um aplicativozinho, né, que a pessoa entra no show, ela põe um QR code, aí eu ponho os temas e ela vai definindo os temas. E aí eu ponho muito tema novo porque o meu problema para mim é link. Você tá falando dos pais, pais, pais, pais. Vamos falar do meu cabelo, cara. Caralho, o que que tá acontecendo? Porque você tem um texto linear, você não é um cara que tem vários 3 minutos, entendeu?
Você tem um texto, eu tenho vários 3 minutos dentro do mesmo tema, entendeu?
Legal. E aí o tema de agora você tá falando da sua mãe.
E aí eu tava falando da minha mãe.
E aí você já escreveu um solo ano passado?
Eu tinha, minha mãe teve, teve um câncer de sangue, né, que era um câncer na medula. Que não é leucemia, é um raro para caralho, chama mieloma múltiplo. Ela teve. Aí quando a gente descobriu, ela fez, tava, ficou meio estropiada e fez exame para caralho, não sabia o que que era. Quando foi descobrir, já tava um pouco avançada e começou o tratamento. Eu já tinha umas piadas dela, porque minha mãe sempre foi meio uma referência cômica minha, porque ela era uma pessoa muito engraçada.
Aí eu comecei a fazer algumas, eu já tinha piadas dela, dela ter tomado um golpe no WhatsApp, Aí aconteceu do cachorro fugirem, e aquilo virou um negócio engraçado sobre sua mãe. Nada a ver com a doença. E aí o meu pensamento era, quando terminar o tratamento da minha mãe— ela terminou em janeiro, o coisa. Aliás, ela curou do câncer, só que ela morreu de outra coisa. Que é tipo, o médico tem uma notícia boa e uma ruim, né? A boa que sua mãe morreu, a boa que curou o câncer, é ruim que ela morreu, porque ela tipo morreu sem estar com câncer, mas daí deu complicação. Porque, meu irmão, Tratamento de câncer.
Ela morreu pós-tratamento?
Não, ela morreu de uma complicação de outra coisa. Já tinha dado certo, ela venceu o câncer, mas perdeu para respiração. Então ela também não sabia que tinha dois adversários, né?
Entendi. Quer dizer, então vocês—
aí meu pensamento era: vou escrever o show, quando minha mãe curar eu vou lançar esse show, aí eu vou gravar um especial para ela, que chamava até Musa Inspiradora o nome. Que era só piada, uma hora dela, que é isso que nós falamos. Eu fui juntando piada da minha mãe, tinha, sei lá, 45 minutos de piada da minha mãe. Aí eu escrevi mais algumas coisas sobre a doença dela e ela ter vencido, e gravar um show em homenagem a ela. Daí ela morreu e eu tinha todo último domingo do mês eu fazia show em Curitiba, desde que acabou a pandemia.
Então me obrigava, por exemplo, seus pais estão lá no Recife, então eu fazia questão de ir para lá. Então, ah, mas vai dar só uma sessão, não tem problema, eu tô indo, não tô para fazer o show, tô indo para ficar com minha mãe. Então era só desculpa. Exatamente. Então todo final do mês eu chegava, almoçava, tomava o café da tarde, fazia o show, no outro dia ficava mais uns 2 dias com a minha mãe.
É porque você mora em São Paulo. Eu tenho o privilégio da minha mãe tá aqui, eu trouxe minha mãe para São Paulo.
E aí você tava afastado, minha mãe não vinha para São Paulo nem assim, sem ferrando, apesar das irmãs dela tá aqui.
E se você não faz isso, só para explicar, você não faz isso, você não consegue encontrar mais pessoas.
Você que tem aquele da frequência que você vê, né, Fortaleza. Na frequência. E aí, e aí, se a gente não se obriga, a gente acaba não vendo, né? E ela tava sozinha lá porque o meu irmão mais velho mora em Arraial do Cabo e o mais novo mora em Portugal. Eu sou que mais tenho condição. Então todo mês eu fazia show e ficava com ela, que foi ótimo. Sim, esses anos todos que a gente passou todo último domingo. E Dia das Mães eu sempre marcava o show obrigatoriamente em Curitiba.
Você é muito do caralho, Afonso, eu preciso te dizer isso, cara. Você é muito, inclusive Eu vi uma piada sua que eu achei tão engraçada, cara, genial, que você falou que você a vida inteira você comprou casa para tua mãe, você comprou casa de praia para tua mãe, você comprou casa para ela tal, né, para causar inveja nos seus irmãos.
E aí sua mãe morre e agora eles estão dividindo a casa que era tudo para ela.
E eu queria entender assim, entender não, porque eu sei, mas eu queria que você explicasse como que você encontra a graça numa tragédia, né? Porque de alguma maneira tem uma coisa ruim ali. Qual foi o tempo ruim Então, mas qual foi o tempo do cara? Vou falar disso, foi instantâneo. Na hora que morreu, eu fiquei sabendo que você recebeu a notícia, você tava indo fazer o Vibra, tava?
Não, tava, eu tava para entrar no palco, que era culpa dos amigos. Culpa dos amigos, a gente fez as sessões muito espaçadas, era 3 sessões, só que era umas 2 da tarde, umas 6 e umas 10. Aí eu tô indo para o Vibra, me atira na primeira sessão. Na primeira sessão, tô indo para o Vibra, era na verdade de manhã, 10 e pouco, minha tia mandou mensagem sábado de Aleluia, um antes da Páscoa. Já tava programado para eu ir domingo para lá para passar a Páscoa junto com a minha mãe no hospital, eu e meu irmão.
Já tinha comprado, não, já tava tudo certo, já tinha comprado chocolate para dar para ela já. Aí tava já tudo certinho.
Desculpa, sua mãe já tava fora do hospital?
Minha mãe não, minha mãe tava internada porque ela fez o transplante, ela fez o tratamento de 8 meses de quimioterapia 8 meses. Janeiro terminou. Aí é quando termina, o corpo tá pronto, finalmente zerou para poder fazer o autotransplante, que é tira a medula, trata a medula, devolve a medula. E ela fez todo esse processo. E nesse momento ela tava no hospital na questão de recuperar, porque você fica com a imunidade de um bebê, claro.
Então zero imunidade, só podia visitar ela quarta e domingo. Só podia visitar ela e duas pessoas que tava no papel. E aí entrava um, depois entrava o outro. Eu tinha cancelado um show domingo antes, eu tinha cancelado, tava em Campo dos Goitacazes com 4 amigos, e no outro dia era Macaé. Eu falei, não, vou pegar o— fiz o show de sábado, acordei, fui para Curitiba para ver minha mãe no domingo, para visitar ela. Aí na quarta-feira meu irmão tava lá e falou, cara, nem adianta você vir que ela tava meio chapada e tal.
Esse domingo foi a última vez que você viu ela?
Foi a última vez que eu vi minha mãe, e ela já tava meio chapada, tava tava meio estranha já. Aí no sábado, 10 e pouco, minha tia ligou: ó, tua mãe tá indo para UTI, mas tá tudo bem, é só uma complicação. Nesse dia, nesse mesmo dia. Só que fala: tá indo para UTI, tá tudo bem, é meio, não faz muito sentido, não bate as contas, entendeu? É um paradoxo. Só que aí eu comecei a conversar com amiga minha que é médica. Ela falou: não, é normal isso daí que vai fazer, pá pá pá.
Beleza. Continuei falando com a minha tia. Minha tia: não, estamos aqui, já vou ir para casa e tal. Tava no Vibra, um, duas e pouquinho antes. O que foi mais maluco, a gente era culpa dos amigos, é culpa do Cabral e o 4 Amigos fizeram apresentação. Então, Thiago Afonso Padilha, então a gente apareceu para as 4 mil pessoas que tava lá. Ah, se apresenta tipo, hoje vai ser o elenco, tá todo mundo aqui, daqui a pouco eu tô aí no palco.
Fui para o camarim, aí era cambota, Márcio, Nando, eu. A cambota fez, chamou o Márcio, o Márcio ia chamar o Nando, Nando ia chamar eu. Quando tava o Márcio no palco, meu irmão me ligou, ó, mãe não aguentou, morreu. Puta que pariu! Aí eu fiquei meio em choque, desliguei, desliguei o celular. Ele começou a chorar, desliguei o celular. O Di tava na minha frente, falei, cara, minha mãe morreu. Não consegui entender muito o que tava acontecendo.
Sentei, já falei para produção, não anuncia eu. Porque não dava para entrar no palco logo na sequência. Aí já pulou, e as pessoas meio, ué, cadê o Afonso? Não entra. Aí já começou a ver passagem que vir para Curitiba. Só que olha como é a cabeça do comediante, porque sentou, o que que eu tenho que fazer? Tem que ir para Curitiba, não tem o que fazer, ela morreu, vamos resolver. Aí já comprou passagem para 5 da tarde, já fui comprando a passagem do meu irmão mais novo que tava em Portugal para ele vir para o velório, mano, turbilhão de coisa acontecendo.
E foi Quando eu tava indo para o aeroporto, eu fiz a primeira piada, mesmo ela tendo acabado de morrer. Que era do— ela morreu no sábado de Aleluia. Eu falei, se ela tivesse morrido na Sexta-feira Santa, domingo tinha uma esperança dela voltar. E aí eu fiz essa piada para o motorista, é automático, para o motorista que tava me levando. E aí o cara chorando e rindo. E eu fiz, caralho, mano, por que que eu não consigo parar de pensar em piada?
E eu fiquei pensando um monte de coisa. E ao mesmo tempo que eu tava muito triste Eu tava pensando, caralho, eu tenho show no Dia das Mães, eu preciso homenagear minha mãe de alguma maneira. E aí, aí a cabeça milhão, chega.
Você foi sozinho para o aeroporto?
Sozinho para o aeroporto. Aí peguei o voo, fui chorando o voo todo, muito maluco assim a sensação. Eu nunca tinha perdido ninguém, né? Tipo, nunca tinha perdido, tinha perdido um tio, mas os avós eu tive pouco contato. Um tio que eu gostava um pouco mais, mas ainda assim existia já um distanciamento que a vida tinha distanciado. Aí perdeu logo minha mãe, que era a pessoa mais importante, né? Aí chegou lá, eu tive que resolver toda a burocracia, fui eu que fui conhecer tudo.
Eu fiquei mega preocupado com você, porque eu tava preocupado, porque eu falo assim, caralho, eu obviamente eu me coloquei na tua pele, né? Porque você tá, porra, num show e ao mesmo tempo você tá sozinho, você não tem teu pai já, né? Aí eu falei, pô, como é que ele vai resolver essa pica sozinho, né? Que é quase como uma porrada, e ao mesmo tempo é Porra, que foda, você tem muito amigo, muita, muita gente foi lá.
Já cheguei em casa, já tinha amigo, Douglas, Juninho já tava esperando, meus irmãos, meu irmão mais velho tava lá, minhas tias. Então as próprias meninas, é o Thiago, e aí todo mundo foi, os moleque foram no dia do velório, a Bruna foi, a Bruna, o Denis, o Gui, a galera foi tudo para lá. Aí, mas é isso, a comédia ela sempre me acompanhou. Então eu acho que a maneira de eu lidar com o luto foi também com a comédia. Como ela, quando meu pai foi embora, eu fazia piada sobre isso.
Quando eu era adolescente, não sabia como chegar nas meninas. E aí, querendo ou não, isso é uma fase triste, porque, pô, você é filho, você quer desenrolar de alguma maneira. Que eu faço piada. Então a piada me salvou várias vezes.
Meu filho foi assaltado, a gente acabou de falar, é isso. Meu pai tava com COVID. Eu tenho uma piada maravilhosa assim, meu pai ficou internado em coma Eu vi esse material, eu vou lá e fiz para caralho.
Pois é, porque, mas as pessoas, elas acham que as pessoas querem medir também o quanto você tem que esperar. Eu fiz, eu fiz, minha mãe morreu no sábado, domingo foi o velório, quinta eu já tava fazendo show. Porque primeiro que minha mãe gostava muito de ver eu fazendo stand-up e também tinha que pagar o velório. Então falei, mano, vou trabalhar, vou trabalhar. E é uma maneira de você colocar para fora, porque senão você internaliza.
E a gente comediante, querendo ou não, a gente é meio Mas acho que tem uma poesia por trás que as pessoas—
eu tava tentando entender assim os tipos de risada que existem, né? E as pessoas, eu acredito que muita gente fica na dúvida de achar que a risada ela é só de chacota e não sabe que o humor ele tem alívio, né? Porra, caralho, é alívio! É você falar uma parada do tipo assim, eu tô fazendo essa piada para me aliviar, não tô fazendo essa piada porque eu acho minha mãe uma merda, tirando sarro porque minha mãe morreu, porque eu acho que ficou entra muito no imaginário brasileiro que risada é sarro.
É sempre uma das risadas.
Por exemplo, o Léo Lins tem outra risada. O Léo Lins tem uma risada que é falar coisas que, porra, não pode, é proibido. A tua risada de identificação, a minha risada é do cara olhar e falar assim: puta, eu nunca parei para pensar nisso.
Cada um tem uma risada, e essa risada do amigo, o próprio comediante trabalha com todas as risadas. O Léo também faz identificação, todo mundo.
Exatamente, exato.
A gente trabalha com os vários tipos. E aí eu fiz Santa Catarina, eu fui fazer show, e aí uma mulher mandou uma DM, ó, não acho que você devia estar fazendo piada com sua mãe. Tinha acabado de fazer o show em homenagem à minha mãe, já tava testando essas piadas porque eu ia gravar no Dia das Mães. Não acho. Eu falei, moça, mas é porque minha mãe é o meu jeito de lidar com o luto. E ela, não sei o quê. Eu falei, ô, Luana Piovani, dá uma segurada aqui, você não pode querer medir. E aí comecei a debater com a mulher.
Que bosta, cara! Mas é que as pessoas, elas não têm esse entendimento Elas acham que você tá sendo insensível.
Isso bem pontual, tá? Então a gente tende também a achar que só as pessoas que comentam— não, a maioria das pessoas gostaram muito. Recebi muito feedback legal, muita gente que levou a mãe, chorou, porque é uma homenagem. Ao mesmo tempo você tá dando risada e você tá lembrando de alguma coisa.
Eu sei que você lançou, eu sei que você lançou o especial. Por que que você não pensou em viajar com esse especial? Porque eu acho que tem uma coisa tão foda nisso de ter tanta gente. Quando eu fiz aquele vídeo lá Meu pai tava em coma, né? Eu fiz um vídeo que, sei lá, foi uma epifania. Eu tava muito louco, tava mal para caralho, chorando.
Que é isso, precisava falar.
Que eu falo da coisa do— nem piada, que eu falo da coisa do quanto tempo você— quantos encontros você ainda tem com as pessoas que você ama. O meu pai eu vejo uma vez por ano. Meu pai tava morrendo. A média, eu vou ver meu pai mais 15 vezes. Tem avô que você vai ver 3, não sei o quê.
Essa porra tem um gráfico, já viu esse que é o tempo que você passa com as pessoas da sua família, e vai ver família, e vai diminuindo, relacionamento, elas ficam mais velhas, muito foda.
E aí eu fiz essa porra, mas assim, fiz ali, não fui pensando em fazer corte, chorando e tal. E essa porra, cara, tem gente que me encontra até hoje na rua e fala assim, cara, aquilo ali mudou minha vida, aquilo não sei o quê, não sei o quê lá. Você bota a pessoa para pensar, né, de tu não pensou em falar, porque eu acho quando a gente fala de família, mãe, esteve o Paulo Gustavo e tal. Você teve um envolvimento muito grande. Por que lançar agora?
Por que não fazer disso uma coisa, pô, vou viajar para contar essa história da minha mãe?
Se ligar, eu acho que primeiro que você coloca no YouTube, você vai, eu vou atingir muito mais gente do que eu ficar rodando. Segundo, eu acho que também é ficar martelando no luto.
Ah, tá, entendeu? Chega, acabou.
É, não, eu quero fazer, eu tinha Como eu já tinha, eu tava falando, eu marcava o show todo domingo e sempre Dia das Mães era lá, tava marcado o show. A produção já começa: e aí, vamos manter? Vai fazer? Eu falei: vamos manter, e eu vou gravar um show homenagem porque eu sei que vai ser um dia muito pesado, Dia das Mães, que vai ser o primeiro Dia das Mães sem minha mãe. Um mês e pouco que aconteceu. Meu irmão mais novo que mora em Portugal tava em Curitiba.
Falei: vamos tentar, tem uma palavra que eu não gosto, mas é ressignificar o Dia das Mães. Que aí, em vez de ser um dia muito triste, nós vamos dar risada para caralho. E aí eu consegui que minha tia, que era muito próxima dela, foi para lá, umas outras amigas. Então no domingo, Dia das Mães, que era para estar, puta que pariu, perdeu minha mãe, a gente tava em casa. Eu cheguei, memórias, né?
Vamos lembrar das merdas que ela falava.
Fazendo arroz, meu irmão trouxe um frango, tava todo mundo comendo e batendo papo, dando risada, lembrando. Meu irmão tocando sertanejo no violão, lembrando a minha mãe.
Que é um jeito que ela era foda, minha mãe era assim, tipo, cara, você tá falando um negócio que é muito legal, que eu nunca parei para conversar, que é sobre luto. Porque eu acho que você também nunca viveu luto.
Nunca tinha pensado sobre o luto.
Como é que você tá hoje, cara? Você tem lutado?
Eu acho que o sentimento que eu tenho um mês e meio depois para falar sobre é que não vai passar. Eu tenho esse sentimento de, puta, essa tristezinha vai ficar. Mas ao mesmo tempo é um vai acompanhar você ali e tá tudo bem você pensar. Só que agora, o resto da vida, todo momento. Porque, por exemplo, eu vou ver planta, eu vi essa parede de planta, falei, caralho, minha mãe gosta de planta, minha mãe gostava de planta. Então são coisas que vai trazer a pessoa de volta.
Só que é isso de você— tem gente que vai chorar muito. Meu irmão ficou triste, chorou muito. Eu fiz piada. Cada pessoa lida de uma maneira e eu acho muita gente quer julgar ou falar, puta, você tinha que estar chorando, você tinha que não sei o quê.
Só que cada pessoa, você tá ótimo para quem perdeu a mãe.
Exatamente, é isso mesmo. Braba, pessoa fica brava, que tipo, cara, você tá fazendo show, você perdeu sua mãe.
Falei, pois é, você fala disso no show, que as pessoas querem uma reação sua do tipo, não.
E as pessoas que te abraçam chorando, puta que pariu, mano, as pessoas abraça a longo, né? Cara, as pessoas abraçam longo demais assim.
Não é, eu sei, eu adoro. Eu sei, eu sei.
Eu fui em Lorena, mano, que raiva que eu fiquei desse dia. Fui em Lorena, fiz as piadas, aí veio uma véia de uns 90 anos, que as véia gosta de mim. Aí porque eu falava da minha mãe, então agora mais ainda. Aí uma véia muito simpática levou uma flor bonita para caralho, uma orquídea, que minha mãe gostava de orquídea. A véia uns 90 anos Ela fez: eu também perdi a minha mãe. Eu falei: minha senhora faz só 40 anos. Puta, que parecia sua mãe tivesse viva e a minha morreu.
Aí eu ia ficar puto, porque a senhora tem— não é possível que sua mãe ia estar viva, cara. É foda, cara.
Mas eu fico pensando, qual o limite da morte também? É tipo, qual o limite? Assim, tem uma idade que a gente sofre. Morreu com 50, pô, é triste.
Minha mãe morreu com 63. É ruim, tá doido, pô.
Porque assim, mas é um, mas é um, é menos do que 40.
Ah, não, não, claro, quanto mais novo, mais chocante é.
Mas tem uma idade que é, caralho, é isso.
Tem uma idade que é, tem uma idade que na verdade se a pessoa fala fulano morreu, você fala, mas tava vivo. Exato, entendeu?
Tem uma idade que a pessoa fala, vou na padaria, porra, você fala beijo, se abraça.
Sabe o que é foda? De que chega, tem gente, tem todo mundo tem um velho na família que Ó, vai lá dar tchau pro vô, porque pode ser a última vez que você tá vendo ele.
Faz 8 anos que esse porra desse velho tá morrendo, ele vai enterrando geral, todo mundo.
Ó, esse é o último ano, já é o último ano do caralho dessa porra desse velho.
Não morre não, Natal.
Vamos chamar o tio lá, o tio lá tem que estar com a gente, que é velho que morre, velho que já tá bem velho, que morre perto das festas, cara. Vai tomar no cu, que ele vai foder a festa de todo mundo, você com a casa da praia paga. Aí Aí morreu o vô, insuportável. Morre em agosto, que não tem nenhuma data comemorativa em agosto.
Puta que pariu! Mas é verdade, cara, fode todo o rolê, cara. O meu avô morreu no dia do aniversário da minha mãe, cara.
Muito, sabe que isso é foda?
Porque daí todo aniversário da mãe ela sofre para caralho.
Aí o aniversário, minha mãe morreu perto da Páscoa, aí é um dia antes da Páscoa. Agora toda Páscoa é, nossa, e isso é foda. Porque, por exemplo, minha mãe morreu dia 4 de março. Quando fez um mês, todo dia 4 agora vai ser, caralho, minha mãe morreu dia 4.
Ah, o 4 vira um—
não tem como, é inevitável.
Você tá comendo a menina, fica de 4, fica de 4, 4 de junho.
Mas foi muito assim que a gente lida, velho, mano. Mas foi muito, foi muito louco fazer esse show assim. A primeira vez que eu fiz as piadas, eu já abro falando, né? Sobre isso. E aí eu vou explicando por que que eu tô fazendo, porque minha mãe era uma pessoa engraçada, e começa a contar características dela. Aí eu conto histórias dela com meu irmão mais velho, com meu irmão mais novo, comigo, e vou fazendo meio uma timeline de como aconteceu até ela morrer.
Faço as piadas de velório, tá? Um show muito, muito engraçado. Eu acho que eu arrisco a dizer que é um dos shows mais engraçados que eu já fiz, por incrível que pareça.
Tá no YouTube, tá no teu canal?
Tá no meu canal. A Melhor Mãe do Mundo, nome.
A Melhor do mundo, Afonso Padilha. E tá vindo piadas novas, passando, que vai passando, né?
É, e essa é a cagada nossa mesmo de comediante. Eu gravei dia 10, gravei no Dia das Mães, e aí essa era a última, foi a última semana que eu fiz o show. E aí continuei fazendo as piadas porque até soltar dá para eu fazer ainda, é uma maneira de eu me despedir também.
Sim.
Aí começa a vir piadas novas, você fala, puta que pariu, devia ter gravado essa, cara. Mas também não me apego não, aí tá tudo bem.
Você mudou seu entendimento sobre morte? Depois disso, se tipo mudou alguma coisa, você tá lendo mais sobre o assunto?
Foi uma maneira de lidar legal também. Eu li um da Ana Quintilha que chama A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver, bom para caralho, que ela é uma médica de cuidados paliativos, que é muito foda ela. Ela tem uma tetralogia, né, que são 4 livros falando sobre o tema. Eu li esse que fala sobre luto, muito bom. Linda Simone de Beauvoir, que foi o do Uma Morte Muito Suave, que ela conta como foi com a mãe dela, ela acompanhando a transição. Vi vídeos.
Eu tenho um comediante que mudou muito minha vida, Doug Stanhope.
Pronto, foi esse. Esse não consigo mais achar esse inferno desse, não tem, cara. E ele contava como ele fez, ajudou a mãe dele a fazer a eutanásia, né, mano?
Tem um cara que é o Doug Stanhope, impressionante. Eu fiquei amigo dele, não sei se você sabe dessa história.
Isso é muito Você tá maluco?
Você sabe disso?
Não, claro que não sei.
Porra, deixa eu explicar. O Doug Stanhope é um comediante meio alternativo, né? Ele não é o cara do meio, mas ele é um dos melhores comediantes que tem do mundo, de texto. Ele é muito bom. Eu não sei porque ele não é tão mainstream.
Não sei se ele não quer também, eu acho.
Não sabemos. É, pode ser que ele não queira, tal. É verdade, é bem provável que seja isso, porque ele é muito foda-se tudo, né? E ele é um comediante que eu me lembro que eu tava— Netflix lançava pouco especial de comédia assim, né? No período que mandou o dele. Eu tava procurando, eu falei, cara, Doug Stanhope, vou ver. E ele tem um material, mas você não conhecia ele também?
Não conhecia. Eu também, igual eu só queria ver stand-up, né? É qualquer coisa que tivesse hoje, Netflix tem para caramba, tem muito material.
Que bom! Mas uma época, tipo, tinha a gente e uns 5 comediantes americanos que apareciam. Aí eu fui ver o do Doug Stanhope, cara, acho que foi uns 25 minutos assim, 20 minutos. Ele falando sobre como ele ajuda a matar a mãe. Mas do jeito que fala, parece que ele matou a mãe. Mas é a eutanásia da mãe, e ele que botava os remédios para mãe.
E aí ele fumava, tinha câncer de pulmão, e ele vai contar o pedido da mãe, fumaram cigarro junto antes dela morrer.
Lembra, mano? Aí eu olhei para aquilo, eu falei, é a comédia num lugar que, caralho, que é muito, muito difícil, muito difícil, muito avançado. E ele fez com uma primazia que eu falei assim, Isso para mim é o lugar que, porra, eu preciso estudar muito para chegar, tá ligado?
Acho que é estudo, dedicação, tempo. Tem umas coisas que não adianta você querer acelerar, mano, o processo, que vai— o Doug Stanhope, ele faz há 40 anos stand-up. Pô, eu tenho 15, você tem 18, 20, então não tem como, pô.
Eu já me peguei nisso também, que os caras da nossa idade, nossa geração, eles não são igual a gente é lá nos Estados Unidos. Ele é um cara que tá ainda—
é, esse programa do Kevin Hart mostra os cara com 15 anos de comédia ainda estão em outro lugar, né?
Tanto que o Rafinha é um cara que é o grande nome da comédia brasileira, ele tá lá, obviamente tá com sucesso, muito sucesso, mas ele é um cara que tá ralando, né? O cara faz os combos, não é o cara que faz ginásios de 40 mil pessoas. E aí o Doug, né, eu fiquei tão empolgado com o especial dele que eu escrevi no Twitter Falei, cara, acabei de ver o especial de um cara chamado Doug Stanhope e tal. Ele começou a me seguir, a gente ficou trocando ideia, cara.
E aí quando eu fui agora no Petri, amigo dele também, se eu não me engano, entrevistou ele, né? Eu vi uma entrevista do Petri.
E aí eu fui com Murilo Couto no show dele, ele chamou eu para abrir, eu abri o show dele. E foi muito do caralho, falei, cara, tô abrindo o show do Doug Stanhope, cara, que eu vi e tal.
Então assim, tá veião, ele tá veião, cara, mas é um cara maneiraço assim, bom, fala porra, ternão do Didi, né?
Ele usa os ternos, mas ele é muito empolgado com as paradas assim, caralho, o Brasil tá tá fazendo comédia, isso é tão rock and roll, que foda. E aí aquilo ali para mim é uma coisa que ali abriu minha cabeça. Você é um cara muito estudioso de comédia, eu já vi você falando algumas vezes que você não se vê fazendo outra coisa, mas você é um excelente escritor, você é um analista social, acho você muito brilhante nisso. Tu tem vontade de ir para outro caminho além da comédia? Não tô falando sair da comédia, mas sair da comédia acho que nunca sai.
Escrever, né? Eu tô escrevendo já, já escrevi, eu tenho um livro infantil que chama Papai Cadê o Vovô, Aí eu tenho que é sobre abandono paterno, eu tenho um de crônica, tem um de crônica que eu escrevi durante a pandemia e continuo escrevendo. Eu escrevo mais crônica e os diálogos meio na linha Luiz Fernando Veríssimo do que até stand-up, né?
E quando que você lança?
Aí eu coloco no Substack agora, que é ótimo, que é um lugar, é o antigo blog.spot.com.
Agora é isso daí, é o blog retrô, né?
É isso, é tipo blog. Aí lá eu posto 3 textos na semana, só crônica assim de observação.
É, o Substack é muito legal, é muito legal. Por enquanto eu já tenho medo, daqui a pouco tem os textos, porque o Bolsonaro—
não, mas já tem, né, textos políticos. Mas eu acho que são textos políticos mais aprofundados e com um pouco mais de embasamento, não é só falando.
Eu acho que os 140 caracteres ferrou muito a sociedade, assim como o vídeo de 40 segundos ferrou muito a sociedade.
15, antigamente era de 30, agora que eles foram subindo, que eles—
porque você tem que falar tudo em 15 segundos. Então a primeira coisa que você vai falar é bandido bom é bandido morto, é a primeira coisa que você vai falar.
Depois que você vai desenvolver ver se a pessoa já pegou isso daí, já fez, você já tem a headline. E aí eu tô postando lá, era para eu escrever, tava em conversa com uma editora, tô em conversa com uma editora para lançar um livro de crônicas, que era quando Veríssimo, Luiz Fernando Veríssimo morreu. Eu escrevi uma crônica porque para mim ele é a maior referência de comédia, e eu escrevi uma crônica, essa crônica viralizou para caralho assim, ela deu, pô, foi, atingiu muita gente, furou a bolha para cacete.
Chegou nos filhos do Veríssimo, aliás. E aí eu escrevi um livro que chamava Eu Queria Ser o Luiz Fernando Veríssimo, né? Queria ser o Veríssimo. Já tava negociando e tava escrevendo, só que aí minha mãe morreu. Então, mano, atrapalha tudo. Tipo, a morte faz você—
foi a sua casa da praia?
Foi, foi a minha casa da praia. Então aí já não, já talvez não lance esse ano, mas eu continuo escrevendo também. Não tenho pressa, né? Tenho pressa, continuo escrevendo, vou aprendendo, assim como na comédia também.
E aí eu te pergunto, por exemplo, você é um cara que conquistou tudo. Aí serve para mim isso daí também. Você conquistou coisa para caralho, você é o porra Afonso Padilha, já fechou em Portugal, já fechou na Europa inteira, já fechou no Brasil. Você era um moleque, porra, fodido lá de Pinhais e tal, não sei o quê. Como que tu vê você no futuro? Ou você nem pensa nessa, você não tem essa ansiedade de futuro, do que que eu vou fazer? Quais são suas preocupações em matéria de comédia assim?
O que que você— eu acho que é melhorar como comediante mesmo, sabia? Porque Esse bagulho de eu já conquistei não sei o quê, eu acho um pouco, pelo menos começou a mudar um pouco o conceito para mim de conquistei, onde eu quero chegar e o que eu já fiz. E é mais eu continuar fazendo comédia e cada vez fazer melhor, que é muito difícil fazer melhor uma coisa que você já pode estar acomodado. Então é melhorar como comediante, cara.
Que que eu, que que eu vejo os cara fazendo lá fora? Eu vejo, tipo, quem são minhas referências? Bill Burr, o Monroi. É a minha maior referência aí, né? Você viu o Chapéu ali em alguns momentos ali. Então, o que que eles fazem? Isso. Primeiro, eu preciso de tempo pra chegar onde eles chegaram. E segundo é estudar e tentar, né? E tentando esticar a corda aos poucos. Então, o meu foco é melhorar como comediante, mas não é tipo, caralho, fazer mais um especial de não sei o quê.
Não, só um passo de cada vez mesmo. E eu tenho um problema de fazer futurologia. Eu não consigo me ver no futuro, mas é porque eu tenho um negócio chamado fantasia. Já ouviu falar disso daí?
Não.
Que é a pessoa que não consegue— eu não consigo ver, eu não consigo imaginar, não tem imaginação.
Como assim?
Tipo, eu não consigo, é só preto só. Depois procura, chama fantasia. Por exemplo, eu fecho o olho, eu não consigo imaginar, eu não consigo ver minha mãe, não consigo ver imagem da minha mãe.
Isso é uma condição?
Isso é, ele é um assim, não chega a chamar condição porque não tem um remédio, não tem um tratamento, nada.
É, tem uma porcentagem muito pequena, mas é uma neurodivergência?
Não chega a ser uma neurodivergência, mas é um, tá dentro disso daí, entendeu?
Você tem alguma neurodivergência?
Agora que eu tô investigando. E aí a gente chega primeiro nesse daí e tá fazendo.
Mas você acha que você tem o quê?
Acho que eu não sei. Você não tem memória fotográfica? Não tenho memória fotográfica. E eu não tenho, tipo, meus irmãos conseguem lembrar das coisas, eu não consigo lembrar.
Pera aí, pera aí, calma, calma, calma.
Tipo, é preto, é só, é só, por exemplo. Mas como é que você fala para mim, fecha o olho, imagina um elefante branco? Eu não consigo imaginar.
Mas como é que você cria?
Eu crio porque é, sei lá, palavras. Eu não sei te explicar, mas eu quero entender, sabe? Porque entrar muito nesse assunto, o João Baldo Ribeiro, o pai do Bento, ele tinha isso daí.
Será que por isso que você externaliza?
Eu acho que pode ser alguma forma de chegar nisso daí.
Mas como é que você, por exemplo, quando você tá escrevendo um texto, você vê uma imaginação para escrever?
Não vem, não vem, não vem uma imaginação. Na verdade, assim, eu não vejo a imagem, mas óbvio que ela tá acontecendo em algum lugar, mas eu não consigo. Tipo sonho, é muito, muito difícil eu sonhar.
É muito difícil você bater punheta sem ver alguma coisa.
Isso, mentira, juro. Eu não consigo imaginar. Imagina transando, eu não consigo imaginar. Eu falar agora William Bonner pelado, não, nada, não vem nenhuma imagem do William Bonner. Chama fantasia isso daí, procura. É muito, é muito foda, porque eu ficava assim, meu irmão lembra muito das coisas. Imagina tal coisa, não consigo imaginar. Imagina entrevista de emprego, esses bagulho que fazia dinâmica de grupo, fulano, ciclano estão se afogando, mano, eu não tenho ideia.
Eu já vi falar disso.
Mas tem uma ilustradora pica da Disney, é uma das melhores, e ela tem.
Imagine você ser ilustrador, porque você é roteirista, e o roteirista, que teoricamente é um cara que pega algo que tá mental e joga no papel. Por exemplo, eu vou falar para você, eu queria ter um pouquinho disso, porque eu penso demais até. O meu pensamento, ele é muito constante. Você não tem ansiedade então?
Eu não tenho, pelo menos dentro desse, você nunca tá criando novos cenários? Não. Eu não fico criando.
Não, você tem uma ansiedade: vou subir no palco daqui a pouco, quero fazer o show ficar bom.
Mas é uma coisa, mas é porque pelo que eu tô entendendo, pelo pouco que eu conversei, o que eu li, é você tem isso. Por exemplo, eu vou ter ainda, eu não imaginações, eu não consigo visualizar as imaginações, mas eu consigo de alguma forma colocar no papel. Mas quando eu tô escrevendo uma cena, eu não tô imaginando que aquela cena tá acontecendo, eu só tô escrevendo.
Na verdade, será que você não tá reproduzindo as leituras que você teve?
No fim das contas, tudo que a gente faz é referência, né?
Mais ou menos, porque tem gente que vai acreditar que é uma coisa de consciência humana. Tem gente que acredita que as ideias que você tá recebendo, sei lá, inconsciente.
Mas daí ninguém liga para esses doidinhos, porque tudo é gente normal, tudo que é elemento externo. Se você pegar uma pessoa e colocar ela morando lá no meio do nada, ela vai ter outra consciência, ela não vai ter, ela não vai conseguir Acredita.
E aí fudeu, porque vai para um lugar muito abrangente que a pessoa fala assim, cara, nada, estamos falando de fatos, né?
Ok, ok, entendeu?
Então você é ateu?
Eu sou ateu. O bagulho da vida após a morte, só que foi uma coisa que virou uma chave de depois que minha mãe morreu, que foi, não acredito em vida após a morte de espírito e etc., mas eu acredito no vida após a morte continuar na gente, a pessoa. Então a vida, enquanto falar, enquanto ver planta, enquanto eu contar uma piada dela enquanto eu vi alguém escutando sertanejo. Minha mãe gostava muito de sertanejo. Então toca Boate Azul, na hora eu já lembro da minha mãe.
Então é ela vivendo naquele momento, entendeu? Então é a vida após a morte acontecendo.
Ou seja, pessoas que fazem coisas memoráveis, elas são eternizadas porque elas não morrem nunca. Então, por exemplo, tem pessoas que fazem coisas só para—
mas ao mesmo tempo quase todo mundo em algum momento vai ser esquecido. Isso é muito louco, a não ser que você seja o Japi Linda, né? Mas aí não sei o que você seja, Hitler.
Eu já sabia que eu já pirei nessa tese. Eu vou falar, posso falar? Eu já pirei nessa tese, eu falo isso no meu show.
Mas tem um negócio que é assim, 100 anos demora para ser esquecido. Não sei, tipo, não, não, os cara já fizeram um estudo, tem uma média de 100 anos para ninguém mais lembrar do Maurício Meirelles. Ainda a gente tá num momento que tem rede social e YouTube, que daqui a 100 anos pode ser que alguém clique e fala, mano, quem que é esse maluco aqui? Ah, sim. Ah, aí você vai ser lembrado, mas já vai resgatar a calma que você tiver tá dançando, alguém vai acabar antes desse.
Então você eternizado igual. Mas Hitler, na minha tese, é o seguinte: eu acho que ele falou, não vou ser só um filho da puta, eu vou ser um filho da puta que todo mundo vai lembrar. Então, se é para ser filho da puta, vamos ser legado.
Mas podia ter escolhido um penteado e uma barba melhor para ser lembrado o resto da vida, né?
Mas ele fez questão de— se ele tivesse uma barba normal, ninguém lembrava.
Se eu vou ser lembrado o resto da vida, eu vou pensar muito no meu penteado.
Mas as mulheres não iam usar bigodinho de Hitler.
É, mas é a única que é permitido, né? Vai você usar bigode de Hitler na rua para você Eu uso aqui, só pode usar na buceta e no saco.
No saco é muito escroto.
Aqui, ó, no saco, aqui, ó, na parte de cima do pau, na testa.
Mas nem escroto, cara, as mulheres deviam homenagear, fazer o bigodinho de Schindler que salvava os judeus, por que não?
Mas enfim, né? Chaplin, às vezes era bigodinho de Chaplin. Só que aí bigodinho de Chaplin ninguém— as pessoas achavam mais fofo de Hitler. Eu vou arrebentar, eu vou arrebentar com essa buceta.
Judeus comendo para caralho, as mina, mano.
Vou arrebentar essa filha da puta, cara.
Caralho, cara, que a gente não fica tranquilo que aqui não é, a gente não passa de 1 hora e 20, cara.
Porra, mas é isso basicamente, o show sobre minha mãe.
Eu quero que vocês então assistam, saiam daqui direto, vão assistir. Eu vou Eu vou falar, o Afonso para mim é uma das referências de comédia.
Eu acho que a gente sempre fala, a gente tava voltando no programa do Rachando o Bico lá, a gente tava assim, quem do Brasil se sairia muito bem? Você, a gente colocou na final você, o Sarro, porque o Sarro ele é carismático e ele acerta bastante. Quem mais a gente colocar? O Patrick, porque é meio diferentão. A gente começou a tentar criar, eu estaria na final. Caralho, mas você é competitivo comigo? Isso. Mas daí, se você é com você, você já vai querer ser—
eu sou muito competitivo comigo. Eu não sou assim, nossa, o Afonso tá fazendo 6 sessões. Não, não, eu falo, caralho, o Afonso tem um público dele, eu tenho meu público. Não sei se eu quero pegar o público do Whindersson, não sei se eu quero pegar meu público, é meu público. Eu fico mal quando eu falo assim, caralho, eu fazia 3 sessões aqui, agora tô fazendo uma, alguma merda aconteceu.
Então será que isso é muito foda? Eu tava conversando com a Bruna, de também voltando ao papo de você, mano, eu ao invés de eu sofrer porque eu fazia 3, tô fazendo 1, é caralho. Eu acho que tem que ir mais para um lugar de, puta, eu fazia ano passado, eu fui para Jundiaí e fiz 2 sessões de 3.000, esse ano eu tô indo e fazendo uma de 900. Eu acho que tem que pensar que primeiro existe vários outros fatores que naquele momento tava acontecendo, E segundo, tem que ser um negócio meio, caralho, muito louco, já fiz 3 mil pessoas aqui e hoje eu tô fazendo 900 e ainda tem muita gente vindo.
Mas as pessoas encaram como fracasso e é burro essa encarada.
Eu tive um programa, já foi muito legal já, eu tive um programa, e ainda é muito legal.
Eu tive um programa com os nossos amigos na Globo, né, eu, a Bruna, o Thiago, né, o Murilo e tal. E aí as pessoas falam assim, ah, fracassou. Eu falo, não, Não, eu fiz um programa na Globo.
Não, muito maneiro.
Eu aproveitei. Não, não, meu pensamento—
calma, ganhou um dinheiro, colocou outros comediantes para trabalhar, um público novo te assistiu.
Olha como é que é escroto. Eu fiz um projeto que era um piloto, aprovaram, já é uma vitória. Fiz a primeira temporada, deu certo, aprovaram, fizeram a segunda. Aí se não tiver a terceira, é fracasso. Você fala, até que momento você olha para o fracasso e não olha para o sucesso? Tem uma entrevista com Atetokunpo, que é um jogador de basquete, que é tão legal que o cara— você já viu essa entrevista? Não, já, já, já. É Gianni Atetokunpo, ele é um jogador de basquete nigeriano, se eu não me engano, de família nigeriana.
E aquele que atendeu o telefone que a mãe dele ligou no meio da entrevista?
Não, já é outro.
Esse é muito bom essa ligação.
Não sei se é o mesmo, mas assim, a entrevista é muito boa, que falou assim: e aí, esse ano foi um fracasso? Ele falou: meu irmão, se você olhar quantas vezes ganha-se no basquete é muito menor de quantas vezes você perde. Para de achar que sucesso é só o tempo todo.
Ele fala isso, ele fala, cara, muito foda do caralho.
Ele fala, cara, esse ano a gente não ganhou o campeonato, ano passado a gente ganhou. O Michael Jordan jogou 80 temporadas e ganhou 6, então ele é um derrotado?
Muito, muito baixa. Se as pessoas quiserem colocar como vitória sempre, é uma merda.
Aí o Afonso tá em queda, hein?
Não, então esse, os últimos, tanto 4 Amigos quanto no show solo também. A gente tá vivendo esse momento, você já viu, muito diminuiu. É ondas, né, das ondas, é normal. E aí a gente quase caiu nesse lugar de puta que pariu, temos que fazer alguma coisa urgente, não sei o quê.
Não, mano, é normal.
Quando começou a cair, a gente colocou o pé no chão, fez: tá doido da cabeça, olha o tanto de coisa que a gente já fez, olha o quanto ainda vai gente assistir. E aí continuar trabalhando, é isso, é continuar trabalhando. Por isso quando você fala qual que é a tua meta, é continuar fazendo uma boa comédia a ponto de daqui a pouco um pouco, as pessoas olham e fala: ih, caralho, vou assistir.
Eu tive esse papo com Murilo Couto também. É muito legal a gente conversar sobre isso, porque a gente é operário dessa merda. Eu sempre falo isso para o Rabinho, tá falando, porque outro operário também, para caralho, Rabinho tá 20, aí vai, aí puta, agora deu 300, estoura bomba, aí vai, foi o negócio da Copa que deu merda, diminui, depois volta. Então assim, eu sempre brinco que existe uma constante que você tem que olhar e não olhar nem para o nem para o baixo.
É uma constante. A constante é estar trabalhando, tá feliz fazendo o que você faz.
Que às vezes você vai estar um pouco mais puto, às vezes eu tô doente, não queria ir, mas ao mesmo tempo é muito maneiro eu poder fazer o que eu faço, ganhar o dinheiro que eu ganhei, mano. Eu poder proporcionar os bagulho que eu pude graças à comédia. Então como é que eu vou ser ingrato falando, porra, comédia agora eu não loto mais? Sendo que tudo que eu consegui proporcionar tanto na minha vida quanto a minha mãe foi da comédia.
Mas que isso, quando eu vejo os cara na Netflix, o Chapelli se juntando com com Chris Rock, sei lá, fazendo show junto, eu falo sim, eles também têm essa coisa do tipo eu preciso um do outro ajudar. Que quando o Rafinha tava, quando deu uma merda lá nos Estados Unidos, o Rafinha fez um show comigo. Você acha que você foi assistir eu e Rafinha?
Eu lembro do Cês Fizeram no Renaissance, caralho.
Eu olhei e falei, caralho, tô dividindo palco com Rafinha, daqui a pouco eu vou dividir com você, e daqui a pouco, puta, o Murilo vai estar bem, eu vou estar mal, ele vai me puxar.
E isso que eu acho que é o do caralho, que não pode ser mesmo se não trabalhar junto, você sabe que tem, puta, 4 amigos, faz, lotava. Antes foi você. A comédia tá acontecendo para muita gente. Agora é o Albani, o Gunning, e não sei quem, a Bruna puxando. Daqui a pouco vai ser um próximo. E o importante é que ainda tenha comediante fazendo e lotando bastante coisa para as pessoas olhar e falar, não, ainda tá vivendo. E tá vivendo, por isso que os menores, né, faz 40 aqui, faz o outro, faz 12.
Por isso que é burrice falar, pô, Afonso é pior do que o Ventura, o Ventura é melhor do que o Meirelles.
Cara, são Essa também é uma das coisas da internet que é uma merda, que a comparação, as pessoas comparam, começaram a comparar tudo, né?
Tudo, tudo, tudo, tudo, o bom e o mal. Tudo é maniqueísmo. Se você é bom, outro é ruim. Se eu gosto do Padilha, o Maurício é ruim. Enfim, aqui nesse comentário deve ter gente já enchendo o saco desse fulano, mas não leio também comentário. Eu parei de ler faz uns 2 anos.
É bom, né?
É bom, porra. Eu não lembro, você já viu falando do comentário aqui do Ainda bem que você não lê. Eu não leio, cara.
Ufa, ufa!
Você pode comentar à vontade, eu não leio.
Sabe por que que eu não leio?
Ela lê.
A gente lê. Minha mãe lê.
Eu não leio não, cara.
Eu falava: mãe, para de ler. Ela: não, ela lia.
Sabe por quê? Porque o cara que comenta, tudo bem, eu respeito muito quem é público, tal, bacana, seu direito de não gostar. Mas aí você tá, eu não sei quem é a pessoa, eu não sei o critério da pessoa para eu ficar afetado com critério. Uma coisa é o Padilha chegou para mim e falou: Mau, vi seu show de comédia, porra, achei meio ruim aqui, não sei o quê. Porra, eu respeito seu critério, então eu vou ouvir. Ou critério de Mateus, eu sei que é um cara que gosta de comédia, não precisa ser um comediante, mas assim, quem é Claudecir de Boa Vista? Porque você é ruim, tá?
E às vezes ele gosta do Palhaça Amendoim, que é outra linha editorial.
O que que é ruim? O que que é bom? Aí eu fico focado no Claudecir e muda minha comédia pelo Claudecir, sendo que tem uma galera que gosta de Sandero, ele tá com óculos óculos puto escrito Go United States.
Então é isso, maneiro, maneiro.
Bom, eu vou encerrar, cara. Esqueci de entregar, hein?
Tem que entregar o presente, cara.
É que o papo foi indo, mano.
Eu vim pela—
eu sei disso, cara.
Mano, eu fazia muito tempo que eu não ia em podcast, nada, né?
Aí você viu que você tá sem roupa.
Não, aí eu tô usando sempre as mesmas, já tá começando a desbeiçar a camiseta, sabe?
Eu faço questão porque a Insider patrocina comédia, velho, eu juro. Eu vou falar, não, muito da comédia, juro por Deus. Se tem uma empresa que patrocinou, Albânia patrocinado pela Insider, eu sou, o Igor Fina, que é bom para caramba, Igor Guedes, tem uma galera que é patrocinada pela Insider e tem gente que não tem grana. Você acha que a Magazine Luiza vai investir na gente?
Não vai, mano, não vai, não vai.
Então agradecer a Insider. Só para explicar, acho que todo mundo já conhece, mas roupa com tecnologia, roupa do futuro. Sempre faço questão de falar roupa do futuro, que é uma roupa que não deixa cheiro, ela desamassa no corpo. E é verdade, embora pode estar pensando em 7 piadas falando que não, mas é verdade, é fato. E a gente utiliza, é foda, os cara meteu uma roupa tecnológica, mas é, é, caralho, põe um algodão e põe essa algodão.
Você vai perceber tecnologia, você tem que carregar a camiseta.
Tudo que é tecnologia é carregar?
É, eu acho que praticamente vai pilha ou eletricidade.
Você acha que tecnologia Acho que tem a ver nisso, não sei.
Vamos perguntar para o Google depois.
Depois de pergunta para você mesmo, para o próprio ChatGPT. Então, ChatoGPT, deixa aí. Então tá o cupom de desconto, acesse o cupom de desconto. E mais uma vez, vá agora. Eu não preciso pedir, mas se você não conhecia o trabalho do Padilha, acho muito difícil, porque se você me conhece, você conhece o trabalho do Padilha. Vai lá no novo show dele, eu acho que Mais do que nunca vale a pena esse moleque escrever esse show recente.
Acabou de acontecer um incidente com ele, ele transformou um grande problema em comédia. Eu acho que isso tem que ser muito valorizado. E não só por isso, que o Padilha é um dos grandes nomes da comédia, é um cara que eu sou muito fã, e é um cara que eu acho que daqui a 50 anos a gente ainda vai estar junto falando merda. Porque há 10 anos atrás a gente falou, será que daqui a 10 anos a gente vai estar junto falando de comédia em padarias por aí?
A gente tá aqui. Aqui mais uma vez juntos, provando que a gente é resistente. Valeu, gente, tchau tchau!
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