EPIDEMIA DE DIAGNÓSTICOS: POR QUE TODO MUNDO ACHA QUE TEM TDAH? | #ACHISMOS PODCAST #418
Entre muitos achismos sobre neurodivergências, saúde mental e diagnósticos reais, hoje a Dra. Thaissa Pandolfi vai explicar como diferenciar um sofrimento real no meio de uma epidemia de diagnósticos e medicações que estão na “moda” atualmente.
MAURÍCIO MEIRELLES @maumeirelles
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DRA. THAISSA PANDOLFI @drathaissapandolf
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- Epidemia de transtornos mentaisTDAH · Autismo · Superdotação · Saúde mental · Medicação psiquiátrica · Diagnósticos errôneos
- NeurodivergênciaAutismo nível 1 de suporte · Altas habilidades e superdotação · TDAH · Pensamento não linear · Hiperconectividade cerebral · Intensidade e complexidade
- Prescrição de Drogas PsicoativasEfeitos a longo prazo · Desmame de medicação · Dependência química · Rivotril · Venvance
- Diferença entre transtornos e característicasAnsiedade (sintoma vs. doença) · Tristeza vs. depressão · Inteligência vs. superdotação · TDAH e uso de maconha
- O Papel do Profissional de Saúde MentalAbordagem multidisciplinar · Protocolo terapêutico · Diagnóstico diferencial · Capacitação profissional
Você consegue perceber se a pessoa está te enganando, se ela quer um remédio ou se ela quer resolver um problema? Você realmente consegue observar isso? Sim, com certeza. E é papel do médico não negligenciar, avaliar a questão de sofrimento, mas, por exemplo, eu como médica, todos os pacientes eu peço o contato do psicólogo.
Porque quando a gente tem uma equipe, mais de um profissional olhando esse paciente, a gente olha por vieses, né? Que muitas vezes o outro colega não tá vendo. Claro. E a gente faz discussão de caso.
Pessoal, tudo bem? Ó, esse assunto, esse achismos, na verdade, ele vai ser um pouco diferente, porque eu vou começar dando um relato aqui, e aí depois eu vou trazer uma psiquiatra para falar sobre o assunto, que eu acho que é um assunto importante, na qual eu fui inserido. A gente vai falar de epidemia...
De remédios, que eu acho que é um tema que seria muito importante abordar. Pois tá todo mundo se medicando, todo mundo indo atrás de remédio, todo mundo ficando feliz. Nossa, graças a Deus eu tenho um borderline, eu posso agora bater no meu marido e falar, ah, eu tenho um borderline. Tá virando isso. E eu vou contar um relato meu, que eu passei por uma situação muito delicada recentemente, poucas pessoas sabem, então eu tô abrindo meu coração. Eu tomo remédio do nada a...
do nada não, mas assim, há 10 anos que eu tava tomando um remédio, uma medicação, porque eu fui em um psiquiatra na época, eu tava meio pra baixo, e aí foi muito fácil conseguir o remédio, quase que eu queria esse remédio, porque eu falei, ah, se eu tô pra baixo, eu tô com depressão, obviamente, e na verdade eu tava triste.
E eu tomei um remédio, e esse remédio durou 10 anos na minha vida, e ao mesmo tempo esse remédio foi, com um tempo, 4 anos, virou 2 remédios, com 6 anos virou 3 remédios, quando eu vi eu estava tomando remédio, e minha vida estava ficando muito apática.
eu tava muito triste com a quantidade de remédio que eu tava tomando, e eu falei, pô, a vida não faz o menor sentido, porque como é que eu posso ser um comediante, como é que eu posso ser um cara, sei lá, que fala sobre assuntos, né, que eu quero observar, sentir, e eu tô meio, eu tava assim, tava meio, bem apático.
E aí, em algum momento, eu falei, cara, acho que tá na hora de eu retirar essa medicação. Fui atrás de outro psiquiatra e tal. Esse psiquiatra, obviamente, com responsabilidade, deu a desmamada no meu remédio. E eu comecei a ver a vida de outra forma.
uma forma bem mais interessante do que eu tava vivendo. Porque eu acho que a gente, nessa mania de não querer sentir tristeza, a gente também tem um problema que a gente começa a não sentir alegria. Que você toma um remédio, tipo, ah, eu tô triste, eu tô muito triste. Em vez de você curar a porra da tua tristeza, você toma um remédio, e aí você não sente mais alegria, não sente mais tristeza, não sente mais medo, não sente mais aflição.
E aí quando você vê, você tá perdendo seus sentidos. Eu tava assim, tava bem apático.
E aí eu fui fazer o desmame e quando eu fiz o desmame eu vi uma vida muito interessante, parecia que eu tava preso 10 anos dentro de uma bolha que eu não sabia. Só que, obviamente, eu não fiz o desmame de forma correta. Eu tive um grande problema na minha cabeça porque eu desmamei de uma forma talvez errada, talvez eu continuei fazendo alguns hábitos antes que eu tava bebendo e tirei o remédio e tal. E aí teve uma situação que eu preciso contar, eu comi uma jujuba.
Importante esse fato. Sabe essas jujubas assim? Que a galera, vou te dar uma jujuba. Experimenta essa jujuba, é super legal. E eu falei, cara, tá de boa. Eu não sou maconha, não sou nada. Mas eu falei, vou comer essa jujuba, estou bem feliz aqui, eu quero curtir. E aí, cara, a gente está usando quantidades muito fortes, às vezes, de...
de substâncias que você não está preparado. Quando eu cheguei para você, você fala, toma aqui esse rivotril, você toma, e você não sabe se você está preparado. Eu tomei essa jujuba, estava em uma fase de transição, e eu basicamente entrei num estado de depressão profunda que durou cinco a seis meses.
Foi a culpa da jujuba? Não só. Obviamente eu tava passando por uma série de questões por conta de remédio e tal. Aí eu fui comer a jujuba, aí a jujuba, sabe? Eu ia comer a jujuba, loucão e tal. Pô, eu fui pro caralho, mas muito pro caralho.
E aí eu vou trazer aqui a personagem desse papo, porque eu acho que é importante a gente entender que é a doutora Thaisa Pandolfi, certo? Que foi a pessoa a qual eu recorri, porque eu tava num estado muito complicado, acho que seria legal até você falar sobre como você me pegou. E depois de eu estar muito mal...
A doutora Thaisa fez todo o procedimento de uma profissional competente e eu saí dessa situação e hoje eu tô muito bem. Mas eu levei meus bons cinco meses pra voltar à normalidade e hoje eu tô muito feliz como eu tô agora. Primeiro, preciso te agradecer por tudo que você fez e eu queria trazer esse papo porque acho que muita gente pode cometer esse erro que eu cometi.
E eu acho que é importante a gente falar sobre essa glamourização da medicina, do medicamento, que a pessoa precisa tomar remédio e tal, enfim. Vou parar para falar um negócio. Nesse processo que a gente fez...
eu resolvi fazer um exame neurológico, porque eu estava tão cagado da cabeça, que eu falei, o que será que eu tenho? Pode ser que eu tenha autismo, pode ser que eu tenha TDAH, que a gente fala, eu tenho TDAH. E peguei TDAH, virou, né? E eu fiz um exame, e aí descobriu-se que eu tenho um diagnóstico de algo que hoje tenho medo de virar moda.
que é a superdotação, que é tal da ASD. Eu descobri que eu tinha superdotação, ou seja, eu com superdotação, que o meu cérebro é superestimulado, junta com uma jujuba, bebida ou droga que estimula, você pode ter o que eu tive. E aí passa um tempo, descobrimos que o Whindersson...
meu amigo Whindersson Nunes, ele também teve a mesma situação. E é muito curioso porque quando o Whindersson foi internado, eu mandei uma mensagem para ele. Antes dele saber que ele tinha superdotação, eu mandei uma mensagem para ele. Eu falei, cara, eu acho que você está tendo as mesmas coisas que eu tive.
E aí passou, sei lá, quatro meses depois que ele voltou da internação, ele me mandou uma mensagem e ele falou, pô, tu fez o diagnóstico antes mesmo da galera aqui que fez o exame. Eu falei, é, porque eu tava sentindo o que ele tava sentindo. Então, doutora, eu não tenho pergunta pra iniciar, mas eu queria saber se o meu relato faz sentido, se você tem visto muito isso. Vambora.
Faz muito sentido, Maurício, primeiro. Eu trabalho nesse campo da neurodivergência e eu vejo muito as pessoas com esses transtornos psiquiátricos, ansiedade, depressão, pânico, mas que vem como a ponta da iceberg. Muitas vezes, numa condição de base não está sendo vista, que é um funcionamento neurológico.
Então, saiu até recentemente, 9,3% dos brasileiros têm transtorno de ansiedade. É 19 milhões de pessoas. É muita gente. Então, muitas vezes, a ansiedade, ela vem como uma resposta de algo que não está legal.
E aí, dentro de um protocolo, a gente entra com a medicação. Mas não é simplesmente passar a medicação e ponto. A gente tem que ver o quanto de prejuízo essa pessoa está tendo, se está ficando disfuncional, se está interferindo nos pilares da vida, relacionamento, trabalho. Então, existe sim um grupo de pessoas que querem ser anestesiadas, então vão em busca da medicação, porque está um nível de sofrimento muito grande, mas aí só fica com o pilar medicamentoso. Porque não resolve.
resolve amenizando um sintoma. Mas a gente precisa olhar para o entorno. O exercício físico, se está fazendo suporte terapêutico. E às vezes a pessoa não está disposta a olhar para todas essas áreas.
E cada um tem um tempo. Então, quando o profissional acaba passando uma medicação, existe um protocolo de começo, meio e fim. Mas a pessoa acaba se sentindo tão bem e anestesiada dos outros problemas que ela se apega à medicação.
Tanto que eu tenho pessoas, né, grupos de pacientes que lá no passado, né, eu já trabalhava com essas pessoas que precisavam de medicação, mas hoje eu trabalho com aquelas pessoas que eu começo um desmame, elas ficam um pouco receosas. Quem sou eu sem a medicação?
Isso aconteceu comigo Vou contar um pouco do meu relato Aí a gente vai entrando Primeiro que você falou de ansiedade, que é uma coisa que eu tenho Sou botafoguense, acho que tudo botafoguense é insuoso Mas tem uma coisa que eu acho que Eu até falo isso em show, que parece que confunde muito Porque ansiedade é uma característica E ao mesmo tempo é o nome de uma doença
Existe a ansiedade que é sintoma, existe a ansiedade que é natural do ser humano, que é aquele impulso que a gente tem de começar o dia. Quem não tiver o mínimo de ansiedade não consegue levantar da cama. Claro, procrastina e tal. Então é um impulso positivo.
Mas existe a ansiedade sintoma, que pode estar relacionada a outros transtornos, e existe o transtorno de ansiedade generalizada. Pois é, mas é tudo com o mesmo nome, eu acho que isso confunde, porque quando a pessoa fala assim, nossa, eu tô ansioso, o cara fala, pô, ele tá doente, ele não tá doente, ansiedade faz parte, e eu acredito, até comecei aqui o relato falando assim, sobre talvez as confusões que a gente sente no sentido de...
Tristeza e depressão, raiva e borderline, né? Ansiedade e transtorno de ansiedade. Superdotação e inteligência. Superdotação e inteligência. Então, TDAH e maconha. Às vezes o cara fuma, o cara é só um maconheiro que tá doidão e esqueceu as coisas. Ou então é tipo, o cara esqueceu porque ele tá super estimulado com o celular e não é TDAH. Então...
Por que a gente está tendo essa quantidade de pessoas medicando-se como nunca antes visto? Porque teoricamente é seu trabalho medicar pessoas, mas uma coisa que eu sempre gostei da sua abordagem é que você não quer medicar as pessoas. E ao mesmo tempo tem muita gente que também é de uma contramão que fala assim, cara, cuidado com o psiquiatra, porque o psiquiatra ele vai querer te medicar, porque ele ganha dinheiro em cima da medicação. Enfim, me traz essa lenda mais para o chão aqui.
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É, o que acontece? Quando a gente fala dentro da medicina, das especialidades, a medicina trabalha com patologia, com doença. E a doença a gente faz um tratamento. Então, dentro da faculdade de medicina, a gente aprende a tratar. Mas o ser humano não é só sintoma.
A gente precisa olhar toda essa constituição do ser humano. Tanto que eu já trabalhei com casos graves, né? A pessoa quando procura um psiquiatra, muitas vezes, ele está já no limite do limite. E esse viés, né, dessa linha de perda da noção de muitas coisas e prejuízos. Então, muitas vezes, a medicação é um resgate.
mas ela não é a única saída. Então, existe esse tabu do médico psiquiatra que acaba dopando, usando a medicação, mas é porque precisa de passar por um processo terapêutico, de começo, meio e fim.
Então, mas é complicado isso, porque vocês são médicos que trabalham com achismo muitas vezes. Porque assim, por exemplo, quando você tem um cara que quebrou a perna, você faz um raio-x e você observa, realmente a perna dele tá quebrada. Agora, se eu quiser te convencer que eu preciso de uma medicação, porque eu só quero aliviar a minha dor, mas eu falo, não, eu tô sentindo isso, você vai ter que acreditar em mim, ou não.
Não, a gente tem um tato para olhar as percepções, as nuances. Porque, por exemplo, tem gente que fala, se eu quiser um diagnóstico, eu vou lá e consigo, um laudo, enfim. Não, a gente tem tanto a prática clínica, a teoria e a vivência relacionada às características. Muitas vezes, tem muita gente que acha que consegue inventar uma doença.
Mas não, a gente faz toda a amnésia, a história clínica, existe vários... A gente ou você?
É, aí eu não sei. Aí eu tô falando por mim. Porque como é que, de repente, todo mundo é autista? Do nada. Eu sei que tem gente que é autista e tem gente que quer, talvez, um diagnóstico. Tem gente que tem TDAH, que é uma doença séria, e tem gente que quer se aliviar de uma questão. Existem alguns pilares importantes. Por quê? Porque desse boom, né, muitas vezes, do autismo, que vem à tona.
Primeiro, teve uma grande mudança em relação aos critérios diagnósticos, de 2013 para cá. Aquilo que era visto como síndrome de Asperger, o transtorno global do desenvolvimento, passou a fazer parte do transtorno do espectro autista. Então, outras síndromes que não faziam parte, passou a ser feito.
O outro ponto é a capacitação dos profissionais e essa visão da informação. Porque o que acontece? Antes, quem eram os autistas ali do passado? Antigamente, a própria palavra autismo era um sintoma de esquizofrenia.
Então, quando a gente olha as mudanças da informação, o acesso à informação, os critérios diagnósticos que mudaram, isso acabou sendo ampliado. Sim. E dentro do autismo existem os traços autísticos, que muitas pessoas, todos nós temos, questões sociais, muitas vezes questões de comunicação. Você percebe na hora se a pessoa está te enganando ou não. Com certeza. Mas para tudo?
Sim, do transtorno em si. TDAH. Você consegue perceber se a pessoa está te enganando? Se ela quer um remédio ou se ela quer resolver um problema? Você realmente consegue observar isso? Sim, com certeza. E é papel do médico não negligenciar, né? Avaliar a questão de sofrimento. Mas, por exemplo, eu como médica, todos os pacientes eu peço o contato do psicólogo.
Porque quando a gente tem uma equipe, mais de um profissional olhando esse paciente, a gente olha por vieses, né? Que muitas vezes o outro colega não tá vendo. Claro. E a gente faz discussão de caso, né? Então, só se a pessoa for muito boa pra criar um personagem, né? Pra conseguir enganar as outras pessoas. Se é um psicólogo, fulano e tal. Mas dá pra eu chegar e conseguir um remédio com uma psiquiatra? Só eu e você?
Sem passar pelo psicólogo. Só me indicar o seu telefone, doutor. Não você, a Cláudia. Vou lá na Cláudia. Eu posso entrar numa psiquiatra sem entrar com o processo terapêutico anterior? Pode. Você pode buscar um profissional e aí ele vai fazer um plano terapêutico. Sim. Ele pode, por exemplo, de primeira, primeiro te encaminhar ali pra um psicólogo. Antes de entrar com medicação. Não significa que você vai no psiquiatra e você vai ter medicação.
Até porque, por exemplo, até quando a gente está falando sobre neurodivergência no TDAH, existe muitas pessoas que quando não tratam o TDAH, existe mais probabilidade de ter uma dependência química, por exemplo. E aí, porque tudo atua na área do cérebro. Ah, ele vai ficar mais, sei lá, atento quando ele fuma maconha. É mais para o psicoestimulante, por exemplo, cocaína.
Ah, é? É. Porque ele fica mais focado. Isso. Uia. Então, se a gente for falar de substância, a cocaína é um psicoestimulante. A ritalina também. Então, por exemplo, já tive casos de paciente que tem ali a dependência química e o colega médico passou a medicação pra fazer tratamento pra TDAH e aí o que essa paciente começou a fazer? Macerava a medicação e cheirava como se fosse a cocaína.
Porque ela estava habituada a cheirar isso? Ela usava cocaína. Ah, entendi. E aí, fazendo tratamento para TDAH, usou a medicação como se fosse a cocaína. Então, o profissional precisa ter esse olhar. Porque eu falo que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose. Então, por que muitas medicações são tarja preta? Existe receita, é controlado.
que vira veneno se você exagerar. Então vamos falar desse caso, porque assim, tá, eu comecei aqui falando sobre uma coisa que me atrapalhou e tal. O quanto atrapalha assim, tipo assim,
Se eu tomar remédio, a primeira pergunta sobre remédio, se eu tomar remédio durante 10 anos, não sei o que, 15 anos, como foi o meu caso, isso me retarda, me dá um prejuízo, dá prejuízo para outras pessoas, mesmo que diagnosticar, isso atrapalha o cérebro de alguma maneira? Depende da medicação. No caso ali da ansiedade e depressão, que são os antidepressivos, né, inibidores seletivos da recaptação de serotonina, por exemplo.
não gera prejuízo, muito pelo contrário. Porque se você é uma pessoa ansiosa e você está com o sistema o tempo todo da luta e fuga, você vai ter aumento de cortisol, você vai ter desregulação hormonal, você vai ter prejuízos. Então, quando a gente faz um tratamento, a gente melhora esse quadro. Então, a medicação a longo prazo, ela não vai te gerar prejuízo. Mas aí, por exemplo, o Rivotril, que é o Tarja Preta.
Ao longo prazo, dependendo da dosagem, já tem estudos que mostram o quanto que isso pode gerar um impacto em relação à memória, à cognição. Então, o médico precisa também olhar com esse cuidado. Mas isso não é só para medicação controlada. Se a gente for parar para pensar numa pessoa com colesterol alto.
Se ela for tomar ali uma medicação para colesterol, ela precisa ter um tratamento específico com a medicação, mas também fazer exercício físico, melhorar a alimentação. Por quê? A gente também tem uma camada de gordura no cérebro, na bainha de mielina. Então, se você usar medicação para melhorar e reduzir a gordura, você pode também estar tendo prejuízo a nível cognitivo. Como a medicação para colesterol.
Então, o médico que está ali olhando, ele precisa fazer essa análise. Mas, por exemplo, agora está uma moda do tal do venvance. As pessoas estão se autodiagnosticando com o venvance, né? Então, tipo, porque elas querem ter, como é que eu posso dizer, resultados, né? Prova. Prova e tal. Qual é o perigo disso? Tem perigo? Não tem?
Tem, porque o que acontece? O Vemvance, ele é um psicoestimulante também, mas ele tem uma ação mais prolongada, diferente, por exemplo, da Rita Lima, que tem ação de 4 a 8 horas.
Então, o princípio ativo dele é diferente. Qual que é o prejuízo? Se uma pessoa que não tem TDAH, porque é uma medicação indicada para o TDAH. Se é uma pessoa que não tem TDAH, se ela é uma pessoa que... Funcional.
funcional ou pode ter uma predisposição, por exemplo, a bipolaridade, ou tem algumas questões alimentares. O vivência, ele diminui o apetite. Ele, por ser um psicoestimulante e a pessoa for bipolar, por exemplo, ela pode entrar em mania, em uso da medicação, porque são medicações que têm uma indicação específica.
que é o caso da jujuba que eu falei aqui. Por exemplo, eu descobri, através de tratamento, que o meu cérebro não pode ter um estimulante, uma porrada daquela, porque pode me queimar. Talvez a jujuba funcione para uma pessoa, para outra. Aí eu vou chegar nas drogas. Querendo ou não, vem vãs, é uma droga, mas eu estou falando da droga social.
Do uísque, a maconha, a cocaína e tal. É quase como eu tô te falando assim, faz sentido isso que eu tô te falando, tipo, antes de você usar, você tem que saber se você pode usar, seria basicamente isso que eu tô... Qual que é o perigo de alguém utilizar uma droga social sem saber as condições mentais que ela tem?
Existem vários perigos, assim. Eu trabalhei três anos com dependência química em hospital de internação para desintoxicação. Então, tinha vários tipos de substância. E aí, o que a gente observa? A maioria das pessoas buscam a substância, tanto de forma social, quanto também para alívio de algum sofrimento.
E aí, dependendo do funcionamento neurobiológico dela, ela vai ter um gatilho ali, positivo, né? Uma pessoa que tem uma disfunção de dopamina, usando uma cocaína, ela vai ficar muito bem, né? Mas a droga em si, ela vai fazer um boom de dopamina. E quando existe um boom de dopamina, ao invés de você entrar no equilíbrio que a medicação traz, você vai para um outro lado, que pode ser a psicose.
então muitas vezes a pessoa busca ali a substância, tem um gatilho a nível corporal, sente algumas reações e aí depois ela vai sendo condicionada, o corpo é como se pedisse aquela substância. E aí imagina um cérebro disfuncional, com uma falta ali da dopamina. Você entra com uma substância onde aquilo dá um boom, o cérebro entende, não, eu preciso disso para sobreviver.
E aí entra a parte comportamental e existe a questão bioquímica. Quer dizer, o vício, na verdade, é uma necessidade cerebral.
Depende, porque se a gente entrar com uma substância externa e o cérebro for desfuncional, vai entrar num gatilho de recompensa, que a gente tem um circuito de recompensa de dopamina, e começa a vir o vício. Porque, por exemplo, o crack gera muito prejuízo e vício de início, porque a ação dele é muito rápida.
Então, a pessoa tem uma reação, muitas vezes o nível e o mecanismo de absorção é diferente, porque isso também interfere, e aí tem uma sensação positiva, o cérebro entende, preciso disso, e a pessoa vai em busca. O álcool também. Também. Maconha também.
Todas as substâncias em si. Tá. Entendeu? E essa coisa que você falou, né? Que eu falei no começo. Tipo, no começo eu tava assim, porra, cara. Eu queria... Tô meio triste. Eu tava meio... Eu tava meio pra baixo, trabalhando muito e tal. Isso faz 10, 15 anos. Aí eu comecei a tomar o remédio e depois eu fui descobrindo que ele foi me prejudicando em outras áreas, né? Então, como eu falei, eu começo triste. Aí eu tomo remédio, tira tristeza, mas tira alegria.
Isso também não é um problema. Porque, assim, tem gente aqui que é disfuncional. Então, o cara precisa tomar remédio.
vou tomar o remédio. E aí, ele não está se comprometendo a perder os sentimentos importantes?
É, porque a medicação, ela traz um equilíbrio, mas a gente também atua tanto nas emoções ali, ditas, né, como boas e ruins. Porque toda emoção, ela é necessária, né, não existe emoção boa ou ruim. E aí a pessoa pode ficar apática, né, porque muitas vezes a gente precisa entrar com o processo terapêutico também.
Porque a medicação só vai atuar num sintoma. Então, as questões, ela não vai atuar no problema com a família, no problema com o trabalho. Isso são situações que a gente precisa estar abordando num processo terapêutico. Pois é, me dá a impressão que o remédio está mimando as pessoas.
É quase como uma mãe que fica cobrindo o olho quando você tem sentimento ruim. Essa era a impressão que eu tinha. Tanto que depois que eu paro de tomar remédio, sei lá, dois anos, né? De trás pra cá. Cara, eu virei muito mais vivo.
A gente já conversou sobre isso, assim, tipo, até mesmo no meu relacionamento, nas pessoas, de sentir mais, de estar triste, de estar feliz. Porque eu falo, cara, não é um desperdício, talvez, das pessoas perderem esse lado da vida por conta de uma medicação.
Depende do momento que a vida que a pessoa está vivendo. Por isso que sempre quando eu faço uma abordagem, eu preciso entender qual o momento da vida que ela está. Porque dentro da saúde mental, muitos transtornos, eles têm esse fator externo também que pode influenciar.
Então, depende se a pessoa passou por um momento de luto. Se ela tá super bem, de repente acontece alguma coisa específica na vida. Mas é isso, ela não tem que sentir o luto, é a minha dúvida. O que é o adequado da nossa vivência? Puta, morreu uma pessoa da minha vida, eu tô muito triste.
eu aprender a lidar com isso antes do que tomar um remédio, porque isso não vai camuflar um sentimento e eu nunca vou sentir o que é essa tristeza de verdade. Às vezes eu acho que é perigoso. Assim, eu já fui um cara pró-remédio, né, no passado. E hoje eu já fico, depois de tudo que eu senti, eu falo, caralho, o remédio só fez mal pra mim. Quer dizer...
você entendeu o que eu quis dizer? Tipo assim, fez bem, porque obviamente me aliviou de situações, mas eu prefiro muito mais o estado do que eu tô hoje, do que eu tava antigamente. E olha que eu sofro mais, eu tenho mais medos, mais dores, mas ao mesmo tempo me dá a impressão que é quase como a minha espiritualidade, meu sentimento. Você tem que enfrentar essa porra agora. É você. Remédio é se morreu o seu pai. Você tá, puta, que triste, meu pai morreu. Agora você ganhou na Mega Sena. Ah, que legal, a Mega Sena.
Anestesiado, totalmente adotado. Eu tô vendo que cada vez mais, não sei qual é a porcentagem, mas cada vez mais eu vejo que as pessoas estão entrando nesse lugar de, eu quero esse mimo, eu quero... É, eu já tive pacientes que entraram no consultório, eu quero uma medicação porque eu não quero mais sentir as coisas, porque é muito intenso. E aí ele entra no piloto automático.
Mas a gente tem que trazer uma consciência que é importante sentir. Pra até um processo evolutivo da pessoa. Claro. Então, não é que a medicação faz mal. A gente precisa entender o momento da vida que a pessoa tá, o nível de sofrimento que ela tá tendo e traçar um plano terapêutico. De começo, meio e fim. Tem que ter fim.
É importante. Porque até no processo terapêutico, você começa um encontro com o psicólogo semanal. Depois você passa para a quinzenal. Depois você faz uma vez no mês. Então, é importante a gente também ir se afastando, dando esse espaço para que a pessoa passe por um processo dela.
É, pra tirar a muleta, né? Porque assim, entende o que eu quis dizer. Uma coisa que a gente tá falando aqui é, pô, acabei de ter um sofro, perdi meu emprego, sei lá. O cara ficou afetado com isso, isso causa ansiedade, porque não sei se eu vou ter dinheiro pra pagar a conta e tal, ou terminei um relacionamento, o cara vai ter... A primeira coisa que ele vai sentir é uma dor, que ele precisa de uma terapeuta, sei lá, eu, se ele não tem um amigo e tal, uma terapeuta que vai falar, por que você tá sentindo isso e tal?
E aí, com o tempo, ele vai estar da psicóloga para a psiquiatra, por remédio, beleza. Mas você tem que ter um fim para você tirar isso como muleta e você lidar com isso sozinho. Seria isso, mais ou menos, que você está querendo dizer? Isso, porque aí você faz o resgate da pessoa.
você traz a consciência pra ela, né, em relação ao momento que ela tá vivendo, e vai colocando ela numa abertura pros outros pilares. O exercício físico, igual que a gente conversou, né, você voltou a fazer exercício físico, voltou a fazer... Olhar pras outras, outros processos, né, e ferramentas terapêuticas, pra que não fique só com a medicação. E aí a pessoa precisa ter uma disposição pra isso. Sim. Ela precisa ter uma autorresponsabilidade também.
O que você está sentindo hoje dos diagnósticos? O que está vindo bastante para você? Assim, que não vinha antes. Então, hoje, como eu trabalho com a neurodivergência em si, vem muitos quadros arrastados de um sofrimento de ansiedade, depressão e uso de medicação já há 10, 15 anos.
Eu, eu sou um típico caso. Isso. E aí, eu vi a necessidade, por exemplo, de trabalhar com a identificação diagnóstica por conta disso. Porque eu falava assim, não é possível. As pessoas em tratamento de ansiedade, depressão, toque, pânico...
que são pontas do icebergs aí, que é um chamado de atenção, mas a condição de base não está sendo vista. Os próprios diagnósticos errôneos, o uso excessivo de medicação. E aí, quando eu faço a identificação diagnóstica...
que entra nessa compreensão do funcionamento da pessoa, a gente vai se afastando das comorbidades. O que seria a comorbidade? É quando a gente tem uma doença, um transtorno associado a um outro. O autismo sai do transtorno com TDAH, por exemplo. E aí, muitas vezes, quando eu faço identificação diagnóstica, a gente estrutura tudo.
a vida da pessoa, ela começa a funcionar de acordo com os padrões que são aceitáveis pra ela, e aí a gente vai melhorando as comorbidades, melhora a ansiedade, melhora... Sim, mas o meu ponto é, você tá sentindo que as pessoas tão aumentando? Por exemplo, você antigamente, em 2010, você recebia quatro pessoas no teu consultório, e hoje virou três mil pessoas. Sei lá, da onde você vê isso? Por que que do nada... Desde a pandemia, né?
Ah, é? É isso que eu queria saber. Você acha que tem um fator pós-pandemia? Sim, sim. Mas por quê? Você acha que na pandemia o cara se percebeu com uma condição ou ele ficou com uma condição? A pessoa precisou de olhar pra ela. Muitas pessoas passaram a fazer essa introspecção. Sim. De olhar questões do passado, da vida, dos relacionamentos. Porque muitas vezes a pessoa entra num piloto automático. E não se dá conta como se eu não pudesse sentir.
Quando veio a pandemia, que o mundo parou, as pessoas começaram a olhar para as relações em volta, começou a olhar para o esposo, para o filho, para as outras demandas. Então, começou a vir a preocupação excessiva, a questão financeira, o trabalho. Ansiedade. Entendi. Mas aí você acha que ali a pessoa percebeu, cara, acho que eu tenho TDAH. Ela parou de pensar no trabalho e pensou nela.
Sim, porque o que acontece? Não só isso. As crianças começaram a nascer...
muitas identificações começaram a vir por conta dessa mudança do critério diagnóstico, por conta dessa informação que as pessoas começaram a ter. E quando a gente fala do autismo, do TDAH, da própria atos e habilidades de superdotação, são questões hereditárias e genéticas. A superdotação é uma questão genética. Então, os adultos...
que passaram muito tempo numa invisibilidade, com transtorno de ansiedade, depressão e ponto, começaram a olhar para os filhos. Ah, identificaram. E começaram a se identificar. Entendi. E por conta desse fator também, genético hereditário. E aí, eles começaram a ver uma demanda muito grande dos filhos, porque a maioria dos pais não olham para eles, né? O filho acaba chamando muita atenção. E a partir daí, começaram a perceber.
meu filho tem um comportamento diferente. Sim, igual o seu. Aí você começa a olhar. Tem um meme que eu achei muito bom, que fala assim, antigamente não tinha autismo. As pessoas falam, é, claro, essa coleção de selos que você tem é super normal. Já existia, só que as pessoas nem consideravam isso porque era uma coisa meio louco. E agora as pessoas estão se percebendo. Ao mesmo tempo que eu falo da epidemia do autismo, que teve,
Acho que a gente passou por uma... A gente tá até falando ali, né, que iniciou com a depressão, todo mundo ficou depressivo, depois todo mundo virou TDAH, a gente tá no autismo, e agora, depois que o Whindersson apareceu, o Whindersson é um cara que tem um holofote gigantesco, e ele falou de uma condição que eu tenho, que é o negócio da superdotação, agora tá todo mundo falando, virou agora o novo TDAH, superdotação. O que acontece?
Quando a gente fala de neurodivergência, o que significa esse termo? É um funcionamento neurobiológico que foge à norma. Sim. Então, é um funcionamento... Incomum. Incomum. Não é melhor nem pior, mas é um funcionamento diferenciado. E todas as três, por isso que eu também trabalho na tria de TDAH, autismo e as altas habilidades de superdotação, vem de um mesmo ponto.
Então, existem muitos diagnósticos que se confundem, características que se sobrepõem. A pessoa pode ter superdotação e o autismo, superdotação e TDAH. Então, trazendo agora para a minha história pessoal, quando eu tinha os meus 18 anos, lá no passado, eu fui diagnosticada com TDAH.
Tinha algumas questões, é muito difícil eu aceitar um não, eu sou aquela pessoa questionadora, curiosa, tinha algumas questões com a minha família, então, estava num período de vestibular, então eu fui avaliada por um neurologista, 30, 40 minutos da consulta, você tem TDAH. Nunca me adaptei à medicação.
Eu sempre passava muito mal. E fui sobrevivendo esse período. Tive o quê? Depressão, ansiedade, compulsão alimentar. Sem tomar... Ah, não. De depressão, ansiedade, sim. Não, tomando remédio de TDAH. Não, eu nunca tomei porque eu passava muito mal. Ah, sim. Você não se adapta. Com a Ritalina. Mas, em paralelo, tive depressão, ansiedade, compulsão alimentar, várias questões. Quando engravidei do meu filho...
Veio vindo mais demandas. Eu fiquei muito desorganizada emocionalmente, passei para uma avaliação. Quando eu passei para uma avaliação, veio a minha identificação assertiva. Eu sou autista, nível 1 de suporte, com altas habilidades e superdotação. E aí, o que acontece? Muitas pessoas estão tendo, tiveram um diagnóstico errado.
como eu falei, só ansiedade, depressão, como essa ponta do iceberg. E aí são pessoas que vão criando as estratégias de sobrevivência.
Desculpa te pausar. É esse pra mim o grande problema. Porque quando você tem um pé quebrado, não tem como você errar esse diagnóstico. Você tá vendo num raio-x. Por isso que às vezes eu acho que há muita confusão nesse universo. Porque assim, tudo bem que a informação ela tá evoluindo. Mas ela ainda não é uma evolução, digamos assim, assertiva. Você tem a sua experiência. Você me olhou e falou, você tem isso, isso, isso. Vamos começar com um protocolo aqui.
Aí eu fiz o meu exame e tal, falei, ó, realmente bateu, ah, beleza e tal. Mas, cara, eu sou um cara privilegiado dentro do universo de milhões de pessoas que o cara vai uma vez lá no... A minha preocupação, na verdade, a minha pergunta, que eu tô, esse questionamento, essa provocação é, o quanto assertivo você...
o quanto você pode prejudicar alguém sendo assertivo do tipo, cara, isso é autismo. Aí o cara começa a tomar um remédio de autismo lá, sei lá qual remédio, e na verdade ele tinha uma outra condição que ele não descobre, porque um profissional falou, é autismo, o cara botou na cabeça, é autismo. Esse pra mim é o medo que tá acontecendo na sociedade às vezes, não é por maus profissionais, mas me dá a impressão que não tem nada que possa te garantir 100% que você tenha.
Por isso que está vindo tanto diagnóstico que confunde-se. Mas o diagnosticar com a neurodivergência, na verdade, os diagnósticos errados, era ali ansiedade, depressão, só as comorbidades.
Ah, tá. Que faz parte da... Isso. Na verdade não é diagnosticado errado, mas ele não é 100% garantido. Não é visto. Ele acertou uma parte dessa... Entendi, mas você não se adaptou ao TDAH, por exemplo. Você me falou. Ah, tem TDAH. E você tem TDAH? Não. Então, olha só. Você podia estar tomando ritalina até hoje e vomitando cenoura. E aí, como que fica isso? Você entende minha questão? Porque a gente vai para um outro viés que é o viés feminino.
As mulheres, primeiro, na identificação do TDAH, os meninos são identificados e diagnosticados mais precocemente. Por quê? Os sintomas são mais externalizados. O menino é aquele que não para, muitas vezes tem algum comportamento disruptivo. Já as meninas, elas demoram quase 10 anos para ser diagnosticadas, porque as características são mais internalizadas. É mais uma hiperatividade no campo mental.
No autismo, e também nas ausibilidades de superdotação, existe a questão do masking, do mascarar. Então, muitas vão ter o diagnóstico errado. Por ser mulher. Por ser mulher. Por que o mascarar?
O mascarar, a mulher tem uma capacidade de mapear o ambiente, de entender os comportamentos que são... Que é uma habilidade de quem tem essa condição. Isso. Entendi. Então, na verdade, o que você tem? Eu sou mulher. E mulher, ela tem uma visão mais... Entendi o que você quis dizer. E aí, muitas são identificadas. Ali no período da idade adulta, né?
e muitas também são diagnosticadas depois que passa por um processo específico, por exemplo, a gestação, as questões hormonais, que acaba trazendo muita instabilidade também. Então, doutora, mas assim, eu vou falar, você é muito competente, você realmente me acertou, posso falar isso com propriedade, confiem nela. Mas, como eu vou saber que o Fabrício, que é uma pessoa aqui, o Matheus, Matheus foi lá...
O Matheus foi no psiquiatra, no doutor Claudinho. Aí o doutor Claudinho chegou pro Matheus e falou, Matheus, você tem super dotação.
O meu eu sei que eu tenho porque eu tenho diagnóstico, mas como a gente vai saber que o diagnóstico que está chegando hoje nas pessoas, ele não era o TDAH de outrora e daqui a pouco vai ser, na verdade não era superdotação, era o TDAH-M, agora tem um M novo. Entendeu o que eu quero dizer? Tipo, parece que a coisa está encaminhando e nesse período a pessoa pode se prejudicar porque ela vai tomar um remédio que não é para ela, como aconteceu comigo. Como a gente vai ter essa assertividade?
Então, dentro do campo médico, né, os médicos eles estão se especializando também, eles estão fazendo formações. Como eu falei, os critérios diagnósticos eles estão mudando. Existe o DSM-5, que é o Manual de Transtornos Mentais, que é internacional. Então, ele sempre passa por revisões.
Em 2013 teve uma revisão, o DSM-5 e o DSM-5 revisado. Então isso está numa constante mudança. Até quando a gente olha para as mulheres, daqui um tempo, não muito longe, vai ter mudanças também nos critérios. Como assim? Tipo...
Por exemplo, o adaptado. Se a gente for olhar para as aulas de habilidade de superdotação, primeiro, as aulas de habilidade de superdotação não é um diagnóstico porque não é uma doença, não é um transtorno. É uma condição. Então, a gente faz uma identificação. Segundo, a gente não estuda na saúde a superdotação. Por quê? Não é uma patologia. O que eu tenho é o quê?
É a superdotação. Mas é o que isso daí? É uma condição? É uma condição. Mas quando você fala condição, parece que eu posso mudar isso daí em mim. Não. Você nasceu assim. É o seu funcionamento. Mas é uma bosta ser isso. Sim. E ninguém sabe. É uma bosta. É uma bosta. Eu trocaria o que eu tenho de...
de coisas boas, porque vem muita coisa boa, o Whindersson também vem, que é aquela coisa do tipo, esquece o gênio, a pior coisa que tem é quando você transforma altas habilidades em gênio. Acho que tem que mudar o nome, tem que botar um nome, Horácio, eu tenho um Horácio, porque senão fica, nossa, altas habilidades, parece que é muito legal. Olha os nomes, é bom, super dotação, altas habilidades, você fala, mano, eu quero ter essa merda, só que eu vou falar como sou eu, abrindo o meu coração.
Só que eu vou falar um negócio que muita gente fala Eu também sou assim
Porque o cara não sabe como é ser eu, né? Ele fala também isso assim. Mas eu vou te explicar o colo. Isso é maluco, hein? Não sei se eu quero ser aí, não. Fala aí, eu não sou maluco? É maluco? Eu sou maluco. Não, mas aí o que acontece? Eu sou maluco. Primeiro, as aulas de habilidade de superdotação não é do campo da saúde. É muito visto com o conceito na parte da educação. Porque a gente consegue identificar desde a infância. Mas consegue identificar aquela criança que se destaca de forma acadêmica.
É o Gabriel, porra, que é hereditário, né? E tem o viés genético. Mas o que acontece? Está mudando isso. Porque existe um conjunto de características, tanto TDAH, autismo e as altas habilidades de pre-dotação, que a gente já nasce com isso. Desde a infância tem características peculiares.
Então, está saindo um pouco só da visão educacional e outras áreas estão olhando para as altas habilidades de superdotação. Por quê? O superdotado tem muitas questões emocionais e psíquicas.
Então, eu acabo fazendo o movimento de trazer a superdotação para a saúde, não para patologizar, mas a quantidade de pessoas com ansiedade e depressão, de novo, mas que a condição de base não está sendo vista, é muita. Claro, claro, não adianta nada de descobrir que você tem depressão e não entender a causa dessa depressão. Porque a superdotação, esse conceito, não é você ser inteligente e ponto.
Tem muitas pessoas que já criou esse estigma, né? Já. Ou só coisas boas. E é ruim porque o cara acha que é só positivo.
Porque existe uma assincronocidade. A parte intelectual muitas vezes está bem acelerada, tem um pensamento mais abrangente, conexões que as pessoas ignoram. Porém, o emocional é incompatível. Então, é muito mais uma probabilidade de ter ansiedade, depressão e outros transtornos. Porque vem a questão existencial também. Eu vou te falar como é que eu sinto.
tá tocando o telefone aqui não, eu vou te falar como é que é o que eu tenho, assim, é muito louco, porque assim, da mesma forma que eu tenho uma facília, vocês já viram, fazendo show, então, sei lá, eu entrevisto minha cabeça quando eu faço uma pergunta pra você, vem 45 respostas que eu sei qual que eu posso utilizar, essa é a parte boa, essa é a parte, eu tenho certeza, tem uma pessoa que eu tenho certeza que tem, nunca fez diagnóstico, não quer fazer, mas já falei pra ela, a Tata Werneck pra mim, ela tem a mesma condição que eu, inclusive mais até, porque ela tem, eu tenho certeza, tem uma pessoa que eu tenho,
ela é muito rápida, muito veloz, mas ela também tem um sofrimento ali que ninguém sabe, né? Eu, lógico que eu não tô diagnosticando. Não pode fazer de fora. Mas eu vejo muito, eu conversei com ela, ela tem o TDAH, e eu acredito que ela tem a dupla excepcionalidade, que é as altas habilidades com o TDAH. O meu é só altas habilidades e tal. Mas eu vou te falar qual que é o problema. O problema é, a parte boa é, pô, que legal, cara. Maurício é rápido, pra comédia é maravilhoso.
isso é bom isso é bom sou eu resolvo problemas rápidos do tipo assim o que tem que fazer? cara, vamos pegar eu não enrolo tanto mas eu não sou prolixo mas eu tenho um grande problema que é se eu quero me afundar em algum lugar eu consigo ir pra um lugar muito perigoso
mas muito perigoso. Porque se minha cabeça, vou falar como eu sinto aqui, às vezes eu passo falando uma besteira, você me corrige. A cabeça do superdotado, pelo que eu vejo, é a seguinte, a mesma forma que eu consigo ser rápido e profundo para resolver uma coisa ali, legal, de comédia, se eu quiser acreditar que a gente vive numa simulação...
Eu vou até o final, eu me afundo nisso. Se eu quiser entrar numa depressão, se eu quiser acreditar que a vida não faz o menor sentido, eu vou forte pra caramba nisso também. Tem a ver com que...
Quando a gente fala de audicibilidade e superdotação, existem três pontos muito importantes. Complexidade, intensidade e extensibilidade. Então, é um cérebro que tem uma hiperconectividade cerebral. Isso faz com que o pensamento seja mais acelerado. Isso que você trouxe de abrir várias abas é um pensamento arborizado. Você tem um ponto que abre mais 10, desses 10 mais 20... Em 7 segundos.
E quando você acessa essas informações, é muito rápido. Então, muitas vezes, isso vai te gerar o quê de prejuízo? Uma dificuldade, muitas vezes, nos relacionamentos interpessoais, porque você traz uma ideia, a outra pessoa não conseguiu acompanhar o seu raciocínio. E aí parece uma coisa aleatória, solta. Eu não consigo ficar 10 minutos numa reunião.
E pra você faz total sentido. Odeio. Esses caras falam, vamos fazer uma reunião, eu falo, cara, deu 10 minutos, eu já entendi. Eu quero ir embora, eu fico puto. Quando você entende que essa é uma condição e é o seu funcionamento, você começa a respeitar todo esse seu funcionamento. Por isso que é bom você fazer diagnóstico. Você não tem um comparativo com os outros. Você começa a ver a importância da pausa. Porque não é só uma pessoa inteligente, ponto.
todo um funcionamento hiperreativo e hipersensível.
Cara, mas é impossível fazer uma meditação, por exemplo. As pessoas falam, ai, porque a meditação, me dá a impressão que não... Vou te fazer um questionamento, assim. O cara que tem ansiedade, a meditação é maravilhoso. O cara que tem, sei lá eu, burnouts constantes, a meditação. Mas pra um cara que tem o pensamento o tempo todo ligado como é o meu, eu não consigo fazer meditação. Eu não consigo, já tentei, eu não consigo.
Parece que eu preciso de uma coisa pra mim. Eu não sei o que que é. Eu não sei o que que me relaxa. É, você precisa, muitas vezes, encontrar sentido nisso. Porque se você achar que não tem sentido nenhum fazer a meditação, enfim, é muito desafiador. Porra, pra caramba. E é treinamento. Não, porque eu faço meditação e eu fico assim, caralho, mano. A sensação que você tem que... Essa mina tá atrapalhando, eu tava querendo pensar no negócio, ela tá...
Que você está perdendo tempo, que não está surtindo efeito. Mas o processo meditativo para uma mente hiperativa é você primeiro conectar com a respiração. É muito difícil você ter uma meditação guiada.
do que uma meditação onde você faz essa introspecção e começa a perceber os seus batimentos cardíacos, a sua respiração. Então, essas questões mentais, elas têm cura? É um termo errado que eu estou usando, mas eu sou burro.
Mas elas têm cura do tipo assim, o cara que tem altas habilidades, ele pode com o tempo, sei lá, ir para um caminho mais tranquilidamente, uma pessoa que tem autismo, ela pode deixar de ter, isso não tem, não vão descobrir isso daqui a 60 anos que tem uma, não.
Não, porque o que acontece, não é uma doença. A doença geralmente a gente cura. E é uma condição, você já nasce e é um funcionamento neurobiológico. Então, não tem como você mudar. O que a gente começa a fazer é cuidar dessas intensidades, desse funcionamento, respeitando os seus limites saudáveis.
pra que você não tenha as comorbidades, ansiedade, depressão. Então você começa a entender como que a sua vida precisa seguir de acordo com o seu ritmo. Sim, é aquela coisa do... É a famosa coisa que eu aprendi na minha vida, que é... Não adianta você ficar com aquela coisa do pai, do tipo...
Vou dar um exemplo. Filho, tem que fazer isso. Aí o filho não faz, o pai bate na criança porque não fez do jeito. Aí quando você descobre que tem um diagnóstico de alguma coisa, você fala assim, nossa senhora, o funcionamento dele é desse jeito. Ele não vai ser rápido, porque eu sou. Porque meu filho é diferente de mim. Aí meu filho não come cenoura, então eu vou bater nele com uma colher de pau pra ele aprender a comer cenoura.
Mas às vezes ele tem uma sensibilidade na boca que não faz ele comer a cenoura. Então é entender caso a caso.
Não é mudar, não é consertar, é adaptar. Sim, mas por exemplo, já que o assunto é... A gente tá abrangendo e agora a gente foi pro caminho da superdotação, que é um tema que eu nunca falei aqui. Eu acho que é legal, porque deve ter gente que vai encaminhar esse vídeo pra outras pessoas que tem. Eu queria meio que complementar falando sobre esse assunto.
Quais as características principais de pessoas superdotadas, assim, com altas habilidades? Até pro cara olhar e falar, acho que eu tenho isso. Então, primeiro a gente olha as características, tanto intelectuais, emocionais e comportamentais. Mas dá pra ser, desculpa te interromper, mas dá pra ser o seu cara, ele é superdotado, mas ele só tira quatro na escola? Isso é possível?
É possível. Por quê? A gente tem algumas linhas, quando a gente olha para as aulas de habilidade de superdotação, o que chama muita atenção ainda na infância é aquele superdotado com destaque acadêmico e intelectual.
Mas existem as superdotações atípicas. O que seria isso? No conceito da superdotação, tem o estudo onde a gente se baseia aqui no Brasil, que é do Renzulli. O Renzulli traz os três anéis. O que seria os três anéis?
habilidades acima da média em uma ou mais áreas. Então, não é aquele superdotado bom em todas as áreas. Se tem um destaque em uma área, isso a gente considera a curiosidade insaciável e o desempenho nas tarefas. Então, muitas vezes, a gente olhando para essa tríade, a gente começa a ver todo o funcionamento que vai ser como repercutir isso.
dentro dos perfis das habilidades, tem a parte acadêmica, tem a parte artística, tem aquela criança que vai se destacar na liderança. Não é usado esse termo, mas eu vejo muita superdotação como um espectro mesmo. Pode ser que vire autismo daqui a 10 anos?
Ele vai entrar no... Porque autismo era uma coisa 20 anos atrás. Agora já... Não, autismo também é isso. Será que daqui a pouco vai ter tipo assim... Cara, o superdotado, na verdade, ele é um tipo de autista?
Então, a gente não pode confirmar isso, mas eu vejo muito aqueles prejuízos que muitas vezes o superdotado tem, que é nas relações interpessoais, na parte da sociabilidade, até em questões sensoriais também existe. Mas, por exemplo, por que o isolamento social acontece tanto na superdotação quanto no autismo?
por conta desse funcionamento, mas a apresentação é diferente. O autista, ele vai ter uma dificuldade na socialização, porque ele pode ter dificuldade de iniciar uma conversa, não sabe se é a hora dele parar, vai falar, não vai falar. Ele prefere ficar sozinho. E aí começa a ter as dificuldades, eles fazem um script na mente.
Por exemplo, essa gravação aqui, desde quando a gente conversou lá em junho, eu já passei essa cena aqui 500 milhões de vezes na minha cabeça. Jura? Sim. Do que você poderia perguntar, você vai perguntar, você não vai. Aqui quem olha... Eu ferrei sua cabeça. Não. Aqui quem olha, eu estou super confortável. Tá. Mas, porque eu já passei essa cena milhões de vezes. Mas esse é o teu autismo, pelo que você me falou. Não é sobre altas habilidades.
Não, mas eu tenho as duas condições. Sim, sim. Então, o que acontece? O isolamento social das aulas de habilidade de superdotação acontece quando você vai para um lugar, você avalia quem vai estar lá, se o assunto vai ser interessante, se você não vai estar perdendo tempo, se as pessoas que vão estar lá vai se aprofundar naquele assunto.
Então, o isolamento, ele acontece de uma outra maneira. Sim, não é medo de enfrentamento, é tipo saco de... Mas posso falar um negócio? Acho que eu nunca falei isso também pra você. Eu tô coçando o olho aqui que tá foda. Eu fiz alguma merda aqui. Eu tenho uma coisa que é... Isso até virou vício em celular.
Eu prefiro encontrar pessoas do que eu ficar sozinho com meus pensamentos. Então, por exemplo, eu tenho tanto pensamento, minha cabeça não desliga, eu não durmo. Eu não consigo respirar tranquilo sem a minha cabeça. Então, se eu estou sozinho em casa, eu sei que eu vou pensar um milhão de coisas que eu não estou querendo pensar. Mas não é que... Você até fez uma comparação uma vez, há muito tempo atrás, quando a gente estava conversando.
Que é aquela coisa assim, né? Que é como se pensamentos são como nuvens. Você agarra a nuvem e você fala, quero ficar nela. E teve... Eu sou um cara que tá o tempo todo uma nuvem passando e eu vou pegando uma, pegando outra. Então assim, eu fujo do pensamento. Então por isso que eu sou um cara quase que viciado em celular. Porque quando eu tô vendo o celular, eu tô praticamente não pensando. E quando eu tô conversando, isso daqui pra mim é uma terapia. Porque eu não tô pensando em nada a não ser você.
Eu não tô pensando no preço do feijão da Yugoslávia. Eu tô pensando em você. Se eu tô no Uber e eu tô sem celular, de repente eu tô pensando, olhando pra cara do Uber e falando Caramba, cara, como é que seria a vida desse cara? E vou pra um outro lugar que eu não quero ir. É. Porque isso é o pensamento não linear.
Sou eu? Mil vezes? A maioria das pessoas tem um pensamento linear, no começo, no meio e fim. Como? Me explica como é que é isso. Se a gente está falando sobre um assunto X, eu sigo naquela linha e falo sobre aquele assunto. Tá. O superdotado, o neurodivergente em si, tem um pensamento não linear.
Você abre várias abas e você correlaciona os assuntos. Sim. Que pra você faz sentido. E você cria um outro contexto. Você traz aquilo e você vai associando a outros assuntos. O que pra sociedade pode ser interessante. Nossa, como ele pensou dessa forma. Só que pra gente é um sofrimento. Não é legal. Não é legal. Eu acho uma bosta. Porque toda essa parte de pensamento gera um desgaste de energia. Meu Deus do céu. O seu cérebro, ele precisa sustentar isso. Então, vem uma exaustão. Muito.
Por isso que os quadros de burnout, eles são muito comuns. Eu tive, né? Porque você entra numa intensidade, quando você entra na questão do trabalho, você vai de forma muito profunda, a superficialidade não te motiva. Então isso é desafiador. Você vai buscando mais. Tudo precisa ser muito profundo. Então isso vai gerar um prejuízo também.
Vocês entendem porque quando acaba um show meu, eu até falei isso no outro episódio que eu fiz com o Supla aqui, acaba um show meu, vem toda a equipe falar, cara, foi demais. Eu falo, mano, eu acho uma merda. Porque não é que o show foi uma merda, mas eu tenho uma expectativa tão grande, porque eu crio, é quase como assim, o básico não me agrada mais, assim. Eu fico pensando em, porra, eu tinha que fazer de um jeito que, eu pensei em tanta coisa.
Eu pensei em 96 coisas e eu falei só 4. Mas aí entra o viés do perfeccionismo, a autocrítica, a autocobrança excessiva, que faz parte do quadro também. Pô, mas como é que você vai ser feliz assim? Primeiro, identificando esse funcionamento... Identifiquei. Como é que vai ser feliz assim? Segundo, agora a gente olha a quantidade de...
de questões que vêm à tona desse funcionamento e você vai tendo consciência. E isso é um processo terapêutico e a gente cuidando também... Que é quase quando eu tô mal, eu falo assim, eu não tô mal, na verdade eu tô passando por um processo que... É, se eu pudesse dizer o cérebro de uma pessoa com a possibilidade de superdotação, você é seu pior inimigo.
Nossa, mas falou tudo. Nossa, você conversou comigo agora. Eu vou chorar. Sou eu. Sim. Eu me odeio. Por isso que eu falo. O cara fala assim, ah, o hater. Caguei pro hater. Eu sou o hater. Eu sou o meu hater, assim. Então, eu não vou ligar tanto pro Claudinho Pitomba 16. Eu já falei isso com você. O cara vai ficar me enchendo o saco. Eu falei, irmão, tudo que você tá falando de mim, eu já sei disso.
Eu já sei porque o Whindersson também deve ter isso. É uma autoconsciência, uma autoanálise constante. É o tempo todo intelectualizando os seus pensamentos, criando lógica. Está aprofundando coisas onde não precisava aprofundar. Não. Criando questionamentos e existencialismos onde não precisa ter. É quase como o tempo todo você está... É...
tragicando tudo. É como se... Catastrofizando tudo. Porque você vê um padrão, você faz conexões que as outras pessoas ignoram, você antecipa consequências. E esse é um funcionamento. Pessoas que têm um QI de 200, elas são infelizes?
Sabe essa pessoa? Tudo bem. É uma pergunta muito difícil. Muitas não sabem, né, que tem. É, mas assim, você vai lá nos caras que tem QI, os 180 de QI, o cara, ah, que genial, tal. Mas pelo que você tá me falando, é um puta de um sofrimento pra essa pessoa. Mas agora eu vou te trazer um ponto que também é um mito. Tem pessoas com QI elevado, mas que não são superdotadas. Ah, é? Explica. Porque a superdotação não é ser inteligente. É sobre sentimento.
É esse conjunto de comportamental, emocional, as características específicas, posso dizer, multidimensional. Desculpa te interromper, mas tem pessoas que são superdotadas e tem QI baixo? Não QI baixo, mas um QI abaixo de 130. Sim. Por exemplo, eu tenho pacientes que são superdotados, mas tem dislexia.
que é um transtorno de aprendizagem. É superdotado, mas tem... Ah, junta. Ele tem um blend de neurodivergência. O próprio superdotado com autismo ou com TDAH não vai ter necessariamente um QI acima de 130.
Porque essa outra condição em paralelo vai fazer com que o teste ali, psicométrico, possa dar alguma alteração. Claro. Porque nós não somos uma exatas. Então, o teste de QI, ele é uma métrica que a gente usa. A gente precisa fazer uma avaliação qualitativa das outras características inatas desde a infância.
Então, por exemplo, tem muito superdotado que acha um saco o teste e ele não quer contribuir. Então vai dar alterado. Só que não é a realidade, né? Quantos neurodivergentes... É uma pergunta difícil porque é uma pergunta estatística, mas vamos lá. Mas você tem uma noção de quantos neurodivergentes hoje temos em proporção no mundo?
Então, falando sobre a autocibilidade e superdotação, é uma média de 2% a 5% do mundo. Da população. Tá, aí junta isso, eu quero botar também autista, blá, blá, blá. O autismo, hoje, né, o último dado que a gente tem, é que a cada 33 crianças nascidas, uma é autista. Tá. Um tempo atrás era a cada 250, era uma. Onde eu quero chegar com isso?
O neurodivergente já não começa a ser o que é o padrão? E o tal do comum, na verdade, é o diferente? A gente não tá chegando nesse lugar? Eu acredito que vai chegar, sim. Por que vai? Por causa do diagnóstico? Que a gente tá descobrindo ou a gente tá indo pra um caminho neurodivergente, todo mundo? Porque o que que acontece? Agora eu vou falar eu, opinião minha. Sim, pessoal. Pessoal.
quando a gente olha para alguns traços das altas habilidades para a dotação, da alta sensibilidade dessa estruturação e mudança física, neurológica e física, nós temos algumas características, que é pensar no coletivo, as questões de injustiça, a parte da moralidade.
que é muito profunda, e muitos neurodivergentes, eles vêm com um propósito de promover mudanças, porque questiona regras, precisa fazer sentido, precisa ter um propósito isso. Senão eu não vou fazer. Então, isso gera um impacto no todo. E do jeito que o mundo está hoje...
Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo. Ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café do clássico ao importado está no Pão.
Dá pra sentir daqui. Chocolate ao leite, recheio cremoso e aquela combinação de textura que dá vontade de repetir. Garotos Recheados é a novidade que junta tudo isso em um tablete. Mais recheio, mais experiência, mais hum. Vai de Garotos Recheados e deixe seu São João ainda mais gostoso.
que as pessoas estão totalmente desconectadas do sentir, desconectadas da vida, quem é outra pessoa, parece que é uma frieza muito intensa, eu vejo que isso vai começar a vir de uma forma muito mais intensa, como se aqueles que estavam escondidos nos bastidores, primeiro a nossa geração,
que está sendo identificada de forma tardia, e segundo as crianças que estão vindo aí. Que já vão nascer sabendo de um diagnóstico. Então, logo, a nossa neurodivergência, na verdade, é o comum. Na verdade, é uma variação natural do ser humano.
Quer ver uma coisa que eu aprendi trabalhando com artista? É muito louco isso aqui que eu vou te trazer. Às vezes, aqui até pra abrir a cabeça da turma, assim. Às vezes aquela coisa que fala, aquela celebridade, ela é tão babaca, ela é tão, como é que é? Chiliquenta. Às vezes é neurodivergência, já cheguei a sua conclusão. Pô, já trabalhei com muito autista.
E o cara é um autista que... Sabe quando você fala assim, se o meu copo não estiver desse jeito, eu não trabalho? Você fala assim, cara, por quê? Você vai descobrir que o cara... Essa é rigidez cognitiva. Só que como não tem informação para as pessoas, as pessoas acham que se está aqui e ele sai da sala, é porque ele é um babaca ditador que ele quer obrigar as pessoas a fazerem do jeito dele. Então, quando eu comecei a trabalhar com as pessoas, eu falei, caramba, por que o cara vira artista muitas vezes?
Porque não dá para o cara trabalhar no Santander tendo esse tipo de comportamento.
o cara não consegue trabalhar num lugar rígido convencional porque ele fica preso naquele negócio então a arte querendo ou não aceita então muita gente que trabalha na arte ele vai ter um lado mais emotivo um lado até
O cara é autista. O cara é autista, ele trabalha na televisão. Ele vai trabalhar no teatro. E aí, quando ele começa a ter uma voz, porque ele tá, se eu não me engano, se destacando, ele começa a buscar as condições dele. Então, ele começa a fazer de um jeito que você fala, nossa, que cara babaca. Você fala, não, cara, é só uma rigidez da condição especial dele. E aí precisa ser respeitado. Sim. E aí a gente entra numa inclusão.
Mas como é que fica nessa sociedade você incluir uma pessoa? Como é que você vai saber se esse cara é um chile quinto ou ele é um autista? Aí as pessoas ficam na dúvida. Porque muita gente também fala assim, ele não tem borderline, ele é só um pau no cu. Primeiro, o maior desafio é que quando a gente fala dos transtornos ocultos...
Seria isso. Quando a gente olha para uma síndrome de Down, a gente vê no rosto a parte fenótipa. Todas as estruturas ali que identificam. Quando a gente fala dos transtornos ocultos, que é esse nível de alteração neurobiológica, as pessoas precisam ter um olhar diferenciado.
Mas é difícil na sociedade que é intolerante como a nossa. Porque tem muita gente, e assim, sendo brasileiro, a gente não confia muito. Eu não confio muito que o seu roubo do grampeador da empresa foi porque você tem TDAH. Eu vou achar que você tá falando... Por exemplo, teve agora um caso do cara que espancou uma menina no elevador.
Aí ele falou, porque eu sou autista. Aí tu fala, porra, mas não tem isso no autismo. E aí você fica... Porque eu acho que o brasileiro, minha visão é, ele vai usar diagnóstico pra poder fazer merda. Esse é meu receio. Dessa diagnosticação, não sei se eu lhe dizer o termo, certo? De todo mundo, porque... Tá, existe o cara que é autista e se não deixar a caneca aqui, ele vai ter um problema e tal. Existe o cara que vai querer também te usar e vai falar, não, é porque eu sou autista.
Mas aí a gente vê desvio de caráter. Sim, mas... Entendeu? Então, o que acontece? Esse caso que teve, né, do rapaz ali que agrediu, ele gera um capacitismo, muitas vezes, por mais que ele seja autista, não sei, trazendo essa justificativa.
porque o que ele fez... Não tem nada a ver com autismo. Não tem nada a ver com autismo. E aí até coloca uma dúvida em relação ao autismo em si. É bem provável que ele não seja. Tá, mas o borderline, as pessoas, elas têm uma agressividade quando elas estão na mania, certo? O cara teve uma crise ali, XPTO, ele pode, sei lá, quebrar uma porta.
Mas e aí? O cara pode falar, não, não é que eu quebrei a porta porque eu tô puto, quebrei a porta porque eu tenho borderline. Como? Será que não tá aparecendo também gente com diagnóstico que justifica também os seus atos? Porque se eu sou um cara, tô dando exemplo, eu sou um cara que eu descobri que eu tenho borderline e eu tive só um acesso de raiva, eu vou sempre justificar isso no borderline. Mas eu acho que isso é muito individual da consciência da pessoa. Então fudeu, porque a gente é brasileiro.
Então a gente vai ficar o tempo todo justificando sendo vítima de um diagnóstico. Esse é o meu medo desses diagnósticos. Mas tudo bem, não é você que vai... Porque não é a questão comportamental nesse viés de justificativa. Então eu vejo muito assim, independente do que a pessoa tem, ela vai ter que arcar com as consequências do que faz.
Sim, por isso que eu acredito que a melhor forma de resolver a sociedade... Eu juro por Deus que eu vou falar uma coisa que parece idiota, mas melhoraria muito o Brasil. A rede social...
você tem que estar com o seu diagnóstico ali, mano. Sei lá, se você tem... Regulamentar as redes sociais. Não é regulamentar. Mas tem que ter isso na regulamentação. Se for regulamentar, tem que ter assim, ó, Maurício Meirelles. Tem que apresentar o Lauro. Tem borderline, ele só escreve em roxo. O cara fala, ah, tem borderline. Por que eu vou discutir com um cara que tem borderline? Ah, o Claudinho é azul, ele é autista. Eu não vou discutir com autista, ele tá tendo, sei lá, o outro lá tá tendo uma mania. Porque facilitaria muito a nossa conversa.
mas é isso que seria a inclusão, a gente saber lidar com as divergências. Porra, ia ser maravilhoso. Cara, você não ia olhar? Felipe Neto, tá lá brigando, você fala, porra, tá lá, ele é narcisista. Então, olha e fala, porra, ele é narcisista, caralho. Ele tá falando um negócio que ele tá... Outro, maconheiro, outro. Mais, o que que acontece? Tá cheirando, você sabe. Mas aí acaba com a carreira de uma galera aí. Por quê? Ah, porque tem a turminha que gosta de um engajamento, né?
Aí você, ah, então não pode discutir. Mas você não ia dar bola. Você olhar e falar, caralho, o Maurício, ele tá falando dessas merdas porque o Maurício, ele tá tomando isque, é doidão. Pronto, sei lá. Mas o que acontece? Há pouco tempo atrás, falar sobre saúde mental, psiquiatria e diagnóstico, as pessoas... Era doidinho. Queriam se esconder. Né? Então, teve essa grande mudança. É...
Primeiro, como essa justificativa, tem gente que acaba usando disso como, como que eu posso dizer? Como causa. Como um ganho secundário em algumas situações.
Mas não necessariamente tem o diagnóstico. Por quê? Nas redes sociais, ainda mais levando em consideração o quadro aqui, achismo, todo mundo acha alguma coisa dentro da saúde mental. E existem os testes de auto-identificação, né? Que são testes ali de rastreio. Mas você precisa passar por um profissional.
Sim, mas é que na rede social eu não tô vendo a pessoa. Sim. E eu acho que é por isso que é um caos. Se você tem um diagnóstico... Por exemplo, vamos lá, eu tô num bar. Aí chega um cara com um violão com uma corda. Eu posso tocar uma música? Aqui eu já olho e falo, cara, é doidinho. Doidinho.
Ou eu tomo uma decisão de senta aqui, a gente bate um papo sabendo que ele é doidinho, aí eu dou um jeito, ou eu falo, puta cara, agora não. A rede social tá cheia de cara tocando um violão com uma corda e você tá lá. Mas na verdade, o IPTU, você fica respondendo uma pessoa que você não poderia... Se você soubesse, falasse assim, cara, esse cara tem borderline, ou esse cara tem uma síndrome XPTO, não sei se eu perderia meu tempo com ele ou não entraria numa discussão, entendeu? Mas também dá pra saber.
cá às vezes, né? Não dá. Quando você entra lá e vê o histórico, não dá pra negar esse, José aí não tá bem na vida não, viu? Não dá. Eu falo pra você, metade das brigas diminuiriam nas redes sociais se você soubesse que o cara tem um diagnóstico ali, que você fala porra, velho, o cara é, sei lá, narcisista. Mas aí entraria no capacitismo. Puta, mas aí fudeu. Eu prefiro entrar no capacitismo do que a gente buscar uma bomba atômica, porque a gente tá querendo bater num cara que, porra, o cara tem uma questão.
Porque assim, a rede social você não tá vendo a pessoa. Você só tá lendo o que a pessoa tá falando. E tem um cara falando assim, eu acredito que a Terra é plana, sei lá eu. Aí você fala, cara, ele é terraplanista ou ele é só um cara com uma doença? Você não sabe. Mas aí acho que vai de você, que está diagnosticado, só ignorar. Como assim? O Zé escreveu lá uma barbaridade. Aí você fala, não, mas pera. Tá, mas ele escreveu uma barbaridade pra mim. Só ignora.
É fácil falar. Isso aí, hein? Eu tô aqui, nesse lado. Mas aí entra no seu perfil, que entra numa insegurança, que a pessoa tá falando, entra na sua condição. Mas aí entra em todo mundo, né? Porque é muita... Para pra pensar. É muita gente em contato com muita gente. Só que é muita gente que você não sabe a condição humana dessa pessoa. Você não sabe quem tá do outro lado. Sim. Se você soubesse minimamente quem tá do outro lado, seria mais fácil, eu acho, a discussão. É isso. Essa semana eu me peguei respondendo o Palmeiras Amendoim.
Aí chegou um momento que eu falei, não, peraí. E se o Palmeiras Amendoim é bipolar? Então, mas chegou um momento que eu parei de responder. Mas ele te responde em laranja, você fala, ah, ele tá bipolar, ele tá com mania. Não vou... Vou ter que matar o Matheus. Você fala assim, mano, Palmeiras Amendoim é bipolar, gente. Não vou discutir. Não, mas aí eu fiz autocredito. Falei, mas gente, o que eu tô falando com Palmeiras Amendoim?
Concordo, concordo. Já comparei. Falei, não, chega. Concordo. Depois de 15 tu xingando, brigando no Twitter, eu falei, não, chega agora, vai.
Palmeiras amendoim. Mas você discutiu 15 vezes. Sim, mas eu tive que fazer uma autocrítica, porque o cara não ia parar. Porque autocrítica é depois de 15. Demorou um pouco. Você ficou 15 vezes com palmeiras amendoim. O negócio ficou inflamado. A conversa ficou inflamada lá. Tava defendendo meu treinador. Acaba sendo muito reflexo do que você acredita, do que você acha. As suas ações você pode controlar, a do outro não.
Pois é, mas se você sabe quem é o outro, eu acho que você teria um mínimo de empatia. Eu não posso falar mais do tempo de empatia, porque eu trabalho na Globo agora. Então, quando eu falo empatia e Globo, eu já estou no GNT. Mas assim, é o mínimo de empatia. Mas é a gente desenvolver uma capacidade de lidar com as diferenças. É. É bonito. É respirar fundo. É você selecionar. Por que existe o isolamento social? Vou voltar de novo.
Por isso que no final das contas... Por que existe essa barreira? Por isso que no final das contas, eu vou até finalizar falando disso, a melhor coisa que tem é você se autoconhecer. Porque, tipo, se eu sou um cara com a superdotação, Matheus é um cara, sei lá, com a bipolaridade, outro que é narcisista, outro é psicopata, cada um descobre o que tem, você fala, eu não posso ficar na internet muito tempo. Dois, eu não posso responder hater.
Três, eu não posso ficar vendo TikTok o dia inteiro, porque isso vai ficar me estimulando.
Então, a melhor coisa que tem ainda é você se diagnosticar e ter seu autoconhecimento. É, e aí você vive de acordo com o seu funcionamento. Pronto, é isso. Então, a culpa é de vocês. Piadas à parte, doutora, eu preciso agradecer mais uma vez você. Eu acho que você fez um trabalho muito legal. Quero agradecer a Kel Smith, que me apresentou você. Cara, sabe como é que eu conheci a Thaisa? Foi num domingo.
Eu tava numa crise de pânico. Uma muito crise de pânico. Uma muito, bizarramente crise de pânico. Aí eu liguei pra Kel, que é a minha amiga, né? Eu falei, Kel, eu tô fudido. Ela falou, com essa, tá isso. Ela tava agindo toda fudida. Ela me encaixou. E a gente conversou e nunca mais parou. Então, acho que agora eu tô, de uma maneira curada, eu preciso que você passe o remédio agora. Eu preciso... Você deu uma atualizada aí nas questões. Mas eu tô bem? O que você tá sentindo?
A gente só falou das questões existenciais que são muito profundas e é uma parte mais séria. Se quiser falar, é muito existencial para falar disso. É muito profundo. Posso falar rapidamente. O que me fudeu foi a questão existencial. Porque eu estava numa fase da minha cabeça que eu estava indo para um lugar muito profundo e perigoso.
É, o que aconteceu no seu caso, esse funcionamento neurodivergente, ainda mais das altas habilidades de superdotação, as percepções são muito afloradas, né? O sensorial é muito aflorado também. Quando você fez o uso da jujuba, é uma substância que você tem uma ruptura muito abrupta do psiquismo.
você passou por uma emergência espiritual. Esse conceito de emergência espiritual é trazido por Groff, que é um psiquiatra, que é uma experiência onde a pessoa tem essa expansão, essa expansão da consciência. No seu caso foi induzida, mas o neurodivergente tem uma probabilidade muito grande de ter emergências espirituais. E a partir daí você tem essa expansão.
Você pode se ver fora do corpo, você pode ter experiências muito profundas e ir para o outro lado dessa perda de conexão pela dissolução do ego. Então, é bem profundo mesmo. E quando você entrou num quadro mais intenso depressivo, você não fez a integração dessas experiências que você viveu. Como assim?
A integração de falar sobre... Ah, entendi. Só fiquei com medo. É. Foi foda, velho. Nossa, mas juro pro Deus. Então foi feito um resgate. E aí foi feito um resgate, tipo assim, volta pra base? Foi tipo isso? Eu tava lá ainda? É pra você, quando expande a consciência, você precisa fazer essa integração no corpo físico.
Deixa eu contar um negócio pra vocês. Você ficou na nóia? Mano, você não tem noção, velho. Eu fui pro caralho. Eu posso te chamar de nóia? Não mais, eu era. Eu deixei de ser. Eu vou falar pra vocês. Eu faço aqui um apelo a todos os adolescentes.
E todos os caras assim, meio tipo, ah meu, eu vou me drogar e tal. Não sou contra o uso de nenhuma substância, não sou contra porra nenhuma. Mas o que eu peço pra você é, se você vai fazer uso de alguma coisa, se informe sobre essa coisa e se informe sobre você primeiro. Porque, tô falando sério, cara, tem gente que não pode beber álcool.
Tem gente que se bebe uma gota de álcool e ele fica alcoólatra. Quer ver? O Rafael Willian foi o cara que eu trouxe aqui uma vez. Sabe como é que ele se viciou em crack? Foi assim, eu acho que ele cheirou uma vez só. E no que ele cheirou, ele já ficou viciado. Porque ele tem uma condição diferente do que talvez se você usasse o uso de cocaína. Então, cada pessoa tem uma parada distinta. Então...
Vou ser jovem de bosta. Ah, vou fumar maconha, vou fumar não sei o quê. Lembre-se, hoje as drogas estão muito mais pesadas, elas estão cada vez mais fortes. Quer usar? Converse com alguém que possa te explicar, te orientar para você não fazer merda. Porque pode ser que isso aconteça o que aconteceu comigo, que eu fui para o caralho. Então, foi uma merda, eu não desejo isso para ninguém. Fala. Esse rolê aí do Maurício, que ele foi para o caralho. Fui mesmo.
Ele podia ter ficado lá? E aí, por exemplo, pessoas que gritam na rua, que a gente fica doidinho lá. Pode ser uma pessoa que, em algum momento, foi pra esse lugar e não voltou mais? Então, vamos lá. Quando eu fiz a especialização em psiquiatria, a minha primeira pergunta foi como que eu vou diferenciar o que é espiritual do que é um patológico? E aí, eu fui fazendo minhas formações, enfim.
A pessoa, quando ela entra num processo, pode ser pelo uso de substância, pode ser por uma condição, esquizofrenia, enfim, existe essa dificuldade, muitas vezes, dessa abertura psíquica. E aí, a partir disso, a pessoa desorganiza. É como se ela não tivesse essa estruturação de compreensão da realidade. Sim.
Se a gente for pensar num viés, igual que eu trabalho com a neurodivergência espiritualidade, por que eu trabalho nesse viés? Porque muitos neurodivergentes têm todo esse funcionamento neurobiológico que tem essa possibilidade dessa expansão. E muitos nem sabem e acabam fazendo uso de substância. Até por buscas de autoconhecimento, enfim.
E aí, a gente olhando no viés dessa constituição do ser humano, que é um ser biopsico, social e espiritual, a gente tem que integrar essa dimensão da espiritualidade. Então, é como se essa pessoa que você citou que vive na rua, ela já teve muitas perdas dessa dissolução do ego.
Ela está muito desorganizada psiquicamente. Mas era uma pessoa normal. X anos atrás, que foi fazendo uso de drogas, e essas drogas foram corrompendo o teu cérebro. Talvez seja até um cara com alta habilidade, que foi usando isso e foi queimando para ele virar esse cara, que toca o violão de uma corda. Porque aí entra num viés aqui da dependência. A dependência, a substância, ela vai fazendo... É como se você só visse ela...
Só vai existir dependendo daquela substância. Então você para de comer, você para... Olha, eu não cheguei nisso.
Mas eu vou falar pra você, não cheguei nisso. Mas eu vou falar como é que era meu dia. Meu dia eu acordava com a pior depressão do mundo, aí passava uma hora e meia e eu tava muito feliz. Aí passava meia hora e eu tava muito deprimido. Aí passava meia hora e eu tava muito feliz. Eu ficava assim, cara, numa nuance de aqui e aqui. E eu falei, cara, acho que eu sou bipolar. Aí a gente foi descobrir que, na verdade, meus neurotransmissores foram totalmente alterados.
Mas eu cheguei em alguns momentos da minha cabeça, ali no começo, que eu entendi o mendigo.
Eu olhava pro morador de rua e falava, mano, entendi o que ele quer, mano. Entendi, tô do lado dele. Tava nesse lugar, assim. E o desapego social? No sentido... Porque são pessoas que você repara que chega um momento que não tem mais. Consegue andar pelada na rua, faz as necessidades na rua. Eu entendo que muitas vezes por não ter lugar, mas... Eu tenho uma sensação que em alguns momentos tenta fazer um negócio mais escondido, mas chega um momento que... Foda-se. Ela passa por uma desintegração negativa.
essa desintegração onde ela perde a noção do básico, né? E aí ela fica mesmo fora de si. O que aconteceu também no caso do Maurício, essa grande quantidade de dopamina fez com que você entrasse num ápice e depois você foi pro outro extremo. Você caiu, foi pro quadro depressivo.
E aí, quando existem as questões existenciais, você pergunta o que é que eu estou fazendo aqui, qual o objetivo disso tudo, qual é o propósito das coisas que eu estou fazendo, não está fazendo sentido nenhum. Questiona a existência mesmo. São vários pontos mais profundos, né? E aí você trazer novamente o propósito, o que eu estou fazendo aqui, e alinhar isso, precisa muitas vezes de um suporte.
Eu vou te falar um negócio, por exemplo, eu não posso ficar bêbado. É? Dá uma bagunçada?
Quando eu fico bêbado, vou ficar, hoje eu tô aqui de boa. Botafogo ganhou, porra, ano passado eu só me fudi. Botafogo ganhou a Libertadores. Ah, tô feliz, aí bebi, bebi. No dia seguinte eu ficava podre mentalmente. Quase como uma coisa, não é ressaca de, ah, estou cansado. Era, eu entrava num lugar de depressão, cara. É uma ressaca moral. É, uma depressão. Eu fico, quando eu bebo muito, bebo de ficar bebaço. Fiz isso três vezes depois que dou a merda.
Eu fico com uma ressaca mental. Você acha que o seu bar contribuiu pra isso? Meu pai? Não, seu bar.
Não. Não. Eu acho que o que me fudeu foi eu ter essa porra e não saber. Então, por exemplo, eu usava bebida de uma forma que eu não entendia. Hoje eu não bebo muito, cara. Eu seguro bebida pra caramba. Eu bebo uma cerveja e tal. Mas quando eu começo a sentir que eu tô ficando alegre, eu paro, porque eu falo, senão eu vou entrar naquele estágio que vai ser legal pra caramba.
É, porque vai entrar uma dopamina mal gostosa em mim no dia seguinte, cara, acabou meu dia. Já teve dias que eu cancelei coisa e que eu falei, cara, eu bebi muito ontem, não posso sair de casa, porque eu tô triste, eu tô com uma depressão do caralho. Aí eu descobri que é por causa dessa minha condição, eu não posso beber, eu não posso fumar maconha, eu não posso, eu não posso. Eu optei por não poder, por não fazer. Melhor assim.
Melhor assim, cara. Fico mais feliz, saudável. Não quero ver você na rua gritando. E aí eu troco por crossfit. Não, melhor não. Mas usa droga. É, usa droga. Doutora, obrigado. Assim, é rápido aqui, não demora tanto. A gente acabou ficando uma hora e vinte e cinco. A gente passa no máximo ali uma hora e quinze, mas obrigado. Acho que é um assunto de importância. E deixa eu pedir pra você que tá assistindo.
Duas coisas, na descrição do vídeo aqui abaixo está as informações da doutora Thais, se você quiser se aprofundar mais no tema, mandar uma mensagem para ela em seu Instagram, fique à vontade. E eu peço um favor, cara, que você dê like nesse vídeo, porque esse vídeo precisa chegar em muitas pessoas, porque isso daqui é uma utilidade pública aqui. De uma maneira eu estou me expondo, me abrindo, mas estou de boa quanto a isso.
mas tem pessoas que não fazem ideia e têm um preconceito com o tema. Encaminha esse vídeo para quem você acha que precisa ouvir sobre esse assunto. Acho que falamos muitas coisas, alguma coisa pode servir para alguma pessoa que você gosta e que você conhece. Certo? Perfeito. Obrigado, doutora, mais uma vez. Valeu, gente. Tchau, tchau.