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#FAQ #66 | O CINEMA REPRESENTA A REALIDADE DO PAÍS?

05 de maio de 202622min
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DIA DE FAQ! Hoje no #3CONTINENTES vamos entender se o cinema de cada continente representa bem a realidade do seu país. Aproveita e já deixa nos comentários todas as suas perguntas, histórias que querem contar ou conselhos amorosos que querem ouvir do Paul, Baptista e Maurício! Vamos selecionar os melhores - ou piores - próximos vídeos hein!Siga no Instagram:Maurício Meirelles: https://www.instagram.com/maumeirelles/ Paul Cabannes: https://www.instagram.com/paulcabannes_/ Baptista Miranda: https://www.instagram.com/baptista_miranda/Paulo: https://www.instagram.com/plbimportadora/Bora ser parte da comunidade 3C no Instagram: https://www.instagram.com/trescontinentes/PRÓXIMOS SHOWS DO 3C NO TEATRO:13/05/2026 - Ribeirão Preto/SP20/05/2026 - São Vicente/SP04/06/2026 - Belo Horizonte/MGPara mais informações: https://linktr.ee/Shows3C Se ainda não comprou presente, Insider é uma opção prática e útil.Use o cupom ACHISMOS https://creators.insiderstore.com.br/ACHISMOS #insiderstore @insiderstore Ah! Você já conhece nosso canal de CORTES DO ACHISMOS TV? Bora ver o melhor dos vídeos lá: youtube.com/@CortesAchismosTV

Participantes neste episódio3
M

Maurício Meirelles

Host
B

Baptista Miranda

Co-hostHumorista
P

Paul Cabannes

Co-hostHumorista
Assuntos3
  • Análise crítica de cinema e sériesRepresentação da realidade · Estereótipos no cinema · Cinema brasileiro · Cinema francês · Cinema angolano
  • Cultura da NFL no BrasilDificuldade em dizer 'não' · Falsidade nas relações · Ansiedade social · Acolhimento brasileiro
  • Linguagem e ComunicaçãoDiretividade francesa · Diretividade angolana · Comunicação americana · Comunicação alemã
Transcrição61 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Eu jogo tênis às vezes. Joga mais o quê? Vai, joga de ladinho também, vai. Pode falar, joga mais o quê?

Seja bem-vindo aqui ao Três Continentes. É o Três Continentes do Velho Testamento. É o Três Continentes do Velho Testamento. Do Velho Testamento. Inclusive, tá até sem a bandeirinha do chinês aqui. Que ele tá... Cara, o chinês tá bombando. O chinês, ele tá num lugar... O Paulo foi no SBT. Foi no SBT fazer o Roda Sol. Não podia falar? É. Não podia falar? Não podia falar?

Por que vocês estão rindo errado? O Paulo está maior do que o Três Continentes. É isso que aconteceu. Tá, está maior. O Paulo encarnou o espírito de China ser maior do que tudo. Ele se colocou como a grande China. E ele vai ser o maior influenciador do mundo, eu acredito. E todo mundo vai comprar artigos de santo do mundo inteiro. Deve estar bomba agora, né? Na época de Páscoa.

O quê? Com o ativo religioso. O Paulão deve estar bom agora. Claro, se é na Páscoa, todo mundo compra... Não. Compra santo. Estérico, essas coisas. Que a gente dá pras crianças. Eu dou, eu dou. Você dá mesmo? Eu não faço nada na Páscoa, meu. Mas você não faz nada nunca. Natal, você não faz nada. Não, mas Páscoa foi pra fazer o quê? Mas a Angola não comemora Páscoa? Lá tem, mas na Páscoa, mas você fala, não come frango, não come carne. Só isso. Eu sei.

Páscoa lá é tipo uma punição, não pode comer. Não, não, não. Os caras não comemora. Todo feriado é aí agora, você não pode algo. Não, não é isso, não é isso. Os caras não têm feriado. Por que eu não posso comer nesse feriado? Camarão, merda. Vocês tem ovo lá? Ah, ovo? Ah, isso é só aqui. Vocês gostam de ovo. Ovo de Páscoa? É. Não, peraí, não tem ovo de Páscoa em Angola? Eu nunca comi ovo de Páscoa lá. Mano, isso daqui é muito legal.

É sério, é sério. Ovo de Páscoa, esse raip é só aqui. Eu acredito que é só aqui. Pô, na França tem, né? Ovo de Páscoa? Ovo de Páscoa? O que que tem na Páscoa? Na Páscoa? É, sou peixe.

Mas você dá um peixe pra uma criança? Meio triste, né? Não, não, não, não, não, não tem isso de se oferecer algo, vou dar um ramo, ramo... Coelhinho com talco e chega num... Não tem isso de se oferecer doce, meu. Criança, um badejo, pai, obrigado. Não, não, não, não tem mais esse negócio de se oferecer presente, tá? Ah, doce, toma doce, eu não tenho. O que a gente fazia quando eu era criança é que meus vós, eles escondiam umas coisas de chocolate no quintal. Nossa!

E a gente tinha que buscar e achar, entendeu? No Brasil também tem essa. Vocês tem isso também? Tem. É esconder o ovo, né? Tem pai e mãe que faz a patinha do corginho, sabe? Faz a patinha do pelinho. Meu tio escondia os ovos dele também, meu tio. Aí começa aí, vai pro caminho. Não, mas aí pesou. É, é, é. Corta, corta a parte. Aí ele pode o vídeo inteiro, porque ele teve a ideia de falar merda. Corta, corta. A Panasonic vai tirar o patrocínio.

O papo da Sony. Tiago de Campinas perguntou, o cinema do seu país representa bem a realidade ou é tipo o Brasil que parece outro planeta? Como assim no Brasil o cinema parece outro planeta? Cara, claramente ele odeia o Wagner Moura. Cara, eu não acho que o Brasil não representa, o cinema brasileiro não representa.

É que esse cara deve morar no... Floripa. É, deve morar em Floripa. Ou em São Paulo e tal. Os caputos de ver que... Não é, mas assim, eu tenho uma certa crítica ao cinema nacional em ser o mesmo tema sempre. Mas ao mesmo tempo eu entendo que esse tema sempre é o tema que chama atenção de festival. Então é muito difícil para um cara...

que é um cineasta... Desculpa ter de cortar, mas aí também é uma hipocrisia do caramba. Ah, sim. Falar isso porque... Eu falo sempre sobre a América. Falo sempre sobre os Estados Unidos. Eles fazem filme sobre quê? Invasão. Ah, invadi o Iraque. Ah, invadi esse país. Na guerra sempre eles ganham. É coisa que tá no convidado deles. Eu acho que é isso que você tem que fazer.

Angola, tem filme de feitiçaria em Angola, porque é uma realidade nossa. Então, aí você está se contradizendo, porque o Brasil faz isso porque faz parte da história dele. É, mas o Brasil fala Cidade de Deus é a nossa história. Você fala de quê? Da criação de... Eu sei, mas tem pessoas que aqui odeiam cinema brasileiro e dizem, nossa, mas é só isso. Tem muitos filmes brasileiros bons, muito, além de só Cidade de Deus... É que realmente os temas são, eu já percebi, Favela, a ditadura...

Vai ter também... Tem romance. Violência? Tem comédia. O cinema brasileiro é um grande luva de pedreiro. Que isso? Ele reúne... Não, falando sério, ele reúne aquilo que o gringo gosta.

Eu já falei aqui anteriormente, a galera me zombou, mas eu falei, a figura mais importante do Brasil pra fora do Brasil não é o Anitta, é o Luva de Pedreiro. O Luva de Pedreiro é o grande brasileiro que representa o Brasil lá fora. Pode falar o que for. Ah, mas eu não conheço. Cara, o Luva de Pedreiro, cara, você vê, vai ter Copa do Mundo. Prepara como esse moleque vai estar explodido lá.

Porque ele é o cara que mostrou uma estética brasileira, ele não fala, ele chuta a bola na favela, ele é todo humilde, simplão, e ele representa o Brasil. O Wagner Moura é incrível, o melhor ator que tem no Brasil. Mas ele não representa o Brasil, ele não é um brasileiro, ele é um cara, um ator latino muito bom, que a galera admira. Mas o Luva de Pedreiro é o brasileiro escrito.

Entendeu? E o cinema brasileiro, desculpa, ele é um grande luva de pedeira. É favela, é uma estética violenta, é uma coisa meio humildade, simplicidade. A gente não faz filme sobre, nossa, a construção do shopping. Ninguém se importa. Joinville. É, vem aí Joinville. O festival é canis, você viu Joinville? O cinema francês, em geral, ele é bom nas comédias.

E ele é... Filme de ação? Não. Não. E ele é bom nessas coisas amélie Poulin, sabe? Essa coisa... Que é a cara da França também. Intelectual, é. Então, no fundo, no fundo, o cinema, todo cinema, ele é estereotipado. Exatamente. Todo cinema é estereotipado. Eu não quero ver uma produção angolana. Vem aí a nave espacial. Não quero ver a nave espacial de Angola. Aqui foi o que o Batista falou sobre os Estados Unidos. A gente fala do tipo de lá, mas é a mesma coisa sempre também. É a mesma coisa sempre.

Mas você sabe por que também ele é estereotipado? Porque o que as pessoas querem ver, você vai ver um filme francês, você quer ver alguém numa janela fumando um cigarro... Com um poodle. Com um poodle, dois minutos de silêncio, e ela virando para o amante e falando... Já te amei mais. Alguma coisa assim. Isso é França. Mas porque filme francês é ruim.

É que você não tem poesia. Você quer o quê? O único filme francês... Nós vamos matar os caras, mano! O único filme francês que fez muito sucesso é aquele Bairro 13, que eu sempre falo. Cara, Bairro 13 é um dos melhores filmes francês. É, Amelie Impulain nunca fez sucesso. O que é Amelie Impulain? Quem que é ele? Os Intocáveis.

Os Intokávich ganhou Oscar. Quem que fez esse daí? Quem que é o ator francês que fez? Omar, sim. Aquele ator... Batista, você também só viu o Vin Diesel. O Lupin? O cara não vai saber. Mano, Bon L'Eau 3, eu sei do que ele tá falando. Em francês é Bon L'Eau 3. É o cara que fez Lupin. É o Pei Lupin?

É um filme. Mano, não tem nenhum sentido. O que você está falando é como se eu pegasse, tipo, se eu tivesse assistido somente Minha Mãe é uma Peça e eu falasse... Ah, também o único filme brasileiro é Minha Mãe é uma Peça. É que eu já assisti vários filmes, né? Você pega um filme que nem é tão conhecido. É aquilo que você diz sempre, passa aquela temática do... Aquele silêncio. Eu odeio aquele silêncio. Que é o estereótipo.

do francês. Não, não. Eles não conversam. Eles não... Sei lá, pararem, pararem alguma coisa. Você me conhece há três anos. Eu sou um pouco assim. Eu sou um cara melancolico. Ele é o cinema francês. Eu sou o que não, meu. Acho que você é muito comunicativo. Ele é muito comunicativo. Ele é, mas ele tem uma... O Paul tem uma depressão, uma melancolia francesa. Uma coisa meio... Abre a janela. É um ponto. Sabe? Uma coisa meio... Abre a janela.

A pior do que eu acabei de fazer. Qual? Fumar um cigarro, abre a janela. Vai, passa.

Não, não, não. Mas é uma coisa meio abre a janela no pôr do sol, pensativo, questionando. Ah, mas e a existência? Isso é francês. O Brasil é o quê? É porra! Filha da puta! Tapa na cara! Sabe uma coisa que vocês têm que a gente não tem? A empolgação. Para nós, a empolgação... Já falei algumas vezes aqui. Ser muito empolgado e ter opiniões muito determinadas ou ser muito entusiasta é uma coisa que é estranha para nós. É uma coisa estranha. Vocês não têm uma serotonina, né?

Exatamente. O francês é meio... Mas eu acho que é mesmo. Mas a gente não tem nem sol. É isso que eu ia falar. Como que a gente vai ter serotonina? Mas lembra quando eu fui pra Angola que eu falei? A gente tem cocaína.

Ok? Mais um corte que ele vai pedir pra cortar. Não, depois... Alô! Lembra quando eu fui pra Angola que eu falei? Eu me senti um grande hipócrita no momento. Porque, cara, tem muita coisa legal em Angola, igual eu falei. Tem shopping, tem carro, tem riqueza. Só que você fica procurando a criança com fome. É isso! É, a galera fica... Cadê a pobreza pra fazer a foto? O Brasil é uma merda! Eu disse, né, que aconteceu uma vez que um cantor brasileiro foi lá e só mostrou isso. É uma merda! Ele falou Wakanda.

É, foi a Oruan. Mas sabendo disso, que a Rocinha foi lá e fez aquela porra daquela muda, aquele clipe que a pessoa sentar na cadeira, vem um drone. Vem um drone, sim, sim. A Rocinha olhou e falou assim, mano, vocês sempre vão ficar mostrando favela. Mostra do nosso jeito, então. Deixa eu fazer o vídeo, pra você não ficar mostrando o fuzil que tá mostrando meio errado. É isso, porque o Brasil... Cara, o gringo vem pro Brasil. Ele vai ver a praia, ele vai fazer a foto.

Mas ele não vai fazer a foto do shopping, ele não vai fazer a foto do prédio, ele vai fazer a foto da favela. Ele quer mostrar a favela. Mas vocês têm que entender que, para nós gringos, é isso que é muito diferente. Se você mostrar, igual a gente falou, o Claudio Müller, que mora em Floripa tomando cerveja, legal, sabe? Mas não é... Não sei se eu vou viajar 12 mil quilômetros para ver isso. Mas você entende por que criam estátuas e monumentos? Para tirar o foco do problema.

O cara olha e fala, favela, favela. Caramba, tem um trinito. Caramba, mas será que o Luciano Huck é gringo? Eu lembrei de um vídeo aqui do Luciano Huck. Foi lá na aldeia indígena. O indígena lá estava mexendo no celular? Tira o celular. Ele falou, não, tira, tira. Pode parecer mais... Lucas do Rio de Janeiro perguntou, qual país aqui tem o povo mais sem filtro e fala tudo na cara? Claramente o francês. Angola.

Talvez, talvez O francês fala tudo na cara O maior de Deus não é o Brasil Não, não é o Brasil A gente é o mais cuzão A gente falou isso no Danilo, inclusive É, é verdade A gente foi no programa do The Noite Vai entrar, não sei se já entrou Depois clica lá A gente podia até falar sobre esse O dia que a gente foi no The Noite É, legal Mas o brasileiro É o menos disso daí Fala sobre você Depois eu falo sobre o brasileiro

Vou dar um exemplo de como minha... O francês é mais direto e eu vou dar um exemplo de alguma coisa que aconteceu comigo no meu aniversário de 24 anos. É uma coisa que vocês vão achar horrorosa, mas eu achei legal. E vocês vão entender a diferença de mentalidade. Eu fiz aniversário, eu convidei uma amiga. E essa amiga me falou...

Eu iria, eu ficaria feliz e tal, mas eu vou falar a verdade. Eu não consegui me enturmar ano passado, eu não consegui aproveitar muito tua festa. Acho que este ano eu não vou. Ela é francesa? Ela é francesa. E eu falei, cara, legal, se você não se divertiu, porque legal, então não venha, está ótimo, tranquilo, a gente faz outro rolê. Quando eu falei isso para meus amigos brasileiros, eles acharam isso o cúmulo da mal-educação.

Mas é cultural, entendeu? O brasileiro não sabe falar não. E pelo fato do brasileiro não saber falar não, muitas pessoas se aproveitam disso para conseguir o que elas querem. Ah, isso é verdade. O brasileiro faz muita merda porque tem alguém incentivando o brasileiro nesse sim que ele tem vergonha de falar não.

Muitas vezes que a gente toma decisão merda é porque... Ah, tá bom, vou. Ah, só se vive uma vez. Até esse negócio de falar mesmo não. Isso é algo que também me pega muito aqui, porque em Angola nós somos assim. Ah, posso te dar isso e eu falar não? Você já vai entender que eu não quero. Mas aí você... É, é sério, em Angola não é assim. Ah, gostei de... Não, não quero te dar. É tipo, nós somos assim bem direito. E eu percebi quando eu vim aqui, eu comecei a ser meio... Grosso.

Você vira grosso? Não, não, não. É o contrário. É pelo contrário. Você começou a ficar mole. É, você tenta se moldar que é pra não parecer que você é um filha da puta. Nossa, eu acho que o brasileiro é incapaz de falar só não. Tem que ser um não e uma justificativa. E uma justificativa. É horrível isso. É isso que faz o Brasil. Aí sou eu fazendo a representação do Brasil, que a galera odeia, mas faço questão de falar. Mas isso que faz a gente ser, às vezes, bem cuzão. Porque a gente acaba fazendo algo que a gente não tá afim.

faz de qualquer jeito e a galera depois fica ô, brasileiro, porque caralho não quer ir, não vai, só que a gente vai dar um jeitinho vai dar uma desculpa, porque a gente quer ser sempre legal e agradável, a gente quer agradar a gente não quer ficar mal com ninguém isso é uma merda do Brasil, eu acho, sabia? a intenção de ser positivo, eu acho ela muito legal mas o resultado sempre fica falso, então o brasileiro sai como falso, será que o brasileiro gosta realmente, você já parou pra se pensar assim? você que é francês, você que é angolano, será que o cara realmente gosta de mim ou ele só tá sendo brasileiro?

E isso piora muito depois que você tem muito seguidor. Porque você não sabe se o cara... Porque aí eu não sei se ele está sendo brasileiro, se gosta de mim ou se tem algum interesse. Então fica muitas opções na minha cabeça. Mas é que eu acho que o brasileiro tem essa postura que você é com alguém de fora, de outro país, eu acho que é genuíno. Ah, não, isso sim. Mas se é com alguém daqui, aí não, aí tem uma falsidade.

Brasileiro com brasileiro? Brasileiro com brasileiro? Acho que a gente genuinamente trata bem quem é de fora e faz as coisas espontaneamente. Eu acho que a gente trata todo mundo bem. É, eu acho também. Mas aqui com a gente nem sempre é orgânico. Ah, que é inorgânico eu concordo. Eu vou te falar o que é brasileiro. Brasileiro é minha mãe, que ela fala assim... Eu falava assim, mãe, o Paul tá chegando aqui em casa hoje, duas da tarde.

Ela, puta merda, a casa tá uma bagunça. Aí ela parava o dia dela pra arrumar a casa, pra receber um mongo de um amigo meu de 15 anos.

Pra fazer um bolo, pra fingir que em casa, duas da tarde, tem bolo. É, tô ligado. E aí a pessoa entra na casa, ela... Oi, pô, desculpa, tá meio bagunça, você quer um bolo? Porque eu acho que vocês são genuinamente acolhedores. Isso não é uma coisa... Tipo, porque tem uma alma meio de criança, assim, de coisa de... Pô, vamos ser legal. O Brasil é esse povo meio... Vamos ser legal, vamos fazer bolo, vamos festejar, ser feliz. Então, mas se a gente fizesse isso com vontade, eu concordo.

Mas é o que eu falei, a minha mãe. A minha mãe é aquela pessoa que... Não só a minha mãe, muita gente faz isso.

Que é, tem um esforço descomunal para receber alguém e a pessoa acaba tirando o orgânico dela para agradar a outra pessoa. Quer ver, por exemplo, a Emily faz um negócio, a minha esposa, que eu acho maravilhoso, e a galera não entende. Quando vai, visita lá em casa, sei lá, às vezes eu fico até duas da manhã conversando com a galera, três da manhã, a Emily chega no meio da mesa e fala, pessoal...

Podem ficar, mas eu vou dormir. E ela vai embora. E na hora que ela faz isso, todo mundo deve dizer, não, tô indo embora também. E ela fala, não é pra ir embora. Eu só estou indo dormir. O mal vai ficar com vocês. E aí tem gente que fala, nossa, como a Emília é grossa. Fala, não, cara, ela tá com sono. É a casa dela, ela quer dormir. E eu posso ficar com a visita.

Só que aqui tem uma coisa do tipo, estou atrapalhando, eu tenho que ir embora. E também acho que é mais sincero você falar, vou dormir, amanhã vou fazer alguma coisa, valeu, valeu. Eu acho que pra mim é melhor do que você arranjar uma desculpa. Mas a gente faz uma desculpa porque você não quer que o cara se sinta mal. É muito louco isso, velho. Mas é difícil porque não dá muito pra saber, sabe? Por exemplo, é difícil saber o que a pessoa realmente quer. Por exemplo, tem...

bolo, ele está te oferecendo, mas é para ser educado ou não ser? E aí ele vai falar. Então, às vezes você se perde um pouco. E eu comecei a achar que o brasileiro tem um nível de ansiedade bem alto e eu estou começando a achar que tem um pouco disso. Porque você nunca sabe, porra, o que eu posso falar, não falar. E aí eu estou achando que tem um pouco a ver. Obviamente deve ter outros fatores. E uma das coisas mais legais que teve na minha vivência com eles é negociar com eles.

porque eu sou muito cuzão eu chego a falar, eu sinto isso e eu vou te falar, a gente trabalha, a gente é sócio a gente senta, a gente divide planilhas e tal e é muito diferente quando eu trabalho com brasileiro, com o Paul e com o Batista mas eu não falo mal de você nas costas eu sempre falo assim que eu sou um cara que eu falo as coisas e tal, já me ferrei várias vezes com isso inclusive no Brasil, mas

Mas eu já ouvi gente falando o Paul é difícil, né? Não, eu não acho o Paul difícil. Pelo contrário, eu acho que o Paul é mais fácil do que saber se o cara tá gostando ou não tá gostando. Se o Paul fala gostei, ele gostou. Se o Paul fala não gostei, não gostou. É um jogo de cintura, porque... Mas você nunca sabe se o cara tá gostando de alguma coisa. Você sempre fala, não, ele falou que adorou. Mas aí o cara tá por trás falando, esses caras são filhos da p...

E aí fica o tipo, ah, mas será que ele gostou mesmo? Será que... Como é que eu posso fazer para agradar? Por isso que a gente é ansioso. Agora faz sentido. Meu chefe falou que adorou meu trabalho. Mas será que adorou mesmo? Será que foi uma merda e ele está falando porque ele é brasileiro? Então, eu tenho que... Mas isso é real. No Brasil, você é um pouco obrigado a sempre se perguntar sobre o que o cara está pensando e achando e as intenções.

Isso gera ansiedade mesmo. Se eu falo como francês, porque na França era menos assim. Vocês acham que isso é uma coisa só do brasileiro? Ou tem algum outro país que vocês acham que é muito similar assim também?

Eu acho que o português tem um pouco disso.

mas é menos o português é mais direto mais frio mas eu já vi o português sendo tentando ser gentil em momentos que não precisava ser eu já senti tem gente que vai falar que o português é mas eu acho que tem um português imaginário do brasileiro que é o português mais velho que ele é duro é racional e tal mas o jovem português ele é um cara mais educado sabe onde eu acho que deve ter muito isso? é os Estados Unidos porque tudo pra eles é amazing isso é verdade e aí é foda mano você nunca sabe o que o cara tá pensando é um português

E aí você fica muito tenso. Você fica muito tenso sempre. Se eu fizer alguma coisa errada, não vou saber. É verdade. Sabe o que é? O contrário disso é o alemão, mano. O alemão é muito bom, cara. Você sabe exatamente se você está fazendo o que tem. É que no alemão você está sempre desagradando. É o exagero também. O sueco e tal, esses povos é assim mesmo. É uma coisa que eu odeio. Por exemplo, eu vou entrar numa loja e a pessoa fala, nos Estados Unidos tem tanto isso, você entra na loja e fala, uau!

Hello. É muito assim, tipo, eu sei que você não me ama tanto, você só quer meu dinheiro e me irrita. Assim, viajando também, vocês acham que isso tem a ver por nós sermos países mais novos comparado com a França, por exemplo? Talvez tenha a ver com a idade, né? A idade mental de cada país, né? A França é um velho de 90 anos que já tá de saco cheio. Não, acho que não tem nada a ver, Maurício. O Brasil é um adolescente que quer agradar porque não quer ser cancelado.

Acho que não tem nada a ver, porque até nós angolanos, nós somos quase igual o francês, direto.

Não tem nada a ver, eu acho. Eu acho que é a cultura em si. É a nossa cultura. É o modo de tratar. Não, mas o português... Não sei, cara. A minha vivência com portugueses, assim, tipo, é um português sempre tentando agradar os portugueses que eu conheci. O português mais velho, realmente, ele era um cara mais... É, não. Os mais velhos são... São extremamente... É o taxista, bravo, puto. Mas tem a ver com a idade, cara. É, porque aqui também tem um pouco a ver com a idade. Tem uns caras mais velhos, eu jogo de tênis às vezes.

Ai, ai, ai, não acredito nisso. Joga mais o quê? Vai, joga de ladinho também, vai. Pode falar, joga mais o quê? Você sabia que ele tá gastando 300 reais pra alguém lhe ensinar a jogar Fifa? Isso eu achei bizarro, fiquei sabendo disso. Você sabe? É sério, tá pagar pra jogar Fifa. Eu não paguei 300 reais, mas eu paguei um coach.

Eu peguei um coach. Tem coach? É que eu tenho um amigo que se chama Joshua. Ele veio na minha casa, ele me humilhou. E eu estava mal de cabeça. Tive uma fase difícil. Eu precisei de um hobby. O Joshua aproveitou. Eu falei, vou começar a jogar FIFA pra caramba pra esquecer as coisas que estão me dando problema. E eu peguei um coach pra melhorar no FIFA. E o Vira é muito bom, cara.

A gente vai jogar um dia, vou chamar vocês. Faz o mesmo com, sei lá, com audiovisual. É, meu, é, né? Algo que te dê dinheiro, pô. Faz o mesmo com, tipo, com Excel. Com família. Como ser um bom pai. Vai ganhar um curso de como educar melhor suas filhas. E aí tem um velho com quem eu jogo. Um velho, sim. Ele é bem mais velho. E é um cara que tá nem aí pra falar. Ele falou, primeiro dia ele falou, eu vou muito em puteiro.

Olha, que interessante. E ele é um cara que fala tudo na lata. Eu já percebi que no Brasil os mais velhos são mais direto. Teu pai deve ser um cara que fala as coisas. Meu pai é mais direto. Meu pai é mais direto. Porque tem uma idade que você fica com saco de cheiro. Por isso que eu falo que tem a ver com a idade.

Você falou o negócio da sua amiga, do negócio do aniversário, mas eu acho as amizades aqui no Brasil muito sinceras. Não sei se falaria desse jeito. Sabe o que é que a amizade aqui não é tão sincera? Porque qualquer coisa pode magoar.

Nossa, Maricel, você tocou num ponto que... Dito isso, agora eu vou defender o brasileiro. Eu gosto da maneira como o brasileiro também consegue, às vezes, falar coisas duras sem te magoar. Isso é verdade. Porque, por exemplo, eu já tive gente que me falou umas coisas assim que podiam ser duras, mas sempre com uma... Essa é a vantagem de a gente ser meio... Pelo contrário, eu prefiro que seja duro. Não, não. Você prefere que seja duro? É desagradável, cara. Cara, é que duro machuca às vezes.

Não, eu sei que machuca, mas a pessoa... Você não precisa me alisar aqui pra falar o quão errado eu tô, tá vendo? Só fala, você já... Depende, depende de cada um, tem gente que não aceita, velho. Não, eu aceito, eu prefiro. Mas é foda, eu já perdi amigos porque eu cheguei pro cara e falei, cara, a sua postura é valer. Esse não é teu amigo, se você perdeu, não é teu amigo. Amigo de verdade te ouve e fala, pô, errei, valeu, é isso.

Por isso eu gosto muito dos meus amigos em Angola. Por isso que eu falo, então talvez o brasileiro, na verdade, é um lugar com bastante colega.

talvez amigo de verdade ele vai descobrindo conforme ele vai falando sério com as pessoas ele fala falei sério com esse daqui, ele foi embora então não era meu amigo, falei sério com esse daqui foi embora, não é meu amigo, mas você tem uma renca de pessoas de 20 pessoas que aos pouquinhos você vai descobrindo que só tem um amigo ou nenhum e é diferente da França que só tem um cara que esse é o amigo pra sempre é um pouco assim, é um pouco assim meu pai faz tipo 30 anos que ele tem um cara que é o melhor amigo e é esse cara tipo vai fazer aniversário, por que eu vou chamar outras pessoas? tem esse cara, sabe? meu pai é assim

Não tem uma galera, né? Não, não, não. É. Eu acho que a gente começa aqui com... O que foi? Para falar do Insider? Você não entendeu o código? Eu achei que eu estava... Para mudar a postura. Ajeita a postura, pô. Cara, aqui a gente é tão de boa. Você pode falar. Fala da Insider.

Esse daqui é mais um episódio que é patrocinado pela Insider. Você já conhece roupa com tecnologia, roupa do futuro, do XXGG ao PP, todos os tamanhos. Tem a meia, tem a calça, tem a cueca, tem o casaco. Também entra no tempo de frio e é bom falar do casaco. Cara, é verdade, cara. O casaco da Insider é um casaco...

casaco que eu faço questão que você tenha eu sempre faço aqui uma brincadeira que eu falo, você quer testar realmente se a ensaida é boa? Use ela no calor quando você pega a camiseta você usa no calor, você sente que ela é leve, tranquila agora, compre o casaco que você vai entender porque que ela tem o material melhor material que tem hoje em matéria de roupa, na nossa opinião eu acho, tudo que ele falou eu teria falado

Esse papo aqui é óbvio, é uma partezinha, um episódio que é o FAQ, que é um episódio menorzinho, a gente responde perguntas. Quinta-feira tem o episódio completo, inteiro, com outros temas, obviamente, outros convidados por aí.

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