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FAMÍLIA: QUANDO A VONTADE DE DEUS SUPERA OS NOSSOS PLANOS

13 de maio de 202647min
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Pr. Valmir Rocha

Textos: Mateus 1:18-25 | Lucas 1:26-38

Participantes neste episódio1
V

Valmir Rocha

HostPr.
Assuntos5
  • Vontade de Deus vs. Vontade HumanaConflito entre planos · Estigma da gravidez fora do casamento · Dilema de José · Misericórdia sobre justiça · Priorizar a vontade de Deus
  • O Nascimento de JesusAnunciação a Maria · Anunciação a José · Maria · José · Emmanuel
  • A Escolha de Maria e JoséSubmissão à vontade divina · Renúncia aos planos pessoais · O 'sim' de Maria · A obediência de José
  • Definição de FamíliaFamília como criação de Deus · Perspectivas sociais sobre família · Conflito entre lei de Deus e lei dos homens
  • Crescimento do CrenteCrescimento em sabedoria (intelectual) · Crescimento em estatura (físico) · Crescimento em graça (espiritual) · Educação cristã no lar
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A bênção é para quem está presente, irmãos. A igreja está bem esvaziada, mas eu não tenho dúvida que você que veio já tem sido abençoado pela adoração, pelas orações, pela ceia do Senhor.

E continuará sendo agora na reflexão da sua santa palavra. Essa semana passada, retrasada, eu fiz 30 anos que me batizei. 30 anos. Já não sou mais um menino também, né? Nem na idade biológica e nem na idade da fé. Mas...

Nesse dia eu refleti muito sobre o meu batismo e sobre não só esses 30 anos na igreja, e eu falo na igreja porque nem eu confesso aos irmãos, já falei isso outras vezes, que quando me batizei eu acho até que eu já era crente sim, mas eu tinha uma vida ainda muito esquisita. E eu vacilei muito ainda até tomatino, digamos assim.

Mas todas as vezes que me lembro da vida pregressa que vivia, portela, baile, noitada, as fé religiosas que eu vivi, algumas, eu sempre me emociono com gratidão por saber de onde Jesus me livrou.

Então não tem um momento onde a ceia não dá um nó na minha garganta. Todas as vezes. Por mais que eu celebre uma, duas, dez, sei lá quantas vezes eu já celebrei a ceia do Senhor. Quantas vezes eu já celebrei batismos. Mas sempre dá um nó na minha garganta. Porque eu lembro o quão pecador eu sou e ainda assim ele me amou.

que você nunca perca isso também. Mateus capítulo 1, verso 18. Quero ler dois textos com os irmãos nessa noite, que é o texto da família de nosso Senhor. Mateus capítulo 1, verso 18. Nós vamos ler até o verso 25. E depois leremos o Evangelho segundo Lucas, também no capítulo 1, do verso 26. Mateus 1, verso 18 diz assim.

O nascimento de Jesus Cristo foi assim. Maria, a sua mãe, estava comprometida para casar com José, mas antes de se unirem, ela se achou grávida pelo Espírito Santo. José, com quem Maria estava para casar, sendo um homem justo e não querendo envergonhá-la em público, resolveu deixá-la sem que ninguém soubesse.

Enquanto ele refletia sobre isso, eis que lhe apareceu em sonho um anjo do Senhor dizendo, José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e você porá nele o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.

Ora, tudo isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta. Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e ele será chamado pelo nome de Emmanuel.

que Emmanuel significa Deus conosco. Quando José despertou do sono, fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado e recebeu Maria por esposa, porém não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus. Lucas capítulo 1 verso 26. Diz assim,

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. A uma virgem que estava comprometida a casar com um homem da casa de Davi, cujo nome era José. A virgem se chamava Maria. E aproximou-se dela o anjo e disse, salve a graciada, o Senhor está com você.

Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse...

Não tenha medo, Maria, porque você foi abençoada por Deus. Você ficará grávida e dará à luz um filho a quem chamará pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo. Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó e o seu reinado não terá fim.

Então Maria disse ao anjo, como será isto se eu nunca tive relações com homem algum?

O anjo respondeu, o Espírito Santo virá sobre você e o poder do Altíssimo a envolverá com a sua sombra. Por isso também o ente santo que há de nascer será chamado filho de Deus. E Isabel, sua parenta, igualmente está grávida, apesar de sua idade avançada, sendo este já o sexto mês de gestação para aquela que diziam ser estéreo. Porque para Deus...

Não há nada impossível. Então Maria disse, aqui está a serva do Senhor. Que aconteça comigo o que você falou. Então o anjo foi embora. Bendito Deus, obrigado Senhor por esse relato.

Belo, mas também intrigante. Que possamos nesta noite, compreender as verdades reveladas nele, especialmente olhando para o núcleo familiar. Para podermos compreender o que é ser família segundo a tua vontade. Direciona-nos nesta noite. É a minha oração, no bendito nome de Jesus nosso Senhor. Amém. Irmãos.

Você já deve ter lido e ouvido alguns sermões nesse texto. Eu mesmo, certamente, já preguei diversas vezes esse texto aqui na igreja. Tanto do evangelho de Mateus separadamente, como também do evangelho de Lucas separadamente. E eu quis ler esses dois para mostrar a correlação entre eles. Dos quatro evangelhos, dois narram esse nascimento.

Mateus, que é um evangelho destinado e escrito diretamente para o povo judeu, haja vista as tantas e tantas citações veterotestamentárias feitas no livro dele para fundamentarem e provarem aos judeus que Jesus é de fato o Messias prometido, ele é o Cristo que haveria de vir. Esse é o objetivo do evangelho de Mateus, revelar ao povo judeu

que o Messias, o rei prometido, havia chegado. O Evangelho de Lucas é diferente.

Mateus quer provar que o Messias chegou, que o rei chegou. Lucas quer provar que esse rei Messias, enviado por Deus, é um homem também. Ainda que divino, mas um homem. E ele escreve a um público mais romano, mais gentílico. Ele escreve para um auditório mais questionador. Por isso, ainda que...

os dois textos sejam correlatos, notem que o texto lucano é maior, é mais rico em detalhes, porque aquele povo, ele precisava de mais detalhes, ele estava escrevendo para um povo, e especialmente para um homem que ele mesmo chama de excelentíssimo, que é o teófilo, provavelmente alguém instruído, que não...

entenderia bem as questões proféticas do Velho Testamento, mas que questionaria determinadas outras questões, as quais ele, Lucas, faz questão de fazer a minuça de cada um dos detalhes. É por isso que Lucas, por exemplo, ele é o único dos quatro evangelhos que está escrito em ordem cronológica.

O Evangelho de Mateus não está em ordem cronológica, ele está na ordem dos eventos, ele separa os eventos em grandes temas para que eles sejam desenvolvidos na mente judaica, é assim que o judeu é. Já na mente daqueles povos, não era assim que funcionavam, eles gostavam da coisa na ordem com a qual elas iam acontecendo. Por isso que Lucas faz esse tipo de narrativa.

Além disso, Lucas é o único autor bíblico não judeu.

Ele é gentil, é o único não judeu. E Lucas também não é testemunha ocular dos eventos aos quais ele relata. Pelo contrário, ele mesmo diz lá no princípio do seu evangelho que ele pesquisou, que ele estudou, que ele fez uma pesquisa acurada para entender os fatos que se desenvolveram naquela região durante aquele tempo.

Ou seja, Mateus escreve daquilo que vivenciou na vida de Cristo e ouviu diretamente do Cristo. Lucas não. Lucas foi pesquisar, foi estudar, foi ouvir outras fontes para descrever o seu evangelho. Mas a despeito dessas duas narrativas serem correlatas,

elas trazem algumas pequenas diferenças. Nós não vamos entrar nas minuças teológicas dessa diferença, não é? Hoje, pelo menos, essa é a intenção. O meu objetivo nesta noite maior é mostrar que, quando a vontade de Deus supera os nossos planos, quando a vontade de Deus nas nossas famílias supera... Tbrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabrabra

Aquilo que nós colocamos como prioridade quer dizer que tudo vai correr segundo a sua vontade. E correr segundo a vontade de Deus não quer dizer que aquilo que vai acontecer vai parecer bom para você. Porque nem tudo que acontece na nossa vida segundo a vontade de Deus, a princípio, não pode, talvez, não pareça bom. Mas é a vontade dele.

O contexto que nós vivemos é um contexto muito difícil, quando se fala a nível de família. Porque definir família hoje não é uma tarefa fácil. Quando a Sarah estava ainda ali no pré, alguma coisa assim, eu me lembro que chegou um trabalhinho de casa para ela fazer, da escola, que dizia assim, descreva os tipos de famílias existentes na nossa sociedade.

E eu fui até a professora para perguntar para a professora quais eram os tipos de família existentes na sociedade. Porque eu, particularmente, não só eu, enquanto indivíduo, mas, biblicamente, e também até constitucionalmente, a Constituição do Brasil...

ensinam que família é pai, mãe e filhos, marido, mulher e filhos. É isso que a palavra de Deus nos ensina, e é isso que a Constituição Federal do Brasil também ensina. Então, eu perguntei para ela, quais são?

Quais são os tipos de família? E ela ficou meio embargada. Não, pai, você entendeu errado. Eu falei, não, mas não entendi nada, eu só estou perguntando quais são. E eu fiquei inquirindo para tentar que ela falasse qual era o tipo de família, qual era, e ela enrolou, enrolou, enrolou, e eu saí de lá sem saber qual era o tipo de família.

E aí eu falei para ela, como a senhora não me respondeu quais são os tipos de família que existem e eu só conheço um, então eu vou colocar apenas um no trabalhinho dela, porque é o único que eu conheço. Você me apresentar outro, tudo bem. A gente pode conversar depois. Mas isso é a nossa sociedade.

que tem mudado perspectivas e valores e reescrito até leis para acondicionar a sua maneira de viver à própria legislação.

Irmãos, entenda, a palavra de Deus, ela nos ensina, e nós falamos um pouco sobre isso hoje pela manhã, que nós temos que ser submissos a nossas autoridades. Então, de maneira nenhuma, eu estou fazendo aqui um discurso para insuflar você contra...

A governança, de maneira nenhuma. Mas a palavra de Deus também é clara em nos mostrar que quando há um conflito, quando há um choque entre a lei de Deus e a lei dos homens, importa antes agradar a Deus, importa antes servir a Deus, importa antes ser fiel a Deus, do que aos homens. E partindo dessa premissa, nós vamos trabalhar a perspectiva da família que Deus nos ensinou.

E não só hoje, certamente na semana passada, quando o Sérgio falou pela manhã, eu não tenho dúvida que assim ele asseverou. O Adriano, quando falou na semana passada à noite, também asseverou tais palavras. E hoje pela manhã, eu também o fiz. E o farei novamente, e semana que vem, e quantas vezes mais forem necessárias. Porque família não é um projeto de Deus.

Família é uma criação de Deus. Um projeto é algo que pode ser feito e dar errado. Se Deus tivesse feito um projeto familiar, eu aceitaria a ideia de que existem diversos tipos de família. Eu aceitaria. Porque é um projeto. Pode ter dado errado. Você faz um projeto e entrega para o teu chefe, ele pode falar, não gostei.

E não querer aquele projeto. Você pode fazer um projeto escolar e ganhar uma nota baixa. O teu professor não gostou. Então, o projeto não quer dizer isso. Agora, quando Deus cria, a palavra de Deus diz que tudo que Deus criou é bom.

Então, se tudo que Deus criou é bom, e Deus criou a família como primeira instituição, antes de Israel, antes da igreja, antes de qualquer coisa, Deus criou a família, então eu entendo família dentro da perspectiva daquilo que Ele falou que é família. Deixará o homem, seu pai e sua mãe, unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne. É ali que nasce família.

Primeira coisa que eu quero ressaltar é o verso 18 e 19 desse texto. Porque o verso 18 e 19, ele mostra um conflito entre os planos humanos e o plano divino. Notem o seguinte, o texto fala que Maria estava comprometida a casar-se com um homem chamado José.

havia um plano que havia sido traçado muitos anos antes. Provavelmente, os pais de Maria e os pais de José, de alguma maneira, entraram em acordo, como era comum naquela época, e decidiram aquele casamento. E isso acontecia, dependendo do contexto, às vezes muito cedo, quando a menina ainda era criança.

Os pais acordavam e prometiam aquela criança em casamento, tanto seu filho quanto sua filha. Ali se criava uma espécie de aliança apalavrada. Depois, quando elas cresciam mais, e especialmente a menina, quando chegava ali o seu ciclo menstrual,

Quando começava aquele ciclo, marcava-se o casamento. Ali era o quê? O noivado. O noivado hoje está banalizado, né? O namoro está banalizado. O namoro naquela época não existia. E o noivado está banalizado. A gente parece que vai experimentando tudo que é boca e quando é só boca, né?

A gente vai experimentando e trocando de parceiras e parceiros até a gente decidir com alguém que vai casar e normalmente quando decide ainda dá errado. Porque, não sei se você sabe, mas se você tem o hábito de estudar um pouco sobre família e ler algumas pesquisas sobre isso, quanto mais pessoas você se relacionar, menos a chance do seu primeiro casamento dar certo.

Sou eu que estou dizendo, não. São pesquisas. É só você abrir aí as pesquisas e ler. Quanto mais pessoas você se relaciona, menor é a possibilidade do seu relacionamento principal, lá na frente, dar certo. Então, vigia. Então, a gente acha que vai experimentando, vai escolher certo. A história e a vida cotidiana não têm mostrado que isso é uma ciência boa, não. Não têm mostrado mesmo.

Mas qual era a crise, Valmir, que você está falando aqui que havia entre o plano humano e o plano divino? Maria e José tinham o plano de se casar. Eles estavam noivos, eles estavam aliançados. E esse noivado, diferente dos dias de hoje, o noivado, naquela época que os judeus chamam de Kidushim. O Kidushim era uma promessa aliançada.

e que se rompida, olha a seriedade, o noivo, não o marido, o noivo, tinha que dar carta de divórcio, a coisa era séria, porque aos olhos judaicos, a palavra dele já estabelecia o casamento, ainda que não havia tido a consumação pelo sexo.

Por isso que o texto vai dizer que ela estava comprometida a casar com José, mas que não havia conhecido, ou seja, tido relações com homem algum. Mas havia um plano entre aquele casal de se casar.

Só que nem sempre, irmãos, os planos que nós projetamos para nós, ou até mesmo para nossas famílias, quer dizer que vai dar certo, quer dizer que vamos cumprir, quer dizer que vai acontecer. Primeiro, porque a gente pode fazer coisa errada. Mas nesse caso, em específico aqui, não é que eles fizeram alguma coisa errada. É porque os planos de Deus eram diferentes. Os planos de Deus não eram que a coisa acontecesse da maneira como eles haviam pretendido que acontecesse.

Deus havia planejado coisas diferentes.

E haviam estigmas que precisavam ser quebrados, haviam crises que precisariam ser solucionadas, haviam dilemas que precisariam ser vencidos. Por exemplo, o estigma de uma adolescente, provavelmente entre 12 e 14 anos, grávida fora do casamento. A punição para tal ato, segundo Deuteronômio 22, 23 e 24, era a morte.

A punição naquela época para uma mulher ou um homem que vivesse relações sexuais fora do casamento era punível com a morte. Ou seja, o primeiro estigma que deveria ser vencido ali era o estigma da vida ou da morte. Porque Maria sabia que a partir do momento que ela assumisse uma gravidez e que talvez o próprio José abandonasse ela por conta daquela gravidez, ela poderia ser morta.

ela poderia ser morta, porque era o que a lei determinava, mas lá em Lucas, ela que fala assim, faça-se em mim, conforme a tua vontade, essa palavra inclusive é muito usada na teologia católica, que eles chamam de fit Maria, faça-se disse Maria.

Porque Maria vai dizer, faça-se conforme a tua vontade. Ou seja, a Maria, a despeito do estigma que ela carregaria, porque mesmo que não fosse apedrejada, seria apontada, apesar daquele estigma, ainda assim...

ela aceita a missão que Deus deu. O plano que ela traçou, Deus começa a mudar. Mas ela fala, faça-se em mim, conforme a tua vontade. Faça-se em mim. A crise ali está instaurada. E o dilema de José? De ter que acreditar na sua noiva. Perdão. De ter que acreditar na sua noiva, que falou para ele, ó, estou grávida.

Meu irmão, minha irmã, com todo carinho, eu não sei se você sabe o peso dessa palavra na cabeça de um homem. Porque se hoje o homem ainda tem essa neura toda pavorosa com a traição,

Você imagina isso há dois mil anos. Numa sociedade extremamente patriarcal e, por que não dizer, machista. E aquela menina noiva fala, eu estou grávida. E você fala, mas eu não sou pai. Então havia um dilema ali no José, porque José, o texto fala que era homem justo. E sabe o que é tremendo quando a Bíblia fala que ele era um homem justo?

Eu não sei se vocês conseguem notar esses detalhes da Bíblia. Porque a Bíblia fala que José era um homem justo. O que é ser justo? É cumprir a justiça. Certo? Ser justo é cumprir a justiça. Qual era a justiça por uma menina noiva, grávida, sem casar e sem ser do seu noivo? Qual era a justiça? Acabei de falar. Morte. Pedrejamento.

Então, se ele é um homem justo e ele pega aquela menina e leva para a praça pública e exige justiça, ele continuaria sendo um homem justo. Ele não fez nada além do que a justiça determinava. Ele não foi além. Ele fez ou faria aquilo que a justiça determinou. Mas, mais do que justo, ele tinha no seu coração uma justiça pincelada pela misericórdia.

E eu gosto muito de uma frase que li no livro uns anos atrás de Max Lucado, que ele diz que a misericórdia de Deus se estabelece muito mais pelo perdão do inocente do que pela punição do culpado. Acontece alguma coisa, irmãos, a primeira coisa que eu e você marido ou você esposa vai fazer é procurar um culpado.

Quem fez isso? É a fase famosa em casa, né? Quem tirou isso do lugar? Quem não guardou não sei o quê? Nós sempre estamos questionando quem. A gente sempre quer achar um culpado para as coisas. Mas são poucos aqueles que querem de fato resolver o problema.

Querem apenas livrar-se da culpa. Quem foi? Coloca-me numa condição de que não fui eu, foi outro. Então a culpa não recai sobre mim. José não questiona quem.

José era um homem justo, ele poderia ter existido a justiça, mas ele preferiu abraçar a misericórdia, e ele deixou, queria deixá-la secretamente para que ela não fosse punida, mesmo sem saber o que ela havia feito, meu irmão entenda uma coisa, a gente precisa entender como família, que muito mais importante do que descobrir quem é o culpado, é resolver o problema.

É claro que saber quem é às vezes se torna importante para a gente poder conversar, para a gente poder instruir, para a gente poder ensinar, para que aquilo não aconteça de novo. Mas isso não quer dizer que a gente tem que fazer uma caça às bruxas, que a gente tem que fazer uma inquisição para se colocar na fogueira aquele que tal coisa praticou.

Uma das coisas que eu mais vejo nos nossos aconselhamentos pastorais de casais é justamente isso. Porque ela isso, isso e isso, porque ele isso, isso e isso. Eu acho que nunca ouvi uma pessoa chegar no meu gabinete, sentar e falar, não, porque eu, isso, isso e isso. Eu, isso, isso e isso. Não.

A gente não faz isso. A gente quer culpar o outro. Só que isso não é família. Seja justo. O texto também mostra que além desse estigma que a Maria sofreria, esse dilema de José, porque ele ainda não havia ouvido o anúncio angélico em sonho, se estabelece ali uma crise também. E Deus muitas vezes, irmão, permite as crises em nossas famílias quebraamente. O texto também mostra quebraamente.

E interrompe nossos planos humanos para que a sua vontade se cumpra. Para introduzir os planos eternos dele. Onde nós vemos um problema, Deus age com soluções.

O problema nosso é que nós somos sempre querendo racionalizar quando Deus nos chama para olharmos com os olhos espirituais. Para de racionalizar, porque você não é um ser meramente carnal.

Você é um ser que não é só carne, você tem espírito. E as Escrituras Sagradas vão dizer pela boca de Paulo, que quando você é espiritual, você não age como um carnal, porque você vê as coisas com um olhar espiritual. Então veja sempre as coisas com um olhar espiritual. José estava vendo ali a situação dele como homem, mas ele teve um sonho onde o anjo diz para ele, não temas.

Tomar ela por mulher. Poderia ter agora falado, esse é apenas um sonho. Eu estou ficando maluco. Talvez eu tivesse dito isso. Mas o José não. O José viu aquilo como uma revelação divina e abraçou a vontade de Deus, abrindo mão dos planos que ele havia traçado com aquela mulher. Presta atenção que eu vou dizer, irmão. Abra mão dos seus sonhos. Para viver os planos que Deus decretou para a sua vida.

Abra a mão dos planos que você criou para a sua família, para a sua história. Para que você possa viver os planos que Deus quer que você viva para a glória dEle. Talvez não vai ter o glamour daquilo que você projetou. Talvez não vai ter o esplendor daquilo que você queria que tivesse. Mas saiba que o melhor lugar para se estar no mundo com a sua família é o centro da vontade de Deus. É ali que você tem que estar.

É muito triste saber que tem pai que vai subir e o filho não vai. Que tem esposa que vai subir e o marido não vai. Que tem filho que vai subir e os pais não vão. Abandone tudo, irmão. Faça a vontade de Deus. Independente do preço a ser pago, da crise a ser enfrentada, o dilema a ser vivido, o estigma a ser vencido. Independente, pague o preço.

Segundo, Lucas 1, 38, bota para mim aí Filipe por favor, para eu não precisar abrir aqui, Lucas 1, 38. Então Maria disse, aqui está a serva do Senhor, que aconteça comigo o que você falou. Então o anjo foi embora, bota na versão da revista atualizada agora para mim por favor, na RA.

Quero ler ele na RA para você. Naqueles dias... Não, não. 38. Isso. Então disse Maria, aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim, conforme a tua palavra. Que se cumpra em mim. Sabe o que é belo nesse texto? O que eu vou dizer vai parecer contraditório, um contrassenso. É uma escravidão que liberta.

É estranho colocar essas duas palavras numa mesma frase. Mas é literalmente isso. Foi a servidão, a escravidão de Maria que a libertou. A palavra serva ali, do grego, é doule.

Doule quer dizer literalmente escrava. Aqui está a escrava do Senhor. Cumpra-se em mim, cumpra-se nessa escrava conforme a tua palavra. O anjo se ausentou. Sabe por que o anjo se ausentou? Nada mais precisava ser dito. Não precisava mais ter argumentos. Não era necessário um debate.

porque ela se colocou como escrava, escravo não tem vontade, escravo cumpre a vontade do seu Senhor, escravo abre mão daquilo que é seu, abre mão de quem se é para se viver para o seu Senhor, ela abre mão de tudo naquela hora, ela não pensou nas consequências da escolha dela, ela não pensou no noivado, ela não pensou nos seus pais, ela não pensou naquilo que diriam na vizinhança, a única coisa que ela pensou foi o seguinte,

Deus traçou um plano para mim e eu vou cumprir. Olha que bonito. E era uma menina, da idade dessas meninas aqui. Não era uma mulher vivida e experiente, calejada da vida, experimentada na sociedade. Era uma menina, que nós dizemos é uma criança.

Mas uma criança que naquela hora foi colocada como uma mulher bendita entre as mulheres. Tamanha era sua dedicação ao Senhor. Me dói às vezes quando eu ouço alguns pastores evangélicos dizerem que Maria poderia ter sido qualquer uma. Não, poderia não. Ela foi a serva escolhida.

porque Deus sabe quem escolhe. Qual é a sua prioridade?

Maria, o sim de Maria a colocaria numa situação delicada na sociedade, mas o sim dela prevaleceu. O que você faz quando você se encontra com a vontade de Deus que se choca com a tua vontade? Eu lembro que falei dos irmãos que 30 anos atrás eu me batizei.

E eu me lembro que um dos grandes dilemas para o meu batismo, de eu tomar a decisão pelo batismo e largar tudo para mergulhar e me entregar a Cristo, foi porque às vezes eu ponderava, mas e isso, isso e isso que eu gosto de fazer? E aquilo, aquilo e aquilo outro que eu gosto de fazer, o que eu faço com isso? E aí um dia lendo as escrituras, naquele período,

eu pude ler textos que me mostravam de maneira muito clara que o amor de Deus valia muito mais do que a própria vida. Que seguir a vontade de Deus valia muito mais do que qualquer deleite ou desfrute que eu poderia, dele não ter acontecido antes. Oxalá ele tivesse acontecido quando eu tinha 10 anos de idade.

Mas, infelizmente, eu tive que ainda passar por muita coisa ruim antes de chegar aos pés da cruz. José, acorda do sonho. 1,24. Bota lá pra gente de novo, Filipe. 1,24. Volta pra NA, por favor.

Quando José despertou do sono, fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado e recebeu a Maria como sua esposa. José, assim como Maria, priorizou a vontade de Deus. Priorizou a vontade de Deus.

Ele abriu mão, ele estava pensando em deixá-la secretamente, mas ele quando recebeu a ordem daquele anjo, quando ele entendeu que aquilo tudo era um propósito de Deus, ele abandonou tudo para fazer a vontade de Deus. Porque é onde Deus, Deus habita em corações que abrem mão do seu próprio orgulho, dos seus próprios sonhos, de sua própria vaidade, para viverem a plenitude daquilo que Deus mesmo quer por dos seus.

Terceiro e último. O crescimento precisa ser integral. Volta para Lucas 2,52, por favor. Ah, vamos ver, você não leu 52. É, mas eu vou ler agora. 2,52. E Jesus crescia.

em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens. Deixa aí esse verso. Quando nós começamos, nós lemos dois textos paralelos de Mateus e Lucas que falavam de um casal.

José e Maria, das consequências que as escolhas daquele casal teriam, se eles dissessem não, ou se eles fizessem a vontade de Deus. Eles optaram por fazer a vontade de Deus, e a consequência disso é o nascimento de Jesus. Não foi fácil, irmão. Maria tem o seu filho sabendo que ela enterraria seu filho.

sabendo que ela veria toda a tortura que ele passa, não, Maria não sabia, é claro que ela sabia, a profecia angélica disse que o nome dele seria Ioxua, porque ele salvaria o povo dele dos pecados, a palavra Ioxua, o nome Ioxua, significa Iavé salva.

Maria sabia que o Messias, que haveria de salvar o seu povo, Maria sabia que aquele prometido de Deus, era o mesmo prometido de Isaías 53, que vai descrever toda a tortura agonizante que o Messias enfrentaria, ela sabia que o seu filho passaria por isso, e ela teria que assistir.

É por isso que eu estou dizendo que nem sempre, quando escolhemos fazer a vontade de Deus, quer dizer que vai ser glamuroso, quer dizer que você vai ser promovido, quer dizer que vai dar tudo certo. Não, nem sempre. Muitas vezes, quando eu e você escolhemos a vontade de Deus, a gente vai padecer muito, mas o nome de Deus será exaltado pela nossa vida. Haja vista os apóstolos e a vida, a morte que eles tiveram.

Jesus crescia em sabedoria, Jesus crescia em graça, e Jesus crescia na estatura. Veja só, é um crescimento holístico, do todo. Quando nós somos servos de Deus, crentes em Jesus Cristo,

e a gente só cresce fisicamente ou intelectualmente, mas não cresce espiritualmente, é uma anomalia. É uma anomalia. Se você cresce espiritualmente, mas você não cresce fisicamente ou intelectualmente, também é uma anomalia. Também é uma anomalia. O crescimento saudável é o crescimento do todo.

Imagina você crescer e o teu braço não crescer junto, ficar um bracinho pequeno. Ou as pernas crescerem e o pé ficar pequeno. Isso é uma anomalia, é um distúrbio, não é saudável, não é natural, é anormal. Jesus crescia em sabedoria, ou seja, crescia no conhecimento intelectual. Intelectual. Jesus fazia com que mestres se calassem.

Os argumentos de Jesus faziam com que homens sábios se silenciassem. E com que autoridade você faz essas coisas? Diga-me. Só respondo se vocês me responderem primeiro. Com que autoridade João batizava? Espera aí, vamos conversar isso aqui. Se a gente disser que João batizava pela autoridade de Deus, ele vai falar. Então, por que vocês não acreditaram nele?

É, mas também se nós dissermos se for dos homens, essa multidão todinha que está aqui vai nos apedrejar. Porque para eles, João era um profeta. E agora, o que a gente faz? Sei lá, vamos lá. A gente não sabe. Eu tampouco vos respondo. É, né? Um homem é lícito, um judeu, pagar tributo ao imperador romano? Me dá aqui uma moeda. Toma. Pega lá uma dracma.

De quem é a cara nessa moeda aqui? É de César. Então dá para César o que é de César. E dá para Deus o que é de Deus. Silêncio. Jesus crescia intelectualmente. Crente tem que estudar. Crente não é burro. Crente tem que ler. Crente tem que ouvir. Crente tem que meditar.

A gente precisa ser douto no conhecimento também. Não é só na... Conheço tudo de Bíblia, mas não sabe nada de outras coisas. Só sabe Bíblia. Esse não é um crescimento saudável, não. Você vai virar um bitolado. Que negócio é esse? Jesus crescia em sabedoria, intelectualidade. Jesus crescia em estatura. A gente tem que cuidar do corpo. A gente precisa cuidar do corpo.

O sedentarismo hoje está aceleradíssimo, principalmente entre os jovens aí. Cada vez mais sedentários. Naquela época, irmão, era diferente, tudo era feito a pé. Tudo agora a gente faz de carro, de Uber, de ônibus. A gente tem meios de transporte em abundância. Naquela época tudo era feito a pé. Era anda para cá, anda para lá. Quer acender um fogo? Tu não aperta o clique do fogão, não.

Tu vai lá fora e pega a lenha, corta a lenha, bota no ombro, vai levar. Gordo, irmão, naquela época, era gente que era muito rica. E Jesus não era rico. Mas também crescia na graça diante de Deus e diante dos homens. Havia um crescimento espiritual.

Deus confiou seu filho em uma família humana para que ele fosse educado. Deus confiou a você, pai e mãe, o seu filho. Para você fazer ele crescer em sabedoria, em estatura e em graça. Não só diante de Deus, mas diante...

Dos homens. Da sociedade. A gente não cria filho para a gente. A gente cria filho para essa sociedade. Para que eles entrem lá. E sejam diferentes. E não mais um. No meio da multidão. A gente agora só quer saber de curtição. Curtir a vida. Afinal sou jovem. Essa noite pedirão a tua alma. Que tens preparado. Para quem será.

A educação cristã não é uma tarefa da igreja, é uma tarefa do lar, da casa. Termino, irmãos. Termino fazendo três perguntas. Três perguntas para a sua reflexão. Primeira, papai e mamãe, você cuida da espiritualidade do seu filho tanto quanto cuida das notas escolares?

Você se preocupa tanto com a espiritualidade quanto se preocupa com a escola? Porque, às vezes, o pai e a mãe cobram ali o boletim, a nota, o livro que está lendo e tudo e tal. Mas são incapazes de perguntar, você leu a Bíblia hoje? Você teve seu devocional? Você orou? Você já leu a Bíblia hoje com seu filho?

É voraz para cobrar na escola. É um leão, mas um gatinho no que tange a espiritualidade. E muitas vezes não faz, porque não é exemplo. Porque é uma das... Como é que é o ambiente na sua casa? É um ambiente saudável? Onde você adora a Deus? Onde você louva a Deus?

Ou outras coisas mais. Terceira e última. Seu filho vê você dobrando os joelhos nas crises? Ou te vê reclamando delas? Se eu perguntasse hoje para o seu filho, o que você vê do seu pai e da sua mãe quando os problemas caem na família de vocês? O que ele me diria? Que você reclama, murmura, fica nervoso, dá patada em todo mundo?

Ou você crê na providência, se curva e busca a presença do teu Deus? Fica aí a nossa reflexão. Feche seus olhos e vamos orar. Aos olhos daquela sociedade, a família de Jesus não era perfeita. Aos olhos daquela sociedade não era. Mas aos olhos de Deus, ela era santa.

porque ela era separada para cumprir os propósitos dele. Se a sua família pode separecer o que quiser para essa sociedade, mas se aos olhos de Deus ela for santa, Deus vai cumprir os propósitos dele na sua vida e na vida dela. Bondoso Deus. As vezes falamos sobre família.

Domingo após domingo. E parece fácil Senhor, eu sei. Subir numa tribuna. Falar e argumentar. Parece fácil. Mas buscando a perfeição. Senhor. Que cada uma dessas famílias aqui presentes e representadas. Possam tomar a decisão que Maria tomou.

possam tomar a decisão que José tomou, de abrir mão dos seus próprios sonhos, planos e objetivos, para viverem os propósitos de Deus nas suas vidas. Não foi fácil para eles, não será fácil para nós, mas será louvor e glórias a Ti, Senhor. Que abandonemos o nosso orgulho e as nossas perspectivas.

para que possamos viver para a glória da Tua majestade, toda a plenitude, daquilo que Tu queres para mim, e para a nossa família, possamos falar como Maria, faça-se em mim, receba a gratidão do Teu povo, para a honra e glória de Jesus, em nome de quem eu oro.

E que a graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o amor de Deus, as doces e tenras consolações do Santo Espírito, repousem sobre as famílias pilarienses e sobre toda a família do povo de Deus, espalhada pela face da terra. Desde agora e até a tua volta. E o povo santo diz...

Deus te abençoe, meu irmão. Uma boa noite e uma boa semana em nome de Jesus.

FAMÍLIA: QUANDO A VONTADE DE DEUS SUPERA OS NOSSOS PLANOS | Castnews Index — Castnews Index