Dia das Mães: O ventre da resistência e as parteiras da graça.| Head80 com Rafah Moreira.
Dia das Mães: O ventre da resistência e as parteiras da graça.| Head80 com Rafah Moreira.Contribua: Banco — Itaú Agencia: 6503 Conta: 11175-6 Razão Social — Comunidade Alternativa Head80 CHAVE PIX: contato@head80.comPregação com Rafah Moreira Pastor da igreja Head80 em São Paulo.- https://www.instagram.com/iamrafah_00:00 — Introdução10:35 — Leitura do texto11:30— Mensagem32:02 — Conclusão
40:57 — OraçãoNos acompanhe nas redes sociais:http://www.facebook.com/head80spacehttp://www.instagram.com/head80spacehttp://www.twitter.com/head80spaceCelebrações aos Domingos às 10h30Casa aberta às 10:00Comunidade Cristã Head80http://www.head80.com/#igreja #Head80 #RafahMoreira #Pregação #Fé #Jesus #oração #motivational #devotional #amor #comunhão #espiritualidade #igrejaonline #mulheresnabíblia
- Dia das MãesNão romantizar a experiência da maternidade · Mães solo no Brasil · Mães casadas que exercem maternidade solo · Carga mental da maternidade · Ausência da presença paterna
- Desafios da MaternidadeMães atípicas e o sistema opressor · Cifra e Poá como exemplo de resistência · Matrigestar como tecnologia ancestral · Responsabilidade compartilhada no maternar
- Força maternal resiliênciaA resistência das parteiras Cifrá e Poá · O direito de existir dos vulneráveis · Matrigestar: gestação do coração e da potência de vida
- Mães AtípicasDificuldades no acesso à escola e saúde · Preconceito e solidão social · O sistema imperialista e patriarcal
- Estudo Bíblico EfésiosÊxodo capítulo 1, versículos 15 a 17 · Faraó como arquétipo do sistema patriarcal · Teologia colonial e eurocêntrica · Leitura mulherista da Bíblia
- Empoderamento FemininoA libertação do povo hebreu · O cuidado de Deus com as mães · A igreja como território seguro
- Comunidade e Rede de ApoioComunidade Cristã Head80 como casa parteira · Compromisso público de dividir a carga mental · Legitimar o cansaço e a necessidade de descanso
- Paternidade e MaternidadeA validação divina da maternidade não biológica · Tecnologia ancestral de proteção da vida · Leitura mulherista da Bíblia
Bom dia, graça, paz e bem da parte do Senhor Jesus Cristo a todas e todos. Um dia muito marcante, muito especial. De fato, eu oro para que essa reunião e esse encontro seja marcado, de fato, pela presença de Deus nas nossas vidas. Especialmente pelo sopro da Rua Divina em nossos corações.
que nos dá fôlego, o fôlego de vida, o fôlego para continuar, um fôlego que é, a partir dessa data, um fôlego para as mulheres, um fôlego de vida, de renovação, de restituição da sua humanidade, da justiça, da sua condição de ser, que o sopro da rua divina restabeleça a nossa caminhada, a nossa jornada.
e nos envolva e desenvolva para a vida, para o futuro, ou para os futuros que ele propõe para cada um de nós. Chegamos, de fato, ao domingo do Dia das Mães. E, como eu disse, é uma data muito especial, uma data linda, uma data festiva.
Uma data que carrega muitas memórias, uma data também que carrega consigo memórias de luta, de dor, de perdas, mas também memórias de celebração. A figura da maternidade nos envolve e faz parte...
queira ou não, direta ou indiretamente, da nossa trajetória. E eu penso que também essa data foi, de alguma maneira, sequestrada historicamente por conta dessa ideia de também olhar para essa data com uma maneira muito romantizada sobre essa experiência. E...
penso eu que seria muito necessário que nós tivéssemos hoje uma conversa franca a respeito do Dia das Mães e não deixando com que o nosso olhar seja voltado para uma leitura romantizada.
e plástica da experiência do que é o Dia das Mães, do que é a maternidade. É por isso que, diante de vocês, e antes de estar aqui, antes de sentar aqui, eu perguntei para a Fernanda, falei, o que você acha que hoje, no domingo do Dia das Mães, não pode deixar de ser dito?
E a Fernanda, muito cirúrgica, muito direta também, nem pensou, ela falou, Rafa, não romantize o Dia das Mães, não romantize essa experiência. Ela me exortou dizendo que é importante que seja percebida ou reconhecida.
toda a luta, todo o fardo, o peso e também a responsabilidade da maternidade. Foi nesse tom que a Fê me alertou e eu venho diante de vocês.
tentar refletir aquilo que a Fernanda falou e que bateu no meu coração e que fez um turbilhão para a minha construção, para a minha reflexão, para a minha leitura bíblica. E foi tão forte, porque na hora que a Fernanda falou, aquilo me bateu e me levou para um lugar que foi na quinta-feira passada, quando nós estávamos aqui sentados na mesa da LPB, da Leitura Popular da Bíblia.
E nós estávamos falando de diversos temas, mas um dos temas que surgiram foi quando nós começamos a debater a realidade das mães solo no Brasil. Desculpe. Os dados do IBGE e...
Também todas as pesquisas recentes mostram que cerca de 55% das mulheres ou das mães brasileiras exercem a maternidade sola. 55% das mães brasileiras exercem uma maternidade sola. São mais de 11 milhões de lares chefiados exclusivamente por mulheres.
e na sua imensa maioria, mulheres periféricas, mulheres negras. Essa é a realidade. E a gente estava falando em cima desses dados. Mas lá na LPB, na quinta-feira, inclusive se você não está, deveria estar, deveria ajeitar a sua agenda para estar conosco nas quintas-feiras, nesse encontro que é muito especial, que faz com que a gente estude a Bíblia a partir da leitura popular da Bíblia.
Lá nós também refletimos sobre esses dados e fizemos também algo mais desafiador. Nós tocamos numa ferida que eu considero que ainda continua muito camuflada na nossa sociedade, a gente discute muito pouco, que é uma multidão de mães, de mulheres, que estão cansadas.
e ainda vivem dentro da perspectiva do casamento no papel. Então há um número que está camuflado na sociedade e que pouco é discutido a respeito das mulheres casadas no papel e que vivem sobre o mesmo teto dos seus maridos, mas que também são mães solos na prática.
Então, se nós temos um dado de 55% das mulheres brasileiras que vivem a maternidade solo, nós também temos um dado que é muito silenciado socialmente, que são as mães casadas que exercem a sua maternidade de maneira solo ou solitária. E essas mulheres também estão sobrecarregadas, porque elas carregam sozinhas a responsabilidade da carga mental da maternidade.
e também de ter que lembrar de tudo, de ter que fazer tudo. E mais do que ter que lembrar de tudo e fazer tudo, é uma perspectiva do cotidiano mesmo, porque ela tem que levar para o médico, ela tem que levar para a consulta, ela tem que preparar a comidinha, as trocas, ver o estado de saúde, pensar no futuro, na educação, a trajetória dessas mães solo.
em diferentes perspectivas, sejam elas que, sem a presença do seu marido ou com o seu marido presente, fazem ou exercem uma maternidade solitária, porque elas estão fazendo tudo, elas estão sobrecarregadas. E, enquanto a gente percebe isso, elas estão vivendo essa ausência da presença paterna.
E eu acho que o bizarro de tudo isso é entender que a ausência da presença materna não é só daquele homem que saiu para comprar cigarro e não voltou mais, como se discute socialmente. Mas é também o homem que está sentado no sofá, dentro de casa, não percebendo...
a trajetória cansativa dessas mães que fazem ou que maternam de maneira solitária. Então, o sistema vai chamar essas mulheres, essas mulheres exaustas, o sistema, a sociedade, as pessoas vão chamar essas mulheres de guerreiras. Vão olhar para essas mulheres exaustas e vão chamar de guerreiras. E essa é uma forma...
muito barata de esconder a falta de partilha ou de presença na relação e no desenvolvimento da maternidade. Fica muito fácil a gente usar justificativo olhando pra essas mulheres e dizer olha, essa é uma mãe guerreira. É muito fácil, é muito barato.
para um sujeito irresponsável ou um sujeito que não assumiu a sua responsabilidade de partilhar no maternar. Eu queria iluminar exatamente o maternar como esse ato de intervenção divina na realidade, na história. E aí o primeiro ponto é falar a perspectiva desse verbo maternar.
E talvez olhar o maternar como um verbo de resistência na trajetória de muitas mães. Eu queria que você abrisse a sua Bíblia em Êxodo capítulo 1, nós vamos ler o versículo 15 ao 17. Êxodo capítulo 1, versículo 15 a 17. Você que está em casa, você que está... Seja onde você estiver, na verdade.
ouvindo essa mensagem, que seu coração seja tocado.
por uma experiência profunda de reflexão a esse tema, e que o amor de Deus envolva a sua vida, e que você também possa fazer um gesto de partilha com todos os seus familiares, os seus amigos, que eles possam, juntamente conosco, mergulhar na experiência de um entendimento honesto das Escrituras Sagradas.
Todos acharam? Êxodo você tem na tela, Êxodo 1, 15 a 17 diz assim. O rei do Egito ordenou as parteiras dos hebreus, das quais uma se chamava Cifra e outra Poá. Ou Cifra e Poá. E aí ele disse, né? Quando vocês ajudarem as judias, que vocês ajudarem as judias,
a dar à luz, verifiquem o sexo. Se for menino, matem-no. Se for menina, deixem-na viver. Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram à ordem do rei do Egito. Deixaram viver os meninos. Até aí. Como eu tenho conversado com vocês,
O meu compromisso pastoral é fazer uma leitura bíblica honesta e com rigor teológico, histórico. E eu acho que para isso a gente sempre vai fazer, ou eu vou continuar fazendo uma leitura a partir da perspectiva histórica, para que a gente entenda o texto, o contexto dessas vivências e como a gente pode fazer o salto de tradução para o nosso período presente.
Então, quando nós lemos um texto com rigor, nós precisamos olhar o faraó, e o faraó como esse arquétipo de um sistema patriarcal, imperialista, um arquétipo de um sistema que está envolto de poder, ou de desejo pelo poder, essa fome de sustentar o seu cargo, a sua posição, o seu império.
O faraó é esse que decreta a morte, especialmente a corpos vulneráveis, porque aqui está explícita o desejo, e ele exige, diante de si ou diante da sua plataforma, a partir do seu império e do seu poder, ele decide ou quer decidir quem morre e quem vive. Esse é um arquétipo do sistema.
na pessoa do faraó. E aí eu quero usar esse arquétipo para trazer para o nosso tempo presente, para os dias de hoje, porque o faraó, de alguma maneira, representa todas as estruturas frias que esmagam pessoas vulneráveis, e especialmente as mulheres. E quando nós pensamos nessa perspectiva, não tem como a gente falar das mães atípicas. Não é possível a gente...
olhar para a trajetória da maternidade dentro do âmbito social sem perceber as mães atípicas, porque são elas que estão sofrendo essas dinâmicas diariamente.
e em todos os aspectos, sejam eles políticos, sociais, econômicos, relacionais, esses atravessamentos acontecem, chegam essas mulheres e essas mães atípicas acabam enfrentando um faraó implacável, todo dia, no seu cotidiano. Esse faraó, esse sistema imperial, poderoso, que massacra...
desfavorece, enfraquece as mulheres, as mães especialmente, acaba sendo um modo operante da sociedade e essas mulheres acabam sendo atravessadas no seu cotidiano nas coisas que parecem mais simples. Por exemplo, quando elas vão em busca de uma escola para os seus filhos. E a escola fala, não, a gente não vai receber, porque aqui a gente... Aí tem as suas justificativas.
Quando essas mães atípicas vão no plano de saúde pedindo algum tipo de tratamento, o tratamento é negado. Isso acontece. Essas não são histórias inventadas. Isso acontece em todo o cotidiano.
dessas mulheres. E também, quando eu falo socialmente, é porque também essa condição de ser uma mãe atípica está na sociedade, porque quando ela está na sociedade, seja na feira, no supermercado, seja na rua, na igreja...
ela também é vista, observada, como uma mãe que não dá conta, que é frágil, e tudo isso por conta de uma leitura preconceituosa, por falta de entendimento, de percepção e fragilidade mesmo de consciência de um todo. Então, essa é uma maneira da gente...
Olhar para essas mães atípicas e observar, de fato, a solidão social, a solidão do cuidado que elas necessitam. Para essas mulheres que maternam, o maternar não é, de fato, uma propaganda de margarina. Não é uma propaganda que a IA consegue desenvolver muito bem.
Se você pedir um folder de dia das mães para Iá, ela vai colocar uma propaganda de margarina. Porque ela não consegue aprofundar, de fato, nas dinâmicas reais que acontecem em nossa sociedade para expor tudo aquilo que acontece no maternar dessas mulheres, que é, de fato, um verbo de resistência política, um verbo de resistência social e, obviamente, espiritual.
Então, quando essas mães atípicas, quando as mães solo, ou as mães que sofrem essa sobrecarga de acordar todos os dias, de ir à luta em busca de dignidade para si e para os seus filhos, elas estão fazendo ou exercendo aquilo que nós acabamos de ler no texto.
quando nós observamos esse movimento de Cifra e Poá, quando elas dizem, olhando para o império de exclusão, elas dizem não. Olhando para o imperador, que olha para esses corpos e fala vocês vão agora examinar, e se for menino você elimina, se for menino você mantém.
Elas dizem não para o Estado, elas dizem não para o Imperador, elas dizem não para a morte, em absoluto. Elas dizem não para a maldade. Tudo isso para que o direito de existir seja estabelecido naquelas pequenas vidas. E esses pequeninos, aqui essa observância é voltada para as crianças, mas os pequeninos são os vulneráveis.
são os vulneráveis na sociedade, os vulneráveis no mundo. Então, quando essas mulheres dizem não, elas estão, de maneira contundente, exigindo ou trabalhando para manter o direito de viver com plenitude.
Então, maternar é esse selo de autenticidade de quem, de fato, todos os dias desafia a morte e tenta manter o direito de viver em plenitude. Esse é o maternar. Vamos para o segundo ponto. Porque ainda continuando com a ideia da maternidade, eu pensava nessa maternidade sócio-afetiva,
A maternidade da adoção, a maternidade que também, a partir dessas figuras bíblicas, demonstra para nós uma certa tecnologia ancestral que protege. E eu queria que você abrisse novamente, você que está com sua Bíblia aberta, observasse em Êxodo, capítulo 1, porque ali você vai... Na verdade, se a gente decidir fazer uma leitura honesta...
Lá no versículo 20 e 21, você vai ver a resposta de Deus para essas mulheres. Deus foi bondoso com as parteiras. E lá no versículo 21, continua dizendo, e porque as parteiras temeram a Deus, ele concedeu-lhes que constituíssem suas próprias famílias. Olha que extraordinário.
Quando nós olhamos para uma teologia colonial, branca, eurocêntrica e excludente, a gente vai entender que todo o contexto que foi produzido foi a partir de uma maternidade uterina, uma maternidade que precisava ser vista na perspectiva de um útero biológico.
E aqui Deus parece estar legitimando essas mulheres parteiras para a experiência da maternidade, ainda que não seja dentro do aspecto biológico. A sabedoria que vem dessas mulheres, inclusive mulheres que estão à margem da sociedade, que são vulneráveis, agora recebem um selo de Deus para que elas possam exercer esse maternar.
direcionado a essas crianças que estão agora condenadas à morte ou à exclusão. Esse aspecto, para a gente, é muito importante. A gente não pode deixar passar ou fazer uma leitura muito rasa a respeito do contexto, porque...
É aqui que nós somos, obviamente, favorecidos por uma leitura bíblica que nasce sobre o olhar e sobre a produção das pensadoras e teólogas mulheres, especialmente as negras e as latino-americanas.
a partir do nosso contexto histórico, porque a gente pode fazer uma leitura mulherista da Bíblia em diversos aspectos a partir de cada território, mas nós temos que privilegiar também o estudo e o nosso olhar e a capacidade de observar essas questões a partir de uma leitura bíblica feita por mulheres latino-americanas.
E a partir do nosso território, a partir das vivências e das complexidades que acontecem no nosso cotidiano, a gente olha para a Bíblia e fala, poxa, faz sentido isso aqui que está acontecendo. Porque da mesma maneira que aconteceu há séculos atrás, está acontecendo hoje. Se não for igual, há alguns exercícios de uma certa sofisticação nas suas intenções. E que manipulam, fragilizam, violentam corpos, pessoas, mulheres, e que levam essas pessoas a uma condenação de morte.
Então, Cifrá e Puá, elas não estavam aqui, obviamente, parindo esses meninos com seus próprios ventres. Mas nós observamos que elas estavam aqui fazendo um projeto de proteção de vida para essas crianças, que vai além do parir pelo ventre.
porque elas estavam aqui, ao meu ver, aplicando uma das mais extraordinárias tecnologias ancestrais, uma das mais extraordinárias tecnologias sofisticadas que essas mulheres produzem e que, dentro de um aspecto poderoso, nós já estamos chamando as semanas de matrigestar.
E eu fiz questão de trazer essa palavra nas minhas últimas pregações para chegar nesse dia e dar para você a compreensão em absoluto do poder dessa mensagem e dessa palavra produzida por essas mulheres que matrigestam.
Matri de maternar e gestar de gestação. E essa gestação não precisa ser necessariamente do ventre, mas pode ser uma gestação produzida pelo coração, porque matri gestar vai muito além do aspecto biológico. Porque é essa capacidade sagrada de gestar potências de vida a partir da sua perspectiva.
de gente que está parindo sobrevivência no mundo, de gente que está parindo justiça na sua súplica por resgate de dignidade para o seu povo, para as suas crianças, para as pessoas ao seu redor. E, às vezes, até de uma forma tão potente que a gente não compreende mulheres que estão gestando até os seus opressores.
e que precisam de um certo discernimento na sua consciência para que elas saiam dessa produção de tentar ainda sustentar o seu opressor. E a igreja, a comunidade, a sociedade tem um compromisso público de afrontar essas violências que acontecem sobre a vida dessas mulheres. Você que esse ano vai votar...
deve escolher bem as pessoas que você vai apertar. Não é só apertar um botão, mas é analisar o projeto de cada um desses que desejam governar uma sociedade. Porque está em jogo, na sua responsabilidade social e cível, colocar essas mulheres num lugar de segurança, inclusive a sua mãe.
num lugar de segurança, ou deixá-las, elas, à mão dos faraós. Então, aqui o Evangelho valida e coroa, de fato, essas mães, mães por via de adoção, valida também essas mães socioafetivas, valida também as avós, valida também as titias.
Valida também as madrastas. Valida também todas as mulheres que cuidam. É isso que o Evangelho está fazendo. Validando todas as mulheres que cuidam. O útero biológico, ele dá a luz. Mas, de fato, o ventre exposto nessa mensagem é o ventre do coração.
O ventre exposto aqui é o ventre do afeto. É o ventre que dá destino, que dá futuro, que dá possibilidade de resgate para continuar. Para continuar a viver. Com potência, com dignidade, com verdade, com possibilidades. É sobre essa libertação que os hebreus necessitavam. E é sobre essa libertação que hoje, em 2026, as mamães ainda necessitam.
Ainda preciso? E mais, uma provocação para os teólogos que me ouvem, as teólogas, especialmente os teólogos que me ouvem. Porque a libertação do povo hebreu não começa em Moisés. Porque essa história aqui é anterior.
Inclusive, quem permite que Moisés sobreviva a essa condição são quem? Tem nome, tem identidade. Tem estado social, tem posição social. São essas mulheres, parteiras. Foram elas que resgataram Moisés da mão de faraó. Moisés ainda criança, ainda um bebê.
foi resgatado dessa situação por mãos de mulheres parteiras. Foram duas mulheres trabalhadoras, duas mulheres parteiras, duas mulheres que decidiram matrigestar a vida daquelas crianças que seriam excluídas por uma violência à mão do Estado. Essas são as mamães que maternam o afeto.
Estas, de fato, são as mamães que maternam a justiça. Estas, de fato, são as mamães que maternam justiça, amor, cuidado na nossa sociedade e podem ser discernidas como a mais profunda e perfeita encarnação do cuidado de Deus na história. Porque a história do Evangelho nasce nessa perspectiva.
Então, não dá para a gente falar do dia das mães e olhar para a maternidade de uma maneira plástica, fake, ou rasa na sua leitura, porque o Evangelho está nos apontando para coisas muito mais intensas, muito mais sérias, que aconteciam naquela sociedade.
guardadas as proporções, se manifesta também no tempo presente. E nós precisamos olhar, e antes de você falar feliz dia das mães e chamar essa mulher de guerreira, olha para você primeiro. Especialmente aos homens presentes, aos pais presentes.
a sua condição e a sua responsabilidade, o seu compromisso último dentro desse processo do maternário, porque não é uma responsabilidade só da mãe, o maternário é a responsabilidade dos dois, do casal, e aqui eu não limito o casal como homem e mulher, é uma responsabilidade do casal, independente do gênero, mas uma responsabilidade que avança também toda a comunidade. A comunidade precisa a matriz gestar.
Então, nós, enquanto comunidade, estamos matrigestando as nossas crianças. Os crias dessa comunidade é fruto do matrigestar. Os pequeninos, na verdade, é dos pequeninos para os pré-adolescentes, as crianças, os adolescentes, a juventude, até chegar a todos nós. Nós matrigestamos esperança, nós matrigestamos vida, nós matrigestamos a possibilidade de futuro para toda a gente.
Então, igreja, quero caminhar para o final. Eu queria, de fato, que essa conclusão fosse um bálsamo para o nosso coração, especialmente para o coração das mulheres que me ouvem, das mamães que me ouvem, em diferentes lugares, porque existem mamães presentes.
Eu tenho a alegria de falar para um auditório de mães muito incríveis, extraordinárias, com uma história e com uma trajetória grandiosa, e mães que matrigestam de diferentes formas, que não necessariamente tiveram uma gestação uterina, mas que matrigestam o cuidado, o amor e a expressão do que é ser mãe em absoluto. Então, se o sistema...
foi desenvolvido durante séculos para cobrar de vocês para que vocês sejam mamães perfeitas? Se o sistema produziu a ideia de que você tem que ser uma mãe perfeita, que não pode reclamar, que tem que cuidar da casa, que tem que cuidar do trabalho, que tem que cuidar da igreja, que tem que cuidar da rotina da criança, da vida do marido e da sua própria vida.
com sorriso no rosto. Ele não pode fazer cara feia. Não pode reclamar, porque aí é tirada de louca. Eu queria dar, pastoralmente, uma autorização ao seu coração, de maneira muito profética, para que você saia daqui soltando todas essas amarras, todos esses pesos.
que o sopro da rua divina venha trazer ao seu coração a sua trajetória leveza. Leveza. Você não precisa dar conta de tudo. Você não tem essa responsabilidade de dar conta de tudo, ainda que tenham criado uma comunicação que te sobrevém aos ombros uma necessidade de dar conta de tudo. Você não é obrigada. Você não tem que nada.
E nem ser guerreira. Você nem precisa ser guerreira. E eu já vinha conversando com vocês sobre a nossa necessidade de legitimar o nosso cansaço. E não esconder. A gente está cansado, sim. E o nosso cansaço precisa de descanso. E o descanso é sagrado.
Ainda que no Senado eles não queiram dar mais descanso para o trabalhador e para a trabalhadora. Nós estamos dizendo que é bíblico que o descanso é sagrado. Que toda a exaustão seja retirada dos ombros dessas mulheres, dessas mães, dessas mães que maternam, dessas pessoas que maternam, melhor dizendo.
todas as pessoas que maternam, que saia de sob os seus ombros, toda essa exaustão política, social, relacional, espiritual, que vocês receberam, em nome de Jesus, não é meu nome? Em nome de Jesus. Eu não posso encerrar dizendo que eu também tenho um chamado profético.
especialmente aos homens da casa. Cifra e Puá agiram em rede, não agiram sozinhas. Elas foram parteiras daquelas crianças, mas também foram parteiras uma das outras. Parteiras das mamães que estavam sendo perseguidas e que tinham um filho homem, um filho menino.
E a real é que nós não vamos conseguir combater o pecado de aplaudir a exaustão feminina se continuarmos agindo como agimos. Então, todos os homens que me ouvem...
Todos os homens que me ouvem saibam que existe uma responsabilidade em absoluto de matrigestar a vida no nosso cotidiano. E essa é uma responsabilidade que deve ser assumida publicamente. Deve ser vista, presenciada, testemunhada.
Especialmente num mundo que produz esse tipo de solidão na maternidade, nós, enquanto homens de Deus, não é assim que se dizem, nós devemos responder com um compromisso público diante da sociedade, essa responsabilidade de dividir a carga mental, a carga de cuidar dos filhos, cuidar da casa, cuidar dos deveres.
e encarnar essa experiência do maternar na nossa realidade, no nosso cotidiano, nos nossos dias. Essa é uma responsabilidade. Não é ajudar. Ah, eu ajudo em casa. Ajuda em casa? Que história é essa, mano? Está viajando, parceiro? Você não tem que ajudar, não. É sua obrigação. É sua obrigação fazer parte. É sua obrigação na lida.
Ah, mas eu trabalho o dia inteiro. Ah, é? Você que é o mantenedor? Então, você vai pagar essa conta, porque você não vai deixar essa mulher sobrecarregada em casa. Se você vai falar que vai bancar a parada, você vai bancar de verdade, porque ela não vai conseguir fazer a parada sozinha. Então, trabalha mais. Arruma os recursos necessários, porque ela vai precisar mais de outras ajudadoras.
Vai precisar de recursos e tecnologias e possibilidades para ela conseguir passar minimamente uma maternidade saudável, porque sozinha não dá, viu? E não é dois ou três também que ajuda, não. Porque eu também me coloquei na responsabilidade de fazer essa jornada e no final está eu e a Fernanda Cansatos. Só aumentou a olheira.
o cansaço, o trabalho, a dedicação, e a gente olha ao redor e a gente ainda se vê sozinha, ainda se vê solitários. Entende o compromisso, a necessidade de fazer com que essa balança seja justa? E que ela interfere na mãe?
e no seu companheiro ou companheira. Então, acho que esse é um compromisso que a gente precisava sair daqui, enquanto comunidade também, porque a Rede 80 é chamada como uma casa parteira. Eu já disse isso, eu já preguei isso no Dia das Mães. Que nós assumimos uma responsabilidade enquanto igreja parteira.
que faz um parto de esperança para a sociedade. Então, se saiu daquela relação íntima, do espaço íntimo, agora se expõe no espaço público e toca a comunidade, toca a gente com todos os seus atravessamentos e dinâmicas sociais, a gente ainda se coloca à disposição de estender a mão.
e falar, eis-me aqui, estou aqui, estamos juntos. E aí tem muita gente nessa fila aí que precisa de um cuidado dedicado, e é por isso que eu não quis deixar de passar, na minha pregação, a perspectiva das mulheres que estão na base desse sofrimento, que são as mães solo, em diferentes perspectivas, as mães atípicas. Que a rua divina...
traga um sopro materno aos vossos corações. Que a rua divina traga e invada o seu peito maternal com um sopro de divina esperança. Que ele possa devolver a todas leveza, descanso.
E uma certeza inabalável que Deus está perto, Deus está vendo e Deus está interessado nessa causa. Porque foi o que aconteceu com essas parteiras depois que elas tomaram a atitude de enfrentamento contra a morte. Deus falou, opa, elas estão fazendo a minha vontade. E é a nossa única responsabilidade enquanto igreja, enquanto comunidade de fé, fazer a vontade de Deus.
E é da vontade de Deus que esse sagrado maternar habite em amor ou em todo o amor que estas constroem. Em nome de Jesus. Que nós possamos ser um território seguro.
especialmente seguro para essas mães, para as mães solos, as mães atípicas, e que nós possamos também celebrar a vida, a comunhão, e aliviar o caminho, a carga. Falei das mães adotivas, são essas mães, são essas mulheres, que recebem toda a bagagem e sobrecarga.
que precisam receber do nosso posicionamento de fé pública o cuidado, em absoluto. E reafirmado, obviamente, de maneira pública, mas reafirmado a partir da nossa fé, em nome de Jesus. Amém? Eu quero orar com vocês, com seus olhos fechados, se possível. A minha oração é que Deus...
traga diante de nós a possibilidade de continuarmos gerando essa fonte de vida, porque, de fato, Tu és Deus. Tu és o Deus, Tu és o Sagrado, que envolve o nosso coração, envolve as nossas vidas, envolve a vida dessas mulheres, e conhece a dor, o cansaço do cotidiano que elas passam, que elas atravessam, que elas vivem. Senhor, nessa manhã...
nós te damos graça pela vida de cada mulher que exerce o sagrado ministério de maternar. Senhor, que nós possamos te pedir de maneira real e justa o perdão, o perdão sobre os pecados sociais que cometeram, que cometemos, tanto lá fora quanto dentro de casa.
e também dentro da igreja, todos os pecados que produzimos pelas teologias equivocadas que produzimos. Que nós possamos parar de romantizar a exaustão dessas mulheres. E pararmos também de falharmos quando queremos, se é que queremos, ser uma rede de cuidado, uma rede segura, uma rede de apoio.
Nos perdoa, Jesus. E nos dá a possibilidade de olhar hoje para essas mães. Mães solo. Mães que estão sozinhas. Mães que estão sozinhas, muitas vezes, dentro do seu próprio casamento. Mães que estão sozinhas também porque são atípicas, porque são aquelas que gestaram ou não.
de maneira biológica, mas que maternam o cuidado a outros e outras. Ah, Senhor, que elas, fortalecidas nessa esperança, encorajadas a enfrentar os faraós do império, do sistema, sejam acolhidas pelo teu amor e na validação de um Deus que observa o seu cansaço e não deslegitima.
Um Deus que observa o seu cansaço, a sua dor, o seu sofrimento, estende a sua mão e vai de encontro para dar a elas a possibilidade e o direito de matrigestar a esperança em amor e de maneira saudável. Com saúde, com graça, com alegria, com esperança. Tudo isso de maneira verdadeira.
Ah, Senhor, nós precisamos da sua intervenção em nossas vidas, por isso abençoa todas as mães biológicas, as mamães socioafetivas, abençoa, Senhor, todas as mamães por via de adoção, abençoa, Senhor, todas as mamães aqui presentes, as mamães que nos acompanham pelas plataformas digitais, em diferentes lugares, em diferentes territórios, que todas essas mães sejam abençoadas no amor.
e que recebam uma das maiores perspectivas de...
tecnologia ancestral, que o matrigestar seja estabelecido em vossos corações e que elas saiam desse tempo, desse dia, ressignificadas na sua esperança, ressignificadas na sua fé, encorajadas, restabelecidas porque não estão sozinhas. Ainda que se vejam sozinhas, o Senhor está agindo por elas, através delas, em todo o tempo, em nome de Jesus.
Capacita, Senhor, a nossa comunidade para ser um espaço seguro e uma rede de apoio real e verdadeira para cada uma delas. Nos ajuda, Senhor, a construir um compromisso público de cuidado diante da nossa sociedade. Olhando de dentro para fora, obviamente. Nos ajuda, Jesus. Nos ajuda. Que nós possamos ser um lugar e que nós possamos ser um lugar.
de leveza, não um lugar de produção de pesos, mas que a nossa comunidade de fé seja um lugar de produção de vida plena, justa e qualificada para essas mamães, para essas mulheres. Essa é a nossa oração. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, essa é a nossa oração.
que o amor de Deus, que a graça do Senhor Jesus Cristo, que as consolações da rua, desse sopro materno de Deus, estejam sobre a vida de todas e todos. Saiam daqui com a paz, a paz que Jesus nos dá. Saiam daqui com alívio, com alívio que Jesus nos dá.
a partir de um sopro de vida em nossas vidas. Que Deus nos abençoe. Amém, amém e amém. As mamães fiquem de pé. E essas mamães...