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'ESPERANÇAR' COMO RESISTÊNCIA : A coragem de investir no futuro | Head80 com Rafah Moreira.

03 de maio de 202643min
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'ESPERANÇAR' COMO RESISTÊNCIA : A coragem de investir no futuro | Head80 com Rafah Moreira.Contribua: Banco — Itaú Agencia: 6503 Conta: 11175-6 ​​Razão Social — Comunidade Alternativa Head80 CHAVE PIX: contato@head80.comPregação com Rafah Moreira Pastor da igreja Head80 em São Paulo.- https://www.instagram.com/iamrafah_00:00 — Introdução06:50 — Leitura do texto09:05— Mensagem30:20 — Conclusão32:40 — Ceia 40:36 — OraçãoNos acompanhe nas redes sociais:http://www.facebook.com/head80space​http://www.instagram.com/head80space​http://www.twitter.com/head80space​Celebrações aos Domingos às 10h30Casa aberta às 10:00Comunidade Cristã Head80http://www.head80.com/#igreja #Head80 #RafahMoreira #Pregação #Fé #Jesus #oração #motivational #devotional #amor #comunhão #espiritualidade #igrejaonline #mulheresnabíblia

Participantes neste episódio1
R

Rafah Moreira

HostPastor
Assuntos7
  • Esperançar como resistênciaCoragem em tempos de crise · A importância de investir no futuro · A narrativa bíblica de Jeremias · O arquétipo do Império Babilônico · O 'império do descarte' e do cinismo
  • A compra do terreno em AnatoteContexto histórico e teológico · Jeremias na prisão · A oferta do primo Hanamel · O ato profético de comprar terra em tempos de caos
  • O significado de 'esperançar'Paulo Freire e a esperança ativa · Esperançar como ação e construção · A perspectiva profética de Jeremias
  • A Ceia como ato de esperançaJesus como solução e esperança · A Ceia como investimento no futuro · O pão e o vinho como representação do corpo e sangue de Cristo · A nova aliança no sangue de Jesus
  • Coragem silenciosa e proféticaA coragem que fortalece de dentro para fora · Visão profética e olhar renovado · A importância da comunidade e do amor
  • Ações que representam 'comprar um terreno'Investir em relacionamentos · Buscar terapia para encerrar ciclos de trauma · Planejar o futuro e desenvolver novos acordos · Reatar relações fadadas por situações cotidianas
  • A oração finalOração pela comunidade e pela semana · Bênçãos de amor, graça e esperança
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Bom dia a todos. Graça, paz e bem da parte do Senhor Jesus Cristo. Uma honra sempre poder estar aqui trocando com cada um de vocês e sempre com grande expectativa a partir das coisas que tenho pensado, sonhado, orado para a nossa comunidade, para a nossa vivência, para a nossa trajetória enquanto igreja.

Tem muitos desafios também que são postos diante de uma reunião que parece tão pequena, mas ela é muito grandiosa, a maneira como ela impacta as nossas vidas e impacta outras pessoas que estão ao nosso redor. Então, estou muito feliz e grato a Deus por esse tempo, por esse encontro, por essa partilha. Maio, primeiro domingo de maio.

primeiro domingo de maio, maio que é um mês que tem marcas importantes, né, de celebração, de luta.

Um mês também que traz também essa narrativa. Na verdade, o mês acaba sendo inaugurado por uma expressão ou por um grito de luta, um grito de reivindicação, que é o 1º de maio, o dia do trabalhador. E nós celebramos essa data, celebramos a partir das conquistas que já temos e celebramos também com um grito de clamor.

a partir também dos direitos que o trabalhador busca, que é uma luta antiga e que acaba atravessando o nosso cotidiano, todos nós aqui, pelo menos os que eu conheço, são partes dessa classe trabalhadora, e nós estamos nessa luta de garantia dos nossos direitos, garantias também do nosso bem-estar, do nosso bem-viver.

Então, celebro esse mês com esse calendário tão expressivo. Domingo que vem nós temos o Dia das Mães, todos e todas estão convidados a chamar as suas mamães cuidadoras, aquelas que matrigestam, aquelas que fazem parte dessa experiência de celebração da maternidade, ser mãe...

É carregado de muitos desafios, mas eu não vou falar sobre isso hoje. Mas quero deixar esse convite para que vocês estejam conosco no próximo domingo também para esse momento de celebração. Há uma postura que eu tenho trazido nas nossas conversas relacionada à compreensão de uma palavra que eu trouxe, que é a palavra coragem.

E eu dizia no domingo passado que coragem é uma palavra muito grande e que ela não pode ser reduzida somente a um objeto para os coaches motivacionais. A gente, infelizmente, é impactado por uma expressão relacionada à palavra coragem, muito voltada a um...

às vezes é uma compreensão muito rasa do que ela carrega. E eu tenho até me desafiado a ler os textos bíblicos buscando uma compreensão a partir da narrativa que o próprio Evangelho nos traz a respeito do que é ser uma pessoa corajosa.

O que é ser um cristão, uma pessoa de espiritualidade corajosa? E a Bíblia vai trazendo diversas histórias, como nós bem lemos no domingo passado, percorremos alguns personagens bíblicos que mostraram essa trajetória de coragem numa outra perspectiva e talvez uma outra categoria, uma outra qualidade de coragem que a própria Bíblia nos apresenta.

Quando nós olhamos para a crise ao nosso redor, a todos os acontecimentos que geram, de alguma maneira, algum tipo de desgaste...

sejam elas crises econômicas que nos sufocam, sejam as crises que acontecem dentro dos lares, dentro das nossas próprias casas, crises que acontecem nas relações, nos casamentos, crises de saúde mental. São muitas crises que nos atravessam em diversos tempos e momentos. E a nossa reação natural, quando a gente passa por uma crise, é uma reação de fuga.

a gente se recolhe, a gente se retrai. Quando a gente está num processo de crise, a primeira coisa que a gente faz é puxar o freio, tentar se esconder, tentar desenvolver qualquer tipo de fuga. E esse instinto é um instinto coletivo, é um instinto social. É um instinto que não atravessa só a nossa situação.

íntima, mas ela está no seio das discussões. Quando a gente passa por um tempo difícil, quando a gente imagina que esse semestre vai ser um semestre desafiador, a própria sociedade vai te dar algumas respostas, os coaches motivacionais também podem te dar algumas respostas, dizendo para você, olha, não invista.

Quem já ouviu isso? Passando por um processo econômico específico, não é hora de investir. Quando a gente vê um processo assim de voltar da relação, não se entregue. Já ouviu essa determinação? Nos momentos de crise, algumas palavras que chegam para nós é dizendo, desiste disso aí, está todo mundo mal, não é só você.

Não é escrita na cabeça, não. Você está sofrendo, mas tem um monte de gente sofrendo, também estou sofrendo.

Não adianta ficar reclamando. É isso aí, está posto. Segue o jogo. Então, eu penso que há um instinto social que acaba colocando a gente sempre nesse lugar de fuga, quando a gente passa por determinadas crises, dependente do aspecto, mas hoje eu queria iluminar a nossa compreensão num tipo de coragem que o próprio Evangelho traz para nós e nos ensina, que é uma maneira da gente aprofundar

a nossa compreensão, especialmente num aspecto relacional, e que vem de uma maneira muito silenciosa para nós, especialmente para quem decide, numa situação de crise, ficar, construir, ou até mesmo, como eu gosto de dizer, esperançar. E aí eu convido você a abrir o texto bíblico em Jeremias.

Você vai lá no Antigo Testamento e você vai abrir em Jeremias 32. Eu quero ler alguns versículos. Eu vou ler dos 6 ao 9 e depois eu vou pular para o 15. Então, esteja com o capítulo 32 aberto, que esse vai ser o texto da minha leitura e o texto da nossa reflexão dessa manhã.

É você que nos acompanha em casa, você tem na tela o versículo. E peço para que você também nos acompanhe na leitura. Jeremias 32, todos acharam? O verso 6 diz assim. Jeremias disse, o Senhor dirigiu-me a palavra nos seguintes termos. Hanamel, filho do seu tio Salamon, virá ao seu encontro e dirá.

Compre a propriedade que tenho em Anatote, porque sendo o parente mais próximo, você tem o direito e o dever de comprá-la, antes que eu a ofereça a outro. Versículo 8. Então, como o Senhor tinha dito, meu primo, Hanamel, veio ao pátio da guarda e me disse, compre a propriedade que tenho em Anatote, na terra de Benjamin.

pois você tem o direito de propriedade e o dever de comprá-la. Compre-a. Então, entendi que era a palavra do Senhor. Comprei, pois a propriedade de Anamel, filho do meu tio Anatote, e passei para ele 17 ciclos de prata. Agora vamos até o versículo 15, um pouquinho mais adiante.

porque assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel. Casas, campos e vinhas voltarão a ser comprados nesta terra. Até aí. Olha, para ler esse texto com muito rigor histórico e também teológico, eu gosto sempre de entender o contexto desse texto, desse momento.

E o cenário aqui é muito absurdo, sabe? Porque Jeremias está numa condição muito complexa que eu quero tentar descrever para vocês. Jerusalém, ela está cercada pelo exército babilônico. Então, nós estamos falando de uma cidade que foi tomada por um outro império. O império mais poderoso daquele tempo, daquela época, era o Império Babilônico.

Jerusalém foi tomada, essa cidade agora está sitiada, o Império Babilônico está colocando as suas regras sobre aquela sociedade, sobre aquele povo, e o que se entende nesse texto é que a guerra foi perdida, então Jerusalém não conseguiu o confronto, teve o seu espaço tomado pelo Império Babilônico, então a guerra foi perdida, a cidade foi destruída, o povo...

seria levado, a partir daquele momento, a cativeiro, seria levado a um regime de escravização, e também nós temos agora o personagem bíblico, que nós acabamos de ler, o próprio Jeremias, que é um profeta do seu tempo, inclusive está preso. Então, essa conversa, esse diálogo, acontece dentro da prisão. Jeremias...

nesse contexto, recebe uma mensagem do sagrado, Deus fala com ele, e o que Deus diz para ele é para que ele faça um... é que ele compre um terreno. Não vou falar no nosso português. Deus pede para ele comprar uma terrinha, um pedaço de terra.

E esse pedaço de terra era de direito que ele recebesse a oferta antes que fosse colocada a venda popular. Então era uma regra e Deus conversa com ele e diz, olha, invista nessa terra, compra esse terreno, compra esse espaço. E é nesse cenário de caos que o primo de Jeremias aparece na prisão e oferece esse terreno para vender.

Na lógica do mercado, ninguém, em sã consciência, compraria um terreno numa cidade que foi devastada. Ninguém compraria um terreno diante de um contexto, de uma terra ou de um país que foi colapsado. Mas Jeremias se recorda da mensagem que ele tinha recebido anteriormente. E, ouvindo a voz de Jeremias, ele compra o terreno.

porque Deus havia dito para que ele fizesse isso. E aí eu queria trazer esse mesmo pensamento, esse mesmo contexto para o nosso tempo presente, até para a gente conseguir alinhar o que está acontecendo naquele momento histórico e o que pode ser semelhante ao que acontece no tempo presente. Porque quem é o império babilônico no tempo presente?

Responda para você mesmo, não precisa dizer. Você vai, tenta fazer essa descrição. Quem é o Império Babilônico do tempo presente? Quem é o grande império que invade terras, que deseja o que é precioso de um outro lugar, de um outro território, que aspira poder sobre territórios, sobre vidas, sobre pessoas? Quem é?

Porque, de alguma maneira, o Império Babilônico, agora como esse arquétipo para o nosso pensamento, ele veste outras roupas e ele se dá em outras categorias. Pode ser o império de um descarte rápido.

de relações ou de produtos, de coisas. Um império que se desenvolve a partir de relações, sejam elas pessoais ou comerciais, dentro de um aspecto de descarte.

que é um pouco da metodologia do consumo, quanto mais rápido, quanto menor o tempo de vida, mais você vai consumir, mais você vai desejar a atualização desse produto. Como também o descarte das relações, porque isso também é um dado do nosso tempo. As pessoas não têm mais o interesse de nutrir as relações por mais tempo.

E esse descarte acontece em diversas...

Maneiras, seja dentro de relacionamentos conjugais, seja também amizades. Quantas pessoas que passaram na minha vida, que eu tive algum tipo de relacionamento, um breve relacionamento que seja, mas que foram embora. Descartaram essa relação, descartaram essa possível amizade ou construção de trajetória de amizade, por algum motivo, às vezes por uma discordância, ou porque decidiu trilhar um outro caminho. Bom...

N motivos. Mas tem esse império do descarte, tem o império do cinismo, que é um pouco desse processo de... Ah, estou passando por uma crise, é melhor a gente ser cínico do que a gente ser verdadeiro em algumas questões. E aí tem essa postura.

a lógica acaba trazendo para a gente esse certo desespero, porque quando a gente olha para o cenário, as respostas são, por que você vai investir nesse relacionamento? Por que você vai insistir ou investir nessa amizade? Por que você vai dialogar com a sua família?

com o seu companheiro ou companheira. Por que você vai perder tempo dialogando com o seu filho adolescente? Por que você vai gastar tempo? Ele não vai te ouvir. Então, as conversas, as vozes na nossa cabeça, sempre são limitantes, sempre são para colocar a gente num local em que a gente não consegue perceber que poderia avançar, mas é melhor não.

E outras coisas também, que eu acho que isso atravessa um pouco a minha vida. Por que não continuar, ou por que não começar aquele tão sonhado projeto? Aquele tão sonhado projeto que você tem, acho que não é o momento. O momento econômico não ajuda, é melhor dar uma segurada. E aí você vai travando e antecipando coisas que poderiam já estar avançando por conta de vozes na nossa consciência, ou vozes de terceiros. E aí nós paramos.

literalmente, de comprar terrenos, por conta das vozes limitantes, por conta das vozes de terceiros ou aquelas que estão, na nossa consciência, tentando nos travar, tentando nos barrar. E acho que a primeira reflexão para essa forma que estou tentando desenvolver aqui para a nossa conversa

trazer uma pergunta assim, quais são os terrenos que você deixou de comprar? Quais são os terrenos que você resolveu deixar para depois? Quais são os terrenos que... Deus até falou, avança, minha filha. Entra nessa seara aí.

E aí o terreno, aqui você está entendendo, que não é necessariamente... Pode ser um terreno também, que você talvez sonhe por ele, pode ser um terreno físico, mas o terreno, eu estou falando de terras que podem envolver a nossa relação, conversas difíceis que precisam ser levadas para a mesa, para o diálogo, conversas que podem ser com os nossos filhos, com os nossos cônjuges.

Pode ser também essas questões relacionadas a sonhos e desejos que você quer projetar, que você quer desenvolver, que não acontece porque alguém chegou para você e falou isso é loucura, sua cabeça, bobagem, ou não é o momento, olha como está a economia, que isso, vai investir por quê? Então a gente vai ouvindo outras justificativas, outras vozes, e a gente não vai comprando terreno.

Então, a pergunta, acho que talvez teria desafio, qual é o terreno que você não tem comprado, que você não tem avançado, que você não tem tomado como seu, que você não tem tomado uma atitude para que ele aconteça. Porque, de alguma forma, a gente vai fazendo da nossa trajetória um certo cinismo. É mais fácil a gente ser cínico às situações do que se demonstrar vulnerável a elas. E eu queria que...

nessa conversa que nós estamos tendo hoje, que vocês saiam daqui com uma coragem profética que muda expectativas futuras. Um pouco dessa provocação que eu trago, tanto na minha introdução, como na construção desse primeiro ponto. O segundo ponto já vai num aspecto do que a própria escritura vai nos revelar.

e que eu faço uma semelhança, que eu acho que é a mais extraordinária forma de você compreender, que é o que o Jeremias faz. Ele não apenas compra o terreno, porque o texto diz que ele faz questão de pesar a prata.

ou seja, de fazer o acordo. Ele assina as escrituras na frente das pessoas, ele gera testemunhas, e ainda o texto diz para que ele coloque num vaso de barro, que era um costume de preservação daquele tempo. O que ele estava dizendo? Vamos ler o texto, né? Jeremias 32, é o verso 14 que eu estou...

Pensando aqui, né? O verso 14 diz, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, toma esse documento, tanto a cópia selada como a não selada da escritura de compra, e coloque-os em um jarro de barro para que se conserve por muitos anos. Paulo Freire vai trazer para nós a compreensão do que é o esperançar.

Ele vai dizer que existe uma outra qualidade de esperança, que não é a esperança que coloca a gente sentado numa poltrona, esperando algo cair do céu.

O professor Freire vai dizer para nós que a esperança tem uma outra qualidade a partir do verbo esperançar, que não é aquilo que deixa a gente parado, mas é o que nos coloca em movimento ou nos coloca em estado de ação. Esperançar é se colocar à disposição do fazer, de construir, de desenvolver, ou até mesmo de aceitar os desafios que a vida nos propõe.

Isso, para mim, é extraordinário, porque eu imagino Jeremias esperançando a vida. Esperançando algo que era, provavelmente, impossível de compreender no contexto que ele estava vivendo. O cara comprar um terreno é, no mínimo, um ato profético. Tinha que ser um profeta mesmo para tomar uma decisão como essa. Porque o profeta tem essa qualidade de ter uma perspectiva de futuro.

ter uma perspectiva do que pode acontecer adiante. E o meu desejo, a minha oração, é que todos aqui saiam com a mesma perspectiva profética do profeta Jeremias. Que todos e todas vocês que me ouvem possam compreender que é possível trilhar uma trajetória de um olhar profético diante da realidade.

Porque os tempos são difíceis. As crises, elas se estabelecem. E elas chegam a nós de alguma maneira, porque não tem como a gente ficar inerente a elas. Eu não poderia, na verdade, até poderia enganá-los, dizendo aqui que nenhum mal vai te sobreviver. Mas o dia mau chega na casa de todos, em algum momento, em algum dia, em algum tempo.

Agora, o que muda é a perspectiva, é como nós estamos, como nós recebemos e como nós atuamos diante do diamão. Porque nós temos uma boa notícia, que nós não estamos sozinhos quando atravessamos o vale da sombra da morte.

Nós temos uma boa notícia, que mesmo nos tempos de dificuldade, de tragédia, até mesmo de luto, de sofrimento, Deus está ao nosso lado, nós estamos sozinhos, não há um vale de solidão, mas existe um vale de comunhão. E o Deus não é somente a presença do sagrado, mas é o sagrado que habita em nós e nas nossas relações.

Vocês sabem, quando eu atravessei o vale do luto, e de certa forma ainda atravesso, o que me resgata nesse sofrimento é a comunidade.

É as amizades, são os meus amigos espirituais, é a minha família. São esses sagrados seres que se colocaram à disposição de acolher, de levantar aqueles que estavam machucados e feridos. Essa é uma trajetória comunitária. E só é possível se nós, enquanto comunidade, tivermos um olhar profético diante do futuro, diante da vida. Quando você pega o seu celular, quando você liga a televisão, quando você vai para o noticiário, as notícias são difíceis.

As conversas não são positivas, ainda mais no ano de eleição, gente. Que um vai ficar atacando o outro, um atacando o outro. As notícias não vão ser boas. O cenário de guerra é gente agora trazendo para a mesa que deveria ser sagrada discussões que são separatistas, discussões que causam guerras, dissensões e tudo mais. E como nós vamos lidar diante desse cenário?

um olhar profético, espelhado ou inspirado por Jeremias. Mas não só mesmo pela figura do profeta, mas pela fala que ele recebe, que é essa que eu gostaria que estivesse dentro do seu coração. Um Deus que se volta para cada um de nós e nos propõe a possibilidade da gente, em meio ao caos, comprar um terreno. Deus está dizendo para nós, olha.

Pode negociar o futuro. Pode se estabelecer. Para de olhar para o cenário caótico que está se apresentando agora. Eu preciso de olhos proféticos. Então, olha para frente. Ainda que você não entenda, compre o seu terreno, porque tudo isso que está acontecendo aqui é só um momento. Haverá um tempo que lá você colherá o fruto dessa terra que você está...

tomando como sua, como posse. E essa é uma perspectiva que a gente poderia sair daqui já quase como um trato, enquanto comunidade, olhar para o futuro com uma qualidade de esperança voltada a partir das ações que nós estamos tomando agora, nesse momento. Era ele, Jeremias, dizendo para o império...

que a Babilônia poderia até mesmo queimar toda a cidade naquele momento, naquele exato momento, mas eu, como se Jeremias estivesse dizendo, eu acredito num Deus que está propondo para mim futuros. E eu vou investir no futuro. Eu vou investir naquilo que os meus olhos não conseguem enxergar. O caos não tem a última palavra na minha vida.

O dia mau não tem a última palavra. A vida vai voltar a florescer. Essa é a esperança do profeta. E essa é a esperança que precisa estar cravada no nosso coração. A sua coragem no cotidiano acaba se manifestando quando você, de fato, decide agir com a mesma ousadia que o profeta age diante a um cenário de desespero. De fato, fazer com que essa...

qualidade de coragem que o evangelho nos mostra vem a aparecer principalmente quando você vai fazer uma terapia. Quando você decide fazer terapia. Para você encerrar o ciclo de traumas na sua família, por exemplo. Olha que legal.

Você ser o agente que vai encerrar os ciclos de traumas que aconteceram na sua família, porque você decidiu fazer terapia. Quando você está fazendo isso, de alguma maneira você está comprando um terreno no caos. Então, entendendo os aspectos, os arquétipos, a sua coragem, ou essa coragem que o Evangelho nos...

nos apresenta, ela se manifesta quando você se senta para conversar, ouvir, perdoar e até mesmo reatar aquelas relações que você não acreditava mais, que estavam todas elas, sei lá, fadadas ao fim. Essa é uma forma de você assinar a escritura do seu terreno.

conservar, colocar ali dentro daquela esperança que vai falar, olha, eu vou fazer mais uma tentativa para resolver essa relação. É claro que quando eu falo de reatar relações, vocês sabem que eu estou falando de relações que foram fadadas por situações...

por cotidianas, por dificuldade, por proximidade, por falta de afeto, coisas que, sei lá, as intempéries dos dias atravessaram. Não estou falando de violência, não. Vocês sabem que eu já tenho uma outra postura em relação a reatar a relação para quem está passando ou atravessando algum tipo de violência. Não é sobre isso. Mas é sobre relações que foram fadadas por alguma situação do seu cotidiano e que precisam ser reabilitadas através de conversa, através de escuta, através de perdão.

É nesse contexto. É essa forma da gente, sabe, comprar o nosso terreno. De restabelecer a nossa perspectiva para o futuro. Quando você, de fato, planeja o futuro, você está desenvolvendo novos acordos. Inclusive acordos como esse que nós estamos fazendo aqui enquanto comunidade. Porque olhar para o futuro... ...o futuro.

diante de uma palavra dessa, é fazer um acordo comunitário. De falar assim, olha, você pode, por exemplo, decidir ou não caminhar conosco enquanto comunidade. Por exemplo, eu quero caminhar com a Rede 80. Quando você diz isso, você não estabelece um acordo só com você mesmo. Você estabelece um acordo relacional com toda a comunidade. E caminhar com a Rede 80, caminhar com a igreja, com essa comunidade de fé, é...

se estabelecer como um agente que tem um propósito e que desenvolve esse propósito a partir de uma jornada coletiva. Nós temos sonhos, nós temos esperanças, nós temos lutas, desafios, temos coisas para celebrar e tudo isso é feito de uma maneira envolta de profunda unidade. Toda a dor que nós estamos vivendo...

Agora não é o nosso destino. Não é o nosso destino. Se há algum caos que nós estejamos atravessando agora, é só porque é travessia. Não é o nosso destino final. E aí eu quero concluir dizendo que a nossa fé, a nossa espiritualidade, inspirada no Cristo vivo e ressurreto, acaba sendo a nossa vocação para a vida.

E essa vocação vai fazer com que qualquer inspiração babilônica caia por terra. Porque nós estamos sendo encorajados e encorajando uns aos outros acerca do que nós propomos a ser hoje. Casa forte. E gente com visão profética para o futuro.

Eu falei de crises, crises profundas, falei de tantas coisas que possam chegar para a gente, porque eu chego aqui também sabendo de um diagnóstico também. Isso nos atormenta, porque a gente não quer ver ninguém sofrendo, inclusive um bebê, como nós recebemos a notícia. Nós não só oramos, mas queremos dedicar toda a nossa energia para que essa família não sofra, esse bebê não sofra.

Isso acontece quando a gente... Essa maneira que eu quero caminhar, sabe? Diante de uma má notícia ou de um diagnóstico, diante de um luto, eu quero me colocar à disposição de ouvir a rua divina.

Soprando nas nossas narinas, nos dando saúde, consciência, força e possibilidade para reagir diante da diversidade de uma maneira diferente que nós reagiríamos se não estivéssemos com ela. Então, que a rua divina, o Espírito Santo, faça esse valor na nossa caminhada e que nos dê a possibilidade de a gente continuar plantando. Não desista de amar. Não desista.

de cuidar uns dos outros. Não desista de esperançar. Essa é a minha oração, essa é a minha partilha para essa manhã. Bom, não há um lugar mais sagrado do que celebrar toda essa expressão diante da mesa.

em mesas que são envoltas de tantas contendas, de tantas dissensões, de tantas brigas, de tantas guerras, nós estamos, enquanto comunidade, celebrando uma mesa da partilha. E mais, sobre essa mesa, o pão, o vinho, como o nosso terreno sagrado, que se estabelece na possibilidade de a gente investir futuros.

investir esperança para o futuro. Então, eu queria que você recebesse agora, nós vamos para esse momento de ceia, vamos para esse momento de mesa, de partilha. Você vai receber o pão, vai receber o cálice, e diante desse pão e cálice, não coma, não beba enquanto todos se sirvam.

O apóstolo Paulo e o próprio Jesus, tanto nos evangelhos quanto nos livros de Paulo, a noite que Jesus foi traído, sabendo que a cruz viria e que o império romano atravessaria sua humanidade, sua vivência com a morte, no dia seguinte...

Passada a cruz, passado o tormento da morte que veio, sobreveio a vida de Jesus. O que ele fez diante desse sofrimento? Uma coisa que nós sabemos, ele não fugiu. Mas ele se sentou à mesa com seus discípulos, ele desejou partilhar uma ceia com seus amigos. E esse é um cenário extraordinário.

porque, de alguma maneira, Jesus, a história, essa trajetória de Jesus, se assemelha com a condição do profeta Jeremias, que estava num cenário caótico e comprou um terreno para o futuro. Jesus, da mesma maneira, num cenário caótico, de violência, de morte, e aí, passada a morte, a primeira coisa que ele deseja na sua ressurreição é se encontrar com seus amigos e...

Comer com eles. De fazer mais uma ceia, de propor uma mesa de partilha, agora com a representação do teu corpo e do seu sangue. Para quê? Para investir futuro na vida daqueles seus amigos, daqueles discípulos. Isso nos encontra, meus irmãos. O sonho de Jesus naquela mesa era o sonho de futuro.

Um sonho que aconteceu há séculos, chega até nós, porque alguém investiu em futuros. O próprio Jesus investiu em futuros. Nós somos o resultado desse sonho de Deus, para um mundo que sofre. Nós somos o resultado desse sonho de Deus para um mundo que está afadado ao caos.

Então, que essas pequenas sementes sejam frutíferas. Frutíferas. Todos se serviram? Esse pão deixa de ser somente a compreensão de uma substância natural, mas passa a ser para nós a representação do corpo de Jesus que foi partido.

O corpo de Jesus que foi partido, machucado, sofrido, moído, é partilhado entre nós como essa lembrança da dor e do sofrimento. A lembrança do caos. A lembrança do pecado que consumiu a humanidade de tal maneira que poderia só levá-la à morte. A morte plena. A morte sem volta, sem fim.

E aí o que Deus, na entrega do seu corpo, nos propõe é a possibilidade de nos tirar, nos resgatar desse lamaçal de morte e nos trazer para a maravilhosa luz, que é o lugar de vida. E vida abundante. Então, ao comer desse pão, lembre-se desse corpo sofrido e partido por cada um de nós, com o desejo do nosso resgate e da nossa ressurreição. Amém? Pode comer do pão.

Seja exaltado, Jesus, no meio de nós. Seja exaltado, Senhor. Receba-nos nos seus braços, receba, Senhor, a expressão que agora aquece o nosso coração.

que todas as vidas, que todas as existências e pessoas que nos ouvem, que nos acompanham, as que estão aqui, que elas ainda, num lugar de vulnerabilidade, diante dos seus medos, diante das suas lutas, ao se aproximar dessa mesa, que todas elas se acheguem a ti.

E que todas elas possam, nesse partilhar, ao comer do pão, que elas venham assinar esse contrato com a graça. Que elas venham assinar esse contrato com a graça. Venha receber o pão, venha receber o vinho, com toda a força que Ele nos dá, com a possibilidade de a gente sair daqui, voltos para um amanhã. Para a cidade da coragem.

para o terreno, para o lugar que o Senhor investiu para nós. Obrigado, Senhor, por nos resgatar da dor e do caos e por nos dar, Senhor, a possibilidade de esperançar. Obrigado, Jesus. Agradeço ao Senhor, agradeço. Diga palavras de adoração e de agradecimento ao Senhor Jesus.

Da mesma maneira, depois de comer do pão, o Senhor Jesus pegou o cálice e disse, esse cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que vocês comerem desse pão e beberem desse cálice, anunciarão a minha volta. E ele já veio. Ele está no meio de nós. Um brinde à vida de Deus no meio de nós. Um brinde à vida. Pode beber do cálice.

Deus de toda esperança, nós te damos graça diante dessa mesa. Deus de grande esperança, de belo esperançar, nós te damos graça. Que esse pão e que esse cálice nos renove com essa coragem profética que constrói futuros. Que dá a possibilidade de uma visão...

de longo alcance, que está além daquilo que a gente pode ver, que os nossos olhos naturais podem ver, mas que essa visão de longo alcance seja a visão profética daqueles que sentem o faro do futuro na possibilidade de um Deus que está construindo caminhos para os seus filhos e filhas.

Longe da dor, do sofrimento, do caos. Obrigado, Senhor, obrigado. Obrigado por nos dar a oportunidade de investir a vida no amor. Na vida plena. Obrigado, Senhor, obrigado. Que Deus abençoe toda a gente. Em nome de Jesus, em nome de Jesus. Talvez.

Essa seja a coragem silenciosa. Aquela que não precisa bater no peito gritando, eu sou corajosa, eu sou corajoso. Mas é a coragem do silêncio, que silencia a nossa alma. Silencia a nossa consciência dos barulhos, da gritaria.

da falta de recurso, uma coragem que fortalece-nos de dentro para fora com uma qualidade e perspectiva profética. De gente que sai daqui com seu olhar renovado. Graças a Jesus.

Que o amor de Deus, que a graça do Senhor Jesus, que a manifestação do Consolador, do Espírito Santo, seja sobre a vida de todas e todos. Que vocês saiam daqui cheios desse sopro divino, fortalecidas e fortalecidos, para mais uma semana, mais um mês, cheio de graça e de esperança. Sejam abençoados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Amém.

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