Episódios de Pranchas e Balões

As criaturas e as ideias de Isa Pinto e José Canelas

10 de maio de 202644min
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Isa Pinto e José Canelas vieram conversar sobre "O Homem Bicho e As Criaturas Esquistas", a estreia da dupla na banda desenhada com uma história sobre problemas bem reais.

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Assuntos10
  • O Homem-Bicho e as Criaturas EsquisitasOrigem da ideia e processo criativo · Simbolismo e temas abordados (solidão, autoestima) · Psicologia das cores e personalidades das criaturas · Fragmentação da mente do Homem-Bicho · Adaptação para tese de mestrado
  • Experiências pessoais e inspiraçõesSolidão, autoestima e saúde mental · Adição a ansiolíticos e comportamentos de risco · Dificuldade masculina em expressar sentimentos · Experiências de amigos e familiares
  • Banda DesenhadaInfluências e sonhos de infância · Estilo artístico e mercado underground · Gosto por séries animadas e visual storytelling
  • Edição de autor e planos futurosDificuldades com editoras · Decisão de publicação independente · Continuação do universo "O Homem-Bicho" · Ideias para novas histórias e personagens
  • Referências literárias e inspiraçõesJosé Saramago: "O Homem Duplicado", "Intermitências da Morte" · Otessa Moshfegh: "My Year of Rest and Relaxation" · Rita Alfaiate: "Neon" · Adaptação em banda desenhada de "Brave New World" · Livros científicos sobre a origem da vida e história
  • Programa Fazendo ArteExposição de Isa Pinto na Casa da Mule · Projeto musical "General Má Pessoa" de Zé Canelas · Estudo de Ciências do Ambiente por Zé Canelas
  • Relação com o PaiAmizade inicial e conexão · Desenvolvimento para relacionamento amoroso · Superação de dificuldades e distância
  • Processo de escrita e organizaçãoBrainstorming orgânico e colaborativo · Técnica de escrita com descrições e tabelas · Inspiração em Saramago e "O Homem Duplicado"
  • Orientação e legendagem da teseProfessor Eduardo Corte Real · Rita Alfaiate como orientadora e legendadora · Desafios e prazos apertados
  • Adaptação para série animadaInspiração em BoJack Horseman e
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Sejam bem-vindos ao Pranchas e Balões, o podcast sobre banda desenhada. Eu sou o Rui Alves de Sousa e hoje vou estar à conversa com uma dupla de autores que lançou a sua primeira banda desenhada, o Homem-Bicho e as Criaturas Esquisitas. São a Isa Pinto e o José Canelas que vieram diretamente de Samora Correia aqui para os estúdios da Antena 1. Muito obrigado, antes de mais, por esses 40 quilómetros para virem até aqui.

A primeira coisa que tenho de perguntar, como vocês me disseram que esta é a vossa primeira banda desenhada, tenho de perguntar como é que é a vossa relação com a banda desenhada e porquê é que este livro surge agora, não é? Eu posso começar, assim tu consegues pensar mais na tua resposta. Eu sempre gostei muito de banda desenhada desde me iuda, até porque eu...

Eu desenho desde muito, muito pequenina mesmo. Então sempre foi um interesse especial meu porque eu também gosto imenso de ler e de contar histórias. Daí a mistura desses dois gostos de criar as imagens e...

Ter o melhor dos dois mundos, digamos assim, do storytelling com as nossas criações artísticas. E eu, mesmo quando tinha 14 anos, se me perguntassem o que é que eu queria ser quando fosse grande, o meu sonho era trabalhar para a Marvel ou para a DC a fazer bandas desenhadas. E isso morreu ou ainda tens essa esperança?

Para a Marvel e para a DC morreu, até porque neste momento, na altura ainda não tinha noção de tudo o que é ter um estilo artístico e essas coisas assim. Era muito nova. Mas neste momento eu acho que o meu estilo de desenhar acaba sempre por ofescar tudo o resto e normalmente esses sítios procuram um visual mais específico.

que eu acho que eu não ia conseguir dar vazão então prefiro trabalhar com pessoas mais pequenas, digamos assim claro, não desfazendo o trabalho das pessoas, como é óbvio mas

Trabalhar com... Claro, ter uma sinergia com as pessoas que trabalham comigo e que sejam também artistas um bocadinho mais underground porque parecendo que não, isso acaba por nos dar uma liberdade maior artística, apesar de não se fazer tanto guito.

Pois, mas na verdade Talvez, por não se fazer tanto guito Talvez toda a gente na banda desenhada Portuguesa é do meio underground Completamente Portanto, tu lias banda desenhada Desde que eras pequena Tinhas essa relação E tu, Zé?

Eu gostava também de ler algumas bandas desenhadas, mas sempre tive muito a parte das coisas visuais, tipo séries animadas, coisas assim. E acho que foi um bocado por aí também que comecei a desenvolver esse gosto.

Mas a ideia de ter sido banda desenhada até veio... Tem mais a ver com a história da banda desenhada em si, como ela surgiu. Não da história dentro da banda desenhada, mas como ela surgiu. Porque inicialmente era quase...

com uma ideia solta, assim só existiam ainda umas personagens, umas descrições, umas ideias soltas. E como era assim meio que só um conceito, a ideia até era, isto era fixe ser um dia uma série animada, uma coisa assim. Só que depois a Isa, na altura estavas a tirar o mestrado, não é?

E uma das opções que eles tinham de trabalho final, em vez de ser uma tese, seria fazer um projeto e apresentar uma tese baseada nesse projeto. Que é o dobro do trabalho, porque a tese tem que ter exatamente o mesmo número de páginas que fazer só a tese teria.

Sim, como nós já tínhamos assim meio que esta ideia criada, a Isa lembrou-se que se calhar era boa ideia, já que... Ele está a saltar capítulos da história. Então, basicamente a ideia surgiu por causa de um exercício que eu coloquei ao Zé.

É uma pessoa muito criativa Mas é uma pessoa que tem que se puxar E tem que se empurrar Vá, vai lá, faz Tem que se dar exercícios e coisas assim Então eu dei-lhe um exercício Como ele é uma pessoa que tem Um humor Um sentido de humor Um bocado surrealista Digamos assim

Eu dei-lhe a ideia dele tentar, pelo menos... E também porque eu na altura estava a queixar-me que, quando era miúdo, tinha jeito para escrever e tinha sempre boas notas nessas composições criativas. Só que depois fui arranjando outros hobbies, a música, a skate, etc. e larguei um bocado esse lado. Eu estava a falar disso com a Isa e foi aí também que ela teve essa ideia.

Então, mas que exercício foi este? O exercício era para ele criar personagens

Podiam ser as personagens que ele quisesse, mas era tipo mesmo nome das personagens, descrição, física, psicológica, dinâmicas entre elas, etc. E depois isso era para uma série de animação e eu depois ia ilustrar as personagens e assim acabava por ser um exercício que puxava pela criatividade dele, mas que depois ia ser um projeto colaborativo, digamos assim.

E ele inventou o Homem-Bicho e as três criaturas esquisitas. Na altura ele nem sequer deu nomes... Acho que o único que tinha nome era o Homem-Bicho mesmo. Sim, as criaturas tinham a descrição. E as criaturas até eram as criaturas estranhas. Eu é que disse que as esquisitas tinham um ring to it. E as criaturas não tinham nome, mas já tinham as cores e já tinham a personalidade.

E por acaso as cores, eu depois na tese desenvolvi um bocado sobre a psicologia das cores, mas as cores que ele escolheu, sem pensar nisso, já batiam certo com todas essas teorias relativamente às personalidades e ao papel das criaturas.

E eu dei a sugestão que os nomes das criaturas podiam ser um fragmento do nome da cor que elas têm. Ou seja, a amarela é ela, o vermelho é o verme e a Roxy é a roxa. Que engraçado. E aqui isso é mesmo óbvio, mas eu não tinha pensado nisso quando estava a ler a história. O Homem-Bist tem muitos simbolismos assim. Depois de eu explicar a coisa fica muito...

Mesmo piadas pequenas escondidas em objetos e coisas assim. Tipo o nome de um eletrodoméstico, esse tipo de coisas tem muito isso. Pronto, e depois eu sou uma pessoa... A minha escrita é muito introspectiva. E eu normalmente como eu...

Eu passo a vida a ver análises de cinema e de livros e coisas assim. Eu gosto muito de pôr simbolismo nas coisas e de perceber como é que diferentes simbolismos podem ser representados, etc. E criei o conceito de que as criaturas esquisitas seriam fragmentos da mente do homem-bicho.

Entretanto, estava-se a chegar à altura de escolher a tese de mestrado e o meu mestrado era em design e cultura visual então nós tínhamos um grande capítulo de narrativas gráficas que graças a Deus eu tive a cadeira de narrativas gráficas com o professor Eduardo de Corte Real ele é mesmo barra em ilustração de livros e banda desenhada e ele até era para ser o meu original orientador da tese mas na altura ele não estava...

muito interessado em ter as teses já distribuídas naquela altura porque ele era nosso professor e para ele tinha ali um conflito ético que eu percebo completamente. E quem é que te orientou a tese? Foi a Rita Alfoniá. Era uma pergunta para a qual ela já sabia a resposta.

Mas isto, os orientadores da tese Para mim foram uma coisa Foi toda uma aventura Até chegar à Rita Sim Primeiro era o professor Eduardo Corto Real Que acabou por não aceitar na altura Depois eles Deram-me outra orientadora

que não estava a dar muita resposta. Raramente reunia comigo. Então, naquele meio ano, eu não avancei absolutamente nada da tese. E comecei a trabalhar sozinha. Depois tive a notícia que a professora ia sair da universidade. Então eu comecei a avançar sozinha, a começar a desenhar as primeiras páginas e assim. E foi quando...

Me deram a Rita como orientadora e foi absolutamente a melhor coisa que podia ter acontecido. Que também faz a legendagem aqui do livro. Sim, exatamente. Ainda tem o toquezinho. Então, mas para contar-te, esse exercício que tu propuseste ao Zé, isto foi há quanto tempo? Esse exercício? Já.

Dois anos. Ah, dois anos, sim, talvez. E, portanto, depois... Ficou a marinar ainda ali um tempo. Depois pegaste naquilo que a Isa te propôs e foram desenvolvendo uma história. Porque vocês assinam aqui a história aos dois, não é? Sim, sim, sim. Desenvolvemos em conjunto. E dizer só, porque não cheguei a dizer aos nossos ouvintes que isto é uma história sobre solidão, uma história sobre autoestima.

E, de facto, essas três criaturas representam fragmentos da personalidade daquela pessoa, do que se está na cabeça daquela pessoa, tanto pensamentos mais negativos como pensamentos mais positivos. E, portanto, vocês basicamente fazem uma história muito simbólica, como também estavas a dizer, mas como é que isto se foi desenvolvendo? Como é que vocês me podem explicar isto? Então, no início...

Depois de se criar as personagens e assim Como ainda era só um exercício Assim quase que uma brincadeira Mais ao início Nós de vez em quando estávamos juntos Íamos por exemplo jantar fora ou assim Estávamos a falar e de repente lembrávamos Esta ideia se calhar era engraçada Fazer parte da história E sempre que tínhamos uma ideia

Nós andamos sempre a fazer brincadeiras criativas um com o outro. E cada vez tínhamos uma ideia, assentávamos no telemóvel ou em algum lado, íamos guardando. E isto foi assim marinando ainda durante uns bons meses. Foi quase um ano. Porque eu acho que eu funciono muito assim com os meus projetos criativos. Por mais que eu tenha uma ideia...

ela tem que ficar na gaveta e que me ir reaparecendo ou seja, eu acho eu normalmente o brainstorming que nós fazemos é muito orgânico porque como nós passamos quase a vida todas juntos é muito fácil assim que nós temos uma ideia

Mandar logo para o outro e depois ir saltitando entre as ideias. E só quando nós temos uma quantidade já boa de ideias, nós juntamos-nos. Aí mesmo com o propósito de fazer coisas com pés e cabeça. E vamos criar uma timeline das ideias.

onde é que elas encaixam na história aí vemos logo onde é que falta um momento intermédio entre certos certas ideias que nós tivemos sim e aí depois começamos a escrever de uma forma consciente um... pronto um...

Um texto mais composto. Um guião? É uma espécie de guião, mas aquilo é um bocado uma salganhada a mais para poder ser chamado um guião. Porque uma coisa... Eu já mostrei os meus guiões de banda desenhada de pessoas do meio e as pessoas ficaram um bocadinho chuscadas. Mas isto foi uma técnica que o professor Eduardo Corte Real não ensinou. E resultou super bem. Eu não escrevo um guião com pés e cabeças. Eu escrevo...

as descrições do que está a acontecer do que as personagens estão a sentir e as falas logo e depois eu faço uma tabela com três colunas a descrição do quadradinho a outra

frases ou sons, etc. E a outra com o número do quadradinho. Qual é que é na timeline. Acho que já há argumentos menos específicos aqui. E isso ajuda imenso. É uma organização desorganizada, vamos dizer assim. O caso é uma ordem por decifrar. Sim, como diz na epígrafe do Homem Duplicado do Saramago. Exatamente. Não, mas lá está. Desde que vocês consigam orientar, acho que é isso que faz sentido.

O Homem Duplicado que foi uma das inspirações também para a fragmentação do Homem Bicho é um dos meus livros favoritos faz sentido, por acaso é um livro do Saramago que eu acho que também foi não foi o primeiro livro dele que li porque li o memorial do convento na escola mas foi o livro que me fez gostar dele porque de facto é um livro incrível é incrível mas voltando aqui ao Homem Bicho e as criaturas esquisitas portanto esse processo acontece vocês vão fazendo profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession

E eu acho muito curioso isto, que é como tu estavas a dizer Que vocês passam a maior parte do tempo juntos E ainda têm capacidade De fazer um trabalho juntos Isso é incrível Mas nós estamos sempre a fazer isso organicamente Muitas vezes nós estamos em casa e por exemplo Eu estou a tocar a guitarra, a treinar E a Isa está a pintar um quadro Está a fazer coisas criativas Ainda fomos amigos Melhores amigos Durante um ano Antes de termos começado a namorar Tchau, tchau

Sem querer entrar no reino da fofoca Mas como é que isso aconteceu? Quer dizer, vou entrar no reino da fofoca Voluntariamente Então Foi por termos amigos em comum também Sim Por acaso nunca nos tínhamos conhecido Ela já era amiga de amigos meus do skate E também da minha primeira banda Sim

mas por acaso nunca tinha calhado conhecermos até que houve um dia eu também andava assim mais desaparecido estava numa relação já por aí de 10 anos não andava tantas vezes de skate e assim andava mais por casa mas entretanto essa relação acabou

E eu comecei a ir andar mais de skate, que para mim sempre foi uma coisa muito terapêutica. Eu, se estiver triste, pego no skate, vou andar e, passado 10 minutos, estou muito melhor. E pronto, foi o que eu fiz. E, por acaso, nesse dia, a Isa estava lá com o antigo baterista da minha banda, que também anda de skate comigo. E foi nesse dia que nos conhecemos. Na altura, a Isa já tinha começado a tatuar. Sim. E, passado por aí um dia ou dois...

Foi-me logo fazer uma tatuagem no YouTube. Mas sim, nós por acaso começámos logo a dar-nos muito bem. Tornámos logo muito amigos um do outro. E durante um ano e tal, mais ou menos, fomos melhores amigos.

Sim, entretanto. É porque depois também eu senti logo uma conexão muito rápida com o Zé no sentido de amizade mesmo. Nós tínhamos o mesmo sentido do humor, ríamos das mesmas piadas e o Zé, uma coisa que também acho que avançou mais à amizade, mais depressa foi o facto de... o Zé é uma pessoa um bocadinho fechada mas...

Por algum motivo comigo ele desabafava imenso e sentia-se super à vontade, de uma maneira que não se sentia com os outros amigos. E então como eu não sabia que ele tinha acabado com a namorada na altura, mas eu sentia logo que...

esta pessoa estava a precisar de voltar a ter um grupo de amigos e de voltar a estar com os amigos dele então eu comecei a convidá-lo para vir sair connosco e assim porque amizades masculinas são um bocado complexas honestamente eu estou a fazer que sim com a cabeça as pessoas não estão a ver são muito complexas porque

Porque há muito aquela expectativa de... Eu não vou estar a mostrar os meus sentimentos. Não vou estar a mostrar... Não vou estar a dizer... Por exemplo, estou a ter um problema na minha relação. Mas não vou falar com os meus amigos. Agora era só mais o que faltava. Eles nem sabem. Muitas vezes nem sabem como. E depois...

Também não tem aquela coisa de um amigo deles voltou. Não percebem que está ali qualquer coisa mal. Não convidam. Falta muito essa capacidade de dar reach out e de estender a mão e de estarem cá uns para os outros.

É engraçado pegar-se nesse tema porque e isto também vem da pergunta que eu queria fazer, mas precisava de compreender a vossa história para também fazer a pergunta que eu quero fazer. É que me parece que o que se fala neste livro também é está feito por quem também já viveu o assunto, não é? E eu noto isso. Sim, sim, sim. Tanto experiências nossas como de pessoas que conhecemos. Pessoas próximas. Muitas inspirações assim também.

Sim, particularmente a parte da adição que o homem-bicho desenvolve com os ansiolíticos e daqueles comportamentos de risco de misturar álcool, porque é muito fixe, ficamos bêbados mais depressa e não sei quem é preciso gastar tanto dinheiro em álcool. Eu nem estava tanto a falar disso, mas também acredito que vocês conheçam pessoas que tenham passado por isso, é mesmo... É, sim.

Aquilo que trata daquela solidão Aquilo é uma coisa Que me parece Que é preciso perceber-se um bocadinho Porque aquilo tocou-me imenso Porque também me fez pensar um pouco Na minha história pessoal E também por uma fase que passei há pouco tempo E pareceu muito genuíno Era isso que queria

dizer, é só um comentário. Isso por acaso é interessante que o pessoal costuma identificar-se muito com o homem bicho. Foi logo das primeiras coisas que nos disseram. Mesmo quando ainda estávamos a começar a desenhar, lembras-se que nós às vezes punhamos stories só com uma imagem de uma das páginas. Sim. Principalmente aquelas em que estavam as criaturas, principalmente o verbo. Ah, sim.

Quando o vermo aparece no meio da rua de segredar-lhe aquelas coisas ao ouvido do género, tipo, já vi, está toda a gente a olhar para ti. As pessoas respondem o imenso género. Ah, o homem-bicho sou eu na vida. Não sei o quê. E, particularmente agora, desde que nós lançámos o livro, houve muita gente que comprou o livro que eu achava tipo...

pessoas mais velhas, tios e amigos dos pais e assim que compraram o livro e eu achei que estavam só a comprar o livro para apoiar eu fiquei tão surpreendida porque essas pareceram-me as pessoas que ficaram mais tocadas com o livro e eu não estava nada à espera

Uma geração que tem alguma dificuldade em falar sobre os seus problemas, particularmente na parte da saúde mental, e que chegaram a vir pessoas que eu não tinha noção, abraçar-me e a dizer que... A agradecer. Que se identificaram imenso com o homem bicho. Foi muito... Aqueceu o coração.

Se calhar é porque os problemas, na verdade, são os mesmos de geração para geração. Essa incomunicabilidade, essa dificuldade masculina de se falar das coisas, é uma coisa infelizmente transversal. Mas voltando um bocadinho atrás, quando o Zé começou a contar a vossa história, tu disseste que era um bocadinho controverso.

Então, como é que contamos? Deixa-me ser eu a contar que eu quero contar isto de uma maneira eloquente. Então, na altura, quando nós nos conhecemos, eu...

Não namorava, mas andava bem enrolada com um amigo de Zé. Ah, ok. Mas depois essa pessoa acabou as coisas comigo. E quando acabou as coisas comigo, diz-me do género Eu acho que devias tentar ter uma coisa com o Zé, vocês têm imensa química.

Mas foi um bom conselho Foi Mas na altura nós não fazíamos ideia que era um bom conselho Para mim o Zé era uma amizade Completamente platónica Na altura Então como é que se dá o clique? Depois disto Ainda passou algum tempo Eu já tinha percebido que o Zé tinha um fracanho para mim

Lá mais para a frente já estava a começar a ter. Sim. Mas pronto. Nós conhecemos-nos antes do verão começar. E eu no final do verão ia viver para a Itália durante 4 meses. Que eu ia de Erasmus. Então foi um verão muito louco. Inclusive eu, o Zé e esse amigo e mais pessoas tivemos...

a sair o verão todo foi mesmo aquele verão para despedir de Portugal bem grande foi o meu primeiro verão a sério diria eu e no final do verão houve uma noite que nós estávamos assim um bocado mais para lá do que para cá

Vocês só contam aquilo que quiserem Ninguém vos obriga Mas depois nós decidimos Que íamos só ficar amigos Porque nem sequer fazia sentido Outra coisa Eu fui para a Itália O Zé entretanto Arranjou uma namorada Sim

Eu, em Itália, estava numa depressão gigante e depois estava a começar a pensar na minha vida e nas minhas relações e comecei a perceber que gostava do Zé. Mas quando voltei para cá, vi que ele estava feliz com a namorada. Então, fiquei do género, ok? Está mesmo aqui uma comédia romântica incrível. Não vale a pena. Eu quero é que ele seja feliz. Dá-lhe um bom filme. Eu quero é que ele seja feliz. Portanto, vamos só aqui continuar na Vibe da Amizade.

Só que depois ele realmente mostrou algumas dúvidas. Conta da tua parte, não é?

Eu sou uma pessoa que eu tenho muita dificuldade em às vezes... Sair das zonas de conforto. Na altura, essa relação que eu tinha ainda era uma coisa muito recente, só que eu já estava a perceber que tínhamos muitas diferenças, não tínhamos as mesmas visões para o nosso futuro e assim. E já estava a começar a ter algumas dúvidas. Entretanto, a Isa voltou, nós continuámos amigos, tudo normal lá mesmo.

até que eu comecei também a confessar a Isa que também já estava a sentir-me assim e pronto e eventualmente comecei a perceber que depois de a Isa se ter ido embora e de eu ter esquecido de tudo e de termos ficado só amigos eu pensava que realmente o que eu sentia era só amizade, mas comecei a perceber que se calhar havia mais qualquer coisa

só que não tinha a minha relação não queria que acontecesse nada e eventualmente decidi então tomar a decisão de acabar essa relação que já não fazia sentido não tínhamos as mesmas perspetições para o futuro não tínhamos assim

Não havia aquela química de amor é sério, digamos assim. Está à vontade, está à vontade. Aqui não é para ninguém ficar nervoso. E pronto. E entretanto essa relação acabou. Depois eu e a Isa continuámos a dar-nos como desejámos sempre. Só que depois as coisas começaram a desenvolver-se. Depois ficámos juntos para sempre. Que bonito. E foram felizes para sempre, digamos assim.

Pronto Não vos vou fazer mais perguntas pessoais Não se preocupem Falei-me um bocadinho Estavas a falar da Rita Alfea Ter sido a tua orientadora Ela faz a legendagem do livro Ela acabou por também dar dicas Para o resultado final Claro que sim Sempre de uma forma muito Como é que eu ia dizer profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession

Muito na confiança, mas ela dava sempre apoio. Nós reuníamos todas as semanas. Ela foi uma pessoa muito importante, mais do que dar dicas, que ela deu, sem dúvida alguma. Só que eu também percebi que, como o tempo estava a ficar apertado...

A Rita também percebeu que naquela altura do campeonato se calhar o papel dela teria que ser mais motivar para a coisa andar para a frente e não retroceder mais porque já estava um bocadinho atrasada, não era? Não tinha evoluído nada em meio ano. Até passou para mim também.

E passou para o Zé também E passou para o Zé também E a Rita deu-me um objetivo Que era fazer uma página por dia Ou sete por semana A maior parte das semanas eu não cumpri Eu também trabalhava a full time Mas

Todas as semanas ela dava... Ela via as páginas, dizia o que é que eu podia mudar e assim. Mas pronto. E depois, como a coisa ainda estava a ficar mais apertada, ela disse que me fazia a legendagem. Eu fiquei muito feliz. Ainda por cima que é a parte que eu mais odeio fazer. E quando é que o livro ficou terminado?

Ficou terminado mais ou menos em abril ou maio do ano passado. Só que depois ainda demorou um bocadinho de tempo para apresentar a tese e assim. E depois, pronto, com ele impresso, deu para perceber que havia umas coisas que estavam mal. Ainda fizemos umas alterações. Nós primeiro imprimimos meio que um protótipo, só para ver como é que as coisas encaixavam. Pois, porque isto é uma edição de autor. Sim. São vocês que estão a...

fizeram isto tudo sozinhos e na realidade foi por causa disso que demorou tanto tempo a lançar nós tentámos falar com editoras e coisas assim só que ficou tudo em águas de bacalhau e então nós decidimos basicamente que não valia a pena continuar a adiar o projeto e queríamos partir para outras aventuras então decidimos fazer a edição de autor e está a correr bem sim sim

E vai ser, portanto, novas aventuras Isto foi uma primeira banda desenhada Que vai ter outras Provavelmente isto foi Um primeiro passo Agora vão fazer uma coisa Com mais tempo, mais desenvolvida Claro Porque eu acho que esta história também tinha ainda muito Por pegar, não é? Acho eu

Ah, e vai continuar, é isso. Nós queríamos fazer mais um. Sim, mais um. Temos ideias para várias coisas, também fora do universo. Mas Homem-Bicho, mais um. Também para não estar a perder a personagem, digamos assim. Eu acho que as coisas, quando se prolongam muito, as personagens acabam por perder um bocado o plot.

Talvez, mas depois tens o Batman e o Super-Homem Que andam aqui há quase 90 anos Mas às vezes também Se o Homem-Biste tivesse sido Uma série animada Aí tínhamos se calhar contado a história De uma forma se calhar um bocado mais progressiva Um bocado meio BoJack Horseman Quase Também é uma grande inspiração para isto É a minha série preferida Sim, depois dentro deste formato E também para termos uma coisa Com princípio, meio e fim Para já fizemos assim O profession profession profession O profession profession

mas acho que sim sempre achámos que havia mais para contar e eu acho que faz sentido também porque este foi um livro em que o Homem-Bicho não só não estava em si porque ele estava a ultrapassar uma psicose

Mas também, como ele estava naquela psicose e não via bem as coisas como elas eram, não se relacionava, isolava-se muito socialmente, nós nunca tivemos o privilégio de ver as relações do homem-bicho, conhecê-lo fora disso. E eu acho que também é importante ver uma sequela para se perceber que...

Não é porque o tratamento começa que a nossa vida normaliza logo. Há todo um processo, há uma reaprendizagem que tem que ser feita. E acho que seria interessante ver o Homem-Bicho a redescobrir as suas relações. E também percebermos um bocadinho mais quem é que são estas pessoas que estão à volta do Homem-Bicho. Até porque isso já está um bocadinho representado no final, sem dar spoiler, não é? Sim. No final da história que é um processo que não termina ali, não é? Sim, sim, sim, exatamente. Sim.

Mas a ideia da série de animação já está completamente descartada? É sim, se a Adult Swim quiser nos fazer algum contrato, eu não vou dizer que não, não é? No caso, um dos meus sonhos era esse, era escrever assim para umas séries de animação e sim boas. Eu há uns tempos estive a ver uma que vi completa e aquilo foi um abandono na minha cabeça, que é o Smiling Friends.

Por acaso há pouco tempo Estivemos a ver aquilo Eu já tinha visto para aí duas vezes Mas me estive a mostrar Aquilo é super demente Mas enfim é a World Swim Eles pegam nessas ideias mais criativas É por isso que eu gosto muito do trabalho deles Sim, super arriscadas também

Entretanto, como vocês também já disseram Vocês vão fazendo outras coisas Tu, Isa, na altura em que estamos a gravar esta conversa Vais ter uma exposição na Casa da Mule, não é? Sim E tu, Zé, tu fazes parte do projeto do General Má Pessoa Exatamente No Mário de Freire

O que é que me podem falar das duas coisas Ou de outras coisas até que tenham em mãos neste momento O projeto do General Má Pessoa Ainda é um projeto recente Nós começámos assim mais a sério Mais ou menos em Janeiro Conheceram-se No Marvila Comics Eu apresentei o Zé ao Mário O Mário estava-me a falar dos projetos musicais dele também E eu achei que eles podiam Juntar-se E eu achei que eles podiam fazer

Começámos a falar, vimos que queríamos os dois começar uma banda e tal. Começámos ali a engenhar um plano para irmos buscar um baterista aqui, um teclista ali. E fomos montando a banda aos bocadinhos. Já temos...

umas 4 músicas mais ou menos prontas e este ano queríamos ver se conseguíamos já começar a dar uns concertos também já participámos num concurso no Titanic que eles fazem de batalha de bandas e conseguimos ficar em segundo lugar vamos dar um concerto lá era um dos prémios, era ganhar um concerto no Titanic e pronto, está a correr bem acho que damos todos bem

Para já, não é?

É especial porque é a inauguração de uma coleção nova, minha, que testou um bocadinho do trabalho que eu tenho feito até agora, quer nos materiais, quer na temática. Relativamente aos materiais, eu até fiz...

Fiz uma estátua para esta exposição, que é um upcycling de uma estátua que me deram. E eu transformei-a numa das minhas criaturas com papel maché e assim. E também aventurei-me um bocadinho mais... Eu costumo pintar acrílico e aventurei-me um bocadinho mais a misturar acrílico com pastel a óleo.

tematicamente tendo em conta que normalmente os meus quadros são assim um bocadinho deprimentos, digamos assim pega no surrealismo mas é de uma maneira um bocadinho introspectiva e fatalista digamos pega muito em

Tristeza, emoção crua. Nesta série de quadros, eu fui um bocadinho... Não quer parecer Shanti Shanti, mas tem um bocadinho a vertente espiritual. Chama-se o Jardim Encantado. E é uma espécie de metáfora.

em que o jardim é a nossa realidade dentro dessa realidade temos as pessoas que estão à nossa volta, que observam aquilo que nós fazemos temos as coisas que nos protegem etc mas pronto se estiverem interessados vão ao meu Instagram e vejam vai estar um mês na casa da Múlia em Lisboa até ao final de maio

Zé, eu também estive a ver que tu estudaste ciências do ambiente Exato E o que é que querias fazer com isto?

Eu sempre gostei muito da área da ciência, principalmente na parte da biologia, animais, mais essa vertente. Mas depois seguiste? Ainda não. Eu, na altura, quando terminei o secundário, era isso que eu queria, mas na altura deixei uma cadeira ainda por fazer. Entretanto, acabei por começar também a trabalhar.

e fui adiando ali a coisa um bocadinho e mais tarde então decidi pegar em mim e terminar mesmo os estudos e quis estudar uma coisa que eu gostasse, terminei essa disciplina que deixei para trás do secundário e inscrevi-me para entrar na universidade aí as opções que eu tinha assim mais dentro das ciências e que eu gostava mais eram as ciências do ambiente era o que se enquadrava mais comigo profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession profession

E que eu achava que também fazia sentido, porque acho que na altura em que vivemos agora, mais do que nunca é uma área importante. Sim, claro, claro, obviamente. E sim, comecei a estudar então essa área, tirei a licenciatura, e neste momento gostava de, no futuro, talvez conseguir arranjar alguma coisa...

para trabalhar mesmo em ciências do ambiente. Eu sou um bocado seletivo na área que eu gostava de fazer, por isso é que também tenho adiado mais, porque eu gosto mais de trabalhar mesmo, mesmo trabalho de campo, ou estar, por exemplo, a recuperar uma espécie, ou numa espécie de trabalho que seja, por exemplo, fazer um estudo sobre um...

uma espécie qualquer gosto mais de trabalho de campo e em Portugal não há muito investimento para essa área cada vez menos até

E a parte marinha ele também não quer fazer porque não gosta de água fria. Ok. A Isa diz isto porque cada vez que vamos à praia eu não vou à água porque lá dá água fria. Eu gosto que partilhem estas coisas assim espontaneamente. Fica engraçado. Então a ciências do ambiente é uma área que tu vais querer explorar. Sim. Estava de explorar no futuro. Tu és de que ano? Desculpa, 94. 94, sim. Ok, ok. Tu és de 2002, Isa, não é? Sim, sou de 2002. 2002 és do ano do euro.

Lembro-me perfeitamente do dia em que pela primeira vez vi notas de ouro. Lembro-me perfeitamente. Bom, eu tinha sete anos, portanto dá para perceber a minha idade, mas pela primeira vez em muito tempo não sou a pessoa mais velha na sala. O que é bom também. Porque há uns tempos eu fui sair com os amigos e depois de repente percebi que eu era o mais velho e bateu-me, aquilo bateu-me de uma forma. Eu também, desde os 30. É, não é? E depois chegar àquela altura que tu deixa de ser mais nova. Ah, mas aproveito.

Ainda tens uns tempos para isso. Olhem, tenho aqui também uma curiosidade, porque isto foi ilustrado pela Isa, mas dizem aqui que as páginas 28 e 29 foram parcialmente desenhadas pelo Zé. Como é que é isto? E isto foi só one time only? Foi um bocado uma inspiração nos rabiscos do Cusco.

Porque há ali uma parte Em que o Verme quer contar Sem dar assim muito spoiler Quer contar uma Uma backstory Do homem bicho E então ele puxa assim Uma tela de cima Vê se a tela a descer e a partir daí É suposto ser como se fosse o Verme A desenhar e a tentar explicar aquela história O profession profession profession profession

É meramente ilustrativo. Não, mas cumpre o propósito. E, de facto, a nova escola do Imperador é uma ótima referência. Olhem, parabéns pelo livro e ficamos a aguardar o próximo projeto. Eu gosto de terminar as conversas aqui no Pranchas e Balões com sugestões de livros. Podem ser de banda desenhada ou não. E gostava que me dissessem livros que vos marcaram ou coisas que leram recentemente que tenham gostado.

Então, como sugestão de livros, eu posso até dar algumas inspirações do Homem Bicho. Acho que era temático. Então, lá está o que nós falámos, o Homem Duplicado do Saramago. Mas para quem nunca leu o Saramago...

Eu recomendo vocês começarem pelas Intermitências da Morte que é um livro mais fácil porque tem menos personagens para compreender como é que funciona a maneira de escrever dele porque isso às vezes pode dar um bocadinho de throw-off numa primeira experiência a ler Saramago Foi a tua primeira experiência ou leste na escola? Li na escola E o que é que leste? Foi o Ano da Morte? Foi o Memorial Só que eu não consegui ler Não gostei E...

E a minha professora, na altura, a professora Isabel Almeida, ela era uma pessoa que se notava que gostava mesmo de literatura e ela recomendou-me as Intermitências da Morte para começar e foi o que eu fiz e fiquei completamente rendida a ser amago.

Deixa eu só dizer que eu tive o problema de ter Na escola havia Quando eu estive na escola há muito tempo Há menos tempo do que tu E a professora fazia uma coisa que eu não gostava muito Que era, dava capítulos para ler Mas depois dizia que podíamos passar aquele à frente E não sei o que

e às tantas claro que quando o teu primeiro embate com Saramago é assim e depois de ler coisas à pressa é claro que vai gostar muito claro que sim até porque Saramago é uma leitura tão pesada que eu normalmente quando estou a ler um livro de Saramago chega ali uma altura em que eu faço uma pausa para ir ler outro livro e depois pego e continuo porque é uma leitura pesada percebem que é um bocado mais pesada e que os miúdos assim não ligam tanta leitura é um escritor que tu não consegues ler com um schedule simples

Sim, mas quando tu estás embrinhada aquilo não consegue esperar Sim, sem dúvida E todos os nomes, eu acho que também é um Não sei se já leram esse, mas vale muito a pena Mas continua, desculpa Outra inspiração do Homem-Bicho é o My Ear of Rest and Relaxation da Otessa Mosfeg que fala muito sobre E...

Não ter a capacidade de processar certos traumas e recorrer a fármacos para adormecer a mente. Também inspirou muito o Homem-Bicho. E mais o quê? O Neon, da Rita Alfaiate. Também gostei muito. E não sei o que é que posso... Dá tu as tuas inspirações. O último que eu li foi, por acaso, uma versão em banda desenhada do Brave New World.

Por acaso é muito afixo. Eu adorei as ilustrações. Estão assim quase meio cyberpunk. Por acaso estão bons. É que está lançada cá em português? Ela está lançada em português? Sim. Na altura ele comprou na livraria Léo. E ele leu a banda desenhada enquanto eu estava a ler o original. O livro mesmo.

E na altura quando eu olhei A banda desenhada eu achei assim Não gosto muito dos desenhos porque eu acho que as personagens estão muito sem expressão Depois fui ler o livro e percebi que ele tinha uma razão de ser E que por esse motivo estava muito Muito bem feito Eu também li essa adaptação Estava a fazer confusão porque o 1984 Que entrou no domínio público Há 400 adaptações a banda desenhada Mas duas mirava o mundo novo Acho que só é essa Eu essa também nunca tinha visto Quando vi lá por acaso abrimos até na loja Na loja, na biblioteca E...

O estilo depois faz sentido Quando tu conheces a história De facto faz sentido De resto os livros que eu leio São um bocado secantes Porque eu gosto muito de coisas assim Tipo ler a história dos templários Ler um livro Sobre a origem da vida na Terra Coisas científicas Também são temas importantes

Sim, por acaso um dos... Ainda não acabei de ler, ainda é assim um livro bem grosso Que fala sobre a origem da vida É muito interessante Mas eu agora não estou a lembrar De quem é o autor Depois quando fores para casa lembras-te E eu faço aí um post-scriptum E ao Isa, e fora as referências do livro Alguma coisa que tenhas lido recentemente Que tenhas gostado?

Eu vou confessar que Não tenho muito tempo para ler Eu gosto, eu adoro ler Mas às vezes quando eu estou com mais trabalho Mais overwhelmed Não consigo desligar o meu cérebro O suficiente para Para o estímulo de ler ser Suficiente Então estou-me sempre a distrair e não consigo focar Mas pronto O último livro que eu li foi o Brave New World E eu amei É um excelente livro Sim, gostei muito mesmo profession profession profession

Muito bem. Pronto, olhem, obrigado. É isto. Boa viagem de volta à casa. Obrigado. E pronto, e vamos acompanhando as vossas novas aventuras na banda desenhada, com ou sem o Homem-Bicho. E é isto. Obrigado. Obrigado. E obrigado pelo convite. Obrigado.

E pronto, foi assim a conversa com a Isa Pinto e o Zé Canela. Espero que tenham gostado. Ali houve um momento mais cordarosa no meio. Espero que tenha sido do vosso agrado. O livro de que o Zé estava a falar, de que não se lembrava o nome, é A Espiral da Vida, as 10 mais notáveis invenções da evolução de Nick Lane, editado pela Gradiva em Portugal.

E pode encontrar o Homem-Bicho e as criaturas esquisitas nas lojas de banda desenhada ou contactando diretamente os autores no Instagram. Vão estar identificados nas redes sociais do Pranchas e Bolões, para as quais eu volto a chamar-vos a atenção. Podem sempre também deixar o vosso feedback aos episódios nas plataformas de podcast e também no Facebook e no Instagram, em comentários e em mensagens. São sempre muito bem-vindas.

as vossas opiniões. Eu agradeço muito a quem tem expressado a opinião sobre o podcast nos últimos tempos. Na próxima segunda-feira está cá o Luís Bernardino. Voltamos aos livros, voltamos aos temas e etc. Entretanto, é a última vez que falo disto, mas sexta-feira, 21h30, Ghost World no Cinema Fernando Lopes. Conversa com a Deiradei e a Joana Mózio a seguir.

E dar conta também já agora de que no outro fim de semana vai haver Maia BD e eu vou estar por lá. O Pranchas e Balões vai estar em permanência por lá, dias 22, 23 e 24 de maio, talvez também em 25. Portanto, estejam atentos. E é isso, que corra tudo bem desse lado. Acho que só me falta dizer até para a semana e uma boa semana.

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