Prémios, festivais e ainda as bolsas
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- LiteraturaRegulamento das bolsas · Reações e mal-entendidos · Diversidade das candidaturas · Petição de Ricardo Santo · Júri único vs. júri alargado
- Os Cabelos de ÉdithHistória inspirada em factos reais pós-Holocausto · Abordagem emocional e silêncios no livro · Importância do cinema e da sala de cinema · Comparação com filmes "Monsieur Klein" e "A Zona de Interesse"
- Coimbra BDMelhorias no espaço e organização · Espaço comercial na igreja do convento · Necessidade de melhores indicações e variedade de atividades
- Prêmio de Melhor Roteiro OriginalJúri composto por Sara Figueiredo Costa, Sara Ludovic e Pedro Cleto · Categorias: Prémio Carreira, Prémio Obra do Ano e Prémio Inovação · Candidaturas abertas até 27 de maio
- Comic Con PortugalPonto forte na banda desenhada este ano · Ausência de livrarias de banda desenhada · Presença de John Romita Jr. e Jason Aaron · Críticas à organização e localização dos stands
- Exposição "Los Dos Alcarrabias"Exposição de DRD e João Gordinho na Livraria Culto · Fanzine criada para a exposição · Debate sobre o uso de "o fanzine" vs. "a fanzine"
- Morte e LutoResponsável pela história da morte de Gwen Stacy · Contribuições para Marvel e DC Comics
- FanfullaObra de Hugo Pratt para o semanário Corriere dei Piccoli · História de aventuras ambientada no século XVI · Formato italiano horizontal · Curiosidade e não obra essencial de Pratt
Sejam bem-vindos ao Pranchas e Balões, o podcast sobre banda desenhada. Eu sou o Rui Alves de Sousa e está cá o quinzeneiro Luís Bernardino. Olá, Luís. Tchau, Rui. Como está? Tchau, tchau, ragazzi. Tudo bem? Fumete. Vamos falar um pouco de fumete.
Hoje vamos falar do Corriere de Pico É beníssimo Hoje temos Hugo Prato Vamos falar Roma Também Este hoje vai ser Lá chate-me cantar Exatamente Lá chate-me Lá fome
Queres saber uma coisa engraçada? Quando fui a Itália em 2017 a Roma A canção que eu mais ouvi na rua Cantada por músicos de rua Foi em segundo lugar Mas em primeiro lugar Hotel Califórnia dos Eagles E eu não sei porquê
Muito bem, isso faz-me lembrar Há muitos anos atrás Fui de férias na Espanha E a moda era Las Pedras Rolantes E Los Scorpiones Quando o fumo está caindo Eu tenho um tio que tem A edição espanhola do último disco Do Simon & Garfunkel Que é Puente sobre águas turbolientas
Exatamente, são essas moras que ficam Exato, bom Hoje temos muita coisa para falar Agora de repente lembrei-me Por causa de falares de música italiana O meu irmão é que gostava muito Como é que era Ah, não só dengo no deiti Toto Cotunho
Essa grande voz Olha, já que estamos em modo italiano Aproveito para deixar a sugestão Quem tiver HBO Max Veja a bela série Portobello Não tem nada a ver com banda desenhada Mas é sobre uma história real De um apresentador de televisão muito famoso Que foi acusado de pertencer à Camorra É uma série incrível Era um apresentador, identificaste-te
Não, é porque era realizada... É realizada por um veterano do cinema, que é o Marco Bellocchio, é protagonizada por um excelente ator, que é o Fabrício Guifoni, e, portanto, vejam, vale muito a pena. Um apresentador de rádio ligado... Não, isto é televisão mesmo. Estás-me a dar uma ideia aqui que eu vou para um argumento de pedido. Acusado de um crime que não cometeu.
Bom, hoje temos muita coisa para falar, mas antes, enfim, há 15 dias, como os nossos ouvintes sabem, nós falámos aqui da atribuição das bolsas de criação literária para a banda desenhada, soubemos quem foram os vencedores e falámos aqui há 15 dias desse tema.
Nos últimos 15 dias, eu não gosto de usar a palavra backlash, porque acho que é um bocadinho exagerada, mas recebi uma série de contundentes reações àquilo que foi discutido neste podcast por mim e pelo Luís. E por causa disso, e porque se criou uma série de mal-entendidos, eu decidi e falei contigo, Luís Fabrício, para começarmos a falar sobre a questão das bolsas, dizendo o seguinte, o que foi comentado aqui foi uma coisa...
Tu antes tinhas ido ao Central Comics Participar numa live com o Hugo Jesus Um abraço ao Hugo e o José de Freitas Um abraço ao Zé também Sobre o assunto Falaram duas horas e meia sobre o assunto E é claro que em duas horas e meia Diste muita coisa que não se diz em 15 minutos
E o que aconteceu é que eu recebi várias reações, nomeadamente de autores de banda desenhada, algumas são públicas, outras são privadas e as pessoas preferiram que não dissesse os nomes, mas percebi que houve aqui uma grande confusão na cabeça das pessoas, não sei se é porque a capacidade de concentração está mais reduzida ou não, mas confundiram aquilo que tu disseste aqui e o que tu disseste no Central Comics.
E, portanto, isto para dizer que, enfim, acho que o que foi dito aqui no geral foi bastante claro. Acho que são coisas que toda a gente, e repito, toda a gente pode concordar, que é o regulamento das bolsas está cheio de falhas.
É claro que será injusto colocar autores veteranos e autores jovens na mesma categoria, tanto para uns como para outros, e toda a gente beneficiaria, principalmente os jovens autores, de terem uma categoria apenas para novíssimos ou etc. E que, enfim, acho que isto é preciso dizer também, já agora, aproveito para esclarecer, porque percebi que também isso deu...
Azo há alguns mal entendidos. Eu quando disse de facto no programa de há 15 dias comecei a dizer assim, são sempre os mesmos e depois retifiquei logo a seguir porque eu entrei sem querer no modo de fluxo de consciência falada, ou seja, estava a pensar alto. Claro que não há problema nenhum com autores veteranos ganharem bolsas, é o estado da banda desenhada esse, ninguém consegue viver da banda desenhada, portanto é normal.
que tínhamos autores de várias gerações a concorrerem a estas bolsas, mas, enfim, tenho isto para dizer. Tenho também para dizer que há outra coisa que temos de estar todos de acordo, é que haver um elemento do júri para escolher isto, desculpem, não será a forma mais clara e isenta de atribuir bolsas. De resto, dizer só que toda a documentação é pública...
nomeadamente também um aditamento que entretanto saiu em que houve uma alteração em relação aos vencedores da Bolsa. Podem saber isso tudo lendo. Agora, é preciso dizer aqui uma coisa e é importante, nós começámos aqui na brincadeira, mas agora vou ser muito sério e é preciso que fique aqui bem claro isto, que é, ninguém no mundo da banda desenhada beneficia das guerrinhas e...
das trocas de galhardetes que se têm visto nos últimos dias, e nomeadamente na correspondência que recebi sobre este podcast, por causa das bolsas. Falámos aqui da petição do Ricardo Santo. A petição, obviamente, não é perfeita. Nada é nesta vida. Mas acho que parte de uma pessoa que não tem nada a ganhar com isto, o Ricardo Santo fez porque sabia que alguma coisa está mal e precisa de ser corrigida.
E tenho pena que o meio da banda desenhada não se tenha unido em relação a isto. E vimos algumas coisas no Facebook que a mim me deixam um bocadinho chocado, porque acho que é nestas alturas que as pessoas se têm de unir, mas há pessoas que gostam de alimentar guerras e etc. Nós aqui tentamos sempre olhar para a verdade, olhar para os factos, analisar. Temos a nossa opinião. Não beneficiamos em nada de apoios para fazer este podcast. Não concorremos a bolsas de criação literária.
como eu respondia mais do que uma vez às mensagens que recebi, porque houve alguma fúria nas mensagens que eu recebi. Depois algumas desculpas também. Algumas pessoas perceberam que estavam a confundir alhos e bugalhos. Eu não posso responder, Luís, pelo que tu disseste no Central Comics. Acho que...
Como é normal num directo que dura duas horas e meia, as pessoas falam, falam, falam e têm muito tempo para ir a fundo a algumas coisas e estão a falar, podem estar a dizer coisas que podem não ser exatamente assim ou não, mas as pessoas também têm direito a poderem questionar, a poderem perceber como é que as coisas funcionam e não ter alguém que lhes diga ah, não, isto não é assim, tu não sabes porque tu não és digno de saber.
A única coisa que eu gostava de te pedir que esclarecesses, porque isso de facto foi uma questão que também foi apontada por várias pessoas, é a questão da diversidade das candidaturas. Porque é assim, nós não podemos ler todas as candidaturas, foram 190. 114. 114, peço desculpa.
temos apenas acesso aos dados dos vencedores, mas preciso-te perguntar o que é que tu querias dizer com a questão da diversidade, se era a questão dos autores, se era a questão dos projetos, o que é que era? Olha, obrigado por me deixares aqui para já e para toda a gente ouvir, pedir desculpa.
pela esta situação. Não tens pedido desculpa nenhuma. Não, mas é que repara que eu aqui percebi que toda esta confusão sou eu o provocador ao ser o elemento que tanto participei no Pranchas como participei no Live. Eu, ao fim e ao cabo, é que sou o elo de ligação entre essas duas coisas e as pessoas meteram tudo no mesmo saco e depois criaram esta grande confusão.
Mas isso as pessoas, deixa-me só dizer, as pessoas também têm de ter a responsabilidade de perceberem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E é muito mais fácil contactarem o Central Comics ou a ti diretamente. E o Hugo Jesus também já agora, deixa aqui a nota, disponibilizou-se para esclarecer o assunto aqui no Pranchas e Balões. Eu agradeci, mas achei que não seria necessário porque também, enfim, isso daria todo um outro programa.
Sim, é que depois o live, no momento em que estava a acontecer, havia mesmo, as pessoas podiam participar, mandando mensagens diretas, em que o Hugo e todos nós estávamos a ver as mensagens e houve muitas mensagens que foram aparecendo ao longo. E depois disso, isso está no YouTube, a caixa de comentários está aberta.
E, portanto, qualquer pessoa que queria fazer algum comentário sobre o live, podia lá ir fazer. Não foi isso que aconteceu. As pessoas foram a fazer comentários sobre o live no Instagram do Pranchas, no Facebook do Pranchas, etc. Algumas pessoas confundiram dar opiniões com insultos.
outras coisas, que é triste mas que é o que infelizmente na sociedade atual é mais fácil é a pessoa esconder-se atrás de um teclado Já para não falar que temos pessoas que gostam de atacar anonimamente, nomeadamente e desculpa dizer isto mas hoje também porque eu aturo muita coisa no mundo da banda desenhada e aturo pessoas com personalidades muito peculiares mas não admito faltas de respeito
e principalmente de pessoas que não têm a coragem de dar a cara para dizer algumas coisas. Era só para dizer isto. Pois, mas eu tenho a vantagem, tu tens 30, eu tenho 65, tenho a vantagem de já me terem chamado de muita coisa, portanto já não há grandes novidades que me possam chamar. Agora, é evidente que o que acontece não são meia dúzia de nomes que me chamem, que me vão afetar quando as opiniões que vieram ter comigo e eu vou afetar quando as opiniões que vieram ter.
digamos que anda 50-50 praticamente, porque há muita gente que realmente acha que isto tem de levar uma volta e há outros que insultam e dizem que isto não tem de levar volta nenhuma. E eu também, deixa-me que te diga, ao longo destes dias na Comic Con e fora dela, encontrei autores de banda desenhada que de facto tivemos conversas super saudáveis e sérias sobre este assunto e todos concordamos na mesma coisa que é, há problemas nestas bolsas.
Eu o tive no Cunha em Barbadí e foi a mesma reação também. Veio muita gente falar educadamente e sem grande problema, vieram a falar e concordaram. E ao fim e ao cabo, a questão aqui que eu depois coloco ao Rui é que nós já tínhamos falado deste regulamento o ano passado. Exatamente. E na altura ninguém reagiu. E a maior parte das coisas que nós dissemos agora foi as coisas que falámos na altura também. Totalmente. E ninguém na altura achou estranho, ninguém achou...
Ninguém achou nada. Deixaram passar a espuma do mar e acabou. E agora, que é uma realidade e que nós voltámos a falar das coisas que já tínhamos falado, agora parece que foi uma coisa do outro mundo. Porque as pessoas levaram a peito. E depois tens uma coisa, como tu disseste e muito bem, é que aparentemente praticamente não houve ninguém que não concorde que o regulamento não está, não precisa de ser corrigido.
E essa é que foi a nossa grande questão, é que foi precisamente essa. Este regulamento não é que não sirva, mas tem de ser melhorado. Pronto, independentemente, e não vou alongar muito mais sobre isto, acho que o assunto é que as bolsas estão atribuídas, apesar de ter havido agora um atitamento, mas elas estão atribuídas e, portanto, vamos andar para a frente.
O aditamento, deixa só dizer, o aditamento que muda uma das pessoas vencedoras da Bolsa, mas por causa daquilo que aconteceu há 15 dias não vamos discutir esse assunto em particular. As pessoas que vejam o aditamento está publicado online. Também não tem nada a ver. A questão é o regulamento, é que é a questão do regulamento, da leitura do regulamento, não haver explicações sobre qual é o procedimento do regulamento. É isso que foi o grande problema.
Mas, como eu dizia, as pessoas, inclusive, sejam aquelas que me apoiaram, sejam as que não me apoiaram, que não gostaram ou que gostaram, etc., fiquem descansadas, porque não é com insultos ou o que quer que seja que eu vou deixar de acompanhar a coisa. Claro.
Porque cá estarei quando saírem as novas candidaturas, cá estarei para analisar mais uma vez o documento. Porque a questão é dizer coisas de qualquer maneira é uma coisa. Dizer coisas devidamente fundamentadas e de acordo. E eu dei-me ao trabalho...
de ler, de ver. Inclusive, eu neste momento posso dizer de todos os livros que foram editados das bolsas anteriores, falta-me ler um livro. Eu não tenho a certeza que toda a gente possa dizer o mesmo. Exatamente. Independentemente disso, das pessoas que ganharam as bolsas...
E isso foi mostrado lá no live. Eu andei à procura em sites, nas redes sociais, etc., de imagens para poder mostrar o trabalho que as pessoas faziam. Claro que as pessoas podem sempre dizer ah, isso foi um trabalho que eu fiz e agora o outro é completamente diferente. Ok, mas as pessoas também normalmente...
os artistas normalmente funcionam não com grandes variedades. E isso que estavas-me a dizer, quando nós falamos de grande variedade, o que é que eu queria dizer? O que eu queria dizer é basta tu ires ver, por exemplo, nos anos anteriores, os prémios de Angolem e tu vês a variedade de estilos e de tipos e de argumentos, etc., que há.
que eu aqui não me parece que aconteça assim tantas boas. Mas tu estás a avaliar isso por aquilo que os autores fizeram ou pelos projetos que eles apresentaram? Sim, os projetos nós não sabíamos. Mas aí eu consigo perceber a questão que algumas pessoas puseram de uma forma muito educada, que é...
Aqueles autores podem querer ter decidido fazer uma coisa completamente diferente do que fizeram antes. Exato. Nós não sabemos. Nós só podemos ver, mas isso é... Vamos lá ver. Quando vês um quadro do Henrique Pousão, não há grandes variedades, digamos assim. Poderá haver um tema que seja diferente. Mas é diferente. Poderá haver alguma coisa qualquer. Mas é diferente. Tu ires ao Museu Picasso em Barcelona e ires a sala que só tem os esboços de pombas e ires ver...
Guérnica ao Reino de Sofia. Mas é o mesmo artista. Como também, se agora, por exemplo, a Joana Mosi fizesse um livro do Tintin, seria completamente diferente se fosse fazer mesmo uma coisa canónica. Mas lá está, isso seria... Estou a dizer a Joana Mosi como... Mas repara, isso seria como a Joana Mosi...
Não quero que ela faça isso, calma. Um abraço à Joana. Não, mas seria curioso. Por acaso seria algo de curioso. Não, mas seria uma questão de, ao fim e ao cabo, quase que se iria implicar que a Joana Mosi renunciasse a todo o seu passado. Sim. Também é um bocadinho estranho.
Mas já aconteceu, não é? Na história da arte. Mas na maior parte das situações não é o normal, digamos assim. Mas pronto, eu acho que o tema as bolsas de 2025 para mim é um tema encerrado. Gastarei para quando forem abertas as candidaturas.
da Bolsa de 2026. Tenho esperança que quando abrirem também haja um aditamento ao regulamento e que realmente esclareça ou diga mais que qualquer coisa e cá estarei atento e não é por meia dúzia de insultos ou de coisas que me chamem, não é com isso que me vou calar.
Eu só quis falar disto ao início, não porque recebi aqui pessoas com tochas e forquilhas para incendiar isto tudo. Isso foi lá na minha casa. Mas é também um acumular de algumas situações que têm acontecido ao longo deste tempo que nós fazemos o podcast desta forma. Mas, por um lado, que agora teve o seu maior expoente com esta história das bolsas, por um lado, eu fico feliz porque é dizer que o podcast é ouvido e que tem impacto. Isso é ótimo. Fantástico.
Segundo, eu também te convidei, já vai fazer daqui a pouco dois anos, para vires fazer o programa por causa disso, porque as de outra geração, nós muitas vezes não concordamos com as coisas que dizemos, não é? Um com o outro. Claro que tenho que concordar com aquilo que eu digo, mas enfim.
Por causa disto, porque tu tens uma visão das coisas, tu tens uma abertura, e foi aquilo que eu salientei várias vezes com as pessoas que falei ao longo destes dias, que é tu tens uma abertura para ir a fundo nas coisas, descobrir as coisas, e portanto, eu acho que é extremamente insultuoso quando algumas pessoas dizem que nós estamos a tentar denegrir a banda desenhada portuguesa aqui.
E eu percebo que as pessoas digam isso a quente, não é? Mas ofende-me um pouco quando as pessoas dizem que são ouvintes regulares e põem-se com esse tipo de comentários. Acho que qualquer pessoa pode questionar as coisas, ponto final. E tem de ser assim. Quanta boa banda desenhada ou quantas obras de arte foram feitas de situações que eticamente e moralmente são questionáveis. Muita coisa. As obras são boas, uma coisa não tem a ver com a outra.
E, enfim, só que lá está, este regulamento tem muitas lacunas. Para o ano, vamos ver, pode ser que já sejam outra vez nove bolsas para a banda desenhada. Vamos ver, não está ainda definido factualmente, falou-se disso, mas pronto. E a questão do júri único é pertinente porque depois, e aqui passamos para o segundo tema, Prémio Nacional de Banda Desenhada já foi anunciado e há três elementos do júri.
E não me venham dizer que é a mesma coisa, porque não é. Ter três pessoas a avaliar livros é muito diferente do que ter só uma. Claro, e no caso concreto, as três pessoas que são, há realmente aqui uma preocupação com a banda desenhada, que é bem evidente que sejam pessoas que tenham o mínimo de conhecimento, e acho que até têm mais que o mínimo.
mas que tenham o mínimo conhecimento do que é que estão a fazer. São a Sara Figueiredo Costa, a Sara Ludovic e o Pedro Cleto, os elementos do júri. Portanto, são pessoas que realmente sabem o que é que estão a fazer e, portanto, acho que aqui, logo aqui, não sei se terá tido a ver com este barulho todo. Quero acreditar que não, que terá sido, talvez, uma coisa já promulgada.
Mas que provavelmente nós viemos dar razão para eles terem esse cuidado. De qualquer forma, acho que não sendo o ótimo, é já pelo menos o caminho do bom. Sim, exatamente. Porque isto seria melhor ainda com o júri mais alargado.
teria ainda mais, mas pelo menos já não é um juiz que está aqui a falar e a escolher, é um júri que, portanto, na conversa entre os três, haverá de certeza uma tomada de decisão muito mais consciente. Isto, as candidaturas estão abertas até dia 27 de maio, são três categorias, Prémio Carreira, Prémio Obra do Ano e Prémio Inovação em Banda Desenhada, que acho que pode ser muita coisa, não é? Quer dizer, pode englobar várias categorias.
As candidaturas podem ser entregues presencialmente na DGLab, que está na Torre do Tombo. E é isso, não é? O próprio júri pode propor diretamente alguma das atribuições. Mas é isto que, e ainda voltando à questão das bolsas, por causa disto também, que eu me esqueci de dizer há pouco, que há uma coisa que a nós os dois preocupa muito.
e que também preocupa muito as pessoas que estão a começar, que é, as pessoas que estão a começar têm de ter a indicação de que são valorizadas, não é? Porque não queremos pessoas... A valorização do seu trabalho. Sim, não queremos que as pessoas percam a esperança e desistam daquilo que gostam por causa deste leio, não é? Por causa daquilo que se diz e, como tu referiste, são sempre os mesmos. Sim. Portanto, não pode haver esse sentimento de serem sempre os mesmos.
Sim, e portanto, enfim, nós aqui tentamos fazer sempre o melhor pela banda desenhada, fazemos da forma como podemos, lamento, não podemos agradar a todos, e há coisas que nós também discordamos abertamente um do outro, mas pronto, estamos aqui para continuar. Vamos continuar.
Também dar conta da morte do Jerry Conway, um grande dos cómics, responsável, por exemplo, pela história da morte de Gwen Stacy, do Homem-Aranha. Mas não só, ele esteve envolvido em muita banda desenhada da Marvel e da DC ao longo dos anos. É um nome incontornável que nos deixou este mês de Abril. A obra fica e, de facto, a história da morte de Gwen Stacy é um marco da banda desenhada de super-heróis e ainda hoje com uma força tremenda.
Eu por acaso Eu só conheço mal o trabalho dele E só o conheci mais Por causa do meu filho mais novo É que ele tem a mesma idade que tu Ele é que me provocou Depois de ver a série do Punisher Ah, depois que ele também tem me envolvido na criação do Punisher E depois por causa da série da televisão Do Punisher É que eu depois fui à procura Precisamente das bandas desenhadas E aí é que eu E aí
sob a existência do Conaway. Pronto, mas é mais um daqueles valores que desaparecem, aqueles valores de referência que desaparecem. Esperemos que não, de qualquer dia, daqui a uns anos, se nós ainda cá estivermos, não andamos a falar do programa de IA que criou. Por enquanto ainda temos elementos para ir referindo pessoas. Sim.
Eu quero acreditar que a criatividade humana vá prevalecer, mas já não acredito em nada. Só dizer também, este arco da morte de Gwen Stacy está editado em português pela Levoire, numa daquelas coleções da Marvel, que não sei se provavelmente só encontrou em segunda mão, mas acho que é daquelas histórias que merecia estar sempre a ser editada, porque há coisas nos cómics de super-heróis que de facto são muito marcantes e esta história é uma delas.
Entretanto, houve festivais de banda desenhada Quer dizer, um mais do que outro No mesmo fim de semana Eu fui à Comic Con Portugal, estive lá quinta e sexta Na quinta-feira Numa emissão da Antena 3 Que durou seis horas
em que conversei com a Patrícia Costa, falei com o Hugo Teixeira e o Diogo Campos, também encontrei a Power Ranger Amarela da segunda série dos Power Rangers, enfim. E também encontrei por lá depois o John Romita Jr., falei com o Jason Aaron e essas conversas vão ouvir aqui em breve. Também apresentei o livro do Pedro Coleto, da reunião das críticas dele ao longo de quatro décadas de trabalho.
Enfim, a Comic Con Curiosamente, e estava a comentar com o Hugo Jesus Outro dia, curiosamente eu acho que a Comic Con Deste ano, pela primeira vez O ponto forte foi a banda desenhada Não que o próprio festival em si quisesse saber disso Porque não Não havia sequer livrarias De banda desenhada E não estava lá Digamos o farol Chamada da banda desenhada Para a Comic Con Sim, sim, sim Ele não veio Não, não é?
Ah, o Frank Miller O Frank Miller estava ali um autêntico farol de chamada de pessoal Eu não posso comentar sobre isso Há pessoas que dizem cá que já se sabia que ele não vinha Eu acho que lá está Ele está num estado de saúde um pouco debilitado aprecei perfeitamente que tenha preferido cancelar a sua vinda mas eu acho que se ele viesse ficaria um bocadinho desiludido porque de livros tinhas uma banca da FNAC e outra da WUC E aí
que tinham mais livros de fantasia do que propriamente banda desenhada. Havia alguma mangá, mas pouco. E havia um stand em que uma pessoa estava a vender back issues de cómics a preços um bocadinho. Mas, Rui, esse comentário, como tu estavas a dizer, das pessoas diziam, ah, já sabia que não vinha. Eu lembro-me que acho que foi há dois anos atrás que o Tardy veio a beija.
E lembro-me também, havia muita gente a dizer que não acreditava que ele viesse, que realmente a organização era bem intencionada, porque já são pessoas com uma idade já avançada, é que de um dia para o outro a pessoa pode não se sentir bem, fazer uma viagem, ainda por cima uma viagem transatlântica, etc. E veio ele e a Dominique Rans, e foi uma ótima experiência. No caso do Frank Miller, fazer uma viagem transatlântica e tal.
Não é impossível que ele não viesse. Portanto, isto estar a fazer já grandes coisas, a dizer que as coisas não estavam previstas, acho que é um bocado inventar, digamos assim. Mas pronto, a área comercial estava mais dedicada a coisas de cultura pop no geral e, enfim...
A Comic Con, pelo menos em Portugal, nunca teve o seu ponto forte na banda desenhada, mas este ano, de facto, teve um elenco interessante, mas pela afluência deu para perceber que a maior parte das pessoas não estava ali, estava mais para outra coisa. E é uma pena, eu acho que continuamos a ter uma Comic Con que é só Comic Con no nome, não tem nada a ver com as Comic Con, nem a questão, seria impossível, mas...
Mas poderia ter mais alguma coisa de Comic Con, mas acho que podia ter outro nome qualquer e passar na mesma. Foi ótimo falar com o Jason Aaron. Nessa sessão teve bastante gente e fica muito contente de ver tanta gente a fazer perguntas. E é isso. A emissão foi muito divertida. Gostei muito de trabalhar com os meus colegas. Aproveito para dizer isto, porque é uma coisa que já me fazia confusão nas outras Comic Cons que eu fui aqui em Lisboa, que é...
A Artist Sally, que agora é a Artist Avenue e o Writer's Corner, que eram, na verdade, a mesma coisa, com nomes diferentes, estavam na cave do Aeroparque em Santa Maria da Feira. Alguns sítios tinham luzes um pouco intermitentes, portanto, aquilo parecia assim, davam um ar de centro comercial decrépito, o que é uma pena, porque era lá que estava o setã da Umbra com o Filipe Abranches, era lá que estava o setã da BDTEC do Porto.
onde eu conheci pessoalmente o Zé Lázaro Lourenço, que espero um dia trazer aqui ao podcast, porque acabei por passar a tarde com ele e com a Beatriz Costa da Coteira, que vão ouvir lá aqui em breve. E foi muito divertido conhecê-los. E há uma pena, aquilo estava ali perdido. As pessoas, muitas delas, não desciam para ali. E também estava a Patrícia Costa lá.
E é uma pena, porque acho que perde-se qualquer coisa, não dando espaço de vida às pessoas. Pois é, Rui. E então aqui, se me permites, não sei se querias falar mais alguma coisa da Comic Con. Não, já acabou. Eu estive no Coimbra BD no sábado.
Também estou com tudo Foi super interessante Encontrar muita gente Ligada à banda desenhada portuguesa Entre editores, autores Infelizmente não encontrei assim tanta gente Como tu terás encontrado O espaço realmente é diferente Do que foi do ano passado Eu já tinha ido lá o ano passado E portanto o espaço está diferente Para mim está melhor Acho que realmente estou com o EmbraBD
Subiu um nível, não sei se um ou vários níveis, mas subiu de nível. Talvez seja melhor dizer assim. O espaço comercial e onde são dados autógrafos, que é a igreja do próprio convento, realmente é um espaço fantástico. Houve alguns comentários a dizer que o espaço é um bocadinho longe do espaço anterior.
Eu percebo, não concordo completamente, porque depois a ligação entre os dois espaços era, ao fim e ao cabo, um corredor que se transformou numa galeria onde estavam as exposições. E, portanto, até tinha essa vantagem. Obrigatoriamente as pessoas iam ver as exposições.
ou passarem por ali, havia sempre pessoas. Às vezes que eu passei naquele corredor, passei várias vezes, havia sempre pessoas a verem. Portanto, é preferível do que ter uma sala qualquer onde não esteja lá ninguém. Aqui, a única coisa, talvez o único apontamento que eu acho é que talvez eles precisem de haver mais indicações, mais orientações.
para chamar a atenção do género de que estás numa parte, atenção que daquele lado é que haverá os jogos, porque, pronto, eu acho que cada vez mais a evolução destes festivais vai ser a variedade, não só dedicados à banda desenhada em si, mas tudo, portanto, o cosplay.
o gaming, etc. Acho que faz cada vez mais sentido. E o investimento que tem de ser feito para melhorar, tem de ser feito no geral, apesar de haver muita gente que acha que é um festival de BDE, tem de ser um festival de BDE. Mas também o festival de cosplay não tem de ser um festival de cosplay. É possível todos viverem?
E há toda a vantagem das pessoas ao circularem a verem esta interligação entre as coisas. Acho que cada vez mais tem de se caminhar para isso. Portanto, a única coisa que eu acho que aqui, talvez, no Coimbra BD...
será talvez ali uma melhor indicação dos espaços. Acho que aí é que isso precisa de ser trabalhado. Agora o espaço realmente está melhor, está mais aproveitado, está realmente um espaço muito interessante. Houve apresentações que tinham pouca gente, mas houve outras que eu vi.
que tivinham bastante gente, comparativamente aos anos anteriores. E, portanto, acho que o Coimbra BD está no bom caminho. E, portanto, a zona centro, como se costuma dizer, apesar de não ser um centro desviado para o norte, mas aquela zona da lei de Coimbra está realmente neste momento com um festival que merece apenas a deslocação.
Eu tenho muita pena, não pude ir este ano, fui no ano passado, contigo e com o Hugo, mas este ano estive na Comic Con quinta e sexta, depois no sábado estive de estar no Porto para gravar outra entrevista e no domingo estive de voltar a Lisboa e, enfim, às tantas a idade começa a pesar nestas viagens de um lado para o outro. Mas o Prancha estava lá presente no Coimbra B10, esteve, portanto, ao fim e ao cabo nos dois. Esteve, pronto.
agradeço que digas isso, obrigado dizer entretanto também que depois deste quando este programa sair entretanto já aconteceu a abertura de mais uma iniciativa de banda desenhada em Viena do Castelo estive lá no sábado passado a moderar uma conversa espero que depois a possam ouvir aqui em breve
mas há lá exposição com vários autores para verem, pesquisem pelas redes sociais da Arte Matriz para saberem mais sobre o assunto. Por falar em exposições, há uma exposição com dois gordinhos, peço desculpa, o DRD e o João Gordinho, não foi fat-shaming, eu posso fazer este tipo de piadas, o Dário não se importa. É uma exposição... Eu não sei, pode levar a mão. Pode levar a mão.
É uma exposição que está na Livraria Culta em Lisboa. Eu ainda não a vi, tu já foste lá. Não, por acaso, não. É uma exposição que junta o João Gordinho e o DRD. Supostamente fizeram um fanzine de propósito para esta exposição. Já agora, também, por estes dias, suscitou-me o debate porque é que se dizemos o fanzine e não a fanzine. É pá, por favor, não o vais por aí, porque isso era a guerra do Geraldo Celino. Era, ele dizia que...
Que era a fanzinha Não, ele dizia que era o fanzinho Acho eu Bem, eu não quero criar aqui mais uma discussão Porque isto foi uma coisa Havia aí uma discussão de todo tamanho sobre isso Aliás, há bandas desenhadas A gozar com essa questão
da discussão do U e a Fanzine. Mas quem me fez esta questão até foi mesmo a Beatriz Costa lá na Comic-Con. Eu fiquei a pensar, de facto, por que é que nós dizemos o fanzine? Porque é uma revista... Mas, por acaso, há várias bandas desenhadas a gozar com essa questão da discussão e do que havia entre o U e a Fanzine. Mas, por acaso, eu acho que ele defendia o fanzine.
Não tenho a certeza. Estou com medo agora de experimentar aí uma discussão. Mas sei que isso, ele era um acérrimo, uma das facções, ele era acérrimo e ficava todo chateado quando alguém dizia o contrário. Mas, portanto, a exposição do DRD e do João Gordinho na Culto chama-se Los Dos Alcarrabias, não é?
Aliás, eu curiosamente, por acaso eu estive outra vez na BDTEC da Amadora, a BDTEC tem uma parte que é mesmo a fanzinoteca do Geraldo Gislin. Ele foi realmente um grande colecionador e um grande impulsionador de muitos fanzinhos.
E um dos fanzines que lá está é precisamente um fanzine que era do DRD e do gordinho, precisamente, ainda daqueles a quase que feitos à mão, que está lá em destaque. E pronto, lá está. Encontramos ali uma panóplia incrível daquelas experiências, primeiras experiências, de muitos autores de banda de senhora portugueses.
E eu espero que ver algum dia um livro novo do João Gordinho, porque eu adorei o filho do Führer. Ele foi dos primeiros autores a passar aqui no Pranchas. Tenho de o voltar a trazer. E também, entretanto, este fim de semana... Ah, antes de falar disto, dizer só que, já que falámos do DRD, dizer que passa publicidade é só porque é uma conversa com dois autores de PD. Há um outro projeto em que eu estou envolvido, que é o Apala de Bols. Vamos ter uma...
uma sessão no Cinema Fernando Lopes, dia 15, sexta-feira, 15 de maio, às 21h30, do Ghost World, que é um filme que eu adoro, fui eu que o escolhi, depois convidei o D.R.A.D. e a Joana Mosi para uma conversa depois da sessão. Ambos têm uma grande ligação ao filme e à obra do Daniel Close, portanto, fica à nota.
E este próximo fim de semana, 9 e 10 de maio, há a 11ª edição na Mialhada, não da Corrida do Leitão, mas da mostra do Clube Tex, a celebração do herói da Bonelli. Tu ouve que foste a alguma mostra destas? Não, é por causa não. Tenho acompanhado, mas nunca calhou ir lá à Bairrada. Quer dizer, já calhou ir lá à Bairrada, mas não para...
Por acaso, eu acho que a única vez que fui à barra errada, acho que ainda nem sequer havia A1. Acho que ainda havia Nacional 1. Não paras lá para comer um leitãozinho? Não, por acaso, não é costume. Porque depois já paro já em casa de um irmão. E ele depois é que me leva para maus caminhos, para a América depois mandar a chatear por causa do colesterol.
Enfim, fica aqui a nota também Da mostra do Clube Tex Um trabalho meritório feito por fãs Eu confesso que não sou o maior fã do Tex Porque sou mais Tim Dillon Dog Na parte dos heróis da Bonelli Mas respeito muito É incansável
O João Carlos Francisco, o Mário Marques, são grandes fãs, grandes conhecedores e é bom ver o entusiasmo deles todos os anos. Aliás, não é por acaso que a própria Bonnelli tem dado muitas ajudas a eles. Sim, com vários autores que trazem este ano. Reconhecem o trabalho que eles têm feito.
Exatamente, podem procurar por mostra do Clube Tex Portugal, que encontram o programa. Vamos aos livros, Luís? Bora, já está a fazer tarde. Está-se a fazer tarde. Olha, o primeiro livro que trago é da Asa, chama-se Os Cabelos de Edith.
A autoria do argumento é de Fabienne Blanchot e Catherine Alcandreau, a arte do David. Falámos dele há muito tempo por causa do Sr. Apoteose, que também a Ásia editou e tinha argumento, o Julien de Frey. Isto é uma história diferente. É inspirada em factos. Não vou dizer factos verídicos, porque é uma redundância já mil vezes repetida. Mas é uma história que nos leva a 1945, ao longo de 12 dias, no Hotel Lutetia.
em que os nazis, de facto, há esta coisa curiosa, que este hotel foi utilizado pelos nazis durante a guerra, mas que no pós-guerra, nesta altura em que a história se passa, serve como centro de acolhimento de milhares de sobreviventes dos campos de concentração. E é aí que conhecemos o protagonista desta história, um rapaz chamado Louis, de 17 anos.
que trabalha num cinema e o cinema tem um grande valor nesta história. Ele testemunha o sucesso de um filme chamado Les enfants du paradis, do Marcel Carnet, um filme muito importante do cinema francês, com diálogos do Jacques Prévé, um filme que é um imperdoável meu, ainda não o vi, quero ver há muito tempo. É um filme em duas partes, bastante longo.
Mas o filme acaba por ser uma das personagens desta história em que o Louis decide tornar-se voluntário no Lutécia e ajudar aquele centro de acolhimento improvisado. E é aí que ele conhece a Edith, uma sobrevivente que pouco ou nada diz. E pouco ou nada diz porque ela vive com a memória do trauma de ter passado pelos campos de concentração.
Tu provavelmente vais concordar comigo Que faz-me um pouco de confusão banalizar-se o Holocausto E há esta coisa que nós já falámos aqui no passado Do Holocausto se ter tornado quase um género literário Porque estas memórias para mim perturbam-me sempre Quando eu lido com estas histórias
Eu não consigo ficar igual. E este livro mexeu muito comigo. Eu não consigo mesmo lidar bem com estas coisas. Não consigo lidar porque continuo sempre a fazer confusão que isto tenha acontecido. Há uma coisa que não consigo ultrapassar. Este álbum mostra
que este tema está a ser abordado não porque é o tema badalado do momento, mas porque há uma perspectiva emocional sobre ele muito forte. Para mim foi um arrumbo emocional. Há um belo cruzamento do texto com as imagens, os flashbacks da Edith.
a associar coisas corriqueiras daquele dia-a-dia no pós-guerra à memória dos campos de concentração. Tem um traço estético diferente que funciona muito bem. Eu gosto muito do estilo do David. Já tinha gostado do Sr. Apoteosa que ele voltou a surpreender-me e a ser extremamente perspicaz.
Este livro é, como eu disse, inspirado em algumas histórias verídicas, principalmente de uma sobrevivente que tinha tatuado o número 78750. É um livro também sobre a importância do cinema e da sala de cinema, e mais do que uma homenagem às vítimas do Holocausto, é um álbum belo, muito eficaz, que eu recomendo sem reservas. Foi daqueles livros, e é preciso dizer isto, que eu muitas vezes trago livros daqui para o programa.
E eu estou com os papéis ao lado e vou anotando umas coisas e aqui não consegui. Eu estive mesmo enredado no livro até ao fim, de tal forma que depois até emocionei um pouco e não sabia o que dizer. Fiquei mesmo muito impactado com esta história. Recomendo vivamente. Não sei se vais concordar, mas...
Enquanto tu fazes uma pausa Porque tem aí uma opinião contrária Não, não, não, por acaso não Não totalmente Quando venho aqui para o programa Gosto de efetivamente Investigar um bocado Gosto de ler, claro que é Também a minha opinião e a minha experiência De várias situações Que se misturam aqui e tudo E é isso, nós estamos aqui a conversar Sabemos que estamos a ser ouvidos E
eu aqui procuro também abrir aqui um bocadinho. Como já disse aqui, noutra altura, eu fiz uma viagem pelo Centro Europa e visitei Auschwitz e visitei também, curiosamente, a fábrica Schindler, a fábrica do Schindler, que neste momento também é um museu relativo à mesma altura. É evidente que, se dúvidas houvesse, tu ao ires a estes sítios...
tu compreendes que é difícil ultrapassar aquela expressão da maldade humana que ali existe. É muito difícil. O impacto é muito forte. Apesar de haver quem diga que aquilo é tudo montado, que é tudo teatro, que aquilo não existiu na verdade, etc. por aí fora, mas aquilo é um impacto muito grande.
Citando um amigo meu que infelizmente faleceu precocemente, mesmo que fosse só uma vítima já era horrível. Porque só a ideia em si, só alguém pensar naquela ideia de uma solução final e daquilo que foi concretizado, já é terrível, acho. Pois, eu aqui, há uma coisa que, isto é a minha opinião. Claro, óbvio. Tenho frisado bem isso.
O que é que acontece? Eu acho que há aqui, e quando tu falaste agora da questão do holocausto, parece que é moda, etc., e por aí fora. Eu acho que as pessoas, mais ou menos da tua idade, estão a ter aqui uma reação que não acontecia antes. Porquê? Eu, quando nasci, a guerra tinha acabado há 20 anos. Sim, era uma coisa muito recente. Era uma coisa ainda muito recente. Os meus pais contavam-me das questões do racionamento, etc.
Apesar de nós não tínhamos participado na guerra, mas apanhámos indiretamente com todos os problemas, etc. E houve ali uma altura que as pessoas acreditavam que as coisas iam melhorar, e depois entretanto houve o desenvolvimento tecnológico, etc. Alguns países sofreram no pós-guerra um milagre económico, não é? A Itália... E nós temos de pensar que quando a guerra acabou, aquilo não foi tipo um interruptor. Olha, acabou, agora pronto, agora vamos continuar a viver. Não havia os países...
Os países do centro da Europa estavam todos em reconstrução. Há cidades... O meu filho vive na Holanda. Há lá uma zona que tu passas, onde há um mercado na Amsterdão, em que está lá... Tu vês um edifício fantástico, arquitetonicamente fantástico, mas está lá uma fotografia bem explícita.
de como é que aquilo estava quando a guerra acabou, em que aquilo não havia praticamente uma parede em pé. Nós temos de compreender que no centro da Europa isso aconteceu em muitas cidades. Aquilo foi arrasado mesmo até ao chão. E, portanto, essas pessoas estavam a viver essa reconstrução. E então quase que nem queriam olhar para trás de tudo aquilo mal que tinha acontecido, etc. O que está a acontecer com a tua geração é que isso já é uma coisa... muito triste.
Distante. Distante, mas que estão a descobrir. Porque, ao fim e ao cabo, a maior parte das situações, parece que as pessoas estão a ir buscar as recordações dos avós. Não é dos pais, é dos avós. E há muitas histórias, precisamente. Ainda agora li um livro, precisamente, que é...
sobre uma autora portuguesa que é sobre a avó a pertença à avó dela que é uma ficção mas que é uma refugiada lá estamos a ir buscar os avós e o que eu tenho reparado é que aqui há sempre esta questão dos avós da distância, etc por aí fora, da descoberta depois de todas estas coisas e isto é um exemplo de uma coisa que as pessoas normalmente não se lembram
Daqueles que vinham dos campos, o que é que lhes acontecia quando chegavam e como é que viviam e como é que não viviam. E como lidar com o que viveram. Exatamente. Pessoas que estavam completamente sozinhas porque tinham perdido a família toda, etc. Este livro, a mim o que me marcou mais, eu acho que este livro podia ser mais ambicioso. Acho que este livro, o tema podia ter sido um bocadinho mais desenvolvido, talvez.
Mas uma coisa que me marcou Talvez aqui é os silêncios É os silêncios do livro Como é que um livro pode ter silêncios Mas é verdade, há aqui muita parte Em que eles não falam Eles nem dizem Parece que se houver alguém Que diga alguma coisa, nós vemos as imagens Mas a gente, nós próprios, parece que Estamos com medo de fazer barulho A virar a folha Há aqui muito silêncio A vivência dos silêncios Totalmente Totalmente
O David aqui jogou muito bem com as cores, etc. Aliás, é-lhe perguntado mesmo, numa entrevista que eu vi, é-lhe perguntado se era intencional. Ele diz que isto é um bocado a paleta dele e realmente não é muito diferente do Sr. Apoteose. É diferente, mas não é muito diferente. É diferente, mas nos...
flashbacks e cenotas. Mas, quer dizer, ele próprio diz que, apesar disto ser a paleta que ele usa, ele teve essa preocupação de fazer ali um ambiente em que parecia que não se podia perturbar, o equilíbrio era tão precário que não se podia realmente fazer o que quer que fosse para não desequilibrar, não é? Sim.
E é aquela questão também de como a normalidade e a aparente o bem-estar das pessoas esconde qualquer coisa. Exato. E este livro fez-me lembrar um filme chamado Monsieur Klein, do Joseph Lowe, que é um filme com o Alain Delon, que se passa durante a guerra em França, em que o Alain Delon faz de um tipo que é negociante de arte, se não estou em erro.
E ele é confundido com um judeu e ele diz que não é esse judeu. E o que mais me impressionou no filme, e até percebi isto mais quando o revi há uns anos no cinema, é que tu olhas para as ruas e não há aqueles indícios estéticos de estamos em guerra. Não, é um normalíssimo. E é essa a questão da normalidade, a normalidade muitas vezes.
esconde, por exemplo, também há um filme que eu não gostei porque mexeu muito comigo, que é a zona de interesse, mas também é sobre isso, não é? Está ali a família dos nazis muito bem e lá ao fundo é o campo de concentração. Mas, no caso, isto é mais como a aparente paz, na verdade, não cura as marcas.
Tu tens aqui, por exemplo, nessa entrevista do David, diz muito bem uma coisa que ele realmente fez uma procura pelos vocais, etc. Como disseste, é baseado em factos reais. Ele fez uma procura. E nós depois temos aqui uma situação que é, no final da guerra, a maior parte das fábricas e coisas do género estava tudo destruído. As pessoas não tinham trabalho. E, efetivamente, as pessoas não tinham trabalho. Então não tinham ocupação.
Mas depois as pessoas também estavam à procura dos amigos, da família, etc. E, portanto, quando tu vês a entrada do hotel, as pessoas estão ali à espera quando aparece mais um autocarro para saber se afinal se vem o filho, ou se vem o primo, ou se vem o tio, ou se alguém sabe alguma coisa deles.
As pessoas passavam o dia ali, mas depois passavam, estavam a sofrer, estão em silêncio. Lá estamos a falar de silêncio. Há realmente aqui um ambiente que este livro cria e que é muito interessante. Não sei se tu sabes, mas atenção que o David vai estar cá numa EBD, não é?
Ah, não sabia disso. Vamos ver, não é? Pelo menos está programado que ele vai estar no Maia BD. Eu não sei quanto é ti, mas eu estarei no Maia BD também. Não sou o David, mas já agora vou estar por lá. Eu espero lá estar, não tenho ainda bem a certeza, porque, como sabes, estão em vias de ser a voo. Pois, exatamente.
Há coisas que se levam acima da banda desenhada. Claro, mas foi feito um desafio aqui ao Pranchas e Balões para marcar presença numa EBD de uma forma diferente. Não posso ainda falar muito do assunto, porque nada ainda está alinhavado, mas pode ser que saibam em breve. E hoje... Isto é um livro, deixa-me só acabar. Conta, conta. Isto é um livro de setembro.
Do ano passado. Do ano passado, portanto estamos a ler um livro fresquíssimo. Só mais uma curiosidade. E isto acho que também tem a ver agora com o que se passa atualmente. O David normalmente diz que demora perto de um ano a fazer um livro. Isto também tem muito a ver...
com a questão de agora ser muita coisa feita digitalmente que permite realmente, quer dizer, quando se enganam é só fazer back e, portanto, desaparece o risco enquanto que antes não era preciso fazer quase que uma prancha inteira para corrigir um erro ou uma decisão que fosse alterada de mudar uma vinheta ou coisa assim ou colava-se, como nós vemos às vezes aí nas exposições dos originais.
recortavam um bocado de papel e metiam em cima da vinheta, ou então teriam de fazer a página toda. Pronto, atualmente há essas possibilidades digitais e, portanto, recuperar. Mas este foi um livro que foi feito em aproximadamente um ano.
Muito bem. Portanto, Os Cabelos de Edith, edição da Asa. E hoje, sim, falamos de Hugo Prato, sem ser uma piada. Finalmente. É mais um volume da coleção Obras de Prato de Aula dos Livros, que tem trazido, maioritariamente, obras inéditas do criador de Corto Maltese. E este é um livro que é praticamente desconhecido a maior parte dos fãs de banda desenhada, o Fanfula.
É uma história que o Prat ainda fez para o semanário Corriere dei Piccoli, que tem ainda a participação do Milo Milani no argumento. Esta é uma edição muito curiosa porque é em formato italiano, ou seja, é na horizontal.
O livro vem com uma luva que dá a entender o contrário, mas depois tiramos a luva e percebemos que é a dimensão horizontal do livro. É uma história de aventuras que nos leva até ao século XVI. Fala-me um bocadinho disto. Eu também já li, mas conta.
Pois, isto não é uma obra essencial do Prato. É uma curiosidade. É uma curiosidade. É uma faturação. Isto foi uma faturação na altura em que o Prato tinha realmente de fazer alguma coisa para comer. Sim. Mas mesmo assim, apesar disto, notas aqui algum investimento dele. Claro. Não, uma das grandes curiosidades, e lá está, eu vou-me repetir mais uma vez, é, atenção, que isto é uma história que foi criada para uma publicação com...
infantil, sim, infantil juvenil. Aliás, tu notas aqui, às vezes, em algumas páginas, e há uma coisa, às vezes, até que as pessoas se esquecem. As publicações, às vezes, e para quem tem a hipótese de ver, etc., nem todas as publicações eram como são, atualmente, com uma capa toda bonita. Muitas vezes, a própria capa da revista era utilizada para começar a publicar uma parte da história.
E portanto, o próprio alinhamento da página, e há aí algumas páginas que eu tenho quase a certeza que seriam a capa da revista, tinhas essa para pôr o destaque de um personagem, etc. Tu tinhas isso, era utilizado. O Cavaleiro Andante acontecia muito.
A revista Tintin já não utilizou isso cá em Portugal, já não utilizou isso tanto. Mas na original, sim. Sim, na original, sim. Mas aqui o melhor exemplo que posso dar é realmente o Mosquito e o Cavaleiro Andante eram revistas que por vezes utilizavam a capa também para vir já com uma parte da história, etc. E aí nota-se, portanto, nós ao vermos este livro há alturas, há certas páginas.
que se nós não nos lembrarmos disso é uma coisa toda esquisita estou aqui a ver uma página toda planificada com vinhetas e depois a página a seguir tem aqui um monec aqui ao meio há que ter essa ligação para se compreender o porquê de toda esta
continuidade não continua digamos assim dizer só que já agora esta edição vem com um prefácio do António Carboni que diz precisamente que esta é a primeira vez que se editou com respeito de acordo com o que ele diz esta obra pelo menos num formato um bocadinho mais digno de se poder ver o traço do prato com atenção, gosto também do trabalho da cor acho que está bem feito mas continua
Sim, mas pronto, isto aqui é como dizemos, é uma curiosidade, é mais uma obra do Prato, vemos muita coisa, há ali algumas descontinuidades na história, há ali algumas sequências que...
Só fazem sentido numa revista, não fazem sentido num livro. Era uma história para prender o leitor para o próximo número. Isto é aquilo que nós falamos muitas vezes, que na altura aquilo era feito à semana. Portanto, às vezes quase que já nem se lembrava o que tinha feito na semana a seguir. Não é um livrinho todo planificado a ser discutido. Não, que aquilo às vezes era à pressa. E não é o prato, obviamente não estamos a falar do prato nem do Corto Maltese, nem dos escorpiões do deserto. É outra coisa.
Mas eu diverti-me imenso a ler a história. Sim, sim. Isto é uma típica história de aventuras. E nós às vezes esquecemos, falamos muito do Corpo Maltese, e esquecemos que o Prato era um indivíduo que gostava imenso a Ilha do Tesouro, todo esse tipo de literatura. Atualmente é chamada juvenil, mas na altura não é juvenil. É literatura de aventuras.
Eu gostava imenso de tudo isso. E aqui vai muito pescar esse conceito e essa ideia. Sim, e honestamente, a Ilha do Tesouro que eu li há uns anos, o texto original, o romance de Robert Louis Stevenson, transmite um sentido de aventura que, de facto, percebe-se que o prato foi beber muita coisa ali.
esta ideia de percorrer o mundo sem amarras. Enfim, se formos avaliar o prato pela pessoa, vamos encontrar ali algumas coisas menos interessantes. Mas esse sentido inspirador está a perpassar por muita da obra. Aqueles autores clássicos das histórias de aventuras, da Ilha do Tesouro, do Robinson Crusoeiro. Sim, exatamente.
Do Sandocão, Emílio Salgar, exatamente. Ele vai muito buscar aí e nesta obra está isso realmente ali estampado com toda a força. E esta coleção também é a prova que lá está a diversidade de coisas que o Prato fez ao longo da sua vida. Nós temos falado aqui praticamente todos os volumes desta coleção. Havia dois que não eram inéditos, as colaborações com o Milo Manar, mas de resto há muita coisa para descobrir e ainda para editar do Prato por cá.
Portanto, este fanfula editado pela Aula dos Livros. Continuamos na banda desenhada italiana. Esta questão da uva é uma solução muito boa. Para arrumar o livro na estante. A Aula dos Livros merece aqui uma salva de palmas pela ideia. Não sei se é a ideia original ou não, mas seja como for.
realmente merece-se também que a gente de vez em quando, já que dizemos, às vezes chamamos a atenção de alguns erros de edição, aqui temos de louvar, portanto, é aqui esta ideia que foi muito bem aproveitada. Totalmente, totalmente.
Continuamos na Banda Desenhada Italiana, um livro da Escorpião Azul, um projeto que já estava para ser editado há algum tempo e que chegou agora finalmente às livrarias. É uma história do Guido Bozzelli, um nome da Banda Desenhada Italiana, também conhecido, de acordo com os textos do livro, como o Miguel Ângelo dos Monstros ou o Goia dos Fometi.
E o Guido Buselli marcou a banda desenhada italiana dos anos 70, 80 e a Escorpião Azul traz-nos uma história que diz que é uma boa introdução à obra do Guido Buselli chama-se HP, teve argumento de Alexis Costandi e é uma história que supostamente transpira dos temas que são comuns a toda a obra do Buselli as diferenças sociais, o problema do futuro, da industrialização, da mecanização
Temos uma sociedade distópica e as ligações ao Mad Max de facto não são inocentes, fazem muito sentido. Temos uma civilização avançada que funciona assim numa espécie de regime ditatorial em que as pessoas têm de corresponder a um padrão e as pessoas são conhecidas pelo número que envergam.
e há um grupo de refugiados, digamos assim, que vive à margem da sociedade, e de repente aparece um cavalo chamado o tal HP, que há uma sigla, porque o cavalo é, enfim, mecânico, nós vamos descobrir isso na história, e também o que é que aquele cavalo está ali a fazer. É uma história que foi publicada originalmente em revista entre 1973 e 74.
E que, pronto, é curioso porque o Guido Buzelli, eu não sei se alguma vez foi publicada alguma coisa dele em Portugal. Já foi publicado. Era o Zil Zellube em 1973 pela presença. Ui, ok. Tu tens essa edição.
Mas então desde há 53 anos Que não era editado nada do Guido Buseli Alegadamente E enfim Tem este lado de distopia Pós-apocalíptica Que é curioso Tem um ótimo preto e branco
A narrativa segue várias personagens e, de facto, é preciso dizer que cada capítulo tem um número limitado de páginas e percebemos que há aqui muitos constrangimentos do formato de publicação. Mas, com os constrangimentos, as ramificações entre as várias histórias, para mim, foram bem urdidas o suficiente para eu não me perder no meio daquilo tudo.
mesmo tendo em conta essas limitações dos tamanhos dos capítulos. O final acaba por ser algo apressado, talvez por razões editoriais da publicação em revista, mas acaba por ser complexo e eu fiquei com vontade de daqui a uns tempos voltar a ler e refletir sobre o que aqui é posto em causa. Dizer ainda que a capa contra capa e as páginas têm um tom metalizado curioso.
e pronto vão associando cores a cada livro e enfim, olha, também gostei bastante de descobrir, quero ver mais coisas do Guido Buzelli e cá eu também sou fã deste tipo de histórias mas pronto, não sei o que é que tu queres dizer
Pois isto aqui começa pela primeira. Lá estamos aqui a falar de uma história de aventuras. Exatamente. Começámos por um romance gráfico com uma mensagem, etc. E agora já estamos a falar aqui de dois livros que, independentemente de terem uma mensagem ou não, é mais uma história de aventuras à partida do que pronto.
Este tem mais uma mensagem maior do que o fanfare. Sim, e tem ligações mesmo à nossa atualidade que são engraçadas. Aqui também, sabes, tem uma coisa que, quando eu li isto, cruzou-me aqui vários estes livros que são da minha altura, depois tem isto, cruza-me uma data de coisas. A primeira coisa é que o tipo de desenho fez-me logo lembrar muitas histórias que vinham no Cavaleiro Andante, porque o Cavaleiro Andante tinha muitas histórias de origem italiana.
que eram do El Vitorioso, que era um jornal infantil que havia, infantil ou juvenil, que havia em Itália e que muita coisa era tirada de lá. Então o traço faz muito lembrar muitas histórias que eu li. Não sei se seriam... Na altura não havia muita questão de identificar os autores.
e, portanto, não sei se seriam realmente do Buselli, mas, pronto, é muito o traço de muitas histórias italianas que lá vinham, que na altura eu não sabia, mais tarde é que vim descobrir, que vinham, portanto, de origem italiana. O Buselli trabalhou também para...
para Bonelli também qual é que não foi o autor italiano que não trabalhou para Bonelli e no caso, creio que é aqui no prefácio do Jorge Diodato da Escorpião Azul que ele diz que este problema do Buselli nem ter conseguido sempre sobreviver da sua arte Exato
Ele, aliás, ele fez um volume do Tex, que era um bocado fora da caixa e que ficou ali em stand-by e que depois a Bonelli editou como um álbum à parte e que veio a ser, ao fim e ao cabo, o primeiro volume.
digamos, daquilo que atualmente nós todos designamos de uma personagem vista pura, ou seja, do tex visto pur. Os texos da autor. Exatamente. Ele, ao fim e ao cabo, foi o primeiro a fazer o tex visto pur. Depois, aqui, eu acho que este volume...
Tem uma coisa muito interessante e que me lembrei de falar aqui, de chamar a atenção, que é esta história, como tu dizes, isto tem origem mais ou menos em 73, 74. E, ao fim e ao cabo, isto vai nos ligar aqui connosco em Portugal.
Isto teve aqui não só a mensagem como o desenho, etc. Estamos aqui a fazer a demarcação da banda desenhada, daquela banda desenhada infantil, para uma banda desenhada mais adulta. E, ao fim e ao cabo, vai chocar com o aparecimento da visão, que é mais ou menos na mesma altura.
Há precisamente esta descoberta E este ir por caminhos Por outros caminhos Com mensagens Claro que temos aqui muita influência O flash corda ali é evidente Aqueles indivíduos que não lapam o ar Sim, sim
O próprio mundo dominado é o planeta Tamon, com o Ming, ao fim e ao cabo, mas com outro nome. Há aqui ainda muita influência do clássico, mas há aqui uma procura por outros caminhos. Ao fim e ao cabo, a visão em Portugal também é uma boa referência.
Mas é engraçado pensar nisso, que esta história, sendo tão próxima da Revolução, como é que não foi publicada cá? Eu ainda há uns dias fui ver um filme espanhol dos anos 80 chamado Los Santos Inocentes, que é um filme...
sobre trabalhadores agrícolas que estão a trabalhar numa grande herdade e são maltratados pelos patrões e o filme é de 80, é de 84. E eu pensei, mas como é que isto nunca estreou em Portugal? Sim, mas ouvi. Porque naquela altura, então se fosse 10 anos antes ainda mais sentido fazia, mas há coisas que mesmo em liberdade, que deviam, que tínhamos proximidade e que não chegaram e esta história faria todo o sentido. Certo.
um novo contexto. Repara, a questão aqui depois, eu percebo o que tu estás a dizer, mas naquela altura havia tanta coisa que nunca tinha cá chegado. O coração de Potenquino que estrigou. O coração de Potenquino, aquela do, como é que se chama, do Mar Lombrando. O último tango em Paris. O último tango em Paris, pá, que aquilo era sessões escutadas de todo lado, e toda a gente queria ir.
Eu lembro-me do meu pai, foi ver o último tango em Paris, acho que foi em Itália, uma vez que ele foi ao estrangeiro e viu que aquilo estava lá e foi ver logo aquilo, porque falava-se tanto, não é? Falava-se, não abertamente, mas falava-se tanto. Havia tanta aquela curiosidade, porque era o Marlon Brando e tudo, mas não sei quantos. Havia tanta coisa que é...
terá passado a altura e depois ficou arrumado a um canto e pronto, ainda bem que a escorpião azul em boa altura vai recuperar e vai editar para dar-nos a conhecer a todos nós, mas isto imediatamente, quando, como te digo as dois sentimentos que eu tive foi primeiro foi, epá, isto é o mesmo traço que eu já vi em várias histórias do Cavaleiro de Andando, mas depois ao começar a ler mesmo a história
isto se tivesse aparecido na visão estava perfeitamente lá enquadrado portanto na altura mas pronto são estas nuances que depois aqui vão saltando muitas vezes pronto o que é que eu posso aqui não há muito mais para dizer a obra do Boseli realmente
Ele teve uma grande aceitação precisamente por esta descoberta em todas aquelas revistas que eram as revistas de descoberta francesas, a Charly, a Circus, o Hector Savanne, a Metal Roulin, etc. Portanto, tudo aquilo que estava a quebrar com aquela tradição de banda desenhada francesa, ele teve lugar nelas todas.
Mas corrija-me se estou errado Mas a percepção que eu tenho é que ainda Hoje em dia fora de Itália Que ele não é assim tão falado quanto isso Pois não sei Em França ele também é bem conhecido Ele em França também é bem conhecido Agora talvez Pois a questão é que entretanto Há coisas que entretanto vão desaparecendo E vão se diluindo E é preciso haver pessoas que se interessem Há uma coisa uma vez Eu nunca tinha pensado nisso Mas uma vez falaram-me Eu nunca tinha pensado
até acho que foi por causa do Saramago, não tenho a certeza, que é os livros de geração, que são aqueles livros que tu compras sempre. É preciso que sejam editados, claro. Mas, por exemplo, Os Maias.
o meu pai comprou os maias eu comprei os maias, eu tenho quase a certeza que provavelmente o meu filho irá ou não comprar os maias não vai ler os meus tal como eu não li os do meu pai há livros que são os livros de geração os Essas de Queiroz os Camelos de Castelo Branco, etc. Agora se há algum que deixa de ser publicado, e às vezes acontece muito, como sabes eu e tu lemos muita coisa para além da banda desenhada
Volta e meia, aparece um livro qualquer, como se fosse uma coisa que ninguém conhecia. E, afinal, é precisamente isso, porque deixou de ser publicada a uma determinada altura e já não era publicada há não sei quantos anos, etc. Pronto, e como acabámos de falar, o Guido Bozelli em Portugal só foi publicado em 1973.
e não há mais nenhum livro dele poderá haver em algumas revistas que nós saibamos pode haver algumas revistas alguns fanzines etc para aí fora que tenha sido publicado mas a única referência que eu encontrei foi precisamente este livro um livro mesmo dele só ouviste e agora ao fim deste tempo aparece
Deu-me muito gozo ler, trouxe-me muitas recordações, como tu disse, e acho que é uma descoberta que toda a gente deve fazer, novos e menos novos. Concordo, olha, uma boa edição da Escorpião Azul. E continuamos em terrenos mais ou menos italianos, mas totalmente romanos, porque vamos falar aqui de duas séries que, como eu estava a dizer em off, e não sou o único, eu às vezes confundo-as.
porque a Asa lançou novos volumes do Morena e das Águias de Roma. O Morena, que tem argumento Jean Dufault, foi desenhado primeiro pelo Filipe de Labie, depois pelo Teo e agora pelo Jeremy. E as Águias de Roma, que é a série do Enrico Marini. O que é que tens a dizer sobre estes novos volumes 14 e 8, não é? De ambas. Exato.
pronto, não sei qual é que queres que eu comece à vontade, baralha tudo põe tudo na bimbi não é muito eu quis trazer aqui estes dois pronto, para além de como tu disseste muitas vezes há muita confusão até porque saem mais ou menos
Não é bem saírem mais ou menos... Posso ver os números? Não é bem saírem ao mesmo tempo, mas porque, como tu disseste muito bem, um vai no 8 e o outro vai no 14. No 14. No 13, aliás. Aliás, no 13. Era isso que eu me tinha enganado. O que é que acontece? Isto são duas séries que vão acabar. Já está definido, não há dúvidas sobre isso. O Morena vão sair mais 5 livros.
5 ou 6 Vão sair mais 5 ou 6 livros O Águias de Roma Teoricamente E agora isto o Marini é um indivíduo Um bocado Às vezes meio malocado Acabará no 10
Olha, começando pelos águias de Roma, o que é que acontece? O Marini, quando começou aqui a série, a ideia dele era fazer um triptico. Eram só três livros que iriam sair. Mas depois é que ele começou a resultar tão bem, não é? Pois, é que ele é muito ativo. Ele é muito ativo nas redes sociais e começou a entusiasmar-se e então começou a esticar a história.
E depois a ideia dele era acabar no número 5, que depois, acho que mesmo na altura em que estava a acabar o 5, decidiu que afinal não iria acabar o 5. Aliás, o que é que acontece? Eu estive a ler as duas séries agora para o programa, estive a ler as séries todas, portanto, desde o primeiro volume. E realmente não notas que há ali uma, não diria uma quebra, mas há ali qualquer coisa.
entre o volume 5 e o volume 6, nota-se que há ali qualquer coisa. Portanto, o que acontece é que entre o volume 5 e o volume 6, ele demorou sete anos, teve sete anos parado. Parado-se, ou seja, teve a fazer outras coisas, os outros projetos. O Noir Borlésico. O Noir Borlésico, etc. Mas nota-se. A partir do volume 7, aliás, do volume 6,
Acho que nota-se um bocado que é mais apressado a fazer o desenho. Nota-se que a nível de desenho, não a nível gráfico, aliás, antes que o contrário, a nível gráfico, há uma maior procura de fazer grandes planos, aquelas imagens de batalhas, etc. São espetaculares, é realmente fantástico, mas depois há alguns promenores.
que notas ali que... Alguma pressa. Alguma pressa em fazer as coisas. Ele depois é uma pessoa que faz a tintagem e depois é ele próprio a aplicar a cor e faz a aplicação de cor direta nos desenhos e que realmente é fantástico. Como disse, ele é uma pessoa muito ativa nas redes sociais.
Há imensos vídeos de ele a desenhar, a tintar, a pintar, etc. Podem ver isso tudo, verem os métodos que ele usa. Ele mostra muitas coisas. Uma das personagens dos Águias de Roma...
que é o Arminius, é efetivamente uma personagem que existiu mesmo, a sério. Ele é uma pessoa muito preocupada mesmo em se documentar. Ele tem muita documentação e está realmente muito bem documentado. Ele aqui diz que uma das preocupações dele não era só fazer uma história de heróis.
Ele quer que as personagens fossem mais aprofundadas. E realmente isso é uma das vantagens das águias de Roma, é que é uma história com substância. Há realmente ali o que prende muito.
independentemente do desenho e de se gostar ou não, o perno muito é a história e a própria história em si, o relacionamento entre as personagens, etc. Há alturas, não é propriamente uma história para miúdos. Sim, totalmente. Tem muitas partes muito eróticas, etc. por aí fora. Há algumas pessoas que acham que às vezes não faz sentido, mas depois, e no caso, como eu disse, eu li a série toda.
Faz sentido que estamos em Roma. Não estamos na atualidade. Portanto, há muitas vezes ali aquilo... O retrato dos excessos. Esses excessos. Um pouco como aquela série Roma, não é? Da Edis Bion. Essa sexualidade era uma forma de se conseguir muita coisa. Era uma realidade que acontecia.
E, portanto, é muito plausível que aquilo realmente fosse assim. Não parece ser o sexo só por gratuito para chamar a atenção. Faz todo sentido no enquadramento histórico. Pronto, ele normalmente demorava dois anos a fazer um álbum e atualmente demora apenas um. E nota-se aqui, não é? E realmente aí nota-se. Mas é uma série muito interessante.
Com muita história. E consistente até aqui. E consistente, sim. Independentemente, aliás, eu acho até que, como disse, o volume 6, o volume 7, este volume 8 é muito melhor do que o 6 e do que o 7. Ou seja, eu acho que ele, e foi o que ele disse, que isto a partir de atrás, entre 9 a 10 volumes,
não terá mais do que 10, a menos que eu mude outra vez de opinião. Ele parece estar realmente a dar substância à história para acabar a história. Pronto, a começar de fechar todas aquelas coisas para fechar a história. Eu vou continuar a acompanhar porque realmente... Sim, agora já estás quase perto do fim também. Sim, é muito... Não fizeste tanta estrada. É uma grande descoberta e pronto.
Morena, que aqui tem um prefácio Do Jean Dufault que diz Lá está que este é o volume que inaugura O último ciclo de Morena Diz aqui uma coisa engraçada também Que foi precisa a estreia do gladiador de Ridley Scott Para que o Morena conseguisse Se ingrar, não é? E continuar, mas conta, desculpa
É verdade porque, olha, os dois primeiros volumes saíram com uma diferença de aproximado de um ano, um ano e meio, e aquilo na altura não teve grande sucesso. As pessoas estavam ainda muito ligadas ao Alix, e portanto isto era considerado uma cópia do Alix, etc. para aí fora. E depois quando surge o gladiador, entretanto estão aí a cacera de escola.
perfeitamente. O desenho do Delavis é fantástico, é quase fotográfico e realmente a morte súbita dele foi uma coisa que chocou muito o Jeremy, que era o colorista do Delavis e o próprio do Fogo.
Aliás, o Dufo diz mesmo que ponderaram não continuar a série, etc. Mas a série ressente disso, não é? Tu sentes que faz falta... Aliás, pelo menos a presença dele é tão forte, continuas a ter o nome dele aqui na capa.
aqui que eu acho é que a impressão com o que eu fico é que o Theo também tem todo o mérito na continuação da série só que o Theo tem um tipo de desenho enquanto o Theo Abid tinha um desenho quase fotográfico e há vinhetas espetaculares pela surpresa que nos fazem dele ter ido fazer aquele desenho aquelas poses aquele...
realmente é surpreendente muitas vezes descobrir algumas das dinhetas dele o Theo faz muito lembrar a inspiração nos super-heróis tem muita coisa principalmente as cenas de ação faz muito lembrar a inspiração nos super-heróis o que é um bocado pronto não vai bem por aquele caminho parece que não há ali muita ligação independentemente do desenho dele também ser fantástico adorado
O Jérémie está muito mais perto do Delaby. Mas consegue sobressair ou não? Sim, consegue. Aparentemente o Jérémie não continua o sério. Quando? Porque...
estava em choque e não achava que estava a usurpar o trabalho do Delabie e então não quis continuar a série e por isso é que entrou o Theo. Atualmente, e aliás o próprio texto do Fou dá a entender que...
eles acabaram o luto e, portanto, conseguiram passar a questão e, entretanto, o Dufo não vai continuar a arrastar indefinidamente a série, vai encerrar a série. E, portanto, numa entrevista que eu li...
é que o Jeremy vai fazer seis volumes. Portanto, é o décimo terceiro até ao... Haverá mais cinco volumes. Até ao 18. Que será. Entretanto, provavelmente o Theo irá fazer um spin-off, não sei se será só um volume ou mais, mas irá fazer um spin-off do Morena, desenhado pelo Theo. Não consegui perceber se será do Dufo também ou não, mas irá aqui fazer um spin-off de alguma coisa.
E esta série, achas que é consistente? Esta abertura do novo ciclo é boa? Sim, eu acho que a série voltou tal como aconteceu com as águias de Roma que neste volume acho que voltaram a ter, ganhar mais substância aqui também
notas que está a arrancar, portanto, e então há uma ideia concreta, enquanto que os outros volumes parecia que era ali uma ideia um bocado vaga, vamos para aquilo, ou o que se vê e tal. Aqui parece-se já haver algo concreto e, portanto, muito mais substância para ler-se e realmente é um livro muito mais interessante. As séries, portanto, tanto uma como outra...
É uma questão de gosto, e isso aí eu não posso dizer nada, mas tanto uma como outra, são séries muito interessantes, são séries com personagens que realmente, e muitas delas são inspiradas na realidade, o Nero foi alguém que existiu, o Tapo Morena não existiu, como digo, no Águias de Roma, um dos personagens centrais é também uma personagem que existiu. Exatamente.
Mas, portanto, são duas séries para quem gosta de história. Depois, tanto um como o outro são muito documentados. Aliás, eu lembro-me até de, na altura, ainda o Delabia era vivo. Ele chegou a trabalhar com... ele fez um volume.
da história, da revista História Francesa, que era precisamente dedicada à Roma, em que ele praticamente desenhou tudo o que era desenhos que estavam na revista. Porque ele estava tão bem documentado, estava tão preocupado.
que realmente era utilizado até mesmo por revistas de história, o que lá estava. Portanto, acho que são duas séries fantásticas para quem gosta de histórias, para quem gosta destes desenvolvimentos, os interesses, os jogadas, etc., por aí fora. É muito, muito giro, é muito bom.
Eu confesso que já perdeu o rasta ambas há muito tempo, mas gostei do que li, vou voltar a pegar. Estão ambas as séries editadas pela AS, os volumes todos de Morena e as Águias de Roma, os para já editados, que eu saiba são os mais recentes, não é? De ambas, foram editados no ano passado em França. Sim, sim, estes são os meus volumes que saíram no ano passado em França. Estamos a par. Chegaram, entretanto, cá com uma diferença de meses. Sim, exatamente.
E enfim, olha, ficamos assim, Luís. E pronto. Já foi uma conversa longa. Toma lá os teus livros. Parlámos de Fumetti e para a próxima iremos à... À Léa, já que está este. Exatamente. Os dados estão lançados. Os dados estão lançados. Então, olha, daqui a 15 dias tu estás cá. Para a semana vai haver uma conversa. Vamos ver do que é que será. Luís, até daqui a 15 dias. Até daqui a 15 dias. Boas leituras. Boas leituras. E para os ouvintes, até para a semana. E uma boa semana.