Episódios de PsicologIA

Como Liderar Equipes de Alta Performance sem Adoecer as Pessoas com Adriano Lodi

03 de setembro de 20261h21min
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Neste episódio do Psicologia, recebo Adriano Lod para uma conversa direta sobre liderança humanizada, transição do mundo técnico para a gestão e a arte de liderar com leveza. Discutimos a armadilha de consertar o telhado apenas quando a chuva começa, o papel da inteligência emocional sob pressão no setor corporativo e como equilibrar metas agressivas sem comprometer as relações humanas. Adriano desconstrói a ideia do líder de palanque e explica por que os introvertidos geram conexões profundas no um a um. Também debatemos o impacto da inteligência artificial: ela é a panela que acelera a rotina, nunca o prato final servido à mesa. Capítulos:0:00 - Boas-vindas e a jornada de Adriano Lod da engenharia à liderança executiva8:02 - Analogia da Inteligência Artificial: ferramenta, panela ou o prato final?13:30 - Inteligência emocional sob pressão: aprendizados com 27 líderes no setor bancário22:02 - Consertar o telhado antes da chuva: por que profissionais só buscam mentoria na crise?28:45 - O mito do líder de palco e o poder da influência para introvertidos35:20 - Estado de presença e leveza: atingir metas sem deixar rastros pelo caminho41:30 - O papel da IA no dia a dia: automatização de tarefas sem perder a voz humana49:00 - Satisfação versus realização: as duas bússolas para transição de carreira59:30 - Estilo explicativo e foco no controle com base na Psicologia Positiva1:05:00 - Aprendizagem contínua, referências de leitura e o legado do líder facilitador #ia #ai #genai #psicologia #liderança #lider #lideracademy #inteligenciaemocional #carreira #andragogia #gestaodepessoasdanielmendes.pro.brdaniel@danielmendes.pro.br@danielmendespro

Participantes neste episódio2
D

Daniel Mendes

HostProfessor, Podcaster
A

Adriano Lodi

ConvidadoMentor e coach de carreira e liderança
Assuntos7
  • A transição de carreira da engenharia para a liderança de pessoasengenharia civil·setor bancário·tecnologia·mentoria e coaching
  • A importância da inteligência emocional para líderes sob pressãocomportamentos·impacto positivo·setor financeiro
  • A leveza e o estado de presença para atingir metas sem esgotamentoestado de presença·ansiedade·equilíbrio
  • Satisfação e realização como bússolas para a transição de carreiramotivadores internos·propósito·impacto do trabalho
  • O legado do líder como facilitador em um mundo complexodesenvolvimento pessoal·impacto positivo·sociedade complexa
  • A inteligência artificial como ferramenta e meio, não como produto finalferramenta·autenticidade·comunicação·pensamento crítico
  • A busca por autoconhecimento e mentoria apenas em momentos de crisecrise·mudança·comportamento
Transcrição66 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DMDaniel Mendes

Olá, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo ao nosso podcast Psicologia, um espaço que eu convido pessoas para trocar ideias, para que você observe, veja se o que a gente tá falando também faz sentido para você, testar na sua vida, para viver de repente um bocadinho mais leve, né? Por que não, né? Ter uma vida um pouquinho mais leve, mais suave. É, e hoje eu recebo aqui o Adriano Lodge, que é uma pessoa que estamos iniciando uma amizade aí, que foi o Bona que eu conversei hoje de manhã, inclusive, que me apresentou ele e falou dele, inclusive, né?

É o Adri. Ao invés de eu falar de você, cara, tem umas anotações aqui para eu falar de você, mas eu prefiro que a pessoa se apresente. Sinta-se em casa, pega seu cafezinho aí, se apresenta para as pessoas aqui, por gentileza. Você é, como a gente fala lá em Minas, é, você é de onde? Você é filho de quem? Você mexe com o quê? Conta para nós um bocadinho aí, por favor.

ALAdriano Lodi

Bora, bora! Bom dia, boa tarde, boa noite, pessoal, quem tá assistindo aqui. Te agradeço, Daniel, pelo convite. Para a gente, a gente já vem conversando, batendo esse papo E aí você falou, cara, a gente tem que colocar esse papo para as outras pessoas também participarem com a gente. Eu acho que essa é a ideia aqui, né? E aí eu acho que quando a gente vai fazer um papo, o primeiro ponto é a gente contar um pouco quem a gente é, o que a gente tá fazendo, até para pessoa falar quem é esse maluco que tá chegando aqui, quer conversar, né, quer falar sobre as coisas.

Então o Daniel já falou aqui, Adriano Lodi, eu tenho 48 anos. Atualmente resido em Portugal, em Lisboa. Então Daniel falou, pega o seu cafezinho, cara. Aqui, aqui já nessa hora que eu já paro de tomar o café. Daniel acabou de almoçar, eu ainda tô, eu paro porque senão não vou dormir. Então a gente tem essa questão do fuso horário. Mas como eu cheguei aqui, como eu cheguei a fazer o que eu faço, minha carreira, minha carreira corporativa, ela começou quando a gente toma aquela decisão lá da faculdade por algum motivo gostava de exatas, eu me formei em engenharia civil.

Escolhi, me formei, gostava muito do tema, do assunto. Trabalhei como estagiário, trabalhei em construtoras, trabalhei uns 5 anos na área. E aí eu recebi um convite, justamente por causa desse background da engenharia, para ir para um banco, na época Unibanco. E para cuidar da parte de data center e tal. Eu não sabia muito, Daniel, naquela época, o que eu ia fazer, mas pagava melhor, né? Eu acho que quando a gente tem essa idade aí, 24, me dá meu dinheiro que tá bom, e tava ótimo.

E aí eu migrei para o setor bancário, migrei para tecnologia e fiz toda essa construção dentro da tecnologia. Sempre me apoiei muito em processos, projetos, em governança. E com isso eu fui construindo minha carreira, até que chegou um momento, e isso já tem, eu já acho que uns 15 anos, um líder que eu tive dentro dos montes que a gente tem na carreira, ele falou para mim, cara, você não quer? Eu era analista sênior. Você não quer tomar conta da equipe que você toma?

O coordenador tá saindo. Eu falei não. Eu não quero, não quero isso, não é para mim, tal, tal, tal, tal. E aí essas conversas duraram alguns dias, algumas semanas. E aí ele veio para um ultimato falando comigo mesmo, e ele falou assim, cara, você já é um cara que se preocupa com as pessoas, você é um cara que tem um cuidado com o tratar das pessoas, que você se preocupa com o desenvolvimento delas, e nessa cadeira você vai ter a oportunidade de fazer a diferença positiva, gerar um impacto positivo na vida dessas pessoas.

E eu voltei para casa, e na época eu tava voltando para casa e falando com a minha esposa, falando: ah, ele conversou comigo, mas cara, não vou cair nessa não, quero continuar minha vida técnica aqui e tal. E esse dia, no caminho para casa, eu tomei a decisão e falei: cara, eu quero. E entrei nessa carreira de liderança, e dentro da tecnologia comecei a me desenvolver nisso. Cumpri meu papel. E aí eu comecei a ser muito mais reconhecido dentro lá já do Itaú Unibanco pelas minhas ações voltadas à liderança do que pela tecnologia.

Meus diretores me chamavam e falavam, pô, Adriano, muito legal o trabalho que você faz com as equipes desenvolvendo tal, mas você tá esquecendo de um pouco de olhar a tecnologia. Isso foi o entendimento que eu fui percebendo, essa inquietação minha no sentido, cara, talvez eu tenha aí um caminho que eu tenho que Até aquele momento, muitos caminhos, muitos chamados, mas aquele eu falei, cara, é isso que eu quero fazer. E aí me preparei, saí do banco, e há 8, já tem 8 anos eu tô nessa carreira que eu tô hoje, né?

Então hoje eu trabalho com mentoria e coaching de carreira e liderança, também sou instrutor formado, instrutor master. Então eu faço treinamentos para algumas empresas junto com algumas escolas também. Então minha carreira hoje chegou nisso, né? Daí você fala assim, cara, mas tu falou que tá em Portugal, tal. Portugal tem a ver muito com— são 5 anos que eu tô aqui com a minha esposa. Ela é da área de tecnologia, ela recebeu um convite para uma empresa aqui e a gente migrou para cá.

E hoje eu trabalho 80, 90% do meu tempo dedicado ao pessoal no Brasil. E alguns clientes aqui também. Não sei se cheguei aqui, resume bem, entendeu?

DMDaniel Mendes

Que bacana, que bacana! É interessante, né, as pessoas quando estão em tecnologia, eu sinto e observo acontecer com uma certa frequência, é quando a gente recebe um chamado para ir para o lado de cuidar de pessoas, liderar pessoas, Né? Eu mesmo falo por mim, dá um frio na barriga porque é um mundo desconhecido e a gente acaba até às vezes não aceitando certos desafios, né, por acreditar que é muito difícil, que é complexo, dentre outras questões.

De fato não é fácil, porém existem competências que podem ser desenvolvidas e aprendidas para isso acontecer, né? E normalmente, eu tô com 51 anos, então guardada certa proporção, a gente tem uma contemporaneidade parecida de certa forma, né? Quantas vezes nós vimos pessoas se tornando gestoras e nunca terem sido ensinadas a serem líderes? Né, e ensinadas mesmo do tipo assim: como que você dá um feedback, como que você cuida das pessoas, como que você identifica os pontos fortes das pessoas para que elas atuem no seu melhor, e assim por diante, né.

E hoje que eu também atuo nessa área, eu falo assim: gente, existe um mundo paralelo para muito além da tecnologia, e que sim, É possível desenvolver pessoas para serem líderes, né, literalmente dizendo. Eu não fazia ideia antes de estar nessa área, né, e ser professor também. E eu gosto de fazer uma provocação de brincadeira aqui sobre a inteligência artificial, né. E eu costumo fazer essa pergunta para quase todo mundo que vem aqui no Psicologia e né?

E às vezes eu comparo com coisas diferentes. E para ti, eu escolhi: se a IA fosse um prato de comida, qual ela seria? E qual a razão, qual o motivo que fez você escolher essa comida?

ALAdriano Lodi

É prato de comida. Eu gosto muito de comer, Daniel, não sei você, mas eu também gosto. Eu gosto de comer bem, como de tudo e tal. Então Eu vou pensar, eu vou fazer uma outra analogia. Eu acho que a IA, ela é, para mim, é mais a panela, ela é o fogão, ela é o liquidificador, a batedeira. Eu entendo a comida como o resultado final, né, o que a gente entrega ali, o que põe na mesa. E aí, ah, eu posso fazer essa analogia. Ela, ela para mim hoje ela é muito um meio, é o caminho.

Então vou dar até um exemplo disso. Eu posso comprar, né, a gente vê aqueles programas, quem é da nossa época, nossa época agora, né, mas quem é contemporâneo da gente tinha lá os programas que os caras faziam lá, mostrava na TV um produto lá que multiprocessador que fazia tudo, cortava, fatiava, jogava para cima a comida, descia, e você olha aquilo ali ali, você fala, cara, preciso daquilo na minha casa. Aí tu compra aquilo lá e vira uma coisa na garagem guardada, no armário, porque você não tem habilidade para usar aquilo e gerar esse prato de comida que eu comentei contigo, que eu gosto, você gosta, e quer umas outras habilidades.

Esse multiprocessador, ele é importante demais, ele pode facilitar meu serviço muito. Ele pode agilizar, ele pode até levar a minha condição a um nível superior. Sim, é bem possível, mas você tem que ter habilidade para estar usando ela, você tem que saber o momento, a forma, para aquele prato não parecer um prato congelado que você cozinhou. E é isso só, é mais uma ferramenta, né? Então eu, nessa analogia que você fez aí, nessa brincadeira que você fez, Eu vou mais nessa linha aqui, no, é o meio, é a ferramenta.

DMDaniel Mendes

Adorei a primeira pessoa que olha sobre essa perspectiva. Gostei, gostei, muito legal, muito legal. É, agora vamos pensar sobre sua transição de carreira, tá? Porque você mesmo contou aí que fez uma transição do lado técnico para liderança. Né? Se a sua trajetória de transição de carreira fosse um personagem ou um super-herói, quem seria e o que fez você escolher esse personagem?

ALAdriano Lodi

As perguntas do Daniel aí, pessoal, vai para o lado psicológico, psicologia. Caraca, eu vou dar um gole na água.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa!

ALAdriano Lodi

Daniel, pensando assim, o personagem super-herói, eu vou, o momento que a gente tá gravando isso, e o pessoal pode estar vendo aqui, tá no cinema o filme do Homem-Aranha. E eu gosto, minha esposa gosta mais do que eu, e a gente foi ver no fim de semana passado o filme e tal. Então, pensando nisso, eu acho que eu gosto mais, seria, eu gosto do personagem do Homem-Aranha e vou tentar fazer a significância, a relação em torno dele.

Eu, eu vejo, gosto de filme de herói, vejo muito herói, mas às vezes as batalhas dos heróis elas são muito intergalácticas, elas são muito gigantes, né? Elas são muito, são enormes. E o Homem-Aranha, eu acho que ele é muito um super-herói terreno, ele é muito super-herói pé no chão, ele cuida muito da vida, ele tem lá os os vilões inimigos deles, mas ele cuida muito da vida do dia a dia das pessoas, dos problemas rotineiros. Então você pensando assim, o que guiou minha carreira foi muito isso.

Eu nunca fui muito, nunca tive um grande objetivo de ser dono de uma empresa, de ser executivo de empresas. As coisas foram acontecendo, tive oportunidades E, mas aonde eu me encontrei mesmo foi nas pequenas conexões, na minha curiosidade, no poder fazer diferença no individual. E hoje praticamente minha carreira é guiada a isso: como eu posso facilitar o desenvolvimento de um líder, como eu posso facilitar a carreira de alguém, como eu posso facilitar a condição de alguém.

Então, se eu fosse me descrever hoje Eu me descreveria como um facilitador, acho que é mais esse o ponto. E fazendo analogia, eu gosto mais assim do Homem-Aranha, que ele tá no dia a dia, ele tá no meio do povo. E talvez é isso que eu me encontro mais hoje.

DMDaniel Mendes

Gostei, gostei, gostei. E pegando uma questão da perspectiva da sua carreira, você comentou que você veio da área técnica, né? Aí foi para gestão de tecnologia. E principalmente no setor financeiro, que costuma ser um setor de muita pressão. Eu queria saber o que que essa fase te ensinou sobre inteligência emocional para os líderes. O que que você traz daquela época? Como lidar com a pressão? Como lidar com o dia a dia, que sabemos que é um grande desafio, principalmente em grandes instituições como Itaú Unibanco, né?

ALAdriano Lodi

Ótimo, ótima pergunta. Eu acho que a primeira, acho que a primeira coisa que a gente aprende, talvez as pessoas na carreira, é observando o que a gente não quer ser, o que a gente enxerga de que você não concorda. Talvez é isso. Primeiro contato que eu lembro da liderança, tive um total, tem um número gravado, eu tive um total 27 líderes diretos diferentes. Em toda minha carreira, desde estagiário e tal. Eu tenho cada um guardado na memória aqui, alguma passagem, alguma outra.

E assim, alguns estão muito nisso. Acho que a primeira coisa é isso: a gente observa, e a gente tá falando de inteligência emocional aqui, a gente observa alguns comportamentos e nem entende por que que tá acontecendo isso. Acho que é o primeiro ponto. Eu falo, cara, esse cara aqui é maluco, esse cara que tá agindo de um jeito que não pode ser que isso é verdade. Então eu acho que esse é o primeiro ponto. E hoje, depois da gente ter uma jornada onde você estuda, você entende melhor, você percebe melhor, eu consigo observar que todos esses 27, se eu pegar ali os 5 que mais impactaram minha carreira positivamente, que mais impactaram minha carreira e vida, né, consequentemente a carreira impacta sua vida, as suas relações positivamente.

São pessoas que eu, se você falar assim, Adriano, desses 27 líderes aí, quem você classifica como uma pessoa que se admira por uma boa inteligência emocional, o discurso alinhado às práticas, que na hora do caos sabe respirar, ir em frente e trazer uma perspectiva boa? São essas mesmas pessoas. Então a observação que eu tenho, e ao longo da minha carreira, do que eu vivi, e o que eu vejo é isso: as pessoas que escolheram, ou por forma intencional, ou às vezes não intencional— a gente é formado por, desde que nasceu, coisas cognitivas, cenário que a gente criou, tal— mas as pessoas que mais eu admirei nesse ponto de vista de inteligência emocional são os líderes que mais me impactaram positivamente.

E eu não tô falando de amigo aqui não, cara. Desses, esses 5 que eu tô falando aqui, eles não seriam os meus melhores amigos. Eu acho que isso que é uma coisa importante a gente dizer. Ah não, é que você se dava— não, não, não, eu admiro eles para caramba até hoje, sou grato pelo que eles fizeram e tudo. E eu tenho outros caras que seriam meus melhores amigos para a gente passear, sair, jogar um futebol, tomar uma cerveja, Então é outro, é outro time.

Então é essa relação que eu faço assim, o que eu observei: quem tá mais preparado nesse ponto de vista tá gerando melhor resultado, tanto para equipe quanto para o time, quanto para as pessoas, quanto para empresa também.

DMDaniel Mendes

Bacana, bacana. Você falou umas questões aí que me fez lembrar Também eu nunca parei para contar quantos líderes eu tive na vida. Interessante. Eu vou pegar um papel e vou colocar e vou lembrar e vou escrever na frente de cada um que ponto positivo eu enxergava, que ponto eu não curtia por alguma questão, né? Mas você me fez lembrar que quando eu pensava em ser gestor eu tinha medo, literalmente dizendo. E eu acho que esse medo vinha em função das más experiências que eu tive com vários gestores, né?

Porque eu não queria ser um gestor que não tivesse— hoje eu sei o que é inteligência emocional, busco desenvolver em mim, busco ensinar as pessoas, né? Mas, cara, é incrível sob essa perspectiva de que a inteligência emocional faz uma diferença gigantesca em nossas vidas, né, para lidar com as situações. E pegando o gancho disso, em que momento você percebeu que a sua missão não era gerenciar processos e continuidade de negócio, e sim liderar pessoas e apoiá-las a ressignificar a relação delas com o trabalho?

ALAdriano Lodi

Foi, eu contei ali na abertura um pouco, e detalhando um pouco mais, foi nisso, foi um olhar de um outro líder que me observou e viu que eu tinha esse potencial e fez esse convite.

DMDaniel Mendes

Foi naquele momento então?

ALAdriano Lodi

Foi naquele momento. Porque eu acho que tem um ponto, e você trouxe no começo, liderança, a gente não, liderança e cuidar da carreira também a gente não aprende. Eu acho que a gente falha muito no ensino tradicional nisso, né? Acho que desde— dá para a gente cuidar de liderança, dá para a gente cuidar de inteligência emocional, dá para a gente cuidar de carreira, dá para a gente cuidar de saúde financeira. São temas que a gente devia estar cuidando desde a pré-escola.

O Adriano, você tá falando que lá na pré-escola o cara tem que saber sobre inteligência? Não, não, não. A gente não vai passar o— são camadas diferentes de aprendizagem, mas eu acho que a gente perde na formação do ser humano, do indivíduo. Esses só foram 4 exemplos aqui, matérias. A gente tem tanta matéria de que a gente estuda e vai usar menos, a não ser que você for para área específica técnica. Por que que a gente não tem essas matérias, né?

Então eu acho que o liderar— vou chegar no ponto que você perguntou— Eu não tinha experimentado antes. A única coisa que eu tinha era visto esses exemplos e visto uns cara fodido, desculpa a palavra aí, mas os cara assim ruim e atrapalhando a vida dos outros. E eu não queria ser esse cara que atrapalhava a vida dos outros não, cara, não. E aí esse líder olhou e falou, cara, você tem esse comportamento, esse comportamento, esse comportamento que eu acho que vai agregar E você tem essa motivação, essa motivação, essa motivação, que eu acho que você vai gostar.

Aí você recebe esse convite para olhar um cenário como você nunca olhou. Aí você fala, bacana, bora. E aí ligou. E aí depois que ligou, eu tinha certeza que eu falei, cara, adorei, era o que eu quero, é o que eu gosto. E eu segui minha carreira muito nessa linha.

DMDaniel Mendes

É interessante como nós precisamos dos outros para nos apontar a nossa potência, né, cara? Sim, é interessantíssimo. Eu brinco que Papai do Céu é tão perfeito que nos fez incompletos para que a gente se conectasse humanamente para colaborar, né? Então o outro que vira para mim e fala assim, cara, você tem essas capacidades esses valores, essas perspectivas. Vai por esse caminho que vai dar bom, né? E normalmente é o outro que nos ajuda a nos enxergar, né?

Tanto é que o outro reflete a maneira que nós os tratamos, né? E eu vi nas suas postagens, das coisas que você divulga, que você costuma dizer que a gente precisa consertar o telhado enquanto não chove.

ALAdriano Lodi

Né, seria ótimo.

DMDaniel Mendes

Por que que você acha que a maioria dos profissionais só busca o autoconhecimento ou se reposicionar quando a crise já se instalou, quando já tá ali acontecendo? O que que você acha que acontece? O que que faz isso acontecer?

ALAdriano Lodi

Bom ponto. Eu acho que a gente muda como ser humano, principalmente vida adulta, Eu aprendi muito isso aprendendo como adulto aprende, né? Hoje, a andragogia, estudando essas coisas, o adulto aprende por duas coisas, ou se move por duas coisas: ou porque alguma coisa tá muito ruim e eu tenho que resolver, ou porque eu quero muito outra coisa. Se eu não querer muito uma coisa e se isso aqui não tiver muito ruim, 100% das pessoas não.

Tem um pessoal que vai, que vai para um lado e para o outro, mas 100% das pessoas precisam estar muito mais, ou tá muito ruim a cadeira que ela tá sentada, chamar assim na carreira, tá muito quente, tá pegando fogo, ou ele quer alguma coisa muito, uma próxima cadeira, e essa cadeira tá distante. Então essa pessoa, ela tende até a primeira coisa, que é a tomada de consciência, é nesse momento dessa assim, cara, sozinho eu não tô conseguindo, eu preciso de alguém para me ajudar, eu preciso de alguém para estar junto comigo aqui com uma outra perspectiva, com outro convite e tal.

Então chega, às vezes chega muita gente aqui mentoria de carreira que a pessoa recebeu ultimato, tipo assim, ou você muda da empresa ou você vai ser desligado, não vai fazer mais parte da empresa. E a pessoa chega aqui e aí a pessoa faz essa pergunta assim: pô, Adriano, eu devia ter chego antes. Eu falo assim: concordo, porém tem um trabalho, Daniel, que eu não faço, é convencer você que você precisa de alguma coisa. Cara, isso é muito cansativo, isso é muito cansativo, e eu acho que surte muito pouco efeito nos dias de hoje.

As pessoas têm as convicções delas e tal. Então eu não tô aqui para convencer na evolução de carreira, evolução de liderança. Eu não tô aqui para convencer ninguém a isso. Tenho amigos, colegas, que às vezes o cara tá meio ruim na carreira ali, tá não sei o quê, eu troco uma ideia. Se o cara bater na minha porta aqui e falar, Adri, bora falar ali negócio, meu, deixa eu, tô com problema na minha equipe ali, cara, eu vou ter o prazer de falar e não sei o quê.

Agora, eu sentar num churrasco para o cara e ficar ali discursando, convencendo a pessoa, eu não vou fazer. Então eu acredito muito nisso. Eu acho que o primeiro, primeiro passo, ele tem que vir da pessoa, e ela precisa estar ou querendo muito alguma coisa ou não. Quando ela toma essa atitude, gera isso que você falou, cara. Agora tá chovendo e tá pingando dentro de casa, bora, a gente também dá para consertar com o telhado pingando aqui, a gente vai resolver.

Talvez não fique tão bom, talvez não dê tempo e você vai sair dessa empresa, mas na próxima que você vai entrar, você talvez não vai cometer os mesmos erros que te levaram a isso. Mas é possível. Mas eu acho que é isso que acontece, cara. Não sei o que você pensa sobre isso, mas eu acho que é muito— precisa chover, pingar, né? Precisa ter a goteira aqui dentro de casa, falar, cara, Agora tem que me arrumar. Acho que faz parte do ser humano, não sei.

DMDaniel Mendes

É, eu acredito, Adri, que a gente tenha uma tendência em função até dos próprios estímulos no dia a dia de empresa, etc., a desenvolver muito só o nosso lado técnico. Eu tenho que aprender a mexer na IA, eu tenho que aprender os comandos que faz ela funcionar melhor. Eu tenho que aprender de repente a usar bem o Excel, usar bem um PowerPoint de apresentação. E a gente não é ensinado a olhar para si, né, como se desenvolver. E normalmente as pessoas são convidadas a sair da empresa não é por competência técnica, normalmente Né?

Normalmente elas são convidadas a sair por questões comportamentais. E quando a gente pensa na transformação das pessoas de um cargo técnico para um cargo de liderança, a gente precisa se desenvolver em aspectos que não são comuns no dia a dia. E aí eu acho que esse estímulo vem literalmente quando tá chovendo. O telhado tá quebrado porque ela nunca foi ensinada a ser uma líder.

ALAdriano Lodi

Ela foi ensinada, não foi nem ensinada a fazer telhado.

DMDaniel Mendes

Exatamente, precisava quase isso. E isso, então eu acredito que isso tem a ver com a cultura, tem a ver com acreditar que as pessoas nascem líderes, por exemplo, né? E a gente sabe hoje em dia que Todas essas competências que a gente poderia talvez resumi-las como socioemocionais, né, elas são aprendidas, né, elas são aprendidas seja a gente sendo exposto no dia a dia sem uma teoria, sem alguma coisa por trás, mas a gente modelando alguém, ou hoje em dia com formações consciência por trás, vamos falar assim, né, para se fazer o que precisa ser feito de uma maneira metodológica, de uma maneira comprovada e de uma maneira testada, né. Essa é a perspectiva que eu tenho, né.

ALAdriano Lodi

Daniel, você me permite?

DMDaniel Mendes

Claro.

ALAdriano Lodi

Que eu acho que colabora com que você tá falando aqui. Você falou assim, as pessoas às vezes acham que a liderança é uma coisa que nasce, não sei o quê, e isso é normal. As pessoas têm essa convicção. A gente na empresa às vezes fala, nossa, aquele jovem aprendiz ali entrou, ele tem um espírito de liderança, aquele estagiário ali vai ser um bom líder. Por quê, né, que a gente olha para isso? E eu acho que esse é um ponto que a gente pode colaborar aqui e trazer para as pessoas que estão assistindo a gente aqui.

Essa conversa aqui, líder, liderar, tem a ver com perfil, é um tipo de perfil, tem a ver com nossa cultura. Então, se você ver todos os filmes que a gente assistiu ao longo da vida, séries, novela, livros que a gente leu, todos os exemplos que a gente vê, liderança é uma só: aquele cara que está à frente de um grupo, ele está num palanque, que ele fala para todos, que ele é destemido, que ele tem coragem. É só isso? Não é, não é só isso.

Isso aí é legal, essa pessoa que tem esse espírito, ela tá bem adequada. Eu acho que assim é legal, essa pessoa que ela já tem esse espírito e ela sentou na cadeira, pelo menos as pessoas em volta enxergam ela, que ela é uma boa escolha e ela vai fazer um bom trabalho. Mas eu já vi muita gente com esse perfil fazer uns fazem péssimos trabalhos, péssimo não, horrível, de corpos no chão da equipe depois. O cara entrega resultado, mas um monte de corpos no chão.

Você fala, cara, a que custo é isso? Mas ele tem esse espírito de liderança. E isso acontece por quê? Porque a liderança ficou resumida a esse ponto que você falou, e a gente tá esquecendo de olhar outras coisas, tava esquecendo de entender inteligência emocional desse, a capacidade dessa pessoa se relacionar, essa capacidade de empatia, incapacidade de entender o contexto e cenário, que ferramentas usar em cada momento. Vou contar mais um detalhezinho aqui.

Teve uma vez que tinha uma mentorada aqui e ela chegou, mesma coisa que você falou, chovendo, chovendo muito já dentro da casa dela, com telhado. E ela, aí ela falou assim para mim, Adriano, eu preciso de uma ajuda. Porque lá na empresa, toda vez que eu preciso, eu preciso falar, eu quero o cargo de liderança e eu preciso falar em público lá. E toda vez que eu vou falar em público nas reuniões, nos comitês lá, eu fico 3 dias sem dormir antes.

Eu vou para o dia, eu fico suando. Eu sou, não adianta, não tem desodorante que segura minha transpiração. Então tem que usar roupa que assim É um inferno. Eu até perguntei, mas depois que você faz isso, sente bem? Sinto, mas o meu sentir bem é muito mais um alívio do que o coisa. E aí eu fiquei pensando, eu falei, cara, mas por que que você tá querendo falar no público, não sei o quê, tal, tal? E aí eu entendi que ela queria ser percebida pelos outros líderes, líderes, outros cargos dentro da empresa, como uma potencial líder.

Do próximo nível. E aí eu perguntei para ela por que que ela tinha que falar lá em público nesses eventos, tal, tal. Ela falou assim: porque dentro da minha empresa é assim que as pessoas crescem. Eu falei: cara, tem alguma coisa errada aí, que no final ela não quer falar em público, ela quer gerar influência, e ela é super introvertida. Então quer dizer que uma pessoa introvertida não pode ser líder porque ela não vai subir no palanque?

Pode, porque tem outro. E a gente cai nesse ponto: repertório. Qual o repertório que essa pessoa pode gerar influência com esses líderes sem ser com o palanque? Eu gero mais influência se eu vou em você, Daniel. Eu gero mais influência numa conversa com você. Se você tá assistindo uma palestra minha, eu tô em cima do palco e você lá é uma das 300 pessoas sentadas, eu gero um tipo de influência. Ou eu gero mais influência com você se eu sentar com você aqui, que nem a gente tá, um a um, em meia hora tomando um café, e eu vou conversando?

DMDaniel Mendes

No um a um, a potência estratosfericamente aumenta.

ALAdriano Lodi

Sim, porque eu te escuto, você me escuta, eu fico sabendo seus problemas, você fica sabendo, eu consigo oferecer ajuda, você consegue me ajudar, eu consigo, aumenta a nossa relação de confiança, é muito mais influente. Então a gente mudou a estratégia dessa líder dela gerar influência muito mais com esses líderes no um a um, que ela não tinha problema nenhum de conversar com essas pessoas, mas o palco para ela era mortal. Então, só voltando, capturando o que você falou, essa é uma grande armadilha que a gente tem, esses estereótipos, arquétipos de liderança, que a galera agarra, fala: não sirvo para isso.

Cara, não sei, talvez você não tá com as ferramentas adequadas para gerar o resultado que você precisa como líder. Tem um livro que eu acho que é O Poder dos Quietos, alguma coisa assim, que conta justamente isso, assim, líderes fantásticos introvertidos e como eles têm ferramentas diferentes para liderar também. Eu acho que isso é um ponto que a gente tá falando aqui, é ampliar repertório. A gente não aprendeu isso, falamos disso na escola, em lugar nenhum.

E fica faltando muito repertório para os líderes gerar o resultado que precisa também.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa. Trocando em miúdos, na minha interpretação que você trouxe, é: existem mil e um caminhos para se atingir um objetivo, né? A gente não precisa colocar aquele tapão de cavalo que se falava antigamente, é só subindo no palco. Né? Se o subir no palco, o esforço é muito maior e não é algo que você deseja e de fato necessário, por que não encontrar outros caminhos, né? Por que não? É, e meu amigo, a gente tá falando aqui sobre processo de ensinar, processo de liderar, e tudo isso no final das contas exige tanto de quem ensina quanto de quem aprende.

Escuta ativa e presença. Eu costumo fazer um paralelo com a música e a palhaçaria. A música porque quando a gente tá presente ouvindo a música, ela nos impacta, literalmente dizendo, né? E eu conecto com a palhaçaria porque eu sou palhaço em hospital. Né? Bota o nariz vermelho de terça-feira, toca o violão. E na palhaçaria de hospital a gente é exigido estar muito presente e com a escuta ativa ligada para que a gente se ajuste perante as circunstâncias que acontecem.

E de certa maneira eu começo a observar, e eu queria ouvir sua perspectiva: como que você acha que a gente consegue consegue equilibrar a exigência de metas corporativas com uma certa leveza no dia a dia? Como que eu posso atingir objetivos, cumprir metas sem deixar rastros de sangue pelo chão? E de certa maneira, é, na medida, em certa medida, ter uma leveza com tudo isso acontecendo. Qual sua perspectiva sobre isso? Você acha que é possível? Não é possível? O que que você enxerga?

ALAdriano Lodi

Boa pergunta. Eu acho que é possível. Eu acho que ao longo da carreira você consegue, e todo mundo que tá aqui escutando, na sua empresa, em empresas anteriores, você vai conseguir lembrar de pessoas que se conectam com essa palavra leveza. Algumas pessoas se conectam. Então eu tive líderes, ou já vi líderes, eu falava assim, reunião, 200 executivos, o pau quebrando, chorar. E aí você fala, e aí o cara pede a palavra, ele fala com leveza dentro de um problema tal.

E aí você fala, por que que ele tá conseguindo ser leve? Por que que ele consegue tá trazendo uma luz para essa escuridão que a gente tá tendo aqui, essa discussão aqui? Porque ele conecta justamente o que você falou, eu acho. E eu acho que é muito difícil nos dias atuais, que é estado de presença. Estado de presença tem muito a ver com estar aqui e falando aqui e pensando o que que a gente pode resolver aqui. É um exercício que a gente tem que fazer.

Normalmente a gente vive muito do passado, né? Putz, eu devia ter feito isso, eu devia ter feito aquilo, eu errei ali, ruminando esse passado. Eu acho que Acontece muito. E eu acho que mais ainda hoje a gente vê na ansiedade, na ansiedade, cara, o que que eu vou fazer lá na frente? O que que eu vou— como eu comentei o caso da colega, né? Ela ficava 3 dias sem dormir quase por causa que ela ia ter uma reunião que ela só poderia gerar alguma coisa naquele dia.

Anteriormente já tinha se preparado, já tinha feito todo o texto, já tinha estudado tudo. Não tinha mais o que fazer. Então a gente, a gente tem que forçar cada vez mais. Tem outra coisa, né? Tem esse cara aqui também, não sei se todo mundo aqui tá ouvindo, tem. E ele tira da gente do estado de presença nas nossas relações, nesse tipo de coisa. Então, que nem eu tô contigo aqui, cara, eu tenho que estar contigo aqui. E a leveza que eu consigo colocar aqui na nossa conversa é porque eu não tô pensando em nada que eu vou fazer daqui depois.

Ai, acabando aqui, eu tenho que ir no supermercado fazer alguma coisa, ou Nada que deu errado no passado, o sofrer, cara, é aqui, é o aqui e agora. Então eu acho que a pergunta que você fez é muito boa. Eu acho que a leveza é treinável, eu acho que ela é treinável, e eu acho que ela passa muito por a gente viver o estado de presença. Algumas pessoas que vêm nessa condição que a gente falou, que a água tá batendo na bunda, não tem outra palavra nisso, nas empresas, E aí a pessoa tá sofrendo porque ela só tá pensando nisso, só vivendo isso.

Eu pergunto, cara, tu faz alguma atividade física? Ah, eu ia, eu corria, mas eu não tô correndo mais porque eu tô mais preocupado aqui com o trabalho. Eu tocava um instrumento, mas nem tô tendo tempo de ensaiar com a minha banda. E eu falo, cara, olha que erro é isso, porque você vicia seu cérebro a tá pensando só no passado e no futuro ali, e não tá resolvendo as coisas. E minimamente, quando você tá fazendo uma atividade física— eu jogo futebol, eu posso ter o problema que for, naquela 1 hora, 1 hora e meia que eu tô jogando futebol, cara, eu não consigo parar para ficar pensando no problema da vida, senão eu vou me machucar, vou tomar uma bolada.

E que você falou, na hora que você tá ali na palhaçaria, cara, você não consegue estar pensando nos problemas, você tem que estar conectado ali. Então, minimamente, esse eu acho que é um treino. Isso faz com o nosso cérebro descanse um pouco desse passado e presente. Isso já dá leveza. Aí, Adriano, isso é a solução? Não, acho que isso é uma contramedida para a gente não ficar o tempo todo sofrendo daquele tipo de coisa e vivendo aquele tipo de coisa.

Eu acho que é um primeiro ponto. Tem algumas atividades que eu acho que também de mindfulness, meditação, que eu acho que também traz para o estado presente, né? E aí você também tem alguém que te acompanha nessa jornada, ajuda às vezes, né? Alguém que te aterriza nesse sentido. Eu já tive muito pessoas na equipe que viviam muito da ansiedade e vivia às vezes no passado. E você tem a oportunidade, a pessoa vir trazer o problema gigantesco, falar E quando você faz a pergunta, o que você pode fazer agora?

Não, agora nada, Adriano. Semana que vem que é reunião com os caras. Então acabou, já estudou tudo já. Então a gente não tem que fazer agora não, deixa que o problema vai chegar lá, a gente não tem mais o que fazer. Mas e agora? O que que a gente faz agora? Qual pedacinho eu consigo fazer agora, tal? Então a gente tem essa consciência desse pedacinho que eu posso fazer agora. Eu acho que é muito fácil de falar aqui, tá, gente?

Parece muito simples, mas eu acho que esse seria o ponto fundamental para a gente encontrar esse equilíbrio, esse entendimento.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa. Agora, falando da conexão humano e inteligência artificial e tocando num ponto que muitas vezes as pessoas até trazem com medo, você defende que pensamento crítico, gestão de ambiguidade, comunicação autêntica música, dentre outros, não serão substituídos por algoritmos. Como usar a IA então para tarefas operacionais e focar energia onde o humano é insubstituível? Como se pratica literalmente isso? Como transformar isso em algo que faz com que a gente possa se tornar relevante mesmo a IA fazendo aqui aquilo que operacionalmente dizendo eu fazia, ou eu ainda faço, por assim dizer?

ALAdriano Lodi

Boa pergunta. Conecta com aquela questão do prato que você perguntou. Para mim é muito isso, né? A IA nunca para mim seria um prato, eu nunca vou comer ela, nunca é o resultado final, ela tem que ser o meio. E eu acho que a gente tá no momento que tem essa armadilha aí no meio do caminho. Né, então eu navego, minha principal rede social é o LinkedIn, onde eu navego lá, onde a maioria da minha galera chega ali, onde eu falo sobre LinkedIn, sobre carreira e liderança.

E lá eu consigo observar isso que a gente tá falando assim, essa questão da substituição do pensamento crítico, substituição da voz. Da autenticidade por IA. As pessoas estão confundindo um pouco isso. Elas, a gente como ser humano, a gente preguiçoso. Eu acho que isso, sabe que essa preguiça, eu não acho que ela é uma coisa ruim. Eu acho que pode ser uma qualidade a partir do momento que você inventa coisas para que você fala, cara, alguém faça para mim, alguma coisa resolva para mim, que automatiza essas coisas, eu acho que ela é boa.

Mas a partir do momento que ela começa a substituir a tua voz, quem você é, eu acho que pode ser muito perigoso. Porque a gente falou no começo, as pessoas se conectam com pessoas, e a partir do momento que eu não identifico mais você como uma pessoa, você como uma voz, você como uma coisa igual, Eu perco um pouco interesse. Tava conversando com um colega essa semana disso e ele tava falando assim que ele viu uma postagem no Instagram de um colega nosso e tem um tipo de negócio.

E ele falou, você viu a postagem dele? É aquela postagem, aqueles, aquelas imagens feitas por IA. E ele falou assim, foi engraçado, ele falou, quando eu vi a imagem, eu não sabia se era uma propaganda de restaurante, de mecânica, de— porque elas parecem uma imagem com muita informação, parecem todas iguais. As pessoas falam: estou economizando meu tempo, estou economizando o jeito de fazer aqui, tá bonito. Mas estão perdendo autenticidade, estão perdendo a voz, estão perdendo a comunicação.

Então eu acho que Voltando ao que a gente tá falando, eu acho que aí há hoje, né? Eu acho que as coisas são datadas também quando a gente tá falando inteligência artificial, mas hoje ela serve muito para melhorar o nosso tempo, automatizar algumas coisas. Quando a gente mexe com muitos dados e quer compilar, ajustar, eu acho fantástico, eu acho fantástico. Acho que esse é o caminho, a gente olhar no nosso dia a dia aquilo que você mais gasta tempo.

Se for o seu tempo falando, não. Mas se for o seu tempo, cara, eu faço, eu gasto muito tempo. A gente conversou disso um minuto antes de entrar, eu vou trazer aqui para galera. Nas minhas mentorias aqui, eu gosto sempre de criar um diário do mentorado onde eu faço um resumo para pessoa daquilo que a gente conversou, para ela ter, para ela ter depois para consultar tal. Antigamente eu fazia, não escrevia, depois eu fazia num papel, digitava, anotava assim no papel, depois fazia tal.

Hoje em dia o que que eu faço? Hoje eu faço transcrição. Então a gente faz a transcrição da conversa, jogo isso, faço um resumo, avalio se o que tá ali na transcrição é exatamente o recado que eu quero passar para aquela pessoa, que tem a ver, e ela tem esse documento, cara. É a minha voz que tá ali? Não, mas é o tempo que eu tinha de fazer, de lembrar, de, cara, era muito tempo para fazer com qualidade, era muito tempo. E eu automatizei essa parte.

Então é mais nessa linha aqui, Daniel. Não sei se aterrissou no que a gente quer perguntar.

DMDaniel Mendes

Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim. Você até me fez lembrar, às vezes os alunos me perguntam, é que quando eu tô dando aula de IA especificamente: professor, mas para que que eu posso usar a IA? Aí eu falo assim: você pode usar a IA para fazer patê. Como eu sou glutão, gosto de comer, né, eu pensei num mnemônico que tem a ver com comida. Patê, patê versátil, coloca no pão, é facinho de fazer, né, e assim por diante. Mas patê vem de quê?

E a gente faz patê mesmo sem IA, mas por acaso eu coloquei a IA porque ela potencializa fazer patê. O P é de pensar criticamente antes de eu escrever o prompt e pensar criticamente na resposta que ela me dá. O A é de aprender. Como na IA a gente tem um repertório de tudo que tá na internet, eu posso pedir para IA me ensinar qualquer coisa. Inclusive a fazer patê, brincando entre nós aqui, né? O T é de ter ideias. A gente sempre vai ter o nosso repertório de solução, de ideia do que que a gente deseja fazer.

E eu posso pedir para IA me trazer mais 5 ideias de como resolve aquele problema que eu estou expondo para ela. E o E é de estruturar e escrever. A gente faz isso o tempo todo, mesmo sem antes existir IA. Mas aí a IA potencializa eu pensar, aprender, ter ideias e estruturar e escrever, né? E aí então, com base nisso, a gente consegue pensar para que usar, vamos falar assim, né? Mas eu digo também que isso serve, no final das contas, para a gente liderar pessoas, para a gente trabalhar, para a gente solucionar problemas e assim por diante, né?

ALAdriano Lodi

Gostei, gostei, muito bom. Valeu.

DMDaniel Mendes

E meu querido, você mentora pessoas em carreira e a gente tá falando aqui, muitas vezes a pessoa tá transicionando inclusive de carreira, né? Qual o primeiro passo prático para que a pessoa pessoa encontre a essência de sua carreira nova, por assim dizer, né, nessa transição, mas sem jogar toda a bagagem que ela tem fora, né. Você passou por isso, eu passei por isso, né, e eu queria ouvir sua perspectiva, porque às vezes as pessoas chegam com uma visão, com uma perspectiva, e às vezes o mundo ou a força ou ela mesma fala assim: não estou mais realizada fazendo o que faço.

O que que você fala para essas pessoas? O que que você sugere para essas pessoas?

ALAdriano Lodi

Ótimo ponto. É a grande maioria da galera que bate aqui às vezes, e algumas pessoas vêm buscando a transição, a mudança completa da carreira. Faz parte, faz parte. Mas eu pergunto sempre por quê, e a gente vai entendendo por quê. E o convite, o primeiro convite que eu gosto de fazer, que eu acho que a gente nunca fez sobre carreira, é olhar a carreira sobre dois aspectos, né? Quando a gente é mais jovem e tem aquelas frases, né, trabalhe com que você ama, que você não é um trabalho, se apaixone pelo seu trabalho.

Cara, eu já, eu já saí dessa romantização assim, eu não, eu já não acredito mais nisso. Quem acredita, ótimo, legal. Mas eu acho até perigoso, né? Eu vi muita gente se apaixonar pelo trabalho, pela uma empresa tal, e uma hora a empresa vai falar para você: ó, você é super apaixonado por mim, mas acabou. Não, mas eu dediquei minha vida, eu tanto amor que eu dei. Sim, obrigado, e a gente reconhece isso, mas o que a gente quer daqui para frente não é mais você.

E aí essa quebra ela é muito dura. É quando eu tô apaixonado, é muito duro quando quebra. O que que eu falo para galera? Busque a paixão do seu propósito. O que são duas coisas que eu acho que são fundamentais, que eu não entendia quando eu fiz as migrações, e hoje, porra, uma é satisfação e outra é realização. O que que é isso? Satisfação. Satisfação tem a ver com se os seus motivadores internos estão alinhados àquilo que você faz.

O Adriano, o que que é isso? A gente se conhecer um pouco mais, toca na inteligência emocional, como eu funciono. Então assim, eu posso, a gente já conhece aqui muitos casos que uma pessoa tá dentro de uma empresa e a vida dela tá um inferno, ela muda de área e fica ótima. A empresa é a mesma, o salário dela é o mesmo, o ambiente de trabalho é o mesmo, o cargo é o mesmo. Todos esses motivadores externos que o mercado conversa com a gente, então era o mesmo nos dois.

O que que mudou? A satisfação. Às vezes numa das cadeiras que ela tava, ela não tinha nenhum poder de influência, e às vezes influência para ela é super importante, e ela sentou numa outra cadeira que ela tem fazendo a mesma coisa. Bom, então às vezes a pessoa chega aqui para mim e fala assim: Adriano, eu quero, eu quero ser empreendedor. Eu falo: ótimo, você sempre trabalhou em CLT e tal, eu quero ser empreendedor. Por que que você quer ser empreendedor?

Porque eu quero ter meu negócio, tal, tal. Me conta na sua carreira CLT o que você gosta. Ah, eu gosto de trabalhar muito focado, eu gosto de ser muito, olhar dados, eu gosto, eu gosto de ter as coisas muito organizadas. Eu falo, cara, talvez o empreendedorismo não é que tá com isso. Não, mas é legal, vejo as séries, mostram que quem tem os negócios, o mundo, mas às vezes não vai te gerar a satisfação daqui. Então acho que o primeiro ponto que eu queria trazer aqui é esse ponto: eu tenho que ter os meus monstrinhos internos, eu chamo disso alimentados na minha carreira?

Qual o seu A? É valores profissionais, é influência, é reconhecimento. Quais são? Quando você toma conta deles e você sabe, qualquer coisa que você fizer, você pode ser uma profissão, um médico ou um professor ou qualquer outra profissão, se isso tiver sendo alimentado, você vai ter satisfação. Então uma das primeiras coisas, a gente olhar isso. E a outra é a realização. O que que tem a ver realização? É você enxergar, você perceber resultado com o seu trabalho.

Eu acho que isso faz muita diferença. E no mundo atual a gente perdeu muito disso. As grandes empresas, esse tipo de coisa, ela, elas matam isso. Você só é um meio ali, um pedaço da engrenagem, né? Isso não te dá essa sensação de realização. Vou dar um exemplo aqui. Um, eu tô aqui em cima de uma escrivaninha falando com vocês. Antigamente lá, você queria uma escrivaninha dessa, você ia no marceneiro, encomendava com ele, ele falava, ó, ficava tanto tempo, e ele construía do começo, cortava madeira, tal, tal.

Quando ele terminava, né, tô falando de satisfação, ele enxergava, é materializado a entrega dele. Aqui é uma mesa, ele consegue ver o resultado dela na Pô, Adriano vai trabalhar melhor com essa mesa, tal, tal. Hoje em dia, os caras que montam essa mesma mesa minha aqui, o cara só faz a porca, o outro só faz a gaveta. No final, ele não sente que o trabalho— ele faz todo dia uma porca ali, todo dia, mas ele não sente para que serve isso.

Ele não percebe, ele não se realiza com essa entrega. Então acho que a gente perdeu muito isso. E o que eu tenho falado para turma muito Acho que esses são os dois grandes espectros assim. Procura alguma coisa, e não precisa ser uma transição, sem perder o que você passou. O que você passou vai te mostrar justamente o que que você sente satisfeito, em quantas camadas esses bolsinhos você consegue alimentar, e o que te realiza, o que que te realiza.

E aí eu te garanto aqui, lógico, salário é importante, uma boa empresa é importante, tudo é importante, Mas esses grandes dois blocos, se eles tiverem preenchidos, já vi gente ganhar pouco com esses caras aqui, tá feliz na empresa. Já vem gente ficar 10, 15 anos no mesmo cargo, mas aí você conversa, você não tem ambição, você não sei o quê. Aí você vai conversar com ela, você vai entender o quê? Na cadeira que ela tá, ela tem satisfação, os monstros dela estão alimentados, e ela sente que realiza, que o trabalho dela gera um valor.

Então, se você perguntasse quais as duas coisas que eu aconselharia alguém aqui estranho tiver ouvindo falar, olha, pensa sobre isso. Se tiver alguma inquietação sua, possivelmente uma desses dois pilares não tá rolando, não tá funcionando. E às vezes, tô numa empresa boa, tô ganhando bom salário, cara, que loucura, por que que eu não tô feliz? Provavelmente é isso.

DMDaniel Mendes

Gostei da sua perspectiva, e isso me fez pensar também no sentido contrário, né? Às vezes a pessoa está num lugar e está insatisfeita, não sabe por que razão está insatisfeita, não sabe se é satisfação ou se é realização, conforme você tá trazendo aqui. E muda de endereço, e o problema continua o mesmo, né? E aí eu costumo brincar, é a perspectiva que a gente escolhe olhar o que fazemos muda o sentimento que nós temos a respeito daquilo, né?

Porque pegando esses dois elementos que você que você trouxe, e para mim faz muito sentido o que você falou, é de que um marceneiro ele olhava do início ao fim a realização de algo. E hoje, com as grandes especializações, tem um fazendo parafuso, outro fazendo os pés, outro fazendo tampo, e outro que chega para parafusar. Se bobear, um especialista para cada perna das 4 pernas da mesa, brincando aqui. E isso acaba fazendo com que a gente não tenha visão do todo, né?

E essa perspectiva pode fazer com que a pessoa não se sinta realizada por não perceber o impacto que causa, né? Você me fez até lembrar de uma história que eu ouvi de alguém que eu não me lembro, que essa pessoa comentou que leu uma pesquisa de satisfação no trabalho e que tem a ver com realização também, conforme você tá comentando aqui, tá, da psicologia. A pessoa falou assim que fizeram entrevistas em um hospital e entrevistaram uma pessoa que cuidava da limpeza e perguntaram para ela: o que que você faz aqui?

E a resposta dela foi: eu ajudo a salvar Porque através da limpeza que eu faço no chão, nos quartos, eu ajudo as pessoas a se curarem e a terem uma vida mais saudável. Mas olha o detalhe da perspectiva, olhando da brincadeira, da analogia do marceneiro que faz a mesa de fim a fim, é numa especialização e num hospital que é extremamente complexo ela fazia parafuso, mas nem por ela fazer parafuso ela conseguia não ter uma visão de que ela fazia parafuso.

Ela tinha a visão de que o impacto do que ela faz era gigantesco, né? E em função disso ela tinha uma congruência entre o que ela tinha de valor interno de fazer a limpeza com a realização externa de deixar o ambiente saudável para que as pessoas se curassem e tivessem ali uma vida saudável, por assim dizer, né? Muito legal, perfeito.

ALAdriano Lodi

É a conexão com a realização, ela entende o valor do que ela faz. Sim, eu acho que é isso. E eu acho que a gente, voltando para os líderes, você que tá aqui é líder, pensa dentro da sua equipe, nesse setor, o que Quanto você tá fazendo a conexão do trabalho das pessoas com o valor que ela gera para empresa? E acho que às vezes a gente falha muito nisso, a gente foca muito no resultado operacional que vai gerar um próximo input para uma próxima área, que vai gerar para uma próxima área, que vai gerar para— e aí essa pessoa ela entende só que tá fazendo ali uma coisa e isso vai minguando a motivação dela, certeza.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa, boa. Tem até um livro do Martin Seligman que se chama Aprenda a ser otimista. Fica aqui a sugestão para quem tá nos escutando, que ele fala sobre estilo explicativo das coisas. O estilo explicativo tem a ver com a perspectiva que a gente escolhe olhar o que acontece. E na visão dele, a gente pode olhar sobre 3 dimensões: sobre ser global ou específico, o que acontece, sobre ser temporário ou definitivo e sobre o locus de controle.

O ser global ou específico tem a ver, putz, tive um problema, o problema é específico de alguma coisa ou o problema é generalizado? A casa inteira caiu, vamos falar assim, ou é só o telhado que precisa consertar? Não é só o telhado. Poxa, então se eu consertar o telhado, a casa ainda tá boa. Né? Isso é a visão do específico versus global. O que que é o definitivo versus temporário? Poxa vida, é para sempre que o telhado tá quebrado, ou eu consigo, através de um conserto, fazer com que o estar quebrado seja temporário?

Também é outra perspectiva. E o terceiro locus de controle: tá no meu alcance consertar o telhado ou contratar alguém ou não? Porque o que não tá no meu alcance fazer, ou o problema não existe e pronto, ou o problema existe, você tem que aceitar tal qual como ele é, né? De novo, exercícios de perspectivas aí a respeito da nossa maneira de pensar a vida, por assim dizer, né?

ALAdriano Lodi

Perfeito. Vou dar um exemplo que você falou desse último status aí, é interessante, né? Aqui, aqui na Europa tem muita notícia da guerra ainda da Ucrânia e Rússia, tem muito tempo, cara. É terrível. A gente conhece alguns ucranianos aqui, a conversa não é boa nunca, nunca. Mas o ponto é, além de você acolher esse ucraniano que você conhece, mandar um suprimento, alguma coisa, o que você pode fazer em relação a tudo isso? Cara, nada, nada.

E aí eu não posso passar os dias aqui olhando a situação e lamentando, eu tenho que seguir minha vida, né? Então acho que é um modo de olhar que eu gosto também, entendo bastante. O que que eu tenho conecta com aquilo que a gente falou do senso de presença? O que que eu posso fazer? O que que eu posso fazer? Eu acho que isso é o nosso maior poder, o que que a gente pode fazer no agora. O resto tudo é planejamento, é sonho, é desejo.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa. E até me fez lembrar uma frase que às vezes a gente escuta aí pela internet e que eu gosto de provocar em cima dela, né? Tem muita gente que sai por aí falando: você pode fazer tudo que você quiser, né? Na minha leitura, isso é uma falácia, porque a gente não pode fazer tudo que a gente quiser, né? É, e às vezes eu pego essa frase e brinco, fala assim: ah, eu decidi que eu quero ser um medalhista maior do mundo na natação, mais que o Michael Phelps, que é o maior medalhista do mundo, né?

Aí eu brinco, né? Eu com 1,69m, na hora que acordo, porque no final do dia deve ser menos, a gente vai encolhendo, né? Com essa raquetinha pequenininha, né? 51 anos com esse shape do jeito que tá, eu nunca vou ser um medalhista maior do que o Michael Phelps nessa vida.

ALAdriano Lodi

Eu acho que talvez você vai ter dificuldade de ganhar uma medalha também. Pois é, pois é, eu acho, eu acho.

DMDaniel Mendes

É uma hipótese, é uma hipótese.

ALAdriano Lodi

É o que eu queria trazer um pouco mais além. Eu acho que uma medalha vai já ser difícil.

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa. E aí eu pego esse exemplo para brincar, né, para falar para as pessoas. Mas se eu começo a contextualizar e ajustar o meu desejo a algo mais smart, mais realista, né, eu posso colocar o objetivo de de repente ser o melhor nadador do meu prédio. Ou depois que eu sou do meu prédio, do meu prédio na minha faixa etária, depois do meu prédio, de repente da minha quadra, depois do meu bairro. Né, é mais tornar isso mais realizável, né.

ALAdriano Lodi

E aí, com isso, vai ter noção que você tá chegando também. Isso é importante.

DMDaniel Mendes

Exato. E aí eu brinco: eu não posso tudo que eu quiser, mas normalmente eu posso muito mais do que eu imagino ser capaz, né. Então é um equilíbrio entre o exagero do poder versus o exagero da incapacidade, incompetência, né? Existe ali um meio termo de caminho onde eu possa olhar de maneira contextualizada para situações e ajustar os meus desejos para realizar o que eu quero fazer, né? E em cima disso, meu amigo, quando você orienta seus mentorados, seus disse, né?

É, que livros, que artigos, filmes, podcasts te ajudaram a se tornar um melhor líder? E que você sugere também para as pessoas que você trabalha junto consumirem, usarem, aprender, além desse próprio papo que a gente tá tendo aqui, né? Óbvio, cara.

ALAdriano Lodi

É o melhor, eu gosto muito de aprender, de entender, é o melhor dessa jornada que eu entrei. Eu leio muito, assisto muita coisa, vejo muita coisa. Então eu acho que teria muitas e muitas indicações para fazer, mas eu vou fazer duas aqui, uma baseada em liderança. Eu acho que conecta um pouco que a gente falou aqui sobre voltar para essência, voltar para um passo. A gente tá evoluindo muito tecnologicamente e tá esquecendo de voltar para essência, que é os 5 desafios das equipes de alta performance, que esse é o nome do Patrick Criccione.

Inclusive é o livro que eu vou fazer o clube do livro agora, tal, porque é um livro que eu gosto muito dele, porque Ele não é um livro teórico, ele é uma história, uma ficção, onde vão os personagens, vão fazendo as coisas ali e vão demonstrando. Eles estão em busca de resultado, eles têm as ferramentas, eles têm dinheiro na empresa, mas o que falta é a base: debater as coisas abertamente, ter confiança no outro. E sem dar spoilers aqui, eu acho que ele Ele ajuda muito.

É um, eu tenho ele dentro dos meus processos, eu tenho um treinamento voltado, eu criei só voltado para ele, e eu gosto muito. O outro livro eu vou dar mais na linha de quem, esse mudou minha carreira, tá, de quem quer evoluir, entender modelos de ensino. Eu falei que eu gosto de me intitular como facilitador, e esse livro me deu essa condição. Chama Instrutor Master. Ele foi escrito por uma amiga hoje, a Flora Alves. Eu conheci ela pelo livro, busquei ela, trabalho com ela na escola dela, quando de vez em quando treinamentos.

E ele mudou totalmente a minha perspectiva sobre o ensinar. As pessoas às vezes chegam para mim e fala, Adriano, você ensina o quê? Cara, eu acho que ensinar às vezes é um pouco prepotente. Mas eu facilitar o seu aprendizado, eu acho que eu consigo. É muito como eu consigo que você, como adulto, olhe para um aprendizado, receba o convite, te dê ferramentas para isso e evolua nisso. Então fica aqui essa indicação, chama Instrutor Master Flora Alves.

Eu acho que ela também é uma ótima pessoa, se você quiser bater um papo com ela. E eu acho que pode conectar aqui com dentro da sua jornada aqui também. Eu acho que é uma boa indicação.

DMDaniel Mendes

Eu adorei e vou querer sim que você me apresente ela. Vai ser maravilhoso, porque um dos temas que eu mais sou apaixonado também é processo de aprendizagem, Adriano.

ALAdriano Lodi

Eu gosto também.

DMDaniel Mendes

Eu sou apaixonado por processo de aprendizagem, né?

ALAdriano Lodi

Cara, e essa pessoa, eu falo isso para ela, ela mudou o modo que eu olhava isso. Eu conheci ela, eu vi uma palestra dela e que ela falou no palco, eu falei, eita! Aí eu fui, aí eu fui, adicionei ela no LinkedIn, mandei mensagem, fiquei de olho, vi que ela tinha uma escola. Quando ela abriu um treinamento, me candidatei, fui um dos primeiros na aula lá. Fui o aluno exemplar. Quando teve oportunidade de trabalho, que falei, eu quero, eu quero facilitar por vocês, tal. E a gente fez essa parceria até hoje, assim, adoro mesmo, é bem legal.

DMDaniel Mendes

Que fantástico, que fantástico! E meu amigo, olhando para o impacto social e humano nas empresas nos próximos anos aí, qual o legado você acredita é que o líder atual pode construir para se tornar relevante, principalmente nesse mundo digitalizado, tecnológico e ático? Vamos ligar assim que a gente tá vivendo.

ALAdriano Lodi

O que que você colocaria aí? Eu vou voltar nessa palavra, no facilitar. Eu acho que os líderes, eles têm que ser os facilitadores da vida das pessoas. Tá tudo muito complexo. Tá tudo muito difícil, aquela coisa do VUCA, muda muito rápido, não sei o quê. E as coisas, se você for um facilitador da vida das pessoas, você melhora o desenvolvimento, você facilita que essa pessoa entregue um resultado, você facilita que essa pessoa se desenvolva, você facilita que essa pessoa tenha uma vida melhor dentro da empresa, com certeza você faz o impacto dela positivo na carreira dela.

Com certeza você faz um impacto positivo na família dela, porque essa pessoa, se ela tem uma boa vida, ou é muito forte, né, mas é muito confortável, mas ela tem aquela coisa que eu te falei, a satisfação e realização dentro do trabalho, com certeza isso vai refletir positivamente dentro da relação que ela tem dentro da casa dela, com os filhos dela, com os colegas dela. Então eu acho que o maior legado que a liderança pode ter hoje É ser esse facilitador e ser menos o cara que quer ser o líder, o reconhecido como o líder que resolve as coisas, que entrega o produto final, sabe?

Assim, eu gosto de ser lembrado dessa forma. O meu legado, onde eu passei como líder, eu não Ah, você implantou isso, você construiu isso. Legal, implantei, construí, criamos isso que tá até hoje lá. Legal, legal. Mas acho que o maior legado é as pessoas até hoje quando encontra, fala, cara, me ajudou muito. Momento, as pessoas contam coisas que você, momentos que você nem lembra, positivamente, né? A pessoa fala, cara, Você mudou minha vida numa reunião, você falou isso que eu perguntei para você, você trouxe isso e tal.

Você fala, cara, nem lembro. Mas você impactou, você facilitou essa vida, a vida dessa pessoa. Eu acho que esse é o, nesse momento é isso, a gente é o maior legado que a gente pode trazer para essa sociedade, é um facilitador numa sociedade que tá tão complexa, difícil de navegar.

DMDaniel Mendes

Eu amei, eu me intitulo também como um facilitador. Facilitador de aprendizagem, porque eu na verdade até tenho pensado e usado também a palavra facilitador de experiências de aprendizagem.

ALAdriano Lodi

Perfeito, é o que eu falo, é o que a Flora, que eu acabei de comentar, usa, facilitador de experiência de aprendizagem.

DMDaniel Mendes

É isso, porque quando a gente pensa É, olha que curioso isso. Isso puxa um monte de outros assuntos, né? Mas isso me faz lembrar que normalmente a gente não é ensinado a gostar de aprender, cara, a gostar de estudar. Muito pelo contrário. Eu me lembro quando eu era criança, se eu fazia alguma coisa errada um dos castigos era: vai estudar, moleque! Olha que maluco isso, né? E eu sou hoje apaixonado por estudar, né? E uma das coisas que eu costumo dizer em início de treinamento, palestras ou aulas que eu vou dar, é que o meu objetivo é mostrar que aprender também pode ser divertido e leve, né?

E eu acredito de verdade nisso, que aprender pode ser divertido e leve. De forma que se a gente observa nos nossos mecanismos psicológicos, se alguma coisa é divertida e leve, você tem uma tendência a querer voltar a praticar aquilo. Se alguma coisa é pesada, é te bate toda hora, te confronta, te gera desagrados, a tendência é que aquilo te expulse, te faça querer se afastar, né? Tanto é que eu brinco que a IA, ela é puxa-saco nossa, porque ela quer que a gente volte a usá-la.

E se ela for confrontadora, existe uma tendência da gente não querer voltar a usá-la. Então, por que não a gente não criar no ambiente de aprendizagem um ambiente leve, divertido, que faz com que eu queira voltar, né?

ALAdriano Lodi

É, você me permite?

DMDaniel Mendes

Claro.

ALAdriano Lodi

É uma outra coisa que eu aprendi com a Flora aqui, que ela fala muito sobre base lógica. O que que é a base lógica? Antes da gente ensinar qualquer coisa para qualquer pessoa, qualquer momento, a pessoa precisa entender porque aquilo é importante para ela. E não é, não sou eu que tem que contar, essa pessoa tem que chegar à conclusão. Vou voltar àquele ponto que a gente falou lá: ou porque aquilo vai resolver um problema que eu tenho, ou porque isso vai melhorar minha vida.

Um dos dois aspectos, igual da mudança lá, um dos dois aspectos ele tem que ser atendido. E a gente falha muito nisso, a gente cospe muita informação A gente aprendeu isso na escola. A professora entra na sala de aula e fala: hoje é isso. E vai soltando. Por que isso? E aí a gente perde investir ali 5, 10 minutos nesse debate de entender por que aquilo vai ser importante, colocar esse tipo de coisa. Então acho que o que você falou, a pessoa volta por conta da leveza desse tipo de coisa E também porque eu acho que ela volta se a gente trabalhar bem essa questão.

Por que que você saiu melhor daqui hoje? Por que que você entendeu melhor? E não sou eu que tenho que contar, né? Fala assim, ó, vou te ensinar sobre caneta aqui, é importantíssimo você aprender sobre caneta agora, tal. Posso dar 200 mil argumentos, você vai ficar olhando e fala assim, caraca, velho, tá bom, vamos fazer essa aula da caneta aí. Agora, se eu contar por que que isso aqui vai mudar a tua vida, e você tomar consciência, falar, cara, entender sobre caneta vai mudar, aí é diferente, você tá aberto para aprender. Eu acho que esse é um outro ponto também.

DMDaniel Mendes

Você me fez lembrar, um assunto puxou outro, um assunto puxou outro. É muito legal, muito legal. Eu gosto de começar minhas aulas através do benefício ou com uma pergunta provocadora que faz a pessoa pensar o benefício por trás daquilo, né? Inclusive, eu me lembro é que sempre que eu faço uma proposta comercial, ou quando eu apresentava propostas comerciais enquanto CLT nas empresas, é um dos primeiros slides que eu colocava era: o que que você ganha ao nos contratar, né?

Por que que vale a pena a gente tá junto. E quando a gente coloca essa pergunta e uma curiosidade nos alunos, nos estudantes, nos participantes, né, você abre o campo para o aprendizado, né? Porque uma coisa é você chegar lá, começar a explicar uma fórmula, etc. e tal. Agora, se você explica o impacto que aquilo gerou quando foi criado, e gera uma curiosidade e de repente encontra algo do dia a dia da pessoa onde ela pode aplicar aquela fórmula, nossa, e muda de figura, né?

É uma aula que seria apenas teórica, explicada, você cria uma motivação, um motivo para pessoa entrar em ação, em querer aprender, né?

ALAdriano Lodi

Gera participações e tudo, é ótimo.

DMDaniel Mendes

Exato, exatamente. E meu amigo, como diria minha mãe lá no interior de Minas, né, o tempo ruge. A gente já tá aqui há quase 1 hora e 20, né? Olha que prosa boa demais da conta, né? E precisamos concluir esse episódio. É, a prosa foi maravilhosa, adorei. Essa conversa aqui contigo. Te agradeço de coração, né? E peço a gentileza sua de pensar e deixar uma mensagem atemporal. Faz de conta que essa mensagem pode ser ouvida, lida por todos aqui na Terra.

Só que vamos fazer um, vamos extrapolar isso um pouquinho. Faz de conta que daqui 100 anos você tem acesso a dar play nesse episódio para ouvir essa mensagem. Qual é a mensagem que você deixaria?

ALAdriano Lodi

Eu vou, eu vou trazer ela muito ligada ao que a gente conversou, tá? Eu acho que sim. Em tudo que você quer fazer, evoluir na sua vida, carreira, liderança, de qualquer área da sua vida, não abra mão do arroz com feijão bem feito, que conecta o que a gente falou lá no começo. Eu acho que isso é a essência do ser humano. Então tudo envolve isso. Então a gente tá com esse arroz e feijão bem feito, já garante ali 70, 80% do sucesso das coisas.

E a gente às vezes se perde nisso. Então acho que o recado é muito nisso: continue evoluindo, faça o arroz com feijão bem feito e respeite a sua essência. Eu acho que é o mais importante. Legal.

DMDaniel Mendes

E para a gente concluir, onde as pessoas te acham? Que rede social você tá? Você que citou o LinkedIn, qual, como elas te acham lá? É para continuar cruzando, se conectar contigo. E muito obrigado aí por sua generosidade compartilhar tanta experiência, meu amigo.

ALAdriano Lodi

Legal. Ó, no LinkedIn eu tô lá como Adriano Lodi. No LinkedIn convido todo mundo a se conectar. Eu falo fortemente sobre carreira, liderança, isso, e sobre o próprio LinkedIn, com marca, posicionamento, esse tipo de coisa. Então já fica o convite aqui. E o outro convite que eu dou é o meu website. Eu tenho um site que é adrianolodi.com.br, então www.adrianolodi.com.br. São as minhas duas redes aqui. Tem um canal do YouTube, mas ainda tô criando aqui ele, aumentando ele.

Mas se você quiser me encontrar, o caminho, o ponto de encontro, tá ali no LinkedIn.

DMDaniel Mendes

Maravilha! Adriano, mais uma vez grato por seu tempo, grato por tudo que compartilhou. Tenho certeza aí que as pessoas que nos escutaram saíram com insights. E querida ouvinte, querido ouvinte ou telespectador, já diria o Silvio Santos, né, nos escutou, nos viu até aqui, curtiu, manda para um amigo, manda para um familiar, Compartilha, porque afinal de contas as redes pedem isso para que a gente possa espalhar as mensagens boas, né, as prosas boas, né. E a gente se vê em breve.

ALAdriano Lodi

Valeu, obrigado, gente!

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