Episódios de PsicologIA

EP59 - Como Manter a Saúde Mental e Liderar na Era da Inteligência Artificial com Reinaldo Nogueira

27 de agosto de 202650min
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As cobranças por metas irreais e a aceleração digital estão gerando uma epidemia de esgotamento no mundo corporativo. Neste episódio do podcast PsicologIA, recebemos o executivo, professor e mentor Reinaldo Nogueira para conversar como equilibrar inovação tecnológica, gestão de processos e liderança humana sem abrir mão da saúde mental e do bem-estar.Discutimos a diferença crucial entre prioridade e urgência, o perigo de adotar a IA sem foco estratégico e a importância de construir uma autoridade autêntica que vá além do crachá corporativo.Capítulos:00:00 - A exaustão corporativa e o impacto da tecnologia01:37 - A trajetória de Reinaldo Nogueira: do Vale do Silício à sala de aula06:46 - Se a IA fosse uma comida: reflexões sobre a identidade da tecnologia10:24 - O poder da marca pessoal e o apelido "Nobre Senador"13:42 - O ponto de virada: por que processos não funcionam sem pessoas17:57 - Prioridade singular vs. Urgência plural: o fim do mito do multitarefa24:54 - Ansiedade corporativa, regulação emocional e o ritmo biológico32:29 - Metas irreais, governança e sustentabilidade nas empresas40:13 - Quem é você sem o crachá? Construindo autoridade no digital45:54 - O tripé da vida plena: Ciência, Religião e Artehttps://linkedin.com/in/reinaldonogueirahttps://instagram.com/prof.reinaldo.nogueira#ia #ai #genai #psicologia #liderança #lider #lideracademy #saudemental #gestao #carreira #podcastdanielmendes.pro.brdaniel@danielmendes.pro.br@danielmendespro

Participantes neste episódio2
D

Daniel Mendes

HostProfessor, Podcaster
R

Reinaldo Nogueira

ConvidadoProfessor, Executivo, Mentor
Assuntos8
  • Pessoas vs. ProcessosO fator humano como diferencial·Liderança vs. Gestão·Três Ps: Pessoas, Processos, Produtos
  • Prioridade vs. UrgênciaImediatismo·Multitarefa·Ansiedade corporativa·Ritmo biológico
  • Tripé da Vida PlenaCiência·Religião (fé)·Arte (criatividade)·Elis Regina
  • Trajetória de Reinaldo NogueiraCarreira executiva·Carreira acadêmica·Empreendedorismo·Oracle·Grupo Abril
  • Metas Irreais e GovernançaPerversidade nas metas·Sustentabilidade corporativa·Governança como referência
  • Autoridade Autêntica no DigitalQuem é você sem o crachá?·Construção de reputação·Escravidão do algoritmo·Paula Botelho
  • Identidade da IAComida eclética·Oceano Azul vs. Oceano Vermelho·Personalidade da IA
  • Marca Pessoal: Nobre SenadorConstrução de marca registrada·Conexões mentais·Conselho de ética
Transcrição65 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DMDaniel Mendes

Olá, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo ao nosso podcast Psicologia, um lugar que eu trago convidados para trocar ideia, para a gente poder prosear um pouquinho, né, e mostrar o que a gente tem feito da vida, que de repente você pode testar no seu mundo aí e ver se funciona para você também, né. E hoje eu trago uma provocação que esse meu querido amigo aqui até fez uma postagem da Brené Brown soltando, dizendo que ela disse o seguinte: as pessoas não estão bem.

E aí, uma era onde os executivos, os times são muito exigidos, principalmente para bater meta, muitas vezes não realistas, né, com o uso da inteligência artificial sendo exigido cada vez mais, E aí onde entra a tecnologia, que talvez devesse liberar o humano para o seu potencial ou para se tornar robôs exaustos, por assim dizer, né? E eu trago uma pessoa que é especialista em traduzir tecnologia em resultados de negócio, só que sem perder a alma.

Seja muito bem-vindo, meu querido amigo Reinaldo Nogueira. E ao invés de eu te apresentar em detalhes, fique à vontade, como a gente fala lá em Minas, né? É filho de quem, mexe com o quê, né? Fica à vontade para se apresentar, meu querido, e muito obrigado por estar aqui com a gente.

RNReinaldo Nogueira

Maravilha, Daniel, tudo bem? Prazer estar aqui, prazer a gente conversar e trazer à frente, à luz aqui, um assunto que preocupa tanto a gente, né? Invariavelmente estamos falando de saúde mental, né? Então Isso tem que ser considerado. Eu sou Reinaldo, Reinaldo Nogueira, professor há 36 anos, no ano que estamos falando aqui, né? Vamos ser normalmente atemporal, mas vamos ser temporais aqui, né? Em 2026, aqui eu tenho 36 anos de carreira universitária, né?

Sendo que os últimos 14 anos eu tenho focado mais em programas de pós-graduação na ESPM, na USP, ESALQ, IBMEC, PUC de Porto Alegre, professor convidado eventualmente lá, os programas de pós-graduação da FATEC, como falei também, BEMEC e outros por aí, né. As pessoas perguntam, né, ô Daniel, poxa, mas você só dá aula, você não trabalha não, né? Essa é uma, essa é uma, é um túnel que não dá para engatar a ré, né. Eu tenho uma carreira executiva, fui executivo global da Oracle, trabalhei na Oracle norte-americana por 6 anos, né.

Então a sede é no Vale do Silício, de lá Fui para PepsiCo, indústria alimentícia também, a sede norte-americana e sede brasileira. Apoiei o lançamento, inclusive aqui no Brasil, da H2O. De lá fui ser executivo, passei uma carreira executiva no Grupo Abril. Tive a honra e privilégio de trabalhar com o Dr. Roberto Tivita, fundador ali do Grupo Abril, um dos fundadores. E no auge da minha carreira, no auge da Abril, eu decidi sair para empreender.

E há 18 anos eu montei a TI 360, que dá uma visão 360 graus para tecnologia da informação. E é como você falou, Daniel, procurando traduzir tecnologia em negócios, trazer isso para o campo da prática, da simplicidade que deveria ser a prática, né? Por formação, eu sou administrador de empresas. No mestrado, eu sou mestre em engenharia de produção com ênfase em alta tecnologia, e tem alguns outros cursos de pós-graduação na bagagem, né?

Fiz uma extensão na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, sobre inovação. Fiz uma extensão recente, no ano passado também, na Universidade Hebraica de Israel, sobre inovação também. E assim a gente vai seguindo para poder sempre estar atualizado aí, né? Aquela frase antiga, para concluir minha fala, ainda bem que ela não existe, né, mais, né? Aquela frase, terminei meus estudos, né? Isso não existe mais, né? Então aqui estou novamente. Obrigado aí pelo convite.

DMDaniel Mendes

Nossa, quanta coisa, meu rei, quanta coisa! É interessante interessante que eu percebo um pouco de semelhança entre nós dois, né, em relação ao mundo corporativo, né, em relação a essas questões. Eu estou há bem menos tempo no mundo acadêmico, mas aprender e ensinar sempre foi algo que esteve presente na minha vida inteira, né, inteira. E essa questão que você trouxe da Oracle é curioso É, quando eu comecei na área de tecnologia, uma das minhas vontades era algum dia trabalhar na Oracle.

Eu nunca trabalhei na Oracle, mas eu atuei muitos anos desenvolvendo soluções com banco de dados Oracle, né? Escrevendo PL/SQL, funções, packages, procedures, desenhando bancos de dados. Tanto é que eu entrei na ESPM como professor dando aula de database e BI.

RNReinaldo Nogueira

Olha que curioso, pois é, pois é, no curso do Aníbal, né, professor Aníbal, grande querido.

DMDaniel Mendes

Exatamente. Então a gente tem algumas coisas em comum. E a área que eu mais atuei em tecnologia nas empresas foi com CRM. Então quando você fala visão 360, para mim cai como uma luva, porque na área de gestão do relacionamento com cliente, né, Customer Relationship Management, a gente sempre usa essas três, esses três números, né, uma visão 360, que é o que nos ajuda de certa maneira a ter uma visão de várias perspectivas, né.

É muito bacana isso. E para começar a esquentar, como IA tá na moda e a gente trabalha com IA, E brincando aqui entre nós dois, né, acredito que você também poderia até brincar com essa frase que eu costumo brincar. Eu falo assim que eu mexo com IA desde a época que não chamava IA, porque a gente mexe com estatística, com banco de dados, com visões, que se tornou, marketeiramente dizendo, bem como inteligência artificial, né. E para começar, uma provocaçãozinha de brincadeira aqui: Se a inteligência artificial fosse uma comida, qual comida seria e o que faria você escolher essa comida?

RNReinaldo Nogueira

Que pedrada, hein? Vamos lá. Se ela fosse uma comida, ela seria uma comida muito eclética. Ela seria uma mistura de comida indiana com comida javanesa, com comida norte-americana, com a pimenta, o spice norte-americano, uma maravilhosa comida mineira. Eu sou filho de mineiro, eu nasci aqui em São Paulo, mas sou filho de mineiro. Então minha falecida mãe era uma mestre, uma mestrina na cozinha, né? Então assim, eu acho que seria uma mistura de sabores e, e não posso dizer odores, de fragrâncias, né?

Eu acho que essa seria uma combinação para mostrar o que é IA, né? Até ela adquirir uma personalidade. Eu entendo que a nossa inteligência artificial, no formato que ela tá sendo usada hoje, ela não tem uma personalidade definida ainda. Qualquer coisa é qualquer coisa no mundo da inteligência artificial, e mar aberto é muito perigoso. Você pode ir para qualquer lugar. Tem aquela teoria do Oceano Vermelho e Oceano Azul, né? Oceano Vermelho, ele tá muito fechado.

É como as telecoms, por exemplo, né? Saiu oficialmente hoje nos jornais de negócio a falência oficial da Oi, né? Então o que nós temos agora aqui é Claro, Vivo e TIM, são as três que operam nesse sistema, não tem espaço para mais ninguém, né? Esse é o Oceano Vermelho. Oceano Azul, ele é repleto de oportunidades, qualquer taxa de crescimento ali, como os carros chineses chegando no Brasil, tá na faixa de dois dígitos ali, 11%, 12% de crescimento.

Quem já tá pré-estabelecido, o crescimento é de zero vírgula nada, você já ganha aí uma viagem para Paris com a família, com tudo pago, né? Se você vender e crescer nesse ambiente tão concorrido que é o Oceano Vermelho. Por que essa volta toda? É porque a IA hoje ela tá muito navegando ainda, tá bem navegando, melhor dizendo, no Oceano Azul. É um espaço totalmente aberto que a gente de fato não sabe onde vai dar essa identidade de marca ou ou até essa personalidade da IA, ela não apareceu tão claro ainda.

É um negócio bacaninha, todo mundo gosta, acha muito bonitinho, mas ainda não virou aquela coisa do negócio, né? É muito bacana, todo mundo quer sair na frente, todo mundo quer postar. Eu tenho uma empresa de 1 milhão de dólares com 3 diretores que são na verdade um agente de IA. É isso mesmo? Será que de fato não tem nada escondido, ou é a manchete ali para antigamente antigamente falava manchete, né, aquela manchete para chamar atenção.

O que que tá acontecendo de fato, né? Então eu ainda acho que é uma comida de diversos sabores. O nosso MasterChef aqui diria claramente que é uma comida que não tem uma personalidade, são vários sabores maravilhosos, alguns deles, mas sem personalidade ainda.

DMDaniel Mendes

Adorei sua definição e a mistura de sabores e fragrâncias. Show de bola, adorei, adorei. E meu querido amigo, a gente se encontra na sala outros professores, a gente troca ideia e a gente encontra inclusive alunos em comum, né? E eu queria saber de onde surgiu a história, meu caríssimo nobre senador, de onde veio isso, né? E como isso repercute, o que quer dizer?

RNReinaldo Nogueira

Vamos perguntar para IA, né? Vamos lá, eu posso encontrar um aluno em junho de 2025 e dar aula para ele, tá? E aí eu reencontro em agosto de 2026. Provavelmente, vamos por ordem aqui, ele não vai lembrar a disciplina. Você deu aula para mim, eu é, tô tentando aqui lembrar disciplina tal. Vamos por aí, segundo lugar, ele vai errar meu nome, ele vai me chamar de Reginaldo ou Ronaldo, ou aquele professor.

DMDaniel Mendes

Muito bom!

RNReinaldo Nogueira

Nunca de Reinaldo. Agora, nobre senador, ele não vai esquecer jamais.

DMDaniel Mendes

Boa!

RNReinaldo Nogueira

É uma marca registrada. Nobre senador Daniel Mendes, como vai Vossa Excelência? E aí a pessoa tá falando, a outra cruza, eu já falo no meio da sala de aula: calma lá, que nós temos um conselho de ética. Tô show! Como se fosse no Senado. Nós temos um conselho de ética aqui, respeite por gentileza. Esse conselho de ética aqui prima pela excelência. Então, Vossa Excelência, cale-se nesse momento. A pessoa: tudo bem e tal, né? Aí o outro: eu tenho direito de colocar a minha expressão, data vênia, não sei o quê e tal.

Então o pessoal acaba entrando na brincadeira, mas é para justamente ser uma marca registrada para que as pessoas possam lembrar e fazer as suas conexões mentais. Você pode esquecer a disciplina, pode esquecer meu nome, Mas nobre senador, você não vai esquecer.

DMDaniel Mendes

Muito bom, eu adorei, adorei. E eu vou fazer um preâmbulo aqui de brincadeira, porque que eu entrei nisso, inclusive, além de lembrar dessas histórias ouvindo dos próprios alunos. Estávamos no CONARH a semana passada, né?

RNReinaldo Nogueira

É isso mesmo.

DMDaniel Mendes

E uma ilustríssima senhora chamada Patrícia me comentou sobre essa questão do nobre senador, falando para provocá-lo.

RNReinaldo Nogueira

Exatamente, nobre senadora Patrícia Aparecida Santos.

DMDaniel Mendes

É, pois é, pois é. Então esse elemento me surgiu e eu falei assim, eu não posso deixar de fazer essa pergunta de forma alguma, né?

RNReinaldo Nogueira

Executiva de Contas lá na ESPM, né? Exato. Então, e ela cita muito isso, né, com os alunos, com os clientes e tudo mais. O pessoal acaba sempre comentando também, né? Olha, teve uma disciplina que vocês deram aqui num programa de mentoria aqui na empresa. Poxa, eu nem lembro o nome dele e tal, mas é um senador. Ah, o pessoal lembra na hora.

DMDaniel Mendes

Muito bom, muito bom. Adorei, adorei. E meu querido, você vem de uma formação de administração e com uma visão muito forte associada à tecnologia, por assim dizer, né? O que fez, apesar da área da administração ser uma área que tem uma visão mais humana, qual foi o ponto de virada? Talvez tenha um ponto de virada, ou talvez tem uma história para contar que fez você perceber que a chave do sucesso está nas pessoas e não em códigos frios, por assim dizer, né?

RNReinaldo Nogueira

Vamos lá, eu tenho uma característica assim, acho que foi um certo inconformismo com a forma de agir das coisas, né? E nunca é um motivo só, Daniel, é na prática foram várias coisas, é um mosaico, diria, que monta essa figura, são várias pedrinhas aqui, né? Então a cada momento uma coisa que me chamou atenção, olha, Eu faço assim mesmo, tá? É assim porque tem que ser dessa forma. Poxa, mas é uma pessoa, né? Problema dela, né? Como assim dela, tal?

Então eu comecei a enxergar assim muita impessoalidade nas coisas, né? Impessoalidade em vários, vários quesitos, né? E essa impessoalidade começou a chamar minha atenção. No dia a dia, eu costumo repetir que nós temos 3 Ps, né? Pessoas, processos e produtos. Sim, é gente engajada com regras de negócio, que são os processos, e produtos, que é o conceito amplo de marketing, que é o que eu vou colocar no mercado, né? E aí esse P de pessoas, Daniel, começou a ficar muito desbalanceado, muito desbalanceado.

Mas como eu te falei, não é de agora isso, né? A coisa vem ao longo do muito tempo, né? Eu comecei a trabalhar na década de 80, especificamente em 1980. Eu tinha 13 para 14 anos na época e já era CLT. Então, pois é, mas eu não sou aquele cara que fala: comecei a trabalhar cedo e tô bem aqui, não me afetou em nada. Afeta sim. Perdi minha juventude, perdi minha adolescência, o pessoal tudo brincando na rua lá e eu voltava do trabalho, ainda ia para escola ainda.

Comecei a estudar à noite aos 13 anos de idade e parecendo um zumbi, né, porque dormia 3, 4, 5 horas por noite.

DMDaniel Mendes

Caramba!

RNReinaldo Nogueira

Sim, era a vida. Eu venho de uma família, graças ao bom Deus, nunca passamos fome, né, mas uma família muito simples, com poucas posses, morando em casas muito simples. Então a gente nunca teve posses, né. Então tudo ali era muito bem contado, né. Então trabalhar cedo era uma questão de sobrevivência, né. Então vai trabalhar. Mas o meu pai sempre falava, seu Rubens, né, estuda, pode perder tudo, ninguém tira o estudo de você, né.

Então eu acho que são pequenas fases da vida aqui que foram traduzindo ao longo do tempo que o fator humano é importante, por mais óbvio que pareça, né. E aí eu lembro que numa passagem na década de 80, quando eu comecei a trabalhar, por isso que eu estou citando isso, Uma indústria que eu trabalhava, uma pessoa falou, né, não posso abrir exceção para tal pessoa. Imagina se todo mundo na empresa quisesse a mesma coisa, né? Estatisticamente isso não iria acontecer.

Uma empresa de 2.000 funcionários, nem todo mundo vai pedir para sair mais cedo, né? Sim, porque problema familiar ou uma tragédia familiar, seja lá o que for. Isso foi acumulando ao longo do tempo, ao ponto que eu comecei a perceber de fato que Gente é o diferencial, sempre foi. Sim. E nós temos que trabalhar muito mais liderança hoje em dia, que eu costumo dizer, Daniel, que é um Y. Você que tá ouvindo aqui ou nos assistindo, né, procure imaginar a letra Y, tá?

A letra Y, de um lado tem liderança, tá? E do outro lado tem gestão. Liderança está para pessoas e gestão para processos. Nós não podemos gerir pessoas, A regra de negócios, lembra pessoas, processos e produtos? A regra de negócios, ela está para pessoas, né? Então é gestão de pessoas. Agora, pessoas querem gestão de processos, perdão. Pessoas querem ser lideradas, engajadas, motivadas, né? Por isso que o apelo pessoal é muito forte quando a gente fala de— o apelo de gente é muito forte quando a gente fala de liderança, né?

Eu sou apaixonado por esse tema, então isso explica em partes aí Porque sempre tem gente no meio do caminho aí.

DMDaniel Mendes

Que legal, que legal. E quando a gente olha até para a postagem da Brené Brown, que ela diz que as pessoas não estão bem, né? Você e eu, a gente vem aí e ainda atuamos, digamos assim, no mundo corporativo, que tem essa pressão por resultado, meta, etc. Na sua visão, por que essa busca por resultados imediatos está custando à saúde mental, emocional dos líderes, e o que que a gente pode fazer, inclusive como professores, mentores e influenciadores, né, até certo ponto, dos ambientes nos quais nós somos inseridos, né, para que as pessoas possam mudar esse cenário, aliviar esse cenário.

RNReinaldo Nogueira

Vamos lá, fazendo a descrição inclusiva aqui para quem está ouvindo, quem não pode ver, né? Eu tô com aparelho celular na mão aqui, um aparelho celular. Eu acho que ele explica uma boa parte disso. Não sou contra celular, não sou contra mídias e redes sociais de forma alguma. Acho que tem que ficar bem registrado isso. Porém, e sempre tem um porém aqui, os ciclos estão diminuindo e a disputa pela atenção tá muito forte, o que leva a provocação da Brown aqui, né?

O que tá acontecendo é o seguinte, pelo menos uma visão que eu tenho, modesta visão que eu tenho, basicamente é o seguinte, né? Nós estamos nos provocando ao imediatismo de absolutamente tudo, sem separar o que é prioridade e o que é urgência. A prioridade, ela é singular. Aquilo que eu tenho que fazer é inegociável. Eu continuarei no horário que nós estamos fazendo aqui. Eu ainda tenho coisas a fazer aqui hoje. Por quê? Porque é prioritário.

Ah, mas você deixou em cima da hora. Não, eu programei para hoje. Uma prioridade, ela pode ser programada, ela pode ser inserida porque veio assim de maneira inédita aqui, extraordinária. Mas tudo bem, ela é uma prioridade, ela é singular. E a urgência, ela é plural. Olha que comparação, é que complemento mais do que uma comparação. Daria para fazer uma camiseta, né, para ir para eventos. Eu vou, aliás, eu vou fazer isso, entendeu?

Esse público aqui, fazer uma camiseta preta escrito em branco aqui, bem chamativo, né? Uma camiseta bacana mesmo, né? Escrito assim: a prioridade é singular, a urgência plural. Então isso ganha uma frente muito valiosa para dizer o seguinte: na medida em que nós identificamos o que é prioritário, você comunica para a empresa inteira o que é prioritário. Por exemplo, Daniel está trabalhando num projeto de integração de CRM com inteligência artificial na empresa, tá?

Ele tem até, ele tem 2 meses pela frente, tá? Então provavelmente você vai fazer uma separação na tua agenda onde 50% do teu dia atende a prioridade, 40% atende o que é urgente e 10% é extraordinário, aquela coisa que aparece que não tem controle nenhum regimental, tá? Então fica uma linha 50-40-10, né? Na medida que façamos isso, né, a empresa tá comunicada. Olha, tem um negócio super legal aqui para mandar para o Daniel. Ah, mas não tem a ver com IA e com CRM.

Deixa eu programar com calma. Não, vai ter um evento agora sexta-feira, acabei de ganhar o ingresso, evento global que fala de IA aplicada à jornada do cliente, CRM, né? Tá na linha dele, eu tenho que falar com ele, isso aqui é prioritário. Ô Daniel, dá uma parada aí, ganhei um voucher aqui, custa R$12.000 para entrar, tá? Ganhei um voucher free, é para você, tá? Você tem que ir lá, é a tua cara, é o projeto que você tá fazendo aqui.

Você percebeu? Só que hoje tá tudo lugar comum, tudo junto, não tem mais o que é prioridade, o que são as urgências, né? As pessoas não cortam o mato alto dizendo isso é prioridade, isso aqui são as urgências, né? Tudo tem que ser feito agora. E aí a saída que as pessoas estão colocando, sabe qual é? Eu consigo fazer 10 coisas ao mesmo tempo. Culpa da minha geração. A minha geração, eu tenho 60 anos de idade, a minha geração vendeu para todo mundo que nós somos multitask.

É que em inglês fica bonito multitarefa, né? Então nós somos multitasks, né? E aí a pessoa fica ansiosa por fazer tudo. Sim, Daniel. Acabou o antes, durante e depois. Antes existia antes do trabalho, durante o trabalho e após o trabalho, tá? Agora é uma parede de fumaça, e essa parede de fumaça você cruza a qualquer momento, essa parede aqui. Então não é incomum, e deveria ser extremamente raro isso, tá? Mas não é incomum a pessoa ter uma compulsão, não tem outro nome, uma compulsão às 23:54 da noite para poder olhar o WhatsApp da empresa.

Sim, às 13 horas, 13 horas, 1 hora e 4 da manhã, deu vontade no banheiro, sei lá, ela volta, ela vai acessar o Teams para ver se aconteceu alguma coisa. E é 5:02 da manhã, ela responde o email. Para quê?

DMDaniel Mendes

Para quê?

RNReinaldo Nogueira

Qual o efeito? Sabe o efeito? Tirei da minha frente. Sim, basicamente isso. Nós Deixamos de trabalhar em equipe. Eu quero tirar da minha frente, eu quero fazer rápido, eu quero deixar bem pronto aqui, né? E é isso que tá acontecendo. Então é na linha da probabilidade o que tá levando as pessoas a ficarem dessa forma. E olha, cuidado, como a Brown falou, né? As pessoas não estão bem é porque nós trouxemos um grau de tudo tem que ser feito agora.

E as pessoas estão, para concluir minha fala aqui, elas estão até com a respiração curta.

DMDaniel Mendes

Sim.

RNReinaldo Nogueira

A pessoa tá respirando sempre curto aqui, sempre ansioso, sempre eu tenho que fazer alguma coisa, tal. Quando vai falar com você é balançando o pé, agitado, não consegue ficar sem pegar o celular e tudo mais, tal. Nós estamos representando isso no dia a dia. Então, velocidade 2.0 no WhatsApp virou normal. As pessoas, eu tô falando aqui em velocidade 1.0, ninguém se comunica em 2.0. É aquela coisa assim, ô Daniel, estamos aqui conversando sobre CRM, CRM tem que ser colocado rapidamente para empresa.

A gente não fala desse jeito, não. Ninguém fala assim no dia a dia. Você encontrar alguém no metrô, olá, bom dia, Santa, indo para onde? Eu tô indo para o trabalho agora, tem uma aula para dar na noite, até mais, um abraço. Ninguém fala desse jeito. Então por que que nós estamos fazendo isso com o nosso cérebro? Eu não tenho a resposta, mas isso em partes responde o porquê que nós estamos empurrando tanta coisa ao mesmo tempo e gerando o mal da vida moderna. Começa com an, termina com ansiedade. Ansiedade. Boa, boa, boa, boa.

DMDaniel Mendes

Curioso você ter até trazido a questão da respiração, Reinaldo, porque hoje de manhã eu tava conversando com uma grande amiga e ela fez o seguinte comentário para mim: ah, me passaram que respirar seria uma ferramenta para me ajudar a diminuir minha ansiedade. Aí eu peguei e falei assim para ela: respira para eu ver como que você faz. Ela fez aqui. Aí eu peguei, falei assim: você me permite fazer um comentário? Você tá respirando de uma maneira como se você estivesse numa maratona.

Então o seu corpo não vai absorver mudar o ritmo. Em função da forma que você está respirando. Então eu vou te dar uma sugestão, se você me permitir. Respire como o Murilo Gann, que é uma pessoa que eu gosto de ouvir falar, né, é que é um cara que tem até, fez stand-up comedy. Ele chama de quadradinho de 4. Você faz 4 vezes inspirar em 4 segundos, reter em 4 segundos, soltar em 4 segundos e ficar vazio por 4 segundos. Faz isso 4 vezes, aí você estabelece um processo de diminuir a velocidade do seu sistema, né? E é uma coisa simples, né?

RNReinaldo Nogueira

E eu vejo isso em várias frentes, né? Eu sei que as polícias fazem isso também em treinamento. Então a pessoa tá muito agitada, tá na correria ali e aconteceu uma ocorrência e tudo mais, alguns são treinados a respirar e orientar a própria equipe: olha, segura. Alguns fazem 737, parece que fala, respira 3 vezes com intervalo de 7 segundos, aquela coisa toda. Cada um tem uma fórmula aqui, mas O fato é o quadradinho aí de 4, seja o que for, é para trazer a menção aqui que é um dos componentes da nossa funcionalidade, a respiração.

Nós precisamos orientar o nosso corpo e a respiração tá mostrando que tá tudo bem, tá tudo bem. O teu corpo vai entender, o cérebro vai entender e tá tudo bem. Calma, não precisa você ficar desse jeito, tal. Cérebro vai falar: tem alguma coisa errada. Ele não quer me contar. O cérebro vai pensar por conta própria, né? Então ele ativa mecanismos de defesa, mecanismos hormonais e assim por diante de defesa. Sim, nós estamos em constante ritmo de alerta.

Sim. E ainda vimos na internet vários experts, entre aspas, aqui dizendo: não, se você acordar dando tranco de madrugada, é o corpo dando um sinal para você, que só para ver se você tá bem, e até o corpo também dando um sinal para você acordar. E vamos produzir, vamos ser do grupo das 4 da manhã. Eu não vou aqui criticar abertamente isso, mas eu vou deixar muito claro que eu não sou a favor disso. Nós precisamos do sono, imagina, nós precisamos recuperar os ânimos. Nós somos, nós não somos do reino digital, nós somos do reino animal.

DMDaniel Mendes

Sim.

RNReinaldo Nogueira

E no reino animal nós somos bichos, nós temos necessidades básicas de bichos, né? E uma delas, né, pirâmide humana básica de Maslow, né, que as necessidades humanas, né, é um bem-estar físico que passa pelo sono. Algumas pessoas, conheça seu corpo, conheça sua mente, o seu biorritmo. Tem gente que precisa dormir 6 horas, tem gente que precisa dormir 7, tem gente que precisa de 8.

DMDaniel Mendes

Sim.

RNReinaldo Nogueira

Tá tudo tranquilo isso, conheça você mesmo, né? É só que a pessoa muitas vezes vende aí que vamos lá, respira rápido e acorda 4 da manhã, já vamos fazer não sei o quê e tal. De repente é o teu ritmo, né? Mas só para finalizar, eu tenho uma brincadeira que você pode acordar cedo, mas depende a hora que você vai dormir, né? Eu tenho um sonho que é dormir no mesmo dia que eu acordo, né? Eu não consegui fazer isso até hoje. Nossa, eu não consigo dormir no mesmo dia que eu acordo.

Professor, vida noturna. Até chegar em casa, desacelerar e tudo mais, né? Vou dormir 1:30 da manhã, né? Então assim, eu não consigo. Aí vai falar para eu acordar 4:30, 5 da manhã? Não, não, eu não vou acordar 4:30, 5 horas da manhã, não mesmo. Uma 7:30, aí eu acordo e vou produzir o dia inteiro até 1:30 do dia seguinte. E assim vai. Aquelas 6 horas para mim são satisfatórias. Mas ao longo do tempo eu fui mudando. Como eu te falei, tenho 60.

Antes eu dormia muito, né? Ao longo do tempo fui dormindo menos, né? Talvez uma questão de biorritmo aí.

DMDaniel Mendes

Muito interessante essa questão que você trouxe, Reinaldo, que a gente tá vivendo num mundo que da mesma maneira que acaba não usando a palavra prioridade no singular e a urgências no plural, é de criar regras como se elas fossem universais, né? E além dessas regras universais, colocando pontos como se fosse assim: a gente não atingiu o resultado ainda porque nós não esforçamos o suficiente, né? E a gente sabe que nem tudo serve para todo mundo.

E além disso, nós vivemos num mundo, apesar de ter muita lógica em vários aspectos e contextos e processos, né, conforme você comentou, os 3 Ps: processos, pessoas, processos e produtos, né. Quando a gente olha para a dimensão pessoa, apesar de também existir lógica nas pessoas, essa lógica é extremamente mais complexa de um ponto de vista de avaliação e de causa e efeito, por assim dizer, né? Tanto é que no marketing, nós que damos aula até na ESPM, que é a escola de marketing, né, a gente sabe que para validar se um produto vai dar certo ou não, nós precisamos criar hipótese e testá-la.

RNReinaldo Nogueira

Exatamente, né?

DMDaniel Mendes

Porque, e mesmo criando a hipótese e testando, ela não é uma regra absoluta para 100% do nosso público ideal, né?

RNReinaldo Nogueira

É, definitivamente não.

DMDaniel Mendes

Ela vai gerar identidade a um grupo de pessoas que segundo aquele processo que foi criado, aquele gatilho, aquele gancho, etc., as pessoas se identificam. Mas vai ter um monte de outras pessoas que poderiam estar dentro daquele CP, daquele cliente ideal, né, que não entra, não morde a isca, vamos brincar assim, né. E até conectando nesse sentido e nesse aspecto Na sua percepção, Reinaldo, até olhando para o mundo ESG, para uma visão de ambiente, impacto social, governança, você até fez uma postagem falando no evento da Anshan de governança, né, de uso da IA até como uma sombra, por assim dizer, né.

E eu queria saber de ti, nessa visão de conexão humano-máquina, inclusive nesse aspecto, como que a gente pode criar um ambiente através do qual nós tenhamos aí uma transparência e uma colaboração humano-máquina que seja, digamos assim, ecológica? Que seja sustentável. Qual a sua perspectiva nesse aspecto? Foi muito complexa a minha pergunta, viajemos uma pedrada, mas vamos lá.

RNReinaldo Nogueira

Só recuperando um ponto da pergunta anterior aqui, muitas metas são colocadas, elas são chutadas. Isso me chateia muito. Simplesmente, qual a meta? A meta é vender, sei lá, 5 milhões para o vendedor, tá? Aí as pessoas chegam lá, né? Aí chega para o ano que vem, coloca 11 milhões. Mas de onde você tirou isso? Não, quem faz 5 faz 11, e fez fácil esses 5 aqui. Então deveria ter negociado mais, deveria ter colocado mais, né? E não tem nenhum senso, não tem uma lógica, não tem nada.

Simplesmente expõe o grupo ao estresse absoluto, né? E começa as batidas fortes lá em Q1, Q2, Q3, Q4, né, no quarto trimestre ali. Olha, tá longe de bater a meta, aí dá 8 milhões, né. Aí alguém fala, puxa, você ficou super chateado, né? Não, não fiquei não, eu sabia que eles não fariam 11. Eu tô batendo forte, é que se eu falasse 5 novamente, eles iam fazer 4. Então eu joguei 11 para fazer 8 mesmo. Eu esperava que ia dar 6,5, deu 8, tá mais do que bom.

Então isso é perverso, eu não tenho outro nome para usar. Isso é uma perversidade tão grande que pessoas perdem o sono. A ansiedade é um mundo que não existe, mas é projetado na tua cabeça. É uma realidade que não existe, mas ela tá fincada na tua cabeça e normalmente povoada por medos obscuros. Poxa, eu não vou bater essa meta, eu vou perder o emprego até achar outro. Vou perder escola do filho, vai atrasar a parcela do carro, a parcela da casa, vai dar problema aqui em casa, minha mulher não arrumou emprego ainda.

Pronto, acabou a vida da pessoa e ela não vai performar. Olha que mundo estranho que vivemos, né? Mas algumas pessoas colocam isso como bandeira e elas ficam no máximo 2 anos na empresa. Elas percebem o estrago que estão fazendo e vão pular para outra empresa fazendo o seu estrago. Isso permeia muito ainda o mundo corporativo. Muito. Então acho que é um, aqui é um lugar de fala que a gente pode abertamente falar isso. Não estamos citando empresa eticamente aqui, mas eu tenho certeza quem tá ouvindo aqui com certeza tá nomeando inclusive pessoas enquanto isso é dito, se não for a própria pessoa que é o agente disso.

Tá na hora de dar uma revisitada. Bom, sobre a sustentabilidade que nós podemos ter aqui, né, sustentabilidade foi muito associado a a ESG, a questões ambientais, né? Mas a palavra sustentabilidade, ela vem justamente da continuidade, até da economia circular também, né? Então isso é importante na medida em que governança, ela pode traçar uma— eu não diria traçar regras, mas ela passa a ser uma casa de referência, assim como a ESPM é a powerhouse do marketing, né?

A governança passa a ser uma powerhouse dos métodos da empresa. Isso traz segurança para as pessoas, isso traz calma para as pessoas. O sustentável aqui significa que as pessoas dialogando melhor e se comunicando melhor na empresa através de métodos e processos que todos conheçam, isso vai facilitar a vida das pessoas. Isso vai torná-las mais tranquilas e evitar em partes essa ansiedade que eu falei aqui. E uma coisa, uma provocação, né?

Quem vai ser descontinuado, jogado na geladeira ou mandado embora da empresa porque seguiu o processo? Ah, Daniel, perdemos aquela concorrência lá, horrível que você fez. Sim, eu segui o processo, mas não era para seguir. Ué, como não? Eu deveria fazer alguma coisa à parte então do que eu acho? Ô Daniel, a maioria, se não quase todas as coisas erradas, os desastres na empresa ou nas empresas, começa pela primeira pessoa do singular: eu.

Eu fiz assim porque eu achei, porque eu— a empresa representa processos e processo tá ligado a nós. Esse é o ponto, né? Então eu acho que a sustentabilidade aqui Ela tá ligada a essa continuidade da empresa, que tá ligado à governança. E a governança, ela é muito forte. A gente discutiu isso na Câmara Americana assim, né, de comércio Brasil-Estados Unidos. Então isso é muito forte mesmo, né, para deixar evidente que em qualquer segmento é fundamental que você tenha o lastro da continuidade no que você tá fazendo, né, e cada um fazendo a sua parte. Processos dentro de governança deixam isso muito claro.

DMDaniel Mendes

Bacana isso que você trouxe, que eu costumo dizer para as pessoas que é previsibilidade se dá a partir de processos, e previsibilidade com processos transparentes e um passo a passo diminui o medo e a ansiedade das pessoas, né?

RNReinaldo Nogueira

Isso é um fato. Só que a gente tá vivendo uma era, Daniel, que as pessoas falam: não, processo é uma coisa muito quadrada que deixa a empresa achatada, o negócio é jogar tudo na IA, cada um faz o seu e pronto, né? Não, aí vira listinha de tarefas, cada um faz o que acha que tem que fazer sem um esforço coordenado. Pois é, acha que tá trabalhando menos ainda, né? Então é bem isso.

DMDaniel Mendes

E por último, eu gosto de falar para as pessoas que as regras e processos servem para nos proteger. Sem dúvida alguma, que é o que você acabou de dizer. Se você seguir o processo, quem vai falar contra? Meu, seguir o processo, pronto.

RNReinaldo Nogueira

Que processo? Ah, mas não era para seguir?

DMDaniel Mendes

Então, então por que que existe processo?

RNReinaldo Nogueira

Brincando aqui. Aí entra o nobre senador novamente, né? Nobre senador, entra com o projeto de lei para que possamos mudar a lei do jeito que ela tá institucionalizada.

DMDaniel Mendes

Pronto. Que maravilha, que maravilha! É interessante que essa prosa nossa aqui, como a gente fala lá em Minas, né, a gente tá falando muito mais de princípios e fundamentos do que o que vem em cima deles.

RNReinaldo Nogueira

Exato.

DMDaniel Mendes

E quando a gente fala de essência, princípio e fundamento, o que vem em cima roda muito mais suave, né?

RNReinaldo Nogueira

Exatamente, muito mais suave. A base, a base.

DMDaniel Mendes

E conectando com uma das postagens que eu vi que você replicou da Boteio no LinkedIn, você falou sobre uma questão da comparação de autoridade dos bastidores lá no futebol do Rodri versus o barulho midiático do Yamal, né? Eu queria saber de ti, para quem nos escuta aqui, como que você enxerga? Porque você fez uma pergunta provocadora para as pessoas responderem. Foi ela, foi a Paula que fez isso, mas você também fez uma pergunta em cima pedindo para o pessoal comentar, né?

Em cima dessa provocação, eu queria saber como construir uma reputação relevante, por assim dizer, principalmente nesse mundo digital, sem virar escravo do algoritmo. Qual sua perspectiva? É possível ou isso não é possível?

RNReinaldo Nogueira

É sim. E quando publicar esse vídeo aqui, quando publicar esse podcast aqui, publica com arroba também da Paula Botelho, porque ela tá produzindo um material muito interessante, né? Ela tem uma visão muito legal de mercado e tudo mais. Eu vou traduzir aqui as palavras dela também, que eu concordo muito, né? Ela pergunta o seguinte, a Paula, né? Quem é você quando você tira o crachá da empresa. Quem é você quando você sai da empresa?

Eu cometi esse pecado capital quando eu estava na Oracle, né? Eu era o Reinaldo da Oracle, as portas se abriam.

DMDaniel Mendes

Sobrenome Oracle, né?

RNReinaldo Nogueira

Exato, Oracle Global ainda, né? Não era Oracle do Brasil, era da Oracle Corporation, né? Então eu ouvi o barulho dos sinos dos anjos quando eu passava, né? As portas se abriam, né? Quando eu ia para evento, tudo, não, vem cá, senta aqui e tal. Quando eu virei Reinaldo Nogueira, e aí, tu, o que você tá fazendo aqui, né? Ah, da Oracle. Ah, tá, você trabalhou lá, né? É. Ah, tá, vamos tomar um café qualquer hora dessa, tá? Quando você está numa empresa muito bem conceituada, o cargo legal, salário legal, benefícios, tudo que começa com L de legal aqui, as pessoas te chamam, aquela coisa toda, né?

Quando você vira você mesmo, né, no caso, deixa eu particularizar aqui, quando eu virei eu mesmo, aí eu percebi uma coisa que a Paula tem falado com muita propriedade agora, né? Eu não restou muita coisa, eu foquei muito na carreira e no sobrenome Oracle, né? E aí construir essa identidade de marca, identidade de persona, dá para ser feito sim. Mas só que isso não decola como um foguete, decola como um avião A380. Ele é pesado, ele é grande, só que ele vai decolando aos poucos.

Não espera retorno logo na primeira semana. Poxa, acabei de publicar, falei um negócio super interessante, todo mundo gostou, inclusive tive até uns 800 likes, mas ficou nisso. Não tá dando nada, tal. Já deu muita coisa. Antes de publicar você tinha zero likes, as pessoas nem sabiam que era você, né? Agora você publicou, você tem 3 likes ali. Vai aos poucos, daqui a 6 meses você tá com 40 likes, daqui a 2 anos você tá com 6 mil likes.

Você vai construindo identidade de marca. E é na fala da Paula Botelho que é exatamente isso, né? Quem é você quando você tira teu crachá? Eu acho que você pode, afirmo aliás, que você pode construir a tua imagem a partir dos princípios, dos valores, do que você acredita ser de fato a mensagem que você quer passar, né? Então, independente do lugar que você estiver, olha, vou pôr uma roupa aqui de briga e vou embarcar, que eu tenho que dar uma palestra segunda-feira em tal lugar, né?

Hoje é sexta-feira à noite, tô embarcando. Você tá totalmente despercebido lá no meio da multidão, né? Mas quando alguém senta para bater o papo com você, a tua mente ilumina do mesmo jeito. Só que ainda nós vivemos aquele negócio que temos que ter a capa do emprego, a capa da empresa, a capa do cargo, né? Bom, mantém a capa da tua empresa, do cargo, isso não é problema, desde que estejam equiparados na altura. O problema é o cargo estar mais alto que você.

DMDaniel Mendes

Nossa, fantástico, fantástica essa visão! E esse mundo imediatista que a gente tá vivendo faz as pessoas acreditarem que da noite para o dia vai viralizar, vamos brincar assim.

RNReinaldo Nogueira

Ah, tranquilo, eu vou estar com um cordão aqui de ouro pendurado assim rapidinho, aqueles óculos diferentões lá e tudo mais, né? Eu não amei, que eu esqueci. E pronto, vou estar fazendo um baita sucesso. Conquista a meninada, SQN, né?

DMDaniel Mendes

Só que não, só que não. Boa, boa, boa, meu querido amigo. Eu adoraria ficar com você aqui mais tempo conversando, mas a gente tem limites na vida, como tudo, né? Brincando aqui, nós vamos ter que marcar outra prosa para continuar isso aqui, porque tá muito gostoso falar contigo, muito bom demais da conta. E de verdade agradeço de coração sua disponibilidade, seu tempo. E para a gente encaminhar para os finalmente, é como você aprende mantendo cuidado do corpo, da mente, das relações?

É, e junto disso Que mensagem atemporal você poderia deixar para os nossos ouvintes aqui? Que você, vamos supor que você vai ouvir essa mensagem daqui 100 anos e ela ainda serve.

RNReinaldo Nogueira

Vamos lá. Bom, daqui a 100 anos provavelmente o meu São Paulo não vai ser campeão ainda, tá? Do jeito que tá, tá muito difícil. Quem é São Paulino sabe do que eu tô falando, tá muito difícil nesse momento exato. Estamos a 10 partidas sem ganhar. Rumo à segunda divisão com sucesso. Bom, feito o desabafo aqui, eu entendo que existe um tripé aqui, uma trilogia super bacana, que é o CRA. É ciência, religião e arte. Como equilibrar tudo isso?

Você tava perguntando, né? Eu entendo muito que absorver conhecimento, informações para produzir conhecimento, é fundamental, que é a ciência. A religião É o equilíbrio que cada um segue da forma que achar. Inclusive religião no conceito amplo, tá? Olha, eu não acredito em nada, aquela coisa toda. É tudo bem, a gente respeita todos os credos aqui e todas as frentes, né? Mas o fato de você pensar alguma coisa, projetar alguma coisa, já é um ato de acreditar naquilo que você não tá vendo.

E na religião isso tem nome, chama-se fé. Então ter a fé também vai te ajudar, né? E a arte é o diferente, a arte é o inusitado, a arte abre caminhos na sua mente, né? Ontem ainda assistia um documentário sobre a Elis Regina, nossa cantora. Para quem não conhece, gerações mais novas, pesquisem quem foi Elis Regina, né? E Tava vendo lá o filho dela, o João Marcelo, a Maria Rita, né, o César Camargo, tudo nome dos pais também, né.

E estava com a minha esposa assistindo, né. E quando eu falei de arte, só para fechar aqui o tema, né, é a primeira música que eu aprendi na vida, foi meu pai que me ensinou. Estava sentado, era pequeno demais, eu lembro olhando para cima, sentado no sofá, devia ter 6 anos de idade. E como eu falei, eu tenho 60. E era uma música de Elis Regina cantando: é pau, é pedra, é o fim do caminho, resto de toco é um toco sozinho, né? Então aquilo me fez, na arte, imaginar que era uma— 6 anos de idade, né?

Então eu imaginava uma rua com fim, é pedra, é pau, é toco, acabou aquela coisa toda, né? E da minha esposa, ela sempre gostou da música que Liz Regina também performava, que eu quero uma casa de campo, ela sempre imaginou a casa de campo, né? Então, que aliás, uma curiosidade, ficava aqui no bairro da Cantareira, aqui em São Paulo. Essa era a casa de campo de Elis Regina, né? Então, ciência, religião e arte equilibrados permite a você a estrutura da ciência, a fé e o acreditar da religião, e o mar aberto da criatividade da arte. E assim procura equilibrar.

DMDaniel Mendes

Amei, amei, meu rei. Muito obrigado de novo. É, onde as pessoas te acham para que a gente possa te marcar aqui no arroba e conversar com você?

RNReinaldo Nogueira

Olha, em dois lugares, tá? No LinkedIn é @reinaldonogueira. Tem lá outro Reinaldo Nogueira, achará lá, mas barbudo e esquisitão assim só eu, tá? Então é @reinaldonogueira, tudo junto, Reinaldo Nogueira, no LinkedIn. E no no Instagram. Eu não sou sério lá não, tá? Eu só coloco piadinha lá. É @prof.reinaldo.nogueira.

DMDaniel Mendes

Maravilha, maravilha!

RNReinaldo Nogueira

Vai ser um prazer continuar essa conversa, todo mundo quiser continuar lá.

DMDaniel Mendes

Que show de bola, que show de bola! É, muito obrigado mais uma vez. Isso, querido ouvinte, querido ouvinte, nos viu, nos escutou até aqui, tenho certeza que ficou com um gostinho de quero mais, né? Eu estou com gostinho de quero mais.

RNReinaldo Nogueira

Obrigado.

DMDaniel Mendes

Deixo aqui a sugestão e o pedido que gostou, compartilha com os amigos, dê o like, faça tudo aquilo que as redes sociais pedem, e a gente se vê em breve. Muito obrigado.