Episódios de PsicologIA

EP58 - Michel Gomberg conta porque focar nos erros pode destruir sua carreira e como virar o jogo

27 de agosto de 20261h10min
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Neste episódio do psicologIA, recebemos Michel, ex-executivo da Coca-Cola com mais de 20 anos de liderança corporativa, terapeuta e mestre em Psicologia Positiva pela Universidade de Melbourne.Discutimos por que o modelo tradicional corporativo de focar obsessivamente em "gaps" pode adoecer profissionais e como a ciência do bem-estar oferece uma saída prática baseada em forças reais, escuta ativa e regulação emocional.Capítulos do Episódio:00:00 - Introdução e a transição da Coca para Melbourne03:18 - Cérebro Velcro x Teflon: A armadilha evolutiva da negatividade07:14 - Além da positividade tóxica: O que a ciência realmente propõe11:30 - Liderança humanizada e o conceito de Ikigai no trabalho16:02 - A falácia do Messi no gol: O erro dos planos de desenvolvimento20:30 - Escuta ativa e presença na era das distrações digitais31:46 - Síndrome do impostor em executivos: Desarmando a fraude interna36:05 - Perguntas socráticas contra o pensamento catastrófico43:34 - Regulação fisiológica: O poder da respiração consciente58:27 - Mapeamento prático de forças e gestão de limitações#ia #genai #psicologia #lideracademy #psicologiapositiva #carreira #saudemental #escutaativa #autoconhecimentodanielmendes.pro.brdaniel@danielmendes.pro.br@danielmendespro

Participantes neste episódio2
D

Daniel Mendes

HostProfessor, Podcaster
M

Michel Gomberg

ConvidadoTerapeuta
Assuntos12
  • Mensagem Atemporal: Olhar ApreciativoCérebro velcro x teflon·Esforço consciente para o positivo·Busca por plenitude e vida plena
  • Cérebro: Velcro x TeflonTendência evolutiva à negatividade·Psicologia Positiva e equilíbrio
  • Psicologia Positiva vs. Positividade TóxicaFoco em forças e talentos·Não negar emoções desagradáveis·Visão equilibrada da vida
  • Escuta Ativa e Segurança PsicológicaHabilidade de escutar como carência·Presença na era das distrações·Técnicas: parafrasear, evitar interrupção
  • Síndrome do Impostor em ExecutivosConfundir identidade com cargo·Ansiedade e insegurança no trabalho·Resgate de talentos e histórias
  • Reconhecer Forças e Lidar com LimitaçõesNarrar histórias de sucesso·Complementaridade em times·Foco em talentos, controle de danos em limitações
  • Liderança Humanizada e IkigaiDesenvolvimento humano como propósito·Ikigai: amar, fazer bem, mundo precisa·Foco em déficits vs. forças
  • Planos de Desenvolvimento CorporativoFalácia do Messi no gol·Foco em gaps vs. talentos·Ganhos exponenciais em talentos
  • Perguntas Socráticas contra CatastrofizaçãoIdentificar o medo·Analisar indícios e cenários·Compaixão com o amigo
  • Regulação Fisiológica e Respiração ConscienteTécnica de inspiração e expiração·Conexão corpo-mente·Importância do sono e exercício
  • Hábitos de Bem-Estar e GratidãoExercício matinal como meditação·Tempo com a família·Prática de gratidão pelo ordinário
  • Experimentação, Leveza e FéAprender testando e experimentando·Leveza para lidar com incertezas·Fé como força para avançar
Transcrição29 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DMDaniel Mendes

Olá, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo ao nosso podcast Psicologia Positiva, onde eu trago convidados e eu bato papos de sugestões que você pode testar na sua vida e ver se o que a gente faz também funciona para você, para ter uma vida mais leve, produtiva e uma vida que faça sentido para você. E hoje eu tô aqui com um convidado que já foi executivo da Coca e resolveu mudar de ares e ir para Austrália fazer um mestrado em psicologia positiva.

Só que, como eu costumo dizer, ao invés de eu apresentar a pessoa, nada melhor do que ela mesma se apresentar. E Michel, meu querido, Seja muito bem-vindo ao nosso espaço aqui, sinta-se em casa. E como a gente fala em Minas, né, você é filho de quem, mexe com o quê? Fica à vontade para falar o que você quiser para que as pessoas te conheçam melhor.

MGMichel Gomberg

Oi, Diliel, boa noite. Eu tô falando daqui do futuro, diretamente do futuro, daqui da Austrália, 13 horas na sua frente. E você contou realmente coisas já importantes sobre minha trajetória, né? Eu fui executivo da Coca por 20 anos e em 2017 vim para a Austrália, para Melbourne, ter essa aventura aqui com a minha família. E o que me motivou assim vir para cá, o que viabilizou essa vinda, foi fazer um mestrado, uma ciência nova chamada psicologia positiva.

Alguns chamam da ciência da felicidade ou a ciência do bem-estar, e venho trabalhando nessa área nos últimos 10 anos. Na verdade, já trabalhava com isso antes, só não tinha a formação, fazia de forma muito intuitiva. E hoje eu trabalho como terapeuta, atendo adultos individualmente, principalmente executivos. E também trabalho com treinamento corporativo na área de saúde mental. E além disso, sou professor assistente na Escola de Negócios da Universidade de Melbourne, na gestão, na disciplina de gestão de pessoas. Então minha vida é esse mosaico.

DMDaniel Mendes

Que legal, que legal! E essa aventura de sair do Brasil e ir para Austrália literalmente é uma grande aventura, né? E o bacana é que você escolheu um dos maiores berços da psicologia positiva, né? Porque a gente tem dois grandes berços: a Universidade da Pensilvânia e a que você escolheu, da Austrália, de Melbourne, né? Para poder se especializar em algo sério, né? E a gente conversando antes de combinarmos de gravar esse podcast Você me disse que você gosta de explicar a visão da psicologia positiva como se o nosso cérebro fosse teflon para coisa boa e velcro para coisa ruim.

Conta mais para quem tá nos escutando o que que isso significa, porque velcro gruda e teflon desliza. Que que você quer dizer com isso? Que que você pode explicar para as pessoas para para que elas possam também experimentar um jeito diferente de pensar a vida.

MGMichel Gomberg

Essa frase que eu acho ótima não fui eu que cunhei, não, é de um psicólogo americano. Mas basicamente o que ela, o conceito que ela traz, é que por razões evolutivas o nosso cérebro ele presta muita atenção aos perigos E ele descarta facilmente os eventos que são mais prazerosos, né? E isso tem uma razão de sobrevivência mesmo, né? Se a gente não tivesse com o cérebro atento, né, às ameaças, a gente não tinha chegado até aqui na nossa trajetória evolutiva.

Só que esse modelo que foi tão útil para gente quando a gente era caçador-coletor, ele hoje precisa de um certo ajuste, né? E o cuidado que a psicologia positiva traz é justamente uma atenção intencional para aquilo que tá bem, não para a gente ver o mundo com uma lente cor-de-rosa e ignorar os problemas, né, mas justamente para a gente ter um olhar mais equilibrado sobre a gente e sobre o que tá no nosso entorno, né? Então, um dos, assim, dos mitos e das coisas que são mal compreendidas sobre psicologia positiva, pelo nome que ela tem, né, é essa crença de que é sobre positividade ou ignorar, né, os problemas.

E não é isso não, é só uma busca por uma visão mais equilibrada sobre a vida, né, e sobre o próprio indivíduo.

DMDaniel Mendes

Legal isso que você trouxe, até porque eu ia te perguntar exatamente sobre a sua perspectiva do que a gente vê no mercado de positividade tóxica, por assim dizer. Né, que muita gente, por não estudar, não se aprofundar, não ter um olhar de fato científico, quem normalmente é da psicologia que eu vou chamar de convencional, entre aspas aqui, né, tende a torcer o nariz para psicologia positiva, vou brincar assim, né. E eu gostaria de ouvir sua perspectiva sobre isso.

Né, porque eu tenho uma opinião formada, até porque eu entrei na psicologia através da psicologia positiva também. E hoje eu estou no 9º semestre da faculdade de psicologia, depois de ter feito um mestrado em psicologia organizacional e do trabalho, onde eu estudei psicologia positiva, engajamento no trabalho, forças de caráter, capital psicológico positivo com autoeficácia, esperança, resiliência e otimismo. Quando alguém chega para você te provocando numa visão dessa, desse gênero, como que você se posiciona e explica para pessoa: olha, não é positividade tóxica, é uma maneira da gente olhar a vida através de virtudes, forças? Como que você se posiciona?

MGMichel Gomberg

Olha, eu trabalho numa clínica, né, com— eu sou um terapeuta lá e tem outros psicólogos. E alguns deles têm a formação, né, de psicologia positiva, outros não. E o que eu acho que é mais bacana assim no olhar da psicologia positiva é que falar sobre os problemas é uma coisa muito importante na terapia, mas não é suficiente. E eu acho que é esse olhar que torna assim o nosso trabalho muito poderoso, né? Essa, esse entendimento do ser humano de forma mais, mais ampla, com um olhar mais apreciativo, sabe?

Eu percebo assim quando eu faço meus atendimentos quão poderoso é a gente ajudar nessa reflexão que permita a pessoa se enxergar a partir dos seus talentos também, né? Porque muitas vezes a pessoa chega ansiosa ou com depressão ou com síndrome do impostor, e quando você pede para ela se apresentar, ela se define pelo seu problema, né? A partir do seu problema, como se o problema que ela tem que é importante a gente cuidar, tá?

Não tô negligenciando isso não. Ela se define a partir daquele problema, daquela questão. E acho que uma parte importante do meu trabalho é ajudar que ela se enxergue de forma mais ampla, né? Que não seja só a partir do problema que ela tá enfrentando, né? E aquilo é parte dela, mas não deixar que aquilo defina a pessoa, eu acho que é fundamental para ela encontrar os recursos que vão ajudar ela inclusive a sair, né, daquela situação que ela tá querendo superar.

DMDaniel Mendes

Gostei da sua perspectiva, e eu penso semelhante a ti e acredito que Quando a gente observa que a psicologia positiva nunca defendeu que é negar as emoções desagradáveis, e sim também percebê-las e ao mesmo tempo fazer escolhas de vivenciá-las, e também olhar o lado bom e olhar o lado que a gente tem de força, olhar o lado que a gente tem de talento, para que em cima disso a gente consiga aí de alguma forma resolver problemas, ter uma perspectiva nova, ter uma perspectiva diferente, né?

Então acho bem interessante tudo isso. E agora eu queria conversar contigo a respeito da questão da sua carreira como diretor executivo na Coca, que você passou por décadas lá, e de repente algo aconteceu na sua vida que eu sei que você até falou que você já fazia isso de certa maneira empiricamente, mas o que te levou a ter esse olhar humanizado dentro do mundo corporativo, né? Porque a gente sabe que o mundo corporativo é desafiador, tem meta para bater, tem diversas coisas para fazer, né?

É, o que que fez com que você na sua carreira tivesse esse olhar mais humanizado? E aí, por consequência, eu acho que você foi cair na psicologia positiva porque você foi atrás de algo que de certa maneira comprovasse o que você já fazia intuitivamente, por assim dizer. E em cima disso, talvez você possa até conectar Qual é o seu propósito em cima dessas questões?

MGMichel Gomberg

É bom, tem várias perguntas aí dentro dessa, né? Sim, eu tive uma carreira muito bacana assim na Coca. Eu tive chefes maravilhosos, muitos chefes maravilhosos que me apoiaram inclusive no foco que eu passei a dar no meu trabalho, né? Eu assim comecei a me dar conta que a minha função mais nobre era o desenvolvimento humano, e que com o tempo eu deixei de ver que a coisa mais importante era que as pessoas desenvolvessem melhores programas de marketing para que os programas de marketing, os programas, né, em geral, que a gente, os projetos que a gente tratava, esses sim fossem na verdade um território fértil de desenvolvimento humano, né.

Então essa mudança em que o indivíduo não é o meio, né, mas o trabalho é o meio de desenvolver o ser humano, é que eu acho que foi a minha grande É mudança de chave, sabe? E foi muito bom encontrar nesse espaço o apoio para experimentar, para colocar essa tensão, né, no indivíduo. E eu me sinto assim muito honrado de ter tido essa chance, né? E o que aconteceu foi que quando eu comecei a fazer esses experimentos com meu time Eu percebi que aquilo ali tinha um impacto grande quando a gente fazia workshops de autoconhecimento, quando a gente começou a falar sobre gratidão no ambiente de trabalho, quando a gente começou a trabalhar empatia de forma mais estruturada.

E foi percebendo o efeito que isso tinha nas pessoas que eu notei que aquilo era uma uma prática poderosa. E aí eu decidi me aprofundar nesse conhecimento, e foi nessa trajetória que eu tomei, que eu tomei contato com a psicologia positiva e falei, caramba, eu acho que aí tá a teoria por trás dessa prática que eu vejo funcionar, né? Então esse foi um pouco do do caminho que eu percorri. E você falou, né, do propósito e tudo. Propósito é a combinação, né, interseção de 3 coisas, né?

É aquilo que a gente ama fazer, que a gente faz bem, né, e que o mundo precisa, né? E esse é o conceito, né, que os japoneses chamam de ikigai, né? E eles têm uma também, uma outra camada, que é, bom, e que estão dispostos a te pagar, né, para fazer. E eu acho que o meu tem muito a ver com desenvolver no outro esse olhar apreciativo para si mesmo e para o seu entorno, né? Que eu percebo que não é uma tendência natural, né? Eu acho que a tendência natural é um olhar bastante crítico.

E me lembro assim que nas empresas tem-se essa valorização, né, do olhar crítico. E temos que cuidar aqui para não pintar o olhar crítico como algo ruim, né, em si mesmo. Ele tem muitas, muitos benefícios. Mas o que eu acho que é nocivo nas empresas, acho que é isso que adoece as pessoas, é essa fixação com o déficit, é olhar para si mesmo a partir daquilo que eu não sou bom, e a crença de que a gente precisa botar uma grande parte, ou a maior parte da nossa energia, para melhorar aquilo que a gente não é bom.

DMDaniel Mendes

Você me fez lembrar uma metáfora que eu gosto de dizer com base nisso que você acabou de falar, que o mundo corporativo tem mania de olhar para mestres e dizer para os mestres: Você tá ruim no gol, você precisa melhorar no gol, e o cara é brilhante no ataque, né? Então, quando a gente observa a pessoa com base naquilo que ela é deficitária, a gente sempre vai achar gap. Mas quando a gente consegue olhar a pessoa sobre aquilo que ela brilha, se a gente coloca ela naquela posição certa ela vai ter performance, ela vai ter bem-estar e ela vai entregar o seu melhor, né?

E isso não significa que ela também não deva melhorar estando no ataque como Messi, por assim dizer. Tem que continuar treinando, melhorando e assim por diante. Mas em geral, o mundo corporativo tem essa tendência, né, de quando vai fazer aquela análise 360 a visão de performance, desempenho do ano. Olha, você é bom nisso, nisso e nisso, mas nisso aqui você precisa melhorar muito. Que é a brincadeira que eu falei do Messi jogar no gol, né?

Imagina a gente avaliar o Messi como goleiro ao invés de como atacante, né? Como cara que marca gol.

MGMichel Gomberg

Diga. Eu acho que é bom esse ano É importante esse olhar completo, né, sobre as nossas habilidades e as nossas limitações. Eu acho que o cuidado tem que ser com a intensidade de esforço que a gente bota por trás de cada um. Eu acho que esse aqui é o maior equívoco, né. E eu lembro que o template dos planos de desenvolvimento que eu eu vi pela primeira vez, era um template, era um template que quando pediam para listar, né, aquilo que você tinha conquistado e aquilo que eram os seus gaps, pedia para depois que aquilo, as atividades de desenvolvimento fossem centradas nos seus gaps.

E é esse para mim que é o equívoco, entendeu? Não é que você esteja mapeando o indivíduo de forma mais ampla, é que o esforço seja unicamente voltado para trabalhar aquilo que ele não faz bem. E o que eu noto é que isso cria dois problemas. Primeiro, um rótulo no indivíduo, né, porque você tá sempre olhando para ele através daquele aspecto que ele precisa melhorar. E segundo, é uma crença equivocada de que você vai ter muito mais ganho, um ganho exponencial, é fortalecendo, tentando resolver aquilo que ele não é bom, comparativamente a que você já trabalhasse naquilo que ele já faz bem, né?

E o que a ciência mostra é o contrário, é que os ganhos que você pode ter naquilo que você não é bom são marginais, e os ganhos que você pode ter quando você trabalha sobre os seus talentos, esses sim são exponenciais. Então é esse o cuidado que eu acho que a gente tem que ter, é na ênfase que a gente dá a cada um deles quando a gente foca o nosso crescimento.

DMDaniel Mendes

Gostei dessa perspectiva, bem legal, bem legal, show de bola. E agora indo para uma visão de impacto social, de ESG, Você treina equipes de empresas globais como a BHP, a Rio Tinto, onde você busca desenvolver nessas pessoas segurança psicológica, uma cultura melhor e assim por diante. Quando a gente olha para uma visão de sustentabilidade, de governança e de até impacto ambiental, Que habilidades os líderes precisam desenvolver para fomentar essa segurança psicológica, Michel?

MGMichel Gomberg

Olha, Daniel, eu, o que eu mais noto que os líderes carecem é a capacidade de escutar. É, e eu acho que é a gente reaprender a escutar, ajuda muito na organização, que as pessoas se sintam respeitadas e estimuladas a contribuir. Né, a colaborar, etc. Eu lembro assim da minha vivência corporativa, quão comum era que nas reuniões as pessoas, ao escutar, na verdade estavam esperando a sua vez de falar. É aquela escuta que é, na verdade, espera a respiração do outro, né?

Para se colocar. E eu acho que a gente, como líder ou como indivíduo mesmo, né, ser capaz de escutar com presença transforma muito a qualidade das relações, né. E eu acho que nesse contexto, né, que a gente vive hoje e tudo, Essa habilidade de estar presente nesse mundo cheio de distrações, ela é fantástica, né? Porque ela mostra para o outro um grau de respeito e de disponibilidade que é cada vez mais raro, né? Então, quando eu acho que quando a gente prática a escutativa, eu posso falar um pouquinho de que técnicas, né, estão dentro, né, da escutativa.

Isso transforma assim a qualidade das relações de uma forma extremamente poderosa, né. E assim, as principais práticas que estão dentro da escutativa envolvem primeiro A gente parafrasear, né, falar para o outro aquilo que a gente entendeu usando as nossas próprias palavras. Isso tem um papel importante, a beça, de primeiro validar o nosso entendimento e segundo mostrar para o outro quanto que a gente tá conectado àquilo que ele tá trazendo, né.

É muito interessante, algumas técnicas de negociação passam por isso, né? Passam por primeiro você mostrar que você genuinamente entendeu o ponto de vista do outro, né? Então isso é uma coisa muito importante. A segunda coisa é evitar a interrupção e Isso é cada vez mais difícil, né, quando a gente tem 500 estímulos, né, tanto os que vêm de fora, né, o Zap que apita, a mensagem que chega, etc., quanto de dentro. Assim, ah, me ocorreu uma ideia, né, então essa ideia, se eu não falar, eu vou esquecer.

E não é porque a gente vive num mundo cheio de distração que a gente não possa silenciá-las temporariamente, né? Então, um cuidado que eu percebo que é muito importante é a gente, de fato, quando tá tendo uma interação humana, a gente não fingir que tá tentando dar conta de mil coisas, né? É a gente tá ali com aquele foco. E quando nos ocorre alguma ideia, anotar, escrever, porque isso permite que a gente volte a atenção para a pessoa que tá com a gente, né?

Essa, essa crença de que eu preciso falar o que me ocorreu naquela hora, ela muitas vezes interrompe alguma linha de raciocínio que pode ser muito valiosa. Outra coisa que eu percebo é que a pergunta ativa, a pergunta, a escuta ativa, ela tem a ver com fazer mais perguntas. Por isso me confundi. Ela é menos sobre o que você fala naquela hora E mais sobre o que você compreende. E aí ela demanda um equilíbrio diferente assim de, cara, quanto que você tá naquela conversa explorando o tema. E por isso as perguntas cumprem um papel fundamental, né?

DMDaniel Mendes

Adorei essa perspectiva que você trouxe com esses passos. Eu Eu gosto de dizer que o principal mecanismo psicológico que a gente tem é atenção. E quando a gente não tá com ela ligada ou afinada, a gente não consegue levar para nossa memória de longo prazo ou mesmo interpretar com presença o que a pessoa tá nos transmitindo, né? Às vezes eu mesmo já fui assim, e hoje eu busco me treinar para não ser mais. A gente vive uma síndrome de que a gente é mais importante se a gente tá mais ocupado, né?

E às vezes as pessoas vêm conversar com a gente, ou a gente vai conversar com as pessoas, e a pessoa continua digitando e fala: pode falar que eu tô te ouvindo. Mas é impossível ouvir e digitar ao mesmo tempo, porque o canal de comunicação é o mesmo, né? Então quando acontece isso comigo, eu costumo dizer assim: não, eu te espero terminar de digitar, fica tranquilo. Tranquilo, porque senão a gente não faz uma coisa nem outra bem, né?

Eu uso uma metáfora com meus filhos, que falar, ler e ouvir é como se fosse um único liquidificador. Você consegue usar o liquidificador para falar, para ler e para ouvir, mas não os três ao mesmo tempo. Se você faz os três ao mesmo tempo, seria a mesma coisa de usar o liquidificador para fazer uma vitamina de banana, um suco de morango e uma panqueca. E aí eu vou misturar os três ingredientes e vai dar ruim, né? E quando a gente tá falando de processo de atenção para interpretar o que acontece É igual, né?

A gente vai misturar as coisas. Em geral, quando a gente trabalha em escritório, a gente trabalha muito com a mente. E quando a gente trabalha com a mente, a gente precisa em geral estar atento para poder tomar melhores decisões e pensar direito no que tá acontecendo, né? Então a gente vive uma ilusão de que a gente é multitarefa. A gente não é multitarefa. A gente é monotarefa. A gente se torna multitarefa para coisas que já foram automatizadas, como dirigir um carro enquanto eu converso com alguém, né?

Como de repente aprender a cozinhar e cozinhar nas 4 bocas do fogão simultaneamente, olhando um pouquinho para cada uma ali. Mas para pensar, a gente não é multitarefa, né? Eu diria que isso é impossível acontecer, principalmente em tarefas de média para alta complexidade. E a gente perde tempo quando a gente troca de tarefa, né? Vai de uma, vai na outra, e assim por diante. Indo nessa linha de visão, Michel, você como terapeuta, qual é a armadilha mais comum que você enxerga atendendo líderes executivos de alta performance que eles caem perceber nessa armadilha?

MGMichel Gomberg

Olha, uma coisa que eu vejo que é muito comum é que você, com o tempo, você confunde a sua identidade com aquele sobrenome corporativo, né? E você não não sabe mais bem assim quem é você se você tirar aquele sobrenome, né? Então, é resgatar quem somos nós, né? O que que a gente traz de especial e o que que a gente deseja, né, para gente, é uma parte importante assim dessas terapias com executivo, né? Tem muito a ver com propósito.

Muitas vezes a pessoa se sente assim um vazio, e isso é muitas vezes um sinal de que ela tá desconectada, a vida dela, né, atividade produtiva dela tá desconectada daquilo que é a essência para ela, né, daquilo que é valioso para ela, né. E eu também noto que tem uma um grande número de pessoas que tá vivendo assim um grau de ansiedade enorme no trabalho. Isso tem muito a ver com como é que hoje o mercado de trabalho tá desenhado, né?

Esse enxugamento assim dos quadros e essa mudança contínua e reestruturações contínuas, né? Isso traz um nível de insegurança assim enorme para as pessoas. Assim, lidar com mudança, com incerteza, é muito, é um tema muito comum. E uma coisa que eu vejo também é a síndrome do impostor. Eu vejo isso muito presente assim, porque principalmente com pessoas que têm, são high achievers, né, pessoas que têm, são muito bem-sucedidas profissionalmente, é curioso como essa sensação, né, de que eu sou uma fraude e que estão prestes a descobrir né, como é que isso aparece, né?

E um trabalho que eu faço para esse tipo de caso é a gente resgatar quais são os nossos talentos, né? E quais são os nossos talentos passa por algumas coisas. Primeiro, talento no sentido de aquilo que eu faço bem constantemente e que me energiza. Tem essa distinção importante do energizar, né? Porque eu posso ter competências, ou seja, coisas que eu faço bem, mas que não me energizam. Então a gente saber diferenciar o que que é o talento da competência é bem importante.

E como é que eu posso construir a minha vida profissional e a minha vida em geral, né, a partir dessas, dessas coisas que me trazem energia e que eu faço com muita habilidade, quase que naturalmente, né? Então, a síndrome do impostor, a gente trata resgatando no indivíduo essa consciência do que que ele tem de especial. Mas aquilo não é um exercício conceitual, ele precisa ser ancorado em histórias verdadeiras, né? Ou seja, eu quando falo dessas habilidades, eu tô mapeando elas a partir de eventos que a pessoa tá me contando que de fato ela percebe que foram situações em que ela tava na sua melhor versão.

Então, em vez da gente começar fazendo um brainstorming de, cara, o que que eu acho que eu sou bom, não, não, vamos narrar, vamos resgatar na sua trajetória quais são as situações em que você brilhou e identificar os talentos a partir dessas histórias. E isso dá uma, assim, uma potência, porque deixa de ser aquilo que eu aspiro, né, como habilidades ou como talentos, e passam a ser casos reais. E isso é muito, muito poderoso, né, quando a gente tá olhando para si mesmo.

DMDaniel Mendes

Eu imagino que isso que você acabou de dizer, de resgatar o que a pessoa tem de melhor, pode ser que você use uma técnica que vai ao encontro de um artigo que você escreveu sobre pergunta socrática, que pode servir para desarmar essa ansiedade no trabalho, conforme você tá até trazendo aqui. E em cima disso, como que você poderia explicar para quem não é terapeuta, por assim dizer, e para quem tá passando por algum momento de autossabotagem, inclusive, que perguntas através de um questionamento socrático a pessoa pode se fazer para resgatar essas coisas boas, para resgatar essa confiança de que ela é potente, de que ela realiza, e de que ela realizou, e de que ela é capaz de continuar realizando.

MGMichel Gomberg

As perguntas socráticas, elas podem ser muito úteis quando a gente fala de ansiedade, porque elas estão desenhadas para devolver os pensamentos catastróficos a uma proporção realista. Essa é a função delas, né? Quando a gente começa a ter esses pensamentos catastróficos, a gente imagina que o pior cenário vai acontecer e ele vai ter consequências terríveis, né? E essas perguntas justamente ajudam a reduzir essa bola de neve que vai crescendo alguma coisa que tenha o seu tamanho real, né?

E essa sequência de perguntas é basicamente assim: a primeira é, de que que você tem medo? E saber identificar isso pode ser muito útil para a gente enfrentar a ansiedade, né? Depois, a gente coloca esse medo no banco dos réus. E para fazer isso, a gente pergunta: bom, mas que indícios você tem de que esse, de que isso que você teme vai acontecer? E que indícios você tem que mostram o contrário, que é improvável que aquilo vai acontecer, né?

É a partir daí Você pergunta para a pessoa, você se pergunta, né, qual o cenário mais provável, qual o melhor cenário e qual é o pior cenário. E se o pior acontecer, como é que você vai lidar? Tem algo que você possa fazer hoje para mitigar aquele risco? E se você tivesse com um amigo passando por essa situação, o que que você falaria para ele? E ao final dessa sequência de perguntas, você pede para pessoa reavaliar, né, qual a probabilidade daquele cenário catastrófico de fato se concretizar.

E o que a gente nota é que o nível de ansiedade costuma diminuir muito, né, quando você, quando você coloca, né, o seu medo no banco dos réus. É porque cada uma dessas perguntas para diferentes pessoas acaba tendo um papel importante. Então, por exemplo, essa primeira parte, né, em que você pede as evidências, né, que indícios, né, mostram que isso deve acontecer ou não, muita gente se dá conta de que, cara, os indícios são muito fracos, né?

As provas são muito, são muito assim, são fracas. É outras, o que fortalece algumas outras pessoas é a crença de que se o pior acontecer, elas vão saber lidar com aquilo. Elas são capazes, né, de lidar com aquilo. Em algumas outras, quando você pede para projetar isso num amigo, a razão é que em geral a gente é muito mais compassivo, né, tem muito mais compaixão com o outro do que com a gente mesmo. E a pessoa, na verdade, quando tá falando para alguém, tá falando para si mesmo, né?

E ela percebe que, cara, Aquilo não é um olhar justo, né, ou razoável. Então eu gosto muito dessa, dessa técnica porque eu acho que ela muitas vezes reduz, né, esse monstro, essa bola de neve, alguma coisa que é gerenciável, né.

DMDaniel Mendes

Eu adorei a maneira como você articulou essa sequência de perguntas contas, porque literalmente acaba conduzindo a pessoa a sair da catastrofização para uma visão mais realista, né, para uma visão mais verdadeira. Porque quando a gente tá no mundo da imaginação, até porque o nosso cérebro ele tem uma tendência de velcro versus teflon, para as coisas ruins, a prioridade em olhar a coisa ruim é maior para que a gente possa de alguma forma conseguir, entre aspas, estar preparado para o pior, né?

Só que quando a gente avalia, o pior quase nunca acontece nessas catástrofes, por assim dizer. E se por acaso acontecer, nós temos recursos para lidar com ele, que é o que você comentou. E a ideia de olhar como terceira pessoa, isso também acaba gerando em quem vai dar o conselho para essa terceira pessoa uma perspectiva de solução que veio de dentro dela mesma, né? Fantástico! Adorei, adorei a maneira como você conduziu. E a gente falou muito nessa parte, Michel, sobre o nosso pensar, né?

Agora eu quero inverter a história num aspecto de irmos para uma outra dimensão. Eu vi uma historinha que você compartilhou sobre uma técnica de respiração que impactou uma situação médica com seu cirurgião. Por que que eu tô falando que é o contrário? Porque enquanto a gente tá pensando, a gente tá afetando o corpo e diminuindo a ansiedade, inclusive os sintomas físicos. A respiração é física. Conta para a gente o efeito e essa conexão da respiração para afetar o pensar e o sentir.

MGMichel Gomberg

Tá. A história do cirurgião é que eu fui botar um stent. Eu não tinha nenhum sintoma assim, mas o O meu colesterol tava alto. E aí eu fiz um exame e esse exame apontou um entupimento e tudo, e que precisava de um stent. E aí quando eu fui fazer esse procedimento, antes de tomar anestesia, eu tava fazendo, tava usando essa técnica de respiração. Justamente para me acalmar, né? E o cirurgião pergunta para anestesista: ah, ele já tá, sei lá, já tá dopado, alguma coisa assim?

Aí ela, como ela, como anestesista tinha conversado comigo antes e eu tinha explicado o que que eu tava fazendo, né, para me acalmar, ela falou assim: não, ele deve estar usando aquela técnica dele da respiração que ele ensina para os clientes. Não foi essa história. E essa, basicamente, essa técnica ela ajuda a gente em minutos. Isso é impressionante, a relaxar, porque ela provoca toda uma mudança assim no nosso metabolismo que é muito calmante assim.

E ela funciona assim: a gente inspira duas vezes pelo nariz, a primeira para encher o pulmão e a segunda para colocar ainda mais ar para dentro. E depois a gente expira lentamente pela boca e faz isso uma sequência de vezes, 5, 10 vezes. E é impressionante assim o efeito que isso tem. E o bom disso é que é um recurso que tá sempre contigo, né? Dá para fazer em qualquer lugar e tem um resultado muito rápido, né? Em minutos você se sente mais relaxado.

E o que eu Uma coisa que eu acho que isso traz de legal é que hoje na terapia tem uma tendência muito grande a olhar só para cabeça, né? E eu acho que um cuidado que a gente que trabalha nessa área de saúde mental precisa ter é de lembrar da conexão entre a cabeça e o corpo. E de como que a gente é um sistema integrado, né? Então, coisas muito básicas que eu acho que a gente precisa cuidar tem a ver com a qualidade do nosso sono e quanto que a gente está se exercitando.

Tem muitas outras coisas, né, nessa, nesse espectro assim do bem-estar. Que influencia a nossa saúde mental. E não é só cuidar da cabeça que vai ajudar, ou cuidar do coração, né? Tem coisas muito fundamentais nos nossos hábitos que contribuem muito para a gente tá bem, né? Tá de bom humor, tá enxergando possibilidades, né? Eu brinco que a mesma situação pode ser o céu ou inferno, dependendo de como a gente interprete, né? E muitas vezes uma pessoa que tá privada de sono, ela vai enxergar o inferno aonde poderia ver o céu, né?

DMDaniel Mendes

Na psicologia a gente estuda que nós somos seres biopsicossociais e que esses 3 pilares, eles são fundamentais serem olhados para apoiar a pessoa a ter bem-estar, inclusive, né? O bio é o corpo, psico é a mente, o social são as relações, né? E você bem trouxe, de nada adianta eu tá cuidando da minha cabeça se eu não tô cuidando do meu corpo físico. Me alimentando bem, dormindo bem, me exercitando. E ao mesmo tempo, de nada adianta eu cuidar da minha cabeça se eu não cuido das minhas relações.

Que até segundo um estudo da Harvard, que é o estudo mais longo longitudinalmente dizendo, né, tem mais de 80 anos que ele tá rodando, eles avaliam diversas pessoas sobre diversas perspectivas para estudar o que causa longevidade saudável e com bem-estar. E o maior preditor de tudo isso no biopsicossocial é a conexão, são as relações que a gente pode contar, né? Então olha a importância da gente olhar para esse lado de relação, além da mente e além do corpo junto no meio de tudo isso.

Né? Importantíssimo observar todas essas questões. Em algumas linhas da psicologia também se fala do lado espiritual, né, poético, quando a gente vai para uma linha da logoterapia mesmo, né, da fenomenologia, existencialismo, Viktor Frankl e assim por diante. E agora, meu querido amigo Michel, eu gostaria de te te perguntar uma coisa: você hoje, com toda essa experiência que você tem de vida, com o olhar da psicologia positiva, sendo terapeuta, o que que você falaria para o Michel de 10 ou 15 anos atrás, que estava no mundo corporativo de conselho, que talvez você não tivesse a maturidade que você tem hoje?

E talvez você estivesse fazendo algo que não fosse tão adequado para sua saúde mental, física ou relacional, por assim dizer. Teria algo que você mudaria ou, na sua perspectiva, você falaria: continua fazendo o que você sempre fez?

MGMichel Gomberg

Eu acho que o que eu fui aprendendo assim nessa minha nessa minha caminhada é da importância da gente ir experimentando, testando, sabe? Acho que essa minha vinda para Austrália foi assim, a forma como eu construí a minha carreira também foi assim, né? Depois de sair do mundo corporativo, essa lógica da experimentação acho muito boa, sabe? É porque ela acho que traz uma leveza. Essa palavra, eu acho essa palavra muito poderosa, né?

Ela traz uma leveza. Eu tô experimentando como uma forma de aprender que é muito útil para a gente lidar com as incertezas, para a gente lidar com o novo, e E para a gente ver onde é que as sementes que a gente vai jogando, né, onde é que elas florescem, né. E a outra acho que é a importância da fé, né. E tem uma frase que eu acho muito bacana, que é: vai fazendo e vai rezando, né. E E eu acredito muito nisso, né, de a gente usar a fé como uma força para avançar quando a gente não consegue necessariamente enxergar que aquilo que a gente tá fazendo necessariamente vai nos levar onde a gente deseja, né? E aí a fé é muito útil para nos manter andando, né?

DMDaniel Mendes

Boa, boa, boa! Experimentação, leveza para lidar com incerteza, e a fé vai fazendo e vai rezando. Adorei, tá anotado no meu caderninho aqui. Vai fazendo e vai rezando. Muito bom, muito bom. E Michel, indo para uma visão de ordem prática agora, é até de hábitos que você tem, que é normalmente um dia a dia seu típico, como que você insere de repente na sua semana comportamentos que te ajudam a fazer até essa experimentação até essa leveza?

E junto disso, de onde você tira esses conhecimentos? Que dica que você daria para quem pode aplicar essa experimentação, essa leveza? Livro, filme, artigo, vídeo no YouTube? Conta para gente aqui como que normalmente você faz para ter essa experimentação manter essa leveza e as suas fontes?

MGMichel Gomberg

Olha, é sempre perguntar como é que é o meu dia a dia. Não tem muita rotina não, mas tem coisas que eu busco manter, e uma delas é o exercício, principalmente na parte da manhã, né? Eu nado E esse para mim é um momento muito importante porque é quase que para mim uma meditação, sabe? Eu não consigo meditar, às vezes que eu tentei fora fracassei dramaticamente, mas quando eu tô nadando eu acho que naquele, naquela tentativa de manter vivo ali, né, chegar até o final, aquilo ali demanda que todo o foco, né, do meu, da minha cabeça esteja encarnar próximo abraçado, né.

E aquilo me faz muito bem, esse momento, né, de não estar pensando em nada. E depois, sensação maravilhosa que o corpo produz após o exercício, né. Então assim, esse hábito do exercício Para mim é muito fundamental. É outro hábito que para mim é muito importante, é estar com a minha família, e isso me nutre muito. E uma outra coisa que eu busco ter é essa prática de o que que eu, que bênçãos eu tenho na minha vida, né? Enfim, nas minhas orações e tudo, na minha prática espiritual, esse olhar para, cara, começar agradecendo aquilo que tá bom, né?

E esse é um músculo que quanto mais a gente pratica, mais a gente, mais a gente enxerga, né? E também, quando eu penso nessa, quando eu faço essa prática de gratidão, cuidar de incorporar também aquilo que a gente, eu nem sei como é que se fala isso bem em português, em inglês tem uma expressão que é take for granted, que é a gente nem se dá conta que a gente tem. É que é, às vezes é a coisa mais básica, né, de cara. Você tem uma cama para dormir, né, tem uma roupa para vestir, você tem uma gente que te ama e que você ama na sua vida.

A gente, às vezes a gente esquece isso, né, e só, e pensa que agradecer é só para aqueles eventos extraordinários, né. É, mas são esses outros, são essas outras condições que me nutrem. Então eu acho que isso que eu falei, é, na minha prática terapêutica, por exemplo, uma das coisas que eu sempre busco é que o indivíduo perceba quais são as fontes de energia na vida dele, né, e como que ele pode se permitir ter mais momentos com aquelas coisas que trazem energia, né?

Essa consciência do que que me mantém firme, né? Do que que me ajuda a seguir em frente e de o que que torna a minha vida mais saborosa, né, colorida. É muito, muito benéfico assim a gente fazer, né? Não sei se eu respondi. Você tinha feito várias perguntas em uma, eu não sei se eu consegui responder.

DMDaniel Mendes

Respondeu sim, respondeu sim. É interessante a questão da gratidão porque eu acredito, até conectando com a história do cérebro, ser mais negativo que positivo, é o exercício da gratidão ajuda a fazer uma compensação de observar que coisas boas acontecem o tempo todo em nossas vidas, né? Eu tenho um amigo que é jornalista, o Patrick Santos. Ele costuma dizer que a vida está no ordinário. E não no extraordinário, né? E que quando a gente aprende a olhar a vida com gratidão no ordinário, a gente tende a ser mais feliz, né?

Porque o extraordinário acontece de vez em quando e o ordinário tá aqui a todo momento, né? E quando a gente aprende através da atenção a saborear o que acontece, e literalmente a reconhecer que aquilo é uma coisa boa, e a expressar agradecimento a quem trouxe aquele benefício, isso se torna mais valioso, e isso nos pode nos energizar, né? E como que a pessoa pode reconhecer a sua força? O seu superpoder, né, para de repente ela amanhã descobrir isso nela.

E além de reconhecer esse lado bom, o que fazer para lidar com as limitações ou gaps? Que sugestões que você pode trazer aqui para as pessoas nessa perspectiva, meu amigo?

MGMichel Gomberg

Daniel, é sobre as Sobre superpoderes, eu acho que a gente cobriu um pouco antes, e eu acho que a técnica que eu acho que traz maior ganho de consciência é essa em que você pede para o indivíduo narrar histórias, né, ou eventos ou circunstâncias na qual ele tava na sua melhor forma, e a partir daí identificar que habilidades, né, que talento ali é presente. Eu gosto muito de fazer isso em grupo, de tal forma em que o indivíduo que tá contando a sua história conte ela para alguém, e esse alguém replique para o grupo o que entendeu da história.

E aí o grupo compartilha o que que identificou de habilidades, e o indivíduo, a partir daí, percebe o que que para ele reforça algo que ele já sabia sobre si mesmo e o que que ele ouviu de fora que não tava tão claro, que ele não tinha percebido. E isso é bem comum, porque como os nossos talentos nos ocorrem de forma natural, muitas vezes a gente não percebe que eles são talentos, porque a gente acha que eles vieram quase sem esforço, né?

E a gente acha que eles não são nada demais. De fato, é aquela coisa de, para a gente, é quase como um pano de fundo, né? Eu enxergo as coisas assim naturalmente. Então isso vir de fora traz esse benefício para lidar com as nossas limitações. As coisas que eu costumo colocar atenção são, primeiro, pensar que a gente deveria atuar em conjunto para preencher os nossos gaps, né? Tem um termo em inglês que se fala no mundo corporativo que é o all-rounded, a pessoa que é bem completa, né?

E eu acho isso uma absoluta falácia. Eu acho que o que são completos são os times, né? E então assim, buscar a complementaridade não dentro só de si mesmo, né, mas no seu entorno, né. Ou seja, aquilo que eu não faço bem e que me drena energia, quem é que faz com satisfação e qualidade, né, que pode me complementar? Então essa é uma das frentes. A outra frente é qual é a proporção do tempo que você bota, né, nos seus talentos e nas suas limitações.

E o foco, a maior parte do tempo, deve estar nos seus talentos. E a implicação disso é que sim, é importante a gente tratar das nossas limitações, mas pela própria natureza delas, é a nossa meta Não deve ser necessariamente virar um craque naquilo que a gente não faz bem, mas simplesmente fazer uma espécie de controle de danos, né? Nossa meta ali deve ser, cara, isso pelo menos não me tira do trilho, não me coloca em risco, vamos dizer assim.

É, eu, eu acho que a gente precisa ser criterioso na escolha daquilo que a gente vai tratar como limitação. E eu acho que uma boa analogia é aquilo que é a nossa kriptonita, né, como era para o Superman, né. Não são várias coisas, escolhe uma de cada vez. E pensa que a tua meta com aquilo é, pelo menos, vou fazer um controle de danos, né?

DMDaniel Mendes

Muito bacana essa perspectiva que você trouxe, e ela vai ao encontro também de algo que eu acredito. Eu falo assim que Papai do Céu é tão perfeito que ele nos fez como seres humanos incompletos para a gente precisar uns dos outros. Sobre uma perspectiva até de virtudes, quando a gente observa a coragem, a gente observa que a temperança é meio que o contraponto da coragem. Porque enquanto a coragem é agir, a temperança é: antes de agir, pense.

E nós precisamos em times ter corajosos e ter temperantes, porque senão sai fazendo coisa sem pensar. Ou se só tem, sem ter, só tem temperante, a gente trava e não faz nada, porque nunca tem informação suficiente para ser prudente de maneira a agir, por assim dizer, né? Então, no final das contas, a gente precisa de um equilíbrio entre pessoas que fazem com que a condução de uma empresa, de um time, tenha um equilíbrio, né? De nada adianta ter um monte de gente criativa que vai fazer inovação se eu não tenho gente junto ali que fala assim: calma, vamos avaliar antes de realizar, né?

Muito bacana, muito bacana. E meu querido, já para a gente ir para os finalmente aqui Tamo cruzando aí já há mais de uma hora. Olha como entramos em flow, que é uma das questões que nos energiza, né? Eu nem percebi o tempo passar, sinal que a prosa tá boa, né? Pensando aqui que essa mensagem que você vai dizer vai atingir todo mundo, no mundo inteiro. E se você pudesse pensar em uma mensagem atemporal, que se a gente escutá-la daqui 100 anos ela serve, qual seria essa mensagem que você deixaria para quem nos escuta?

MGMichel Gomberg

Daniel, eu vou resgatar aquilo que você abriu, né, nosso papo, falando, eu acho que sintetiza assim na nossa conversa, né? Essa ideia de que o nosso cérebro é um velcro para o negativo e o teflon para o positivo, ela traz muitas implicações para o olhar que a gente tem para a vida, né? E eu acho que a demanda que ela gera é que a gente precisa fazer um esforço consciente para olhar o que tá bem, se a gente quer ter uma visão equilibrada sobre nós mesmos e o mundo.

Eu, isso é um, acho que é um princípio que norteia não só meu trabalho, mas a minha visão assim de vida. E eu acho que isso é muito útil para a gente não, não Não necessariamente só viver uma vida alegre, não tô falando de felicidade só no seu aspecto mais do prazer, da satisfação pontual, mas no sentido da plenitude, né? Eu acho que uma vida plena, que é o que a gente merece viver, ela requer esse olhar apreciativo, sabe? E acho que esse é meu convite.

Para quem está ouvindo a gente, de buscar desenvolver esse olhar apreciativo para o que está dentro de si e para o mundo que está à nossa volta.

DMDaniel Mendes

Adorei! A palavra apreciar, muito legal, muito legal! E, muitas vezes, a gente não aprecia por falta de atenção, ou não aprecia por não colocar intenção de fazer esse equilíbrio, né, entre o velcro e o teflon, por assim dizer. Muito bacana. E meu querido, agora literalmente para a gente terminar, se quiser passar qualquer recado, qualquer coisa que você gostaria de compartilhar, e deixa por gentileza suas redes sociais, onde as pessoas te encontram?

É Instagram? É LinkedIn? É WhatsApp? É email? É sinal de fumaça como antigamente, né? Como que as pessoas podem falar contigo? E muito obrigado de coração por sua gentileza e generosidade de compartilhar suas experiências aí com a gente.

MGMichel Gomberg

Eu que agradeço, Daniel. Eu sinto que esse nosso papo vai continuar muito, vai terminar, a gravação vai terminar, mas o papo vai continuar muito. Eu publico no LinkedIn e tô começando a usar agora o Instagram. Tinha muita vergonha assim de me filmar assim, então esse Essa é uma plataforma assim mais nova para mim. Eu tenho tido assim cuidado em não passar tempo demais nas redes porque acho que elas trazem muitos, muitos outros, uma dependência que não é saudável.

Então, e assim, meu tempo nas redes E o meu site, eu acho que é a forma mais fácil de as pessoas saberem mais sobre mim. Eu coloco lá os livros que eu já publiquei, os manuais, etc., os artigos, os blogs. E o nome do meu site é positivemindset.au, não tenho com. Então positivemindset.au é o meu site. Ou se você procurar pelo meu nome na internet, certamente vai ser levado para esses canais. Então esse é o jeito mais fácil de falar comigo.

DMDaniel Mendes

Legal, Michel. Mais uma vez, grato demais por sua gentileza, e a gente continua se falando com toda certeza depois da gravação. Tenho certeza absoluta. E você que nos assistiu até aqui, que ideias você vai aplicar na sua vida do que o Michel compartilhou aqui, né? Gostou? Pega aquele botãozinho de compartilhar e manda esse vídeo para um amigo, para um familiar, para quem precisa ouvir isso. E em breve a gente se vê. Até a próxima!