Episódios de PsicologIA

ep57 | O Erro do RH ao Tentar Segurar Talentos Só Com Dinheiro! | Elton Moraes

27 de agosto de 20261h21min
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Como a Inteligência Artificial e a Ciência de Dados estão revolucionando a gestão de pessoas e a tomada de decisões no ambiente corporativo? 🧠📊Neste episódio especial do podcast Psicologia & IA, conversamos com o Dr. Elton Moraes, doutor com formação na Universidade de Cambridge e referência nacional em People Analytics, Psicometria e Comportamento Organizacional.Mergulhamos fundo sobre como traduzir a subjetividade humana em variáveis mensuráveis, o verdadeiro motivo do turnover nas empresas (não é só dinheiro!), os riscos de atrofia cognitiva ao delegar todo o pensamento para a IA Generativa, e o verdadeiro sentido de uma liderança humanizada.Assista até o final e descubra como aplicar dados para liderar com eficiência, retenção e saúde mental! 💡🚀📌 Capítulos do Episódio (Tempo Exato da Transcrição Completa):00:00 - Introdução: Boas-Vindas ao Podcast Psicologia & IA01:25 - Trajetória de Elton Moraes: Das Origens ao Doutorado em Cambridge05:43 - Psicometria: Como Traduzir o Comportamento Humano em Dados09:22 - O Que É People Analytics? Da Estatística Pura à IA Generativa11:53 - Turnover e Salário: Por Que as Pessoas Realmente Pedem Demissão?17:15 - Terceirização da Mente: A IA Está Atrofiando Nossas Decisões?22:27 - A História das Rosquinhas: Empreendedorismo, Troco e Responsabilidade aos 8 Anos29:43 - A Origem no Esporte e a Descoberta da Pesquisa Científica na Psicologia35:46 - Mudando o Jogo nas Empresas: Aplicação Prática de Regressão Linear no RH39:48 - Ser Autêntico vs. Ser Ingênuo: A Força da Vulnerabilidade no Líder45:43 - O Problema do Big Data: Por Que 70% dos Dados de Pessoas São Lixo?52:59 - Métricas de Clima vs. Realidade: O Líder Não É Herói1:01:02 - A Sociedade da Distração: A Batalha Pela Atenção Humana na Era Digital1:07:15 - Revertendo a Preguiça Mental: Neuroplasticidade, Esforço e Aprendizado1:11:04 - Felicidade Hedônica vs. Eudaimonia e o Exercício da Reciprocidade1:15:02 - Recomendações de Livros Essenciais sobre People Analytics e Comportamento1:17:38 - Mensagem Atemporal Para os Próximos 100 Anos e Encerramento#ia #ai #genai #psicologia #liderança #lider #lideracademy #elucida #peopleanalytics #psicometria #recursoshumanos #turnover #saudemental #gestaodepessoas

Participantes neste episódio2
D

Daniel Mendes

HostProfessor, Podcaster
E

Elton Moraes

ConvidadoDoutor em People Analytics, Psicometria e Comportamento Organizacional
Assuntos10
  • People Analytics e PsicometriaTradução do comportamento humano em dados·Validação científica de métricas·Escalas de medição (Likert)
  • Turnover e Motivações ReaisDinheiro como fator secundário·Indicadores comportamentais de saída·Impacto da liderança e clima organizacional
  • O Problema do Big Data e Dados LixoDificuldade de coleta de dados no passado·Coleta de dados hoje não é o problema·70% dos dados são lixo·Manipulação psicológica pela tecnologia
  • Atenção como Ativo Valioso na Era DigitalSociedade da distração·Perda de profundidade no conhecimento·Neuroplasticidade e aprendizado·Impacto da tecnologia na infância
  • Inteligência Artificial e o Risco CognitivoDelegar pensamento para a IA·Atrofia cognitiva e aprendizado·IA Generativa
  • Empreendedorismo e Autorresponsabilidade na InfânciaVenda de rosquinhas e cálculo de troco·Senso de autorresponsabilidade·Resiliência diante de erros
  • Vulnerabilidade vs. Ingênuo na LiderançaAutoridade pela vulnerabilidade·Reconhecimento da humanidade·Constância de comportamentos confiáveis
  • Resiliência e Autodesenvolvimento do ColaboradorLíder não é herói·Resiliência como fator de produtividade·Desenvolvimento de habilidades humanas
  • Bem-Estar Subjetivo: Hedonia vs. EudaimoniaPrazeres fugazes (hedonia)·Esforço em realizações (eudaimonia)·Reciprocidade e empatia
  • Recomendações de Livros e Mensagem AtemporalPeople Analytics for Dummies·Livros de Jim Collins e Simon Sinek·Medidas do Comportamento Organizacional·Mensagem sobre cuidar da mente e saúde mental
Transcrição55 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
DMDaniel Mendes

Olá, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo a mais um episódio do nosso podcast Psicologia IA, onde nós compartilhamos aqui sugestões, dicas que a gente experimentou na nossa vida, e de repente você pode experimentar na sua e ver se funciona também para ter uma vida mais leve, uma vida mais coerente, congruente, né? É, e hoje eu tô aqui para conversar a respeito de como que a gente pode transformar dados, um montão de dados, no que a gente chama de People Analytics, que é gerar uma visão a partir de dados do que que tá acontecendo nas empresas, que comportamento as pessoas estão tendo, e validar se isso cientificamente é válido ou não.

Né? E eu tô aqui com meu querido amigo Elton Moraes, que é um doutor no assunto, psicólogo de formação. Mas ao invés de eu apresentá-lo, eu vou convidar o Elton para se apresentar. E como a gente fala lá em Minas, né, Elton, fica à vontade, pega um cafezinho, vamos prosear. Você é filho de quem? Mexe com o quê? Mora onde? Conta um pouquinho para nós aí, por favor, Elton.

EMElton Moraes

Coisa boa, Daniel, né? Prazer enorme poder estar aqui falando com outro mineiro, né? Se a gente está aí dentro da casa, a gente também usa o mineirês para poder adentrar a casa das pessoas. Eu acho que isso tem sido uma marca muito importante da cultura de tratar e de ajudar as pessoas a serem eficientes dentro do modelo organizacional. E quem sou eu, né? Essa é uma pergunta filosófica, inclusive. É muito engraçado porque a gente precisa de identidade.

Identidade é um estudo da psicologia que mostra socialmente como é que as nossas relações impactam as outras pessoas e através disso como é que a gente consegue sucesso. Sucesso pode ser oncotô, oncovô, né? Então é muito importante que quando eu tô falando em sucesso, eu estou falando em minha origem, qual a minha família, da onde eu venho, né? Nasci na cidade de Berlândia, não é Uberlândia, Berlândia, né? Uma cidade muito boa, muito querida, uma cidade que tá sempre em evolução e aonde eu pude fazer a minha formação em psicologia na Universidade Federal de Uberlândia, onde eu conheci grandes professores que me adentraram ao mundo da psicologia organizacional.

Cito aqui, adoro e tenho convívio e são pessoas que eu levo comigo, que é professor Sinésio Gomide, a Áurea Oliveira e a Maria do Carmo, né, Fernandes Martins. E são pessoas aí maravilhosas dentro desse contexto de discutir a psicologia. Meus pais vieram aí de uma situação de trabalhar muito no varejo. Eu digo que eu nasci num balcão de uma farmácia, aonde minha mãe ali cuidando do trabalho, dos afazeres, né, cuidava também de ensinar o atendimento ao cliente, as noções de se colocar no lugar do outro, a questão de ouvir as pessoas e saber atender nas suas dificuldades.

E eles hoje ainda, né, continuam a trabalhar. Então minha mãe em casa, meu pai na fazenda, e eles estão constituindo todo esse processo. Com isso, na parte acadêmica, eu fiz meu mestrado na Federal de Uberlândia, depois o doutorado na Universidade Metodista, aonde eu tive a oportunidade de fazer um sanduíche na Universidade de Cambridge. E é importante dizer que o grande centro no mundo hoje, né, na Europa, de People Analytics é o Psychometrics Center, né, que o Psychometrics Center fica na Universidade de Cambridge, aonde eu tive a oportunidade de ter contato com o David Smith, com o John Rust, que são professores renomados dentro desta área.

E através desta titulação e disso tudo eu fui trabalhar, né, precisa trabalhar também. E aí eu acabei passando ali pelo Grupo Algar, passei pela Caterpillar, depois eu fui para o Hey Group, que é onde eu adentrei na cidade de São Paulo em 2008, e estou até hoje desenvolvendo atividades na Hey, que foi comprada pela Corn Ferry. Depois eu fui para Mercer, e da Mercer eu acabei constituindo a minha própria consultoria, e hoje desenvolvo trabalho com grandes empresas.

E isso para mim é um ponto de impacto muito grande. E aí as escolas de negócio que acabou entrando na minha vida: FGV, por um convite em conhecer de remuneração, toda a parte de remuneração executiva, posicionamento de incentivos de curto, longo prazo. E depois fui para o IBMEC enquanto professor, depois Fundação Dom Cabral e ESPM, e tô aqui para a gente poder conversar e trazer esse histórico para o dia a dia das pessoas, das empresas, e ajudar dentro desse contexto. Então esse é um tiquinho do Como se diz assim, né?

DMDaniel Mendes

Que bom demais da conta, só legal. Obrigado por se apresentar. E você comentou aí, né, da Metodista. Nós, curiosamente, nós nos conhecemos recentemente, relativamente dizendo, né? E a gente foi descobrir que nós fomos contemporâneos na Metodista. Enquanto eu fazia o mestrado, você tava no doutorado. E detalhe, com a mesma orientadora que a professora Maria do Carmo, né? Olha que trem de doido, né?

EMElton Moraes

Com certeza, acho que esse foi um ponto de conexão entre nós fantástico. Porque agradecer também a professora Edna Bedani, né, porque quando ela falou, Daniel, você fala uns negócios aí também que eu acho que eu já vi um outro professor falar também, né. Então essa ideia da psicometria, ela acaba nos conectando porque é a arte, digo a arte porque não é todo mundo que consegue olhar para um comportamento humano e traduzir ele em em variáveis, né, traduzir o comportamento humano em escalas que possam ajudar as pessoas a tomarem decisões.

Há uma dificuldade muito grande de lidar com a subjetividade. Alguns aprofundam tanto na subjetividade que você fala, tá, e o que é um talento? A gente pode ter vários conceitos. Então é muito importante a gente entender isso para poder entender o que que a gente tá trabalhando enquanto conceito, enquanto ajudar o indivíduo a ser eficiente naquilo que ele é medido. Então comportamento é possível ser medido sim. Eu digo muito que o diferencial deixou de ser só aplicar um teste, né?

O diferencial passou a ser transformar comportamentos em modelos que consigam explicar algo para as pessoas. Então isso acaba sendo um ponto muito importante para unir esses dois mundos, que é psicologia e a estatística, de uma forma mais eficiente.

DMDaniel Mendes

É bem legal isso que você trouxe, Elton, porque uma coisa que eu até costumo dizer e falar para mentorados, alunos, é que qualquer coisa que a gente vai fazer, a primeira coisa que a gente precisa iniciar é definindo o que que é o que a gente tá falando. E essa definição na psicologia a gente chama de base teórica. Né, que são os construtos, inclusive as dimensões que a gente mede, né. E isso acaba sendo transformado, é, auto-observações ou observações de terceiros em números, né, em uma visão de observo muito pouco, observo muito determinado comportamento.

Né? E aí, estatisticamente dizendo, a gente consegue traduzir esses comportamentos observáveis definidos a partir de teorias em escalas, né, que a gente chama de escala Likert, por exemplo, de 1 a 5, de 1 a 7, né? E aí as perguntas têm que ter um único assunto nela, tem que ser o mais simples possível, de maneira que a gente consiga validar inclusive por juízes, para que aquilo de fato seja cientificamente ok, né? Então quando a gente até fala de o primor da psicometria é que a gente tem o cuidado de validar se tem fidedignidade, né, aquilo que a gente tá usando, se foi validado cientificamente dizendo com que tipo de grupos de pessoas, né, que contexto que aquilo foi colocado e assim por diante.

Isso é o que hoje em dia a gente até chama de inteligência artificial. Artificial. E antigamente a gente chamava de puramente estatística, por assim dizer, né? E pegando esse gancho, meu querido, eu queria saber de ti: se a inteligência artificial, que ficou conhecida através da generativa, né, que é outro pedaço da inteligência artificial, vamos dizer assim, fosse aí para você uma comida, que comida seria essa para você?

EMElton Moraes

É legal trazer esse comparativo, né? Porque quando a gente tá falando de comida, a gente se aproxima das pessoas leigas, né? E eu digo que quando a gente usa muito o tecnicês, igual você falou, análise de juízes, né? Ele fala, pô, mas que que é análise de juízes, né? Então quem não conhece sobre o tema, né, fala, pô, será que um juiz do tribunal vai pegar essa informação? É, e dentro das consultorias a gente chama de painel de experts, né, que é muito pessoas que vão analisar dentro do seu conhecimento daquela disciplina e que é um expert para poder analisar.

E aí vem a ideia da comida. Você pode ter uma comida muito sofisticada e você pode ter uma comida, né, olhando para um arcabouço de simplicidade. Então eu acredito muito dentro desse contexto que o People Analytics ele pode ir de um mexidão, que é muitas vezes, né, ou feijão tropeiro, que você mistura algumas questões de ovo, arroz, né, às vezes alguém coloca milho, ervilha, frango, restos de alguma linguiça calabresa e N coisas para virar algo saboroso.

Mas na verdade cada um tem um componente, cada um tem uma explicação, e dependendo da formatação você tem um clássico mexidão ou mexidão inventado. E aí eu acho que nesse ponto, tanto ele como o Feijão Tropeiro singulariza muito o que a gente tá vivendo em termos de inteligência artificial, uma mistura de tudo. Esses dias eu estava falando sobre a dissonância cognitiva que a gente tem em relação ao processo de aprendizagem, né?

Nós estamos distorcendo o que é aprendizagem, muitas vezes utilizando de maneira muito incorreta a inteligência artificial. Nós estamos delegando esforço, nós estamos delegando disciplina, nós estamos delegando pensamento a uma máquina que tem um conjunto de padrões de informações. Mas quem é o tomador de decisão, quem é o direcionador disso tudo, é você. É você que pensa. É o cérebro, até hoje, mesmo emulando várias situações, não tem nada que se aproxima.

Então, sinceramente, quando eu olho a relação de uma comida com a relação da IA, Eu vejo as pessoas tentando inventar mentidões todos os dias, enquanto que você vai na base e pergunta para as pessoas: mas por que que você tá conjugando essa variável? Que que essa variável mede? Por exemplo, um clássico que a gente tá falando aqui dessa miscelânea é o turnover. Todo mundo acha que prever o turnover é só olhar o salário. As pessoas saem porque paga-se pouco.

Não, o turnover começa a normalmente a dar indícios com pequenas mudanças comportamentais anteriores: redução de colaboração, queda no aprendizado, isolamento social, diminuição de iniciativa, falta de relacionamento. Tudo isso são pontos que as empresas muitas vezes não mapeiam, não colocam. E aí depois, no final de tudo, a hora que a pessoa pede para sair, automaticamente você vem com uma proposta de promoção em cima da hora.

E muitas vezes você já perdeu o comprometimento dessa pessoa há muito tempo, né? Então essas são pontos que eu acho que o RH, ele veio de uma origem de policiamento. Vamos policiar as pessoas, vamos policiar o controle, vamos fazer o controle. E não, a gente tá falando em como é que se cria um ambiente saudável, que variáveis que são importantes. E aí entra talvez o que você falou, para fazer uma comida muito boa, Daniel, eu preciso de uma receita, eu preciso de um guia, eu preciso de uma orientação, eu preciso de alguém que já experienciou isso.

Então não adianta eu pegar uma ferramenta tão potente, com tantos dados como um IA, se eu não sei nem quais ingredientes vão no mexidão, no feijão tropeiro. Então essa é uma preocupação que eu tenho hoje com a distorção cognitiva que a IA tem provocado no aprendizado das pessoas.

DMDaniel Mendes

Bem interessante esses pontos que você trouxe, Elton, porque me faz pensar como no senso comum existe muita verdade, mas também existe muita distorção do que de fato são as coisas, né? É igual você falou, o turnover, que é a rotatividade dos colaboradores, é ficar pouco tempo ou sair rapidamente ou sair em grande número e assim por diante, pedindo as contas, como a gente fala lá em Minas, né? No senso comum, atribui-se que a pessoa fica ou resolve sair só por questão de dinheiro.

E você trouxe uma série de outros elementos que muitas vezes eles são até mais fortes preditores e causadores da pessoa ficar ou sair do que só dinheiro. Eu mesmo conheço algumas empresas que até pagam a menos que outras empresas no mercado e tem uma fidelidade de colaboradores incrível por causa do clima, por causa da colaboração, por causa da liderança, por causa de uma série de outros fatores que não tem nada a ver com a remuneração.

Claro que a empresa paga um mínimo ali, vamos falar assim, é que faz com que a pessoa fique, seja digno, por assim dizer, mas não tá no topo da pirâmide, por assim dizer, né? Então acaba sendo uma história aí que a gente observa que no senso comum muita gente acha que é o dinheiro que segura ou que faz ir embora, mas ele, quando a gente observa com uma lupa mais precisa, não é o principal preditor, por assim dizer, ou causador dessa história, né?

EMElton Moraes

E olha que legal, de novo, talvez aí para o público que nos ouça, né? O que que é um preditor? O que que é um antecessor? O que que é um consequente? Isso são palavras já do Pipo Analíticas, né?

DMDaniel Mendes

Sim.

EMElton Moraes

Então quando eu tô falando que uma variável ela é mais forte do que outra, eu tenho que medir qual que é o strongness e qual que é o weakness dessa, dessa, o que que ela é forte, o que que ela é fraca em comparação ao quê. E isso é muito ponto que você começa a conversar com RH, você não tem, não ecoa. O cara tá falando, preditor, você tá falando de quê? Vai nascer alguma coisa dali e tal? É o quê? Não, preditor é uma variável no qual você mede, ela querendo ou não tem maior impacto sobre essa saída do colaborador.

Então isso é uma preocupação que nós metodologicamente temos. Mas que muitas das pessoas que vão olhar para People Analytics, porque People Analytics virou uma miscelânea de BI. Se você não sabe nem que dado que você tá coletando, como é que você vai cruzar uma regressão? Você vai aplicar uma relação entre variáveis se você não sabe o que que você quer medir? E aí, para mim, a grande situação, eu sempre escutei, Daniel, que era assim: as pessoas são contratadas pelo seu currículo e demitidas pelo seu comportamento.

E aí é um ponto muito importante: se eu já sei que isso é uma premissa, por que que eu não avalio o comportamento então? Porque muitas empresas dizem que se isso é uma premissa para que elas possam estar ali com alta performance e desempenho, eu acabei de descartar a minha premissa, porque eu trago ela com currículo, continuo falando com que ela tem que acumular experiência, mas não meço então aprendizado, comprometimento engajamento, toda a parte voltada a essas relações dentro do trabalho.

Então a minha preocupação ela é grande porque a formação de RH durante muito tempo foi: precisamos cuidar das pessoas. Gente, quem cuida de nós somos nós. Eu sou muito taxativo em relação a isso. Quem cuida de cada pessoa é cada pessoa. Se eu tenho pasta de dente, eu tenho uma escova, na minha infância meu pai e minha mãe me educou, porque até um certo período aprendizagem, ok, mas se a partir dos meus 14, 15 anos eu quiser não escovar os dentes, a consequência é minha.

Eu estou gerando isso para mim. Então é muito importante a gente entender que a empresa também, como um ser de poder, um ser de grandiosidade, ela precisa fornecer elementos para ela tomar decisão. E aí esses elementos para mim são importantes porque saúde mental, toda a parte de liderança, toda a parte voltada a carreiras, toda a parte voltada à eficácia tem a ver com variáveis de comportamento que eu acabei criando uma premissa e não medindo.

Se eu não meço, eu não gerencio. Se eu não gerencio, eu não entrego resultado. Então isso é um ponto muito importante, porque tem gente que fica no trabalho até altas horas e acha que isso é ser produtivo, né? Então eu vejo muitas pessoas às vezes num desgaste, à beira de um burnout, à beira de um— fala, cara, pera aí, Se a empresa não tem instrumentos para medir isso, realmente ele vai falar que o ambiente é nocivo, porque ele não tem autodisciplina, ele não tem autoconsciência, e ele se debruça naquela atividade achando que trabalhar em excesso as pessoas vão visualizar o que é produtividade.

Eu te digo muitas vezes, às vezes eu tiro uma tarde para sair com meu filho, para uma tarde para brincar, e eu sou muito mais produtivo no outro dia. Porque isso mexeu com os meus hormônios, isso mexeu com a minha felicidade. Então assim, hoje nós temos uma CLT que trava as pessoas dentro de um ambiente de trabalho enquanto horário, né, de cumprir. Mas nada impede a empresa de criar elementos convidativos mapeando e definindo variáveis que levam as pessoas a serem efetivas.

Agora, a maioria pega pinbolim, tobogã, bufe e joga lá no trabalho e acha que aquilo ali vai ter o poder da kriptonita de não de tirar a força, mas de dar força para o cara não se adoecer. Por favor, a gente precisa ter um pouco mais de consciência sobre isso, né? E é isso que eu tenho lutado dentro desses afazeres e dessas formas de divulgação do People Analytics.

DMDaniel Mendes

Nossa, muito bacana isso que você trouxe. E pouca gente sabe que a jornada de 8 horas de trabalho veio do ciclo de máquina, né? É da era industrial, né? E a gente já tá na era da inteligência artificial. Que cai entre nós quando a gente olha para IA generativa, ela nos torna muito mais eficientes desde que também a gente não delargue para ela o nosso pensar, né? A gente precisa se manter pensando para que a gente não emburreça, né?

Porque tudo aquilo que cai em desuso perde-se, literalmente dizendo, né? O cérebro vai desligando aquilo para economizar energia, vamos falar assim, né? Isso trouxe uma questão eficiência, né, a gente precisa olhar para eficiência com um olhar mais claro de que não é o pebolim necessariamente que vai trazer a pessoa para criatividade, para eficiência, mas sim de repente ter um tempo, um short Friday, por exemplo, uma sexta-feira mais curta, uma semana de trabalho com 4 dias de repente, que testaram já em alguns lugares do mundo e perceberam que de fato torna o colaborador mais eficiente.

E óbvio que tudo isso contextualizado, né, de maneira que a gente consiga observar, analisar e ir para um lado, digamos assim, que se adeque a cada situação, a cada contexto. E inclusive nessa linha, o meu pensamento vai muito ao encontro de que com a IA generativa muita coisa que é técnica vai se tornar cada vez mais fácil de executar. Não sei a sua perspectiva a respeito disso, mas eu quero conectar isso com uma história sua de 8 anos de idade, que a sua mãe te ensinou a dar o troco certo, né?

Eu queria que você contasse um pouquinho para quem nos escuta aqui que história é essa E o que que isso tem a ver com o que você ensina hoje no mundo do trabalho, para os executivos, para os RHs e assim por diante? É porque para mim o fundamento por trás disso vai ao encontro do que eu acredito que nós humanos vamos precisar focar com a IA assumindo o papel técnico de diversas coisas. A gente vai ter que focar no desenvolvimento humano de novo, né? O que que você tem para compartilhar? Para as pessoas.

EMElton Moraes

É, por que que eu acredito tanto na aprendizagem, na transmissão de valores, né? Schwartz, que é um grande autor da psicologia que trabalhou valores, e aqui no Brasil Tamayo, que trouxe a ideia, né, de valores organizacionais. A Áurea inclusive foi orientada por ele e trouxe muita questão da confiança do trabalhador no ambiente de trabalho, a confiança do trabalho que faz e na própria autoconfiança, né? Por que que eu tô falando a respeito disso?

Porque minha mãe me delegou na minha infância autoconfiança. Ela, ao perceber que eu tinha 8 anos de idade, tinha uma inquietude, algo que eu não sabia talvez naquele tempo racionalizar, como a minha mente não conseguia processar, mas um desejo gigante de querer vender coisas. Eu queria ter uma identidade para para poder vender, para eu poder ser autossustentável, né? Tanto é que essas características de empreendedorismo, de conseguir se comunicar com executivo, vieram sendo forjadas não pela IA.

Na época não tinha nem, na verdade existia, né, enquanto teoria e discussões, mas não enquanto aplicações tão fáceis que a gente tem hoje. Mas havia um desejo, um desejo que meus pais mesmo com pouca educação, escolaridade, nem educação, com pouca escolaridade que eles tinham, minha mãe decidiu me ajudar no meu tipo de arriscar. Eu sempre digo que dentro da cultura organizacional a gente tem duas culturas: uma cultura que deseja arriscar, e isso gera empresas inovadoras e que vão atrás de inovação.

Então você pega hoje um HSP, um iFood, cara, uma XP cresceu gigantemente fazendo o quê? Arriscando. Você pega um iFood, 70% de market share arriscando, né? Agora você pega lá entidades como fundações, Bradesco, são fundações vitoriosas, mas lentas, né? Tomadas de decisões mais de comando e controle. Então o ambiente à nossa volta nos forma. E aí, com 8 anos de idade, eu virei para minha mãe e falei: mãe, eu vou vender umas rosquinhas, né?

Aí ela falou, mas para que isso, filho? Eu falei, eu quero ter meu próprio dinheiro a flotar. Mas é muito importante que para você vender você saiba dar o troco. E por que que isso me marcou muito? Porque apesar de eu na época sentir vergonha também, como toda criança, eu entendi que eu estava mexendo com alguma coisa que não era minha, era de outra pessoa. E isso criou em mim um senso de autorresponsabilidade muito grande em relação a cuidar do que é meu e cuidar do que era o outro.

Eu tinha muito ciúme das coisas que eu adquiria, né? O meu primeiro tênis que eu consegui com muita dificuldade, na época era Kixute, né? Os Kixutes que compravam. É toda a situação da primeira camisa que eu tive, que eu consegui comprar com o que eu tenho. Até a casa hoje que minha mãe mora, que eu comprei sendo DJ, né? Fui DJ, consegui comprar e falar assim, são coisas que eu admiro, e que isso começou lá. Uma das coisas que me marcou muito essa época dessa história foi que na primeira, vamos dizer assim, na primeira lançada de rosquinhas, né, rosquinhas bonitas e etc., deu uma chuva muito forte.

Eu vendia batendo de porta em porta, igual um pintinho molhado, né. Eu fiquei debaixo de uma marquise quando a chuva nova esteou, eu acabei saindo e fui pular com essas rosquinhas dentro de uma forma e acabei escorregando e caindo com as rosquinhas todas no chão. Naquele momento eu poderia ter entrado em desespero, mas eu fui procurar solução. Saí para casa correndo e falei assim: vou lavar essas rosquinhas, que serve, né? E aí minha mãe viu eu lavando aquelas rosquinhas tudo sujo, né?

Falou assim: não, filho, Aqui não dá mais. E aí, o que que você espera muitas vezes no erro? E já voltando para o nosso People Analytics, é que a gente pare de tentar, é que a gente fala: não nasci para isso, não é isso. E pelo contrário, o contexto que eu vivi foi de uma mãe, de um pai que virou para mim e falou: aí, tenta de novo, você vai começar com prejuízo, mas você vai conseguir pagar. E assim eu comecei, eu continuei vendendo as rosquinhas, depois eu passei a vender picolé, depois eu passei a vigiar carro no dia de finados, minha casa era muito próxima de um cemitério.

Eu falei, por que não? E isso com certeza, com o estímulo do contexto que eu estava, que nasci num bairro mais interiorano, mais pobre ali de Uberlândia, me fez acreditar que o estudo era ascensão para alguma coisa. Então por isso que quando eu falo em definir variáveis, em olhar a teoria, em cuidar do ser humano, eu tento olhar esta, esta parte da minha vida que é Não é só vender, é vender o que eu tenho de melhor, é passar o que eu tenho de melhor.

Então, quando eu acredito nisso, a gente atrai pessoas boas, a gente consegue visualizar que essas conexões elas não são por acaso, elas não são coincidências. Eu acredito muito nas providências, e quando eu falo providências é porque quando a gente senta e começa a conversar sobre um assunto, eu não sei mais do que o Daniel. Pelo contrário, o Daniel tem um conhecimento, eu tenho conhecimento, e quando a gente junta, a gente tem um livro, a gente tem um book, a gente tem uma aprimoração de tudo isso.

Então eu acredito muito nisso. Então foi nesse incentivo da rosquinha, é, fica estranho falar assim, mas foi vendendo rosquinha que eu aprendi a calcular, a entregar coisas com qualidade para aqueles que desejam fazê-lo. Então, com certeza, isso foi algo bem marcante na minha vida.

DMDaniel Mendes

Muito bacana, muito bacana. É, no final das contas, quem nos cria, né, pai, mãe, ou seja quem for, gera em nós quem somos. É a nossa história que que faz a gente se tornar quem nós somos, né? Seja pelo lado agradável ou desagradável, em julgamento bom ou ruim, dentre outras coisas. Mas tudo que a gente se torna e tudo que a gente é, é em função das experiências vividas. E pensando em experiência vivida, de onde que surgiu esse trem do açaí para psicometria?

Psicologia, rapaz, porque vamos brincar aqui entre nós, a área da psicologia é em geral, na sua grande maioria, é povo que não gosta de número, é povo que quer saber da saúde ou do lado de humanas. E quando vai para o lado de estatística, número, formulário, tecnologia, Jesus Cristo, né? Tô longe disso. Como que surgiu isso aí na sua vida? Conta um pouquinho para gente, por favor.

EMElton Moraes

É muito interessante, né, Daniel? Igual eu te falei, eu me apeguei muito à educação como algo transformador. Eu, por exemplo, tem duas coisas que eu conjugo na minha vida: é educação e o esporte, né? E eu tive a possibilidade de estudar numa escola estadual Aonde eu já aprendi a fazer psicometria ali, sem saber que o nome disso era psicometria, né? Tinha uma eleição para diretoria dessa escola e eu fui fazer entrevista com as pessoas.

Então eu fui classificar frequência, quantidade de votos, quem tinha maior probabilidade de vencer. Isso, poxa, eu tinha 9 anos de idade, né? Você fala, caramba! Eu acho engraçado isso porque a diretora na época era a Ana, e a Ana ainda é viva. A Florips, que era a outra diretora, faleceu, mas a Anne ainda é viva. E ela lembra disso até hoje. Ela fala, lembra aquela entrevista que você fez com a gente? Eu era candidata, você ainda queria ajudar a outra candidata a vencer.

Porque eu dei— foi engraçado, porque quando eu não tinha essa noção, né, a Anne, como já me conhecia, falou, a entrevista é curta e grossa. Eu coloquei curta e grossa, e a outra mulher colocou vários pontos, eu coloquei todos os pontos. Então ficou 5 páginas para outra candidata e uma página para ela, né?

DMDaniel Mendes

Ainda bem que venceu.

EMElton Moraes

Mas com certeza naquela época eu não tinha noção de fazer essa distinção. E isso foi interessante porque eu, nesta situação do esporte, adentrei ao handebol, que é onde que para mim é um jogo de alta performance. Cheguei a jogar em alta performance dentro do clube do SESI, né? Fui, graças a Deus, campeão mineiro adulto, fui várias vezes campeão juvenil, várias vezes campeão cadete, várias vezes campeão infantil, aonde eu tenho até hoje, né, faço parte da seleção brasileira de Masters, jogando aí no Sul-Americano, jogando Brasileiro.

Então adoro muito esporte porque foi ele que me ajudou da 8ª série em diante, pelo esforço e pelo esporte, a ir para uma escola melhor. E ali foi muito interessante porque eu saí de uma base social que me impactava muito, porque assim, eu não queria pertencer àquele ambiente. Era muito engraçado isso. Não é que eu não queria pertencer, eu não queria deixar que aquele ambiente continuasse interferindo na minha forma de ver o mundo.

Eu, desde pequeno, né, eu sempre quis viajar. Eu me empolgava com viagem, tipo assim, eu saía de casa para o shopping, era uma viagem. Eu gostava de ir. Então qualquer lugar que me chamava, eu ia. E sou assim até hoje, adoro e amo viajar. Então é esta forma de vislumbrar a vida fez com que eu fosse para o Anglo, que é um colégio no qual me deu bolsa integral por eu ser atleta e por tirar boas notas. E com isso eu participava muito de grupos de jovens, né?

Aqui em Uberlândia é muito forte o Grupo Semente, é muito o Grupo Renovar que a gente montou na Paróquia Divina Espírito Santo. E eu comecei a ter contato com pessoas que param, drogadictos, pessoas que tinham problemas com mães. Naquela época, mãe solteira era algo, né, super falado e comentado. Pessoas que choravam. Eu falei, cara, isso precisa ser tangibilizado, eu preciso tangibilizar. E que sentimento é esse que as pessoas têm?

E ao mesmo tempo a veia empreendedora. Aí eu fiquei no meio do caminho. Eu faço administração, eu faço psicologia, ou até, né, faço algum outro tipo de curso. Eu falei, tá aí, a psicologia é algo que me dá o contexto do comportamento, eu posso medir esse comportamento. E eu entrei com essa ideia na Federal de Uberlândia com uma ideia de medir comportamento. Foi muito engraçado porque, como você mesmo disse, não é uma ideia das pessoas que fazem psicologia.

Então eu falo em psicologia com você, eu falo, qual os construtos que você tá falando? Que variável é essa? Como é que você mede isso aí que você tá falando? Então eu tento sempre trazer para essa ideia, e numa primeira reunião em sala, já eu passei em terceiro lugar na psicologia. Fiquei assim muito empolgado com o curso, me dediquei. E na primeira, na primeira semana, a gente teve reunião com os professores e o Sinésio fez uma palestra.

E aí ele falou, olha o quanto que é importante medir acidentes no trabalho, olha as questões ligadas a turnover. Nunca tinha ouvido essa palavra na minha vida, turnover, né? O que que é turnover e tal. Então coisas que me chamaram atenção, falou, achei o meu eixo. E no primeiro período de psicologia eu já engatei com o Sinésio e falei, eu quero fazer pesquisa com você. Então eu comecei a fazer pesquisa na FAPMIG, que é o órgão incentivador aqui em Minas Gerais.

Ele me colocou em vários congressos, Norte e Nordeste, Congresso da Psicologia Organizacional e do Trabalho, né, tudo isso foi me dando um arcabouço gigante para ir trabalhar nas empresas. Tanto é que no 6º período, que nem podia fazer estágio, eu já tava dentro de uma empresa, né? A Luz Marina foi lá, me deu oportunidade de trabalhar com ela na Nacional Expresso e falou: Eltinho, você não quer vir cá fazer uns treinamentos para nós não?

Eu faço. Uai, que que é isso? Me dá aí, rapaz. Aí chegou o momento que eu não sabia se eu estudava, se eu ia para empresa, porque eu tenho, ficou tão bom que eu queria ficar na empresa, né? Então esta ideia de psicometria veio de um contexto que eu acabei de dizer, que é o que impacta a gente. Quando eu descobri o nicho, Cinésio, Maria do Carmo, Áurea, na época tinha também outras professoras desse eixo e que estudaram na UNB, que tem ali a relação com Tamayo, tem toda a relação com Pasquale, toda a relação com Vanderlei Codo, que são pessoas que estão no campo a Mirlene, no campo da psicologia organizacional, foi pronto, achei meu nicho.

E aí aquilo meio que foi um casamento, não foi nenhum namoro, né? Casou e ficou na minha cabeça. Quando eu fui para a Rei, que trabalhava as melhores empresas para se trabalhar, e trouxe a ideia de fazer regressão linear, que na época ninguém fazia isso, cara, mudou o jogo, Daniel. Por quê? Porque essa força de variáveis Ninguém fazia. Falou assim, ah, essa aqui é a variável que tem maior favorabilidade. Aí eu vou lá e falo assim, maior quer dizer o quê, né?

Tem impacto aonde? Como é que a gente mede isso? E quando eu peguei a base e comecei a fazer esses experimentos e essas hipóteses, nossa, nós crescemos a área de, sei lá, 1 milhão de faturamento, a gente chegou a 10, 15 milhões de faturamento em pouco tempo. Então, com certeza, foi algo que mudou a minha maneira de ver o ambiente organizacional, de lidar com gestão de pessoas e de implementar isso junto às organizações. Psicometria é a minha forma de viver, não é nem minha forma de estudar.

DMDaniel Mendes

Muito legal tudo isso que você falou, Elton, porque eu costumo dizer, quando eu vou explicar para quem não é de psicologia, o que é psicologia. E eu brinco dizendo que eu não deixei de ser um analista de sistemas, porque como eu venho da área de TI, minha primeira formação é computação, e a segunda foi um mestrado em psicologia organizacional e do trabalho, onde eu conheci a professora Maria do Carmo, que a gente tem em comum em relação aí A gente vai até almoçar junto segunda-feira. Ó, que foi bom demais da conta!

EMElton Moraes

Coisa boa!

DMDaniel Mendes

E aí eu falo para as pessoas que a psicologia, um psicólogo, ele é um analista de sistemas humanos.

EMElton Moraes

Ótimo, ótimo, né?

DMDaniel Mendes

Então o psicólogo, através de perguntas e de técnicas, ele ajuda cada indivíduo ou cada grupo ou cada equipe a fazer o download do critério, das regras, das crenças, dos valores, de tudo que tá inserido nas mentes daquelas pessoas, né? E aí quando a gente organiza tudo isso, a gente encontra lógica, né? A psicometria é uma lógica que a gente observa através de de comportamentos que passam a predizer, conforme o que a gente observa, um resultado, né?

É, antes de ir para o mestrado, eu ouvia muita palavra, ah, modelo, modelo. Eu, gente do céu, que que esse trem de modelo, né?

EMElton Moraes

Fazer uma modelagem, vou fazer um carro, vou fazer exatamente, exatamente.

DMDaniel Mendes

E inclusive, para quem é leigo e tá nos escutando, um modelo é uma fórmula matemática onde nós temos constantes e variáveis, que a partir da troca dos valores que vão nas variáveis de maneira individual, a gente chega numa resposta de probabilidade de um de uma variável dependente, por assim dizer, né? É como se fosse assim, eu vou medir engajamento no trabalho e o preditor de engajamento no trabalho, vamos supor que é uma força de caráter aqui, qualquer um, score de uma força de caráter.

Esse score, quanto maior, maior vai ser o engajamento, por exemplo, por assim dizer, né? Só para ilustrar isso, né? Ou o PSYCAP, né? O capital psicológico positivo, autoeficácia, esperança, resiliência e otimismo. Conforme os scores que a pessoa se diz ao auto-observar, ou uma terceira pessoa observando, a gente prediz qual vai ser o score de engajamento conforme essa visão teórica, por assim dizer, né? É indo ao encontro de um post recente que você fez onde você falou que ser autêntico é diferente de ser ingênuo, meu amigo.

Conta para nós o que que isso tem a ver com a gente conseguir se mostrar vulnerável conforme o contexto que a gente tá inserido.

EMElton Moraes

As maiores autoridades que eu conheço, Daniel, elas não são autoridades pelo poder, elas são autoridades pela sua vulnerabilidade. E porque quando a gente fala vulnerabilidade, a gente invoca muito a fraqueza, mas eu chamo aqui de vulnerabilidade da pessoa saber que ela tem um conhecimento, ela tem um poder, mas ela é ser humano. E quando ela é ser humano, ela toca a alma que está conversando com aquela pessoa. Nós estamos numa sociedade aonde ser você mesmo é muito difícil.

Você entrar dentro de uma empresa e ser transparente, você entrar dentro de uma organização e colocar tudo, tudo que você sabe, você sempre fica naquela ideia de que alguém vai te passar a perna, de que alguém vai pegar seu conhecimento, de que alguém vai apresentar o seu trabalho. E muitos que às vezes estão nos escutando vai falar: não, mas é isso mesmo, é isso mesmo. E aí eu venho com a ideia da vulnerabilidade, quer dizer assim, eu não posso ser ingênuo.

Esse mundo existe, ele é palpável. Tem pessoas que têm desvio de caráter, isso é uma doença, isso é um transtorno, isso tá na sociedade. Como a gente fala em desvio padrão ou em curva normal, dentro da curva normal nós temos o outliers e nós temos as pessoas que têm problemas de bipolaridade, transtorno de personalidade, várias coisas que não cabe aqui o julgamento Então, quando eu vejo uma pessoa vulnerável, eu estou vendo que ela consegue ser ela mesma, ela consegue falar: eu tenho dificuldades, né?

Eu sou um doutor, mas o título não sobressai quem são os meus valores, o que eu gosto, o que eu cultivo, como é que eu te trato. Não é porque eu tenho um título que eu falo: pô, Daniel, julgo ele e tal. Não, Daniel é um ser humano, ele tem também capacidades Ele tem dificuldades e quando eu converso, ele me pede ajuda, o que eu tento é ser empático e ajudar nesse processo. Então eu acredito que a confiança, e assim como a professora Áurea também estudou isso, ela vem de uma constância de comportamentos.

Você é confiável não pelo título que você tem, você é confiável pela repetição do comportamento que você mantém. Então quando você mantém determinados comportamentos de positividade, Quando eu necessitei do Elton, ele me apoiou. Quando eu estive mal, ele me apoiou. Quando eu estava com uma situação de saúde, ele me apoiou. Nossa, o Elton é constante na forma como ele ajuda. E isso tem a ver com autoridade, autoridade das minhas vulnerabilidades.

Eu sou vulnerável, super vulnerável. Se um carro bater em mim, eu morro, né, independente da velocidade que eu pegar. Então eu acredito que a vulnerabilidade é reconhecer humano. E através disso eu me sinto muita autoridade para falar sobre diversos assuntos, navegar sobre diversos assuntos, não porque eu acho, porque eu estudei, porque eu gosto, porque eu gosto de me envolver. E isso me ajuda muito a ampliar essa situação. Então, quando a gente tá em sala de aula, a primeira coisa que a gente tem— eu não gosto nem de falar em títulos, em nada, etc.— é falar justamente do seus exemplos, porque você vai ser testado em tudo.

As pessoas, é muito interessante, eu chego em toda turma de treinamento, vamos testar o professor, e tudo bem. Se eu bater de frente com um grupo, eu perco na hora. Então eu vou falar, ótimo, vamos tentar trazer o que vocês têm aí para essa mesa. E quando eu começo a mostrar o espelho para eles, eles se veem na sua própria vulnerabilidade. Uma pessoa que ataca muito tem um problema gigante de baixa autoestima. É uma pessoa que muitas vezes quer infringir dor no outro, tem um problema gigante de falta de afeto.

São coisas que são, para o psicólogo, muito fácil de identificar, mas que é muito importante a gente entender que esse mundo existe. E quando eu trato da vulnerabilidade, eu trato não da fraqueza, eu trato desse reconhecimento. Por isso a ideia de classificar variáveis, de entender variáveis, para eu verificar se eu estou medindo corretamente isso.

DMDaniel Mendes

Muito legal, muito legal. É a Brené Brown que fala muito de vulnerabilidade, né? E ela inclusive diz que a conexão humana se dá de maneira mais profunda através da vulnerabilidade, né? Que é exatamente esses pontos que você trouxe, né? E agora, indo para uma linha de que o mundo mundo tá cada vez mais coletando dados. Tem dado para tudo que é lado. Tem smartwatch que captura pressão sanguínea, número de passos que você deu. O celular, o tempo todo, se você tá com ele no bolso, ele mede os passos que você deu, o deslocamento que você fez, dentre outras coisas, né?

E quando a gente olha para essa montanha de dado que a gente vê, como fazer esse monte de dado ter sentido. E quando eu falo como fazer ter sentido, eu quero conectar com uma segunda pergunta: qual é o sentido de você fazer o que você faz? Qual é o propósito que você enxerga na sua vida no meio de tudo isso, meu amigo?

EMElton Moraes

Primeiro que eu vejo que Durante muito tempo o problema foi dado. Por que que foi dados, né? Porque eu tive enorme dificuldade de coletar dados para minha tese e para minha dissertação. Tinha que pedir pela— eu juro para você, muitas vezes eu parava na biblioteca, sentava com a pessoa, fala que era papel na época, né? Dava o formulário para pessoa e falava: por favor, eu preciso terminar minha dissertação, responde aí para mim, eu fico aqui te aguardando.

Né? Muitos formulários iam, não voltava. Eu lembro que a gente fazia um monte de cópias assim, entregava nas empresas, entregava para colegas, sumia, sumia. Era um dinheiro que saía do nosso bolso. Na época, papel era caro. Hoje tá ficando mais ainda, mas era caro o dispêndio de cópias. E nós com certeza tínhamos dificuldade de capturar. E aí você traz um ponto muito bem: a captura de dados hoje não é um problema. Você consegue capturar inclusive por imagem, você consegue capturar por som, você consegue capturar de N maneiras a forma pela qual as pessoas se comunicam.

Só que para mim o maior problema do People Analytics não é falta de dados. O grande problema do People Analytics é as pessoas não saberem o que elas estão medindo. E isso é uma premissa para mim muito importante. Você pega uma BI, um dashboard bonito, aquela coisa piscando, bolinha rodando para todo lado, o Excel brilhando, Power BI brilhando. Aí você fala, o que que significa isso aí? Pessoa, não, hein, tô te trazendo percentual aqui.

Para quê? O que que significa, né? É, a gente verificou aqui que os nossos maiores vendedores são aqueles que têm maior favorabilidade em salário. Ah, então quer dizer que se a gente pagar mais, todo mundo entrega resultado? Não, porque não tem relação entre essas variáveis. Você tá simplesmente fazendo aí uma inferência, a inferência humana e não inferência matemática. Você não mediu essas variáveis, né? Então é muito interessante que quando eu olho para esse contexto, eu tô dizendo que a gente esqueceu as bases novamente.

Qual que é a base da matemática? Que que é uma variável discreta? O que que é uma variável contínua? Como é que eu meço uma variável contínua com uma variável discreta? Como é que eu classifico esses esses fenômenos. Como é que eu tô entendendo então que não é só salário? Então o que que é? O que que é aprendizagem? Você fala, o que que é aprendizagem? Ah, monta um questionário aí, bota umas perguntas aí para o povo aí. Mas da onde saiu essas perguntas, meu amigo?

Não, a gente inventou, a gente pegou na internet, no ChatGPT. Foi, mas você não sabe nem o que que tá sendo medido com essas perguntas. Qual que é a base teórica disso? Então eu creio que esta situação de capturar dados, metade, eu vou falar até mais, vou ficar aqui agora, não tem esse dado, mas eu digo para você quase que com certeza, 70% desses dados é lixo, lixo totalmente, que poderia ser descartado porque não tá medindo nada, né?

Então é muito importante entender que com o Big Data a gente captura muito. E eu acho que aí quem conseguiu rapidamente ter propósito sobre isso foi as empresas de tecnologia. Olha, você pega um Facebook, você pega a Meta de maneira geral, você pega o Google, você pega a Apple, eles entenderam e deu um aparelho de coleta de informações na mão das pessoas, e que isso fala de comportamento. Quando eu dou um like, quando eu rolo, quando eu paro, quando eu leio, tudo isso é frequência, é dados, é gosto.

E um psicólogo foi lá e falou, ó, isso é um viés de confirmação, ó, isso aqui é uma psicologia do consumidor. E as pessoas da área de tecnologia entenderam isso tão bem que falou, vou ganhar dinheiro com isso. De que forma? Manipulando as pessoas. Tecnologia é uma manipulação pura através da psicologia. Quando você vê uma pessoa que tem um vício, que joga os tigrinhos sem parar, cara, Eu às vezes no Instagram paro muito naquelas novelinhas, né, porque eu fui, sou muito fissurado, sou um cinéfilo, gosto de cinema.

E a hora que vem uma coisa, aí você vê o vídeo, você tem que ver uma propaganda, porque como ele ganha dinheiro, e aquilo é um reforço intermitente, né. Ó, eu te dou, aí eu te dou um filme, você vai, é um reforço positivo, você volta, aí vai, é um reforço positivo, cara. Psicologia aplicada na tecnologia. Então esta forma é a mais bonita de entender que o comportamento pode ser manipulado para o bem e para o mal. Eu, por que que eu não uso isso na empresa então?

Se eu já sei que com a novelinha funciona, com ela que estudou, que é doutor, por que que não vai funcionar com a pessoa que é humilde, que não tem? Por quê? Porque não é esse o contexto. O contexto é entender de gente, é entender de variáveis. A partir do momento que eu entendo que eu tô fazendo uma seleção só porque eu tô aplicando vários testes, não sei nem o que que o teste mede, cara, é mais barato você pegar uma moeda— não sei nem se existe moeda hoje para essa nova geração— pegar uma moeda e jogar cara e coroa.

Qual desses candidatos aqui? Pô, todos eles têm o mesmo requisito. Joga para cima e fala: opa, deu Daniel! Então vai o Daniel, fica mais barato, demora menos e vai direto. Então é este ponto, né, da seleção do employee value proposition, a proposição de valor daquela empresa. Por que que cultura é tão importante? Porque são variáveis que fazem com que a gente queira ou não ficar dentro de um lugar. Eu imagino, e eu já vivi isso numa época da minha vida, que é muito ruim você trabalhar porque você precisa pagar conta.

Cara, deve ser muito chato ter que trabalhar só para pagar conta. Eu adoraria muito estar lá na ESPM, tá lá junto com vocês discutindo coisas que eu gosto. Eu vou voltar para minha casa, vou dormir bem melhor. Mas não, eu tô aqui porque eu tenho que cumprir uma hora, que eu tenho que ir embora, porque eu tenho que ganhar dinheiro. Tá, todo mundo tem que ganhar dinheiro, mas a maior valorização não é só trabalhar aquela hora, é o que você aprende na relação com as pessoas.

E aí eu acho que é o propósito do People Analytics. O People Analytics, ele nasce com a ideia de fazer com que essas variáveis sejam olhadas neste ambiente, nesse contexto. Porque se alguém virar e falar assim, ah, o dado é só para deixar as pessoas saudáveis, não. O dado é para inclusive verificar apontamentos que não estão na nossa visualização humana, saindo da percepção, e falar, nossa, essa maneira com que a gente coloca as metas tem provocado muito absenteísmo, porque as pessoas se enchem de ansiedade, a gente não deixa claro que é comunicado A gente comunica de última hora.

A hora que a gente comunica, a pessoa vai dormir ansiosa e não entrega a meta. Então, pera aí, meu processo de comunicação é todo errado e eu quero falar que a culpa é do líder? Então, olha quanta coisa tem de variável que a gente pode fazer, que dá o propósito do People Analytics, que se alguém entender, é uma área de investigação, não é uma área de apurar. Todo mundo acha que é uma área de apuração. Apurar o quê se eu não sei o que eu tô medindo, né?

E aí eu até brinco, o LinkedIn hoje virou um antro de nomes bonitos de cargos. Todo mundo que mexe com a planilha, com um PROC V, um PROC C, um PROC sei lá das quantas, é people analytics. Não, não, vamos parar com isso. As pessoas precisam ter um maior aprofundamento, né? E aí é engraçado, né, Daniel, porque quando a gente faz um teste t, que é teste diferente de médias, você faz uma correlação, que não é causalidade, mas correlação entre variáveis, a pessoa já tá abrindo a mente dela para falar variáveis se comunicam.

Se eu não estou vendo nem como é que elas se comunicam, eu não tô medindo nada, eu não sei o que que eu tô medindo. Então esse despertar é algo que eu tenho tentado levar de uma maneira mais leiga e de uma maneira próxima para que quem trabalha com RH entenda que lidar com gente é lidar com comportamentos que têm que ser mapeados. Se eu não mapeio, eu não estou gerenciando.

DMDaniel Mendes

Nossa, Elton, você falou um monte de coisa aí que faz cair por água abaixo diversas coisas rasas e sem embasamento, né? Eu até diria, pegando a sua fala, o teste t-student, por exemplo, correlação, indo para algo mais sofisticado, regressão, e e por aí vai, é, isso faz sair da média. Vamos brincar assim, literalmente dizendo, né? Deixa de ser medíocre. Até pegando o próprio nome da palavra medíocre, que é estar na média, né? E que virou pejorativo, né?

Estar na média, por assim dizer, né? Mas existem uma série de técnicas que vão muito além da média. Até porque existe até um livro que se chama Aprenda a Mentir com Estatística, que ele fala que o melhor jeito de você manipular as pessoas é usar a média, né? Porque você pode olhar pela média ou o número absoluto e achar que é muito grande o valor. Agora, só quando você começa a comparar, relacionar e correlacionar variáveis, que você passa a ter uma visão muito mais ampla e apoiada a partir de teorias para dizer se faz ou não sentido certas coisas, né?

EMElton Moraes

E isso que você fala é tão importante, porque, por exemplo, vamos pegar as escolas de negócio, né? Você também tá junto comigo aí, você vivencia isso. Vamos ver a importância do analytics aqui. Se você usa um IA numa sala lá da ESPM, vamos falar de escolas que a gente tá junto, se você pega pessoas brancas de uma idade de 20 a 20 e poucos anos dentro daquela sala de aula que tem ascensão social num país que tem preconceito, tem discriminação, e você vai lá e faz o aprendizado de máquina do seu algoritmo O seu algoritmo tá enviesado.

Por que que ele tá enviesado? Porque se o dado tem preconceito, ele vai replicar o preconceito. Então é muito importante um antropólogo, um psicólogo, um filósofo, todas as pessoas falar assim: Elton, na sua sala quantos negros tem? Nenhum. Quantos índios tem? Nenhum. Quantas pessoas quilombolas tem?

DMDaniel Mendes

Nenhum.

EMElton Moraes

Então você não tem a parte do todo. Você tem uma parte de uma população que chegou até lá, então você vai identificar um caso, não é uma generalização. Então por isso que a psicometria ela continua fundamental, porque a gente não vai lá e só aplica os dados, a gente vai entender dessas nuances que faz com que os dados se comuniquem com essas realidades. E aí definir variáveis, mapear variáveis, entender variáveis é muito importante.

O livro que eu tô escrevendo agora, né, que eu espero que possa ir para as prateleiras em breve, ele fala que o líder não é herói. Todo mundo acha que o líder é responsável por tudo, etc. O mais impactante na minha tese foi a resiliência. Se as pessoas não são resilientes, você pode botar o líder que quiser em cima dela, ela simplesmente vai estar ali para obedecer. Então, será que o critério de resiliência, e que é resiliência aprendida, Será que isso não tem que ser desenvolvido nas pessoas?

Será que isso não pode ser desenvolvido dentro do ambiente organizacional? Tem uma pessoa com resiliência, será que gera maior produtividade, mais alta eficácia? Foi o que eu consegui provar. Agora, se uma empresa não tá testando isso e só quer colocar a variável de criar, vamos fazer as melhores empresas para se trabalhar. Meu Deus do céu, eu tava numa empresa uma vez que tinha 90%, 98% de favorabilidade de clima. Se eu chamar o João Pedro aqui e falar para João Pedro, você tá 98%, eu acho que não.

Então assim, é importante a gente entender que quando os números eles são tão altilares, tão discrepantes, a gente tem técnicas para colocar dentro desse processo e falar assim, olha, vamos colocar sentimentos nisso. Aí eu fui lá e coloquei uma variável sobre sentimentos. As pessoas eram altamente confiantes na empresa Mas tinha uma raiva do chefe. Aí você falou, cara, olha só, tá aqui um dado, ó, nós não estamos capturando tudo isso.

Além dele ter raiva, ele tem medo do chefe. É óbvio que ele não vai falar tudo sobre o que ele pensa a respeito desse ambiente. Então é isso que eu continuo vendo, que é o maior ativo talvez de uma empresa deixou de ser só tecnologia. As pessoas estão hoje inventando investimento em agentes, etc., mas para mim é a capacidade de aprender com aquilo que é coerente com a minha estratégia, um cotou, um couvou, e que pessoas que eu preciso ter para onde que eu tô e para onde que eu vou.

DMDaniel Mendes

Ó, você me fez despertar para um olhar de que a gente tá vivendo um período de que se bota muita pressão nas costas do líder.

EMElton Moraes

Totalmente.

DMDaniel Mendes

E essa pressão, não que não deva existir líderes que seus liderados. Mas quando a gente observa, até na psicologia, a gente percebe que um dos maiores fatores e uma das maiores técnicas que a gente usa para modificar o sujeito é modificar o ambiente onde ele está inserido. Então a organização, a equipe, que vai muito além do líder direto, é um preditor de mais força, vamos falar assim, do que o próprio líder direto daquela pessoa, né?

E quando a gente observa nessa perspectiva, pegando o que você trouxe da resiliência como um construto aí, talvez o que a gente deva desenvolver mais nas pessoas, além de ter líderes que sejam empáticos e que desenvolvam seus liderados, é o autodesenvolvimento de cada colaborador, indo até o encontro da resiliência que você tá falando, que a gente pode conectar com autorresponsabilidade, né, com protagonismo, com uma visão de que que eu posso fazer da minha parte no meio de tudo isso, apesar dos limites existentes, né, no meio no qual eu estou inserido, né.

É, aí a gente pode até numa linha teórica aí de uma visão da logoterapia, né? Apesar do que acontece no mundo, como eu interpreto o que acontece?

EMElton Moraes

Como eu lido, né?

DMDaniel Mendes

Um existencialismo aí que a gente pode observar, que a gente não controla o mundo, mas a gente pode desenvolver o autocontrole apesar do mundo.

EMElton Moraes

E você traz isso de uma forma que eu acho que, eu acho que eu contei um pouco dessa história para você, mas foi um desenho dos Simpsons que me fez muito relativizar essa situação. Tem um desenho dos Simpsons que mostra que o Homer, o fato dele ser aquele bobão que às vezes toma decisões erradas e às vezes grita e às vezes ama, apaixona, ou seja, ele é todo contravertido na forma dele apoiar essas situações, né? Foi porque na infância dele ele socava, colocava muito giz de cera no nariz.

E aí percebeu-se que durante um determinado momento ele socou vários, socou, ele colocou vários giz de cera dentro do nariz e um ficou entalado no cérebro dele, nasceu entalado no cérebro dele, né? E aí ele era bobão porque impactou no cérebro dele. E aí foi uma coisa muito importante, porque os médicos, né, analisando a situação, neurocirurgião falou: olha, se a gente conseguir fazer a cirurgia e tirar esse giz de cera, você pode se tornar o cara morto que não vai existir, ou o cara mais inteligente do mundo, porque o seu cérebro desenvolveu ali um novo formato e tal, etc., com neurônios.

E aí ele falou: Poxa, eu quero tentar. Ele assinou o termo, foi lá para cirurgia, conseguiram retirar os giz de cera e o Homer se tornou inteligente. Ele passou a não rir mais das piadas no bar, ele passou a ir para biblioteca e fazer leitura, ele passou a ter uma rotina de vida saudável. E ele começou a verificar que a Lisa, que era a filha dele, era muito solitária porque as pessoas não entendiam aquele contexto e ele também não entendia.

Ele passou a entender várias coisas. E aí, a partir do momento em que ele entendeu aquilo, para mim a grande ficha que cai é que ele se entedia pela situação e volta para medicina e fala: eu quero meus dias de cera de volta, né? A vida é muito chata desse jeito, sendo consciente dessa forma. Então o que eu acho que a gente tá vivendo hoje, ser consciente é um negócio muito difícil, Daniel. Vale mais a pena jogar e ganhar o tigrinho Vale mais a pena ficar o dia inteiro rolando o Instagram?

Vale a pena talvez ouvir um— nada contra o funk, a cultura, mas ouvir um kika kika kika kika do que ler uma poesia, construir alguma coisa? Então nós estamos vivendo uma sociedade onde a atenção é o ativo mais caro que a gente tem. Ter uma hora com a pessoa hoje que te dê atenção, que não olhe no celular, enquanto ela tá falando com você é o ativo mais importante. E para mim, a grande situação que tem quebrado aí no analytics do desenvolvimento é a infância.

A infância hoje tá sendo invadida pelas máquinas, e eu acho que as crianças, elas estão cada vez mais se perdendo no que é dar atenção ao outro, do que é discutir valores. E isso vai amedrontá-las, isso vai tirar— elas vão ser super inteligentes, que elas vão saber Eu pego meu filho, ele sabe de tudo que tem no YouTube, sabe de tudo que não sei o quê, mas às vezes falta atenção para a própria vida, atenção para comida, atenção para um relacionamento.

Ele tem medo de arriscar. Isso é complicado, porque estar no meio tecnológico significa que você tá saindo desse nível de atenção. E atenção, se você não dá atenção, você não aprende. Olha aí a importância do analista de novo. Relação entre duas variáveis. O que que te faz aprender? Atenção. Se você não tem atenção, você não aprende. Vai dirigir um carro no celular com uma mão para fora e ver o que que vai acontecer. Você vai bater o teu carro porque você não tem atenção, você não tem aprendizado.

Então, quando você tem aprendizado uma coisa, você vai ter que firmar e vai ter que pensar e vai ter que fazer conexões. Então, eu acho que a gente— eu tô fazendo várias críticas aqui, inclusive a mim, porque se eu deixar o contexto do universo que eu estou, vai simplesmente me afundar em coisas mais fáceis e inúteis. E agora eu que tenho que fazer essas escolhas.

DMDaniel Mendes

Nossa, Elton, você trouxe um elemento que eu falei na aula ontem na ESPM de Psicologia e Ética na IA. Eu falei que atenção é um dos mecanismos básicos psicológicos de funcionamento humano, né? E quando nós dispersamos a nossa atenção a gente treina o cérebro a não dar importância para nada, porque o cérebro tende a dar importância para aquilo que eu permaneço atento, sem dividir a atenção, por um período maior e por repetição, né?

E quando eu faço esse movimento, eu consigo falar para o meu cérebro: isso que eu estou tá olhando é importante. Portanto, pegue da memória de curto prazo e leve para a memória de longo prazo, né, que é outro mecanismo de processo psicológico básico também, que é memória, né. E normalmente, quando a gente observa o jeito que as redes sociais funcionam hoje, principalmente no Reels do Instagram ou nos vídeos curtos do TikTok, é quem fala muito isso, é o Ricardo Basaglia no podcast Lugar de Potência, que a gente tá vivendo um período que existe um mar gigantesco de conhecimento, mas com centímetros de profundidade, porque todo mundo sabe de tudo, mas ninguém sabe de alguma coisa com mais profundidade.

É como se lesse a capa, a orelha do livro e a introdução, eu já virei expert no assunto, por assim dizer, né?

EMElton Moraes

Isso você não jogou na IA e fez um resumo.

DMDaniel Mendes

Exatamente isso. Você não jogou na IA e não fez um resuminho. Agora eu já li o livro, tô sabendo o que que é, etc. e tal, né? Então as pessoas até me perguntaram ontem na aula: mas professor, como que a gente reverte isso? E é possível reverter? Aí eu até disse, a neurociência diz duas coisas legais para gente, que existe neurogênese, que é sim existir novas células de neurônios serem criadas, e neuroplasticidade, que é a criação de novas sinapses e conexões entre os neurônios.

Então é possível sim existir uma reversão, só que para isso a gente tem que ter intenção, força de vontade, porque não é Moura Fácil. A gente tá aqui porque é um mecanismo, conforme você comentou, que a tecnologia sabiamente roubou da psicologia, aprendendo a lógica de reforço positivo, né?

EMElton Moraes

Perfeito, perfeito. E eu vejo nisso que você traz que o desafio não é ter inteligência artificial mais desenvolvida. Isso para mim é uma premissa que vai acontecer. O grande desafio para mim é ter pessoas mais autoconscientes, que saibam utilizar tudo isso que tá sendo trazido, né? O ser humano é um ser adaptável fantasticamente, mas tanto para o lado negativo quanto para o positivo. E essa ideia de que a gente vive em sociedade, ética tem a ver com o contexto.

Se eu tô dentro de uma sociedade que rouba e começa a achar que roubar é normal, aquilo vira uma questão normal para as pessoas, porque elas começam a ver: ah, se meu pai fez, eu posso fazer. Se o meu tio fez, eu posso fazer. Eu estava em sala de aula uma vez, isso me chama muita atenção, que a gente tá no nível de alunos que pagam mensalidade na casa de R$7.000 a R$10.000 por mês, que hoje são poucas as pessoas que têm uma condição como essa.

E um dele, brincando obviamente, mas ele repetia isso toda aula, falou assim: professor, eu quero ser igual meu tio. Meu tio roubou o cartório, deu um golpe no governo, pegou milhões e tá lá em Bahamas agora. Eu quero fazer isso também. E eu falo, puxa vida, o que que é discutir ética em exemplos tão fortes para essa pessoa? Ela não sabe nem o que que é ética, que ela não viveu ética, ela não viveu o que é cuidar do outro, que é cuidar da comunidade, o que é viver nas dificuldades.

Ela viu que alguém tem que levar vantagem e que tem como levar vantagem. Então o fazer tudo ou nada vira um viés de confirmação para aquela pessoa. Então me preocupa muito, né, quais são essas. Por isso que quando eu vejo esses estímulos tão rápidos, né, nos vídeos, na rolagem e etc., é que isso tá passando por formação de crianças que ainda não tem isso tão constituído. E que a gente vê crianças cada vez mais em termos de inteligência e de esperteza muito boas.

Só que a hora que entra o sofrimento, hora dificuldade, a pressão, eles falam: Deus me livre, quero viver isso não. Então não tem como não aprender se não passar pelo vale das sombras. O vale das sombras significa que você vai ter que fazer um esforço. Hoje em dia todo mundo quer mágica, todo mundo quer as canetinhas para emagrecer. Fala: poxa, não vai fazer um exercício para ver? Não vai comer direito? Para ver, né? Então tudo tem um efeito colateral, assim como a nossa mente.

A mente precisa, como a neuroplasticidade, ser experimentada, ser desenvolvida, né? Então são premissas básicas que eu acho que não vai mudar, Daniel. Eu acho que eu vou morrer, mas pode inventar o robô que você quiser, não vai tirar a ideia de eu ter que me esforçar para aprender alguma coisa e ter atenção sobre as pessoas.

DMDaniel Mendes

Nossa, Elton, eu ficaria com você aqui horas e horas e horas e horas conversando, porque um assunto puxa o outro, um assunto puxa o outro, um assunto puxa o outro. É isso que você trouxe da questão do esforço, me fez até conectar com o que a gente estuda como bem-estar subjetivo, que no senso comum a gente poderia classificar em parte com uma licença poética, com felicidade, por assim dizer, né? As pessoas têm uma tendência a acreditar que ser feliz é ficar de papo para o ar, sem fazer nada, sem nenhum esforço, só tendo prazeres hedônicos, que são os prazeres físicos, fugazes, temporários, né?

É como tomar um bom vinho, comer um bom queijo, tomar café, né? Sendo que a gente aprende através da ciência e da psicologia que o bem-estar subjetivo, ele vem, se torna mais longevo e perene com a eudaimonia, quando eu emprego o meu esforço em realizações que levam tempo e que normalmente o impacto é muito além de mim, é para o outro, é para o mundo, né? E quando a gente vai para um exemplo desse setor do vai muito para o egocentrismo, para o egoísmo, e para o dane-se o impacto negativo que eu causo no outro, né?

E aí, quando a gente vai observar isso com mais profundidade, provavelmente os impactos até subjetivos nessa própria pessoa sejam aí ruins, por assim dizer, até julgando aqui, né? Que eu tô explicando aqui de um jeito, com certeza, com certeza.

EMElton Moraes

E olha o tanto que é legal, você traz isso numa vertente teórica. Isso não foi alguém que criou. Você vai lá em bem-estar subjetivo, quais são as bases, como é que se avalia, tem instrumentos para avaliar. E é isso que eu acho que falta, a gente denominar itens e variáveis que estão validadas, ou itens e variáveis que já foram estudadas. Então, para que que eu ficar apresentando um monte de questionários, se eu tenho, ou se eu quiser inventar, eu embasar o meu instrumento dentro de uma teoria, né?

Aqui em Minas Gerais a gente aprende desde criança uma das teorias, nem teoria, filosofia muito importante, que é a reciprocidade. Minha mãe tem uma tapoeirinha, faz um pão de queijo, bota um pão de queijo e leva para vizinha. A vizinha automaticamente vai devolver com bolo ou com algum outro tipo de coisa, porque Era comum. Hoje, claro que nessa época as pessoas estão, né, não mais voltadas a isso, etc., mas tá faltando isso: a reciprocidade, a empatia, valores que cultivam melhor a nossa sociedade.

Eu preciso crer e acreditar que essas variáveis são mais dominantes do que essas que a gente falou negativas, porque se eu acredito que só negatividade vai transformar, eu vou ter um momento que não vai haver sociedade. Vai haver cada um querendo roubar e trazer pelo outro aquilo que é mais negativo. Então eu ainda acredito que disponibilizar um tempo para ver crianças órfãs, para visitar as pessoas que são idosas, para olhar, isso faz parte da psicometria, porque eu tô vendo comportamento, comportamento que funciona.

Por que que tem determinados lugares que levam as pessoas serem mais eficientes do que outros? Eu tenho que investigar, eu tenho que verificar essa variável. E você vai falar assim: Nossa, é salário! Nossa, é dinheiro! Não, as pessoas simplesmente elas querem ser ouvidas, elas simplesmente querem fazer parte do processo, elas querem ter bem-estar, elas querem ter alta eficácia. Então todo esse processo ele pode ser mapeado, ele deve ser mapeado. A gente precisa fazer isso em qualquer instituição.

DMDaniel Mendes

Muito bacana, meu amigo. Não quero te segurar mais aqui não, que eu sei que você tem outras coisas boas para fazer aí, além de comer pão de queijo.

EMElton Moraes

Isso é importante, isso é importante. Eu queria só deixar, né, muito importante aqui, né, tá o livro aí.

DMDaniel Mendes

Eu ia te perguntar exatamente isso, que livro que você indica para as pessoas lerem, né? Conta um pouquinho dele, por favor.

EMElton Moraes

É, nós juntamos alguns autores, né, para poder escrever. Metade da arrecadação desse livro tá indo para um orfanato, por isso que eu falo sobre isso. Então a leitura ela tá muito voltada a esse processo justamente de entender como é que executivos, líderes, diretores de RH estão dentro desse processo na organização. E eu trago aqui um capítulo de People Analytics, foi o que nós discutimos aqui hoje, falando como é que essa divergência entre a robótica, entre toda a questão das inteligências generativas E o lado humano, como é que fica em termos de entender dessas variáveis?

Eu acredito nos dois, não vou descartar de maneira alguma a tecnologia, ela é super importante e fundamental, mas entender de variáveis humanas também se torna. Alguns livros, né, tem o People Analytics for Dummies, que eu acho fabuloso, né, ele faz passo a passo, traz explicações de variáveis. Um que é a Psicologia Sem Matemática, Nossa, esqueci o nome, mas eu acho que é Matemática Sem Psicologia, Sem Matemática para Psicólogos, alguma coisa assim, né, que mostra muito a ideia de como é que a gente usa a estatística dentro da psicologia.

E outro que eu acho que são livros importantes são alguns livros do Jim Collins, do Simon Sinek, que estão falando a respeito dessa questão de variáveis que são colocadas dentro do ambiente. E um que não pode, para quem tá em psicometria, sair da cabeceira é medidas do comportamento organizacional e novas medidas do comportamento organizacional da professora Mirlene, que para mim é uma fabulosa em termos de escalas, conteúdos, né, para poder falar a respeito disso.

Eu espero que a gente possa levar cada vez mais esse conhecimento aí para as pessoas.

DMDaniel Mendes

Os últimos que você citou é a da capa branca e azul e laranjinha, né?

EMElton Moraes

Laranjinha é muito importante.

DMDaniel Mendes

Essas são as Bíblias, eu diria, brasileiras, né, do assunto.

EMElton Moraes

Quem fala em psicometria e não conhece esses dois livros não conhece psicometria.

DMDaniel Mendes

Concordo em gênero, número e grau. E meu amigo, para a gente ir para os finalmente, literalmente dizendo agora, Que mensagem que você deixaria que seja atemporal? Faz de conta que você vai dar um play nisso em outra dimensão daqui 100 anos. Qual seria essa mensagem que você passaria para quem vai ouvir? Faz de conta que essa mensagem vai ser disponibilizada para o mundo inteiro. Qual seria essa mensagem? E por gentileza, já emenda aí que redes sociais onde as pessoas te encontram, qual que é o seu arroba, qual que é o seu LinkedIn.

E muito obrigado desde já por sua gentileza, estando aí em Minas Gerais podendo prosear com o povo, tá aqui falando comigo. Gratidão do fundo do coração, meu amigo.

EMElton Moraes

Bom, bom demais, né? Olha, se eu pudesse deixar uma grande mensagem, que a gente tá vivendo um momento único na história que nos coloca em pé de igualdade com todas as gerações. Todo mundo tem falado que as novas gerações que nasceram como nativos digitais estão dentro de um determinado momento com maior vantagem no meio digital. Pela primeira vez, a inteligência generativa coloca todo mundo dentro do mesmo balaio. Tanto quem é nativo digital quanto quem é novo está no momento de falar: o que que eu faço com isso?

Eu tenho maior ferramental na minha mão. E o que que eu tô usando? Eu tô usando para fazer busca igual eu sempre fazia, ou estou usando para fazer trabalhos incríveis e modificar determinadas formas de atuação? O ente sempre vai ser humano, o ente nunca vai ser máquina, né? Você pode discutir inclusive com os grandes CEOs, os grandes técnicos, e ele falar: a máquina é fabulosa, magnífica, Mas nada me impressiona mais do que um cérebro humano.

Então, quando a gente tá falando a respeito disso, é que as pessoas não percam o desejo e a vontade de criar, desejo e a vontade de mudar, o desejo e a vontade de poder vivenciar novas experiências. Isso para mim vai ser fundamental para que um futuro seja melhor. Eu posso ter uma máquina que controle o ar, eu posso ter uma máquina que controle o meio ambiente, mas se eu quiser sabotá-la, quem vai fazer é o corpo humano, é a mente humana.

Então, para mim, cuide da sua mente, cuide da sua saúde mental. Isso para mim é a grande mensagem que tem que passar para quem tá vivendo esse mundo e esse universo todo que a gente tá vivenciando. Não deixe de viver momentos momentos prazerosos com quem você ama, com a sua família, com quem você preza, converse, dê atenção, que isso vão ser coisas raríssimas, mas que serão muito potentes, maior do que qualquer robô que vai limpar sua casa sozinho.

DMDaniel Mendes

Que legal, meu amigo, que legal! Adorei te ouvir, grato demais novamente. E diga onde as pessoas te acham, Como que elas podem falar com você?

EMElton Moraes

Muito bom, né? Eu tô lá no LinkedIn, Elton Moraes, né? Eu tô ali e tento fazer publicações, né, falar a respeito de processos que eu acredito. No Instagram eu tenho tentado colocar aí todos os meus cursos, aquilo que eu venho desenvolvendo nessa parte de bioanalítica. Então, @psicologoeltonmorais, né, aonde eu tenho depositado aí algumas chamadas, algumas atenções. E com certeza pelo meu próprio WhatsApp aí que eu faço as minhas coisas, mas vou ficar aí na intimidade ainda com algumas pessoas aí para poder fazer essas trocas.

Então com certeza são pontos aí que podem me chamar, eu sempre respondo, sempre falo. Isso para mim é algo fabuloso e fantástico.

DMDaniel Mendes

Muito legal, Elton. Gratidão do fundo do coração aí, mais uma vez. Obrigado demais. E querida ouvinte, querido ouvinte, escutou até aqui? Manda então, se você gostou, esse episódio para um amigo, para sua família, para quem você gosta. E até breve!