Fliperama de Boteco #297 - Entrevista com Roberto Araújo, criador da Revista do CD-Rom
Está no ar mais um episódio do Fliperama de Boteco. Hoje o Guilherme Ferrari e Alexandre Machado entrevistam com Roberto Araújo, criador da Revista do CD-Rom.
Revista do CD-ROM: Lançada em 1995 pela Editora Europa e descontinuada em 2015, em duas décadas de existência, a Revista do CD_ROM foi uma publicação inovadora e de muito sucesso. Produziu mais de 17 milhões de CD-ROMs e DVD-ROMs e foi a responsável por apresentar o universo do PC para muita gente.
Roberto Araújo: Em 1979 iniciou na revista Duas Rodas, em 1981 foi promovido a redator-chefe. Lançou a Revista Videogame, a revista Computer Games, acumulando funções. Em 1995 foi para a Editora Europa como diretor de redação para lançar a Revista do CD-ROM, uma publicação que formou uma geração de usuários de computadores.
Atualmente Roberto é Diretor Editorial da Editora Europa respondendo pelas revistas: Natureza; Fotografe Melhor; Viaje Mais; Revista Oficial do PlayStation; Revista Oficial do XBox 360; Revista dos Vegetarianos.
"Eu estava não só no começo, mas EU estava no começo, no meio e no fim! "
- Revista Lar, Doce LarOrigem da ideia e lançamento · Desafios de produção e distribuição · Conteúdo e interatividade com o CD · Impacto na formação de usuários de PC · Comparação com outras revistas da época
- Processo de obtenção de material para as revistasDificuldades na era pré-internet · Coleta de CDs, programas e jogos · Criação de conteúdo próprio pela editora · Curadoria de conteúdo e garimpo
- Operacionalização e desafios técnicos da revistaEquipes de redação e programação · Uso de PCs e softwares na diagramação · Problemas com memória e 'Out of Memory' · Suporte técnico ao leitor · Traição da equipe de programadores
- O legado da Revista do CD-ROMFormação de uma geração de usuários de PC · Amigabilidade e acessibilidade do conteúdo · Comparação com cursos de informática da época
- História de Roberto Araújo na Editora EuropaCarreira em revistas de motocicleta · Lançamento da Revista do Videogame · Direção editorial e outras revistas
- A história de Leandro Calçada, programador genialInteligência e genialidade de Leandro · Contribuições para a Revista do CD-ROM · Trágico destino e suicídio
- Tendências do mercado editorialTransição de CD-ROM para DVD-ROM e Apps · Adaptação da editora ao mundo digital · Sucesso de publicações como Old Gamer · Desafios da mídia impressa na era digital
- Cultura e curiosidades da Revista do CD-ROMInterface gauchesca e temática gaúcha · Programas de manipulação visual e caricatura · Conteúdo familiar e ausência de material adulto · Programa para criar cartões de visita e processo judicial
- O futuro da mídia impressa e o digitalDesafios das editoras tradicionais no digital · Domínio do Google e Facebook no mercado publicitário · Estratégia da Editora Europa com produtos impressos de qualidade · Dificuldade de consumir revistas digitais em telas pequenas
- Avoante EditoraRitmo intenso de trabalho e prazos apertados · Flexibilidade de funções e responsabilidades · A importância de se divertir com o que faz
E aí
Começa em altíssima velocidade, mais rápido que o meu leitor de 52x. Eu sou o Guilherme, vindo diretamente de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Junto comigo com você, ele que vem diretamente de Santa Catarina, com o seu leitor de 57x. Xandinho SK8 Gamer Pro. Ah, Guilherme, Guilherme, como fala o Geraldo Luiz, ah, minha limeira, minha limeira. Guilherme, Guilherme, que satisfação estar presente nessa gravação hoje. Eu estou até assim, ó, abilolado das ideias. Eu perdi as palavras, Guilherme.
Tu tá mais empolgante hoje. É? Leite? Você pode ver esse mesmo, eu rio que nem uma criança. Então, deixa assim que é melhor. E por fim, depois de uma grande espera, a gente conseguiu o contato e hoje está aqui para gravar a vida diretamente de São Paulo. O cara que estava lá no momento da... Olha o termo que eu vou usar. Forjadura da revista. Ele, Roberto Araújo, diretamente de São Paulo e da revista Cideron.
Muito bem, legal. Muito obrigado pelo convite. Estava lá não só no começo, mas estava lá no começo, no meio e no fim. Olha, já dá pra fazer uma anedota aqui, bonita, uma alegoria, tudo, analogia com a música do nosso querido Raul Seixas, né?
pode crer porque a gente começou a revista do CDROM em 95 eu acho que vocês não tinham nem nascido ainda ou tinha? eu sou de 85 eu sou de 84 já era um guri como fala o pessoal das antigas já era um galalau já era um galalau, exatamente
Eu não posso dizer essa expressão, mas vou usar uma expressão de Gauder. Já era um guri pançudo, mas naquela época era uma crítica. Hoje eu sou um cara pançudo. Naquela época era uma crítica. Nem vamos se enrolar. Já vamos rodar a vinheta com os anúncios e já vamos começar o podcast, então. Vamos lá, então.
Voltamos da vinheta e vamos lá. Roberto, tu tá aqui pra explicar pra gente como começou a revista CD1, essa revista, melhor dizendo, ou essa quantidade absurda de revista e informação que a gente teve, que basicamente todo mundo que teve o seu Pentium 23445678, teve o seu K e qualquer coisa, teve uma revista CD1 em casa. Como é que surgiu a ideia? Tu sempre esteve lá na Editora Europa, ou do nada chegou a opção de criar uma revista e pá, pum, foi assim. Para, para!
para, para, para, Guilherme, vou dar uma de João Kleber aqui vou dar uma de João Kleber que eu tenho que fazer isso, eu ensaiei isso ontem, eu tenho que fazer fala, o que você ensaiou? cara, eu estou emocionado para estar falando com o Roberto aqui, gente do céu eu era um Durango Kid quando eu era pequeno lá em Barbacena, então eu namorava mais namorava do que comprava todas as revistas de informática que tinha lá na revisteira da cidade que eu morava e aí
E eu tive o privilégio de ter comprado, que eu me lembre, privilégio não pela quantidade numérica, mas pelas edições que eu comprei. Somente três, olha só, somente três edições da revista do CD-ROM. Mas ela foi tão impactante, tão impactante, que eu, mesmo não tendo podido folhear mais revistas, porque elas vinham seladas, porque vinham com um CD-ROM, elas ficaram indelevelmente marcadas no meu ser, Guilherme. Olha só.
E vendo aqui no Dataset esse site maravilhoso de preservação digital de revistas antigas, eis que eu me deparo com uma das três edições que eu comprei. Eu comprei a 44, a 50 e a 54. Inclusive a 54 não tem aqui no Dataset, é uma pena, mas eu lembro muito bem de um jogo que vinha com ela, que era o Tomb Raider Revelations. É o quarto, o quarto jogo do Tomb Raider, que você passa lá no Egito.
Então deixa eu te falar A primeira coisa que foi uma luta que a gente teve Por muito tempo Que é explicar a pronúncia do nome Que é CD-ROM Read Only Memory Então sempre teve muito CD-ROM
Mas o room é de quarto, e aí não é o caso. É, exatamente. Então, o room é hall. Mas o que eu ensaiei, Guilherme? Que eu tava ali, ó, cheguei em casa, quis baforido, meio atrasado, fui tomar um banho, e eu tava pensando ali, enquanto me ensaboava deliciosamente, tava pensando nisso que eu ia falar.
que é o texto da revista número 50, edição comemorativa de 50 edições, porque a revista era semanal. Não, é mensal. Mensal, desculpe, desculpe. Era a 50ª edição da revista do CD-ROM. E ela tem um texto que caiu como uma luva eu ter comprado essa edição em 1998 ou 1999.
E essa entrevista de hoje com os assuntos que eu queria tratar, as perguntas que eu queria fazer. E o texto é o seguinte. Manda bala. Ao leitor. A Idano passou, deu um sorriso e disse. E essa revista? Sai ou não sai? Na minha nova sala, olhei em volta. Tudo que vi foi uma mesa e um mouse sobre ela. Sem nenhum computador onde pudesse ser ligado. Equipe também não havia. E uma dúvida me dava um frio na barriga. Por onde começo essa tal de revista do CD-ROM?
Guardo esse momento com um carinho todo especial. Vivia meu primeiro dia na Editora Europa. Pouco tempo depois, quando o Aidano me apresentou a ideia de fazer uma revista com CD-ROM, me apaixonei pelo projeto instantaneamente. Dividimos as tarefas. Aidano foi descobrir como se fazia um CD-ROM e que conteúdo poderia ser colocado nele. A Bílio montou a estratégia industrial e comercial para permitir que nosso trabalho chegasse às bancas. E eu fiquei com a revista propriamente dita.
Depois de exatos 47 dias, chegava às bancas a revista do CD-ROM, inaugurando um novo segmento no jornalismo brasileiro. Uma revista de informática prática, descomplicada e principalmente com interatividade entre o CD-ROM e a revista impressa, algo de que nunca se ouvira falar até então. Esgotou em uma semana.
Agora, 50 meses depois, tudo parece fácil. Tenho à minha volta uma equipe com 20 pessoas, da qual muito me orgulho, e que jamais conseguiria formar sem a imensa ajuda de Tânia, com seu dom especial para descobrir e treinar jovens talentos.
E os títulos que, felizmente, só fazem aumentar. PC Master, IT, informação e tecnologia, dicas e truques para Playstation. Aproveito essa comemoração de 50 edições para agradecer a todos que acreditaram na ideia revista do CD-ROM, que fazem ou fizeram parte da equipe. Mas agradeço em especial a você, leitor. Só com a sua compreensão, apoio e incentivo, foi possível chegar à 50ª edição.
E espero que, como nós, pense que isso é apenas o começo. Roberto Araújo, diretor de redação, e o e-mail dele, que eu posso até citar aqui, araújo.europanet.com.br. O mesmo até hoje.
Olha, eu me segurei aqui. Estou tremendo, Guilherme. Me ajuda, Guilherme. Você lê muito bem. Parabéns pela sua leitura. Gostei muito. É que o texto é bom. Quando o texto é bom, o leitor é um coadjuvante. É, mas é isso mesmo. Essas coisas não nascem assim ao acaso. Na verdade, eu me interessei pelo segmento e comecei com games.
Em 1989, eu tive a felicidade de lançar também a primeira revista de videogame do Brasil. Chamava Revista do Videogame. Olha aí! Aí, ficava longe de nascer ainda. Mas aí o embreião dela começou com o videogame. Depois veio...
revista chamada Computer Games, que eu lancei também. Isso tudo para preparar depois a revista CDROM. E quando chegou a hora dela, então já estava estruturado, já conheci um pouquinho. Porque tudo isso é um passado longe, né? Já vai muito tempo que a gente faz. Mas foi, para mim, foi a revista que mais mudou a minha vida, foi a revista CDROM. Foi uma experiência maravilhosa.
muito legal, muito doida, cara. A gente fazia cada negócio incrível, sabe? Puta, viajamos, buscamos, achar esses programas era uma dificuldade. Meu Deus, essa, desculpa te interromper, mas essa é a pergunta de um milhão de reais, dólares, rupias, o que quer que seja. Nós temos um episódio que eu amo de paixão, que está no meu coração e é um dos sucessos de download do nosso podcast.
que é uma discussão nossa falando sobre a PC Expert. CD Expert. Outra revista que forjou caráteres. Forjou caráteres. Revista do CD1 e CD Expert. E nela nós nos questionamos como... Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä
que esse pessoal conseguia tanto material inédito de uma edição para outra e com tempo hábil de conseguir tudo isso nas aquelas conexões lentíssimas, a não ser, bem, eu falo da vivência do interior, conexão de escada, eu não sei como que eram os grandes centros onde eram feitas essas revistas. Mas essa dúvida...
nos consumiu naquela edição do podcast. Como que o pessoal das editoras conseguia o material para fazer as revistas? Tanto o jogo como o programa, né? Por favor, em primeira... Essa talvez seja uma das perguntas primordiais que eu ia fazer para você, Roberto. Como que vocês conseguiam o material? Então, não era... Internet não tinha. Quando começou, não tinha internet nenhuma.
Nenhuma? Tinha nenhuma. Tinha BBC. Ah, sim, claro. Ah, você fala lá do seu início em 89, né? Não, não, não. Tô falando da CD-ROM. Meu Deus! Não tinha ainda. Em 95 não tinha. Tinha umas coisinhas assim, mas era um negócio cara inexpressivo, ruim. Então o que a gente tinha de verdade, que funcionava, era o BBC. Tempo do Mandic. Nossa, Alexander Mandic. Ele morreu agora há pouco, coitado. E eu fui na casa do Mandic e a BBC do Mandic era o seguinte. Era uma...
um computador que ficava perto do posto dos elevadores no apartamento onde ele morava. Você escrevia e o texto ia mais devagar do que se conseguia escrever. Então, a possibilidade de mandar um programa por isso não existia. Não tinha chance.
Então, o que a gente fazia era conseguir outros CDs com os programas. Então, você falou da edição 50, tem um CorelDRAW, demo nele, né? Tá na cara. Então, isso é uma coisa que a gente entrava em contato com os produtores, tanto de programa, quanto de games, quanto de todo o material.
para conseguir algumas coisas. E a gente comprava e assinava tudo quanto era revista e material que a gente podia encontrar, ia em feira internacional buscar material, porque era físico, não tinha internet, não se contava na internet, não tinha como. Era uma coletânea de materiais, de CD-ROMs, de disquetes, o que vocês conseguiam?
que a gente ia juntando, certo? E fazia aquela coisa toda e depois pegava e ia equilibrando para atender a fórmula que a revista tinha, que era games, que era um pouco de música, que era interatividade, que era textos, enfim, a receita que você conheceu lá atrás, que era o que a gente usava. Isso no começo, a partir de certo momento a gente existiu disso e começamos a fazer os programas. Nós contratamos uma equipe de programadores e aí
e começamos a fazer...
o programa principal para dar um negócio realmente diferente e inédito para os leitores. Não, não, pera, pera, pera. Você está falando que vocês contratavam, meu Deus, me caiu, como a gente diz aqui no Sul, me caiu os butias, as melancia do bolso agora. Vocês antes iam da modo analógico, literalmente, buscar o programa. Isso. E agora vocês criavam um caramba. Eu lembro que eu procurava nas revistas CD-ROM, nas revistarias, qualquer banca, para ver se tinha sempre um programa completo, legal para fazer. Eu lembro que um dos primeiros que eu procurei muito foi e aí
algum programa que podia ripar CD de música pra transformar em MP3. Foi o primeiro que eu procurei que nem um condenado. Depois eu peguei Corel Draw, aprendi a usar nessa época, Photoshop, ali mesmo nessa época, porque a revista CD-ROM era sempre, ver se tinha algum jogo, demo, sempre tinha 400 programas grátis pra Windows, sempre tinha essas revistas, eu adorava quando tinha essa coisa ali, sempre ficava procurando ali.
Por favor, se apresente, Roberto, diz qual é a tua formação e por que tu adentrou no mundo da editoração de informática. Então, eu sou jornalista de formação, tá? Eu não sou...
Não sou jogador, eu não sou programador, não sou nada, sou jornalista. Então eu me formei em jornalismo, fui trabalhar em jornal, trabalhei no Estadão. Aí depois eu saí do Estadão e comecei a trabalhar em revista, revista de motocicleta, revista Duas Rodas. Então eu fui editor da revista Duas Rodas por 15 anos. Caramba! Eu lia tudo de motor, cara, tudo, tudo. Caramba! Era capaz de ler uma ficha técnica de um motor em japonês e saber diâmetro, curso.
e tudo mais, não sei meu Deus olha, tem algumas clássicas na minha memória que eu não sei se o pessoal curte muito por exemplo a Yamaha DT180 não sei se era uma moto eu estava lá no lançamento dela, tu estava no lançamento da DT180? sim senhor meu Deus do céu não, eu sei detalhes, por exemplo, a primeira foto da DT180 em japonês eu ia fazer aqui no Brasil eu ia fazer aqui no Brasil
Só rapidinho. Aí o cara pegou uma gilete, pegou o pneu e cortou um por um aqueles dentinhos, aqueles restinhos que fica pra fazer a primeira foto, cara. Ele tirou os pentelhos do pneu? Exatamente. Um a um com gilete pra fazer a foto. O japonês é demais. Pentelho do pneu, velho. Eu fui o que me veio na cabeça, Guilherme. Eu não sei o que que eu... Mandou bem. É isso mesmo.
É isso mesmo. Isso foi que ano? Vamos colocar em datas. Isso foi que ano? Olha, eu formei em 74, comecei no Jornal em 77 e comecei em revista em 79, nas duas rodas. Aí em 89 teve o lançamento da revista Videogame. Então Videogame era um segmento que começava e a editora queria ampliar.
as suas coisas. Qual era a editora na época? A editora sigla, sigla editora, que não existe mais. E como eu sempre fui muito curioso e sempre gostei de coisas novas, então fui escalado pra implantar o novo título. Foi até gozado, porque eu não sabia, perdão, não sabia nada de... Tu foi verde no assunto? Totalmente. Então tinha locadora de games na época
Aí eu peguei e fui lá na locadora, conversei com o cara, falei, eu quero fazer a revista e tal. Mas precisa entender um pouco desse negócio. Como é que faz? O cara falou, ah, não sei o que você quer fazer. Eu falei, eu quero fazer o seguinte, eu quero fazer um estúdio de games. Eu quero que você empreste os consoles, leve lá na editora, eu vou convidar a molecada lá da escola do meu filho.
e eu quero ver essa molecada jogando pra ver o que eles gostam, o que eles fazem, o que eles conversam. Aí eu botei a molecada e fiz um sábado feliz dele lá e eu aqui só anotando e entendendo como é que era aquele negócio de Sega, de Nintendo, sabe? Olha só, Mega Drive, Nintendinho. Aí não tinha ainda, era só Sega e Nintendo.
Ainda estamos nos 8 bits. Então foi aí que eu tive esse primeiro contato. Aí depois disso veio a computer e aconteceu uma coisa interessante na computer games, que toda vez que eu colocava a palavra CD-ROM na capa, subia a venda.
não botava CD-ROM, caía a venda botava CD-ROM, subia a venda aí, cara, eu cheguei lá pra direção da decisão editora que fazia essa revista falei, meu, precisa fazer uma revista com CD-ROM sabe, pô, esse negócio vende ah, bobagem, falei, como bobagem puta negócio legal pra caramba veja os números, olhe as métricas olha essa porra não, não interessa falei, como não interessa? Pelo amor de Deus isso aqui vai explodir, o negócio vai ser legal pra caralho
Perdão, não pode falar isso. Fala, fala aqui, é livre, território livre aqui. Zona desmilitarizada, pode fazer o que quiser. Aí, cara, aí rolou o seguinte, né? Aí não quiseram fazer, não teve acordo. Nossa, olha só, os caras perderam o cavalo, passou enciliado, eles não montaram. Eles não montaram, cara. Aí eu falei, tá bom, não quer, não quer, né? Já não pode obrigar ninguém a nada.
Aí apareceu o Aida, não virou a pergunta, eu queria fazer a repensão de derrubar, eu falei, então dentro, vamos embora. Você não quer pensar? Eu falei, pensar o quê, meu? Já pensei, o que você tinha que pensar? Foi aí que você vem a história que você leu na edição 50.
Da onde que você conheceu o Aydano? Ah, eu fui um amigo comum, que ele tava procurando uma pessoa, que ele tinha enxergado a mesma coisa que eu. Então, e é Aydano a pronúncia. Aydano, ah, não sabia, desculpa. Diferente, hein? Tem alguma origem? Ah, ele disse que é do Aydan, lá de alemão, essas coisas. Ah. Aí aconteceu uma outra coisa que era o seguinte, ninguém acreditava...
Eu até escrevi na Editorial dos 50 porque ninguém acreditava, né? Eu achava que esse negócio ia ser um fiasco. Aí eu convidei algumas pessoas, as pessoas não queriam trabalhar. Falei, não, isso não vai dar certo. Isso não vai rodar, não vai dar certo. Pra ajudar ninguém, né? Cara, ninguém. Eu convidei um cara pra ser suporte técnico.
O cara não quis saber, ah, essa merda, não quero saber disso. Aí catei um jovem estudante da Politécnica, chamado Luiz Siqueira, que aí pegou e falou, não, eu topo esse negócio. Eu tenho 17 anos. Hoje ele é o dono da editora. Olha aí! Pois é. O cara chegou pra ser suporte técnico e comprou tudo depois. Pois é, exatamente. Hoje ele é o dono da editora. Nossa senhora, bicho. Então a história é muito louca, porque aí fomos passando a pressa pra reproduzir os discos e a gente pensava fazer 50 mil. Os caras falaram, ah, hum.
Não fazemos. Mas por que não faz não fazemos? Porque vocês vão quebrar. Vocês não vão conseguir fazer.
Meu Deus! Mas tinha uma questão econômica também? Dependia das vendas pra vocês pagarem os CDs? É tipo, sei lá, consignado, alguma coisa assim nesse sentido? Era na promessa de venda? Não, então. Normalmente você faz o negócio e paga 30 dias, essa coisa toda, né? E aí você fala, não, não vamos fazer. Não vão, não. Só se vocês pagarem adiantado.
Sabe, então teve aí, a editora depositou o dinheiro na Sonopress, e aí a Sonopress rodou. Uma empresa de, pelo nome, uma empresa especializada em discos musicais, não era? Exatamente, a própria. E na distribuidora foi a mesma coisa, a distribuidora não queria de jeito nenhum distribuir isso tudo. A gente perguntou quantos exemplares traz como vendeu, e a gente falou, ah, dois mil tá bom, não precisa mais que isso, não. Dois mil cabe num bagageiro de uma moto?
rapaz, no fim com essa coisa toda, fizemos 30 aí entra a história que em uma semana não tinha mais um único, fazia fila de jornaleiro na porta da editora pra buscar mais e não tinha rodamos preta mais 30 mil certo, puta, foi, vendeu os 30 mil, aí nesse meio tempo tava fazendo a número 2 Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä
Tiramos 50 mil, vendeu os 50 mil, tiramos mais 30 mil da primeira, vendeu aquilo, tiramos mais 50 mil da número 2, vendeu também. E foi um foguete o negócio, cara, foi um foguete. Meu senhor do céu. Mamona, assassina das revistas, né? O que eles arrasavam no show, vocês arrasavam em venda, então? Então, porque o que acontecia, por que que isso aconteceu? Porque as pessoas tinham os computadores, foi a época que chegou o computador multimídia.
Esse cara não tinha o que fazer com ele. Você quer ver? Caiu a internet na sua casa. Você olha o seu computador. O que você faz com ele? Nada. Nada. Nada. Fora. Se não tiver um gibi baixado, uma revista do dataset, algum texto que você te guardou para ler em outro momento, fica complicado, né?
Não, você trava, você fala, meu Deus. Então tinha uma legião de pessoas que comprou o computador, e não tinha o que fazer com ele. Nossa senhora. Porque o cara vai lá, escuta uma música, tá bom, escutou, tá bom. Vai escrever um texto, ninguém tem paciência pra escrever texto muito tempo. Então não tinha o que fazer com o computador. Aí de repente aparece um disco que lá tinha tudo, tinha show, tinha programa, tinha jogo.
Era uma internet portátil. E como é que foi vocês criarem a infraestrutura dentro da Editora Europa? Era uma editora... Ela nasceu aí ou ela já existia Editora Europa? A Editora Europa eu fazia na época a revista Natureza, Plantinha. Ah, até hoje existem. Então, eu faço, eu que faço. Com muita amor e carinho, por sinal. É, eu que faço atualmente. Quais são os títulos que tu tá envolvido? Todos. Eu sou o...
Meu Deus, você não dorme, cara. Então, a revista Natureza, a revista Fotografia Melhor, a revista Playstation, a revista Xbox, certo? A revista dos vegetarianos e livros. A gente está com catálogo de... Viagens. Ah, viagem mais, sabe? Então agora, semana que vem, eu vou fazer uma reportagem de um cruzeiro. Vou montar os cruzeiros. Vou lá fazer uma reportagem disso. Ah, que ruim, né?
Tomara que não tenha um surto de salmonela, né? Porque é perigosa a comida de cruzeiro, né? Não, o problema não é esse o problema. É se depois dá um negócio de Covid lá dentro, não sai mais. A gente fica lá presa até. Diário da Covid, já faz um livro, hein? A Editora Europa, ela já existia há quanto tempo? Então, ela tá celebrando 35 anos agora. Então, até então, ela começou em 89, 95, ela tinha 6 anos.
E a história da editora com a revista de Rho mudou completamente, porque ela se capitalizou para lançar outros títulos, para começar uma outra trajetória. Eu imagino, com essas tiragens absurdas dos dois primeiros. Eu estou interessado em saber como é que foi a montagem da equipe e como é que foi criar para uma mídia completamente nova. Os processos tiveram que ser...
criados do zero para trabalhar com CD-ROM? Como é que era a masterização? Tiveram que gastar uma grana preta comprando um gravador de CD que devia ser algo raríssimo, só importado. Essa parte operacional me interessa muito, saber como é que foi, por trás das cortinas, da criação desse exemplo da primeira edição da revista do CD-ROM. Aí você tem dois canais. Um canal é a revista impressa. O outro canal era o disco. Caram duas produções diferentes. Tinha duas equipes.
Quem que navegava entre essas duas áreas? Eu. Você, tá. Eu. Então, aí a gente tinha um pool de programadores, certo? Que eram as pessoas, quatro rapazes, desses doidos, que faziam o disco. Preparavam os discos. Então, eu não sei se você convive com programadores, mas eles são seres um tanto quanto diferentes.
Guilherme é programadeiro aí, pode falar. É, então, tinha um lá que não tomava banho, o cara... Não tomava banho, bicho, nossa senhora. Tinha outro que dormia da editora, ficava dois, três dias lá e não saía. Nossa senhora. Usa a palavra excêntrico, fica mais legal, né? Excêntrico, exatamente. Todos os rapazes excêntricos. Isso.
tudo gurizada nova de universidade, assim, 17, 18 anos? Ah, uma gurizada jovem. É, começa cedo, né? É, começa muito cedo e eles são muito... muito... Compenetrados. É diferente mesmo. E nós tivemos, isso é uma coisa que eu acho que ninguém sabe, eu vou te contar, nós tivemos uma traição na revista do CD-ROM.
Denúncia! Judas! Judas! A equipe de programadores, num certo momento, resolveu pegar o nosso código-fonte e vender para a Editora Globo. Nossa! Na cachorragem! Na cachorragem, bicho! Nossa senhora! Os caras pegaram, fizeram debaixo de um pano, foram lá e venderam e foram na Globo para outra revista do CD-ROM com o código-fonte nosso. Nossa senhora! Certo?
E a gente falou, dá aquele pânico, né? Eu falo, puta, e agora? Como é que a gente vai fazer? O louco por trás vai destruir a gente, né? Se eles pegam isso aí, com o dinheiro que eles têm, vão fazer um canhão de revista. Então, e com o código fonte da gente, funcionando maravilhosamente bem. Aí a gente teve que sair desesperadamente atrás e montar uma nova equipe para fazer o CD, a toque de caixa.
Nossa senhora É, e começando do zero O chão se abriu e vocês se viram Sem sustento É, exatamente, sem o engine, né cara Porque a gente não tinha, não tinha mais o código fonte Não tinha nada, ficamos zerados Sem porra nenhuma pra fazer o disco E esses filhos da mãe aí, o que aconteceu com eles? Vocês foram atrás, deram uma coça neles? Não, não, não, que aí vai Aí vai
Sabe, adeus passar bem, só nunca mais passa aqui dando a porta. Boa. Mas, por exemplo, você não é capaz, você não é capaz de falar o nome dessa revista que você nunca ouviu falar. Eu não sei, eu realmente não sei de uma revista de CD-ROM da Editora Globo, não sei, tô por fora mesmo. Então, porque a revista tem alma, cara.
Revista tem alma, as pessoas não sabem disso, mas revista tem alma, tem personalidade, tem carinho, o leitor gosta. Pô, esse negócio acabou em 2015, você está conversando comigo sobre ela, porque tem alma. Acabou em 2015, conheci em 98, e está aqui no meu coração ainda. Então, a outra você não sabe nem quem é, então não é só a parte técnica, não é só você ter...
aquele disco que funciona perfeitamente bem. Tem que ter algo mais. Tem que ter um charme, tem que ter uma gracinha, tem que ter uma vivência, tem que ter uma conversinha. É charmosíssimo. O texto é deliciosamente escrito. Eu nem sei quem é o escritor, se são várias mãos que escreveram, mas o texto é muito bom em todas as matérias da revista. É, eu conforme você viu naquela live, eu não fazia a revista sozinho. Aí depois que eu fui fazendo equipe, sabe, mas é sempre a regra.
A regra do texto, agora falando dessa parte de redação, era a seguinte. Tudo, tudo que estava escrito na revista seria feito pelos leitores. Então se falava que era apertar tal botão, você tinha que apertar o tal botão, e se fosse para tal lugar, tinha que chegar em tal lugar. Porque ia ser testada pelo leitor que ia seguir o passo a passo. Então todas as coisas que eram escritas tinham que funcionar. Era a primeira regra.
a regra essencial. Daí entrava os dois pontos que é você ter uma qualidade no disco, algo que interessa as pessoas, da interatividade, e uma revista que explicasse exatamente aquilo, que era como se fosse um tour guiado. Então aí você podia acompanhar tudo que estava acontecendo através da revista. Então foi essa interação que foi o grande diferencial. Então quando foi pra Globo, por exemplo, você tinha lá um software, um disco,
que funcionava perfeitamente bem. Sim, mas cadê a revista? Cadê a escolha dos programas? Cadê o texto explicativo? Cadê o charme que você podia colocar nisso? Era só um disco jogado? Não tinha edição impressa que acompanhava ela? Tinha, mas não era a mesma coisa. Não era a mesma coisa. Então, coisa roubada mesmo. Nunca vale. Quem ganha fácil, perde fácil. E me impressiona a Globo ter aceitado o objeto de uma crocodilagem. Tem que ver como é que foi vendido o produto.
Eu também não sei, porque aí saiu fora do meu alcance, né? Porque eu fui, fomos todos vítimas de uma traição, mas tudo bem. Fez, fez. A liberdade de cada um é essencial, né? Beleza. Eu respeito muito. Quer ir? Quer ir? Vai. Passar bem. Nunca segurei nenhum profissional na minha vida, bicho. Eu quero ir. Pois vai embora. Ah, não sei se eu quero. Você não sabe se você quer. Eu sei que você não quer. Pode partir. Adeus. Passar bem.
Nossa senhora É, tem que estar de corpo e alma, não adianta Não é? É o passar bem Tem que estar fazendo a coisa com O membro entumecido Senão não vale É, senão não vale, exatamente Exatamente
Eu ainda estou interessado na questão das duas equipes separadas e você navegando entre elas. Tinha o pessoal da redação e o pessoal da técnica da programação e feitura do CD. Você começou a falar e depois contou do nosso caos, dos intrépidos ladrões que se deram mal. Tia, você tinha que ter profissionais que tivessem um pé na informática. Não adianta você fazer um texto brilhante porque...
O leitor não queria um texto brilhante, ele queria um texto claro, que fosse compreensível, que fosse direto. Não era para o texto enfeitado. Ninguém queria poesia. Você queria saber como funcionava o programa. Você queria saber como é que você encriptava, desencriptava, como é que fazia essa coisa toda, certo? Então, aí, eu sempre trabalhei muito com jovens. Então, eu tinha uma equipe muito, muito jovem. Então, eu buscava, por exemplo, o Lu, Lu Siqueira.
ele era politécnico, sabe? Então ele entendia toda essa parte de informática e escreveu. Eu falei, vem cá que você vai aprender a escrever. Vai ser útil a sua vida inteira. Aí ele aprendeu, sabe? Depois ele aprendeu outras coisas que eu não sei até agora. Planilhas, esse negócio. Eu não sei fazer nada. Ninguém sabe. Quem diz que sabe está mentindo. Eu não sei. Eu não sei.
Excel não dá, é demais pra minha cabeça E aí você tinha A gente trabalhava muito coordenado A gente pegava, tinha A seleção desses programas A gente fazia reuniões de pauta A partir de um determinado momento Pra ver qual seria o programa de capa E aí valia tudo, cara Pegar do FBI O banco de dados Pra falar dos países As bandeiras de todos os países E aí
sabe, aí é cada puta ideia, cada puta coisa doida que a gente fazia sabe, dava tudo certo, sabe ia ter copa, fazia material de copa sabe, ia lá buscar artigo corretor de português, buscar os homens programas, planilha pronta por orçamento familiar
efeitos especiais de vídeo. Isso é coisa utilíssima, né? Modelo de carta. Teve uma, cara, que foi muito louca, que era o seguinte, que a gente queria fazer um programa sobre cabelos. Então era assim, a gente precisava fazer, ou tivemos a ideia de fazer, como é que o cara mudava o visual dele. Cabelo grande pra cabelo pequeno, cabelo médio, bigode, barba, cavanhaque, essa coisa toda. Então qual que era a ideia? A ideia era um cidadão tirar uma fotinho dele, digital,
E depois ir aplicando os cabelos, a barba, o bigode, essa coisa toda. Parece fácil, sim. Mas você precisa dar foto de todos os cabelos, só do cabelo, das barbas, dos cavanhaques, cabelo de homem. E onde tem isso? É, onde é que tem um banco de dados só de cabelos, né? Não tem, não tem.
Vocês se vêm correr atrás de fazer, vocês batem foto, edita, salva o cabelo, não é possível. Exatamente. Então o que a gente fez? Foi a Perlu que fez esse negócio. Arrumou uma loja de perucas que tinha todos esses negócios.
catou um fotógrafo, montou um cenário e fotografou na loja, tudo quanto era peruca, tudo quanto é coisa. Nossa senhora! E aí vocês aí com a equipe de programadores bolavam um programa de manipulação de visual. Isso, exatamente. Nossa! A maioria dos programas de vocês era feito por vocês? É, sim. Não pode, não tem como. Sim. A física não permite... Estou te falando, esse do visual fez exatamente isso.
Bicho do céu, eu não sou muito afeito à programação, mas eu fico imaginando assim, cada mês o cara tinha que se transformar nas suas habilidades, tinha que se virar nos 30. Porque imagina, numa semana ele faz um software...
de modelos de carta, para todos os tipos de ocasião, né? Carta de tudo que é coisa. E depois, na outra semana, no outro mês, ele tem que fazer um programa que manipula imagens, fotos, para ver o visual da pessoa com cabelo diferente, bigode diferente. Isso. Como é que funcionava isso, meu Deus do céu? Qual era o tamanho da equipe de programação? Olha, a gente tinha um cabeça, sabe? Com, assim, programação pura, tá? E um assistente.
E a redação se envolvia nesse processo em conseguir o material necessário para fazer isso. Uma vez a gente fez, aí entra o perigo das palavras. Um programa para fazer cartão de visitas. Hoje ninguém mais tem.
mas na época se usava cartão de visita. Então tá bom, como você era. Aí você pegava, tinha o cargo, a empresa, o logotipo, como a justa, o tamanho do logotipo, essa coisa toda, a impressora, tudo o que o cara precisava pra fazer um cartão de visita. Aí já vai o mané aqui e escreve lá na capa tudo o que você precisa pra fazer um cartão de visita. É uma chamada bem honesta, eu diria. Não foi isso que achou um cidadão gaúcho, por sinal, que entrou no Procon e falou, olha...
Vocês afirmaram aqui que tem tudo o que precisa para fazer um cartão de visita. Mas cadê o computador? Cadê o computador? Ai meu Deus do céu, não acredito. Isso é muita ser vergonha. Não, isso é uma fé, não é possível. Foi. Não, não tem o computador, não tem impressora. Então vocês estão me inquietando que tem tudo o que precisa para fazer. Não, não pode. Não foi para frente isso, ele não ganhou essa ação. Foi, foi. Ganhou o computador e ganhou a impressora.
Ele ganhou o processo. Vocês tiveram que dar um computador e uma impressora pra ele. Sim, senhor. Sim, senhor. Eu tô rindo do absurdo, meu Deus do céu. O cara tá lá, acho que era Porto Alegre. A gente tá em São Paulo. Vou ter que responder o processo do cara lá em Porto Alegre. Tem que pegar um advogado, pagar a passagem pro advogado, pagar a hospedagem pro cara aí.
pagar os custos judiciais e mais de uma vez. Vai ficar muito mais caro que o computador, cara. De primeira, assim, ele já não pensou em fazer um acordo, já parecei ganhando rápido? Então, mas nós demos pra ele, porque não valia a pena fazer o jeito todo pra pagar esse processo inteiro. Ah, vocês se adiantaram e... E não deixaram matar o processo de origem. Isso aqui é um computador tá aqui, pronto.
É desonéfico, mas tudo bem, leva. Putz, eu não acredito que vocês tiverem que passar por isso. E tu falou em gaúcho, e uma coisa que me chamou demais a atenção, e eu fiquei extremamente surpreendido e feliz quando eu vi, é que a interface do CD-ROM da edição 50 é uma cena gauchesca. É um pampa.
com dois gaúchos e uma prenda fazendo um churrasco. Eles estão tomando chimarrão, tem ali os cavalos paradinhos, a prenda com a sua roupa de prenda, eles com as suas guaiacas e bombachas.
Um cosplay de gaúcho, né? Sim. E essa é a interface do CD-ROM. Aí você clica ali no churrasco, são os bons negócios. Você clica na cerca, a cerca quebra. E é a parte de som, para você ativar e desativar o som da interface. E quando você clica, a cerca quebra e faz o som de quebrado. Aí na chaleira é o lazer.
Eu estou vendo aqui na revista, no dataset, o escaneado dela. Os programas completos ali é um dos gaúchos. A prenda é para pedir ajuda. Olha, sensacional. Eu não sei de quem teve ideia, mas ela está de parabéns. Essa cena aqui, muito bonita, bem retratada do cotidiano gaúcho.
Cada edição tinha um visual totalmente diferente, né? Nunca era sempre o mesmo layout. Sim, isso que é impressionante. Toda edição tinha uma interface diferente. E era sensacional. Então, a S do Gaúcho tem uma história por trás que é o seguinte. Quando eu trabalhava com motocicletas, um dia eu fui na Grave, em Caxias do Sul. Aí tinha os Stead, e aí a do Lembs Stead, falecida também.
Aí eu falei, olha, eu queria fazer uma foto pra matéria. O cara falou, pois não, o que você quer? Eu falei, eu quero o seguinte, eu quero uma prenda, eu quero um galdério, eu quero um fogo de chão, certo? Eu quero uma cidade, tipo, antiga, assim, do tempo da colônia, e assim, numa rua. Aí ele olhou pra mim e falou, pra quando? Isso era quatro da tarde. Eu falei, amanhã às nove. A pessoa virou pra mim a doente e falou, tá bom, nove. Eu falei, é. Cara, no dia seguinte eu fui lá na grale,
cheguei, vamos lá, entrei no carro, estava montado a seda exatamente do jeito que eu tinha pedido, com fogo aceso e tudo. Costelão assando.
E ficou maravilhoso. Aí eu nunca mais esqueci, né? Quando veio a ser fácil aí, com a Cina Garruxa, e aí descrevi isso que eu tô te contando aí. Nossa senhora. Que incrível isso. A gente se divertiu muito, cara, desse negócio. Muito legal. Era meio sem limites as coisas. A gente se divertia pra caramba.
A diagramação, vocês começaram na época do fotolito, aquela coisa bem arcaica, ou já pularam direto para o computador, porque é a revista do Cederon? É o PageMaker 1.0, Guilherme. É, isso que me deu vontade, porque eu trabalho na área da informação aí, e tem tudo essa coisa a ver, e me deu essa curiosidade agora. Então, vou te contar. A edição número 1 foi o seguinte. Conforme está relatado lá na edição 50, então eu tinha o computador e o mouse, e eu precisava de alguém para fazer a arte.
sabe, e não tinha. E a minha mulher, a Shirley, a gente trabalhava juntos lá na Cisal, fazendo a Duas Rodas e fazendo a Computer Games. Aí eu cheguei pra ela e falei, Shirley, você vai ter que me ajudar. Aí ela falou, vambora, vambora. Aí pegou e foi, cara, largou. Abandonou o emprego e foi lá comigo.
abandonou, sumiu, não deu nem satisfação, não falou que ia, simplesmente não foi trabalhar e assumiu. Caramba, desapareceu. Desapareceu e foi lá pra editar a número um, fazendo um projeto que durou até o fim, o projeto gráfico dela, durou até até a DVD ROM depois, 20 anos depois. Então ela pegou e assumiu essa coisa toda.
E eu cismei que eu queria trabalhar com aquilo fechado desde a edição 1. Porque era como um fotolito na época, sei que alguém sabe o que é isso. Sim, eu sei.
e os arquivos pra fazer os filmes pra imprimir. Nada, tudo isso é passado, tá? E pra mandar pra fazer o fotolito não tinha gravador de CD ainda. Então a gente ela pegou e comprimiu a revista em 14 disquetes Meu Deus! E a gente levou lá pra fazer o filme E o medo do último não dar certo Não, cara!
Aí chegou, deu pau no quarto e no sétimo disquete. Aí grava de novo. Leva pra lá. Vai, deu pau no seis. Nossa senhora, que vida. Levamos o primeiro disquete a uma da manhã. Não aceitaram. Levou o segundo lote às quatro da manhã. Deu esse outro defeito. Levamos outras dez da manhã.
E a gente foi chegar em casa uma da tarde. Meu Deus. Então, noite varada. Que programa vocês utilizavam? O Quark. O Quark Express. Quark? Olha só. Era tudo feito em Mac, então? Não, tudo feito em PC. Quark de PC? Olha só que loucura uma editora que usava PC. Cara, uma... Uma bosta. Uma bosta de PC. O negócio dá pra mais pau que todo.
Era melhor fazer na mão, desenhando numa cartolina e batendo uma foto. Cara, era aqueles 4, 8 e meio horroroso que o negócio não aguentava. Fazia uma arte um pouquinho mais enfeitada com o gráfico. O negócio já não fechava mais.
O orçamento da revista nessa época era muito curto e não tinha como vocês terem um Mac que na época era o que era melhor para a editoração. Não tinha verba para isso. Não, não tinha. Não tinha. Eu usava PC mesmo, mesmo porque era assim, né? Se o disco era para PC...
Era PC que a gente tinha que usar pra conhecer o que tava fazendo. Porque se você tá fazendo negócio de PC e você usa Mac, você não sabe do que você tá falando, cara. Hoje eu trabalho com Mac, tá? Hoje eu só trabalho com Mac. Mas na época era só o PC. Sabe? Não tinha outra coisa. Então a gente vivia as mesmas coisas.
que o leitor. Então era um mundo muito perto, não era um mundo distante. Então você tinha os mesmos problemas, você falava a mesma língua. Até na criação. É, as mesmas dificuldades, o que não funciona, o que não funciona. Então a partir dessas experiências que a gente fazia...
esses softwares para atender a necessidade. Nossa, e isso dava para vocês, usando uma expressão antiquíssima, que eu nem sei se usa mais, um know-how que era sentido no conteúdo da revista. Eu sentia que, quando eu vejo uma edição da revista do CD1 aqui no Dataset, eu consigo perceber que o pessoal que fez aquilo ali realmente era comprometido e eu,
Sim. Com aquele material. Sim, sim, exatamente. Agora tem também uma nota dramática aí, eu não estou em dúvida, eu não vou contar, eu já estou contando, eu vou contar tudo. Conta tudo, conta tudo. Não, porque a gente teve um programador, o Leandro, foi um melhor programador que a gente teve na revista The Ronca, que ele tinha a pessoa mais inteligente que eu conheci na minha vida, sabe? Na minha vida, o cara era um gênio, um gênio, sabe?
Ele era o cara que fazia o teste para medir QI dos outros. Não é que ele mediu QI, ele fazia o teste. Ele bolava o teste? É, ele bolava o teste para medir a inteligência dos outros. Então, ou seja, a inteligência dele era praticamente impossível de ser medida. A pessoa mais inteligente que eu conheci na vida. E ele era tão inteligente e tão doido, sabe?
que não aguentou a própria cabeça e um belo dia se matou. Esse é o destino de muitas pessoas que têm uma inteligência acima do normal, elas não conseguem se encaixar muito bem no mundo, né? Pois é, pois é. Que pena, que pena. Foi uma coisa muito triste na história da revista Derron, mas o nome dele é Leandro Calçada.
de muita estima nova. Ele ficou com vocês de que época até que época? Ah, ele ficou bastante tempo. Ele foi quem fez a maioria dos programas, que foi a melhor época de programação da Ciberon, foi quando ele cuidou. Ele era o arquiteto dos programas. Exatamente. Não tinha coisa que esse cara não fiz. Não tinha coisa. Ele falou, Lenda, vai lá fazer. Fazia isso, fazia aquilo. Mas ele era difícil lidar com ele.
acontece exatamente acontece com a genialidade é acompanhada por uma personalidade muito difícil às vezes e como é que era o cronograma vocês tinham que fechar a edição até tal dia e já começava do próximo mês
Então, isso era... Cara, a gente dormia pouco na época. E isso que eu ia perguntar também, qual era a frequência dos corujões? Muito grande, muito. Porque não tinha... Era um processo industrial muito complexo, a prensagem diz que a quantidade era muito grande.
Então tinha muita dependência. Então a gente chegou a vender 114 mil exemplares no mês. Vender. 114 mil. Numa época em que não era todo mundo que tinha um kit multimídia no computador, né? Pois é. Então, ou seja, para você manusear, para imprimir, para prensar esse CD, sabe? Para distribuir. Tinha que botar caixa, que era um negócio complicado. Não ia de qualquer jeito, senão estragava o CD.
Então tinha um industrial muito complicado. Então o prazo era uma coisa muito severa. Muito complicada. Então era muito, muito frequente a gente varar à noite. Muito frequente. Todo fechamento, olha, já sabia que ia varar à noite, que ia pro dia seguinte, que a coisa ia longe. Pode cancelar os compromissos e estar preparado pra imprevistos. Ah, pode. Chegava no fechamento, cara, a gente não dica.
Depois de um fechamento pesado, eu moro aqui perto da Avenida Paulista. Fui andar na Paulista, meio surreito, existe vida além da rede de cana, olha as pessoas andando na rua, o ônibus passando. Vida, vida, meu Deus, encontrei vida. Porque a coisa era pesada.
Porque você fazer as duas coisas e integrar tudo isso não era fácil. Porque, do começo, por exemplo, você dizia, vou adiantar a parte impressa da revista. Não tinha o que adiantar, não tinha o programa. Se não tinha o programa, comecei a escrever o quê? Se ele não está pronto, você não faz. Como é que você vai capturar a tela? Então, aí você tinha um conflito permanente entre o disco...
E a redação, ou seja, a redação ficava puta porque o programa não estava pronto e o pessoal da programação ficava puta porque a redação estava pressionando, sabe? E aí todo mês a gente fazia votos de adiantar o CD, o que nunca acontecia. Certo? Esse vai ser o último mês de briga. A partir de agora vamos seguir religiosamente o cronograma. Pois é. E assim, isso pra você ter uma ideia,
Chegou uma época que o salário de todo mundo era variável a partir do prazo. Então, tinha 60% fixo e 40% variável. Então, se o cara perdesse o prazo, ele perdia 40% do salário. Puta que pariu! A pressão... A galera só no Rivotril, né? Os caras tomavam tipo... Acho que era do Pateta, que eles tomavam café assim, tipo de milito neguinho. Tão se tremendo todo.
A zoleira lá na bochecha, nossa senhora. Aqueles caras que vão na bodega, pegam a cachaça, a mão termina, termina e tomam o goleiro, a mão fixa. Nossa. O pessoal tomando café, vive o trio e aí será queimando, né? Ué, como é que você vai pressionar o cara pra fazer o negócio disso? Só chibata no lombo mesmo. Trabalha!
E como é que foi pra vocês o sucesso estrondoso, repetaculê da primeira edição? Teve champanhe estourada, teve gente correndo pelada, como é que foi? Foi um pouco descrença, a gente ficou meio zirumbete, viu, cara? É mesmo? Assim, a editora entrou em choque, a editora teve um choque, porque estava acostumado com o pessoal da natureza.
Então, eu telefonava, era Alice, uma moça que cuidava da recepção, porque a minha florzinha, sabe, aqui não está florindo direito, sabe, não sei se eu ponho um adubo, aquele negócio todo. Outro fala, ah, queria saber se eu planto uma árvore. Então, tudo naquele negócio, calminho, sossegado.
Aí chegou a revista CD-ROM, cara. Explodiu de ligação. E foi o caos na editora, foi o caos. Porque aí a moçada ia ligar, puta que pariu, que porra é essa? E a Alicia, eu estudo, ela deu dois donos e deu de cabra. Não, não, não. Que deus conta, cara, eu queria ir embora. Puta, coitada da mulher, cara. Queria ir embora, sabe? Queria ir embora, porque...
A moçada não tem papas na língua, né, bicho? Então o cara ligava e tudo nervoso, querendo disso, querendo as informações, querendo as coisas. Então foi um...
Foi bem traumático, foi uma correria da porra. Foi a surpresa do sucesso, mas veio o rebote depois. Ah, instantaneamente, porque põe uma semana, vendeu 30 mil dólares e aí. E as pessoas não sabiam usar nem o disco, nem o computador. Nossa, cara, vocês estavam navegando em território fora do mapa, né?
Tem, exatamente. Tudo desconhecido. Grandes poderes têm grandes responsabilidades. Eu sei que não parece que não tem nada a ver, mas é isso aí. É isso aí, cara. É isso aí. E quando vocês foram lá na... Qual é a empresa de som? Que me fugiu o nome agora. A Sonopress. A Sonopress. A Sonopress. Pra pedir a segunda prensagem. Qual foi a cara de tacho que eles fizeram? Então, aí depois ficaram tão amigos nossos. Estavam na editora toda hora.
Mandar presentinho, bombom Olha só, né O que o sucesso não faz? Vamos apresentar mais uns mil Mudou de figura, cara E vocês ficaram parceiros até o final?
Sim, sim. Olha só. O que começou com desconfiança e zombaria, terminou com uma grande amizade. É, é por descrença, né? É compreensível, né? Como é uma coisa nova, nunca ninguém tinha feito, como é que você vai saber se dá certo ou dá errado? Não tem como. Não tem como. Dá pra entender o ceticismo deles. É, perfeitamente. Então você fala, não tem nada. Nunca se viu uma revista com CD-ROM. Aliás, nem antes nem depois.
E aí você fala que ia fazer uma coisa que nunca ninguém fez, é desconfiança natural.
Em que momento vocês começaram a pensar na segunda edição? Quando fechou a primeira, já começou a segunda? Ah, revista sim, cara. Revista é... Você conhece o mito de Sisyphus? Ele era um rei, né? Que foi penalizado pra levar a rocha até o topo do monte, depois ela descia, não era? Isso, eu chegava lá em cima, caía a rocha, ele tinha que empurrar de novo, botar lá em cima. É, pobre Sisyphus. A vida de revisteiro é essa, cara. A hora que você leva a pedra lá em cima, ela cai e você começa de novo. Nossa senhora, tem que gostar mesmo, hein? Puta que pariu.
É isso, é sempre assim. Então você termina, não tem muita celebração não, porque a pedra está lá embaixo outra vez, cara. Tem que empurrar, que ela morrou até lá em cima de novo. E aí, na segunda edição, aconteceu a mesmíssima coisa, um sucesso arrebatador. Então, aí teve um episódio, esses bastidores técnicos, foi o seguinte, na edição 4, os computadores da época eram tudo uma tranqueira, tá?
Então, pra rodar, os programadores que fizeram esse primeiro, os caras demandaram mais memória do que a maioria dos computadores tinha. A galera devia estar com, não sei, nessa época, 8 megabytes? Talvez tenha exigido 12, 16? Os ultrapoderosos tinham 16, os normais tinham 8 e 4 era pouco. 4 mega, tá?
É, 4 MB era o tempo do 386, né? Era bem atrasado mesmo. Era o que tinha, 386, 486. O Pentium veio muito depois. Ninguém sabe mais nem o que é Pentium. É verdade. Aí o cara botava o disco, dava um negócio chamado Out of Memory.
Nossa, hoje é impossível quase acontecer isso, né? Exato. E não tinha o que fazer, não tinha o que fazer. Eu fiz isso com o computador da faculdade, eu fiz até o computador extrapolar tudo. Consegui fazer isso. Mas na época era facinho, não precisava se esforçar muito não.
Duas abas de navegador? Não abre duas abas de navegador, senão o computador explode. O que era? Era a interface que ela estava tão elaborada e que consumia muita memória? Ou era algum programa, o programa de capa, o carro-chefe da revista que estava muito exigente? Não, não, era a interface. Não entrava nada. Nossa, cara. Não entrava nada. Tinha interface, não tinha nada. Fazer o quê? Matou a edição? Foi aí que entrou...
o Lu Siqueira, quando eu dei esse auto-euro que a gente resolveu que precisava ter um suporte técnico com pessoas habilitadas pra cuidar e ajudar, porque se você fizesse uma determinada configuração lembra do config? Ah sim, o config.sis, o altezek.bat demora alta, expandida nossa ele que bolou o altezek com as traquitana lá pra galera fazer exatamente só que tinha que ensinar um a um meu cristo senhor Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä Tä
Eu acho que era mais fácil vocês terem comprado um anúncio no jornal com as instruções. Então foi aí que surgiu o suporte técnico. Na edição 4 começou o suporte técnico. Exatamente. Então a partir daí a gente sempre teve um suporte técnico bem forte, com pessoas bem habilidosas, o Marco Clivati, o Marcão, que está com a gente até hoje também.
fazendo esse serviço para apoiar o leitor. Ou seja, o CD tinha garantia, a revista tinha garantia. E uma coisa que era sagrada, o cara comprou a revista.
Chegou lá e falou, não gostei. Cara, devolvi o dinheiro na hora. Não perguntaram, não gostou, tá bom. Quanto você gastou? Tá aqui seu dinheiro. Olha só. É a mesma mentalidade que os americanos têm. Não gostou do produto, devolve na hora, não pede nada, não reclama. É algo que a gente não tem na nossa cultura, né? Pois é. Vai embora e passe bem. Não quer? E não precisava devolver o CD. Olha só, tu, ainda ficava com o CD. Pode ficar aí.
Dá o número da tua conta que a gente deposita pra você e vão acabar com essa discussão agora. É muito mais fácil, bicho. Você recebe o atendimento dele. Mata na raiz o problema. Mata na raiz. O cara fala, pô, mas é mesmo, né? Devolve, devolve. Pode mandar o número da conta. Então, poucas vezes aconteceu, mas sempre teve disponível essa alternativa. E qualquer pessoa da editora...
que atendesse o telefone, estava autorizada a pegar o número da conta e devolver. Qualquer pessoa. Podia ser da publicidade, podia ser da redação, podia ser da... Isso não era uma coisa comum, né? Esse, eu não sei como é que eu chamo, dinamismo, esse nivelamento de funções, de responsabilidades, não é uma coisa, na época, que se via nas empresas, né? Não, não tinha, não tinha. Não tinha mesmo. Foi ideia de quem deixar a empresa flexível assim?
Do Aydan. O Aydan que teve, que implantou esse negócio que ele tinha a norma de nosso objetivo excelência. Ele não tava escrito, mas você pretender excelência não é a infalibilidade, né, bicho? Você quer excelência, mas você tá infalível. Ninguém é infalível. E aí foi avançando, foi sucesso atrás de sucesso, cada vez mais vendagem. Caiu no gosto da galera.
Cara, foi, viu? Foi. Porque aí veio a PC Master, que a gente começou a se dedicar. Nossa, eu tive algumas PC Master. Que revista sensacional, bem mais técnica, voltada para um outro público. Matérias mais... Voltadas para o pessoal micreiro mesmo. E era uma revista muito boa, muito legal.
Pois é. E eu tenho até uma passagem interessante, porque eu não sou técnico, eu não sei nada, eu sei fazer publicações. Aí um dia eu tô lendo a PC Master e lá eu entendi assim mais ou menos que...
em programação, só faz o que está escrito lá. Então, você lê o que está escrito, eu falei, mas não é tão difícil entender uma linha de programação. É só você rejeitar, esquecer que isso está nessa coisa feia aqui, esse negócio, e ler o que está escrito. Mas não era muito respeitado, não, porque o pessoal sabia muito que a porra nenhuma disse, então não ligavam muito para as minhas coisas. Aí eu peguei lá um trecho de código, no TC Master, e chamei o...
O Tony, o Tony Cavaleiro, que era de Itafreton, esse código aqui tá errado. Ele olhou pra minha cara e começou a rir. Tá de sacanagem. Você vai querer corrigir o código do cara da universidade, não sei das quantas. Eu falei, olha, eu não sei quem ele é. Mas esse código tá errado. Ele tá em looping. Porque você pega aqui na linha tal, ele remexe lá pra trás, esse negócio não vai funcionar. Falei, não, não, tá de sacanagem. Mas tudo bem, vou lá.
Ele falou, sabe o que você tá certo? Sabe, esse código tá errado mesmo. Falei, ah, eu me... Foi a única vez que eu corrigi um código. Sempre tem a primeira vez, né? Sempre tem. If, Dan, soa. Aí aprendi um pouco disso, só como curiosidade.
E quando que vocês tiveram que trocar de sala, ou trocar de prédio, aumentar a equipe porque a coisa estava bombando demais e vocês não estavam dando conta com aquele número de pessoas? Foi em que edição, mais ou menos? Foi no ano seguinte, um ano depois. Um ano depois já? Nossa. Um ano depois. Partiram de quantos para quantos? Quantas pessoas para quantos? De 10 para 20, supondo? Ah, não, não. Aí chegou... Na minha sala chegou até...
ter acho que 40 ou 50 pessoas, só ali na... Não mais, tinha mais. A editora saiu de meia dúzia, quando eu cheguei lá, pra acho que...
150 ou 160 pessoas. Agora já diminuiu, agora já mudou. De 6 para 150 por causa da revista do CD-ROM? É, porque aí ela começou a gerar filhotes, né? Aí tinha dinheiro pra investimento e... Mas o salto só por causa da revista do CD-ROM passou desses 6 pra uns 70, vamos dizer? Não, só a revista do CD-ROM não. Eu sempre gostei de equipe enxuta. Você tem objetividade naquele que tá fazendo.
a redação em si nunca teve mais que 5, 6 pessoas nunca teve mais que isso não e a programação 4, ou seja, no máximo teve 10 pessoas, nunca teve mais que só a revista derromba Ah, eu pensei que vocês tivessem explodido assim de contratação diante do sucesso Aí só bate cabeça, cara E a galera que começou muitos continuaram? Sim senhor, até hoje
basicamente a equipe se manteve todo esse tempo? É, a turma que começamos lá atrás estamos aí firmes e fortes até hoje tocando, fazendo outras coisas, agora a gente está mais voltado para livros. E quando que a coisa começou a ficar mais fácil para vocês ou nunca teve facilidade? Vocês foram evoluindo tecnologicamente na diagramação, computadores melhores programas mais avançados e a dificuldade escalonou junto?
Então, aí é o seguinte, ou seja, o dano não parou de mudar nunca, né? Então, a primeira demonstração de internet que teve foi na revista The Room, não lembro de som agora, mas a gente pegou um pedaço da internet e botou para os leitores exatamente como o cara navegaria na internet.
Um emulador de internet. Um emulador de internet, exatamente. Que sensacional. Isso aí deve ter demorado um século para vocês conseguirem baixar, né? Seguindo todos os links possíveis de serem clicados, imagens, nossa. Que trabalheira, hein, bicho? Alexandre, é o demo da internet ali, pronto. É. É a internet versão demo.
Mas foi isso mesmo, eu convidei um cara aquele especialista em internet, na época tinha isso hoje todo mundo é especialista
para o cara separar e montar uma coisa funcional que desse uma navegação bacana. E ficou interessante, foi o primeiro contato. E tu consegue lembrar a página, as páginas que eram correlatas umas com as outras? Qual que era a página inicial? Ah, não lembro mais. Isso foi em que ano, mais ou menos? 97, 96? Por aí. É, não existia Google ainda, né? Sim, o Alta Vista e o Cadê e sei lá mais o que.
Então, aí a gente colocou isso. Aí depois, com o avanço da internet, então ficou mais fácil conseguir programas, essa coisa toda. Então, aí mudou o foco da revista para a curadoria.
isso, exato eu estava com isso um pouco confuso na minha cabeça eu achava que mesmo nas eras mais pra frente, vocês continuavam tendo um conteúdo próprio de software mas eu me confundi um pouco, no início era basicamente autoral e depois foi uma mistura de só sharewares, demos e freewares, mais o que vocês faziam em casa sim
Isso, então, e aí era a seleção, ou seja, o cara pegava, em vez de ficar perdido sem saber para onde ir na internet, porque antes você tinha programa, agora não, roda tudo remotamente, você nem vê o que está acontecendo, né? Mas na época a gente fazia essa curadoria de selecionar o que valia a pena ser visto.
Como é que vocês encontravam as coisas se não tinha um buscador para vocês procurarem por palavras-chave? Era no boca a boca, um dizia para o outro que tinha conhecido um programa que fazia tal coisa, o cara ia lá numa BBS e perguntava para a galera o que eles estavam usando de programa, o que eles podiam indicar, como é que funcionava a curadoria?
Esse é o ponto das pessoas que a gente tinha lá na ocasião para fazer esse trabalho. Então tudo fera, bicho. As pessoas tinham relacionamento... Tudo garimpeiro. Tudo garimpeiro, exatamente. Então aí apareciam alguns programas. Juntava com as ideias que a gente estava fazendo. Até que não comportava mais porque os programas começaram a crescer muito e o CDERPON começou a cair em desuso. Então a gente mudou.
Pra revista do DVD-ROM Eu lembro de ter visto Algumas edições da revista do DVD-ROM Lá nessa mesma revisteira Que eu namorava Alexandre, não sei se aconteceu Mas eu não entendi nada que aconteceu na época Como assim DVD-ROM, CD-ROM É outra? É nova? Então, deixa eu organizar A revista do CD-ROM começou em 1995 E foi até 2010 15 anos E aí
Em 2010, a revista CD-ROM foi criada pela revista do DVD-ROM, que tinha muito mais capacidade de armazenamento.
E aí teve uma sobrevida de mais 5 anos Foi até 2015 Pois é, meu Deus do céu, foram 6 anos atrás Até 6 anos atrás O filhote da revista do CD-ROM existia Exatamente Guilherme, quando nós começamos esse podcast A revista ainda existia É, pra ti ter uma ideia Quase, quase se tornou a revista Blu-ray Quase, hein, faltou pouco, hein
Eu ia botar no videogame, né? Porque quem tem um drive de Blu-ray no computador, né? Ninguém tem, né, cara? Vocês recebiam muitas cartas de agradecimento e depois passaram a receber e-mails, especificamente agradecendo porque a revista tinha um conteúdo que a pessoa necessitava naquele momento, sei lá, salvou ela no colégio, na faculdade, no trabalho, alguma coisa assim. Olha, até hoje, assim,
raramente eu tenho um CD-ROM agora, porque já está no passado distante, né? Mas muitas vezes, quando a conversa vai um pouco além, eu estou conversando aleatoriamente com uma pessoa, aí eu falo disso, o cara fala, não, mas eu aprendi informática e eu quero CD-ROM. Ele fala, eu também, eu também. Então, a gente formou uma geração de usuários de computadores com revista CD-ROM, cara. Eu tenho um puto orgulho disso, sabe? Formamos mesmo, as pessoas aprenderam.
a usar computador com a revista de amor. Que familiarizou porque era amigável. Não tinha. Eu, lá no começo dos anos 90, eu fui estudar, fui fazer um curso de informática que se fazia na época. Ninguém faz mais isso porque não era uma coisa amigável.
Aí eu fui fazer o curso, o cara pegou e começou a me explicar, não, porque o dono vai dar esse comando, vai dar aquilo, vai dar aquilo outro. Aí eu chamei o diretor da escola e falei, ô fulano, é o seguinte, eu sou uma puta velha, eu já trabalhei num monte de coisa, eu devo te falar que esse seu curso é uma bosta. Não há como aprender com esse seu curso, sabe? Porque eu não vou...
vou subestimar a minha inteligência, mas é incompreensível esses negócios que você está falando, você não é amigável, você quer me ensinar coisas que eu não quero aprender, eu quero usar o computador, não quero aprender a programar. Então, quer dizer, era isso que se citava na época, e a CDR falava...
Você está fazendo, usa aqui, aperta aqui que dá certo. É mais ou menos como você, para tirar uma carta, você tem que desmontar um motor. Você não precisa desmontar um motor. Você precisa que o motor funcione com o capô fechado lá, sem você botar a mão nele. Então, na época, era assim. Isso explica o sucesso da Revista Derromba.
Eu tava navegando aqui na internet, no site da Cassete, e eu encontrei uma edição adessa. Deixa eu ver, agora fechei. Tinha, essa edição eu tive, Mega Race 2. O jogo do Chico Flecha.
Lembra? Não. Completo? Completo. Eu tinha. E se bobear, tá ainda no meu porta CD barra DVD que eu tenho aqui de jogo original pirata, deve ter ali dentro ainda o Mega Ritador. Nossa, Chico Flecha, cara. Chico Flecha. Os jogos dublados que tinham alguns, né? No Brasil, né? Grande Chico Flecha.
Meu Deus. Olha, Guilherme, parabéns. Parabéns pra essa pesquisa. O Core Photo Paint, eu consegui numa revista CD Room também. Pegava as fotos, ficava zoando, rabiscando, fazendo um monte de cagada. Foi a primeira vez. Nessas revistas que eu falei aqui das 50, eu comecei a 44. A 44, se não me engano, ou é nas 50, até vou ver aqui depois, tinha um programa pra você fazer caricatura.
Era sensacional, cara. Tinha o Corel 9, o demo, o demo não, completo por 30 dias. Teve um aqui que tinha Photoshop 3. Tu podia trabalhar de forma profissional. Tinha um tutorial na revista, ensinando a fazer tudo bem passo a passo, tudo muito facilitado. Era incrível, cara, incrível. Essa revista, como eu falei, ela moldou caráteres, Guilherme. Moldou caráteres. Agora tu fala bonit.
moldou caráteres a gente vai começar a postar assim eu sou do tempo que aprendi computador com a revista CD1
Tu falou em curso de informática, eu também fiz curso de informática. Em 1998, quando eu mudei de cidade, saí dos interiores, fui para um lugar menos interior, mas ainda assim interior, e eu aprendi desde máquina de escrever, depois para máquina de escrever elétrica, depois fui usar o MS-DOS.
Aí passou o Windows 3.1, 3.11, na verdade, desculpe, 95, e a última aula do curso era manutenção de computadores. Antes tinha internet. Internet e antivírus. Tinha aula de internet e antivírus. Essa é a melhor parte. Eu botava no currículo internet e antivírus.
Cara, eu botava, cara, curso de internet antivírus. Pacote Office, nossa. Eu fiz todos os cursos que a escola oferecia, cara. Era uma escola barata, eles iam nas escolas e ofereciam para todo mundo na sala de aula. E a minha mãe queria um futuro melhor para mim, né? Então ela me cadastrou, me matriculou lá na escola de informática que eu frequentei durante anos. Saí de lá.
com emprego em loja de informática montando computador vê se aprende alguma coisa aprendi sim só me dá prejuízo
E eu lembro que tinha um programa de digitação pra fazer o ASDFG. Ele contava caracteres, contava palavras, fazia média por minuto. Puta, eu usei isso. Vocês fizeram... Isso que eu ia perguntar, se vocês bolaram vocês mesmos algum programa de datilografia ou se vocês cataram pela internet na época. Ah, você me apertou. Agora eu não vou lembrar, hein?
foram muitos, muitos programas dava uma porrada em cada edição 40, 50 60 programas
não só isso, tinha fotos, tinha clipartes tinha temas do Windows aqueles mouses escalafobéticos ícones transadíssimos olha a linguagem, transadíssimos enquanto os alvíperes pegavam a foto eu encontrei uma aqui assim foto de pessoas bonitas Leonardo DiCaprio para enfeitar seu computador é muito legal era demais cara
Até bíblia a gente distribuía. Sim, eu achei uma aqui, a versão da bíblia, a bíblia eletrônica. A bíblia é online, a bíblia é digital, a bíblia é digital, eu lembro dessa edição. Quem bolou o modelo das capas? Era muito bonito a diagramação das capas. Achei ele, minha mulher. Ela bolou do início ao fim. Ela deu a linha, o jeitão básico, e a partir daí acabou ficando a vida inteira. Eu achava lindo demais o CD com aquela faixa,
acho que era num terço do CD que tinha o número grande e depois a lista dos programas eu achava muito bonito, de muito bom gosto como se falava antigamente muito bom gosto na diagramação a revista era bonita tipo papel também de excelente qualidade, sabe o Aiden
Fazer a questão e investir em papel. Uma diagramação muito mais bonita que as revistas de videogame da época, porque eu tenho toque, né? Eu vejo aqueles textos tudo torto, eu começo a ter um treco. Eu já começo a passar mal. E aí tu vê o nível da diagramação, ela tá muito mais evoluída que as revistas de videogame da época. Saiu na mesma época, né? Foi revolucionária.
Ela realmente foi. Ela mudou o conceito de revista, mudou o conceito de arte, mudou um monte de conceitos. Quando que vocês começaram a perceber um declínio nas vendas? Foi a partir de que ano? Então, ela teve o ápice em 97, se eu não me engano. Foi o grande ápice. 97 foi o ápice dela? Foi o ápice.
E aí depois ela foi descendo devagarinho. Descendo devagarinho. Então foi a curva, ela descendente. Porque aí já começaram a surgir outras coisas e as pessoas aprendiam. Então também o cara aprendia aquele negócio, eu já aprendi, preciso mais, preciso mais comprar. Então foi descendo, mas desceu quantos anos? 20, de 95, 97, 2007, 17, demorou um tempão.
Foi descendo devagarinho. Mas nunca voltou a vender como lá no Supremórdia. Porque a realidade se transformou, né? Sente falta dessa época de correr pra lá e pra cá e brincar de tudo e principalmente criar a revista? Ufa, ainda bem que acabou. Cara, olha, eu vou te falar de hoje, tá? Eu acho que a gente tem que também...
se divertir com as coisas que a vida nos apresenta, vamos dizer assim. Então hoje, por exemplo, eu escrevi um texto para uma revista, não é um livro que a gente publica, que é outra formatação, chamado Mestre das Orquídeas. Então eu escrevi um texto de sacanagem, sabe? Sobre sexo nas orquídeas e como as orquídeas são ardilosas e ficam sacaneando os insetos. Olha só.
Mas sexo mesmo, sabe? Como ela, por exemplo, tem uma determinada orquídea que ela atinge uma abelha, uma vespa. Então, a vespa é assim, a vespa macho tem asa. A vespa fêmea não tem asa. Então, como é o acasalamento? O acasalamento é o acasalamento, a vespa macho vem, pega a vespa fêmea, encaixa na genitália.
certo? E aí leva até um local. Sai voando com ela? É, vai voando com ela em cima da genitália pra não falar outra palavra, certo? Chega assim, bora? Bora! Bora! E leva e põe lá num local que tenha comida pra fêmea procriar e ter as fêmeas dele.
Você acredita que a orquídea desenvolveu um negócio igualzinho à vespa? É igualzinho. Você olha a vespa e olha a flor da orquídea, é a mesma coisa. Aí vem a vespa macho, tontona, ela encaixa na flor e fica lá bombando a flor. Não pode. Não, não pode. Isso é fácil da nada. Não tem como.
Isso aí é... Isso aí é... É fake news. Isso aí veio de uma mente doentia, Guilherme. Essa história não existe. Isso é fake news. Até replane e amava a mente pra nós.
Não é possível que a planta imitou o órgão sexual da vespa. Pois é. Meu Deus do céu. Você deu uma pulinada e depois... O que a planta ganha com isso, meu Deus do céu? Comida, né?
A planta ganha que ela está terceirizando o sexo dela, porque enquanto ela balança lá, pega o pólen, então é a vespa, cansa, vai de outro e leva o pólen para outra orquídea e fecunda a outra. É! Tu viu? A planta terceirizou, cara. Nossa senhora. Eu estou sem palavras, Guilherme. A gente tem que procurar se divertir com tudo que faz, cara.
Posso dar uma pergunta? Não tenho certeza, mas tinha algumas edições que tinham conteúdo mais quente. Não tinham? Tipo umas fotos, um programinha, um strip poker. Guilherme, você parece que está lendo a minha mente. Eu estou aqui com a edição número 1. A primeiríssima. E olha o que ela possui na interface do programa, Guilherme. Papéis de parede.
Protetores de tela. São as opções que você pode entrar pra ver, né? Garotas bonitas. Olha o nome do menu. Garotas bonitas. Fontes e drivers. Agenda telefônica. Muito provavelmente construída por eles, né? Agenda telefônica. Sons divertidos. Ícones extras. Jogos Windows. Jogos DOS e antivírus, Guilherme.
E também tinha aqui o STI BBS. Sempre tinha jogos de Windows, né? Aquele jogo tipo um Pac-Man, um clone de Pac-Man, alguma coisa assim. Sempre tinha algumas coisas assim. Clique em cima do item que você deseja ver. Para mais informações, veja o auxílio. Não esqueça de fechar todas as janelas antes de voltar a esta. Olha só. É aqui a interface do Windows...
3.11, a janelinha. Faz tempo isso também, hein? Faz tempo. É, mas a revista nunca foi além do biquíni. Nunca teve nada além disso. Nem precisa. Nem precisa. Nunca foi.
Aí é o seguinte, né? Você queira ou não queira, a revista sempre foi família, sabe? Então você não tinha que ter preocupação se era uma criança que usava, se era um tiozinho, se era uma vozinha. Então sempre foi censura livre. Então sempre serviu para a família inteira. Preocupação em todas as edições, em todas.
Nunca teve nada além disso. Nunca foi além do biquíni vestidinho dos meninos. A preocupação com a gente tinha. Teve depois. Os CDs com sacanagem, essa coisa assim. A palavra sacanagem é muito engraçada. Editora Europa nunca fez. Nunca fez. Acho que é uma questão de filosofia de empresa. Então a gente não faz.
O Aidanu, ele não é escritor? Ele não tem livros publicados? Tem. Ele não tem um romance histórico? Ele é escritor. Romance histórico, tem. Tem mais um. Isso que eu ia falar. Eu conheço dois romances históricos dele. É, ele tem sim. Mas ele não tá mais na editora. Não tá nessa editora? Não, se aposentou. Se aposentou, olha só. Ele passou a revista, a editora, pro rapaz que você falou que começou lá como um suporte. Exatamente.
Ele que é o dono, a mulher do Arda não continua, mas ele não mais. E aí vocês abandonaram as revistas com CD, hoje se dedicam a livros. E eu não poderia jamais, de forma alguma, de maneira nenhuma, deixar de mencionar a sensacional, a magnânima, a maravilhosa, a incrível... Guilherme, me ajuda aí com os adjetivos. E inoxidável.
equilibrável, respeito tecnológico que é a revista Old Gamer quem teve essa ideia fabulosa, fantástica dessa revista sensacional mas tudo com revista, depois livro tem tudo, agora é bookzine
É, exatamente. O Old Gamer é um puta sucesso, cara, é um puta sucesso. Quem que foi a alma graciosa iluminada que teve a ideia do Old Gamer? O Lu Siqueira e o Humberto, sabe? Então eles coordenaram esse negócio juntos aí, cara, e é um sucesso. Vinde pra caramba!
A gente tem feito um monte de coisas. Os consoles lá, aquele já tá lá. O 24º livro, 25º livro. 23º, 24º tá... Não saiu ainda. Eu tenho uma história, Guilherme, com a Old Gamer. É antiga? É antiga?
A tua história é antiga, a Old Gamer. Cara, a Old Gamer, eu só fui saber da existência dela em 2015, 2016, mas ela é de 2000 e... antes disso, eu não consigo me lembrar a data agora. É do que eu já te digo. E eu fui um dos quatro, quatro ou cinco usuários de Windows Phone do Brasil.
Eu e a minha esposa fazíamos parte desse clubinho dos 4 ou 5 do Brasil. E eu estava com um problema para ler a revista digital. Aquela edição não tinha física. Então eu comprei a edição digital para ler no meu Lumia 930. Tela de 5 polegadas, Full HD. O melhor celular que eu tive na minha vida. Pena que faleceu. E eu estava com um problema.
Alexandre, a edição número 1 da Odd Gamer, a revista é 2009. Eu ia falar, mas eu tava com vergonha de dar um balão. Editor e diretor responsável. Aida no... Roriz. Eu achei que tava escrito Roniz, mas é que o Zoom tava... É isso aí. Tá certo, é isso mesmo. E aí, eu entrei em contato por e-mail.
com o suporte técnico da Old Gamer para me ajudar com o meu problema de visualização das páginas. Porque conforme eu ia passando as páginas no celular, elas iam deslocando. Então eu chegava lá na metade da revista, eu estava vendo meia página só. Cada página que eu virava, ela deslocava alguns pixels. E os caras mudaram, aperfeiçoaram o leitor da Old Gamer para o Windows Phone. Tu acredita nisso, Guilherme?
Por minha causa, eu e a outra pessoa que usava o Windows Phone para ler a Old Gamer, tivemos nosso problema solucionado, Guilherme. Você acredita nisso? Veja você. Cara, a Old Gamer é sensacional, cara. Sensacional. Muito provavelmente quem te atendeu foi o Marcão. Muito provavelmente. Eu vou ver agora, nesse exato momento. Deixa eu ver aqui. Muito provavelmente.
old exclamação gamer. Vamos ver aqui se eu ainda tenho aqui no meu Gmail que eu fiz uma limpa esses tempos atrás e acabei colocando fora os nossos primeiros e-mails que nós tínhamos trocado e eu tive que pesquisar de outras formas o teu endereço. Mas não estou conseguindo encontrar aqui. Eu espero que eu não tenha apagado, cara. Windows Phone. Tudo bem, eu encontro aqui depois no decorrer da conversa.
Provavelmente foi o Marcão. Ele começou lá atrás, também lá nos primórdios do Rio de Janeiro, e é remanescente até hoje. Hoje ele é o cara de TI da editora, o editor da revista dos vegetarianos, que ele é vegano.
O cara é um gênio também. Sabe tudo dessas coisas. Sabe tudo de hardware, de software, de marcenaria. Hoje eu falo, mas eu preciso de um negócio de marcenaria. Pois não, pode falar. Marcenaria. Você precisa de uma mesa. Chega aí, deixa aí pra mim. Construa sua própria mesa.
Aqui, ó. Achei. 4 do 4 de 2017. Quem me atendeu foi o... Ah, meu Deus, ah, meu Deus. Ah, meu Deus, ah, meu Deus. Marco Clivati. Não falei? Sabia? Sabia? Sabia?
Olha só, bicho. Esse cara me ajudou. Tô vendo aqui, ó, e-mails, textos. Eu escrevia textos pra ele relatando o problema e o comportamento do software. Nossa senhora, cara. Esse cara me ajudou demais. Manda um abraço pra ele. Vamos andar. Ele é ótimo. Realmente ele é ótimo. Sabe tudo, cara. E a Old Gamer, ela foi sucesso de largada já, de primeira? De largada. De largada. As pessoas gostam muito, cara. Todo mundo gosta.
A gente tem feito pôsteres, tem feito os livros, tem feito os bookzines, sabe? É só sucesso. O Humberto toca esse negócio aí e vai que vai.
E como é que a editora Europa tem vivido nesse tempo da internet? Porque vocês estão tendo sucesso com impressões, coisa que os jornais e revistas estão em palpos de aranha. Elas não estão sabendo viver com a internet. Como é que vocês conseguiram? As editoras tradicionais resolveram ou tentaram ou acharam que elas conseguiram sair do impresso e não acharam que elas conseguiram sair do impresso.
e iam se dar bem no mundo digital. Então aí começaram a desenvolver produtos, porque o digital é legal, essa coisa toda, papapá, papapá. Mas só que assim, o nativo digital, bicho, esses influencers, ele é nativo, ele não veio de outro lugar, ele é, nasceu aí, sabe? Você vai conseguir 2 milhões de seguidores, é um tanto complicado.
Então, ou seja, todas as editoras que tentaram sobreviver no mundo digital, entrando, tentando aderir no mundo digital, não se deram bem. Por quê? Porque não domina, porque não sabe. E tem uma coisa, público, né? Google e Facebook, cara, drenam todo o dinheiro do mercado. Na cidade, eles drenam tudo, não tem pra ninguém. Então, você tem os três, quatro que ganham lá, que tem milhões de setores, mas...
que aí ganha um produtinho aqui, uma viagemzinha toda, e se dá para o que está feito. Mas é o cara sozinho, ele não tem empresa. É ele e só ele. Então, para ele está bom. Mas daí, se o cara tentar montar uma estrutura, não paga. Não paga. A empresa não se segura, não se segura dos grandes. Não estou falando dos grandes, estou falando dos pequenos. Estou falando das editoras pequenas. A Globo, que é a Globo, está com dificuldades. E a gente optou...
para ter digital, uma boa loja, uma loja funcional, e trabalhar com coisas de qualidade. Só produto prêmio impresso no formato de livro. E tem dados super certos. Você pega uma old game que você estava falando, está em livro. Legal, você põe em digital. Não é a mesma coisa.
Não é. Não é. Eu tenho essa edição digital, que até a capa é o Super Monaco GP2 do Mega Drive, mas eu não consigo lê-la no celular ou no computador. Não consigo. Tem algo que me afasta. Não é uma leitura prazerosa. Não é.
Eu teria que ter um leitor com o tamanho apropriado para uma revista. Não precisa ser do tamanho de uma revista, um leitor. Mas, sei lá, 10 polegadas, 11 polegadas, com alta resolução para que consiga ver todos os detalhes que eu veria numa edição de papel.
Aí sim eu conseguiria aproveitar uma revista, mas na tela pequena do celular, na tela do notebook, não tem como, cara. É masoquismo, não tem como você consumir uma revista em formato digital, sendo que ela não foi pensada para esse tipo de tamanho e formato de tela. Tem que ter um leitor, tem que ter um leitor específico de revistas, cara.
Nós estamos aqui nos aproximando já de duas horas de deliciosa gravação. Eu acho que já tá de bom tamanho. Eu, por mim, ficaria muito mais tempo aqui, mas eu não quero tomar o tempo. Diga. Partiu de muitas?
Eu adoraria que nós pudéssemos entrevistar mais uma vez o... A gente pode falar da revista das plantas? Com outros integrantes da Editora Europa. Sei lá, fazer uma conversa com todo o pessoal que eu puder juntar aqui pra gente conversar. Porque a Editora Europa, ela tá no coração.
no meu coração e no coração de tantas outras pessoas, infindáveis pessoas por esse Brasilzão, que não tem como eu deixar ser uma só entrevista, Guilherme. Então, eu já deixo aqui aberto o convite. Roberto.
Sempre que você tiver com vontade de contar histórias, me chame, agora que você tem no WhatsApp, diga, eu quero contar histórias, eu quero conversar, eu quero bater papo, porque eu estou extasiado, maravilhado com essa conversa que nós tivemos hoje. E eu gostaria só de terminar aqui a minha participação, Guilherme, antes de você chamar os disclaimers, com um texto, um comentário que a editora Europa...
fez num vídeo que eu achei, por acaso, um vídeo antigo do Easy Nobre, falando sobre a edição número 10 da revista do CD-ROM, em que a editora comentou o seguinte, não sei quem foi a pessoa, talvez o Roberto, pelo tipo de linguagem.
consiga identificar, mas se não souber também não tem problema nenhum. Seria só por curiosidade. Que é o seguinte. Olá, Easy. Muito legal esse resgate que você fez da edição 10 da nossa querida e saudosa revista do CD-ROM. Foi uma publicação inovadora e de muito sucesso, responsável por apresentar o universo do PC para muita gente. A revista foi lançada em 1995.
Em 2010, mudou de nome para a revista do DVD-ROM e em 2013 para a revista dos apps, sendo descontinuada um ano depois. Nessas quase duas décadas de existência da revista, foram produzidos mais de 17 milhões de CD-ROMs e DVD-ROMs. Um grande abraço.
17 milhões de CDs e DVDs, Guilherme. Tem como falar alguma coisa depois disso? Não, não tem mais nada. Não tem mais nada, Guilherme. Fecha a conta e passa a régua. É uma boa frase. Vamos rodar a vinheta e vamos pro Disclaimer.
Vem comigo, vem contigo! Vamos aqui para nosso disclaimer da noite, claro. Alexandre, tu bem rapidinho que nós somos só meros coadjuvantes da noite.
Guilherme, eu estou orgástico. Entumecido. Os meus ouvidos entumecidos, Guilherme. Eretos. Tá que nem um elfo. O meu estribo, o martelo e a bigorna estão vibrando, Guilherme. De tanta emoção por ouvir o Roberto essa noite. É só isso que eu tenho a dizer.
É isso aí, então, Roberto, por favor, faça o teu disclaimer, o teu agradecimento, o teu jabá, aquilo que você quiser falar sobre a tua pessoa, trabalho e tudo mais, por favor. Eu quero agradecer o convite e dizer que eu me diverti bastante com a nossa conversa, que foi bem legal lembrar um pouco esse tempo, lembrar essas passagens todas, sabe, que a gente fez e dizer também a admiração pelo conhecimento.
tem, sabe, a maneira que vocês trabalham e acompanham, sabe, bem interessante, curti, curti, muito obrigado, fiquei muito feliz. Nós que agradecemos, né, Alexandre, toda a galera agradece também, eles não puderam participar, nem todo mundo, né, porque nós temos cinco, três fuzos horários diferentes, então é complicado todo mundo participar, mas todo mundo mandou agradecer mesmo, e todo mundo sempre falou da revista OutGamer, então é um fator muito importante.
Pessoal, muito obrigado. Até o próximo podcast, entrevista ou qualquer outra coisa. Um beijo e até. Falou!