6º Domingo da Páscoa - Ano A (2026)
Podcast disponibilizado todos os sábados no YouTube e todas as plataformas de áudios. Gravado por João Victor Nogueira, Fundador do Projeto Madre Teresa e Advogado, Autor do Livro “O que Acontece Verdadeiramente na Santa Missa” (Cultor de Livros, 2022), Mestre (UFCG), Graduado em Filosofia e Teologia.
Evangelho (Jo 14,15-21)
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Quem me ama realmente guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
-Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
- Adoração em espírito e verdadeO Espírito Santo como Espírito da Verdade · O Espírito age no escondido e no interior · O mundo busca Deus em lugares de poder
- O Espírito Santo como Consolador (Paráclito)Promessa de um outro paráclito · Significado da palavra grega 'paráclitos' · Cristo como primeiro advogado de defesa · Mudança de presença: de exterior para interior
- Temporal em São PauloFim do tempo pascal · Preparação para a Ascensão e Pentecostes · Mistério da ausência física de Jesus · Fé como novidade e esperança
- Promessa de Jesus: Não vos deixarei órfãosSentido profundo de orfandade · Medo de ficar sozinho · A experiência de orfandade espiritual · A fé não é emoção, mas morada · São Francisco de Sales e a desolação
- Confusão entre amor e obediênciaOrdem inversa: amor precede mandamentos · Mandamentos como consequência do amor · Desfazendo a leitura moralizante da fé · O amor de Deus nos precede e envolve
- A Retórica de JesusContexto da Última Ceia · Ambiente denso e emocional · Medo do abandono e angústia da separação
- Deus interiorExercício de prestar atenção à presença interior
Estamos caminhando para o fim do tempo pascal, aqueles 50 dias de alegria que a igreja vivencia entre a ressurreição e Pentecostes.
E se olharmos bem, a liturgia vai nos preparando para a grande solenidade da ascensão e logo em seguida para Pentecostes. É o momento de transição. Interessante porque a própria liturgia vai nos convidando a entrar pouco a pouco no mistério da ausência física de Jesus e para descobrir uma presença ainda mais profunda, ainda mais íntima.
Isso nos mostra que a nossa fé, minha gente, a nossa fé não é uma nostalgia. Não é ficar olhando para o passado distante. Para a Galileia de dois mil anos atrás, não. Na nossa fé, nós estamos sempre inseridos no contexto de uma novidade. De uma contínua espera. De uma contínua esperança.
Pois bem, antes de entrar propriamente no evangelho de hoje, deixe eu contextualizar para vocês. Reparem bem, nós estamos aqui no cenáculo, na última ceia. Esse evangelho de hoje acontece no contexto do que os biblistas chamam de discurso de despedida.
Jesus está na última ceia com os seus, poucas horas antes da paixão. Geograficamente, minha gente, e emocionalmente, é um ambiente denso. Lá fora é noite. Judas já saiu. A escuridão física de Jerusalém espelha a escuridão psicológica que começa a tomar conta dos discípulos. Imaginem, por favor, o medo do abandono, a angústia da separação iminente.
E é exatamente nesse clima quase claustrofóbico que Jesus diz, Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará outro paráclito para que permaneça convosco para sempre.
Reparem que aqui o texto nos fala de uma promessa maravilhosa. Jesus percebe o terror de seus amigos, eles se sentem órfãos. É bonito porque Deus age exatamente no momento da nossa maior vulnerabilidade.
Ele não ignora o nosso medo, ele o transforma. Jesus introduz aqui uma palavra grega fascinante, fascinante. Paráclitos. Reparem nessa palavra grega, paráclitos. Ela é densa e não tem uma tradução única que há esgote.
Porque, vejam, literalmente ela significa aquele que é chamado ao lado, aquele que se coloca ao lado. No direito grego antigo, minha gente, o paráclito era literalmente o advogado de defesa.
Não era apenas alguém que falava por você, mas alguém que colocava o próprio corpo ao seu lado no tribunal, sussurrando ali muitas vezes aos seus ouvidos a constituição da sua defesa, orientando cada palavra perante o juiz. Então a tradução mais comum para paráclito, como a gente chama, é advogado. Ou seja, São Jerônimo Navugata usou também consolador.
E então é tudo isso ao mesmo tempo. Uma coisa interessante da gente notar aqui, eu queria muito que vocês prestassem atenção nisso, porque a gente dá um salto de compreensão, porque Jesus diz assim, um outro paráclito. Eu vou pedir ao Pai para vos dar um outro paráclito. E o que quer dizer isso?
Por que ele diz um outro? Porque o primeiro grande advogado de defesa nosso foi o próprio Cristo. Ele foi o nosso primeiro defensor, o nosso primeiro consolador, o primeiro que nos defendeu, o primeiro que nos tornou livres.
das amarras do pecado. Ele foi o nosso primeiro grande advogado de defesa. Ou seja, aquele que acompanhou, defendeu, consolou os discípulos pessoalmente durante três anos, agora promete que esse mesmo cuidado não vai cessar, não vai acabar. Vai apenas mudar de forma.
O amor de Deus não se retira, o amor de Deus se aprofunda, passa de uma presença exterior, visível, caminhando nas estradas da Galileia, para uma presença interior, invisível, habitando no coração de cada crente. É uma mudança de endereço radical, de ao lado de vós para em vós.
Prestem bem atenção. Ao lado de vós. E a partir de então, em vós. Eu tive um professor de teologia que dizia que a teologia está nas preposições. Agora ela está em vós.
E aqui vem uma das frases mais comoventes do Evangelho de João. Não vos deixarei órfãos. Não vos deixarei órfãos. Meus irmãos, a palavra órfão aqui, ela carrega um peso existencial enorme.
Porque não é só a perda dos pais biológicos. A orfandade, em sentido profundo, é aquela sensação de abandono, de estar num mundo sem amparo, sem ninguém que nos conheça verdadeiramente e nos ame sem condições. É um dos medos mais primitivos da alma humana. Ficar sozinhos. E Jesus diz que conhece o coração dos seus.
toca exatamente nesse ponto e diz, não tenhas medo de ficar só. Eu não vos deixarei órfãos, eu não vos deixarei sozinhos. Quantas vezes na nossa vida também nos sentimos assim? Talvez você que me escuta, você já tenha vivido um momento de orfandade espiritual.
Quando orava e parecia que o céu estava fechado. Quando buscava a Deus e sentia apenas silêncio. Quando atravessava uma noite escura e se perguntava...
Onde está Deus agora? Onde está Deus agora? Tem uma história que me toca muito, porque a tradição diz que São Francisco de Sales, bispo do século XVII, um dos maiores mestres da vida espiritual, ele costumava receber pessoas que chegavam até ele completamente desoladas. E elas diziam muitas vezes, Deus havia me abandonado.
Essas pessoas diziam que não sentiam mais nada na oração, que tudo estava seco por dentro. E Francisco de Sales respondia com uma gentileza desconcertante. E quem te diz que o que você sente é o que importa? A fé não é emoção. A fé é morada. Deus não saiu de você. Você apenas não o reconheceu na escuridão.
É bonito porque esse é exatamente o papel do paráclito. Quando a desolação nos esmaga, quando a oração parece uma conversa com o vazio, o Espírito Santo está lá, não como sentimento, mas como presença, como memória viva de Cristo dentro de nós.
É exatamente nesse contexto que Jesus faz a sua última promessa. Ele diz, eu enviarei o Espírito da Verdade. Essa é uma outra forma como Jesus chama o paráclito, Espírito da Verdade. Atenção, esse Espírito não é dado nas horas fáceis, em que tudo parece próspero e a fé é tranquila. Ele é dado precisamente para habitar na nossa fragilidade.
O mundo não pode recebê-lo porque não o vê nem o conhece, diz Jesus.
E por que não? Porque o mundo busca Deus nos lugares de poder, de evidência, de espetáculo. Mas o Espírito age no escondido, no interior, no silêncio do coração convertido. Pois bem, minha gente, aqui Jesus estabelece também uma conexão que é preciso não passar em brancas nuvens. Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.
Reparem que não é, se guardares os meus mandamentos, então me amareis. Alguns pregadores, algumas pessoas querem instituir isso. Se guardares os meus mandamentos, então me amareis. Não, a ordem é a inversa, a ordem do evangelho é a inversa. O amor vem primeiro. Os mandamentos são a sua consequência natural, a sua expressão concreta.
de adesão a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. Isso é importante porque desfaz uma leitura moralizante da fé, como se a relação com Deus fosse uma questão de cumprir regras para merecer o amor, como se eu pudesse ganhar, como se eu pudesse comprar Deus. Não. O amor de Deus, minha gente, por favor, o amor de Deus nos precede, o amor de Deus nos envolve, nos convoca.
E quando somos tocados por esse amor, a vida começa a se reorganizar ao redor dele. Quase naturalmente. Mas sim, a nossa vida começa a demonstrar essa adesão, a evidenciar essa adesão a Jesus Cristo. Então, meus irmãos, nesta semana, façamos este exercício de prestar atenção à presença interior.
Não precisa ser nada grandioso, mas que a gente crie o hábito, uma pequena oração que diga apenas, vem Espírito Santo, fique comigo, me conduz, vem Espírito Santo, vem paráclito, vem consolador, vem advogado, vem Espírito Santo.
Ao final deste tempo pascal que culmina, que culminará em Pentecostes, daqui a dois domingos, a igreja nos convida a redescobrir que não estamos sozinhos. O paráclito já foi dado. Ele já habita em nós, pelo batismo, pela crisma, pela Eucaristia. Ele está em nós.
Que a Virgem Maria, que acolheu o Espírito Santo de forma tão plena, que Ele se fez carne nela, interceda por nós e nos ensine essa mesma disponibilidade interior. Que ela nos cubra com seu manto, que nos leve pela mão até o Pentecostes.
para que possamos receber com novo ardor aquele que Jesus prometeu, a promessa principal de Jesus, o Espírito da Verdade, o Consolador, o Paráclito, nosso companheiro de caminhada para sempre. Assim seja. Amém.
Meus caros amigos, continuo pedindo a vocês oração, sacrifício, pela aquisição da nossa casa do Projeto Madre Teresa. Rezemos para que o Senhor, com a sua divina providência, volva o seu olhar para nós e para as nossas necessidades. A todos vocês, uma ótima semana. Compartilhe o nosso podcast e envie esta palavra para aqueles que precisam ouvir.
Um grande abraço e até o próximo domingo, se Deus quiser.