Noticiário 02/05 16h00 TMG
Domingos Lovumbo
Eva Massi
José Gama
Paulo Chachina
Wilker Dias
- Conflito no MaliIndependentes Tuaregs · Bloqueio jihadista
- Retirada de tropas dos EUAPentágono · Mal-estar entre Trump e chanceler alemão
- Xenofobia na África do SulWilker Dias · José Gama
- Violência em MoçambiquePaulo Chachina
Boa tarde, são 18 horas aqui em Paris, os títulos do Jornal. Mali e independentistas, Tuaregs e Egedistas tomaram o controle nesta sexta-feira dos campos militares de Tessalite e Angelo, uma semana depois da tomada de Kidal, no norte do país. Estados Unidos e Alemanha, o Pentágono anunciou ontem a retirada de 5 mil militares americanos da Alemanha dentro de um ano, uma medida que surge em contexto de mal-estar entre Trump e o chanceler alemão.
Conosco no estúdio está a Moçal Le Chilin, na realização e de imediatas notícias.
Abrimos com a atualidade africana. No Mali, independentistas toregues e jihadistas tomaram o controle nesta sexta-feira dos campos militares de Tessalit e Angelo, uma semana depois da tomada de Kidal, no norte do país. A capital, Bamako, continua sob bloqueio jihadista e, num comunicado, o grupo afiliado à Al-Qaeda apela todas as forças da nação a derrubar o regime vigente.
As autoridades afirmam-se determinadas a combater e a permanecer no poder com o apoio da Rússia. Mais plenores com Eva Massim. Esta sexta-feira, depois da retirada dos soldados malianos e dos seus parceiros russos da África Corps, os combatentes do Usnim e da FLA entraram sem combates nos campos militares de Tessalit e Agilok.
A cidade de Kidal tem sido regularmente bombardeada desde a sua tomada pelos NIM e os esparatistas Tuaregs. A África Corpse, ex-Wagner, tem multiplicado os comunicados nas redes sociais e afirma ter conduzido operações nos últimos dias nas regiões norte de Gaou, Menaká, Sikassou e Kulikuro. Depois do acordo que permitiu aos combatentes russos sair de Kidal sãos e salvos após a sua derrota no último fim de semana,
surgiram dúvidas quanto à continuação do seu envolvimento no Mali. Mas na quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deixou claro que a Rússia continuará a ajudar as autoridades em exercício e prosseguirá o seu combate, se passo a citar, contra o extremismo, o terrorismo e outras manifestações negativas. Na capital Bamako, os jihadistas implementaram gradualmente o bloqueio anunciado na última terça-feira. Foram instalados pontos de controle em vários eixos que ligam a capital ao resto do país, onde os jihadistas bloqueiam os veículos em ambos os sentidos.
No entanto, de acordo com comunicados oficiais do governo do Mali e do África Corpus Russo, mais de 800 caminhões de cisterna conseguiram entrar na capital esta sexta-feira graças à escolta militar terrestre e aérea assegurada pelo exército maliano e pelos seus parceiros russos. Ainda esta sexta-feira, as autoridades anunciaram a detenção de vários militares malianos acusados de cumplicidade nos ataques do passado sábado.
África do Sul, a violência xenófoba naquele país que resultou já na morte de dois imigrantes nigerianos esta semana, para além da multiplicação de manifestações contra os elevados níveis de imigração ilegal, está a suscitar preocupação. Esta tensão xenófoba está inclusivamente a criar o medo de sair de casa, como relata o ativista moçambicano Wilker Dias, radicado em Joanesburgo.
Estamos a verificar agora, se calhar com um pouco mais de destaque mediático, porque vai se espalhando um pouco por vários outros pontos, como o de Johannesburg, por exemplo, que nessa semana nós verificámos também um movimento forte, mas eu me recordo que em novembro do ano passado, quando estive em Durban, o movimento estava...
Muito forte. Ficamos lá a passar o fim de semana a lazer, mas ficamos com medo de até sair às ruas porque eles estavam a fazer uma espécie de rusga, etc., contra os estrangeiros que lá estão. Primeiro, se formos olhar para os estabelecimentos comerciais, nas zonas onde eles vão fazer este tipo de ataques, porque são ataques, eles fazem uma espécie de mapeamento ou identificação antecipada. E por isso é que eles têm informação se essa pessoa é estrangeira ou não. Na rua, eles...
conseguem identificar algumas pessoas por conta da fisionomia, do andar, do falar e etc. Eles conseguem identificar e aí já também começam a partir para esses atos xenófobos. Um dos principais argumentos que se tem é que os estrangeiros estão na África do Sul propriamente para retirar aqueles que são os empregos criados por parte dos sul-africanos. Mas o que verificamos é completamente o contrário.
A questão da própria mão de obra, a maior parte dela que aceita fazer alguns trabalhos pesados ou a um custo baixo, até a mão de obra estrangeira, diferente daquela que é a mão de obra sul-africana.
Ouviram Wilker Dias, ativista moçambicano radicado em Joanesburgo, entrevistado por Eva Massi. A África do Sul vive periodicamente ondas de xenofobia há anos no país com uma taxa de desemprego que ronda os 30%. Uma franja da população acusa os migrantes em situação irregular de representar um peso no mercado do trabalho. Eis a análise do jornalista angolano José Gama, radicado na África do Sul.
Bom, a África sofre um problema antigo, que é uma herança desde o tempo do apartheid, que são as desigualdades sociais, a falta de emprego, taxas baixas de desemprego, pobreza, e isto faz com que algumas pessoas atribuem aos imigrantes este fenómeno de falta de emprego.
e olham para esses imigrantes que têm os seus pequeninos negócios e rebelam-se contra eles. Esse movimento vai crescendo. A África do Sul está com uma taxa de desemprego acima de 30%. É um país com uma população de 60 milhões.
pessoas e a maior parte da juventude está no desemprego. E está a se alarmar mais porque há alguns anos, creio que há três ou quatro, há um nageriano que terá violado uma menor, terá dado droga. Isto fez com que se criasse um grupo do Dula que deu caça ou perseguição a alguns estrangeiros. E esse grupo foi crescendo. As autoridades não conseguiram travar. Até hoje vai crescendo ainda mais e está a evoluir.
Ouviram José Gama, jornalista angolano, radicado na África do Sul, entrevistado por Eva Massi. Noutra atualidade, Moçambique registrou, desde o dia 18 de abril a esta parte, 39 mortos resultantes de agressões associadas a superstições e feitiçaria que atrofia órgãos genitais. Os dados foram avançados na província de Sufala pelo ministro do Interior, Paulo Chachina.
Elevarmos nossa voz, repudiando a onda desinformação sobre o alegado atrofiamento de órgãos genitais masculinos um pouco por todo o país, com maior incidência nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Nambu.
Niassa, isamésia, que tem gerado pânico, desconfiança e consequente linchamento de inocentes. Este fenômeno deplorável e condenável, que se manifestou pela primeira vez no dia 18 de abril passado em Cabo Delgado, já tem um registro de 93 casos, com 74 feridos e 39 óbitos. Estes dados nos preocupam. São muitas vidas inocentes.
perdidas por causa de algo que não existe. Devemos unir contra este mal que, a prevalecer, poderá pôr em causa a nossa harmonia social. Sejamos unidos, vigilantes e trabalhamos em conjunto para a erradicação deste mal. Denunciemos às autoridades toda e qualquer manifestação tendente a perturbar a ordem. As autoridades policiais.
Devem tudo fazer para tempestivamente abortarem qualquer tentativa de difusão de informação que propicie a desordem pública.
Ouvimos Paulo Chachim, ministro moçambicano do interior, em declarações recolhidas por Orfeu Lisboa. Alemanha-Estados Unidos, o Pentágono anunciou ontem a retirada de cerca de 5 mil militares americanos da Alemanha dentro de um ano, uma medida que surge num contexto de mal-estar entre Trump e o chanceler alemão em torno da guerra no Irã. Domingos Lovumbo, cidadão de origem angolana, radicado em Munique, diz que o executivo alemão está a encarar a situação com naturalidade. Em termos...
Econômico-financeiros, neste momento, a presença de militares norte-americanos na Alemanha dá por aí 12 mil postos de trabalho.
A decisão do presidente norte-americano está sendo encarada aqui com muita normalidade porque existe uma reprocidade, o que significa que os norte-americanos, diminuindo a sua presença militar na Alemanha, não têm muito a ganhar, até porque os norte-americanos é que têm mais benefícios.
Porque quando se trata, por exemplo, de operações norte-americanas na Ásia, na África Ocidental ou do Leste, é a partir da Alemanha e não diretamente do território norte-americano. Logo, a decisão norte-americana não assusta muito os alemães. Até porque houve também o pronunciamento oficial do ministro alemão da defesa, que dizia, bom, diminuindo os seus militares.
Na Alemanha, os americanos estão ao mesmo tempo a diminuir o seu efetivo que é preciso para as operações em diversos cantos do mundo, o que significa que para as futuras operações, os norte-americanos teriam de partir do seu território ou de outros cantos do mundo. Essa decisão, até um certo ponto, prejudica o próprio governo norte-americano.
Ouviram Domingos Lovumbo, cidadão de origem angolana radicado em Munique, de referir que, paralelamente, a administração Trump também anunciou que pretende aumentar para 25% na próxima semana os direitos adeneiros sobre os veículos importados para os Estados Unidos a partir da União Europeia e, nomeadamente, da Alemanha. Aceda a todos os podcasts da RFI na aplicação RFI Piorradio.