Ep 035 - Jogos de Manipulação
O silêncio punitivo, a vitimização estratégica, a bondade que gera dívida... a manipulação não é apenas um vilão de filme; ela está nos detalhes do nosso cotidiano. Neste episódio, exploramos os jogos psicológicos que sabotam nossa felicidade e prosperidade. Baseado nos conceitos de Carl Jung, discutimos por que a manipulação é o refúgio do ego frágil e como a consciência da nossa própria Sombra é a única saída do tabuleiro. Se você quer parar de jogar e começar a viver com autenticidade, este episódio foi feito para você.
Aperte o play e desmonte o cenário!
- Jogos de ManipulaçãoSilêncio punitivo · Vitimização estratégica · Bondade que gera dívida · Manipulação inconsciente · Persona como armadura · Maternidade/Paternidade devoradora · Ego frágil · Projeção de fraquezas · Projeção de autoridade/proteção · Segurança falsa · Honestidade radical com a sombra · Autenticidade como abundância · Amor vs. Poder
- Psicologia JunguianaCarl Jung · Sombra · Persona · Projeção
- Autoconhecimento e TerapiaCasa da Alma · Reconexão com o ser · Terapia
Sejam bem-vindas à Casa da Alma, um espaço de acolhimento, escuta e autoconhecimento. Aqui, cada episódio é um convite para você voltar para dentro, escutar o que sua alma tem a dizer e se espelhar nas histórias e reflexões que habitam todas nós.
Eu sou Olga Marques, sou psicóloga junguiana e consteladora familiar e te acompanho nessa jornada de reconexão com quem você sempre foi. Respira fundo.
E entra. A casa é nossa. A casa será sempre nossa. Tudo bem com vocês? Como é que vocês estão? Espero que estejam bem. Espero que o Casa da Alma esteja ajudando vocês de alguma forma. Ontem e hoje eu recebi mensagens de amigas que são psicólogas também.
E algumas que eu não vejo faz muito tempo, porque na época da faculdade estávamos todas aqui, mas quando acabou, cada um foi para o lugar onde de fato é de origem, né? Então, eu sou de Salvador, eu tinha amigas, colegas, né? Que eram de Feira de Santana, outras de Santo Antônio de Jesus. E tem também as que passaram em concurso e aí acabaram mudando de cidade, de estado, né? E aí eu recebi um recado que eu gostei tanto, que elas...
comentaram que ouviram o podcast, chamaram, indicaram para amigas que as amigas gostaram e que já virou tema de discussão entre elas. Eu achei muito bom. E eu desejo que, de fato, gere discussões entre as amigas, entre mulheres, para que vocês possam refletir sobre esses assuntos. Porque a ideia não é que vocês escutem isso e levem isso como uma verdade universal, não. Mas, mas, mas, mas.
É uma verdade para a psicologia, né? E como psicóloga, eu estou colocando aqui como a nossa psique funciona, como o nosso emocional funciona, como os nossos comportamentos funcionam.
Mas eu entendo que é difícil, né? É difícil a gente olhar para nós mesmos, é difícil a gente encarar outras formas de compreensão da nossa vida e do nosso próprio ser, né?
É bem complicado mesmo, mas fico feliz, fiquei tão envaidecida, porque é legal a gente ter o reconhecimento dos clientes, é legal a gente ter o reconhecimento dos nossos pares também, que são as pessoas que estão na nossa função como a gente, é muito legal. Mas enfim, gente, então vamos para o episódio de hoje, vou beber um golinho de água aqui.
Pronto. E o episódio de hoje é o de número 35, tá?
E como vocês sabem, sempre quando eu estou aqui fazendo um episódio, eu penso antes sobre o tema, eu tento lembrar de livros que podem me ajudar com esse tema, eu paro um pouquinho para escrever sobre o tema, mas eu não gosto que fique uma coisa muito enrijecida. Então, assim, eu sempre tenho alguma coisa aqui que me ajuda.
a estruturar o episódio, né? Mas eu gosto que seja algo muito espontâneo também, pra que eu lembre, né? Tem sites aqui de exemplos e dê pra vocês, pra não ficar uma coisa como se eu tivesse, sei lá, lendo um texto. Eu gosto que seja uma coisa, meio que uma conversa aqui, né?
Então, para hoje, o tema que eu escolhi foram os jogos de manipulação. E eu quero dedicar esse episódio de número 35 para os casais que eu atendo. Como psicóloga, eu atendo adultos, jovens adultos, adultos e casais.
apesar dos jogos de manipulação invadirem todas as áreas da nossa vida, se a gente está preso nessa dinâmica, mas como eu atendo muitos casais, eu percebo o quanto isso é forte nas relações. Certo?
Então vamos, que eu já falei demais nessa introdução aqui. Vamos para o tema. Então, hoje o nosso encontro é sobre as peças de teatro que encenamos sem plateia. Ou melhor, onde todos são atores e ninguém sabe que está seguindo um roteiro. Por isso a gente vai falar sobre os jogos de manipulação. Que muitas vezes a gente pensa que o manipulador...
É como se fosse um vilão de um filme, né? Alguém bem maquiavélico, que planeja passo a passo, que bola aquela estratégia para manipular. Mas, na realidade do cotidiano, a manipulação é muito mais sutil. E, frequentemente, ela é inconsciente. Então, a pessoa que está manipulando não sabe que está manipulando, tá?
Então, vamos partir daí, ok? Então, por exemplo, o manipulador pode ser eu, pode ser você, né? E a gente não sabe que tá fazendo isso. Então, esse episódio é pra que a gente perceba se a gente faz isso, tá bom?
Então, por exemplo, aquele silêncio que soa como algo punitivo, que a gente sente como uma punição, aquela vitimização que é bem estratégica, que é bem no momento que vai causar uma angústia, e que eu já mencionei ela, inclusive no episódio anterior, eu falo sobre vitimização, ou até aquela bondade excessiva.
que gera uma dívida impagável para o outro. Então, tudo isso é uma forma de manipular. Agora, por que fazemos isso? Por que não conseguimos ser diretos? Então, sob o olhar de Jung, a manipulação nasce onde a verdade dói demais para ser dita. Certo? Então, pensem nisso. Eu vou até repetir. A manipulação nasce...
onde a verdade dói demais para ser dita e onde o medo de ser rejeitado é maior do que o desejo da gente ser autêntico ali com o outro, verdadeiro. Então, vamos entender como as nossas sombras puxam esses fios dessas marionetes, tá? Em que a gente tenta aí, né? Fazer dos outros a marionete.
Então, pra Jung, a persona, todo episódio que eu for colocando esses termos aqui técnicos, eu vou sempre explicar, tá? Porque eu sei que, pra quem tá acompanhando desde o início, pode ser que seja de Gaia-olga, eu já sei o que é persona. Mas pode ser que chegue alguém através desse áudio e fique perdido, né? Então.
Para Jung, a persona é a face que apresentamos ao mundo. Ela é necessária para a vida em sociedade. Mas o jogo de manipulação começa quando a persona se torna uma armadura ou até uma armadilha.
Então, por exemplo, existem pessoas que se identificam com a persona do cuidador. Inclusive, se a pessoa já tem uma profissão de ajuda, isso é mais delicado ainda. Então, os próprios psicólogos, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, o que mais?
Enfim, profissões de cuidado, né? Então, algumas pessoas se identificam ali naquela persona e acreditam que precisam estar ali para todos o tempo inteiro como esse lugar de ajuda, né? Só que elas não percebem que por trás disso tem um desejo de controle do outro.
Elas não ajudam para libertar essas pessoas. Elas ajudam para tornar o outro dependente. Elas não percebem que estão fazendo isso. E aí é que mora o perigo. Então, Jung chama essa dinâmica de maternidade ou paternidade devoradora.
E isso acontece muito nas relações adultas. Por exemplo, quem é que não conhece uma esposa que se comporta como a mãe do marido? Ou um marido que se comporta como o pai da esposa? Por trás disso tem um desejo de manipular o outro, de fazer com que o outro fique dependente. E aí você tem uma fantasia de que o outro não vai te deixar.
Então, o manipulador joga porque seu ego, assim, porque a pergunta que eu fiz, né, por que a gente faz isso? Então, a gente faz isso porque o ego é frágil.
O ego, que é aquela partezinha que diz qual é o valor que a gente tem, quem nós somos e qual o valor que a gente tem para si mesmo e para o mundo. É como se esse ego fosse frágil. Então, ele sente que se não controlar o ambiente e as pessoas, ele será destruído. Então, ele cria um personagem.
Por exemplo, se eu sou o eterno injustiçado, eu vou manipular o outro através da culpa. Se eu sou o perfeito, inabalável, eu vou manipular através da intimidação, ou intelectual, ou moral. Então tem que ver assim, onde é que está esse lugarzinho aí? Quem é você nesse lugarzinho?
Então, o jogo de manipulação é, em última análise, um substituto doente, claramente, para a intimidade real. Então, lembra disso, o jogo de manipulação, ele está num lugar para te defender da intimidade real. O problema aí está nisso, é o medo dessa intimidade real, o medo de falar a verdade, que dói.
E isso porque a intimidade exige que você tire essa máscara. E o manipulador tem pavor do que existe por trás dela, já que o ego é frágil. Então, deixa eu dar um exemplo para ficar mais claro. Se eu acho que eu não tenho valor, se eu fico me perguntando o que eu posso oferecer para aquela pessoa.
eu vou acabar manipulando. Porque se eu não sei disso, eu vou achar que eu preciso criar algo, né? Então, se eu não sei o valor que eu tenho, aí eu vou pensar, não, eu vou ser psicóloga dessa pessoa, porque aí sim eu vou ter valores pra oferecer pra ela. E aí ela vai ficar dependendo de mim.
Claro que eu estou dizendo isso, volto a dizer, nas relações pessoais, não é com o meu cliente. Com o meu cliente eu tenho que ser psicóloga mesmo, né? Mas será que eu tenho que ser psicóloga do meu marido? Será que eu preciso ser psicóloga da minha amiga para que ela entenda que eu tenho valor? Não, né? Então, aqui a gente entra num ponto crucial, né? Que é porque caímos ou permanecemos em jogos de manipulação.
Jung vai explicar isso através do termo chamado projeção. Eu já falei muito sobre projeção em outros episódios. E vou falar sempre, viu, gente, porque a projeção está o tempo inteiro sendo ativada. Então, muitas vezes o manipulador projeta na vítima as suas próprias fraquezas que ele não aceita.
A vítima, por sua vez, pode estar projetando no manipulador uma figura de autoridade ou proteção que ela sente que não tem. E aí isso é que torna o encaixe perfeito das sombras. Entendem? Eu vou até voltar e vou tentar dar um exemplo para ficar mais claro. Vamos lá. Então.
O manipulador, ele projeta na vítima as suas próprias fraquezas que ele não aceita. Então, por exemplo, eu não aceito que eu sou... Deixa eu ver...
que eu sou possessiva, né? E aí o que é que eu faço? Eu projeto no meu marido que ele é o possessivo da história. E aí qualquer tipo de ação que ele faça, que eu me sinta controlada, aí eu digo que ele é a pessoa que é possessiva. Só que é isso, eu não reconheço que eu faço isso.
Enquanto eu não reconheço, eu fico projetando ele e transformo ele no vilão da história. E aí, bom, por sua vez, o que foi que eu tinha dito, que a vítima acaba projetando no manipulador uma figura de autoridade ou proteção, que ela sente que não tem. Então, por exemplo, eu faço isso com ele, mas ele projeta em mim.
que talvez eu seja a mãe carinhosa que ele não teve, né? E aí ele acha que não pode ficar sem mim, porque ele não teve isso, ele tem falta disso.
E aí ele fica submetido a essa manipulação, onde eu transformo ele em vilão. Olha que coisa, gente. Olha que loucura, né? Eu tô aqui falando isso pra vocês e meu desejo agora era que eu tivesse com o vídeo ligado pra mostrar isso com os bonequinhos. Como eu não tô, eu acho que eu vou gravar um vídeo pro YouTube mostrando isso, né? Porque faz um tempinho que eu não posto vídeo lá.
Eu acho que eu vou fazer isso. E aí vocês correm lá no YouTube pra ver, viu? Que eu acho que talvez a explicação fique ainda melhor. Porque eu sei que é difícil, né? Quando a gente tá tentando se autoanalisar, é complicado mesmo.
Mas vamos lá. Então, no jogo de manipulação, o outro deixa de ser um ser humano com desejos próprios, enfim. E passa a ser esse objeto para satisfazer as necessidades da minha psique. Então, quando você manipula, você está tentando forçar o mundo a se comportar de uma forma que te faça se sentir seguro. Entende?
Mas essa segurança é falsa, a questão é essa, ela não é real, porque ela está baseada na manipulação.
Jung dizia que tudo que tentamos controlar acaba nos controlando. Então o manipulador é, na verdade, o maior escravo do seu próprio jogo, porque ele vive em constante estado de vigilância, com medo de que a verdade apareça e o jogo acabe. Por exemplo, ontem mesmo eu fui assistir o Diabo Veste Prada 2, com minha filha, com meu marido, e aí...
Tem uma cena, e eu sou péssima de lembrar os nomes, tá, gente? Mas tem uma cena em que uma personagem, que é uma das Emilys, né? Da... Eu não disse que eu sou danada pra esquecer os nomes. Esqueci o nome da grande personagem do filme. Mas, enfim. Uma personagem que ela era assistente da chefona lá. Aquela chefona macabra. Ela...
ela tenta comprar uma empresa para que ela sinta que ela está no controle. Só que por trás dessa tentativa dela está a verdade, que é a insegurança. Então, ela quer manipular através dessa compra para que ela se sinta o máximo ali, ela possa fazer tudo. Mas, na verdade, o que vai acontecer é que ela vai fracassar a própria empresa, porque ela não tem competência para estar ali.
e o medo dela o tempo inteiro no filme, tanto no primeiro quanto no segundo...
É exatamente perceber que ela não tem competência para estar ali. E não é que ela não tem competência para nada, mas é que ela não fica satisfeita em ficar na ocupação que ela, de fato, tem competência, entende? Então, é o tempo todo ela tentando manipular as pessoas e ela não consegue ir para um lugar de intimidade por conta disso. É muito interessante. Assistam. Se for o caso, assistam primeiro, né? Que no primeiro também passa essa situação.
Uma ruivinha, né? Uma das Emilys é a ruivinha. Mas vamos lá. Então, vamos pensar aqui, né? Como é que a gente para isso? Se estar nisso é tão complicado, né? Se fazer parte dessa dinâmica vai sustentar uma falsa segurança, como é que a gente para de jogar? Como é que a gente quebra esse ciclo, né?
Então, o primeiro passo é a consciência. Então, eu preciso admitir. Eu estou usando esse comportamento para conseguir o que eu quero sem precisar pedir diretamente. E eu preciso sair desse jogo. Jung, inclusive, chamava de honestidade radical com a própria sombra.
É preciso ser honesto radicalmente com a própria sombra. É olhar para o espelho e reconhecer esse manipulador que habita em nós. Todos nós, como eu disse, manipulem em algum nível. Seja por medo, seja por carência ou por poder. E quando paramos de projetar e começamos a assumir nossas necessidades de forma clara, aí o jogo perde a força.
Então, se eu preciso de atenção, eu peço atenção. Em vez de ficar criando um drama para ser notado. Se eu estou com raiva, eu expresso a raiva. Em vez de ficar usando sarcasmo ou usar ironia. A prosperidade emocional, que a gente já discutiu antes, ela só acontece quando a gente abandona esse jogo.
A manipulação é uma energia de escassez. Então, você acha que não é bom o suficiente para conseguir o que quer de forma limpa? E aí você acaba manipulando, porque você não consegue ser honesto, entende? Então, a autenticidade é uma energia de abundância. Gravem isso. Bom, para encerrar, eu quero que vocês reflitam sobre as suas relações, tá? Onde é que existe jogo?
Será que existe amor mesmo nessa relação onde tem jogo? Onde é que existe controle nas minhas relações? Por que eu não consigo dar liberdade e ter liberdade?
Jung, ele nos deixou um ensinamento precioso, né? Eu adoro esse trecho. Eu vou até, assim, vou falar exatamente como tá lá, tá? E vocês pensem aí nas aspas, porque eu vou falar literalmente como tá lá escrito. Ele diz assim, Onde o amor impera, não há desejo de poder. E onde o poder prevalece, há falta de amor. Um é a sombra do outro.
Gente, isso é a mais pura verdade. A mais pura verdade. Os jogos de manipulação são tentativas desesperadas do ego de obter poder quando ele se sente sem amor. Então, eu desejo profundamente que você tenha coragem de baixar a guarda.
de desmontar o cenário e de encontrar as pessoas de alma limpa, sem roteiros, sem fios, sem máscaras. A vida é curta demais para a gente gastar tanto tempo nesse teatro, né? Muito tempo. E outra, a gente gasta muita energia também para ficar nesse lugar, né? Então, vamos tentar falar de um lugar de honestidade, com clareza, com verdade, mesmo que doa. A verdade sempre é melhor.
tá? E é isso, gente. E é claro que pra fazer esse movimento, né? Algumas pessoas, a maioria delas vão precisar de terapia pra suportar estar nesse lugar. Então, peçam ajuda, façam terapia. Obrigada por estarem aqui hoje, que a sua busca pela verdade interna desmonte todos os jogos de manipulação que impedem vocês de ser livres, tá bom?
Um beijo grande e lembrando, sigam pra que esse podcast se sustente, curtam, compartilhem, vocês vão me ajudar muito nisso, eu acho que é uma troca muito justa. Vão lá no Instagram, PS Olga Marques, falem comigo, Olga, tô escutando.
Seu podcast. Isso é muito legal. Gostei desse episódio. Gostei que você falou assim. Podem criticar também. Olga, não gostei muito disso. Acho melhor isso. Eu vou ouvir todo mundo. Eu acho que tudo pode ser somado. Com educação e respeito, toda crítica é bem-vinda. É isso. Um beijo grande para vocês e até a próxima.