Episódios de Tem Pestana? - O seu Podcast de música!

TPP79 | Tem Pestana ENTREVISTA com Gabriel | Gravador Pub

14 de junho de 202658min
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TEM PESTANA ENTREVISTA - Com Gabriel do Gravador Pub em Porto Alegre. Apresentação de Verônica Elias. Aqui terá muito dos nossos gostos, achismos e claro nossas famigeradas contradições. Estamos no Spotify, Deezer, Youtube e Amazon Music.📣

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Participantes neste episódio2
V

Verônica Elias

HostApresentadora
G

Gabriel

ConvidadoTerapeuta
Assuntos6
  • Bastidores de Gravações MusicaisDesafios da profissão de músico · Impacto da pandemia e enchentes · Mudança para novo espaço · Shows internacionais · Festivais de música
  • IA na arte e músicaValorização de músicos locais · Música autoral e novos talentos · Impacto cultural e social · Superação de dificuldades financeiras
  • Criação de Conteúdo em BaresFotografia publicitária · Crítica social na propaganda · Eventos em casa e música · Gravador Pub
  • Tendências Musicais e Convergência de GênerosProgramação semanal (ensaio aberto, lançamentos) · Copa do Mundo e futebol · Cinema e acervo de filmes · Diversidade de gêneros musicais
  • Planejamento FuturoEstrutura física e acústica · Iluminação e palco · Piso para dança e novas acústicas · Cinema gratuito
  • Design visual e identidade da marcaAdaptação do logo e flyers · Comunicação via site e telefone · Venda de ingressos online · Easter egg no logo
Transcrição55 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VEVerônica Elias

Olá, eu sou Verônica Elias e este é o seu podcast de música. E para começar, Tempestana! Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do podcast Tempestana. Hoje de novo a gente vai trazer nossas opiniões, nossos achismos e claro nossas famigeradas contradições. Voltamos hoje de novo com o nosso quadro Tempestade Entrevista, procurando aqueles lugares especiais de Porto Alegre e região metropolitana que nós aqui do podcast gostamos de frequentar, temos algumas histórias e, claro, bons lugares que a gente possa indicar também para vocês, né?

Então, só aqueles lembretes iniciais, que a gente tá disponível nas plataformas de áudio e também de vídeo. Então você pode procurar a gente no Spotify, que é uma das principais plataformas que a gente trabalha, Que a gente consegue também ver ali a sua participação, porque tem caixa de sugestões, tem comentários, e você pode nos ver e ouvir. Sim, não precisa ter pacote premium nem nada, tá? É que nem no YouTube, acessou ali o Spotify, você pode ver e ouvir e também participar das estrelinhas, curtir, compartilhar, tudo como você faz no YouTube.

Então nosso canal do YouTube é novo, a gente tá migrando para lá agora, Então é importante, se quiser ver a gente no Spotify ou no YouTube, tá tudo certo. Lembrando que também tem outras plataformas de áudio que você pode assistir esse programa. Então, depois de dado esses recados básicos aqui, hoje a gente vai trazer uma pessoa que representa um lugar que costuma, pelo conceito do ambiente, gravar bons momentos. E é isso que a gente quer deixar para vocês aqui.

Então lá não se consome só música, como se música fosse pouco, né? Mas a gente não consome só música, a gente consome experiências e armazena isso em grandes memórias, né? Então a trilha sonora de hoje vai ser representada por esse local que nos traz um aconchego, um acalento e também boas experiências musicais, representados hoje então pelo Gabriel e também sócio-proprietário do Gravador Pub, como a Cris, né, sua esposa. Então Gabriel, seja muito bem-vindo, muito obrigada por ter conseguido disponibilizar esse tempo que eu sei que é tumultuado, é corrido, mas era um lugar importante para nós Insiders, né?

Como somos um coletivo de vários músicos e apreciadores de música, muitas pessoas que fazem parte do coletivo acharam muito importante a gente trazer o Gravador Pub para cá pela diversidade do que vocês apresentam. Então muito obrigada pela sua presença hoje no nosso podcast, viu?

GGabriel

Eu que agradeço a lembrança, fico muito honrado, né? Obrigado a todos que estão nos assistindo também. E enfim, seguimos aqui, né? Falaste só a verdade.

VEVerônica Elias

Que bom!

GGabriel

Eu espero que eu possa contribuir muito mais do que a gente já fez até aqui, né, nesses 10 anos de casa. E enfim, né, trabalhar com cultura, a gente sabe. Eu não vou ficar aqui me queixando, né, vou continuar fazendo força, porque enfim, problema, né, vai ter desde a carrocinha de pipoca até o Banco Master tem problemas lá. Verdade, né? A gente sabe das dificuldades, são as mesmas, né? Eu falo com, convivo muito com músicos, convivo com alguns importantes donos de importantes lugares aqui de Porto Alegre também, que são meus amigos pessoais, né, de outras casas de shows aqui.

Então, né, a gente troca experiências assim, se ajuda. Na medida do possível. E enfim, cada um tem o seu jeito de atuar, cada um tem uma caminhada, mas a gente sempre, quando tá alguém sofrendo um pouco mais, a gente sempre se preocupa, a gente sempre se apoia um pouco, né? Cada um cuida um pouco também do jeito que o outro trabalha. A gente tem maneirismos aqui da casa desde que abriu que foram adotados, né? Que eu fico feliz de ver isso, na verdade, né?

As pessoas às vezes, pessoas não, mas pode acontecer de, sei lá, alguém ficar, ah, mas os caras estão imitando. Cara, que bom, né? Se a gente fez uma coisa legal, né? Que nem aquela história de, ah, o Black Sabbath tirou de um disco brasileiro o riff. Cara, que lindo isso acontecer, né? Que bom quando se declara isso abertamente também, né? Entendo total a parte de direitos e tal, né? Mas acho sensacional, né? A gente tem uma cultura de, como é que chama, de remixes assim, né?

De reaproveitamento de frases e de ideias boas que as pessoas tiveram desde sempre, desde que existe sistema de gravação, né? A gente aproveita a música e isso é uma coisa positiva para mim, né? Eu jamais vou ficar bravo se alguém pegar uma música minha e fizer muito mais sucesso do que eu vou achar sensacional. Que bom que alguém achou um caminho, né, pra fazer as coisas. A gente tá aí, né, abertos ao público, sempre de quarta a sábado, mas nada impede que a gente faça também— a gente já fez show segunda, terça, domingos, a gente costuma fazer também, né, embora são dias que a gente não abre regularmente, então tem que ser um negócio muito acertadinho pra dar um bom movimento e tal, né.

VEVerônica Elias

Sim.

GGabriel

Adoro fazer tudo que é tipo de show. Dia 23 do mês passado foi Dia Nacional do Choro. A gente teve um grupo que chama Pindorama, que é uma rapaziada super jovem, de 20 a 25 anos de idade, tocando música brasileira instrumental de altíssima qualidade. A gente gravou, né, vai estar disponível daqui a pouco nas plataformas também. Nem me perguntou nada, já arranquei falando. Se tu deixar, tu tá perdido aqui. Eu tenho essa má fama também.

VEVerônica Elias

Tá tudo certo, porque aqui tu já englobou a tua paixão pela arte, música mais específico, direcionado, mas pela arte no geral. Porque depois a gente vai destrinchando, mas como tu já adiantou, o cardápio é vasto aí no Gravador Pub. Mas Gabriel, não tem como eu não questionar, até porque tu trouxe várias problemáticas que sim, a galera que vive de arte no geral passa. Por quê? Como começou? Da onde surgiu essa ideia? E aqui no Rio Grande do Sul, a gente, além de ter passado pela pandemia, a gente passou também pela enchente, né, em 2024, que desestabilizou muitas pessoas, né.

E alguns lugares foram afetados, outros não. Enfim, mas foi uma coisa que prejudicou no modo geral a economia do estado, né. Eu conversei com o pessoal do Justo, né, e eles foram muito prejudicados justamente por causa também da reforma do viaduto, né. Da bolsa ali. Então eles tiveram alguns percalços que cada empresa, cada instituição enfrenta, né? Como é que surgiu essa ideia de montar esse espaço, esse lugar? E por que tornar isso algo como a tua principal renda, que eu acredito que seja hoje em dia?

GGabriel

Sim, hoje é. Eu larguei, eu trabalhava com fotografia publicitária anteriormente, eu larguei totalmente assim. A antiga profissão para me dedicar à casa aqui, né? A primeira pergunta tá perguntando de abrir o gravador ou de reabrir o gravador no endereço novo que a gente tá agora.

VEVerônica Elias

O primeiro, o primeiro, o primeiro gravador, quando tu abriu, como, não necessariamente o gravador, mas como surgiu essa ideia de ter um pub, ter um espaço tão diverso como é?

GGabriel

Surgiu da miserável profissão de fotógrafo publicitário que Enfim, com todo respeito aos meus colegas, né, de ex-profissão e de faculdade, né, a propaganda tem um poder infinito quase, né, de atuar positivamente. E a gente faz propaganda do velho da Havana, então, né, e vende sandália de plástico que vai durar 15 dias no pé de alguém por umas fortunas e tal. Então acho que A propaganda tava me devendo muito assim na parte social, né?

Eu saía, a gente pagava fortunas às vezes para atrizes globais fazerem, ficarem 4 horas para fazer uma foto de uma sandália no pé e ganhar uma grana que a maioria da galera vai ter que trabalhar uns 20 ou 30 anos para ganhar, ou mais, né, dependendo do caso. E aí me incomodava muito isso assim, né? E saía de manhã deprimido, saía de manhã às vezes chorando no carro, sabendo o tipo de reunião que eu ia encontrar pela frente. E enfim, isso foi, né?

Sempre amei fotografia, comecei fotografando aqui no pub mesmo. Ainda tem assim uns resquícios da minha vida pregressa, né? Tem algumas fotos de teatro antigas, tem umas fotos do— acho que foi na inauguração do teatro do Prédio 40 da PUC, do auditório do Prédio 40, né? Que foi Tangos e Tragédias, que se não foi a primeira, foi uma das primeiras apresentações no Teatro Novo da PUC. Eu tenho essas imagens até hoje do Nico, do Nico e do Ique, né?

Então aqui nas paredes também a gente já fez bastante coisa. Mas enfim, desde sempre eu tive envolvimento. Quando era moleque eu tive uma bandinha lá quando eu tinha 13 anos, Lá por 85, por aí, eu tinha uma banda de hardcore com alguns amigos. Um segue na ativa até hoje, que é o Regi Sanka, baixista, dentre outros trabalhos, do Frank Jorge, né? Trabalha com o Frank faz tempo já, um baita amigo, um baita baixista, baita músico.

E conheço desde essa época assim muita gente da música, muita gente que seguiu a carreira de músico, né? E então eu sempre tive, sempre permeei por esse mundo da música, assim, sempre adorei música. Desde que eu aprendi a usar o polegar opositor, eu botava agulha na eletrolinha do meu pai lá. E eu sempre, por muita sorte também, por gosto dos meus velhos, eu sempre tive acesso a tudo que é tipo de música, né, de samba, choro, música clássica.

Rock, Beatles, Stones, Focus, Pink Floyd, o caramba. Sempre tive acesso direto em casa, né? Que é um negócio que eu tentei muito seguir fazendo isso para os meus filhos também, né? A gente não tem— a gente escuta de tudo em casa, né? Um dia a gente tá ouvindo música eletrônica, outro dia a gente tá ouvindo metal, outro dia a gente tá ouvindo jazz, outro dia a gente tá ouvindo música clássica, né? E às vezes é tudo ao mesmo tempo, né?

Minhas playlists são meio caóticas assim, né? Toca Berlioz, depois toca, sei lá, Slayer na colada, depois vem Paulinho na viola, né, Aresmar do Espírito Santo, e por aí vai. Então a gente faz, e a gente começou a fazer. Nós moramos numa casa em Belém Novo, na zona sul de Porto Alegre, tem um terreno, um pátio bem grandão assim em cima do morro lá, e a gente tinha um espaço que era um deck, e tinha, eu tinha já da vida alguma coisa de equipamentos assim, né, tinha bateria Tem piano em casa, tem amplificador de baixo, amplificador de guitarra, não sei o quê, um monte de coisa.

E a gente começou a fazer umas reuniões porque vida de músico é isso, né? Hoje, apesar de ser bodegueiro, eu tenho minha vida de músico, né? Minha segunda-feira é meu domingo, né? Então é o dia que eu tenho para sair com meu filho, para descansar, para dar uma volta, para parar um pouco e tal. Porque domingo eu tô acabado em casa, né? A não ser que eu esteja trabalhando. Mas é assim a vida. E aí sempre tive muito próximo desse ritmo dessa galera da música.

E a gente começou, pra poder se encontrar, a gente começou a fazer uns eventos lá em casa. A gente montava esse deck com um imóvel, chegou a acontecer algumas, em algumas ocasiões, duas baterias, não sei o quê. E todo mundo se conhecia, né? Todo mundo era da música já há muito tempo. E era uma oportunidade também de amigos que nunca tocam juntos em função do próprio trabalho, né? Um tem uma banda de reggae, outro toca rock, outro não sei o quê, né?

Um anda mais em turnê, outro é mais pela cidade. Dessa galera toda se juntar e tocar junto. Então a gente começou a repetir esses eventos e começou. E aí fazia no fim do ano, fazia o Fortão, que era no início de dezembro ali. A gente até tinha batizado de como é que era o nome. Extreme Christmas Barbecue All Stars era o nome da festa. E era o nome mais honesto de festa que a gente podia ter, porque a última teve 150 músicos passaram lá por casa.

E foi assim das 9 da manhã até às 10 da manhã do outro dia. Então tinha gente que vinha de manhã e ficava até a hora de sair porque tinha show de noite. Tinha gente que tinha show de noite e vinha depois do show lá para casa. Tinha gente que ficava as 24 horas junto com a gente. A gente tinha uma uma garagem com umas 8 redes e tinha uma casa nos fundos que tem sofá e cama e tudo assim. Então até para evitar o negócio de beber e dirigir, ficava muita gente, acabava ficando por lá.

E acabou nascendo essa história do, antes do gravador, a gente chegou a gravar uns programas piloto com uma amiga nossa do Texas que chamava, chama Mayla Hardy. Que ela veio morar no Brasil. Ela é do Texas, é de Austin, e ela veio morar no Brasil. Ela era casada então com o baterista Eduardo Guedes, que é aqui de Porto Alegre, né? Foi batera do Belisboa, do Mutuca e de tantos outros trabalhos bons assim. Moraram 10 anos lá nos States, depois resolveram se mudar para cá, ficaram 6 anos aqui.

A gente ficou muito amigo e acabamos fazendo uma vaquinha para nos custear pelo menos o básico assim para fazer, gravar esses programas pilotos, que a ideia é a gente fazer lá em casa, ter uma banda da casa, e aí sei lá, vender o ingresso com janta, experiência de música e de convivência e tudo, e fazer tudo lá em casa. E a gente gravou, era o Paulinho Superkovia, o Neguinho Edson Júnior no baixo, Márcio Petraco na guitarra e bandolim e violão, Duda Guedes na batera.

Mayla Hardy nos vocais e piano e tal. E daí tinha uma galera da técnica, foi Renê Goya, foi dar uma mão, né? Daniel Dodd, que é um super editor, trabalhava nos estúdios que fizeram Harry Potter e Homem-Aranha em Londres, tava ali com a gente fazendo. Eu tava fazendo câmera, né? O Chachá tava operando o som. Tinha uma galera trabalhando junto. A gente passou um fim de semana inteiro gravando esse programa. Tem no canal do gravador esses dois episódios, né?

Que enfim acabou ficando depois dali. Tem um problema lá na Zona Sul, que tem praia nos fundos da minha casa, ali embaixo do morro. E aí chega fim de semana, a galera vai com as carangas e estoura um pancadão. E aí atrapalha muito assim o negócio de gravar. E aí a gente acabou meio que deixando para lá por um tempo. Mas nessa função da miséria do trabalho de propaganda, eu que ideologicamente falando era um trabalho que remunerava decentemente e tal, né, era uma coisa que eu gostava de fazer também, né.

A Cris chegou um dia e falou, quem sabe a gente não abre o bar, que a gente tá tantos anos fazendo isso em casa e juntando os amigos, a gente tem tanto amigo músico e tal, quem sabe a gente não larga essa propaganda e vamos trabalhar, vamos abrir um bar. Isso foi ali na metade de dezembro. E aí a gente foi procurar uma casa num site desses de imóveis e tal. E o primeiro lugar que a gente achou tinha uma foto de um corredor com sol rachando assim no fim de tarde.

E aí eu olhei para aqueles, falei, nem precisa olhar outro, vai ser ali mesmo. Vai ser aí. E ela tinha adorado também. E no outro dia a gente foi lá e tava tudo encharcado, cheio d'água, piso molhado, tudo por dentro da casa tinha goteira, tudo que era lado. A gente caminhando na água assim, olhando em volta assim, sensacional. É essa mesmo, é a vantagem de ser burro, né? O cara abraça essas roubadas. Assim, um maluco de boa-fé, né, coração aberto.

E a gente foi, 45 dias. Eu saía do estúdio de noite, ia para lá eu mesmo descascando parede, marretando. De manhã cedo, 5:30 da manhã, eu tava lá com os pedreiros dando uma mão. E aí deu uns 45, 60 dias, a gente abriu a casa e começou. Já nos primeiros 30 dias a gente já tava lendo da galera daqui, a gente já tinha feito 4 shows internacionais. A primeira banda acho que foi a Lolly Hounds, de Londres, que eram composta por 2 músicos britânicos e 2 camaradas daqui, né?

Agora vou me esquecer a formação, mas enfim, o Edu Bisonho, que era da Hard Working Band, né? E o Reinaldo Milha Vaca, que é de Casca, baita baterista, né? Um monstro. Voltou, acabou. O Edu tá lá em Londres ainda, mas o O Reina tá aqui em Porto Alegre, toca muito, um baita camarada também. E dali para frente foi assim, a gente tem hoje com 10 anos de casa, a gente tem quase 2.700 shows na conta, né, com cerca de 270 shows internacionais também, com artistas desde a Oceania, da Austrália, Finlândia, de vários países, de Portugal, Espanha, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, né, do leste europeu, várias bandas já tocaram aqui também e tal.

Então, e dos States também, né, de leste a oeste, e artistas sul-americanos também. Fizemos dois festivais, aliás, de cantautores sul-americanos. Fizemos um fim de semana com duas noites de, que era o Libertadores de América, Festival Sul-Americano de Punk Rock, com 12 bandas da América Latina, né, daqui de São Paulo, Curitiba, Chile, Argentina, Uruguai. É, vou mentir se eu disser mais algum país assim, mas tinha essa galera toda, bandas boas, né, que camaradas vieram, propuseram, a gente abraçou junto e foi Tem sido bom, né?

Foi muito bom assim durante um bom tempo. A gente chegou a ter uma média absurda que eu posso estar muito errado, mas eu duvido muito que alguém tenha chegado perto de um período que a gente teve de alta, que foi em torno de entre 20 e 25 shows por mês. A gente tava fazendo aqui, nossa, é muita coisa. Então hoje eu olho para esse número e eu penso, eu não tenho condição física de aguentar um trampo desse tamanho, porque é um envolvimento 24 horas por dia de cabeça, né, mental.

E todo dia tinha rádio, tinha jornal, tinha TV, e eu vou junto, e eu pego os músicos em casa, a gente vem. E até hoje eu faço muito isso, né? Vai ter show no sábado, ah, vamos lá para o pub na segunda-feira. Então eu lá vou, vem de casa, a gente abre a casa, faz o ensaio, passa o som, deixa tudo pronto, grava uns vídeos. Eu acabei de fazer isso com uma banda que chama Casa de Madeira, né? E a gente vai fazer um show agora nesse mês, agora no dia 18.

Então a gente aproveitou, já fez, passou o som, já gravou uma chamada, já fez um ao vivo. Os guris gravaram algumas chamadas individuais aqui dentro do bar, então largando aos pouquinhos para ajudar na divulgação. E é, sei, a gente não devia ter que estar fazendo isso, né? A gente devia estar, né, pô, marcou o show, vai dar tudo certo, não te preocupa. Não, tem que fazer uma força. Hoje eu sempre brinco, né, a gente tem que fazer uma força para lotar o Gigantinho para botar 100 pessoas, né?

VEVerônica Elias

É muito legal de deixar falar e tu falar da tua vida, porque como tu já parou para pensar quanto isso se reflete vividamente dentro do gravador pub? Porque assim, até pela diversidade, tu entra no Instagram, para galera que não sabe, a gente tá gravando dia 4, dia 5 tem uma data inusitada que vocês vão celebrar, né, do Dia do Meio Ambiente. E aí vocês têm coisa para o Dia dos Namorados, e aí vocês têm ensaio aberto nas quartas-feiras, que as bandas agendam, enfim.

Mas é um, é como se fosse uma gema ali, né, com as bandas e tal. Então assim, Sim, é uma diversidade que agora tu respondeu todas as perguntas que pudessem questionar o porquê dessa diversidade, porque tu é muito implícito isso da tua vida, né? E eu achei até meio natural essa questão de ser— e isso aí até foi uma curiosidade que surgiu de acordo com a tua fala, quando tu falou de já teve banda, foi músico e tal.

GGabriel

É, é, não cheguei a ser músico, eu já tinha Ah, tá.

VEVerônica Elias

Que eu ia te perguntar se tu não almejou com a banda trilhar um caminho de como banda em vez de pub, ou essa coisa de ter o teu próprio bar, ter o teu próprio pub foi maior?

GGabriel

Eu sempre digo que eu sou— o pessoal, mas tem esse monte de guitarra e tem o bar e tem tudo em volta e tu não toca? Eu disse, não, eu sou muito vagabundo para ser músico, tem que trabalhar para caramba, tem Tem que estudar 24/7, tem que ter um gênio para aguentar uma pressão que eu, se eu fosse músico, ia estar preso, não ia aguentar esses donos de bar enchendo o saco em volta dos caras. É uma vida, né, que a gente pensa, pô, por que que o cara, como é que o cara em vez de resolver ser médico ou advogado ou engenheiro ou sei lá qualquer outra profissão, o cara escolhe ser músico?

Ele sabe que vai ser uma pedreira. Toda profissão tem as suas dificuldades, né? Mas a gente vive numa realidade que, ah, deu problema econômico, bum, cultura primeira que acorda, né, que fecha a torneira. Ah, deu problema político, bum, né? E ao contrário, na outra mão disso, deu problema intergaláctico de pandemia, a primeira coisa que as pessoas precisavam era justamente dessa galera que tava em casa ferrada sem ganhar dinheiro.

Deprimida, né? Teve gente que se matou, né? Sabe de casos assim, né? Porque foi um buraco que ninguém via saída. Eu tive uma iluminação de— e a sorte, eu tinha um amigo em Wuhan e uma amiga em Milão, que eram colegas, e eu fiquei sabendo dessa história muito antes de começar a ter notícia aqui. E a minha preocupação sempre foi: por que que a gente não tá fazendo nada aqui? Por que que a gente não tá avisando as pessoas que isso tá acontecendo?

Tinha mal e mal uma noticiazinha. E aí, quando era, foi março que começou a pandemia, a gente fechou antes dos decretos. Eu fiquei olhando assim, cara, tá vindo um tsunami de 600 metros de altura do outro lado do Atlântico e a gente tá de sunga na beira da praia tomando uma caipirinha. E aí nos quebramos. Mas aí, quando, né, teve gente que veio falar comigo, não, não te preocupa que agora em maio a gente tá de volta. Eu falei, cara, antes do final de 2021, a gente não te prepara para não acontecer mais nada.

A gente vai ficar 2 anos enterrado nisso. Ah, mas tu é um pessimista! A minha sorte que eu tive, eu enxerguei isso muito claramente assim, sabe? E tive também a mega sorte, né, de ter uma estrutura familiar e de moradia e de até de, né, a gente se salvou durante a pandemia produzindo as pizzas que são feitas por nós aqui até hoje, desde que abriu, né? A gente que produz, o molho é feito por nós, tudo é da casa e de verdade. Eu sempre falo isso aqui pra galera, né?

A única coisa que a gente tem pra vender aqui é a verdade das coisas que a gente consegue fazer e a gente tenta fazer o melhor possível sempre. Então eu fiquei 2 anos numa situação que era muito distinta da quase totalidade das pessoas, porque a pandemia passou, Meus filhos nem viram, sabiam que tava acontecendo tudo, mas eles não sentiram nada assim, né? A gente tinha gato, cachorro, coelho, hamster. Trabalhando, a minha escala tava 1 por 6, né?

Eu produzia as encomendas das pizzas num dia, entregava no outro, não saía do carro e passava os 6 dias em casa com meus filhos assim. E não tinha ninguém na rua, a gente saía para andar de caiaque na beira do rio. Então assim, eu tava assim, tô pagando por isso até hoje, não merecia, mas né, tô vivendo isso, tentando ajudar os amigos. Lá pelas tantas eu me dei conta que tinha muita gente que morava sozinho, que tava sofrendo muito, que era, sei lá, que veio do interior para cá, que não tinha família e não podia sair daqui.

E aí eu comecei a botar essa pilha também geral para galera, assim, liga para quem tu sabe que tá sozinho em casa. E aí eu comecei a fazer isso, cara, ligação curta era 45 minutos. Que era, pessoas estavam desesperadas por um pouco de atenção, por um pouco de carinho, por desabafar um pouco, para chorar um pouco, para qualquer coisa, né? Mas enfim, viemos para cá, reinauguramos depois da pandemia, né? E aí tocamos mais um pouco.

Foi difícil depois da pandemia retomada, muito, muita dúvida, muito medo. E a gente conseguiu lá pelas tantas voltar bem forte, de uma maneira que eu, tipo, eu não mandava material pra imprensa e pra ninguém. Segunda-feira me ligava os editores de cultura do JA, da Acer, do Correio, do Jornal do Comércio, das rádios, convidando pra entrevista, porque sabiam que a programação tava impossível, né? Era uma coisa que não tinha como alguém fazer aquilo ali sozinho, né?

E a gente tava, eu e a Cris aqui, a gente tava fazendo esse barco andar. E aí não entendo, mas entendo um pouco, né? Quando começou a campanha política para presidente, né, em setembro despencou 80% o movimento assim, porque também já era, né, essa época também de dúvida, as mudanças que vão acontecer, as pessoas retraem, a economia retrai, todo mundo segura um pouco. Só que não voltou mais, e depois quando voltou tava difícil, e depois quando daí veio a enchente Né?

E aí, no fim das contas, a gente conseguiu mudar para um espaço novo, que continua aqui no quarto distrito, mas fica na Ernesto da Fontoura 962 agora, né? E enfim, reinauguramos com dois shows internacionais também, mais uma banda daqui de excelentes músicos, né? Foi o Rodrigo Chesky, que foi o primeiro artista a se apresentar, depois o Jay Silvano. E depois tivemos mais 2 bluesmen americanos lá tocando com a gente aqui, e músicos daqui de tudo que é jeito.

A gente falou, né, isso aqui não é a nossa casa, isso aqui é a casa de todo mundo. O azar é que eu pago a conta, né? Mas a gente tem.

VEVerônica Elias

Como é que faz a curadoria para essa galera toda tocar aí?

GGabriel

Cara, isso é muito— eu tô tentando mudar. Eu tinha, eu tenho um problema hoje que eu nunca tinha tido antes. Antes, né, que eu recebia uns 15 telefonemas de banda por dia para tocar aqui. Então sempre foi muito fácil para mim. E hoje tem muito, só aqui no 4º Distrito, depois da pandemia, abriram 95 espaços novos, né. Então isso dilui muito, né, também, né. E claro, é bom para os artistas porque tem mais espaços, mais opções, né, mas isso para a programação da casa impactou bastante assim.

Então hoje a gente continua fazendo, né, as bandas daqui, continua fazendo ensaio aberto, que é um movimento que eu gosto de fazer, né, de trazer. Na verdade era para ser, a gente ainda tá estabelecendo isso, mas quarta-feira vai ser, né, entre aspas, sempre para o ensaio aberto, a menos que a gente tenha que marcar algum show que não tem outra opção de data. E quinta-feira a gente vai deixar um pouquinho mais reservado para lançamentos de bandas, de discos, de trabalho, de videoclipes, o caramba assim e tal.

A gente tem essa infra para tudo aqui, né? Tem telão, né? Agora a gente vai passar os jogos da Copa, mas enfim. Porque também eu nunca fui muito fã de botar futebol aqui no bar, né? Especialmente na outra casa, porque não ficava muito estranho, porque era música 24 horas por dia na outra casa, da casa antiga. Mas aqui a gente tá numa comunidade que é mais residencial também. Então acho que é importante nesse momento a gente ter essa função do futebol, aproveitar esse gancho da Copa também para, né, vamos divulgar aqui no bairro, ter, sei lá, uma faixa: assista os jogos do Brasil aqui no gravador e tal, né?

Vamos ter algumas promos, enfim, né? Até tava pensando em fazer uns adesivos de uma estrela amarela para botar nas latas de Heineken.

VEVerônica Elias

Eu até vi uma ideia boa hoje no Instagram, que a galera fazendo seleções de time de futebol de músicos. De repente aí é uma aí, ó, de fazer alguma dinâmica, né? A gente até pensou aqui para o podcast fazer do podcast nossa escalação de músicos, né, dentro de cada exposição ali.

GGabriel

Claro, boa ideia, né? Assim, a gente ainda tá falando, né, diversidade. A gente teve no início do mês passado teve uma Alma Neido, que é uma cantora e pianista, tem um trio de jazz de Berlim, na terça. Na quarta-feira a gente teve uma banda de black metal de Berlim também, né? Na semana seguinte a gente teve uma banda de chorinho e de música brasileira instrumental. E assim a gente segue. E nesse mesmo clima, a gente tem um acervo que foi doado, né, há muito tempo já para nós.

De algo em torno de 8 mil filmes em VHS, a gente tem, né? Então a gente, a ideia, a vontade muito grande é de botar, fazer um cinema de entrada franca, matinê de cinema aos sábados assim, para o público local e tal, aberto ao público geral, né?

VEVerônica Elias

Sim.

GGabriel

E enfim, só que é aquilo, eu e a Cris tocamos tudo, a gente sofreu um baque muito grande, muito maior que a pandemia estruturalmente e financeiramente, muito maior que a pandemia. A enchente nos literalmente, né, arrasou assim, né? A gente perdeu muita coisa física, perdeu, né? Teve que entregar um imóvel, teve que reformar um outro negócio sem estar preparado, sem ter plano nenhum para isso, né? A gente veio para cá e conseguiu botar em pé um negócio que era um escombro, que não tinha um fio de luz dentro, nenhum cano d'água funcionando.

A gente teve que montar a casa inteira de novo e tal. Mas enfim, a gente conseguiu fazer também. Levamos ali uns 45, 50, 60 dias. E aí quando a gente viu, já tava funcionando. A gente teve ajuda de uma galera. O Ocidente, né, fez um eventão lá com 13 bandas para— a porta foi toda revertida para dar um apoio para a gente poder terminar a reforma do bar e tal. Foi lindo, lindo. Ele vai com Papos da Língua, Borghetti, Duca, todo mundo lá, né, Petraco, toda a galera.

Ah, foi sensacional aquilo, emocionante assim demais assim de ver, né, de entender a importância também que a gente, a relevância do trabalho que a gente desenvolve já nesses 10 anos tem para as pessoas da cidade, né. E se dispuserem a fazer um negócio desse tamanho para poder os artistas se juntarem para isso, é assim como a gente já fez muito isso também pelos outros Né, o Festival Paulo Moreira que a gente fez para ajudar o Paulinho quando ele tava doente.

Nós tivemos acho que 10 ou 12 apresentações durante o dia no pub. 82 músicos passaram só pelo gravador, passaram 82 músicos naquele dia, né? E foi transmitido durante 10 horas ao vivo pela FM Cultura, né? E o Márcio Gobato, quando terminou a transmissão, ele falou, cara, a gente nunca fez uma transmissão tão longa com tamanha qualidade de áudio que vocês entregaram pra gente aqui na história da— ele disse, foi sensacional o que a gente fez hoje aqui.

E é dedicação, né? A gente ficou 4 dias montando tudo e mapeando tudo e holds e tudo. Imagina, tem que trocar banda ao vivo. O cara saía, terminava o show, o repórter ia pra rua entrevistar alguém enquanto a gente Desmontava um palco para montar o outro, uma banda com 13, outra com 11 pessoas, né? E tudo gravado e tudo transmitido. Ficou super. Marcelo Corsetti, foi assim uma alegria imensa, assim eu fico invaidado.

VEVerônica Elias

Então daí que veio meio que o nome do gravador pub, veio meio que daí, porque tu tem um essa conexão muito grande com audiovisual, né, com a fotografia, já falou, e também com essa coisa de filmar, registrar, fotografar ali, fazer esse movimento de divulgação dos próprios músicos que vão tocar aí também, né. Foi daí que surgiu o nome? Vocês pensaram em alguma outra coisa?

GGabriel

Na verdade, a gente abriu sempre com, teve essa vontade, mas a gente não tinha possibilidade técnica, porque sempre tem alguma, a exemplo O palco antigo tinha 3, hoje eu ainda não tenho, né, para você ter uma ideia, mas eu sempre fui fotógrafo, então o que me machucou, tinha 3 bicos de luz no palco antigo e a gente botou umas lampadinhas com filtrinho assim assado que mais ou menos, né, um fotógrafo com uma câmera boa, eu vou fazer.

O Zé Carlos de Andrade fez as fotos inacreditáveis naquele palco lá, né. Mas eu sempre que sobrava um dinheiro eu comprava um microfone melhor, um amplificador melhor, não sei o que melhor, então sempre Foi ficando, né? Mas a ideia sempre foi ter registro, né? Justamente porque a gente conhece muita gente boa da música, né? E a gente sabia que ia ter coisa boa rolando assim, né? Como teve, sei lá, já aconteceu do, sei lá, o Márcio tava tocando uma vez lá, que o Márcio era o Márcio Petraco, o Rica Sabadini, o Duda Guedes e o Musclinho.

Né, que era a banda da casa toda quinta-feira durante todo o primeiro ano e pouco assim, foram eles. E aí eles estavam tocando, chegou os caras do Blues Etílicos lá, uma banda, sabe? E aí o cara entrou, quando vê tava no palco, disse, pô, não tenho um head playzinho para dar aqui, né? E isso é só uma história, são dezenas, centenas de histórias legais. E agora a gente tem, né? Então a gente fez algumas gravações. Eu ainda me limito a fazer as gravações porque a mixagem eu ainda nunca parei para estudar, mas, né, tenho também bons amigos na área técnica assim.

Vou começar a dar uma incomodada ali para ver se eu aprendo alguma coisa. Mas já te digo que um dia, se tu quiser passar aqui, tu pede para eu te mostrar, porque tem umas que são— a master tá linda já. Ontem eu botei para tocar para galera assim, os caras, pô, que sensacional, que banda é essa? Disse, cara, isso é o master. De uma gravação feita aqui, uns microfone simples que eu tenho. Não são ruins, são microfones bons assim e tal, mas não são microfones de estúdio de gravação e tal, que é outro, né.

Ontem chegou um piano, que a gente ganhou um piano de uma amiga nossa, né, que eu ainda tô naquela dúvida, né. Piano no palco do bar sofre, né, porque aquece, esfria, dá umidade, dá ar-condicionado, dá calor, dá Rio, piano se desafina todo. Ainda tô, vou terminar ele, a restauração, vou deixar ele funcionando. Mas é lindo ter um piano de verdade, né, também. E ao mesmo tempo a gente tem um piano elétrico Yamaha super bom, tem um controlador que dá para ligar no computador, tu tira o timbre que tu quiser ali.

Então tem para todos, para todo mundo, né, sinta-se em casa. É aquela época que tinha as avaliações do Facebook, quando o Facebook bombava, né? Eu tinha muito orgulho disso porque ela foi 5 estrelas durante o tempo todo, assim que o Facebook funcionou bem. E 95% dos comentários era sempre o atendimento, a atenção que se dava aos músicos e a qualidade de som da casa. 90% dos comentários era isso. Pô, a gente percebe que o músico tá tocando feliz, que tá bem tratado, que tá bem cuidado, que tá se sentindo em casa, né?

E o músico, quando tá no lugar que ele gosta de tocar, que ele tá feliz, que tá se sentindo em casa, ele entrega, né? Ninguém vai tocar menos porque tá tocando num lugar que tem um sistema de som horroroso, que tu não consegue te ouvir. Ninguém vai tocar menos por isso, mas todo mundo vai tocar mais quando tiver um negócio decente na tua frente. Todo mundo entrega mais, né? Então sempre bom de ver. Mas vamos que tem segredos ainda, coisas para acontecer, se a gente conseguir parar esse ano que tá difícil.

VEVerônica Elias

Eu até ia te perguntar dos planos futuros, tu já adiantou dos do cinema, né? Tem mais algum spoiler que tu pode dar para alguma novidade que tá fora?

GGabriel

Tem mais coisas de estrutura física assim que a gente precisa mexer, né? Aqui vaza muito som, é um lugar. A outra casa tinha 100 metros, essa aqui tem 330 metros quadrados, é um pouco maior. Mas eu não posso dar spoiler porque a gente mandou orçar, a gente mandou orçar cortinas de veludo alemão elétricas para botar no palco aqui também, mas não sei quando é que eu vou conseguir botar ela penduradas aqui. E vamos trocar um pouco a cara do palco assim também de cores.

E aos poucos vamos tentar botar alguma coisa melhor de iluminação. Mas meu sonho desde o outro bar era botar uma cortina elétrica para funcionar que nem um teatro. Antes da enchente, o— e agora, Zé? Eu tenho um monte de amigo Zé. Aí quando eu falo, penso em Zé, eu tenho que passar Ainda bem que era em ordem alfabética, que eu penso. Aí o Zé Adão Barbosa tinha me ligado porque ele queria, naquele ano da enchente, ele queria estrear 3 peças.

Queria, na verdade, iam ser apresentadas em teatros de Porto Alegre, mas ele queria estrear no palco do Bojador as peças. E aí veio, veio a enchente, a gente acabou deixando para lá essa história. Por um pouco assim, né? Mas tem muita coisa para fazer. O palco fui eu que fiz com material encontrado depois que a água baixou, né? E a gente montou ele aqui. E mas a minha ideia é fazer ele de concreto e botar um tablado de madeira para poder ter dança também, ter um piso de madeira nele para ter, né, outra acústica, outras coisas assim.

Mas tá funcionando, tá funcionando bem, a gente consegue fazer bons shows aqui. E vamos seguir em frente aí, muita coisa ainda para fazer, mas tem que fazer assim uma lista com umas 150 perguntas para fazer.

VEVerônica Elias

Olha, eu tava olhando meu roteiro, tu já respondeu todas de uma maneira tão leve, tão fluida. Tá de parabéns assim, olha, todo mundo deve adorar te entrevistar assim, porque tu vai inventando, vou te dizer, do nada aquelas coisas fluem naturalmente.

GGabriel

Eu vou na FM Cultura, sento na mesa, o Gobato já tira o microfone da minha frente. Não, não, só tem meia hora para falar, não dá para tu falar, senão tu não para de falar.

VEVerônica Elias

Não, mas tá de parabéns. Nossa, tua história, parabéns, é muito bonita. É, tu vê os desenhos, o teu encontro, as tuas histórias, como é que elas vão se conectando com a arte e a tua preocupação de englobar ela num todo, né? Tu não é só música, tu não é só fotografia. Pô, agora tu acabou de fechar com a dança também, né? Com o cinema, com, sabe assim, quantos artistas já não passaram por aí e ainda vão passar?

GGabriel

Então parabéns! É, a gente inventou bons problemas, te agradeço. A gente inventou bons problemas, na verdade. E na verdade são problemas graves do ponto de vista comercial da coisa, né? Porque quando a gente é artista E ouve falar, pô, o gravador toca de chorinho, de música clássica a black metal, né? Quem gosta de arte, música e tudo, é incrível essa informação. Mas isso gera um problema, que não tem perfil de público até hoje.

A gente tem 10 anos, a gente não tem perfil de público. Até tem gente que vem ver jazz, que vem ver metal no outro dia, mas é um 0,5% que vai acontecer, né? Então, o dia que eu tenho chorinho, eu tenho que conversar com o público do chorinho. O dia que fazer samba é um outro público diferente um pouco. E aí no outro dia tem blues e no outro dia tem metal, né? Então é muito trabalho junto também, né? Porque eu, né, eu tipo a galera do samba, eu amo samba para caramba, mas não é um ambiente que eu trafegue muito.

Eu não sei direito onde é que tá essa galera. E tem muito ponto consagrado na cidade, né, de samba, e a galera acaba não identificando o gravador como um espaço possível, né? Então já fez umas gigs boas aqui, mas é difícil de fazer, né? Mas a gente tenta.

VEVerônica Elias

O logo de vocês e o nome de vocês não tem essa imagem só de algum lugar, de uma temática específica, tipo é só rock, é só isso, é só aquilo. E se tu entrar nas redes sociais de vocês também, é bem, é bem diverso ali, né? Tanto a arte quanto Vocês vão, é legal isso de ver, exatamente o que tu falou agora, vocês vão adaptando a arte de acordo com o público, a arte do banner, do flyer ali, né? Não tem uma estética engessada ali porque tu sabe que tu vai lidar com públicos diferentes, né?

GGabriel

Eu sei, eu até parei um pouco de fazer isso, mas era uma coisa que eu, é temeroso tu mexer na tua identidade, né? Mas esses dias a gente, tipo, a gente fez um, tinha prato especial que era spicy para caramba. E aí o neon do bar, a gente fez flames em volta do logotipo do gramador. Esses dias teve uma banda de surf music, a gente botou algumas daquelas flores havaianas em volta assim, né? Também ajuda a identificar. Mas eu preciso fazer isso sempre, às vezes eu não consigo, né?

Tem que carregar a caixa de cerveja, carregar o piano. Literalmente, essa volta eu tava carregando o piano. Mas tá aqui, tá aqui dentro, era um sonho já da gente. Eu tenho uns pianos em casa até, mas são muito pesados e antigos e grandes assim. Esse aqui é um pianinho um pouquinho mais leve, um pouco menor. Vamos ver se vai ficar bem. Mas nunca para, né? Nunca para. A gente olha pra cima e pra baixo aqui assim. As pessoas vêm aqui e adoram, e eu fico: não, mas tá tudo fora do lugar.

Eu fico dando desculpa. As pessoas vêm aqui, eu fico dando desculpa porque não, não, não, tá horrível. Não, tá lindo, olha isso tudo. Não é nada como eu planejei, só pendurei as coisas em volta de mim e saí trabalhando. Mas a gente vai melhorar muito ainda.

VEVerônica Elias

Eu até ia te perguntar, para quem tá nos ouvindo e quiser acessar tanto agenda agora do mês e próximas datas, enfim, os eventos, até que nem eu comentei o de amanhã, que possivelmente não vai dar tempo dessa gravação até sair, mas tem Dia dos Namorados, que vai ser, que tem essa data e tem outras tantas datas e outras bandas. Nas redes sociais, se for procurar, tá sempre como Gravador Pub, ou tem algum, não, é facebook.com/gravadorpub e @gravadorpub no Instagram.

GGabriel

Me comunico hoje muito mais por telefone do que WhatsApp, que é uma avalanche de WhatsApp que eu eu não consigo ver as mensagens às vezes, né? Mas sempre falo, fica à vontade. Eu sei que a galera hoje em dia mudou muito esses hábitos, né? Mas me liga direto, que eu sou velho, não tem problema nenhum, pode ficar a hora que for, né? E um negócio que eu quero tornar o principal meio ainda, que é o site do pub. Ah, mas isso é coisa de velho.

Sim, mas o nosso site tem uma plataforma própria de venda de ingressos, né? E quando faz o cadastro ali para todas as plataformas, né? Às vezes as pessoas, ah, mas eu fui lá comprar, tem que fazer cadastro? Sim, claro, tu não vai botar o teu cartão de crédito, né, tirar ele para dentro da internet ali comprar ingresso. Todas as plataformas de venda de ingresso te pedem um cadastro mínimo, que é segurança para o cara verificar se é tu mesmo que tá comprando, né?

Enfim, é básico, né? Então a gente tem essa, essa, o site é muito limpo e fácil de navegar, né? Tu entra nele, é gravadorpub.com.br. Entra no site, ele já abre a página inicial, tem um botão para agenda, e a agenda tem separado por mês, né, cronológico. É mais fácil de olhar do que o Instagram, por exemplo. Eu resolvi fazer isso porque tinha muita gente que me ligava: pô, Gabriel, ontem teve o show do não sei o quê e eu não fiquei sabendo.

Vou lá no Instagram e olho assim. A gente tá fazendo, publicando 30 shows O cara vai no Instagram, ele não é, não tá em ordem, tu até consegue pinar ali os mais próximos, mas né, mas daí o cara vai ali, vai ficar rolando, scrolling, scrolling, scrolling, scrolling, deu 60 publicações, o cara enjoa, tchau, vai embora, né. Então o site foi feito por causa disso também, o cara quer saber o que que vai ter em dezembro na gravadora.

Se eu tiver show marcado para dezembro, já tá na agenda de dezembro, né. E é facinho de comprar, é um dos mais simples ali, é nome, telefone, email. Que precisa, né? E tem só um email de confirmação. E depois da primeira vez é só logar e comprar, é super fácil. Geralmente tem os antecipados, são promocionais, a gente faz lotes assim e tal, né? E enfim, tá sendo bacana até hoje, apesar de difícil.

VEVerônica Elias

Mas, Gabriel, então olha, até pergunta que eu nem sonhava em te fazer. Tu respondeu? Não quero tomar mais teu tempo. Estou lisonjeada, adorei sua história. Deu pra muito ver a transparência e a conexão de como tu trabalha. Isso vem interno e reverbera nessas paredes aí. Então parabéns pelo trabalho, parabéns pela trajetória, parabéns por reabrir o Gravador Pub, né? Porque não é fácil quando a gente faz essa decisão de viver dessa forma de arte.

E ainda tu ainda teve que revisitar essa, né, reconfirmar essa decisão em abrir pós-enchente, né? Então muito obrigada por ter feito isso, pessoal.

GGabriel

Eu que agradeço, e é de coração, é de todo mundo, né? A gente não reabriu porque eu resolvi reabrir, a gente reabriu só porque nós somos muitos aqui, né? Sim, porque as pessoas gostam daqui e apoiam, porque Os músicos gostam daqui, apoiam, né? Porque a gente já fez um monte de sarau de escolas de música, a gente já fez lançamento de livro, lançamento de filme, festival de cinema de curta-metragem. Então, e tá aberto para tudo, a gente tem possibilidade técnica para tudo.

A única coisa que é difícil fazer é formatura aqui, porque a gente fecha meia-noite, colação de grau é de noite, mas é a única coisa que embaça. Ainda assim, a gente às vezes, as pessoas gostam tanto que às vezes vamos me formar na sexta, mas daí a gente faz a festa no sábado. Eita! E aí já conseguimos fazer até deslocar a festa de formatura do cara um dia depois da formatura para o cara poder curtir aqui. Então agradeço a todos que apoiam aí sempre, e muito obrigado pelo convite, fiquei feliz.

VEVerônica Elias

Eu que agradeço.

GGabriel

Então, problema é que eu sou tímido para falar.

VEVerônica Elias

Uma maravilha, não precisava nem de mim aqui. Podia ter te dado, grava aí, Gabriel.

GGabriel

Não, não, mas aí eu discordo, que tu sabe que toda entrevista, para ser minimamente decente, ela depende totalmente do entrevistador, de um bom entrevistador. Então, né, eu cheguei a ter um talk show durante, no fim da pandemia, eu tive um talk show lá no pub que era apresentado por mim e pelo Quindim, né, o saxofonista do Garotos. Então senti ali bastante na pele assim, entrei em contato com o Renê Góes. Bah, Renê, que o Renê é incrível, Renê faz as pessoas falarem de coisas que elas não lembravam mais da vida delas, que é importante assim.

Renê é um dos maiores entrevistadores que eu conheço na vida. Como é que eu faço, velho, para falar com as pessoas assim, para poder, para não chegar e dizer, né, qual é a tua cor favorita? Não é isso, né? É tu deixar a pessoa vasculhar a memória e a vivência das coisas e a história da vida e tal. E aí ele pegou e disse, cara, vou te dar um roteiro básico aqui, então daí tu te guia por aqui, não precisa fazer essas perguntas, mas a ideia tá aqui, né?

E aí não sei, nem tá no ar ainda aquilo lá tudo, mas eu nunca mais olhei, tenho medo de olhar. Mas era assim, era coisa assim, era porque tava todo mundo em casa trancado e apavorado. Cara, vamos fazer um negócio, era um besterol, eu e o Quindim falando bobagem a noite inteira e botando o clipe e falando e dando notícia de algumas coisas, sempre com músico ou com músico e um produtor ou dois músicos no palco, né, com a devida distância e tal.

Então foi bem legal, tipo entrevista fora do país, que a conectividade para tudo assim, tinha um monitor de 60 polegadas de retorno de vídeo para o palco para a gente poder interagir com as pessoas. Ah, o cara, se o cara, bah, tem uma música super legal aqui, não sei o quê, vou te mandar o link. O cara mandava o link, a gente conseguia rodar o clipe do cara ao vivo, né? Tá, nós vamos fazer o intervalo agora, vamos escutar a música que o cara que tá nos— e chegou a ter assim, teve uma época que tinha audiência maior que a Guaíba nessa rede, assim, era o programa, tava super Tinha uma audiência grande assim na época, assim, foi bem legal.

Tinha uns picos de audiência bem bonito assim de ver, né? Enfim, quem sabe a gente não volta uma hora.

VEVerônica Elias

Aí ficou aí o convite aí, ó, trazer de novo esses programas, certamente. Ué, por que não, né?

GGabriel

Vai que o nome era o mais óbvio possível, né? Era Rádio Gravador, que era uma rádio web, né? Era um podcast, não deixa de ser também, mas era mais uma rádio web ao vivo, assim que nem as rádios acabaram se tornando quase todas hoje, né? Tu vai ver a BandNews, por exemplo, tu acessa o YouTube, tu assiste os caras no estúdio lá falando, né? Eu prefiro ainda sempre ouvir rádio, rádio mesmo, que eu gosto de rádio, mas acabou virando um formato que colou em tudo que é canto, assim.

A gente tava ali bem no início dessa história, a gente já tava fazendo uma parada meio louca assim. Radio demais.

VEVerônica Elias

É engraçado como também tem assim essa coisa de registrar, né? Foto registra, gravar registra, vídeo registra, né? Áudio registra, né?

GGabriel

Se conhecesse a minha memória, tu entenderia por quê.

VEVerônica Elias

Mas tem muitas fotos reveladas em casa, muita gravação de fita em casa, não tem tudo? Tem.

GGabriel

Né, não só como de outras eras assim. Eu tenho, eu tenho um acervo de filme de Super 8, tem 6, tem 8 projetores de Super 8 que ainda tem que botar, fazer uma manutenção para, né. No outro gravador eu cheguei a projetar Super 8 lá também no telão.

VEVerônica Elias

Tá aí o logo, tá aí o logo do gravador, né, né.

GGabriel

Mas é, e o logo tem um easter egg no logo ali que só em 10 anos só um cara descobriu. Mas quem souber vem aqui, ganha um pote de IPA aqui de hora na hora. Tem que vir aqui, não pode publicar. Vira aqui, fala qual é o easter egg do logo do gravador. E aí um cara só, e um cara que não sabia, a gente tinha isso na rádio, a gente tinha isso, né? Quem souber, quem acertar o easter egg do gravador vai ganhar um brinde, não sei do quê.

E aí acabou o programa lá pelas tantas, o Renê acabou Sequestrou o meu filho, fazia técnica, meu filho mais velho, EPI, e ele que montou toda a parafernália para funcionar bem. E aí o Renê foi lá um dia e falou, cara, eu tenho 15 pessoas trabalhando no meu estúdio para fazer o que teu filho tá fazendo sozinho aqui. E aí na semana seguinte eu já não tinha mais meu filho, e ele seguiu carreira e tá até hoje trabalhando bem com isso.

Mas enfim, daí apareceu um cara, disse, ah, eu achei muito legal esse negócio do logo de vocês ali. Eu disse, ah, tu viu a promoção? Ele disse, não. Eu disse, tá, mas tu vai ganhar um pão de cerveja. É a única pessoa até hoje que acertou. Ai, meu Deus, não existe, pessoal. Tem que chegar aqui no meu ouvido para falar, em rede social.

VEVerônica Elias

Fica aí para quem tiver ouvindo, vendo aí, ó, passa lá no gravador pub lá para todo mundo revirando agora o logo ali para descobrir o que que é.

GGabriel

É bem barbada, mas é difícil de ver porque ao mesmo tempo é o cérebro não deixa.

VEVerônica Elias

Mas então tá, Gabriel, muito, muito obrigada mesmo. Assim que for o ar eu já te aviso. Espero que todo mundo que tenha nos ouvido esteja gostando, nos vendo também esteja gostado. Fica aí o convite para todo mundo lá ver, né, conhecer quem ainda não conhece, ou quem já conhece lá visitar de novo e principalmente acompanhar pela diversidade de cultura que passa aí por dentro. Acompanha nas redes sociais, no site, como é que é a programação de vocês.

E mais uma vez, muito obrigada. Se quiser deixar alguma mensagem, algum recado aí, te agradeço muito pelo espaço. Sei que teu tempo também é limitado, então sério, muito obrigada mesmo pelo trabalho que tu faz no geral, não só pela entrevista, né?

GGabriel

Obrigado, querida, obrigado. É, eu, né, esses dias já vieram duas Duas senhoras vieram ver um show aqui e falaram, ah, que show sensacional, não tem mais música boa. Eu falei, cara, não tem mais música boa, tem, nunca teve tanto músico bom e tantos jovens músicos bons que nem tem, existem hoje nessa cidade, nesse país, nesse estado. Mas aqui próximo de mim, que eu posso dizer isso de carteirinha, nunca a gente teve uma onda tão grande de bons artistas, de bons músicos, de música autoral incrível.

A gente acabou de fazer um relançamento do disco do Poti Bush aqui, que por si só já é uma referência para mim, mas tava Carlinhos Carneiro, Petraco, Luli e o Breno, cara, uma tropa de música que gravou, que o Renato Borghetti, né? A gente gravou de novo ao vivo, ficou super legal. Depois vou botar no YouTube, mas sabe, tá cheio de música boa. A gente precisa parar de ficar em casa na caixinha olhando Netflix, não sei o quê. Por isso também que a gente abre às 6, os shows normalmente são às 8, justamente, né, é uma tentativa de não dar tempo no engarrafamento do cara ir para casa tomar um banho.

Se o cara vai para casa, o cara não vai mais sair, não volta. Acordou às 7 da manhã, tá 10 horas trabalhando, vai para casa tomar um banho quente para sair, tu não sai. Então é importante isso, é importante para os artistas, é importante para Né, para psique é importante, para o ego é importante, financeiramente, né, para as casas e para os artistas principalmente. O cara precisa ter, né, uma galera na frente. A gente trabalha para as pessoas, né, os artistas e eu, a gente trabalha para as pessoas, né.

O cara é uma— me dói muito mais enxergar o palco, o gravador a partir do palco quando dá uma noite ruim, que eu sei que tem um amigo meu ali em cima com o coração doído para fazer um show para pouca gente, né, do que todo buraco financeiro que fica quando dá uma noite fraca no gravador, que tem um custo operacional elevado para o tamanho da casa. Assim, a gente custa muito caro para funcionar, né. Para te ter uma ideia, a gente em junho do ano passado deu um curto-circuito na rede externa aqui, e aí queimaram alguns amplificadores.

Eu fui fazer a conta para manutenção, deu R$30 mil de de proteção e R$250 mil de equipamento queimado. Então isso tudo, né, calculei long neck para pagar essa conta. Nunca é fácil, mas a gente também não é de matar com a unha, que nem diz o gaúcho.

VEVerônica Elias

Sim, mas então tá, então um beijo, um abraço, um bom descanso, um bom trabalho.

GGabriel

Muito obrigado pelo convite, fiquei muito feliz de conversar contigo também.

VEVerônica Elias

Muito obrigada.

GGabriel

E quando tiver um tempinho, pode deixar, vou aí mesmo, tá bom?

VEVerônica Elias

Então muito obrigada, beijo, até breve, tchau!

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