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De tratador a campeão: a história de Cleyton Alvim no Mangalarga Marchador

01 de maio de 20261h7min
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Nesse trecho do episódio #184 do Agro360, recebemos o treinador Cleyton Alvim, que conta sua trajetória e mostra um pouco do seu dia a dia nas pistas com cavalos da raça Mangalarga Marchador.

Nascido e criado no campo, em Chácara/MG, ali perto de Juiz de Fora, Cleyton vem de família simples, de gente trabalhadora. O contato com cavalo começou cedo, mas foi aos 14 anos que ele entrou de vez no meio, trabalhando como jovem aprendiz em um haras de Quarto de Milha. Começou como tratador e, com o tempo, virou ajudante de treinador.

Depois que o haras encerrou as atividades, ele decidiu seguir por conta própria. Nessa fase, ainda conhecia o Mangalarga Marchador só de ver em revista e nos concursos, mas logo surgiu a oportunidade. A convite de um amigo, começou a domar e apresentar alguns animais nas “poeiras”, e foi ali que pegou gosto de vez pela raça.

Com o tempo, criou coragem e montou seu próprio Centro de Treinamento, começando simples, no sítio do sogro, com pouca estrutura, mas muita vontade de fazer dar certo. Ficou ali por cerca de 10 anos, evoluindo, ganhando espaço e construindo seu nome na região.

Em 2018, veio uma virada importante com a parceria no Haras Porto de Minas, em Juiz de Fora/MG. Hoje, ele trabalha com uma tropa enxuta, cerca de 20 animais, entre próprios e de clientes, sempre mantendo um padrão de trabalho muito bem definido.

O CTE do Cleyton tem conseguido resultados expressivos nos principais eventos da raça, e muito disso vem da forma como ele trabalha: simples, direto e respeitando o animal. Nada de exagero em equipamento ou artificialismo, a ideia é tirar o melhor de cada cavalo de forma natural.

O treinamento é bem organizado, com divisão da tropa, trabalho em dias alternados, exercícios de flexibilidade, morro, estrada… tudo pensado pra desenvolver o animal completo, tanto fisicamente quanto na marcha.

E os resultados aparecem. Entre os destaques estão títulos importantes como a Reservada Campeã de Marcha com Ayala do Tico e Teco e o Brasileiro com Olinda HFJ. Mas um capítulo à parte é o Império do Centauro, cavalo que marcou sua trajetória e com quem conquistou o Bicampeonato Brasileiro de Marcha em 2020 e 2021.

No fim das contas, o que sustenta tudo isso é disciplina e dedicação. Como o próprio Cleyton fala, não é só viver do cavalo… é viver para o cavalo. 🐎

Assuntos3
  • Trajetória de Cleyton AlvimInfância e contato com cavalos · Trabalho como jovem aprendiz em haras de Quarto de Milha · Início como tratador e ajudante de treinador · Decisão de seguir carreira solo · Adaptação ao Mangalarga Marchador · Montagem do próprio Centro de Treinamento · Parceria com Haras Porto de Minas · Filosofia de trabalho e respeito ao animal
  • Império do MalDescoberta e aquisição do potrinho · Potencial e evolução do cavalo · Conquista do Bicampeonato Brasileiro de Marcha · Vitória no Campeonato Brasileiro de Marcha em 2020 · Vitória no Campeonato Brasileiro de Marcha em 2021 · Desafios e superação em competições · Aposentadoria e início da reprodução · Legado e influência na raça
  • Treinadores e EstilosFilosofia de treinamento sem pressão · Importância do bem-estar e descanso do animal · Individualização do treinamento por cavalo · Preparação para competições e juízes · Adaptação de técnicas de outras modalidades · Sensibilidade do treinador
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Para quem vive no campo, cada minuto vale muito. E confiança é o que move qualquer parceria. Por isso, quando se trata de escolher a minha companheira de trabalho, eu não abro mão de força e robustez. É exatamente isso que eu encontro na Amarok. Essa picape é a verdadeira aliada do agronegócio.

Com o motor V6 e o recurso Overboost, ela entrega até 275 cavalos de potência, garantindo desempenho de sobra para encarar qualquer desafio, seja na estrada ou na terra. A maior caçamba da categoria faz toda a diferença. Cabe tudo o que precisamos levar garantindo tempo e produtividade. O design mais imponente aliado à iluminação moderna reforça a presença marcante, enquanto a tração 4Motion garante confiança até nos terrenos mais difíceis.

Amarok não é apenas uma picape, é um investimento em potência, confiabilidade e resultado. Porque quem vive no campo sabe, só com força e confiança a gente vai além. Amarok, a picape carregada de força bruta. Se o seu cavalo treina diariamente em altas velocidades ou em baixa velocidade, porém de 6 a 12 horas por semana, e ainda participa frequentemente de competições, ele tem uma demanda de atividade muito intensa e precisa de uma ração especial, que é a performance atleta.

Ela possui 13% de proteína bruta, 12% de extrato etéreo e tem alfafa peletizada, aveia laminada, milho extrusado e óleo de soja, que auxiliam nessa alta demanda por energia e por força muscular. Então, para o seu cavalo de altíssimo desempenho, escolha a performance atleta. Acesse o site integralmix.com.br e conheça a nossa linha completa.

Está no ar o Agro 360, mais convidado especial com a gente aqui. Quero lembrar sempre que essa entrevista aqui está disponível na íntegra no nosso canal do YouTube, Agro 360 Podcast, em todas as plataformas de áudio, e o nosso canal do YouTube, que é Agro 360 Podcast. Sempre histórias de vida, histórias maravilhosas, e hoje vamos voltar a falar de cavalo. Só que hoje falamos de manga larga marchador. Está aqui comigo Cleitinho Alvim, chama de Cleitinho já, o senhor tirou a falar...

seu nome agora, Cleiton Alvin, treinador, criador e um dos mais premiados do Mangalarga Marchador do Brasil. Que legal. Obrigado por ter vindo aqui, Cleitinho. De nada, boa tarde sua, Rafael. Eu que tenho que agradecer, né? É um prazer gigantesco estar presente aqui nesse podcast. É o maior podcast do agronegócio brasileiro. Eu que sou fã do programa de vocês. Obrigado. Desde quando era só áudio lá atrás. Você chegou a pegar o áudio? Você ouvia? Demais, eu ouvia muito, eu ouvia muito.

É necessidade do podcast de agronegócio, né? E vocês foram os pioneiros e são referência pra nós. Obrigado, obrigado. É muito prazeroso estar aqui e falando de cavalo, que eu acho que é o assunto que a gente mais gosta, né, rapaz? Não sei nem ter outro, né? É. Como é que tem aquela história? Eu nem converso com quem não gosta de cavalo. Eu não tenho nem assunto pra quem não gosta de cavalo.

Ô, Cleitinho, bom, você tá onde? Você tá hoje em Juiz de Fora? Nós estamos localizados em Juiz de Fora. Juiz de Fora. Na zona da Mata Mineira, ali pertinho do Rio de Janeiro. Tá na beirinha do Rio de Janeiro, ali, né? Não são carioca do Brejo, os outros falam, não, tá? Não, você sabe que eu tenho parentes lá, né? Os Vilela lá de Juiz de Fora, acho que é tudo parente, prima, alguma coisa. Ah, eu conheço uma turma lá. Então, se eu usar, eu conheço a parentada sua lá.

Vamos pegar o pedigree, meu. Você manda lá, bate o pedigree pra mim. Pô, o mensageamento que eu sou tá bom pro lado de lá também.

Agora, Cleitinho, a gente conversou um pouquinho, você tem uma história de vida muito bacana, né? Como é que entra a história do Cleitinho no cavalo? Como é que começa isso aí? Cara, eu acho que é bem legal isso aí. Eu sou, na verdade, natural da cidade vizinha, Juiz de Fora, cidade pequena, chama Chácara, cidade lá de 4 mil habitantes, bem próxima a Juiz de Fora.

A minha origem é de família muito humilde, de gente que trabalhou na roça a vida toda. Os meus tios são tirador de leite, como a gente fala lá, são moralistas. Então eu fui criado com eles. Eu sou filho, a minha mãe me teve, eu não conheci meu pai, ela me teve sozinha. Morava eu, minha mãe e meu avô.

Então eu fui, a figura paterna da minha infância são os meus tios, meus quatro tios que trabalhavam em fazenda tirando leite. Então, desde novinho, eles me carregavam pra roça, pra mexer na lida, pra tirar da cidade, pra fazer, e a gente gosta demais, eu ia pra roça 4 horas da manhã com eles, mas não era pra tirar leite, não era pra montar cavalo pra juntar as vacas, né?

Queria montar pra juntar a vaga de lei. A função era essa. Então, desde novo, gostava muito de cavalo. Desde novo, tinha um domador na minha cidade que ele repassava a tropa e ele deixava pra repassar na rola de casa, que era a rua de terra. Ele ficava quebrando com esse cavalo no barranco. Aquilo ali me encantava, rapaz. E eu, com nove, oito, nove anos, eu falei, isso aí que eu quero ser quando eu crescer.

E como é que o pensamento, isso realmente tem poder, né? Você tem irmãos ou não? Não tem não, sou filho único da minha mãe só. Você é o verdadeiro filho único de mãe solteira? De mãe solteira, criado por ela, me criou, rapaz, assim, com muita dificuldade, mas graças a Deus, com tudo certo. E acabou que eu fiquei órfão, com 17 anos, ela faleceu. 17 anos, menino ainda. Mas nós vamos chegar lá. Aí, Rafael...

O tempo foi passando e eu gostava muito de cavalo, muito de cavalo. Apareceu uma oportunidade. Eu com mais ou menos 11 pra 12 anos, um empresário da minha cidade começou a construir um Aras. Lá era um Aras pra ter cavalo de esporte, cavalo de tambor. Nessa construção do Aras, na obra, o que eu fazia? Cavalo de tambor e corde milha mesmo. Cavalo de tambor e corde milha. Tambor e baliza, na época, todo mundo treinava as duas coisas.

Eu treinei muito tempo tambor e baliza. Hoje apartou um pouquinho, mas era fácil. Mas na época, o cavalo corria as duas provas. E aí, rapaz, E aí

acabou que alguns parentes meus trabalhavam nessa obra desse Aras e o cara falou, você não quer trazer as marmitas pra nós na hora do almoço que não? porque aí você já vem trazendo, nós damos um dinheirinho o que eu fazia, eu ia ser com 11 pra 12 anos pra ajudar a minha mãe também 10 horas da manhã eu saia recolhendo as marmitas na casa dos funcionários desse Aras e levava a marmita pra eles comerem fresquinha lá

Que legal. Eu não sabia, mas ali eu já tava criando uma oportunidade de trabalho pro futuro, né? Como é que as coisas vão... Hoje a gente tem essa informação toda, você vai vendo, vai linkando as coisas que você fez, né? Pra dar certo. E aí, nesse meio tempo, eu levava uma mitinha deles lá, ficava lá conversando com a peãozada, e eles gostavam muito de mim, prosa boa e tal.

Mas nós estamos falando da peãozada da construção. Peãozada da construção. Nada de cavalo. Não tinha cavalo ainda. Era a obra lá. E eles me pagavam um dinheirinho, que esse dinheirinho que eles me pagavam toda semana ajudava minha mãe já, já. Compravam coisinha pra casa, pagavam a luz, o estranho. E aí, cara, quando eu fiz 14 anos, o Aras começou a querer funcionar, eles compraram os primeiros cavalos. Os caras da obra já sabiam que eu gostava demais de cavalo, que eu já tinha uma certa habilidade, que eu já montava cavalo todo dia lá na rosa pelos meus tios. Eles me chamaram e disseram, eu não queria trabalhar lá de jovem aprendiz.

com 14 anos, o que que é isso? Até de graça eu ia, né? Eles ainda pagavam. Aí, rapaz, eu comecei a trabalhar pra esse senhor, eu sou Reinaldo Mansur, que eu sou muito grato a ele. Você vai ver que, durante a minha vida, Deus colocou pessoas que realmente me ajudaram muito. E é coisa de Deus mesmo. E o doutor Reinaldo me deu a oportunidade de começar a trabalhar como jovem aprendiz lá, tratando dos animais. Tinha três ervas a princípio.

e trabalhava lá, estudava à noite. Logo, logo encheu de cavalo, começou a funcionar o Aras, foi pra lá o treinador que era muito conceituado na época, tinha ganhado o ponto futuro do tambor, o Zé Pereira. O Zé Aparecido Pereira, lá do Rio de Janeiro. O Zé gostou de mim demais, me abraçou ali, eu trabalhava de tratador, então eu limpava 35 cocheiras, tratava da cavalada, até 4 horas da tarde, 4 horas da tarde eu montava um pouquinho a cavalo com ele, até as 5 e pouquinho, depois eu ia pra aula à noite.

Aí nas minhas férias do colégio eu montava a cavalo com ele, até meia-noite, porque ele gostava de montar à noite. Então rapidinho eu virei assistente dele ali.

Quarde milha só. Quarde milha de tambor e baliza. Marchador a gente só viu os pangarezinhos da turma passando lá. Nem tinha mangalaga marchador nessa região nossa na época, muito pouco. O forte, o quarto de milha, tava forte na época lá.

Trabalhei lá por três anos, Rafael. Quando eu fiz 17 para 18 anos, esse senhor, ele acabou com Aras. E aí, nessa época, ele me convidou. Ele falou, Cleiton, eu vou parar com Aras. Ser um menino que eu gosto muito, de confiança, muito inteligente, eu quero que você vá trabalhar comigo na empresa. Ele tinha uma empresa grande de mim fora. Ele falou, vou pagar a sua faculdade, você vai morar comigo lá em casa, vai trabalhar comigo.

E aí, eu te quero lá. Você não pode ficar nessa cidade aqui, não. Você não pode ficar super aproveitado desse jeito, não. E eu fui para casa, rapaz. Pensei bem, conversei com a minha mãe.

Falei, ah, rapaz, você quer saber? Eu não vou mexer com esse trem, não. Eu quero mexer com o cavalo mesmo. Caramba. É, rapaz. E aí, as decisões importantes da vida, né? Talvez a minha vida teria tomado outro rumo se eu tivesse ido pra lá. Falei, doutor, eu agradeço muito, senhor, mas eu quero arriscar. Eu quero trabalhar com o cavalo, eu quero ficar por aqui mesmo. Minha mãe já estava com câncer nessa época, assim, com o estádio.

Ela morreu muito nova. E aí, eu falei, eu quero ficar, quero cuidar dela, quero estar perto dela. E, nesse meio tempo, saí com o dinheirinho do acerto, que era pouco. Na época, eu comprei uma motinha, o que eu fiz?

Como eu já montava bem, treinava, domava bem, já ferrava, o dinheirinho eu peguei o acerto, comprei as ferramentas, comecei a ferrar uns cavalinhos e montar uns cavalos da turma da minha cidade mesmo. De freelancer, eu montava na motinha, puse as ferramentinhas atrás, ia lá na sua casa, montava no seu cavalo, você me pagava. Rapaz, rapidinho, tipo um, dois meses depois, eu já tava ganhando uns três salários do que eu ganhava antes.

porque comecei a domar bem. A doma nossa é diferente um pouquinho, a tropa ficava levinha, a gente ganhou uma faminha boa na região ali, comecei a domar bem, comecei a ganhar um dinheirinho já, mas só que nesse meio tempo minha mãe faleceu. E aí é um baque, né? Querendo ou não, quando a gente perde, ela é o stay que eu tinha.

E aí a minha mãe morreu, e aí que o jeito de eu não ficar triste, eu acho, de eu não ficar em depressão, que nunca nem passou pra minha cabeça isso, eu falei, eu vou me afundar no serviço. E aí eu peguei a trabalhar mesmo. E montar cavalo e ferrar, e a coisa foi dando certo, aquilo foi... Parece que a minha dedicação... Até pra honrar ela, eu tinha que vencer na vida, pra gente ser de uma família muito humilde, a gente... Você sabe como é que funciona isso.

E eu acho que ela me deu força pra eu honrar o nome dela e conseguir ser alguém na vida.

As coisas foram dando muito certo nesse esquema de freelance. O trabalho nunca fez mal a ninguém, né? Só faz bem, Rafael. Só faz bem. Pra cabeça, então, nem se fala, né? A coisa foi dando muito certo e nesse meio tempo eu conheci um amigo meu que fazia veterinário juiz de fora e eu trabalhava de freelance. Então eu montava um cavalo na sua casa, na casa do outro, e não tinha o rancho fixo.

E já comecei a participar de umas provinhas de marcha. E bem, pegar umas mula que chuda, pôr as boas de boa que ganharam os concursos de marcha nas mula. Porque você não tava domando só o quarto de milha, domava o que tinha? Não, não, aí já não domava o quarto de milha mais. Porque o quarto de milha acabou na região, que era esse ranch que tinha. Era só esse que tinha? É, aí eu comecei a domar cavalo de serviço, cavalo de sela, burro, mula. E aí comecei a olhar, falei, esse negócio de concurso de marcha é interessante.

Porque antes eu não gostava, tinha até preconceito. Porque a gente que não conhece, às vezes você não gosta. É um troço que parece chato. Comecei a ir nos concursos de máximo, comecei a ter resultado bom, porque minha tropa era muito levinha, muito boa de boca. Eu falei, rapaz, isso aqui pode ser um mercado, pode ser uma alternativa. Enxerguei uma possibilidade de crescer naquilo ali.

Esse amigo meu, o Joãozinho, né, pra fazer faculdade, falou, rapaz, vamos montar um ranchinho pra nós, vou levar uns cavalos miola com meu pai pra você. Falei, vamos aonde? E aí, eu tava namorando a minha esposa hoje, o pai dela tinha um sítiozinho, falei, vamos montar lá no seu sul, o Glande Geraldo? Nós montamos um ranchinho lá. Falei, que isso, rapaz, você viaja, não tem... Não, vamos montar, eu te ajudo. Ele, nós compramos umas madeirinhas, rapaz, eu lembro como se fosse o ele. Nós montamos seis bainhas de madeira, num lugarzinho esquisito lá.

No dia que nós montamos, nós botamos os cavalos dentro, o Joãozinho falou, rapaz, grave o que eu tô te falando, o João Varela, ele é teatro hoje, é grande amigo meu. Ele falou, ó, um dia, um dia nós vamos ter, você vai ter um dos maiores centros de treinamento do Brasil. Eu profetizo isso aqui. Rapaz, até aí, Chô, daqui eu lembro dele falando isso. Que legal. E aquilo ali, a gente trabalhou ali, rapaz, com força, com dedicação, a coisa foi melhorando, foi recebendo mais cavalo pra treinar, ia nas provas, tava dando certo.

E a coisa foi funcionando, foi tomando corpo. Eu trabalhei lá nesse ranchinho, depois eu fiz as baixas de Venaria, a gente fez pista, e meu sogro, pessoa extraordinária, sempre me deu total apoio lá, sempre me deu carta branca pra fazer lá, e aí eu construí um centro de treinamento lá. Só que centro de treinamento, cara, era uma coisa... Isso em que município? Lá em Chacras mesmo? Em Chacras, que é cidade vizinha de Juiz de Fora.

Só que sem treinamento, Rafael, para o machador era uma coisa que praticamente não existia. Devia ter um sem treinamento na raça. E eu acreditava que isso ia dar certo. No quadrilha, eu já sabia que era normal e eu já sabia os moldes que os caras trabalhavam, porque eu vim dessa escola, né? De um sem treinamento de cavalo de esporte. Mas como é que era? O criador tinha seu próprio domador, seu próprio treinador no aras? É assim até hoje, muito forte.

O próprio, o aras, ele tem um ecossistema todo. Então ele cria, ele tem o domador, ele tem o treinador, ele tem o cara que vai competir, ele tem o caminhão, ele tem a estrutura dele.

E o sem treinamento, na minha cabeça, eu sempre quis o seguinte, eu quero dar a estrutura top pro cara, pro criador pequeno, que não tem condição de ter uma estrutura top em casa, ter esse mesmo nível de trabalho me pagando pra fazer isso pra ele. Entendeu? Esse foi o meu desejo. Só que o nosso rancho lá, por mais que a gente melhorou muito, ainda era muito simples, né? Simples que eu falo pra poder receber esses animais importantes que a raça tem hoje, que a Larga Machador tem hoje, né?

E nesse meio tempo eu conheci o Edinho, que é o meu irmão hoje, que é o meu sócio no Aras Porto de Minas, e é onde a gente tá hoje. Ele mandou um cavalo pra eu treinar, e a gente ficou muito amigo, muito próximo, a gente ganhou com esse cavalo dele, e ele começou, a gente brinca, começou a me rufiar, né? Pra ficar mais próximo. Então, ele me propôs várias coisas, que ele já tinha umas baiazinhas na casa dele, onde é o Aras hoje, o Aras Porto de Minas.

Me chamando pra ir pra lá, pra gente trabalhar junto e tal, mas eu falei, ah, não queria de jeito nenhum trabalhar na casa dos outros. Eu sempre fui muito independente, sabe, Rafael? Sempre gostei de liberdade, de tipo assim, de trabalhar pra mim mesmo. Acho que você sabe como é que é.

E eu ficava meio preso. Por mais que eu vou trabalhar pra mim, eu vou estar na casa dos outros. Então eu resisti por muito tempo. E eles sempre me mandando mensagem, trocando ideia e tal. E aí, nesse meio tempo, rapaz, eu fui fazer uma viagem onde eu acho que realmente mudou a minha vida quando eu conheci esse cavalo que eu vou te contar agora.

Mas eu ganhava, tinha bons resultados na região, mas nada de expressão de nível nacional. Então ganhava as regionais ali, mas quando ia para o estadual, para o estadual, para o nacional, a gente não tinha cavalo, material genético para poder disputar com aqueles grandes. E eu sentia essa necessidade, mas só que a gente também não ia ter essa oportunidade, com um centro de treinamento simples, com uma estrutura simples. Então eu sabia que uma hora eu ia ter que fazer um cavalo para poder ter esse reconhecimento.

Mas você tinha que fazer um cavalo ou tinha que melhorar também o seu CT? Tinha que melhorar o CT, mas eu não tinha como melhorar por causa de grana mesmo. Porque a gente cobrava uma salidade barata, então o custo é muito alto. E a conta pra fechar é bem complicadinha ali. É muito difícil. A gente sabe que o custo de um centro de treinamento é grande. Exatamente. Em janeiro de 2019, Rafael, foi onde realmente a minha vida começou a melhorar. Mas eu já tinha 10 anos trabalhando dessa forma e, rapaz, eu realmente nunca...

Eu nunca tive dúvida que a gente ia dar certo. Só que lá em 2019, eu já tava com 28 pra 29 anos, eu já tinha. Eu já tinha Hilux, eu já tinha um treiling, eu já tinha um ranchinho meu. Eu não tinha ganhado nacional, mas eu já tinha uma vida boa pro menino super humilde. Que veio do nada. Do nada. Então eu tinha uma vida estável. E sozinho? Sozinho, rapaz. Lógico, o apoio desses anjos que você disse que sempre apareceram na sua vida, mas sozinho.

mas eu deveria no cheque especial durante muitos anos, mas não deixando a peteca cair. Acreditando que uma hora a coisa ia funcionar, sabe? Então nesse período de 2019 eu já estava com uma vida muito estável. Estava boa demais a minha vida. Competindo bem, mas assim, ganhando um dinheiro bom que eu dava para viver. E aí eu fui na Bahia.

fazer um frete pra esse Felipe Fedós, que era um cliente meu e amigo meu, buscar um cavalo que chamava Gesso do Centauro. Esse cavalo tinha ganhado nacional. Fui fazer o frete pra ele buscar esse cavalo. Comi o trailerzinho, dois cavalos com a caminhonetinha. Em Teixeira de Freitas. O proprietário desse ar era Centauro, o Lauro Oscar, que hoje é meu irmão.

nós somos muito próximos, a gente já tinha se falado pro telefone, mas eu não o conhecia, lá em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. Chegando, ele mostrou a tropa toda, vi a tropa toda dele, vi esse cavalo que eu ia trazer, ele falou Cleito, pra aproveitar o frete que você já vai, escolhe um desses dois potros aqui, irmão do Gesso, pra você levar pra domar, a gente faz parceria, pra aproveitar o frete, você leva lá pra você fazer umas pistas pra nós na sua região.

Só que, cara, aí é Deus abençoar, velho. Nessa tropa toda, tinha passado um potrinho de dois anos, um potrinho lazãozinho da frente aberta, pequenininho só, pititinho, mas moendo, macho. A gente, você pega um convívio, você já vê o bichinho bom, e aquele me deu arrepiado naquele potrinho, esse potrinho nem nome tinha. Eles chamavam ele de galantinho, porque ele era filho do galante, do expoente.

Nem registrado ele tava ainda. E eu falei, ô Lauro, mas deixa eu te falar. Os pontos que você quer me mandar, eu gostei. Mas e aquele pequenininho ali? Falei, rapaz, esse aí. Eu vendi ele novinho pra um cara. O cara nem buscou. Ele é bom demais, demais. A gente acredita muito. Mas ele tá pequeno, foi mal criado. Uma receptora morreu novinho. Ele passou fome. Eu acho que ele nem vai dar tamanho. Não vou mexer com isso, não. Falei, ah, eu gostei dele, só. Ele tinha dois anos só.

Aí ele falou assim comigo, mas você gostou? Eu falei, gostei demais, você não deixa eu levar ele? Não, eu cabo de criar ele lá, e eu dou a meia. Ele falou, não, se você tá gostando, pode levar ele então. A gente fica parceiro nele, aí você leva e recria lá. Eu trouxe esse potrinho. Mal sabia ele que esse cavalo ia mudar a minha vida. O Chifrinho veio aqui e ele falou uma coisa com você, que ele falou que um grande cavalo faz um treinador.

E eu não tenho dúvida que esse cavalo fez quem eu sou hoje, inclusive a pessoa que eu sou hoje, ele me ensinou muito esse cavalo.

Levei esse cavalo lá pra casa, lá pra esse ranchinho ainda, em Chacra. Começamos a mexer nele, acabamos de recriar ele, fiz os hormônios nele, que ele realmente tava abaixo do tamanho, porque tava mal criado. Ele cresceu, evoluiu. Nesse tempo lá... E o cara que tinha comprado ele? Vocês compraram a parte dele? Não, o cara tinha comprado, mas não buscou. Ele comprou de boca, ele recém-nascido, por 10 mil. Ah, tá, um pagou também.

Não pagou, ele buscou a história que comprou. Ah, o potre é meu, mas não pegou. Ele nasceu meio molinho, o cara comprou por 10 mil, mas depois o potre infirmou, ele não buscou ele mais. Ficou lá.

Aí chegou lá, nessa época eu tinha um menino Aloysio que trabalhava pra mim, ele domava os cavalos pra mim e eu treinava, dava segmento. E ele domava todos os pontos que chegavam, ele que domava. Eu tava mexendo os cavalos nas cocheiras nossas de cima lá e ele mexendo, e ele começou, começa a domar o potrinho lá, e aí nós botamos o nome dele de Império, que nem nome ele tinha. Botando, começa a domar o Império, aí ele começou a mexer, ele na guia, mexeu, na hora que ele montou nele, eu lá de rabo de olho olhando, né, ele deu cinco passos nele assim, eu desci correndo, falei, não, para, para, para.

Ele falou, o que foi, chefe? Eu falei, deixa eu montar nesse porto. Eu já sabia que aquele porto era diferente, eu sentia. Aí eu montei, Rafael, eu dei meia volta no redondel na marcha, ele sempre foi puro, ele nunca fez graça nenhuma. Eu desci, cara, eu lembro como se fosse. Eu falei, Aloysio.

Esse cavalo aqui vai dar o título que nós precisamos. Nós vamos ganhar nacional com esse cavalo aqui, velho. Ele deu uma risada, rapaz. Ele falou, ah, você é muito iludido, chefe. Nós aqui nessa roça aqui, velho. Vai ganhar nacional com um cavalinho desse, você tá doido? Ele tinha encorpado um pouco mais ou não? Ele não, já tinha encorpado. Já tinha encorpado. Ele tinha crescido um pouquinho. Aí eu falei, vamos ganhar, rapaz. Nossa senhora, eu arrepiei todo quando eu montei nele. E aí o tempo passou, rapaz. Isso foi 2019.

E aí essa prosa com o Edinho, que eu já te falei lá atrás, do Aras Porra de Minas, foi afinando, nós conseguimos chegar no bem comum. Nós chegamos nessa parceria. Ele me deu uma estrutura, nós montamos uma estrutura junto, onde a gente montou um centro de treinamento em Juiz de Fora, na casa dele, onde é hoje. Falei, ó, você vem pra cá, a gente custeia o centro de treinamento aqui, você vai trabalhar pra você, você arruma o menino pra trabalhar aí, e a gente começa um projetinho junto aqui, e nós vamos fazendo, e vamos vendo como é que funciona.

Nós vamos mudando o trajeto no meio do caminho. Beleza, aí mudei pra Juiz de Fora.

pra casa dele, nós começamos lá com 15 cocheiras eu já tinha tropa, já levei a minha tropa começamos esse treinamento novo lá e levei o Império junto só que o Edinho, rapaz, o Império era um cavalinho mais feio mais mal criado, levei a tropa, cheguei lá montamos a tropa e tal, na casa dele já o Edinho gostava dos cavalos ele foi criado aqui em São Paulo ele gostava desse mangalargão pisador com esse cavalão bonitão a hora que eu cheguei com esse cavalinho lá aí ele olhou pra esse cavalinho, pro Império pititinho ainda, falou ok, let's why

Nós estamos começando um negócio novo, você trouxe uns cavalos bonitos, eu tenho uma tropa bonita aqui, nós vamos vender com uns cavalos. Mas nós não podemos começar com um cavalinho desse aqui não, isso aqui acaba com o nosso negócio. Aí eu bati de novo, ele falou, rapaz, esses cavalos nós vamos ganhar nacional com ele no que vem, ele vai projetar o nosso nome ali. Aí ele deu outra risada, falei, ah, você tá doido, esses cavalinhos aí?

E passou aquilo ali, rapaz, eu fui e estreiei esse império, esse potrinho. Levei numa copinha de marcha com dois anos e nove meses.

a gente chama de poeira, que são as competições tipo o bolão que a turma faz, que não é oficial, e aí levei ele antes dele fazer a idade, ele foi campeão dos campeões com facilidade, no mês seguinte, em outubro pra novembro de 19, teve uma outra competição de fora, uma poeira mais forte, que era juiz oficial inclusive, que julgou, tinha vários campeões nacionais, que ela dava muito dinheiro essa poeira, eu levei esse cavalinho meu lá, que ninguém conhecia, ele campeão de margem da categoria, foi pro campeão campeão dos campeões, bateu na cavalada famosa tudo já, nessa poeira. Caramba.

Aí eu fiquei grandão, né? Aí eu falava que ele ia ser campeão nacional, mas assim, né? Aí eu comecei a acreditar que aquilo ali era rapaz do céu, o trem tá mudando mesmo. Virou 2009 pra 2020, eu falei, 2020 nós vamos ganhar nacional em julho, que esse Carvalho, se Deus quiser. E o Carvalho só assim. Aí começou a procura, né? Começou a aparecer vídeo na internet, aí nós registramos ele, Império do Centauro, muita gente querendo comprar aquela coisa toda.

esse chega em março de 19, história a pandemia fecha tudo, não tem evento falei, puta merda, mas pobre não tem vez mesmo o ano de eu ganhar nacional não vai ter nacional na minha cabeça, né Rafael e aí a gente já tava com esse treinamento bem consolidado lá em Juiz de Fora, as coisas andando muito bem, já comecei a receber, porque eu o Edinho me deu uma estrutura, cara

que é fantástica. Se Deus quiser, você vai ter o prazer de conhecer lá. Você vai estar com a gente lá. É uma estrutura muito boa. Então eu passei a receber cavalos mais importantes lá. E a internet também popularizou o nosso trabalho, que é a importância da internet. Nós estamos localizados na beira da 040, dentro de Viz Fora, então é uma localização muito boa.

Aí começou a pandemia e tal, não teve evento nenhum, só que eu fui treinando esse cavalo normal e ele só evoluindo. O cavalo bom demais, bom demais, só evoluindo. Aí, quando chegou em outubro, eles lançaram que ia ter, eles iam fazer, durante a pandemia mesmo, o Campeonato Brasileiro de Marcha, que é o CBM, que é um super evento, é o segundo maior evento da raça, que seria aqui no Aras Rafaela, ali, Tietê, Porto Feliz. Um evento fechado, porém, esse evento seria como se fosse a nacional, que seria a primeira vez fora de Belo Horizonte, né? Vamos dizer assim.

E aí o sonhador aqui foi lá. E aí eu falei, não, eu vou lá levar esse cavalo, eu vou ganhar, se Deus quiser. Preparamos tudo sozinho. E no Machador, o que acontece? Dias antes do evento, você já recebe o catálogo. O catálogo com a planilha dos animais que vão competir. As categorias divididas, né? Tinha tido um evento em março, antes da pandemia, que é a exposição do Criador, que é um evento grande. Tinha um cavalo do sul muito famoso, que ele foi campeão dos campeões.

A promessa do ano é esse cavalo. Esse cavalo era o franco favorito e ganha tudo naquele ano. E eu sabia que esse danado dava idade mais ou menos com o Império, sabe? Eu já tava, como diz o outro, trancando ali, né? Quando saiu o catálogo, quem que tá na mesma categoria que o Império? Esse danado desse cavalo famoso que já vinha do título grande. Mas falei, ah, se é de que Deus quiser, ninguém conhece meu cavalo e eu preciso...

eu preciso acreditar nele, acreditei nele. Peguei meu trailinho, minha caminhonetinha, pus o Império, só eu e ele dentro do trailer, tocamos aqui pra São Paulo. Eu nunca tinha vindo pra essas bandas de São Paulo aqui. Vim, como diz o outro, com a mala, com o cavalo, com o sonho. E aí a gente chegou aqui no Rafaela, naquele evento, foi um super, super evento.

eu comecei, e o cavalo meu estava muito bem, estava muito bem, eu confiante nele, e a categoria muito forte. A minha estratégia foi a seguinte, quando começou o campeonato, começou a chamar o campeonato, que a turma fica aquecendo ali, eu falei, eu preciso mostrar esse cavalo para os juízes, que ainda não conhecem esse cavalo, eu preciso dar uma destacada aqui, para eles já chamarem atenção.

A turma começa a rodar ali no sentido anti-horário, que já é o sentido da prova, né? Eu já fiquei por último, aí começou a última chamada pra Império do Centauro. Fiz um draminha, né? Pros caras já atinar, né? Aí a hora que eu entrei nesse cavalo, eu já entrei rasgando ele meio que na contramão, no sentido horário, diferente do que a turma tava. E já vim rasgando e brincando com ele. E esse cavalo tem uma inteligência, uma sensibilidade.

Esse cavalo, ele espina, ele esbarra. Ele tem uma rédea, assim, que é fantástico. E ele falando na rédea, brincando. E ele era cavalo júnior, pô, 30, 3 anos e pouquinho.

Eu entrei com esse cavalo desenhando, escrevendo, aí você já bate o olho aqui, já vi que os juízes ficam tudo olhando, o que é isso, né? Trem bem diferente ali. E aí a prova foi moendo, os juízes montaram nesse cavalo meu, fez uma prova fantástica. Ele fez uma prova, assim, muito melhor, e esse cavalo tem espírito de competidor, ele anda bem em casa, mas quando chega na prova, ele mete o orelhinho dele pra frente, parece que ele sabe que tá competindo, sabe?

E os juízes montam no Mangalaga Machador. E o Mangalaga Machador tem essa dificuldade. Se não tem gambiarra, você tem que preparar o cavalo pro juiz montar. Se eu posso estar adaptado, meu cavalo tem alguma dificuldade. Você dá uma corrigidinha aqui, você agita o seu corpo, você enganela um bocadinho aqui, né? Mas no Machador não tem jeito, porque o juiz testa o seu cavalo. Ele dá uma volta fácil, red é livre, vê se o cavalo tá leve.

São várias exigências. E eles montaram esse cavalo super bem. Eu sabia que eu tava no game. Tava brigando pra ganhar.

E aí, rapaz, anunciou lá o primeiro prêmio, que a gente chama de primeiro prêmio, que é o terceiro colocado, anunciou o reservado e anunciou esse cavalo famoso. Eu falei, meu Deus do céu, mas não é possível que eu... Só que ainda tinha outro cavalo que poderia ser campeão. E eu fiquei, Rafael, a hora que o Mário...

Mário Figueiredo, que é o locutor oficial lá daquela vozerona grossa, que é super tradicional, na hora que ele anunciou lá o campeão brasileiro de marcha Cavalo Junior de 2020 em período, Rafael, rapaz vou até lembrar, que dá uma descarga ali na gente, porque não é da vitória daquele momento

É um filme que passa da vida da gente pra você ter chegado ali naquele momento, sabe? Eu lembro que no comentário, rapaz, que o juiz, que o Plínio Amaral, que foi o juiz que comentou isso, eu chorava, eu não chorei nem na moda minha mãe, porque eu sempre segurei a emoção, sabe? A gente é criado na questão que o homem não chora, sabe? Sim.

Mas esse dia eu chorei demais. Foi uma descarga de adrenalina, de emoção muito grande. Eu lembrava da minha mãe, lembrava tudo que eu tinha passado. E o juiz comentando isso. O comentário é lindo. Depois de ter meu estragão, vou te mandar o juiz comentando, rapaz. E o juiz, no final, ele fala assim, esse cavalo dá doma impecável. Ele entra na pressão, sai da pressão, me parabenizando. Para que ele me enlouqueceu. Uma hora que ele terminou, ele foi para lá e falou assim, é por isso que esse cavalo está carregando essa faixa verde e amarela no peito. Eu nunca tinha ouvido. O juiz nenhum tinha comentado aquilo. É, mas eu chorava.

Eu chorava, mas que é emocionante demais. Pelo sentimento de tudo, né? Tudo da minha vida, tudo que a gente lutou pra chegar ali. E dessa história desse cavalo, que era um cavalo desacreditado, que a gente acabou descobrindo, que a gente recriou, que a gente acreditou.

É um cavalo do proprietário de um criador pequeno, desconhecido, um cavalo que era de um treinador que ninguém conhecia até então, um cavalo de um Aras pequeno, dos portos de Minas, que ninguém conhecia ainda, e a gente chegar ali, competir com os gigantes, ganhar e fazer uma prova daquela, assim, foi uma... É uma história sensacional. E esse cavalo é um cavalo... Você vai montar nele em casa, é um cavalo diferente.

É pra não alongar muito. Pode alongar, a casa é sua. Paramos esse cavalo, rapaz. Aí não teve nacional de novo, 2021 ia ter o CBM de novo lá no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Eu falei, eu vou levar esse cavalo de novo e nós vamos ser campeão dos campeões de ano que vem, porque esse cavalo tem um potencial gigantesco. Só que aí a gente já ficou conhecido, né? Eu já comecei a receber... É engraçado isso, né, cara? Como é que a coisa é...

É legal. Já comecei a receber cavalo melhor, os clientes mais importantes, e a coisa foi tomando corpo rápido. Em 2021 nós vamos na Barra da Tijuca.

Esse ano o Império estava realmente impecável. Talvez tenha sido o melhor ano dele. Melhor do que o que foi em 2020? Melhor do que antes. E eu não gosto de... O meu jeito de trabalhar é um pouquinho diferente, sabe? Eu não sou de macetar cavalo. Então meus cavalos trabalham bem leve, bem tranquilo, bem no tempo deles. O Império, por exemplo, fez essa competição no final de 2020. Ele só foi competir de novo no final de 2021. Só no outro evento.

Não levei ele a mais evento nenhum. Só no CBM mesmo. Cheguei no CBM e esse cavalo fez uma prova na categoria, assim, de arregaçar.

Foi campeão na categoria, mas com folga. Ele já ganhou de dois cavalos importantíssimos na categoria. Ele tava super cotado pra ganhar o grande campeonato.

mas coisas do destino e a gente cabe interpretar a vontade de Deus. Lá é uma região muito úmida, na Barra da Tijuca, de mangue mesmo, esse cavalo pegou uma dermatite severa, mais animais pegaram, inclusive teve animal que veio até óbito depois, pela doença, ele pegou uma dermatite brava, ficou fragilizado, e aí depois, ele já entrou na categoria meio adoentado, só que ele é um cavalo diferente, guerreiro mesmo, sabe? Ele não é covarde, não.

Ganhou aí no grande, ele foi adoecendo, foi piorando, que tem um intervalo de dias até o grande campeonato, aí eu não consegui competir com ele no grande campeonato.

tive que ir embora pra casa passou 21 e já tinha sido bicampeão nacional, ele não precisava de provar mais nada né Rafael só que ele não tinha ganhado a nacional que era o desejo de menino a nacional da gameleira que é o evento, que é a nossa meca do Mangalá do Machador, aí 22 voltou os eventos, teve a nacional do Machador o Império não saiu pra pista nenhuma, só levei ele na nacional tak tak

E aí, cara, aí é do caramba, né? Quando você vai lá e ganha lá naquela pista e ele voltou lá, pegou a categoria dificílima de um cavalo famosíssimo e aí com estratégia, e esse cavalo é um cavalo diferente mesmo, ele com o pé é diferente. Aí nós fomos lá, campeão nacional de marcha.

E aí no grande campeonato reservado campeão dos campeões nacional de marcha. E aí, rapaz, você não tem alegria maior do que... Aí é quando a gente ganha a nacional com o animal nosso.

sente aquela emoção, Rafael, a gente entende o que o criador busca no cavalo, sabe? Ali eu entendi a visão do criador. Essas pessoas que investem uma cifra gigantesca de dinheiro, que compram animais caríssimos só pra competir, o cara ele compra a emoção daquele momento ali. Eu tenho certeza que a emoção do anúncio, aquele clima da competição que vem a culminar quando você ganha, é uma emoção...

inexplicável, é só quem sente que realmente dá esse valor então isso pra mim explicou muita coisa explicou a indústria do cavalo como um todo a receita que isso gera pela emoção daquele momento de viver aquele clima da competição e aí de 22 pra cá minha vida melhorou muito aí você aposentou ele nesse momento? era pra ter aposentado, eu aposentei, na teoria o império tá aposentado não sai pra pista mais, não tem necessidade concorda? ele ganhou tudo, ganhou o título máximo ganhou o que podia ganhar começando a reprodução dele só que né

Eu não tenho muito sossego, eu gosto de desafio demais. Passou, e nós ganhamos uma nacional, inclusive ganhei com ele, ganhei com uma outra égua, que se chama Vaiala do Tic Teco, era uma égua super desacreditada nesse mesmo ano. Ela pegou a categoria da morte, nós preparamos essa égua, os proprietários... O que é a categoria da morte? Era a categoria que tava as égas importantes tudo, tipo, tinha sete campeões nacional nessa categoria.

E eu preparei essa ega e os proprietários acreditaram mais nela que eu acreditei, né? Eu falei, gente, não vão levar essa ega não tem nada. Não, vão levar. Essa ega é boa, tem chance. Os proprietários, eu levei por insistência deles nesse ano. Eu falei, não, já que nós vamos, então nós vamos dar todo o aparato possível pra ela. Melhor veterinário, melhor ferrajamento. Preparei ela como se ela fosse uma campeona nacional mesmo pra arregaçar.

Só que eu conhecia ela desde a dor, mas eu sabia que ela tinha as limitações. Que era muito difícil aquilo. E aí Deus vai pôr a mão, né?

Pra começar o campeonato, a hora que anunciou lá, duas campeãs nacional já nem entrou na categoria, já nem entrou. Falei, opa, já melhorou isso aqui. Começou o campeonato, mas saiu mais uma mancando. Aí saiu a outra. E a minha égua nesse dia, ela andou como se não houvesse amanhã. E foi lá e ganhou o nacional também. Demais. E aí, esse ano de 22 foi um ano pra mim de realização profissional total. Ganhei com dois animais de criador pequeno, desconhecido.

E aí eu acho que nesse ano a gente consolidou como um centralamento importante, assim.

Com credibilidade, né? Que a gente conseguiu ganhar. E aí as coisas melhoraram. Em 2023, recebi muitos animais importantes, ganhamos uma nacional com muitos animais importantes, muitos títulos. Só que em maio de 2023, a formiguinha do inquietamento me pegou de novo e o Império, rapaz, eu montava nele de vez em quando. Tava aposentando, mas montava nele de vez em quando. E ele tava cada dia melhor, velho. Falei, esse Marvadinho tá querendo voltar pra pista.

E já começou a cobrir, não? Já tinha até nascido os primeiros filhos dele já. E nesse paralelo, com o seu treinamento, eu e o Edinho, a gente tem um ar as porras de mim, a gente faz os embriões pra gente, a gente cria lá.

os animais. O Império é de quem hoje? O Império é do Ara Centauro, majoritário, que é o Lauro, que é o meu amigo, que é o primeiro dono dele lá mesmo, é o primeiro, é o dono dele, que me deu a participação nele pra eu poder fazer o projeto dele. E em nós, do Porto de Minas, ele tem mais seis cotistas, que são pessoas que tem cotas de 1,25 ou 2,5% que estão direito à cobertura dele.

Então ele é de um condomínio hoje, onde esse condomínio eu administro, ele fica com a gente lá, sob nossa custódia, e eu controlo tudo. Aí 23, eu falei, ah, eu vou levar esse cavalo aqui, não vou preparar não. Fiquei montando ele 15 dias, tem uma exposiçãozinho em um bar, fica perto de casa lá, eu vou levar ele lá. Só pra dar uma brincada aqui. Se ele andar bem, né, vai aqui. É. Despreparado. Aí esse cavalo chegou lá, aquilo ali foi uma brincadeira.

Passeou. Campeão dos campeões, reserva grande da raça, campeão machador ideal. Eu falei, esse malvadinho é danado, ele quer voltar lá naquele gameleiro.

Mas aí, moço... Que mês que nós estamos, 23 aí? Isso, maio. Final de maio é nacional julho. Então eu tinha mais 40 dias pra preparar ele. 45 dias. Peguei ele firme. Ele é danado. Ele foi evoluindo, foi evoluindo, foi evoluindo. Falei, vambora. Escrevi ele é nacional.

Rafael, na hora que saiu o catálogo, ele tinha pegado os dois cavalos. Ele mudou de categoria, ele não pegou os cavalos que ele estava acostumado a pegar, que a gente já tinha ganhado. Ele meio que desceu uma categoria, pegou a categoria mais nova, pegou dois cavalos que já tinham ganhado na zona, o Carlos Campeão dos Campeões Brasileiros. Os cavalos importantíssimos na categoria. Aí eu vi a avó pela greta, menino. Porque aí eu pus muita coisa em jogo.

E o Cleiton, que batia o martelo, falei que eu ia levar. Eu assumi o risco. Os proprietários, ninguém pôde expressão pra levar. Por isso, eles estavam aposentados. Só quando eu falei que ele vai, eles me apoiaram.

E aí, Rafael, talvez eu tenha passado o momento mais delicado da minha vida. Eu achei que eu ia ter depressão, crise de pânico, esse trem que essa turma tem aí, eu senti isso um pouquinho na pele. E aquela ansiedade, aquele nervosismo, o cavalo super bem, mas você, putz, você vai competir num alto nível, né? É. Correndo o risco de jogar fora. Porque ninguém lembra do dia que você ganhou. Você perde, todo mundo só lembra do dia que você perdeu.

É ingrato isso. A competição, ela tem essa ingratidão, né? Eu já tinha ganhado três anos com os motivos. E aquela frase, né? Vai falar, ah, agora o escalar não vira mais nada. Já perdeu, o escalar não vira mais nada. Então eu tava colocando... Imagina a tensão na sua cabeça, a pressão que você tava sofrendo. Você consegue imaginar, né? Então eu tava colocando em risco a minha carreira...

a carreira que estava em ascensão naquele momento, estava colocando a carreira desse cavalo e também, que talvez seja o principal, colocando toda a expectativa dos proprietários, que você cria um sentimento nas pessoas, e isso é difícil lidar, você controlar essa expectativa, essa ansiedade, a emoção dos proprietários. Mas eles nunca me amolaram, mas a gente que é responsável sabe que tem isso, né, cara? E aí fui pra essa nacional, moço, mas eu passei dias difíceis ali, até chegar o dia da prova dele.

porque a tensão e o cavalo bem, mas assim, os concorrentes pôr pressão, eu vi o cavalo do fulano andando, eu ficava louco, eu falei, meu Deus do céu, e com aquele titizinho, eu ia pro hotel, só que Deus mais uma vez agiu, cara, e eu já tinha frequentado a gameleira antes de ser treinador, desde menino eu vou lá, vi aquela coisa, meu sonho era estar ali participando, estar naquele momento ali, viver um dia, poder treinar um cavalo, podiam levar um cavalo nacional, era o sonho da gente criança.

Um dia antes da prova, eu chegando no parque, com a caminhonete por cima, você vem pela Amazônia, os carros estão embaixo, aquele estacionamento lotado. Devia ter mais de 500 caminhões que ficam estacionados. Eu venho naquele movimento todo. Rafael, aquilo acendeu uma luz e eu falei, rapaz, eu sou muito covarde. Eu estou aqui me cagando de medo por um sonho que eu pedi a Deus para estar aqui. Eu lembro dos dias que eu pedi a Deus para estar competindo, agora eu estou aqui.

sendo um dos favoritos numa categoria dificílima, com todo o aparato possível, tudo que eu pedia a Deus estava aqui na minha mão e eu querendo me acovardar, porque até aquele momento eu queria ir fugindo ali, minha vontade era ir embora para casa, daí estar na cama, ficar escondido. E aí Deus me deu uma força, eu já cheguei nesse dia no parque, muito confiante, e aí o cavalo estava super, eu dei uma montadinha nele, ele estava impecável, no outro dia cedo eu já acordei super bem, disposto, fiz a minha oração como eu faço, fiquei em jejum.

E aí nesse dia são as provações, eu não sabia que isso existia. Eu falei, eu preciso estar mais ligado a Deus. Eu tinha ouvido falar em jejum, jejum, que eu tomo fase de jejum e tal. Eu falei, amanhã eu vou fazer um jejum total, não vou comer nada. Só vou beber água até na hora da prova desse cavalo. Mas isso como propósito, né? Como propósito, não era como dieta, como nada. Mas de certa forma até perigoso. Perigoso? Mas eu falei, a vida é perigosa.

Porque você nunca tinha feito, não é algo? Mas nunca tinha feito, mas assim, eu fiz esse jejum.

Fiz esse jejum o dia todo. A prova do cavalo era só a noite. Lembro que na hora do almoço, meus amigos, meus irmãos lá do Vale do Aço, falaram, não, vamos almoçar na churrascaria e tal. E vão lá almoçar com a gente. E a Yara, a minha esposa junto também, vão lá. E aí eu fui com eles, mas eles não sabiam que eu tava de jejum. Cheguei lá na churrascaria, bacana. Todo mundo comendo carne. E eu sou alucinado com carne, menino. Se eu pudesse, eu comia só carne.

Todo mundo comendo carne, eu li bebendo a minha aguinha. Falei, o que que falou? Eu não tô de jejum. E aquilo, rapaz, te dá uma força, Rafael. Eu vou ser um tenso.

que me dê uma força interior, uma concentração, te dá uma conexão com Deus, sem dúvida nenhuma, o modo de mais te aproximar de Deus é o jejum. Porque você enfraquece a carne, mas você fortalece a alma de uma forma...

te dar uma ligação muito direta com Deus. Na hora da prova desse cavalo, cara, o cavalo é império do centauro, mas eu me sentia realmente um centauro montado nele. A gente parecia que era uma coisa só. Porque eu montei nesse cavalo pra ir pra prova, eu tinha certeza que a gente era um só. Eu tinha certeza que a gente ia ganhar. Eu não tive dúvida, não tinha dúvida em momento algum. Devido a minha concentração, a minha fé, a concentração do cavalo, nós fizemos essa prova lá e esse cavalo foi lá campeão nacional de novo.

Em cima da cavala da boa. E aí, rapaz, é uma sensação maravilhosa. Voltou lá reservado campeão dos campeões de novo. E é uma emoção maluca, cara. E aí ele provou que ele é um indivíduo realmente diferente. Esse cavalo, nessa semana, da prova dele até o dia do grande campeonato, dois dias depois, ele apareceu com um quadro inicial de laminite na baia.

da prova dele até o grande campeonato, são 10 dias. No segundo dia ele apareceu com uma laminite na ação dos veterinários, um princípio, tira ele, põe no gelo, esse cavalo ficou 24 horas no gelo, isso dentro da nacional, 24 horas no gelo, foi na clínica, eles medicaram dentro do regulamento, possível para o doping, a própria clínica do evento medicou, cuidou dele, e esse cavalo ficou sem comer ração, sem suplemento, sem nenhum medicamento que não pudesse, até no dia do grande campeonato.

só comendo feno, só podia comer feno e fazia gelo de manhã e de tarde. E aí a gente até tinha abortado ele voltar pro grande campeonato, né? Porque não tem condição de um cavalo voltar. Indolorido. É, e aí o campeonato é no sábado, olha como esse cavalo tem que estourar. Na sexta-feira, e o Francisco que é meu ajudante lá, meu braço direito, que fica com ele 24 horas cuidando dele, ele me ligou na sexta-feira, 5 horas da manhã.

Falou, o cavalo tá bem, ele amanheceu bem hoje. Na hora que você chegar aqui, você vai ver. Na sexta-feira, o cavalo tava bem, caminhando bem, normal. A gente não sabia se ia pôr. Falou, Chicão, eu acho que esse cavalo quer competir amanhã, cara. E eu sempre tive uma ligação direta com esse cavalo. Tô sentindo que ele tá querendo voltar mesmo. Falou, chefe, você não acha perigoso? Eu falei, acho perigoso e acho que vai depender dele. Falou, amanhã nós vamos ver como é que ele vai amanhecer.

passou e o Francisco tem o hábito, do Jornal Internacional, de soltar os cavalos na pista de madrugada, que não tem ninguém. Soltar pra relaxar, pra soltar. Aquela na gamileira é muito pequena, é difícil de ter sistema. Ele me ligou, eu tava no hotel, ele me ligou quatro e meia da manhã. Falou. Falei, o que foi? Eu falei, o carro morreu. Alguma coisa aconteceu, o cara não te ligava. Falei, rapaz, soltei o Império na pista aqui.

Ele tá dando rabichada, ele tá enchendo, ele tá brincando, tá parecendo um potreiro novo. Ele tá querendo o jogo, chefe.

Não é possível, Chico. Eu cheguei lá e disse que ela tava rinchando a baia igual um potrinho. Sem comer uma grama de ração, sem nada. Dez dias. Só de feno. Feno.

Cavalo Montaigne, ele foi lá. Fez uma prova, talvez a melhor prova que ele já fez até hoje. E ele teve nota 1, nota 2 ali no grande campeonato. Foi lá e reservado campeão dos campeões nacional. Que maravilha. E aí foi, assim... Daí parou. Ah, não. E aí não. Aí acabou, né? Aí não tem jeito. Isso foi em 2023. Aí nós realmente aposentamos ele em 2023. E iniciamos um novo projeto, assim, focado nos filhos dele.

já tem filho dele montado? e aí aconteceu o seguinte o primeiro filho dele montado, que nós estreamos ano passado Porto de Minas, que isso é dentou esse potro foi embrião feito lá em casa ele estreou ano passado comigo no CBM, ele deu idade pro CBM foi o primeiro filho dele montado a sair pra pista e foi reservado campeão brasileiro de marcha, Cavalo Junior comigo ano passado, campeão brasileiro de categoria e aí

E foi o primeiro filho dele. E me deu essa alegria contínua que o Império me deu. Aí eu vendi a metade dele para o Alasquias do Redentor. E ele foi agora, semana passada, na Exposição Brasileira do Criador, que é a exposição terceira, o evento mais importante da raça. Esse cavalinho, filho do Império, primeiro filho dele. Campeão dos campeões desse evento importantíssimo. Semana passada já com sócio.

Bom, Cleitinho, depois dessa emoção toda, você está falando já dos filhos, mas só me fala uma coisa, qual seria, quando você está falando de todos esses desafios do Império, você, entre maio e julho, que você tinha que preparar um cavalo, como é a preparação de um grande campeão como treinador? 45 dias pré-campeonato nacional.

Legal essa pergunta, Rafael. Seguinte, o Império teve uma preparação muito particular porque ele é um indivíduo realmente diferente. Um cavalo que já tinha uma memória muscular muito boa. Então o preparo dele, como a gente já tinha treinado ele três anos antes com facilidade, foi fácil chegar. Ele não foi difícil, sabe? Chegar nessa preparação. Só que, trocando nesse assunto, o modo que nós trabalhamos no nosso treinamento hoje é um pouquinho diferente do tradicional.

Lá em casa a gente não usa piscina, não usa tronco de gelo, não usa esteira, não usa rebocar, cavalo para estrada, preparar. A gente só usa o trabalho três vezes por semana, leve, moderado, com planilhas, com cronograma.

coerente e uma coisa que eu acho muito importante falar, que eu acho que é fundamental pro nosso preparo, é de dar o bem-estar pro cavalo, não é porque é bonitinho falar que dar bem-estar é pro cavalo, é porque realmente é extremamente importante pro resultado. O cavalo que tem uma boa saúde mental.

E principalmente a gente foca muito lá em casa uma boa baia, uma baia macia, com cama muito boa para ele descansar, talvez mais importante do que o trabalho em si, do que os medicamentos, do que a suplementação, do que tudo que o pessoal está acostumado a fazer. Então se você conheceu o nosso trabalho lá em casa, é o mínimo possível. A gente faz o básico do básico, só que tenta ser extremamente bem feito e preocupa muito com o descanso do cavalo.

Porque o meu cavalo, ele trabalha 40 minutos por dia, ele descansa o resto do tempo dele. Ele fica na baia. Então, essa baia tem que ser um lugar que ele gosta de ficar, um lugar que ele realmente descansa, sabe? Tem uns piquetes pra soltar e tal. Agora, a prova... Quanto tempo dura uma prova? Um evento regional, ele dura aí uns 40 minutos, 45 minutos. Tá, uma nacional. Uma nacional, duas horas e meia. Marchando. Porque são muitos cavalos.

É, marchando, parando, tem os intervalos. Certo. Porque uma categoria nacional, pra você ter noção, ela dá 25 cavalos, uma categoria. Uhum.

Porque a pergunta é, numa prova, você vai colocar um pouco mais de pressão nele, exigir. Você treina dessa maneira ou você treina mais suave? Pelo contrário, eu só treino sem pressão. Sem pressão? Sem pressão. Eu trabalho meus cavalos da maneira mais natural possível. E como você identificar que aquele cavalo tem mais pra dar numa prova?

E aí você acaba fazendo testes alguma vez na semana, você dá uma testadinha, que a gente chama, de colocar uma pressãozinha imitando a prova, pra você saber até onde esse cavalo pode ir. Entendeu? Mas eu não sou a favor de treinar o cavalo com pressão em casa, porque senão você acaba oprimindo ele demais, e isso não é benéfico pro trabalho.

É a mesma coisa se a gente comparar com três tambores, se treinar todo dia, o cavalo corre 16, não é isso? O treinador de tambores não treina passado todo dia, longa. Treina galopinho, faz parada, entendeu? Então ele não dá o tiro, né? Eu também não gosto de fazer isso em casa. Eu gosto de trabalhar bem leve meus cavalos e deixar pra colocar a pressão na pista mesmo, assim. Porque é legal a prova de marcha, porque você tem que apresentar um cavalo leve, de boca, natural, só que eles chamam de brilho, né?

Um cavalo que tá com aquela exuberância do movimento, com aquela energia, com estilo.

e conforto macio, não, o nosso cavalo hoje é a mesma coisa que sentar essa baltrona aqui, e só que nesse meio tempo você ainda tem que um juiz montar no seu cavalo

e testar ele. E esse juiz tem uma energia diferente, ele tem uma postura diferente, ele tem uma colocação de perna diferente, ele tem uma empunhadura de rédea diferente, porque o seu cavalo não está habituado. Você tem que preparar um cavalo para uma pessoa diferente montar. Ele é nacional, por exemplo, são cinco juízes. Você tem que preparar um cavalo para cinco juízes montarem e avaliarem o seu cavalo. Os cinco montam em todos os cavalos?

Eles montam em todos os cavalos na sequência. Na sequência. Então o juiz um montou nesse, o outro vai rodando. Vai rodando. E eu só tenho que montar em todo mundo. Os cinco montam. Todos os juízes montam em todos os cavalos.

E aí, o difícil de se treinar também, ainda tem uma outra nuance, que é a seguinte, o cavalo que o primeiro juiz monta, que é o cavalo que eu acabei de entregar pra ele, descontraidinho, preparadinho, é diferente do cavalo do último juiz que monta. Porque outros três juízes montaram nesse meio tempo, você concorda? Pessoas com energia... Mão diferente. Mão diferente, pressão diferente, estado mental diferente, porque influencia muito, você não sabe o que o juiz tá pensando naquela hora, se ele tá nervoso, se ele tá calmo. E esse nervosismo, essa calma, vai passar pro cavalo, a gente sabe disso.

Então, assim, é uma prova. A nacional, os eventos grandes, são muito difíceis mesmo. Por isso é tão difícil ganhar e por isso os animais campeões são tão valorizados, que é uma prova muito difícil. O preparo é muito difícil. E o cavalo, para suportar esse trabalho, essa pressão, também é muito difícil.

E como é que foi pra você, nesse momento que aparece, desde a primeira prova aqui no Aras Rafael em Tietê, até o momento que começa, como você falou, começou a vir mais clientes, chegar mais cavalos, etc. Como é que foi pra receber esses cavalos? Você tava preparado fisicamente lá no Aras e tudo mais?

A gente acaba... É, aumentou. Na estrutura começamos com 15 baias, hoje nós temos 25, que é o meu limite. Então eu recebo... Eu tenho lá em casa hoje treinando 25 animais. Onde eu monto... Eu mesmo, que eu e o Cleito, monto em 24. Tenho só um cavalo que eu monto, que é o Intério, que está aposentado. Então eu trabalho 24 animais todos... Dia sim, dia não. Eu monto em 12 cavalos todos os dias, Rafael.

Da hora que eu acordo até a hora que a gente vai dormir praticamente. E só eu que treino, os meus ajudantes me ajudam, me dão auxílio e tal. Mas você me perguntou do preparo. Como é que você estava pronto para receber novos clientes? O que acontece? A gente foi aumentando a estrutura de acordo com a demanda. E naturalmente a gente foi substituindo os animais. Os cavalos com menos potencial a gente foi levando embora para chegar os cavalos para trocar esses animais, receber os animais com mais potencial.

E aí foi uma coisa que até uma transição que foi natural. Foi natural. Foi boa de fazer, sabe? A gente hoje, por exemplo, eu recebo cavalos pra treinar, mas eu tenho, dos 24, eu tenho 8 animais que são nossos. Eu recebo apenas 16 cavalos de clientes. Então a gente tem uma procura muito grande, tem fila. E esse limite de 16 vai ficar, vai manter. Não, não quero. Não posso aumentar porque é só eu que monto. E assim, uma galaga machador.

Ainda é muito empírico, sabe? O treinamento. Requer muita sensibilidade, muita experiência de quem está fazendo. É uma coisa que você não consegue. Eu consigo passar a técnica para os meus meninos, para quem quiser lá em casa, e se ele ficar lá 60 dias, eu vou passar tudo que eu sei de técnica. Mas essa experiência, essa bagagem de 20 anos montando a cavalo, de saber sair de situação, como diz o Jango, saber sair na hora que o radiador está fervendo, saber fazer, é só a nossa experiência que acaba.

que acaba te dando esse know-how, né, Rafael? Então, assim, eu limito em 16 animais de clientes e 8 animais de criação nossa que a gente tem lá também para treinar.

Porque numa prova, talvez um dos momentos de muita crítico seria a questão do aquecimento do cavalo, não é? Sim, sim. Como é que essa sensibilidade que tem que ter... Qual que é o ponto que o cavalo tá pronto pra entrar numa prova? E aí vai da sensibilidade do treinador pra separar indivíduo pro indivíduo. Porque tem cavalos que eu não aqueço.

Zero. Zero. Você monta e entra e ele vai performar bem e melhor que se você tivesse aquecido. Porque tem cavalo de gás mais curto, né? Tipo assim, se você gastar o gás dele antes, ele falta o gás no final. Tem cavalos que eu tenho que montar duas horas na nossa prova pra aquecer ele. Ele já entra sereninho na prova. Então vai muito de indivíduo pra indivíduo e de você realmente conhecer o seu cavalo que você trabalha em casa todos os dias, né? Ter essa sensibilidade pra saber o que você precisa aquecer.

O que pode acontecer às vezes é quando você acaba encavalando uma categoria na outra. Você já sai de uma e já entra na outra. E aí você precisa ter alguém pra aquecer esse cavalo pra você. É onde os meus meninos que trabalham comigo entram. Que também já conhecem. Quando eu preciso de alguém aquecer esse cavalo pra mim, eu passo pra eles o que eu preciso e eles vão fazer ali o flexionamento, o aquecimento, do jeitinho que a gente precisa.

Então é a sensibilidade. O cavalo é muito isso. Você ter a sensibilidade de individualizar cada animal, sabe? E agora a produção do Império hoje, como você falou, já tem a funcionou? E agora a funcionou? E agora a funcionou? E agora a funcionou?

Esse foi o primeiro, o primeiro filho de criação nosso lá, que já ganhou. Tem mais vindo por aí? Já tem semana retrasada, já foi numa Copa de Baixo com outro filho dele, foi campeão dos campeões também. Agora eu já vou sair com mais três filhas dele para os próximos eventos. Então eu já estou... E está sendo uma sensação muito legal, cara, porque eu estou montando nos animais que eu montei, treinei e apresentei e ganhei com os pais.

Então esses filhos são filhos de éguas que eu também doei, treinei e ganhei. Então você vai começar a montar nas famílias, vamos dizer assim. Rapaz, é gostoso demais. Já adianta muito o trabalho, porque eles já vêm daquela geração. Eles fazem exatamente o que os pais faziam. O jeitinho... Tem algum acasalamento que você fez de alguma égua?

especial pra você com o Império e que tem algum produto lá ou isso aí é surpresa? Tem dois aí que já já vão sair pra pista mas assim, a gente tem observado que ele tem dado muito certo numa linha de sangue do Fator, o Fator da Cavalho Retang que é um cavalo importantíssimo pra raça o Império tem cruzado as filhas ou as netas dele que são, sim, são produtos excepcionais ele acasalou muito bem nessa linha

E você tá falando no fenótipo ou já montado? Não, no fenótipo sim, mas mais pela marcha mesmo, pelo jeito de andar. Combinou as duas linhagens, sabe? Porque o que a gente precisa do Mangalá Armachador é a marcha, né? O que a gente explora do nosso cavalo é o movimento, é a marcha. E a marcha é psicomotora. Então ela realmente passa, né? Para os seus descendentes. E fazer esse acasalamento, eu acho que é o difícil, né? E eu gostoso. A gente tem vários irmãos próprios que...

E a nossa raça é uma raça muito nova, não tem consistência genética pra você cruzar esse com esse que vai dar esse, sabe? Não é ciência exata. Não é ciência exata. E o Mangalá Campechador é muito novo, né? Então você não tem essa consistência pra cruzar fulano com ciclano e vai dar um produto top. Às vezes cruza o campeão nacional com o campeão nacional e nasce um carroceiro.

acontece, porque puxa lá atrás, né? E a gente tem tentado acertar. E aí nós temos uma sensação legal agora, que é de criador, de tentar acertar o cruzamento também. E como é que foi a adesão da cobertura dele pros criadores afora? Cara, aumenta muito, né? A gente já vendia a cobertura dele, mas agora aparecendo os filhos, quando ele ganhou a gente vendeu muita cobertura, continua vendendo, mas agora aparecendo os filhos, que aí realmente comprova o cavalo como um padreador, né? Uma coisa é o competidor.

Mas tá vendendo bem, a procura. Muito, demais. Nossa, motoboy batendo no outro lá em casa, igual os cacete durante a semana. Graças a Deus, o pessoal tá usando muito e usando nas ervas importantes, né? Então eu acredito que agora, daqui pra frente, pro ano que vem, daqui a dois anos, vão ter melhores animais ainda, filhos dele. Tem filhos fora do criatório de vocês, já já chegando na pista, né? No galágo amiciador é normal, o pessoal usa muito.

Muito criador. Já ele ganhou... Uma filha dele foi o primeiro prêmio do CBM ano passado, com outro criador também. Ganhou também, filha dele também.

Então já tem ganhado em outros criatórios também. A história desse cavalo é maravilhosa e pelo que você tá me contando aqui, realmente emocionante. Imaginar que tinha um potro, talvez desacreditado. Sim, sim, sim. Talvez não, acho que desacreditado. É, talvez ele seria um cavalo de cela lá na Bahia só. E será que caiu...

O encontro de vocês dois foi o que fez tudo isso. Porque eu quero dizer o seguinte, pode ter muito cavalo bom que não despontou. Rafael, eu tenho certeza que isso acontece. Quantos impérios estão soltos em algum... E o Mangalarga Machador, Rafael, ele te dá essa possibilidade de um cara pequeno, de um cara humilde igual o nosso, você conseguir fazer um cavalo bom e vender ele caro.

Porque é realmente possível isso, você pegar animais desacreditados ou animais que foram vendidos em algumas áreas grandes, como descarte novinho, porque não apresentava um andamento bom, que depois que ele cresce ele vira, ele melhora, e aí os caras compram barato e vendem. E é normal, gente. Vários campeões acionais saíram assim, cavados que foram comprados por 5 mil potrinho e foram vendidos 2 milhão, 3 milhão depois de montado.

O Mangala Ramoschador, ele te dá essa possibilidade, sabe, real disso acontecer. Eu tenho vários exemplos lá em casa. Por muito tempo eu fiz isso. Eu comprava cavalo desacreditado, treinava, agregava valor nele e vendia. Vendia esse cavalo melhor competindo e já ganhando, sabe? Então, assim, eu acredito que o meu encontro com o Império é uma coisa de Deus, eu não tenho dúvida. E, assim, ele aconteceu pra mudar a história de muita gente em volta de nós.

Porque, com certeza, ele mudou a minha história, ele mudou a história do Edinho, meu sócio. Ele mudou a história do Lauro, que é o criador dele. Ele mudou a história da minha família.

Então, assim, esse encontro é um encontro que Deus preparou pra nós. E acredito que isso já aconteceu com mais pessoas também, que tem muito cavalo perdido por aí, que precisava de um pouquinho mais de dedicação, talvez, ou de alguém com sensibilidade pra ver isso, né? E outro agravante que eu vejo pra mostrar grandes talentos é o fato de um treinador novo, jovem, que ninguém tinha, não tinha grandes resultados.

a confiança de alguém de dar um bom animal na mão desse pequeno treinador. Raramente isso vai acontecer. Então é, é um negócio complicado, né? E não só no Mangalaga Marchador, como qualquer outro treinador de cavalo. Porque eu sou um grande criador. Não conheço esse tal de Elvin, quem será esse rapazinho? Vou dar um cavalo bom, uma baita da genética, investindo em genética, vou dar na mão desse rapazinho. Só que às vezes tem um rapazinho como o Elvin.

E é um baita de um talento. Que tinha um talento escondido ali, né? É um negócio que não tem uma receita pra resolver isso. Não tem, não tem, não tem. O que você diria pra quem... Pode ter um treinador nos ouvindo agora, nos assistindo agora, que é um cara que tem aquela confiança sua. Como é que ele faz isso aparecer?

Rafael, a primeira coisa é que vale a pena ele acreditar nele. Se ele realmente acha que ele tem talento, que ele tem dedicação, se ele persistir nisso, ele vai conseguir. Até porque o mercado de trabalho do Mangalar Camachador hoje, Rafael, é muito deficiente de mão de obra. Então falta mão de obra demais. Pra tudo, né? No ar o negócio tá complicado.

e no cavalo demais, demais, demais. Então esse cara, que ele quer um pequeno treinador, que é um jovem treinador, como você diz, e ele quer se destacar, ele tem que primeiro a gente estar no trabalho dele. E essa oportunidade que ele está buscando de ter um cavalo bom, ela não vai aparecer. Ele precisa criar ela.

Então, quando eu achei o império, eu já tinha 10 anos que eu estava criando essa oportunidade, você concorda? Porque se eu não tivesse plantado essa semente de ter o seu treinamento, se eu não tivesse tido a caminhonete para fazer o frete, se eu já não tivesse o mínimo de know-how para poder esse cara confiar e mandar um cavalo para mim, eu não tinha conseguido.

Então, para o jovem treinador, não preocupa em achar um cavalo, em descobrir um cavalo para ganhar nacional. Preocupa em se dedicar, em trabalhar firme, em ser honesto, em ter coerência no seu trabalho, não fugir da sua linha de raciocínio, não desacreditar no seu talento, porque se você plantar essa semente toda, trabalhar firme, e honrar a Deus acima de tudo, na hora certa ele vai colocar um bom cavalo na sua vida e possivelmente esse cavalo vai te transformar na sua vida. Que maravilhoso.

Mas eu acho que é isso, cara. Não é buscar, é buscar o processo. Busque fazer o processo que na hora certa, se for do seu merecimento, a coisa vai acontecer. Sem dúvida. E agora, seus projetos, como é que ficam daqui pra frente?

Cara, eu sou um aficionado em treinar cavalo. Se é uma coisa que me motiva é a evolução. O que mais me motiva é ver um cavalo evoluir, sabe? Treinar um cavalo, ver ele melhor cada dia. Então, assim, eu sou treinador. A minha prioridade é o centro de treinamento. Eu amo receber clientes. Eu adoro receber cavalo de fora. Quando chega um cavalo novo, a gente fica eufórico, querendo montar, quer treinar.

Então o meu projeto é treinar cavalo por muitos anos ainda, é ter o centro de treinamento por muitos anos. O Aras Porto de Minas, que graças a Deus vem dando muito certo, é um paralelo, então ele não é o nosso negócio principal, o nosso negócio principal é o centro de treinamento. O Aras ele acontece de uma forma simultânea com o centro de treinamento, porque a gente já tem lá no nosso centro de treinamento, nós temos a central de reprodução.

Então nós temos uma veterinária residente, que faz a reprodução toda lá. Então a gente acaba fazendo os embriões lá em casa, a gente faz dos clientes, faz para nós também. Então ele acontece de uma forma paralela.

e eu recebo muito convite para dar consultoria, para dar curso não é meu foco agora, eu não posso me desligar do nosso trabalho durante esse período, porque você acaba perdendo o cronograma, sair um dia durante a semana para poder fazer outra coisa, você já quebra o seu cronograma de trabalho, então eu gosto de treinar meus cavalinhos em casa ter minha rotina e ir para a prova no final de semana é o meu projeto ainda, obviamente que para o futuro quando eu já não estiver aguentando mais montar a cavalo

Em alta performance, a gente vai pensar em curso, consultoria. A gente já tem feito algum movimento nesse sentido aí de ajudar pessoas, né? Dar oportunidade pra novos talentos. Eu recebo muita gente lá em casa. Às vezes, quando a pessoa me pede uma consultoria ou pede fazer um curso, eu não faço. Eu falo, faz diferente. Manda o seu menino aqui pra casa, deixa ele se sentir dois dias aqui comigo. Pra ele ver a minha rotina, pra ele ver o meu dia a dia.

Então, a gente faz muito. Eu recebo muita gente lá em casa. É o contrário. Não é você que vai adaptar a dele. É ele que tem que vir na tua rotina.

pra ele ver o que eu faço realmente. Porque às vezes se eu for lá na casa dele e mostrar o trabalho que eu faço em casa, ele não vai acreditar, porque é tão simples. Falar, você não faz só isso. Eu só faço isso. Esse flexionamento é isso, aquilo. Dedico nisso aqui, isso aqui e pronto. Solta aí na baixa e deixa ele descansar.

Então se o cara não for lá em casa e via a gente trabalhando, às vezes ele não acredita. Por isso que eu acho importante o pessoal te conhecer no íntimo mesmo, sabe? Ver o que você faz no dia a dia. Não é saber o pulo do gato. Não existe pulo do gato. O pulo do gato é constante. É a constância do dia a dia de fazer aquilo ali. Meu pai falava uma frase que é assim, se o malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto por malandragem.

Exatamente isso. Isso a gente carrega pra vida toda. Ser honesto é tão natural e tão fácil. E é muito mais benéfico pra gente, né?

Agora, falando de ícones, eu vi nas suas redes sociais que outro dia você fez um curso com o Jango Salgado, lá se organizou, como é que foi essa história aí?

Rapaz, então, falando de pessoas importantes, o Jango, sem dúvida nenhuma, é uma das pessoas que foram fundamentais para a minha formação profissional. Uma porque eu já seguia ele desde sempre, desde menino, ouvia falar em Jango, ele é uma referência para a gente muito grande. Em 2019, quando ele voltou para São Paulo, para a casa dele, ele lançou o primeiro curso dele, que ele dá na casa dele lá em Garça, né?

É, perto de Garça. Garça Lupércio. Lupércio, isso. E aí quando eu vi na internet que eu tenho esse curso, eu falei, Rafael, eu não medi esforço. Fui o primeiro a matricular. Falei, eu vou lá. Conheci esse cara, rapaz. E aí arrumei meu trelinho de novo, meu mangalarguinho, meu cavalinho mangalaranchador, pus no treino, rodei 900 quilômetros, fui lá na casa dele.

Mas o curso dele é bem direcionado pra rédeas do quadrilha. Pra rédeas, pra rédeas. Você pega um manga larga marchador, coloca no treino e bate lá. Então, mas na verdade o meu sistema de trabalho sempre seguia um pouquinho dessa linha mais oércia, sabe? Do cavalo mais leve, de boca, de trabalhando sempre sentado na perna. Então eu sempre seguia essa linha de trabalho, não tanto da equitação clássica, sabe? Mais do oércia, deixava um cavalo sempre leve, sempre usando muito o posterior, da frente muito levinha. E obviamente adaptando pra marcha que a gente precisa, né?

E eu tinha certeza que esse curso de rédeas ia me ajudar de alguma forma, porque eu fui pensando o quê? O que o cara vai pensando? Vou levar o meu cavalinho que eu vou voltar de lá esbarrando, espinando, voltar aquele ligeiro na rédea. Porque o meu sonho de mineiro é ensinar um cavalo espinar.

aquilo é bonito demais, a gente lá da roça vê o cavalo espinando, aquilo é treino meu sonho era ensinar um cavalo a fazer aquilo ali se eu conseguir, esse dia eu já tava satisfeito levei esse cavalo lá, mas aí quando você vai lá e conhece o Jango você vê aquele cara do dia a dia aí ele te arregaça, ele faz assim com você, ele muda a sua vida e foi o que ele fez comigo eu voltei de lá, meu cavalo não voltou nem esbarrando nem espinando, porque não era o foco

mas eu voltei de lá outra pessoa, eu voltei de lá treinador de cavalo, talvez eu tenha ido pra Lapião e voltado treinador, porque ele te muda o jeito de você abordar o cavalo como indivíduo, como parceiro, ele te coloca o cavalo como parceiro, de você ter uma sintonia com o cavalo, de você ter cronograma, de você ter mais compromisso ainda, de você ter...

seguir uma linha de trabalho, sabe? De ter sensibilidade pra sentir o cavalo no momento certo. Então, isso foi transformador pra mim. Tanto que, olha pra você ver como é que eu conheci os meus bons resultados de 2019 pra cá, depois que eu conheci ele. E lá nesse curso, a gente acabou virando amigo, porque eu já era uma pessoa, e vivi cinco dias com ele, né? Falei, cara, você não vai lá em casa dar um curso pra gente, a minha região pessoal do Mangalá Caminhador precisa te conhecer.

Eu acho que você... Ah, Cleito e tal, mas eu vim pra cá pra não sair de casa. É, não tá saindo. Só curso aqui e tal. Mas um dia, se eu for, eu te falo.

Olha quanto tempo passou. Quando foi dezembro do ano passado, ele me ligou. E a gente sempre falava, às vezes, a gente já tinha encontrado, eu fui uma vez participar lá no Aloysio Marins, no Isar do Cavalo, ele me convidou pra ser palestrante, eu levei o Império, inclusive, lá naquele encontro de Rasmanship, e o Jango foi pra falar de Reds, eu fui pra falar de Magalhães Amputador, tive com o Jango lá, a gente conversou muito, muito.

afinando a amizade, né? E aí, em dezembro do ano passado, ele me ligou e falou, rapaz, você lembra aquela vez que você falou que você queria que eu fizesse um curso aí? Eu falei, lembro muito. Ele falou, ó, eu vou dar curso fora esse ano. E a primeira pessoa que eu tô falando, avisando isso pra você, eu falei, ué, então você pode marcar o primeiro aí.

Falei, mas pra quando? Falei, pra agora, mês que vem. Falei, mas o que é isso? Falei, não, vamos marcar aqui, ué. E aí marcamos pra início de fevereiro, cara. Foi, assim, transformador esse curso, porque aí eu tenho certeza que esse curso ajudou muita gente. Nós abrimos um curso lá em casa.

inicialmente para 20 pessoas, 10 montadas e 10 ouvintes, e aí eu falei com um, falei com o outro, o dia que eu abri as inscrições, a gente fez, mas foi um curso, depois de você dar uma olhada, foi muito legal, foi uma estrutura muito boa, a gente conseguiu bons parceiros, e abri a inscrição, com 20 minutos de inscrição, eu tinha mais de 300 mensagens no meu telefone, querendo fazer a inscrição. As meninas lá que me ajudaram, selecionaram as 60 primeiras, então a gente fez um curso para 60 pessoas.

na minha casa com o Jango Salgado durante três dias. E eu tenho certeza que ele transformou a vida de muita gente, como ele fez comigo quando eu fui lá. Foi excepcional. Então, assim, a minha vontade para um futuro é fazer mais isso. Trazer mais gente de outras modalidades, com outras bagagens, com outras experiências que possam somar no Mangalá Ramaxador. Porque a nossa cultura equestre é uma cultura nova. Então, a gente precisa adaptar várias coisas ainda, sabe? É o que eu tento fazer um pouquinho. Trazer coisas de outras modalidades.

que eu vou lá, testo e trago pra nossa realidade, pra ajudar, que no fim, no fim, eu quero que o meu cavalo desempenhe bem, com menos esforço possível, né? Precisa exigir menos dele possível. Eu quero dar condições boas pro meu cavalo, e pra eu dar condições boas pro meu cavalo, eu preciso ter condições boas de fazer aquilo, né? O cavalo tá na sua vida, tá inserido na sua vida de uma maneira... 100%? 100%.

Se eu te perguntar o que representa o cavalo na sua vida, você vai falar tudo. Sim, sim. Acho que essa resposta é clichê. Sim, com certeza. Agora, uma pergunta...

Se eu tiver que tirar o cavalo da sua vida, o que será que acontece? Você tira a minha vida, né, Rafael? Porque no momento mais difícil da minha vida, quando minha mãe faleceu, foi o cavalo que me deu força para continuar. Todos os momentos de alegria na minha vida foi pelo cavalo. Todas as pessoas que eu conheço, que são meus amigos hoje, são do cavalo.

E se você tirar o cavalo da minha vida, minha vida para de fazer sentido, né? E a realização profissional que o cavalo me deu, e eu tenho certeza que a minha família humilde lá, que tá me ouvindo, se orgulha de mim, foi o cavalo que me deu, né? Então o sentimento de realização que o cavalo me deu é inexplicável. Tirar ele de mim, eu nunca nem tinha pensado nisso, de jeito nenhum.

Não tem jeito, né? Não tem jeito, a gente que vive isso e dessa forma não consegue pensar diferente, né? Bom, eu tô convidado pra ir lá no Aras, né? Você tá mais que convidado, você vai ficar lá pelo menos uns dois dias lá conosco. Posso montar nele ou ele só o Zé que monta? Não, não, ele tá lá pra gente montar mesmo. Agora, quem quiser conhecer o Aras, como que acha no Instagram?

Então, o meu Instagram é Clayton Alvim. Clayton é Alvim. Você vai aparecer lá. Vou colocar aqui na tela. Isso do Aras é Aras Porto de Minas. Então, nós temos as duas coisas integradas lá. Estamos lá nas redes sociais. No Instagram, principalmente, tem bastante material. Tem material também no YouTube. Tem um material bacana no YouTube também. O pessoal da Pod foi lá em casa e fez um material bacana lá, contando o nosso dia a dia, contando um pouquinho da nossa história também. Está no YouTube. Clayton Alvim. Só coloca lá que vai aparecer.

Agora, Nacional em Julho. O que você tem na manga aí? Não pode falar. Quer ver? Não pode falar. Mas sempre vai aparecer nas coisas novas. Tô tomando uma potrada boa lá. Tô com umas três éguas novas excepcionais. Tô com uns cavalos novos bons. Tem os animais famosos lá que já estão lá escondidinhos também, que é o Nacional. Então acredito que vai o Nacional esse ano. Nós vamos com um timinho aí de uns oito animais pra tentar competir bem lá, se Deus quiser. Vai dar certo.

Você não tem o boné do Agro360 ainda, né? Não, e o rapaz do céu, eu já tô ansioso pra colocar na camisa. Então, esse boné aqui, boné oficial do Agro360, numa parceria com a Austin Western, que você encontra nas melhores lojas do Brasil. Tem camiseta, camisa, então se você quiser adquirir produtos do Agro360, corre aí no nosso... Entra em contato também na DM aí, você responde, né, Silvio? Responde pra você onde você vai achar. E o seu aqui de participação.

Austin e Agro 360. Muito obrigado, Rafael. O que é isso? Vamos usar ele. Já vai fechar com ele. E aqui o kit da Volkswagen. Muito obrigado.

Amarok é a nossa picape oficial aqui do Agro 360. Nossa parceira Volkswagen do Brasil. Cara, Leitinho, que história de vida maravilhosa. Vou dizer pra você que acho que ficou faltando de falar muita coisa ainda. Quero que você volte mais vezes. Se Deus quiser, elas vão voltar assim. Falar mais de cavalo, falar mais de treinamento. Bom, depois da nacional dá pra voltar aqui com o troféu na mão? Se Deus quiser, ué. Tomara que você seja pé quente, né, irmão?

Então, Tomara, eu quero ver se eu consigo esse ano, lógico que a agenda da gente é uma loucura, quero ir na nacional. Cara, é um evento importante conhecer, Rafael, porque é um evento equestre, independente de raça, né? A associação nossa conseguiu realmente consolidar um evento, talvez seja o maior evento equestre da América Latina, pelo volume de pessoas que recebe, pelo nível de animais que a gente acaba recebendo lá, vale a pena demais conhecer pra você entender o que é aquilo lá.

eu faço questão, se você for lá, de te apresentar tudo lá, a gente tá junto lá. Vamos estar juntos, se Deus quiser. Aliás, eu tenho um carinho especial com a raça Mangalaga Machador, é uma raça, é a maior raça, né? Tá entre Quadmilho e Mangalaga Machador. Hoje eu acho que animais registrados, a gente até superou o Mangalaga Machador. Acho que o Mangalaga Machador tá em primeiro em número de animais registrados, mas só uma duas mais raças.

Graças a Deus tem essa particularidade, grandes amigos nas duas raças, e poxa, quero dizer muito sucesso pra você, dizer que aqui estamos de portas abertas sempre.

Muito obrigado, Rafael. Foi um prazer muito grande estar aqui com vocês. E no dia que eu for lá, vocês vão fazer um feed postando no Instagram. Se Deus quiser. Não, você vai dar uma espinada lá e bota aí pra marchar pra nós vir lá, se Deus quiser. Se Deus quiser. É isso. Obrigado mais uma vez, Cleitinho. Obrigado, gente. Foi uma realização gigantesca estar falando com esse fero aqui, que eu já sou fã há muitos anos. Fero é você, rapaz.

Se Deus quiser, agora nós vamos ser amigos também, né, Rafael? Pra nós montarmos muito cavalo junto aí. Tem uma frase que eu sempre falo, né? Quando os estribos se tocam, a amizade tá selada. Então, nós temos uma amizade selada aí, o estribo bateu. Garantida. É isso aí.

Esse foi mais um Agro 360, conversando com o Cleitinho Alvim, esse grande treinador, uma história de vida fenomenal, maravilhosa. O papo foi muito bacana. Semana que vem a gente volta com mais Agro 360. Espero aí.