Episódios de Fotografia e Música

Robinho Rock - Fotografia de Nu e Autoestima

19 de setembro de 202648min
0:00 / 48:26

Olá pessoas, hoje vamos começar uma série de de entrevistas com fotógrafos das mais variadas áreas em homenagem aos 200 anos de invenção da fotografia.

O Primeiro convidado é o Robinho Rock, fotógrafo da grande São Paulo, que possui alguns projetos autorais muito interessantes dentro da fotografia de nu. Um papo muito bacana.

Você pode seguir as redes sociais do Robinho Rock nos links abaixo.

- Behance

- Instagra de fotografia geral

-Instagram projeto de nu

- Instagram projeto musical

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Participantes neste episódio2
G

Gilson Lorente

HostFotógrafo
R

Robinho Rock

EntrevistadoFotógrafo
Assuntos6
  • O projeto de fotografia de nu artístico e a busca pela autoestima femininainício com o projeto Essência Nua·desafio de mostrar mulheres comuns·nu como arte e empoderamento·dificuldades com censura e hipocrisia social
  • A trajetória de Robinho Rock na fotografia e sua paixão pela arteapelido de infância e nome artístico·início na fotografia em 2016·evolução da fotografia com celular para câmera·investimento em infraestrutura e estúdio
  • Desafios da fotografia de nu nas redes sociais e a luta contra a censuradificuldade de engajamento no Instagram·perda de contas devido à censura·assédio e falta de respeito de homens·criação do projeto Livre Retrato
  • A importância da inclusão e do respeito nos encontros fotográficosexperiências negativas em encontros anteriores·criação de um encontro inclusivo·rodízio de fotógrafos para todos posarem·ética e direção de modelos
  • Conselhos para fotógrafos iniciantes e a visão de futuroestudo e criatividade como acertos·gestão e superação de perdas·fazer com significado e encontrar um nicho·investimento em estrutura e equipamentos
  • O equilíbrio entre o comercial e o artístico na fotografiaganhar dinheiro como consequência da arte·termos de divulgação e segurança·legislação e direito de imagem·transparência e clareza com os modelos
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GLGilson Lorente

Olá pessoas, tudo bem? Aqui é Gilson Lorente, fotógrafo, falando diretamente da terra gelada, molhada e escura de Presidente Prudente do interior de São Paulo. Esse é mais um vídeo para o canal de fotografia. E a gente tá começando aqui uma série de bate-papos em comemoração aos 200 anos da fotografia. E o nosso primeiro convidado hoje é o Robinho Roque. É assim mesmo que você se apresenta?

RRRobinho Rock

Sim, é porque Robinho é apelido de infância, né? Não tem nada a ver com futebol, né? Então sou chamado assim desde criança. Eu coloquei Roque porque ia ficar estranho Robinho Melo. Eu pensei, eu como sou fã de rock, Aí eu lembrei assim, pô, Robinho Rock eu uso desde a época do final do Orkut. Aí pegou, né? Aí falei, ah, deu certo, virou meio que uma marca, né, entre aspas. Aí eu aproveitei.

GLGilson Lorente

Tem muito fotógrafo aí que não sabe que a gente também pode usar nome artístico, né? Não é só ator da Globo, cantor. A gente pode pegar um nome artístico para gente. Você é de São Paulo capital?

RRRobinho Rock

É, na verdade eu sou, eu nasci em São Paulo capital, mas eu moro na grande São Paulo, eu moro em Jandira, que é uma cidade da grande São Paulo, na região leste, né? Então é perto de Barueri, pode dizer que é relativamente perto de São Paulo, porque você vai de carro em 25 minutos sem trânsito, você chega na cidade, na cidade de São Paulo, né? Como eu sempre fui em São Paulo, muita gente que eu moro lá, né?

GLGilson Lorente

Mas A gente que mora aqui no interior acha meio, é meio de quem nunca foi a São Paulo, acha meio difícil essa ideia da grande São Paulo, né? Porque aqui, cara, é carro aqui 15 minutos, tá no meio do mato, não tem mais nada, né? Só outra cidade 15 km depois, né? Então para a gente é meio maluco isso.

RRRobinho Rock

Exatamente, é como é. Eu já fui aí uma vez já, mas faz muitos anos.

GLGilson Lorente

É, continua do mesmo jeito. Se a gente tivesse numa entrevista de emprego ou se a gente tivesse num evento corporativo e você tivesse que se apresentar para uma galera, quem que é o Robinho Rock? Como você se apresentaria para esse pessoal?

RRRobinho Rock

Ah, me apresentaria como uma pessoa determinada, que sempre tá em busca da excelência, do melhor trabalho, né? Uma pessoa que não se acomoda, né? Que eu aprendi que trabalhar em silêncio e sempre pesquisando, estudando, é uma maneira de você tá sempre em evidência. Então é isso, eu acho que a minha obstinação, né, e pela excelência, eu acho que o aprimoramento constante Acho que a minha grande qualidade, cara.

GLGilson Lorente

Quando que a fotografia entrou na sua vida?

RRRobinho Rock

Bom, desde criança eu sempre gostei de fotografia, né? Porque eu sempre gostei muito de arte, sempre gostei muito de música, né? Como eu falei, gosto muito de rock. Então acho que a gente sabe que tudo isso tem uma ligação, né? Mas eu comecei a fotografar mesmo assim foi em 2016, meio que por acaso. Comecei com paisagem. Né, um celular mesmo, bem simplesinho, né. Aí era só paisagem, as pessoas gostavam do meu trabalho. Aí eu tava num momento muito depressivo, então fazia aquilo para mais ocupar a cabeça.

Aí acabou dando certo. Aí eu ganhei um celular com uma câmera bem melhor, né. Aí eu comecei a fotografar pessoas, aí participei de cursos, workshops, cada voltado a móbiografia, que é fotografia com celular. Aí acabou dando certo, né. Nesses primeiros anos fez muito site com celular, isso consolidou meu trabalho. Mas aí, claro, o trabalho vai crescendo, você necessita evoluir, né? Aí em 2019 eu consegui uma câmera, mesmo câmera fotográfica, e nessa tô até hoje, né?

Infelizmente eu tô nessa 10 anos, não é uma coisa fácil porque a gente sabe que tem muito custo, né? Você tem que ter uma infraestrutura. Eu tô investindo nisso agora, né, na infraestrutura do trabalho, né? Equipamentos paralelos, estúdio. Enfim, essas coisas, né? Recentemente, agora domingo, eu organizei um encontro de fotógrafos, né, que o tema era livro.

GLGilson Lorente

Vamos falar disso.

RRRobinho Rock

Foi muito, deu muito certo, felizmente. Meu Deus, aí fluiu melhor que esperado.

GLGilson Lorente

Então você trabalha com um tipo específico de ensaio fotográfico, né?

RRRobinho Rock

É assim, eu comecei, tem um nome na fotografia por causa do nu artístico, né? Em 2016 eu comecei a fotografar o nu feminino porque eu já tava habituado com naturismo. Aí eu fiquei amigo de uma moça que na época trabalhava como modelo VIP, ela foi minha primeira modelo. E eu criei, ela foi minha primeira modelo, eu criei um projeto na época chamado Essência Nua, que era voltado a mulheres do dia a dia, né? E eu coloquei o nu por causa do desafio, não pra ver mulher nua, mas eu queria mostrar que as mulheres comuns Independente do físico, elas poderiam ter um momento de reencontro com ela mesma, né?

Sem levar para esse lado pornográfico, erótico, uma coisa artística mesmo, né? Como era antigamente, na época dos grandes pintores, né? Eles não tinham padrão, né? Então eu estudei isso, né? Não criei do nada. Eu fiz curso de fotografia nessa área para aprender como dirigir a modelo, como fazer com que a modelo se sinta à vontade. E acabou dando certo, né? Mas aí, claro, né, infelizmente vem a censura, a saga derrubou, gente invejosa, a gente sabe como é isso, né?

País hipócrita igual o nosso. Mas esse mesmo, com isso eu consegui até 2023 fazer mais de 200 ensaios. Eu retomei agora ano passado, mas eu trabalho com outras vertentes da fotografia sem ser o nu, né? Trabalho com ensaio casual, evento, ensaio pin-up, que é Matemática Retou, né, que eu tenho toda uma produção vintage, né, também é legal, né, porque ficou muito estigmatizado, né, porque o nu mesmo tendo muito ensaio é uma coisa difícil de fazer, né, por causa do que a sociedade nos impõe, né, que é difícil você divulgar rede social.

Aí eu participo de outras vertentes, mas sem abandonar o nu, né. Então tem uma, para quem me acompanha nas redes sociais, Sabe que o meu portfólio é bem variado.

GLGilson Lorente

Então, falando dessa questão da rede social, é difícil divulgar esse tipo de fotografia, né?

RRRobinho Rock

Difícil. Instagram não engaja. No meu caso, como eu falei, eu tinha criado um, o Essência Nua, e um projeto chegou a mais de 3 mil seguidores de forma orgânica. Deu muito certo. Já fui convidado para fotografar fora do Brasil. Isso que eu tinha começado com celular. E mesmo assim deu muito certo. Mas como eu falei, né, a censura do Instagram, a hipocrisia da sociedade, a falta de respeito, principalmente dos homens, né, que infelizmente não viam aquilo como arte, como empoderamento.

Então isso acabou derrubando, né. Eu recomecei ano passado com o Livre Retrato, né, mas aí eu comecei de uma forma mais abrangente, abrangente assim que não é voltado só para mulheres, é voltado para pessoa. Então qualquer pessoa a partir de 18 anos pode posar, não tem essa do ser homem ou mulher, ser alto, baixo, enfim, padrão não existe, né? Acho que o meu intuito principal, eu sempre tenho um lema, é mostrar que qualquer pessoa pode ser modelo, né? Não tem essa coisa do padrão. Então isso que eu quero mostrar no geral, cara.

GLGilson Lorente

Eu acho que a fotografia de nu é a fotografia mais democrática. Que tem. Porque a gente registrar o corpo nu, como você falou, uma forma de arte, a gente não tá lá pela sexualidade, a gente não tá lá pelo erotismo, a gente tá pela beleza do corpo humano, independente de que corpo seja, né? Isso eu acho que é uma das formas mais democráticas de fotografia que tem, é a fotografia de nu. Ainda mais quando você tá engajado num projeto, no projeto artístico, né, que tem mais a ver com a sua visão de mundo do que qualquer outra coisa.

Voltando à rede social, cara, olha, é difícil. O próprio Guilherme, o Guilherme Lechat, vive reclamando. Ele toma uns ganchos lá de 30 dias do Facebook, aí ele fala, fui censurado mais uma vez.

RRRobinho Rock

Digital.

GLGilson Lorente

Mas vou fazer uma provocação: será que a gente deve continuar lutando por esse espaço nas redes sociais mais tradicionais, ou a gente deveria criar outros caminhos?

RRRobinho Rock

Ah, eu acho que a gente tem que lutar nessas redes sociais, sim, por dois motivos. Eu já, eu vi, eu até tentei em outras redes sociais, mas Não tem o mesmo alcance que essas redes que a gente usa atualmente, né? Outra coisa, né, eu acho que a gente só vai mudar essa realidade se a gente lutar por isso, né? Não baixar a cabeça, né? Porque assim, o Instagram principalmente, ele tá infestado de muito fake.

GLGilson Lorente

É uma rede muito forte, um monte da mentira, muita IA.

RRRobinho Rock

E eu já vi coisas extremamente pornográficas e não acontece nada. Sabe, que não tem nada a ver com arte. E eu entendo o Guilherme leixar, porque ele não é o único. Eu mesmo, eu falo, eu pedi 8 contas do meu antigo projeto, 2 por ano. Aí eu recorri à justiça, perdi a causa porque o Instagram não viu recorrer, né, infelizmente, né. E também porque, como eu falei, eu sofri muito com inveja de homens, né, falta de respeito deles, criaram fake, deram em cima das modelos que posaram, sabe, inventaram um monte de coisa, né.

Então foi muito pesado, mas eu acho que se a gente que trabalha com intuito, isso já tá provado, a gente tem um propósito, e eu sempre trabalho com a verdade, a gente não pode baixar a cabeça para isso, né. Então entendo perfeitamente deixar. Eu acompanho o trabalho dele, é um artista, Também é uma referência. Eu falo assim que eu acompanho muito trabalho dele para ter como referência, né? Quando eu comecei a trabalhar com o Nu, eu estudei, eu peguei projetos como antigos assim que tinha essa base, né?

Então fiz uma base, né? Não criei do nada e acabou dando certo, né, Gil? O problema, como eu falei, eu só não consegui ser maior por culpa da censura, né? Então, mas acho que a gente tem que Persistir nisso, porque acho que a gente tá fazendo a verdade.

GLGilson Lorente

Então, a questão do nu, eu desisti da rede social, postar nu, né? Porque você chega lá, você posta uma foto bacana, às vezes não mostra nada, aí tem 10, 11 curtidas, aí do nada o Instagram me mostra uma coisa que seria praticamente um soft porn feito pelas algumas contas, fala, mano, com 300, 400, 500 curtidas. Falei, cara, pô, isso aqui tá muito mais absurdo do que qualquer foto que eu tenho postado a minha vida inteira.

RRRobinho Rock

Pois é. E aí sempre cai a gente, né, que é uma foto mais leve, né?

GLGilson Lorente

É sempre a gente.

RRRobinho Rock

Às vezes igual, por exemplo, eu faço uma nudez artística e geralmente mostra de uma forma artística, sem vulgarizar, né? Mas ao mesmo tempo eu faço uma nudez velada voltada para as redes sociais, né? Aí às vezes eu posto uma foto assim que é uma mão nu total, mas é uma nudez velada, né? De lado assim, geralmente ela tá na natureza tal, e mesmo assim cai ou tem pouca curtida, né? Outra coisa que me irrita profundamente é que ele não tem alcance.

Aí quando aparece o seguidor, já aconteceu com você, é perfil sem foto, É perfil fake, os cara cria um perfil fake de mulher, mas aí a gente olha, sabe que na verdade é um cara, entendeu? Cria só para, sabe? Então fora assim as mensagens, né? Os cara agora, por exemplo, no Livre Retrato não tô mais marcando nenhuma modelo no Instagram porque é para elas não sofrerem assédio, né? Para não serem importunadas. Pô, aí chega um cara e falou: eu marco as modelo.

Ué, para quê, mano? Então você não segue, pá, porque gosta dela. Segue porque você quer ver mulher nua, cara. Esse tipo de gente não aceito de jeito nenhum.

GLGilson Lorente

A gente já deu curso, a gente já deu curso aqui na região de nu, né? Já dei 3 cursos de nu aqui na região, bancados pela Secretaria de Cultura. Dei sorte, não é todo mundo que consegue, que a Secretaria de Cultura Opa, na prefeitura, cara, fecharam uma parte inteira lá do pavilhão cultural só para a gente fazer aula prática, para ninguém ficar olhando e tal. Foi muito louco. Então, toda vez, toda gente que a gente, toda vez que a gente dá o curso, você sabe que vai aparecer aqueles cara: não, não, eu só quero ver mulher sem roupa, quero ver mulher sem roupa.

Na primeira aula prática eu levo um homem. A primeira é um cara aí, mano, quanta gente vai embora, não, eu não vou ficar aqui vendo um homem sem roupa. Falei, não, você não tá aqui pela fotografia, pela arte, né? Não vou ver isso aí não. Ele vai embora. Ou seja, na primeira aula prática eu já me livro dessa galera e a gente continua depois, que é muito legal, cara. Projetos artísticos, como que eles nascem com você?

RRRobinho Rock

Nasce porque quando primeiro pesquisa, né, eu vejo sites, eu pego referências, eu tenho bastante livro aqui de arte, eu tenho coleções, né. Eu sou formado em marketing e comunicação visual, então curso comunicação visual eu tive aula de fotografia, de história da arte. De desenho. Eu pego tudo assim, vejo, eu gosto muito de exposição de arte, então vejo que é muito conceito, né, significado, interpretação, né. Eu acho que é uma coisa que é importante na fotografia, chamada leitura fotográfica.

Quando você vê uma foto, que que a foto te passa, na verdade? Como o caso do artístico, é claro que, como eu falei, Tem muita gente que não entende, mas as pessoas que entendem, quando elas veem as fotos e elas entendem, elas falam que elas passam significado de arte, de liberdade, né? Porque isso que eu busco, né? De poder ter conexão com o ambiente. Que nem aqui perto tem uma área natural muito bonita, né? Tem umas fazendas e onde eu faço bastante ensaio lá.

Aí você pega, você vai fazer ensaio com uma mulher que nunca posou, ela tá livre ali ainda na na natureza, às vezes ela nunca pousou. Claro que no começo ela tá nervosa, mas aí quando ela percebe que o trabalho é sério, ela se solta, ela fica feliz, livre, né? Porque ela fala, o corpo respira. Então é isso, é muito legal. Então todos os projetos que eu faço, eu pego, faço isso, né? Igual o trabalho do Cupinã, que é claro que é o oposto, porque é totalmente vestido, mas é totalmente artístico também, porque é umas roupas uma preocupação específica, uma estética vintage dos anos 50, 60, toda uma produção, né?

Tô fazendo comparar com uma, mas ela tem essa coisa da arte também, né? É muito legal, né? Então tu acha que a fotografia é a própria arte?

GLGilson Lorente

É a intenção, né, que você tá colocando em todos esses projetos, né? E sempre desenvolver a melhor imagem possível, né? Acho que isso que é a grande importância da coisa. Você falou aquele primeiro, aquele primeiro contato da pessoa que nunca fotografou com você e ela vai fazer um look, né? Tem aquele, aquele primeiro contato, né? Até ela perceber que você não é um doido, maluco, né? Pelo menos isso, isso funciona muito comigo aqui.

Falar, eu tava meio assim, mas você é uma pessoa legal, tal, foi bacana. Esse primeiro contato é mais complicado, né?

RRRobinho Rock

É mais complicado, mas a gente, eu mesmo, por exemplo, geralmente convido, né? Claro que eu já tomei muito não, mas tomei muito sim, isso acontece, né? Mas, por exemplo, os ensaios que eu fiz, que quando a moça me colocou querendo fazer, eu tipo, eu não fecho, eu vou ter visto ela. Ela falou, ah, minha amiga posou, adorou seu trabalho. Eu falei, agradeço, claro, fico feliz, mas aí eu ter visto ela, olha, Você se sente pronta psicologicamente?

Ensaio não é físico, que é como eu falei, a ideia não é física. Eu pergunto psicologicamente, você se sente confortável? Você entendeu a ideia do trabalho, o conceito dela? Eu falo assim, eu não quero que você faça o ensaio na empolgação porque sua amiga fez ou porque achou bonito. Eu quero que tenha um significado para você como pessoa, como mulher, em termos de aceitação, né, de valorização do seu corpo, de liberdade. Acho que tem que ter um sentido, significado, não fazer por fazer.

Quando você vai fazer qualquer trabalho por obrigação, pode até ficar legal, mas fica uma coisa vazia, né? Então tem que ser uma coisa que tem sentido. Então é isso que eu procuro passar no meu trabalho no geral, né? Eu acho que o segredo do meu trabalho ter dado certo, apesar da censura, de ter feito mais ou menos ensaios, foi essa coisa do significado, né, ter conseguido. Tanto que felizmente boa parte das modelos que posaram para mim acabou gerando uma amizade, né, a gente é amigo até hoje, né, porque teve esse respeito, né.

Então isso foi muito legal. Acho que é assim, você deixa um legado, vai passar 10 anos de ensaios, mas aquilo ali marcou minha vida. É isso que é o legal, significado e legado.

GLGilson Lorente

Como que, como que fica o equilíbrio entre o comercial e o artístico? Porque tem dois lados, né?

RRRobinho Rock

É porque assim, eu acho que é claro que todo mundo ele quer, todo mundo, claro, quer ganhar dinheiro. Com o seu trabalho, com a fotografia. Isso aí é normal, não vou mentir isso, né? Mas o segredo é você administrar e fazer tudo dentro das regras. Igual, por exemplo, no livre retrato eu comecei agora, recomecei na verdade, né, culpa do passado. Mas aí eu tô desenvolvendo formas de ganhar dinheiro, mas aí eu já deixo uma clareza para o modelo.

YouTube não é ganhar dinheiro. Dinheiro é uma consequência, né? Os artistas ganharam dinheiro vendendo site. Então falo isso numa questão artística, né? Então, por exemplo, todo mundo que posou assina um termo de divulgação de imagem, né? Não é apenas para ter um termo de autorização de direito de imagem, que é uma segurança para elas, para gente, né? Então, por exemplo, também você Tomar cuidado, por exemplo, na maneira de divulgar, né?

Por exemplo, o Instagram ele censura, mas o caso de divulgar sem censura, eu acho que você fazer um site seguro, né, que você, pessoa acessa, que não tem um valor, já é além de você ganhar um retorno financeiro, também até a questão da segurança, porque você controla quem vai ver. Né, porque tem com essa coisa de IA, a gente tomar muito cuidado, né, de não cair mão errada, a pessoa pegar, fazer montagem, né. Isso eu tô falando no geral.

Às vezes vai fazer um ensaio biquíni, um ensaio com roupa mesmo casual, né, que você pode fazer e tal, pessoa mal-intencionada pega, né, faz uma montagem. Então eu acho que se procurar pensar tudo isso, né? Eu sempre falo que fotógrafos, que você tem que estudar muito sobre legislação, direito de imagem, você tem uma noção, isso é fundamental, entendeu? Muito fotógrafo no país, isso igual domingo agora que eu fiz o encontro fotográfico, né?

É do tema livre, mas claro, todo mundo devidamente vestido. Até eu falei, não era de nu. Aí, uma modelo levou a filha dela, adolescente. Eu conversei muito com ela, ela quis levar, beleza. Aí, claro, para ter um controle, eu levei um termo específico para ela assinar, para divulgar, né? Aí expliquei para ela, ó, mandar tudo para você, fica a seu critério se quiser divulgar e tal. Deixei tudo lascrado, né? Eu acho que isso é o fundamental em qualquer desafio na fotografia.

Não é você que responde, é você. É porque você já ganha o ensaio não com as boas fotos, é quando você mostra que você tem muita clareza, transparência, sabe? Isso aí é essencial, sabe? Vamos fazer por, sabe, no impulso, né? Então é, a gente tem que ter, quando eu falo assim, estudo, não é só você fazer a boa foto, é todo um contexto.

GLGilson Lorente

Cara, eu vi você anunciando esse encontro no Instagram, né? Aliás, o Instagram do Robinho vai estar aqui na descrição do vídeo para vocês que querem ver o trabalho dele, querem acompanhar. Infelizmente eu moro longe, são 600 km de São Paulo, mas eu gostaria muito de ter participado. E eu gostaria de saber de você, de onde veio essa ideia? Como que você pensou em reunir uma galera para fotografar?

RRRobinho Rock

Ah, sim, então essa ideia já vinha de muito tempo, né? Porque aqui na grande São Paulo tem muitos fotógrafos que realizam esses encontros, né? E uma amiga minha, né, a Duda, praticamente a minha sócia, conheci ela por causa do No Artístico e a gente ficou muito amigo, né? E a Duda e o amigo dela decidiram montar um estúdio, né, em São Paulo capital, e o estúdio tá muito em evidência, felizmente, Luz e Sombra, né? Para quem é de São Paulo muito legal, ela fazendo muitos encontros temáticos, né?

Aí eu pensei, não, eu preciso investir nisso, né? E também porque eu já fui muitos encontros e eu já vi muitas situações muito chatas em encontros fotográficos. Por exemplo, vou dar, relatar um, vai 10 modelos, por exemplo, roupa, site temático com roupa específica, aí a maioria dos fotógrafos são homens. Aí chega uma modelo toda produzida com vestido bonito, um decotão. Aí vai 5, 6 fotógrafos, vai todos ali em cima da modelo e deixa as outras de lado e braço cruzado, sabe?

Ali, ou tem um homem lá querendo posar, vai todo mundo em cima da mulher. Aí o cara tá lá encostado, ou uma mulher que, sei lá, um pouco mais velha, sei lá, que não é do tipo que eles querem, vai lá, fica de costado, sabe? Fica ali parada. Eu fico, desculpa, tava puto com isso, porque a fotografia, que o meu trabalho é inclusivo. Aí quando eu vi aquilo lá, eu fiquei revoltado. Aí falei, ah, fotografar. Aí o meu intuito era isso, queria fotografar, falar para os fotógrafos que participaram, eu quero que todo mundo pose, todos os modelos posem.

Eu não quero ver nenhum modelo de braço cruzado e 5 caras ensinando a modelo. Aí a gente organizou ali o grupo, né, fazer um rodízio, a cada meia hora trocava os fotógrafos. Para que todo mundo fotografasse todo mundo. Como eu trabalho inclusivo, então queria, eu criei esse encontro com o intuito de ensinar inclusão na fotografia, mostrar que todo mundo pode fotografar todo mundo e qualquer modelo pode posar, sabe? Então eu queria sair disso, sabe?

Por exemplo, ir para Anapiacaba, aí eu falava, vamos fazer um ensaio assim, aí as 5 modelos aí ficava de lingerie, todo mundo fotografar as modelos de lingerie, você dá lá padrão, né, que é uma coisa que não existe, né, e ficava outras pessoas ali paradas sem posar, sabe. Então eu achava aquilo lá muito frustrante. Aí eu criei esse encontro justamente porque eu queria fazer algo completamente diferente e inclusivo.

GLGilson Lorente

E qual foi o resultado?

RRRobinho Rock

Foi excelente, eu acho, superou muitas expectativas, né. Foi assim um encontro Eu tava divulgando desde agosto, aí o grupo chegou a ter mais de 20 pessoas, muita gente procurou. Só que claro, né, como era pago, que eu tinha que pagar o espaço, chegou no dia, muita gente já não dá para pagar, tem compromisso, enfim, né, não deu. Mas as pessoas que se propuseram pagaram e todas compareceram, mesmo com chuva, frio, domingo cedo, foram lá e fizeram um excelente trabalho.

Né, tá todo mundo muito feliz com o resultado e a tendência é esses meus encontros temáticos é consolidar mais, sabe? Porque agora eu já sei como gerenciar isso.

GLGilson Lorente

Então, e quanto custou para cada um?

RRRobinho Rock

R$100.

GLGilson Lorente

Pô, cara, tranquilo.

RRRobinho Rock

É acessível, né?

GLGilson Lorente

Para fotografar, né, ter ali a experiência, conhecer pessoas. É um investimento, não é custo, investimento, né?

RRRobinho Rock

Exatamente. Então, e foda que assim, Gilson, você aprende com outros fotógrafos, os fotógrafos aprendem comigo, né? Você adquire conhecimento, né? É porque também é uma coisa que é importante na fotografia, é você saber dirigir o modelo, a modelo, né? Então é, cada um tem seu estilo, né? Eu, por exemplo, eu nunca falo para modelo: olha para mim, Falar, olha para frente. Isso é uma coisa que faz o modelo se soltar, porque aí você fala, olha para mim, parece que tá intimidando a pessoa.

Não é isso, você tem que falar, olha para frente. Aí ela vai perceber que não, opa, o cara quer fazer um retrato meu bonito, sabe? Então tranquilo, né? É uma coisa assim, é difícil, é estudo, né? Eu fiz curso de fotografia, pessoal, né? Então, por exemplo, a gente aprende sobre ética, você não pode tocar na modelo, certo? Você pode deixar ela à vontade, você mostra a pose que vai fazer, sabe? Então, por exemplo, eu até deito no chão mostrando, ó, deita assim, sabe?

Então isso é bacana, sabe? Então, principalmente quando é ensaio de nua, a modelo ela tá ali vulnerável, nua. Você faz isso aí, a modelo se solta, ela vai ver que você tá bem intencionado. Você não é, pô, muita gente fala isso, pô, o cara não me olha torto, ele não toca em mim, ele mostra pose, sabe? Às vezes até a modelo esquece que ela tá nua, porque ela vê que ela tá confortável. Você deixa ela confortável, entendeu?

GLGilson Lorente

Eu, em muitos ensaios que eu fiz, minha esposa foi junto, que ela é fotógrafa. Ela é fotógrafa também. E ela, e eu contei, eu contei para ela, e ela viu in loco depois, porque eu já fazia esse tipo de foto bem antes de conhecer ela. Que no começo, no começo, ah não, olha, eu vou trocar de roupa ali, vou trocar de roupa ali. No fim já tá trocando de roupa na minha frente. Você já viu tudo mesmo, deixa quieto, vambora. Então você cria um laço, você cria uma amizade. E você acha que ainda existe machismo dos fotógrafos?

RRRobinho Rock

Acho? Não acho não, existe muito. Não é que eu acho não, existe muito, muito, muito, muito, infelizmente. Eu falo isso por 3 motivos. Primeiro, a maioria dos fotógrafos é homem, nada conta, né? Eu sou muito a favor de fotógrafo mulher, acho que a mulher tem uma olhar mais apurado. Então, sem dúvida nenhuma, sabe? Igual vai ter um encontro agora domingo de dançarinas de Krishna, né, aquela dança hindu, né, lá no estúdio.

GLGilson Lorente

Que legal!

RRRobinho Rock

É um tema bonito, a superprodução.

GLGilson Lorente

Né?

RRRobinho Rock

E a maioria das fotógrafas é mulher. Então achei maravilhoso isso, é uma coisa inédita. Então já é muito legal isso, né? E em relação assim a machismo, eu falo porque muitas— eu falei que fiz mais de 200 ensaios de nu, eu só que eu não consegui fazer mais porque além da censura, o que me atrapalha é o machismo até hoje. Tem amigas minhas que chega em mim e fala, Robinho, não fiz o ensaio do meu artista com você porque o meu marido não deixa.

Sim, entendeu? Fala isso aí, porque elas falam isso aí, meu marido não deixa. Eu falei, mas pera aí, você é casada com ele, não é sua propriedade? Eu falo, seria ser propriedade dele? Não. Então, ah, mas sei lá. Aí eu falo, aí quando você falou de negócio de levar gente, falei, então leva ele para o ensaio. Pô, vai no ensaio, leva ele junto, porque aí ele vai ver que é um trabalho sério. Inclusive, vários modelos já levaram o marido, namorado, e alguns deles ficaram até amigo meu, me agradece até hoje por causa do ensaio.

Pô, cara, que ensaio bonito, sabe? Ajudou ela na autoestima. Cara, você é um profissional incrível, entendeu? Eu prefiro que leve, eu não tenho nada a esconder. Quem não deve não teme.

GLGilson Lorente

Olha, eu tenho, eu tenho várias. Eu faço muito ensaio. As mulheres, ah não, vou fazer 50 anos, quero fazer que eu nunca fiz. Vamos embora, né? Então eu tenho vários casos, várias clientes que tiveram o momento dela meio que estragado um pouquinho por conta de ciúme do marido, por conta, né, dessas tretas. E eu já tive uma que ela não foi cliente, cara. Eu falei que ao longo da minha vida ali de fotógrafo eu tive algumas musas inspiradoras, pessoas que fizeram vários ensaios comigo e cada um de um jeito.

E eu tive essa pessoa que eu convidei ela para fotografar por conta que ela tinha uma tatuagem gigantesca nas costas. Eu adoro tatuagem, mulher e tatuagem, tipo uma coisa que combina muito. E ela fez 9 ensaios comigo. 9, cara. O marido dela levava ela, fala, ó, tá aqui, vai lá, porque depois do ensaio ela fica super feliz, ela fica super confiante. Isso faz muito bem para gente. Então ele já teve um parceiro ali, entendeu? Porque ele viu que aquilo ali tava fazendo bem para ela, cara.

E acho que é isso que a gente tem que procurar, né? Claro, exatamente. O meu, olha, quando eu comecei não tinha internet, não tinha— achar um livro desse tipo de fotografia era muito difícil. O primeiro ensaio que eu fiz foi lá em 95 e foi horrível. Primeiro ensaio foi horrível, horrível. Falar a verdade, tem uma foto só que eu mostro no curso. Ó, essa aqui foi a primeira foto que eu fiz e vocês não vão ver mais nenhuma porque ficou horrível.

Fiz com filme fotográfico, um dos rolos do filme rasgou dentro da câmera, perdi um monte de foto, foi uma loucura, foi uma loucura. E como que foi seu primeiro ensaio?

RRRobinho Rock

Então vamos contar essa história. Foi 2015, a primeira modelo foi assim, tem um bar em São Paulo chamado Madame Satã que tá em evidência.

GLGilson Lorente

Sim, tá na mídia, tá na mídia, né?

RRRobinho Rock

Enfim, mas é outra história. Essa moça, ela trabalhava como modelo viva, ela fez uma performance nua no Madame Satã. Eu só tava estudando tal projeto, só que eu não tinha feito ensaio dela, nada. Ela me deu o celular dela, grandão, na época era a melhor câmera. Ela falou, ó, me fotografa nua em cima do balcão e com o logo do Madame atrás. E não sabia nada. Tirei a foto e ela ficou uma silhueta, mas assim, e o logo do Madame atrás.

E deu muito certo, cara, ficou bom a foto. Até virou capa do meu Facebook na época. Repercussão tal. Aí era silhueta, né, o Face não bloqueou nada. Aí deu tão certo que na época um fotógrafo de nome, eu não vou falar o nome dele, que ele chegou em mim, perguntou se a foto era feita por mim. Falei, é claro, é do celular da modelo. Aí ele chegou para mim, posso perguntar para ela? Eu falei, você tá achando que eu peguei a foto falando que é por mim?

Aí esse cara, eu e ele, a gente não se dá bem até hoje, que nunca me pediu desculpa, mas é. Eu não vou falar o nome dele. Aí passou um mês, ela veio, ela morava no interior, ela ficou uns dias em casa. Aí eu falei que tava começando o projeto e fiz umas fotos dela em casa assim, no artístico, celular bem amador, né? Ela lendo jornal, foto em preto e branco, e deu muito certo. Aí foi o primeiro ensaio mesmo, né, do projeto. Aí eu fiz o segundo com uma amiga minha de muitos anos, aí ficou, ó, uma droga.

Final de 2015. Aí ele fez alguns tal, aí ele passou o meu trabalho com o Nucco, passou a andar em 2016, em maio, quando eu fiz um ensaio em Votorantim. Aí ele veio, uma amiga minha, para me ajudar, né, porque eu não conhecia a moça. Era um ensaio comemoração 40 e poucos anos da modelo, tal, e deu muito certo. Inclusive tá até no Insta do livro, ficou muito bonito. Aí fiz mais, foi esporadicamente. Aí 2017 engrenou, de 2017 até 2019 era um ensaio por mês.

Teve época que eu fazia um ensaio por semana, então certo. Isso com celular da Nokia, sabe? Aí março de 2019 eu consegui a câmera, eu fui de ensaio com uma moça dos duéis que é minha amiga minha até hoje. Ela fez lá perto da minha casa, tinha um lugar abandonado Que eu ia a pé e era enorme o lugar. E fiz lá, a gente até brincava com aquele estúdio nosso, aquele estúdio desse ensino. Eu fiz ensaio por 3 anos lá, nunca deu polícia, nada.

É que hoje não existe mais, fizeram uma mega store da Léo Madeira. Aí fiz ensaio dela nua assim com as tochas de fogo. Nossa, foi o ápice assim. Aí nessa época eu fui convidado a fotografar em Portugal, nos Estados Unidos, no Chile, né? Só que infelizmente não consegui, falta de recurso, né? Não quiseram me bancar minha viagem, senão eu tinha ido. Aí chegou mais de 100 mil seguidores de forma orgânica, né? Só que aí agosto de 2019, né, o Insta derrubou a conta.

Fui recomeçando, recomeçando, mas sempre caía a conta. Aí apareceram fotógrafos, né, que eu nunca tinha visto, com me imitando. Não, vou te ajudar, não sei o quê, sabe, mas imitando o meu trabalho. Mas na verdade, depois de muito tempo, descobri que o intuito deles era que ele queria fotografar os modelos que eu retratava, sabe.

GLGilson Lorente

Então aí ele queria ter os seus contatos.

RRRobinho Rock

Exatamente, não era aquele daqui.

GLGilson Lorente

É complicado, né? Muito, muito.

RRRobinho Rock

Tem, eu tô mais assim filtrando mais.

GLGilson Lorente

Tem um fotógrafo jovem aqui numa cidade vizinha que toda vez que eu postava um ensaio no meu Instagram, ele ia atrás da modelo para convidar ela para fotografar também. Então, e essas, e essas, cara, se tá ali no meu Instagram, a pessoa que tá lá no meu Instagram, ela não é só uma cliente, ela é minha amiga também.

RRRobinho Rock

Exato.

GLGilson Lorente

E elas contavam para mim, ó, o fulano ligou para mim, queria que eu fotografasse com ele. Falei, ah, cara, não conheço. Não conheço, eu não falei nada. Tenha cuidado, essas coisas são complicadas. Muito cuidado.

RRRobinho Rock

Exatamente.

GLGilson Lorente

Você falou da sua amiga modelo vivo. Aqui na região não tem isso, não tem escola, não, não tem. Tem faculdade de arte, mas aquele lance mais para educação artística de escola, sabe, formar professor de educação artística. E mesmo pagando, a gente quer pagar, ainda a gente não acha. E em 2000, em 2014, 14, teve um evento em São Paulo, Clício Barroso organizou tal, ia ter uma aula de Nu com o Klaus Middeldorf. Eu falei, cara, eu acho que eu vou.

Dei uma de louco aqui, peguei um busão de manhã, caí lá em São Paulo, voltei no mesmo dia, mas no ônibus da meia-noite. E tinha uma moça lá, cara, tinha umas 60 pessoas assistindo isso aí, umas 60 fotógrafos. E a moça chegou e só tirou o roupão. Falei, eita pomba! Isso no interior a gente não consegue, uma pessoa para posar para um curso que tem 60 pessoas. E aí depois, uns 2 anos depois, Aí, Foto Editora fez aquele Nu Photo Conference, um congresso de fotografia de nu artístico.

E eu fui os 3 dias, fui pelo email, escrevia no site na época, a gente ganhou uma entrada, cara. Devia ter umas 1000 pessoas lá dentro, teve aula prática, teve tudo, uma loucura completa, cara. Conheci coisas malucas lá que no interior a gente não tem acesso.

RRRobinho Rock

E a maioria do mundo é posto, né? A maioria do, do, do, sim, a maioria é homem, maioria é homem.

GLGilson Lorente

Infelizmente acontece, acontece. Mas a gente assistiu palestras de muitas fotógrafas mulheres apresentando o trabalho delas. Tinha um cara lá que ele só fotografava homem, o trabalho dele de nu era só com homem, foi lindo. Coisa linda, lindíssima. E infelizmente teve um só, não teve mais nenhum congresso desse tipo.

RRRobinho Rock

Felizmente, na grande São Paulo tem bastante escola que trabalha com modelo vivo. Inclusive eu mesmo já fui modelo vivo, eu já posei nu várias vezes, né, só para deixar claro. Posei porque, além de ser um trabalho a mais, Eu queria sentir do outro lado o que as modelos sentiam. Isso me ajudou muito na questão, porque as mulheres, principalmente mulher, se vê, pô, ele posa também, então ele sabe como é na pele, sabe o que tá acontecendo.

Legal, né? Então, por exemplo, aqui tem a Escola de Belas Artes, tem o, pô, não, Cultural, que é um espaço bacana na Barra Funda, que foi lá onde fui modelo vivo. Todo domingo tem um projeto lá chamado Photoshop, que é muito legal, né, que eles fazem modelo vir, mas de domingo é foto, né, fotografia, né. Você paga uma taxa lá e fotografa modelo ou modelo também, é voltado para ter modelos femininos e masculinos também, não tem gênero.

Então é muito legal também. Até foi graças ao Pornão que eu voltei a fotografar o nu, né.

GLGilson Lorente

Então, mano, eu tinha que me organizar pelo menos uma vez por ano e no evento desse em São Paulo, sabe? Fotógrafo velho, cara, a gente começa, a gente chega num ponto que você olha, você fala, caraca, tá tudo igual, eu estou fotografando de forma automática, eu preciso encontrar alguém que me quebre isso aqui, cara, eu preciso descondicionar meu olhar.

RRRobinho Rock

Exatamente. Então é artificial.

GLGilson Lorente

Hoje você fotografa mais com luz natural ou você trabalha com luz artificial?

RRRobinho Rock

Luz natural, eu gosto da luz natural, porque assim, né, Gilson, tô montando meu estúdio ainda, né, e daí aconteceu uns imprevistos aqui, então tive que adiar, né. Agora a gente tá no momento que tá chovendo direto aqui, né.

GLGilson Lorente

Sim, aqui também, aqui também.

RRRobinho Rock

A gente nem sabe mais o que é sol. Tive que esperar voltar a fazer o sol, tô estudando aqui aí para tentar montar o estúdio. Eu comecei com a luz natural, então deu muito certo, né? Então me habituei. É claro que agora eu tô muito focado nessa coisa do estúdio, de estudar luz artificial mesmo para ter um nível. Então, igual no domingo, no encontro, quando eu fiz o encontro, felizmente os outros fotógrafos levaram um aparato lá de luz artificial. Né? Então para mim foi ótimo, eu pude treinar bastante.

GLGilson Lorente

Olha, eu não, eu não tenho estúdio desde a pandemia. Na pandemia a gente fechou o estúdio porque não tinha, não tinha fluxo. E hoje eu trabalho com isso também, cara. Eu tenho 3 tripézinho pequeno, eu tenho flash, esse flashzinho que vai em cima da câmera mesmo, com rádio flash, sombrinha, octobox. Então eu levo esse estúdio para qualquer lugar. Eu sou um cara bem dependente do flash, sabe? Eu gosto muito, até em ensaio externo eu uso flash por conta de contraste e tal.

E é uma preferência minha, cada um tem a sua, não tem certo e não tem errado, né?

RRRobinho Rock

Logo logo eu vou participar do curso de flash, né, para aprimorar isso também.

GLGilson Lorente

Vamos! Eu te passo umas dicas sem problema. Cara, e o futuro? O que o futuro ele reserva?

RRRobinho Rock

Bom, eu agora eu tô num processo de recomeço, né? Porque agora eu tô sabendo gerenciar meu trabalho. Acho que tudo é gestão, né, Gil? Eu tô focado nisso, gestão do meu trabalho no geral, na fotografia. Aproveitar essa retomada. Então as coisas estão voltando aos eixos aos poucos, profissionalmente falando. Então aproveitar essa vibe, né? Em relação, por exemplo, ao meu projeto novo, Livre Retrato, eu tô investindo nele, na estrutura, né?

Até peço aqui para as pessoas seguirem, né? O Livre Retrato é um fácil de achar no Instagram, digita lá.

GLGilson Lorente

Vai ter, vai ter o link, todos os links, se você quiser eu coloco aqui na na descrição do vídeo, vai estar no YouTube, vai estar no Spotify, aí as pessoas podem seguir.

RRRobinho Rock

Exatamente. Então vou postar todo o link, né, dos meus trabalhos. Já tem um Behance também, né, que você já viu, um Behance, um site da Adobe lá. Então eu tô aprimorando nisso, né. Mas aí que eu tô fazendo, eu tô atuando em 3 frentes na fotografia: o Mu, os eventos, e agora essa coisa da Como é que fala, os encontros fotográficos, né? Como eu falei, agora eu organizei o meu, deu certo, eu vou insistir nisso. Tô participando dos encontros do estúdio da minha amiga Duda, né, o Sombra.

Isso também, além de aprendizado, você é um portfólio a mais também. Então você está sempre vivência. Em relação a eventos, eu tô trabalhando para o Museu dos Carros Monte Verde, né? Tem uma equipezinha, eu, a Luana, que e o Igor, que é o curador do negócio de carne antiga. É um universo que eu adoro, eu conheci por causa das pinatas. Então eu tô focado nessas 3 coisas, né? E me estruturar profissionalmente, né? Tem um meu estúdio, tem outra câmera, né?

Mas o mais profissional possível. É um custo alto, é, mas é, você tem que, se você quiser ficar evidente, você tem que investir, tem como.

GLGilson Lorente

Cara, os investimentos são muito loucos, cara. Estamos chegando ao fim, né? Quase, quase uma hora de papo. Eu falei que ia ser 40 minutos só. Para quem tá começando, que conselho que você daria? Que que você acha que você acertou e o que que você acha que você errou? Para quem tá começando agora, qual seria o conselho do Robinho?

RRRobinho Rock

Vamos lá, eu fotografo há 10 anos. O que que eu acertei? O que que eu errei? É acerto, estudo, que até hoje estudo muito, criatividade. Acho que isso me fez isso, né? Aprimoramento, sempre participando de curso, participando de encontro, né? Sempre você nunca achar que tá bom, sempre tem que estar evoluindo, né? O que eu errei foi na questão da gestão Por exemplo, esse ano eu acho que foi gestão, me deixei abater pelas perdas de contas porque nisso abriu mais para os oportunistas, né?

Então você nesse caso você tem que ser um pouco, entre aspas, egoísta, caso tem que pegar dica, mas você tem que saber gerenciar seu trabalho. É isso que você faz para você sempre estar em evidência, tá? E para quem tá começando, não faz por fazer. Faz com significado para você e para quem você quer retratar. Porque a fotografia é legal porque tem muito nicho, vai ter um que você vai se identificar. Você pode até trabalhar com ensaios fotográficos, eventos, eventos é uma coisa que dá dinheiro, né?

Então sempre estuda, saiba gerenciar, começa a fotografar que uma hora você vai achar um nicho ou vários nichos. Eu poderia ter um desses, então eu tô organizando isso para ter evidência nos três. É isso, cara.

GLGilson Lorente

Agradeço muito a sua participação nesse primeiro bate-papo de 2026 e desejar sorte para você, muita sorte. Tamo aí acompanhando o seu trabalho e quando É, e quando esse vídeo publicar, né, você manda para mim todos os links que você quer divulgar e eu coloco na descrição. Para quem tá assistindo a gente até agora, esse vídeo vai estar disponível no canal, no meu canal do YouTube de fotógrafo, vai estar disponível no canal do YouTube do podcast Fotografia e Música, e o áudio vai estar disponível no Spotify como forma de podcast.

Também. Então a gente coloca os links em todas essas publicações. Cara, muito obrigado, valeu mesmo!

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