Episódios de Fotografia e Música

Prêmio Fotográfico Fundação Conrado Wessel

11 de setembro de 202633min
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Olá pessoas, hoje vamos falar sobre um dos mais importantes concursos fotográficos do Brasil e de quebra falar as normas de como construir um ensaio fotográfico para participar desse tipo de competição de outras que estão disponíveis no mercado brasileiro.

Compre o curso de fotografia como arte

Citado no Episódio:

Prêmio de Fotografia Fundação Conrado Wessel

Instagram do fotógrafo Iatã Cannabrava

Projeto Fotográfico Mulheres em Negro e Branco

Quer dar uma ajuda para o projeto? Você pode mandar um pix de qualquer valor para a chave:– gilsonlorenti@gmail.com

Participantes neste episódio1
G

Gilson Lorenti

HostFotógrafo
Assuntos6
  • Detalhes do Prêmio Fundação Conrado Wessel 2026 e o tema 'Veredas do Brasil'Veredas do Brasil·Inscrições e premiação·Ensaio fotográfico·Carlos Vogt
  • A definição e as normas de um ensaio fotográfico para concursosUnidade formal·Unidade temática·Fotografia artística·Iatã Cannabrava
  • O Prêmio Fotográfico Fundação Conrado Wessel como concurso de prestígio no BrasilFundação Conrado Wessel·Concursos de fotografia·Prestígio no meio da fotografia
  • A importância do bicentenário da fotografia e a obra 'Grande Sertão: Veredas'Bicentenário da fotografia·Joseph Niépce·Grande Sertão: Veredas·João Guimarães Rosa·Maureen Bisigliatti
  • Exemplos práticos de ensaios e séries fotográficas do apresentadorDeusas e Orixás·Mulheres em Negro e Branco·Templos de Fé·Cidades Verticais
  • Curso de fotografia 'Fotografia como Arte' para concursos e editaisHotmart·Fotografia artística·Editais de arte
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GLGilson Lorenti

Olá pessoas, tudo bem? Aqui é Gilson Lorente, fotógrafo, falando diretamente das terras molhadas e frias de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Esse é mais um episódio para o podcast Fotografia e Música. E eu pergunto para vocês, vocês já pensaram em participar de um concurso de fotografia? A gente volta daqui a pouco depois da musiquinha. Olha só que bacana, hoje eu vou falar falar para vocês sobre um dos concursos de fotografia mais bacanas que existem no Brasil.

Um concurso que não é um concurso picareta como a maior parte dos concursos fotográficos que a gente vê por aí, e é um concurso de prestígio. Quem ganha esse concurso sempre tem muito prestígio no meio da fotografia. Eu estou falando do Prêmio Fotográfico da Fundação Conrado Wessel. Antes de entrar nisso, eu vou falar para vocês que eu tenho um curso de fotografia lá no Hotmart. É o meu curso mais baratinho, ele custa R$19,90 apenas, que é o curso Fotografia como Arte.

Embora o objetivo desse curso seja mostrar para o aluno as diferenças entre fotografia artística, fotografia autoral, fotografia fine art, ensaio fotográfico, ele tem ali como subobjetivo preparar vocês para participarem dos grandes concursos de fotografia, né? Aquela questão de saber exatamente o que enviar para um concurso de fotografia e também os editais de arte, né? Esses editais que aparecem aí a rodo no Brasil. A gente pode pensar que não, mas tem muito edital artístico dando dinheiro, né?

Oferecendo dinheiro para patrocinar obras de arte, tanto exposições quanto cursos, bolsas de estudo. Então tem muita coisa acontecendo aí no Brasil, tem muita coisa acontecendo nos estados, municípios, que são oportunidades para o fotógrafo, que são oportunidades para o artista em geral conseguir um dinheirinho para desenvolver a sua arte, para desenvolver o seu projeto. A Fundação Conrado Wessel eu conheci há muito tempo atrás Eu achei muito bacana.

Todo ano eles têm um concurso fotográfico e esse ano o concurso fotográfico da Fundação Conrado Wessel de Fotografia tem o tema Veredas do Brasil. É o tema da edição de 2026 do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Fotografia, o prêmio de maior longevidade da fotografia brasileira, e que este ano aumentou o valor a ser concedido aos vencedores para R$155 mil. As inscrições podem ser feitas de 10 de junho a 27 de setembro e estão abertas a fotógrafos profissionais de todo o Brasil.

Os ensaios devem ser compostos por 10 fotografias de acordo com o tema geral. O portfólio encaminhado digitalmente para avaliação deverá conter fotografias de um mesmo trabalho e não fotografias avulsas e sem conexão. O ensaio fotográfico deve ter sua produção realizada e comprovada entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de julho de 2026. Serão selecionados entre os inscritos os 3 melhores ensaios fotográficos, considerados os finalistas.

Os ensaios fotográficos serão avaliados quanto aos seus aspectos técnicos, a beleza, composição, forma, originalidade, qualidade cultural, unidade de conjunto, edição e narrativa, e quanto à capacidade de comunicar o tema sem auxílio de texto. A escolha dos vencedores será feita a partir da indicação do júri de seleção e de votos dos participantes em cerimônia de premiação a ser realizada em outubro em São Paulo. Os prêmios serão R$90 mil para o primeiro lugar, R$40 mil para o segundo lugar e R$25 mil para o terceiro lugar.

Os valores indicados correspondem aos montantes brutos da premiação, estando sujeitos às retenções tributárias previstas na legislação vigente, de modo que os valores efetivamente pagos aos premiados serão líquidos dessas deduções. Aí a gente tem aqui uma citação do Carlos Vogt, que é diretor-presidente e coordenador cultural da Fundação Conrado Wessel. É uma grande satisfação lançar uma nova edição do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Fotografia, um dos mais consagrados do Brasil, importante referência para fotógrafos de todo o país.

O prêmio demonstra o papel da Fundação Conrado Wessel no apoio ao desenvolvimento da cultura e da ciência. Olha, sobre o tema Veredas do Brasil, eu acho que aí é um complicador para você que não tem nada, né? Você pensou assim, ah não, eu vou criar algo agora do zero e vou mandar para eles para participar, né, desse certame, dessa competição. Porém, o tema, cara, é muito específico. Eu vou ler aqui para vocês. O que tá escrito no site, né, junto com as indicações do que seria interessante você mandar para esse concurso.

Olha lá, Veredas do Brasil 2026, ano em que celebramos o bicentenário do advento da fotografia. Puta, mano, vamos falar sério, em 2026— parar um pouquinho aqui a leitura— em 2026 a gente comemora 200 anos da fotografia. Foi em 1826 que o Joseph Niépce conseguiu, né, produzir aquilo que a gente chama, aquilo que a gente considera como a primeira fotografia da história, né, que foi batizada lá de Vista da Janela. Tá, você olha para ela hoje, você pensa, caraca, que que é isso, né?

É uma coisa sem qualidade, sem nitidez, sem nada, mas é um marco Foi a primeira fotografia, primeira vez que alguém conseguiu registrar uma imagem, e eu não tô vendo ninguém falando disso, né? Os YouTubers de fotografia que estão aí na YouTubesfera, que o pessoal fala, ninguém fala dos 200 anos da fotografia. Cara, é uma data muito importante. Tudo bem que vai demorar aí mais um tempo, né? Porque a primeira câmera fotográfica, o daguerreótipo, só foi apresentado ao mundo em 1839, mais de 10 anos depois da façanha do Niépce.

Né? Todo mundo lembra dessa data. Até o dia que a câmera foi apresentada em Paris é considerado o Dia Mundial da Fotografia. Ninguém lembra dessa data do Niépce, até porque não tem uma data específica, né? Só fala que ele conseguiu fazer isso no verão de 1826. Não tem um dia, né, específico. Mas cabe aqui lembrar, cara, são 200 anos de fotografia. Isso é muito legal. Isso seria muito interessante de ser comemorado. Isso seria muito interessante de ser lembrado para as pessoas.

Então vamos lá, vamos continuar aqui a leitura, né? Ano que celebramos o bicentenário do advento da fotografia, a primeira imagem técnica, a heliogravura, resultado das inúmeras experiências de Nicéphore Niépce, e os 70 anos da publicação da obra-prima da literatura brasileira, Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. São dois marcos históricos que destacamos para comemorar a 20ª edição do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Fotografia, o mais longevo da fotografia brasileira.

O primeiro tem relação direta com o nosso mantenedor Conrado Wessel, que há exatos 105 anos recebeu a carta-patente do presidente da República do Brasil para produzir em escala industrial sua criação, o papel fotográfico. O segundo fundamenta o tema escolhido para esta vigésima edição: Veredas do Com esse tema, também queremos homenagear Maureen Bisigliatti, responsável pelo primeiro ensaio fotográfico dedicado à literatura brasileira, publicado em 1969 e inspirado coincidentemente na mesma obra.

As palavras do escritor foram livremente transformadas em imagens pela fotógrafa. Que neste ano celebra 95 anos de idade. São duas linguagens que se interpenetram, ora se aproximam, ora se distanciam, ora se complementam, ora se atritam. Juntas permitem um amplo e panorâmico voo sobre as densas camadas de humanidade do povo brasileiro e sobre a diversidade de nosso território. E finalizando, né, o livro de Guimarães Rosa apresenta inovações sintáticas e pioneiras experimentações linguísticas, mas também uma forte dimensão regionalista.

Ao reunir esses elementos, o autor criou um romance singular e até então sem precedentes na literatura brasileira. Caberá ao fotógrafo propor e construir uma narrativa visual, o ensaio fotográfico, a partir das múltiplas brechas interpretativas e visualidades sugeridas ao longo da obra, que surpreendeu a literatura brasileira quando de sua publicação. Essas datas e números isoladamente pouco significam, no entanto, quando reunidos de forma sincrônica, revelam o potencial inventivo humano e o talento criativo do artista brasileiro.

Veredas do Brasil é a proposição temática desta edição, que selecionará os 3 melhores ensaios fotográficos. Como escreveu Guimarães Rosa, o real não está no início nem no fim, ele se mostra para a gente e no meio da travessia. Cara, olha, vamos lá, Fundação Conrado Wessel é um prêmio de muito prestígio, É um prêmio com uma quantidade, uma premiação em dinheiro expressiva. Mesmo que a gente tenha ali os descontos do imposto de renda, é uma premiação expressiva.

E esse desconto de imposto de renda e outros tributos que possam cair em cima, isso acontece em qualquer coisa. Uns 2 anos atrás eu peguei um projeto da prefeitura aqui, da Secretaria de Cultura, para produzir um ensaio fotográfico, né? Eu ganhei. Eu apresentei um projeto, eu ganhei o patrocínio, é um patrocínio de R$20 mil, e teve dedução de imposto de renda e ICMS. Mais de R$5 mil desse dinheiro ficou com o Estado. Então não tem como escapar disso, a gente tem que se adaptar, a gente tem que saber que tudo tem imposto, tudo tem desconto.

Mas mesmo assim é uma quantidade de dinheiro expressiva, além de ter muito prestígio. Como é um prêmio importante, como é um prêmio que é sério, né? A gente tem muito concurso de fotografia no Brasil que não é sério. Esse é um concurso sério, né? Além de prestígio. Então ele tem um tema muito singular. Então você tem que quebrar a cabeça, você tem que sentar, você tem que construir um projeto. Não é só sair fotografando, você tem que conseguir desenvolver um tema que você não precisa necessariamente ficar ali vinculado ao livro, mas você tem que ter uma conexão com esse tema e desenvolver o seu ensaio fotográfico.

Ensaio fotográfico é uma das categorias da fotografia artística que são mais incompreendidas pelas pessoas, né? Porque o termo ensaio fotográfico é usado de forma muito aberta por todos nós fotógrafos, né? A pessoa quer fazer foto de distância, é um ensaio fotográfico. A pessoa quer fazer Um book é um ensaio fotográfico. A pessoa quer fazer qualquer coisa, vira um ensaio fotográfico. Sim, é um ensaio fotográfico, mas a gente não entende quais são as normas que determinam o que é um ensaio fotográfico para um concurso de fotografia como esse do Conrado Wessel.

Eu vi muito concurso aberto de fotografia onde você teria que enviar um ensaio fotográfico E as pessoas não entenderam o que é um ensaio fotográfico e mandaram coisas totalmente aleatórias. Aqui mesmo na cidade, né, Presidente Prudente comemorou 100 anos de fundação em 2017 e a Secretaria de Cultura abriu um concurso de ensaio fotográfico sobre a cidade. E as pessoas mandaram coisas absolutamente aleatórias. Para o concurso. E sabe o que é o pior?

O pessoal que foi a banca julgadora do concurso também não sabia o que era ensaio fotográfico. E o vencedor do concurso mandou um desses conjuntos fotográficos aleatórios que não poderia ser classificado nunca como ensaio fotográfico. Então lá no meu curso, que tá lá na Hotmart, eu falo de fotografia autoral, Eu falo de fotografia fine art e eu falo de ensaio fotográfico. São as, são 3 categorias bem distintas e elas têm regras bem distintas.

Elas são caracterizadas por regras muito distintas. Eu, quando comecei na fotografia lá em 1995, olha, tô velho, hein? Eu fiz o que todo fotógrafo iniciante fazia, eu fotografava de tudo. Eu fotografava de tudo sem muito pensamento, né? Eu chegava, achava bonito, fotografava. Pô, isso tá errado? Não, isso não tá errado. É uma questão de você tá se divertindo, é uma questão de você tá comunicando, né? Fotografia é uma forma de comunicação.

Se eu achei o objeto ou a situação ou a paisagem dignos de serem registrados, é que eu queria que alguém mais visse, eu queria me comunicar através da imagem que eu estava produzindo. Porém, um belo dia, alguns anos depois que eu comecei na fotografia, eu comecei a olhar para essa minha produção fotográfica, eu comecei a pensar o seguinte: olha, e se eu morrer hoje, né? Saí aqui na rua, tropeço, bata a cabeça no paralelepípedo e morro.

Quem chegar aqui e olhar essa minha produção fotográfica, o que que ela vai dizer sobre mim? Qual conclusão ela vai chegar a respeito do meu trabalho? Eu comecei a ficar muito preocupado com isso, né? Eu fiquei, foi a minha primeira grande crise no mundo da fotografia, e eu tive várias, né? Eu tive algumas outras. Porém, eu conheci uma pessoa, um rapaz que veio dar um curso aqui em Prudente, Iatan Canabrava, fotógrafo maravilhoso, um dos, para mim, um dos grandes fotógrafos da fotografia brasileira, um cara que deveria ser estudado, um cara que tem que ser conhecido.

E ele veio aqui na cidade e ele apresentou para gente a noção de ensaio fotográfico. Cara, o que é um ensaio fotográfico? O ensaio fotográfico, olha, se vocês estão ouvindo um chiado, é a chuva que começou a cair aqui. E o Yatan Canabrava veio aqui para cidade através do projeto das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo justamente para ensinar para gente a construir um ensaio fotográfico. Isso mudou totalmente a minha vida.

Isso me deu sentido para fazer outras coisas. Eu comecei a ver que a fotografia podia ter uma intencionalidade que eu não estava trabalhando, que eu não estava colocando na minha produção, né? Que eu estava simplesmente apontando a câmera para vários assuntos aleatórios Eu estava lá registrando, eu não estava contando uma história, eu não estava trabalhando de uma maneira que ela poderia maximizar muito mais o impacto daquilo que eu tava mostrando.

Basicamente, o que que é um ensaio fotográfico? É um conjunto de fotos onde você tem unidade formal e unidade temática. São as duas regras do ensaio fotográfico. Unidade formal e unidade temática. A unidade temática, o nome já fala, você está contando uma mesma história. Então você decidiu que você quer mostrar uma história, que você quer trazer para o público uma história que você encontrou, que você percebeu, ou que você criou na sua cabeça, e você vai fazer um conjunto de fotos que vão contar aquela história.

Então a unidade temática é o assunto Você vai ter um único assunto em um conjunto de fotos. Pô, isso é tranquilo. Então eu decidi, por exemplo, meu último projeto fotográfico foi chamado Deusas e Orixás, que foi uma representação fotográfica através de retratos femininos de 6 orixás da religião de matriz africana. Então eu encontrei a modelo, eu pesquisei sobre orixá, eu vi lá que cada orixá tem uma cor, né, os trajes delas têm algumas cores específicas, cada orixá tem um local de poder.

Então olha, tem uma orixá do bambuzal, tem a orixá da cachoeira, tem a orixá do rio. Então eu criei uma história, eu criei uma quantidade de fotos temáticas para cada uma das 6 orixás que eu coloquei dentro do meu projeto. E eu fotografei essas mulheres, consegui voluntárias para serem fotografadas, e um dos pré-requisitos é que tinha que ser uma mulher negra. Então eu acho que, como é uma religião de matriz africana, eu quis que essa orixá fosse representada nas minhas fotos por uma mulher negra.

E depois da unidade formal, da unidade temática, nós temos a unidade formal. O que é unidade formal? Olha, eu estou contando a mesma história, então todas as minhas fotos estão contando a mesma história. Porém, esteticamente, elas precisam ser iguais também. Você pode eleger alguns fatores estéticos que apareçam em todas as fotos. Pô, o mais comum, pô, podia ser tudo em preto e branco, né? Todas as fotos desse ensaio fotográfico que contam essa história vão ser em preto e branco.

Isso não aconteceu com esse ensaio, Deusas ou Orixás, mas eu tive um ensaio há 10 anos atrás que eu chamei de Mulheres em Negro e Branco, né? Foi a primeira vez que eu percebi que mulheres negras eram muito pouco retratadas nos trabalhos fotográficos, tanto os meus quanto os dos meus alunos e de alguns amigos, né? Comecei a procurar no portfólio dos meus amigos quantas mulheres negras eles fotografavam ao longo do tempo, e a quantidade era muito pequena.

Então eu quis fazer um projeto fotográfico de retrato de mulheres negras. Então a unidade temática é isso: retratos de mulheres negras. Qual foi a unidade formal desse ensaio? Todas as mulheres estavam no mesmo, na mesma pose, todas as mulheres foram fotografadas com a mesma iluminação, e todas as mulheres foram fotografadas com a mesma lente e o mesmo enquadramento. Então a única diferença entre os retratos é o próprio poder da mulher que estava lá sendo retratada, né?

E mesmo todas essas características técnicas iguais, todos os retratos ficaram diferentes porque cada um tem uma personalidade, cada um vai expressar a sua personalidade de forma diferente. Então a minha unidade temática foi retrato de mulheres negras e a minha unidade formal foram todas essas características que eu coloquei para vocês. No caso do ensaio Deuses e Orixás, todo mundo foi fotografado também com uma iluminação muito parecida, todo mundo foi fotografado com a mesma lente, uma 50mm f/1.8 STM da Canon, e todas as fotos foram editadas com um pouquinho de saturação a mais do que o normal, que eu queria que o colorido fosse muito mais forte, tivesse ali o colorido e o contraste tivesse uma linguagem muito específica nesse meu ensaio fotográfico.

Então, para ser ensaio fotográfico, tem que ter essas duas normas: você tem que contar uma história e você tem que, dentro dessa história, ter uma unidade estética, né? As fotos têm que ser parecidas para você jogar essa, como diz, né, o texto do concurso da Fundação Conrado Wessel, você joga essas fotos em cima da mesa E elas te contam uma história sem a necessidade de um texto, sem a necessidade de alguma coisa escrita. Você percebe que ali tem alguma coisa, você percebe que ali tem uma história.

Independente de participar de concurso fotográfico ou não, o ensaio fotográfico é a melhor forma de expressão para o fotógrafo, mesmo que você não tenha a pretensão de participar de algum concurso fotográfico, mesmo que você não tenha pensando, não, eu vou fazer isso para participar do edital, comece a pensar sua produção fotográfica através de ensaio fotográfico. Não precisa necessariamente ser um ensaio fechadinho como esses que eu falei para vocês, porque tanto Deus e os Orixás quanto Mulheres de Negro e Branco, eles tinham, eles tinham um período de tempo para existir.

Eu determinei isso no começo do ensaio. Por exemplo, foi mulheres e negro e branco, vou fotografar por 2 anos. Todo mundo que eu consegui angariar para fotografar em 2 anos é o tempo do projeto, e depois ele vira exposição, depois a gente publica ele, coloca na internet, faz uma galeria virtual. Tudo bem, partimos para o próximo projeto. Então esses são fechados. Mas eu tenho, por exemplo, séries. O que que são séries? Séries são algumas, alguns tipos de fotografia que se encaixam dentro dessas duas, dessas duas normas do ensaio fotográfico, né?

A unidade temática, unidade formal. Só que são coisas um pouco mais abertas, são coisas um pouco mais sem responsabilidade. Por exemplo, dá um exemplo para vocês. Eu tenho um álbum lá no meu Facebook que chama Templos de Fé. Por quê? Porque eu adoro fotografar igreja. E não precisa ser necessariamente igreja católica. Pode ser todo tipo de templo de fé. Aí é o nome. Aí é uma série. Por quê? Porque ela não tem fim. São fotos feitas normalmente com uma grande angular de 17mm.

São fotos coloridas. São fotos que mostram a grandiosidade, o impacto visual desse templo de fé. Coisas que a fé humana consegue construir só por conta de fé. Então chama Templos de Fé e não é um projeto fechado. Por quê? Porque eu vou continuar fotografando igrejas a minha vida inteira. Onde eu passar e ver uma igreja bonita, eu vou parar, vou tirar o tripé do carro, vou tirar minha câmera e vou fazer uma foto. Daquela igreja, preferencialmente de vários ângulos, não só frontal, né?

Eu gosto de rodar em volta da igreja. Se a igreja tiver aberta, eu gosto de entrar, fazer uma foto lá dentro. Então chama Templos de Fé. Outra série que eu tenho, que também tá lá no Facebook— cara, adoro usar o Facebook como galeria, porque lá eu consigo pegar albinhos, né? Coisa que eu não consigo fazer no Instagram, por exemplo. Todas essas fotos eu publico no Instagram, mas tá meio misturado lá, né? Não dá essa noção de que tem uma, alguma coisa, alguma ideia acontecendo.

Porque às vezes eu posto uma foto de natureza, às vezes eu posto uma foto de igreja, e às vezes eu posto uma foto dessa outra série que eu vou falar para vocês agora, que também tem lá no Facebook, que chama Cidades Verticais. Por quê? Porque um belo dia, pô, eu moro numa cidade pequena, eu quando nasci aqui na cidade de Presidente Prudente, era uma cidade que quase não tinha prédio, quase não tinha edifício, prédios grandes, né, de 20 andares, 30 andares, era uma coisa muito rara, tinha muito pouco no centro.

E de uns 10 anos para cá, mano, a cidade encheu desses prédios normalmente residenciais. E eu comecei a perceber essa transformação na paisagem da cidade, eu comecei a fotografar esses prédios E eu dei um nome para essas séries que chama Cidade Vertical. Presidente Prudente, Cidade Vertical é o tema dessa série. E basicamente elas seguem a mesma norma do ensaio fotográfico. Eu tenho o meu tema, que são os prédios, e eu tenho uma unidade formal que é também fotografar esses prédios com uma lente grande angular de 17mm. 17mm numa câmera com sensor 35mm tem um ótimo ângulo de visão, né?

Eu não preciso mais do que isso para mim fotografar um edifício. Você pode focar a sua produção fotográfica em temas, em pequenos ensaios fotográficos, em séries fotográficas. Isso ajuda muito no desenvolvimento da sua criatividade, não só fotográfica como também na questão de você criar histórias. Na questão de você criar temas, na questão de você dar um diferencial para sua produção fotográfica que, por exemplo, outro fotógrafo não vai ter, né?

Não adianta nada a gente só fazer fotografia bonitinha. E que às vezes eu sempre coloco uma distinção que é a seguinte, né? O pessoal fala: nossa, que fotografia bonita! Aí eu pergunto para pessoa: pera aí, ela fez uma foto bonita Ou ela fotografou algo bonito? Tem uma distinção. Tem coisas que você aponta a câmera, independente do que você faça, aperta o botão, fica lindo, maravilhoso. Tem pôr do sol que você não precisa pensar, você só aponta a câmera e fotografa.

E aí, você fez uma foto bonita ou fotografou algo que estava muito bonito? Isso dá um nó na cabeça de quem se preocupa, né, com essa questão criativa. Você vai ter um trabalho consistente onde você vai chamar atenção Embora em primeiro plano a gente faça para nós, pô, eu desenvolvo ensaios fotográficos e eu desenvolvo séries fotográficas para mim, para minha satisfação. Eu quero me sentir criativo, quero me sentir bem, eu quero ter um trabalho fotográfico consistente.

Porém, a gente tem aquela questão da validação externa. É legal quando alguém de fora olha nosso trabalho e faz um elogio. E fala: nossa, isso é muito legal isso aí, você tá mandando muito bem. É interessante se destacar também. Pô, a gente tem ego, a gente quer ter reconhecimento do nosso trabalho fotográfico. E o ensaio fotográfico, a série fotográfica, são maneiras de você afiar sua mente, afiar o seu olhar, criar histórias com a sua fotografia e acima de tudo se destacar em relação a outros fotógrafos.

Esse foi o toque de hoje. Se você quer participar do concurso de fotografia da Fundação Conrado Wessel, o link de participação tá aqui na descrição deste podcast. E você pode comprar o nosso curso Fotografia como Arte lá no Hotmart, apenas R$19,90. Para você tá preparado para produzir uma fotografia que se destaque e também para participar de concursos e editais de fotografia. Lá no, se eu não me engano, lá no curso eu falo, tem uma aula só sobre Conrado Wessel onde eu mostro uma edição passada, a questão do regulamento e quem ganhou, né, para mostrar para vocês também que não tem absurdo, cara, não é descobrir inventar fogo nem inventar roda.

Às vezes uma ideia simples fica tão bacana que acaba ganhando um concurso dessa envergadura. Lembrando vocês, eu avisei em alguns episódios passados, o podcast é hospedado no Spotify, o antigo Anchor, né? O Spotify comprou o Anchor, então esse podcast é hospedado no Spotify, mas ele tem um feed RSS. Que que isso quer dizer? Ele tem um link que compartilha esse podcast com outras plataformas. Então você encontra a gente lá na Amazon Music, você encontra a gente no Apple Podcast, você encontra a gente no CastBox.

Normalmente é só procurar pelo nome do podcast e ele já acha, porque ele já tá— eu já cadastrei esse link de compartilhamento em todos esses serviços. E agora a gente tá no YouTube e no YouTube Music. Né, lá no canal Podcast Fotografia e Música. Eu fiz uma migração, todos os episódios antigos já estão lá no YouTube também, menos os episódios de música. A maior parte dos episódios de música não podem ir para o YouTube porque, na minha ignorância de antigamente, eu colocava músicas com direitos autorais nos episódios.

Por exemplo, Eu tenho episódio aqui no Spotify, tem um episódio falando do disco do Evanescence, o Fallen, que comemorou 20 anos. Tem um episódio do disco Get a Grip do Aerosmith que comemorou 30 anos. Nesses episódios eu coloquei músicas desses discos e o YouTube não permite. Então esses episódios, quando foram migrados para o YouTube, ele me avisou: olha, esse episódio não pode. Ele será bloqueado porque tem letras com direitos autorais, músicas, né, com direitos autorais.

Hoje eu não faço mais isso, mesmo nos episódios musicais eu não coloco nenhuma música de direito autoral. Infelizmente é uma limitação das plataformas de hospedagem. Eu acho que é, eu acho que deveria ter ali a questão do uso justo, né. Olha, eu estou divulgando isso aqui, eu não tô ganhando dinheiro com isso aqui, eu tô falando como fã, eu tô divulgando, e eu queria que as pessoas ouvissem mais, mas não tem essa possibilidade.

Então esses episódios desapareceram. Uma coisa interessante é ver os episódios, primeiros episódios do podcast, né? Eu vi isso nessa, nesse processo de migração, como eu era ruim, cara, como eu era ruim, como eu não tô bom ainda hoje não. Eu não sou o cara, o cara do podcast, mas eu era muito muito pior do que eu sou agora. Então, ó, o link para o canal do YouTube que tá os podcasts tá aqui na descrição desse podcast também. E você pode, se você tem lá o YouTube Music, procura lá no YouTube Music.

São todos os episódios de áudio, como são aqui no Spotify. E obrigado para quem ficou até o fim, e a gente se encontra na semana que vem com mais um episódio aqui aqui no podcast Fotografia e Música.

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