CD vs Streaming - qualidade de música e experiência
Olá pessoas, hoje vamos falar sobre o crescimento da venda de CDs no mundo e também do embate da mídia física em relação a hegemonia do Streaming. Mais um episódio de música aqui em nosso podcast.
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- O crescimento das vendas de CDs e o retorno da mídia físicaMídia física·Discos de vinil·CDs
- A propriedade da música em mídias físicas versus streamingMídia física·Streaming·Direitos autorais·Neil Young·Remasterização
- A evolução da compressão de áudio e a qualidade do streamingMP3·Streaming·Qualidade de áudio·Stephen White·Como a Música Ficou Grátis
- A experiência de audição e o comportamento do ouvinte na era do streamingExperiência do usuário·Playlists·Mídia física·TikTok·Reels
- A vasta disponibilidade de catálogo no streaming e suas limitaçõesSpotify·Catálogo de músicas·Músicas raras
- A comparação de custos entre streaming e mídia físicaPreço·Assinatura·CDs·Discos de vinil
Olá pessoas, tudo bem? Aqui é Gilson Laurenti, fotógrafo, falando diretamente das terras frias e molhadas de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Este é mais um episódio do podcast fotografia e música. E hoje a gente vai falar de música, a gente vai falar da batalha entre CD e streaming, e eu vou falar para vocês por que que esses assuntos voltaram a circular na internet. A gente volta daqui a pouco depois da musiquinha.
Então, pessoas, lembrando vocês que o que mantém este podcast, além de manter o blog, além de manter os canais no YouTube, é a venda dos nossos cursos de fotografia que estão lá no Hotmart. Nós temos 3 cursos de fotografia à venda. Nós temos o curso de fotografia como arte, que foi o primeiro curso que eu postei, e ele tem um valor absurdamente baixo, né, só R$19,90. A gente tem o curso de introdução à fotografia, que é um curso com 15 aulas que tá por R$99,90, e a gente vai adicionar mais aulas nesse curso aí nas próximas semanas.
E a gente tem o nosso curso mais caro, que é o curso de fotografia de nu artístico e fotografia sensual, que está à venda por R$350, e também ainda está em montagem, ainda temos algumas aulas para serem adicionadas. Mas quando eu adicionar todas as aulas no curso, este valor vai subir. Quem comprar lá na frente vai pagar mais caro, quem comprar agora vai ter acesso ao conteúdo que já está lá e aos conteúdos futuros sem nenhum outro custo.
Pô, tem bastante coisa lá já. A gente tem 6 aulas teóricas e a gente tem 4 aulas práticas de fotografia, muito bacana. E a gente ainda vai adicionar mais aula prática, a aula de edição, e tem uns extras também, né? Já tem lá uma entrevista com algumas pessoas. Cara, é um curso que tá bem completo por um valor bem interessante. É um curso caro porque a gente tem que pagar as modelos também, né? Não é assim só por minha conta, a gente também tem que pagar as mulheres que estão lá posando para as aulas práticas.
Mas eu acho que sim, que são cursos bem, bem interessantes, e eles têm ali como objetivo é manter este podcast, certo? Vamos para o tema de hoje então, que tá muito bacana. Eu sei Eu sei que faz um tempo que eu não falo sobre fotografia aqui no podcast, mas eu prometo que o próximo, o próximo tema será sobre fotografia. Já tá sendo tratado aqui com muito carinho. Porém, eu tinha que falar sobre esse tema agora porque é um assunto que está pegando fogo, é um assunto que a gente tá comentando bastante na internet nessas semanas por conta de alguns fatos que aconteceram aí no começo do mês passado, né, algumas estatísticas que foram liberadas aí no mês passado.
O que acontece? Pela primeira vez em muito tempo, a quantidade de CDs que foram vendidos no mercado, CDs novos, cresceu muito mais do que a venda de discos de vinil. A gente sabe aí que a mídia física ela teve ali um reavivamento por conta dos discos de vinil, né? Muita gente voltando para o analógico, muita gente voltando para os discos discos de vinil, também pela qualidade do som, mas também pela experiência de você ouvir um disco de vinil.
É muito diferente você ouvir uma música no streaming e ouvir uma música em mídia física. Tem uma diferença de experiência que eu vou falar daqui a pouco para vocês. Porém, então, todo mês, todo semestre, né, essas vendas de vinil vinham crescendo. O CD começou, embora ele nunca tenha desaparecido, ele voltou a crescer. Mas crescia muito menos do que a mídia, né, do que o vinil. E no último semestre todo mundo assustou porque a venda dos CDs ultrapassaram a venda dos vinis em crescimento.
No total, vinil ainda vende muito mais do que CD no mundo civilizado, porém a porcentagem de crescimento da venda dos CDs foi muito maior. Então todo mundo voltou voltou a falar sobre o CD. Todo mundo voltou a redescobrir aquela coleção de CDs que tava lá numa caixa de papelão no porão. Isso eu tô falando dos americanos, né? Aqui no Brasil a gente sempre continuou comprando CD, a gente que é colecionador, a gente que gosta de mídia física.
Muita gente aí voltou a comprar vinil, mas muita gente como eu nunca abandonou o CD. Eu compro CD ali desde 1992, né, que é o que eu me lembro que foi o primeiro CD que eu comprei. E desde esse ano eu continuo comprando CDs, abandonei o vinil há muito tempo, tentei voltar com os discos de vinil, mas eu tive ali uma experiência muito negativa com discos de vinil, que vai virar um episódio aqui do podcast também. Mas eu continuei comprando CD e o mundo civilizado, né, Estados Unidos, Europa, tá voltando a redescobrir o CD como mídia física, como opção de mídia física.
Porém, qual que é o grande concorrente da mídia física hoje? É o streaming, cara. A gente que gosta de mídia física, a gente sempre foi muito contra o streaming, né? A gente sempre falou muito mal do streaming, principalmente por conta da qualidade, por conta da compressão. O que que isso quer dizer? Tem um livro livro muito bacana lançado pelo Stephen White que chama Como a Música Ficou Grátis: O Fim de uma Indústria, a Virada do Século e o Paciente Zero da Pirataria.
Cara, é um livro muito legal, tem à venda na Amazon, custa R$25, é um livro bem bacana. Para Kindle custa R$15,96, é um livro pequeno, fácil de ler, Ele conta a história da criação do MP3 lá na década de 80, final da década de 70, começo da década de 80. Foi uma grande correria, cara. Hoje a gente baixa aí coisas em MP3, né, são arquivos de áudio compactados. Que que isso quer dizer? Olha, a gente pega a música no tamanho normal, a gente vai aplicar um processo de compactação para ela ficar menor para a gente conseguir transferir ela via internet de maneira adequada.
Porém, esse processo de compactação não pode afetar a qualidade dessa música ao ponto de você ouvir e perceber que tem algum problema ali. Realmente, a qualidade cai muito, porém fica ali num nível onde o ouvido humano acaba não percebendo essas diferenças, ainda mais se você tá ouvindo essa música num aparelho de som ruim como celular, que tem ali um falantezinho muito ruim, alguns fones de ouvido que são muito ruins. Então, dependendo de onde você tá ouvindo, você não vai perceber essa queda de qualidade que o MP3 coloca para você.
E no livro, né, ele fala, ele conta a história de como grandes universidades dos Estados Unidos ficaram anos desenvolvendo algoritmos para produzir um arquivo de música compactado, pequeno, e que pudesse não apresentar ali uma perda de qualidade sensível. Qual que era o objetivo desse, desse estudo, né, dessa corrida nessas universidades? Era fazer transmissões digitais de programas de TV, programas de rádio, então que não usasse satélite, que não usasse ali os meios normais de transmissão radiofônicos mas que tivessem a internet, né, que tivesse a transmissão via cabo de maneira qualitativa e não fosse um arquivo gigantesco, porque a velocidade da internet, a velocidade das transmissões naquela época era muito pequena.
Então eu precisava ter um arquivo que fosse pequeno, que mantivesse qualidade e que pudesse ser transmitido via cabo ou depois via internet de maneira que não demorasse muito, né, que não fosse uma espera absurda. E essa era a briga pela criação do MP3. E depois, infelizmente, né, virou, né, o MP3 basicamente destruiu a indústria fonográfica como a gente conhecia. Por isso que o título do livro é Como a Música Ficou Grátis. Então ele conta toda a história de como as pessoas começaram a copiar música em MP3 e distribuir pela internet de forma gratuita, né.
Quem aí que não tem aí a minha idade não viveu essa época da gente entrar lá em blog, da gente entrar em serviços de distribuição de música e conseguir baixar música gratuita. E mesmo sendo em MP3, mesmo sendo um arquivo menor, de qualidade menor, no começo da internet, lá na década de 90, nossa, demorava 10 minutos, 5 minutos, dependendo do horário que você tava fazendo esse download, para você baixar uma música. Qual que é a briga entre quem coleciona CDs, quem coleciona discos de vinil contra o streaming.
O streaming é o atual estágio da distribuição de música no mundo. Não adianta comparar com produção de CD, não adianta comparar com produção de vinil, que o streaming é muito mais presente na vida das pessoas do que a mídia física. Pô, eu mesmo, eu não tenho nenhum amigo próximo que colecione ainda mídia física de disco. E mas eu conheço, mas todos eles ouvem Spotify, então não tem como brigar, né? Então é o atual estágio. E qual que era a grande crítica dos audiófilos?
Qual era a grande crítica dos colecionadores de mídia física? Olha, essa música que você tá ouvindo por streaming não tem a mesma qualidade, não tem a mesma profundidade do que uma música que você ouve na mídia física, ainda mais se você tiver um bom aparelho de som. Porém, essa briga, cara, essa briga tem 15 anos já, e esse argumento de que o streaming não tem a mesma qualidade também era muito válido 15 anos atrás. Hoje os streamings, a maior parte deles, inclusive o Spotify, tem serviços, né, naquela parte premium, né.
Então se você ouve o Spotify gratuito, você não vai ter acesso a isso, mas se você ouve— mas se você é um assinante do Spotify, você tem acesso a músicas de altíssima qualidade, música sem compressão, que o pessoal fala. Todos os serviços de streaming bons oferecem aos seus assinantes música sem compressão, que não é um problema hoje, porque hoje todo mundo tem internet rápida, todo mundo aí tem pelo menos uma internet de 200 mega em casa.
A minha aqui é 600 mega, eu nunca tive problema em ouvir streaming de alta qualidade com a internet que eu tenho aqui em casa. E eu, pô, cara, moro na periferia de uma cidade média, Imagine quem tá numa cidade maior, quem tá numa cidade com mais opções, né? Aqui a gente tem 2, 3 serviços de internet que atendem a gente. Imagina uma cidade que tem muito mais opções do que a gente. E um canal essa semana, um canal chamado Hi-Fi Files, que é um canal americano, postou um vídeo chamado CD Players vs Streaming: A Verdade Que Muitos Audiófilos Não Querem Admitir.
Então o que que ele fez? Ele elencou 5 em embates entre as duas mídias e ele colocou os prós e contras de cada uma. Eu vou falar desses 5, desses 5 rounds, né, que ele colocou, né, uma briga de 5 rounds. E eu vou falar minha opinião sobre cada— ele tem a opinião dele, eu vou colocar a minha opinião sobre cada um desses rounds. O round 1 seria compressão entre streaming e a qualidade do CD. Cara, é isso que eu falei, a maior parte dos serviços de streaming de música já oferecem serviços de distribuição dos arquivos sem compressão, ou tipos de arquivo que mesmo comprimidos você não consiga sentir a diferença.
Por exemplo, arquivo FLAC, né? O MP3 é um formato de arquivo, o arquivo FLAC é um arquivo comprimido, porém ele não fica tão pequeno quanto o MP3, e pelo menos Ao ouvir esse arquivo você não sente diferença, você não sente a perda da qualidade na música. Aqui em casa eu tenho um receiver da Denon, ou receiver, né, pessoal não gosta quando eu falo receiver, que eu tenho que falar direito, né, pessoal fica pegando no meu pé. Eu tenho um receiver da Denon que eu liguei nele lá uma interface de áudio, né, uma interface da TAEWIN que eu usava aqui para gravar podcast antes de eu comprar a Zoom.
Então eu liguei ela, por quê? Porque ela tem uma saída, tem uma conexão USB com o meu notebook, e ela tem uma saída RCA que eu ligo direto na entrada RCA do meu receiver. E eu tô ouvindo através dessa conexão o Spotify no formato lá de melhor qualidade de música possível. Peguei um CD que eu tenho aqui e ouvi o mesmo CD no Spotify. Sinceramente, tem uma diferença de volume, né? A minha, o meu CD tocado no CD player ligado direto no receiver, ele tem um volume um pouco mais alto do que o volume do streaming.
Mas do ponto de vista da qualidade é a mesma coisa. Eu não consegui sentir diferença na qualidade dos dois arquivos. E olha que eu sou chato, eu costumo sentir quando a compressão do arquivo tá é danosa, né, a qualidade da música. Eu tenho essa percepção. E agora, com esse serviço do Spotify de música de altíssima qualidade ligado de forma normal ali entre um notebook e o receiver através de uma interface de áudio, eu não consegui sentir diferença.
Então, olha só, eu poderia muito bem só ouvir streaming que eu não ia ter perda nenhuma da minha qualidade sonora. Então, nesse ponto de vista, o streaming ganha, né? Esse primeiro round é do streaming, porque eu tenho ali uma praticidade. Pô, é muito mais prático eu entrar lá no serviço do streaming e escolher o disco que eu quero ouvir do que ficar vindo aqui na estante, pegar do disco, né, escolher o disco que eu quero ouvir.
Então toda essa dificuldade, né? Então o streaming acaba saindo ganhando nessa. O round 2, que aí a coisa vem mais complicada, que é a questão da propriedade. Quando eu compro um CD, ele é meu, a música é minha, ela fica aqui para sempre. Eu posso para sempre, né? Um CD não é infinito, mas eu tenho discos aqui com mais de 30 anos que estão funcionando muito bem. Então eu comprei esse disco 30 anos atrás, ele é meu. Se ele não tiver no streaming, eu continuo ouvindo.
Se ele tiver no streaming, eu continuo ouvindo o meu também. Se um dia sai, você que só tem streaming nunca mais vai ouvir, mas eu continuo ouvindo o meu disco. Então é questão da propriedade. O episódio passado do podcast eu falei justamente sobre isso: nada digital que você assina é realmente seu, não é, porque tudo depende de contratos de exibição. Então uma gravadora chega lá, faz um contrato por um tempo determinado, esses contratos não são eternos, e tem a opção de ir renovando esses contratos.
Aí um belo dia essa gravadora, o dono dessa gravadora acorda de, acorda de mau humor, decide não renovar um contrato desse. Todos aqueles discos dessa gravadora vão sumir do streaming. Você que não tem eles em casa, que não comprou o CD, nunca mais ouvir. Mas a gente que tem um CD continua ouvindo de boa. Outra coisa que aconteceu recentemente, Neil Young, cara, ele retirou todo o catálogo de discos dele do streaming como forma de protesto por como as coisas são feitas hoje na indústria musical, né?
O streaming paga muito pouco para os artistas pela reprodução de suas obras, é praticamente de graça ali no— para o artista. A única coisa que ele tem ali é divulgação, porque ele ganha muito pouco por aquilo lá. Ele retirou todos os discos dele das plataformas de streaming. Para quem tem o disco do Neil Young em casa, isso não afetou em nada ele. Ele continua ouvindo todos os discos do Neil Young porque ele comprou, é dele, é em casa.
E a última questão que eu gosto muito de falar também são as remasterizações. O que que é a remasterização? O que que é a masterização, né? Quando você vai gravar um disco, você tem o processo de gravação, você tem um processo de mixagem, né? Porque todos os instrumentos são gravados separadamente. Aí depois tem um cara que é um engenheiro de som, que ele vai juntar todas essas músicas, todos esses instrumentos numa mesma música.
E aí depois tem o processo de masterização. Na masterização, né, o engenheiro vai sentar, olha, aqui é mais agudo, aqui é mais grave, né, vai fazer todos os ajustes estéticos na música e gerar o arquivo final. Muitos álbuns antigos estão passando por processos de remasterização. Quando a remasterização tá lá só para melhorar a qualidade do que já foi feito e manter os mesmos padrões, ok. Como aconteceu com os discos do Iron Maiden em 2014, se eu não me engano.
Todos eles foram remasterizados, porém não teve mudanças nenhuma na equalização dos álbuns. A gente só percebeu que os instrumentos ficaram mais nítidos. Porém tem remasterização que o engenheiro tem liberdade para mudar, mudar um pouquinho ali, né, a equalização. E gera resultados diferentes do resultado original. Por exemplo, Blind Guardian, uma banda alemã que eu gosto muito, todos os discos foram remasterizados alguns anos atrás e relançados no Brasil.
Eu não gostei da remasterização. Blackmore's Night, o primeiro disco do Blackmore's Night que completou 30 anos, foi remasterizado. Eu também não gostei da remasterização. E qual que é o problema da remasterização em relação ao streaming? Às vezes o streaming substitui o original só pelo remasterizado. Porque pensa bem, o que que é uma, o que que é um streaming? É um lugar, um servidor gigantesco que tem todas essas músicas gravadas em HDs.
Podem ser HDs tradicionais ou HDs SSD, mas querendo ou não ocupa espaço, e espaço custa dinheiro. Ainda mais agora que servidor, que HD tá por um preço absurdo, né? Armazenamento de arquivo hoje custa um preço absurdo. Então eles têm essa, às vezes eles têm essa prática de pegar o original e sumir com ele e deixar só a versão remasterizada. Olha só, eu que não gostei da versão remasterizada, se eu tenho o disco em casa, tô salvo, vou continuar ouvindo o meu disco original.
Agora, se você tem só o streaming como fonte de música, você nunca mais vai ouvir o original. E o que é pior, a questão da memória, porque a nova geração nunca vai saber como aquele disco foi lançado no original. Por exemplo, Raimundos, que é uma banda brasileira, o primeiro disco do Raimundos tem uma música chamada Cajueiro Rio das Pedras. Essa música ela não é da banda, eles pegaram lá de um repentista nordestino e deve ter algum problema de direito autoral em relação a essa música.
Então essa música não existe. No streaming. Então você ouve o primeiro disco do Raimundos, essa música não tá lá, e não tem um aviso, né? Olha, essa música aqui não tá aqui porque não tem, tem algum problema de direito autoral. Eu que tenho disco na estante tenho acesso a essa música, ouço essa música, acho ela muito legal, uma das melhores do disco. Mas se você conhece o Raimundos apenas pelo streaming, tem música que você não conhece.
O segundo round, a questão da propriedade, o CD ganha. Na questão da qualidade, streaming tá na frente porque tem muito mais opções e mantém a mesma qualidade do CD. A questão da propriedade, o CD ganha de lavada, não tem como, né? Eu tenho aqui em casa, é meu, vou ter para sempre, independente se eu sumir do streaming ou não, eu vou continuar ouvindo. O terceiro round é a questão do catálogo. Pô, aí o streaming também ganha, cara.
Olha, existe ali uma, um dado que o próprio Spotify coloca para as pessoas. Eu falo muito de Spotify, cara, que é o que eu ouço, tá? Que eu tenho assinado Eu sei que existem outros serviços de streaming, mas eu nunca adentrei. E desde que eu, eu acho que eu assino Spotify desde 2019, eu nunca parei de assinar e é o único que eu assino. Então o Spotify tem o dado no Spotify que eles têm disponível 250 milhões de faixas, 250 milhões de música.
E eles também dizem que 65 mil músicas são adicionados por dia ao serviço. Tudo bem, tem um dado maluco aí também que ficou famoso alguns anos atrás, que metade das músicas que estão no Spotify nunca foram ouvidas, né? Então a pessoa vai lá, ela cria uma conta, ela é um pequeno músico, ela coloca todas as suas músicas lá e ninguém ouve. Não é só colocar no Spotify, você tem que divulgar, as pessoas têm que saber que você existe.
Mas esse é outro, esse é outro papo. Então o catálogo do Spotify é gigantesco. Olha, eu acho muita coisa no Spotify que eu, pô, tô aqui, de repente, pô, tem a música daquela banda que eu ouvia uns 15 anos atrás, era uma música bacana, sabe que tem no Spotify? Você procurou no Spotify, tem, né? Eu hoje, hoje aqui na minha casa eu devo ter em torno de 450 CDs, né? Eu ando aí num processo de, já tive muito mais, já tive 1000 CDs.
Então eu tô me desfazendo de alguns CDs que eu não ouço há muito tempo, né? Aquela média, pô, não tem CD que eu não ouço há 10 anos aqui. Então quer dizer que ele não é importante, então eu passo para frente. Atualmente eu tô com 450 CDs, que é o mesmo, é a mesma lógica do armazenamento, né? Você precisa de espaço para guardar essas coisas, né? Então eu tô diminuindo a quantidade de CDs, mas eu tenho 450 CDs, né? Se você diz, se você bota em uma média de 10 músicas por CD, imagina quantas músicas eu tenho.
O Spotify tem 250 milhões de faixas. Porém, a gente tem que levar em conta também que o Spotify é muito bom no catálogo geral, mas ele é muito ruim em catálogo específico. O que que é catálogo específico? São discos raros, discos que saíram com poucas cópias, discos que são os discos que colecionadores realmente vão atrás, que eles querem ter justamente porque são edições limitadas. Essas edições limitadas, o Spotify é ruim, é muito difícil de encontrar.
Mas no catálogo geral, o Spotify ganha 250 milhões de faixas contra os 400 CDs que eu tenho aqui na estante. O quarto round, aí o CD e o disco de vinil bate, ganha de goleada, que é a experiência de audição. Qual que é a média aqui, né? Tem uns dados muito bacanas. 24% das músicas no Spotify são puladas em 5 segundos. Já ouviu adolescente ouvindo música? Já viu jovem ouvindo música? Eu tenho uma sobrinha que ela tá lá na minha conta do Spotify, né?
Tem uma conta família, é eu, minha esposa e minha sobrinha. Eu vejo ela ouvindo música, cara, é isso: ouve uma música, pula, ouve um pouquinho de uma música, pula, um pouquinho de uma música, pula. Eles não ouvem uma música inteira, não tem, cara. 24% das músicas são puladas em 5 segundos. 35% das músicas são puladas em até 30 segundos. Metade das músicas não chegam até o fim e o ouvinte médio pula 15 músicas por hora. Como assim?
A atual geração, eles estão muito acelerados, cara, né? Tá nessa vida do TikTok, Reels do Instagram, e eles trazem isso para sua, para o seu jeito de ouvir música. Eles não têm paciência de ouvir uma música até o fim, não tem paciência de ouvir um disco inteiro, né? Eles vivem de playlists, né? Playlists com vários artistas, com várias músicas. Não se ouve mais um disco inteiro, e isso tá mudando, isso tá trazendo mudança para a indústria musical também.
Porque a introdução média das músicas caiu cerca de 23 segundos para 5 segundos. Que que isso quer dizer? Você vai lá, pega uma música da década de 80, coloca o CD, dá um play, entra o instrumental, é a introdução até o cantor começar a cantar, até o vocalista começar a cantar, pega uma média de 20 segundos. Hoje caiu para 5 segundos. Como muita gente pula a música em 5 segundos, sim, 5 segundos você não mostrar ao que veio a música, você perde.
A pessoa pula, ela não vai ouvir a sua, a sua canção. As músicas estão mais curtas, os ritmos estão mais rápidos. É justamente o que era uma vantagem do streaming pode ser uma desvantagem na experiência, que é a quantidade elevada de músicas disponíveis. Cara, eu tenho um problema muito sério de escolher alguma coisa para assistir na Netflix, por exemplo. Eu sento, cara, é muita coisa, é muita coisa. Você fica meia hora para escolher alguma coisa para assistir, tá?
Na locadora lá na década de 90 isso também acontecia, mas era mais limitado, cara. A Netflix tem muito mais títulos do que tinha na minha locadorazinha de bairro, e eu fico tanto tempo para escolher que às vezes eu desisto. Às vezes eu desisto de escolher alguma coisa na Netflix, vem aqui na estante, pega um DVD e assisto meu DVD, porque é muita coisa. Para escolher. E o jovem tá desse jeito hoje com a música. Esses padrões de música estão mudando por conta dessa nova maneira do jovem ouvir música.
Com CD e com o disco de vinil isso é diferente. Eu tenho que vir aqui na estante, eu olho para minha estante, eu escolho um CD apenas, levo ele para a sala, coloco no meu aparelho, sento no sofá e eu ouço o disco inteiro sem ficar pulando. É questão da experiência, entendeu? Mas aí eu tenho que pensar o seguinte: um CD tem ali, se for um CD da década de 80, tem ali 40 minutos de música. Se é um CD ali já década de 90, chegando nos anos 2000, vai ter ali em torno de 60, 50, 60 minutos de música.
Então quando eu pego um CD para ouvir, eu tenho que pensar: olha, é uma hora da minha vida que eu vou ouvir esse disco. Então é questão da experiência. Você senta com apenas um disco de um cantor, de uma banda, e você ouve ele até o fim. Então eu acho que a experiência é muito melhor com a mídia física do que com streaming, porque, cara, com streaming a gente fica meio perdido. Eu ouço Spotify, ouço, tenho Spotify, tenho, cara.
Eu saí daqui para trabalhar, eu vou de ônibus, eu vou trabalhar de ônibus, volto de ônibus, eu vou ouvindo streaming, eu vou ouvindo música. Que que eu ouço no streaming? Playlists, e normalmente playlists montadas por mim. Então eu tenho várias playlists no meu Spotify, né, porque a versão Premium dá a opção de você criar suas próprias playlists, salvar no celular. Então eu tenho várias playlists salvas que eu vou ouvindo, mas as minhas playlists, não aquelas playlists criadas pelos serviços de streaming que ele te oferece de vez em quando.
A gente já teve qualidade, a gente já teve a propriedade, a gente já teve a questão do catálogo. E a gente tem a questão da experiência. E a gente tem o último ponto que o streaming ganha também, que é o preço, cara. Quanto que você paga num CD hoje? Eu não falo nem disco de vinil, cara. Eu entrei na Amazon esses dias, tem disco de vinil de R$500, né? A média do disco, de os bons discos de vinil que não estão em promoção. De vez em quando a Amazon faz umas promoções, você acha disco por R$150, R$180, Mas a média ali é R$250 um CD, um disco simples.
Tem discos mais especiais que são edições especiais ou discos duplos que chegam a R$500. E o CD também não tá muito atrás não, gente. Eu comprei uma reedição, né, a banda Angra, que eu gosto muito, relançou o segundo disco deles, que é o disco Holy Land, né, 30 anos sem ser lançado esse disco, fora de catálogo. E eu comprei e, cara, é R$100. Paguei com frete, ficou R$100. R$100 em um CD, olha só que absurdo. Então, questão preço, quanto que eu pago no Spotify?
Eu tô pagando acho que R$39, R$42. Eu pago R$42 no Spotify porque é um plano família, não é para uma pessoa só, é para até 5 pessoas. Então eu pago R$42 no Spotify e tem acesso a 250 milhões de faixas, enquanto para ter um CD como esse do Angra, que são 10 faixas, eu paguei R$100. Então é muito mais barato você ter uma conta de streaming do que você comprar CD, né? Você não consegue, com o que você paga por mês no streaming, você não consegue comprar um CD.
Então eu tenho, eu pago metade do preço de um CD porque é 250 milhões de faixas, e um CD eu pago R$100 por 10 faixas. Mas aí, levando em conta tudo aquilo que a gente já falou até agora, eu paguei R$100, mas é meu, vai ficar aqui por 30 anos. Eu boto aí uma média de 30 anos, mas como eu falei, eu tenho discos com mais de 30 anos que não deterioraram, que não tiveram problema nenhum, continuam tocando perfeitamente. Mas o streaming acaba ganhando pela questão do preço.
Mas imagina, eu pago, eu pago Spotify, como eu falei, desde 2019. Se eu parar de pagar o Spotify hoje, nada do que tem ali é meu. Nada do que tem ali me pertence, tudo desaparece. As minhas playlists, simplesmente, os discos que eu salvei simplesmente desaparecem e eu não vou ter mais acesso a isso de maneira nenhuma. Agora, o que eu comprei que tá aqui na estante, tem 30 anos que eu coleciono CDs. Em 30 anos, né, como eu falei, já tive mais de 1000, hoje eu tenho 450, mas tudo que tá aqui na estante é meu.
Eu possa ouvir qualquer hora, em qualquer ponto da minha vida, com uma experiência um pouco mais bacana. Então eu acho, né, finalizando isso tudo, não é uma questão de um ser melhor do que o outro, é questão de serem diferentes. É muito diferente você ouvir no streaming e você ouvir os seus CDs, a sua mídia física, o seu vinil. São experiências diferentes. Eu não tô falando nem pela qualidade. Como a qualidade hoje tá igual, então não é um fator a ser levado em consideração, pelo menos para mim.
Eu acho que a questão é experiência, a questão é o seu objetivo para com a música. E eu faço uso muito bem dos dois. Então eu tenho as minhas experiências com as minhas mídias físicas aqui em casa, óbvio. É muito difícil ouvir streaming aqui em casa. E eu tenho o streaming como ferramenta para me levar música quando eu não estou em casa. Então, nos meus deslocamentos, e às vezes durante até o próprio trabalho, que é um trabalho, às vezes é um trabalho manual que eu não preciso pensar, né, só trabalho manual, como edição de foto, por exemplo.
Então eu ouço também o streaming no meu fone de ouvido. É uma questão de gosto, é uma questão de você escolher a melhor experiência para você, gente. Esse foi o episódio de hoje. Agradeço a todo mundo que ficou até o final. Eu sei que os episódios de música tem um pouco menos de visualização, né, de players, do que os episódios de fotografia. Mas semana que vem a gente volta com episódio de fotografia aqui no podcast Fotografia e Música.
Obrigado a todos os 89 assinantes deste podcast. No Spotify. Um abraço para vocês todos. In my own skin, deep in my own skin.
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