O LEGADO de LeBron e mais perguntas sobre a vida e a NBA [Podcast #577]
Neste episódio, Denis Botana e Danilo Silvestre respondem inúmeras perguntas dos ouvintes em um grande episódio de Both Teams Played Hard. Falamos sobre o legado de LeBron James após sua ida ao Sixers, sobre o futuro do Golden State Warriors e, claro, sobre trabalho, relacionamento, política e muito mais! ....*SHARKE*Ganhe três meses de consultoria de investimentos na Sharkehttp://sharke.com.br/bolapresa...*APOIE O BOLA PRESA* ASSINE O BOLA PRESA NO APOIA-SE E RECEBA CONTEÚDO EXCLUSIVO https://bolapresa.com.br/assine*CAMISETAS INSIDER*Use o cupom BOLAPRESA e ganhe 15% OFF, já aplicado automático se usar o link abaixo: 👉 https://creators.insiderstore.com.br/BOLAPRESA*RECOMENDAÇÕES BOLA PRESA*De jogos de tabuleiro a desodorante de pedra, compre as recomendações do Danilo na Amazonhttps://www.amazon.com.br/shop/bolapresa1
- Desempenho de LeBron James· EsportesJames de Percival Everett · Philadelphia Eagles · Michael Jordan · Wizard
- Trajetória de vida e origemDerrick Rose · Relacionamento amoroso · Casamento · Inteligência Artificial
- Segurança no TrabalhoBurnout · Vida acadêmica · Bola Presa
- Golden State Warriors· EsportesGolden State Warriors · Stephen Curry · Draymond Green · Klay Thompson · San Antonio Spurs
- Etica e MoralNão monogamia ética · Monogamia · Traição
- Trajetória profissional e acadêmicaVida acadêmica · Racismo · Relacionamento à distância · Piúma · Iconha
- Evolução do Meta nos EsportesMeta nos esportes · Basquete · Futebol · AlphaGo · Xadrez
- Relacionamento interpessoal no trabalhoEstabelecimento de limites · Assédio · Comunicação interpessoal
- Regras para Donos de FranquiasRobert Sarver · Donald Sterling · NBA
- Casamento e sacramentoCasamento · Família · Rituais sociais
Bem, amigos do Bola Presa, estamos de volta com mais um podcast. Eu sou o Denis e eu sou o Danilo, e hoje não é dia de prêmios alternativos do Bola Presa. Era uma possibilidade, mas ficou para semana que vem. Semana que vem teremos prêmios, gala, troféu para todo lado, grandes frases, atuações históricas de jogadores ruins, jogadores bons que viraram ruins, números estapafúrdios. Tudo semana que vem, aguardem.
Já tô salivando, ó, a boca encheu d'água.
Hoje é dia de outra coisa que a gente tava devendo, Danilo. Both things play hard. Várias semanas a gente não conseguiu responder perguntas dos ouvintes, então hoje é só pergunta dos ouvintes. Só isso, do começo ao fim do podcast, perguntas de vocês. Tem basquete? Tem, claro que tem basquete.
Claro, somos um blog de basquete.
Mas acaba rápido, depois tem pergunta de tudo. Antigamente era relacionamentos, né? Nosso público envelheceu, o que mais tem agora é pergunta de trabalho. Meu trabalho?
Vocês não tão mais namorando, né? Elas têm que pagar as contas.
A gente começou a ter uma época muita pergunta de, ah, porque na faculdade eu mudo de curso, eu desisto desse curso. Agora é tudo, tô sofrendo no doutorado, meu mestrado é uma porcaria.
Legal, né, que a gente tá tendo um público muito qualificado.
É quem não faz manda do trabalho que tá enchendo o saco.
Tá ouvindo isso, Marcas? Nosso público envelheceu e tá qualificado.
Nosso público envelheceu e tá qualificado, mas tem de relacionamento também.
Triste, né?
E triste também, porque a gente depressiva manda pergunta e manda pergunta grande, né? Manda pergunta. Quanto mais depressão, maior a pergunta. Mas tudo bem, a gente lê. Às vezes a gente resume um pouquinho, mas a gente lê. E hoje vamos ler muitas, logo depois que o Danilo fizer um carinha do Jabá.
Boa! A gente é um blog, o bolapresa.com.br, e a gente é um blog novo. O bolapresa.com.br tá com cara nova. O Denis cuidou aqui, um trabalho supimpa, maneiro, de muito bom gosto.
Show de bola.
Show de bola. Convido todo mundo a dar uma espiada lá. Tem novidades, inclusive tem uma seção lá para assinantes lá no bolapresa.com.br com as estatísticas, o Bola Presa Stats que vocês já conhecem, estatísticas dos times, dos jogadores e dos salários. Tem o Bola Presa Jogos que você já consegue acessar o bingo e em breve vai ter a bolsa, é um jogo novo que o Denis está desenvolvendo pra gente. E tem também o Oráculo, o nosso guru que responde a qualquer pergunta sobre basquete que você queira automaticamente e tudo isso só acessível para assinantes, tá?
Então tem lá a área bonitinha separada no bolapresa.com.br. Então entra lá e assine o Bola Presa para ter acesso a todo esse conteúdo exclusivo.
Assim que você tem uma página de login lá, você usa seu login do Apoia.se, ele checa na hora se você é assinante, aí você tem acesso a tudo. O oráculo especialmente é bem divertido e eu quero que vocês testem bastante para a gente descobrir os limites dele, mas é um chat em branco que você faz uma pergunta relacionada à NBA, principalmente números, né, e ele responde. E grande taxa de sucesso até agora, ele tem conseguido, ele foi alimentado com todos os prêmios, todos os números, todos os box scores de todos os jogos, todos os resultados de playoffs da história da NBA.
E aí ele busca isso, organiza e responde. Então se você que gosta de ficar fuçando coisa da NBA, eu acho que é um produto bem legal.
Boa! E sabe o que também tem no bolapresa.com.br? Agora o formulário bonitinho funcionando pra você mandar perguntas pro Bold Things Play Hard, pra gente poder responder aqui no podcast.
Pode mandar anônimo, não precisa mandar mais no email do Bola Presa. Pode mandar se quiser ainda, mas tem o formulário lá bem legal. Fica tudo mais organizado pra mim também, eu posso marcar tudo que eu já li, tudo que eu já respondi, as que eu não vou ler nunca.
É isso, então entra lá, dá uma espiada e depois vai em bolapresa.com.br/assine e assine o Bola Presa, não só pra apoiar esse projeto, mas também para ter acesso a todo esse conteúdo exclusivo.
E se você tá só no podcast, depois dá uma olhada no vídeo, no ao vivo que a gente fez, porque antes de começar a gravação do podcast a gente mostrou o site lá, fuçou um pouco. Então se você tiver curiosidade para ver como é o Oráculo, se você ainda não é assinante, olha o ao vivo no YouTube que a gente fez essa experiência. Boa! Vamos fazer um vídeo mais longo depois.
Isso, a gente vai fazer um vídeo mostrando tudo isso, mas é quando a gente tiver mais jogos do Bola Presa prontos para mostrar para vocês. Boa!
Vamos falar de Um pouco de basquete, depois vários outros assuntos. Bora!
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Both teams play hard. Both teams play hard. God bless and good night.
Comecei com as perguntas sobre o nosso esporte favorito. E a primeira é do Lebronha. Fala, Didi, tudo bom?
Fala, tudo bom, tudo bom.
Com a ida do LeBron para o Philadelphia 76ers, fiquei pensando no legado de LeBron James.
É óbvio, claro.
A palavra proibida no Bola Presa, né? No Bola Presa. Desde o The Decision, passando pela volta para Cleveland, pela conquista de 2016, depois para mudança dos Lakers, praticamente todas as grandes escolhas de carreira do LeBron geraram discussões sobre como elas afetariam sua imagem e seu lugar na história no futuro. Na visão de vocês, a saída para a Filadélfia muda alguma coisa no suposto legado dele? É mais um capítulo coerente com o jeito que ele sempre conduziu a carreira ou é uma ruptura em relação às decisões anteriores?
Daqui a 20 anos, quando alguém resumir a carreira do LeBron em 5 minutos, a passagem do Sixers vai ser lembrada como um detalhe, como um erro ou como uma decisão importante para a forma que a gente enxerga ele? Abraço e vida longa à Esfera Enclausurada.
Boa. Estamos especulando sobre a percepção futura sobre a carreira do LeBron James, né?
Esse é um dos motivos que a gente não discute legado, que é previsão do futuro, não é nem do que vai acontecer no futuro, é o que vão pensar sobre o passado no futuro.
E uma coisa que a gente defende bastante aqui no Bola Presa é que a percepção futura de jogadores muitas vezes depende de coisas, de acontecimentos e de jogadores que só vão existir no futuro. Então a gente ressignificou a carreira de vários atletas porque eles acabaram sendo os precursores de algum estilo de jogo, de alguma coisa que na época parecia banal, mas porque teve uma herança em outros atletas, acabou se tornando mais importante.
A temporada de triple-double do Oscar Robertson, claro que era impressionante na época, mas nem se usava tanto a expressão triple-double. Não era uma coisa que tava sendo computada e conversada na imprensa. Isso acho que se popularizou mais nos anos 80, especialmente com o Magic Johnson. Então você olha para o passado e vê do único cara que teve média de triple-double, tem outro significado. Do mesmo jeito que eu acho que o LeBron tem uma carreira de 24 temporadas, faz a gente olhar para trás e falar: bom, esse cara é melhor que o LeBron?
Ele foi muito bom por 9 temporadas, parecia muito, né, ser bom por 9 temporadas. Mas o LeBron é bom por 24, e aí você enxerga de outro jeito.
Claro, os legados vão mudando a partir do que acontece depois que essas carreiras terminaram. Por isso que é tão difícil de imaginar. Dito isso, vamos fazer um exercício de imaginação.
Outra coisa importante na discussão do legado do LeBron especificamente é que ele parece ser alguém que pensa nisso também.
Exato.
Então o tema legado parece, talvez não usando essa palavra, Embora seja banal na NBA, o LeBron pensa nisso.
O LeBron joga com a imagem, com a marca que ele vai deixar na liga.
O LeBron já tem gente filmando tudo, e pelo jeito vão filmar a temporada inteira dele. Uma equipe da, acho que da ESPN mesmo, filmando ele há anos, anos, documentário.
Mas engraçado é, ninguém sabia, ninguém tinha percebido.
Acho que sabia, ninguém tinha filmado ele o tempo inteiro, né? Para que que é Acho que não perceberam porque é normal, né? Então ele quer contar uma história nesse documentário, então ele tá preocupado com a história. Ele sabe que tudo que ele faz vai ser contado de algum jeito no futuro.
Boa. E aí, do ponto de vista da história, eu acho que o ponto menos coerente, a coisa menos narrativa que já aconteceu em toda a carreira dele, é a ida para Filadélfia, porque ele é um jogador que Ele é de Ohio, então ele tá na região de Cleveland. Ele jogou no Cavs porque foi draftado por lá. Ele tentou ser campeão e não conseguiu. E aí ele teve narrativamente a ida para a faculdade, a ida para a universidade, que foi Miami, onde ele fez questão de jogar com amigos dele, jogadores que ele queria muito jogar, que ele conhecia da seleção dos Estados Unidos.
Que foram draftados no mesmo ano que ele. Era a panelinha dele lá de amigos com o Dwyane Wade, com o Chris Bosh.
Exato. E que era pra ter o Carmelo também, mas a finalização dos contratos não bateu. Mas enfim, foi campeão por lá e aí fez a volta pra casa, que é muito bonito.
Não fica mais narrativa do que isso, né?
E aí foi campeão. E aí é a pergunta: o que que você faz depois do fim? Ele já tinha tido a carreira perfeita, ele já tinha tido a redenção perfeita. Qual é o próximo passo? E aí ele foi no que é provavelmente o time mais famoso da NBA, carente de uma estrela desde Kobe Bryant, e falou, tá bom, eu vou carregar esse time para um título.
E é o time das estrelas, né? O time onde você tem mais camisas aposentadas de grandes jogadores da história. Então tá no centro de tudo, é o time com mais torcida nos Estados Unidos. Fazia muito sentido para o rei, o maior jogador de todos os tempos vai jogar na franquia mais famosa de todos os tempos. Tinha um sentido dali para lá. E como o Lakers tava embaixo, como você falou bem, depois da aposentadoria do Kobe, desde a lesão do Kobe na verdade, ele ainda tinha esse peso de eu vou colocar o time de volta no topo.
E de fato fez, também foi campeão. Então assim, não tinha o que fazer depois do fim. Aí ele fez mais um fim, e agora o quê?
E tudo tinha cara de fim, né? Ele já tava com 30 e poucos anos, ele falou que ele queria morar em Los Angeles, a família queria morar lá, era um lugar para tipo, eu vou ficar aqui Tinha cara de final, ele só não para de jogar.
Exato. E aí, do ponto de vista narrativo, não tem o que falar sobre a Filadélfia, não tem sentido nenhum. Ele foi para o lugar que assumidamente, né, o, o, foi o discurso oficial que a gente recebeu, era o time que dava mais chances dele brigar por um título. Tá bom, mas você já tem um monte de título.
É que ele pode agora ganhar título por 4 times diferentes, que eu acho que é o primeiro jogador, né?
Se ele conseguir, seria fantástico.
Mas assim, a historinha não é muito Eu venho de uma narrativa clichê ou clássica.
E aí justamente por isso é que eu acho que a passagem para o Filadélfia acrescenta muito pouco na trajetória dele. Se ele for campeão no Sixers, a gente fala assim, caramba, ele foi campeão por 4 times diferentes, ele conseguiu ganhar um título antes de se aposentar, que legal. Mas ele já tinha feito de tudo, ele se juntou com um contrato mínimo com um monte de outras estrelas. Vai ser o título que vão diminuir mais, caso aconteça.
E se ele não ganhar nada, vão falar, mas também já tinha feito de tudo, já devia ter se aposentado.
A parte da pergunta do nosso ouvinte, que ele fala, você vai ser lembrado como um detalhe, um erro, isso aí é especulação da especulação da especulação. A gente tem que ver o que acontece.
Isso depende se ele for campeão ou não.
Mas eu acho assim, ele pode ter várias lesões em sequência e jogar ficar picadinho e não, sabe, não fazer parte de verdade do time. Pode ter uma vitória heroica nos playoffs, uma derrota vergonhosa nos playoffs, pode brigar com o resto do elenco, ou pode virar uma família que vira um time icônico. Tanta coisa pode acontecer, não dá para saber, que pode ser o Jordan no Wizards. Isso é um time, deu tudo errado, ninguém lembra do Jordan no Wizards.
Mas assim, claro que se o LeBron for campeão pelo Sixers, a gente vai lembrar disso. Mas eu acho que vai ser o título menos lembrado de toda a carreira dele. Eu acho que de qualquer maneira, não importa o que aconteça, essa parte na Filadélfia é um adendo, é um anexo.
O que eu acho que tem mais a ver com a cara do LeBron de historinha, de narrativa, para usar a palavra, é não ser óbvio. Porque ao longo da carreira ele não foi óbvio. Porque quando ele foi de Cleveland para Miami Primeiro que o jeito que ele foi, foi absurdo, né? Anunciar ao vivo num programa de TV sem avisar nenhum dos times envolvidos antes foi um escândalo na época. O que é engraçado, eu até acho que hoje explicar para quem não tava lá, o pessoal deve olhar e falar: por que que o pessoal ficou tão ofendido?
Era uma época em que quem dava esses anúncios eram os times ou jornalistas. Não tinha essa possibilidade do próprio atleta dizer para onde ele vai, especialmente num show, né? Num show, assim, Eu acho brega até hoje. Porém, hoje é muito comum que os atletas avisem para onde eles estão indo no Twitter, no instante em que acontece. Os atletas ganharam protagonismo no anúncio das suas decisões.
Duran anunciou para o Warriors no Players Tribune, no texto do site do Players Tribune.
Então é assim, isso é muito mais comum. LeBron foi bem pioneiro. Na época foi muito esquisito e não foi nada óbvio, né?
E aí ele foi odiado em Cleveland por isso. E depois ele volta, que... Bom, já era discutido na época, mas também não era uma coisa tão óbvia. Não é uma história comum na NBA. E ir pro Lakers, por mais que faça sentido, também foi o LeBron tomando conta da história. Porque a torcida do Lakers odiava o LeBron. Tipo, o trabalho da torcida do Lakers era ficar na internet tentando provar que o Kobe era melhor que o LeBron. E de repente eu vou ter que torcer pro LeBron?
Vou ter que apagar todas as mensagens que eu escrevi xingando ele? Então foi, não foi tão óbvio assim o LeBron ir para o Lakers nesse sentido, mas é o que ele queria. Ele foi lá e fez. E eu acho que essa história dos Sixers é a mesma coisa. Por quê? Não tem essa história, não tem isso, não tem ligação. Que eu sou dono da minha carreira. E foi do mesmo jeito que em 2010, todos os times se mostraram dispostos a receber ele e ficaram esperando.
E ele vai lá e fala, eu quero ir para cá porque eu quero vir para cá. Não precisa ter uma razão a mais para isso. O que eu acho que valoriza a ida para os Sixers é o que a gente comentou na semana passada, é dar trabalho e mostra um desejo de ganhar mais.
E justamente por não ter uma narrativa óbvia, por não parecer uma continuidade do trabalho dele, é profundamente arriscado.
Então, e ir para o Warriors podia dar errado, podiam perder na primeira rodada, mas a história legal era ver ele e o Curry juntos.
Isso já seria o suficiente, né? A lembrança seria deles juntos e não necessariamente se eles ganharam ou perderam.
O Cavs é um timaço, ele podia ajudar o Cavs a ser campeão, mas se caísse na final do Leste de novo, para o Knicks do mesmo jeito, ele voltou para casa. Eu lembro um parâmetro em Cleveland. Nesse aí dá trabalho, é um time novo, é um time que precisa se entrosar, precisa arranjar um jeito de jogar.
É arriscadíssimo. Eu acho que a melhor comparação é Jordan Wizards. É que existe uma chance— é que o elenco do Wizards era horroroso. É que existe uma chance desse Jordan ser campeão nesse Wizards. Acho que essa é a única questão, mas o nível de risco, de absurdo, de desconexão é o mesmo.
Eu acho que é legal ele falar, eu quero ganhar e vou lutar pra isso, mesmo que dê trabalho. Eu quero ganhar mais uma. E para fazer isso aos 40 e poucos anos, acho que pode ser lembrado no futuro de uma maneira positiva.
Pode ser. O que ele comentou, né, que ele quer, ele ainda quer se sacrificar, ele ainda tá disponível, disposto ao sacrifício. Mas é difícil sacrificar sem chances reais de ser campeão, né?
Eu acho que no fim das contas ele tava pensando: o que que vai me motivar a sair da cama e treinar e não jogar golfe? Ele brincou com isso, aliás, numa entrevista onde ele tá jogando golfe, que ele falou que ele dorme disponível para o jogo e acorda como dúvida, porque ele acorda todo podre, tudo doendo, nunca sabe o que vai ser. Ele falou, jogo em dias consecutivos, sou sempre dúvida, não precisa perguntar, tá sempre doendo tudo. E acho que ele parou para pensar, por que eu passaria por isso mais uma vez?
Pois é.
Aí acho que ele ficou imaginando, acho que ganhar ia ser mó legal, né? E tirar essa motivação não é fácil. Eu acho que pode influenciar como ele vai ser lembrado, mas por mais que o LeBron se preocupe com isso, que ele tente controlar isso, que ele seja o responsável por organizar o próprio documentário, é o futuro que vai decidir como ele vai ser lembrado.
Não dá para saber, depende muito.
Então é uma das coisas que faz discutir legado ser meio bobo, não tem controle nenhum. Como o LeBron vai ser lembrado em 20 anos? A gente é obrigado a esperar 20 anos, obrigado. A gente pode passar os 19 primeiros anos especulando, no 20º ainda a gente vai ser pego de surpresa, porque muita coisa vai acontecer com ele no basquete, na NBA, no esporte em geral, na sociedade, no colapso iminente do capitalismo, tantas coisas.
Por mais que tenha gente que ainda fale nunca será Michael Jordan, Eu defenderia sem muita dificuldade que o legado do Jordan envelheceu pior do que se imaginava, de que a imagem dele como um apostador compulsivo, a aposentadoria, a carreira curta, a passagem pelo Wizards, essas coisas acabaram deixando um gosto mais amargo do que naquele momento, quando Jordan jogava, parecia que ia ficar.
E ao mesmo tempo, quando saiu o documentário dele na pandemia, mudou algumas percepções também. Algumas pra mal, tipo ele apostando o jogo da moedinha lá, foi meio esquisito. Mas fez um monte de gente conhecer detalhes e falar, nossa, realmente ninguém competia igual ele. Deu pra reformar um pouco aquela aura de invencível que ele teve no fim da carreira.
É que o documentário também tentou resgatar o fato de que as novas gerações nem sabiam quem ele era, achavam que ele era um meme do Jordan chorando.
Ou uma marca de tênis.
Assim, ninguém imaginou que o legado ia ser o meme dele chorando, que ele ia ser arranhado, que ia ter uma micro rachadura. E tem.
Não quero dizer que ele é menor por isso, é o que ele fez, é o que ele fez.
Mas assim, as lembranças do Jordan são mais rachadas do que a solidez da carreira dele pareciam que iam ser. Esse tipo de coisa a gente não dá para prever mesmo.
É quando o cara termina com Praticamente 6 títulos seguidos. No meio tem aquela temporada que ele volta no final, que o Orlando elimina, mas 6 títulos nas últimas 7 temporadas dele no Bulls. Como é que alguém vai superar isso? Como é que vai ter uma rachadura nesse legado?
Então, e o do LeBron, eu acho que é o contrário. O LeBron é uma carreira cheia de rachaduras. As pessoas sempre duvidaram: não é tão bom quanto o Jordan, se uniu sempre com um monte de estrelas.
Jordan nunca perdeu final, LeBron perdeu 6 finais.
É cheio de rachaduras. Aí, aí Como é que envelhece isso? Talvez não tenha nenhuma. Talvez a gente olha e fale: não, olha só, o cara jogou 30 temporadas, foi campeão nas últimas 3 temporadas da vida dele na Filadélfia, né?
Até o pessoal discutia legado do LeBron, Danilo, em 2009, né? Porque não, o Cavs era o melhor time e perdeu nos playoffs por Orlando Magic, por Orlando Magic, igual o Jordan. Que que vai acontecer? Como é que vão lembrar do LeBron 2009. Tanta coisa aconteceu com o LeBron desde então, incluindo ir para 8 finais seguidos.
Aquela conversa de 2009 envelheceu mal, qualquer que tenha sido.
Tem que esperar as coisas acontecerem. Olha que loucura. Então eu acho que isso explica um pouco porque legado é a palavra proibida no Bola Presa. Próxima pergunta, bora, é do Tomás. Fala, Splash Brothers da podosfera basquetebolística brasileira, tudo bom? Tudo bom? Confesso que fiquei com uma certa dó do Golden State Warriors nesse caso do LeBron. Depois de tantos anos dominando a NBA, parecia que essa era a última oportunidade de dar ao Curry um elenco capaz de brigar por alguma coisa.
A chegada do LeBron seria histórica, mas deu uma sensação de era agora ou nunca, e é oficialmente nunca.
Oficialmente nunca.
Onde foi que eles erraram? Será que o LeBron iria pra lá se o Jimmy Butler estivesse jogando, não machucado? Vocês acham que estamos caminhando pro encerramento meio melancólico da era Warriors? Aquele tipo de final que todo mundo sabe que acabou, mas continua esperando alguma coisa? E olhando para o Curry, como vocês imaginam que será o fim da carreira dele? Ainda existe espaço para um último capítulo realmente competitivo, ou é mais provável que os últimos anos sejam parecidos com o de outros grandes ídolos, jogando mais pelo peso da história do que por chance real de conquistar alguma coisa?
Abraços e vida longa, vida longa. É meio triste a história do Golden State Warriors, porque de novo, pensando na historinha, a gente fala, não, Curry e o Draymond Green tem que se aposentar no Golden State Warriors. Já é um erro o Klay Thompson não tá junto. Só que aí a gente é obrigado a assistir esse time dia após dia na temporada regular 82 vezes, definhando diante dos nossos olhos. E aí você fala, é, o time não é horrível.
Quando o Porzingis joga, o time vai ser bom. Não sei quando e nem como o Jimmy Butler vai jogar, e eu quero ver o Gui Santos jogando. Mas quando você pensa no que o Curry já jogou, nos times que ele já fez parte, parece muito pouco.
É meio melancólico mesmo. Eles estão apodrecendo diante dos nossos olhos.
Então entenda essa melancolia.
Não acho que o LeBron ia salvar tudo também, talvez ia dar um ânimo, né, de ia dar pelo menos uma historinha para a gente acompanhar. Uma historinha menos melancólica do que o que a gente tem. E eu acho que nada tira a dinastia que o Rodgers construiu, mas eu acho que a gente vai olhar para esse momento no tempo como um desastre de gestão. Eu acho que o Rodgers tinha um discurso de que aquela, aquela mágica que eles tinham construído, que foi espetacular, histórica, o melhor time de todos os tempos, seria mantível eternamente.
E eles, o discurso atrapalhou muito o jeito com que eles lidaram com esse time nos anos seguintes.
Tem várias pessoas discutindo o Golden State essa semana por não ter conseguido o LeBron e porque a única coisa que eles fizeram foi renovar o Draymond Green logo depois, porque, né, é o que restou, por muito dinheiro, né? E resgataram a notícia de quando o Raptors tava trocando todo mundo, eles tentaram o Siakam, não conseguiram. E tentaram o D'Onunoby, não conseguiram. E a notícia do D'Onunoby é que o Raptors tava pedindo o Kuminga e o Warriors não queria mandar o Kuminga.
É claro, não é possível, né?
Imagina o D'Onunoby lá. Não é que assim, o Kuminga era para virar uma estrela. O D'Onunoby hoje é um dos melhores role players da NBA, mas ainda role player. E aí deixaram passar. Então o Zé Clow, o Cota Zé Clow, ele sempre coloca o comentário final de que Esse é o normal. Todo grande time foi assim. Todo grande time, a não ser que você desmanche no auge, tipo o próprio Bulls do Jordan, foi campeão e o time acabou. Jordan aposentou e foi cada um pra um lado.
O normal é você perder. E no outro ano você perde um pouco mais cedo, aí alguém é trocado e não dura pra sempre. Então não é um grande drama também. O triste do Warriors é isso. Prometeram pra gente que não ia acabar. Prometeram pra eles mesmos que não ia acabar. E essas notícias aí, ó, a notícia do Nunobe, o draft do James Wiseman, são coisas que colocaram a chance real de fazer durar mais tempo. O Jordan Poole, que era uma promessa, deu errado.
Soco do Draymond Green. Então foram várias pequenas coisas que podiam fazer o time durar mais e deu errado.
Mas é que assim, eu acho que uma boa comparação para a gente fazer é com a dinastia do San Antonio Spurs. Esports, que foi o time mais campeão do começo dos anos 2000. E era um time com estrelas que a gente sabia que iam ficar mais velhas e que eventualmente iam perder e que o time ia piorar. Mas o Esports tava sempre tentando conseguir algum role player bom, sólido, de apoio para manter esse time relevante, para manter esse time tentando.
Eu acho que o Warriors nunca foi nessa direção. O Warriors tinha esse sonho de que eles iam draftar jovenzíssimos jogadores que iam coexistir com os veteranos estrelados, depois assumir o controle, e depois assumir o controle numa nova geração. E aí o Warriors ia ficar no topo até o fim dos tempos. E foi muito ruim para Klay Thompson, Stephen Curry, Draymond Green, para o núcleo veterano, a tentativa de incorporar esses jovens jogadores.
Foi pior para o Steve Kerr, que nunca teve a menor paciência.
Exato, e foi muito ruim porque o estilo de jogo do Warriors não é muito adequado, muito receptivo para jovens jogadores. O Steve Kerr não teve experiência com jovens jogadores. A experiência que ele tem é o Golden State Warriors com veteranos campeões. Então parecia que não era um cenário que encaixava essa imaginação que eles tinham. E aí o time teve menos auxílio do que deveria. Se o Wiseman, que foi um desastre completo por ser jovem, por ser pivô, por estar nesse esquema tático do Warriors, tivesse sido trocado antes da escolha ser feita por um veterano qualquer de apoio, se o Kuminga tivesse sido trocado pelo Anunoby, o time teria sido muito diferente.
Eles poderiam ter mantido a sobrevida desse time não com o sonho de vamos durar para sempre, Mas vamos durar mais. Dá pro Warriors ser favorito ao título por muito mais anos se a gente não tiver um sonho de durar pra sempre e abrir mão desses jovens jogadores. Eu acho que esse é o erro de gestão. Tipo, não dá. Você não pode ter veteranos com 35 anos e um novato que você quer que entre no elenco e seja titular do lado.
Eles sonhavam em ser o San Antonio Spurs? Depois de ver o San Antonio Spurs tentar isso e dar errado. Eles tentaram embalar a era Tim Duncan com o LaMarcus Aldridge e o Kawhi Leonard ganhando um papel maior, e podia dar certo. O Kawhi pediu para sair, o Kawhi brigou com todo mundo, o LaMarcus Aldridge eventualmente estava lá sozinho e não jogou mais naquele nível. E aí sabe o que aconteceu? O time foi terrível por 2, 3 temporadas e foi a melhor coisa para a vida deles.
A NBA funciona assim, você não precisa— você precisa ser uma gestão boa pra não passar 20 anos sendo ruim, igual Sacramento. Mas ser ruim depois de ser muito bom, a NBA é feita pra isso. Abraça só e vai embora.
Eu acho que o discurso tem que ser: a gente vai estender essa fase o máximo que der. A gente vai fazer todas as concessões pra dar o máximo de talento pra Curry, Klay Thompson, Draymond Green. E aí uma hora vai acabar. E a gente vai fazer uma reconstrução sólida e voltar pro topo depois. É esse que tem que ser o discurso, né?
É que eles estavam anos-luz à frente, né?
Então aí foi muita arrogância. E aí o que aconteceu é Curry, Draymond Green, Klay Thompson não receberam o apoio que deveriam. Eu acho que a franquia deixou eles na mão.
Eu também acho.
E aí sim a gente vai ver um filme melancólico.
Mensagem do João Pedro: fala, Schroeder e Galinari da podosfera basquetebolística, beleza?
Beleza.
Ele não falou quem é quem, Danilo. Você é o Schroeder? Danilo Schroeder e Denis Galinari?
Exato, sim, sem sombra de dúvida.
Na opinião de vocês, existe uma tendência de o meta dos diferentes esportes caminhar na mesma direção? Quando digo meta, é o jogo sobre o jogo, a forma de jogar que hoje parece ser a mais eficiente para vencer. Na NBA, parece que estamos entrando em uma fase em que os times mais fortes são profundos, coletivos e menos dependentes de uma única superestrela. E tirando o Spurs, muitos dos principais candidatos ao título nem contam com jogadores mais midiáticos da liga.
Só porque o Shein não ri, a gente não acha ele midiático. No futebol, tem a impressão de que acontece algo parecido. Seleções e clubes como a Espanha, PSG e Arsenal também se destacam mais pelo jogo coletivo do que por depender de um craque. Mesmo a Espanha, que tem o Yamal, não parece ser um time construído em torno dele. Vocês acham que isso é apenas uma coincidência entre os dois esportes, ou existe algum fator mais amplo fazendo com que o meta esteja evoluindo nessa direção? Você acha que os esportes se conversam assim?
É, a gente teria que imaginar que existe um esporte único platônico e todos os outros esportes são ramificações dele, né?
A gente sabe que jogadores, técnicos assistem outros esportes e às vezes tiram inspiração. A gente já falou sobre isso até em podcast especial.
Exato.
Mas não sei se é algo tão profundo da alma do esporte.
É, né? Se o esporte tivesse uma estrutura única e todos os jogos fossem variações dele, Aí talvez eu tivesse receitas para vitória que conversassem com todos. Mas eu acho que a mudança de regras cria especificidades que os outros não têm. Eu acho que se a gente caminha para um meta único é justamente porque a gente vê uma coisa funcionando num esporte e imagina se não funcionaria no outro. Mas essa é a graça do esporte, né? Os esportes não são jogos resolvidos. A gente não tem certeza sobre o que seria bom. A gente imagina.
E o que dá certo, de repente, começa a dar errado.
Isso. E aí a gente imagina que, ah, tá dando certo espaçamento no basquete, vamos tentar espaçamento no futebol também. E aí você vai, e aí começa a vencer uns jogos e fala, tá vendo? Eles têm a ver. Mas não, às vezes não tem nenhuma relação, às vezes é só coincidência. É muito difícil você traçar uma relação de causalidade.
Eu acho legal que você pegue inspirações de outros esportes.
Sem dúvida.
Mas eu não acho que aconteça assim. Sempre a mesma coisa. Aliás, eu chutaria que o futebol é sempre muito coletivo. Até quando você tem, constrói o time ao redor de um jogador para ele brilhar, só vai dar certo se todos os outros caras jogarem bem no papelzinho deles. Assim, o campo é muito grande, Danilo, e tem muito jogador, né? Campo é muito grande, tem muito jogador, o tempo inteiro. No basquete até dá para o cara tá em todo lugar quase o tempo inteiro.
No futebol não dá, a bola precisa chegar no craque eventualmente. Ele não ataca e defende. Então, por mais que às vezes um time seja destacado por um jogador que faz as coisas espetaculares, tem que ser coletivo de alguma forma.
E aí tem esportes que dá pra ser mais e tem esportes que dá pra ser menos. Então não dá pra realmente passar essas ideias de um pro outro, mas a gente tenta e a gente cria uma imaginação de como deveria ser. E aí às vezes dá certo, às vezes dá errado, e aí você insiste. Eu sou encantado por uma novidade que a gente teve no mundo do Go, que para quem não conhece, o Go é um jogo muito popular na Ásia em que você junta pedras brancas e pretas e você tem que cercar as peças do oponente.
Quando você cerca, você tira elas do tabuleiro, né? E a gente imaginou, é um jogo muito antigo, então a gente imaginou por muitos séculos como é que o jogo deveria ser jogado. Existia um meta, Imagens que você tentava construir com as suas peças que seriam estrategicamente melhores do que outras. E a gente botou um computador para jogar e ele não faz nada disso. Ele ignora completamente o meta que foi construído com séculos de partidas.
Ele faz coisas que os seres humanos olham e falam: não faz nenhum sentido, nada a ver.
E aí o mais importante, ele derrota os melhores seres humanos.
Exato, ele vence mesmo assim. Tem um documentário sobre isso, sobre o AlphaGo. A primeira inteligência artificial, primeiro algoritmo que derrotou jogadores reais de Go. E acho que é uma grande lição sobre o meta. O meta é uma imaginação, é um jeito que a gente imagina que o jogo deveria ser jogado. Não necessariamente ele tem a ver com vitórias reais, mas todo mundo segue, né?
E uma das partes mais legais desse documentário do AlphaGo é quando a equipe responsável por criar o robô, vamos dizer assim, Tá assistindo o jogo e eles se olham e falam, a gente não tem a menor ideia porque ele tá escolhendo isso. É porque ele tá pensando na cabeça dele, entre aspas, a gente já não sabe mais porque ele tá agindo do jeito que tá agindo.
Tem uma coisa muito legal, né, que é um momento em que ele abandona um pedaço do tabuleiro e põe uma peça solta, assim, totalmente abandonada no lado oposto. E aí eles falam, ninguém nunca faz isso, você não pode abandonar um lado do tabuleiro que tá sendo disputado. O que que ele tá fazendo assim? Não dá para explicar o motivo. Aí a gente tenta explicar depois, depois, depois.
No xadrez tem isso, né? O xadrez também é dominado por robôs, e aí você vê partidas dos robôs e tenta entender por que ele fez aquilo, que nem sempre é muito óbvio. E volta e meia tem uns lances numa partida de humanos que alguém fala: esse lance foi muito Stockfish. Esse é um lance que uma máquina faria, não jogador. Então o jogador fez porque estudou a máquina.
Virou até piada, né? O A4 e H4, né, que é você avançar duas casas os peões dos flancos, virou o lance da máquina.
É porque antes das máquinas parecia que era alguém tirando sarro só.
Parece um lance ridículo.
Meta do xadrez é domine o centro, primeira coisa que você faz.
Exato, né? O peão do canto, ele controla uma casa a menos do que qualquer outro peão do tabuleiro. Porque os peões só caminham na diagonal. Se você tá no canto, é uma diagonal a menos que você tem acesso. Ele parece o pior peão, mas não. Os robôs avançam esses peões com muita frequência.
E vai lá descobrir por que dá certo.
Pois é, mas agora se faz. Imagina, agora os melhores jogadores xadrez do mundo avançam esses peões.
Então, complexo. E por isso que não acaba nunca, né?
É, a graça é: não são jogos resolvidos.
Mensagem do Henrico Neves: bom dia, Paulo Apresa.
Bom dia.
Esses dias lembrei do ex-dono do Phoenix Suns, Robert Sarver, que foi obrigado a vender a franquia. Também lembro do ex-dono do Clippers, que foi obrigado a vender a franquia, e nunca entendi como ele durou tanto tempo na liga sendo que existiu boato muito forte de que ele sempre foi racista. Parênteses: nem era boato, todo mundo sabia. É claro, a resposta principal é que era outra época. Até que quem não era, até quem era abertamente antirracista não era do jeito que é hoje no combate a quem era racista. Tipo, esse cara é normal, mais um rico branco que é racista nos Estados Unidos.
Era o status quo, né?
Então eu queria saber quais são as regras que os donos devem seguir para não serem expulsos da NBA. Apenas seguir o código penal ou tem mais alguma coisa? E também gostaria de saber se o dono ficasse bravo que foi obrigado a vender o time, se ele pudesse começar a fazer trocas idiotas, trocando o melhor jogador por nada, Só pra zoar quem fosse comprar o time, ou se tem alguma regra que impede isso. É só isso, um abraço.
Boa.
Bom, geralmente esses caras são afastados antes, né?
Exato, mas se eles fizessem uma pirraça dessas, problema nenhum, a NBA veta essas trocas. Se elas são completamente estapafúrdias, a NBA pode vetar.
É, não ia dar certo. Se o cara ameaça fazer isso, a NBA já manda alguma coisa que... Assim, a NBA, quem é dono da NBA? Os 30 times. Então esse cara é um dos 30 donos, mas os outros 29 podem olhar e falar, cara, você tá estragando a brincadeira.
Exato. E justamente por isso as regras que os donos seguem não são só as penais, não é só a Constituição. Eles também não podem ter condutas em detrimento da NBA como marca. Então eles não podem falar mal da NBA, eles não podem criticar arbitragem, eles não podem falar que alguma coisa é uma falcatrua. Porque isso mancha a imagem da NBA. Então, se eles fazem isso, eles são punidos, são multados, podem inclusive ser forçados a vender.
É, e o forçado a vender às vezes não é nem tipo chega um documento falando, você tem que vender o time. É, você vai ser suspenso por tantos anos, você não pode frequentar o ginásio, você não vai poder fazer parte das mesas de discussão que tomam as decisões pra NBA por não sei quanto tempo. Tudo ao redor para dizer, cara, só se livra, é melhor para você vender porque você não vai mais brincar. O Robert Sarver foi isso, né?
Ele foi banido de tudo, né?
Foi minado de tudo e decidiu vender. E aquela história, né? É a pior pessoa do mundo, tá sendo expulso porque fez uma coisa horrível. O que acontece com ele? Alguém paga 4, 5 bilhões de dólares para ele, para ele ir embora.
Isso é ridículo, né?
É o que dá.
É assim, é o que dá nesse formato de que os times têm donos, né?
E que os times são donos da liga.
Exatamente.
Como é que você expulsa um negócio que eu sou dono de 1/30? Pois é, tem os mecanismos para afastar, mas não é simples.
O sonho é outro, né? Seria muito mais legal se as cidades fossem donas dos times, se os jogadores fossem donos dos times. Assim, aí vira outro modelo, outra realidade.
Se os jogadores fossem donos da liga, né? Não necessariamente dos times, mas da liga como um todo, e os times tivessem os general managers, alguém que conduza, que são contratados pela liga, né? É tão diferente que quando você despeja uma ideia dessa, vem mil perguntas, tá? E como funcionaria isso ou aquilo? A gente pensa, tem que repensar nisso depois. Mas também sonho distante. A realidade é que vão ter duas franquias novas compradas por 10 bilhões de dólares por pessoas que têm 10 bilhões de dólares para gastar num brinquedo novo.
E são pessoas quaisquer, né, que podem. Qual é a questão? Qual é a relação delas com basquete? Não, não, elas podem, elas podem.
Pergunta sobre trabalho agora, Dino. Acabou o basquete, acabou. Téo Carvalho fala: pessoal, tudo bem?
Tudo bom, tudo bom.
A única coisa negativa dos playoffs é que paramos de ter o Bolfinhos Play Hard. Tava com saudade já. Agora é para matar a saudade.
Boa.
Hoje trago um questionamento aos gênios do basquete e da psique humana: como é a relação de vocês com o trabalho? Tenho pouco mais de 3 anos de experiência trabalhando e de um ano para cá o ato de ter que trabalhar, ter que sair de casa, viver o mesmo dia, os mesmos problemas todos os dias, tem sido agonizante. E olha que trabalho com que eu gosto, que é esporte, mas tem me parecido impossível imaginar uma vida onde eu consiga manter esse ritmo por mais 5, 10 ou 20 anos.
Como era a relação com o trabalho de vocês antes do Bola Presa e como é agora? Desde já agradeço a companhia de vocês sempre e tenho que admitir que testei muito o que os ouvintes já fazem: dormir ouvindo qualquer podcast da DDD Estúdio, e funciona bem, até demais. Valeu pela atenção.
Então eu tô sendo elogiado por a gente ter vozes chatas, não tem como lutar contra mais Já era, né?
A Mora dorme ouvindo um podcast que lê livros infantis. Fofinho. Então talvez seja o próximo, nosso próximo passo é ler uma história infantil, passa a ler historinhas para o pessoal dormir de verdade.
Perfeito. A historinha sobre o raptor, sobre o condor.
Você viu que eu botei o mascote do Sixers aqui para dar um destaque para ele? Ficava lá no canto. Agora é protagonista.
Agora tá penduradinho aqui na nossa cesta, no cenário.
E aí eu guardei o Raptor atrás de mim. Não dá para ver quando eu tô sentado, mas ele tá aqui atrás.
Bom, Danilo, trabalho, né?
Boa parte do começo da nossa vida adulta foi: o que que a gente pode fazer para não trabalhar?
Isso aí, eu ia falar isso, que uma das coisas que nos uniu como adolescentes, adolescentes um tanto rebeldes, era a nossa relação com o trabalho. A gente não queria, a gente não lidava bem com a ideia de um trabalho repetitivo maçante em que a gente teria os mesmos desafios e a mesma rotina todos os dias.
E chefe.
É, a gente basicamente não queria um trabalho de escritório, que era a coisa que mais se anunciava no nosso horizonte. E eu tive alguns subempregos e sofri muito com eles, foi bem difícil. E eventualmente eu encontrei prazer num trabalho que era a docência. E eu entendia estar em sala de aula como um desafio completamente diferente todos os dias.
Repetitivo não era, né?
Não é nada repetitivo. E é muito engraçado porque eu dava às vezes a mesma aula, tava lá no programa, a mesma aula para duas turmas diferentes de um mesmo ano. Sai completamente diferente a aula dependendo dos alunos, de como eles reagem, de qual pergunta que eles fazem, da velocidade que eles pegam ou não pegam um conceito. Era tudo diferente. Então eu era muito verdadeiramente feliz em sala de aula. Os problemas dos alunos são diversos.
Acontece uma coisa no mundo, na geopolítica mundial, e eu sei que eu vou chegar na sala de aula e vai ter um aluno perguntando sobre aquilo, independente de ter a ver com o conteúdo que eu ia passar.
Você é obrigado a estudar antes porque você sabe que a pergunta vem para você, né?
Exato.
E assim, você entendendo aquilo ou não, Eu confesso que tinha um custo.
Assim, eu nunca desligava como professor. Eu tava o tempo inteiro me preparando pra próxima aula e pensando como é que a próxima notícia vai se relacionar com a aula que eu vou dar.
É porque não só você dava aula de filosofia, pra quem não chegou agora, e de sociologia também. Mas não era só isso que ficavam as aulas, né? Até pelo assunto, outras conversas vinham, como você falou, questões do dia a dia, notícia, todo mundo queria sua opinião, uma explicação. Então ninguém ia perguntar para o professor de matemática, e eu lembro, por mais que ele pudesse ser uma pessoa interessada nisso, mas, e acho que ele não sentia essa pressão.
E a matemática do ensino fundamental, acho que ele tava bem confortável, à vontade de que ele tava preparado para dar aquela aula.
Eu não tava nunca, mas você lembra bem, eu me ressentia de chegar nas aulas de geografia com o professor César, abraço para o César, e Tinha uma guerra rolando no Afeganistão e eu queria saber sobre a guerra. Isso não é geografia? E a resposta dele era: mas eu tenho conteúdo para passar, eu tenho conteúdo específico para passar porque vocês precisam ir bem no vestibular. E eu ficava muito, muito frustrado. Frustrado é um jeito fofo de dizer, eu ficava revoltado e era inclusive mal educado com o César.
Peço desculpas para o César, mas eu não queria ser esse professor. Eu queria ser o professor que dá um jeito de juntar a guerra do Iraque com o Espinoza, com o Descartes, porque não vou— a minha lógica é: eu respondo qualquer pergunta, e aí eu faço um trabalho para trazer isso para o conteúdo.
Curioso é, quando você tava no ensino médio, Estados Unidos tava em guerra. Quando você chegou na docência, os Estados Unidos estavam em guerra.
Exato. E aí eu saí, larga, eu saí da docência, e aí os Estados Unidos tá em guerra.
Então o professor tem que estar preparado.
Então assim, era muito exaustivo. O cérebro não desligava nunca. Os alunos tinham problemas pessoais, eu também tava sempre pensando nisso, sempre tendo que conversar com coordenação, com os pais. Mas eu era feliz com o trabalho, que por mais que eu tivesse que ir todos os dias, até os horários eram diferentes. Às vezes entrava mais cedo, às vezes entrava mais tarde, às vezes era hora de manhã, às vezes era hora de tarde. Era muito novo.
E aí a parte repetitiva, que era fazer diário, preparar prova, corrigir prova, toda essa parte que é a parte burocrática do professor me matava. Todo semestre, na verdade todo bimestre que isso acontecia, eu pensava, não vou conseguir mais, não vou, não vou dar conta. Assim, eu encontrei felicidade no que era variável e quase enlouqueci na parte que era burocrática e portanto repetitiva.
E eventualmente você saiu de verdade?
Eventualmente eu saí, eventualmente. Se fosse só estar em sala de aula, acho que eu nunca teria parado de dar aula, eu gostava demais.
Manda aí, ó, fazer agora as coisas repetitivas.
Eu fico pensando que hoje em dia deve ser muito diferente, né?
Vai tentar? Vai ter um retorno?
Retorno meu no Wizards?
É, você só manda igual o fax que o Jordan mandou, só um I'm back.
E a sua relação com o trabalho depois da nossa adolescência?
Ah, eu continuei tentando fugir de qualquer jeito e desisti da faculdade de letras muito pensando em como eu vou trabalhar com isso depois. Eu não quero dar aula. Depois que eu tentei dar aula um pouco de inglês, achei terrível. E de fato, eu senti quando eu comecei a trabalhar de verdade todos os dias, que eu trabalhei com massagem, né? Tem um Escutar Essa sobre isso. Para quem quiser mais detalhes.
E tem que escutar sobre minha carreira de professor também.
Quando eu comecei a trabalhar no jornal todos os dias como jornalista, eu senti que toda a minha energia, todo o brilho nos olhos foi indo embora aos poucos, porque era muito desgastante. Só que uma coisa curiosa, eu ficava tão desgastado, tão cansado sempre de trabalhar, que eu chegava no jornal torcendo para ser só coisa repetitiva. Tipo, hoje eu só quero sentar e fazer a rotina que eu tenho que fazer toda noite e ir embora.
Mas é de exaustão, né?
E é porque eu tô cansado. Ah não, essa madrugada aconteceu uma coisa louca. Tinha gente que ficava empolgada assim, ó. A mulher que trabalhava comigo, ela ficava sonhando pra tipo, não pode ter um incêndio agora de madrugada? Pra eu ir pra rua, pra eu, sabe, apurar alguma coisa. Não precisa ser um incêndio, né? Só uma brincadeira. Mas alguma ação, sabe? E para mim era, não, não quero que aconteça nada não, vou ter que fazer um monte de coisa.
Mas era porque eu já tava sem pique mesmo. Então eu achava o trabalho esgotava minha energia. E aí quando chegava coisas do Bola Presa, fazer um texto, fazer o podcast, eu tava sem energia para fazer. Então para mim começou a ficar inviável, porque se eu trabalho, eu só trabalho. E aí, nossa, tem que ser o melhor trabalho do mundo, né, para poder abrir mão de qualquer outra coisa.
Pois é.
Então, mesmo que o trabalho não era horrível, para mim era horrível porque era energia demais que me tomava. Então, com o Bola Presa eu não sinto mais isso. A gente consegue controlar os horários, a gente consegue controlar o que a gente faz, de certa forma. Então é bem melhor, a relação com o trabalho melhorou demais. Embora eventualmente às vezes é trabalho, às vezes tem que fazer coisa que você não quer no dia que você não quer, mas é assim, nem comparação.
Eu digo que a gente tem o melhor trabalho do mundo Mas isso não quer dizer que não seja um trabalho, não seja um trabalho, não seja difícil. Eu acho que a coisa que mais me incomoda com esse trabalho, não só do Bola Presa, mas nosso trabalho de podcasts, é uma sensação que eu já tinha como professor extrapolada, que é a mente nunca desliga. Porque a gente tá sempre tendo que se inteirar do que tá acontecendo na NBA e tem que lidar com as redes sociais e os jogos.
E os podcasts e edição e subir tudo e postar tudo. E agora que a gente tem muitos outros podcasts, tem ideias. Então a gente tá o tempo inteiro pensando qual é o próximo Escuta Extra e pesquisando por Escuta Extra enquanto pesquisa NBA, enquanto pensa no Poco Pixel, enquanto edita um Escuta Extra.
É, durante a temporada tem que assistir muito jogo, o que não é um problema, mas é muito jogo e você tem que sair dos jogos tendo o que dizer.
Exato, a gente não tá só assistindo, né?
Você tem que tirar alguma coisa daquilo e é o jogo, é a semana inteira pensando, tá, mas a gente fala disso ou não fala daquilo? E pensa na pauta para poder se dedicar àquilo. A gente vai falar do Pacers, então deixou assistir mais jogos do Pacers essa semana. Então tem que planejar com alguma antecedência. Eu acho que essa sensação de que não é ruim, mas tá sempre fazendo alguma coisinha, sempre checando alguma coisa, sempre pensando no próximo.
Acho que o meu choque foi que as nossas horas de trabalho são menores, as horas reais de trabalho.
Dá para contar as horas de trabalho, na verdade.
Eu acho que elas são menores do que que eram nos nossos trabalhos anteriores convencionais. Porém, quanto que a gente para? A gente não para nunca, né? Em nenhum horário, né?
Parar de verdade não dá.
Você tá, sei lá, no momento de lazer com a sua família e chega a notificação do Shanz, e você tem que já pensar. Você passa o resto do seu dia pensando o que você vai dizer sobre isso que aconteceu, né?
Tá lá o tweet do Shanz dizendo Qual agente negociou?
Exato, desgraça. Mas é, quando a gente brinca que a gente convive com o burnoutinho, acho que tem um pouco a ver com o fato de que não tem pausa, né? A NB não pausa, o Escuta Essa exige sempre um estudo, uma pesquisa constante, sempre de temas novos. Não tem um momento que a gente só desliga o cérebro.
Que é a parte legal e a parte desgastante ao mesmo tempo.
Pois é, eu adoro aprender sobre coisas diferentes o tempo inteiro, mas é Meu cérebro, nossa, adoraria ser colocado no formol assim por alguns dias.
Tava conversando esses dias do tema do Escuta Essa com a minha esposa, aí ela falou uma hora: ah, mas disso eu não sei muito, né, não sou especialista nisso. E eu sou em algum episódio que eu fiz, eu era especialista.
A gente dá um jeito, né?
Você tem que abraçar e pesquisa mais. E tem esse medo, né, de falar bobagem.
Isso, então a gente tem que pesquisar muito isso, né?
Mensagem do mestre dos Magnus. Salve, DDD, tudo show de bola?
Show de bola.
Me chamo Magno, por isso ele é o mestre dos Magnus. Me chamo Magno Silva, sou nutricionista, mestre em bioquímica e futuro doutorando em bioquímica ou biotecnologia. Não decidiu ainda o que sair primeiro, ele falou. Quem draftar ele primeiro, acho que vai.
Perfeito.
Falou de Vitória, Espírito Santo, cidade irmã de Cascais, Oita, Havana, óbvio, Miami, Beirute, muitas outras, e Vila Velha. Mas não conta, né?
Por que não?
Tá do lado, já é irmã. Naturalmente irmã. Você acha que São Bernardo precisa ser cidade irmã de Santo André?
Não, não faz sentido. Não faz sentido ser irmão de quem você é vizinho.
Tá dado já, tá dado que são cidades irmãs. Queria agradecer por serem minha companhia durante anos de laboratório. Coincidentemente, sempre que começava aqueles protocolos experimentais de 6 semanas, saía o preview da temporada. Maratonei incontáveis episódios olhando para o teto do laboratório e nas viagens de 100 km para visitar minha noiva. Já fui e deixei de ser membro, mas hoje o apoio virou um gasto fixo inegociável.
Muito obrigado, que legal!
Muito obrigado, vocês me ajudam a encontrar paz nos momentos mais difíceis. E já que eu falei da minha noiva, ela é linda, maravilhosa, cheirosa, inteligente, blá blá blá, simpática. Quero compartilhar porque depois de muito sofrimento parece que finalmente a vida entrou nos trilhos. Entrei no meu laboratório como aluno de iniciação científica em 2021 e adorava o trabalho, especialmente os experimentos com camundongos envolvendo biscoito Oreo.
Ele dava Oreo para os camundongos em nome da ciência?
Perfeito, em nome da ciência.
Bom, acho que momentaneamente esses camundongos foram muito felizes.
Aceitei continuar no mesmo laboratório no mestrado. Ele começou na iniciação científica, no mestrado tava no mesmo lugar. E aí o barraco desabou. Minha orientadora mudou completamente comigo. O laboratório ainda vivia o caos do fim do relacionamento dela com a outra professora que dividia o espaço. Eu dei uma resumida, mas a mulher da professora traiu ela com uma aluna da faculdade. Então o humor dela tava daquele jeito, e elas dividiam o mesmo espaço.
Entendi.
E eu acabei sendo o primeiro aluno da professora depois desse período. Então você só apanhou dela na frustração. Foram 2 anos e meio de humilhações constantes, apesar de eu seguir firme porque gostava muito da pesquisa.
Que legal, né, ver alguém tão apaixonado assim pela pesquisa.
Imagina dar óleo para os camundongos. Acho que talvez ele tinha que fazer alguma coisa depois, mas deve ser legal alimentar os bichinhos.
É legal essa conversa no bar, né? O que que você faz, mano? Eu dou óleo para camundongo.
Você trabalha no pior zoológico do mundo.
Não pergunte depois o que acontece com esses camundongos, né?
A situação piorou quando entrou uma nova IC, uma nova de iniciação científica. Enquanto ela virava protegida da orientadora, e na história completa ele conta que era uma Karen, entendi, eu, um preto retinto de dreads, e a outra colega negra convivíamos com ambiente que tinha um racismo muito evidente. Fiz terapia para conseguir terminar o mestrado sem perder a cabeça.
Que droga, né?
Alguém termina o mestrado dizendo Opa, foi tranquilo, foi gostoso, né?
Foi uma trajetória assim macia.
No fim surgiu uma oportunidade de fazer o doutorado em outro laboratório com orientador que é provavelmente ser humano mais evoluído do planeta. Gente, parecia o final feliz até eu passar noites escrevendo pré-projeto e enviar toda a inscrição para o lugar errado. Era um formulário, eu mandei por email. Na vida acadêmica É ridículo, né?
E ninguém tem jogo cintura nenhum, né?
Mas a história termina melhor do que começou. Amanhã estou saindo da casa dos meus pais para finalmente morar com a minha noiva.
Que legal!
Depois de 6 anos nos vendo praticamente só nos fins de semana. Quando ela morava a 20 km de distância, eu ia de ônibus. Quando eu comprei um carro nota 5, ela morava a 40 km de distância. Comprei um carro nota 7,5, ela mudou para mais de 100 km de distância.
Haja bola presa!
Ela tá testando o seu carro e a quantidade de podcast que você consegue ouvir.
É isso.
Mas agora vou morar em Piúma, a cidade das conchas, cidade irmã de Iconha, que fica logo ali.
Iconha?
Iconha.
Ô, Iconha é um nome fantástico para uma cidade.
Cidade irmã de Piúma. Piúma e Iconha.
Ô, Iconha, Iconha.
Você não faria uma dupla sertaneja chamada Piúma e Iconha?
Sem dúvida. Nossa, Iconha parece quase a turma da Imbonha.
4 meses depois daquele desastre na inscrição do doutorado, trabalhando como CLT, estou começando vida nova. Júlia, eu te amo. Quem disse isso foi ele, não eu, para ficar claro. E sobre o último episódio, que não é o último, que a mensagem tem algumas semanas, para o amigo que queria casar para ajudar a namorada com o plano de saúde, avisa que união estável também resolve. É o que vamos fazer por enquanto por questões financeiras. O casamento fica pro ano que vem e vocês estão convidados.
É até mais caro, não só a festa do casamento, é mais caro a papelada do casamento, né? União estável resolve. Estamos convidados pra casamento?
Estamos convidados.
Pô, eu adoro um casamento.
E tá guardando dinheiro, então vai ser bom o casamento.
Eu cheguei à conclusão de que as minhas festas favoritas são as festas de casamento. Tá todo mundo muito feliz, muito esperançoso, todo mundo chora. Mesmo quando não conheço ninguém, eu choro também. As roupas são bonitas, a comida é boa.
E por que você não casa, Danilo? Por que você não faz uma festa de casamento?
Porque você já viu alguém que se casa e aproveita a festa de casamento? A festa de casamento é para os outros.
Você pode inaugurar a festa de casamento, primeira festa de casamento que os noivos aproveitam.
É, parece impossível.
Se você tirar 10% das fotos que eles tiram, acho que dá mais tempo de aproveitar.
Eu já fui em festa de casamento que os noivos em nenhum momento sentaram, e só comida boa passando, e eles não sentaram. Não dá.
Bom, abraço futuro doutor em bioquímica ou biotecnologia. Vila Ponga ao Paula Breza.
Esse foi difícil, não sei nem como responder.
Ah, mas legal o relato.
Valeu.
Ele que mandou mais para agradecer o apoio nesses anos todos de laboratório, mas sofrido, hein? Nossa Senhora, não tem uma pessoa que manda uma mensagem sobre mestrado, doutorado, vida acadêmica que não é Tô enlouquecendo, obrigado porque eu ouvi o podcast e não joguei tudo pro alto.
É difícil, né?
Nossa, que vidinha!
É muita pressão, né? É muita pressão. Você tá sendo julgado o tempo inteiro, a sua pesquisa tá sendo julgada, sua escrita tá sendo julgada, e você às vezes sente muito sozinho, você não tem muita possibilidade de ouvir o que os outros pensam sobre isso, e Por outras vezes é o contrário, você tem que ficar interagindo, tem muita relação interpessoal no meio da pesquisa, não consegue ficar sozinho para escrever e pesquisar.
E ele teve o bônus, né? Primeiro a professora tinha acabado de separar da professora vizinha e ainda racismo. É só para complementar o bingo completo de horror. Mas obrigado aí por seguir ouvindo a gente, porque podia ser o oposto, você podia associar nossa voz com estar no laboratório sendo maltratado.
E aí você ia ter estresse pós-traumático de ouvir a gente falando: bem, amigos do Bola Preta, assim como os ratinhos, né, que reagem de alguma maneira determinada toda vez que recebem óleo.
E fica a pergunta: você come óleo ou famoso biscoito? Mensagem anônima, Danilo.
Manda.
Olá, tudo certinho?
Lembrando que as missões anônimas estão restabelecidas no nosso formulário lá no bolapresa.com.br.
Olá, Dede, tudo certinho?
Certinho.
Sou de Foz do Iguaçu, que tem como cidade irmã Jericó na Palestina, Pisa na Itália, Kunming e Xiamen na Grande República Popular da China.
Perfeito.
Tenho passado por algo no trabalho que eu acho bem cômico, e para resolver esse problema, nada mais justo que mandar aos meus podcasters favoritos para resolver a questão.
Bora!
Recentemente eu mudei de setor no meu trabalho, ainda faço a mesma coisa, mas lido no geral com pessoas diferentes. Sendo assim, uma boa parte das pessoas que lido agora já me conhecia, mas eles não falavam ou interagiam diretamente comigo.
Perfeito, normal de empresa, né? Era um conhecido, você vê a pessoa passando, dia, dia, tarde, tarde, bom, bom.
Bom, vem aí a questão: não sei se pela impressão de proximidade, mas essas pessoas decidiram encostar muito em mim.
Oi, como encostar?
Pegajoso.
Tipo, tocar para conversar ou para ficar abraçando?
Minha colega de mesa, por exemplo, que senta ao meu lado, me cutuca, coloca a mão no meu braço ou chama minha atenção me encostando sempre, sendo que estamos literalmente um do lado do outro. Se ela falar, eu já escuto e presto atenção, mas ela chama cutucando. Mas o que me incomoda mais em específico é uma moça que presta serviço para empresa e que encosta demais. Ela ultrapassa todos os limites. Ela me abraça enquanto eu tô sentado, fica em pé atrás de mim passando a mão nos meus ombros.
Até que recentemente estava resolvendo algo pra ela e ela deitou a cabeça no meu ombro. Não me incomodo por eu ser comprometido ou por achar que ela tá dando em cima de mim, nada disso. São só limites. Por ser rápido e eu saber que é só uma forma carinhosa, eu não falei nada. Mas depois dela literalmente debruçar a cabeça no meu ombro, Aí foi demais. Agora ela passar a mão nos meus ombros me incomoda profundamente e eu simplesmente não sei o que fazer.
Já pensei em falar com o chefe, mas parece muito extremo. Imagina chegar para o chefe e falar: então, ela me toca demais, ela deita a cabeça. E tipo, o cara vai falar assédio sexual.
Não, não, não, ela pôs a cabeça no meu ombro por dentro, ela tocou os meus ombros, me fez uma massagem.
Já pensei em falar com o chefe, mas parece extremo, e eu também não faço a mínima ideia de como conseguir abordar esse assunto. Até porque eu não quero e não posso só falar, não encosta em mim, porque eu lido com ela diariamente e porque eu sou meio que chefe dela também. Se fosse uma pessoa que não fizesse parte do meu trabalho, não me importaria em ser curto e grosso. E aí, dupla, o que dizem? O que fazer? Será que eu só fico lidando com isso silenciosamente, desconfortável para sempre?
Ou falo algo e lido com as consequências de estabelecer os meus limites? Bom, é isso. Não peço desculpas pelo texto longo e vida bola ao Presalonga. Leová!
Pessoas que tocam demais quando falam, elas fazem parte de uma família junto com as pessoas que falam perto demais e as pessoas que falam baixo demais. E pra nenhuma das três tem o que falar.
Não tem solução.
Não tem solução. Você não pode falar: Oi, por favor, você poderia dar um passo pra trás? Você fala muito perto de mim. Ou falar assim: Ô, por favor, fala alto, eu não escuto nada do que você fala. Eu perco 30% do que você tá falando toda vez que você abre a boca.
Já ofendeu a pessoa. Já ofendeu. Ela já nunca mais vai abrir a boca perto de você. Nunca vai falar mais alto.
E não tem um jeito gentil de comunicar isso. Você não pode falar: Você me toca demais, eu não gosto, eu me sinto desconfortável. Não tem jeito correto de falar uma coisa dessa. Não dá. Contra esses 3 tipos de pessoa, a gente perdeu.
É aceitação e derrota só.
A civilização perdeu. Eles são anarquistas da civilização. Eles estão destruindo os alicerces da civilização por dentro. E a gente não tem como se defender deles. A gente não tá equipado pra lidar com esse problema.
Só a violência ia resolver.
Exatamente. Mas a gente não quer cair na anarquia. A gente quer manter a estrutura civilizacional. E é porque a gente preza pela civilização que a gente não vai falar nada. Mas eles não, eles fazem o que eles querem.
Até porque tem pequenas coisas que você pode fazer. Mas se a pessoa chegou nesse nível, é porque ela já não percebe isso. A pessoa fala muito perto, você dá um passinho pra trás. A pessoa fala baixo, uma vez ou outra você fala, oi, fala um pouco, aqui tá barulhento, né?
Não, não dá.
Certamente essa pessoa já ouviu isso 900 vezes, ela não é uma criança. Então, se chegou nesse ponto, é porque não tem mais solução. Alguém já falou para ela que ela encosta demais? Que que ela fez?
Será que falou? Ninguém, ninguém tem coragem de falar um troço desse. Alguém fala. É que assim, o único jeito de combater de volta essa ausência civilizacional é você não ter civilização também. Então você tem que, tem que jogar na mesma moeda, se abraçar no Ou você vai lá e fala, não me toca, não me toca, que eu não gosto. E aí é isso, né? Todo contrato social foi jogado pela privada. Ou você também, sei lá, começa a feder. Você quebra o contrato civilizacional que exige que você tome banho.
Você começa a ter um odor terrível, ela nunca mais vai tocar em você, nunca vai te abraçar.
Ela passa a mão no seu cabelo, se ele tiver muito sujo, oleoso.
Exatamente. Se ele tiver rançoso. E se você tiver um mau hálito terrível, a pessoa que fala perto de você vai continuar também? Não vai, não vai. Você tem que jogar na mesma moeda se você quer vencer. Eu não quero, então eu já começo perdendo. Eu assumo a derrota. Infelizmente, para manter a civilização, a gente perde para essas pessoas todos os dias. E todo mundo tem pelo menos uma delas na família, na proximidade, sabe? No seu círculo social próximo.
Eu convivo com gente que eu não escuto nada, nada. Eu passo a maior parte do tempo concordando, acenando, falando assim: é, não escuto, não escuto. O que que eu vou fazer?
Mensagem do Crispol do jornalismo: saudações, 6 e 7 da podosfera basquetebolística. O Danilo claramente é o 7. Estou à beira de um colapso acadêmico e preciso da ajuda da melhor dupla de conselheiros que a bola laranja já produziu.
Boa!
Sou estudante de jornalismo no 5º período. Na minha faculdade fazemos projetos de extensão, trabalhos em grupo para resolver problemas reais. E aí começa a minha maldição. Todos os grupos dos quais fiz parte desde o início do curso acabaram. Gente que trancou, problemas financeiros, traição, tem de tudo, né? Fui pulando de grupo em grupo e sobrevivendo, tal qual o campeão mundial Dennis Schroeder. Jogou em metade da NBA e tá sobrevivendo.
Eu fiz ontem um jogo clássico para o canal da NBA Brasil no YouTube, que era a final de 2023, né, o Nuggets e Heat. E aí a transmissão parou para mostrar todas as equipes pelas quais o Jeff Green já tinha passado.
E assim, a lista é obscena, mas tem uns caras que a vida deles é assim.
O Jeff Green e o Dennis Schroeder resistiram.
Você é o Jeff Green, o Ish Smith da sua faculdade.
Perfeito.
Neste semestre, contra a minha vontade, acabei formando grupo com alguns colegas. Gostamos das mesmas coisas: futebol, basquete, videogame. Mas sempre achei que amizade e trabalho eram coisas diferentes. Resolvi dar um voto de confiança e foi um erro. Acho que a principal diferença entre nós é socioeconômica. Eu pago minha faculdade com bolsa estágio, saio de casa às 6:30 da manhã e volto perto da meia-noite. Eles não trabalham, moram perto da faculdade e têm apoio financeiro dos pais.
Naturalmente, assumi a liderança do grupo, organizei tarefas e tentei aproveitar o ponto forte de cada um. Na prática, toda tarefa exigia que eu explicasse tudo nos mínimos detalhes, mesmo com os professores fornecendo instruções completas. E quando alguém entregava alguma coisa, vinha carregada de ágia negativa, obrigando-me a refazer praticamente tudo. A gota d'água veio nesse fim de semana, que eu devo dizer foi antes da Copa do Mundo.
É mesmo?
Porque você vai entender por quê. Pedi ajuda para ir em uma entrega de segunda-feira e fui recebido pelo tradicional silêncio no grupo. Abri o Instagram e lá estavam dois integrantes no Maracanã na despedida da seleção brasileira. Detalhe: somos do Grande ABC. Eles viajaram para o Rio de Janeiro para ver a despedida da seleção. Agora, tal qual LeBron James quando tá insatisfeito, minhas declarações já são públicas e meu agente, eu mesmo, conversa discretamente com outros grupos pra próxima temporada.
Só que antes disso eu preciso avaliar individualmente meus colegas para o professor orientador, que é ouvinte do Bola Presa.
Cê tá brincando?
Tenho provas de quase todo, que quase todo o projeto foi feito só por mim. O que vocês fariam? Dou a nota que eles realmente merecem e compro briga com um quarto da sala? Relevo a situação e sigo em frente? Aviso o grupo antes ou deixo descobrir enquanto saírem as notas? Vida longa à esfera enclausurada e um abraço de um são-bernardense cuja cidade tem como cidades irmãs outras 16 cidades, incluindo Havana.
Claro, quem não ama Havana, né? Arroz de festa das cidades irmãs. Aí, abraço para São Berlondres.
Imagina a lista telefônica que tem lá em Havana listando todas as cidades irmãs.
Incrível.
E aí, isso daria nota baixa para o pessoal?
Então, eu acho que essa é a questão mais antiga da história da humanidade, que é a pergunta que todo mundo precisa responder quando acorda: eu quero ter razão ou eu quero ser feliz? Eu acho que essa é a questão. Tem um senso de justiça que fica muito aflorado nessas situações. Você quer ferrar todo mundo que não fez nada, está fazendo sozinho. Que desgraça, isso não é justo!
Eles vão sair com a mesma nota que você?
Pois é, é injusto mesmo! Porém, a justiça vai te trazer alguma felicidade? Você vai criar uma série de inimizades, uma série de situações incômodas, constrangedoras. Eu não sei nem se pega bem pro professor, que fica achando que você tá dedurando os outros colegas. Assim, não é legal pra ninguém, mas é justo.
Existe meio termo? Não sei como funciona essa nota que você dá, essa avaliação que você faz individualmente dos colegas. É um número? É um relatório? Você escreve?
Acho que tem que descrever qual foi a participação de cada um dos colegas.
Então, tem um meio termo? Você deixar claro que você fez mais, mas todo mundo ajudou, fez sua parte.
Mas aí não é justo, Denis. Você acha que isso aplacaria o coração do nosso querido ouvinte?
Talvez um pouco.
Ele quer justiça. Ele quer que essas pessoas sejam enforcadas em praça pública. Ele quer um zero acachapante.
Eu amarelaria na hora. Eu respiraria fundo e deixaria quieto. O meu TCC foi meio assim, era um grupo grande, tinha umas 5 pessoas e 2 fizeram 90%. Eu e uma— era um documentário, né? Eu e a menina que editava o vídeo de verdade. Mas é isso, respira fundo. O relatório fui eu que fiz só.
Tá aí.
Mas é que você respira fundo, sabe por quê também? Porque tipo, ele falou da IA, quando você pede para os outros fazerem alguma coisa é pior, é pior, fica ruim, fazem com má vontade. Eu nunca tive. Respira fundo e fala: é isso, deixa eu fazer.
Na filosofia não tem, né, esse trabalho em grupo, a não ser que seja uma apresentação, né? Mas na licenciatura eu tive vários trabalhos em grupo e minha abordagem foi sempre a mesma. Eu quero estar certo, eu quero estar feliz, eu quero estar feliz. E por feliz, muitas vezes entenda menos triste, menos miserável. E eu só chegava e falava assim: você vai conseguir ajudar? Você vai conseguir escrever isso? Ah, não sei, difícil, complicado.
Tudo bem se eu fizer tudo? Vocês se importam se eu fizer o trabalho? Vocês colocam o nome? Ah não, para mim tá ótimo. Então beleza, então eu faço. Prefiro que escrever do zero do que ter que ficar reescrevendo todo o lixo que chegava.
Mas acho que vai também da dedicação que ele dá para faculdade, assim. Assim, você tá na faculdade, tipo, ah, só não quero me estressar com a faculdade, é uma coisa. Ele parece muito mergulhado.
Mas perceba que a gente não quer se estressar com a faculdade, no fundo, de trabalhar muito mais, né? Porque a gente vai lá e faz o trabalho só para não estressar, né? Só para não estressar.
A gente se estressa, eu faço tudo, todo o trabalho, mas pelo amor de Deus, eu não quero ficar nervoso.
Aí eu fiz uns 2 trabalhos inteiros na educação.
Quero ficar exausto, mas não quero ficar nervoso.
É isso aí.
Bom, próxima mensagem. Tem uma grande mensagem de amor ao Bola Presa.
Ah, gostoso!
E ao Derrick Rose ao mesmo tempo.
Mais esquisito.
Menos gostoso.
Pra gente é menos gostoso.
É o fundador do realismo socialista.
Bora!
Tudo começa nos longínquos anos de 2011. O maior jogador da história, na minha visão de adolescente, o Derrick Rose, ganhava o MVP. Além de ilusões e sonhos do torcedor, conheci um blog de basquete. Na época achei revolucionário, não só pelos textos elaborados ou os vários números, foi o fato deles falarem do Bulls. Pelo menos naquela época tinha motivo, né?
Fala do Bulls, fala do Bulls.
Do nada, um dia eu abri o blog e vejo um podcast, e assim nasceu quase um culto. Esperava religiosamente pelos episódios.
Que fofo!
Na temporada 13, 14, comecei a me envolver com os movimentos questionáveis em blogs questionáveis na internet. Tinha medo das mulheres, porém meus gurus amorosos fizeram meu ressentimento virar coragem. Consegui um namoro e pela primeira vez senti o amor. Você sabia que a gente tava combatendo os incels? Olha só, podcast de cada vez, um amor de cada vez, uma análise de draft de cada vez.
Olha só, por essa eu não esperava.
De cada vez a gente está lutando contra os Que bom.
Assim, a gente já sabe que eles lutam contra eles próprios, né? Mas estão aí lutando contra espantalhos que eles mesmos criaram.
Aí, legal que ele percebeu tudo isso, que tudo isso aconteceu também, né?
Claro.
Alguns anos se passaram, o joelho do Derrick Rose foi de ralo, assim como a passagem dele pelo Chicago Bulls. Passei na faculdade e adivinha, um relacionamento à distância. Contudo, os mesmos que me incentivaram a namorar agora falavam da da rela total e da rela moderada, e de que eu precisava tomar uma atitude. Então a tomei, e o amor que um dia foi para a vida toda virou um amor da época da inocência. Só que ele terminou com a menina por nossa causa também.
É isso que aconteceu?
Ele interpretou assim alguma rela total. Tá bom, vida que segue. Chegamos a 2019, o Derrick Rose foi para Detroit. Essa você lembra? Eu lembrei quando eu li a mensagem.
É, eu lembro de ver o uniforme, eu lembro que o uniforme tava vendendo e assim não durou muito.
Time novo, casa nova, esse seria o meu ano e seria o seu ano igual ao meu. E não foi, né, nem pro Dark Horse. Estava estudando o que eu gostava em um bom estágio, comecei a me interessar em uma coisa que estava ficando na moda, uma tal de inteligência artificial.
Olha só, esse tava na crista da onda.
E assim profetizei, 2020 seria o meu ano. O futuro todos nós já sabemos, né? Não foi o ano do Derrick Rose, nem o meu, nem de ninguém foi 2020.
Imagina!
Pelo contrário, foram os anos mais desgraçados. Toda alegria e esperança foram substituídas por um niilismo. Naquele momento, sem ninguém, a bola laranja e os gritos de agonia pelo isolamento me davam algum conforto. Em 2022 me formei, estava animado, estudei tanto que até passei um concurso para trabalhar em um grande banco que usa a abreviação de BB.
Mas não vou falar. É isso aí, isso aí nem é banco privado.
Além disso, passei no mestrado em uma federal. Agora sim ia vir o final feliz, vai? Não, peguei a praga viral e fiquei 2 meses de cama. Depois uma depressão sem fim, o mestrado deu errado, o concurso demorou 3 anos para me chamar. Junto a todo esse caos, meu grande herói, meu pai, tentou suicídio. Gente, Até aí tudo bem.
Não, não.
Bom, é assim que uso o até aí tudo bem, segundo a história do Bola Presa.
É verdade. Se você descobrir como surgiu o até aí tudo bem, porém, foi assim, foi assim, nesse espírito. Foi exatamente, meu pai tentou suicídio, até aí tudo bem.
Porém, meu Bulls era um fracasso. E o Dark Rose? Até que deu mais ou menos certo como role player em Nova York. E mesmo com meus camaradas da ID ignorando o Chicago Bulls, Eles não me abandonaram quando eu mais precisei. 2025 chegou e eu tive o maior desafio da minha vida: como me reconectar com meu pai? E a resposta foi o esporte para o qual ele nunca deu bola, o basquete. Depois de uma década absorvendo pelos meus ouvidos todas as táticas, historinhas e grandes momentos, virei o tutor do meu velhinho nesse novo universo.
Que fofo!
Voltamos a nos falar com frequência, ter momentos bons juntos, cicatrizando uma grande ferida que estava aberta.
O esporte tem esse poder, né, de que você se une a outras pessoas e o que você tem em comum com elas é como é que você vai conversar com outro homem se você não tem esporte. A gente não foi treinado para isso, né?
Como você vai viver em sociedade se você não trocar uma palavra sobre esporte com seu colega homem?
Impossível, impossível. É o que se espera de nós, mas funciona porque é uma coisa que você pode falar sem ter nada em comum e você descobre coisas em comum.
Você pode sobreviver por um tempo, vocês trabalham juntos, vocês falam mal do chefe junto, mas não dá para falar mal do chefe todo dia. Eventualmente vai chegar e falar da rodada de ontem do Brasileirão.
Eu sempre sofri com isso, eu nunca fui capaz de falar sobre futebol.
Por isso que você não ficava na sala dos professores?
Não ficava mesmo, ficava com os alunos, passava o intervalo com os alunos.
No mesmo ano, teimoso concurso me chamou e hoje vivo em terras candangas. Vi ao vivo a aposentadoria do camisão do Búzios. Foi para lá, velho.
Que legal, que legal!
E chorei em prantos. Contudo, o grande mérito do Rose não foi seu basquete, foi me apresentar um blog de basquete que virou podcast e hoje é um momento de conforto na minha semana e no meu almoço maçarocado de farofa e batata palha. Obrigado por serem vocês a quem um dia dei ouvidos. Vida longa, Bola Presa!
Muito obrigado, que legal! Uma trajetória que é uma vida, é uma vida. As coisas às vezes dão certo, às vezes dão errado. Você acha que vai ser bom e vai ser ruim, você acha que vai ser ruim, aí é bom. E curioso que a nossa vida tem podcasts e jogadores de basquete de um outro país como elos estruturantes, né?
E a gente sabe que muita gente não gosta do Derrick Rose ou fica com raiva de fãs do Derrick Rose pelo histórico dele de abuso sexual, mas é um exemplo do atleta como personagem. Exato, é o personagem que você Eu sei que tem gente não consegue fazer essa separação, mas para mim, ser adolescente, se apaixonar por basquete, ver o Derrick Rose, é tipo ser fã do Homem-Aranha.
Isso é o Batman, né?
E é uma coisa que é difícil você se livrar, você se emociona com aquilo mesmo. Mas às vezes é demais também. Mas mostra isso. E por acaso a gente tava junto aí durante toda a trajetória. De alguma forma, falar de basquete ajudou com a relação do pai dele também. Você botou o seu pai para ouvir o Bola Presa?
Aí talvez seja demais.
Por que não? Mó legal podcast. Será que ele conhece podcast? Talvez não. Gente da melhor idade nem sempre conhece. Verdade, alguém tem que apresentar.
Não escutar essa, a gente tem ouvintes da terceira idade, dá para ver nas estatísticas.
Eu, se fosse velho, ia passar o dia inteiro ouvindo podcast. Nossa Senhora, qual que é os dramas da terceira idade, Danilo? Não ter com quem conversar, solidão. O que que o podcast faz? Companhia.
Perfeito.
Eu ia parar, devia ser feito para terceira idade.
Eu ia parar de ouvir podcast só para eventualmente furar as bolas das crianças e caísse no meu quintal, que assim que eu imagino a melhor idade, né?
Ah, mas é bom que significa que você tem quintal, Danilo. É bom quintal, não é para qualquer um.
Um quintal em que eu vou estar tomando sol usando uma boina. Eu não vejo a hora de ser velho, vai ser muito legal.
Mensagem de relacionamentos. Sabe, meu vô usava boina e quando ele morreu eu peguei uma das boinas para mim e tá guardada só esperando ficar velho, mas tá lá no meu armário a boininha guardadinha.
Mas quando, quando vem o marco?
Ah, eu acho que você só sente.
É?
Você só sente.
Porque eu acho que com 40 anos a gente já pode usar boina já.
Ah, mas eu acho que já tá permitido. Eu acho que isso não funciona. Eu acho que vai parecer hipster irônico, que é tudo que eu não quero ser. Eu tenho raiva de gente que usa bigode. Para mim, todo bigode é ironia. Todo jovem de bigode é ironia. Eu acho covarde usar bigode quando você é jovem.
É que eu acho que essa opinião é uma opinião que já te permite botar uma boina, entendeu? Essa opinião já te dá uma certa idade cronológica para você pôr uma boina na cabeça.
Eu já não uso mais boné. Essa aí eu aceitei. 40 anos não dá para usar boné.
Isso.
Mas a boina não chegou. Preciso de um chapéu intermediário.
Qual é o chapéu intermediário? Não sei, porque não dá fedora. A gente sabe que em geral é o chapéu do incel. Eu acho que a boina chegou, Denis. Você que não percebeu ainda, já tá na hora dela.
Eu preciso só sentir isso. É assim, tipo quando você vê jovens conversando de, sei lá, 18, 20, 20 e poucos anos, e aí chegou um momento que você falou, vocês são bem diferentes, né? Acontece em algum momento.
Denis, vai para casa hoje, ninguém tá olhando, só bota a boina na cabeça e se olha no espelho.
Vou ver o que acontece.
E aí, quando você realmente se sentir velho, aí você põe o suspensório.
A boina já vai estar suspensório.
Não, sabe o que é legal? Muitas vezes eu uso suspensório para dançar, porque tem função, tem função, segura minha calça social no lugar para quando eu tô fazendo movimentos muito malucos. E vou te dizer que é confortável, tipo, dá uma ajeitada na postura, sabe? É legal usar suspensório e eu acho estiloso também. Não consigo andar na rua, mas em dias de bailinho, em geral, tô de suspensório.
Não sei se tô pronto para isso.
Então, suspensório uma hora vai chegar, mas a boina já chegou.
Bom, se um dia eu chegar aqui no podcast de boina, vocês sabem o que aconteceu. Perfeito. Eu aceitei a velhice. É que sabe o que eu penso? Eu penso o que acontece com todo mundo, né? Quando eu chegar, quando eu tiver 55 anos, eu vou falar: que idiota que eu era achando que eu era velho com 40.
Isso.
Igual a gente aí, 40, fala: por que eu achava que eu era velho com 30? E por aí vai eternamente.
Óbvio, mas com sorte você vai olhar e falar: nossa, já podia ter botado uma boina na cabeça, né?
Talvez podia um modelo diferente de boina, talvez eu tenho que pesquisar melhor ao redor do mundo, tipos de chapéu ao redor do mundo. Para encontrar esse meio termo.
O meio termo entre o boné e a boina tem que ser com B, né? Não sei se você percebeu.
Mensagem de relacionamento, Danilo, é isso que a gente ia chegar. Anônima também. Recentemente estava em um bar depois de um jogo da Copa do Mundo e conheci uma mulher muito linda. Me senti interessado e começamos a conversar. Boa. Nós dois, meio altinhos depois de algumas cervejas, acabamos nos beijando. Estava tudo muito bom, papo, flerte, risadinha. Até que então, porém, porém, ela mencionou que não seria totalmente solteira.
Não, assim, como você não é totalmente solteira? É tipo assim, eu não estou totalmente grávida. Ou você tá ou você não tá, amigo. Não sou totalmente solteira.
Que dia é hoje, né? Dia par ou dia ímpar? É fim de semana ou não é?
Isso, talvez eu não seja totalmente solteira. É ótimo.
O que naquele momento não me causou grande incômodo, pois existem diversas maneiras de se relacionar e cada casal decide sua dinâmica.
Eles que saibam o deles lá.
Nada mais rolou a partir daí. No outro dia começamos a conversar pelo aplicativo de fotos, que tem qualquer coisa menos fotos, tem vídeos curtos.
O aplicativo de vídeos curtos.
O papo estava fluindo até ela mencionar de novo a questão de não ser totalmente solteira. Isso despertou minha curiosidade, quis entender melhor a situação. O que quer dizer essa frase?
Totalmente, não quer dizer nada, né? São só barulhos que saem da boca dela.
Segundo ela, estava em um relacionamento desgastado havia 8 anos e estava tentando descobrir como seria esse rompimento.
Ela não é absolutamente nada solteira, está se separando, mas não avisou o companheiro.
Ela é solteira e não avisou o namorado.
Isso, eu quero dizer, ou relacionada ou comprometida e não avisou o mundo.
Isso. Logo perguntei se dentro dessa instabilidade ambos poderiam conhecer outra pessoa, que era o nosso caso. Me surpreendi quando ela respondeu que não, que não havia nada explicitamente declarado, é claro, mas que não seria uma surpresa.
Ela tá só, ela cansou do relacionamento, em vez de acabar ela tá passeando.
Para evitar qualquer dúvida eu perguntei: vocês podem ficar com outras pessoas? Você pode assinar esse documento? E ela prontamente respondeu: não, sou antipoligamia.
Olha que poliamor incrível!
Bom, uma pequena epifania me atingiu naquele momento, pois a lógica me dizia que é preferível uma não monogamia ética a uma monogamia com traição. Dito isso, afirmei que não poderia me colocar nessa situação e que naquele momento a conversa mais importante seria com o parceiro dela, não com desconhecido como eu.
Perfeito, que maturidade!
O que vocês acham? Ela poderia estar tentando criar uma situação limite com uma traição, até certo ponto pública, como forma de facilitar o rompimento de uma relação desgastada? Ou ainda é preferível uma monogamia antiética a uma não monogamia ética? Obrigado, amigos do Bola Presa. As visões filosóficas de vocês sobre tantos assuntos são inspiradoras. Vida longa, Bola Presa.
Valeu. Assim, o que importa é o contrato, é o acordo estabelecido. Ela tá querendo fazer uma coisa fora do contrato e não sei se ela quer forçar o fim do relacionamento com uma traição que fosse percebida. Tem essa possibilidade, é sempre uma opção. Mas talvez seja só psicológico, de que ela precisa ver uma coisa pra fora, de que ela precisa ver uma brecha.
É, tem gente que força briga pra ter um término porque aquela situação de não aconteceu nada, como eu vou justificar esse término? Arranja briga por nada, arranja traição. Mas assim, você não sabe o caso dela.
É, não dá para saber.
Às vezes o relacionamento tá ok, ela tá dizendo que tá desgastado com uma velha desculpa que todo mundo já usou. Então não sei. Uma pergunta que não é o caso dele, mas seria interessante, é: seria ok ele nunca perguntar nenhum detalhe? Tipo, na primeira noite ela disse: ah, não sou totalmente solteira. E ele falou: tá bom, é o que ela disse, é a vida dela, eu vou continuar ficando com ela. Eu acho importante que querer saber até o fim o que significa isso. E sendo algo que ele não tá de acordo, ele pulou fora.
É assim, eu assumo que está se relacionando com um adulto e que ele tome as melhores decisões para a vida dele, entendeu? Se ele não quer te dar todos os detalhes e você não se importa, eu não acho que isso é antiético. Talvez seja pelo lado da outra pessoa, se ele não sabe quais são os acordos que a pessoa tem.
Então, tipo, seria ok, seria ético ele pensar ela que tá sendo antiética, eu não quero nem saber. E talvez saber fez ele achar que tá sendo antiético também.
A história cultural da traição em geral embute culpa em todos os envolvidos, né? Mas eu acho que dependendo dos termos, a outra pessoa não precisa ter todos os detalhes. Ela assume que ela tá se relacionando com uma pessoa adulta que tem a liberdade de tomar as decisões que quiser para sua vida.
É, para mim é que a resposta dela foi esquisita, né? Não sou inteiramente, não sou totalmente solteira, porque você obriga a pessoa a te perguntar, porque não significa porcaria nenhuma isso.
Tem um significado assim, significa que ela tá profundamente confusa. É, e eu não quero julgar confusão alheia, eu só não quero participar.
O que eu acho engraçado é que ela podia ter respondido, se ela quiser só ficar com outra pessoa, sou solteira, e bora lá.
Claro, ela quis compartilhar, ela quis compartilhar isso, ela quis mostrar para vocês.
Esquisita, meio que ele podia não perguntar. Mas como você não pergunta se alguém fala uma expressão bizarra dessa? E aí depois que você sabe, às vezes você até perde o tesão da coisa, né?
Aqui no ao vivo, a nossa ouvinte favorita, Patrícia Augusto, nossa Favi, falou que isso aí é test drive de solteirice.
Ela quer saber se, como seria você ficar solteiro, eu ia conseguir ficar com alguém, como é que eu tô.
Sim, não quero julgar, Mas tu tá julgando internamente. Que credo participar assim? Por favor, não me inclua nas suas bagunças.
Mas acho que você fez o que você queria fazer. Você ficou quando você não sabia e quando você soube e não gostou, você falou: resolve lá e qualquer coisa me procura depois.
Perfeito.
Acho que você parece bem. Eu acho que quem devia ter mandado pergunta era ela, porque ela parece a pessoa confusa da história.
Não, não, nossa ouvinte é super resolvida. Que é isso, tipo, não quero participar dessa bagunça. Se você resolver aí, você me avisa.
Mensagem, Danilo, a última pra gente terminar, do cara do pré-treino.
Você lembra dele? Do cara do pré-treino? Isso.
Ele tava apaixonado por uma mulher do trabalho e ele não sabia se era por causa do pré-treino que ele tava tomando, que era tipo 5 vezes a dose que tinham recomendado. Você lembra? Lembro mais ou menos. E o pessoal ficou indignado, como você tá tomando isso? Ele tem, tem a conclusão da história.
Boa, vamos lá.
Saudações, Didi, como vocês estão?
Tudo bem, tudo bem.
Escrevo diretamente de São Paulo, essa metrópole intensa que com sua rotina caótica às vezes parece consumir nossos dias. Às vezes. Sabe como é daquela que levamos 2 horas para percorrer 10 km?
Todos os dias, normal.
Venho compartilhar um capítulo muito especial com vocês. Há alguns meses mandei uma mensagem contando que achava que o efeito do meu pré-treino estava me confundindo, mas a verdade é que eu estava irremediavelmente apaixonado pela minha supervisora.
Era paixão, era paixão, não era pré-treino, não era hormônio, era paixão.
E a maior e mais linda surpresa foi descobrir que esse sentimento era recíproco.
Olha só, isso me fez— mas ela tá apaixonada de verdade ou é pré-treino dela? Tem que checar isso aí.
São os hormônios que ela tá tomando também, o anticoncepcional.
O que que é?
E o seu antidepressivo, você conferiu? Você bateu com antidepressivo dela?
Mas enfim, eles se gostam.
Devia ter, né, nos aplicativos de namoro qual antidepressivo você toma, isso para ver se dá match também. Isso me fez refletir profundamente sobre a minha jornada. Eu já não estava feliz, meu antigo relacionamento se encontrava desgastado. Tá aí, ó, relacionamento desgastado de novo e sem apoio mútuo. Com muita sinceridade, decidi conversar com a minha então esposa. Fui honesto ao dizer que os meus sentimentos haviam mudado e que havia outra pessoa no meu coração. Tudo com a mais absoluta transparência e sem qualquer tipo de traição.
Rela total!
O término foi o mais pacífico possível.
Olha só, rela total vitoriosa! Mais uma vitória para o nosso time.
Seguimos caminhos diferentes. Ela ficou com a casa e com tudo que tínhamos, e eu saí de lá apenas com a roupa do corpo, mas com o coração transbordando de amor por uma mulher que eu ainda estava descobrindo, o meu amor. Os meses voaram e hoje tenho o privilégio de ser casado com essa mulher incrível.
Que incrível, fantástico!
Ele mandou a mensagem meses atrás, Danilo.
Eles já...
Deu tempo de se separar e casar de novo.
Ele saiu com a roupa do corpo e casou com outra pessoa.
Esse pré-treino é uma insanidade, velho.
Nossa Senhora! Imagina o treino, imagina como é o treino dele.
Como somos cristãos, tudo aconteceu com a intensidade e a urgência de quem tem certeza do que quer. Namoramos por um mês, ficamos noivos por 34 dias e completamos nosso primeiro mês de casados agora na semana do Dia dos Namorados. A mensagem é um pouco antiga.
Então assim, eu vou assumir, pelo que ele escreveu, que os 4 dias finais do noivado foram muito difíceis de esperar, né? Porque foi um mês de namoro e 34 dias de noivado.
Tenho perfeita noção de como essa rapidez pode soar para quem tá de fora.
Ah, mas quem tá num relacionamento tem um tempo próprio.
Recebi muitas críticas de pessoas que julgaram haver traição, mas a verdade é que a integridade sempre esteve presente.
Perfeito.
É, dá essa impressão, né?
Dá, né? Que você já pulou.
Devia estar junto há um ano já.
É, né? Você pulou de uma coisa para outra, mas não necessariamente.
Mas a verdade é que a integridade sempre esteve presente. O amor conjugal chegou ao fim, mas o respeito por ela como ser humano jamais. Enfim, a grande questão que trago é sobre o nosso casamento.
Assim, pensei, eu tô com uma questão aqui. É a segunda mensagem consecutiva extremamente madura que você lê.
Eu falei, essas mensagens hoje em dia são de trabalho.
Que lugar a gente vai ter? Que função nós cumprimos aqui se todas as mensagens são maduras?
É a última pergunta do podcast, não vai ter nenhum louco aí.
Vamos ver se ele tem uma questão aí totalmente esdrúxula com relação ao casamento dele.
Questão que eu trago é sobre o nosso casamento. Escolhemos celebrar nossa união na praia em uma cerimônia intimista, apenas eu, ela, o pastor, um fotógrafo e uma pequena banda. Foi um momento absolutamente mágico e feito sob medida para nós dois.
Eu nunca tinha visto isso, é uma banda só para o casal. Sim, interessante, bonito.
Porém, porém, minha família não lidou bem com a escolha, mesmo explicando que era um instante puramente nosso. Afinal, o casamento é a celebração do nosso amor. Gostaria muito de saber o que vocês acham da reação deles.
Ah, você fez uma coisa muito diferente socialmente, não é?
É porque a percepção geral é que o casamento é para os outros. Você acabou de falar que os noivos não nem curtem a festa.
Exato.
É você contando pra sociedade.
Isso. E querendo incluir as pessoas que fazem parte da história individual dessas pessoas e da história do casal.
Eu tenho um pouco dessa sensação, tipo, se é só nós dois, precisa de banda?
É que assim, é uma festa.
Tem gente que gosta, entendo, mas eu não faria. Pra mim não tem sentido sem um público. Pra mim é tipo gravar podcast sozinho.
Justo. Quer dizer, ele quis uma cerimônia que tenha um símbolo muito importante pro casal. Eu sou totalmente a favor de criar rituais, criar cerimônias. Esse tipo de coisa dá sentido. É tipo dar o título no final da temporada da NBA, sabe? Esse tipo de coisa estrutura mesmo. Então, muito legal o que eles fizeram. Só tem que entender que, em geral, esse ritual é feito socialmente, com um monte de gente, com as famílias.
É, a pessoa se sente... pode se sentir excluída.
É claro. E assim, pra mim tá tudo bem vocês escolherem esse outro jeito de ritualizar. Inclusive, parabéns, muito legal. Envolve algum nível de coragem fazer diferente. Que bom que foi bom para vocês. E tá tudo bem o pessoal se sentir mal e se sentir deixado de fora. As duas coisas podem conviver tranquilamente.
Para mim não faria sentido fazer sem público. Para ele, o público era ela, e para ela o público era ele. Estava de acordo. E sendo coisa de casal, geralmente é assim, né? Funcionou para vocês, um abraço.
E acho que é para falar para família coisas como Eu entendo perfeitamente que vocês queiram ter participado, que vocês se sentiram deixados de fora, mas é que era uma coisa muito íntima, muito pessoal. A gente vai fazer uma celebração que inclui vocês. Isso, faz um churrasco aí. Faz parte.
Mas eu entendo o lado deles porque é meio que a função do casamento, né?
Exatamente.
Bom, é isso, gente. Para quem tava devendo, 1 hora e 40 aí de Bold Things Play Hard com perguntas sobre tudo. Menos os louquinhos do relacionamento, Danilo. Nosso público agora é maduro. Quem é louco hoje em dia é general manager, troca com o Luca.
Não, pelo jeito os nossos loucos migraram para pós-graduação, né? É para vida acadêmica.
Então é isso, semana que vem se preparem, prêmios alternativos do Bola Presa, o episódio mais especial do ano sendo preparado com carinho.
Perfeito, vai ser celebração Venham com roupa de gala, estarei vestido adequadamente e vou convencer o Denis a estar de boina.
É, pô, a boina configura galo?
Com certeza.
De boina eu posso vir.
E eu trago um suspensor pra você também. É isso, gente, até semana que vem nas celebrações dos Prêmios Alternativos do Bola Presa. Até a próxima, assinem o Bola Presa, visitem o Bola Presa novo, bolapresa.com.br. Tchau!
Tchau, tchau! A DDD Studio.
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