114. Lentes de contato em crianças: atualidades e cuidados na prática
Episódio foi patrocinado pela Johnsons que apoia a oftalmologia pediátrica:
No episódio de hoje tivemos uma conversa muito enriquecedora com as Dra. Luzia Diegues Silva e Dra. Samantha de Albuquerque sobre lentes de contato em pediatria: atualidades, impacto na qualidade de vida (com evidências de estudos), adaptação em crianças, riscos de infecção/complicações e cuidados para uso seguro, manutenção ao longo do tempo, casos emblemáticos e seguimento clínico na prática.
Chistiane Rolim
Luzia Diegues Silva
Samantha de Albuquerque
- Impacto das lentes de contato na qualidade de vida infantilmelhora da aparência física·competência atlética·aceitação social·autonomia e autoconfiança
- A importância da liberdade visual para o desenvolvimento infantilconfiança para participar·conforto e praticidade·impacto de enxergar bem
- Idade ideal e critérios para adaptação de lentes de contato em criançasausência de idade limite·lágrima infantil de boa qualidade·importância do bom senso·envolvimento da família
- Cuidados e riscos associados ao uso de lentes de contato em criançassupervisão dos pais·fatores de risco para infecção·uso correto da solução·descarte diário preferencial
- Acompanhamento clínico e exames para usuários infantis de lentes de contatotopografia de córnea·avaliação em lâmpada de fenda·material silicone hidrogel·reforço dos cuidados
Hoje vamos falar sobre liberdade. A liberdade de correr, brincar, aprender, praticar esportes e descobrir o mundo sem que a visão seja uma barreira. A infância é feita de movimento, desafios e novas experiências. E quando a correção visual acompanha essa energia, as crianças ganham mais confiança para participar plenamente de tudo o que faz parte do seu desenvolvimento. Nesse episódio, Vamos explorar como as lentes de contato podem ser grandes aliadas nessa jornada, proporcionando conforto, praticidade e mais liberdade para viver a infância em seu máximo potencial.
Com o apoio de Acuvue, marca da Johnson& Johnson e referência em inovação em lentes de contato, convidamos você para uma conversa inspiradora sobre saúde visual, desenvolvimento infantil e e o impacto de enxergar bem em cada fase da vida. Continue ouvindo para descobrir por que que ver bem pode transformar a forma como uma criança aprende, brinca e cresce.
Olá, esse é o SBOPcast, o podcast da SBOP que traz para vocês as novidades da oftalopediatria em conversa com especialistas no formato de bate-papo. Eu sou Cristiane Rolim, atual presidente da SBOP, e trago para vocês um episódio que conta com o apoio da Johnson's. Nesse episódio nós vamos conversar de forma bastante dirigida com duas colegas que são super especialistas nessa área de lente de contato. Então eu vou convidar aqui a Doutora Luzia, ela é formada na medicina da USP, Fez oftalmologia, residência de oftalmologia na USP, depois ela foi para a Escola Paulista, fez o fellow de doenças externas oculares na UNIFESP e está cursando o curso de doutorado em ciências visuais ainda na UNIFESP.
A Doutora Luzia é Associated Manager na área de educação profissional da Johnson Johnson Vision Care Brasil. Luzia, muito obrigada pela sua presença, que bom estar aqui com você.
Eu que agradeço o convite, agradeço a oportunidade da gente conversar sobre lente de contato aqui entre colegas. Tão renomadas.
Vou convidar também a nossa querida Doutora Samanta de Albuquerque, que já esteve conosco no episódio 58 em 2024 e falou muito, muito bem de muitas coisas: adaptação de lentes de contato em casos difíceis, técnica, ambiente para a gente adaptar lente. Tudo isso tá lá no nosso podcast número 58, então foi muito bacana, elucidativo. Mas a gente vai hoje abordar um tema um pouquinho diferente. Ela é médica e oftalmologista. Ela fez a faculdade de medicina e a residência pela USP de Ribeirão, tem título de especialista pelo CBO e atualmente é médica do setor de lentes de contato e refração da Unifest. Bem-vinda mais uma vez, Samanta. Que legal tá aqui com a gente novamente.
Eu que agradeço o convite. É sempre muito bom estarmos juntas para falar de lente. E aí essa interface tão interessante com vocês duas vai ser sensacional, certeza, com lente e criança, né, que é um assunto bem interessante.
Sim, é um assunto que acho que tem que ser abordado cada vez mais, né, porque a gente na prática, muitos colegas oftalmopediatras ainda têm dúvidas sobre essa questão, e também os oftalmologistas gerais que atendem criança. Eu acho que esse é um assunto que traz muita dúvida, né. Então eu reforço aqui para quem tá nos ouvindo que a gente tem esses podcasts número 58, eu pessoalmente já ouvi umas duas vezes assim, porque ele traz uma listinha de coisas que você tem que fazer para adaptar, né, quando.
Então tudo isso acho que são coisas muito, muito bacanas e práticas, né. A Júlia é uma pessoa super prática, então ela como host, a gente sempre tinha uma listinha e coisas objetivas, né. Mas hoje eu escolhi para a gente falar do que tem de mais novo em lente de contato, para a gente não se repetir, né. Eu acho que até vale a gente falar um pouquinho aí sobre idade novamente, que é uma coisa importante, né. Mas eu eu acho que o mais legal é a gente atualizar sobre o que que saiu de evidência científica nesse ínterim, né, desde que a gente gravou o nosso até agora, né.
Volta um pouquinho, Samanta, e conta pra gente a idade de adaptação da lente, que momento que a criança tá apta a começar a ter essa introdução no uso das lentes de contato.
De maneira geral, acho que uma primeira, um ponto de medo ou objeção seria justamente isso, ai, Mas tem alguma idade limite, uma idade mínima? Então, o primeiro ponto é, em termos de saúde ocular, a criança geralmente vai ter uma lágrima muito boa, então não existiria uma contraindicação médica de nós adaptarmos a lente. Tirando aqueles casos que a gente conversou lá no outro podcast, então convido vocês a falar, como por exemplo, a gente tá falando de adaptação em bebê a fáscula, é outra coisa.
A gente tá falando agora de gelatinosa. Então existe aquele dogma, né, de 12 anos. Mas por que 12 anos? Não tem uma idade. O que a gente tem que ter sempre é Acho, sabendo que tem uma superfície boa quase sempre, se tiver que tratar, tratar, ter o bom senso da necessidade. Então a gente pode, por exemplo, começar tão cedo quanto 7 ou 8 anos, ou eventualmente até um pouquinho antes, uma criança. E se a gente for pensar em gelatinose, que seria uma coisa mais comum para todo mundo, para quem é oftalmopediatra e para quem é oftalmologista geral, e a gente justamente esse objetivo, né?
Então a partir de 7, 8 anos sim é possível, sempre com bom senso, tem que pensar. Qual que é o objetivo da adaptação dessa lente, que sim é possível com gelatinosa. Nós temos várias opções de gelatinosas diárias, então não necessariamente a lente vai ser como é para um adulto, que muitas vezes a gente pensa, ah, ele quer usar todo dia. Não, por que não pensar de repente para criança para atividades pontuais, né? E a gelatinosa diária nesse ponto é incrível, inclusive com possibilidade de correção de astigmatismo.
A gente tem a parcela de crianças que seria para controle de miopia. Então a gente também pode começar ali, se for ver em termos de protocolo, com 8 anos. Mas em muitos casos, 7, 6, não tem o menor problema. Quebrar esse paradigma de que a criança não pode, quebrar esse paradigma que eu pelo menos quero até ouvir a opinião de vocês, de que é 12 anos. Não, gente, esse 12 anos é um carinho. E principalmente, para fechar, não adianta a criança querer e os pais não, e vice-versa.
Então acho que isso também que fecha da idade, tem que ser a nossa, nós, a criança, o adolescente e a família.
É interessante, agora eu me lembrei que na minha prática eu começo a ensinar a criança a assumir os colírios de glaucoma por volta dos 12, né? Isso não tem nada escrito, mas tem crianças que são mais maduras hoje em dia, né? E o colírio é uma responsabilidade diferente, né, de não poder faltar com a gota. Além de também tem a sua responsabilidade da higiene e tudo mais, mas Eu acho que tem crianças hoje em dia que têm maturidade para começar antes sim e se cuidarem sozinhas, né?
Mas eu vou falar um pouquinho sobre desfecho, eu vou mudar a nossa temática. Na verdade, quando a gente tá na nossa prática oftalmológica, para a gente é importante a acuidade visual, basicamente é só acuidade, né? Mas também com lente a gente acaba se preocupando também com refração residual. E hoje em dia com essa história do controle da miopia, biometria também, comprimento axial, tem sido um desfecho importante, né? Mas se a gente for na literatura, e eu fui um pouquinho para poder gravar esse podcast com vocês, a gente vê muito trabalho falando de qualidade de vida.
E eu acho que esse é um desfecho que é cada vez mais importante na população como um todo, em tratamentos que têm bons desfechos, mas que causam uma queda de qualidade de vida tão grande nos pacientes que a gente começa a pensar se realmente vale a pena instituí-los. E para além, eu acho que é bem importante isso. Lucia, você poderia falar um pouquinho pra gente sobre esses instrumentos, né? O que que se usa pra avaliar a qualidade de vida em criança com lentes, né? E eu acho que já tem instrumentos bem definidos pra isso, né?
Com certeza. A gente, como oftalmologista, a gente é bem treinado, né, a fazer a consulta oftalmológica completa, acuidade visual sem correção, com correção, a refração. Hoje, na criança míope, a preocupação com comprimento axial. E muitas vezes a gente, isso é dentro do consultório, são medidas objetivas que nós fazemos dentro do consultório e muitas vezes a gente não extrapola a nossa avaliação daquela correção óptica que a gente prescreveu para criança além do consultório.
Então essa preocupação com qualidade de vida ela é muito importante porque você tá inserindo a criança nesse contexto que ela vive. Então quando a gente fala em qualidade de vida, a gente tá trazendo como que a criança com a sua correção óptica está fazendo suas atividades físicas, atividades esportivas, como ela se sente em relação à aparência, interação social, autonomia, e também como ela se sente em relação a si mesma. Então são medidas de qualidade de vida, e isso tem esses questionários que foram padronizados em ensaios clínicos, que são importantes para quantificar a qualidade de vida e até mesmo comparar métodos de correção, qual que pode ter impacto ou melhorar a qualidade de vida da criança.
E aí nesses questionários são exatamente esses tópicos que são abordados além do consultório.
E são especificamente para correções ópticas, né?
Isso.
E, Luzia, esse questionário, ele aborda temas específicos ou ele é um questionário geral? E que tamanho ele é? Como é que é para os pais, a resposta deles? Ele demora muito para ser aplicado? Como que funciona?
Então, por exemplo, o PREP-2, pelo que eu pesquisei no artigo, ele é extenso. Ele é mais um questionário voltado mesmo para ensaios clínicos. Para poder trazer e quantificar numericamente e a gente conseguir comparar o impacto na qualidade de vida daquela correção óptica. Agora, para a prática clínica, a gente, claro, acho que é interessante a gente olhar o questionário e ver quais pontos são abordados. E é para a gente transpor para a prática clínica, mas como de uma forma mais simples, que a gente abordar a criança, que é o centro da nossa consulta, e entender como que ela se sente com a correção óptica que ela usa.
Ela tem alguma limitação para alguma atividade dela no dia a dia com, por exemplo, óculos? Ela se sente confortável? E aí a gente pode utilizar alguns pontos que são levantados nesse questionário, mas de uma forma mais simples na consulta, e questionar a criança. E nisso ela pode nos trazer sinais de que ela pode estar tendo alguma limitação na atividade dela do dia a dia, que se a gente não perguntar, muitas vezes nem os próprios pais perceberam.
Sim, às vezes o pai vai para casa pensar e te manda um WhatsApp depois. Eles mandam bastante WhatsApp, aliás. Então vamos nos aprofundar um pouquinho nesses estudos, que eu acho que eles são bem atuais e interessantes. Isso é realmente uma coisa que a gente não conversava há 5 anos atrás, né? Samanta, fala pra gente um pouquinho desses estudos. Eu sei que tem, acho que, 2 grandes estudos, né, que são ensaios clínicos até grandes, com número, um N bem razoável, né?
Sim.
Então conta pra gente um pouquinho.
E nós temos também um outro que é o Ative, né, que vai falando sobre justamente essa diferença e comparando, né? Exatamente isso que a Luzia tava comentando e você e essa introdução. Como é a qualidade de vida quando você tá enxergando bem e a comparação Teve, obviamente, enxergar bem faz a nossa qualidade de vida aumentar, mas e a comparação entre o óculos e a lente? E aí ele reverbera o que a gente vê na prática. E aí também eu tirei uma própria mudança de eu perguntar mais ativamente mesmo, não só para os mais velhos, né, que era a história do dogma, porque quando eu fiz e me formei tinha esse número mágico do 12, mas a gente mudar a cabeça um pouco.
E até tirando do controle de miopia, vai, que é o que parece mais óbvio para a gente, que a gente começa mais cedo, para outras atividades, né. Então A gente vê que na prática, de fato, a criança ela tem vários ganhos, não só o visual, mas a liberdade. E aí a liberdade vem, o óbvio na nossa cabeça, se a gente for pensar duas coisas assim, esporte e dança. Então são coisas que a gente pensa mais fácil, né, como oftalmologista. Mas a gente também às vezes esquece coisas de, às vezes, de novo, uso esporádico, mais de convívio social, foi pra festa, E aí eu tenho pacientes, por exemplo, com estrabismo acomodativo, que é o olho viradinho para dentro, causado por uma alta hipermetropia.
E não necessariamente era para um esporte, para uma dança, mas às vezes para uma festinha. Ainda mais as meninas agora hoje estão, né, até uma coisa de maquiagem que a gente também tem que orientar essa relação com lente. Então de falar, nossa, eu vou poder ir sem óculos com as minhas amigas. Tem essa questão, né, dessa qualidade no geral. Então das atividades físicas, que é o que é mais óbvio, esse tipo de situação de uso eventual para algum evento, alguma coisa assim, atividade ao ar livre às vezes até, né, vai fazer um passeio.
Então de novo, pode até ser bem, super bem resolvido com óculos, porque tem criança e adolescente que é super de boas com óculos, mas para alguma coisa específica, uma excursão, passeio diferente, ter essa liberdade é algo muito interessante. Então para além da qualidade do esporte e da dança, que acho que é algo que de maneira geral a gente tá mais ligado, né? Mais ligado. E do estrabismo, que eu acho que é bem importante a gente reforçar que quando o estrabismo é convergente, ligado a alta hipermetropia, lembrar para os colegas não oftalmopediatras que sim, a correção óptica proporcionada pela lente vai deixar os olhos alinhados.
E aí a questão estética e de autoconfiança triplica, quadruplica, né?
Quadruplica.
E uma coisa que eu ia perguntar para vocês, que são bem especialistas, né, que é uma coisa que me passou agora pela cabeça, que a gente faz aquela adaptação progressiva de tempo de uso, né, quando o paciente vai se tornar usuário. E quando a gente faz essas adaptações de lentes de uso único, às vezes a criança coloca a primeira vez e fica bem com a lente, né. As crianças têm mais facilidade de se adaptar, ou é só uma impressão, ou eles não queixam porque eles toleram bem colocar uma lente de uso único e passar o dia, né.
Ah, foi para excursão com a lente de uso único e tá tudo certo, primeiro contato com a lente de contato. A gente sabe que para os adultos não é assim, né, vai aumentando 2 horas por dia e geralmente às vezes eles têm um pouco mais de irritação, ceratite, né? Com criança não é assim. A gente consegue fazer uma colocação de uma lente de uso único pela primeira vez e ficar um pouquinho mais de horas?
Sim, sim, acho que uma série de fatores, né? Primeiro que a tecnologia de maneira geral melhorou muito. E aí, antes até da tecnologia, a lágrima da criança tende na média a ser muito melhor. Então a gente não vai ter questões que, independente da tecnologia ser incrível, essa lágrima, o seu filme lacrimal é de má qualidade, ele tá competindo ali pela do que ter que deixar a lente lubrificada, né? Então, se eu ver a lente de contato gelatinosa, independente do material, ela vai absorver água.
Então, se a nossa lágrima já é ruim, fica uma competição, a gente tende a ter mais secura e mais incômodo, né? Então, acho que a junção da tecnologia dá a lágrima no geral ser muito melhor. Outra coisa também é que as lentes diárias são mais finas do que lentes de troca programada. Então, isso também facilita, mesmo produto, mas pra criança especialmente, tem a vontade, né? Que quando a criança tá com vontade, ela também aceita mais.
E sem deixar de lembrar da nossa adaptação, que isso é sempre importante a gente frisar, né? A gente precisa ver na lâmpada, ver se ficou, se vestiu bem, que a gente brinca. Mas de maneira geral, quando acho que tá casando tudo, a criança ela se adapta muito bem mesmo, muito fácil. E outra coisa que, independente dali daquele primeiro momento, eu sempre gosto de fornecer mais lentes para usar mais vezes. E aí tem também as questões de manipulação, que eu não sei se a gente vai falar agora ou um pouquinho mais para frente.
Pode falar. Eu vejo, né, que as crianças elas estão realmente mais maduras, muitas delas, não todas. Então a gente viu que tá com perfil bom, que tá com vontade, e às vezes tá com perfil bom, tá com vontade, a gente coloca, e aí essa criança sente alguma coisa. Acho que é o momento da gente saber ler, né, quando a gente pode progredir ou não. Mas quando progrediu e tá tudo bem Isso é uma preocupação. A gente tem que ter um adulto de apoio para poder manipular essa lente, reforçar sobre higiene.
E geralmente em criança é mais seguro também, tem estudo sobre isso. Por quê? Porque os pais estão mais preocupados. Então a gente fica com aquela preocupação: ai, meu Deus, infecção, né, em criança, adolescente. Mas geralmente os estudos comparativos mostram que quem tem mais complicação é adulto. Olha só, na média do que criança. Por quê? Porque os pais estão mais em cima e mais preocupados. A famosa história, né, cuido melhor do meu filho, às vezes cuido de mim mesmo, né?
De mim não. E o adulto vai ganhando uma confiança, ele vai passando do limite, né? Isso a gente não vê isso como pai, né? O pai não passa do limite, ao contrário, né? Ele tá sempre estabelecendo, teoricamente deveria estar sempre estabelecendo.
E aí, da manipulação, que que, para eu fechar, para Luzia falar também, pelo menos um dos pais tem que saber usar inicialmente, ou no mínimo pode não usar, mas tem que aprender a manipular, porque não dá para a gente confiar que por mais que a criança esteja, digamos, ali indo super bem, tem que ter alguém de apoio. Mas eu sempre estimulo a criança a aprender a manipular e eu até falo dessa maneira, ó: depois você vai estar super bem, mas e se de repente você tá lá no meio do jogo da educação física, caiu um cisquinho no seu olho, você tá incomodadinho, você precisa aprender a tirar, né?
Porque você vai ter que chamar o papai e mamãe se eles estiverem no escritório trabalhando, tá no consultório. Ninguém sabe tirar, né? Então eu gosto de envolver a criança, mas o que a gente percebe é ter um adulto de apoio. Eu gosto de ensinar e tem umas que são incríveis assim, que eu fico brincando, nasceu pra usar. Mas é uma progressão, geralmente as crianças aprendem a tirar primeiro, que é mais fácil, e daqui a pouco elas também já colocam, já sabem colocar.
Que legal! Eu vou fazer uma pergunta pra você, Luzia. Esses estudos controlados, eu sempre fico pensando isso, né? É tudo certinho, né? Número de horas, os pais super atentos, uso de solução adequada. Então as taxas de infecção são realmente muito baixas, né? Eu vi que tem muito pouco, é raríssimo. Agora, na vida real é assim também ou tem muita diferença entre locais, entre estruturas? Você vê na escola muita infecção por lentes de contato? Como que é na vida como ela é, não no mundo controlado, né?
É, quando a gente fala de criança, Eu concordo com a Samanta que a gente tem ali a participação e a supervisão dos pais, que é fundamental. Quando a gente vai adaptar lente de contato numa criança, a criança tem que estar motivada, mas os pais também motivados e envolvidos e com uma responsabilidade ali compartilhada em todo o processo. Mas quando a gente está num hospital que é referência, a gente vai ter, vai ver muitos casos de complicação com lente de contato.
E aí, quando a gente avalia fatores de risco para isso nos estudos, os fatores de risco para a gente ter uma ceratite microbiana secundária à lente de contato normalmente é relacionado a um mau uso da lente de contato. Então, por exemplo, usar lente de contato em ambiente aquático, piscina, mar, é contraindicado. Mesmo lente de descarte diário, na bula Tá escrito que não é indicado o uso em ambiente aquático. Quando a gente vai fazer lente de troca programada, que tem que usar a solução multipropósito para lente de contato gelatinosa, não pode utilizar soro fisiológico ou água corrente, saliva, enfim.
O estojo pode ser um fator de contaminação. Sempre que a gente usa, o paciente retira a lente de contato, tem que colocar uma solução nova dentro desse estojo, nunca reutilizar a solução e respeitar o tempo de troca. Então, se é uma lente de descarte diário, ela é uso único. Usou, tirou, jogou fora. Se é uma lente de troca programada de 14 dias, tem que respeitar, que é o que essa lente foi estudada, sua segurança é nesse período, e assim por diante.
Então, a gente trabalhando, né, para evitar esses fatores de risco, isso diminui bastante o risco de infecções. E claro, a gente tá falando de estudos igual você falou, ensaios clínicos que são em ambientes controlados e que na prática a gente vai encontrar desafios. Mas acho que é sempre trazer essa responsabilidade também para família e entender que é um dispositivo médico que vai trazer uma correção óptica e seus benefícios na qualidade de vida, mas que existem riscos se não for feito um bom uso e se também tiver algum sinal insistindo no uso, um sinal de olho vermelho, sensação de corpo estranho, desconforto com a lente de contato, é suspender o uso e procurar avaliação oftalmológica.
Então acho que seguindo o uso correto, é, mas o que a gente vê é infelizmente isso, é o uso incorreto. Tem uma lente que é de 14 dias, eu uso 3, 4 meses, e isso sim vai trazer riscos altos de complicação.
Essa história da solução multipropósito não ser trocada é super frequente, né? Eu vejo também na minha prática. E as soluções também têm uma variação enorme de formulações e de características. De qualquer forma, eu acho que qualquer uma das soluções que estão no mercado, elas são seguras para serem utilizadas. Eu normalmente não entro nessa discussão com os pacientes, não sei se vocês entram, mas eu normalmente falo, olha, qualquer uma das que está disponível é possível utilizar.
O grande problema é como você vai utilizar. Essa troca de todo dia é fundamental. E as crianças têm condição de fazer isso sozinhas? Vocês acompanham isso?
Em criança, eu acho que a primeira indicação é lente de descarte diário. Então, dessa forma, a gente tira diversos desses fatores de riscos que a gente comentou aqui, né? Então, a solução multipropósito, a reutilização dela, estojo, você ultrapassar o tempo de uso daquela lente. Então, é usou, tirou, jogou fora. E isso vai limitar também começar utilizando em atividades específicas. A criança não precisa usar todos os dias, várias horas.
Ela usa nos dias que ela vai ter uma atividade física. Aos poucos ela também vai se acostumando com a lente de contato, vendo os benefícios, e aí paulatinamente vai ser natural. Se a criança vê os benefícios da lente, ela aumentar a frequência de uso, e aí na adolescência, às vezes por questões econômicas, a família decide por uma troca programada, criança já faz um uso responsável da lente, Mas é algo paulatino. Num primeiro momento, sempre que possível, descarte diário.
Perfeito. É isso, é bem importante a gente falar mesmo, né, que porque tem uma diferença às vezes de custo e os pais não querem gastar, mas acho que se é para não, melhor não usar, esperar um pouquinho amadurecer mais, né.
E acho que é um complemento interessante disso, e até falando da própria WhatsApp que a Cris falou, tem um segmento de não só saiu eu perguntar, mas eu mando também no WhatsApp, como se fosse um JPEG, porque até isso, né, hoje em dia as pessoas às vezes é um PDF, elas não abrem, então como se fosse tudo numa foto, porque fica fácil o reforço de todas essas orientações. E uma segunda coisa que eu faço também, aí eu tenho essa oportunidade que a minha parte toda de lente de contato dentro da minha sala, então quando vai fazer o retorno a gente não só perguntar, mas eu gosto que traga, que aí eu vejo como é que esse estojo tá por fora, já é aquela inspeção por fora, quando é Não foi possível, seja por uma questão financeira ou porque a graduação eventualmente não deu de uma troca diária, que realmente a gente fica muito mais tranquilo com uso único, mas fazer inspeção.
Eu vejo como é, coloca a lente para eu ver, daí já tá vendo se esqueceu de secar a mão, se fez essa fricção também, que é trocar a solução mas friccionar a lente, nada. Eu falo, e aí, tá só? Eu pergunto, como tá fazendo? Não só tirar e colocar no estojo direto, né? Então a gente cercando dessa maneira, envolvendo a família, O que a gente vê de maneira geral é que é muito seguro. E aí eles, quando— até uma colega citou isso no congresso agora recente, de que quando você ensina certo desde o começo, a sua chance de ter um adolescente depois que vira um adulto que tá fazendo tudo certo, para ele aquilo é o óbvio, porque ele aprendeu corretamente desde o começo.
É uma ótima janela de oportunidade, né, para a gente ensinar um ser humano como fazer o uso correto da lente de contato. E isso envolve a família, porque às vezes ali tem um pai que já usa a lente de contato de forma incorreta e ele vai se conscientizar da importância do uso correto, né? Então a gente ainda tem a oportunidade de ensinar os pais também sobre a segurança do uso da lente através do uso correto, né?
Teve uma mudança grande, né, de a gente envolver mais a criança na consulta, né? A criança participa, ela fala: olha, eu tô me sentindo melhor assim, eu tô— não é uma— a consulta hoje em dia ela envolve a criança, como envolve o idoso também. A gente não pode falar com a família e não conversar, fingir que o idoso não tá lá, que ele é uma pessoa incapaz. A criança também, ela não é incapaz, né? Quando ela tá adaptando uma lente, ela é parcialmente capaz, porque ela não tem ainda autonomia de um adulto, mas eu acho que é o questionamento de como ela tá se sentindo, essas coisas são importantes, né?
E de como ela tá fazendo, principalmente, já que ela tá tendo essa autonomia para mexer em muita coisa sozinha, né?
Sim, eu acho que as crianças, eu faço muito essa reflexão, né? Antigamente as crianças elas não tinham voz, mesmo dentro da família, né? Hoje não, a gente dá muita voz para criança, escuta a criança, nós como pais também, né? E acho que isso é importante também a gente como médico. É um ser que sente, que tá inserido no seu meio social, que tem suas dificuldades, e que muitas vezes a gente, se a gente não abrir um espaço para essa conversa, ela não vai chegar.
Então é uma grande oportunidade que a gente tem mesmo de entender. E acho que isso vem até mesmo os estudos clínicos mostrando para gente o quanto é importante a gente pensar em qualidade de vida também para criança, né? Ela também é impactada e isso impacta a vida dela.
A gente tem conversado sobre isso, né? Autonomia da criança, né, que ela, que a gente fornece. Acho que tudo veio mudando socialmente até com esses estatutos de proteção da criança, né? E a gente dá essa autonomia para criança adaptar a própria lente. Eu acho que isso também é um ganho, né? E é um desfecho positivo, né? A gente ganha com isso, criança ganha com isso. Então acho que a lente até é um movimento bem interessante na educação da criança, né?
De ela se responsabilizar e tudo mais. Tem pais que falam que acham que ainda não dá, e eu acho que isso também tem que ser bem respeitado, né? Mas quando a criança ganha autonomia, isso também é um ganho para ela, né? Ela contabiliza como um step, né?
Certamente, se ver acolhida e escutada. E claro, a gente— e eu sou muito brincalhona, né? Então eu sempre fico mediando às vezes, né, o pai. Como a Luzia própria falou da história do cuidado, né? Eu falar: ele vai tomar bronca também se não tá fazendo certo. Mas isso de você envolver, perguntar, respeitar às vezes quando é o pai que é o invertido, né? Que às vezes é Pai que já usa e ele teve uma experiência ruim antes de alguém ter aquela coisa, o bullying, que antigamente era outro nome, né?
Mas hoje em dia seria o bullying que esses pais de repente sofreram por algum motivo. E aí ele tá jogando na criança questões dele. Então são os dois lados, a gente sentir se a criança tá com vontade por ela, respeitando evidentemente os pais que estão lá dentro de casa conhecendo se aquele tudo bonito, aquela cara de responsável é de fato verdade ou é fake, né? E o outro lado. Então, mas é um negócio que é assim, é impressionante.
Eu como adapto com regularidade, quando tá tudo, deu tudo certo e foi bem indicado, é transformador.
Ah, que legal!
Então é muito satisfatório. Eu tive uma, inclusive, uma última antes do congresso, o último paciente é uma família, foi o pai e a filha no caso, e foi uma, ela pediu para fazer adaptação da lente e foi muito bacana quando colocou assim Ela foi receptiva e foi tranquila, e colocar foi tranquilo, que eu até brinquei, nasceu para usar, né? Que eu falei. E o sorriso dela foi algo que assim, que é muito, muito legal para a gente abrir a cabeça para lente de contato, né?
E qual que é a tua impressão, ou de vocês, né, na prática, quando se adapta cedo desse jeito, tipo 8, 9 anos, como é que é ao longo do tempo essa adaptação? A criança mantém os cuidados? Ela mantém? Vocês falaram, né, que é uma janela de oportunidade para ensinar a fazer corretamente, né? E é isso que vocês veem na prática, ou ela também vai mudando ao longo do tempo? Como é que vocês observam a evolução delas com adaptação?
Eu, na maioria dos casos que eu vejo, essa que eu peguei desde o começo com uma família engajada são os melhores, porque eles vão fazendo tudo corretamente. É claro que é medicina, né? Então sempre vai ter aqueles, e a gente, por isso o nosso cuidado, que os pais já começam às vezes delegar um pouco demais, e aí pode ter tido falha. E se a gente for ver, até a gente esquece coisas. Então a gente tem que sempre estar reforçando e olhando.
Mas de maneira geral, em relação ao adulto que acabou vindo para nós para alguma questão de lente, que aprendeu errado, aprendeu com colega, foi ensinado às vezes incorretamente, na média essas crianças vão melhor, elas são mais responsáveis, elas mantêm. Óbvio que não é 100%, nunca nada é. E aí, respondendo também, acho que a primeira coisa que você falou, que eles se mantêm usuários, justamente por essas questões de qualidade de vida, de impacto não só da visão, de qualidade de vida na prática, em tudo. Quase todos se mantêm usuários de lente.
Até trazendo aqui o estudo que a Samanta comentou anteriormente, o ATIV, eu achei bem interessante, que é um estudo que avaliou exatamente essa faixa etária que às vezes nós temos paradigma de adaptar a lente de contato, que é de 8 a 11 anos, e dividiu esse grupo em crianças usando óculos e lente de contato. E avaliou durante 3 anos, quantificou a qualidade de vida dessas crianças, se teve um impacto durante esses 3 anos, e comparou.
Então viu que tem realmente melhora da percepção de aparência física, melhor competência atlética em prática esportiva, melhor aceitação social. A criança se sentiu mais aceita pelos colegas, com maior integração social, mesmo com crianças de 8 a 11 anos, né? E que as crianças tiveram uma excelente adaptação. Dessas crianças que adaptaram lente de contato, 3 anos depois, 90,7% delas ainda estavam usando lentes de contato. Então isso mostra que é uma faixa etária que muitos continuaram usuários de lente de contato mesmo depois de 3 anos, porque tiveram os benefícios, mantiveram saúde ocular, e conseguiram corrigir seu erro refrativo com a lente de contato.
A Samanta já comentou de um caso interessante antes de ir para o congresso, né? Acho que é um caso emblemático. Mas vocês têm mais algum caso emblemático que ficou na memória aí de crianças que adaptaram cedo lentes de contato e que vocês podem contar pra gente?
Eu tive paciente que era bailarina, fazia aula de dança, e dançar de óculos, fazer pirueta é desconfortável. Então a gente vê um benefício em dança futebol, né, que é um esporte super comum no nosso país. Também a criança, né, o óculos ele vai limitar um pouco o campo visual da criança, ele embaça, ele tem o risco de quebrar. Então a lente de contato dá mais liberdade para prática esportiva, né. Então também criança que pratica esporte.
Eu tive uma paciente que ela tinha ceratocone, ela não tinha, ela era um pouquinho mais adolescente, ela, né, já não era criança, mas Também eu lembro bem dela, que ela não tinha uma visão 20/20 com óculos, mas tinha uma visão ali 20/40 e com os dois olhos, né? Fez crosslink nos dois olhos e ela não se adaptava bem com rígida. Mas eu adaptei, deu certo, adaptei uma lente de contato gelatinosa nela e ela super feliz porque ela conseguia ter a liberdade de fazer atividades que ela não conseguia fazer de óculos ou se sentia bem, era mocinha, gosta de se maquiar.
Então acho que em vários cenários a gente pode trazer aí uma opção. Nunca substituir, né? Eu sempre falo isso para o meu paciente: a lente de contato ela não substitui o seu óculos. A lente de contato é uma opção que você tem além do óculos para algumas atividades. Você precisa ter um óculos que você gosta, que você vai usar para dar um descanso para o seu olho, porque senão naturalmente você vai fazer um uso abusivo da lente de contato.
E não precisa, isso não é saudável para o olho, né? Então eu sempre estimulo o meu paciente a não substituir, a enxergar a lente de contato como mais uma opção que você tem para suas atividades.
Também faço esse reforço de que o óculos e a lente, eles são amigos. Então a gente até pode usar, viu, tá tudo certo, a maior parte do dia, mas não é legal. E eu falo desse jeito: não adianta acordar, colocar, e a última coisa que você faz é escovar dente e tirar. Não, a gente tem que ter algumas horas. Então é muito importante ter os óculos justamente para quê? Para garantir sua saúde a longo prazo, você continuar usando. E voltando aos casos, né, de várias reações diferentes até.
Eu moro, eu moro não, eu atendo num consultório que o andar é alto, e aí eu tenho uma vista bonita assim. Então às vezes eu subi a cortina e eu já vi assim literalmente aquela cena da criança ou do adolescente mais de uma vez, o sorriso indo, que a gente, famosa expressão, quase de orelha a orelha, e falar, gente, eu não lembrava mais como era isso aqui, sentar com óculos. Óculos, porque a minha vida, se eu tiro óculos, tia, eu, tá tudo borrado, tudo embaçado, né?
Sorriso da SBOP, do logo da SBOP.
É o sorriso do logo da SBOP. E o menino também, que foi, os pais são médicos, mas não oftalmologistas, e eles trouxeram porque o menino compete, treina a sério 4 vezes por semana, muitas horas, tênis. E aí tava atrapalhando, que tênis, além de tudo, né, quer dizer, você tem movimento, Óbvio, bolinha não, pelo amor de Deus, que até um trauma tem isso. Mas assim, tem movimentos. E às vezes tinha saibro, que também tem uma questão de pozinho ou não, mas enfim.
E aí, quando a gente fez a adaptação, ele tava assim maravilhado, começou a treinar. E a mãe me mandou, foi muito engraçado, ela mandou foto. Olha a cara dele, ele ainda ganhou o campeonato, que teve uma melhora. E o treinador percebeu que ele tava mais rápido com algumas coisas. Então foi uma melhora que o treinador também notou.
É, o tênis é um esporte de precisão, né? Então eu acho que até essa redução do campo que o óculos traz, porque traz uma redução por causa da armação, deve impactar, né? Que a gente não sei se isso tem estudado, mas eu imagino que sim, que seja uma coisa bem interessante de a gente pensar para quem joga tênis ou esporte assim de quadra longa, né? Futebol também é um, muda muito mesmo, sem dúvida. Deixa eu só fazer uma última pergunta que ficou faltando, que eu tava com ela na memória aqui para a gente fechar.
O segmento dessas crianças, né? Então a gente tá falando de crianças que começam aos 8 anos e que vão, a gente vai ver semestralmente para avaliar a lente e tudo mais. Vocês fazem algum exame subsidiário rotineiramente? O que que vocês fazem? Ceratoscopia em todas as avaliações? Como é que vocês conduzem essas crianças na prática?
Eu tenho topógrafo, né, dentro também do consultório. Então eu sempre faço. E lembrar também das outras coisas, né? Então do reforço que a gente já falou de como tá os cuidados, acho que isso é primordial. Topografia também, e conversar muito sobre isso, que, ó, não é porque tá ótimo para sumir. Então acho que a gente fazer uma avaliação, ver como é que tá na lâmpada de fenda, checar se tá tudo bem mesmo com superfície, se tem alguma questão de anexo associado, tipo tem uma blefarite, alguma coisa assim que a gente precisa tratar.
Deixa eu pensar.
Eu acho que uma pergunta que às vezes o pessoal faz muito é sobre, por exemplo, microscopia especular. Não é algo que eu faça rotineiramente se a lente que eu estou usando, e o que a gente tá fazendo para quase todos os pacientes, são lentes de silicone hidrogel, que tem uma oxigenação melhor. Eu praticamente já não adapto, mesmo em adulto, hidrogel, que teria um material de oxigenação menor. Mas até fazendo um reforço para os colegas, não adianta ser silicone hidrogel se o uso for abusivo.
A gente precisa maneirar as horas por dia, né? Então isso é um reforço importante, porque às vezes o pai acha que amanhã tá com esse material que a doutora falou que é o melhor, posso usar e tirar só para dormir. Não, tem que dar um tempo mesmo. Mas não tem, eu acho que eu não me lembro assim se tem no final das contas algum trabalho que tem uma correlação tão direta, se tá tudo bem. E acho que um segundo ponto para lembrar é que independente, quando a gente fala do DK, que seria a transmissão adaptação é sempre num grau médio, que é 3, né?
Então quando que a gente tem que ficar mais esperto? Se é uma miopia mais alta, por exemplo, a lente é mais espessa e a borda vai ser mais espessa. Então sinais clínicos muitas vezes já contam para gente, né? Mas não acho que tem uma necessidade, sumarizando, de que está tudo certo, tá bem adaptado, não tá apertado, não tem nenhum sinal e a família tá contando e a gente tá respeitando, de que precise fazer microscopia como se fosse a cada 6 meses. Eu acho que Não, não teria essa necessidade, pelo menos não é minha prática.
Eu concordo com a Samanta. Antes de usar a lente de contato, a gente tem alguns exames. Então, uma topografia de córnea é importante. A gente, se a gente tem disponível um topógrafo, a gente realizar, principalmente se for um paciente com astigmatismo. Mas não tem um topógrafo, não posso adaptar uma lente de contato? Não, na verdade, a gelatinosa você pode. O principal da lente de contato gelatinosa é a gente avaliar na lâmpada de fenda.
Então você vai através da refração escolher a sua lente de contato. Concordo com a Samanta que o material é silicone hidrogel. Então para os colegas saber os produtos que você tem disponível, porque no portfólio dos fabricantes sempre em geral tem hidrogel, porque hidrogel em alguns pacientes, os pacientes vão, né, principalmente quando a gente fala de adultos, Indicação de usar um hidrogel ao invés do silicone hidrogel porque o paciente tem um desconforto com silicone hidrogel, fica com o olho mais vermelho.
Então em alguns casos a gente pode optar por hidrogel no adulto, mas em criança silicone hidrogel, que é um material que tem uma segurança em transmissibilidade ao oxigênio, desde que não dormir de lentes de contato, evitar o uso abusivo, altas ametropias, a gente tem que ficar mais alerta. Mas então escolher o material silicone hidrogel para o seu paciente, criança de preferência descarte diário. E quando colocar a lente de teste no olho, olhar na lâmpada de fenda.
Isso é o mais importante, que ali na lâmpada de fenda você vai ver se essa lente ela tá apertada ou tá com uma alta mobilidade, se é uma lente tórica, se é uma lente que pode estar com rotação e você precisa ajustar o eixo. Então essa da parte da adaptação O mais importante mesmo é o pré-adaptação, você avaliar a superfície ocular dessa criança e a refração, e olhar, ao escolher a lente, olhar essa lente no olho da criança. E no acompanhamento, o principal é o exame em lâmpada de fenda, usar um corante para ver se cora conjuntiva bulbar e conjuntiva tarsal.
Então fazer um exame clínico que ele vai trazer sinais se aquela lente pode estar tendo complicações não infecciosas, né, inflamatórias, que pelo uso da lente de contato.
Muito bom. Eu quero agradecer bastante, acho que o papo foi ótimo. Ótimo, Samanta, Luzia, pela conversa. Eu quero agradecer a Johnson's e Johnson's Vision Care pelo apoio a esse episódio e também a vocês que estão nos acompanhando. Se você gostou, curte, compartilhe. Nós estamos nas principais plataformas de áudio e também no YouTube. Até a próxima!
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