Episódios de SBOPcast

100° Episódio do SBOPCast

06 de fevereiro de 202646min
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Temos a honra de receber pessoas muito especiais que fizeram parte da história da SBOP. Eles nos contam sobre suas trajetórias e o surgimento da Oftalmologia Pediátrica no Brasil.

Um agradecimento especial aos nossos convidados entrevistados: 
Clelia Maria Erwene
Mauro Plut
Tomás Mendonça
Rosa Maria Graziano
E todos que compareceram ao nosso episódio comemorativo!

Assuntos15
  • História e Fundação da SBOPFundação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica em 1989 · Resistência das especialidades tradicionais (estrabismo, CBO) · Lutas pelo reconhecimento pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia · Influência do modelo da EPOS (sociedade americana) · Contribuições dos primeiros presidentes
  • Desenvolvimento da Oftalmologia Pediátrica no BrasilAusência de especialidade formal nos anos 80-90 · Resistência dos oftalmologistas gerais e especialistas · Necessidade de fórum de discussão científica · Separação entre oftalmologia pediátrica e geral
  • Estrabismo PediátricoDomínio de 80% na oftalmologia pediátrica · Resistência dos especialistas em estrabismo · Centro Brasileiro de Estrabismo como competidor · Técnicas especializadas para crianças
  • Oncologia Ocular PediátricaRetinoblastoma e pesquisa genética · Especialização de Clelia em tumores · Wills Eye Hospital - Departamento de Oncologia · Formação em oncologia ocular
  • Retinopatia da PrematuridadeTratamento cirúrgico com laser · Identificação de fatores de risco · Desafios anestésicos em recém-nascidos · Importância para bebês prematuros
  • Oftalmologia PediátricaFellowships internacionais (EUA) · Ausência de especialidade no Brasil · Professores internacionais (Craig Hoyt, David Taylor) · Treinamento especializado
  • Códigos de Procedimento e Remuneração PediátricaCriação de códigos específicos para oftalmologia pediátrica · Diferenças entre procedimentos adultos e pediátricos · Valorização profissional inadequada · Anestesia e complexidade cirúrgica
  • Teste do Reflexo VermelhoCapacitação de pediatras · Detecção precoce de problemas oculares · Colaboração com CBO e pediatria · Triagem neonatal
  • SBOPCast - Podcast da SBOPCriação em 2022 · Ideia inicial de Luisa Hopker · Crescimento para ~70 mil downloads · Alcance em multiple plataformas
  • Formalização e Estruturação AdministrativaReconhecimento como subespecialidade · Reformulação de estatuto · Centralização de diretrizes científicas · Organização financeira
  • Congressos e Eventos CientíficosPrimeiro congresso da SBOP na Hebraica · Congressos conjuntos SBOP-CBE · Especialistas internacionais · Discussão de casos
  • Vias Lacrimais em CriançasPatologias específicas pediátricas · Discussão de casos clínicos · Falta de espaço para debate
  • Deficiência Visual InfantilTriagem de deficiência visual · Visão subnormal · Impacto funcional
  • Técnicas de Exame PediátricoPaciência e treinamento · Ganho de cooperação · Uso de brinquedos e distrações · Diferenças fundamentais
  • Glaucoma CongênitoDiferenças em relação ao glaucoma adulto · Estrutura ocular em desenvolvimento · Necessidade de especialização
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Esse é o SBOPcast, o podcast da SBOP, que traz para você as novidades e temas da oftalmopediatria em conversa com especialistas no formato de bate-papo. Eu sou Cristiane Rolim, atual presidente da SBOP. E hoje é um dia muito, muito especial. Eu trago para vocês o centésimo episódio. É um episódio comemorativo que eu vou ter a honra e o prazer de trazer para nós os primeiros presidentes e também alguns presidentes do meio que vão dar algumas informações

como foi a evolução da SBOP ao longo dos anos. É uma honra para mim estar aqui, porque muitos desses colegas foram inspiradores para mim. Eu tive a feliz oportunidade de conviver com eles quando eu era residente e estava na minha formação profissional de oftalmologista. Então, é uma grande honra e um grande prazer estar aqui. Eu vou entrevistar, primeiramente, quatro grandes nomes, que foram os primeiros presidentes da SBOP, sim. Em primeiro lugar, a doutora Clélia Erveni.

especialista em tumores oculares, que foi a primeira presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica em 1989. Também vou poder entrevistar, e com muita honra, o Dr. Tomaz Scalamandré Mendonça, nosso colega da Unifesp, meu professor de estrabismo e um grande nome da lida do estrabismo e da oftalmopediatria do Brasil e, quiçá, do mundo. Também com ele, seu colega, Dr. Mauro Pluth, também meu professor, outro nome grandioso,

do estrabismo, e a doutora Rosa Maria Graziano, que é do Hospital das Clínicas, do HC, e que também eu tenho a honra de ter um contato muito feliz aí nos últimos anos. Também presidente, já um pouco gestões à frente, mas vai ser um grande prazer conversar com todos eles. Bom, e para começar a nossa conversa, eu vou chamar uma pessoa muito relevante nesse cenário, que foi a primeira presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica,

Foi minha professora, quando eu era residente, depois ainda se manteve na orientação dos tumores oculares na Unifesp, e ela foi a primeira presidente. Então, eu queria que a senhora contasse um pouquinho como é que a senhora se especializou em tumores oculares e como é que foi a sua chegada na SBOP.

cujo convidado era o doutor Jerry Schultz, que fundou lá o Departamento de Oncologia Ocular do Wills Eye Hospital. Eu pedi para fazer esse curso e foi concedida a semana de folga em residência para fazer esse curso e realmente vi que a oncologia ocular era uma especialidade ampla. E começamos no ano seguinte a trabalhar no hospital a convite do doutor Pacheco, já que eu tinha substituído,

Ele ficou preocupado que ele poderia ficar doente outra vez, então pediu a minha contratação. Demorou três anos para vir essa contratação, mas durante esse tempo eu levantei pacientes suficientes para fazer o mestrado. E no caso, foi na área das crianças, foi na área do retinoblastoma, que é uma doença genética e pouco estudada naquela época.

41 pacientes para poder fazer um trabalho de mestrado. E com isso, eu acabei tendo uma atividade bastante pediátrica. Aquilo era das crianças e não era dos adultos. Então, houve uma separação das coisas. E os outros colegas que faziam estrabismo, que já era o mais comum entre as crianças, já existia o glaucoma congênito, mas o indivíduo fazia glaucoma congênito, mas ele era um médico

com o hospitalmologista geral se dedicando ao glaucoma. E assim por diante, cada um foi chegando à conclusão de que precisava sempre melhorar aquilo que a gente fazia na área pediátrica e foi se criando. Nós tiveram, no grupo inteiro, a noção de que seria importante a gente ter uma hospitalmologia pediátrica com técnicas de aprox, vamos dizer assim, apropriar.

Um dia se reuniu uma série de colegas, entre eles o Tomás Mendoza, o Molo Frutti, o colega que já faleceu, o José Ricardo Lima Reda, e resolvemos que seria interessante criar a Sociedade de Autonomia Mediátrica, contestada por muitos, mas nessa formação eu acabei sendo a primeira presidente e a primeira assinatura.

fundação da sociedade. Mas foi uma mera casualidade de uma situação no centro da oftalmologia geral, quando não existia essa separação mais formal como existe hoje, e muito importante. Então, valeu. Sensacional, sensacional a história. Muito bom, doutora Clélia. E eu vou ter a honra agora de convidar um professor também meu, uma

um titã do estrabismo e da oftalmopediatria, para falar como ele viveu a formação da SBOP, ele foi o quarto presidente, e como foi a experiência dele como presidente da SBOP. Professor Tomás Calamandré Mendonça, muito obrigada por estar aqui conosco gravando o centésimo episódio. Ah, gratidão, eu que agradeço. É uma delícia falar sobre a história da SBOP e mostrar para o pessoal mais novo um pouco da história da oftalmologia brasileira, como eram as coisas,

naquela época. Era uma oftalmologia bem diferente do que é atualmente, com relação a número de subespecialidades, conhecimento científico e tecnológico. Talvez para os mais novos isso seja choque, mas não havia faco emulsificador, não havia um monte de coisas, né? As cirurgias eram mais feitas na raça mesmo, na mão. E um grupo de pessoas que havia feito felon nos Estados Unidos, eu, Mauro Plutti, a doutora

na Cunha e outras pessoas de proeminência aqui no Brasil, como a Clélia, que foi a nossa primeira presidente e que se interessava muito por oftalmopediatria também, principalmente por tumores, e o Zé Ricardo Reder. A gente reuniu um grupo e, na época, não existia nada onde você pudesse um fórum para falar sobre oftalmologia em criança. Nós tínhamos, na época, quem examinava a criança eram os médicos especialistas

Era o CBE. Mas as reuniões do CBE eram muito pobres. Não cientificamente, mas porque os mais antigos do CBE não queriam falar de oftalmopediátricos. Queriam falar somente de extremismo. E essas reuniões não tinham patrocinador, não tinham nada. Eram reuniões muito difíceis. Nós resolvemos criar a Sociedade de Oftalmologia Pediátrica. Baseada nos moldes da sociedade americana. Inicialmente a ideia era transformar o CBE na Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

É estrabismo, mas isso foi um caminho que nós vimos logo de cara que não ia dar em nada, porque os cardeais do estrabismo não queriam de jeito nenhum abrir mão da exclusividade do estrabismo. Então nós buscamos criar uma sociedade nova. Isso, por incrível que pareça, teve muita resistência dentro das grandes escolas de medicina de São Paulo, que eram as mais importantes, e do próprio CBO.

do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. E durante vários congressos brasileiros, uns quatro ou cinco, foram apresentadas nossas propostas que nunca foram aceitas, até que no fim dos anos 80, começo dos anos 90, realmente conseguimos formar a sociedade. E daí ela começou muito tímida, mas logo em seguida cresceu rapidamente, porque havia muito interesse das pessoas num fórum para discutir outras áreas de oftalmologia pediátrica que não fossem extremismo. Glaucoma congênito,

Trata congênita, hop, enfim. Vias lacrimais, conjuntivites neonatais, tudo isso não tinha um lugar adequado para se conversar. E aí nasceu a sociedade e daí para frente foi só alegria nossa. Tempos difíceis no começo, mas felizmente hoje em dia somos bem aceitos. Eu me orgulho muito de ter participado dessa batalha porque hoje o oftalmpediatria é uma subespecialidade estabelecida e a gente tem contato frequente com as pessoas

fazem parte dessa área, mais de perto com nossos fellows da Escola Paulista de Medicina, e a gente vê verdadeiros gênios nessa área, pessoas assim que estão aptas e dispostas a curar praticamente tudo que criança possa apresentar. Pois é, eu acho que essa formação de um grupo para discussão dos casos complexos é fundamental até hoje, porque cada um tem um pouco mais de habilidade ou interesse

melhor, né? Então, acho que a formação desse grupo foi fundamental pra estruturar a base, mas de fato, cada oftalmopediatra pode resolver praticamente tudo dentro da oftalmopediatria e discutir os casos que são necessários e a gente troca muita coisa, né? Muito bom, Tomás, eu vou dar andamento pra escutar os próximos presidentes aqui, ver o que mais eles podem nos contar dessa época. Obrigada, viu? Eu que agradeço novamente. Eu vou abrir a palavra então pra doutora Rosa. Doutora Rosa, muito obrigada por estar conosco.

Queria que a senhora nos contasse um pouquinho como é que a senhora chegou à presidência, então, da SBOP para o contexto naquele momento. Primeiro, Cris, muito obrigado pelo convite. Isso me honra muito e eu sou fã número um dos seus SBOPs que já começaram com as colegas anteriores, né?

estrabismo. O doutor Sá, em uma dessas trocas de presidência, me pediu para concorrer à presidência da SBOP, porque eu trazia uma complementação ao que se discutia na SBOP, que era basicamente estrabismo. Eu sempre trabalhei com retina no Hospital das Clínicas e sempre trabalhei com retina de adulto, mas quando eu fui procurar meu doutorado em 89,

aparecia uma doença que estava sendo em estudo, que era a retinopatia do prematuro. O tratamento que antes sempre deu problema, a gente tinha um tratamento que aparentemente dava certo e inicialmente eles mandavam operar só um olho funcionando o outro como controle e um ano depois eles já liberaram para operar os dois olhos. E esse foi o meu trabalho de doutorado, talvez o primeiro sobre retinopatia.

retinopatia aqui no Brasil e nós trabalhávamos com relação ao resultado cirúrgico, mas nós tínhamos quatro casos de retinopatia cirúrgica por ano no HC e isso nunca daria uma tese. Então, conversando com a doutora Cléa Leone, que era a chefe do berçário, ela falou, olha, vamos trabalhar com fatores de risco. E aí sim, nós tínhamos um número de crianças bem expressivo e aí nós

com os fatores de risco, que mostrou que crianças que tinham abaixo de um quilo tinham três vezes mais chance. Enfim, foi um trabalho inicial que foi importante para o Brasil nesse sentido. E o SAMI pediu para levar essa percepção diferente dentro da diretoria. Bom, eu paralelamente tinha tido um problema muito sério com as cirurgias da retinopatia do prematuro,

não tinha os códigos de procedimento adequados para um laser de criança, que eu tenho que fazer com anestesia geral, que eu trabalhava em média 2 mil pontos por olho, fazia já os dois olhos. Então era uma cirurgia demorada, crianças de perto de um quilo ou um quilo e pouco, já quando eles eram operados. Eu fui ver, o hospital me pagava o laser de um adulto feito no consultório, que demora 10 minutos.

Quando eu brigo, o cara fala, olha, mas eu estou usando o código que existe. E aí foi que eu talvez tenha dado o maior incentivo. A questão de oferecer alguma coisa real para a sociedade foi trabalhar, criar procedimentos para oftalmologia pediátrica. Porque, por exemplo, uma criança com talcoma que eu levo para o centro cirúrgico para medir a pressão, ela vai pagar seis reais. Quer dizer, não é possível e não cobre um anestesista.

foram criados os procedimentos semelhantes aos que fazem adultos, agora relacionados à criança. Inicialmente, o doutor Mauro Nisch os assessorou e, posteriormente, o Reinaldo Rezende faz o acompanhamento até hoje. Esse trabalho foi extremamente importante para valorizar o trabalho do oftalmologista pediátrico no berçário e no seu tratamento das crianças que são não verbais.

talvez tenha sido a maior contribuição que a gente fez. Posteriormente, a Luísa e a Júlia Rosseto continuaram esse trabalho e hoje a gente tem uma série de procedimentos realizados, apropriados para o oftalmopediatria, apropriados para os pós-operatórios de catarata congênita, de ROP, que vão ser continuados em consultório e que não podem ser vistas, a criança não pode ser vista uma vez por mês.

o nosso trabalho na sociedade e isso me dá muito orgulho de ter participado dessa história. Sem dúvida, essa é uma área de atuação da SBOP fundamental. É muito importante a gente pensar em quem está lá na ponta trabalhando e que tem uma remuneração muito aquém do que é justo. E é muito diferente de atender um adulto. Não dá para comparar um acompanhamento de uma cirurgia de retina em criança com uma cirurgia de retina em adulto.

Muito obrigada. Estou sempre à disposição. E agora eu vou passar a palavra para um outro colega que foi meu professor e também é um gigante, um gigante do estrabismo e que também esteve aí na formação da SBOP. Ele foi um dos primeiros presidentes e certamente passou por todo esse momento aí de criação da SBOP no meio dos especialistas em estrabismo. Mauro Plutti, que bom que você está aqui conosco. Fala um pouquinho como é que foi a sua

gestão, como você entrou para a presidência da SBOP e como é que a SBOP estava se criando naquele momento. Oi, Cris. Eu que fico muito contente de falar com vocês e ter essa oportunidade de contar um pouquinho da história da oftalmologia, da oftalmopediatria. E basicamente é o seguinte, não existia oftalmopediatria em São Paulo. E teve muita resistência das pessoas na época de aceitarem oftalmopediatria.

Aqui no Brasil, segui. Tudo chega depois. Tudo chega depois. Nunca chega junto. E antigamente era pior. Hoje em dia, com a internet, você vê, você tem a opção de olhar no computador, na própria internet, é muito mais fácil. Mas tudo chegava depois. Como tudo, a oftalma pediatria chegou depois. E teve muita resistência. Uns, com boa vontade, achavam que não precisavam.

perder os clientes, como muita gente chegou a falar para mim. Por exemplo, para você ter uma ideia, falaram o seguinte, que os pais iam no convênio, mas os filhos eles levavam no médico particular, entendeu? Mas a ideia principal, a ideia principal da gente era ter com quem falar, era com quem discutir, com quem aprender. Porque hoje em dia a gente tem o nosso grupo de WhatsApp, todo mundo fala, todo mundo dá opinião, mas naquela época não tinha.

que não tinha. Então, pra você saber qual era a conduta numa pitose de criança, você tinha que falar com alguém que fizesse plástico. A pessoa fazia plástica, mas não estava acostumado com criança. Ele fazia plástica de adulto. O mesmo glaucoma que você faz. E a maior resistência veio do pessoal que fazia estrabismo. Eu acho que, em oftalmopediatria, acho que 80% é estrabismo. É estrabismo, é refração em crianças, é vias lacrimais. Então, a principal ideia era ter um

grupo para estudar, até um fórum. E nós fomos brigando, brigando, até nós fizemos, eu já não me lembro mais, faz tantos anos, nós fizemos a sociedade e depois nós fomos reconhecidos. Sim. Foi muitos, muitos encontros do CBO para poder ter a nossa sociedade. Muito bom, Mauro, sensacional. É isso aí mesmo. Pelo que eu escuto nas histórias, a gente foi num crescente para conseguir ter espaço e eu acho que é assim que as coisas se estruturam, mas em especial,

A oftalm pediatria, porque exatamente nós não somos generalistas que cuidam em especial de criança. Então isso acabou tendo que ser aceito ao longo do tempo, com ainda questionamentos. Tem ainda muita gente que questiona. A história é a seguinte, eu já escutei também e li também nos livros da oftalm pediatria americana. As pessoas falavam o seguinte, tudo que eu faço com adulto eu consigo fazer com criança. Não é verdade. Não é verdade.

Em 15 minutos você atende, se você quiser. Uma criança tem que deixar o tempo para a criança ser atendida. Você tem que deixar o tempo para ver a criança. Você tem que estar, não digo amar a criança, adorar a criança. Você tem que estar treinado para atender criança. Eu gosto muito. Eu gosto muito, me divirto. Até falo para os pais, eu também tenho que me divertir. Porque a gente dá risada, entendeu, com criança. Eu lembro do seu ambulatório, era muito divertido, sempre foi.

mesmo com os problemas, a gente fica leve. É, é diferente. Aí você consegue, consegue medir um estrabismo, consegue um canal lacrimal, essa coisa toda. Uma vez eu fui em Washington, teve uma aula que chamava Enchanting Children. Eu fiquei maravilhado com o que o sujeito fazia. E até hoje, até hoje eu tenho um ratinho, um ratinho que eu ponho no dedo, e as crianças gostam. Adolescente de 15, 16 anos, falam, o ratinho ainda está aí.

Boa, boa. E a gente aprende muito com o grupo. Para você ter uma ideia, começamos com a Clélia, que eu te falei, que a gente falou outro dia. Começamos com a Clélia. A gente não falava de estrabismo. A gente, vamos falar, tinha 10 aulas, uma de estrabismo. Aliás, acho que eu estou mentindo. Eu acho que não tinha nenhuma de estrabismo. E com o tempo foi indo, o pessoal foi aceitando e tal. E é isso que é história. Agora, a chance de você poder conversar com quem faz criança,

encaminhar uma criança e, olha, eu me arrependo de algumas crianças que eu encaminhei mesmo para glaucoma. A pessoa não fazia glaucoma. Não fazia, não fazia. Para fazer glaucoma, não fazia glaucoma infantil, esse tipo de coisa. Porque não tinha. Sim, é um olhar um pouco diferente, num olho com uma estrutura diferente, num período de desenvolvimento. Então, é muito interessante ver que tem uma variação, sim, tem peculiaridades.

pequeno. Você lembra daqueles desenhos medievais? Tinha um útero e tinha um hominho dentro. É isso que eu só penso aqui, mas não é? Maravilha, Mauro. Muito obrigado pelo teu depoimento. Vamos seguir aqui a nossa conversa. A gente vai chamar os próximos convidados. Puxa, essa conversa com esses quatro ex-presidentes, primeiros presidentes, foi muito bacana. Mas eu vou aproveitar a presença dos outros ex-presidentes que estão aqui na plateia.

para a gente escutar um pouquinho da experiência deles. A gente tem muita gente importante aqui com a gente. Então, eu queria começar chamando o Dr. Luiz Carlos Sá, que todo mundo conhece e que é uma referência para nós todos na oftalmpediatria. Um grande prazer que ele esteja aqui também conosco. O Sá, ele é colega muito antigo e também foi um dos primeiros presidentes. Ele participou muito da formação da SBOP e ele tem uma visão bastante importante

importante desse cenário. Ele sempre participou muito da Apples. Então, Sá, conta pra gente como é que foi a sua diretoria e como é que você via essa formação da SBOP. Cristiane, obrigado aí por estar aqui presente. A SBOP é como se fosse um neném pra gente, que a gente agora, eu sempre falo isso, que é como se fosse um adulto agora que já tem vida própria, etc., mas que ainda tem um futuro brilhante aí pela frente. Fala um pouquinho, primeiro, rapidamente da minha entrada aí nessa sociedade brasileira, como é que foi

primórdios. Eu tinha feito o R3 de estrabismo, eu gostava de criança, estava mexendo bastante com prematuridade e fui fazer um fellow lá na UCSF em São Francisco e também tive a oportunidade de ficar um tempo com o Jean Posky e com o Alan Scott. Quando eu voltei para o Brasil, eu comecei lá no HC, voltei para o HC, fazer essas coisas, mexer com a criançada, ficava no estudo da criança e daí surgiu a possibilidade de fazer um curso de oftalmologia pediátrica no HC. E para isso eu tinha conseguido

Craig Hoyt e o David Taylor, que vinham pro Brasil. Então a gente começou a organizar um congresso, que ia ser bem bacana com os dois, que tinham a Bíblia da oftalmologia pediátrica, que o Hoyt e Taylor. Que ano isso, Sá? Nós estamos falando isso acho que 94, 95, mais ou menos por aí. E o que aconteceu? A gente foi organizando o curso, o professor Caldeira era o professor titular lá da faculdade, e a gente estava organizando o curso. Quando deu assim,

uns 3, 4 meses antes, o professor Caldeira chegou pra mim e falou, nós estamos sem patrocínio, nós vamos ter que suspender esse curso. Eu falei, professor, eu não posso fazer isso, o Craig Hoyt e o Deviteiro são super atarefados, eles já se prontificaram em vir e tal, como é que eu vou cancelar agora? Ele falou, nós não vamos poder organizar. Daí, eu já conheci o Mauro, a Rosana, que estavam na sociedade e tal. Fui conversar com eles, ele falou, você tem esses dois caras aí pra vir aqui pro Brasil?

vamos organizar esse curso pela Sociedade Brasileira de Oftompediatria, que ainda não era reconhecida, mas estava se formando ali, a Clélia, acho que nessa época, acho que era o Mauro Plutti ou a Rosana, que eu não lembro mais agora com detalhes quando foi esse curso. Eu sei que daí os dois vieram para cá, a gente acabou organizando esse curso pela SBOP, foi um curso que foi feito, foi um congresso lá na Hebraica, era só sobre discussão de casos,

as pessoas apresentavam os casos e os dois discutiam de prontidão, sem ter negócio. E com isso eu me aproximei da SBOP e comecei a ficar mais em contato com a turma, frequentar. E aí foi aquele passo natural. Virei secretário, vice-presidente e depois virei presidente. E tive a honra de ter a André Azim como minha vice-presidente, que depois me sucedeu. E eu não podia deixar de falar numa pessoa muito importante,

porque o pessoal do estrabismo, a gente, na verdade, inicialmente a gente queria fazer uma sociedade que juntasse, mas a gente viu que não ia poder juntar as sociedades, mas a gente queria que a sociedade fosse reconhecida pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia. E uma das pessoas que foi muito importante para a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, que foi uma pessoa que deu muita força para que surgisse a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, foi o professor Arley Bicas, de Ribeirão Preto.

ele foi muito favorável, foi um cara muito importante para a gente, mas o fato interessante, ele falou o seguinte, que ele apoiava, etc., mas que as duas sociedades nunca deveriam se fundir, porque eram assuntos diferentes, as pessoas diferentes, e que cada sociedade deveria seguir como um caminho próprio, o que naquela época até fazia sentido, porque, na verdade,

E que não tinham grandes interesses para o retinopatia da prematuridade, catarata congênita, opção de via lacrimal. E o que, na verdade, a gente se espelhava no modelo justamente da EPOS, que é uma sociedade de oftalmologia pediátrica e estrabismo. Obviamente, as coisas foram mudando nesses últimos 20 anos. Hoje em dia, as pessoas não se dedicam exclusivamente ao estrabismo ou exclusivamente à catarata, etc.

Criança mexe um pouco com tudo, né? Claro que você vai ter o seu interesse mais importante, que você goste mais, que você se dedique mais, mas você vê a criança de uma forma geral. Você é um clínico geral e, obviamente, sempre você, em alguns casos, você vai encaminhar para o seu colega, que é super expertise, tem uma expertise numa determinada subespecialidade. Mas o fato é esse, que as coisas estão evoluindo. O futuro, ninguém sabe. As sociedades estão aí.

antigas, na verdade, que só se dedicavam às especialidades, vão acabar cedendo. E talvez, eu jogo aqui um questionamento para o futuro, quem sabe no futuro não vai haver uma fusão, por uma necessidade de juntar, nem que seja em épocas, em lugares diferentes, etc., mas assuntos que abordem as duas coisas, que as pessoas possam, num mesmo evento, ter a mesma participação, como a gente tem feito, inclusive, congressos conjuntos com o Centro Brasileiro de Estrabismo. Eu me lembro que na minha gestão,

A gente fez o primeiro curso, que foi um congresso conjunto da SBOP, do CBE e da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal, que a presidente era a Luciene. E o presidente do CBE nessa época era o Renato Cury. Foi em Belo Horizonte e foi um congresso muito legal. Depois acabou a visão subnormal não juntando mais com os nossos congressos. Ficou basicamente o CBE e a SBOP. Mas é uma boa ideia, porque são temas, em algumas situações,

bem correlatos, né? Quem sabe? Também não sei. Eu gosto de ouvir essas histórias pra entender como é que foi esse caminho, né? Mas eu vejo hoje em dia o nosso congresso com bastante assuntos convergentes, né? Quem sabe o futuro? A gente vai ver, hein, Sá? Rosana, que alegria que você veio. Eu queria que você falasse também pra nós como é que foi a sua presidência. Você foi a segunda presidente e conta pra gente como é que você assumiu e como era SBOP nessa época.

Olha, eu não podia deixar de estar aqui. Estou chegando de viagem, vim direto para cá, porque a SBOP é uma parte tão importante da minha vida. São tantas lembranças boas. E sempre foi uma sociedade de muita amizade, com sinceridade, com muita alegria, muito conhecimento. Sempre fomos muito honestos em falar, não sei, quero aprender com você. Porque ofitar uma pediatria é uma área muito grande.

tudo. Então, você depende muito daqueles que fazem retina, retinopatia da prematuridade, dos que fazem canal lacrimal, dos que fazem estrabismo, dos que fazem a parte de doenças e córneas, doenças externas. Então, sempre assim foi uma alegria, porque além da gente se juntar naquele propósito que todos gostam de criança e tem muita paciência, a gente juntou também aquela necessidade de ter conhecimento. Sabe que eu tinha

Legado há muito pouco tempo dos Estados Unidos, 3, 4 anos, eu tinha ido para um fellow de oftalmologia pediátrica que não existia essa especialidade no Brasil. E sempre quis fazer pediatria desde que entrei na faculdade. A minha avó era presidente de uma ONG, eu ia com ela nesse lar da bênção divina e via aquelas crianças e aquilo não tinha nenhum médico na minha família, mas eu quis fazer pediatria. E por sorte, eu conheci o meu marido Marcelo e assim, já no primeiro ano da faculdade,

movimento de oftalmologia, mas seguia firme, quero fazer pediatria. Mas meu sogro tinha uma cabeça, assim, muito pra frente. Ele fazia parte de estrabismo, ele era um dos fundadores do CBE, do Centro Brasileiro de Estrabismo. E ele falava assim, não, não, não, não, você é mulher, você vai ficar uma escrava na pediatria. Vamos fazer oftalmologia. Eu falava, não, não quero cuidar só de olho, né? Eu era formada na USP, né? E aí, um dia, ele veio com uma revista pra mim,

mim falando, olha aqui o que você vai fazer. Olha aqui atrás. Fellow de oftalmologia pediátrica. Existe essa especialidade nos Estados Unidos. Que legal. Eu falei, esse daí eu acho que eu topo, viu? Só que você tem que primeiro fazer oftalmologia. Eu casei com o Marcelo antes da gente fazer residência. E ele falou, aí o Marcelo vai nesse lugar também, que era na Filadélfia, vai fazer lá esses negócios de colocar lente dentro do olho que a gente não faz aqui, imagina. E eu ficaria na parte de criança, porque como não existia, eu ia fazer

que era muito importante, que ele já fazia, e também trazer essa parte de oftalmologia pediátrica. E fomos para a Filadélfia, e logo que eu voltei, quer dizer, até quando eu estava lá no congresso da American Association, eu encontrei com o Rubens, com o Rubens Beaufort, e ele me convidou, ele viu que eu estava fazendo essa parte de oftalmopediatria, ele teve essa visão de falar, você volta e fica lá na Escola Paulista de Medicina, não era Unifesp. E foi assim, voltei,

Marcelo também foi para fazer a parte de doenças externas e córnea. E eu fui para fazer a parte de oftalmologia pediátrica, mas entrando dentro do estrabismo. Olha. Quando encontrei com o Tomás e com o Mauro Plutti. Imagina, na EPM só tinha estrabismo, né? E eu com toda aquela vontade de falar um pouco, né? De canal lacrimal. Existe retinopatia da prematuridade, gente. Existe alergia que se trata de uma maneira super especial. Toda a maneira de examinar uma criança, tudo.

sendo convidada pelo Rubinho pra fazer cuidar das crianças que estavam lá na PAE e que iam todas lá pro ambulatório da Escola Paulista. Essas crianças ficavam mofando no ambulatório. Naquele tempo era a fralda de pano. E olha só quanto tempo faz. Algumas crianças já usavam descartável, mas as coitadas, aquelas mais pobres usavam fralda de pano. E essas crianças eram deixadas tudo pra ser atendidas lá pelo meio de uma hora da tarde, quando já tinha acabado o ambulatório, porque eram crianças mais difíceis. E aí eu comecei aos poucos a ensinar pros residentes as técnicas,

de oftalmologia pediátrica. Que, na verdade, as técnicas não eram muito parecidas com as técnicas de estrabismo, né? Sim. Mas, enfim. Então, mostrando essa outra parte, essa realidade, até que a Clélia veio pra mim. Eu tava também lá na genética da EPM, né? Porque já que eu queria fazer um pouco de tudo. Ela falou, olha, Rosana, sabe? Numa coisa, você vai ser a segunda presidente. Eu falei, segunda presidente do quê? Da sociedade. Sabe por quê?

essa formação, e você também vem de uma família que tem o doutor Rubem Cunha, que era meu sogro, que era do CBE, e tem o doutor Sérgio Cunha, que era uma pessoa muito influente, era tio do Marcelo, ele era o chefe da retina na USP. Então, isso até quem me lembrou foi o Mauro Plutti e o Tomás, eles falaram, não, não, não, você foi colocada na sociedade, porque você era um contraponto para o pessoal do CBE não achar tão ruim, para mostrar que existia, né, uma amizade. E foi assim,

Foi muito importante, porque eu acabei ensinando muito do que eu pouco, do que eu sabia, mas aprendi muito. E indo para as outras capitais no Brasil e fui para Goiânia, para Aracaju, para Fortaleza, levando um pouco disso também da sociedade. Foi muito legal. Que história boa. Nossa, muito interessante. Então, você foi uma das pioneiras mesmo, os oftalmpediatras do país.

estrabismo. O Mauro tinha feito oftalmopediatria lá em Connecticut, mas o Tomás era estrabismo. Que história boa. Super obrigada pela tua contribuição, pela contação da história. Muito bom. Vamos adiante. Obrigada, Rosana. Eu vou ter o prazer também de convidar quem está aqui nos ouvindo, que também foi presidente e que já de uma geração anterior, Célia Nakanami dispensa apresentações.

Conta pra gente como é que foi a sua vivência como presidente da SBOP. Oi, Cris. Muito obrigada pelo convite. Nossa, é inédito isso, né? A gente juntar a história da SBOP, né? Que a SBOP, apesar de ela não ser uma sociedade tão antiga, mas ela tem muita história, né? A gente viu aí pelos nossos antecessores que não foi fácil começar, mas depois que é que nem bicicleta, né? A coisa vai andando e tem que andar, né?

Eu já peguei uma sociedade que tive como antecessores, né? Foi a Islany, antes da Islany a Rosane, antes da Rosane a Andreazin, né? E a gente, assim, realmente a gente começou a fazer outras atividades dentro da SBOP. A SBOP começou a tomar uma postura de defender a oftalm pediatria, não só como uma área dentro de cada especialidade, né? Que atendia crianças, mas já com vida própria, né?

Até os congressos, a gente sempre teve a última sessão do sábado à tarde, ou seja, sempre apagando a luz. É o que sobrava para a gente, né? Então hoje isso também tem mudado. Isso é muito legal. A gente tem muito mais voz, né? Isso é muito importante. E não foi fácil, mesmo assim. Então a gente consolidou muitos pontos, né? Como retinopatia da prematuridade, né? Graças a Andréa, que fez um trabalho fantástico reunindo todo o Brasil.

fazendo reuniões, montando um grupo, o Grupo Hop Brasil, e a gente, todos nós, ajudando nisso. Depois veio Rosane Ferreira, fazendo também atividades de triagens e pensando também nos outros lados, em relação a crianças com deficiência visual, crianças pequenas, triagem para isso. E aí, na minha gestão, é interessante que a gente,

tentou consolidar, a gente deu aula para o Brasil inteiro, consolidando o teste do olhinho, o teste do reflexo vermelho, unindo as sociedades de pediatria locais, junto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, e a gente, como representante do CBO, assumindo esse papel junto aos pediatras, dando aula de problemas oculares principais, que levam à deficiência visual, e o teste do olhinho capacitando os pediatras.

Então, assim, foram várias ações. Eu já tinha comentado num outro episódio que mesmo o Congresso, né? A gente teve o início de Congresso Brasileiro da SBOP junto com o CBE, né? A gente viu aí o Sá falando disso e a gente foi indo até que chegou a minha vez. E, assim, a gente nunca foi uma sociedade com muitos recursos, né? E, às vezes, a gente até colocava a nossa pele lá, né?

todos os custos, mas isso é bacana porque a gente vê aí que precisava de que cada um desse um pouquinho de sangue, suor e tempo, para que tudo isso hoje a gente vê pelas novas gerações, que elas têm uma outra cabeça, elas tudo realmente têm valorado e a importância disso, valorizando o profissional, valorizando a sociedade, a gente vê isso tudo hoje um fruto,

bacana e bem sucedido. Ah, que bacana. Eu acho que vocês plantaram desde o começo, as primeiras gerações, e agora a gente está acolhendo. E o mais bacana é que todo mundo pensando as mesmas coisas, com a mesma linha de objetivo, que é fazer a saúde das crianças melhorarem, ensino, sempre nesse caminho. E aí as coisas frutificam. Célia, super obrigado pelo seu depoimento. Vamos seguir em frente, escutar os outros presidentes que estão por

aqui. Obrigada, Cris. Então, e agora eu vou chamar uma das últimas presidentes da SBOP, pra ela falar um pouquinho da experiência dela nesse cargo. E também ela é muito importante pra nós, porque ela foi a mãe do SBOPcast. Ela criou, ela teve ideia, ela implementou e foi um sucesso. Então, Luisa Hopker, por favor, tenha a palavra. Então, Cris, muito obrigada por me chamar pra estar aqui. Eu fico super feliz de ouvir todas essas pessoas tão importantes pra fundação da SBOP.

E ouvindo todos os presidentes que me antecederam e os fundadores da SBOP, a gente consegue entender por que a SBOP chegou até aqui como chegou e que teve essa crescente principalmente nos últimos anos. Primeiro porque as suas bases foram feitas a partir de muita união e muita ética entre os presidentes e as pessoas que estavam lá no começo.

deu a presidência do Fábio, onde eu fui vice-presidente, a gente deu, digamos assim, entrou numa nova era da SBOP, onde a gente pôde fazer uma reestruturação de algumas questões formais mesmo, tanto de cartório, quanto de a gente conseguir colocar, por exemplo, algumas contas da SBOP em dia, que eram situações muito importantes. E, na sequência, a gente, durante a minha gestão, fez, que começou, na verdade, na gestão do Fábio, diretrizes, então a gente começou a colocar,

e informações que estavam aí, digamos assim, numa nuvem e que precisavam estar centralizadas e ninguém melhor do que a própria SBOP para poder tanto centralizar, formatar, como publicar e dar as, digamos assim, coordenadas de evidência científica para vários assuntos da oftalmologia pediátrica e foi a Júlia que coordenou tudo isso e foi muito importante. Então, eu acho que a SBOP foi tomando esse caminho aí de ficar estruturada, tanto em termos de site,

parte de evidência científica, quanto parte que às vezes as pessoas não veem, mas está no backstage, em termos de conta do banco, cartório, etc. A gente reformulou o estatuto. E também a gente daí começou a se voltar para conversar com patrocinadores, que foi algo que também deu um gás para a SBOP, porque a gente não precisa de dinheiro para conseguir implementar as coisas que a gente quer. E no meio disso, surgiu essa ideia de SBOPCast, que eu sempre falo brincando que o Fábio vai se arrepender até a morte,

era vice-presidente. Ai, Fábio, vamos fazer um podcast, vamos fazer um podcast. E ele falou, podcast? Ninguém vai ouvir isso. E isso era ali 2020, 2021. Daí, quando a gente começou, então, a minha gestão, eu passei ali uns meses estudando essas questões de podcast e conversando com a empresa que até hoje está com a gente. Até que ali no comecinho de 2022, então, começou efetivamente. E ele foi realmente um sucesso, como você falou, Cris. Na verdade, não só, né?

porque a gente começou ele de uma forma muito organizada, estruturada, estudada ali, apesar de ter sido um outro momento do mundo dos podcasts em relação ao que é hoje, mas porque acho que foi quase como se fosse um coletivo de que todo mundo queria participar, as pessoas me mandavam mensagem dizendo, nossa, tá tão legal, eu quero participar também. Então, acho que tudo isso fez o Sbopcast ser esse sucesso que ele é hoje. A gente sabe que tem muitos downloads, muitos mil downloads,

você possa atualizar os dados, mas mais perto ali dos 50 mil downloads. E para um, digamos assim, nicho tão específico como é a oftalmologia pediátrica, isso é algo sensacional. E eu fico, assim, extremamente lisonjeada, orgulhosa de perceber o quanto também quem me sucedeu conseguiu abraçar isso, seguir adiante e cada uma dar a sua contribuição no sentido de dar a sua cara

Então, a Júlia deu aquilo que ela tinha ali para o SBOPcast, ela profissionalizou ainda mais. Você, Cris, traz uma maturidade, tanto de conversa quanto até a própria maturidade que a SBOP está agora, depois dessas gestões aí que me sucederam, quanto para o podcast. Então, eu acho que tudo isso contribui para ser um veículo para a SBOP extremamente importante para todos os associados, os membros e também para quem está na diretoria.

quem está do lado de ouvinte ouve várias informações importantes e pode fazer isso de maneira assíncrona, quanto quem está aí do teu lado agora, da diretoria, consegue fazer chegar informações que talvez de outra maneira não chegassem. Então, eu fico super feliz de ter podido dar esse pontapé inicial e que, assim, foi um sucesso, como eu falei, por conta, na verdade, de tantas pessoas terem abraçado e colocado esses Bobcats no colo, tanto em termos do ouvinte quanto de quem participou do seu feitio.

Ô Lu, lisonjeada e orgulhosa fico eu de estar podendo dar o andamento a esse projeto maravilhoso. Na verdade, para te atualizar, são quase 70 mil downloads atualmente. E ele é ouvido não só por oftalmopediatras, mas também por oftalmologistas gerais e de outras especialidades. Então eu fico muito contente de poder alçar voo para essa nova área que é da comunicação. É uma tarefa árdua aprender uma coisa nova a essa altura. A gente comete vários pequenos equívocos, mas eu estou muito contente de estar podendo levar a informação

por essa via. Então, eu super agradecer o seu projeto. Eu gostaria muito, então, de encerrar esse evento agradecendo muito a presença de todos. Foi uma alegria agradecer as meninas que tiveram a ideia de fazer esse episódio comemorativo. Foi muito bacana. Maria Letícia, Ana Letícia, Gabriela e a Cris Ronconi e a Érica, que estão me ajudando demais nessa diretoria. Dizer também que, para mim, é uma grande honra estar nesse cargo atualmente, representando a sociedade

É um aprendizado, um ganho muito grande. Esse papel de comunicadora também é um papel novo e traz muito aprendizado, muito crescimento. Então, eu queria parabenizar esses colegas que deram o início a essa sociedade tão querida, com gente tão querida, e encerrar aqui nosso episódio, convidando a todos para curtir, compartilhar, e eu espero que vocês continuem nos ouvindo e nos presenteando com as suas presenças e seu conhecimento. E se você gostou,

curta, compartilhe, a gente está nas principais plataformas, no Deezer, no Apple Podcast, na Amazon e também no YouTube.

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