Podcast da Acrismat #94 - Com queda de 30% no preço do suíno vivo em 2026 suinocultores já trabalham no prejuízo
produtores contam que apesar do baixo preço pago nas granjas, valor pago pelos consumidores nos supermercados e açougues não acompanharam cenário de desvalorização da proteína.
Frederico Tonuri Filho
Raquel Martelli
Olá, estamos começando mais um episódio do podcast da AcresMAT. Hoje vamos falar sobre um alerta importante para o setor da suinocultura em Mato Grosso. A queda de 30% no preço do suino vivo em 2026 e os impactos disso para o produtor.
A suinocultura do estado enfrenta um momento delicado. Dados recentes mostram uma queda significativa no valor pago ao produtor. Vamos aos números. Em janeiro de 2026, o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 8,00 o quilo. Agora caiu para R$ 5,60, uma redução de 30% em quatro meses.
Este é o menor valor desde abril de 2024. Uma queda dessa magnitude impacta diretamente a rentabilidade do produtor, principalmente quando os custos continuam altos. Mesmo com a queda no campo, o consumidor não percebe essa redução no preço da carne suína nos supermercados e açougues. Isso mostra um desequilíbrio na cadeia produtiva.
O produtor recebe menos, mas o preço na ponta continua elevado. Outro dado preocupante, o prejuízo estimado é superior a R$ 60 por animal abatido. Isso compromete diretamente a sustentabilidade da atividade. E com isso, muitos produtores já começam a operar no vermelho. O presidente da AcresMAT, Frederico Tonuri Filho, destaca que é preciso reequilibrar o mercado. A sinocultura, tanto Mato Grosso como brasileira, entra o I.
num cenário de prejuízo novamente, né? Os preços têm caído. Dentro desse ano já chegamos aí em quase 30% de redução no preço pago ao suíno vivo. Isso ocorre porque existe uma oferta maior do que o mercado consegue absorver, mesmo com as exportações indo muito bem, batendo recorde.
a sinocultura brasileira ainda tem um excedente de animais sendo ofertado ao mercado. Associado a isso, uma redução no consumo, ou a população brasileira vem aí com o seu poder de compra reduzido, então esse criou um cenário que nós estamos vivenciando hoje, um cenário negativo, prejuízos variando de R$ 60 até R$ 100, depende da realidade de cada sinocultor.
Isso é muito ruim, o sinocutor para de investir. Alguns até já começam a se retrair. E já tem acontecido de o sinocutor falar em sair da atividade. Em Itapurá, a situação não é diferente, como conta a sua sinocutora Raquel Martelli. Nós, sinocutores, estamos passando por uma fase muito...
decadente, muito precária. Nós estamos enfrentando, começando a enfrentar uma crise. Vamos ver o que vai vir aí pela frente. Hoje a gente teve bolsa de suínos, o preço caiu novamente, nós estávamos operando a R$ 5,80 a bolsa em aberto, agora estamos em R$ 5,60 a bolsa em aberto.
O nosso custo está mais ou menos nos R$ 5,70, então a gente já está operando com prejuízo. Já se fala aí entre R$ 60 até R$ 80 por cabeça do terminado de prejuízo. Ela conta que no mesmo período do ano passado, a situação era bem diferente.
Comparando com o ano passado, nessa mesma época a gente já estava tendo uma alta no preço, nós estávamos operando já em R$ 7,70 o ano passado. Comparando com esse ano que estamos a R$ 5,60, então está bem difícil a gente manter o setor.
Segundo os produtores, uma possível saída é justamente reduzir o preço ao consumidor, para assim estimular o consumo. O pessoal do varejo não está passando o preço que é para passar. A gente vende para o frigorífico nesse valor já tomando prejuízo. O frigorífico também não consegue passar um valor mais alto do que na linha dele, do vermelho ali, ou no máximo ele igualar o preço de custo dele.
E o varejista continua no preço mais alto que tem do mercado, no mesmo preço que estaria lá em dezembro, enquanto a gente vendia o suína a R$8,00 em dezembro, e os valores do mercado estavam nos seus R$18,00, R$19,00 por corte.
Agora que a gente está com o preço do suíno a R$ 5,60, eles ainda mantêm esse mesmo valor, não caiu nada o valor no final para o consumidor. Os varejistas, eles que estão ganhando em cima do suíno e não quem produz. Com mais demanda, o mercado pode se ajustar e aliviar a pressão sobre o produtor. Mais uma vez a gente entra num cenário negativo.
onde os preços têm reduzido para o produtor, a carcaça da indústria também reduziu o valor, porém a gente não vê essa redução chegar ao consumidor final. Precisamos que essa redução seja repassada ao consumidor final. Dessa maneira a gente entende que o consumo naturalmente aumenta, porque fica mais atrativo para o consumidor.
O consumo aumentando, aumentam-se então as vendas do suíno e o mercado volta a buscar um equilíbrio. Então vamos trabalhar para que isso aconteça. É papel de todos trabalhar por isso, buscar um cenário melhor. Mas a associação está muito ligada, trabalhando.
e buscando as melhores alternativas. O momento exige atenção e união entre todos os elos da cadeia produtiva. A suinocultura é uma atividade importante para Mato Grosso e precisa de equilíbrio para continuar crescendo.
É isso aí pessoal, esse episódio vai ficando por aqui e você já sabe onde nos encontrar nas nossas redes sociais. No Instagram, AcrisMate Underline Oficial. No Facebook, no Youtube, pesquise por AcrisMate. E nas plataformas de áudio digital, pesquise por podcast da AcrisMate. Até a próxima!