Episódios de Sob Investigação

Elize: sombras de uma mulher

28 de julho de 20261h5min
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A dona Netflix voltou, agora com um filme sobre a Elize Matsunaga. 

Em 2012, o assassinato e esquartejamento de Marcos Kitano Matsunaga chocou o Brasil. Quatorze anos depois, a Netflix revisita o caso — mas dessa vez pela lente da ficção, com "Elize: Sombras de Uma Mulher".

 

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Participantes neste episódio1
G

Gisele

HostApresentadora
Assuntos9
  • A Dama do Crepúsculo· CulturaNetflix · Odisseia e Ilíada · Marcos Kitano Matsunaga · Caso Matsunaga · Ficção vs. Realidade
  • Teoria do CrimeVersão de Elize · Versão da perícia · Cena do elevador · Esquartejamento do corpo · Cabeça de Marcos
  • Análise do filme A CelaLorena Comparato · Joshua Kimmich · Serra da Bocaina · Felipe Velasco · Boutique Filmes
  • Fuga da PrisaoCriação de álibi · Licenciamento vencido · Descarte do corpo · Simulação de sequestro
  • Contos de Fadas Originais versus Adaptações DisneyInício do relacionamento · Casamento · Pressão por filhos · VIP Class
  • Traicao e perda de confiancaSite de acompanhantes · Vício em sexo · Nickname 'comedor de puta'
  • Traumas e Sombras do Passado de ElizeAbuso na infância · Relação com a mãe · Pilatos
  • Libertação condicional e vida após prisãoCondenação de Elize · Liberdade condicional · Visão sobre o caso · Perspectiva feminina
  • Propósito do CasamentoCastelo de Areia · Infertilidade · Tratamento para engravidar · Rotina sexual
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Eu, Elize, prometo te amar. Prometo te amar. Te respeitar, Marcos. Te respeitar, Marcos. Todos os dias de minha vida. Todos os dias da minha vida. Você ainda não se ligou que aqui você não vai arrumar marido, né? Delícia, eu quero você só para mim, exclusiva. Que lugar é esse? Nossa casa. Vida nova, loira. A família dele, como é que é? A mãe é boazinha, pai quase não fala. E o Marcos? Ah, ele é muito carinhoso. É bom ter um companheiro, achar uma pessoa, um homem sério que você pode formar família.

Você não vai me dar o neto. A médica para você, amor. Você que tá com dificuldade. Onde você já trabalhou, Elisa? Era o nosso segredo, você me expôs. Você tá muito neurótica. Aquele carrão lá fora é teu, Elisa? Tanto que você deve ter feito para conseguir. Cuidado para você não perder tudo que você lutou tanto para ter. O que eu te fiz? Ele prometeu que ele ia ser diferente. Você tá histérica. Vai internar a esposa semana que vem.

Você não bota em mim! Você precisa de um psiquiatra. Mata logo, Elise! Eu sou a dona dessa casa! Você nunca mais toca na minha filha! Até o fim? Até o fim. Pessoas, tudo bom? Primeiramente, sejam bem-vindos. Meu nome é Gisele e esse é o Sobre Investigação. Dona Netflix voltou agora com um filme sobre o caso Matsunaga, mais precisamente sobre a Alice, né? O nome já deixa bem claro quem vai ser o personagem principal de toda essa história.

O filme estreou no streaming da Netflix no dia 22 de julho de 2026 Eu assisti na madrugada do dia 23. No dia em que eu estou gravando esse Crime em Cena, no IMDb a avaliação desse filme está em 6 e no Letterboxd está em 3,2 de 5. Como eu não estudei o caso, não li o livro do Ulisses, meia-culpa, o que eu conheço sobre o crime é de ouvir, de um documentário da própria Netflix, de um Anatomia do Crime da MídiaLand há bastante tempo e do Kia até uma rocha.

E o Salada falaram sobre esse caso em podcasts e tudo. Então, dito isso, eu vou acabar me atendo aqui muito mais ao filme, não a uma análise do caso, que eu vou deixar depois para quando eu gravar o episódio sobre o caso Matsunaka. Vamos então à sinopse do filme lá no IMDb. Abre aspas: um assassinato chocante abala a elite brasileira quando um rico herdeiro imperio alimentar, é morto por sua esposa. Eventos reais que cativaram a nação.

Uma investigação de divisão de classes, ambição mortal e consequências brutais. Fecha aspas. Eu já citei o nome do filme, então ao meu ver a proposta aqui é retratar o que mais as pessoas comentam sobre a Elize Araújo Giacomini, que é sobre os motivos que levaram ela a matar o marido e depois esquartejar o corpo. Por isso Os Sombros de uma Mulher. Me parece uma alusão ao passado dela, aos traumas que ela carregava, e que o Rafael Montes teria escolhido como ponto de partida para o roteiro do filme.

Aliás, já que eu já citei o Rafael, que com a Mariana Torres eles assinam o roteiro, eu preciso dizer que a direção é do Felipe Velasco. A produtora desse filme, que é a Boutique, ela fez o documentário da Elisa Samúdio. Da Netflix. Eu falei sobre ele em outro Crime em Cena, e que muita gente escreve nos comentários em tudo desse caso, ou sempre que tem caso que uma mulher é suspeita, uma mulher é uma ré, que é o comentário: antes Elize Matsunaga do que Eliza Samut.

E eu achei curioso isso, né, de ser a mesma produtora. Eles produziram também o documentário da Flor de Lis, que está no Globoplay, que é muito bom, e um que não é de crime, mas que é excelente, que também está no Globoplay, que se chama O Caçador de Marajás. E como historiadora que estudou, leu muito sobre o governo Collor, eu super mega indico. É um documentário muito bom. Eu só assisti esse filme uma vez e parti para escrever o roteiro.

Então isso aqui é quase que um primeiras impressões. Eu teria que assistir mais algumas vezes para prestar atenção em talvez algum detalhe que eu não me atentei no momento em que eu assisti. Salientando que é um filme, tá, gente? Então, óbvio, precisa ser dito na maioria das vezes, mas não custa reforçar, de que é uma obra de ficção, não é uma representação fiel do que aconteceu, é uma visão do casal de roteiristas sobre o que aconteceu e como aconteceu.

Eu tô vendo muita gente em comentários nas redes sociais falando assim: ai, gente, para entender o caso dela, assista um filme, eu acabei de assistir e eu estou do lado dela porque eu vi, ou estou contra ela porque eu vi o filme. Gente, isso aqui é uma história ficcional criada, montada de acordo com o que os roteiristas acreditam, baseado ali no que eles conhecem do caso, do que eles leram, do que eles viram. Então assim, a gente não pode pegar isso daqui e ter como a verdade absoluta.

Não, isso aqui que aconteceu, porque a verdade absoluta do que realmente aconteceu tá dentro do processo desse caso. Que eu não tive acesso e acho que eu não conheço poucas pessoas que tiveram. Então assim, não acreditem que tudo que está aqui, seja no filme da Elize, seja no documentário, seja verdade. Não só no caso da Elize, tá? Em qualquer obra, gente, ficcional, a gente não pode levar aquilo ali como ferro e fogo. Ah não, se está na Netflix, então aquilo ali é verdade.

Não é. O filme, ele dura ali um pouquinho mais de 1 hora e meia e ele começa com a Elize, interpretada pela Lorena Comparato, de frente para televisão vendo um foto dela e do Marcos juntos quando eles ainda não eram casados, ali em momentos felizes, e corta para ela arrastando o corpo dele pelo corredor do triplex de manhã cedo. Ela recolhe o estojo, limpa o chão, pega a faca, e aí o bebê chora. A Elise para tudo, vai até o quarto da filha acalentá-la, e ela repete algo que a Elise diz desde sempre, que certas coisas ela só vai contar para filha.

E aí a babá chega. O Marcos Kitano Matsunaga, ele é interpretado pelo ator Henrique Kimura. Achei que a direção, a produção desse filme, eles se atentaram bem a alguns detalhes que foram importantes na investigação, como o saco de lixo azul com a fita vermelha para amarrar. Então você vê que tem um cuidado em reproduzir certos itens, certos ambientes, com mais próximo do que era na realidade. Então essa parte de cenografia e esse cuidado com esses detalhes Achei muito legal.

Aí acontece aquela cena clássica desse caso, todo mundo conhece, que é a Elize entrando no elevador com as malas, que sabemos que tem as partes do agora picotado Marcos Matsunaga. A direção do filme optou por meio que separar o filme em blocos. Eu digo que ele separou tipo em blocos marcados por anos. Esse primeiro é 2005, conto de fadas, não mostra como eles se conheceram, mas já nos apresenta a relação deles e no que a relação deles se baseia: sexo.

Eles estão na cama, tem uma coisa ali meio fofa à primeira vista que é quebrada pela mulher do Marcos ligando. Então ele é casado, ele tem uma filha, e ele estava em uma tarde qualquer de uma semana, eu não sei, com uma garota de programa. E aí ele paga. Então fica claro que a Elize estava se comportando ali como se eles estivessem em alguma espécie de relacionamento. E ao pagá-la, ele deixa claro que aquilo ali tudo é um programa.

Se não me falha a memória, posso estar errada, mas acho que eles se conheceram em 2004 pelo site que ela mantinha um anúncio, que aqui no filme eles deram o nome de VIP Class, mas acho que era VIP Class, era alguma coisa assim. Então nesse primeiro bloco esses encontros dos dois já aconteciam há um ano. Então essa cena que a gente vê quando acontece, eles já estão tendo encontros amorosos, sexuais na verdade, né? Então eles estão tendo esses encontros sexuais há um ano, ela conhece bem ele.

Claro, a Elisa ali fica frustrada e ela usa do artifício de ignorar, de não atender mais ele, e dá certo. Então aqui acho que meio que corrobora esse pensamento de que para ela talvez fosse mais do que um programa, ou ela quisesse que fosse mais do que programa. Porque se é uma questão de negócios, porque um programa é uma relação comercial, o cara quer um serviço, a mulher está ali prestando, ela presta o serviço e recebe o pagamento, é uma relação comercial.

Mas quando ela começa a usar artifícios que se usam geralmente para fazer um ciúme no namorado, ou para dar um giro no namorado, para fazer com que ele preste mais atenção com você. Isso demonstra que para ela, ou ela queria que fosse mais do que aquilo, ou que para ela já era mais do que aquilo, porque eles já estavam um ano se encontrando. Então ela age com ele meio que como uma namorada agiria. E aí ele vai atrás dela, vai ali numa boate que às vezes ela trabalhava, e ele dá de presente essa Pajero TR4, que também ficou famosíssima, inclusive tá vendida aí, rodando por aí.

E ele diz que quer que ela fique exclusiva para ele. Então, mais uma vez, ele aqui está tratando isso— gente, é tudo aqui a minha visão, tá? Porque sou eu que estou fazendo aqui o episódio. Então, a minha visão de tudo isso que tá acontecendo é que ele trata as coisas como se ela fosse uma garota de programa, não uma namorada. Ele não queria manter um relacionamento. Por quê? Porque ele não tá pedindo ela namoro. O que ele tá pedindo é exclusividade.

Então ele quer pagar para que ela fique disponível para quando ele quiser sexo ou companhia para alguma coisa, ou companhia para exibir uma mulher mais bonita. Ele não tá pedindo ela em namoro, não tá querendo que ela seja uma fixa dele. Não, o que ele está querendo é uma exclusividade nesta prestação de serviço. Vocês concordam comigo? E aí eles usam música aqui, a edição, a música da Amy Winehouse, que é Love Is a Losing Game.

E é uma escolha bem capciosa assim, eu achei, não só pelo nome da música, que é O Amor é um Jogo Perdido, mas pela história da música. Porque a Amy, ela escreveu essa música inspirada no relacionamento dela com o Blake, né, que foi o marido dela. E era um relacionamento, para quem gosta da Amy, quem conhece a história dela, lembra que era cheio de turbulência, era uma coisa assim muito tóxica, muito abusiva, conturbada, era autodestrutivo, era um relacionamento autodestrutivo, e que terminou como terminou, né?

Ela acabou tendo uma overdose, e muitos fãs, a família dela, culpavam o Blake por ter sido quem introduziu a Emma a drogas super pesadas, que como consequência levou ela ao vício e posteriormente à morte. Então, ao usarem essa música como fundo dos trechos o retorno da relação do Marcos e Delícia, deles viajando para Itália, acho que na região ali da Toscana, passeando, eles no restaurante japonês, que é um local que é importante no desenrolar de toda essa história até hoje.

Então a edição tá, no meu ponto de vista, deixando implícito que aquilo que a gente tá vendo não vai acabar bem, o que a gente já sabe que não acaba mesmo. Então através da música, da história dessa música do significado dessa música, da letra dessa música. O que eles estão falando é: existe essa mulher que é completamente apaixonada por esse homem, vai fazer tudo por esse homem, mas que isso não vai acabar bem, isso vai acabar em tragédia.

Aí tá no começo do filme, e até aqui o Marcos parece ser, sei lá, só mais um homem hétero, rico, casado, pai, vindo de uma boa família, que faz sexo com garotas de programa durante expediente ou durante falsas viagens de trabalho. Assim, gente, na minha visão, se a gente chacoalhar Faria Lima, cai um bocado desses igual a ele. Se chacoalhar Avenida Rio Branco aqui no Rio, Avenida Almirante Barroso, Avenida das Américas ali na Barra da Tijuca, cai um bom bocado de homem igualzinho.

Nós sabemos que eles adoravam caçar, e isso, essa imagem do Marcos, dele até aqui pelo menos ele não ser um cara muito abusivo ou não ser um cara agressivo. Isso tudo a gente fica meio claro assim, sabe, nessa cena deles caçando. Porque a Elisa tá ali caçando, mirando, ela erra o tiro e ele dá super apoio a ela, sabe, diz que acontece e tudo mais. Ele é super carinhoso assim, ele fala bem dela para o amigo lá, o gringo, melhor amigo dele.

Ele fala dela meio que com orgulho, meio encantado. Agora, óbvio que ninguém abusivo começa uma relação abusiva dando um soco na sua cara, né? Porque se na primeira o cara der um soco na sua cara, não tem nem a segunda, né? Mas nas cenas das interações deles, fosse como cliente que nós vimos aqui, tá sendo passado no filme. Então nessas primeiras interações que nós vimos, fosse como ele cliente, fosse agora ela com amante oficial, ele se comporta até que bem.

Eles já estavam, como eu falei, vou aqui, né, ser redundante, me repetir dizendo que eles aqui, eles já estavam se encontrando há mais de um ano, um ano e pouco, um ano e meio, quase 2 anos. Então ela meio que já conhecia ele dentro de de certas situações. E aparentemente ele é super tranquilo, trata ela super hiper mega bem. Esse melhor amigo dele, esse estrangeiro, salvo meu engano, ele tá no documentário da Netflix, que é aquele que a Elize deu entrevista.

Posso estar errada, mas eu acho que é esse amigo que é que tá no filme. Eu achei bem realístico, bem feito, toda essa sequência da caça da Elize matando do veado, ele sendo pendurado, ela agachada cortando. Os roteiristas parecem que estão dizendo, deixando a gente entender, que ela aprendeu assim a como esquartejar um animal morto. E a próxima vítima tá ali sentado admirando o que ela logo logo vai fazer com ele. E principalmente, ela gosta do que ela tá fazendo, ela gosta de arma, ela gosta da caça.

Aí ele comprou o apartamento, né, os apartamentos que ele uniu, né, e fez uma cobertura grandona E a cobra Gigi estava lá e ele informa que se separou, fala de casamento, de que quer ter um filho. Então agora, com a vida direcionada, ela alcançando o que ela queria, que provavelmente era sair da prostituição, era ser esposa de um cara rico, daqueles assim de mudei minha vida inteira. A Elize vai para Shopinzinho, que é a cidade natal dela, com o carro que é presente do Marcos.

E ela vai para levar o convite de casamento dela para tia. Eu acho que aqui tá muito do tipo, ela quer mostrar que ela venceu, que ela conseguiu melhorar a realidade dela, que ela conseguiu transformar o futuro dela. E aqui nessa revisitação ela se depara com uma das sombras, que é o padrasto. E não tem como a gente ver aquilo, a gente saber do que aconteceu, do que houve, não entender claramente, gente, o quão dolorido, o quão sofrido deve ser você ser abusada pelo marido da sua mãe, ela saber do abuso e mesmo assim ela te rejeitar.

Ela não rejeitou o abusador, ela te rejeitou. Ela defendeu o abusador, ela te culpou, ela te ofendeu. Então nada do que ela conseguiu, nem o carro importado, nem a cobertura The Plex, nem o noivo sendo de uma família multimilionária, nada disso para essa pessoa, que no caso é a mãe, Faz diferença? Não fez diferença. Não é motivo de orgulho. Ela continua vendo a filha como alguém que vai causar problema na vida dela. Por quê? Porque o marido dela é um safado nojento e ela faz desse cara uma vítima.

Então o medo de perder esse lixo desse homem que ela arrumou é maior do que deveria ser o amor que ela tem por essa outra pessoa que ela colocou no mundo. Então assim, não tem condições de defender essa mulher, a mãe dela. Até certo ponto você entende, você compreende que tudo isso, toda essa sombra no passado dela é um ponto sensível para Elize, e que no fim, e aqui sem trocadilhos, é o gatilho, ao menos no filme, para o fim da vida do Marcos.

Aí pula para o casamento, a família dele, até onde eu saiba ela era muito privada, é muito privada, e ela era afastada do Marcos, eles nunca foram ou não são retratados como pais calorosos, mas aqui eles são apresentados como pessoas simpáticas, falantes, que estão ali incluídos na relação do Marcos e da Elize, na vida deles. Então são pessoas próximas, e mesmo sem eles saberem de onde a Elize surgiu, do passado daquela relação, eles ficam ali batendo na tecla de neto dela engravidar.

A segunda vez, se bem lembro, disso acontecer, desse assunto de filho surgir, que o Marcos fala, né, quando pede ela lá em casamento. E aqui os pais dele também falam. Então me pareceu, eu cheguei até anotar isso, que haveria uma pressão para que isso acontecesse logo. Sabe aquilo de homens se casam para terem filhos, e se a mulher é boa ela engravida logo e de várias crianças? Só que assim, o Marcos já tinha uma filha, mas dá a sensação de que para aquele núcleo familiar casamento feliz, casamento sólido, casamento bom, casamento que tem filhos, e tem filhos assim para ontem.

E aí aqui outra pausa para comentar sobre a música. Pode ser coisa na minha cabeça, pode ser coisa na minha cabeça, mas nessas cenas do casamento toca de fundo a música Love on the Brain da Rihanna. E eu achei meio que uma piedade assim, sabe, com o final de tudo isso. E por quê? O nome da música é Amor no Cérebro, mas na verdade a letra fala sobre um amor incondicional, sabe, assim obsessivo, hiper intenso, e sobre como é doloroso, mas que independentemente do que acontece ou do que acontecer, a pessoa que tá cantando essa música.

Ela não consegue viver sem aquilo, sem essa loucura que é esse amor, e sem que essa outra pessoa continue amando ela. O que que eu achei aqui a piada? É ter a palavra brain. Afinal, o Marcos levou um tiro bem na cabeça, um só, bem no cérebro. Então a música serve tanto para sonoramente expressar esse amor doentio que vai até as consequências, porque ele não pode ficar sem a pessoa amada, como de fato a última consequência, né, o amor no cérebro através de um projétil, de um tiro.

E mais uma vez nós vemos aqui essa sinergia entre eles na primeira noite de núpcias, a mistura de sexo e arma de fogo, a troca de papel de poder, porque ele tem arma, aí ela tira cama dele e passa a ser a dominadora. Então assim, tem um fetiche ali que ambos exploram. Eles estão dentro desse jogo e as regras eles conhecem, e os dois toparam participar desse mesmo fetiche. O segundo bloco do filme, que é o de 2009, Castelo de Areia, que é o ano que eles se casam.

E aí, para mim, a divisão dos blocos é Claro, uma perspectiva da Elize. Então a relação dela com o Marcos, para ela no começo, era um conto de fadas, que é o homem rico que se apaixona pela garota de programa, casa com ela. E aí agora que eles se casaram, virou um castelo de areia, é uma farsa, foi um amor construído que a princípio é muito bonito, é um castelo, é um sonho, mas que as bases são muito fracas, porque a fundação dela é construída na areia que se esvai entre os dedos.

Então, outra vez, durante a visita da tia da Elise agora na casa dela, o ponto de situação aqui do casal é a Elise não ter engravidado, e eles estavam casados há pouco tempo. Mas eu já citei, existe essa pressão dela, que o filme tá aqui nos mostrando essa pressão, e ela faz tratamento para entender o que que tá acontecendo. Para conseguir engravidar. E eu fiquei me perguntando, que tipo de urgência é essa? Então, era de se ter aquele elo físico do amor que essas duas tenham uma pela outra, a ponto de querer fundir esse sentimento em um filho?

Era a dele cumprir o famigerado papel de homem que tem filho? Era vontade de ter um filho homem? Ou era a de deixar essa mulher a ele, e aí seria o objetivo do Marcos, ou então era a da Elize prender esse homem a ela através dessa criança. Então qual era o interesse por trás dessa imposição? Aqui todas as vezes que eu citei que eu senti essa pressão foi da parte dele ou da família dele, não dela. Mas ela também fica muito agoniada em não ter um filho, ela quer ter.

Então fiquei me perguntando isso, qual interesse. E aí tem aqui, para mim é tipo top 3 das cenas desse filme. Primeiro é óbvio, a mudança na relação sexual dos dois. E eu disse a vocês que na minha análise aqui o sexo é quem uniu esses dois, era a base da relação deles quando começou, e é um dos sustentáculos disso tudo. E é claro que agora o sexo é rotineiro. Então olha o contraste do que eles fazem na noite de núpcias. Com a arma e tudo mais.

Ou até lá do começo, quando ele pagava e ela tava com um conjunto de lingerie pequeno de renda. Ela é sensual, ela é provocativa, e ele também é bem mais sorridente, ele é mais fogoso, ele tá mais disposto a entrar naquele jogo sexual ali que eles têm. Só que agora, aqui nessa cena, ela tá de pijama, sem maquiagem, sem lingerie arquendada, de lado, deitada, apática, com semblante de cansada, sabe? Assim, como se tivesse ali naquela situação pensando: ai, como é que foi o capítulo da novela hoje?

Ai, o que que eu preciso fazer amanhã? Sabe assim, isso durante o sexo. E aí, quando acaba, ela põe os pés para cima da cabeceira da cama. Eu nunca tinha visto isso na minha vida, assim, nunca, mas claramente com a intenção de tentar engravidar. Mas vocês notam notam que o sexo aqui tomou um outro objetivo, porque antes o sexo entre eles era o jogo, era uma excitação, era sobre provocação, sobre prazer. E agora o sexo entre eles é sobre rotina, é sobre obrigação, é sobre gestação.

Então o objetivo deixou de ser carnal para ser sobre procriação. Desde o casamento, a Elisa tem ali preocupação misturada com vergonha de ter sido uma GP, de ter vários clientes antigos ali em volta na festa de casamento. E eu até entendo que ela agora se via em outro patamar, estava em outro patamar dentro daquele recorte da sociedade paulistana. Os pais dele, a família dele não sabia que eles se conheceram através de um site de garota de programa.

Mas o Marcos, eu não acho que isso fazia diferença para ele. Porque ele compartilhava essa vida paralela dele com os amigos e era o mesmo ciclo. Então assim, ele sabia com certeza que muitos ali sabiam de onde que ela vinha, que muitos ali foram até clientes dela. E eu não acho que isso causava vergonha nele, porque se causasse, ele não daria o precioso nome da família dele agora para uma ex-garota de programa, não faria festão de casamento.

E ele também não convidaria essas pessoas. Por que que ele vai convidar se ele tem vergonha, tá? Partindo desse pressuposto, porque se ele tem vergonha de que a mulher dele agora é uma ex-diretora de programa, ele nem chamaria essas pessoas. Mas além dele não ter vergonha, talvez para ele fosse até excitante de todo mundo ali tá vendo que ele está casando com uma menina de programa e ter vários clientes ali vendo e falando assim: aqui que vocês perderam, agora é vai fazer programa para mim, sabe?

Uma coisa assim nesse sentido, nessa vibe. Para mim, eles dividem esse filme em 3 blocos. Nesse segundo, eu ainda tava com, eu não sei se exatamente um incômodo, talvez, do Marcos, porque nada do que ele fez, nenhuma das interações que ele tem com ela, eu tava achando que espelhava o tal Marcos que eu tenho na minha memória de que era ruim, de que, nossa, ele era muito abusivo, ele era tão tóxico, ele era tão violento, que matar ele foi super merecido, morreu foi tarde.

Eu, eu, Gisele, você pode ter uma opinião completamente diferente de mim, tá tudo bem. Eu, até esse momento, já estamos no segundo bloco do filme, eu não tinha visto, ou não vi, não notei nada que me fizesse crer que esse homem que tá sendo interpretado aqui mereceu o que aconteceu com ele. Ele não fez nada grave ao ponto de, tá vendo, por isso que ele mereceu morrer do jeito que morreu. Aqui que ele tá fazendo, até aqui ainda não vi.

Aí ela começa, claro, desconfiar das viagens dele, dele próprio. Botou na cabeça que tava sendo traída, entra no computador dele, confirma que ele estava usando o mesmo site que ela esteve. Eles não aprofundam muito, mas deixam não dito que o Marcos tinha uma compulsão. E isso fica subentendido quando eles mostram na tela ali do computador um review de tipo um dia atrás, de 3 dias atrás, uma semana. Então tipo, o cara era nível diamante no site, então ele pagava muitas meninas.

Ele era viciado em sexo com trabalhadoras do sexo. E essa compulsão dele teve parte em tudo que aconteceu. E o nickname dele, gente, o nickname dele, vocês pesquisaram? Mas assim, aquilo ali em inglês significa comedor de puta. Tem como alguém ser mais claro, mais óbvio do que isso? Aí uma outra coisa que eu notei, que eu não sei se quem trabalha com análise semiótica vai ter esse mesmo olhar que eu tive, depois eu quero ver alguns reviews sobre esse filme.

Quando a Elisa está com Marcos tem muitas cenas em água ou com água envolvido, seja ela tomando banho ou ela dentro de piscina. Eu notei isso quando ela descobre o site e ela vai, acho que ela tá de roupa ou de pijama, alguma coisa assim, ela vai para piscina do hotel, que eles estão no hotel. E antes disso ela também estava em uma piscina quando a outra amiga dela lá, garota de programa, aparece como convidada desse melhor amigo que o Marcos tem, esse sem noção, esse estrangeiro.

Então quer dizer, quando ela tava numa situação desconfortável com esse homem, com medo deles estarem comentando sobre o passado dela, ela está dentro de uma piscina. E agora, quando ela descobre que ela tá sendo traída, ela vai para água mais uma vez. Não sei se há uma simbologia por trás disso, mas se você souber ou tiver um achismo sobre isso, você me conta. Em seguida, ela joga na cara dele que ela sabe de tudo, do site, de não sei o quê.

E eles vão andando e batendo boca pelo hall do hotel. E aí que é quando ela se dá conta de que ela tá grávida. Cena mais uma vez repetitiva. O Marcos é carinhoso, ele vai atrás dela, ele diz que ama, que vai cuidar dela. Tem um momento ali que ele fala sobre a questão do dinheiro, só que a reação da Elize não é ficar acuada, Não é ficar com medo. Meu Deus, que esse homem aumentou a voz para mim! Que geralmente, né, quando você tá numa relação— geralmente, tá, gente, geralmente, toda regra tem exceção— mas geralmente, quando você tá numa situação, num relacionamento muito abusivo, muito agressivo, que você tem medo dessa pessoa, a sua reação quando essa pessoa grita ou essa pessoa parece que vai ficar violenta, que vai te agredir, é você ficar acuada.

De você pedir desculpa. Ela não, ela revida, ela rebate, ela grita e ela sai por cima. Ela é firme com ele e ela é firme com ele na frente daquele monte de gente. Ela não tá nem aí porque ele tá falando, o que que ele vai xingar ela. Ele vai xingar ela, vai xingar de volta na frente de todo mundo, pessoal todo no hotel olhando. Aí tem uma conversa dela com a prima do Marcos sobre ela estar descon freada do chifre Sendo que ela já tinha descoberto, né?

E também do medo dela de ter um filho e de acabar se separando por conta do que aconteceu com ela, da mãe ter se separado e arrumado esse traste de homem que abusou dela. E eu fiquei muito curiosa para saber se ela realmente tinha, a Elize, né, de fato uma proximidade com alguém da família do Marcos, porque eu lembro do Ulisses em algum lugar Não vou me recordar qual, dizer que os pais do Marcos acho que foram, sei lá, uma ou duas vezes na casa deles durante todo o casamento.

E o Ulisses, eu lembro que ele fala que eles foram pouquíssimas, pouquíssimas vezes na casa do Marcos, isso que sais foram, né? Então era uma relação muito afastada. E ainda tem um fato de que, né, eles não falam sobre isso no filme, mas o Marcos robava dinheiro da própria empresa dos pais. Além dele ter um cargo na empresa de fachada, porque ele não trabalhava, ele roubava, ele desviava dinheiro da empresa. E aí, tanto nesse filme quanto em outras coisas que eu já vi sobre, que eu citei para vocês no começo desse episódio, eu sempre fico pensando, gente, como que é possível?

Essa mulher, essa mulher já passou por tanta coisa, já atendeu tanto homem, como que ela pode tão ingênua. E por quê, gente? Ela já tinha visto o site, né? Pegou ele lá acessando, fazendo review das mulheres. Então ela já tinha ciência de que o que aconteceu com ela estava sendo repetido, os mesmos comportamentos, as mesmas mentiras de quando ele era casado e se encontrava com ela. Aí ela fica chocada dele voltar de uma outra viagem, faz junto, colocou uma camisinha na carteira.

Eu fiquei, gente, jura que você ficou chocada? Por que que eu penso dessa forma? Ela tinha uma experiência com homens que a maioria das mulheres não tem. Ela ouvia esses homens, todos e muitos casados, e ela sabia das mentiras que eles contavam para as esposas na frente dela. Ele mentia, esses homens mentiam para as esposas na frente dela, assim como o Marcos atendeu lá no começo do filme. Vocês O Marcos atendeu o telefonema da esposa deitado na cama, e a Elisa ali de calcinha e sutiã em cima dele, olhando para a cara dele.

Então ela sabia como esses homens se comportavam, qual o modus operandi de todos eles. Então de onde será que ela tirou que ele, o Marcos, esse Marcos que ela conhecia, iria mudar tudo que ele era por conta dela? Se o cara casado E ele era casado com uma ex-funcionária da empresa, mas que na época trabalhava na empresa do pai dele, pai de uma filha que era uma criança pequena. Não sei exatamente se era bebê ainda, mas era bem pequenininha.

Então esse cara que era casado, pai de uma filha, ele gastava dinheiro da família dele. Vamos esquecer que ele roubava dinheiro da empresa dos pais, mas o dinheiro que era para ser com a família dele, que era esposa e a filha, ele tá arrastando com ela, tirou dinheiro da família para comprar carro para ela, correr atrás dela. Por que que na vez dela isso é diferente? Aí ela chega até a falar com ele durante uma discussão: ai, você prometeu que você ia mudar.

E tu foi ingênua nesse ponto? Porque assim, quantos clientes dela não devem ter contado ali durante um programa das promessas que eles faziam para essas esposas também. Então assim, ela tinha uma profissão que era uma escola, gente, era uma escola em captar homem mentiroso. E ela sabia que ele era viciado em sexo. Assim, você está com alguém que é compulsivo, se ele passou aquele tempo todo se encontrando com ela e com dezenas de outras, como que ele, sem ter nenhum tratamento, essa compulsão dele vai sumir?

Não vai. Então não era meio que esperado? Aí ela fica revoltada em ver a mensagem dele com uma outra menina, uma outra garota de programa, sobre ele tá ansioso para ela largar o site, de ser exclusiva dele. Mas aí eu fico, por que que ela ficou revoltada quando era ela nesse lugar de amante que ele quer ter exclusividade, tirando dinheiro da família para pagar ela, deixando de estar com a filha para fazer passeios e viagens com ela?

Dando o carro de presente para ela, aí tava certo, tava ótimo. A ex-mulher dele merecia isso? Ela pensava na filha dele que tava em casa querendo o pai, e o pai com ela na Itália, o pai dela em motel com ela? Porque eles eram casados, ok? Ele e a Elize eram casados. A partir do momento que você está num casamento, você tem que respeitar a pessoa. Ah, eu não quero mais, não tá dando certo, quero testar outras coisas, vamos separar, ok.

Tudo bem, concordo, ele tinha que respeitar ela porque ela é esposa dele. Mas eu não consigo não ter essa perspectiva de ver as coisas da seguinte maneira: por que que isso vale para o casamento agora? Por que que para Elize essa regra do respeito ao casamento vale para o casamento dela e dele, mas não valia para o casamento dele com aquela outra? Porque ele tá casado casado, ele era casado, e dá R$10 mil, R$30 mil por ela por mês para ser exclusivo, aí ela gostava, ela tava feliz da vida.

Mas aí ele fazer isso com uma outra garota de programa, mesma coisa, é inaceitável. Mas assim, ela teve pena da ex-mulher dele, porque assim como ela— eu quero me fazer bem clara, porque aqui eu não tô querendo dizer, culpá-la, não, mas vocês Quem tá aqui me acompanha muito tempo, você sabe que eu gosto de fazer ponderação nas coisas. Eu acho que a gente pode achar reprovável uma atitude e nem por isso a gente reprovar todas as atitudes da pessoa.

Ela não teve pena da ex-mulher do Marcos, que ela sabia quem era, que ela ouvia, que ela escutava ele falando sobre ela. Ela não teve pena. Então essa outra garota de programa também não tinha pena dela, porque aqui é cada um por si. Ela estava por ela, agora essa tá por ela também. E o Marcos, o Marcos não tinha pena de ninguém. O Marcos não teve pena da ex-mulher, não teve pena da primeira filha, não teve pena dela, não teve pena dessa filha, não teve pena.

Ele não tinha pena de ninguém. Agora é aquilo, o combinado não sai caro. Ele poderia ter combinado com ela: a gente vai casar, mas eu não vou mudar o meu estilo de vida, eu vou continuar fazendo o que eu faço, top. Ah, não no topo. Ah, então não vamos, né? Agora, se ele fala, olha, não, a gente vai casar, eu vou mudar, tudo vai ser diferente, eu não me sinto orgulhoso do que eu fiz com a minha primeira esposa, não vou fazer isso com você.

E aí ele quebra isso, aí sai caro, né? No caso dele saiu, né? Porque afinal de contas quem morreu foi ele. Na sequência, aí sim surge aquele Marcos que sempre se fala, ela não quer sexo. E aí ele xinga, ele joga dinheiro nela, e tem a famosa frase sobre quando ela era puta ela fazia, o que nem é muito verdade, né, gente? Vamos aqui falar a verdade. Quando as meninas lá estão trabalhando, elas escolhem o dia que elas vão trabalhar, elas escolhem quem elas vão atender.

Então assim, ele pegava garotas de sites, então meio que É uma afirmação meio nada a ver. Elas não fazem ponto na rua, ela não fazia ponto na rua, não tinha cafetão obrigando ela a trabalhar todo dia. Ele fala do carro importado, do dinheiro da babá, ele humilha ela, né, e joga aquela bomba, né, diz que tem medo de deixar a filha com ela, manda ela se tratar, que ela é louca. E homem sempre usa isso, né, qualquer coisa, qualquer discussão, quando são afrontados, a a primeira coisa que fala é: você é louca, você tá maluca, você é louca, você é doida.

É sempre a mesma coisa, gente, não muda. E aí ela vê um folder nas coisas dele, que é de uma clínica de saúde mental, com um orçamento de internação. Então isso aí eu acho que realmente aconteceu. Ele deve ter pensado mesmo em internar ela. Baseado no quê que iriam aceitar a internação dela, já não sei. Então aí o que que aconteceu? Juntou juntou a revolta da traição, de ser traída por uma garota também do job como ela foi, dele tá procurando lugar para interná-la, sobre— e ela vê o corpo dela, né, ela se olha no espelho, o corpo tá cheio de estrias da gestação, né, ela engordou.

Então acho que juntou tudo isso na mente dela e ela vai lá na boate, que às vezes ela ia atender cliente, que ela sabia que o Marco Xô cantava, e ela vai lá procurando pela tal mulher que ele tava trocando mensagem. Me questionei: todas as meninas desse site iam nessa boate, gente? Porque a mulher foi direto na boate. Como é que ela sabia que essa mulher ia estar lá? Não sabemos. Mas ela vai para boate e a mulher tá lá, e ela acha a tal da mulher, e ela finge que tá ali trabalhando, né?

A mulher já olha para ela: já, você trabalha aqui? E ela puxa conversa, e a mulher já sai contando tudo que a gente tá é um filme, tem uma hora e meia, tem que andar rápido, né? Não pode ficar também enrolando muito. E aí essa menina fala que ela tá com um cliente que é muito rico, que esse cara quer ficar com ela, que ele vai largar a esposa. A esposa é ela, ela só ouvindo. Tá rolando um papo de internar a mulher porque ela é doida.

Ela conta dos presentes que ele dá, de viagem, de restaurante japonês. Aí dói nela, dói nela. É aqui você vê pela primeira vez, quando ela fala do restaurante japonês. Porque você vê como é que as coisas são interligadas, né? Como é que o filme faz esses links para gente. Porque no vídeo que a gente vê lá no começo, na primeira, no primeiro bloco do filme, lá no conto de fadas, naqueles vídeos que eles gravam deles bonitinho, não sei o quê, tem ela no restaurante japonês com ele.

Aí aqui a mulher fala, conta, a gente vai nesse restaurante japonês e não sei o quê. Então tem esse restaurante japonês de novo. Então já faz esse link de que é um lugar que eles iam sempre juntos, porque chegaram até a gravar um videozinho, as coisas, tirar foto nesse lugar. Então isso dói nela. Ele tá levando essa nova garota de programa no mesmo lugar que ele levava ela. E a escolha aqui é a informação, a mulher dá essa informação, e a e manda o detetive particular lá caçar o Marcos.

E ele aparece tirando fotos e gravando já no restaurante. Acho que todo mundo já viu essas fotos dele na porta do restaurante com a amante. Então, para justificar o detetive particular tá lá nesse restaurante, eles colocam aqui na boca dela a informação aqui do restaurante japonês. Então ela tem essa comprovação em vídeo e foto, que é a história do último bloco do filme, que é o ano de 2012. Que é o Redemoinho. Havia, e talvez haja ainda, né, acredito que sim, uma linha de investigação desse caso que afirma que a Elize teve um cúmplice, que ela teve ajuda no esquartejamento do Marcos, em tirar o corpo do apartamento e tudo mais.

Não há margem nesse filme para que não se tenha certeza de que ela fez tudo sozinha. Ela coloca as malas com as partes dele no porta-malas do carro E ela sai sozinha. Então ela liga para babá para tentar ali criar um álibi, perguntando se o Marcos estava em casa. Quer dizer, ela saiu, deixou a criança lá com a babá. No rádio do carro tava marcando dia 20 de maio de 2012, 8:04 da noite. Dia 20 de maio de fato foi o dia em que ela saiu de casa para poder dispensar os pedaços do japonês marido dela, que ela tinha acabado de E aí novamente ela conversa com a babá.

Tem diversos momentos que elas trocam mensagem, a babá manda mensagem, a babá liga. Tem muitos momentos durante toda essa sequência dela dentro do carro. E aí a babá fala, olha, a criança tá com febre, a febre não abaixa de jeito nenhum. A Elize, que não sabemos, apesar de que sabemos, né, porque a gente conhece a história, mas aqui no filme eles não dizem para onde ela tava indo. Mas meio que aparece ela, parece que é um retorno, que aí no caso seria ela voltando para São Paulo, né?

Porque ela diz que tô indo para aí, então tá indo para casa, para São Paulo. E aí ela parada pela polícia, ela tá com licenciamento vencido, e o policial fala para ela avisar ao marido para pagar. Marido ex que tá picotado, né? Vamos esquecer que tá picotado no porta-malas. Então meio que esse marido dela não conseguir pagar nada, né, porque ele está em pedaços. E a Elize, ela ainda tinha um problema, que é o corpo do dito cujo, né.

Então ela andou, né, correu ali de carro aparentemente o dia inteiro, né, porque já era 8 horas da noite. Foi parada pela polícia, as malas com o Marcos ainda estavam com ela. Então qual era a solução? Ela não tinha como voltar para casa com o corpo do marido. Então a solução mais talvez É óbvio, né? Foi parar em uma estrada de terra, em um lugar meio ermo. E aí acontece o quê? Chove mais uma vez. Esse recurso da água é algo que acontece meio que em vários filmes, né?

Tem que ter uma chuva para aumentar a dramaticidade. Não tava chovendo antes, umas cenas antes não tava chovendo. Acho que agora que tem uma cena que parece que ela tá numa estrada que é meio alto assim, descendo uma serra, meio que você vê São Paulo, que eu acredito que seja São Paulo, Mas é uma cidade assim toda do alto, toda iluminada. A gente não tá caindo uma gota, não tem uma. Quando ela vai deixar os sacos de lixo lá, a mala, o corpo e tal, pronto, cai uma chuva torrencial.

Assim, eu sou do Rio, quando não acontece esse tipo de coisa aqui, dá um sol, do nada cai uma chuva torrencial. Máximo que acontece é uma chuvinha de verão, é coisa que passou, caiu, acabou, dura sacos. Não sei se é porque eu sou do Rio, achei estranho. Vai que em São Paulo o clima seja meio maluco assim, porque eu achei bizarro. Aí ela para, deixa um saco, deixou um saco, tirou da mala, jogou o saco no meio do mato, voltou com a mala para o carro, continuou a estrada, para novamente, deixa outros dois.

Agora não lembro se nessa parada ela deixa as malas ou se ela deixa só os sacos, não me lembro. E por último, mas nada menos importante, ela deixa a cabeça dele. E aí tem esse momento meio shakespeariano, ela com um saco contendo a cabeça dele, e ela embaixo daquela chuva, aquele momento super dramático, ela encarando aquela cabeça. Então é muito assim, falei, caramba, que coisa shakespeariana, né? Porque é muito Hamlet, né? Porque tem uma cena que não é aquela do ser, eu não sei se é questão, mas uma outra cena em Hamlet que ele tá ali conversando com o crânio.

Agora não lembro o nome do que seria esse crânio, né, mas existe uma cena que é bem famosa e ele tá ali divagando com aquele crânio. Então uma coisa muito assim, sabe? Com certeza tem uma simbologia por trás disso. Ela não tá de frente encarando a cabeça do marido somente, ela tá ali de frente olhando na verdade para o futuro dela, também para o passado, né? Aquela pessoa era o passado dela e agora o futuro, porque ela matou ele.

Então o rosto, a cabeça ali, ela é a personificação do que foi aquela pessoa, porque agora não é mais um ser humano, né? Só uma cabeça separada do que foi um dia uma pessoa, né? Então tem toda uma simbologia aqui por trás que eu acho muito interessante eles terem gravado isso, sabe? Essa cena dela pegando, aliás, muito bem feita a cabeça, muitíssimo eu vi trabalho maravilhoso da produção, maravilhoso da equipe de maquiagem que preparou essa prótese da cabeça.

Parece muito bem feita, achei maravilhosa. Mas a empresa deles, né, que é a famosíssima Ioc, tava sendo vendida. Então o cara sumiu. Qual é a primeira coisa óbvia para a gente imaginar quando some uma pessoa rica? Quando um rico some, só pode ser sequestro, né? Quando um pobre some, é fuga. Ah, fugiram. Mas quando o rico some, é sequestro. O que que acontece no sequestro? Qual o propósito do sequestro? É financeiro. Então ninguém vai sequestrar outra pessoa e não vai pedir um resgate.

Então já tava estranho, porque, pô, ele foi sequestrado, com certeza. A empresa tá sendo vendida, são bilhões envolvidos. Ele é filho, diretor da empresa. Não sei se era diretor o cargo dele, mas alguma coisa assim. Mas de qualquer forma, ele filha dos donos, né, de um dos donos, vou me recordar agora. Ele só pode ter sido sequestrado, saiu para trabalhar normal e não apareceu até agora, foi sequestrado. Mas cadê? Porque alguém entrou em contato, pediu resgate.

Então tava um sequestro estranho. E acreditando que pudesse esconder o que aconteceu, não sei, é aquilo de novo, né, ingenuidade. A Elise queima roupas, ela quebra o celular dele, ela limpa a arma que ela usou, joga as malas fora. Novamente ingênua. E ela se une à família dele, ela se coloca nessa posição da esposa devastada, acabada, destruída. Ela consola a mãe, ela consola o irmão, ela chora, ela é consolada pela família. E é uma sequência muito triste, gente, porque ela sabia que, por exemplo, Marcos roubava da família.

Então ela vê aquelas pessoas sofrendo, que é inevitável, gente, olha só. Por pior que ele fosse. Não para família, porque eu nem sei se eles sabiam até esse momento que ele tava roubando a empresa, não sei. Mas ele era uma pessoa ruim. A Elisa, os advogados dela dizem que ele era um homem horrível, mas ele era um homem horrível para ela, o que não quer dizer que ele fosse para família dele um homem horrível, que ele tratasse família mal, não sei o quê.

Já, eu já vi coisas falando que o pai dele Sabia assim que ele tinha esse negócio de compulsão, que ele não sei o quê, e que os pais preferiam o outro irmão, que era um irmão mais responsável, blá blá blá. Mas é filho, sendo pai e mãe, então, né, como que você não vai sofrer por conta de um filho? E mesmo sabendo e vendo aquele desespero, aquela agonia, ela fica ali do lado deles como se ela tivesse preocupada, como se ela tivesse esperançosa de que os sequestradores iriam fazer contato.

Não tinha sequestrador nenhum, ela sabia que ele tava morto. E ela ficou dias ali nutrindo aquela história, deixando com que as pessoas acalentassem ela, que as pessoas sofressem com ela. Eu acho muito sádico, gente, de verdade. Vocês me perdoem, mas eu acho sádico. Ah, mas se fosse ele, se fosse ele que tivesse matado ela e fizesse a mesma coisa, também sadismo. Tudo começa a desmoronar quando sai a notícia de que em Cacoalha do Alto, na região de Cotia, acharam uma perna.

O Marcos estava ali, entre aspas, desaparecido há 9 dias. Daí acham a cabeça. Eles dizem que confirmaram que as partes do corpo foram ou seriam identificadas como sendo do Marcos, 16 dias depois da morte dele. Pelo que eu lembro, foi mais ou menos esse tempo mesmo, 14 dias, 15, mas foi mais ou menos isso aí, umas anos. Então, com a confirmação, a polícia vai na casa dela. Minha memória, que não é lá essas coisas, mas eu anotei: a polícia entra avisando, né, equipe ali policial entra avisando que eles estão lá para pegar algumas coisas do Marcos.

Só que corta para o perito já passando luminol no chão, outra policial vasculhando armário achando rolo dos sacos de Listerine. Achei que ficou um pouco mal feito, porque o delegado entra, não apresenta nenhum papel para ela, ele só entra. Posso estar errada, tá, gente, que eu não me recordo de ver ele apresentando papel nenhum. Ele só entra, abre a porta, ele fala: a gente veio pegar algumas coisas do Marcos. Aí do nada eles estão fazendo uma perícia no apartamento.

Aí ela se senta com o delegado, acho que era a cozinha do apartamento, em algum lugar no apartamento mesmo, o que de fato não aconteceu. Porque ela, essa história toda, tudo que ela vai contar aqui, isso foi feito na delegacia, salvo engano. Eu lembro que o Salada fala isso. Então ela senta com o delegado, já tem até uma advogada sentada do lado dela, e a Elize já se refere a si mesma como viúva. Só que o delegado falou, olha, a gente ainda não confirmou que é o Marcos porque a gente precisa do resultado DNA.

Mas ela já afirma que o estado civil dela é viúva, mas ela tem certeza que é ele. Claro que ela tem certeza que é ele, porque foi ela que matou e ela que jogou o corpo, tá óbvio que ela tem certeza. Até ali eles não estavam sabendo que ela que tinha matado. E aí ela é confrontada com vídeo do elevador em que ele chuta o elevador enquanto desce, e aí ele volta com a pizza e nunca mais ele é visto saindo do apartamento. Ela se vê meio cercada, meio que confessa, porque o delegado ele clica no gatilho que ela tem com a filha, citando: ai, você quer ficar longe com a sua filha, você quer não sei o quê com a sua filha, exatamente como o Marcos fez.

Você vai perder sua filha, tenho medo de você com a sua filha e tudo mais. E aí quando ele fala isso, ela reage, né? O Marcos falava a mesma coisa, ele também disse isso para mim. Então ela meio que confessa. No dia que ela mata o Marcos, né, eles vão agora voltar, porque até agora no momento no filme eles dela já tendo matado ele até o momento que ela confessa. Então eles voltam ao dia que ela mata o Marcos, que ela tava no Paraná com a tia.

Ela procurou uma advogada em São Paulo para saber dos direitos dela em caso de divórcio, da questão da guarda da filha. A tia aconselha ela não se divorciar, a lutar para manter o casamento. Quer dizer, ela estava realmente pensando em se separar. A advogada liga e ela teve mesmo esse contato, tá, com uma advogada especializada em divórcio E a tal advogada conversa com a Elize sobre a enorme chance que o Marcos tinha de ficar com a guarda.

Eu não estudei o caso, não li nada relacionado, não li processo, não sei exatamente com profundidade. Então eu não tenho muita certeza de que a advogada deu esse balde de água fria nela. Por quê? Porque assim, gente, eu já lidei com, já precisei lidar com situações de disputa de pensão e visitação em que envolvia também uma pessoa relacionada a esse tipo de trabalho. Com sexo. Gente, assim, eu nunca vi, ou ainda não vi, isso exclusivamente ser causa de uma mãe perder guarda de filho.

Também leve em consideração de que o Marcos não ficou nem com a primeira filha, então por que que ele ia querer ficar com a filha dela? Posso estar completamente errada porque eu não sou advogada, mas só por ter sido uma garota de programa, só isso, eu ainda não vi juiz tirar guarda de criança por conta disso. Só isso não desabona ela como mãe. Então não sei por que que uma advogada tão boa, porque foi uma advogada até muito boa, conceituada e tudo na época que ela consultou, por que que ela ia dizer isso?

Porque ela praticamente falou assim: amor, desiste, você não vai conseguir, ele é rico, a família dele é rica, você não vai ficar com a guarda. Porque sabe como é que a gente famosa, você sabe como é que a gente grande, né, a gente com dinheiro, gente rica, conseguem tudo que eles querem, você nem entra na justiça porque você vai perder. Gente, que conselho de advogada é esse? Dessa vez ela tinha ido para o Paraná de avião Nas outras vezes em que ela faz essa viagem no filme, acho que a primeira vez ela foi de carro, no carro que ele deu para ela de presente.

E nas outras vezes me parece que ela também foi de carro, mas nessa ida ela foi com a filha, com a babá. E aí ela foi de avião e o Marcos pega todas elas no aeroporto. A babá vai embora, ela até se oferece para dormir, a Elize não aceita. E aí aquilo, não aceita, mas por que que ela não aceita? Porque ela já sabia que ela ia matar o Marcos, ou porque ela sabia que ia rolar uma vinda até de uma briga por conta do detetive. E aí não queria que a babá tivesse lá vendo.

O Marcos pediu uma pizza, então ali já tá uma tensão entre os dois. E é nessa circunstância que ele desce o elevador chutando, já irritado. Até ali ele não apareceu ameaçando ela, não apareceu gritando, não apareceu xingando, não pegou em arma, o que eu estranhei. Eu fiquei esperando uma reação bem mais explosiva dele, não aconteceu. Nesse período entre ele descer e subir, né, nesse gap de tempo, ela coloca na televisão o vídeo dele com a amante saindo do restaurante japonês.

E aí a briga entre os dois só escalona, porque agora ele estoura. Agora sim ela berra que pagou um detetive para seguir ele com dinheiro dele. Então assim, começa uma discussão, é berro, é grito, é tiro. Definitivamente novamente é tiro, é porrada, é bomba. Ela também fala que foi ela quem arranhou o carro da amante, que ele tinha levado ela no nosso restaurante— ela chama de nosso— em lugar que ela conhecia. Ela conhecia até os caras que estacionavam os carros.

Todo esse discurso dela é muito sobre orgulho ferido, mais do que amor. Ela não grita que ele traiu o casamento deles, que ele não amava mais ela, que ele traiu a confiança dela, que ele traiu a família dele. Não, ela grita que ele levou a mulher no restaurante deles, o restaurante que ela conhecia todo mundo, que do carro, não sei o quê, você entende? E aí ele dá um tapão nela, menina, ele dá um tapão nela que chegou doeu em mim.

E aí ela vocifera que ele é um incompetente, que ele é um fraco, que ele é um frouxo. Ela humilha ele com coisas que parece, aparentemente, eram também gatilhos para ele. Porque quando a gente tá brigando, quando a gente tá discutindo, a gente não fala coisas que a pessoa ama, a gente não fala de coisas fofas, coisas legais. Não, sempre que a gente tá numa briga, que as pessoas brigam, elas partem para falar coisas que ferem, ela parte para falar coisas que elas sabem que machuca.

Que elas sabem que magoa. Então o que que ela vai falar para ele? Que ele é um incompetente, que a família dele é isso, que na empresa é isso, que ele não serve para nada. Porque devia ser a forma que ele se via dentro daquela família. E isso é baseado em fatos, isso realmente acontecia. Os pais preferiam, já comentei, o irmão mais velho. Ele era preterido dentro da família. Para que ele fique magoado, para que ele fique humilhado, ela joga isso na cara dele.

E aí ele rebate: ah, você tá me humilhando com coisas que me tocam, eu vou te humilhar de volta. E ele fala do padrasto dela: ah, ele tinha razão quando falava que você era uma puta desde criança. Aí foi estupim, ela já tava com arma, ela pegou, pum, bem do lado da cabeça dele ela dá um tiro certeiro. E essa aqui, isso tudo aqui, essa cena toda que acontece é a versão da Elise de como tudo que aconteceu. Porque se bem me lembro, a versão da perícia é que ela atirou assim que ele abriu a porta com a pizza.

Ele não teve tempo de bater boca com ela, ele não teve tempo de falar com ela, não teve tempo de nada. Pela posição em que foi encontrado vestígios de sangue, pela posição do tiro que ele tomou, por tudo, a versão da perícia é de que ela atirou nele assim que ele entrou dentro de casa, abriu a porta botou o pé, ela atirou. Aí ela pega o telefone, liga para o 90, aí ela desliga. Agora não sei se eles queriam que a gente achasse que ela desligou o telefone porque ela achou que ele ainda estava vivo, porque ela baixa para conferir o pulso dele, né, aqui na região do pescoço.

Só que quando ela se certifica de que ele tá morto, ela para, ela acende um cigarro, ela senta na frente da televisão, e agora ela assiste os vídeos antigos deles, que é abertura do filme. A sequência do esquartejamento, não me entendam mal, eu sei que vocês não vão me entender, eu achei excelente. Ela não é visual, a gente não vê ela cortando mesmo de fato os músculos, o osso, nada disso. Mas ao mesmo tempo a gente sabe o que ela tá fazendo, porque tem o sangue, tem ali o esforço físico dela.

Ela passa, gente, ela passando o dedo no joelho dele para ver essa partezinha aqui que afunda, que é mais molinha, para cortar cortar, porque é aqui que fica a cartilagem, né, que junta uma parte da perna com a outra. Dá para ouvir o barulho que simula ossos quebrando. A gente vê um pouco de pele, a posição da parte que ela tá cortando a faca. Eu achei muito bem coreografado, muito bem gravado. E a última coisa que ela separa é a cabeça.

E isso aqui também é muito simbólico, porque geralmente o assassino primeiro ele, quando ele conhece a vítima, o que ele faz é decapitar. Ele não suporta a visão dos olhos da pessoa, o rosto da pessoa. Então a primeira coisa que ele faz é tirar a cabeça e botar para longe. Mas a Elise não, ela não ficou incomodada em momento algum de cortar as pernas, de cortar o tronco, de cortar os dois braços com a cabeça do cara ali. Aí a neném chora bastante, a babá, que a babá tá na casa, né, a babá bate na porta.

A gente vê, né, babá chegando, entrando, ficando com a bebê e tal. Então a babá bate na porta, ela tá toda ensanguentada, dá um jeito de tirar a babá de casa e vai amamentar. E é uma visão muito grotesca. No filme é grotesco, e você imaginar a cena na sua cabeça também, porque é uma cena muito fria, ao mesmo tempo que é prática. Ela precisa amamentar a bebê, ela foi lá e foi amamentar. Mesmo com sangue do pai da criança no corpo dela inteiro.

Então é de uma praticidade que a gente fica meio chocada, né? E aí o fim do filme é ela saindo presa do apartamento, a imprensa inteira na rua, e aí depois ela sentada no que eu imagino que é Airbnb, escrevendo a carta para filha. A Elisa, ela foi condenada a uns 16 anos de prisão, e desde 2022, ela tá em liberdade condicional. Já rolou dança motorista de aplicativo, foto dela comendo em japonês, assim, muita coisa, muita notícia já saiu sobre ela desde que ela tá em liberdade condicional.

Eu achei o filme bom, eu gostei do filme, achei que poderia ter mais tempo até para desenvolver mais, acho que principalmente essa relação desses dois. Mas eu entendo que o propósito do filme não é falar sobre sobre o crime não é também falar sobre o Marcos. O propósito do filme é falar sobre a Elize, por isso que é o nome dela no filme. No nome do filme não é O Caso Matsunaga, o nome do filme é Elize, assim como o nome do documentário também é Elize.

Então tudo é sobre ela. E por isso também que eu faço essa ressalva da gente tentar ver essas obras, tanto documentário quanto filme, como sendo visões do que a Elize diz que aconteceu, das coisas, de como ela retrata a vida dela, de como ela entende que foi a vida dela, os traumas dela, as sombras dela. Então a gente precisa ter esse senso crítico de assistir primeiro entendendo que é uma obra de ficção, e segundo a gente entendendo que a gente só está vendo aqui uma parte de toda essa história, que é a parte dela.

É que nem quando um homem mata uma mulher E aí ele senta lá para dar um interrogatório e ele fala assim: ai, eu matei, mas é porque minha mulher me traiu. E aí as pessoas compram essa história. Nossa, ele tem razão, ela traiu ele. Não, ela traiu, ela merece ter morrido, tá? Mas você só está vendo a parte que ele tá contando, você está vendo a história dele, se a versão dele do que aconteceu. Aposto que se ela contar a história, vai ser uma história completamente diferente.

Talvez o Marcos tivesse sobrevivido, ele talvez tivesse contando uma história diferente. Ah, isso quer dizer que ela está erradíssima, Gisele. Você está querendo dizer que a gente tem que botar a culpa nela e dizer que ela tá errada? Gente, primeiro que assim, matar qualquer pessoa tá errado, né? Vamos dizer, vamos combinar que matar tá errado. Partindo desse princípio de que matar é errado, é óbvio que eu acho que ela tá errada, que ela matou uma pessoa.

Acho que ela tá errada porque ele era um desgraçado compulsivo, tratava ela mal, Claro que não, né, gente? Porque assim como o fato dessa garota de programa, ouvindo onde ela veio, não dá a ele, não é ninguém o direito de humilhar, tratar mal, nada. Também não dá o direito dela ter matado e esquartejado o corpo, que é o que mais me pega. O esquartejar o corpo, apesar de, perdão, juridicamente não ser nada grave, mas complicado, né, gente?

Você matar e ter essa frieza de esquartejar, botar, jogar fora e conviver durante 15 dias com aquilo como se não tivesse feito nada. É muito complicado também. A gente tem que pensar nessa frieza, né? Pessoas falam muito assim: se fosse um homem que tivesse feito isso, é, gente, mas foi uma mulher. Caso da Elize, eu não tenho uma opinião exatamente formada sobre ela, sobre o caso em si, porque eu precisaria estudar o caso para poder ter uma opinião sobre Então nem é certo homem sair matando mulher por conta desses motivos, nem mulher também sair matando por causa desses motivos.

Gente, existe o dispositivo legal de divórcio por conta disso, para evitar esse tipo de situação. Mas eu também consigo entender de todos os gatilhos que ela tinha, que na hora ali da raiva— porque eu não acredito que esse crime tenha sido premeditado. Acho que ela não veio do Paraná pensando: nossa, eu vou chegar lá e vou dar um tiro na cabeça do crime. Meu marido não acha que foi assim. Eu acho que realmente foi um crime de situação, na hora aconteceu.

Ao mesmo tempo, o que ela fez depois daquilo, aí ela planejou. Mas é isso, gente. Eu um dia eu vou fazer esse caso, quando não sei, mas eu penso algum dia trazer esse caso para o podcast. Eu gosto de falar de casos não tão famosos, né? Então assim, não sei, não sei quando será. Eu tinha muita vontade de conseguir o processo dela para assim, ou fale sobre. Mas vamos ver, né? Essa temporada com certeza não será, que eu já tenho todos os casos.

Mas mais para frente, né, quem sabe, se eu conseguir o processo, ler tudinho direitinho, eu faço. Porque é um caso bem interessante, né? E ainda mais numa situação que a gente tá agora historicamente, né? Nós estamos no período histórico em que a gente tá vendo muita mulher sendo mortas. Então eu falei para vocês no começo, né, que eu leio muitos comentários de antes ser Elize do que ser Elisa, numa alusão ao caso da Elisa Matsunaga e da Elisa Samúdio.

Então eu acho que nós estamos no período histórico, no momento histórico, dentro de um contexto histórico em que tantas mulheres estão sendo assassinadas, que virar Elize para algumas mulheres é uma opção. É um tema que é interessante da gente discutir. Então é isso, por hoje. Eu espero que vocês tenham gostado. Vocês me contam se vocês já assistiram esse filme, o que que vocês acharam desse filme. Esse foi o primeiro que eu não abri comentário da Netflix, alguma coisa, e as pessoas não estavam arrebentando de crítica.

Ai, por que que você está dando, tá dando voz para criminoso? Por que que vocês estão fazendo isso? Família vai reviver esta dor, essa criança. Não vi ninguém comentando sobre, é só comentários elogiando eles e dizendo que faria Então achei também é uma coisa muito curiosa, porque o pior que o Marcos seja, ele tinha uma família, né, gente? Vamos combinar que a família tem que ficar revisitando isso também, deve ser horrível, né?

E a história não morre, né, que acaba chegando na filha deles. A gente nem sabe o que que essa menina tem de conhecimento desse caso, o que que foi dito para ela, como é que ela vive hoje, né? Mas eu não vi ninguém questionando isso. Poxa, gente, vocês vão reviver essa história? Essa menina já sofreu tanto, essa criança. Ah, esses pais, por que que vão reviver essa história, retratar esse homem de novo? Eles querem esquecer disso.

Mas é isso, gente, nos vemos já já no próximo episódio do Sob Investigação. Beijos!

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