Episódios de Entre no Clima

167 | Empregos Verdes: Indústria de baixo carbono transforma carreiras em setores tradicionais

02 de junho de 202648min
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Neste episódio da série de podcasts “Empregos Verdes”, especialistas discutem como descarbonização está redesenhando funções no setor industrial, em áreas como cimento, aço e manufatura. O setor responde por mais de 25% do PIB nacional e gera cerca de 11 milhões de empregos formais no país.Conheça os convidados

Álvaro Lorenz é diretor global de Sustentabilidade, Relações Institucionais, Desenvolvimento de Produto e Engenharia da Votorantim CimentosDavi Bomtempo é superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), trabalha há quase duas décadas em temas relacionados à agenda ambiental e industrial.

Participantes neste episódio3
N

Nayara Bertão

HostJornalista
Á

Álvaro Lorenz

ConvidadoDiretor global de Sustentabilidade, Relações Institucionais, Desenvolvimento de Produto e Engenharia
D

Davi Bomtempo

ConvidadoSuperintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI
Assuntos6
  • Criação de empregosDescarbonização industrial · Novas carreiras e habilidades · Setores de baixo carbono · Indústria 4.0 · Economia circular
  • Politicas PublicasMercado de carbono · Combustível do futuro · Bioinsumos · Transição energética · Regulamentação internacional
  • Carreiras manuais qualificadasDemanda por profissionais qualificados · Educação básica e técnica · Financiamento para qualificação · Green skills and jobs · Atualização profissional
  • Liderança de Engenharia na Era da IAVotorantim Cimentos · Roadmap de redução de emissões · Uso de caroço de açaí · Produção de cimento de baixa pegada de carbono · Parque eólico operado por mulheres
  • Tecnologia e InovacaoInteligência artificial · Captura de carbono · Energia renovável · Tecnologias de descarbonização · Biodiversidade
  • Comunicação e consumidoresConsciência do consumidor · Comunicação de sustentabilidade · Pegada de carbono de produtos · Economia circular e o consumidor · Transição justa
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Esse episódio faz parte de Um Só Planeta, maior movimento editorial brasileiro para promover práticas sustentáveis. Acesse, informe-se, atue. Não existe Planeta B.

Setores como aço, cimento, papel e celulose, indústria química e até indústria de alimentos sempre foram vistos como setores em que dava para fazer mais em termos de descarbonização. Alguns deles, inclusive, são ainda mais difíceis de você diminuir as emissões, como, por exemplo, de aço e cimento.

E a gente está falando de indústria, indústrias intensivas em consumo de energia, em muitos casos, inclusive indústrias de infraestrutura pesada, cadeia complexa, é um setor super relevante dentro da agenda climática.

que tem passado por uma pressão, seja ela de riscos climáticos, regulatório, inclusive do mercado de carbono, a gente pode até falar um pouco mais dele depois, mas tem muita coisa acontecendo para a descarbonização industrial andar no Brasil e no mundo. E a gente está falando não só sobre competitividade, mas também sobre a vivência de muitas das empresas.

E dentro disso tudo, quais os profissionais que estão sendo mais demandados por essas empresas? São engenheiros? São especialistas em dados? São gestores para avaliar riscos climáticos? Áreas financeiras que já integram metas ambientais? Ou um pouco de tudo? Então, nesse episódio, a gente vai falar um pouco sobre empregos verdes na indústria. A indústria que precisa olhar, e já vem olhando, claro, para a descarbonização.

para essa agenda ambiental em especial para reduzir emissões. E para falar sobre isso, eu, Nayara Bertão, jornalista, editora de Um Só Planeta, estou com duas pessoas que são muito especialistas nesse assunto, vão trazer visões pessoais, mas também setoriais, de como está acontecendo essa revolução de empregos na indústria.

Eu estou aqui com o Álvaro Lorenz, diretor global de Sustentabilidade e Relações Institucionais, Desenvolvimento de Produto e Engenharia da Votorantim Cimentos. Seja bem-vindo, Álvaro. Obrigado, Nayara. Prazer estar com vocês.

e com o Davi Bontempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, onde atua desde 2005, ele foi assessor da Diretoria de Relações Institucionais, trata de assuntos relacionados, vamos abrir aqui a lista, né, legislativo, executivo, relações trabalhistas, infraestrutura e meio ambiente, e sustentabilidade, então assim, um repertório bem amplo, vai poder dar visões aí amplas também.

e é economista com especialização em administração pública pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. Seja bem-vindo, Davi. Obrigado, Nayara. Sempre um prazer reencontrá-la. Da mesma forma, ao Álvaro, ao programa. Com certeza, espero poder contribuir à altura num tema que, à medida que o tempo vai passando, ele vai sendo cada vez mais discutido. E, com certeza, o nosso bate-papo vai adicionar bastante.

aí ingredientes para que a gente possa sair daqui com a formação mais estruturada do assunto de empregos verdes, de green skills and jobs, um tema que não é só nacional, mas também principalmente sendo muito debatido no contexto internacional hoje em dia. Com certeza. E para a gente começar, acho que é legal vocês contarem um pouquinho mais da atuação de vocês.

dentro dessa área e também falar um pouco desses desafios que a indústria, que cada um acho que tem visões aí, mas quais os desafios que a indústria tem enfrentado olhando para essa descarbonização que, em alguma instância, vão levar a necessidades de capacidades, habilidades ou até carreiras novas. Álvaro, quer começar?

A pergunta é bastante ampla e abrangente, mas quando a gente para para pensar um pouco nessa temática de sustentabilidade, mudanças climáticas, eu gosto de falar de que a gente está saindo de uma estrutura que talvez no passado fosse matricial com o departamento de sustentabilidade, onde nem se falava de ESG, para uma temática que cada vez mais começa a trabalhar transversalmente dentro das empresas.

Então, acho que o primeiro ponto é que essa temática de mudanças climáticas e sustentabilidade, na verdade, abre muitas oportunidades. Como a gente está falando aqui de empregos, de perspectivas, eu acho que o mundo claramente está num processo de transformação, um processo de descoberta, tem muitas perguntas que a gente não tem as respostas, e para isso a gente precisa de pessoas que nos ajudem a ter esse pensamento um pouco mais sistêmico. Então, acho que a primeira parte, Nayara, é que a gente sai...

de uma temática essencialmente, geralmente técnica, uma temática que passa a ser cada vez mais estratégica, e aí o perfil das pessoas que a gente precisa dentro desse setor, ele se amplia muito mais. Então, a gente tem que contar com as áreas financeiras, com as áreas jurídicas, com áreas que talvez no passado não existissem dentro das empresas, como a questão de mercado de carbono, precificação, tecnologia, talvez a gente possa falar um pouquinho, tem muita coisa de tecnologia que está vindo pela frente.

Muita coisa que ainda não tem, inclusive, no Brasil, mas acho que, na verdade, para mim, se a gente tivesse que resumir um pouquinho, acho que abre muitas oportunidades e a gente tem que ter um foco cada vez maior em processo, como que a gente vai sendo cada vez mais eficiente, por isso que envolve a empresa como um todo e trabalhar muito no conceito de eficiência e economia circular.

que talvez seja um conceito talvez novo para algumas pessoas, mas como é que a gente reaproveita mais recursos, então é o que para mim pode ser uma matéria-prima, para o outro pode ser um insumo, e aí a gente vai capacitando e evoluindo cada vez mais. Então para mim é um pouco essa característica de setor, os desafios, e sempre pensar em ações de médio.

curto e longo prazo, porque não existe uma bala de prata, não existe uma solução, a gente está em discussão no Brasil na implementação do mercado de carbono, então tem muitas perguntas que a gente ainda precisa fazer, mas é um processo que está em constante evolução e evolução, e a gente está aí tentando agregar nessa agenda.

Davi? Queria até começar com um ponto super positivo da agenda de descarbonização. Se eu fosse perguntado qual política pública hoje tem um andamento mais estruturado, eu diria que seria a agenda de descarbonização.

Claro que a gente tem várias barreiras, tem vários pontos que a gente precisa desenvolver para que a gente alcance o quanto antes esse desenvolvimento desse item, mas se fala muito de políticas públicas. Então, hoje, se a gente for avaliar, acho que o Brasil...

encaminhou nos últimos três, quatro anos uma série de políticas públicas para que pudesse pavimentar o caminho e para que o empresário passasse a ter mais confiança e, dessa forma, a quantidade de investimentos em alguns empreendimentos fosse cada vez mais atrativa. Então, isso a gente percebe ao longo do tempo, a CNI acompanha.

um número bem expressivo de projetos de lei, de atos normativos, e também dentro do judiciário, mas o que a gente percebe é que esse é um movimento intenso. Para dar alguns exemplos aqui, a gente teve como o Álvaro...

citou em termos temáticos o mercado de carbono, que foi aprovado, tivemos o combustível do futuro com seis grandes itens, falando de biocombustíveis, falando de SAF, falando de mistura do etanol na gasolina, tivemos os bioinsumos, tivemos um plano de aceleração de transição energética, enfim, a gente teve um arcabouço bastante intenso.

de proposições que foram aprovadas e agora, como a gente estava conversando anteriormente, a gente entra na esteira da regulamentação, um trabalho mais duro, um trabalho mais complexo, um trabalho que precisa de sensibilidade, de harmonia com o setor industrial, porque no final das contas é o Álvaro que vai saber.

a quantidade de redução que ele é capaz de fazer sem perder competitividade, porque não adianta a gente desenvolver e implementar uma política pública que vai prejudicar o empresário, que você vai causar outros problemas, como destruição de emprego, de renda, de desenvolvimento. Então, a ideia é que sim, é uma agenda estratégica, agenda de descarbonização.

É uma agenda de competitividade, dessa forma, é por isso que todos os setores que você citou, principalmente aqueles enero intensivos, estão sempre imbuídos de trabalhar toda essa agenda de forma mais eficiente possível. Eu conheço o setor do cimento em grandes linhas e eu posso falar que é um dos setores que está mais bem posicionado, mais bem estruturado.

em termos de roadmap, em termos de estratégia de redução, não só a nível nacional, mas também com toda a rede conectada internacional que tem um propósito comum, tem um objetivo comum. Então, com certeza, se você for avaliar o setor do cimento no Brasil, ele é muito mais competitivo em termos de sustentabilidade.

que outros países até mais desenvolvidos. Então, feito esse pequeno parêntese, é importante a gente olhar também para a parte de empregos, de formação e qualificação profissional. Lembro eu que, algum tempo atrás, a gente teve um apagão de engenharia. Isso, com certeza, prejudicou bastante.

a competitividade e produtividade do nosso país. E muitas das vezes, quando a gente começa a implementar essa agenda da descarbonização, principalmente olhando para a parte de transição energética, a gente percebe a necessidade de você casar oferta e demanda, mas por meio de um trabalho prospectivo. Até porque você precisa conectar essas duas variáveis, principalmente entendendo qual vai ser a profissão do futuro mais demandada.

para que você possa, num segundo momento, casar com a oferta curricular e trabalhar para você conectar todos esses pontos no futuro. Esse é um trabalho racional, um trabalho que vai ser um diferencial em relação à competitividade entre setores, entre empresas, entre países, mas o que é a chave é a gente entender que hoje o jovem procura por duas palavras quando vai atrás de um emprego.

a renda, claro, mas também o propósito. Daí que a agenda de sustentabilidade e de inovação ela entra com bastante atratividade. Até porque a gente fala de pessoas, a gente sabe que a agenda de digitalização, de eletrificação está correndo bastante, mas...

eu entendo que ainda a parte de desenvolvimento de pessoas para conectar com esse futuro ainda está muito aquém do que a gente precisa e com certeza a gente precisa lançar a mão de um plano de ação para que a gente possa equalizar essa necessidade e ter aqui a nossa mão, uma mão de obra qualificada e disponível. Só vou pedir para você falar, Davi, rapidinho, que você citou essa questão da mão de obra.

Essa é uma pergunta que eu ia trazer mais adiante, mas eu já vou te fazer. Qual que é o gargalo para a gente ter mão de obra qualificada para esse tipo de demanda? Tem algum gargalo em especial? Falta curso? Falta interesse? O que falta? A gente pode priorizar algumas agendas, principalmente financiamento e modelos.

para você investir você precisa ter recurso atrativo, recurso competitivo, para que você possa investir nessa linha de qualificação profissional, você tem a qualidade da educação que passa pela educação básica, isso é importante você aprender de forma...

adequada esse primeiro passo para que você possa entender um manual, você possa entender um manual mais técnico. A gente percebe que no setor produtivo tem cada vez mais tecnologia. A gente tem drone, toda a parte autônoma. Então você precisa investir na base também para que esse profissional seja capaz de entender o que ele deve operar de uma forma mais estruturada.

Então, eu diria que tanto a parte do financiamento é importante, mas também de investimentos em política pública direcionado para a parte educacional. São dois caminhos que eu acho que a gente poderia priorizar para que a gente possa ter uma maior possibilidade de sucesso. Legal. E lembrando que sempre a gente tem que considerar que o Brasil tem dimensões continentais e muita diferença entre as regiões, então, também levando isso em consideração.

Álvaro, acho que seria interessante você assentar um pouco essas várias caixinhas que a gente já está colocando aqui, pressão no mercado de carbono, novas regulações, necessidade de digitalização, de novas tecnologias, como que isso se traduz para as demandas do dia a dia da empresa? Como que vocês já começam a lidar com isso, capacitar pessoas ou buscar pessoas? Como que funciona?

O perfil é bastante complementar, então claramente que a gente é uma indústria de base, então o Dario comentou uma indústria energointensiva, então a gente tem domínio de processo, ele é fundamental, porque você não consegue descarbonizar, você não consegue ser eficiente.

sem você ter uma gestão muito focada de processo. Então, nesse sentido, toda a questão de ferramentas que vêm no sentido de ajudar a você ter mais gestão do seu processo e controle, então inteligência artificial, indústria 4.0, modalidades que estão chegando no mercado de trabalho, elas vêm no sentido de você poder fazer cada vez melhor.

E esse é um trabalho que muitas vezes é pré-competitivo, porque todo mundo está com o mesmo desafio. Então você pode ter empresas diferentes, você pode ter setores diferentes, mas a temática de descarbonização e o próprio tema de mudanças climáticas ou emergência climática, ele está aí na nossa realidade. Então quando você enfrenta fenômenos extremos de chuvas torrenciais, deslizamentos e coisas desse gênero, a pergunta é o que a gente está fazendo e como a gente está endereçando essa temática. Então para mim...

Eu acho que o ponto mais importante aqui é como é que a gente traz essa complementariedade, focando no que a gente faz bem, que é a gestão dos nossos processos, integrando ferramentas e capacidades, soft skills de pessoas que chegam com esse perfil de complementar. Acho que tem que ter uma dose, Nayari e Davi, muito grande de criatividade e capacidade de escuta, porque como eu falei na primeira pergunta, a gente não tem resposta para todas as perguntas. Então tem muita tecnologia aqui hoje.

está sendo testada em outros ambientes, então a Europa, por exemplo, para nós é uma grande referência, nós temos operações na Europa, onde já existe o mercado regulado de carbono, onde você já está pagando pelos CO2 que você emite, então temos acesso a esse tipo de tecnologia, que para efeito de Brasil ainda não está disponível.

Uma das qualificações importantes, por exemplo, é o idioma. Então você poder entender e poder falar mais do que a sua própria língua nativa, ela é um aspecto diferenciador, porque muita informação, infelizmente, ela está disponível em outros idiomas. Então é um escopo de capacidades na LDAVI em que a gente tem que olhar para fora.

Nós sabemos que muitas dessas competências você não tem hoje saindo direto de faculdades ou universidades, então a gente tem que ter a formação interna, então a gente não pode somente contar com desenvolvimento e oferta de profissionais que vêm diretamente do mercado, então a gente tem que dar a própria capacitação interna.

Então, vou dar um exemplo, você vai ter o lançamento do mercado regular de carbono no Brasil no final de 2024. Puxa, como é que a gente usa o conhecimento que a gente tem na Europa, trazendo para o Brasil quando isso foi implementado aqui para a nossa operação do Brasil? Então, como é que a gente faz o que a gente chama de benchmark? Poder utilizar e aprender um pouco com os nossos colegas que não estão no Brasil, levar pessoas daqui para lá para poder conhecer. Então, é um grande esforço de evolução e aprendizado conjunto.

que está requerendo competências e capacidades que elas têm que se complementar. Então, acho que talvez uma pergunta que possa passar na cabeça de mil pessoas é poxa, isso aqui é só na área de sustentabilidade? Não é. Quando você vai discutir, por exemplo, uma linha de financiamento para você fazer um investimento em tecnologia, obviamente você precisa de um acesso a uma linha de financiamento, uma linha de crédito.

você consegue ter linhas mais baratas que tenham indicadores atrelados à temática da ESG, mas para isso, que indicadores você vai colocar, que taxa de juros você vai estar pagando, então você envolve a empresa literalmente de forma ampla, e isso vai dando oportunidades para as pessoas que estão no mercado, falar, puxa, eu não atuo necessariamente diretamente na área de sustentabilidade, mas as minhas ações têm ajudado a empresa, as empresas, o setor.

a migrar no sentido da gente ser cada vez mais eficiente, e isso é bom para a empresa, isso é bom para o planeta, isso gera atratividade e retenção das pessoas, que como o Davi bem colocou, não é só a renda quando uma pessoa vai trabalhar, mas a questão do propósito. Então você conecta o fato de você estar trabalhando com uma empresa com um propósito para o qual a empresa está sendo instalada.

e você claramente consegue mensurar através dos relatos de sustentabilidade, as próprias regulamentações, IFRS, CSRD, que a gente está sendo colocado pela CVM, acho que vão dar mais transparência e visibilidade para que todo mundo possa dizer, puxa, esse é o setor, essa é a empresa que eu gostaria de trabalhar, porque eu quero ajudar a fazer a diferença. E você falando, me ocorreu até, por exemplo, uma área comercial.

precisa entender para conseguir mostrar o diferencial da empresa, no caso, por exemplo, da Votorante em Cimentos, que já investe nisso e tem um produto com uma pegada de carbono menor. Se você não entender minimamente, nem o pitch comercial você consegue fazer direito. Então, imagina na era da vida, você vai fazer a venda de um saco de cimento.

Fala assim, puxa, cimento é cimento. A resposta é não. Você tem cimentos diferentes para aplicações diferentes, assim como você tem outros matérias de construção para aplicações diferentes, mas o seu argumentário técnico de vendas não é só preço e característica, que é a qualidade intrínseca do produto, mas tem atributos, por exemplo, de sustentabilidade. A gente tem, por exemplo, uma marca nossa na Espanha, chama Blentium, que a gente tem uma pegada de CO2.

quantidade de saúde do nosso produto de cimento e concreto muito mais baixa do que a média de mercado. E aí o ponto é como é que você mostra para o seu cliente que ele não só está comprando cimento e concreto, mas ele está tendo acesso a um produto de baixa intensidade de carbono que para efeito de cadeia de valor é importante. Então a própria capacitação das equipes comerciais que não estão somente defendendo lá, qual é o preço, se tem volume, se não tem, se entrega, se não entrega.

mas é o seu próprio argumentário técnico de vendas que ele tem que ser melhorado e adaptado na empresa como um todo.

É isso que o Álvaro está trazendo, Nayara, acho que é uma outra linha de discussão bem interessante, e em todo momento ela surge aqui na CNI também, em várias entrevistas, que é o perfil do consumidor. Ele citou aí o europeu, o europeu é diferente do brasileiro. De certa forma, acho que ele já está muito mais letrado a partir dos investimentos na sua base educacional.

no assunto da sustentabilidade. Então, dessa forma, ele dá muito mais valor. Para ele, pesa muito mais se ele ter essa informação que aquele saco de cimento em relação ao outro emite muito menos gás de efeito estufa, que ele tem um trabalho de eficiência energética, que ele trabalhe eficiência hídrica.

reaproveitamento dos resíduos, toda essa parte da economia circular, tem uma parte social também. Então, para ele vale mais. E, dessa forma, ele acaba estar mais disposto a pagar mais por isso.

Então, quando você traz essa realidade para o Brasil, e isso é corroborado pelas pesquisas que a gente tem aqui na CNI, você encontra, claro, uma evolução já, porque esse investimento é feito de forma paulatina, mas você já começa a encontrar alguns efeitos. É claro que o preço ainda é um divisor de águas, principalmente nas rendas mais baixas, mas você começa a ver um movimento do próprio consumidor querendo entender isso.

querendo saber como aquele produto foi produzido, aquele serviço foi prestado, se aquela empresa trabalha com eficiência energética, eficiência hídrica, se ela vai contemplar o bem-estar social dentro e fora da empresa. Então, um cluster começa a pagar mais por isso.

Então, acho que é um movimento que ocorre de forma diferenciada. Me lembra também discussões que você tem de economia circular, que enquanto alguns países já estão pensando na forma de gestão, de indicadores, de metas, aqui no Brasil a gente ainda lida com produtos, com problemas, na verdade.

desse século passado, como os lixões, a questão do saneamento. Então, às vezes, você tem planos de ação diferenciados para a mesma temática, mas o propósito de desenvolvimento da agenda é o mesmo. Mas é muito importante esse comportamento do consumidor porque ele dita regras também.

Então, a empresa vai trabalhar conforme a sua imagem, sua reputação, com arcabouço regulatório nacional e internacional, de acordo com o seu DNA, mas também com o desejo do consumidor. Então, é uma vertente muito importante para as empresas calibrarem também a sua produção também, de acordo com as expectativas e com o gosto do consumidor.

Eu queria aproveitar, Nael e Davi, para pegar, enquanto o Davi estava comentando, eu lembrei de talvez um exemplo, nós como consumidores vamos no supermercado e comprar um produto qualquer para a nossa casa. Certamente a gente, no nosso critério de compra, a gente está acostumado a comprar da marca X, mas talvez a gente está começando a perceber de que muitas pessoas, e talvez nós mesmos, quando a gente vai comprar aquele produto, a gente começa a falar, peraí, deixa eu dar uma olhada no rótulo, o que eu estou comprando?

Será que o teor de sódio não está mais elevado? Por quê? Porque eu vi uma reportagem que fala que o teor de sódio tem uma faixa e tal. Então, acho que é um grande processo de educação de que nós passamos e a gente começa a perceber de que quando você vai, por exemplo, comprar uma casa, um apartamento, quantos de nós vamos lá fazer a pergunta e falar assim, puxa, mas esse prédio que eu vou morar, ele tem painel solar? Esse prédio coleta água de chuva?

Ou eu somente estou preocupado de que eu tenha um apartamento que eu vou conseguir financiar ou conseguir pagar o financiamento. Então, eu acho que é um grande processo de educação. Claramente, o Brasil tem muito por evoluir, mas acho que é uma coisa de que tanto o setor como as empresas precisam continuadamente educar a sua própria força de trabalho e o mercado para que a gente mostre que esses atributos têm um impacto em custo.

mas eles também têm um impacto do ponto de vista de mudança de climática, do que a gente está fazendo, que vai em linha com os compromissos que o Brasil tem. Então, é uma visão que deixa de ser um pouco segmentada e ela passa de ter uma visão cada vez maior. E, infelizmente, quando a gente vê todos esses eventos climáticos, a gente fala assim, puxa, é a minha decisão de eu mandar fazer a coleta seletiva de ilícita na minha casa, que pode estar afetando.

esse material que acaba indo para Rio, para Lagoas, que não precisariam ir. Então isso é um processo contínuo de educação e melhoria. Vai tomar tempo, mas acho que começa pela titular de cada um.

Engraçado, acho que eu já estou gravando há tanto tempo essas séries de empregos verdes que vocês falando já começam a ver várias oportunidades de emprego, desde comunicação para fazer letramento, área de marketing, publicidade e propaganda, vai precisar cada vez mais olhar para esses atributos na hora de pensar em estratégia, olhar o que está acontecendo na Europa para trazer já, começar a olhar oportunidades que podem vir aqui para o Brasil.

Tanta coisa que começa a surgir de um comentário. Porque realmente é um segmento, é um segmento não, é uma mudança mesmo, é uma transformação. Então isso mexe com tudo, mexe com o jeito de fazer negócio, com o jeito de comunicar, com o jeito de comprar.

e com tudo que envolve as profissões relacionadas a isso. Vocês comentaram um pouco, até queria ouvir mais o Davi também, sobre essas habilidades técnicas mais operacionais, acho que a questão da tecnologia, o quanto isso também tem entrado para ajudar na descarbonização, até na criação de novos produtos, eventualmente, já numa pegada mais sustentável. A gente tem um trabalho aqui no Senai, e aí

que ele procura fazer um forecast da necessidade de qualificação profissional, do número de trabalhadores. Para você ter ideia, no período 25, 27, esse número é de 14 milhões de pessoas. Então, é um número bastante relevante. Mas o mais interessante é que uma parte, a menor parte dele, é para uma formação inicial, uma formação nova.

e a grande parte é para uma formação de atualização, ou seja, pessoas que trabalham no setor, por exemplo, no setor de petróleo e gás e passam a trabalhar no setor de eólico offshore. Então, tem uma correlação.

com certeza você fazendo essa atualização, a pessoa passa a estar apta para trabalhar nessa nova profissão. Então, acho que é um trabalho super interessante de aproveitar e maximizar o resultado, mas não é só na parte técnica. Em parte técnica, a gente tem alguns exemplos, claro, de trabalhos que vão ser demandados, você tem a parte de micro-redes.

renováveis, cibersegurança industrial, questões que você precisa ter uma formação muito mais técnica, mas tem também na parte gerencial. O Álvaro estava falando sobre mercado de carbono e hoje, quando você inicia um trabalho de implementação, você percebe as fases que vão ser demandadas primeiramente.

Então, por exemplo, você vai precisar fazer, todo mundo vai precisar fazer inventário, se você for considerar aqueles pisos que tem estabelecido dentro da lei, a partir dali você já vai precisar, a diferença é que um entra no sistema e o outro você só reporta.

mas a partir ali de 10 mil, você já vai estar apto a desenvolver seu inventário, consequentemente o seu plano de mitigação, daí as formas de compensação e por aí vai. Da mesma forma, quando você trabalha na implementação do próprio mercado, você vai precisar entender, dentro daquele setor, quais são os processos e atividades que mais emitem.

Quais são aquelas mais relevantes que você vai relacionar com a definição dos caps. E para isso você vai ter que aplicar uma metodologia. Cada processo é uma metodologia. Então você tem os processos, o setor de cimento, você vai ter os processos, o setor do asco, vai ter os processos, o setor de papel e celulose. Dessa forma você vai especializando cada vez mais esse profissional. Da mesma forma da parte de venda, de compra.

de permissões de crédito, como que você faz um projeto, e esse projeto dá origem ao crédito, como que você negocia, esse é o mercado, e você começa a conectar também com o mundo financeiro, as regulações que você tem que estar por dentro, você precisa estar em conformidade, a necessidade de relato que o Álvaro também colocou, o que você precisa relatar para estar em conformidade com a lei, enfim, é um novo mundo.

que esse profissional ainda está em formação, por quê? Porque ele ainda não está completo. A gente ainda não sabe, muitas vezes, como que vai evoluir essa discussão do carbono, a gente não sabe como que vão ser implementadas as linhas do combustível do futuro, como que você vai trabalhar os mandatos de SAF, como que você vai trabalhar a questão do biogás, do biometano. Então, assim, é uma série.

de funcionalidades novas, que a partir do momento que a gente vai evoluindo na implementação, na regulamentação, nas aprovações, nos atos normativos, portarias, decretos e tudo mais, você começa a ter uma ideia de qual vai ser essa profissão.

uma ideia mais assertiva. Daí, acho que a necessidade de a gente estar bem atualizado e também poder estimular. É claro que você tem as profissões que demandam muito a nossa base, então, problemas como tributário, trabalhista, infraestrutura, esses são os conhecidos, mas temos novos.

E aí, o que a gente falou aqui anteriormente, está aí nessa faixa dos novos problemas. E tem aquelas agendas que a gente precisa induzir, porque a gente sabe que traz mais competitividade, gera muito emprego, gera muita renda, gera muito desenvolvimento regional, nacional, abre mercados.

E com certeza a gente precisa entender bem para desenvolver da maneira correta esse profissional. E claro, conectado também com as cadeias. Não é olhar só para a grande empresa, mas também principalmente olhar para a cadeia inteira. O ponto de pensar daqui, se a gente torcer um pouco para a nossa... Eu sempre gosto de dar alguns exemplos do nosso dia a dia.

talvez nem todos nós, mas certamente muitos que vão estar ouvindo o podcast, a gente passou pela transição do carro de mudança manual para o carro automático. Então se a gente fizer um pouco a transição de como a gente estava acostumado a conduzir ou manejar um carro manual para automático,

Assim é o que a gente está vendo no setor, seja na temática de descarbonização, seja de mudanças climáticas. Se você perguntar para mim e para o Davi, o nosso nível de conhecimento hoje, do que a gente tinha há três anos atrás, certamente ele está diferente, porque tem muita coisa que a gente vai aprendendo ao longo do tempo. Então eu queria até já deixar uma mensagem, um recado. Se você quiser trabalhar, se aproximar mais, entender mais, querer saber mais.

dessa temática de sustentabilidade, descarbonização, mudanças climáticas, tem que estudar muito, porque tem muita coisa disponível, tem muita coisa boa disponível, então, o que a gente precisa mais do que ensinar como descarbonizar, é pessoas que nos ajudem a pensar e acessar a informação que já tem muita coisa disponível, porque a gente está num grande trabalho de construção, o Brasil, pelas dimensões que o Brasil tem, com os nossos compromissos de sustentabilidade, a gente precisa de pessoas que tenham essa capacidade.

de poder nos ajudar a resolver uma série de perguntas que a gente ainda não tem resposta. Então acho que esse fica aí um convite, uma oportunidade, cresça, se desenvolva, porque tem espaço para todo mundo. Acho que talvez uma... Às vezes a gente recebe umas perguntas, mas essa temática de descarbonização e sustentabilidade vai tirar emprego?

Na minha visão, não vai tirar emprego, mas assim como a gente fala de indústria 4.0, a indústria 4.0 está tirando postos de trabalho? Não, está mudando a qualificação desses postos de trabalho. Então o que a gente precisa é cada vez mais ter pessoas que se encaixem no perfil de complementariedade das empresas e tem espaço para todo mundo, mas precisa de uma atualização constante, desenvolvimento constante, e é um papel não só das instituições de ensino.

mas as próprias empresas e setores para que possam complementar esse conhecimento que eventualmente ainda os cursos eletivos não trazem na sua integralidade.

Tem certificados ou cursos específicos que você recomendaria, temas para a pessoa procurar e mais informações? Se você pegar, eu sou engenheiro, mas você pega engenharia há 10 ou 15 anos atrás e as engenheiras que tem hoje, puxa um leque que se você pedir para mim quantas engenharias existem, eu nem sei dizer quantas são. Na minha época talvez eu ia dizer que eram 5 ou 6.

Eu acho que hoje você tem um leque de opções muito maior do ponto de vista de formação, mas você também tem cursos super bons, nós temos instituições de ensino excelentes aqui no Brasil que podem fazer pós-graduação, mestrado, doutorado, então você tem, e como é uma necessidade global, não é só do Brasil, é global, tem espaço para todo mundo, então de novo você tem que buscar essas oportunidades, mas tem excelentes instituições de ensino.

que podem qualificar e ajudar a cumprimentar esse nível de conhecimento que eventualmente possa ser necessário. Eu sei que o Senai também tem feito bastante coisa, né, Davi? O Senai tem um portfólio bastante completo dessa agenda verde.

Mas quando o Álvaro estava falando, por exemplo, na agenda de economia circular, a CNI foi uma das pioneiras desse assunto. Eu lembro que a gente viu pela primeira vez num fórum de consumo e produção sustentável. Foi a primeira vez que a gente viu, gente, poxa, que termo é esse, economia circular? A gente estava muito, sempre trabalhou muito com resíduos, com agenda de resíduos sólidos e tudo mais, mas era um leque mais amplo, um modelo econômico novo.

que começou a ser discutido lá fora, já tinha uma envergadura maior, mas aqui no Brasil quase ninguém falava nisso. A gente fez uma parceria com a USP na época, em 2014, fomos trabalhando em relação ao modelo de negócio, em conexões com outros temas, como a indústria 4.0.

Depois a gente foi evoluindo em outros trabalhos. Iniciamos um trabalho de concepção da norma internacional ISO, com mais de 100 países. A gente coordenou toda a...

a comitiva brasileira, então a gente trabalhou bastante no entendimento desse tema e como ele rebate na competitividade do setor industrial, tanto é que a gente utilizou essa massa crítica na construção e da proposta da indústria dentro do projeto de lei que está para ser votado no Senado e a ideia também de construir.

nacional. Então, você vê como o tema ganhou espaço. Hoje, você já encontra economia circular em vários currículos, em várias opções de universidade esses dias mesmo. Eu vi na UNB também um foco exclusivo em economia circular, o próprio SENAI também desenvolvendo várias linhas, Centro de Inovação e Tecnologia. A gente está inaugurando aqui em Brasília um de biodiversidade e economia circular, é o maior da América Latina.

Então, para você ver como que um tema, em pouco espaço de tempo, ele tem uma projeção tão apurada. Por quê? Porque é a agenda de competitividade, é a agenda de urgência que está hoje vigente a nível internacional. Mas eu queria também chamar a atenção, a gente está falando, falou muito de emprego, a gente falou de barreiras, a gente falou agora da necessidade de desenvolvimento de cursos e tudo mais.

Mas a comunicação tem um papel muito importante.

o papel de organizações, o papel de grandes empresas, de grandes entidades, como a própria CNI, de promover essa agenda. Porque às vezes você precisa informar melhor essa agenda. Você precisa trazer, dar voz, dar palco para que as empresas apresentem os seus cases de sucessos, não só aqui no Brasil, mas também a nível internacional, para que a gente possa entender com um estudo de caso.

e, quiçá, aplicar numa política pública, que possa resolver alguns problemas de vários países. Então, foi por isso que a gente criou também, aqui dentro da CENI, é uma iniciativa aqui da Confederação, a Sustainable Business Corps, é uma mobilização que foi lançada no ano passado.

Esse ano, no evento de fechamento da COP30, a gente já apresentou as perspectivas para 2026, então a gente tem um arcabouço mais estruturado a nível internacional, uma coordenação internacional, mas mantendo a iniciativa a nível Brasil e também abrindo para a Turquia e Austrália nesse momento.

Mas a ideia é que a gente amplie cada vez mais essa mobilização. Hoje, se a gente for considerar, toda a base de empresas que estão presentes dentro da iniciativa, são mais de 40 milhões de empresas. Nossa, é muita gente. Onde a gente está levando esses temas. A gente disseminou oito grandes temas.

passando por transição energética, economia circular, a parte de food systems, de financiamento, green skills and jobs, toda a parte de bioeconomia também, que é uma agenda muito brasileira. Então, a gente trouxe com relevância toda essa necessidade e a gente desenvolveu uma metodologia de liderança pelo exemplo.

Porque o que diferencia essa iniciativa das outras, é claro que você tem um objetivo central de redução de emissões, mas é uma agenda também de negócio. Então, é entender que a sustentabilidade vai trazer competitividade.

com ver tecnologia, inovação para redução de emissões é um diferencial para você mas isso não é escondido isso aí é compartilhado então esse é o propósito da SPPOL é entender que você lá em Singapura tem uma tecnologia que você pode aplicar aqui num país menor, escalar por meio de financiamento a partir de um blend e que isso vire uma política

outros países. Então, assim, esse é o propósito da iniciativa, mas principalmente para atender uma vertente deficiente que a gente tem de saber comunicar melhor. Então, por isso que a gente criou essa plataforma também, para a gente poder disseminar o que as empresas estão fazendo e, dessa forma, poder compartilhar alternativas de trabalho, de implementação com outros atores. É super bacana, eu vou dar um exemplo que a gente teve juntos.

lá na Copa em Belém e a gente trouxe um case para nós que é super legal que a gente tem uma fábrica justamente no estado do Pará né no município de Primavera que em vez de utilizar combustível fóssil tradicional que é o copo de petróleo que vem importado do Golfo do México e tudo que ele tá acostumado

a gente usa caroço de açaí. E aí quando você vai explicar o que, você fala assim, puxa, vocês conseguem fazer cimento utilizando caroço de açaí? A gente consegue. Então, eu acho que isso, reforçando o tema do Davi, quanto mais a gente puder compartilhar, isso não é informação concorrencial, é informação que todo mundo ajuda a evoluir nessa agenda de transição. Eu acho que é super, super positivo e sadio e a gente acaba estimulando.

redes locais, na questão de cooperativas, agricultura familiar, então uma série de coisas que a gente pode, nesse processo de informação e comunicação qualificada, você mostrar oportunidades que muitas pessoas inclusive não sabem. Eu vou dar mais um exemplo que é super recente, dentro da nossa jornada de descarbonização,

Obviamente que a gente reduz as nossas emissões diretas, que é o que a gente chama escopo 1 no setor, mas o nosso processo consome muita energia. Então, para nós também é importante a gente poder substituir energia por energia renovável, seja hidro, solar ou eólica. E a gente está agora no processo em que nós fechamos um contrato de um parque eólico, que é a energia que vem do Nordeste do Brasil, a de Rio Grande do Norte.

55 MB de energia é um parque operado 100% por mulheres.

Então, quando a gente fala de descarbonização e sustentabilidade, também é transição justa. Então, não só a gente está mudando a questão do tipo de qualificação do mercado de trabalho, mas a gente está abrindo as portas para o que eram trabalhos essencialmente feitos por homens, em que a gente está dando oportunidade e tem ganhos imensos e a gente poder usar as donas de casa, as pessoas que estavam acostumadas a ter uma... E aí

uma economia a mais de subsistência, agora até lá poder ser mais uma ajuda para poder complementar renda. Eu acho que também essa temática de transição justa é super interessante e sustentabilidade também é sobre isso. E não é só sobre a questão da gente botar processo de captura de carbono ou a gente trabalhar na questão de produto. Ela é muito mais ampla do que os pontos que muitas vezes as pessoas imaginam que seja. Está vendo, Nayara, que eu falei que o setor de cimento está bem à frente?

É, nossa, é muito diferente, né? Mas você sabe que é isso, né? Acho que podia até ser uma entrevista a mais aí, viu? Vocês são muito pressionados. Ele tá cheio de crise, é. Vocês precisam correr atrás, né? Isso aí. Não, mas esse ponto é importante. E é importante, né, Nayara? Porque quando a gente fala, assim, de setores de difícil abatimento, né? Eu sempre faço um paralelo. Porque quando você pega esses setores, né? Exemplo aí do próprio cimento, né? Mas também da agenda de biocombustíveis. O Brasil já fez muito. Muito.

Muito, muito, muito. Então, não é de agora que ele começou a trabalhar. Os setores já investem nisso, o setor de cimento, então, há muitos anos. Principalmente para ser mais competitivo também. Então, tem esse viés de...

vamos começar agora, não é agora. Os setores já começaram. Então tem que entender que como eles já começaram antes, fica muito mais difícil marginalmente dele implementar um diferencial agora. Então cada vez que vai passando, que ele vai implementando mais, vai ficando mais difícil, vai reduzindo a possibilidade.

Então tem que ter esse entendimento também quando a gente for trabalhar a formulação de política pública para levar isso em consideração também, principalmente quando você faz esse comparativo com o mesmo setor a nível internacional. Então é uma tecla que a gente bate muito para valorizar também o trabalho que esse setor... Exato. Então é importante a gente sempre ressaltar isso também nos nossos fóruns e enaltecer também o trabalho dos setores.

Sim, já vou passar a palavrinha final para vocês, mas só um comentário, acho que linkando um pouco o que o Davi falou, especialmente de economia circular e também essa questão do quanto o Brasil e setores como o de cimento estão à frente.

a questão da inovação. O Brasil sempre foi tido como um país criativo, que mesmo diante de algumas dificuldades, inova e busca isso. Acho que é um ponto relevante para a gente ter avançado.

E, bom, estamos chegando aqui ao fim do nosso episódio. Quero que vocês finalizem dando ali aquela última sugestão, dica para quem está ouvindo a gente e quer fazer alguma mudança de carreira ou está começando agora e está olhando o que tem de perspectivas, gosta da indústria.

gosta do tema de sustentabilidade, o que vocês dariam de sugestão para essas pessoas? Não vou nem falar para os jovens, porque no fim todo mundo vai precisar, como a gente vem falando aqui, olhar para isso. Então, quer falar, Davi?

Eu acho que você precisa primeiro entender e se informar do contexto que você tem hoje de agendas relevantes, entender a cabeça também de quem produz, a cabeça de quem compra, de quem consome. Eu acho que é importante para você internalizar aquele futuro mais provável de acontecer, toda essa parte de cenários, essas dificuldades, mercado, o que tem de novo.

Álvaro? Bom, do meu lado, eu pensei aqui, se eu puder deixar, não tenho bola de cristal, mas eu acho que são alguns temas que eles vão ganhar relevância cada vez maior ao longo dos anos. Eu acho que o primeiro...

O primeiro tópico é inovação e tecnologia, a gente vai precisar ter muito acesso e obviamente para isso tem que ter financiamento, tem que ter fomento, mas inovação e tecnologia certamente é um tema que a gente vai precisar para desenvolver. Segundo aspecto, energia renovável, Brasil como nação.

tem uma matriz energética super renovável, mas a gente tem que levar em conta de que essa matriz, ao longo do tempo, ela vai precisar crescer muito, porque a indústria vai crescer, a gente vai ter desenvolvimento no Brasil, eu sou otimista nesse sentido, então a gente vai precisar de mais fonte, não só volume, mas mais fonte, linha de transmissão, então, energia renovável, para mim, é um segundo tema super importante, e é que há competências específicas.

O terceiro é o tema de tecnologia mais específica para a temática de descarbonização, que é a captura de carbono. Então, no final das contas, por mais que a gente trabalhe em reduzir as nossas emissões diretas, sempre vai ficar precisando de uma parte que a gente chama de emissões residuais.

Então acho que essa é uma temática de captura de carbono que vai requerer muito conhecimento. O quarto aspecto é a inteligência artificial, no sentido da gente ter mais acesso à velocidade para tomada de decisão e poder usar o que já existe disponível. Porque na verdade, quando a gente fala de inteligência artificial ou indústria 4.0, ninguém está criando nada. O que você está fazendo é chegar com a informação de uma maneira mais rápida, mais qualificada, porque você tem acesso a mais informação, você integra, processa e com isso pode...

a diversidade é muito mais acertada. E o último aspecto, que eu acho que ele é mais, não é que ele é específico para o Brasil, mas ele é super relevante para o Brasil, é toda a temática de biodiversidade, porque acho que o Brasil, pelo tamanho do Brasil, a importância, a relevância que ele tem, o pulmão do mundo.

Acho que tem a temática de conservação de floresta, que aliás, se a gente não fizer isso, o Brasil não atinge o seu compromisso com relação ao Acordo de Paris. Então, acho que essa temática de conhecer soluções ligadas à conservação e reflorestamento é um tema que vai ser cada vez mais relevante. Então, sugestão, cinco dicas aí para você que está pensando em entrar nessa área. Vale a pena. Eu acho que tem espaço para todo mundo e o Brasil precisa e o mundo certamente também precisa.

Com certeza. Bom, quero agradecer muito vocês, acho que a gente sai mais otimista daqui, tem oportunidade, não vamos ser dispensados dos nossos empregos, tem muita coisa legal aí para fazer e muita coisa que a gente ainda nem sabe o que vem pela frente. A tecnologia tem mudado muito. Acho que vocês estão acompanhando aí de perto isso, então a gente precisa refazer essa série vários anos, porque vai ter muito mais coisas para falar.

Mas quero agradecer o tempo de vocês, os insights, os aprendizados que vocês compartilharam aqui. Muito obrigada. E se você gostou desse episódio, aproveite, dê um like, compartilhe, entre em grupos de WhatsApp, mande para os amigos e também siga a gente nas redes sociais, nós somos o Arroba1SuaPlaneta, o nosso site tem muita informação.

Também sobre agenda climática, que você pode inclusive se informar para começar a entender que área que você gosta mais. Então fica a dica aí também para nos acompanhar. Obrigada pela audiência. Eu sou Nayara Bertão, editora de Um Só Planeta, e este episódio contou com os trabalhos técnicos e edição de Gustavo Maffei e Danilo Bandeira.

Este episódio faz parte de Um Só Planeta. Acesse, informe-se, atue. Não existe Planeta B.

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