Episódios de Cláudia Pires - Discuta BH

MP recomenda cautela na criação de motofaixas em BH

02 de maio de 20267min
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Prefeitura foi orientada a realizar análises técnicas completas antes de ampliar faixas exclusivas para motos em vias movimentadas da capital mineira. Nesta semana, o município recebeu autorização da Secretaria Nacional de Trânsito para a implantação da faixa em caráter experimental na Via Expressa.
Participantes neste episódio2
S

Shirley

Host
C

Cláudia Pires

ConvidadoArquiteta e urbanista
Assuntos2
  • Motofaixas em BHRecomendação do Ministério Público · Análises técnicas e regulatórias · Implantação experimental na Via Expressa · Plano de mobilidade de Belo Horizonte · Frota de motocicletas em BH
  • Mobilidade urbana e acessoCorredores improvisados de motos · Crise na mobilidade urbana · Veículos automotores individuais · Transporte de carga e mercadorias
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Discuta BH, com Cláudia Pires. Cláudia Pires, muito bom dia!

Bom dia, Shirley. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. O Ministério Público de Minas, então, expediu uma recomendação ao município de Belo Horizonte para que a implementação de motofaixas só seja iniciada aqui na capital após o cumprimento de todos os requisitos técnicos e regulatórios exigidos pelo Senatran, que é a Secretaria Nacional de Trânsito. A Prefeitura anunciou nesta semana

a implantação da primeira faixa exclusiva para motos na Via Expressa, algo que estava sendo já estudado há um bom tempo, tendo sim como exemplo a cidade de São Paulo e vem gerando muita dúvida, Cláudia, com relação a essa implantação.

Olha, Shirley, uma das primeiras questões que eu acho que é importante aí, o planejamento é fundamental, nós temos falado sobre isso aqui reiteradas vezes, ou seja, o plano de mobilidade de Belo Horizonte é um plano que foi construído durante vários anos.

Existe toda uma perspectiva de atendimento para todos os tipos de modos de transporte dentro da cidade, entre eles a ciclofaixa, a motofaixa, perdão. Mas é importante essa recomendação do Ministério Público para que a Prefeitura e os órgãos que lidam com a política de mobilidade, eles se atentem para esses dados e forneçam para a população uma informação melhor sobre essa decisão.

Agora, como urbanista, eu tendo, pelo número, pela frota exagerada de motocicletas que existem na cidade de Belo Horizonte, eu tendo a achar que a segregação dessas faixas, ela atende melhor ao tipo de transporte, o modo de transporte que está sendo utilizado pelo cidadão.

No caso das motos, o número de motos que trafegam pelas vias em uma total insegurança, porque há um desrespeito muito grande para motocicletas, bicicletas, a gente sabe que existe uma competição.

pela faixa de trânsito, eu acho que isso ajuda a evitar o tipo de acidente que nós contumazmente vemos nas vias, e principalmente nas vias de grande circulação, envolvendo aí motocicletas.

Esse número, essa frota cresceu exponencialmente nos últimos tempos e eu acho que tem que haver medidas mesmo de controle desse tipo de veículo e de segregação das faixas onde esse veículo transita.

E mais ainda, Shirley, tem que haver um avanço das campanhas. Nós estamos no mês da campanha, inclusive, do Maio Amarelo, para poder fazer com que a educação para o trânsito e a educação preventiva, uma direção defensiva, ela seja a tônica de qualquer tipo de circulação viária, cicloviária ou motoviária dentro do município de Belo Horizonte.

Ao longo da semana, esse assunto causou muita curiosidade entre os ouvintes, questionando como é que funcionaria, a partir do momento que tem uma faixa exclusiva, como é que os demais carros iriam se movimentar, tendo que passar pela faixa de moto também. E Alberto, por exemplo, nosso ouvinte, tinha mandado, olha, será que os motociclistas vão parar de andar em outros locais e também no meio dos carros? Ele questiona, você acredita, Cláudia, que haverá uma conscientização e uma organização no trânsito?

com a criação dessa motofaixa? Shirley, esse que é o caminho, ou seja, conscientização para o trânsito. No trânsito, somos todos cidadãos também, precisamos atentar para os limites da nossa responsabilidade dentro do veículo que a gente dirige.

Então, o que acontece em Belo Horizonte hoje, você passando na rua, principalmente em um horário de bastante pico, é a quantidade de motoqueiro circulando entre os veículos naqueles corredores improvisados, ou seja, a tendência a ter, por um determinado modal, uma faixa segregada, já se desenha com a quantidade de veículos daquela categoria trafegando pela via.

Então, se você segrega a faixa, acontece analogamente aos ônibus dentro da cidade, você tem uma quantidade tão grande de ônibus que ele circular ao mesmo tempo com todos os carros cria uma dificuldade de trânsito, uma dificuldade de mobilidade. Então, é importante fazer essa segregação na faixa.

Agora também, Shirley, evidenciar mais uma questão em Belo Horizonte que é bastante grave e que chega nesse momento com a pergunta do nosso ouvinte. A quantidade de veículos automotores individuais que circulam pela cidade atravancando o trânsito mesmo e criando uma crise na mobilidade urbana em Belo Horizonte. Então, essa segregação nesse momento...

ela vem num momento onde a gente tem um aumento considerável do número de mortes e de acidentes envolvendo motociclistas, um transporte provocado pela motocicleta, porque você não trafega de forma rápida e segura dentro do município.

Quem transporta carga, transporta mercadorias, transporta às vezes até pessoas que estão aí querendo se locomover de uma área de um lado para o outro da cidade. É um motociclista com mais desenvoltura, mas ele coloca em risco a mercadoria, coloca em risco a vida dele e a vida até de um outro cidadão que está ali na sua garupa, porque há uma dificuldade muito grande.

de mobilidade dentro dessas áreas e um desrespeito também por parte de motoristas que trafegam com ônibus, com veículos automotores particulares, de entender esse espaço do motociclista. Cláudia Pires, arquiteta e urbanista, volta com a gente na segunda-feira. Cláudia, bom fim de semana para você e até lá. Até lá, grande abraço aos ouvintes da CBN também.