Impunidade em morte de agricultor motiva cobranças por justiça
Notícias da Assembleia. Justiça pelo assassinato de um trabalhador rural na região do Rio Doce e o fim da impunidade no campo. Essas foram as principais reivindicações feitas na audiência pública realizada pelas Comissões de Trabalho e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas. Familiares e movimentos sociais cobraram respostas para crimes que se arrastam há anos sem solução no estado. O debate foi motivado pela morte de Magno Antônio de França, conhecido como Bala, um trabalhador rural, ex-vereador e presidente do PT em São Geraldo da Piedade, na região do Rio Doce, assassinado aos 48 anos em 9 de março de 2025.
O crime aconteceu durante a madrugada em uma estrada rural do povoado de Córrego Taquaraçu. Ele foi morto com 4 tiros na cabeça quando ia para o trabalho. Depois de mais de um ano, o caso permanece sem solução. Familiares e líderes locais denunciam lentidão nas investigações. A presidenta do PT de São Geraldo da Piedade, Ana Farias, afirmou que a comunidade vive sob medo e que a família de Magno ainda aguarda etapas básicas, como o exame na arma apreendida.
Causa na gente uma profunda preocupação, principalmente que até o momento não houve aí um exame balístico da arma apreendida. Da mesma forma, gente, não houve as oitivas, né, que a gente gostaria que tivesse acontecido. Então a gente espera mais respostas das autoridades investigativas.
O deputado Betão, do PT, presidente da Comissão do Trabalho, reforçou que o caso não é isolado, citou outras mortes e dados da Pastoral da Terra para mostrar que o número de assassinatos no campo dobrou no último ano.
Só em 2025 foram registrados 1.593 conflitos no campo e o número de assassinatos dobrou em relação ao ano anterior, passando de 13 para 26 mortes. Então, a comissão busca agora acompanhar o andamento das investigações, cobrar respostas da Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário, identificar falhas institucionais, fortalecer mecanismos de proteção a lideranças rurais e testemunhas, dos familiares das vítimas. A principal cobrança dessa audiência para mim é romper esse ciclo histórico, né, de violência e impunidade no campo aqui em Minas Gerais.
A coordenadora da Comissão Pastoral da Terra na região leste de Minas, Laysa Maria Silva Dutra, cobrou proteção para o trabalho no campo.
Que nossos camponeses não morram.
A gente precisa ficar na terra, a gente quer ficar na terra, a gente quer permanecer, quer produzir dignamente, mas a gente precisa permanecer Diante das ausências de representantes do governo, que não compareceram e enviaram justificativas, as comissões da Assembleia afirmaram que irão convocar o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, para prestar esclarecimentos e acompanhar os desdobramentos judiciais de cada caso. Da Assembleia Legislativa em Belo Horizonte, Graziely Mendes.