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Novos medicamentos trazem esperanças para pacientes com câncer

01 de julho de 202612min
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Um novo medicamento contra o câncer de pâncreas foi aplaudido de pé por milhares de médicos presentes ao maior Congresso Internacional de Oncologia do mundo, realizado em Chicago, nos Estados Unidos. O Panorama podcast dessa semana vai falar sobre este e outros novos tipos de tratamento contra o câncer e como eles podem aumentar a esperança de sobrevida dos pacientes. O jornalista Fernando Gomes conversa com o oncologista Gilson Veloso, da Santa Casa de Belo Horizonte, que participou do congresso em Chicago.
Participantes neste episódio1
F

Fernando Gomes

HostEditor e apresentador
Assuntos3
  • Daraxonrasib para câncer de pâncreasCâncer de pâncreas · Medicina de precisão · Mutação KRAS
  • Tratamentos contra o câncerCâncer de cabeça e pescoço · Novos tratamentos
  • Prevenção e Rastreio OncológicoCâncer de mama · Câncer de intestino · Câncer de pulmão · Vacinação HPV
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FGFernando Gomes

Olá, tudo bem? Um novo medicamento contra o câncer de pâncreas foi aplaudido de pé por milhares de médicos presentes ao maior congresso internacional de oncologia do mundo, realizado em Chicago, nos Estados Unidos. No congresso foram apresentados também outros estudos que representam avanços no tratamento contra diversos tipos de câncer. Eu sou Fernando Gomes, editor e apresentador do Panorama. No podcast dessa semana eu recebo um oncologista que participou do congresso e que presenciou in loco o momento em que o novo medicamento foi apresentado.

Ele vai nos explicar o motivo para tantos aplausos e falar sobre outras novas tecnologias disponíveis hoje para o tratamento do câncer. Acompanhe. Aqui no estúdio eu converso com o oncologista da Santa Casa de Belo Horizonte, Gilson Veloso, que também é especialista em câncer de pulmão, pescoço e cabeça, e que esteve presente no Congresso de Oncologia em Chicago nos Estados Unidos. Gilson, muitíssimo obrigado pela sua presença.

?Voz 1

Eu que agradeço, Fernando. É ótimo a gente conseguir discutir um pouquinho mais de oncologia, principalmente no cenário brasileiro aí.

FGFernando Gomes

Pois é, eu queria, antes de entrar no cenário brasileiro, ir lá para o congresso em Chicago, que foi uma, vamos dizer assim, uma, uma, um acontecimento, né? Um medicamento que chegou lá e foi aplaudido de pé pelos próprios pares, pelos próprios médicos. Houve uma surpresa. Por que aquele aplauso tão grande? E o que que é exatamente esse medicamento? Explica um pouquinho para nós.

?Voz 1

A ASCO é o Congresso Mundial dos Oncologistas. Habitualmente a gente encontra mais de 30 mil pessoas no congresso e naquela sala, que foi aquela cena muito boa de estar presente, tinham mais de 10 mil oncologistas ali dentro. E normalmente no congresso existe uma sessão plenária que são os trabalhos mais importantes do congresso, o que que vai ser o carro-chefe do congresso. A gente teve apresentações de câncer de pulmão, câncer de próstata, sarcoma e o final de tudo veio o trabalho do câncer de pâncreas.

E aí que foi esse trabalho que foi aplaudido de pé. O câncer de pâncreas é um dos mais agressivos que a gente tem, é uma doença mais silenciosa, na grande maioria das vezes o diagnóstico é tardio, né? A doença já se apresenta com algumas metástases. Então a gente sempre tenta trazer estratégias novas de tratamento para conseguir prolongar a sobrevida do paciente no primeiro momento e se possível a gente conseguir a cura desse paciente no futuro.

E a medicina de precisão, que é esse ponto que você trouxe, é o quê? Eu conseguir entender como é que é o tumor de cada paciente. Eu individualizo o cuidado. Cada paciente é de um jeito, cada câncer é de um jeito. Então eu não consigo tratá-lo igual para todo mundo. Então a medicina de precisão é isso: como que aquele paciente que tá na minha frente pode ser tratado da melhor maneira possível. Para isso a gente faz algumas investigações, a gente tenta ver se existem mutações dentro daquele tumor, a gente avalia o DNA, o RNA e tenta achar pontos de tratamento específico.

E é aqui que entra o trabalho do pâncreas. Acho que eu preciso explicar que aquele comprimido, ele não é para todos os pacientes com câncer de pâncreas. Ele é para pacientes que apresentam uma mutação específica chamada KRAS. Então, a partir desse teste que eu faço no tumor do paciente, eu identifico a mutação do KRAS e se ele tem aquele RAS específico, eu posso indicar o tratamento. Outro ponto: ele não é a primeira escolha de tratamento.

A primeira escolha ainda acaba sendo quimioterapia. Se porventura a quimioterapia não funcionou e esse paciente tem essa mutação, isso pode então ser aplicado numa segunda tentativa de tratamento. Mas sem sombra de dúvidas, os resultados que essa medicação trouxe na segunda tentativa foram extremamente animadoras. Então a gente vai conseguir melhorar a assistência que a gente vai oferecer no futuro.

FGFernando Gomes

Eu queria mostrar para o nosso espectador um pouquinho mais sobre essa questão do câncer de pâncreas que o Gilson colocou. Ele realmente é um dos mais difíceis de ser diagnosticado. Vamos ver alguns números dessa doença no Brasil e no mundo. No Brasil, estima-se a ocorrência de 13 mil novos casos e 12 mil óbitos por ano. A alta letalidade faz o câncer de pâncreas ser considerado um dos mais agressivos. O diagnóstico precoce é difícil porque os sintomas, como dor abdominal, perda de peso e icterícia, geralmente só aparecem quando o estágio da doença está muito avançado.

O câncer de pâncreas é apenas o 14º mais comum no país, mas é o 7º câncer mais mortal entre os homens e o 5º entre as mulheres. No mundo, são cerca de 495 mil casos por ano. E 466 mil óbitos, a sétima principal causa de morte entre todos os tipos de câncer. Ou seja, realmente é uma doença bem agressiva, né, e difícil, né, inclusive do diagnóstico. Agora a gente fala um pouquinho do câncer de pâncreas e outros tipos de câncer. Houve medicamentos, novidades, alguma coisa no Congresso em relação a outros tipos de câncer que você mencionaria e que destacaria?

?Voz 1

Sim, o congresso é dividido por áreas, né? Então sempre tem, por exemplo, os tratamentos para câncer de pulmão, para câncer de mama, para câncer de próstata. A gente vai ter mudanças esse ano, a gente espera também no outro cenário, que é o câncer de cabeça e pescoço, que é um câncer muito comum na população brasileira, muito mais comum em homens. Se a gente juntar todos os cânceres de cabeça e pescoço Se torna o terceiro mais comum na população masculina e é um câncer agressivo também que precisa de tratamentos um pouco mais radicais.

Então, pelo que a gente viu no congresso, a expectativa é que novos tratamentos estejam disponíveis no Brasil para o câncer de cabeça e pescoço esse ano ainda.

FGFernando Gomes

Você falou um pouco dessa questão da abordagem mais específica para cada tipo de câncer, né, chamada terapia de precisão. Isso é uma tendência para todos os tipos de câncer, para alguns especificamente?

?Voz 1

Absolutamente todos os tipos de câncer. Hoje não existe uma generalização de tratamento, existe a individualização, como eu comentei agora há pouco. Então cada câncer tem um comportamento biológico específico. O tratamento que eu ofereço para um câncer de mama não necessariamente ele vai funcionar num câncer de intestino. E eu preciso saber isso, eu preciso saber como é que cada câncer se comporta para eu direcionar o tratamento da maneira mais assertiva.

FGFernando Gomes

Trazendo um pouco agora essa questão dos tratamentos contra o câncer para o Brasil, aqui em Belo Horizonte, o Hospital Luxemburgo da Rede Mário Pena recebeu investimentos em equipamentos para o tratamento especializado do câncer. O evento contou com a presença do presidente Lula e do ministro da Saúde. Com os novos investimentos, o Hospital Luxemburgo passa a atender integralmente pacientes do SUS, o Sistema Único de Saúde. A capacidade sobe de 216 para 300 leitos, com possibilidade de expansão para até 350.

Um novo acelerador linear vai reduzir o tempo de espera de pacientes que precisam de radioterapia. Os pacientes do SUS também vão passar a contar com cirurgias robóticas através do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica. Ao todo, serão R$89 milhões em investimentos no hospital. Gilson, comparando com outros países, como é que o Brasil tá em relação aos tratamentos de câncer? A gente tá num patamar parecido com outros países? Países estamos um pouco atrás? Como é que a gente pode se colocar?

?Voz 1

O Brasil tem uma diferença para muitos países que é o SUS, né? A gente consegue oferecer tratamento oncológico de maneira gratuita para uma grande população, né? Mais de 70% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS. Em outros países é 100% custeado do próprio paciente ou convênio. É muito difícil você ter acesso gratuitamente ao tratamento. Então isso é um pontapé muito bom para o Brasil. Problema é, os tratamentos são caros, infelizmente os tratamentos são caros.

Então nem sempre a gente consegue oferecer no SUS aquilo que a gente gostaria, que é o mais novo, justamente por conta do custo desse tratamento para rede pública. Mas temos notícias aí que estamos melhorando sim, tem perspectiva de novos tratamentos chegarem em breve, a gente espera que isso aconteça o mais rápido possível. E um outro ponto que foi importante, essa questão do acelerador linear ajuda bastante, acelerador linear é a máquina de radioterapia.

E a gente precisa de mais disponibilização de aceleradores porque muitos pacientes precisam da radioterapia. E nacionalmente são poucas as distribuições, tem muitas regiões ainda que são carentes de tratamento de radioterapia justamente por conta dessa logística.

FGFernando Gomes

Aí, pois é, Partindo disso aí, eu queria te perguntar o seguinte: onde nós no Brasil precisaríamos avançar mais? Seria na questão do diagnóstico, conseguir diagnosticar mais gente mais precocemente? Seria nessa rapidez do tratamento para fazer com que, com que desde que haja o diagnóstico possa ser tratado mais rapidamente, a chance de cura aumentar? Ou nessa universalização da gente conseguir oferecer o tratamento para mais gente?

?Voz 1

É uma combinação de absolutamente tudo isso que você falou. Eu preciso melhorar o diagnóstico precoce. O paciente precisa entender que quanto mais cedo ele tem o diagnóstico, maiores são as taxas de sucesso. A gente vai conseguir falar de cura, né? O paciente, ele chega no consultório perguntando da cura da doença dele. Então a gente precisa primeiro firmar: quanto mais cedo a gente tem o diagnóstico, quanto mais cedo a doença é diagnosticada, melhora a chance de sucesso do seu tratamento.

Então, primeiro ponto, eu preciso conscientizar a população a procurar atendimento médico, a entrar nas políticas de rastreamento, a fazer os exames preconizados para diagnosticar aquele câncer da maneira mais rápida possível. A partir do momento que eu tenho o diagnóstico, eu preciso ter acesso ao profissional que vai tratá-lo. Primeiro pode ser um cirurgião, primeiro pode ser um oncologista, mas a gente precisa ter esse acesso mais rápido.

Isso aí tem melhorado também nas políticas de acesso. Belo Horizonte tem crescido muito nas políticas de suporte ao paciente oncológico. A gente é um dos maiores serviços do estado, né, aqui em Belo Horizonte, porque tem o Hospital Luxemburgo, tem a Santa Casa de Belo Horizonte, a Feluma, que foi um serviço inaugurado há pouco tempo, mas que já tá dando uma capacidade de atendimento muito boa. Então a assistência ao paciente aqui tem melhorado bastante.

FGFernando Gomes

Falando agora um pouco de prevenção, você colocou aí que as pessoas devem procurar o atendimento o médico, e quanto mais rápido, maior a chance de cura. Isso tem acontecido na prática? As campanhas têm dado resultado? Como é que você tem visto isso nos últimos anos aí em relação à população brasileira, por exemplo?

?Voz 1

Sim, esses números eles têm aumentado. Câncer de mama tem, por conta da mamografia de rastreamento, tem melhorado os diagnósticos precoces. A realização de colonoscopia pelo Ministério da Saúde já a partir dos 45 anos de idade já favorece o diagnóstico do câncer de intestino de maneira mais rápida. O câncer de pulmão agora tem rastreamento para a população que fuma ou deixou de fumar há pouco tempo. Realizar uma tomografia de maneira preventiva para tentar identificar qualquer nódulo no pulmão.

Vacinação é um método de prevenção, né? A gente sabe que a vacinação pelo vírus do HPV pode tratar mais de 6 cânceres, tanto em homens quanto mulheres. Então são estratégias que a gente está tentando educar mais a população para que esses números melhorem.

FGFernando Gomes

E esse foi mais um podcast do Panorama. A entrevista completa você acompanha no portal da Assembleia, almg.gov.br/tv, ou no nosso canal do YouTube. O título é Novos Tratamentos Contra o Câncer. A produção é da Helena Câmara, edição de imagens Leonora Malar. Edição de áudio do Jean Miranda e o nosso diretor de TV e de gravação é o Vander Jorge. Se você gostou, compartilhe com os amigos. Nós nos vemos no próximo podcast.

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