Falta de regras para instalação de data center pode ampliar impactos ambientais
Bela Gonçalves
Cíntia Piccolo
Lisandro Siqueira
- Impacto ambiental e preservaçãoConsumo de água · Consumo de energia · Qualidade de vida da população · Escassez hídrica
- Data Centers e InfraestruturaLicenciamento ambiental · Transparência · Monitoramento do uso da água · Vazio legislativo
- Potencial do Brasil em Data CentersRT1 em Uberlândia · Brasil · Minas Gerais
Falta de regras para instalação de data centers pode ampliar impactos ambientais. Hoje é sexta-feira, 3 de julho. A falta de regras para o licenciamento ambiental de data centers de inteligência artificial pode ampliar o impacto desses empreendimentos sobre o consumo de água, energia e a qualidade de vida da população. A preocupação é de parlamentares, especialistas e representantes do governo que defendem a criação de normas para evitar a instalação desordenada dessas estruturas em Minas Gerais.
Os data centers são centros de processamento e armazenamento de dados que sustentam serviços digitais e sistemas de inteligência artificial. Com restrições ambientais cada vez maiores no norte global, empresas do setor direcionam investimentos para países como o Brasil. Em Minas, o projeto da multinacional RT1 em Uberlândia, no Triângulo, tem investimento previsto de R$6 bilhões, mas a unidade pode consumir até 400 megawatts de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 1 milhão e 600 mil residências, além de utilizar até 1 milhão e 700 mil litros de água por dia, em uma região com histórico de escassez hídrica.
Cíntia Piccolo dirige uma instituição que alinha políticas tecnológicas com direitos humanos e justiça socioambiental. Segundo ela, uma proposta federal de incentivo a data centers em análise no Congresso não prevê salvaguardas ambientais e sociais para a instalação desses empreendimentos no país.
Não tem regra sobre licenciamento ambiental, não tem regra de transparência, de monitoramento do uso da água. Então a gente está discutindo como atrair investimento antes de definir as regras que vão proteger o próprio interesse público.
Já o secretário de Estado de Meio Ambiente, Lisandro Siqueira, defende a criação de regras específicas para o licenciamento ambiental de data centers de IA. Ele destacou uma orientação do Conselho Nacional de Meio Ambiente, publicada em junho.
Essa é a moção do Conselho: demandar a edição urgente por este Conselho de diretrizes específicas para o licenciamento ambiental de data centers de IA, para inteligência artificial, classificando como atividade efetiva potencialmente poluidora.
Para a deputada Bela Gonçalves, do PT, O maior problema é o vazio legislativo atual sobre o licenciamento ambiental dessas estruturas.
Aproveitando-se do vazio legislativo, muitos empreendimentos se instalam de forma pouco cuidadosa.
Como encaminhamento da audiência, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia vai propor a criação de um grupo de trabalho para discutir os impactos da instalação de data centers no estado. O conteúdo completo da reunião está disponível em almg.gov.br. Da Assembleia Legislativa em Belo Horizonte, Flavio Júnior.