Morte de bebê expõe fragilidades em hospitais de pequeno porte
Ana Paula Siqueira
Daniela Moreira
Jéssica Pereira da Costa
- Morte de Crianças e Casos EspecíficosIsadora Ferreira da Costa · negligência médica · Plazil · crise convulsiva
- Infraestrutura Hospitalarfalta de profissionais · deficiência na assistência farmacêutica · erros de medicação · hospital de Buritis · Conselho Regional de Farmácia
- Preservação da investigaçãoMinistério Público · Ministério da Saúde · Conselho Regional de Medicina
Notícias da Assembleia. Falhas em hospitais de pequeno porte, como ausência de assistência farmacêutica integral e falta de profissionais, foram apontadas como fatores que aumentam o risco de erros fatais no atendimento a pacientes em Minas Gerais. O debate na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa foi motivado pela morte de um bebê em Buritis, no noroeste do estado. A pequena Isadora Ferreira da Costa, de 3 meses, faleceu em dezembro de 2025 depois de uma sequência de atendimentos médicos em Buritis e Unaí, na mesma região.
O caso passou a ser investigado depois que os pais denunciaram negligência. A mãe da criança, Jéssica Pereira da Costa, relatou que a bebê apresentava febre e vômitos, mas demorou a ser atendida e piorou depois de receber medicação. Jéssica afirmou que Isadora recebeu 3 doses de Plazil, medicamento que não seria ideal para a idade dela. Durante uma crise convulsiva, a mãe relatou que foi tratada com descaso por profissionais de saúde, como um médico que atribuiu o quadro a estresse da criança e teria negado o transporte imediato para outra unidade de saúde.
5 meses sem resposta. Eu quero saber até onde o Plazil afetou a morte da minha filha, até onde o fentanil, o que que eles fizeram com ela. Eu só quero ter essa resposta. Eu não quero vingança, eu quero justiça. Como que um médico vê um bebê tendo convulsão, ele fecha a porta na cara da pessoa? Meu coração dói tanto, mas tanto. Nada disso que eu tô fazendo vai trazer Isadora de volta, só que talvez através de mim pode parar esse erro.
A assessora do Conselho Regional de Farmácia, Daniela Moreira, afirmou que o Plazil não é o medicamento de primeira escolha para menores de 1 ano e que a reação descrita pela mãe é compatível com um efeito adverso da medicação. Ela também chamou atenção para a ausência de assistência farmacêutica integral no hospital de Buritis, que teria um farmacêutico por apenas 1 hora por dia. Para ela, essa deficiência aumenta o risco de erros de prescrição e dosagem.
Nós já pedimos uma diligência para verificar essa situação. Infelizmente, nós temos uma decisão judicial. Essa decisão, ela vale para todo o território nacional, em que hospitais com menos de 50 leitos, a justiça entendeu que não precisa de farmacêutico. Ou seja, não existe a implementação do acompanhamento farmacoterapêutico e dos cuidados farmacêuticos relacionados à segurança de medicamentos, fazer a verificação da prescrição, o ajuste de dose, avaliar o prontuário e discutir com a equipe clínica, se for necessário, esses ajustes, é impedir que esses erros aconteçam.
A deputada Ana Paula Siqueira, do PT, a presidenta da comissão, anunciou que vai realizar visitas técnicas às unidades de saúde citadas e encaminhar as denúncias ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde.
O desenho aqui trazido, ele mostra que tem ali uma falta de assistência. O simples fato dela ter sido deslocada, transferida, sem a presença no hospital da equipe médica ali, de um carro apropriado, já diz muito pra gente sobre isso.
O Conselho Regional de Medicina informou que já instaurou o procedimento para apurar a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento. E a Secretaria de Estado de Saúde esclareceu que a gestão do hospital e do transporte sanitário é de responsabilidade do município. O Estado participa da investigação da morte por meio de comitês técnicos de mortalidade materna e infantil. Os hospitais e prefeituras das cidades envolvidas não enviaram representantes para a audiência pública. Da Assembleia Legislativa em Belo Horizonte, Graziely Mendes.