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Hamilton Mourão fala sobre Forças Armadas, polarização e economia

03 de maio de 202629min
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Hamilton Mourão fala sobre Forças Armadas, polarização e economia
Participantes neste episódio2
Z

Zé Marinho

HostApresentador
H

Hamilton Mourão

ConvidadoSenador
Assuntos2
  • Polarização PolíticaDisputa entre direita e esquerda · Candidatura avulsa
  • Forcas Armadas EUAManutenção da defesa · Orçamento das Forças Armadas · Indústria de defesa
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Salve, seja bem-vindo. Pois é, estamos aqui no Planalto Central do País, nos estúdios da Jovem Pan, que acompanha a política, as entranhas do poder. É muito interessante. E nós devemos acompanhar a política, porque a política faz a sua vida. A escola do seu filho, a casa que você mora e a projeção de futuro.

Hoje a conversa vai ser muito boa. É o senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República, e que está fazendo um papel muito importante no Senado. Todas as negociações de poderes passam exatamente pelo gabinete do senador Hamilton Mourão. Senador, muito obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan.

Zé Marinho, satisfação estar aqui, a gente conversar sobre os assuntos que são do momento. E como você colocou bem, a política está em todos os momentos da nossa vida, a gente não pode descolar dela. Pois é. Senador, o senhor é militar da reserva. Militar nunca deixa de ser militar, não. Estou ainda na turma dos que podem ser convocados, até os 75 anos. Mas no militar, na caserna, também tem muita política, né?

A política do exército. A caseira faz a política, no meu caso, a política do exército, que não é a política partidária. Sim, mas tem os grupos, tem os jeitos, a convivência com os comandantes. A convivência do dia a dia, vamos dizer, toda a relação humana termina sendo uma relação política, no final das contas.

Mas o que eu queria dizer é o seguinte, quando um militar, um oficial, vai a general, ele leva a turma, o grupo mais próximo dele. Quando ele assume o comando, geralmente ele se cerca ali, isso é um tipo de política, né?

Olha, Zé Marinho, o que acontece é o seguinte, não tem tanta liberdade assim do comandante escolher os seus assessores mais próximos. No momento, hoje, por exemplo, um comandante de unidade pode escolher seu subcomandante. Na minha época não podia. Você encontrava quem tinha lá e pronto. Então, pelo menos, o seu subcomandante hoje você pode escolher.

Quando eu era general, o chefe do Estado-Maior, seja da Brigada, da Divisão ou do Comando Militar de Área, também você não escolhia, era alguém que era designado. Agora também há uma combinação com o comandante do Exército para que possa escolher alguém que você tenha mais afinidade, vamos falar assim. E, obviamente, o general escolhe um assistente, o assistente sim, que normalmente é um tenente-coronel ou um coronel.

Senador, eu queria explorar a sua experiência de militar, porque eu entendo que houve uma mudança muito grande na concepção do que é a defesa e de instrumentos bélicos. Houve uma mudança, o eixo do mundo girou, mudou.

Eu costumo comparar a segurança nacional, defesa, como manutenção. Se você não faz manutenção, pode ir na sua empresa, na sua indústria, na sua casa, e de repente faltou energia, porque não houve manutenção. E não dá para fazer de repente. Então, a defesa tem que ser construída, é uma cultura. Não se pode ficar displicente nisso. E eu entendo, senador, que houve um momento de...

muita displicência do Brasil nesse setor. Na realidade, né, Zé Maria, como o Brasil é um país cujo último conflito importante onde ele se envolveu e sem esse conflito ter ocorrido dentro do território nacional, foi a Segunda Guerra Mundial quando nós mandamos a Força Expedicionária para a Itália, então nesses 80 anos o Brasil não viveu.

é o guerra. Então a população brasileira ela tem uma preocupação, por exemplo, com a segurança pública, que poderíamos classificar como um conflito de baixa intensidade que ocorre aqui dentro do país, mas não é uma guerra como nós estamos vendo hoje, né, do Irã, na Ucrânia, em outras regiões lá do próprio Oriente Médio, no norte da África, onde você tem conflitos disseminados pelos mais diversos lugares.

Então a defesa ficou realmente relegada para um segundo plano. E defesa é um seguro que você contrata e é um seguro caro, tem que ser pago. Eu até me lembro de um comentário do senador José Sarney, quando ele era presidente do Senado, alertando uma corrida armamentista muito grande aqui por parte da Venezuela, que chegou a um ponto que era superior ao Brasil.

Na realidade, a Venezuela... Você esteve lá, né? Estive, foi adido lá na Venezuela por dois anos. Mas não adianta você só comprar o armamento. Você tem que ter a mentalidade do emprego daquele armamento, ou daqueles meios, e principalmente a manutenção. A Venezuela, em determinado momento, comprou aeronaves americanas, que terminaram por ficar sucateada por falta de manutenção. Depois comprou os russos, que é o mesmo problema, de falta de manutenção. Muito carro de combate, muito fuso.

Muito cargo de combate, trocou todos os seus fuzis, ela tinha um fuzil FAO igual ao nosso, trocou pelo AK-47, mas não é algo que nos ameaçasse, vamos falar assim. Não chegou a ter? Não, nunca foi uma ameaça aqui para o Brasil. A ameaça maior oriunda da Venezuela era do regime que estava instalado lá e que levou ao êxodo de venezuelanos pelo mundo inteiro e em particular aqui para o Brasil.

Assusta o senhor esse poderio norte-americano e essa possibilidade de entrar em qualquer país?

Olha, os Estados Unidos possuem hegemonia militar, tecnológica. Foi surpresa? Não, não é surpresa. Há muito tempo que ele tem essa hegemonia militar e tecnológica. Mas é óbvio que o país atacado pelos Estados Unidos, sempre sendo o mais fraco, ele vai partir para uma guerra simétrica. Ele vai procurar ferir os Estados Unidos em locais onde os Estados Unidos não têm condições de defender.

Então nós estamos vendo agora especificamente no caso do Irã, mesmo com a sua liderança destruída, os Estados Unidos estão sofrendo pela questão econômica. Apesar de um dos objetivos, na minha visão, ser um objetivo econômico da guerra que ele está travando lá, mas o fechamento do Estreito de Hormuz apareceu, como vamos dizer assim, um ativo estratégico do Irã que lhe permite tentar negociar. Ele nem sabia que tinha. Eu acho que ele sabia, mas não tinha explorado isso ainda convenientemente.

E no nosso caso aqui do Brasil, o Brasil tem um ativo estratégico que se chama produção de alimentos e que ele vem cuidando muito mal desse ativo. Então é uma situação porque o mundo inteiro está dependendo, ou diretamente através de produtos in natura ou mesmo através de soja para fazer ração. Não, o Brasil alimenta um bilhão de pessoas no mundo.

Agora, face aos acidentes climáticos que vêm ocorrendo aqui no nosso país, o aumento do preço dos insumos, a queda de preço das commodities, os nossos agricultores estão sofrendo tremendamente em dividados, com uma quantidade de dívida enorme.

E que o governo federal tem que socorrer e buscar uma solução, porque pode perder o ativo estratégico que nos permite negociar com o restante do mundo. O orçamento das Forças Armadas eu acho que é um pouco menos de 30 bilhões de reais.

Não é muito, aliás é muito pouco. Por um país continental como o Brasil, com a dificuldade de conter as barreiras e a atuação do exército, tem todo lugar, a capilaridade é muito grande.

é mais ou menos o orçamento do Congresso, quer dizer, é muito pouco o investimento. É, na realidade, essa questão do investimento nas Forças Armadas, você colocou no começo da nossa conversa, ele veio diminuindo paulatinamente.

a compressão orçamentária que o país sofre por gastos que são realizados em outra direção, não liberou recursos necessários para a Força Armada. E aí a Força Armada foi sendo sucateada, principalmente forças onde os materiais são mais caros, como a Marinha e a Força Aérea, e que também você não compra e nem faz da noite para o dia.

Então, eu acho que agora se acordou, se chegou à conclusão que tem que haver um investimento e principalmente dentro da nossa indústria, da nossa base industrial de defesa. Porque isso é um gerador de riqueza, é um gerador, vamos dizer assim, de segurança, de proteção para o país. É um gerador de empregos, de renda. Então, olha para os Estados Unidos. Os Estados Unidos é o complexo industrial militar.

tudo ali gira em torno dessa dupla. Aquilo que a indústria desenvolve em prol do poder militar do país. E nós temos que nos aproximar mais desse modelo. Há um certo preconceito na atividade militar, porque acham que os militares ficam em descensos cordões, marchando sem sentido nos quartéis. Não é assim. Militar fica estudando, e estuda muito. Para chegar a general...

Explica aí, senador. O caminho é longo, né? Começa lá aos 18 anos, na academia. Vamos começar assim o seguinte. No próximo ano, 400 rapazes e moças irão ingressar na escola preparatória de cadetes do Exército. Daqui a 35 anos...

desses 400, 18 chegarão a generais de brigada. E desses 18, 9 chegarão a general de divisão e 4 ao posto mais alto general de quatro estrela. Então, desse grupo de 400, 4 vão chegar na ponta da linha após 45, 44 anos de serviço. É uma seleção muito grande.

a seleção natural nisso aí. E, óbvio, há um processo de educação continuada. Mas o principal é o aprestamento, a capacidade operacional que tem que ser mantida, a rigidez física, o domínio das táticas, das técnicas, da estratégia, tudo isso tem que ser mantido ao longo desse período da carreira.

E eu percebi que as últimas grandes invenções foram feitas por militares do mundo inteiro, como a internet, mesmo o aperfeiçoamento do drone. Eu vejo hoje o drone sendo aplicado na agricultura e fazendo pulverização e tal. Grandes invenções foram feitas entre os militares.

porque é o emprego dual, que se chama da indústria de defesa. Isso se busca muito dentro da indústria de defesa. Pesquisas que são feitas num determinado sentido para o campo da arte operacional, da arte militar, que terminam tendo uma função dentro do campo civil. Você citou aí o caso da internet, o GPS. Hoje...

A gente se desloca para qualquer lugar do Brasil, não precisa mais daquele mapinha da quatro rodas que tu andava para todo lugar. E foi invenção militar, né? GPS e a própria internet. E a internet também. A alimentação, esses macarrões instantâneos, tudo isso foi produzido pensando na ração de combate.

Vamos mudar um pouco para a política. O senhor chegou a performar bem como possível governador do Rio Grande do Sul. O senhor vai manter a candidatura ou não? Na candidatura do nosso campo político, vamos dizer assim, estamos ombreados com o deputado Zucco, que é um rapaz que cresceu ao longo da política, foi deputado estadual, está terminando seu mandato como deputado federal.

Tenho um excelente conhecimento lá do nosso Estado, está juntando um grupo forte ao lado dele e, consequentemente, o nosso partido republicano aderiu à candidatura do Zouco. Estamos trabalhando juntos. O senhor acha, senador, que na disputa deste ano ainda vai ser aquela linha de Bolsonaro e PT e pronto?

Na realidade, Zé Maria, está travado desse jeito e por que acontece isso? Eu acho que a gente tem que ficar muito nessa questão da polarização, a polarização, a polarização. Olha, a polarização ou a disputa entre um lado e outro, ela existe porque o Partido dos Trabalhadores tinha um projeto de permanecer longo tempo no poder.

Esse era o projeto. E durante muito tempo aquele discurso do nós contra eles, como se eles fossem os vestais, os donos da verdade, quando na realidade nunca foram isso. E obviamente a toda força de ação existe uma força de reação igual e contrária. E essa força de reação surgiu...

A pessoa que deu, vamos dizer assim, o magnetismo a essa força foi Jair Bolsonaro. Isso ninguém poderá negar, fará parte da história do Brasil daqui a uns anos, quando se analisar esse período. Quando ele te convidou para serviço, o senhor acreditava na eleição? Olha, naquele momento a gente acreditava que tinha excelentes condições, pelo que nós estávamos vendo andando pelo Brasil. Mas continua o senhor falando da polarização.

Então agora é óbvio que está traçado esse caminho. E quando a gente conversou há pouco, antes de começarmos a entrevista sobre os americanos, os americanos têm dois partidos, eles se batem o tempo todo republicano e democrata.

E a tendência que nós vamos ter aqui no Brasil é um lado e outro, e aí se buscam, porque tem que ter a terceira via, não sei o que, a terceira via. Na realidade, hoje, a disputa está dada entre a direita e entre a esquerda, e tem um centro que busca ser conquistado pelos dois lados.

O senhor tem razão. Eu fui prestar atenção nos últimos presidentes eleitos e percebi que houve sempre a polarização. O que mudou foi com quem? O Aécio perdeu para a Dilma de pouquíssimos. O que era a direita considerada antes? O PSDB. O PSDB foi considerada a direita pelo PT. Dá vontade de rir até.

Pois é, quando chamava de liberal, a pessoa do PSDB ficava ofendida. Liberal e progressista, né? É, ficava ofendido. Mas sempre houve, o Aécio perdeu de pouquíssimos votos. Sim, antes do Aécio, o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, perdeu, o Serra perdeu, era o PSDB disputando com o PT.

Todas as eleições, 2002, 2006, 2010 e 2014. Quatro eleições. E o sistema partidário, senador, hoje? O senhor acha que está bem distribuído? Porque eu tenho impressão, senador, que viraram plásticos os partidos. Ninguém sabe ali a diferença do União Brasil, do PP, do Solidariedade, tudo igual.

Eu estou na política, vamos dizer assim, mas uma fragilidade que nós temos é que os nossos partidos não têm consistência nacional. Então, o meu partido, o pessoal do Nordeste pensa de um jeito, o Norte pensa de outro, do Sul. Então, a gente não consegue ter uma unidade. E isso é em todos os partidos.

E é óbvio que agora, com o aumento da cláusula de barreira, ela ficando cada vez mais restrita, nós vamos começar a enxugar esse número de partidos e eu julgo que, inclusive, até em nome da tal governabilidade, para que um governo consiga construir uma maioria estável dentro do Congresso, a gente ter de cinco a sete partidos efetivamente representados seria muito importante e muito bom para o país como um todo.

Pois é, já houve um momento que eram 34 partidos políticos e tinha 70 na fila de criação do Tribunal Superior Eleitoral. Hoje com registro ainda temos 30, mais ou menos. Com registro, mas representação no Congresso Nacional acho que tem 18, 17. É por aí 18 que vai cair. Vai cair, tem as federações. Eu estou vendo alguns partidos aqui agora que estão...

uma situação complicada. Eles vão ter dois, três deputados, mas já não vão ter mais acesso aos fundos, e isso começa a levar o partido para... Horário eleitoral, fundo, principalmente o fundo. Existe a possibilidade de se estabelecer a candidatura avulsa? Nos Estados Unidos, por exemplo, se admite a candidatura avulsa.

É algo que aqui no Brasil ainda não é pensado, até porque o nosso sistema é proporcional. Você poderia ter uma candidatura avulsa no majoritário, mas no proporcional não tem como. Então, a não ser que mudasse o sistema. Então, eu não vejo hoje, em curto ou médio prazo, isso poderia acontecer aqui no país. A eleição do senhor e do Jair Bolsonaro, eu considerei, foi uma candidatura avulsa. Não tinha um grande partido por trás.

Na realidade, foi uma eleição, a primeira vez, onde o impacto da mídia social superou a tradição do tempo de TV, da distribuição do panfletinho, do folhetim. Então, a mídia social substituiu isso aí.

Então foi um avalanche o que a mídia social fez na nossa eleição e principalmente, vamos dizer assim, a capacidade que o presidente Bolsonaro e a equipe mais próxima dele ali teve de fazer uso desse instrumento. Eu sei que o senhor é muito ligado também na parte de economia.

E o próprio governo do presidente Lula, através da sua equipe de planejamento e de fazenda, traça-se uma dificuldade muito grande para o ano que vem, um orçamento colapsado.

Uma arrecadação de 6 trilhões e 300 bilhões, 2 trilhões, quase 3 trilhões para pagar a dívida, mas 2 trilhões para pagar folha de pagamento e previdência, quer dizer, não sobra para investimento. Como sair dessa enrascada, senador? Olha, Zé Maria, eu tenho falado nos diversos fóruns que eu tenho comparecido, que qualquer um que foi eleito, seja o Flávio, seja o presidente Lula, lograr ser reeleito.

ele não vai fugir de um ajuste fiscal, porque não tem mais para onde correr. Lamentavelmente, o governo do presidente Lula foi um governo gastador, gastou demais. Ele tem uma tríade aí que eu chamo, que é aumento de impostos, juros elevados e dívida. Que levou, inclusive, essa dívida que está a cometer o país todo. Vai chegar 100% do PIB. O país todo endividado. O país está endividado.

E então não há mais como fugir de reduzir o gasto público, encarar a questão de determinados aumentos dos benefícios, reduzir os benefícios tributários. Então não há como fugir disso aí porque a gente precisa voltar a obter superávit primário, porque apenas com o superávit primário a gente começa a bater o principal da dívida. Hoje nós não estamos abatendo nada da dívida.

A direita só está pagando juros e aumentando, porque o governo termina se financiando, porque não consegue cobrir todas as suas despesas. Pois é. É uma situação complexa porque não sobra, por exemplo, para investir em infraestrutura, que é um gasto bom, porque produz riquezas, melhora a condição. E o pecado ali é o tamanho do Estado.

Também, também. Nós, no nosso governo, tínhamos a visão de uma redução, fizemos uma redução que eu chamo de redução fantasma, porque ela não apareceu, mas por quê? Como é que eu chamo disso? Porque pessoas que se aposentaram, nós não contratamos ninguém para substituir. Agora, há um enorme problema no país para você tirar a gente que há em excesso no lado A e colocar no lado B que está faltando.

por causa da questão das carreiras de Estado. Então, daí a importância da reforma administrativa, que detonaria horizontal essas carreiras, e permitiria que o cara trabalhasse em qualquer ministério, desde que ele estivesse naquele nível, vamos dizer assim, salarial.

Ele pode trabalhar no Ministério A, B ou C, dependendo da necessidade daquele momento. E essa reforma está no Congresso Nacional, né? A reforma que o Paulo Guedes apresentou, que é do categorismo. O deputado Pedro Paula que vinha relatando isso, né? Mas parece que dá o ticário quando você fala nisso aí, né?

É porque aqui em Brasília o lobby dos funcionários públicos é muito forte, né? E o governo atual é ligado aos sindicatos e não iria contra os sindicatos servidores. Pois é, mas nós não podemos continuar presos a uma enorme quantidade de funcionários públicos e por isso termina faltando recursos. E o desequilíbrio, né? Acaba faltando. Você vê, falta gente na Receita Federal. Você olha a Comissão de Valores Mobiliários.

Vai ver quantos funcionários tem a Comissão de Valores Bambiliares. Vou dar um chute aqui. Tem uns 40, 50 funcionários. Sabe quantos fundos existem no Brasil?

Fundos de pensão. Fundos de investimento. A de investimento... Tem noção? Tenho a impressão que tem mais de 100, né? Tem mais de 6, Zé Maria. 32 mil. 32 mil fundos de investimento. Sabe quantos tem nos Estados Unidos? Para 40. Para 40 malandro terem que fiscalizar. É impossível. É impossível. Nos Estados Unidos são 16 mil. Eles têm metade e há 7. Tem quase mil funcionários.

Senador, recentemente eu fiz um levantamento sobre as agências reguladoras que nas privatizações foram criadas para serem as defensoras do consumidor e realmente regular. Quando eu vi a agência reguladora de minério com dois fiscais...

Como que vai fazer essa situação? E o outro é o próprio Banco Central. Está parado lá no Congresso, a gente não consegue fazer avançar. Está o relatório pronto lá do Plínio e Valério, já foi, já voltou várias vezes. O Plínio vem brigando por isso, para que o banco tenha efetivamente a sua autonomia, de modo que ele possa contratar gente e pagar com os recursos que ele mesmo gera.

então, sair da ciranda que a gente está aprisionado, e aí o Banco Central aumenta a sua capacidade de fiscalização no momento que o mercado financeiro está sendo invadido por algumas quadrilhas, que descobriram um outro filão para o crime organizado.

O Banco Central tem autonomia, mas uma autonomia de manutenção dos diretores e administrativo, e o projeto é uma autonomia administrativa que pode contratar, pode oferecer salários maiores, porque vem perdendo, por incrível que pareça, são os maiores salários aqui. E perde para o mercado.

Porque um profissional daquele do Banco Central que ganha um salário para o funcionalismo público e para o resto do país até muito bom, se ele vai para o mercado ele vai ganhar quatro vezes mais, cinco vezes mais. É uma realidade. Porque essa autonomia que foi dada ao Banco Central é igual o pai que diz assim, olha pode pegar meu carro aí e passear, mas eu não vou te dar dinheiro para gasolina.

É a autonomia que o Banco Central hoje, eles não têm dinheiro para gasolina. E você não pode sair da cidade. É, não pode sair da cidade. É verdade. Mas são salários altos, né, senador? Dentro dos parâmetros nacionais, mas não são salários, vamos dizer assim, astronômicos, até porque, Zé, e aí eu quero colocar isso para o público como um todo. Se publica o salário bruto das pessoas, isso não é correto.

Porque só o imposto de renda come quase 30%. Você bota mais o plano de pensão que tem que ser pago, bota mais o plano de saúde que é obrigatório. E quando vai ver o salário líquido é totalmente diferente daquele salário bruto que é publicado. Eu acho que isso é algo que muitas vezes gera um clamor na população da forma como é publicado, mas a realidade não é essa. Pois é.

E agora o projeto que está mesmo tomando conta dos debates no Congresso Nacional é o fim da semana 6x1. Hoje são 44 horas semanais, a jornada máxima de trabalho. Então, numa semana...

A jornada máxima é 44 horas e 6 por 1, quer dizer, uma folga por semana. A ideia é reduzir o projeto a 36 horas semanais, mas parece que já tem um acordo de 40 horas semanais. E 5 por 2, quer dizer, dois dias obrigatórios de descanso. Como é que o senhor está vendo esse projeto? Olha, Zé Maria, esse projeto é um projeto que é antieconômico.

Ele, no final das contas, vai prejudicar o trabalhador, vai haver perda de emprego, no final disso aí tudo. É importante que as pessoas compreendam que existe uma coisa que se chama liberdade contratual.

eu vou vender a minha força de trabalho, a minha capacidade de trabalho. Eu posso vender três dias de semana para o meu trabalho e vou ganhar X. Posso vender seis dias e vou ganhar 2X. Isso se chama liberdade contratual. Agora, o que se quer? Se quer engessar os contratos, pior ainda colocando na Constituição que o regime é esse, quando você pode ter gente que vai trabalhar um dia, gente que vai trabalhar dois, gente que vai trabalhar sete.

E até porque é um outro problema que nós temos aqui no país, que nós não ganhamos nem pagamos por hora trabalhada. Seria outra questão. Hoje eu vou trabalhar 12 horas, eu ganho por hora trabalhada, vou ganhar 12 vezes a hora trabalhada.

E é emblemático ao que ocorreu nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX, quando o sindicato dos padeiros, das padarias de Nova Iorque, as grandes padarias, eles entraram na justiça para impedir que as padarias menores trabalhassem mais de 12 horas. Com isso, diminuindo a concorrência.

Um dono dessas padarias menores e o próprio padeiro escalaram a briga até a Suprema Corte, demonstrando que eu quero trabalhar 16 horas por dia porque eu vou produzir um pão de melhor qualidade, vou ganhar mais dinheiro e vou dar mais conforto para a minha família. A Suprema Corte deu grande causa. Isso, senhoras e senhores, se chama liberdade contratual.

Senador, tem uma lei que ninguém sabe que existe, mas eu acompanhei a votação dela, eu era presidente da Câmara, o Aldo Ribeiro, que colocou essa lei, que proíbe no Brasil, por exemplo, o auto-serviço num posto de resolução. Eu sabia que existe essa lei. É, é proibido, tem que ter o frentista. Tem que ter o frentista, quer dizer, no mundo inteiro existem os postos que você passa o cartão de crédito e pronto. Era que nem trocador. É, é proibido.

O trocador acabou no ônibus Antigamente tinha o trocador De saudosa memória Aquele que batia a fichinha e dizia Fecha e leva É uma lei que Continua e ninguém fala em revogar Quer dizer, o auto-serviço é a realidade De todos os setores Teria essa liberdade, o posto que quer contratar Quer ter o frentista, quer uma comunidade Para o cara que vai abastecer Né?

Ele teria o frentista, o posto que não quer ter frentista E aí você, consumidor, diz assim Eu vou no posto B ali porque vai ter um frentista Que vai limpar meu parabriso Vai me abastecer o carro, eu não vou ter problema nenhum Vai calibrar meu pneu Aí ele cobra mais, cara, né? É o serviço que está sendo O serviço tem que pagar, né?

Muito bem, senador. Muito obrigado. Foi uma conversa muito boa aqui no ponto final. Nós queremos que você continue aqui na Jovem Pan. Muito obrigado. A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.

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