E se a condenação do seu cliente for decretada pela opinião pública antes mesmo que a defesa tenha acesso ao inquérito policial? Diretamente da imersão no Rio de Janeiro, Andrews Bianchi reúne a jornalista Rita Barchet e o perito e consultor forense Sami El Jundi para destrinchar a complexa engrenagem dos casos de crimes sexuais no Brasil. Eles debatem como o vazamento sistemático de boletins de ocorrência alimenta manchetes imediatistas que funcionam como pré-julgamentos, sufocando a busca pela verdade. O episódio confronta a urgência da prova técnica — como os exames toxicológicos de janela ampla e a extração forense de dados celulares — com a volatilidade da prova baseada em memória, propondo a necessidade de uma verdadeira "cadeia de custódia da memória" para evitar falsas acusações e contaminações cognitivas. Um debate indispensável para advogados entenderem que, na advocacia criminal moderna, a gestão da prova e o gerenciamento da imprensa devem caminhar lado a lado, desde o primeiro dia, para enfrentar o aparato do Estado.