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3 titulos para ver na netflix essa semana

12 de outubro de 2020

Com um catalogo enorme para ser visto na netflix, a gente acaba se perdendo e demorando de mais para escolher o que assistir. Para isso, separei 3 títulos que voce pode se interessar a ver durante essa semana.

O diabo de cada dia

O diabo de cada dia é um filme sobre violências.

Nessa adaptação produzida pela Netflix, Antônio Campos faz coisas bastante parecidas com o que fez em The Sinner. Coloca personagens aparentemente complexos em situações extremamente vertiginosas, nas quais a violência, além de sempre presente, se mostra como o personagem principal da trama.      

E aqui, não se escolhe apenas um tipo especifico. Tem de todos os tipos. Violência em tempos de guerra, violência doméstica, com crianças, com mulheres, religiosa, policial, enfim tem para todos os gostos. E tudo de maneira muito organizada, a ponto de o espectador conseguir entender como ela influencia a vida de cada personagem que passa pela história.

Tudo por conta de um roteiro muito maduro, coeso e bem amarrado. Os irmãos Campos escolhem a maneira não linear de apresentar sua película e contam em seu plantel de atores figuras de peso que atuam de maneira excelente em todo o seu filme. Alguns podem torcer a cara para o pastor meio caricato feito por Robert Pattinson. Eu gostei e é o que eu esperaria de um religioso pederasta que vive no interior dos EUA.

O filme pode ser considerado o melhor da Netflix em 2020. Bem dirigido e extremamente coeso, O diabo de cada dia nos coloca de frente com as diversas violências que o mundo nos proporciona, e nos faz refletir sobre como ela pode influenciar nossas vidas. Alguns podem achar o filme exagerado, mas é exatamente dessa maneira, ampliando a coisa toda, que a gente consegue identificar um problema. As artes estão aí para isso.

The Dirt

O que será que é necessário para se fazer uma boa cinebiografia?

Lembro como se fosse ontem o dia em que fui ver o show do Iron Maiden, em São Paulo. Foi uma sensação incrível ver aquele teatro todo de perto, com muita pirotecnia, luzes e guitarras barulhentas. O coração a mil, acompanhando cada kick do bumbo da bateria. Sentindo a sinergia do publico com o palco. Foda!

Acompanhar a “The Dirt” foi uma experiencia parecida. O filme vai contar a história da banda de glam metal Mötley Crüe e de seus quatro integrantes: Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil. Nas quase duas horas de filme o diretor Jeff Tremaine (Franquia Jackass) entrega de maneira regular o que se espera do maior clichê do rock’n roll: sexo drogas e degeneração.

Todos os personagens tem tempo de tela muito parecidos, e isso colabora para que você se afeiçoe com cada um deles, apesar de não serem as melhores pessoas do mundo. Claro, isso é resultado de o filme ser uma adaptação da biografia do grupo, escrita em conjunto e lançada em 2001.

A mixagem de som de The dirt é o que contribui para que o filme ganhe alguns pontos como produção. As atuações são aceitáveis, até porque não é muito complexo emular adolescentes drogados com traços de psicopatia. Os figurinos também são bacanas e traduzem muito bem os anos 80.

No final das contas, The Dirt entrega o que promete. Não sou fã da banda, mas acho que faz um excelente fã service, ou seja, tem os elementos necessários para uma boa cinebiografia.

Trailer Park boys

Trailer Park boys conta a história de três degenerados que vivem a base de muita falcatrua no interior do Canada. A série canadense, que tem seu primeiro episódio em 2001, conta com 12 temporadas, dividida em episódios de 25 minutos. Ou seja, fácil de maratonar.

O formato é o consagrado falso documentário, com uma câmera bastante caseira seguindo os protagonistas o tempo todo. Em alguns momentos parece até aquelas gravações de casamento daquele seu tio velho, sabe? A série, de maneira geral tem um aspecto de baixo orçamento que além de contribuir e muito para algumas piadas e resolver certas situações do roteiro, ainda exerce uma função estética excelente que é a de evidenciar a pobreza e as carências que envolvem os moradores de trailer.

A serie tem tons bem acentuados de non-sense e psicodelia. As histórias de cada episódio passam por situações escabrosas, mas não tão improváveis assim. De carros sem porta a plantações hidropônicas de maconha – e um personagem que fica cem por cento do tempo sem camisa -, Trailer Park boys trata tudo de maneira muito orgânica, com atuações razoáveis, naturalizando o absurdo e entregando uma comedia baseada na vergonha alheia, a famosa “Cringe Comedy”.

É bom deixar claro que os mais conservadores talvez tenham problemas com ela. Os roteiristas abrem mão de qualquer pudor para poder passar sua mensagem, invadindo com bastante vontade o submundo em que Julian, Rick e Bolhas vivem. E com isso, a serie deixa espaço para qualquer tipo de personagem possível dentro de suas tramas sendo, de certa forma, bastante inclusiva.

Trailer Park Boys é uma serie para se assistir com o coração aberto e a mente limpa (ou não). Ao mesmo tempo em que exerce uma função de nicho, tem pretensões de tentar ser popular. E, de fato, consegue.

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