Pedro Souto e João Monteiro (MOTELX 2026) | Ep. 30
Ricardo Du Toit fala com Pedro Souto e João Monteiro onde falam sobre as celebrações do 20º aniversário do MOTELX - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.
Ricardo Du Toit
João Monteiro
Pedro Souto
- A celebração dos 20 anos do MOTELX e a vitalidade do festivalMOTELX·Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa·Comunidade do terror
- Destaques da programação do MOTELX 2026, incluindo cinema asiático e filmes de músicosServiço de Quarto·Cinema asiático·J-horror·Spoon of Chocolate·Game·Rhythm·Geoff Barrow
- A evolução do cinema de terror português e a contribuição do MOTELX para a produção nacionalBody Hackers·Carlos Conceição·Body horror·Curtas-metragens·Prémio para o melhor guião de terror português
- A vitalidade do gênero de terror no cinema e o sucesso de filmes de baixo orçamentoObsession·Backrooms·Blair Witch Project·Produção independente
- A presença de convidados notáveis e a dificuldade em agendar suas participaçõesJörg Buttgereit·Necromantic·Sérgio Martino·Roger Corman
- O impacto da inteligência artificial no cinema e as questões éticas envolvidasAI generativa·Direitos de autor·Cartas Telepáticas·Edgar Pera·Questão ambiental
Ora, estou aqui com Pedro Souto e João Monteiro do Motel X, que celebra este ano os seus 20 anos, 20 edições do Motel X. Como é que vocês estão hoje? Estamos bem, sim, entusiasmados pelas duas décadas.
É psicológico.
Sim, tivemos, falámos sobre isto, me pareceu, não há 5 anos, os 15 anos do Notel 6, e já estávamos a sentir assim um bocadinho do adolescente que agora é um adulto, não é?
Não, é verdade. Assim, eu acho que hoje em dia é tão, quer dizer, hoje em dia acho que há sempre foi, mas é sempre complicado tu manteres um evento, seja ele qual for, durante tanto tempo, e sempre com aquelas ideias de renovação, de novas propostas, de alguma reinvenção de quando a quando. E eu acho que o Motel X acabou por conseguir isso, e quer dizer, muito graças à comunidade que o rodeia. Não é só a equipa que o organiza ou que o produz, mas é essencialmente é o público que têm aderido, têm trazido também os seus amigos, os amigos ficam fãs.
Há outros que nem por isso, mas vão se calhar ver uma sessão pelo menos. E acaba por ser esse encontro anual de uma série de pessoas que são apaixonadas pelo género do terror, pelo cinema de género em geral e pelo terror em particular. E E depois eu acho que também a produção portuguesa tem contribuído muito para a popularidade do festival e para essa vitalidade que tu sentes quando vais a uma das edições.
As minhas primeiras sessões do Motul X foi daquela série do Masters of Horror, ou antologia, que vocês exibiram na altura. Portanto, isso sim. Que eu fugia de Odivelas e apanhava o 36 que parava em frente ao São Jorge. Pronto, e faltava, e baldava-me às aulas da primeira semana da apresentação porque não queria estar na escola e queria ver filmes de terror.
Fico orgulhoso de perceber que o Motel X motivou alunos a baldarem-se às aulas.
É verdade. Acho que a única altura que não me baldei às aulas foi efetivamente quando estava a estudar na EPI, que não podia. E efetivamente aí não havia hipótese. Mas é o fim de semana.
Uma vez baldei uma mala já no centro de faculdade e fui ao cinema ver o Capitães de Abril, e a meio do filme aparece a minha professora, a professora do tal acampinho baldado que entrava no filme.
A sério?
Era uma das pessoas entrevistadas na rua dos Capitães de Abril.
Pequenas coincidências que acontecem. Estás a ser perseguido. Mas sim, portanto, há muita coisa neste, neste Hotel X, e portanto vamos celebrar estas duas décadas com uma programação mais alargada, não é? Com uma colaboração na Cinemateca, portanto os filmes do Kino também, mas também muitas novidades no serviço de quartos. Querem falar um bocadinho sobre alguns dos vossos destaques favoritos?
Eu vou introduzir só para o João fazer o desenvolvimento. Vão ser quase 50 filmes no serviço de quarta.
E agora vou falar de cada um desses 50 filmes individualmente.
Portanto, Hope, Praias do Sul, não sei que ano exato for, 130 minutos. Mas são, são, é muito filme e só de uma só secção, portanto, fora todas as outras secções à volta, mais as curtas, mais—
foi a única secção que aumentou dramaticamente com o aumento dos dias também. E portanto, alguém vai ter que sofrer, e foi o serviço de quarto que sofreu. Mas a maior parte dos filmes, há uma predominância de cinema asiático, o que é interessante. Nomeadamente o japonês, que era algo que tinha sido ultrapassado. O J-horror foi ultrapassado pela K-horror, agora o J-horror está a voltar outra vez. E nós temos vários filmes japoneses bastante interessantes e eficazes, digamos assim.
E outra coisa engraçada é filmes produzidos ou realizados por músicos. E temos o último do Rhythm, que eu acho que vai ser a longa dele. Chamado Spoon of Chocolate, que é uma espécie de variação do Rambo. E o Game, que é um filme ainda mais estranho, porque é um survival filme cujo objetivo é meditar um bocadinho sobre cultura rave em Inglaterra nos anos 90. E tens o Geoff Barrow, que é o fundador do Sporting Bet, na produção.
Ina no argumento e o vocalista do Stephen Mott como intérprete. E curioso é que eles aceitaram o nosso convite e vão estar no Motel X para apresentar. Portanto, esta vai ser provavelmente uma sessão incrível. Fora disso, assim que a cabeça, porque não tinha aqui nada, são muitos filmes de facto. Há um filme chamado It Ends, e o It Ends é um filme que vem um bocadito no seguimento daqueles dois que que não ia bombar nas salas. O Backrooms e o Obsession foi feito por um miúdo de 20 e poucos anos e é uma espécie de resumo de todas as filosofias existencialistas do último século 20.
É descrito como Sartre para a Gen X. E eu acho que é assim, se gostaram desse filme, as pessoas que viram esse filme, desses dois filmes, gostaram desses Aconselho vivamente o Independence. E depois, obviamente, o Fall Guys, que é o filme, eu digo Fall Guys porque é o único filme que me fez sofrer destes 50, verdadeiramente, ao ponto de eu querer desligar para ver mais. Mas não porque seja mau, é porque eu estava ali a sofrer. 20 anos a ver filmes de terror, pá, e não haver um que me faz isto, eu acho que aconselho imediatamente.
Curiosamente, pronto, a mítica história do James Franco no Motel X ainda perdura.
Nós este ano temos um filme, acho que se pode dizer, não é, da companheira dele, porque estava com ele nesse ano. Aliás, até estava com ele nessa mítica visita de férias que ele fez ao Motel X. Chama-se Find Your Friends.
E ainda estamos a tentar alguns, algumas surpresas de última hora, mas estas coisas dependem tanto de tantas agendas e tantas pequenas, é cada vez mais complicado conseguires encontrar convidados, mesmo para ser em Espanha, seja em França, não é fácil. Mas dentro dos convidados temos 3 grandes. Grandes a nível de carreira, que é o Jörg Budgerreit, que fez um filme, mais famoso filme dele é Necromantic, que correu muito bem na Alemanha e no resto da Europa.
O filme ficou a ser adorado muito tempo. Só agora é que voltou. Aliás, só agora é que o Goethe-Institut tem autorização para poder incluí-lo no ciclo. Ele já teve Já esteve no Japão, no Guta e tudo, mas até há 15, 20 anos ninguém queria tocar no Yorgo do Caralho. E os filmes dele são muito mais interessantes do que pareciam à primeira vista, porque não é só o choque ou não é só aquela épica punk. Há ali uma meditação sobre a questão da morte, que é um subtema do Motel X.
Depois o Sérgio Martino, que é obviamente Aquele realizador que toda a gente conhece, mas nunca ninguém viu um filme dele. E toda a gente o conhece porque viu através dos filmes do Tarantino e todos esses regurgitadores de cinema clássico que existem na América. E finalmente, esse sim, o maior nome do cinema americano, o Roger Corman, que teve um Hotel X há 4, 5 anos. Acho que foi para ele, eu acho que foi antes da pandemia, sim.
Foi há 8 anos.
Então pronto, eu estou em negação, não quero.
Mas para ti está muito presente, isso é bom.
Sim, mas parece que foi ontem.
Boas memórias então. Muito bem. Temos muitas curtas portuguesas, temos muitas produções nacionais também em longas. Portanto, temos o Body Hackers do Carlos Conceição. Que é talvez dos filmes mais antecipados de género a nível de produção nacional.
É, e é um body horror, que é sempre um género muito pouco visitado pela cinematografia nacional, muito raro diria mesmo. E portanto vai ser interessante perceber o que é que os fãs do terror e do body horror vão sentir com esta proposta nacional do Carlos Conceição.
Sim, e as curtas de, portanto, as curtas em competição também, elas todos os anos cada vez mais, não só pela evolução tecnológica, mas também pela forma que os criativos se inspiram e que fazem as suas curtas, também têm visto uma grande evolução nas últimas 20 edições, imagino.
Já, sem dúvida. A nível técnico, a coisa melhorou. E a nível técnico e temático, nós temos pelo menos 2 filmes assim de cabeça da competição que têm como tema crise da habitação e a gentrificação. E começa a haver também, como é que eu ia dizer, uma espécie de reação à subida da Não digo da extrema-direita, nem extrema-direita, mas de coisas parecidas com o Chega, e que começam a aparecer também nestes filmes feitos por miúdos, que eu acho que é fantástico, é de saltar e mostra que os criadores não estão a dormir, e obviamente o que está a passar está a afetar tudo.
Eu acho— diz disso. Não, não, não, há de ser mais interessante do que o que vais dizer.
Eu já tinha esquecido.
Eu ia só dizer que eu lembro-me um pouco no início do festival e no início desta tentativa de estimular a produção nacional. Me parece que deu alguns resultados, não só pela nossa, pela nossa ação, mas também por outras questões que foram acontecendo. Que havia assim um certo receio de existir muitos rip-offs de coisas se calhar mais americanizadas que nos influenciaram tanto ao longo dos anos e que acabavam por substituir um pouco se calhar essa criatividade em potencial que podia existir porque não havia referências nacionais.
Eu acho também nós, quanto programadores, tentámos um pouco procurar essas novas visões. Claro que aqui e ali podem aparecer coisas que se calhar estão muito bem feitas e que eventualmente mais inspiradas em filmes americanos, mas essa diversidade acho que sempre foi um cuidado que tivemos e que depois tentámos continuar, não é? Através de complementando com a programação do próprio Quarto Perdido, que nos vai trazendo várias outras ideias e soluções sobre o cinema de terror, tendo em conta, claro, o baixo orçamento que também caracteriza o nosso país.
E depois com coisas como tipo o prémio para o melhor guião de terror português, que também acaba por tentar de certa maneira promover um pouco a inclusão da cultura portuguesa, não com fins nacionalistas, mas de tentar um pouco prosseguir esse trabalho que tem sido feito com as curtas-metragens, já em produto final, não é? Aqui em longas não produzidas. E acho que isso tudo tem contribuído para essas temáticas que o João estava a referir.
Como é que vocês veem a inteligência artificial? Portanto, o ano passado houve uma intervenção dentro de uma obra em inteligência artificial. Eu acho que não houve qualquer coisa o ano passado. Foi há 2 anos, sim, sim, sim. E portanto, cada vez mais as ferramentas têm sido mais desenvolvidas e mais, e cada vez mais presentes, não é? Ainda agora tivemos o Ice Cream Man, onde o Eli Roth admitiu que efetivamente a animação que que passa no filme foi feita em inteligência artificial e criou-se aqui um debate sobre o quão ético e quão justo será com os outros criadores essa utilização de ferramentas.
Não sei se agora no futuro, o presente futuro, essas, como é que vêm essas ferramentas a intervirem no género e da forma dos filmes que têm visto ultimamente, podem participar ou não no festival?
Já, isso é uma pergunta tramada, porque isso acho que o problema do AI é ética humana, sempre.
Sim, sem dúvida.
Não tenho nada contra o AI, acho correiro, mas quando tu me dizes, pá, faz animações AI quando podiam contratar animadores, quer dizer, isso é obviamente tem a ver com a escolha do programador e do criador. Acho que isso é com ele. Portanto, se o objetivo é sempre fazer mais barato, e então, quer dizer, fator humano se faz sempre à vida, e totalmente. Agora, só achei estranho ao início que parecia que a discussão em torno do AI só fazia sentido nas áreas artísticas e no cinema.
Enquanto tens um telemóvel de estar constantemente a dar aquilo que tu queres, o teu algoritmo, e que provoca acidentes e que provoca outras coisas bem piores. E no entanto parece que é só no cinema que o AI está em todo lado. Quando nós começámos a discutir esta questão, nós até fomos, de vez em quando até somos atacados, pessoas que se manifestam nas redes sociais. Já o AI estava a ser feito, já o Elon Musk provavelmente tinha feito coisas horríveis.
E continuam a fazer. Agora é como tudo, né? Já tivemos esta discussão no digital, quando passou dos efeitos práticos para o digital. Por acaso, e aproveito para falar, há um documentário chamado Rubberheads, o Steve Johnson, que é um desses mestres dos efeitos especiais artesanais. E o filme, quando obviamente chegar a esse ponto em que ele tem que, das duas uma, ou mudo completamente o meu negócio acaba-se, não é? Portanto, não tenho nada contra aí enquanto ferramenta, mas tenho muito contra as pessoas que a usam. Não confio de todo nas pessoas que usam.
Eu pessoalmente acho que a questão do AI generativa é grande, pelo menos para mim, é a grande polémica desta nova tecnologia, porque Pronto, debate-se questão dos direitos de autor, como é que foi alimentada, com que imagens é que vão buscar para criar as novas, etc. Mas à parte disso, é como o João referiu, o AI vai ser integrado, ou está a ser integrado, em vários softwares, não propriamente para gerar cenas inteiras, mas para ajudar como acontecia com o CGI, em que tu modelavas uma personagem e ele criava, ia criando as coisas à medida que tu ias modelando.
E portanto, nesse sentido, acho que é um bocadinho impossível de controlar, porque quer dizer, se tu vais alterar, como fazes hoje em dia em pós-produção, ou as cores, ou um céu que queres que fique mais azul, ou com menos nuvens, ou for, provavelmente o software que usas, seja, sei lá, Final Cut, DaVinci, ou o que for, vai incorporar pequenos apontamentos tecnológicos de AI para te ajudar a isso. A questão da generativa e de substituir tudo é que se torna um bocadinho surrealista.
Eu senti que quando vimos o o Cartas Telepáticas do Edgar Pera, ele fez uma abordagem aí que tinha algum, me parece ter algum interesse e algum trabalho não só de realização, mas também de incluir atores reais, não é? As vozes são de atores reais. Mas quer dizer, é um apontamento de uma tecnologia, de uma criatividade que pode ser influenciada por essa tecnologia, para o bem e para o mal, e que sequer está datada naquele momento.
Daí para cá eu não tenho visto mais nada de interessante que pudesse sequer suscitar alguma discussão. Repara, o Cartas Telepáticas, tu tinhas uma correspondência entre o Fernando Pessoa e o H.G. Wells, uma correspondência imaginária escrita pelo Edgar Pereira. Portanto, havia ali muito conteúdo original, não é? Agora, as pessoas que se dedicam apenas a utilizar a tecnologia para ver os resultados que têm e fazerem tudo, acho que torna-se menos interessante, além de toda a polémica por trás, não é?
E todas as questões que se levantam. Mas essencialmente é isso, concordo com o que o João disse.
E depois há uma questão ambiental, não é? Já nem só a questão dos direitos de imagem e essas coisas todas que também são horríveis. Não se percebe a construção das centrais de ficações. Para quê?
E não era suposto ter tudo à volta, água, tudo?
Era suposto ter ao contrário, ou seja, era tipo, era uma forma até que se podia poupar a pegada ecológica, e não é ao contrário.
Estamos tramados. Isto é curioso porque eu lembro-me em 2014 ou 2015 começámos a ver os drones, as filmagens em drone aparecerem cada vez mais nos filmes. E era aquela coisa que a gente reparava de imediato, que era, ah, ok, estamos a reparar, ok, estão a usar drones aqui. E na altura era uma novidade, não era? Portanto, não era muito. E agora é completamente normalizado.
E portanto, eu não quero fazer publicidade a outros cinemas, mas está neste momento em exibição um filme chamado, um filme antigo russo chamado Sou em Cuba. Vocês só ouvirem falar neste filme. Foi feito por grandes técnicos russos em Cuba para fazer. Eu não tive um documentário sobre a grande revolução comunista do Fidel Castro. Eles levaram para lá técnicos quase do espaço de usar umas câmaras inacreditáveis. Eles fazem uns planos sequência que são tipo drones, mas não havia drones, ou seja, Não faço ideia como é que eles faziam aquilo, estavam pendurados em fios.
A câmera sobe um hotel inteiro, vai ao terraço, entra na piscina, mergulha na piscina, sai da piscina e tira-se para o outro lado e continua. Ou seja, eu acho que o drone faz-me a mim olhar para esses filmes, e isso é bom. Lembra-me de Orson Welles, por exemplo, tem alguns filmes com essas montanhas gigantes, dar muito mais valor a assistir esses filmes. É impressionante, porque o drone resolveu tanta coisa Não tens que buscar um helicóptero, é muito mais simples. Pois, e lembrar-me, mas isso eram os tempos áureos dos maquinistas, não é?
Não só dos diretores de fotografia, mas essencialmente os maquinistas nunca são considerados. E quer dizer, tu fazeres esses travellings E depois teres as gruas metidas em cima, pá, é uma arte incrível que não se devia perder.
Mas que se calhar em nome da segurança acima de tudo também perdeu alguma segurança.
É um facto, não é? Pronto, ganhas umas coisas, perdes outras. Isso também é bom, isso também é bom.
Portanto, em nome de celebrar aqui os 20 anos Imagino que vocês tenham já passado por um grande número de situações engraçadas e outras se calhar não tão engraçadas, imagino, porque o equilíbrio faz parte de tudo, não é? Mas queria saber se têm aqui algumas histórias que gostariam de partilhar connosco e com o público sobre coisas que vos ficam na memória. Durante os últimos 20 anos de Motel 6?
Não, Ricardo, tens que ser tu. Tu, o que é que tu queres saber? Diz mais diretamente. Estás-me a apertar, acho que queres que eu vá há 20 anos de festival e me lembre pequenas coisas. Tens que—
Para ti pode ser do topo da tua cabeça, porque significa que é aquela que é o mais memorável para ti. Sei lá, com vinda do Eli Roth, que em plena altura de pós-Hostel O Dário Argento, que vem em 2012, salvo erro, 2011.
É o mais, mais, houve dois bastante impactantes no início. Obviamente o primeiro, então ninguém dá por ele, que é o Mick Harris. Foi impactante porque foi ele que nos ajudou a trazer os outros três. Ele conhecia-os, ele tinha produzido Massacre of Horror e portanto tinha, era amigo pessoal Foi através dele que conseguimos, até acho que o Dário Argento foi ele que fez o contacto. O Toby Huber, que foi incrível, adorámos o Toby Huber porque convidámos o gajo do terceiro ano, do 39º aniversário do Massacre do Texas, e nem nos apercebemos disso.
Depois, no ano a seguir, nos 40, ele esteve em todo lado. Portanto, foi a nossa sorte ter vindo esse ano. E do outro foi o Zé do Caixão, o Magica Marins, porque já não vi, já estava há muito tempo sem fazer cinema, tinha feito um filme novo, tinha vindo do Festival de Veneza, onde foi aclamado, e isso fez com que o Motel X tivesse uma atenção mediática que não teve no primeiro ano. Aí dobrámos o número de espectadores e a partir daí começámos verdadeiramente a crescer.
Eu acho que ele teve um impacto incrível, não só a nível do público, mas também a nível da imprensa. Toda a gente achou imensa graça. Afortunadamente dá entrevistas. Era também uma grande personagem, porque é tipo, conhece o autor e a personagem, porque ele era um bocado os dois. Em que modo é que ele estava? Lembro-me do Romero chegar sem óculos, tinha a sensação que tu vias mal. Sim, mas fiquei bom. Não sei o que aconteceu, fiquei bom.
Sim, mas não te preocupes que eu uso os óculos para apresentar filmes, para dar autógrafo. Claro, tudo bem.
E tu, Pedro, estás a tentar recordar assim de algum momento?
Um episódio que eu achei muito engraçado foi foi no início, até quando lançámos o Warm Up, portanto, que era um pouco o festival vir para a rua com sessões ao ar livre e outro tipo de abordagens, às vezes mais multidisciplinares, com artes performativas. Mas numa das sessões que fizemos de cinema ao ar livre no Largo de São Carlos, em que exibimos o Gremlins, e nesse dia esteve a chover, e nós achámos bastante engraçado Houve uma série de pessoas que se mantiveram sentadas a ver o filme e tinha tudo a ver, não é?
Tendo em conta a temática e alguns detalhes do filme, a água fazia mesmo, fez mesmo um papel divertido nessa sessão.
Depois Sim, realmente fez o pior, o Q&A mais difícil da história do Motoresport.
Pois foi com uma grande realizadora, mas que tinha uma personalidade muito cisgéndres, que era a Marina Devan, uma francesa que só respondia com monossílabos e não, e fazia questão de dizer que não fazia filmes de Portanto, dizer isto perante mim e a audiência, no Festival do Terror. Ah, eu dei-me melhor, eu dei-me melhor. Não, o filme era 100% terror, nem sequer há discussão de ser um borderline.
Não, havia nuances, era o Dark Horse.
Não, Shadows, qualquer coisa, Dark Shadows.
Sim, agora não me lembro do nome. Darkrooms. Foi emocionante, mas sabes que não foi só, não foi só, não foi só comigo, porque nós claro que fazemos algum convívio, não é, com os convidados nacionais e internacionais, e portanto tentamos dentro das nossas possibilidades de tempo disponível ir convivendo. E bem, quem ficava com ela ou numa mesa de café ou no jantar era, tu eras Tu dizias coisas que nunca imaginaste dizer só para ver se a conversa fluía.
Ela não é que era, fosse, não era mesmo, ela não queria, ela não tinha. Ela estava sentada ao lado do Tobi Ueper com fones a ouvir música. Sabe, Tobi Ueper era aquele que quando se levantava para o sítio toda a gente ia atrás, todos os convidados saltavam para ir falar com ele. E ela estava sentada ao lado dele assim.
Pronto, deve ser.
Foi fantástico.
E sim, efetivamente, qualquer pessoa acho que tem sonhos de falar com um realizador desse. E pronto, e ela só ficava na dela, está tudo certo.
Não, mas foi, são personalidades, nunca mais nos esquecemos. Ela não foi, como é que eu ia dizer, Não foi difícil, ou seja, ela fez tudo, veio, apresentou o filme, fez o Q&A. Mas ela é assim, é personalidade.
E tu não estás assim muito à espera, porque pronto, é um festival, a pessoa vem um pouco representar, mesmo que faça, não seja natural. Mas foi bastante engraçado ao mesmo tempo.
Claro. Pronto, há uns anos tivemos o Brandon Cronenberg. Também, que foi muito engraçado, porque a última vinda dele a Portugal foi no Lefest com o Antiviral, e depois veio com o outro filme.
E o Brandon Cronenberg foi um pouco no seguimento daquilo que, embora nós até tínhamos iniciado essa abordagem em 2011, não tenho erro, com Eli Roth, que foi ao festival, mas depois sentimos que tinha, que seria interessante até que muitos destes mestres já não estavam entre nós, seria interessante mostrar os novos futuros mestres. E começámos com o Lee Whannell, depois com o Ari Aster, depois com o Brandon Cronenberg, e vamos ver o que é que segue no futuro.
Ficamos à guarda, porque efetivamente o género tem evoluído e novos realizadores também têm surgido.
Não, era curioso porque o Brandon Cronenberg, o Ari Aster e o Jordan Peele, ambos tinham 3 filmes a certa altura. Portanto, estavam ali, vamos ver quem é que continua. Em princípio, Jordan Peele e o Ari Aster estão mais garantidos em termos de financiamento, mas será interessante ver estes realizadores o que é que fazem a seguir e quantos filmes conseguem, não é? Que às vezes a grande dificuldade é tu manteres-te no ativo por questões de financiamento.
E o género podemos debater que efetivamente nunca esteve tão mais vivo, não é? Acabámos de ver o Obsession a fazer uma balúrdia de dinheiro sobre um orçamento minúsculo, e que se calhar é dos filmes da década, arrisco a dizer, que estabelece que efetivamente o terror está bem, está muito bem de saúde. Nunca teve mal, depende das perspetivas, aí é que está.
Nós somos, para nós, nós nunca tivemos, podemos não ter crescido muito, mas estabilizámos um nível de público bastante interessante. Ou seja, não há falta de gosto, não há falta de, não tem os chamas que aparecem, tem um bocado a ver com o tempo em que nós vivemos. Estamos a tentar lembrar de outros casos. O Blair Witch Project, acho que é o filme que mais rapidamente enriqueceu duas pessoas no mundo. Saiu em 99, assim no fim, ou seja, um fim de milénio, é uma espécie de reset.
Ou seja, eu acho que quando estes filmes acontecem tem que ser lidos um bocadinho também dentro do contexto em que ele surge, não é só o terror está em alta, o terror vai estar sempre em alta, mas tem a ver com outras coisas e tem a ver com a conjuntura geral, nosso inconsciente coletivo. Quando as coisas estão bem, não há filmes de terror. Sei que as coisas alguma vez estiveram bem, mas não há tantos filmes de terror com sucesso.
É verdade. E vemos cada vez mais filmes de terror a estrearem nas salas.
É verdade. E nós, quer dizer, nós por acaso não muitos desses filmes, se não tivessem estreado antes ou se tivessem um pouco mais flexibilidade, estariam no Motel X, porque muitos deles, apesar de serem se calhar um pouco pensados para um grande público, se calhar não apenas para os fãs de terror, têm coisas muito interessantes. E não é só a parte técnica, não é? São filmes que que vão oferecendo. Isso é bom, é bom, é saudável, e é bom para toda a gente que gosta do género durante o ano poder ir à sala e não ter que continuar a ver tudo na televisão.
Mas quer dizer, os hábitos mudaram muito, mas é curioso que alguns destes filmes de terror e coisas como Backrooms e Obsession, de baixo orçamento, consigam ter tanto sucesso E quer dizer, eu acho que na pior das hipóteses vamos continuar a ter os próximos anos muita produção independente de qualidade. Não sei como é que vai ser em termos de blockbusters, mas isso é um sinal, porque depois tens todos os produtores investidores um pouco a seguir certas tendências.
É nesses momentos em que aumenta também a quantidade de Rip-offs de coisas de gosto duvidoso, de muita produção, um bocado trash no mau sentido da palavra, e que depois acabam por saturar o mercado. E muitas delas conseguem, não se sabe bem como, chegar às salas, e de repente a coisa começa a perder o interesse, e essa questão da novidade também se perde. É um bocado a história da galinha dos ovos de ouro, não é? Mas isto vai-se repetindo, é cíclico.
Portanto, quando destruírem outra vez o terror, passados uns anos ele vai voltar.
E o Motel X há de perdurar durante todo esse período.
Esperemos que sim, vamos ver.
Eu acredito que sim, eu acredito que sim.
Tudo depende de nós, não é? De quem participa.
É um festival de mortos-vivos, é um festival de zombis. O momento que morra vai continuar vivo.
Estavas a falar dos blockbusters, mas agora perto do final do ano vamos ter o Playface, que está a ser vendido como um filme de horror, mas que é da DC.
Isso era muito interessante.
Há ali uma ligação.
Do meu ponto de vista era muito interessante podermos passar também um filme desse calibre, no sentido de ser ligado muito diretamente à questão dos super-heróis, porque foi também uma saga ou uma época que ainda perdura, não é? Mas foi uma época bastante também especial, não é? Foram, eram basicamente esses filmes que estavam sempre no topo dos filmes mais vistos. Alguns de terror também às vezes acompanhavam, mas esse cinema espetáculo com muita fantasia e ação caracterizou muito os últimos, o quê, 10 anos talvez.
E poder trazer um filme de terror nesse universo seria muito interessante e engraçado no Motel X. Mas lá está, isso tudo depende um pouco da estratégia das distribuidoras, a estratégia das majors, que às vezes obrigam as distribuidoras locais a seguir também as suas datas, como é óbvio. E é isso, olha, temos mais terror em sala durante o ano, pessoal que não fica sempre em casa.
E se quiserem multiverso, vão ver o Sakaitani. Não é Marvel, não é DC, mas é o único, provavelmente o único cineasta que fez filmes em que as personagens aparecem, repetem-se nos filmes e entram nos filmes adentro. E se isso não chegar, assim como foi à portuguesa, é outros momentos grandes do cinema em Portugal. Nicola Brynner é um cineasta de série B, e digo isto obviamente parece que é depreciativo, mas ele é daquelas pessoas que tinha, arranjava soluções que não lembrava mais ninguém e fazia os filmes rápido, bem, ou seja, eficientemente.
O bem é outra coisa. E neste caso ele teve uma ideia, primeiro o barulhamento que tem o Deel mistura 3 ou 4 filmes que não se conseguem misturar. Portanto, é quase uma antologia com os mesmos atores. E teve esta ideia pioneira de fazer em duas línguas em vez de dobrar o filme, o que resulta uma filmagem completamente surreal em que os atores dizem em português e depois em inglês, e altera muito o inglês, altera muito quando é uma diferença brutal.
Os próprios personagens mudam, ou seja, num são passivos, noutros são dominadores. E é uma espécie de festival de sotaques, ou seja, todos os atores ali têm um sotaque diferente.
É isso que nós gostamos, de ouvir pessoas a falar em inglês com esse tipo de entoação.
Não é que são várias gerações de atores, cada ator tem uma maneira diferente. Ou seja, sei lá, a minha mãe quando fala inglês dá-lhe para falar com sotaque britânico. Foi assim que ela aprendeu, não sei lá. Fazia o mesmo. E portanto, tens alguns atores a fazer isso lá, tens aqueles que têm um sotaque mais carregado, há um ou outro bilíngue. Paulo Lobantunes deve ser bilíngue, de certeza.
Está a lançar, não é? Porque senão não podem ser todos.
É uma desculpa para os outros que não são.
Eu lembro-me de um filme chamado RPG, clássico, em que a Vitória Guerra é, ela é bilíngue, portanto, e ela só aparece durante, acho que são os primeiros 5 ou 6 minutos, em que ela é a chauffeur da personagem do Rutger, e portanto depois desaparece, enquanto que os outros bilíngues que não são bilíngues, pronto, esforçam-se a fazer, fazem o que podem. Exatamente.
E mais não são obrigados.
E ficou uma obra para a eternidade, não é, do cinema português.
Ficou uma obra, sem dúvida.
E pronto, que um dia espero merecer revisita, porque pronto. Quem sabe eventualmente por aí.
Deixa estar ali a fermentar mais um bocadinho.
É fácil, mas já agora aproveito e através tanto a ti como às pessoas que ouvem este podcast, nós temos um filme que foi ao português. A gente sabe que isto existiu porque alguém no final do ano passado Veio ter connosco e perguntou-nos se já tínhamos ouvido falar naquilo. Ai, nunca tínhamos ouvido, foi incrível. Depois também o Atal da Noiva foi Lacerda que nos falou dos Açores. Portanto, nós estamos, temos uma equipa de investigadores.
Se tiverem pistas, mandem-nos um email, não cobramos nada e vamos à procura desses clássicos.
E portanto, vocês têm uma tipline em que nós podemos ligar e dizer, olhem, descobri.
É um email, info@monroiaxios.com.br. A gente lê os emails.
Pronto, é importante o público e os fãs saberem que vocês estão—
deixo o rap a navegação.
Não prometo que agora, com esta afirmação, que a vossa caixa de correio estará agora enchida por milhares de emails novos para o próximo e os outros anos todos a seguir, mas pelo menos terão emails para lerem para que continuem a haver muitas edições do Motel, algumas secções do Motel 6.
Precisa de mais vida e há pessoas que se lembram de coisas que nós não nos lembramos.
Sim, e mais um livro.
À portuguesa, assim, um livro, sim, tive que fazer a segunda parte. Sim, sim, mas eu, como que foi à portuguesa, a cópia está tão estragada. O filme teve só 3 semanas no Politiana, mas o uso é tanto aquilo deve ter andado a rodar por todo o lado. O filme foi montado várias vezes porque há cenas que as legendas acabam porque é o fim da bobina, eles começam a cortar a fita cola. O que significa que ele foi montado várias vezes. Eu não sei, é um mistério onde é que aquilo andou.
E passou e passou e passou. E portanto, alguém deve ter visto numa sala qualquer e depois partilhar informação. E são coisas interessantes porque nós não conseguimos saber muito mais porque tantas pessoas envolvidas já não se encontram entre nós e ninguém se lembra disto. Sim, o que adensa, adensa o aura, aura de mistério.
Não há uma documentação que indica, ok, isto tem que estar assim. Portanto, vai ser muito curioso, vai ser uma sessão muito curiosa que eu também do nosso lado temos ouvido algum alguma curiosidade e entusiasmo em ver um dos tesouros perdidos que agora ainda é melhor do que se pensa.
Ou seja, aquilo que a discussão que nós possamos fazer não corresponde à realidade.
Portanto, é um caso de estudo para ser analisado no festival.
Eu nem sei se isto é permitido. Eu não sei se isto na altura era permitido fazer isto. Isto é uma espécie de cena pós-modernista. Dizer que faz umas legendas num filme que não tem nada a ver. Eu não sei se os produtores souberam. Nós alugámos o filme, tivemos que constituir a cópia, né, e conseguimos o filme. E a empresa que nos deu o filme deve ter achado estranho que aquele gente foi buscar aquele filme que é totalmente desconhecidíssimo, e depois não fazia ideia o que é que nós estamos a fazer.
Aí, para exibir, tudo certo.
Então Mais estranho. Nós estamos assim no seguimento do que foi feito há 38 anos, ainda estamos ao vácuo, ainda estamos a fazer algo parecido.
Olha, nós este ano vamos lançar uma nova iniciativa que é o Monster Day, que vai ter um concurso de monstros. Tem um prémio monetário de 500 euros. E a ideia era trazer um pouco, manter uma presença mais assídua deste universo da criação de monstros, da maquilhagem especial para cinema de terror, da caracterização, das protes, e tentar perceber se existem aí criadores nesta área perdidos. Que possam utilizar o festival para divulgar o seu trabalho.
E se tiver boa adesão, acho que poderá no futuro continuar e trazer se calhar grandes nomes, esperamos nós, da caracterização. E acaba por ser assim um bocadinho contracorrente em relação a esta obsessão pelo digital, que como já falámos começou com o CGI já há o que é 30 anos pelo menos em força, e se calhar 30, 40. E algumas coisas do século passado, já anos 60 e 70 também, não é? Mas se calhar já podia ser considerado um bocadinho digital, algumas pinturas, não?
Talvez.
Não, mas isto para dizer que nós queríamos muito trazer esta parte mais artesanal para o festival. Nós fomos tendo muitos, já tivemos algumas edições com workshops do João Rapaz, que é um dos grandes mestres portugueses desta área, e esta iniciativa era mesmo para abrir ao público. Portanto, todas as modalidades, todos os budgets são possíveis de entrar e todos os monstros. Monstros, vampiros, zumbis, lobisomens, não há limites, e originais também.
E portanto trazer os monstros deste lado do ecrã.
Exatamente. No fundo é dar um pouco uma hipótese de 3D no festival, visto já não existirem projetores no Cinema São Jorge com essa capacidade.
Maravilhoso. João, alguma coisa que queiras acrescentar? E trazer aqui ao nosso público?
Sim, há muita coisa, mas assim, de repente, para quem se interessar por saber que tipo de ficção de terror é que é pensada pelos criadores portugueses, eu recomendo irem ouvir os pitchs dos guiões no Motel X a concursos. Ano, que é no último, 12 a dia 12, na sala 2. São 7 projetos, cada projeto tem 5 minutos de pitch, portanto é uma coisa rápida. O objetivo ali é eles venderem a ideia que escreveram, não o argumento. O argumento depois é para— esperemos que tenha seguimento com produtoras em Portugal.
Mas é interessante para se ter um bocadito a ideia, para quem quer saber e que está sempre a perguntar sobre o que é que se faz em terror, por exemplo, em Portugal, terror, e o que é que os nossos, que é que os utilizadores querem fazer, e não sei quê. Isto é o nosso pequeno contributo para que a ficção vá mais longe, para que estes projetos possam ser desenvolvidos mais tarde. E o trabalho é um bocado também puxar pelos produtores, dizendo-lhes, como nós estamos aqui a falar dos Blair Witch e dos Backrooms, que por tudo e meia faz um filme que se for bom o suficiente vai dar 3 ou 4, 5 vezes mais dinheiro. Aí tipo, acho que era fugir o assunto, arte e dinheiro tão misturadas.
Ah, e não vamos esquecer da sessão surpresa.
Sim, mas aí não há nada, nenhuma pista, mas que vai ser no último dia, no dia 13, é no último dia do festival.
Principal.
O encerramento este ano é sábado, portanto o dia 13, que é domingo, equivale à segunda-feira das edições anteriores. Embora nos últimos anos as segundas-feiras deixou de ser propriamente apenas repetições e tem incluído alguns originais também. Portanto, vamos manter esse modelo, sendo que a surpresa que o filme twist vai acontecer nesse dia e essa pressa Nós não revelamos nada, nem é com a film twist, a única coisa que sabemos. Muito bem, é isso.
Ficamos à espera então, e sempre com curiosidade, sempre, claro. Muito bem, muito obrigado e vemo-nos pelo festival.
Obrigado, Ricardo, foi um prazer. Com certeza daqui a uma semana e meia.
É verdade, é verdade, precisamos de horários para organizar.
Pois é isso, nós também gostávamos de começar a vender.
Quem dera dizer o mesmo.
Liguem para São Jorge.
Sim, façam pressão, malta, façam barulho.